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sexta-feira, 7 de outubro de 2016

A Provisão de Deus em tempos difíceis

E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” 1Jo 2.17

A Palavra de Deus mostra que o sistema de vida do mundo é corrupto, materialista e se encontra completamente desvirtuado da vontade de Deus, que pode ser conhecida por intermédio da vida e obra de Jesus Cristo. O apóstolo João caracteriza esse mundo como um grande sistema de vida regido pela “concupiscência da carne”; isto é, todos os desejos possíveis e impossíveis que a natureza humana e carnal impulsiona; pela “concupiscência dos olhos”, quando os olhos físicos apenas desejam aquilo que satisfaça física e materialmente o ser humano; a “soberba da vida”, quando o acúmulo de bens materiais torna-se o sentido de toda a existência (1Jo 2.16). Todas essas características confirmam a natureza caída do ser humano pecador.

Entretanto, o apóstolo afirma no versículo 17 que o mundo passa, bem como a sua concupiscência, mas quem faz a vontade do Pai permanece para sempre. Ou seja, quem tem a mente e o coração voltados para Deus, possui o Espírito de Cristo e não se deixa escravizar pela concupiscência da carne, dos olhos e da soberba da vida. Não é mais escravo da carne, mas servo disponível para fazer a vontade de Deus para sempre.

A realidade caótica desse mundo prova o quanto a Bíblia, a Palavra de Deus, tem razão em descrever a malignidade e a perversidade em que se encontra o mundo moderno. Um mundo, onde não há a valorização da vida, onde pessoas preferem defender o Meio Ambiente (que é uma defesa legítima e urgente), a crianças indefesas (liberação do aborto); onde uma sociedade esmaga a espiritualidade interior, pois seus anseios são voltados para o interesse gélido do homem moderno (uma sociedade antropocêntrica); onde tudo se relativiza, os absolutos do ponto de vista moral e éticos são ignorados em nome de uma suposta pluralidade, mesmo que esta seja perversa e maligna em sua legitimidade; onde uma sociedade é secularizada, pois obriga o homem de fé a vivê-la enclausurado em sua vida particular (tolera-se a fé enquanto ela não incomode).

Mas é nesse mundo de crise e caótico que somos desafiados a viver o Evangelho e caminhar em provisão da parte de Deus. Nosso Senhor, no Sermão do Monte, nos convida a sermos “sal da terra” e “luz do mundo”, um candeeiro que ilumina toda uma região obscurecida por densas trevas. A trilharmos um caminho onde Deus proverá tudo o que for necessário para a nossa sobrevivência tanto do ponto de vista humano quanto do ponto de vista espiritual. - Revista Ensinador Cristão nº68 - pg.37.

Leitura Bíblica: Êxodo 16 1-15

Quero começar este capítulo com o Salmo 46, inspirado por um dos filhos de Corá, que retrata o socorro nas crises existenciais quando somos ameaçados por perigos que não podemos evitar.

Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã. Os gentios se embraveceram; os reinos se moveram; ele levantou a sua voz e a terra se derreteu. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio. Vinde, contemplai as obras do Senhor; que desolações tem feito na terra! Ele faz cessar as guerras até ao fim da terra; quebra o arco e corta a lança; queima os carros no fogo. Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra. O Senhor dos Exércitos está conosco; o Deus de Jacó é o nosso refúgio.

Para tempos de crises inevitáveis, esse salmo é bálsamo para quem enfrenta dificuldades nos campos físico, econômico, social, moral e espiritual. A Palavra de Deus dá certeza de socorro bem presente, fortaleza íntima para enfrentar os perigos, refúgio nas tempestades da vida.

Algumas crises foram motivadas pelo choque do futuro para o qual as pessoas não estão preparadas. Essas crises também são provocadas pelo excesso de mudanças em um período muito curto, não dando tempo de adaptação a tudo isso. A necessidade de adaptação a essa realidade vem produzindo estresse emocional, e a ciência no campo da psicologia e da psiquiatria não consegue atenuar plenamente esse estado de espírito dos tempos modernos. Estamos no terceiro milênio, e nos dois milênios que se passaram desde os tempos do primeiro séculos da Era Cristã, todos aqueles sinais escatológicos apresentados por Jesus e pelos seus apóstolos vêm sendo cumpridos. O apóstolo João, já no final do primeiro século da Era Cristã mostrou o mundo atual com os sinais de um sistema satânico que se manifestam na vida da humanidade. O estigma do mundo percebido por João é percebido nesses tempos pós-modernos.

Estamos vivendo na atualidade com a realidade de mudanças culturais e sociais que ameaçam a nossa fé e os princípios e valores que sempre nortearam a Igreja de Cristo na terra. Entretanto, para esses tempos, o Deus de toda provisão não abandonou sua Igreja.

O MUNDO ATUAL, UM SISTEMA GLOBALIZADO

O Mundo na Esfera Espiritual - um Sistema Espiritual de Domínio Satânico
João, o apóstolo, declarou em sua epístola universal às igrejas: “sabemos que somos de Deus e que todo o mundo está no maligno” (1 Jo 5.19). Sabemos que esse sistema satânico age invisivelmente sobre a humanidade na terra. Por isso, no contexto espiritual, o mundo é mais que um globo geofísico. É um sistema invisível que procura dominar a vida humana infiltrando-se em todas as camadas sociais, políticas e religiosas, influenciando suas decisões. É um sistema que invade nossos lares; que afeta e corrompe a mente de nossos filhos por meio da mídia falada, televisiva e por meio da informática. Ora, se o mundo dos homens está sob a égide de Satanás, sabemos que esse sistema satânico tenta usurpar de Deus a sua soberania infiltrando-se na vida da humanidade, oferecendo-lhe um estilo de vida que a torna independente e rebelde contra o Criador.

