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sábado, 24 de fevereiro de 2018

Uma Aliança superior

“Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo” Hb 8.10

“O ANTIGO E O NOVO CONCERTO
Os capítulos 8-10 descrevem numerosos aspectos do antigo concerto tais como o culto, as leis e o ritual dos sacrifícios no tabernáculo; descrevem os vários cômodos e móveis desse centro de adoração do Antigo Testamento. É duplo o propósito do autor:
(1) contrastar o serviço do Sumo Sacerdote no santuário terrestre, segundo o antigo concerto, com o ministério de Cristo como Sumo Sacerdote no santuário celestial segundo o novo concerto; e
(2) demonstrar como esses vários aspectos do antigo concerto prenunciam ou tipificam o ministério que estabeleceu o novo concerto.
(3) Jesus é quem instituiu o Novo Concerto ou o Novo Testamento (ambas as ideias estão contidas na palavra grega diatheke — testamento), e seu ministério celestial é incomparavelmente superior ao dos sacerdotes terrenos do Antigo Testamento. O Novo Concerto é um acordo, promessa, última vontade e testamento, e uma declaração do propósito divino em outorgar graça e bênção àqueles que se chegam a Deus mediante a fé obediente. De modo específico, trata-se de um concerto de promessa para aqueles que, por fé, aceitam a Cristo como o Filho de Deus, recebem suas promessas e se dedicam pessoalmente a Ele e aos preceitos do novo concerto” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.1910).

Uma Aliança superior

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
Texto Bíblico: Hebreus 8.1-10

2. I. Um Santuário Superior
• 1. Pertencente a uma dimensão superior.
• 2. Possuidor de uma natureza superior.
• 3. Possuidor de uma importância.

3. II. Um Ministério Superior
• 1. No aspecto posicional.
• 2. No aspecto funcional.
• 3. No aspecto cultual.

4. III. Uma Promessa Superior
• 1. De natureza interior e espiritual.
• 2. De natureza individual e universal.
• 3. De natureza relacional.

5. Conclusão

Vivemos num contexto em que a dimensão espiritual e celestial em muitas igrejas está se perdendo. Podemos apontar vários culpados para esse fenômeno: a teologia da prosperidade, a prosperidade econômica das nações, as distorções acerca das profecias concernentes a volta de Cristo e outros motivos. Entretanto, aproveite a oportunidade desta aula para resgatar o caráter celestial e espiritual do ministério de Jesus Cristo, logo, da missão da Igreja, o Corpo de Cristo. Assim, dialogando com a classe, pontue as seguintes questões em que o próprio Senhor deixa essa verdade bem clara:

• A Pilatos: “o meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, lutariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas, agora, o meu Reino não é daqui” (Jo 18.36).

• A alguns da multidão: “Mas, se eu expulso os demônios pelo dedo de Deus, certamente, a vós é chegado o Reino de Deus” (Lc 11.20).

• Aos três discípulos mais próximos: “E, estando ele orando, transfigurou-se a aparência do seu rosto, e as suas vestes ficaram brancas e mui resplandecentes. E eis que estavam falando com ele dois varões, que eram Moisés e Elias, os quais apareceram com glória e falavam da sua morte, a qual havia de cumprir-se em Jerusalém” (Lc 9.29-31).

Finalize essa atividade citando a conhecida mensagem do apóstolo Paulo aos coríntios: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” (1Co 15.19). Boa aula!

A Nova Aliança em tudo é superior à Antiga porque se fundamenta em promessas superiores.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - Hebreus 8.1-10

No capítulo sete, o autor detalhou a relação entre a ordem sacerdote  Melquisedeque e o sacerdócio de Jesus, sempre contrastando com o sacerdócio levítico. Ele tem consciência de que o assunto parecia envolto em abstrações, razão essa que, neste capítulo, ele começará a mostrar as implicações práticas do sacerdócio de Jesus.

“Ora, a suma do que temos dito é que temos um sumo sacerdote tal, que está assentado nos céus à destra do trono da Majestade” (v. 1).
Em primeiro lugar, destaca o autor, nosso Sumo Sacerdote está assentado à destra do "trono da Majestade". Na cultura judaica, essa era outra forma de dizer que o sacerdócio de Jesus possuía realeza. Essa é a mesma linguagem usada no Salmo 110, que é uma poesia profética sobre o sacerdócio do Messias. A expressão “assentado nos céus” é outra forma de dizer que Cristo terminou, de fato, a obra da redenção e que estava de vez qualificado para ser Sumo Sacerdote.

“Ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo, o qual o Senhor fundou, e não o homem" (v. 2).
F. F. Bruce observa que, daqui para frente, o autor passa a discorrer sobre os temas da aliança, santuário e sacrifício, que estavam intimamente ligados ao sacerdócio arônico. Dessa forma, o sacerdócio arônico dá lugar àquele que é segundo a ordem de Melquisedeque; o antigo pacto dá lugar ao novo, e o santuário terrestre é substituído pelo celeste.1  Esse novo santuário, que é parte do verdadeiro tabernáculo, é obra de Deus, e não do homem. Embora esse novo santuário não seja revestido de materialidade, como era o santuário terrestre, ele é muito mais real e glorioso. Richard Taylor destaca que

"o tabernáculo celestial está em contraste com o terreno, como o espiritual está em contraste com o material, o tabernáculo terreno era rico em seu apelo material, mas pobre em sua habilidade de mudar ou satisfazer a alma em seu relacionamento pessoal com Deus. O tabernáculo celestial, em contraste, é privado de esplendor terreno e materialidade, mas completo em sua substância espiritual”.2

É nesse tabernáculo celeste que os cristãos podem agora ser apresentados diante de Deus pelo Sumo Sacerdote, Jesus. Ele, portanto, é o ministro desse verdadeiro santuário celestial. A palavra grega leitourgos, traduzida aqui como ministro, ocorre cinco vezes no texto grego.3  Na Septuaginta, versão que o autor recorre com frequência, era usada para referir-se ao serviço sacerdotal. No Novo Testamento, a sua forma verbal foi usada no contexto da adoração cristã: “Enquanto eles ministravam (leitourgeo) perante o Senhor e jejuavam, disse o Espírito Santo: Separai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado" (At 13.2). Esse fato revela que Jesus, ao contrário do sistema sacerdotal levítico, que se tornara obsoleto, continua seu serviço em favor dos filhos de Deus.

"Porque todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dons e sacrifícios; pelo que era necessário que este também tivesse alguma coisa que oferecer” (v. 3).
O autor já havia discorrido sobre dons e sacrifícios em Hebreus 5.1. Aqui, ele aponta em que sentido a sua argumentação avançara daqui para frente. O sacerdote levita oferecia as ofertas de cereais no santuário, as quais eram usadas como uma forma de agradecimento e consagração a Deus. Por outro lado, os sacrifícios são uma referência às ofertas de sangue, que fazia expiação pelo pecado. No capítulo 7.27, o autor já havia falado que a oferta oferecida por Jesus fora sua própria vida.

“Ora, se ele estivesse na terra, nem tampouco sacerdote seria, havendo ainda sacerdotes que oferecem dons segundo a lei" (v. 4).
A construção verbal usada aqui (imperfeito do indicativo ativo) demonstra que o sistema sacerdotal levítico ainda estava em vigor quando o autor redigiu sua carta.4  Por outro lado, esse versículo mostra a incompatibilidade existente entre as duas ordens sacerdotais — Levi e Melquisedeque. Ambas não podiam coexistir uma ao lado da outra. Embora se tenha tornado obsoleta — pois uma nova ordem sacerdotal havia sido estabelecida — , o sistema sacerdotal levítico ainda continuava em vigor nos dias em que o autor redigia sua carta. A lógica é simples: se Jesus não podia oficiar como sacerdote aqui na terra, visto não ser Ele da tribo de Levi, e havia ainda os que exerciam esse ministério, o seu oficio só poderia ser exercido no tabernáculo celestial. Logo, isso tornava totalmente antiquado todo o sistema sacerdotal levítico.

“Os quais servem de exemplar e sombra das coisas celestiais, como Moisés divinamente foi avisado, estando já para acabar o tabernáculo; porque foi dito: Olha, faze tudo conforme o modelo que, no monte, se te mostrou” (v. 5).
O autor usa os termos gregos hypodeigma e skia, traduzidas aqui como exemplo e sombra respectivamente. Mas os termos figura e sombra refletem melhor o original. Alguns intérpretes têm argumentado que o autor de Hebreus tomou emprestado do platonismo judaico alexandrino as figuras de um santuário celeste, onde o terrestre é apenas uma sombra. Nos seus diálogos, Platão descreve um mundo ideal do qual o mundo físico seria apenas uma cópia imperfeita, o que ele denominava de simulacro. Todavia, é possível percebermos claramente na argumentação do autor de Hebreus que há um pano de fundo cultural hebraico, e não grego. Isso é perfeitamente visto quando vemos Deus dizer a Moisés para fazer o Tabernáculo de acordo com o modelo (gr. typos) que o profeta vira no monte (Êx 25.40). Moisés, e não Platão, serviu de inspiração para o autor dessa carta. Donald Guthrie observa acertadamente que cada detalhe exposto na sombra, que era um tipo, tinha o propósito de aproximar-se da realidade, isto é, do antítipo. Nesse aspecto, o autor tencionava mostrar por contraste a maior excelência com que o santuário celeste revestia-se.5

“Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas" (v. 6).
O autor continua fazendo o contraste entre o sacerdócio levítico e o de Cristo. Não sendo apenas uma sombra, mas a própria realidade, o ministério de Cristo é mais excelente do que o levítico em tudo. A palavra “alcançou” traduz o termo grego tynkánô, que mantém o sentido de obter, receber e conseguir. Ao usar esse verbo no tempo perfeito, que é uma referência a uma ação passada com efeitos no presente, o autor tenciona mostrar que o ministério de Jesus continuava em pleno exercício quando ele redigia seu texto. Mais uma vez aqui, como fizera em 8.2, o autor usa a palavra leitourgia (liturgia) em referência ao serviço, ministério e serviço sagrado.6  Nesse ministério sagrado, Cristo é o mediador de uma melhor aliança. Ele é a ponte entre o homem e Deus, tornando desnecessária a existência de intermediários. A superioridade das promessas da Nova Aliança em relação à antiga não são em relação à garantia de cumprimento, mas, sim, ao conteúdo. Deus sempre cumpriu suas promessas, tanto na Antiga Aliança como na nova. Todavia, na cruz do Calvário, Ele proveu uma aliança substancialmente superior à antiga.

“Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo" (v. 7).
O contexto do cristianismo primitivo mostra o conflito entre judaizantes e cristãos. Os primeiros, como demonstra o livro de Atos dos Apóstolos no capítulo 15, insistiam em manter de pé as crenças e práticas do antigo judaísmo. Por outro lado, o segundo grupo, representado pelos apóstolos, via que algumas práticas existentes dentro dessas duas tradições eram mutuamente excludentes. O autor tem consciência do peso que essa tradição judaica possuía dentro da comunidade judaico-cristã para a qual ele endereçaria sua carta. Ele não procura desvalorizar a Antiga Aliança, pois sabe que a mesma teve sua finalidade; todavia, ela era imperfeita e incompleta, possuindo um papel transitório. Esse fato já havia sido revelado pelos profetas quando Deus disse que substituiria o primeiro concerto por um segundo.

“Porque, repreendendo-os, lhes diz: Eis que virão dias, diz o Senhor, em que com a casa de Israel e com a casa de Judá estabelecerei um novo concerto” (v. 8).
A promessa do estabelecimento de um novo concerto fora feita pelo Senhor ao profeta Jeremias (Jr 31.31-34). A partir das Escrituras do Antigo Testamento, o autor demonstra que esse novo pacto havia sido estabelecido com Cristo. A expressão grega syntelesô epi ton oikon Israel, traduzida aqui como "estabelecerei minha aliança com a casa de Israel”, demonstra a disposição de Deus em cumprir o seu plano salvífico em favor de seu povo.7

“Não segundo o concerto que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito; como não permaneceram naquele meu concerto, eu para eles não atentei, diz o Senhor” (v. 9).
Orton Wiley põe em evidência a superioridade da Nova Aliança em relação à Antiga.

1. A primeira Aliança era falha; a nova é perfeita. A primeira era temporária e feita com vistas a Outro que havia de vir; a segunda é a expressão final e duradoura da graça de Deus.

2. A Antiga Aliança era e tratava com os homens coletivamente; a segunda trata com o indivíduo e fundamenta-se, afinal, na promessa feita a Abraão pessoalmente e à sua semente, como indivíduos.

3. A aliança anterior relacionava-se às coisas materiais e baseava-se em promessas seculares. Devia haver uma herança material, a terra de Canaã. O Senhor entregaria os inimigos do seu povo na mão deste e alargaria as suas fronteiras. A nova aliança é espiritual, pois as coisas materiais não podem satisfazer a alma do homem.

4. A aliança mosaica estabeleceu um padrão ou regra de vida, mas não podia dar o poder nem a disposição para obedecer aos mandamentos que Deus impunha ao Seu povo. Pela nova aliança, a Lei de Deus é escrita interiormente no coração do homem; assim, não apenas ilumina a mente com a possibilidade de conhecer ao Senhor, mas proporciona a disposição para a obediência interior.

5. A antiga aliança não podia, com suas ofertas contínuas, remover o pecado. Os sacerdotes ofereciam o que nada lhes custara. A nova aliança foi estabelecida por Cristo, que se manifestou uma vez por todas, para aniquilar, pelo sacrifício de si mesmo, o pecado (Hb 9.26 - ARA).

6. A antiga aliança se limitava aos filhos de Abraão segundo a carne; a nova é universal em seu escopo, pois os que são de são descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa (Gl 3.29). Visto que a fé real era a única condição da aceitação de Abraão, é, portanto, a única condição exigida dos filhos espirituais desse patriarca. A aliança mosaica, com suas obras, é posta de lado para sempre como condição básica de aceitação da parte de Deus: Essa é a razão por que provém da fé, para que seja segundo a graça (Rm 4.16a - ARA).8

“Porque este é o concerto que, depois daqueles dias, farei com a casa de Israel, diz o Senhor: porei as minhas leis no seu entendimento e em seu coração as escreverei; e eu lhes serei por Deus, e eles me serão por povo” (v. 10).
A promessa de uma aliança superior, onde a Lei de Deus seria gravada por dentro, e não por fora, encontra eco em outras partes do Antigo Testamento: “E vos darei um coração novo a porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei o coração de pedra da vossa carne e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu espírito e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juizes, e os observeis” (Ez 36.26,27). Fritz Laubach observa que

"a inacreditável novidade desta aliança reside em que a obediência à Palavra de Deus será concretizada integralmente, porque todos os membros do povo de Deus sem exceção possuirão o entendimento correto de Deus. A antiga lei de Moisés estava escrita em tábuas (Êx 31.18; 34.27,28) ou num livro (Êx 24.7). Ela se contrapunha ao povo como um poder que demandava. Agora, porém, todos os membros desse povo de Deus trazem essa lei no coração, estão interiormente unificados com ela, de maneira que coincidem num só ato o conhecimento da lei e o seu cumprimento”.9

