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quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Lidando com o Preconceito e a Discriminação

E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine [...] sobre toda a terra [...]” Gn 1.26

Gênesis 1.26,27; Colossenses 3.9-11; Tiago 2.8-10

Gênesis 1
26 — E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo réptil que se move sobre a terra.
27 — E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; macho e fêmea os criou.

Colossenses 3
9 — Não mintais uns aos outros, pois que já vos despistes do velho homem com os seus feitos
10 — e vos vestistes do novo, que se renova para o conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou;
11 — onde não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro, cita, servo ou livre; mas Cristo é tudo em todos.

Tiago 2
8 — Todavia, se cumprirdes, conforme a Escritura, a lei real: Amarás a teu próximo como a ti mesmo, bem fazeis.
9 — Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado e sois redarguidos pela lei como transgressores.
10 — Porque qualquer que guardar toda a lei e tropeçar em um só ponto tornou-se culpado de todos.

Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos? Tiago 2.4
Este tipo de distinção mostra que os crentes estão sendo dirigidos por motivos errados. Tiago condenou o seu comportamento, porque Cristo os tinha tornado um só (Gl 3.28). Por que é errado julgar uma pessoa com base na sua situação econômica? A riqueza pode ser um sinal de inteligência, de decisões sábias, e de trabalho árduo. Por outro lado, ela pode querer dizer simplesmente que a pessoa teve a boa sorte de nascer em uma família rica. Ela também pode até ser um sinal de avareza, desonestidade e egoísmo. Quando honramos uma pessoa apenas porque ela se veste bem, estamos considerando a aparência como algo mais importante do que o caráter.

Outra suposição falsa que às vezes influencia o nosso tratamento dos ricos é a interpretação equivocada do relacionamento de Deus com a riqueza. É fácil, porém enganoso, acreditar que as riquezas são um sinal da bênção e da aprovação de Deus. Mas Deus não nos promete recompensas ou riquezas terrenas; na verdade, Cristo nos convoca para que estejamos dispostos a sofrer por Ele e desistir de tudo para nos agarrarmos à vida eterna (Mt 6.19-21; 19.28-30; Lc 12.14-34; 1Tm 6.17-19). Teremos riquezas incalculáveis na eternidade se formos fiéis na nossa vida atual (Lc 6.35; Jo 12.23-25; Gl 6.7-10; Tt 3.4-8)” (Comentário do Novo Testamento: Aplicação Pessoal. 1ª Edição. Volume 2. RJ: CPAD, p.671).

A imagem de Deus no homem e o exemplo de vida do Senhor Jesus jogam por terra o preconceito e a discriminação.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Para a aula de hoje propomos a aplicação da “dinâmica dos rótulos”. Prepare várias etiquetas autocolantes com as frases abaixo sugeridas. As etiquetas devem ser coladas na testa de cada aluno. O aluno não pode saber o que está escrito na própria etiqueta, e os demais participantes também não devem contar. Depois que todos estiverem devidamente “rotulados”, peça para que andem pela sala e interajam por 5 minutos, considerando o que está escrito na testa de cada um. Enquanto isso, anote as reações dos alunos. Ao final do tempo, peça para todos se sentarem, sem retirar as etiquetas. Depois, comece a indagar os participantes: O que acha que está escrito em sua testa? Assim que ver a frase na etiqueta, indague: Era isso que esperava que estivesse escrito? A atitude que tiveram com você foi justa? Agora que sabe o que estava escrito, seu sentimento em relação a como lhe trataram mudou?
Ao término, pergunte ao grupo o que podem extrair dessa experiência? Será que é isso o que ocorre no caso de preconceito e discriminação? Ao rotular alguém por sua condição social, etnia ou religião acabamos agindo de acordo com este rótulo que nós mesmos colocamos?

RÓTULOS
SOU INFERIOR: IGNORE-ME! /   SOU PREPOTENTE: TENHA MEDO! /   SOU SURDO(A): GRITE! /   SOU IGNORANTE: FALE COMO UM BOBO/

INTRODUÇÃO

Uma das maiores contribuições sociais do cristianismo ao longo da história tem sido a doutrina bíblica da imagem de Deus no homem (Gn 1.26). Sem ela, é impensável falar de igualdade, liberdade e direitos humanos. O valor individual de cada ser humano, fundado no amor indistinto de Deus por todas as pessoas, faz parte do legado da fé cristã em sua trajetória na face da Terra.

Com apoio nessa bela doutrina bíblica, ensinada e vivenciada exemplarmente por Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus, é que a Igreja encontra respaldo suficiente para lidar e combater o preconceito e a discriminação em todas as formas que se apresentam. Esse é o tema da presente lição.

I. PRECONCEITO: CONCEITO GERAL E BÍBLICO

1. Definição geral.
Os dicionários definem o vocábulo preconceito como a ideia ou opinião formada antecipadamente sobre determinado assunto. Em certo sentido, todos nós temos algum tipo de convicção prévia; conceitos anteriores que nos levam a decidir as questões da vida. Não há nada de errado nisso, pois trata-se de um “preconceito natural”. Por outro lado, o preconceito negativo é aquele em que alguém faz um juízo de condenação acerca de outrem ou de um grupo de pessoas, sem conhecimento, reflexão ou com imparcialidade. Esse tipo de preconceito é prejudicial e perigoso, pois leva à intolerância, à discriminação, e até mesmo, à violência.

2. Juízes de maus pensamentos.
Apesar de não acharmos nas Escrituras a palavra preconceito, há várias advertências contra esse comportamento que pode ser expresso por meio do desprezo (Rm 10.12) e pelo julgamento condenatório dirigido pelas aparências (Jo 7.24) e sem critérios justos (Jo 8.15,16). Tiago chama de “juízes de maus pensamentos” aqueles que menosprezavam os menos afortunados (Tg 2.4).

3. O preconceito de Pedro.
Antes de receber a revelação de Deus, Pedro agia com preconceito em relação aos gentios (At 10). No entanto ao ser confrontado pela verdade divina, entendeu que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34). Quantos agem como juízes de maus pensamentos em relação aos outros, fazendo julgamentos morais baseados em rótulos, estereótipos e inverdades? Devemos fazer uma profunda avaliação de nossos corações para ver se não estamos agindo da mesma forma. O Espírito de Deus amplia a visão estreita do ser humano e derruba todo tipo de preconceito.

4. Julgando com sabedoria.
A advertência do Mestre em Mateus 7.1, “não julgueis, para que não sejais julgados”, é importante para combater o julgamento prematuro. É necessário observar, no entanto, que o Senhor Jesus não estabeleceu, com estas palavras, um mandamento contra qualquer tipo de julgamento, pelo qual não possamos denunciar o erro e exortar os pecadores. O objetivo maior da declaração é que devemos tratar os outros da maneira como queremos ser tratados, com base na regra de ouro (Mt 7.12). Devemos procurar avaliar a nós mesmos, e aos outros, utilizando os mesmos padrões. Somos convidados, como servos de Deus, a julgar com discernimento e sabedoria.

Pense!
O preconceito, seja ele étnico, social ou cultural, nos impede de testemunhar o amor e a graça de Deus na sociedade.

Ponto Importante
Apesar de não acharmos nas Escrituras a palavra preconceito, há várias advertências contra esse comportamento que pode ser expresso por meio do desprezo e pelo julgamento condenatório dirigido pelas aparências e sem critérios justos.


II. DISCRIMINAÇÃO RACIAL, SOCIAL E RELIGIOSA

1. Discriminação étnica.
Consiste em qualquer distinção, exclusão, restrição ou preferência, baseadas em raça, cor, descendência ou origem nacional ou étnica. É uma das mais terríveis e cruéis formas de acepção de pessoas, pois aquele que é discriminado é tratado como um ser de segunda categoria. Tal discriminação é errônea já que nega o princípio extraído de Gênesis 1.26, segundo o qual todos os seres humanos são criados à imagem de Deus. A Bíblia profere um duro golpe no racismo ao enfatizar que, segundo a imagem daquEle que nos criou, não há grego, nem judeu, nem bárbaro ou cita; mas Cristo é tudo, e em todos (Cl 3.11). O pensamento de segregação étnica também não consegue se sustentar diante da irrefutável verdade bíblica de que a graça salvadora se estende a toda humanidade (Jo 3.16), às pessoas de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas (Ap 7.9).