O Mundo Hoje — a Influência de um Sistema Globalizado
Nas raízes do pós-modernismo brotam as coisas que pressionam a vida atual e provocam a incredulidade e a rebeldia humana que rejeita a Deus e absorve o materialismo humanista. A globalização, uma ideia inteligente desses tempos, é um modo de preparar o mundo para o advento do Anticristo. Não é um termo isolado e técnico dos cientistas políticos. Tem na sua estrutura um plano diabólico que esconde as verdadeiras razões satânicas sob o manto colorido da união das nações, do ecumenismo religioso, da liberdade individual das pessoas. É um sistema que se destaca pela diversidade e a multiplicidade. É um sistema que busca o prazer físico em detrimento da racionalidade. Globalização é a palavra moderna que representa o processo de integração econômica, social, cultural e política que visa ao intercâmbio de ideias entre as culturas das nações, tendo como limitação apenas a barreira linguística. Utiliza-se da mídia e das facilidades de comunicação tecnológica que influenciam o modo de pensar em todos os campos da vida da sociedade em cada nação do planeta. A ideia de globalização é a igualdade num plano que concorda com a “Nova Ordem Mundial” e que prega a integração entre todos os povos. Houve a tentativa de criar uma língua universal, chamada “Esperanto”, que não conseguiu muito sucesso. A ideia da Nova Ordem Mundial objetiva estabelecer princípios de relações entre os povos que afetem o comportamento social e que tenham na mídia televisiva e na impressa o modo de influenciar a economia mundial, a educação e até a religiosidade dos povos.

A GLOBALIZAÇÃO — um Sistema preparado para o Cenário
Futuro do Anticristo
O mundo todo está sendo um palco armado para o advento do Anticristo, segundo a profecia bíblica, em breve futuro, antes que a igreja de Cristo seja arrebatada deste mundo. Sob a influência de Satanás, o Anticristo será o personagem que aparecerá no cenário político mundial num período especial identificado pela profecia de Daniel como a “Grande Tribulação”, especialmente para Israel (Dn 9.24-27). Nesse período, ele surgirá no cenário mundial e globalizado como um personagem literal, mas que é identificado nas profecias bíblicas numa linguagem figurada como “o chifre pequeno” do animal terrível e espantoso (Dn 7.7,8). Será identificado, também, como “o príncipe que há de vir” (Dn 9.26); “o rei que fará conforme sua vontade” (Dn 11.36); “o homem do pecado”, o “filho da perdição”, “o iníquo” (2 Ts 2.3,8); o “anticristo” (1 Jo 2.18).

Para os que interpretam a Bíblia alegoricamente, esse personagem não passa de uma figura de retórica. Para a igreja de Cristo, que crê na literalidade da revelação bíblica acerca desse personagem, o Anticristo será o mais notável líder político, capaz de convencer, contender e com um carisma fenomenal. Ele ainda não está entre nós, mas o seu espírito opera no mundo atual, e a ideia da globalização, ou seja, a “aldeia global” ou “a nova ordem Mundial”, está sendo preparada.

DOIS TEMPOS DISTINTOS DE MUDANÇAS NA SOCIEDADE

Ao longo da sua história, a humanidade experimentou diferentes modelos de transformações que foram passando de uma época para outra, com sinais de desenvolvimento tecnológico, científico e social. Nesses períodos distintos, várias crises de ordem social, com os sistemas de governos e políticas diversificados, tragédia e destruição foram experimentadas.

A Crise da Era Moderna
Modernidade é uma palavra com sentido filosófico e entende-se como um sistema oriundo das forças de mudanças que ocorrem durante sua movimentação na vida da humanidade. É um sistema centrado na premissa de que “toda causa de cima para baixo”, principalmente aquela que reconhece a soberania de Deus e o Causador de toda a criação do universo e tudo que representar o sobrenatural deve ser substituído por “causas de baixo para cima”. É, na verdade, uma inversão de valores e de objetivos em que o sobrenatural é rejeitado e o natural ganha espaço na vida das pessoas. Em síntese, é uma declarada rejeição de Deus pelo homem moderno. Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, escreveu o seguinte: “Pois mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador” (Rm 1.25). O mesmo autor, escrevendo a Timóteo, disse:

Manda aos ricos deste mundo que não sejam altivos, nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que abundantemente nos dá todas as coisas para delas gozarmos; que façam o bem, enriqueçam em boas obras, repartam de boa mente e sejam comunicáveis; que entesourem para si mesmos um bom fundamento para o futuro, para que possam alcançar a vida eterna. (1 Tm 6.17-19).

O modernismo desenvolveu conceitos humanistas e materialistas, de modo que a sua fé é desviada para um falso sentido de liberdade, para a ciência e para o progresso humano. A Era moderna foi marcada pelo avanço do conhecimento humano, pelo advento da industrialização, pela predominância da luta ideológica e, especialmente, pela expansão da fé cristã, como também, pela proliferação das seitas e das religiões orientais.

As Crises dos Tempos Pós-Modernos
Os sociólogos estudam a sociedade através da história e colocam os tempos atuais como um período que denominam “pós-modernidade”. Esse período possui características que se manifestam na vida cotidiana das pessoas e são inevitáveis. São características que desafiam a fé cristã. Tem sido um tempo marcado não só pelo progresso científico e econômico, mas por conflitos e contradição oriundos da Era Moderna. Um dos elementos corrosivos e destrutivos sob a égide do pós-modernismo é a valorização do efêmero, da descontinuidade, o avanço do individualismo. A mídia hoje tem um poder quase sufocante sobre nossas famílias, manipulando desejos, incentivando atitudes animalescas, promovendo a sedução por coisas impróprias.

Um dos aspectos que chamam a atenção na diferença do modernismo para o pós-modernismo é que esse tempo que vivemos não possui um estilo uniforme e coerente em várias áreas como a filosofia, a religião, a moralidade, as artes, a economia. Tudo sofreu mudanças radicais, prevalecendo a diversidade. Apregoa-se hoje a morte dos ideais, em que o disfarce parece um elemento de sobrevivência das pessoas. Se em tempos passados a verdade era concebida como algo absoluto para ser absorvido pelas pessoas, hoje se ensina “que há muitas verdades e cada qual fica com a que mais lhe satisfaz”. Essa filosofia ensina que as verdades são particulares e relativas, e cada povo tem a sua forma de acatá-las e expressá-las, contradizendo, assim, abertamente, a verdade de Deus. A Bíblia diz o seguinte: “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça” (Rm 1.18). Em seguida, o apóstolo Paulo disse no versículo 21: “porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu”. Por outro lado, supervalorizam o sentimento em detrimento da razão. O escritor Milan Kundera, defensor dessa filosofia, fez um trocadilho da expressão “Penso, logo existo” por “Sinto, logo existo”.