“E não ensinará cada um a seu próximo, nem cada um ao seu irmão, dizendo: Conhece o Senhor; porque todos me conhecerão, desde o menor deles até ao maior” (v. 11).
A Antiga Aliança, rica em símbolos, porém pobre em produzir relacionamento com Deus, é substituída pela Nova Aliança. Na Nova Aliança, todos têm a oportunidade de conhecer o Senhor. Esse fato torna-se possível porque o Espírito Santo, que, na Antiga Aliança, se manifestava sobre pessoas especiais — profetas, sacerdotes e reis — viria sobre toda carne. "E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; e os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, os vossos jovens terão visões, e os vossos velhos terão sonhos” (At 2.17). O apóstolo Paulo escreveu uma longa exposição à igreja de Corinto, mostrando como se davam essas manifestações espirituais no contexto da igreja (1 Co 12-14). Se, na Antiga Aliança, somente o profeta falava em nome de Deus, na Nova Aliança, embora existindo ainda o ministério profético (Ef 4.11), o dom da profecia estava disponível a todos os crentes (1 Co 83 14.31). O apóstolo João afirma essa mesma verdade quando diz: "E a unção que vós recebestes dele fica em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina todas as coisas, e é verdadeira, e não é mentira, como ela vos ensinou, assim nele permanecereis” (1 Jo 2.27).

“Porque serei misericordioso para com as suas iniquidades e de seus pecados e de suas prevaricações não me lembrarei mais" (v. 12).
A Antiga Aliança sobrevivia de sombras. Dessa forma, o problema do pecado jamais fora tratado de uma forma completa. Na Nova Aliança, por estar fundamentado em um superior sacrifício, o de Cristo, o problema do pecado é totalmente tratado. Esse versículo mostra a grandeza da graça e a misericórdia divina em tratar com o problema do pecador, mesmo esse não sendo merecedor de coisa alguma nem tampouco capaz de alguma coisa por si mesmo. Paulo afirma essa mesma verdade: “E, quando vós estáveis mortos nos pecados e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2.13,14).

“Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar" (v. 13).
O sistema de sacrifícios ainda  continuava em vigor quando o autor de Hebreus escreveu essas palavras. Todavia, como um autor inspirado, ele sabia que, espiritualmente, tudo aquilo já havia sido destituído de valor. Uma Nova Aliança, que era a própria realidade e cumprimento das promessas e da qual a Antiga Aliança era apenas um tipo, havia sido estabelecida uma vez por todas.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Estabelecido o Novo Concerto em Cristo, o Antigo Concerto se tornou obsoleto (8.13). Não obstante, o Novo Concerto não invalida a totalidade das Escrituras do Antigo Testamento, mas apenas as do pacto mosaico, pelo qual a salvação era obtida mediante a obediência à Lei e ao seu sistema de sacrifícios. O Antigo Testamento não está abolido; boa parte de sua revelação aponta para Cristo [...], e por ser a inspirada Palavra de Deus, é útil para ensinar, repreender, corrigir e instruir na retidão” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.1911)

A promessa do Novo Concerto é de natureza interior e espiritual; de natureza individual e universal; bem como de natureza relacional.

O autor já havia mostrado a superioridade do sacerdócio de Jesus sobre o arônico e levítico quando o coloca como pertencente à ordem de Melquisedeque. Agora, ele mostra que esse sumo sacerdote possui um ministério superior porque ministra em um santuário superior e é o fiador de uma superior aliança. Por pertencerem a essa Nova Aliança, os crentes desfrutam de promessas superiores. Por isso glorificamos a Deus por essas bênçãos.

Notas
1 BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio. Grand Rapids, Michigan, USA.
2 TAYLOR, Richard. Hebreus — comentário bíblico Beacon, vol. 10 - Hebreus a Apocalipse. CPAD.
3 HUGO, M. Petter. Concordancia Greco-Espanola Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
4 Esse fato é usado por alguns autores (veja MACARTHUR, John — Hebreus — Cristo: sacrifício perfeito, perfeito sacerdote, Cultura Cristã) para demonstrar que Hebreus foi redigida antes de 70 d.C, ano em que o Templo de Jerusalém foi destruído.
5 GUTHRIE, Donald. Hebreus — introdução e comentário. Vida Nova, São Paulo.
6 CLEON, Rogers. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editorial CLIE.
7 “No Antigo Testamento, a expressão hebraica para fazer uma aliança era karat berit, que significava "cortar ou dividir uma aliança” (veja Gn 15.10; Jr 34.18,19). Isso se referia ao corte de animais sacrificiais. As duas partes do berit andavam por entre aqueles pedaços ensanguentados de carne. Contudo, no relato de Gênesis 15, Deus colocou Abraão para dormir e andou [entre os pedaços dos animais] sozinho, querendo dizer com isso que aquele berit em particular era incondicional. Essa cerimônia também era conhecida como aliança de sangue. No Novo Testamento, esse conceito do Antigo Testamento é apresentado pela palavra grega diatheke. Um diatheke é um tratado entre duas partes, mas
que obriga somente uma dêlas a cumprir os termos fixados pela outra. Essa palavra importante aparece nada menos que 22 vezes no livro de Hebreus. Ela também é traduzida pelos termos aliança e testamento (veja também Lc 22.20; 1 Co 11.25; 2 Co 3,6 - WILLMINGTON, Harold L. Guia de Willmington para a Bíblia - um ensino bíblico completo).
8 WILEY, Orton. Hebreus - a excelência da Nova Aliança em Cristo. Central Gospel.
9 LAUBACH, Fritz. Hebreus - Comentário Esperança. Editora Esperança.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves

Aqui eu Aprendi!

