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terça-feira, 28 de junho de 2016

Conhecendo o Livro de Isaías

Vinde, então, e argui-me, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã” Is 1.18

“O que se destaca na profecia de Isaías é seu rico conceito acerca do Deus Eterno. Para o profeta, Deus se eleva acima de todas as coisas terrenas. Ele é ‘o Senhor dos exércitos’, ‘o Alto e Sublime que habitou a eternidade’, ‘o Poderoso de Israel’, ‘Criador’ de todas as coisas e o Eterno que fez todas as coisas. Deus dirige a história; não há outro Deus além dEle e Ele não tem nenhuma intenção de repartir sua divindade com qualquer rival humano. Ele é Deus de sabedoria e poder. Além disso, Ele é apaixonadamente ético — o Santo. A respeito dEle os serafins cantaram: ‘Santo, Santo, Santo’ (6.2,3).
A contribuição de Isaías à fé judaico-cristã é grande e duradoura. Das suas percepções proféticas nos vieram às sementes que ao longo dos séculos geraram os conceitos mais definidos de expiação e salvação. Porque todos nós, como ovelhas, andávamos desgarrados, e o Senhor havia colocado sobre Cristo a iniquidade de todos nós, para que por meio das suas pisaduras pudéssemos ser curados. Somente com esse tipo de convicção poderemos voltar ao nosso Deus, que terá misericórdia de nós, com certeza de que Ele também nos perdoará abundantemente” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 4. RJ: CPAD, 2005, pp.24-26).

O Livro do Profeta Isaías – esse livro, por seus temas teológicos, é considerado uma peça fundamental da literatura profética. Muitas expressões e palavras utilizadas por Isaías não são encontradas em nenhum outro livro do Antigo Testamento. O livro de Isaías tem muitas promessas de restauração, a respeito da vinda do Messias e da salvação. Essas promessas enchem nossos corações de esperanças e alegria, pois mostram o quanto Deus ama o pecador. As promessas proferidas por Isaías nos possibilitam sonhar com um mundo melhor e mais justo.


O profeta Isaías teve muita ousadia em sua atuação pública. Suas profecias eram majestosas e repletas de nobreza e beleza poética. Por isso, é um dos profetas mais lidos do Antigo Testamento e um dos que mais falou a respeito da vinda do Messias. Tal fato revela a importância que deve ser dada ao mesmo. Uma leitura atenta e cuidadosa do seu livro nos leva a perceber as implicações que esse profeta tem para os dias atuais.


O povo de Deus havia se desviado da Lei. Então, Deus chamou Isaías para mostrar que seu julgamento estava às portas.

Os escritos do profeta Isaías são uma das mais grandiosas produções teológicas do Antigo Testamento. Sua mensagem é profunda e parte de alguém que conhecia o ambiente onde estava inserido, de modo que, tomado pela inspiração divina, foi muito assertivo nas suas profecias, especialmente as que predisseram a vinda messiânica de Jesus Cristo. Nenhum outro profeta se referiu a esse fato com tantos detalhes quanto ele. Sua pregação foi marcada por uma paixão sacerdotal, descrevendo Cristo, seu serviço e sacrifício com muita clareza, sendo por isso mesmo chamado de o evangelista do Antigo Testamento ou ainda o “Evangelho de Isaías”. Seu livro também é chamado de “O livro da Salvação”, sendo uma das mais importantes obras da literatura bíblica hebraica depois do Pentateuco. O próprio Jesus leu Isaías: “E, chegando a Nazaré, onde fora criado, entrou num dia de sábado, segundo o seu costume, na sinagoga e levantou-se para ler. E foi-lhe dado o livro do profeta Isaías; e, quando abriu o livro, achou o lugar em que estava escrito” (Lc 4.16-17). Ao ler alguns versículos de Isaías capítulo 61, Jesus disse que essa profecia se cumpria nEle, se auto-declarando o Mäshiah (Messias em hebraico), o que causou grande alvoroço entre os presentes (Lc 4.28-30). Outra citação importante de Isaías no Novo Testamento está registrada em Atos 8.26-35. Assim sendo, tanto o conteúdo do livro quanto sua autoria são ratificados e confirmados no Novo Testamento.