Esse período é o nosso tempo atual, e é nesse contexto que estamos vivendo. As gerações dos últimos 50 anos estão experimentando o progresso científico e tecnológico, mas também as crises provocadas pela Era Moderna. O apóstolo Paulo, pelo Espírito Santo, profeticamente apontou para esse tempo, como os problemas dos “últimos dias”, quando disse: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2 Tm 3.1).

CARATERÍSTICAS DESSE MUNDO SATÂNICO

Jesus orou ao Pai pelos seus discípulos e disse: “Eles estão no mundo, mas não são do mundo”. Essa distinção dá a Igreja a sua identidade e nos conscientiza de que, a despeito, de estarmos nesse mundo sob a égide de Satanás, nós, cristãos, precisamos tomar conhecimento para refutarmos todos os ataques de Satanás.

Uma Sociedade Centrada no Homem
Essa ideia é identificada no mundo da filosofia como antropocentrismo. O prefixo dessa palavra é antropos, que se refere ao homem como o centro de tudo, concordando com a ideia humanista, de um escritor ateu e humanista, que declarou que “o homem é a medida de todas as coisas”. Essa ideia faz do homem o centro do universo, e tenta roubar de Deus, Criador, o cetro de soberania sobre todo o universo. A Bíblia declara que Deus, o Pai, tornou seu Filho Jesus a razão e o centro de toda a criação. Paulo escreveu aos Colossenses que “Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele” (Cl 1.17). Paulo identificou pelo Espírito, com um vislumbre futuro, o tipo de gente que se coaduna com o espírito dessa ideia humanista quando fala dos “amantes de si mesmos” (2 Tm 3.2). Esse espírito humanista tem de ser repudiado na vida da igreja, da liderança e dos membros das igrejas.

Uma Sociedade sob a Influência do Relativismo
O relativismo age sob a óptica dos valores relativos negando os absolutos, especialmente os princípios e ensinos imutáveis da Palavra de Deus. O certo e o errado se confundem onde tudo é relativo. Algumas experiências bíblicas nos dão testemunho desse perigo (Gn 19.1-11; Jz 2.11; 3.7; 4.1; 10.6). É a negação de qualquer lei superior para orientar a vida das pessoas. Esse espírito relativista tem produzido danos à vida ética dos cristãos em nosso tempo.

Uma Sociedade Dominada pela Secularização da Vida
Existe uma declaração bíblica do apóstolo Paulo acerca de um desertor da igreja, o qual desistiu da fé cristã por entender que o mundo lhe oferecia mais. Sobre esse desertor, Paulo disse que “[amou] o presente século” (2 Tm 4.10). Uma das crises enfrentadas pela Igreja é a secularização dos ensinos bíblicos para acomodar os cristãos a um padrão de vida mundano, que perverte os nossos valores espirituais. A influência do mundanismo se manifesta em forma de apelo, fascínio, mistura, prazer e imitação que resultam em perda dos valores e virtudes cristãs.

Quando o apóstolo João exorta, dizendo “Não ameis o mundo, nem o que no mundo há” (1 Jo 2.15), não se referia, de fato, ao mundo físico, mas ao mundo espiritual sob o domínio de Satanás. Não se trata, também, do mundo da humanidade, que é um sistema de vida organizado em reinos, países, estados, cidades, vilas e aldeias, e, até mesmo, nos lugares mais escondidos da terra. Naturalmente, aspectos como cultura, educação, comunicação e religiosidade fazem parte da vida da humanidade neste mundo físico. Entretanto, o acesso das pessoas a esses valores são deturpados pelo Diabo, que procura desintegrar a humanidade, moral e espiritualmente. Ele procura influenciar pessoas, governos, artistas, intelectuais e até religiosos para lançá-los contra o Criador.

Que é Secularismo?
A palavra século aparece na língua grega como “aion” e diz respeito “não apenas ao período de tempo de cem anos”, mas tem um sentido figurativo de “pensamento que predomina em uma geração”. O secularismo é uma força intelectual e espiritual que torce as verdades bíblicas para corromper a Igreja e desviá-la da fé cristã. Com facilidade, procura corromper os bons costumes na família, na escola e na vida espiritual. O secularismo valoriza a forma em detrimento do conteúdo, e, por essa razão, nossa liturgia tem sido aviltada com alegações culturais, onde tudo acontece: danças folclóricas, roda de capoeira e outras coisas incentivadas por líderes que perderam o compromisso com o evangelho.

Características do “Século Presente”
O apóstolo Paulo descreveu as características das pessoas desses “dias trabalhosos” quando disse:

[...] nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos; porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te. (2 Tm 3.1-15)

Essas características tão claras e objetivas fazem parte da presente era. As ideias satânicas de moralidade, das filosofias, das artes, dos sistemas políticos e econômicos, da comunicação de massa foram afetadas de tal modo que a graça desse século prefere o profano ao sagrado e se opõe a tudo que diz respeito a Deus.

Subsídio Bíblico Teológico

Antropocentrismo
- "[Do gr. antropos, homem; do gr. kentron, centro + ismo]. Perspectiva teológica-filosófica que coloca o homem como centro do universo, descartando, na prática, a ideia de um Deus bom, justo e que se interessa pelos negócios humanos. O  antropocentrismo leva sempre em consideração o que declarou o filósofo grego Portágoras: 'O homem é a medida de todas as coisas.'