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Jesus - Sumo Sacerdote de uma Ordem Superior

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores, e feito mais sublime do que os céus” Hb 7.26

O capítulo sete de Hebreus apresenta o sacerdócio de Jesus numa nova perspectiva — Ele é sumo sacerdote segundo a Ordem de Melquisedeque (Sl 110.4 cf. Hb 7.17). O autor mostra que a profecia do salmista, na qual revela um sacerdócio de outra ordem, superior à de Arão e à levítica, teve seu fiel cumprimento em Jesus (Hb 7.13). Mas mesmo pertencendo à mesma ordem sacerdotal, o autor sublinha a proeminência de Jesus sobre Melquisedeque quando afirma que este “foi feito semelhante ao Filho de Deus” (Hb 7.3) e não o contrário. O pensamento do autor é mais bem compreendido se observarmos o sacerdócio de Jesus quanto aos aspectos de sua tipologia, de sua natureza e de seus atributos. Há muitas especulações sobre a pessoa de Melquisedeque, mas à luz do contexto bíblico é melhor vê-lo como uma pessoa histórica de natureza tipológica. Melquisedeque, portanto, deve ser visto como um tipo que aponta para Jesus Cristo. Nesse aspecto, o escrito sagrado mostra o sacerdócio de Jesus como de natureza eterna, imutável e perfeita.

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
Texto Bíblico: Hebreus 7.1-19

2. I. Quanto ao Aspecto de sua Tipologia
• 1. Um sacerdócio com realeza.
• 2. Um sacerdócio firmado na justiça.
• 3. Um sacerdócio com legitimidade.

3. II. Quanto ao Aspecto de sua Natureza
• 1. Um sacerdócio perfeito.
• 2. Um sacerdócio imutável.
• 3. Um sacerdócio eterno.

4. III. Quanto ao Aspecto de seus Atributos
• 1. Um sacerdócio santo.
• 2. Um sacerdócio inculpável.
• 3. Um sacerdócio imaculado.

5. Conclusão

Destaque alguns pontos do capítulo sete de Hebreus, o texto bíblico base da lição desta semana:

1. Na seção 7.1-10 é feita uma exposição sobre Melquisedeque, em que o autor de Hebreus usa o relato de Gênesis 14.18-20 para priorizar a peculiaridade desse sacerdote das terras de Salém.

2. No relato de Gênesis 14, cruzando com o de Hebreus sete, podemos constatar:
(a) Antes da Lei de Deus ser promulgada no Sinai, já havia um sacerdote que servia ao Deus Altíssimo e recebera dízimos de Abraão, o patriarca, antes da Lei; 
(b) a ausência de uma genealogia de Melquisedeque aponta para uma ausência de um sucessor ou predecessor humano.

3. Nas seções dos vv.11-25 e vv.26-28, o autor de Hebreus mostra que o sacerdócio de Cristo Jesus está na mesma ordem do de Melquisedeque, portanto, trata-se de um sacerdócio legítimo e superior ao de Arão.

Como Sumo Sacerdote de outra ordem, a de Melquisedeque, Jesus possui um sacerdócio imutável, perfeito e eterno.

Leitura Bíblica - Hebreus 7.1-19

Sacerdócio Perpétuo
“O escritor se vale de um argumento tipicamente rabínico baseado no fato de que nem o nascimento nem a morte de Melquisedeque constam dos registros bíblicos. Assim, de acordo com a Escritura, ele é uma figura perpétua, um símbolo apropriado de Jesus a quem, devido a sua vida eterna, permanece como um sacerdote perpetuamente”. Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, de Lawrence O. Richards, CPAD, p.861.

O sacerdócio de Cristo é imutável, perfeito e eterno.

Comentário de Hebreus 7.1-28

Tendo terminado a sua seção parentética no capítulo 6, que havia introduzido no final do capítulo 5, o autor volta a tratar do assunto que ele acha central em sua argumentação — a doutrina do sacerdócio de Cristo. Para tal, ele principia resgatando sua fundamentação histórica e profética.

“Porque este Melquisedeque, que era rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, e que saiu ao encontro de Abraão quando ele regressava da matança dos reis, e o abençoou” (v.1). O autor já afirmara (Hb 5.4-6) que Jesus havia sido constituído por Deus como Sumo Sacerdote de uma ordem superior a de Melquisedeque. Aqui, ele vai mostrar a importância que teve essa figura enigmática dentro do plano divino. Ele chama a atenção para o fato de que Melquisedeque fora rei e sacerdote. Melquisedeque, portanto, é o único personagem na história do Velho Testamento que fora rei e sacerdote ao mesmo tempo. Donald Hegner observa que, no judaísmo primitivo, prevalecia a crença de que o Messias acumularia essas duas funções.1  A intenção do autor é mostrar, não pelo simples fato de que essa era uma expectativa judaica, mas, sobretudo, porque era um fato profético, que Jesus era Sumo Sacerdote dessa mesma ordem. Foi esse sacerdote-rei que abençoou o patriarca Abraão.

“A quem também Abraão deu o dízimo de tudo, e primeiramente é, por interpretação, rei de justiça e depois também rei de Salém, que é rei de paz” (v.2). De acordo com a Enciclopédia Judaica, o nome Melquisedeque é interpretado pelo autor de Hebreus como sendo “rei de justiça" e “paz" com o propósito de associá-lo à pessoa de Jesus.