É significativo observar que o derramamento do Espírito Santo registrado em Atos 2 ocorreu quando pessoas de várias nacionalidades (v.5) estavam reunidas, demonstrando que a graça divina promove conciliação que ultrapassa as barreiras raciais.

2. Discriminação social.
Esse tipo de discriminação provoca o afastamento dos indivíduos em virtude da classe social a que pertencem, gerando marginalização e segregação social. Tiago repreendeu aqueles que em reuniões solenes davam tratamento privilegiado aos ricos, e desonroso aos pobres, numa verdadeira acepção de pessoas (Tg 2.6).

Jesus é o exemplo por excelência de conduta não discriminatória. Ele confrontou as barreiras sociais, religiosas e culturais da sua época, tratando todos com igual dignidade e respeito, Ele via cada pessoa dotada de valor especial para Deus, por isso aproximou-se dos marginalizados e excluídos na cultura judaica de seu tempo. A graça do evangelho abrange aqueles que estão em um nível social inferior, o que significa que todos têm esperança por causa da encarnação do Verbo; por causa da descida de Deus. Quer seja rico ou pobre, todos são iguais aos olhos de Deus! Se olharmos para o ser humano a partir da perspectiva de Jesus, evitaremos a discriminação e exclusão social!

3. Discriminação religiosa.
Refere-se ao tratamento diferenciado em virtude da crença, religião ou culto praticado por determinada pessoa. Geralmente, esse tipo de discriminação provoca intolerância, perseguição, violência e morte, como podem atestar vários episódios da história da humanidade. Ainda hoje, cerca de 73% da população do mundo vive em países onde as restrições à liberdade religiosa são consideradas altas ou muito altas, em decorrência da discriminação por motivo de crença religiosa, de acordo com pesquisa do Christian Solidarity Worldwide.

O fato de o cristão crer que Jesus é o único mediador entre Deus e o homem (1Tm 2.5), não serve como pretexto para agir com intolerância e menosprezo em relação à religião alheia. O testemunho cristão no meio social deve ser feito com cordialidade, mansidão e respeito à liberdade religiosa daqueles que professam crenças diferentes da nossa.

Pense!
A graça de Cristo cura as feridas do racismo e da discriminação.

Ponto Importante
Discriminação significa o tratamento desigual e injusto de uma pessoa ou um grupo de pessoas em razão de classe social, cor da pele, nacionalidade, convicções religiosas, etc.

III. A LEI E O COMBATE À DISCRIMINAÇÃO

1. Conheça seus direitos e deveres.
Enquanto cidadão, o cristão é possuidor de direitos e deveres. Esse é o sentido básico da cidadania. Logo, conhecer as noções jurídicas básicas é importante para contribuir com a defesa de nossos direitos e garantias legais, assim como para nos conscientizar de nossas responsabilidades, especialmente em relação ao preconceito e à discriminação.

2. Direito à igualdade e o combate à discriminação.
Um dos principais direitos fundamentais expressos na Constituição Federal do Brasil é o direito à isonomia; ou seja, “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” (art. 5º, caput, CF/88). Tal direito possui uma clara herança cristã, na medida em que parte da compreensão de que todas as pessoas são dotadas de igual valor, em clara referência ao princípio bíblico da imagem de Deus (Gn 1.26). Por esse motivo, além do fato da discriminação, o racismo e a injúria racial constituírem crime, conforme estabelece a legislação do país (Código Penal Brasileiro e Lei número 7.716/89), combater a discriminação é uma maneira de honrar essa doutrina bíblica basilar.

3. Direito à liberdade religiosa.
A liberdade religiosa é igualmente um direito fundamental de valor inestimável, previsto em nossa Constituição Federal: “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias” (art, 5º, VI, CF/88). Compreende, primeiramente, o direito de crença, isto é, o direito de acreditar, não acreditar ou deixar de acreditar em alguma coisa, assim como aderir a qualquer religião de sua escolha, seja ela organizada ou não; assim como o direito de não professar qualquer religião. Engloba também a liberdade de culto, consistente na possibilidade de realizar cerimônias, liturgias, cânticos e outros atos próprios da fé.

Pense!
A liberdade religiosa é uma das principais garantias do ser humano. É um direito antes dos demais direitos.

Ponto Importante
Conhecer as noções jurídicas básicas é importante para contribuir com a defesa de nossos direitos e garantias legais, assim como para nos conscientizar de nossas responsabilidades, especialmente em relação ao preconceito e à discriminação.

CONCLUSÃO

A doutrina da imagem de Deus (Gn 1.26) é essencial para conscientizar a sociedade de que todas as pessoas são portadoras de igual valor e dignidade, independentemente da raça, condição social ou religião. Nenhuma teoria secular fornece tão belo ensinamento. Tal verdade é princípio elementar para a convivência pacífica e harmoniosa, e, uma vez aplicada, produz relacionamentos comunitários sadios. Portadores dessa verdade e imbuídos da graça de Deus, os crentes são vitais para combater o preconceito e todo tipo de discriminação.


Fonte: Lições Bíblicas CPAD - Jovens - 4º Trimestre de 2017
Título: Seguidores de Cristo — Testemunhando numa Sociedade em ruínas - Comentarista: Valmir Nascimento

Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A Cura da Alma

“Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja e orem sobre ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor; e a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados.” Tiago 5:14-15

O tempo vem passando e ao longo dos anos novas doenças são descobertas. A humanidade vem sofrendo com muitas dores, pois o mundo jaz no maligno. (I Jo 5:19)

Porém, na carta escrita por Tiago conseguimos notar que realmente as doenças existem. (Tg 5:14a) e também percebemos que há um Deus soberano que tem o poder de curar o ser humano de todas as doenças. (Tg 5:14b-15)

As doenças são causadas por alguns motivos:


  • O pecado
Tiago 5:15b
O pecado torna a pessoa vulnerável às enfermidades, porque ele afasta o homem de Deus, criando uma divisão, barreira (Is.59:2). Essa separação deixa o homem sem a proteção divina. Por isso, as enfermidades encontram lugar. Marcos 2:5 / João 5:14


  • Física
A causa principal das doenças físicas são os hábitos errados das pessoas que agridem o organismo e não atendem as suas necessidades. Estes hábitos errados vão enfraquecendo o organismo, que vai ficando sem resistência, sem defesa, intoxicando-se, perdendo a vitalidade e deixando de funcionar bem até adoecer. Mateus 8:14-17


  • Espiritual
Causadas por espíritos de enfermidade, doenças que geralmente não são diagnosticadas pelos médicos, as pessoas sentem os sintomas, passam mal, porém, a medicina não encontra nada. Lucas 13:11 c/ 16


  • Doença da alma
Causada na maioria das vezes por frustrações, fracasso, acontecimentos na vida que ferem interiormente. A doença da alma é muito séria, pois as feridas são internas, ninguém vê. São elas:Traumas, complexos, sentimento de derrota, abandono, fracasso e etc.

Sintomas de uma alma doente:

- O passado traumático que permanece vivo;

- Quando o presente é influenciado pelo passado;

- Quando não enxergamos um futuro melhor;

- Sentimento fatalista, a derrota sem luta.


A nossa alma está ligada aos nossos pensamentos, sentimentos, vontades, desejos. Da forma que imagino a minha alma, assim eu serei. Provérbios 23:7a

Houve um tempo em Israel onde a pobreza reinou, a escassez tomava conta. Israel estava sofrendo; esse sofrimento perdurou 7 anos. Juízes 6:1

A pobreza, a miséria, era abundante no meio do povo. Juízes 6:3-6

Deus, então, resolve mudar essa historia escolhendo um homem chamado Gideão. Porém, Gideão se encontrava doente da alma.

Estava preso ao passado, aos acontecimentos. Essa prisão nos mostra o passado influenciando seu presente. Juízes 6:13a

Gideão duvidava do poder de Deus, ou seja, não estava crendo na poderosa mudança, sentimento de derrota, que está sozinho e, não há mas uma solução. Juízes 6:13b

Gideão não acreditava que por suas mãos a situação poderia ser mudada; ele se sentia incapaz.Juízes 6:15


Como ser curado da doença na alma?
Deus tem uma forma poderosa de trabalho em nossa vida, sarando nossa alma, contrariando todo sentimento de derrota dizendo:

Eu sou contigo, varão valoroso. Eu preciso entender que sou especial para o Senhor; não posso menosprezar a mim mesmo e estar ciente que o Senhor em momento algum tem me abandonado, pois Ele está sempre comigo. Juízes 6:12 c/16

Ainda que a mãe que amamenta abandone seu filho, todavia o Senhor jamais se esquecerá de nós. Isaías 49:15-16

Havia um homem que também sofria com a doença da alma, não sabemos seu nome, porém, o conhecemos como o “Homem da mão mirrada”.