Relativismo
- [Do lat. relativas]. Concepção filosófica segundo a qual nada é definitivamente certo nem absoluto, por depender de contingências e condicionamentos. Sob esta ótica, caem por terra os princípios éticos da verdade. O relativismo moral tem sido utilizado pelos ditadores para destruir os princípios da liberdade e da fé em Deus.

Secularismo
-  [Do lat. seculu+ismo]. Doutrina que ignora os princípios espirituais na condução dos negócios humanos. O secularismo, ou materialismo, tem o homem, e somente o homem, como a medida de todas as coisas. Pode  ser considerado sinônimo de humanismo" [1]

Hedonismo
É uma filosofia que se constitui numa doutrina, a doutrina do prazer, e faz do prazer individual e imediato o bem supremo da vida humana. É a supervalorização dos bens materiais e físicos que promovem o consumismo; a coisa mais importante da vida se torna o ter, comer, beber e folgar. Jesus, em sua vida terrena, via esse mal hedonista numa de suas parábolas proferidas no Sermão do Monte, acerca do rico insensato (Lc 12.13-21). O vírus que Jesus detectou naquele homem rico foi a avareza. Ele exortou então: “Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui” (Lc 12.15). Mais à frente, Jesus, ilustrou as palavras desse homem, quando falou: “e direi à minha alma: alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos; descansa, come, bebe e folga” (Lc 12.19). Era um homem avarento e um hedonista que só pensava em si mesmo. O prazer do crente é alimentado pelo fruto do Espírito; por isso, ele não pensa só em si, e a sua alegria preenche qualquer necessidade do seu eu que vive para Cristo.[2]


O Multiculturalismo Secular
O cristão moderno se depara com esse elemento próprio do fenômeno mundial da globalização. Já tratamos de algumas características atuais como antropocentrismo, hedonismo, relativismo e, por último, secularismo. O multiculturalismo tem no seu prefixo “multi” o sentido da diversidade existente de culturas desenvolvidas ao longo da história e que, nos tempos atuais, representa uma filosofia que procura camuflar a verdade com a mentira, o paganismo ímpio e hostil a Deus, a negação dos valores divinos e a pregação maldita da verdade relativa. A influência dessa filosofia faz com que muitos cristãos modernos vejam a Bíblia como uma literatura alegórica, antiga e fora de tempo, que precisa ser adaptada e modificada conforme as chamadas “propostas de cristianismo” que algumas igrejas tem se proposto comparar e adaptar ao tempo atual. Refutamos com todas as nossas forças esse modo de pensar, esse multiculturalismo satânico que contradiz abertamente a verdade insofismável da Palavra de Deus. Precisamos colocar as armas espirituais para enfrentar esses inimigos. Paulo falou dessas armas, que não são carnais, mas são poderosas, como disse aos coríntios: “Porque as armas da nossa milícia não são carnais e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas; anulando nós, sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo” (2 Co 10.4,5).

O Papel da Igreja em Relação ao Secularismo
A Igreja de Cristo é a única entidade capaz de fazer frente a esse sistema sem estar atrelada ao arcaico, ao legalismo histórico. A Timóteo, Paulo alertou quanto a “falatórios profanos” que estariam se desenvolvendo na atualidade (2 Tm 2.16). Essa expressão indica que esses “falatórios profanos” podem significar a perversão dos ensinos bíblicos, quando se abandona a santidade e se adere a padrões libertinos que contrariam a vida cristã bíblica. A adesão de falsas doutrinas, especialmente aquelas advindas em nome de pretensas revelações por meio de sonhos e visões que não possuem respaldo bíblico, são as novas teologias, porque lhes parece que a teologia existente, sagrada e ortodoxa precisa ser rememorada.

O secularismo faz com que a igreja perca sua identidade cristã. É a teologia “do parece, mas não é”, “do faz de conta que é”. É a valorização da forma em vez do conteúdo. Em nome da cultura eclesiástica, promovem-se atividades que imitam o mundo, que despersonalizam o culto genuíno, com “folclore”, “danças” e coreografias que não glorificam a Deus, mas o fazem em nome de Jesus. Muitos dos nossos cânticos parecem “mantras” utilizados nos cultos pagãos. O secularismo entrou na igreja e está matando a nossa liturgia. O espaço para a Palavra de Deus tem se tornado cada vez menor. Preocupa-se, hoje, com a aparência, e não com o conteúdo do culto a Deus, quando se percebe o culto à personalidade de cantores e pregadores, e Jesus é deixado de lado. Canta-se sobre a glória de Deus, mas se glorifica mais o homem que a Deus. O modernismo eclesiástico revela a conformação da igreja com o sistema mundano. Tudo isso produz esfriamento espiritual. Precisamos orar com o profeta Habacuque: “[...] aviva, ó Senhor, a tua obra” (Hc 3.2).

CONCLUSÃO
Teria Deus enfraquecido? Ou teria a igreja se deixado engodar pelo encanto do sistema mundano?
Precisamos vencer todas e quaisquer crises de ordem moral, social e espiritual. Temos a nosso favor o Deus de toda provisão. Precisamos priorizar e manter sempre o fundamento do evangelho que recebemos. A liderança da igreja precisa se comprometer em reverter essa situação produzindo, nos membros das igrejas, convicções sólidas na Palavra de Deus. Precisamos nos conscientizar de que não somos deste mundo (Jo 17.16).

Para um mundo em crise, nenhuma outra instituição será capaz de responder aos anseios da humanidade senão a Igreja de Cristo.