“Na epístola aos Hebreus (7.1-7), Melquisedeque (rei de justiça - Zedek; de paz - Salém) é descrito como único, sendo ambos um sacerdote e rei, e porque ele é ‘sem pai, sem mãe, sem genealogia’; ele é eterno, ‘não tendo começo de dias e nem fim da vida’. Nesse sentido, Melquisedeque assemelha-se a Jesus, o Filho de Deus, e, assim, é um tipo do Salvador".2

“Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas, sendo feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre” (v.3). Esse versículo forneceu combustível para muitos debates em tomo da figura enigmática de Melquisedeque.3  Todavia, a interpretação mais natural, como descreveu a Enciclopédia Judaica, é aquela que a tradição cristã tem-lhe atribuído — um tipo de Cristo.4

O vocábulo grego aphomoioo, traduzido como semelhante, só aparece aqui no Novo Testamento. A. T. Robertson destaca “que essa semelhança está na figura tirada do Gênesis, e não na própria pessoa".5  Melquisedeque é um tipo do qual Jesus é o antítipo. A ordem sacerdotal, e não simplesmente a pessoa de Melquisedeque, está no foco da argumentação do autor. De forma análoga, Richard Taylor observa que as descrições dadas sobre a pessoa de Melquisedeque no versículo 3 (sem pai, sem mãe e sem genealogia) devem referir-se à sua ordem sacerdotal, e não à sua pessoa.6  Esse entendimento é confirmado no fato de que, para um judeu conhecedor do sistema levítico, era totalmente inconcebível alguém reivindicar o sacerdócio sem que seus pais fossem sacerdotes. John Nelson Darby (1800-1882) destaca que "como sacerdote, Cristo era sem genealogia, não como homem. Sua mãe era conhecida. Uma vez feito sacerdote, não podia ser descartado ao chegar a uma certa idade, como aqueles sacerdotes. Ele permanece para sempre. ‘Feito semelhante ao filho de Deus’ — somente como sacerdote. A realeza está vinculada com o sacerdócio".7

Melquisedeque foi uma pessoa física, histórica, mas o seu sistema sacerdotal era atemporal, eterno.8
Muito barulho tem sido feito em torno da figura enigmática de Melquisedeque porque é desconhecida a forma como a hermenêutica judaica interpretava o silêncio de determinado texto. Na interpretação rabínica dos textos sagrados, até mesmo o silencio falava alto. Filo, um judeu de Alexandria, por exemplo, utilizou-se muito desse recurso.9  Donald Hegner destaca:

"Do ponto de vista rabínico, o silencio é tido como verdadeiramente significativo, em vez de apenas fortuito, de modo especial em se tratando de uma pessoa tão importante, rei e sacerdote ao mesmo tempo. Visto não ter registro da morte de Melquisedeque, nem do término do seu sacerdócio, pode se concluir que ele permanece sacerdote para sempre. Considerando-se, pois, o que as Escrituras dizem e o que silenciam a respeito de Melquisedeque, torna-se evidente que ele é semelhante ao filho de Deus, que também jamais teve início de dias, nem fim de vida, com um sacerdócio de validade eterna”.10

"Considerai, pois, quão grande era este, a quem até o patriarca Abraão deu os dízimos dos despojos" (v. 4). Há um jargão popular que diz: “Na terra de Melquisedeque, Abraão só paga o dízimo”. Nesse versículo 4, o autor mostra a superioridade de Melquisedeque em relação a Abraão. Todos os judeus, incluindo os cristãos provenientes do judaísmo, tinham consciência da grandeza do patriarca Abraão para a história hebraica. Todavia, o autor de Hebreus está mostrando a seus leitores que Abraão foi grande sim, mas que Melquisedeque fora ainda maior do que ele, visto Abraão ter reconhecido como legítimo o sacerdócio de Melquisedeque através da devolução dos dízimos. É exatamente dessa ordem sacerdotal muito superior à Levítica que advém o sacerdócio do Filho de Deus.

“E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham descendido de Abraão" (v.5). O autor tem em mente mostrar a seus leitores que, no contexto do Antigo Testamento, há duas linhas sacerdotais. Uma delas começa com Abraão, passando por Levi e seus descendentes, e a outra tem início com Melquisedeque, o sacerdote-rei. Essa ordem sacerdotal, que começou com Melquisedeque, vai até o Messias, Jesus Cristo (SI 110.4). Dessa forma, o autor prova que, embora o sacerdócio levítico tenha recebido dízimos, assim como Melquisedeque recebeu do patriarca Abraão, nem mesmo assim eles podem equiparar-se em grandeza ao rei-sacerdote de Salém.11

"Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles tomou dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas” (v.6). Esse sacerdócio de Melquisedeque, que nem mesmo registro possuía entre eles, tinha mais realeza do que o sistema levítico. A ordem sacerdotal Levítica era humana, terrena; já a ordem de Melquisedeque era divina, celestial.