O profeta tem uma beleza poética e riqueza literária ao escrever que encanta qualquer leitor. Por isso, ele é também chamado de “Rei dos Profetas”. Muitas expressões e palavras utilizadas não se encontram em nenhum outro lugar do Antigo Testamento. Dentre as mais importantes, destacam-se o “Renovo do Senhor” (Is 4.2), “Emanuel” (Is 7.14), “O povo que andava em trevas viu uma grande luz” (Is 9.2), “todos se alegrarão perante ti” (Is 9.3), “seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6), “rebento do tronco de Jessé” (Is 11.1), “anunciador de boas-novas” (Is 41.27), “meu servo” (Is 42.1), “o meu Eleito, em quem se compraz a minha alma” (Is 42.1), e “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e, pelas suas pisaduras, fomos sarados” (Is 53.5). Um dos ápices das profecias de Isaías se dá nos capítulos 52 e 53, quando ele compõe o Cântico do Servo Sofredor, cujo conteúdo salvífico aponta para o sofrimento, padecimento, morte e ressurreição do Messias.


Os escritos de Isaías nos enchem de esperanças e, com isso, nos possibilitam sonhar com um mundo melhor e mais justo, sendo possível uma antecipação do Reino de Deus com todas as suas benesses entre os homens aqui e agora. Seus escritos mostram também que, apesar de enfrentarmos nesta vida situações difíceis e até mesmo aparentemente irreversíveis, como no caso da quase destruição do povo de Deus, ainda assim, a misericórdia, a bondade e o amor de Deus vão além do pecado humano, do caos situacional, do poder dos inimigos e das circunstâncias desesperadoras.


I - INFORMAÇÕES AUTORAIS
1. Tema
Seu tema principal está relacionado às previsões da vinda do Messias, enfatizando a salvação recebida somente pela graça. O livro mostra ainda que Deus não permitirá a desobediência do povo da promessa, e essa será tratada com a devida purificação através do sofrimento, primeiramente do próprio povo e, vicariamente, através de Cristo. O povo será levado para o cativeiro, porém Deus intervirá milagrosamente e lhe trará libertação, quase como que num segundo êxodo, agora não mais saindo do Egito, e sim da Babilônia. Entretanto, o cativeiro será um período difícil e desesperador; porém, as promessas não falharão.
Esta profecia, que na sua época ainda era coisa do futuro, bem como seu posterior cumprimento, servem de fundo histórico e apontam profeticamente para o estado degradante que a desobediência e o pecado causam na humanidade, bem como suas terríveis consequências, mas apontam também para o grande êxodo de todo o povo de Deus em toda a terra, que seria liberto do poder do pecado e das algemas do cativeiro de Satanás, através do sacrifício vicário de Cristo, aguardando um Reino eterno de paz, justiça e amor, onde Deus reinaria para todo o sempre. Assim, pode-se afirmar que o tema central de Isaías é o amor de Deus demonstrado no socorro ao seu povo através do sacrifício do Servo Sofredor, ou seja, a grande salvação de Deus.

2. Data

As descobertas dos rolos do Mar Morto lançaram muitas luzes sobre Isaías, cujos textos provavelmente foram copiados entre 150 a.C. a 50 a.C. Sua importância se dá pelo fato de ser o manuscrito mais inteiro e antigo já descoberto do Antigo Testamento, atestando sua veracidade, fidedignidade e semelhança com os demais manuscritos posteriores preservados. Porém, a citação mais antiga de Isaías está presente no Eclesiástico (livro apócrifo), cuja cópia é datada aproximadamente entre 280 a.C. a 180 a.C.

