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quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fortaleza de Epifânio é descoberta em Jerusalém

Fortaleza histórica é descoberta em Jerusalém
Há mais de cem anos arqueólogos procuravam a fortaleza do governante grego Antíoco Epifânio. Durante muitos anos os pesquisadores debateram a localização da cidade de Acra, construída a mais de dois mil anos atrás por Epifânio, rei do império selêucida. A maioria afirmava que ficava na atual cidade Velha de Jerusalém, junto à colina onde templos judeus estiveram no passado.

Após uma década de trabalho, nesta terça (03), a Autoridade de Antiguidades de Israel divulgou as provas ‘inequívocas’ encontradas no sítio arqueológico de Givati, que fica dentro da região conhecida como ‘cidade de Davi’. As ruínas estão do lado de fora dos muros da Cidade Velha com vista para um vale ao sul.

Além de partes das muralhas da fortaleza, a escavação revelou pontas de flechas de bronze, bolas de chumbo para estilingue e pedra usadas em catapultas, típicas daquele período histórico. Essa é uma das descobertas arqueológicas mais importantes dos últimos anos em Jerusalém.
Pontas de flechas de bronze e pedras de funda de chumbo encontrados no local (Foto: IAA)
Antíoco travou contra os judeus as batalhas descritas no Livro de Macabeus, que embora não seja considerado inspirado, tem inegável valor histórico. Os confrontos que resultaram na morte de centenas de judeus são lembrados todos os anos durante a celebração do “Chanuká”. As Bíblias católicas possuem os livros de Primeira e Segunda Macabeus.

Esta é a primeira vez que arqueólogos conseguem comprovar a existência da fortaleza, com vestígios arquitetônicos que remetem ao domínio grego de Jerusalém. Nos últimos meses os pesquisadores acharam uma parede maciça, a base de uma torre com 4 metros de largura e 20 de comprimento e uma Halaklaka, espécie de rampa escorregadia que impedia que os invasores subissem pela base dos muros.

Segundo os registros históricos, era dessa fortaleza que Antíoco supervisionava Jerusalém e o Templo. Os acontecimentos em Israel quando ele emitiu decretos de perseguição religiosa contra os judeus estão registrados nos escritos de Flávio Josefo.

Epifânio reinou sobre a Síria entre 175 a.C. e 164 a.C. Em 167 a.C. invadiu Israel e profanou o Templo, proibindo o culto judaico, a guarda do sábado, além de costumes como a circuncisão. Saqueou toda Jerusalém de suas riquezas e mandou construir um altar no Templo onde sacrificava porcos.

De acordo com fontes antigas, os habitantes de Jerusalém sofreram muito sob seu domínio. O sistema de fortificação grego resistiu a diversas tentativas de conquista. Somente no ano 141 a.C., após um longo cerco que quase matou de fome a guarnição grega, Simão, o Hasmoneu, foi capaz de derrotá-los.

Após sua vitória, os judeus conseguiram estabelecer um reino judaico independente na região entre 142 a.C. e 63 a.C., quando foram dominados pelos romanos. Durante este período a família dos Macabeus (também chamados de Asmoneus) iniciou uma nova dinastia real e sacerdotal, tendo ao mesmo tempo o poder político como o religioso.

Os arqueólogos Doron Ben-Ami, Yana Tchekhanovets e Shlomo Cohen, que lideram a escavação emitiram nota à imprensa.

Restos de fortaleza grego descoberto em Jerusalém Cidade de David (Foto: IAA)
“Este reduto militar controlava todos os acessos ao Monte do Templo. As numerosas moedas encontradas, que são desde os dias de Antíoco IV até os dias de Antíoco VII, além do grande número de jarros de vinho importados fornecem evidências do momento em que as pessoas viviam na fortaleza, e comprova que seus habitantes eram estrangeiros”.

Até uma década, o local abrigava um estacionamento. A equipe de Ben-Ami escavou uma colina artificial composta por várias camadas de terra deixadas por diferentes culturas.

Com informações de Ynet News 

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

A Escritura Sagrada

Necessitamos ter convicção sobre qual fundamento estamos crendo. Nossa fonte de conhecimento é a Palavra de Deus. Através dela o Senhor se dá a conhecer de um modo especial. Ela é o nosso objeto de estudo para conhecermos verdadeiramente quem é o nosso Deus, e qual a Sua vontade para todo ser humano. Para isso é necessário sabermos o que é a Bíblia. É indispensável termos convicção do que estaremos aprendendo. Provavelmente você ouvirá argumentos do tipo “ah! papel aceita qualquer coisa!”, ou, “porquê a Bíblia é sua única regra de fé?” O apóstolo Pedro nos ordena “santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós” (1Pe 3:15). Começaremos a nossa jornada de estudo analisando primeiramente o que é a Bíblia.

Lorraine Boettner nos adverte, dizendo que “a resposta que dermos à pergunta ‘o que é Cristianismo'? dependerá amplamente do conceito que sustentarmos da Escritura”. [1] Se aceitarmos que a Bíblia é um mero livro de religião, sem inspiração divina, insuficiente, cheio de erros, e impossível de ser entendido, então, ele não nos servirá para nada, a nossa fé será vazia de significado tornando o nosso Cristianismo uma religião confusa! Estaremos baseando a nossa convicção a respeito da Bíblia sobre cinco declarações que caracterizam a Bíblia como sendo a Palavra de Deus .
1. A Bíblia é nossa única fonte e regra de fé e prática. 
2. A Bíblia é plenamente inspirada pelo Espírito Santo. 
3. A Bíblia é clara em suas declarações sobre salvação e santificação 
4. A Bíblia é inerrante em todas as suas afirmações. 
5. A Bíblia é suficiente para nos ensinar tudo em matéria de fé.
1. A Bíblia é nossa única fonte e regra de fé e prática
Somente a Escritura Sagrada é autoridade absoluta. 
Somente a Escritura Sagrada define minhas convicções doutrinárias. 
Somente na Escritura Sagrada encontro a verdadeira sabedoria. 
Somente a Escritura Sagrada rege as minhas decisões. 
Somente a Escritura Sagrada molda o meu comportamento. 
Somente a Escritura Sagrada determina os meus relacionamentos. 
Mas porque a Bíblia tem toda esta autoridade? A resposta é simples: ela é a Palavra inspirada por Deus.
2. A Bíblia é plenamente inspirada pelo Espírito Santo
Cremos que a Escritura Sagrada é plenamente inspirada. [2] Isto significa que o Espírito Santo exerceu soberanamente uma influência suficiente e completa estendendo-se a todas as partes das Escrituras, conferindo-lhes uma revelação autorizada de Deus, de modo que as revelações vieram a nós por intermédio da mente e da vontade de homens, todavia, elas são no sentido estrito, a Palavra de Deus. Esta influência do Espírito Santo que envolveu os escritores sacros, estendeu-se não somente aos seus pensamentos gerais, mas também a todas as palavras que eles usaram, de modo que os pensamentos que Deus desejou revelar-nos foram conduzidos com infalível exatidão. Não foram inspirados apenas os seus pensamentos, mas cada palavra original que os autores usaram.