Subsídio Vida Cristã
"Novo Cenário Mundial
A unificação das duas Alemanhas; o desmantelamento do império soviético; o fim oficial da política do Apartheid na África do Sul; as disputas étnicas e territoriais em regiões como a Bósnia Ezergovina; o conflito entre judeus e árabes pelo reconhecimento de um Estado Palestino; a Guerra do Golfo, que, com o final da guerra fria entre os Estados Unidos e a União Soviética, fez nascer um novo oponente para os americanos; a luta por reconhecimento por parte do povo e a democratização das antigas ditaduras latino-americanas são apenas alguns dos exemplos das mudanças que têm ocorrido no cenário mundial.
Com a formação de blocos de países, como o MCE - Mercado Comum Europeu (conhecido também como Unidade Europeia); o NAFTA - North American Free Trade Agreement, ou Acordo de Livre Comércio da América do norte e o MERCOSUL (do qual o Brasil é importante membro), entre outros, as relações entre os países deixaram de ser meramente bilaterais.
Elas passaram a fazer parte de um contexto muito maior, no qual a globalização de mercados é a principal prioridade. Em blocos, os países menos fragilizados diante de potências economicamente mais forte, e com maior poder de barganha" [3]

BIBLIOGRAFIA
[1] (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Dicionário Bíblico Teológico. 8.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1999, pp. 45,253,261).
[2]Livro de Apoio - EBD - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016
[3](AYRES, Antônio Tadeu. Reflexos da Globalização sobre a Igreja: Até que ponto as últimas tendências mundiais afetam o Corpo de Cristo? 1 ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001, p.20).

Fonte:

Lições Bíblicas - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Livro de Apoio - EBD - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Revista Ensinador Cristão-nº68
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

A sobrevivência em tempos de crise

Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” Jo 16.33

Estamos vivendo tempos de crise! A Palavra de Deus relata várias vezes que esses tempos não seriam uma novidade para a Igreja de Cristo: “Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos” (2Tm 3.1). Seriam tempos marcados pela avareza dos homens, presunção, soberba, blasfêmia, ingratidão, profanação, desobediência aos pais, calúnia, traição, obstinação. Um tempo onde o ser humano olhará mais para si mesmo do que para o outro. Entretanto, nas palavras de Jesus, que é espírito e vida, há uma exortação para nós: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33).

Em Cristo somos convidados a ter paz em meio à “guerra” e às demais lutas enfrentadas em nosso dia a dia. Por quê? Ora, as Escrituras Sagradas nos apresentam um Deus onisciente, isto é, que sabe de todas as coisas, que não é pego de surpresa e que em tudo conhece a nossa fragilidade e limitação.

As Escrituras também nos mostram um Deus pessoal, que apesar de ser onipotente, transcendente, soberano e todo-poderoso, se aproxima do seu povo, pois “eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não possa salvar; nem seu ouvido agravado, para não poder ouvir” (Is 59.1).

A lição do presente trimestre traz uma proposta para o povo de Deus refletir a respeito de um Deus que provê. Aqui há uma excelente oportunidade de nos reencontrarmos com um tema sempre presente ao longo da teologia prática da igreja pentecostal. Nossa mensagem sempre proclamou a intervenção de Deus na história. (Revista Ensinador Cristão nº68 pg.36)

Leitura Bíblica: Habacuque 1 1-17


“O profeta Habacuque viveu em Judá, provavelmente durante o reinado de Josias. Todavia, apesar do verniz superficial da religião, essa sociedade foi arruinada pela injustiça.

No passado, muitos profetas já haviam identificado e condenado duramente a sociedade injusta de Judá, mas foi sobre o governo de Manassés, avô de Josias, que a sociedade hebraica comprometeu-se com a idolatria, atrelada aos males sociais. Josias, que assumira o trono aos oito anos de idade, conclamou a nação a que voltasse para Deus. Após ter encontrado um livro perdido da lei de Deus, extirpou a idolatria, restabeleceu o Culto no Templo e empenhou-se na administração da antiga lei de Deus. Muito embora, todos esses procedimentos não tenham conseguido eliminar a corrupção, profundamente enraizada entre o povo e suas instituições.

Habacuque, ao rogar a Deus por uma explicação do porquê Ele permitiria que o iníquo pecasse e o inocente sofresse, recebe a resposta. Na época, Deus estava preparando os babilônios para ingressarem no rol das potências mundiais. O Senhor usaria as forças armadas desses pagãos para que seu próprio povo fosse punido. Habacuque entendeu o plano de Deus, pois o uso de nações inimigas para disciplinar Israel e Judá era um precedente bem arquitetado. Não obstante, havia ainda um problema de ordem moral que perturbava o profeta. Como poderia Deus usar um povo menos justo para disciplinar o mais justo? Desde o início, este tema palpitante tem causado preocupação aos crentes de uma forma ou de outra. Por que permitiria Deus que o iníquo alcançasse sucesso neste mundo? Por que Ele não tomaria atitude alguma de sorte que os bons e não os ímpios prosperassem? As respostas que encontramos em Habacuque deixam evidente que o ímpio não será bem-sucedido, pois não há quem, bom ou mau, que possa evitar a mão disciplinadora do Senhor”
(RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.560).

As crises podem ser superadas com sabedoria, fé e com a ajuda de Deus.

I. A CRISE COMO UMA REALIDADE
1. Deus criou um mundo perfeito.
Deus criou um mundo perfeito e nele colocou o homem, para cuidar da criação e com ela habitar. Adão recebeu do Criador a missão de governar a Terra e cultivar o solo. Por um período de tempo (não sabemos quanto tempo), Adão e Eva viveram sem crise e em harmonia, governando o mundo. Todavia, Adão e Eva caíram na tentação do Diabo, desobedecendo à ordem de Deus. Com o pecado veio o juízo divino sobre Adão, Eva e a serpente. A terra também sofreu as consequências do pecado (Gn 3.17). O pecado deformou a raça humana e fez com que o mundo viesse experimentar as diferentes crises que temos visto. A primeira crise que Adão enfrentou foi no seu relacionamento com sua esposa, Eva. Adão culpou a Deus e a mulher pelo seu erro (Gn 3.12). Em meio às crises, sejam elas de diferente ordem, temos a tendência de sempre culpar alguém.

2. Uma sociedade em crise.
Com a Queda, vieram os males e as crises, que assolam a Terra até os dias atuais. A apostasia tornou-se universal. Hoje parece não haver mais limites ao adultério, a imoralidade e a corrupção. O homem está cada dia mais distante de Deus e cometendo toda sorte de torpeza. Nossa geração assemelha-se a dos dias de Noé. Contudo, Deus está no controle. O Dia do Senhor virá e a sua justiça será feita. Vivemos em uma sociedade corrupta e perversa, mas não pertencemos a este mundo, por isso, não podemos nos conformar com a sua maneira de pensar e agir (Rm 12.2).