Na época de Cristo os portadores de alguma deficiência física eram rejeitados, e não viviam em meio à sociedade como uma pessoa normal, não podiam usufruir de uma vida tranquila, sossegada, pois eram discriminados, rejeitados e ninguém os valorizava.

Essa vida lhe trouxe:
Traumas, complexos, ressentimentos a sua alma estava doente.

Para receber a cura ele teve que ir para o meio da multidão.

Marcos 3:3
Vir para o meio:
Não se importar com as pessoas que estão a sua volta, lhe discriminando, rejeitando, falando mal, difamando. Não dar ouvido para o que dizem de você.
Estender a mão...

Marcos 3:4
Expor seus traumas e complexos, colocar diante do Senhor Jesus com confiança, pois Ele vai restaurar a sua alma por completo.


Deus está com você! Valorize a sua vida, creia no Senhor, não dê importância ao que dizem de você. Coloque diante dEle sua vida, confie, porque o mais Ele fará. A cura da alma é certa, em nome de Jesus.

Se você deseja uma restauração completa em sua vida, você precisa receber o Senhor Jesus como Único, Suficiente, Exclusivo e Eterno Salvador da sua alma.

Deus está com você e a sua alma está sendo sarada por Deus, em nome de Jesus!

por Pr. Dyon Golbery

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O Concilio de Jerusalém - os Decretos

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." 1 Coríntios 6:12

O concílio de Jerusalém e Os Quatro Decretos Apostólicos
por Pr. Douglas Baptista
As inúmeras conversões de gentios deflagraram uma forte controvérsia na igreja primitiva: “deveriam os gentios guardar a lei?” O primeiro concílio da igreja cristã, registrado em Atos capítulo quinze, foi realizado para decidir acerca desta questão. Os cristãos judaizantes afirmavam que cumprir a lei era imprescindível para a salvação. O apóstolo Paulo ensinava não ser necessário, pois a salvação era pela graça e não pela observância da lei.

Este ensino de Paulo, porém, não foi aceito e nem entendido por boa parte dos cristãos (At 21.21). Muitos judeus que se convertiam nessa época continuavam a observar a lei (At 21.20). Um grupo destes judeus cristãos exigiam que os gentios fossem circuncidados e que guardassem a lei de Moisés (At 15.1,5). No Concílio de Jerusalém, o apóstolo Pedro considerou esta posição judaizante um ultraje contra o próprio Deus: Agora, pois, por que tentais a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo que nem nossos pais nem nós pudemos suportar?” (At 15.10).

Uma decisão precisava ser tomada afim de solucionar a controvérsia. O apóstolo Tiago, líder da igreja em Jerusalém, recomendou que os gentios convertidos não fossem molestados com estas questões judaicas (At 15.19) e apresentou parecer que agradou a todos e acalmou os ânimos mais exaltados (At 15.25-28). O parecer ficou conhecido como “decretos apostólicos” e possui quatro recomendações aos gentios convertidos. Os decretos abordam os aspectos morais e cerimoniais da lei (At 15.20).

O primeiro e o segundo parecem ter conexão intencional, “que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos” e que vos guardeis da “prostituição”. Este entendimento se dá pelo fato que a idolatria com frequência envolvia a imoralidade. O terceiro e o quarto decreto também possuem conexão entre si. De um lado a orientação de abstinência da “carne sufocada” (carne que retém o sangue, conforme Lv 17.10-14) e de outro a recomendação para não comer “do sangue” (conforme Lv. 3.17; 7.26; 17.10; 19.26). Estes decretos podem ser identificados com um resumo da lei de Levítico capítulos 17-28 a que estavam obrigados os judeus e também os estrangeiros que viviam entre eles.

Será que estes decretos tiram a liberdade cristã em relação ao jugo dos preceitos da lei mosaica? Ou se trata apenas de uma “palavra de sabedoria” concedida pelo Espírito Santo para a solução de um problema local da igreja primitiva, entre judeus e estrangeiros? Todos concordam que os decretos contra a idolatria e a imoralidade são preceitos válidos até o dia de hoje. Mas, será de fato pecado comer carne sufocada e sangue? Os que consideram pecado argumentam que este mandamento era anterior à lei (Gn 9.3,4; 19.1-25; 34.31; 35.2-4). Os que não enxergam pecado, afirmam ser uma orientação local com o propósito de conciliar judeus e gentios convertidos.

De fato os decretos contra a idolatria e a imoralidade fazem referência ao segundo e ao sétimo mandamento do Decálogo. A chamada Lei Moral combatia a idolatria - “Não farás para ti imagens de escultura... não te encurvarás a elas nem as servirás” (Ex. 20.4,5) e ainda condenava a imoralidade - “Não adulterarás” (Ex. 20.14). Portanto, é consenso que o texto de Atos não trata de um conjunto geral de regras morais para os cristãos, pois ficaria de fora outros mandamentos, como “não tomarás o nome do Senhor em vão” (Ex. 20.7), “honra teu pai e tua mãe” (Ex. 20.12), “não matarás” (Ex. 20.13), “não furtarás “ (Ex. 20.15), “não dirás falso testemunho” (Ex. 20.16) e “não cobiçarás” (Ex. 20.17). Assim, não se pode considerar como ordenança final aos cristãos e sim como uma orientação pontual específica para que gentios e judeus convertidos pudessem conviver harmoniosamente sem causar tropeços uns nos outros (1Co 10.32).

Os decretos quanto à carne sufocada e o sangue são alvo de controvérsia contemporânea. No primeiro século estes decretos serviram para apaziguar os cristãos e em nossos dias são objeto de intenso e acalorado debate. O sangue é considerado, na Antiga Aliança, como sendo vida (Dt 12.23). O sangue de animais era requerido por Deus no pacto mosaico para fazer expiação do pecado (Lv 17.11). Deste modo, a chamada lei cerimonial exigia que os judeus valorizassem o sacrifício e não banalizassem o sangue (Lv. 17.14). Esta prática, evidentemente, não era comum entre os gentios. Por isso, essas regras eram o mínimo que se pedia dos gentios, para não escandalizarem os judeus cristãos. Segundo Moody, esse regulamento foi divulgado entre as igrejas gentias não como meio de salvação, mas como base de comunhão [1].

Para evitar os escândalos e manter a comunhão entre cristãos judeus e gentios, Paulo recomendava seguir a consciência, ou seja, comer carne sem nada perguntar (1Co 10.27-28). Mas, se alguém fosse avisado que se tratava de carne sacrificada aos ídolos deveria se abster de comer por causa da consciência do outro (1Co 10.29-30). A carta paulina sintetiza: "quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus. Portai-vos de modo que não deis escândalo nem aos judeus, nem aos gregos, nem à igreja de Deus" (1Co 10.31-32). Segundo este principio paulino, o crente que quiser abster-se de sangue e de carne sacrificada ou sufocada deve faze-lo para glória de Deus e não para se considerar superior ou mais espiritual que os outros.

Para concluir, afirmamos que idolatria e imoralidade integram os mandamentos teologicamente chamados de lei moral e permanecem em vigor (estes decretos são indiscutíveis), carne sufocada e sangue integram o que se convencionou integrar a lei cerimonial (estes são anteriores a lei e alvo de discussão atual). Os que discordam não podem comer qualquer coisa com sangue (carne "mal passada", carne ao molho pardo e “chouriço”, por exemplo). Quem entende diferente, absolve a consciência e não vê mal em comer. Porém, é consenso nas duas correntes que não se deve beber o sangue. Acerca do resultado deste concílio, Williams escreveu: “ao pesar os dois princípios, o da liberdade e o da obediência. O resultado foi o triunfo do amor” [2]. E no parecer de Paulo: "Por isso se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize" (1Co 8.13).
Qual o seu parecer?