Esta inspiração se estende não somente ao texto, mas afetou organicamente o seu autor, no momento do registro da revelação. Os escritores foram os instrumentos de Deus no sentido que aquilo que eles disseram, foi de fato o que Deus disse. No ato da inspiração o Espírito não anulou o escritor, mas agiu em, com e através de sua personalidade. O Espírito de Deus não inspirou os autores como se fossem máquinas, anulando a sua liberdade, responsabilidade e capacidades mentais, mas escreveu através deles (2 Pe 1:16-21). Cada autor viveu numa situação social específica, num contexto histórico real, escrevendo com preocupações particulares, para destinatários e propósitos definidos. Mesmo havendo na Bíblia a diversidade literária, lingüística, e estilo próprio de cada autor, isto não anula que ela tenha fonte numa única mente, que o Espírito Santo é o seu autor primário (2 Pe 1:19-21; Rm 11:33-36). O Dr. A.A. Hodge descreve como a inspiração ocorreu sobre os autores.
Os escritores de todos os livros eram homens, e o processo de composição que lhes deu origem era, caracteristicamente, processo humano. As características pessoais do modo de pensar e sentir dos escritores operaram espontaneamente na sua atividade literária e imprimiram caráter distinto em seus escritos, de um modo em tudo semelhante ao efeito que o caráter de quaisquer outros escritores produz nas suas obras. Escreveram impelidos por impulsos humanos, em ocasiões especiais e com fins determinados. Cada um deles enxerga o seu assunto do seu ponto de vista individual. Recolhe o seu material de todas as fontes que lhe são acessíveis – da experiência e observações pessoais, de antigos documentos e de testemunho contemporâneo. Arranja seu material com referência ao fim especial que tem em vista; e de princípios e fatos tira inferências segundo o seu próprio modo, mais ou menos lógico, de pensar. Suas emoções e imaginações exercitam-se espontaneamente e manifestam-se como co-fator nas suas composições. As limitações de seu conhecimento pessoal e de seu estado mental em geral, e os defeitos de seus hábitos de pensar e de seu estilo são tão óbvios em seus escritos como o são outras quaisquer de suas características pessoais. Usam a linguagem e os modismos próprios da sua nação e classe social. [3]
3. A Bíblia é clara em suas declarações sobre a salvação e santificação
A essência da revelação bíblica é acessível ao homem independentemente do seu nível cultural (Sl 19:7; Sl 119:130). Não é requisito necessário ser formado em teologia para se interpretar a Bíblia! Nem mesmo receber uma ordenação oficial para isto. Todos devem ter livre acesso à sua interpretação. Todavia, isto não significa que cada um é livre para interpreta-la do modo que lhe seja mais conveniente. Livre acesso à interpretação das Escrituras significa que qualquer pessoa pode verificar, usando responsavelmente as regras corretas da hermenêutica, o real significado de uma passagem bíblica.

Quando a Escritura fala que o homem natural “não pode entende-las, porque se discernem espiritualmente” (1 Co 2:14b), ela não está negando uma capacidade do não convertido de entender os assuntos naturais e éticos de que a Bíblia fala. Por exemplo, a Palavra de Deus é a revelação da vontade de Deus, mas ela contém a história da raça humana, a narração de culturas de povos antigos, a descrição geográfica de lugares específicos e muitos outros assuntos. Mas, mesmo quando trata de assuntos éticos, o não convertido é capaz de entender. Usemos de exemplo os “dez mandamentos” (Ex 20:1-17). Será que por mais ímpia que seja a pessoa ela pode alegar incapacidade de entender a lei de Deus? Se a Palavra de Deus fosse absolutamente obscura, então Deus não poderia condenar os pecadores que ouvem a sua Palavra, pois eles poderiam alegar que nada entendem! Elas têm em si mesmas uma fonte de iluminação que garante a inteligibilidade da sua mensagem. [4]

Não se nega que as Escrituras contenham muitas coisas de difícil entendimento. É verdade que elas requerem estudo cuidadoso. Todos os homens precisam da direção do Espírito Santo para o correto entendimento e obtenção da verdadeira fé. Afirma-se, porém, que em todas as coisas necessárias à salvação, elas são suficientemente claras para serem compreendidas mesmo pelos iletrados. [5]

Toda verdade necessária para a nossa salvação e vida espiritual é ensinada tanto explícita como implicitamente na Escritura. [6] Tudo o que é necessário para 'a salvação e uma vida de obediência é inteligível para qualquer pessoa, desde que iluminada pelo Espírito Santo (1Ts 2:13; 1Pe 1:22-25).

4. A Bíblia é inerrante em todas as suas afirmações
Por ter sido escrita por homens sujeitos a erros, alguns incrédulos (e até alguns pastores) afirmam que a Escritura Sagrada também contém erros. Todavia, estas pessoas ao negarem a inerrância das Escrituras estão fazendo da mente humana um padrão de verdade mais elevado do que a própria Palavra de Deus. O que encontramos na Bíblia são “aparentes contradições”, ou afirmações incompreendidas, que podem ser coerentemente harmonizadas com uma interpretação cuidadosa (Hb 6:18; Jo 17:17). Um antigo teólogo chamado Francis Turrentin observou que “os escritores sacros foram movidos e inspirados pelo Espírito Santo, envolvendo tanto os pensamentos, como a linguagem, e que eles foram preservados livres de todo erro, fazendo com que os seus escritos sejam inteiramente autênticos e divino.” [7]

Se a Bíblia contêm algum erro histórico, geográfico, científico, como podemos ter certeza de que não terá erros morais (Sl 12:6)? Deus mentiu, ou errou em alguma de suas informações? Seria a pergunta mais sensata a se fazer. Deus soberanamente não poderia livrar os seus agentes escritores de errarem? Como poderíamos aceitar a autoridade da Bíblia, que alega ser a verdade, ensinar a verdade, inspirada por um Deus verdadeiro, e que ama a verdade, se sua Palavra estivesse cheia de erros (Nm 23:19; 2 Sm 7:28; Jo 17:17; Tt 1:2; Hb 6:18)? No mínimo, ela seria algo não confiável, e perderia toda a sua autoridade, pois não poderíamos chamá-la de Palavra de Deus! Mas a Escritura autentica a si mesma como inerrante (Js 23:14; Sl 12:6; Pv 30:5; Jo 14:35).

5. A Bíblia é suficiente para nos ensinar tudo em matéria de fé.
Os 39 artigos de Fé da Religião Anglicana exprime este tema de forma mui precisa ao declarar que “as Escrituras Sagradas contêm todas as coisas necessárias para a salvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode provar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como artigo de Fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação.” [8]

Na Bíblia o homem encontra tudo o que precisa saber e tudo o que necessita fazer a fim de que venha a ser salvo, viva de modo agradável a Deus, servindo e adorando-O aceitavelmente (2 Tm 3:16-17; 1 Jo 4:1; Ap 22:18). [9]

A Bíblia é completa em seus 66 livros. Mesmo se os arqueólogos encontrassem uma outra epístola do apóstolo Paulo não a aceitaríamos como parte da Palavra de Deus. O número de livros que o nosso Senhor intentou dar-nos é somente este, nada mais acrescentaremos (Ap 22:18-19). O que os autores escreveram, movidos pelo Espírito Santo, é inspirado, todavia, não significa que os outros dos seus escritos também sejam inspirados. Por exemplo, Paulo escreveu 13 dos 27 livros do Novo Testamento, mas durante toda a sua vida, após a conversão, certamente que escreveu muito mais do que apenas estas epístolas, mas isto, não significa que a inspiração estava inerente à sua pessoa de tal modo, que sempre escrevia inspirado. Mas, é bom lembrarmos que tudo o que nos foi deixado (os 66 livros), somente foi preservado por causa de sua inspiração.

Não podemos acrescentar nada à Bíblia (Dt 4:2; 12:32; Pv 30:5-6; Ap 22:18-19). Deus quer que descubramos o que crer ou fazer segundo a sua vontade somente na Escritura Sagrada (Dt 29:29; Rm 12:1-21). Não existe nenhuma revelação moderna que deva ser equiparada à autoridade da Palavra de Deus. Somente a Bíblia é a nossa única fonte e regra de fé e prática e não novas profecias (Sl 119).

6. A Bíblia “Católica” é diferente da Bíblia “Protestante”?
A resposta é um “sim” e um “não”. Sim, pois há de fato pelo menos duas diferenças que podem ser claramente observadas. A primeira diferença é quanto à sua tradução que difere tanto das versões evangélicas, como entre as católicas. Por quê existem tantas Bíblias diferentes? Seria mais correto perguntarmos “porquê existem tantas traduções diferentes?” Não existem Bíblias diferentes, como se algumas fossem mais completas do que outras, [10] ou algumas falassem coisas que contradizem as demais! O que ocorre é que as Sociedades Bíblicas, que se dedicam à tradução deste tão precioso livro, adotam filosofias de tradução diversificadas.