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Adão e Eva tentaram igualar-se a Deus e determinar seus próprios padrões de conduta (Gn 3.22). O ser humano, através da Queda, tornou-se até certo ponto independente de Deus, e começou a fazer o seu próprio julgamento entre o bem e o mal. Neste mundo, o julgamento ou discernimento humano, imperfeito e pervertido, constantemente decide sobre o que é bom ou mau. Tal coisa nunca foi da vontade de Deus, pois Ele pretendia que conhecêssemos somente o bem, e para isso, dependendo dEle e da sua palavra. Todos quantos confessam Cristo como Senhor, retornaram ao propósito original de Deus para a humanidade. Passam a depender da Palavra de Deus para determinarem o que é bom” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.38).

II. A CRISE COMO UMA CONSEQUÊNCIA DO PECADO
1. A crise na sociedade antediluviana.
Depois da Queda, o pecado se alastrou pela raça humana como um vírus letal (Gn 6.5). Porém, o mundo antediluviano ainda não vivia o caos. Segundo as Escrituras Sagradas não havia fome e a saúde do homem era boa, pois a expectativa de vida era bem elevada, chegando quase a mil anos (Gn 5.27). Embora houvesse provisão, saúde e expectativa de vida, o homem continuava longe de Deus e entregue a toda a sorte de torpeza. A terra encontrava-se corrompida e cheia de violência (Gn 6.11). Muitos, erroneamente, acreditam que a violência é consequência da modernidade e do capitalismo. A violência é consequência do pecado e da dureza do coração do homem, que vive longe do Criador. Dizendo isso, não estamos negando que a pobreza, o desemprego e a falta de acesso à educação contribuem para o aumento da violência.

Deus é santo e não pode tolerar o pecado, por isso, decidiu frear a maldade do homem trazendo o dilúvio (Gn 6.13). Mas Deus também é misericordioso. Em sua bondade e misericórdia, Ele determinou que Noé construísse uma arca. A arca serviria para abrigar Noé e sua família, os animais e todos aqueles que acreditassem na pregação do servo de Deus. A arca era um refúgio contra a ira de Deus. Mas aquelas pessoas não creram nas advertências de Noé e não quiseram buscar refúgio em Deus. Somente Noé e sua família foram salvos das águas do dilúvio formando uma nova civilização.

2. Crise na sociedade pós-dilúvio.
Noé repovoou a terra, porém o homem continuou com a semente do pecado em seu coração. Não demorou muito para a crueldade adentrar na casa do próprio Noé. O servo do Senhor plantou uma vinha, fez vinho e se embriagou (Gn 9.20,21). Seu filho Cam, vendo o pai bêbado, expôs a sua nudez. Cam foi amaldiçoado por Noé (Gn 9.25), numa mostra clara de que o pecado traz maldição para a família e para a nação. Muitas vezes a crise é consequência do pecado.

Os homens se estabeleceram na antiga planície da Suméria e não demorou muito para iniciarem a construção de uma torre. Esse era um monumento para engrandecimento do homem. Era a busca pelo poder. Muitos, na atualidade estão construindo monumentos para si mesmo (casas, carros importados, joias, roupas de grife), mas não ajudam aqueles que estão necessitados. Deus não se agradou desse projeto arrogante e fez com que cada um falasse uma língua diferente, dificultando o ajuntamento das pessoas em um só lugar. A sociedade pós-diluviana não se tornou melhor do que a antediluviana, pos a iniquidade humana continuou a crescer.

3. Crise nos tempos de Jesus e na Igreja Primitiva.
Jesus nasceu na terra de Israel, em uma região conhecida como Palestina. O Filho de Deus veio ao mundo em um tempo em que o Império Romano dominava Israel. A tensão política e a instabilidade social eram grandes. Era um tempo de crise política, social, moral e espiritual. Mas, em meio às crises a luz raiou dissipando as trevas e trazendo esperança para a humanidade. Nos dias de Jesus, havia muitos pobres e necessitados. Por isso, o Mestre ensinava que era preciso cumprir o que fora dito pelo profeta Isaías (Is 58.6,7). Não adiantava dizer que eram filhos de Abraão, caso não desfizessem o jugo do oprimido e repartissem o pão com o faminto. Isso nos faz lembrar que a fé sem as obras é morta (Tg 2.15-17).

A Igreja Primitiva enfrentou uma terrível perseguição. Havia muitos necessitados, todavia os irmãos acudiam os pobres e necessitados. Em tempos de crise, os bens eram partilhados (At 4.34,35). É em meio à crise que podemos ver o quanto as pessoas são generosas. A generosidade aliada à comunhão fazia com que muitos fossem atraídos a Jesus Cristo, contribuindo para o crescimento da igreja.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Maldade e violência
Essas palavras são usadas para caracterizar os pecados que causaram o dilúvio de Gênesis. Maldade é rasab, atos criminosos que violam os direitos dos outros e tiram proveito do sofrimento deles. Violência é hamas, atos deliberadamente destrutivos que visam prejudicar outras pessoas. Quando qualquer sociedade é marcada por situações frequentes de maldade e violência corre o risco de receber o juízo de Deus.
Noé deve ser honrado por sua constante fidelidade. Ele trabalhou durante anos na construção da arca numa planície sem água (Gn 6.3). Ele deve ter sofrido zombaria sem piedade dos seus vizinhos, nenhum dos quais respondeu às suas advertências acerca do juízo divino. Contudo, Noé não deixou de confiar em Deus. Manteve uma postura obediente. Percebemos a qualidade de nossa fé quando passamos por provações” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.29).