Texto de Douglas Roberto de Almeida Baptista
[1] Moody, D.L. Atos dos Apóstolos. Comentário Bíblico, p.75.
[2] Williams, David J. Atos. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo, p.267
via CPADNews 

Desde o principio temos a orientação Divina: "A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis." Gênesis 9:4

Lembremos "sempre" - Faça tudo para glória de Deus e...
"Portanto, quer comais quer bebais, ou façais outra qualquer coisa, fazei tudo para glória de Deus." 1 Coríntios 10:31

"Todavia, quanto aos que creem dos gentios, já nós havemos escrito, e achado por bem, que nada disto observem; mas que só se guardem do que se sacrifica aos ídolos, e do sangue, e do sufocado e da fornicação.' Atos 21:25

...se vai escandalizar o teu irmão "não faça"
"Por isso, se a comida escandalizar a meu irmão, nunca mais comerei carne, para que meu irmão não se escandalize." 1 Coríntios 8:13

Leia também: 
Aqui eu Aprendi!

sábado, 1 de agosto de 2015

Apostasia, Fidelidade e Diligência no Ministério

“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” 1Tm 4.1


Muitos confundem “apostasia” com o desvio de uma pessoa em relação a uma “instituição religiosa”. Não podemos insistir nesse tipo de dúvida, pois a apostasia está descrita na Bíblia como um acontecimento sério e pouco comum. Sim, não é comum quem teve um encontro pessoal com Deus, provando da sua boa Palavra, apostatar-se da fé, mas é biblicamente possível, também não podemos confundir simples frequentadores de templos com lavados e remidos no sangue de Jesus.

A palavra “apostasia” vem do vocábulo do grego antigo apóstasis, que significa “estar longe de”, isto é, no sentido de “revolta”, “rebelião”, “afastamento doutrinário e religioso”, “apostasia da verdade”. Por isso, apostasia se refere, ao contrário da crença popular, uma decisão deliberada, consciente, aberta ou oculta, contra fé genuína do Evangelho.

Na “esteira” da apostasia precedem os ensinos falsos, malignos e fantasiosos. São as “doutrinas de demônio” que o apóstolo Paulo menciona na epístola. Uma das maneiras desses ensinos manifestarem-se na igreja é os seus propagadores elegerem um tema da Bíblia como ênfase doutrinária, como se o fiel que não conhecesse aquele assunto não teria acesso aos “mistérios de Deus”. Assim, no interior do homem que influência outras pessoas com esses falsos ensinos, nasce a egolatria e cresce a síndrome de autossuficiência.

O apóstata não se vê apóstata. Não reconhece nem considera a possibilidade de ele ter-se transformado deliberadamente num apóstata da fé. Por isso, o elemento fundamental para ele voltar atrás é quase impossível de ocorrer: o arrependimento. Para os ministros de Cristo defenderem a Igreja da apostasia, antes de tudo, eles precisam honrar a fé em Jesus Cristo, a simplicidade do Evangelho, servindo a igreja com amor e fidelidade. Sendo arautos de Deus para toda boa obra. Os ministros de Deus, os servidores da Igreja de Cristo, devem estar aptos a ensinar e a contradizer os falsos ensinadores. Rejeitando as “fábulas profanas”, ensinamentos que em nada edificam a Igreja de Cristo.

Portanto, aos ministros de Cristo cabe a diligência na fé, ensinando as Sagradas Escrituras e apresentando-se como modelos ideais que estimulem os fiéis a viver a fé. Persistirem na pesquisa, no estudo exaustivo e sistemático das Escrituras Sagradas. Que o Senhor nosso Deus guarde o seu povo da apostasia!
Que o Senhor guarde o seu povo! (Revista Ensinador Cristão nº63)

A apostasia e a infidelidade a Deus são características marcantes dos tempos do fim.

Quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava com seus discípulos, em seu ministério terreno, falou-lhes acerca dos últimos tempos, ou do fim dos tempos, em que uma das características marcantes seria a falsidade, o engano, a mentira e a mistificação. Em um de seus magníficos sermões, Ele falou acerca dos que entrariam no seu Reino. E demonstrou que não seria fácil. Quem quer ser salvo tem que entrar por uma “porta estreita” e palmilhar num “caminho estreito”, que conduz ã salvação, em contraposição à “porta” larga e o “espaçoso” caminho “que conduz à perdição” (Mt 7.13,14). Duas portas e dois caminhos. Dois destinos esperam o homem, no final de sua jornada na terra. E dependem da escolha de cada um. Seja qual for a escolha, as consequências serão inescapáveis.
No mesmo discurso, Jesus advertiu aos que haveriam de escolher a “porta estreita”, a seus seguidores, os salvos, de que eles seriam perturbados por falsos profetas, que surgiriam em seu próprio meio, no seio da igreja (Mt 7.15). Reforçou suas metáforas com o ensino sobre a “árvore boa” que “produz bons frutos” e sobre a “árvore má”, que “produz frutos maus” (Mt 7.17). Como um verdadeiro Mestre, Jesus soube manejar bem a palavra da verdade, em relação aos acontecimentos futuros, que haveriam de ocorrer com profundas repercussões sobre a vida dos seus discípulos.

Jesus sabia que sua Igreja sofreria os ataques dos falsos mestres, ou falsos profetas, que apareceriam, vindos de fora, ou mesmo, surgindo no seio da comunidade cristã. Por isso advertiu que os falsos cristos e os falsos profetas não seriam apenas ensinadores, teóricos ou filósofos, em suas elucubrações diletantes. Eles seriam capazes de realizar sinais e prodígios, para convencerem os que lhes dessem ouvidos (Mt 24.24).


Naturalmente, Paulo tinha bastante ciência das advertências de Jesus quanto aos últimos tempos”. Em sua carta a Timóteo, ele expressou sua preocupação com os falsos ensinadores, heréticos e astutos, na busca pelo domínio da mente dos que estavam na igreja em Éfeso.

Era uma antevisão do que a Igreja está vivendo nos dias presentes. Dias que antecedem a volta de Cristo. Há obreiros que possuem uma capacidade oratória tão eloquente que conseguem atrair a atenção e a admiração dos que os ouvem. Quando eles se mantêm no centro da vontade de Deus, com humildade, e na conduta de servos do Senhor, são verdadeiras bênçãos para o ensino e a pregação. No entanto, com tal perfil, alguns têm se desviado dos padrões de santidade e devoção, e se tornam pregoeiros de ensinos heréticos, que causam grande prejuízo à igreja local, por serem homens que têm grande prestígio ministerial.

No meio pentecostal, infelizmente, prevalece uma visão superficial das verdades bíblicas. A ortodoxia não é a marca das igrejas pentecostais, em sua grande maioria. As demonstrações de poder, de unção e de alegria alcançam um patamar tão elevado, e ao mesmo tempo sem fundamento, que os falsos ensinadores conseguem amplos espaços para espalharem suas heresias. Já é por demais conhecida a “tal” da teologia da prosperidade”, segundo a qual os crentes em Jesus não podem ser pobres, nem serem acometidos de enfermidades graves. Se passarem por essas agruras é porque “não têm fé”, ou “estão em pecado . Mais que isso, adotam a famosa “confissão positiva”, e passam a determinar’, “decretar” bênçãos e a “exigir”, reivindicar “seus direitos ! Ensinos com esse teor ou caráter são muito bem aceitos por grande parte de crentes, em muitas igrejas. Mas quando tais ensinos são confrontados com a Palavra de Deus, em sua essência, conclui-se que são doutrinas de homens, ou até de demônios.


A advertência de Paulo, no texto ora em estudo, é de uma atualidade impressionante. Como verdadeiro profeta de Deus, além de exímio ensinador, ele captou muito bem a revelação do Espírito Santo acerca dos “últimos tempos” ou dos “tempos trabalhosos” (1 Tm 3.1), a que nos referimos no capítulo anterior. Da leitura do texto em apreço, pode-se inferir que os ensinadores de “doutrinas de demônio” (4.1) não seriam pessoas estranhas, mas que surgiriam de dentro do seio da igreja local. Sua capacidade de convencimento haveria de ser tão eficiente, que, “se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24.24), como Jesus previu e alertou.



Na atualidade, muitos estão apostatando da fé genuína em Jesus Cristo por falta de ensino das Sagradas Escrituras.