A segunda diferença é que as “Bíblias Católicas” possuem 7 livros a mais (Tobias, Judite, 1 e 2 Macabeus, Sabedoria, Eclesiástico, Baruc) e alguns acréscimos nos livros de Ester e Daniel. [11] Até a Reforma do século XVI o conjunto de livros da Bíblia era aceito como sendo de apenas 66 livros. Os protestantes começaram a declarar Sola Scriptura (somente a Escritura) como única regra de Fé, e apegando-se ao número de livros do Antigo Testamento hebraico (39 livros) e do Novo Testamento grego (27 livros). Em reação a isto, a Igreja Católica Romana tomou a seguinte decisão em seu Concílio de Trento (1545-1563) na 4ª sessão de 08/04/1546 no Decreto Concernente às Escrituras Canônicas lemos:
Se alguém não receber como sagradas e canônicos os livros do Antigo e do Novo Testamento, inteiros e em todas as suas partes, como se contém na velha edição Vulgata, e conscientemente os condenar, seja anátema. [12]
Esta decisão da Igreja Católica Romana implicou que ao adotar a Vulgata Latina como texto padrão oficial, ela endossou todos os livros apócrifos que esta tradução continha. A Vulgata Latina é uma tradução latina da Bíblia feita em 382-383 d.C. a partir da Septuaginta [13] e não do texto hebraico original. O seu tradutor foi Sofrônio Eusébio Jerônimo (340-420 d.C.) que desde aquela época questionava o acréscimo na nova tradução de livros que não faziam parte do texto hebraico. Em outras palavras a Vulgata Latina é uma tradução de outra tradução.

A nossa convicção como herdeiros da Reforma encontra-se expressa na Confissão de Fé de Westminster da seguinte forma:
Os livros comumente chamados apócrifos, não sendo de inspiração divina, não fazem parte do cânon da Escritura; e, portanto, não são de nenhuma autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados nem utilizados senão como escritos humanos. [14]
Certamente aprenderemos muito, mas, em tudo examinando o que a Escrituras diz ? O pastor presbiteriano rev. Henry B. Smith escreveu um poema que poderíamos usar para resumir o que falamos até aqui a respeito da Escritura Sagrada:


Aprendamos sempre com a Bíblia na mão
O que nos foi entregue, nada aceitando senão
O que nos foi ensinado, nada amando senão
O que nos foi prescrito, nada odiando senão
O que nos foi proibido, nada fazendo senão
O que nos foi ordenado na Bíblia do Cristão. [15]


NOTAS:
[1] Lorraine Boettner, Studies in Theology (Philadelphia, The Presbyterian and Reformed Publ. Co., 1967), p. 9
[2] Lorraine Boettner, Studies in Theology , p. 11
[3] A.A. Hodge, Esboços de Teologia (São Paulo, PES, 2001), p. 90.
[4] Paulo Anglada, Sola Scriptura A Doutrina Reformada das Escrituras (São Paulo, Editora Os Puritanos, 1998), p. 86.
[5] Charles Hodge, Teologia Sistemática (São Paulo, Ed. Hagnos, 2001), p. 137.
[6] John MacArthur, Jr., Sola Scriptura (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 2000), p. 210.
[7] citado por W.G.T. Shedd, Dogmatic Theology (Nashville, Thomas Nelson Publishers, 1980), vol. 1, p. 72
[8] 39 Artigos de Fé da Religião Anglicana, artigo VI sobre As Escrituras Sagradas citado no Apêndice de Wayne Grudem, Teologia Sistemática (São Paulo, Ed. Vida Nova, 2002), p. 999
[9] Paulo Anglada, Sola Scriptura A Doutrina Reformada das Escrituras, p. 74
[10] Aqui me refiro entre os 66 livros conforme encontrados nas traduções adotadas pelos evangélicos.
[11] Catecismo da Igreja Católica , Parte I, cap. II, art. 3. iv, p. 43.
[12] Herminsten M.P. da Costa, A Inspiração e Inerrância das Escrituras Uma Perspectiva Reformada (São Paulo, Ed. Cultura Cristã, 1998), p. 70.
[13] A Septuaginta (LXX) é a tradução do Antigo Testamento feita entre 200 a 150 a.C., por uma equipe de 70 judeus. Embora a tradução foi realizada à partir do texto hebraico, foram acrescentadas vários outros livros religiosos, escritos em grego, que circulavam entre judeus. Norman Geisler & William Nix, Introdução Bíblica (São Paulo, Ed. Vida, 1997), pp. 196 e 213.
[14] Confissão de Fé de Westminster, cap. I, seção 3.
[15] Citado em Bruce Bickel, ed., Sola Scriptura , p. 210.     

Texto: por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Fonte: Monergismo  

Sugestão de leitura
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quinta-feira, 30 de julho de 2015

A Revolta dos Macabeus

Este rápido Estudo vem de encontro a um pedido (meu amigo leitor) para abordar sobre este tema.

Antes porém, gostaria de deixar a previsão do Livro de Daniel:
...após 1150 dias
(2300 tardes e manhãs)

"Depois ouvi um santo que falava; e disse outro santo àquele que falava: Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, e da transgressão assoladora, para que sejam entregues o santuário e o exército, a fim de serem pisados? E ele me disse: Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; e o santuário será purificado." Daniel 8:13,14


O PERÍODO HELENISTICO ( 333 - 63 a.E.C)
Na batalha de Isso (333 a. C.), é definido, com a vitória de Alexandre sobre os persas, que os judeus passariam a fazer parte do Império Helenístico. Esse fato vai fazer com que ocorram várias transformações na vida dos judeus; a partir de agora haverá um confronto com as civilizações mediterrâneas, no caso, com a cultura grega, que modificará o estilo de vida e o pensamento do povo judeu.

Quando Alexandre passou por Jerusalém, foi recebido pelo Sacerdote e por um grande numero de anciãos da cidade. Para Alexandre, o Sacerdote era o homem que aparecera em seus sonhos e que teria previsto suas vitórias, por isso ele decidiu oferecer um sacrifício no Templo. Ele ficou muito satisfeito com a recepção dada pelos judeus, por isso garantiu-lhes o direito de continuar com suas leis e viver de acordo com seus costumes. O exército do jovem rei continuou seu caminho até a morte dele em 323 a.C.

Após sua morte, seus sucessores não conseguiram manter unido o vasto império, que se dividiu em três, sendo desses, dois mais importantes: o Egito, do general Ptolomeu e a Ásia, do general Seleuco. A Palestina fez parte do primeiro do império ptolomaico e depois passou para o Selêucida.

A maior parte do povo vive em territórios dominados pelos gregos durante as campanhas de Alexandre. Isto significou um período de adaptação e confronto com a maneira de viver e pensar dos gregos e, neste confronto, os judeus sofreram varias influências, mas conseguiram manter as bases do seu estilo de vida. Essa vontade de manter suas tradições provocou reações entre os helenistas, que podem ser consideradas as primeiras manifestações anti-semitas.


DOMÍNIO DOS SELÊUCIDAS
No período em que a Judeia passa a ser dos selêucidas, as modificações na situação político-social e cultural do povo judeu são extremamente importantes.

O império selêucida era diferente do ptolomaico: era um império muito extenso e abrangia dezenas de povos e línguas diferentes que encontravam dificuldade em conviver. Antíoco III garantiu aos judeus o livre exercício de sua religião e o estatuto do território judaico não foi alterado. O Sumo Sacerdote agora era escolhido pelo rei, o que fez com que ele não representasse mais o povo diante do governo, o que agravou as tensões entre os dois partidos, de divisões ideológicas distintas – resultado dos processos que vinham ocorrendo desde o inicio do período helenístico, tanto sociais como culturais: os helenizantes e os ortodoxos. Os fatos que levaram a Guerra dos Macabeus foram apenas a gota d’água de uma situação há muito tempo pronta para explodir.[1]


SUBSÍDIOS
A Batalha de Isso foi uma batalha ocorrida em 333 a.C., próxima à cidade de Isso, na Ásia Menor, na qual o rei macedônio Alexandre, o Grande da Macedônia venceu Dario III, rei dos persas.