O livro de Isaías começou a ser escrito provavelmente antes do ano de 740 a.C., tendo sido terminado no ano 701 a.C., período esse que corresponde ao tempo de ministério do profeta, conforme descrito em Isaías 1.1. Essas datas são aproximadas e levam em conta a morte do rei Uzias. Entretanto, outra possibilidade é que, como o livro possui três partes, a primeira delas tenha sido escrita de 740 a 698 a.C., e a segunda e terceira partes de 697 a 680 a.C., terminando no reinado de Manassés.


3. Autoria

As correntes teológicas ortodoxas têm consenso de que Isaías é o autor deste livro, mas pesquisas recentes apontam, especialmente a crítica textual, para o fato de que o profeta não poderia ter previsto com tanta clareza eventos futuros como, citar o nome de Ciro, o persa, além de detalhes do exílio e da volta do exílio, a não ser por alguém que estivesse passando por aqueles momentos. No entanto, essas suposições não podem ser aceitas porque tiram o caráter preditivo da inspiração profética e enfraquecem a proeminência de Deus sobre as demais divindades cultuadas na época, que eram divindades falsas. O testemunho das escrituras e da história é que os profetas de fato fizeram predições que apenas Deus sabia de antemão. Logo, foram inspirados milagrosamente a dizer o que disseram. Além disso, o profeta Isaías, em especial, era um profundo conhecedor da política, economia, sociedade e religião de sua época, pois vivia no palácio real, podendo, dessa forma, fazer discernimentos inspirados por Deus como poucos profetas fizeram. Por isso, seus escritos são considerados como dos mais importantes do Antigo Testamento. Alguns dos quais nem foram proferidos oralmente, apenas escritos (Is 8.16; 30.8). Ele poderia também ter se utilizado de amanuenses (ou copista) para alguns de seus escritos.

Tem-se afirmado que existem duas ou três grandes porções distintas em Isaías, diferentes entre si no estilo literário e nas abordagens, embora estejam em unidade entre si. Uma que vai do capítulo 1 ao 39, outra do 40 ao 55 e outra do 56 ao 66, organizadas em épocas diferentes, chegando alguns a dizer que poderiam ter sido escritas durante o exílio, ou seja, na Babilônia e no período pós-exílico, em Jerusalém. Contra essa afirmação, pode-se dizer que a mudança de estilo pode ser resultado da variação de propósito do autor, mudança do destinatário, estado de ânimo, a idade, ou mesmo outra influência sobre o autor que, necessariamente, não indica que este seja outra pessoa.


Ao ler o livro, ficam claras pelo menos duas ou três divisões. Elas caracterizam os momentos e problemas diferentes que o livro de Isaías cobre na história do povo israelita. Existe uma mudança a partir do capítulo 40. O estilo se toma mais poético e teórico. O tom toma-se conciliatório em vez de condenador. Os oráculos de acusação e juízo - que compunham a maior parte dos primeiros 39 capítulos - tomam-se bem mais raros. A visão profética de um novo tempo que viria sobre Israel ganha mais vida e vigor.


Essa divisão tem dado margem a que a segunda e a terceira porções do livro sejam atribuídas a um Dêutero-Isaías, ou, ainda, a terceira porção a um Trito-Isaías. Contra essa argumentação, temos o fato de a tradição rabínica judaica e histórica da igreja sempre afirmar que foi Isaías, de fato, o autor, bem como as várias citações de Isaías, inclusive da segunda e terceira porções, no Novo Testamento. Tal é a importância e a veracidade de Isaías que o Novo Testamento faz mais de 400 citações diretas e indiretas do livro, citando o profeta nominalmente mais de 20 vezes, muito mais do que qualquer outro profeta. As descobertas dos rolos do Mar Morto, datadas do século II a.C., podem ser outra prova da unidade do livro de Isaías e de seu autor único, visto que um dos manuscritos contém todos os capítulos de Isaías como os conhecemos hoje, apontando, dessa forma, para um só autor e uma só obra. Essa mesma afirmação vale para os que defendem uma escrita posterior de Isaías, colocando-a no século II a.C. Se assim fosse, os manuscritos do Mar Morto seriam cópias muito recentes ou mesmo os originais, mas esta hipótese não se sustenta diante dos fatos. Nem mesmo a Septuaginta, escrita no século III a.C., fornece qualquer pista de que Isaías tivesse tido mais de um autor, nem mesmo uma divisão entre o “Primeiro” Isaías (capítulos 1 a 39) ou o Dêutero-Isaías (capítulos 39 e 40) ou ainda escrito em datas muito distantes entre as três partes principais do livro. Dessa forma, Isaías deve ser lido como um único livro, apesar de haver inúmeras maneiras de ser analisado e dividido, além do necessário respeito para com estudiosos do assunto, tendo o cuidado para não negar seu caráter profético e divino.