III. A CRISE
1. A crise política.
Israel enfrentou uma terrível crise política depois da morte de Salomão. Roboão, o filho sucessor, pede conselhos aos anciãos, mas ignora as orientações deles. Ele prefere seguir os conselhos de seus amigos (1Rs 12.10). Roboão buscou fazer aquilo que era melhor para si e não para o seu povo. Os resultados foram os piores possíveis. A nação foi dividida, afastando o povo de Deus. Essa divisão perdurou por muito tempo trazendo dor e sofrimento para todos. Quando homens insensatos assumem o poder, toda a nação sofre as consequências.

Atualmente, o Brasil está enfrentando uma crise política sem precedentes. Ela tem sido destaque nos principais jornais do mundo. A cada dia surge um novo escândalo. Estamos vivendo um momento muito delicado. A corrupção tem se alastrado como um câncer, atingindo todos os poderes. Como Igreja do Senhor, temos que orar em favor da nossa nação e lutar contra toda a forma de corrupção, pois temos um Deus que é santo e que abomina tal condição. Quando escolhemos, de forma errada, uma pessoa para nos representar tanto no Executivo quanto no Legislativo, a injustiça se alastra e muitos problemas surgem, como os que ocorreram em Israel (Dt 16.18-20; Is 1.23).

2. A crise econômica.
Muitos países já enfrentaram terríveis crises econômicas ao longo dos anos. Nas Escrituras Sagradas, encontramos, no livro de Gênesis, a extraordinária crise de alimentos pela qual passou toda a terra (Gn 41.55,56). Porém, a crise foi revelada a Faraó por intermédio de um sonho (Gn 41.1-8). Deus deu a José a interpretação do sonho e ele foi levantado como governador do Egito. José recebeu de Deus sabedoria para administrar em tempos de crise. A crise foi tão intensa que pessoas de todas as terras se dirigiam ao Egito para comprar alimento (Gn 41.57).

No Brasil, a crise econômica que estamos enfrentando está diretamente ligada à crise política. Segundo alguns economistas, o “Brasil não sairá da crise econômica se não resolver a crise política e ética”. Em meio à crise não podemos nos desesperar nem nos entristecer. Precisamos orar e confiar no Deus de toda provisão.

3. A crise espiritual.
No texto bíblico dessa lição, o profeta Habacuque, que viveu e ministrou em Judá, questionou a Deus a respeito da crise que seu povo estava enfrentando. O profeta estava em meio a uma sociedade agonizante, e por isso, desejava algumas respostas de Deus. Muitas vezes, como Habacuque, diante do caos também nos perguntamos: “Por que Senhor?”. O profeta ficou perturbado ao ver que os ímpios prosperavam e os justos iam mal. Deus, entretanto, ouviu os questionamentos do profeta. Ele ouve e responde nossas indagações, embora nem sempre tenhamos as respostas no momento em que queremos. O Senhor não deixou Habacuque sem resposta (Hc 2.1,2). O Senhor falou que o seu julgamento viria sobre Judá. Deus não tolera o pecado. Para disciplinar seu povo, Ele usaria os babilônios (Hc 1.5-12).

Habacuque questiona a Deus, porém ele era um homem de fé. Suas indagações não eram resultado de dúvida ou incredulidade. Ele confiava que Deus poderia suprir as necessidades do seu povo mesmo não florescendo a figueira e não havendo fruto na vide (Hc 3.17). Mesmo que não houvesse provisão, ele continuaria confiando na fidelidade do Senhor. Confiar em Deus em tempos de abundância é relativamente fácil; difícil é continuar confiando na provisão em meio à escassez.


SUBSÍDIO 
Habacuque - contemporâneo de Sofonias, Jeremias e Naum
“Habacuque profetizou a Judá entre a derrota dos assírios, em Nínive, e a invasão de Jerusalém pelos babilônios (605 — 597 a.C.). O livro é o único no seu gênero por não ser uma profecia dirigida diretamente a Israel, mas sim a um diálogo entre o profeta e Deus. Habacuque queria saber por que Deus não fazia algo a respeito da iniquidade que predominava em Judá. Deus lhe responde, então, que enviaria os babilônios para castigar a Judá. Esta resposta deixou o profeta ainda mais confuso: ‘Por que Deus castigaria o seu povo através de uma nação mais ímpia do que ele?’. No fim, Habacuque aprende a confiar em Deus, e a viver pela fé da maneira como Deus o requer: independentemente das circunstâncias”. Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1336.

CONCLUSÃO
O mundo pode estar em crise, mas o Reino dos Céus não. O Senhor é soberano e não perdeu o controle da situação. O governo está em suas mãos. O Dia do Senhor virá e os justos e ímpios terão a sua recompensa. Não desanime. Confie, pois em breve o Senhor virá em nosso socorro.

Jesus nos alertou que no mundo teríamos aflições, mas prometeu estar conosco todos os dias, até a consumação dos séculos "Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." Mateus 28:20

Fonte:
Lições Bíblicas - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Livro de Apoio - EBD - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD Comentarista Elienai Cabral
Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição - Richards Lawrence
Revista Ensinador Cristão-nº68
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé


terça-feira, 12 de julho de 2016

Entendendo Habacuque 3:3 "Deus vem de Temã, e do monte Parã vem o Santo..."

Habacuque 3:3 “Deus vem de Temã, e do monte Parã vem o Santo. A sua glória cobre os céus, e a terra se enche do seu louvor”.

Nos versos 3 a 16 temos um quadro sublime da vinda do Senhor para julgar e para libertar o Seu povo. Trata-se de uma descrição da libertação do Israel literal, porém também se descreve a vinda de Cristo para iniciar o reino de justiça.


Com uma vívida figura, Habacuque descreve o efeito dessa vinda sobre a natureza e sobre os ímpios. Para ilustrar esses eventos finais da história, Habacuque usa alguns exemplos de forma como Deus tratou o Seu povo no passado. Temã era um distrito que pertencia a uma das divisões tribais de Edom, conforme relata o profeta Isaías no capítulo 63, versículos 1 a 4.