I - A APOSTASIA DOS HOMENS (4.1-5)
Paulo advertia a Timóteo, para que o mesmo doutrinasse a igreja em Éfeso, acerca dos últimos tempos, em que a apostasia se tornaria uma realidade no seio de igrejas cristãs (1 Tm 4.1).

1. Conceituação
Apostasia (gr. apóstasis) significa “desvio”, “afastamento”, “abandono”.1 Tem o sentido também de “revolta”, “rebelião”, no sentido religioso. Numa definição clara, apostasia quer dizer “abandono da fé”. No original do Novo Testamento apostasia, vem do verbo aphistemi, com o sentido de "rejeitar uma posição anterior, aderindo a posição diferente e contraditória à primeira fé, repelindo-a em favor de nova crença."2 Nos últimos anos, esse comportamento tem sido mais observado do que em tempos passados. É impressionante como líderes, outrora ortodoxos, hoje apregoam ideias opostas àquele ensinamento que defendiam.

2. Doutrinas de Demônios (4.1)

Existem apostasias que são fruto da mente fértil de algum teólogo ou teórico, que deseja aparecer, ensinando “novidades” com pretenso fundamento bíblico. Ou da meninice de algum irmão ou irmã, que se julga mais espiritual que as outras pessoas. Paulo referia-se à apostasia que tinha origem diabólica. Mais perigosa do que se possa imaginar, pois é fruto da influência do Adversário da igreja, que visa minar suas bases doutrinárias. Disse Paulo, em sua primeira carta a Timóteo: “Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, aposta- tarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm 4.1 - grifo nosso).

3. Espíritos Enganadores

Certamente, Paulo se referia à influência espiritual dos espíritos maus, que iriam induzir falsos mestres a se enganarem e a enganarem aos crentes (2Tm 3.13). Ele anteviu que parte da igreja haveria de apostatar, quando disse que “alguns” abandonariam a fé. Ele se referia à “apostasia pessoal”. O escritor aos hebreus também exortou nesse sentido, contra o afastamento da verdade ou da sã doutrina e de Deus: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo” (Hb 3.12). Essa preocupação foi recorrente, pois, quando Paulo escreveu a segunda missiva a Timóteo, de forma que o mesmo orientasse a igreja em Éfeso, voltou a exortar com cuidado acerca dos apóstatas: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2Tm 4.3,4).

A ação dos “espíritos enganadores” haveria de ser tão eficiente para incautos que dessem lugar à apostasia que esses não sofreriam (não suportariam) a “sã doutrina”, ou seja, o corpo doutrinário, pregado pelos apóstolos de Cristo, e passado de geração a geração, com fundamento nos Evangelhos e nos ensinos dos apóstolos de Jesus. Sua influência maléfica faria com que os apóstatas tivessem “comichão nos ouvidos” ao escutarem a Palavra de Deus, em sua simplicidade e ortodoxia. Os espíritos do desvio doutrinário apoderar-se-iam dos “doutores”, ou falsos mestres (1Tm 1.7), que usavam sua influência cultural, eclesiástica e posicionai nas igrejas para desviarem os servos de Deus do foco e do alvo, que é servir a Deus até chegar à eternidade, como salvos em Cristo Jesus. Na advertência de Paulo, ele afirma que tal comportamento se manifesta “pela hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1 Tm 4.2).


No mesmo trecho de sua carta, o apóstolo adverte quanto a ensinos místicos que, além de proibirem o casamento, como instituição de origem divina, oprimem as pessoas, “ordenando a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1Tm 4.3). Essa é uma das características dos movimentos heréticos. Apregoam que determinados tipos de alimentos não devem ser ingeridos, muitas vezes sem qualquer fundamento científico ou escriturístico. Em relação a alimentos, no Antigo Testamento, havia uma série de “regras dietéticas” quanto ao que os judeus podiam ou não podiam comer (cf. Lv 11). Mas o próprio Deus ordenava que comessem carne, para repor as proteínas desgastadas no processo biológico.

No Novo Testamento, as restrições quanto a alimentos resumem-se no que os líderes da igreja decidiram, no Primeiro Concilio, em Jerusalém. Após o parecer de Pedro, Tiago, o líder da igreja, concluiu, de forma eloquente: “Pelo que julgo que não se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue” (At 15.19,20 - grifo nosso). E também exortou a que os cristãos não ingerissem alimentos que fossem consagrados ou sacrificados aos ídolos (1 Co 10.27,28). E orientou que, mesmo em se tratando de alimentos lícitos, os crentes em Jesus deveriam respeitar a fé dos mais fracos espiritualmente, e absterem-se de comer (na frente deles) coisas que os escandalizassem (cf. Rm 14.1-23). Os hereges, principalmente os gnósticos ascetas, defendiam a abstinência de alimentos, mas voltavam-se para “entidades”, “emanações e símbolos da idolatria.

Os gnósticos depravados procuravam destruir o corpo, por considerá-lo mau, indigno, com a prostituição e práticas sexuais libertinas. Eram hipócritas e mentirosos. Paulo concluiu que o cristão pode fazer uso de alimentos, desde que possam ser recebidos “com ações de graça , visto que, pela palavra”, ou seja, desde que estejam de acordo com a Palavra de Deus, “pela oração”, “tudo é santificado” (1Tm 4.4,5). Porém, deve-se ter cuidado e sabedoria na interpretação desse texto. Não quer dizer que, se alguém faz uso de bebida alcoólica, ou de carne sufocada, ou do sangue, basta fazer uma oração e tudo é santificado. De forma alguma. Deus não aprova aquilo que Ele condena. Ele não é “Deus de confusão (1 Co 14.33).


Deus fez o homem, no princípio, para ser vegetariano (Gn 1.29). Mas, com a Queda, o metabolismo humano sofreu tremenda mudança, passando a envelhecer, adoecer e morrer. Para refazer as energias e os tecidos desgastados, tornou-se necessária a ingestão de alimentos carregados de proteínas, dos quais a carne animal, incluindo os peixes, são grandes fornecedores. Além disso, o próprio Deus regulamentou, na Lei, sobre quais tipos de animais se podiam comer (ver Lv 11).



Subsídio Bibliológico
“O Espírito Santo revelou explicitamente que haverá, nos últimos tempos, uma rebeldia organizada contra a fé pessoal em Jesus Cristo.
Muitos crentes se desviarão da fé porque deixarão de amar a verdade (2Ts 2.10) e de resistir às tendências pecaminosas dos últimos dias. Por isso, o evangelho liberal dos ministros e educadores modernistas encontrará pouca resistência em muitas igrejas.
A popularidade dos ensinos antibíblicos vem, sobretudo pela ação de Satanás, conduzindo suas hostes numa posição cerrada à obra de Deus. A segunda vinda de Cristo será precedida de uma maior atividade de satanismo, espiritismos, ocultismos, possessão e engano demoníacos, no mundo e na igreja.
A proteção do crente contra tais enganos e ilusões consiste na lealdade total a Deus e à sua Palavra inspirada, e a conscientização de que os homens de grandes dons e unção espirituais podem enganar-se, e enganar os outros com suas misturas de verdade e falsidade. Essa conscientização deve estar aliada a um desejo sincero do crente praticar a vontade de Deus (Jo 7.17) e de andar na justiça e no temor dEle.
Os crentes fiéis não devem pensar que pelo fato da apostasia predominar dentro do cristianismo nesses últimos dias, não poderá ocorrer reavivamento autêntico, nem que o evangelismo segundo o padrão do NT não será bem-sucedido. Deus prometeu que nos ‘últimos dias’ salvará todos quanto invocarem o seu nome e que se separarem dessa geração perversa, e que Ele derramará sobre eles o seu Espírito Santo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.1870).


II - A FIDELIDADE DOS MINISTROS (vv. 6-10)
1. “Bom Ministro de Jesus Cristo”
Era o que Paulo esperava de Timóteo, seu jovem discípulo, companheiro de tantas lutas, em defesa do evangelho de Jesus Cristo. “Propondo estas coisas aos irmãos, serás bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido” (1Tm 4.6). A carta de Paulo a Timóteo é pastoral e pessoal, em princípio. Mas sua finalidade não era apenas edificar o jovem obreiro. Ele acentua: “propondo estas coisas aos irmãos”, o que indica ser sua carta assunto que deveria ser comunicado à igreja de Éfeso, aos “queridos irmãos” (Fp 4.1) e, por extensão e aplicação, a todas as igrejas cristãs.