Há uma tradição que afirma que Isaías era sobrinho do rei Amasias; logo, ele era de linhagem nobre e certamente vivia na corte real, desfrutando de alguns privilégios que lhe serviram de base e capacitação para ter o amplo ministério que teve. Era casado com uma profetiza (Is 8.3) e teve dois filhos com ela, Sear-Jasube (“um resto volverá”) (7.3), cujo nome evoca as conquistas assírias que deixariam somente um remanescente de sobreviventes, e Maer-Salal-Hás-Baz (“pronto ao saque, rápido aos despojos”) (8.3b), referindo-se aos assírios saqueando o Reino do Norte (Israel) que havia se aliançado com outras nações para ameaçarem o Reino do Sul (Judá). Dando esses nomes aos filhos, ele se compara ao profeta Oseias, que levou seu ministério tão a sério que envolveu sua família e o nome dos filhos. Certa vez, quando foi advertir o rei Acaz, levou seu filho Sear-Jasube junto, para que este fosse um testemunho profético vivo (7.3) diante da incredulidade do rei. O final de sua vida foi trágico, segundo a tradição rabínica: ele foi serrado ao meio durante o reinado de Manassés.

Antes de ser profeta, Isaías era o cronista que escrevia as histórias reais do rei Uzias: “Quanto ao mais dos atos de Uzias, tanto os primeiros como os derradeiros, o profeta Isaías, filho de Amoz, o escreveu. (2 Cr 26.22). Portanto, esse texto bíblico confirma o fato de ele ter vivido por um longo tempo no palácio real e desfrutado de privilégios reais. Essa informação aponta que o profeta, para ser cronista, era um erudito escritor que provavelmente teve uma formação escolar muito avançada em relação àquela época, demonstrando que o profeta de Deus, nos tempos bíblicos e muito mais hoje, pode perfeitamente conciliar estudos acadêmicos com unção divina, desfazendo a compreensão errônea de que os estudos ou a teologia esfriam a fé e a devoção. O leitor poderá argumentar que esta realidade é do passado, mas a prova de que é presente é o fato de as igrejas pentecostais no Brasil não possuírem universidades (apenas faculdades) e não terem nenhum programa stricto sensu (mestrado e doutorado) para fomentar estudos e pesquisas sobre a teologia pentecostal, sendo esta, em boa parte, dependente das teologias das igrejas históricas, muitas das quais negam a experiência com o Espírito Santo nos moldes das igrejas pentecostais. A absorção de teologias cessacionistas tem ocasionado esfriamento espiritual das igrejas pentecostais na questão da liberdade à operação do Espírito Santo e desvios em relação à compreensão da atuação deste por falta de teologias pentecostais, afastando algumas igrejas desta nova maneira de ser igreja que os pentecostais trouxeram para o mundo evangélico.