“Ora, sem contradição alguma, o menor é abençoado pelo maior" (v.7). O fato relevante mostrando que Abraão devolveu o dízimo a Melquisedeque e que ele fora abençoado pelo mesmo demonstra a superioridade de Melquisedeque sobre o patriarca hebreu. O rei deve abençoar o súdito; o soldado presta continência para o oficial; o filho subordina-se ao pai. Da mesma forma, foi Abraão em relação a Melquisedeque.

“E aqui certamente tomam dízimos homens que morrem; ali, porém, aquele de quem se testifica que vive" (v.8). Simon Kistemaker observa, como já foi destacado neste livro, que o autor de Hebreus segue uma lógica diferente da nossa porque emprega uma metodologia rabínica adotada no primeiro século. Dentro dessa metodologia interpretativa, o autor declara que o testemunho sobre Melquisedeque é que ele "vive”. Estaria ele querendo dizer com isso que Melquisedeque jamais morreu? Se a lógica fosse essa, ele seria um ser sobrenatural, o próprio Filho de Deus, fato esse que o autor já descartou quando disse que o sacerdote de Salém era “semelhante” ao Filho de Deus, e não o próprio Jesus (Hb 7.3). Kistemaker destaca que "nos lugares onde seu nome é mencionado (Gn 14.18-20; SI 110.4), Melquisedeque (quanto a seu sacerdócio) é descrito como uma pessoa que ‘vive’. Isso significa que a ordem sacerdotal de Melquisedeque é permanente’’.12  Entendimento semelhante é dado pelo expositor Donald Hegner:

"O argumento do v.8 tem caráter rabínico, pois atribui grande significado ao silêncio do texto (cf. v.3). A referência àquele de quem se testifica que vive, no entanto, encontra paralelismo nas referências a Cristo nos vv. 15, 16 e 24, em que a referência à vida eterna sem fim é absolutamente verdadeira".13

Dentro da tradição cristã, portanto, esse versículo ganha o sentido de que, aqui, a ordem levítica, constituída por homens mortais, toma dízimos; ali, isto é, na ordem sacerdotal de Melquisedeque, personificada em Jesus Cristo, o Sacerdote Eterno, recolhia dízimos porque é superior à ordem levítica e continuará sempre existindo. Melquisedeque não era eterno, mas a sua ordem sacerdotal sim. A ordem sacerdotal levítica, encarregada de tomar os dízimos, era temporal, passageira, pois era constituída de homens mortais. Essa ordem sacerdotal tornou-se obsoleta e caducou. A ordem de Melquisedeque, porém, jamais acabará porque é eterna. É dessa mesma ordem que Cristo, o Sacerdote-Rei, exerce o seu sacerdócio para todo o sempre!14

“E, para assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos" (v.9). A ordem sacerdotal de Melquisedeque é superior à levítica, visto que todo o sistema levítico, representado na pessoa de Abraão, pagou dízimos a Melquisedeque. Esse fato é usado para mostrar a superioridade e relevância da ordem do sacerdote-rei de Salém. Mesmo que ainda não tenha sido gerado, Levi, tribo da qual seriam escolhidos os sacerdotes, pagou dízimos na pessoa de Abraão.

"Porque ainda ele estava nos lombos de seu pai, quando Melquisedeque lhe saiu ao encontro” (v.10). O fato está estabelecido — há mais de uma ordem sacerdotal: Melquisedeque e Levi. Todavia, a ordem sacerdotal de Melquisedeque é superior à levítica. O sistema levítico de sacerdotes era imperfeito, mas o melquisedequiano, perfeito.

“De sorte que, se a perfeição fosse pelo sacerdócio levítico (porque sob ele o povo recebeu a lei), que necessidade havia logo de que outro sacerdote se levantasse, segundo a ordem de Melquisedeque, e não fosse chamado segundo a ordem de Arão?” (v.11). Se o sistema levítico fosse perfeito e, logo, não sujeito à substituição, então por que a profecia prenunciou o surgimento de outra ordem sacerdotal superior e mais perfeita (SI 110.4)?

“Porque, mudando-se o sacerdócio, necessariamente se faz também mudança da lei” (v.12). O autor fala da necessidade da mudança do “sacerdócio” enquanto sistema legal e vigente, e não apenas do “sacerdote” enquanto pessoa. Neil R. Lightfoot observa que o autor refere-se a toda ordem mosaica concebida como sacrificial em sua essência. A Lei e o sacerdócio eram entidades inseparáveis dentro do sistema mosaico, sendo que a própria Lei fora dada com base no sacerdócio. Nesse aspecto, observa Lightfoot, “a lei dependia do sistema sacrificial e não podia funcionar sem ele. O sacerdócio era para a Lei o que o alicerce era para o edifício”.15  Noutras palavras, caindo um, o outro vai junto.

“Porque aquele de quem essas coisas se dizem pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar” (v.13). Tendo provado que todo o sistema mosaico, com o sacrifício e a Lei, tornara-se obsoleto, o autor chama a atenção para quem o Espírito profético do Salmo 110.4 está mostrando — “de quem essas coisas se dizem" — uma referência ao Messias.