Cumprindo essa orientação, Timóteo haveria de ser um “bom ministro de Cristo” (diáconos de Cristo), ou seja, um líder cristão à altura de sua elevada missão. Para galgar essa posição, Timóteo teria que atender a dois requisitos importantíssimos: ser “criado com as palavras da fé” e “da boa doutrina” que ele próprio já seguia. No original, a metáfora que Paulo usa diz respeito a “ser alimentado com”, nutrido com a sã doutrina, ou, no dizer de Pedro, com o “leite racional, não falsificado” (1Pe 2.2).


2. Rejeitando as Fábulas Profanas

“Mas rejeita as fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade” (4.7). Essa advertência já houvera sido dada no primeiro capítulo da epístola a Timóteo (1.4). Como visto, as “fábulas profanas” seriam ensinamentos fantasiosos, místicos, muito utilizados pelos gnósticos e judaizantes, para impressionar os crentes. Seriam profanas, porque configurariam ensinos humanos, fundados em valores materiais, que se opunham aos sagrados ensinos, emanados da Palavra de Deus, sob inspiração do Espírito Santo. A expressão “de velhas” aludiam a “conversa de velhas, expressão sarcástica muitas vezes empregada em polêmicas filosóficas, que compara a oposição de um oponente aos fuxicos perpetrados por mulheres mais idosas daquelas culturas, quando se assentavam em roda tecendo, ou fazendo outras tarefas”.3 Em nossa cultura, certamente, equivaleria a conversas tagarelas de pessoas fofoqueiras.

3. O Exercício Físico e a Piedade

“Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir” (1Tm 4.8). Nós somos formados de três partes, segundo a Palavra de Deus: “espírito, e alma, e corpo” (1Ts 5.23). Todas elas precisam de exercício, de atividade, sob pena de sofrermos atrofia em todas ou em uma delas. Há muitos irmãos, inclusive obreiros, que vivem de modo sedentário, desenvolvendo doenças circulatórias, cardíacas ou neurológicas. Isso não é desejável. O corpo não pode ser desprezado em seus cuidados. Ele é templo do Espírito Santo (1Co 6.19,20).
Mas por que esse incentivo ao exercício físico se Paulo diz que o exercício corporal para pouco aproveita”? Observemos que Paulo não está dizendo que o “exercício físico” (gymnasia)4 “não serve para nada’. O que ele quer dizer, para uma comunidade que valorizava excessivamente os exercícios e os esportes,5 é que tais práticas, ainda que saudáveis, só serviam para esta vida.

Paulo tinha uma mensagem para a igreja de Éfeso, para que os crentes não se deixassem dominar pelo desejo exacerbado de valorizar o corpo, em detrimento do lado espiritual.

O apóstolo mostrou a Timóteo que havia algo mais importante que o exercício físico. E ressaltou: “mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir (4.8b). Ele demonstrou que, enquanto o exercício físico só serve para o corpo e para esta vida, a piedade (gr. eusebeia) é proveitosa, não só para a vida presente”, mas para a “que há de vir . Se o corpo, como vimos, precisa de exercícios para não envelhecer precocemente, ou atrofiar-se, em suas funções vitais, a alma e o espírito também necessitam de “exercícios” espirituais, ou seja, de piedade.

Entendamos que piedade, ou “eusebeia”, significa a vida de santidade do cristão; a vida devocional, que inclui as orações, a leitura da Palavra de Deus, de modo sistemático, a adoração a Deus, de forma constante; a maneira de viver e conviver com as pessoas, zelando pelo bom testemunho cristão, tudo isso é piedade. Podemos concluir que Paulo resumiu a piedade quando escreveu aos coríntios, dizendo: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (1Co 15.58).

Paulo termina essa parte da epístola, acentuando que “esta palavra é fiel e digna de toda a aceitação” (1Tm 4.9). Ele se referia a tudo o que já houvera escrito e repassado para Timóteo, como sendo “palavra fiel e digna de toda aceitação”, que ninguém pusesse em dúvida a sinceridade de sua admoestação, visto que não se tratava de afirmações gratuitas ou de opiniões pessoais. Seu ensino era embasado na unção e direção do Espírito Santo, em contraposição aos ensinos dos falsos mestres, que buscavam iludir os crentes com suas falácias e vãs filosofias (Cl 2.8). E encerra dizendo o porquê de tanta luta, tanto esforço, no combate às heresias e zelo pela vida dos crentes de Éfeso, ou de todos os cristãos: “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo, que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (1Tm 4.10).


Subsídio Bibliológico
“Líderes eclesiásticos, pastores de igrejas locais e dirigentes administrativos da obra devem lembrar-se de que o Senhor Jesus os têm como responsáveis pelo sangue de todos os que estão sob seus cuidados. Se o dirigente deixar de ensinar e pôr em prática todo o conselho de Deus para a igreja, principalmente quanto à vigilância sobre o rebanho, não estará ‘limpo do sangue de todos’. Deus o terá por culpado do sangue dos que se perderem, por ter deixado de proteger o rebanho contra os falsificadores da Palavra” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.1677).


III - A DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO (vv. 11-16; cf. 5.4-16)
1. O Ensino Prescritivo
“Manda estas coisas e ensina-as” (1Tm 4.11). Era uma determinação de Paulo a Timóteo, para que ele não fraquejasse na ministração da doutrina à igreja em Éfeso, visto que as heresias estavam-se espalhando com certa facilidade, por meio dos “homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1Tm 4.2). Os verbos “mandar” e “ensinar” (gr. didasko) estão no modo imperativo, denotando o caráter da exortação de Paulo, de modo contínuo e persistente. As “coisas” que foram ensinadas pelo apóstolo deveriam ser ministradas aos crentes de forma incisiva, sem condescendência com os falsos mestres e os falsos ensinos, que tinham origem nos “espíritos enganadores” e nas “doutrinas de demônios”.


Nos tempos presentes, o ensino tem sido negligenciado por muitos líderes de igrejas. Há uma supervalorização do louvor, do cântico, dos hinos, dos instrumentos musicais, em detrimento da pregação e do ensino da Palavra de Deus. Não é por acaso, que há uma geração fraca, “anêmica” e “raquítica” em relação aos conhecimentos e à prática da Palavra de Deus. Há muito falatório, muito barulho, muito grito e dramatização, e pouco ensino fundamentado da doutrina sagrada (didakê). Já predomina uma cultura, no meio de igrejas evangélicas, de que “um culto maravilhoso” é aquele em que se apresenta “um cantor de fora”, ou um “pregador famoso, convidado para os eventos”. Ou um culto, em que haja manifestações gratuitas de emocionalismo infantil, com o famoso “re-té-té”, ou exibicionismo carnal, disfarçado de espiritualidade. Por isso, Paulo não diminuiu a ênfase no ensino. Pelo contrário: disse “manda” e “ensina” as coisas que foram determinadas em sua carta.
Se Paulo ressuscitasse hoje, por permissão de Deus, ou se transfigurasse, como Moisés e Elias, no Monte da Transfiguração, ficaria estupefato, percebendo que o “evangelho politicamente correto” prevalece em muitas igrejas. Com receio de ver a evasão de crentes, há obreiros que nem “mandam” nem “ensinam” o que a Palavra de Deus prescreve de forma clara e imperativa. A doutrina da santidade, por exemplo, tem sido por demais relegada a segundo plano nas ministrações de muitos pastores. A Bíblia é incisiva quanto a esse ensino. Não há o que interpretar o que está claro e evidente, no contexto da doutrina: “mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15); “segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Santidade e santificação constituem-se doutrina prescritiva do evangelho de Cristo. São fundamentais, e baseiam-se em princípios inegociáveis no âmbito da doutrina cristã. Em muitas igrejas, não se fala em santidade. Mas fala-se em prosperidade material de modo exaustivo, manipulativo e insistente, visando extrair do povo o máximo de dinheiro para os projetos da denominação. Em troca disso, o ensino promete bênçãos sem limites no campo material. É a tal da Confissão Positiva. E dão inclusive a “fórmula da fé”, conforme Kenneth Haggin.