As causas da morte de Alexandre, o Grande, são desconhecidas. Especula-se que tenha contraído alguma doença tropical em sua estada na Índia.

A morte de Alexandre, o Grande, ainda continua sendo um mistério. Falecido aos 32 anos, em 323 a.C., Alexandre morreu após vários dias de febre na Babilônia. Várias hipóteses foram pensadas para explicar sua morte: envenenamento, malária, cirrose, febre tifóide ou o vírus do Nilo Ocidental. No entanto, até hoje, nenhuma obteve consenso dos pesquisadores. (nethistoria.com.br)


A REVOLTA DOS MACABEUS


167 AC (Anno Mundi 3729) – início da revolta dos Macabeus
Os judeus conseguiram vencer os exércitos helênicos e estabelecer um reino judaico independente na região entre 142 a.C.- 63 a.C., quando então foram dominados pelos romanos. Durante este período de 142-63 a.C., a família dos macabeus estabeleceu-se no poder e iniciou uma nova dinastia real e sacerdotal, dominando tanto o poder secular como o religioso. Isto provocou uma série de crises e divisões dentro da sociedade israelita da época, visto que pela suas origens os Macabeus (também conhecidos pelo nome de família como Asmoneus) não eram da linhagem de Davi, não podendo assim ocupar o trono de Israel, e também não eram da linhagem sacerdotal araônica.
Antíoco Epifâneo reinou sobre a Síria entre 175 AC e 164 AC, vindo a invadir Israel e profanar o Templo de Jerusalém em 167 AC, proibindo o culto judaico, a guarda do sábado, além de outros costumes tais como a circuncisão. Saqueou toda Jerusalém de suas riquezas e mandou construir um altar no Templo e fez ali sacrificar porcos.
Josefo cita, ele próprio, as maldades praticadas por este governante: “A maior parte do povo obedeceu-lhe, fê-lo voluntariamente ou por medo; mas estas ameaças não puderam impedir aos que tinham virtude e generosidade de observar as leis dos pais.
O cruel príncipe fazia a estes morrer por vários tormentos. Depois de os ter feito retalhar a golpes de chicote, sua horrível desumanidade não se contentava de fazê-los sacrificar, mas, enquanto respiravam, ainda fazia enforcar e estrangular perto deles suas mulheres e os filhos que tinham sido circundados.
Mandava queimar todos os livros das Sagradas Escrituras e não perdoava a um só de todos aqueles em cujas casas os encontrava.” (Hist. Dos Hebreus, Vol 4, Cap. 4, § 465)
Afora a História dos Hebreus de Josefo, I e II Macabeus são os únicos relatos que temos acerca do período helênico na Judéia.
Embora se diga que Josefo parafraseou o livro apócrifo de I Macabeus, suas narrativas são bem mais completas e diferem em algumas datas e pontos, por exemplo, no que diz respeito ao intento de Antíoco conquistar o Egito: Conforme I Macabeus, ele logrou fazê-lo, enquanto Josefo diz que Antíoco foi dissuadido por ameaças dos romanos a abandonar o Egito.
Matatias iniciou a revolta dos Macabeus. No geral, a dinastia que se consolidou em Israel da descendência de Matatias passou a ser conhecida como “asmoneus”, termo que deriva do nome Asmoneu, ancestral de Matatias, conforme explica o próprio Josefo: “Naquele mesmo tempo, numa aldeia da Judéia chamada Modim, havia um sacerdote da descendência de Joaribe, nascido em Jerusalém, que se chamava Matatias, filho de João, filho de Simão, filho de Asmoneu.” História dos Hebreus, Capítulo 8, § 467)
Na literatura judaica o título “Macabeus” se refere mais propriamente aos filhos de Matatias, Judas e seus irmãos Jônatas e Simão, sendo o título “Asmoneu” mais apropriado para se referir aos descendentes seguintes.
É mais correto ver os “macabeus” Judas, Jônatas e Simão, filhos de Matatias, como chefes da resistência judaica, e não propriamente como “reis” de um suposto estado Macabeu. Os três, cada qual a seu tempo, acumularam as funções de chefes militares e de sumo-sacerdotes do Templo de Jerusalém.
Neste tempo, muitas das cidades de Israel se encontravam tomadas pelos selêucidas e seus aliados judeus, entre as quais se pode citar Jericó, Emas, Betoron, Betel, Tocon e Gazara entre outras.
Após este período, podemos sim entender a existência de um estado Asmoneu, que experimentará uma completa independência durante um período de 70 anos entre 134 e 63 AC, o que não deixa de nos sugerir uma antítese com os 70 anos de cativeiro na Babilônia.
165 AC a 164 AC – Matatias
A revolta dos Macabeus foi iniciada por Matatias, que fugindo das atrocidades praticadas em Jerusalém por conta da nova ordem imposta por Antíoco Epifâneo, veio a habitar com seus cinco filhos na cidade de Modin, onde alcançaram grande respeito por parte de seus moradores.
Certo dia apareceu em Modin um oficial do rei a ordenar que se oferecessem sacrifícios no altar conforme o novo costume imposto por Antíoco. Matatias se recusou a fazê-lo e matou um dos judeus que ali sacrificava, bem como o oficial do rei, vindo assim a se refugiar com seus familiares nas montanhas.
Juntou-se pouco tempo depois a este pequeno grupo familiar, alguns judeus assideus, que igualmente fiéis à sua religião, decidiram combater Antíoco; muitos outros grupos foram se juntando a este núcleo, de tal forma que se constituiu um pequeno e valente exército disposto a combater os pagãos.
Conta Josefo que uma guarnição do rei buscou um dos grupos revoltosos para fazê-los desistir da sedição, vindo a encontrá-los num dia de sábado. Pela reverência que tinham ao dia do descanso, o grupo se recusou a pegar em armas para se defender vindo assim a ser impiedosamente sufocado dentro da caverna em que se encontravam.
Os sobreviventes vieram relatar a Matatias o acontecido e este os repreendeu severamente a que nunca mais procedessem desta forma, pois ao entregar sua vida sem luta, violavam igualmente a Lei de Deus, fazendo-se homicidas de si mesmos.
164-160 AC – Judas Macabeu 
Cerca de um ano depois de iniciada a revolta Matatias veio a falecer, vindo a ocupar seu lugar na liderança do grupo seu filho Judas, de apelido Macabeu, cujo significado é “martelo”, de onde vem o nome revolta dos Macabeus.
Conforme a tradição judaica, a revolta dos Macabeus abriu um precedente na história da humanidade: nunca antes uma nação ousou morrer por seu Deus. Esta foi a primeira guerra religiosa e ideológica da história da civilização.
Judas Macabeu provou na liderança de seu povo ser um general competente, havendo derrotado sucessivas vezes exércitos imensamente mais numerosos e mais preparados no sentido militar. Era, segundo se constata, dono de quatro predicados importantes: forte senso de determinação, coragem pessoal, visão militar e fé incondicional no Deus de seus pais.
Depois de sucessivas vitórias sobre o exército de Antíoco Epifânio, Judas logrou reconquistar Jerusalém. Ocupou-se então de restaurar e purificar o Templo, vindo a consagrá-lo novamente ao serviço religioso judaico, exatamente três anos após Antíoco o haver violado.
A celebração deste evento marca a origem da Festa das Luzes celebrada pelos judeus até os dias de hoje no mês de Kislêv (Dezembro).
Josefo nos faz compreender que ao tempo de Judas Macabeu Roma já se avultava como potência européia (Vol 4, Cap. XIII, § 492), havendo já dominado por aquele tempo a Galácia, Espanha, Cartagena e Grécia.
Desta forma pareceu bem a Judas Macabeu fazer com os romanos um pacto de cooperação em que Roma se comprometia a advertir àqueles que estavam sobre sua obediência a não atacar ou colaborar com aqueles que se indispusessem contra os judeus e da mesma forma estes fariam o mesmo por Roma.
No seu tempo veio a falecer Antíoco Epifânio, segundo Josefo, de desgosto, por ver as sucessivas vitórias dos Macabeus na palestina, bem como as vitórias de outros inimigos frente ao seu exército.
Antíoco Eupator, seu filho, reinou em seu lugar, vindo no início de seu reinado a propor paz a Judas Macabeu, proposta esta que não tardou a descumprir, ordenando que se destruíssem os muros ao redor do Templo e que se matasse Onias, o sumo-sacerdote.
160 a 143 AC – Jônatas
Após seis anos de consecutivas vitórias sobre os selêucidas, Judas Macabeu veio a falecer, sendo então substituído por seu irmão Jônatas.
Registra-se no tempo de Jônatas o cumprimento da profecia de Isaías que nos dá conta da construção em Heliópolis, no Egito, de um templo semelhante ao de Jerusalém.
Este templo foi erguido por Onias, filho homônimo de Onias, sumo-sacerdote de Israel no tempo de Pitolomeu Filometor, rei do Egito. Vejamos o texto de Isaías:
“Naquele tempo o Senhor terá um altar no meio da terra do Egito, e uma coluna se erigirá ao Senhor, junto da sua fronteira. E servirá de sinal e de testemunho ao Senhor dos Exércitos na terra do Egito, porque ao Senhor clamarão por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e um protetor, que os livrará.” (Is 19:18-20)
142 até 134 AC – Simão
Jônatas liderou o povo de 160 a 143 AC, sendo seguido depois de sua morte por seu irmão Simão que governou o povo entre 142 até 134 AC, encerrando assim o período dos irmãos Macabeus.
Simão empreendeu vários combates contra seus adversários, vindo a obter grandes vitórias junto às cidades de Gazara, Jope e Jamnia, tendo conseguido tomar finalmente a fortaleza de Jerusalém, um complexo de resistência militar que havia sido construído ao lado do Templo, com a finalidade de vigiar qualquer insurreição que pudesse ser ali iniciada.
Tal fortaleza estava construída num lugar alto ao lado do Monte Moriá, e Simão fez com que depois de destruída a fortaleza, fosse o monte rebaixado. Diz Josefo que esta tarefa demorou três anos para ser concluída, de maneira que o monte foi aplainado e nada mais de elevado sobrou senão o Templo.
Fonte: Cronologia da Bíblia
- https://cronologiadabiblia.wordpress.com/2011/06/13/a-revolta-dos-macabeus
[1]http://www.chazit.com/cybersio/arhj/helenismo.html