4. A missão do profeta

A missão que Isaías recebeu foi bastante difícil, tendo em vista a desobediência e rebeldia que o povo se encontrava. Portanto, num contexto imediato, suas profecias cairiam no vazio da estupidez e surdez de um povo pecador e afastado de Deus (Is 6.9-10), muito embora, num contexto de longo prazo, suas profecias se cumpririam. Deus precisava mostrar para o povo que eles eram rebeldes e que, mesmo ouvindo sua Palavra, não se converteriam. Nesse sentido, Isaías não teve tempo em vida de ver o cumprimento de suas predições, pois, dada a grandeza de suas revelações, elas se cumpririam na história da humanidade em tempos vindouros distantes, tanto as que se referiam a Israel, quanto as que se referiam a toda raça humana. Israel seria levado ao exílio, experimentaria um novo êxodo, um remanescente voltaria para a Terra Prometida, viria um grande rei, um Messias que cumpriria todas as promessas de Deus em relação a Israel, mas este Messias teria que padecer grandes dores para remir o povo escolhido; entretanto, o povo escolhido rejeitaria o Messias, e isso proporcionaria a salvação dos gentios que viviam em densas trevas. Num futuro ainda mais distante, o povo escolhido seria resgatado novamente; então, aí sim, seria estabelecido um reinado perpétuo de paz, prosperidade e justiça na terra que alcançaria todos os povos, tribos, raças e nações. Assim sendo, suas profecias apontam para o dia em que todos os povos da terra, judeus e gentios, estarão sob o reinado do Reino de Cristo.

Todos esses fatos apontam para a grandiosidade das profecias de Isaías e atestam para sua veracidade histórica e profética, contrariando algumas correntes teológicas que tentam tirar do profeta seu caráter preditivo. Quando Deus disse ao profeta que seu chamado causaria surdez - realidade esta que era para Israel - talvez, isso ainda hoje seja verdadeiro para ouvidos céticos.


O livro de Isaías é um dos livros mais instigantes do Antigo Testamento, pois suas profecias e sua mensagem, apesar de serem endereçadas para um povo especifico entre 740 e 701 a.C, são sempre atuais diante da corrupção da humanidade.


II - OBJETIVOS DE ISAÍAS
O profeta Isaías teve muita ousadia em sua atuação pública; suas profecias eram majestosas e repletas de nobreza e beleza poética; por isso, ele é um dos profetas mais lidos e celebrados do Antigo Testamento e também um dos que mais falou a respeito da vinda do Messias. Isso revela a importância que deve ser dada ao mesmo para perceberem-se as implicações que esse profeta tem para os dias atuais. Diante disso, Isaías tem os seguintes objetivos ao escrever:

1. Anunciar o juízo de Deus diante do pecado

Israel e as nações vizinhas estavam em desacordo com os preceitos justos de Deus, ofendendo gravemente a santidade dEle. Porém, era necessário que Deus, diante de sua justiça e misericórdia, fizesse o povo saber com clareza quais eram seus pecados e quais as consequências dessa desobediência.

2. Falar contra a idolatria e a falsa religião

O povo de Israel estava sendo governado por alguns reis que desprezaram. A eles se aliaram alguns sacerdotes cujo compromisso era apenas manterem a religião institucional. Isso se fez refletir numa religiosidade vazia, hipócrita, ritualística e sem sentido espiritual para o povo, levando-os a se desviarem dos caminhos do Senhor.

Além da falsa religiosidade, havia a adoração a ídolos. Embora o ídolo nada seja, pois é fabricado pelo homem (Is 2.8), ninguém se aproxima e o adora sem que seja afetado por ele, mesmo que este não tenha poder para fazer mal ou bem; fica afetado porque é instalada uma cegueira espiritual em seu coração e mente (Is 44.18), de modo que passa a adorar o falso como verdadeiro sem se dar conta do grave erro (Is 44.20) e se toma igual ao ídolo (SI 115.8; Os 9.10) em estultícia e ignorância. O profeta é incisivo ao advertir contra a adoração de ídolos, destacando a necessidade de adorar Jeová, pois somente Ele pode predizer e fazer acontecer (Is 44.7) e é o Senhor da história (Is 40.22-25; 43.14-15). Portanto, ídolo é tudo aquilo que exige uma lealdade que só é devida a Deus.