Quando o profeta menciona o monte Parã está se referindo aos majestosos acontecimentos relacionados com a entrega da lei no Sinai, usando-os como ilustrações dos eventos do dia do juízo. Assim como Deus veio rodeado de esplendor para repetir Sua lei ao povo, assim também aparecerá em glória para a salvação dos que estiverem preparados e o castigo dos ímpios. [1]



SUBSÍDIOS BIBLIOLÓGICOS

SOBRE  ESAÚ - EDOM - BOZRA - TEMÃ - EDOMITAS - SEIR - PETRA
EDOM nome dado a Esaú bem como à nação descendente dele, os Edomitas
Essa alcunha foi dada a Esaú, filho de Isaque com Rebeca, depois que ele se desfez de seu direito de primogenitura por um mero prato de lentilhas cozidas (Gn 25:30). Passou a ser um nome alternativo para indicar a Idumeia, ou seja, o Monte Seir. Também designa a terra de seus descendentes (Gn 32:3), ou então, coletivamente, todos os idumeus (Nm 20:18,20,21; Am 1:6,11; Ml 1:4). (Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia - Russell Norman Champlin Ed.Hagnos)

Edom foi o lugar onde o irmão gêmeo de Jacó, Esaú, veio a se instalar e originá-lo como novo povo (Gn 36.1,9). No livro de Gênesis, Bozra é citada como cidade do segundo rei do povo de Esaú, ou seja, o povo de "Edom". O nome do rei era Jobabe (Gn 36. 31-33)


Os Edomitas foram um grupo tribal vizinhos de Judá ao sul, de língua semítica habitantes do Deserto de Negev e do vale de Arabá do qual é hoje o sul do Mar Morto e vizinho ao Jordão. A região tem muitos arenitos avermelhados, o que pode ter levado à origem do nome "Edom".

Temã, neto de Esaú, filho de seu primogênito, Elifaz (Gn 36.15).


Temã, que deu seu nome a um lugar na Idumeia do Sul, a terra dos filhos do oriente, frequentemente mencionada no Antigo Testamento, famosa pela sabedoria dos seus habitantes (Amós 1:12; Obadias 1:8; Jeremias 49:7; Ezequiel 25:13)


Idumeia - Nome usado pelos gregos e pelos romanos para se referirem a Edom (Mc 3.8).


Esaú e seus descendentes ocuparam uma região chamada Seir (Gn 36.9)
Uma região montanhosa ao sul e oriente do mar Morto, em grande parte deserto, mas rica em recursos naturais, com boas pastagens em seus vales entre as montanhas. Este lugar foi dado por Deus a ele e à sua descendência (Deuteronômio 2:5; Josué 24:4).

Sua velha capital era Bozra (Isaías 63.1), e ali estava (e ainda está mas agora desabitada) a cidade escavada na rocha chamada Sela (rocha) (Juízes 1:36, 2 Reis 14:7), mais recentemente conhecida pelo seu nome na língua grega Petra; este é um lugar ligado nas profecias à segunda vinda de Cristo, para julgar o mundo no fim da Grande Tribulação (Lucas 21:24; Apocalipse 16:14; Salmo 137:7; Obadias 1:3, 8-16; Isaías 16:1, 34:1-8; 63:1-6; Jeremias 49:14-22; Ezequiel 25:12-14). [2]


SOBRE HABACUQUE
QUEM ERA HABACUQUE?
O que ele escreve de si mesmo explica a semelhança dos seus escrito com os Salmos. Não era somente um profeta, 1:1, também um dos cantores levíticos do Templo, 3:19. Além disso, nada mais se sabe do profeta.

A julgar 1:5,6, onde se fala da invasão caldaica, como fato futuro embora iminente, ele deveria ter vivido e trabalhado na última parte do reinado de Joás (II Reis 22:18-20). A invasão teve lugar 5 anos depois.


O AVÔ DA REFORMA

Este profeta foi um autêntico avô da Reforma. A grande doutrina da justificação pela fé, Paulo a aprendeu com Habacuque e Martinho Lutero a aprendeu de Paulo.

Pode concluir-se que este livro foi um dos prediletos de Paulo, porque ele cita 1:5 na sua advertência aos judeus incrédulos, em Antioquia: (Atos 13:41) e quanto à célebre declaração de 2:4, Paulo a cita 3 vezes: - Rm. 1:17, Gl. 3:11 e Hb. 10:38.


EXERCENDO O MINISTÉRIO

Habacuque exerceu seu ministério nos dias de Josias, rei de Judá.

Habacuque exerceu o seu ministério quando os caldeus marchavam vitoriosamente pelo Oriente Médio (1.6). Tal marcha iniciou-se em 627 a.C. e foi concluída com a vitória sobre Faraó Neco, do Egito, na Batalha de Carquêmis, em 605 a.C. (Jr 46.2). Tempo em que, de fato, os caldeus tornaram-se um império pujante. Isso mostra que o profeta era contemporâneo de Jeremias e Sofonias (Jr 1.1; Sf 1.1). Ele menciona ainda a opressão dos ímpios sobre os pobres e o colapso da justiça nacional (1.2-4) e descreve também o cenário do reinado tirânico de Jeoaquim, rei de Judá, entre 605 e 598 a.C. (Jr 22.3,13-18).


VIDA PESSOAL DO PROFETA

Não há informações, dentro ou fora do livro, sobre a vida pessoal de Habacuque. Apenas temos a declaração de que ele é profeta (1.1), detalhe este também encontrado em Ageu e Zacarias (Ag 1.1; Zc 1.1). A partir dessas poucas informações e pela finalização de seu livro (3.19), muitos estudiosos entendem que Habacuque era um profeta bem aceito pela sociedade e — há quem afirme — oriundo de família sacerdotal. A literatura rabínica apoia essa ideia. [3]

Fonte:

[1] - via novotempo.com 
[2] - via  Fatos Bíblicos.info
[3] - Os Doze Profetas Menores - Advertências e consolações para a santificação da Igreja de Cristo - comentarista: Ezequiel Soares - 4º trim.2012
Bíblia de Estudo Defesa da fé; Wikipédia; 


Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!
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