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Periodo Interbíblico - Intertestamentário


Ao lermos o último livro do Antigo Testamento (Malaquias) e iniciarmos a leitura do primeiro livro do Novo Testamento (Mateus), não imaginamos que entre esses dois livros há um período muito importante a ser estudado, porém pouco conhecido e ensinado nas igrejas.

Um período de 400 anos marcado pelo silêncio da era profética e por essa razão apelidado “O Período Negro”.

Esse mesmo período merece total atenção, pois se quisermos compreender melhor o Novo Testamento e as mudanças que ocorreram no mundo entre os anos 397 - 6 a.C. teremos que nos voltar a ele e observar os fatos e acontecimentos ali presentes, além de suas contribuições para o desenvolvimento do cristianismo.

Chamamos esse período de “Período Interbíblico ou Intertestamentário”.

Definição
A palavra intertestamentária significa “entre testamentos”. 
O Período Intertestamentário ou Interbíblico, para uma melhor compreensão, trata-se do período que se estendeu por 400 anos entre livro de Malaquias e o evangelho de Mateus.

Durante esse período a promessa do Messias já havia sido profetizada, porém não concretizada. Agora todos experimentam o silêncio de Deus, não há ninguém inspirado pelo Senhor que fala em seu nome.
Ao observarmos o mundo nesse período, podemos notar transformações significativas quanto as civilizações que se levantavam para exercer seu domínio, sem falar ainda na vida do povo de Deus (os judeus), que aguardavam o advento do Messias com o propósito de restaurar a Israel, que viveram sob o domínio da Pérsia, Grécia e Roma.


Os Apócrifos
A impressão que temos, quanto ao povo escolhido por Deus, é que depois de Malaquias nenhuma obra literária fora produzida até a época dos apóstolos. Essa impressão é equivocada. Concordamos que nenhuma obra inspirada por Deus fora produzida, somente obras de cunho humano visando suprir a escassez da revelação divina com o propósito de consolar o povo e manter a unidade entre eles diante da dispersão desde Nabucodonosor.

Foi no decorrer do Período Interbíblico que a literatura apócrifa surgiu. Esses livros foram incluídos no cânon da Septuaginta e Vulgata Católica Romana e constituem o que hoje chamamos de Apócrifos, que significa “livros ocultos, escondidos” não reconhecidos pelos cristãos como sendo inspirados ou legítimos por Deus.

Temos ainda, em adição aos apócrifos, os escritos judaicos extrabíblicos escritos sob um suposto nome e conhecidos como “Pseudoepigráficos”. Eram obras escritas com os nomes de líderes do passado (Enoque, Baruque, Esdras, etc). [1]

A Expressão “400 Anos de Silêncio”, frequentemente empregada para descrever o período entre os últimos eventos do A.T. e o começo dos acontecimentos do N.T. não é correta nem apropriada. Embora nenhum profeta inspirado se tivesse erguido em Israel durante aquele período, e o A.T. já estivesse completo aos olhos dos judeus, certos acontecimentos ocorreram que deram ao judaísmo posterior sua ideologia própria e, providencialmente, prepararam o caminho para a vinda de Cristo e a proclamação do Seu evangelho.


Desenvolvimento Político
A Supremacia Persa
Por cerca de um século depois da época de Neemias, o império Persa exerceu controle sobre a Judeia. O período foi relativamente tranquilo, pois os persas permitiam aos judeus o livre exercício de suas instituições religiosas. A Judeia era dirigida pelo sumo sacerdotes, que prestavam contas ao governo persa, fato que, ao mesmo tempo, permitiu aos judeus uma boa medida de autonomia e rebaixou o sacerdócio a uma função política. Inveja, intriga e até mesmo assassinato tiveram seu papel nas disputas pela honra de ocupar o sumo sacerdócio. Joanã, filho de Joiada (Ne 12:22), é conhecido por ter assassinado o próprio irmão, Josué, no recinto do templo.

A Pérsia e o Egito envolveram-se em constantes conflitos durante este período, e a Judeia, situada entre os dois impérios, não podia escapar ao envolvimento. Durante o reino de Artaxerxes III muitos judeus engajaram-se numa rebelião contra a Pérsia. Foram deportados para Babilônia e para as margens do mar Cáspio.
Em seguida à derrota dos exércitos persas na Ásia Menor (333 a.C.), Alexandre marchou para a Síria e Palestina. Depois de ferrenha resistência, Tiro foi conquistada e Alexandre deslocou-se pra o sul, em direção ao Egito. Diz a lenda que quando Alexandre se aproximava de Jerusalém o sumo sacerdote Jadua foi ao seu encontro e lhe mostrou as profecias de Daniel, segundo as quais o exército grego seria vitorioso (Dn 8). Essa narrativa não é levada a sério pelos historiadores, mas é fato que Alexandre tratou singularmente bem aos judeus. Ele lhes permitiu observarem suas leis, isentou-os de impostos durante os anos sabáticos e, quando construiu Alexandria no Egito (331 a.C.), estimulou os judeus a se estabelecerem ali e deu-lhes privilégios comparáveis aos seus súditos gregos.