Para fazer a “confissão positiva”, o cristão dever usar as expressões: “exijo”, “decreto”, “declaro”, “determino”, “reivindico”, em lugar de dizer: peço, rogo, suplico. Segundo os adeptos dessa teologia modernista, o cristão jamais pode dizer: “se for da tua vontade”, segundo Benny Hinn, pois isso destrói a fé. Mas Jesus orou ao Pai, dizendo: “Se é da tua vontade... faça-se a tua vontade...” (Mt 26.39,42).


2. O Exemplo dos Fiéis
“Ninguém despreze a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade, no espírito, na fé, na pureza” (1Tm 4.12). Timóteo era um jovem obreiro, com cerca de 30 a 35 anos, e fora enviado para doutrinar uma igreja, onde já havia anciãos ou presbíteros com mais idade.6 O texto bíblico dá a entender que ele era um pouco tímido, como se depreende de 1 Coríntios 6.10,11, em que Paulo pede aos irmãos que recebam Timóteo de forma que o mesmo esteja “sem temor”, sem nenhum desprezo. A exortação de Paulo deveria chegar aos ouvidos dos crentes de Éfeso. Por meio da carta a Timóteo, o apóstolo diz que “ninguém” deveria desprezar (“zombar”, “tratar com desprezo”, “subestimar”) o jovem obreiro. Certamente, foi uma dura recomendação ao jovem obreiro. Em lugar de ser exortado a seguir o exemplo dos anciãos, Paulo diz que Timóteo deveria ser “exemplo dos fiéis”. O texto discrimina seis aspectos em que Timóteo deveria ser exemplar:

1) ‘‘Na palavra"
A princípio, o texto poderia dar a entender que Paulo desejava que Timóteo fosse um exemplo de exímio pregador ou ensinador da Palavra. Mas o contexto indica que ele, como mestre de Timóteo, exortava-o a que fosse um exemplo dos fiéis na “maneira de falar”, de se expressar, no relacionamento com os demais irmãos. Um obreiro, líder ou não, deve saber expressar-se, jamais usando linguagem vulgar ou chula. Esse entendimento tem respaldo no que o apóstolo escreveu aos efésios: “Não saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29). No mesmo texto, aos efésios, ele diz: “Toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias, e toda malícia seja tirada de entre vós” (Ef 4.31). De fato, um ministro do evangelho não pode ter linguagem inadequada, debochada, “sem classe”, sem pudor ou demagógica. Devemos lembrar que o adjetivo “torpe” a que Paulo recomenda evitar significa “podre” (gr. sapros). Assim, piadas e palavras inconvenientes não devem fazer parte do vocabulário de um obreiro cristão.

2) “No trato”
A expressão refere-se ao comportamento cristão. Não só Timóteo, mas todo jovem ou cristão de qualquer idade deve ser “exemplo dos fiéis” no relacionamento humano e espiritual. E não vemos outra maior fórmula, ou mesmo fórmula para o bom relacionamento cristão, do que as virtudes ou aspectos do “fruto do Espírito”, de que falou Paulo em Gálatas 5.22,23. O relacionamento cristão (o trato) deve expressar a ética cristã. Jesus disse: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas (Mt 7.12). Os carnais andam segundo a natureza carnal, herdada de Adão: “Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus” (Rm 8.7,8). Texto mais que didático e compreensível. O trato do crente carnal não pode ser referência para quem quer servir a Deus.
Já o crente espiritual demonstra um “trato” ou comportamento espiritual. Ele é cheio do Espírito Santo” (At 2.4; 4.31; 13.52). “Portanto, agora, nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o espírito” (Rm
8.1). Os espirituais vivem segundo o Espírito Santo, porque estão em Cristo Jesus” e “não andam segundo a carne”.

3) “Na caridade”

Ser exemplo no amor não é fácil. Mas é a característica mais importante do cristão que quer ser discípulo de Jesus. No Evangelho segundo João, Jesus disse: “Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35 - grifo nosso). Este versículo demonstra quão grande é o valor da “caridade” ou do “amor cristão. Esse amor, no texto original, é ágape. Não é um amor simplesmente humano, como filantropia, assistência aos necessitados. Essa caridade, que é “o amor em ação”, é o centro da verdade cristã.
Deus enviou Jesus para nos salvar; não foi por sua justiça, mas por seu amor indescritível (Jo 3.16). Desse modo, o crente fiel, em Éfeso ou em qualquer lugar onde se congregar, deve ser exemplo no amor cristão. Respondendo a um doutor da Lei, Jesus disse que o primeiro e o maior dos mandamentos é amar a Deus de todo o coração, de todo o entendimento e alma. E o segundo, semelhante a esse, é amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22.34-40). Por essa razão, o cristão deve ser o exemplo dos fiéis no amor, para que seja conhecido como discípulo de Jesus (Jo 13.35).

4) “No espírito”
Um ministro do evangelho deve ser “exemplo dos fiéis”, no lado espiritual. E de fundamental importância que o obreiro-líder reserve em sua agenda os momentos especiais, diários, sistemáticos, para o cultivo de sua vida devocional, através da qual ele estreita sua comunhão com Deus. O obreiro precisa orar todos os dias; começar o dia de trabalho sem orar é correr o risco de enfrentar situações difíceis sem encontrar a solução para os problemas que surgem na administração da igreja; o exercício diário da oração é um reforço maravilhoso para a dinamização da igreja local.
Sem oração, é impossível o obreiro ser exemplo “no espírito”. Ela é a chave que abre as portas do sobrenatural, quando o líder da igreja local se coloca de joelhos, buscando a unção do Espírito Santo. Sem oração, o obreiro pode sutilmente se tornar carnal, enveredando por caminhos de iniquidade. Quantos pastores têm caído por falta de oração e vigilância (Mt 26.41). A Bíblia tem exemplos diversos de homens de Deus que oravam sistematicamente. Alguns caíram porque negligenciaram a oração. Davi orava três vezes ao dia (SI 55.17); quando deixou de orar, de cuidar de sua vida espiritual, fracassou terrivelmente; Daniel orava três vezes ao dia (Dn 6.10); Jesus orava diariamente (Mt 26.44); o salmista também tinha o costume de começar o dia, orando e vigiando.

5) “Na fé”

O que Paulo ensinava a Timóteo deveria ser ministrado para os demais obreiros e para a igreja local, a comunidade cristã. Um ministro do evangelho, para ser diligente, precisa exercitar-se na fé. A fé assume vários sentidos na Bíblia. Pode ser a fé para receber milagres (Mc 9.23); a fé para a salvação pessoal (Mt 9.22; Mc 10.52; Lc 7.50); e em outros aspectos. Mas, no texto em apreço, Paulo exortava a Timóteo e por extensão aos ministros do evangelho, que todos precisam ser exemplo na fé, no sentido da confiança firme em Deus, ou seja, no cultivo da virtude da fé (1Co 13.13), e de uma vida por fé, sem a qual “é impossível” agradar a Deus (Hb 11.6).

6) “Na pureza’’

Ser exemplo na pureza (gr. agneia) é ser puro, “casto”, tanto em termos de ações, atitudes e práticas no seu viver contínuo. Essa pureza deve ser nos pensamentos e nas obras; nos sentimentos e nas práticas cotidianas. Timóteo era ainda um jovem ministro, segundo estudiosos, com cerca de 30 anos; hoje, seria um “solteirão”, esperando pacientemente “no Senhor” (SI 40) pela bênção de ter uma esposa para ser sua companheira no ministério. Mas até que essa bênção se concretizasse, ele haveria de passar por muitas tentações, especialmente na área sexual.

Sem qualquer dúvida, se, no tempo de Timóteo, a exortação de Paulo era oportuna e necessária, que dizer de tal cuidado por parte dos obreiros, jovens ou de mais idade, nos dias presentes? Nunca houve tanta facilidade para o pecado, para a lascívia, para a concupiscência carnal como nos dias em que vivemos. Seja qual for o ministro, se não vigiar nessa parte, precavendo-se das tentações da carne, seja solteiro, seja casado, a probabilidade de queda é muito grande. Com os meios tecnológicos à disposição das pessoas, via internet, telefones, “tablets”, o acesso a relacionamentos ilícitos é muito fácil. A vigilância e a oração têm que ser redobradas. Para ser exemplo na “pureza”, o ministro precisa cultivar a vida de santidade. Sem esta, ninguém chegará ao céu (cf. Hb 12.14).