No Novo Testamento, a idolatria é usada no sentido metafórico, sendo considerado tudo aquilo que ocupa o coração da pessoa, que toma as forças e a primazia, aquilo a que ela se dedica, o lugar para onde a pessoa vai para se satisfazer, ao invés de Cristo ocupar este lugar primeiro. Nesse sentido, pode-se colocar a cobiça (Ef 5.5), as riquezas (Mt 6.21), o poder (Mt 20.25-28), ou qualquer coisa que ocupe o lugar de Deus. A idolatria foi chamada de obra da carne (G1 5.19-20) e deve-se fugir dela (1 Co 10.14).


3. Denunciar a injustiça social

O povo de Deus havia se tomado orgulhoso e egoísta como as demais nações. Isso fez com que os pobres dentre o povo fossem humilhados e explorados pelos ricos e pelos governantes (Is 10.2; 26.6; 32.7; 41.17); mas, em contrapartida, o Deus justo e misericordioso faria justiça ao pobre (Is 11.4), daria alimentação e descanso a eles (Is 14.30), serviria de refugio para eles (Is 25.4) e seria portador de boas notícias (Is 61.1).

Ainda hoje, a voz do profeta ecoa para denunciar esquemas de corrupção, injustiça e infidelidade nas várias esferas sociais (política, econômica e religiosa), advertindo que Deus está atento e sempre virá em socorro dos desvalidos, desamparados, injustiçados e marginalizados.


4. Anunciar a vinda do Messias

Esse é o objetivo mais importante de Isaías, porque diante da desobediência, aliada ao fato de que as pessoas não conseguiam encontrar o caminho certo para Deus, a única solução possível seria a vinda do Messias que, através do seu sofrimento, faria com que o povo se voltasse para Deus, “porque as iniquidades deles levará sobre si.” (Is 53.11). A vinda do Messias aponta para o caráter misericordioso e redentor de Deus, mesmo Israel sendo um povo rebelde. Por mais de dez vezes, o profeta aponta para Jeová como o Redentor. O autor cita pelo menos dezessete profecias que se referem ao Messias vindouro.

O profeta Isaías teve um ministério ousado e corajoso em meio ao contexto político, social e religioso em que vivia. Entregou-se a Deus para enfrentar a dura missão de ser mensageiro da justiça, do julgamento do pecado e do anúncio da esperança messiânica ao seu povo.



III - CONTEÚDO DE ISAÍAS
De modo geral, os conteúdos proféticos bíblicos apresentam as seguintes temáticas, que também estão presentes em Isaías:
(1) profecia como instrução e orientação ao povo;
(2) discernimento e interpretação de fatores sociais, econômicos, políticos e religiosos, presentes ou iminentes;
(3) acusação, condenação e juízo; e
(4) esperança e promessa de restauração com base nas alianças e na misericórdia de Deus.

Isaías é veemente contra a corrupção, a aliança política duvidosa, a idolatria, os excessos, a opulência, a ostentação, o orgulho, a opressão e toda sorte de injustiças. Levanta-se contra reis, autoridades, juízes, políticos, comerciantes, agricultores poderosos e toda sorte de exploradores do povo, sempre em defesa dos mais fracos, dos pobres, das crianças e das viúvas. Algumas profecias de Isaías são breves e frequentemente mudam a temática abordada (entre os capítulos 4 e 5, por exemplo), enquanto outras são densas e exploram exaustivamente o assunto (capítulos 52 e 53).


Os conteúdos de Isaías são bastante citados no Novo Testamento, especialmente os capítulos 40 a 55. Certamente isso ocorre porque esse bloco de profecias aponta para o Servo Sofredor, Cristo, aparecendo 21 vezes a palavra ‘ebed (servidor, servo), que algumas vezes se referem ao povo de Deus, mas que, na maioria das vezes, fazem referência ao Messias, que deu sua vida para salvar a humanidade. Nesse mesmo bloco de profecias, são encontrados os quatro cânticos do Servo do Senhor (42.1-4; 49.1-6; 50.4-9; 52.13-53.12).