A Judéia sob os Ptolomeus
Depois da morte de Alexandre (323 a.C.), a Judeia, ficou sujeita, por algum tempo a Antígono, um dos generais de Alexandre que controlava parte da Ásia Menor. Subsequentemente, caiu sob o controle de outro general, Ptolomeu I (que havia então dominado o Egito), cognominado Soter, o Libertador, o qual capturou Jerusalém num dia de sábado em 320 a.C. Ptolomeu foi bondoso para com os judeus. Muitos deles se radicaram em Alexandria, que continuou a ser um importante centro da cultura e pensamento judaicos por vários séculos. No governo de Ptolomeu II (Filadelfo) os judeus de Alexandria começaram a traduzir a sua Lei, i.e., o Pentateuco, para o grego. Esta tradução seria posteriormente conhecida como a Septuaginta, a partir da lenda de que seus setenta (mais exatamente 72 – seis de cada tribo) tradutores foram sobrenaturalmente inspirados para produzir uma tradução infalível. Nos subsequentes todo o Antigo Testamento foi incluído na Septuaginta.

Os reis do Sul - os Ptolomeus, sucessores de Ptolomeu Soter, general de Alexandre. 

A Judéia sob os Selêucidas
Depois de aproximadamente um século de vida dos judeus sob o domínio dos Ptolomeus, Antíoco III (o Grande) da Síria conquistou a Síria e a Palestina aos Ptomeus do Egito (198 a.C.). Os governantes sírios eram chamados selêucidas porque seu reino, construído sobre os escombros do império de Alexandre, fora fundado por Seleuco I (Nicator).
Durante os primeiros anos de domínio sírio, os selêucidas permitiram que o sumo sacerdote continuasse a governar os judeus de acordo com suas leis. Todavia, surgiram conflitos entre o partido helenista e os judeus ortodoxo. Antíoco IV (Epifânio) aliou-se ao partido helenista e indicou para o sacerdócio um homem que mudara seu nome de Josué para Jasom e que estimulava o culto a Hércules de Tiro. Jasom, todavia, foi substituído depois de dois anos por uma rebelde chamado Menaém (cujo nome grego era Menelau). Quando partidários de Jasom entraram em luta com os de Menelau, Antíoco marcha contra Jerusalém, saqueou o templo e matou muitos judeus (170 a.C.). As liberdades civis e religiosas foram suspensas, os sacrifícios diários forma proibidos e um altar a Júpiter foi erigido sobre o altar do holocausto. Cópias das Escrituras foram queimadas e os judeus foram forçadas a comer carne de porco, o que era proibido pela Lei. Uma porca foi oferecida sobre ao altar do holocausto para ofender ainda mais a consciência religiosa dos judeus.

Os reis do Norte - os Selêucidas, sucessores de Seleuco I, que governou parte da Ásia Menor e Síria.
Não demorou muito para que os judeus oprimidos encontrassem um líder para sua causa. Quando os emissários de Antíoco chegaram à vila de Modina, cerca de 24 quilômetros a oeste de Jerusalém, esperavam que o velho sacerdote, Matatias, desse bom exemplo perante o seu povo, oferecendo um sacrifício pagão. Ele, porém, além de recusar-se a fazê-lo, matou um judeu apóstata junto ao altar e o oficial sírio que presidia a cerimonia. Matatias fugiu para a região montanhosa da Judeia e, com a ajuda de seus filhos, empreendeu uma luta de guerrilhas contra os sírios. Embora os velho sacerdote não tenha vivido para ver seu povo liberto do jugo sírio, deixou a seus filhos o término da tarefa. Judas, cognominado “o Macabeu”, assumiu a liderança depois da morte do pai. Por volta de 164 a.C. Judas havia reconquistado Jerusalém, purificado o templo e reinstituído os sacrifícios diários. Pouco depois das vitórias de Judas, Antíoco morreu na Pérsia. Entretanto, as lutas entre os Macabeus e os reis selêucidas continuaram por quase vinte anos.
Aristóbulo I foi o primeiro dos governantes Macabeus a assumir o título de “Rei dos Judeus”. Depois de um breve reinado, foi substituído pelo tirânico Alexandre Janeu, que, por sua vez, deixou o reino para sua mãe, Alexandra. O reinado de Alexandra foi relativamente pacífico. Com a sua morte, um filho mais novo, Aristóbulo II, desapossou seu irmão mais velho. A essa altura, Antípater, governador da Iduméia, assumiu o partido de Hircano, e surgiu a ameaça de guerra civil. Consequentemente, Roma entrou em cena e Pompeu marchou sobre a Judeia com as suas legiões, buscando um acerto entre as partes e o melhor interesse de Roma. Aristóbulo II tentou defender Jerusalém do ataque de Pompeu, mas os romanos tomaram a cidade e penetraram até o Santo dos Santos. Pompeu, todavia, não tocou nos tesouros do templo.

Judas o Macabeu - o terceiro filho (Judas, Jônatas e Simão) do sacerdote judeu Matatias (que iniciou a revolta). Lider da revolta dos Macabeus contra o Império Selêucida (167-160 a.C.). Macabeu, vem da palavra do siríaco maqqaba, "martelo". Foi-lhe concedido em reconhecimento a sua bravura em combate.

Roma
Marco Antônio apoiou a causa de Hircano. Depois do assassinato de Júlio Cesar e da morte de Antípater (pai de Herodes), que por vinte anos fora o verdadeiro governante da Judeia, Antígono, o segundo filho de Aristóbulo, tentou apossar-se do trono. Por algum tempo chegou a reina em Jerusalém, mas Herodes, filho de Antípater, regressou de Roma e tornou-se rei dos judeus com apoio de Roma. Seu casamento com Mariamne, neta de Hircano, ofereceu um elo com os governantes Macabeus.
Herodes foi um dos mais cruéis governantes de todos os tempos. Assassinou o venerável Hircano (31 a.C.) e mandou matar sua própria esposa Mariamne e seus dois filhos. No seu leito de morte, ordenou a execução de Antípater, seu filho com outra esposa. Nas Escrituras, Herodes é conhecido como o rei que ordenou a morte dos meninos em Belém por temer o Rival que nascera para ser Rei dos Judeus.


Grupos Religiosos dos Judeus
Quando, seguindo-se à conquista de Alexandre, o helenismo mudou a mentalidade do Oriente Médio, alguns judeus se apegaram ainda mais tenazmente do que antes à fé de seus pais, ao passo que outros se dispuseram a adaptar seu pensamento às novas ideias que emanavam da Grécia. Por fim, o choque entre o helenismo e o judaísmo deu origem a diversas seitas judaicas.

Os Fariseus
Os fariseus eram os descendentes espirituais dos judeus piedosos que haviam lutado contra os helenistas no tempo dos Macabeus. O nome fariseu, “separatista”, foi provavelmente dado a eles por seus inimigos, para indicar que eram não-conformistas. Pode, todavia, ter sido usado com escárnio porque sua severidade os separava de seus compatriotas judeus, tanto quanto de seus vizinhos pagãos. A lealdade à verdade às vezes produz orgulho e ate mesmo hipocrisia, e foram essas perversões do antigo ideal farisaico que Jesus denunciou. Paulo se considerava um membro deste grupo ortodoxo do judaísmo de sua época. (Fp 3:5).

O nome é dado a um grupo de judeus devotos à Torá, surgidos no século II a.C.. Opositores dos saduceus, criam uma Lei Oral, em conjunto com a Lei escrita, e foram os criadores da instituição da sinagoga. Com a destruição de Jerusalém em 70 d.C. e a queda do poder dos saduceus, cresceu sua influência dentro da comunidade judaica e se tornaram os precursores do judaísmo rabínico.
Sua oposição ferrenha ao Cristianismo rendeu-lhes através dos tempos uma figura de fanáticos e hipócritas que apenas manipulam as leis para seu interesse. Esse comportamento deu origem à ofensa “fariseu”, comumente dado às pessoas dentro e fora do Cristianismo, que são julgados como religiosos aparentes.

Em geral, atribui-se o surgimento do farisaísmo ao período correspondente ao cativeiro babilônico (587-536 a.C.)

Ainda, segundo citação de Tognini sobre Josefo, os fariseus criam no livre-arbítrio do homem, na imortalidade da alma, na ressurreição do corpo, na existência de anjos, na direção divina de todas as coisas, nas recompensas e castigos na vida futura, na preservação da alma humana após a morte e na existência de espíritos bons e maus. Contudo, Jesus denunciou severamente este grupo por causa de sua hipocrisia e orgulho.

"Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;" Mateus 23:3

Os Saduceus
O partido dos saduceus, provavelmente denominado assim por causa de Sadoc (Zadoque), o sumo sacerdote escolhido por Salomão (I Rs 2:35), negava autoridade à tradição e olhava com suspeita para qualquer revelação posterior à Lei de Moisés. Eles negavam a doutrina da ressurreição, e não criam na existência de anjos ou espíritos (At 23:3). Eram, em sua maioria, gente de posses e posição, e cooperavam de bom grado com os helenistas da época. Ao tempo do N.T. controlavam o sacerdócio e o ritual do templo. A sinagoga, por outro lado, era a cidadela dos fariseus. Os Saduceus compreendem a designação da segunda escola filosófica dos judeus, ao lado dos fariseus.

Também para esta seita ou partido é difícil determinar a origem. Sabemos que existiu nos últimos dois séculos do Segundo Templo, em completa discórdia com os fariseus. Como citamos, o nome parece proceder de Sadoc, hierarca da família sacerdotal dos filhos de Sadoc, que segundo o programa ideal da constituição de Ezequiel devia ser a única família a exercer o sacerdócio na nova Judeia. De modo que, dizer saduceus era como dizer “pertencentes ao partido da estirpe sacerdotal dominante”. Diferiam dos fariseus por não aceitarem a tradição oral. Na realidade, parece que a controvérsia entre eles foi uma continuação dessa hostilidade que havia começado no templo dos macabeus, entre os helenizantes e os ortodoxos. Com efeito, os saduceus, pertencendo à classe dominadora, tendo a miúdo contato com ambientes helenizados, estavam inclinados a algumas modificações ou helenizações. O conflito entre estes dois partidos foi o desastre dos últimos anos da Jerusalém judia.
Suas doutrinas são quase desconhecidas, não havendo ficado nada de seus escritos. A Bíblia afirma que eles não criam na ressurreição, tendo até tentado enlaçar Jesus com uma pergunta ardilosa sobre esse conceito. Com muita probabilidade, ainda que rechaçando a tradição farisaica, possuíram uma doutrina relativa à interpretação e à aplicação da lei bíblica. O único que nos oferece alguns dados sobre suas doutrinas é Flávio Josefo que, por ser fariseu e por haver escrito para o público greco-romano, não é digno de muita confiança.
Parece provável que as divergências entre saduceus e fariseus foram mais que dogmáticas, foram jurídicas e rituais. Com a queda de Jerusalém, a seita dos saduceus extinguiu-se. Ficaram porém suas marcas em todas as tendências anti-rabínicas dos primeiros séculos (d.C.) e da época medieval.

Os saduceus, com o seu repúdio à doutrina da ressurreição e descrença na existência de seres angelicais, podem ser considerados como precursores dessa corrente de interpretação das Escrituras. Pouco se sabe sobre a origem desse partido judaico, mas parece haver adotado uma posição secular-pragmática de interpretação das Escrituras. Ao negarem verdades básicas das Escrituras, os saduceus podem ser considerados, guardadas as devidas proporções, como os modernistas ou liberais da época.

Os Essênios
O essenismo foi uma reação ascética ao externalismo dos fariseus e ao mundanismo dos saduceus. Os essênios se retiravam da sociedade e viviam em ascetismo e celibato. Davam atenção à leitura e estudo das Escrituras, à oração e às lavagens cerimoniais. Suas posses eram comuns e eram conhecidos por sua laboriosidade e piedade. Tanto a guerra quanto a escravidão era contrárias a seus princípios.
O mosteiro em Qumran, próximo às cavernas em que os Manuscrito do Mar Morto foram encontrados, é considerado por muitos estudiosos como um centro essênio de estudo no deserto da Judeia. Os rolos indicam que os membros da comunidade haviam abandonado as influências corruptas das cidades judaicas para prepararem, no deserto, “o caminho do Senhor”. Tinham fé no Messias que viria e consideravam-se o verdadeiro Israel para quem Ele viria.

Os Essênios constituíam um grupo ou seita judaica ascética que teve sua existência por volta de 150 a.C. até 70 d.C. Estavam relacionados com outros grupos religioso-políticos, como os saduceus. O nome essênio provém do termo sírio “Asaya”, e do aramaico Essaya, todos com o significado de médico.

Durante o domínio da Dinastia Hasmonéa, os essênios foram perseguidos. Retiraram-se por isso para o deserto, vivendo em comunidade e em estrito cumprimento da lei mosaica, bem como da dos Profetas. Na Bíblia não há menção sobre eles. Sabemos a seu respeito por Flávio Josefo (historiador oficial judeu) e por Fílon de Alexandria (filósofo judeu). Flávio Josefo relata a divisão dos judeus do Segundo Templo em três grupos principais: Saduceus, Fariseus e Essênios.

Os Essênios eram um grupo de separatistas, a partir do qual alguns membros formaram uma comunidade monástica ascética que se isolou no deserto. Acredita-se que a crise que desencadeou esse isolamento do judaísmo ocorreu quando os príncipes Macabeus no poder, Jonathan e Simão, usurparam o ofício do Sumo Sacerdote, consternando os judeus conservadores. Alguns não podiam tolerar a situação e denunciaram os novos governantes. Josefo refere, na ocasião, a existência de cerca de 4000 membros do grupo, espalhados por aldeias e povoações rurais.

Adotaram uma série de condutas morais que os diferenciavam dos demais judeus:

A comida era sujeita a rígidas regras de purificação;
Aboliam a propriedade privada;
Contrários ao casamento;
Eram vegetarianos;
Tomavam banho antes das refeições;
Vestiam-se sempre de branco.

Não tinham amos nem escravos. A hierarquia estabelecia-se de acordo com graus de pureza espiritual dos irmãos, os sacerdotes que ocupassem o topo da ordem.

Dentre as comunidades, tornou-se conhecida a de Qumran, pelos manuscritos em pergaminhos que levam seu nome, também chamados Pergaminhos do Mar Morto  ou Manuscritos do Mar Morto. Segundo Christian Ginsburg (historiador orientalista), os essênios foram os precursores do Cristianismo, pois a maior parte dos ensinamentos de Jesus, o idealismo ético, a pureza espiritual, remetem ao ideal essênio de vida espiritual. A prática da banhar-se com frequência, segundo alguns historiadores, estaria na origem do ritual cristão do Batismo, que era ministrado por João Batista, às margens do Rio Jordão, próximo a Qumram.

Existe, ainda, a teoria da existência de dois grupos distintos de essênios, que é apresentada na Enciclopedia de la Biblia, que apresenta o grupo essênio de Qumran e outro, talvez, no Egito.

Os Escribas
Os escribas não eram, estritamente falando, uma seita, mas sim, membros de uma profissão. Eram, em primeiro lugar, copista da Lei. Vieram a ser considerados autoridades quanto às Escrituras, e por isso exerciam uma função de ensino. Sua linha de pensamento era semelhante à dos fariseus, com os quais aparecem frequentemente associados no N.T.
O escriba ou escrivão era a pessoa na Antiguidade que dominava a escrita e a usava para, a mando do regente, redigir as normas do povo daquela região ou de uma determinada religião.

Nos livros sagrados para os cristãos e judeus, o termo escriba refere-se aos chamados doutores e mestres (Mt 22:35 e Lc 5:17), ou seja, homens especializados no estudo e na explicação da lei ou Torá. Embora o termo apareça pela primeira vez no livro de Esdras, sabe-se que tinham grande influência e eram muito considerados pelo povo, tendo existido escribas partidários de diferentes correntes, tais como os fariseus (a maioria), saduceus e essênios.
A classe começa a atuar ainda nos tempos do Antigo testamento, em que a figura do profeta perde o seu valor. Já no Novo testamento, é possível verificar que a maioria dos escribas se opõe aos ensinamentos de Jesus (Mc 14:1 e Lc 22:1), que os critica duramente por causa do seu proceder legalista e hipócrita (Mt 23:1-36 / Lc 11:45-52 / 10:46-47), comparando-o ao dos fariseus, a corrente de escribas que representava a maioria.