Se entendemos que santidade quer dizer separação do que é sagrado daquilo que é profano, precisamos, como obreiros do Senhor, zelar por tudo que ocorre no âmbito da igreja local, seja na pregação, no púlpito; seja na adoração, na liturgia, no louvor, nos usos e costumes, na vida moral e social da parcela do rebanho de Deus que nos foi confiada. Os obreiros devem ser exemplo dos fiéis. A disciplina pessoal se faz necessária para que evidenciemos pureza em todas as áreas da vida, mediante a necessária santificação (1Pe 1.15; Hb 12.14).


3. O Ministro e o Cuidado com o Ministério e consigo Mesmo
1) O cultivo da leitura
“Persiste em ler, exortar e ensinar, até que eu vá” (1Tm 4.13). Um ministro do evangelho não pode ser um despreparado para o ministério. E seu preparo tem que passar pelo costume diuturno de ler, em primeiro lugar, a Palavra de Deus. Estudo recente, por entidade de pesquisa ministerial, dá conta de que 57% dos pastores nunca leram a Bíblia toda. E algo preocupante. Se não ler, como pode estimular os crentes a lerem a Palavra de Deus? E por causa dessa negligência na leitura bíblica que o ensino que parte de muitos púlpitos é fraco, superficial e inconsequente.
Para compensar, muitos pastores recorrem ao “espetáculo” de emocionalismos, gritos e até de “palhaços”, ou recorrem-se às danças, ao balé, em que o púlpito se torna um picadeiro, e a igreja um “circo” de profanação do bom nome da igreja de Cristo. Por isso, é tão importante a exortação a Timóteo para que se aplicasse à leitura, que pode ser tanto da Bíblia como de boas fontes de estudo bíblico, para que pudesse exortar e ensinar à igreja.

2) A valorização do dom do ministério

Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento seja manifesto a todos” (1Tm 4.14,15).
Paulo queria que seu discípulo não negligenciasse seu ministério, que lhe foi confiado por Deus, por meio do ministério, com o ato de caráter espiritual de imposição de mãos.
Deus valoriza os gestos e os atos, quando feitos por fé e não por mera formalidade ritualística. O “dom” concedido a Timóteo teve o respaldo da “profecia”, ou de revelação espiritual da parte de Deus. Esse “dom” certamente eram as habilidades que Timóteo recebera para exercer seu ministério. E deveria valorizar, ocupando-se na obra do Senhor com diligência e zelo. Deus não se agrada de quem faz “a obra do Senhor fraudulentamente” ou “relaxadamente” (Jr 48.10).

3) O cuidado de si mesmo e dos outros

“Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16). A preocupação com a vida pessoal envolve aspectos relevantes. O obreiro precisa ter cuidado com a sua integridade moral e espiritual: deve ser íntegro. Essa palavra quer dizer: inteiro, completo; perfeito, exato; reto, imparcial, inatacável (Dicionário Aurélio). Integro é o líder que faz o que diz e diz o que faz; é o que dá testemunho dentro e fora de casa; dentro e fora da igreja; na presença ou na ausência dos liderados (cf. Mt 5.37; Tg 2.12).

Nesse cuidado consigo mesmo, o obreiro precisa ter cuidado com sua saúde. O apóstolo João, escrevendo a seu amigo Gaio, desejou-lhe saúde (3 Jo 2). No que cabe a si, o líder deve obedecer aos princípios bíblicos e científicos no cuidado com a saúde: oração, boa alimentação, repouso, exercício, atitude mental correta, evitar o estresse, a tensão emocional. Pesquisas mostram que os pastores são submetidos a tensões fora do comum, e são acometidos de doenças cardiovasculares, nervosas ou psicossomáticas. O zelo por si mesmo, pela sua mente e pelo seu corpo contribui para que o obreiro tenha melhores condições emocionais e físicas no desenvolvimento de sua missão.


Além do cuidado consigo mesmo, Paulo exorta Timóteo a que tenha cuidado no trato com algumas pessoas que merecem atenção especial no seio da congregação. Com relação aos anciãos, ou idosos, da “terceira idade”, Paulo diz que não devem ser repreendidos asperamente quando falharem, mas admoestados “como a pais” (1Tm 5.1); quanto aos jovens, é interessante sua recomendação: “aos jovens, como a irmãos” (1Tm 5.1).


Paulo tinha grande sensibilidade para com as mulheres. Ele não desprezava sua cooperação à obra do Senhor no ministério eclesiástico. Aos Romanos, ele indicou o nome de várias mulheres que foram valiosas cooperadoras ao seu lado (Rm 16.1-15). Na carta a Timóteo, ele ensinou como tratar as mulheres na igreja: “Às mulheres idosas, como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza. Honra as viúvas que verdadeiramente são viúvas” (5.2,3). Note-se a preocupação em enfatizar o cuidado com as viúvas, mas ressaltando “as que verdadeiramente são viúvas”. Ao que parece, essa preocupação devia-se ao fato de haver algumas mulheres oportunistas, que queriam viver de modo leviano, às custas da igreja (Ler 1Tm 5.3-13).


Subsídio Bibliológico
“‘Ninguém despreze a sua mocidade [...]’ (1Tm 4.12). A palavra grega é neotes, que indica uma pessoa que é adulta, mas abaixo dos 40 anos. No mundo antigo, não era esperado que uma pessoa com a idade de Timóteo, provavelmente nos seus 30 anos de idade, tivesse obtido o discernimento e a sabedoria requerida para os líderes.
Podemos entender, em virtude do ambiente social, no qual os pagãos e judeus igualmente esperavam que uma pessoa tivesse entre 40 e 60 anos para ser qualificado a compreender e aconselhar, por que Timóteo, com 30 anos de idade, pode ter estado hesitante em afirmar sua autoridade.
É significativa a apresentação de novos critérios pelos quais a igreja deve avaliar os seus líderes. O que qualifica uma pessoa para a responsabilidade de liderança na igreja de Deus não é a idade, mas sim o caráter. Timóteo e os líderes devem dar exemplo para os crentes no modo de falar, na vida, no amor, na fé e na pureza” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.471).

Observação nossa:

Quando se fala em "líderes" não foque somente no Pastor mas também nos lideres de departamentos de louvor, lideres de departamentos de dança, teatro, musica; nos lideres de Ensinamentos (EBD Infantil, EBD Juniores, EBD Adultos); todas as lideranças tem que ser EXEMPLO. "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém." 1 Pedro 4:11


CONCLUSÃO
A apostasia dos últimos tempos revela-se de modo acentuado no meio evangélico. Pregadores e ensinadores de doutrinas esdrúxulas têm bastante espaço no ambiente de muitas igrejas. O remédio para evitar esse tipo de problema é o ensino sistemático e na unção de Deus para todos os obreiros e igreja em geral. Nosso referencial teológico e de fé é a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. O ministério pode ser bem-sucedido ou um fracasso. Será uma bênção se o seu líder, ao lado de auxiliares fiéis, e respaldo da igreja local, procurarem viver de acordo com a sã doutrina, que é o ensino fundamentado e consolidado, com base na Palavra de Deus. Que o Senhor guarde os ministros, os ministérios e as igrejas dos ataques do Maligno nesses últimos tempos, que antecedem a vinda de Jesus.

Aqui temos uma pergunta que merece toda nossa atenção, especialmente quanto à resposta. Pense nisso!
Pergunta: Como Deus vê a Apostasia?
Resposta: Como um adultério espiritual.

Notas:
1 CPAD Bíblia de Estudo Pentecostal, p.1856
2 Russel Normam CHAMPLIM. O Novo Testamento interpretado - versículo por versículo. Vol.5 p.318.
3 Gordon D.FEE. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo 1 e 2 Timóteo e Tito, p.115.
4 Daí vem a Palavra "ginásio" (lugar de prática de exercício ou de esportes).
5 Éfeso: Cidade grego-romana, a segunda maior do Império, depois de Roma. Tinha larga tradição no mundo esportivo.
6 Gordon D.FEE. 1 e 2 Timóteo e Tito, p.119.

Fonte:
A Igreja e o seu Testemunho - As ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais
As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais - Elinaldo Renovato de Lima (livro de apoio)
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº63
Bíblia de Estudo Pentecostal
Aqui eu Aprendi!
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