1. Conteúdo social, político e religioso

No aspecto exposto neste item, podemos dividir sua mensagem em duas grandes partes: social e política. Todas elas, porém, são permeadas pelo conteúdo religioso. Assim, no primeiro período de suas profecias, sua preocupação é mais social que religiosa, fazendo coro ao profeta Amós do Reino do Norte, tecendo críticas à classe dominante pela opulência, vaidade e luxo estonteante que os levam a cometer injustiças, embora professem suas crenças e suas atitudes em nome da religião. Isaías apela para o terrível “Dia do Senhor”, no qual Ele visitará toda maldade social, política e religiosa, caso o povo não aceite o convite do profeta para o arrependimento: “Cessai de praticar o mal aprendei a fazer o bem.” (Is 1.17).

Na questão político-religiosa, Isaías evoca as promessas davídicas as quais Deus jurou que cumpriria, não apenas com respeito à dinastia de Davi, mas também em relação à Jerusalém como cidade escolhida. Neste sentido, o profeta tem esperança de que Deus, ao final, salvaria seu povo. Mesmo assim, ele denuncia os pecados destes, especialmente a falta de fé e confiança, demonstradas quando são feitos conchavos políticos, alianças com nações pagãs e confiança em exércitos estrangeiros, ao invés de confiarem unicamente em Deus e em sua salvação. A grande esperança que garante a salvação em Isaías é o Messias davídico que implantará a paz, a justiça e o direito perpetuamente.


2. O Deus de Isaías

O profeta descreve o caráter de Deus (Javé) de maneira brilhante, chamando-o de Santo de Israel 25 vezes; Ele é o Salvador, relacionando essa palavra à redenção e livramento, pois seria sem sentido apregoar justiça e juízo sem prover um grande livramento no final; Ele é o Redentor e o Único e Supremo Governante, em contraste com outros deuses que nada são (Is 37.19); é Ele quem carrega e cuida do seu povo (Is 46.1-9) e faz novos céus e nova terra (Is 65.17; 66.22).

3. O Espírito de Deus

Isaías é o profeta que mais fala sobre o Espírito de Deus, mais que qualquer outro profeta do Antigo Testamento. A referência mais importante é quando ele afirma que o Espírito do Senhor (Javé) repousará sobre o “rebento de Jessé” (Cristo) com “o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor.” (Is 11.1-2). Há promessa de um derramamento tal do Espírito que “o deserto se tomará em campo fértil” (Is 32.15) e a Palavra do Senhor não se desviará dos convertidos nem de seus filhos (Is 59.20-21); o Espírito sobre Cristo “trará justiça às nações” (Is 42.1) e o “ungiu para pregar boas-novas aos mansos”, “restaurar os contritos de coração”, “proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos” (Is 61.1); e o Espírito do Senhor trará descanso ao seu povo (Is 63.14).

4. O Messias

O profeta afirma que Jesus, o Messias, é o verdadeiro herdeiro do trono de Davi (Is 9.7; cf. Lc 1.32-33) e Ele manifestará seu papel como Messias ao realizar milagres (Is 29.18; 35.5-6; cf. Mt 11.3-5; Lc 7.22). Ele também estabelecerá a Nova Aliança (Is 55.3-4; cf. Lc 22.20) e um dia estabelecerá um Reino Messiânico, reinará e será adorado (Is 9.7; 66.22-23; cf. Lc 1.32-33; 22.18,29-30; Jo 18.36).

5. A Escatologia e a glória do Reino futuro

Isaías é um livro escatológico, pois aponta para várias características somente possíveis no Reino messiânico, onde o descendente de Davi se assentará perpetuamente no trono. A glória do Senhor invadirá toda terra (Is 62.2), toda a terra desejará ver essa glória (Is 66.18-19), e a glória do Senhor será manifestada em todo o seu povo (Is 61.3). Essa glória futura será um evento escatológico ainda por acontecer, mas também já é presente através do Reino de Deus que já está entre nós pela obra redentora de Cristo, tendo como um dos seus sinais a Igreja de Cristo e todas as iniciativas que manifestam a glória de Deus através da luta pela justiça, equidade e paz. Se investirmos tempo em nossa comunhão com Deus e nosso relacionamento com nosso próximo, servindo-o em amor, teremos a oportunidade de viver um pouco, enquanto ainda estivermos na terra, do que será a glória futura.