Após o desaparecimento do templo de Jerusalém no ano 70, seguido do desaparecimento da figura do sacerdócio judaico, sua influência passaria a ser ainda maior.
Alguns escribas ficariam famosos, tais como Hillel e Sammai (pouco antes de Jesus Cristo), tendo sido ambos líderes de tendências opostas na interpretação da lei, liberal o primeiro e rigoroso o segundo.
Gamaliel, discípulo de Hillel, foi mestre de Paulo (At 22:3), tendo existido também outros escribas simpatizantes com os cristãos (At 5:34).

Os Herodianos
Os herodianos criam que os melhores interesses do judaísmo estavam na cooperação com os romanos. Seu nome foi tirado de Herodes, o Grande, que procurou romanizar a Palestina em sua época. Os herodianos eram mais um partido político que uma seita religiosa.
A opressão política romana, simbolizada por Herodes, e as reações religiosas expressas nas reações sectárias dentro do judaísmo pré-cristão forneceram o referencial histórico no qual Jesus veio ao mundo. Frustrações e conflitos prepararam Israel para o advento do Messias de Deus, que veio na “plenitude do tempo” (Gl 4.4).

"Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos." Gálatas 4:4-5

Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, perceberemos que existem, em todos os períodos de tempo, aqueles que sempre estarão dispostos a sacrificar as convicções em troca do recebimento de benefícios pessoais. Por isso, esse grupo é caracterizado por aqueles que buscam seus próprios interesses em detrimento do próximo, e o completo desapego das verdadeiras convicções e princípios, a começar pelos princípios éticos e Escriturísticos. Para estes, o que mais importa é estar ao lado daquele que lhes proporciona benefícios, pois assim poderão experimentar os resultados trazidos pela influência e status do poder.

Os Samaritanos
Samaritanos: uma miscigenação de judeus e gentios.
Atribui-se a origem dos samaritanos a ocasião quando Sargom tomou Samaria para o cativeiro e tentou desnacionalizá-los misturando-os com os babilônios (IIRs 17:24). Talvez esse tenha sido um dos motivos pelos quais os outros judeus abominavam os samaritanos, considerando-os a escória da sociedade. Além disso, os samaritanos eram acusados pelos judeus de serem oportunistas, procurando ficar do lado dos judeus apenas quando estes estavam em ascensão.

Este grupo era frequentemente ridicularizado e desprezado pelo restante dos judeus. Joachim Jeremias [18], ao citar a obra de Levi VII 2, afirma que “a partir de hoje Siquém será chamada a cidade dos idiotas, porque nós zombamos deles como se zomba de um louco”.

Costumeiramente, os samaritanos adoravam no templo, porém, ao voltar do cativeiro os judeus os proibiram de participar da reconstrução de Jerusalém, e o genro de Sambalate, que era sacerdote, foi expulso dali por Neemias. Por não terem ‘sangue puro’, não possuir religião judaica, por serem acusados de oportunismo, porque o sacerdote (genro de Sambalate) foi expulso do convívio social e por serem proibidos de participar da reconstrução, começaram a se empenhar contra a obra que Neemias estava fazendo. Então, Sambalate construiu um templo rival ao de Jerusalém, no monte Gerizim. Ainda, para piorar a situação, desde a construção deste segundo templo, a situação entre judeus e samaritanos se agravou, e o clima de ódio e desprezo se torna cada vez maior, como nos apresenta o livro apócrifo de Eclesiástico ao afirmar que “há dois povos que minha alma abomina, e o terceiro, que aborreço, nem sequer é um povo: aqueles que vivem no monte Seir, os filisteus, e o povo insensato que habita em Siquém”. Sabendo que este denominado “povo insensato que habita em Siquém” são os samaritanos.

Ainda, os samaritanos mantinham crenças semelhantes à dos saduceus.

Apesar de todas as acusações do judaísmo contra os samaritanos, encontramos diversas passagens bíblicas, neotestamentárias, nos mostrando a pregação do Evangelho para os samaritanos (Lc 17:16; Jo 4; At 1:8; At 8:5,14; At 9:31) e até uma conduta destes que é contraposta à conduta do farisaísmo (Lc 10:25-37).

Ao extrairmos os ensinos que a história deste grupo nos traz, podemos concluir que o verdadeiro evangelho não faz acepção de pessoas, e trata a todos de igual para igual, independente dos erros passados.

Os Zelotes
Zelotes: eram um grupo político do século I que buscava promover uma rebelião contra o Império Romano, com o intuito de libertar Israel pela força e que termina por promover a Primeira Guerra Judaico-Romana (66-70).

Os zelotes são um grupo que se destaca como sendo o mais radical dentro do judaísmo. Foram os principais responsáveis por produzirem os levantes contra Roma, provocando a Guerra judia (66-70 d.C.), culminando na destruição de Jerusalém e do Templo. Os zelotes tornaram-se sinônimos de ‘fervorosos’, e foram os que uniram o fervor religioso com o compromisso social, assim como os sicários.

Este grupo rebelde idealizava a vinda do Messias mediante uma ação revolucionária, que resultaria em sua libertação das mãos opressoras de Roma e do helenismo.

De acordo com Horsley e Hanson o zelo por Deus e pela Lei de Deus não pode ser utilizado como características para se denominar um grupo, pois de certa forma todos os grupos judeus possuíam essa característica. No entanto, o que caracteriza os zelotes não é apenas esse zelo, tão somente, mas a manifestação desse zelo através do desejo de revolução e luta como meio de libertação. Isso é o que o faz diferente de outros grupos.

Ao passo que os zelotes eram fervorosos defensores de uma rebelião, os herodianos se tornam então seus opositores.


... outros Grupos Religiosos
Ainda, outros grupos são encontrados entre os judeus, a exemplo dos sicários e dos publicanos.

Os Sicários eram um subgrupo oriundo dos zelotes, porém, mais radicais. O termo é originário do latim ‘sicarius’ e significa ‘homem da adaga’. Essa expressão só surge algumas décadas após a destruição de Jerusalém no ano 70 d.C., de acordo com Kippenberg, que afirma, ainda, que o termo “foi a denominação dada ao movimento revolucionário rural da Judéia” e já o termo zelotes se referia a “um movimento sacerdotal”, isto é, de cunho mais religioso. Por essa razão, o grupo dos Sicários não será tratado em particular neste artigo, pois são uma subdivisão dos zelotes.

Os Publicanos eram os coletores de impostos nas províncias do Império Romano. De acordo com Buckland, haviam dois tipos de Publicanos: os Publicanos Gerais e os Publicanos Delegados. Os Publicanos Gerais respondiam ao imperador romano e eram responsáveis pelos impostos. Os Publicanos Delegados eram aqueles que eram comissionados pelos Gerais para coletar os impostos nas províncias. Estes eram considerados como “ladrões e gatunos”. Muito embora fossem odiados pelos seus compatriotas, os judeus, Buckland afirma que diferentemente dos fariseus, os Publicanos não eram hipócritas. Como os Publicanos são mais uma “profissão” do que um grupo filosófico-político-religioso ele não será tratado em particular neste artigo.


        Aqui eu Aprendi!

Que este estudo, assim como me proporcionou uma gama extraordinária de conhecimento da história, possa também ter ajudado o caro leitor na soma em seus conhecimentos, e assim, cresçamos na Graça do Senhor.



Adaptado de “From Malachi to Matthew”, de Charles F. Pfeiffer.
TOGNINI, Enéas. O Período Interbíblico: 400 anos de silêncio profético. São Paulo: Hagnos.
Bíblia de Estudo Anotada
VerdadeViva.net - Período Interbíblico 
NAPEC - Nucleo Apologetico de Pesquisas e Ensino Cristão - estudo: Os Grupos Judaicos na época de Cristo - por Robson Fernandes 
[1] por Pr Elder Cunha - site Semeando a "verdadeira" doutrina de Cristo

Aqui eu Aprendi!
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