6. Esboço do conteúdo do livro de Isaías

O livro de Isaías, como já mencionado anteriormente, é composto por coleções de escritos, como a maioria dos livros proféticos. Portanto, são profecias registradas durante um período de tempo e agrupadas conforme um determinado assunto, ou ainda, demonstram um amadurecimento do próprio profeta ao escrever. Assim, do capítulo 1 ao 39, o enfoque de Isaías é o juízo divino sobre Judá e Jerusalém e sobre as nações vizinhas através da Assíria, especialmente os capítulos 13 ao 23 que tratam exclusivamente das nações pagãs. Na segunda e terceira metade do livro, do capítulo 40 ao 55 e do capítulo 56 ao 66, respectivamente, Isaías se volta para a salvação do povo, depois da punição pelo pecado ao retornarem do cativeiro babilônico. Ele escreve sobre a glória futura do povo de Deus através do Servo do Senhor, que é Cristo, que salvará seu povo através de seu próprio padecimento e triunfo.

Segue adiante um esboço de Isaías:

I. Profecias de repreensão e promessas (1.1-6.13);
II. Primeira coleção de profecias sobre o Messias (7.1-12.6);
III. Profecias contra as nações estrangeiras (13.1-23.18);
IV. Primeira coleção de julgamento e promessa (24.1-27.13);
V. Profecias e ais contra os infiéis de Israel (28.1-33.24);
VI. Segunda coleção de julgamento e promessa (34.1-35.10);
VII. Conteúdo histórico: Ezequias (36.1-39.8).
VIII. Segunda coleção de profecias sobre o Messias: anúncio da paz (40.1-55.13):

a) Prólogo sobre a grandeza e o cuidado do Senhor (40.1-31);

b) A libertação da Babilônia e retomo à Terra Prometida (41.1 -48.22);
c) O Servo Sofredor e o projeto de reconstrução de Jerusalém (49.1-53.12);
d) O consolo do Príncipe da Paz (54.1-55.5);
e) Epílogo de exortação e consolo na Palavra do Senhor (55.6-13).
IX. Profecias diversas: apesar da depravação e do sofrimento, a esperança do Reino é anunciada com glória (56.1-66.24):

a) Graça para os gentios e iniquidade e perdão de Israel (56.1-57.21);

b) Depravação de Israel e restauração na intervenção divina (58 1-60.22);
c) Promessas de libertação e a grandiosidade do Reino (61.1-66.24).

Na mensagem de Isaías, Deus manifesta sua graça ao povo. Os pecados já estavam sentenciados, todos mereciam o julgamento definitivo de Deus, mas ainda assim, o anúncio de julgamento é seguido de uma mensagem de esperança.



Fonte:
Lições Bíblicas - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. 3º.trim_2016 CPAD - Comentarista Clayton Ivan Pommerening
Livro de Apoio - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. 3º.trim_2016 CPAD - Comentarista Clayton Ivan Pommerening
Comentário Bíblico Beacon - CPAD
Comentário Bíblico - Matthew Henry - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Bíblico Wycliffe

Sugestão de leitura:

Aqui eu Aprendi!

2 comentários:

  1. A paz do Senhor meu amigo e irmão em Cristo pastor Ismael

    Maravilhoso estudo! Muito bom aprender mais sobre este profeta que mais anunciou sobre a vinda do Messias. É um ótimo incentivo para lermos o livro de Isaías conferindo sempre as profecias dele que se cumprem em Cristo.

    Forte abraço!

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    Respostas
    1. Glória Deus! Realmente Neiva, minha grande amiga e irmã em Cristo, maravilhoso conhecer mais e mais sobre o profeta Messiânico Isaías (homem inspirado pelo Espírito Santo).

      Este trimestre estaremos publicando nas postagens EBD JOVENS assuntos relacionados a esse profeta - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim.

      abraço fraterno
      Pastor Ismael

      Excluir

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