“Visto ser manifesto que nosso Senhor procedeu de Judá, e concernente a essa tribo nunca Moisés falou de sacerdócio” (v.14). De acordo com o Pentateuco, a quem o autor denomina aqui de “Moisés", somente da tribo de Levi é que sacerdotes poderiam ser levantados. Jesus Cristo, entretanto, era da tribo de Judá, que, de acordo com o antigo sistema sacerdotal, jamais poderia possuir sacerdotes. Mas o autor já havia mostrado que justamente aqui se encontra a profecia — Jesus era sacerdote de uma ordem superior e que substituíra a antiga — a ordem de Melquisedeque. Como poderia, pois, os seus leitores estarem voltando para um sistema que havia sido substituído por outro muito melhor?

“E muito mais manifesto é ainda se, à semelhança de Melquisedeque, se levantar outro sacerdote" (v.15). O autor chegou onde queria: mostrar a necessidade de outro sacerdócio plenamente cumprido em Jesus. O sacerdócio de Cristo possui semelhança com o de Melquisedeque, ou seja, é superior ao levítico e é eterno. A palavra semelhança usada aqui aparece anteriormente na carta aos Hebreus no capítulo 4.15, onde está dito que Jesus foi feito semelhante a nós. Naquele contexto, significa que Jesus identificou-se com a raça humana e, por isso, pode representá-la diante de Deus.

“Que não foi feito segundo a lei do mandamento camal, mas segundo a virtude da vida incorruptível" (v.16) A palavra grega sarkinos, traduzida aqui como camal, tem o sentido, nesse contexto, de algo que está relacionado com aquilo que é humano. “A ordenação foi camal no sentido de que tinha a ver apenas com a carne. Fazia com que o sacerdócio estivesse implicado com/e dependente da descendência carnal”.16  Ao contrário do sistema sacerdotal levítico, o sacerdócio de Jesus estava fundamentado no princípio de uma vida "incorruptível”, isto é, indestrutível. Essa indestrutibilidade está fundamentada nas palavras do salmista.

“Porque dele assim se testifica: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque" (v.17). Para o autor, somente Jesus pode cumprir essa profecia porque, como Messias e Filho de Deus, Ele assentou-se à direita do Pai. "Disse o Senhor ao meu Senhor: Assenta-te à minha mão direita, até que ponha os teus inimigos por escabelo dos teus pés (SI 110.1).

“Porque o precedente mandamento é ab-rogado por causa da sua fraqueza e inutilidade" (v.18). A antiga ordem sacerdotal e também as leis que o regiam foram substituídas por uma nova que havia chegado. A razão é que esse sistema tornara-se inadequado em razão de sua fraqueza e inutilidade. A ideia do autor é mostrar que o antigo sistema só tinha valor antes da manifestação de Cristo, para quem a antiga ordem apontava.

“(pois a lei nenhuma coisa aperfeiçoou), e desta sorte é introduzida uma melhor esperança, pela qual chegamos a Deus" (v.19). A palavra grega eteleiosin, aoristo de teleioô, tem o sentido de conduzir ao alvo. James Moffatt (1870-1944) observou que, em Josefo, esse termo ganha o sentido de substituição.17  A Lei tornou-se antiquada, e sua substituição tornou-se necessária porque jamais pôde chegar ao alvo tencionado por Deus. Em Cristo, esse alvo havia sido alcançado, e essa é a razão de nossa esperança.

“E, visto como não é sem prestar juramento (porque certamente aqueles, sem juramento, foram feitos sacerdotes" (v.20). A superioridade do sacerdócio de Cristo está também evidenciada pela palavra empenhada por Deus (juramento) de que Ele é para sempre. O sistema levítico não teve tal garantia.

"Mas este, com juramento, por aquele que lhe disse: Jurou o Senhor e não se arrependerá: Tu és sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedeque.)" (v.21). O comentarista C. S. Keener observa que esse juramento de Deus estabelecendo uma nova ordem sacerdotal desfaz por inteiro qualquer pretensão de perpetuação do antigo sistema sacerdotal. Deus empenhara a sua palavra de que o mesmo seria substituído. "Este ponto constitui uma resposta parcial para qualquer possível apelação ou reivindicação ao Antigo Testamento de que as prescrições levíticas eram ordenanças eternas”.18

"De tanto melhor concerto Jesus foi feito fiador" (v.22). O termo grego engyos, traduzido como fiador, só aparece aqui no Novo Testamento. O lexicógrafo Celas Spicq mostra que esse termo tem o sentido de uma "promessa colocada na mão de alguém”. A ideia é a de segurança. Spicq destaca:

"Uma pessoa é fiadora de outra, comprometendo-se com um credor dando-lhe uma garantia para a execução de uma obrigação no caso de inadimplência do devedor. Um fiador é, portanto, aquele que é responsável pela dívida de outra pessoa; sua responsabilidade torna-se operacional quando o devedor declara-se insolvente com relação aos termos do contrato”.19

A garantia do cristão é total, pois Jesus já pagou o preço.

“E, na verdade, aqueles foram feitos sacerdotes em grande número, porque, pela morte, foram impedidos de permanecer” (v.23). O sacerdócio levítico possuía a necessidade de ser renovado constantemente, visto que seus oficiantes eram impedidos de continuar em razão da morte. Todavia, o sacerdócio de Cristo não estava sujeito a essa limitação.

"Mas este, porque permanece eternamente, tem um sacerdócio perpétuo" (v.24). O infinitivo presente menein, traduzido como permanecer, continuar, tem ação contínua e interminável.20  O seu sacerdócio é para sempre ou perpétuo, assim como vaticinou o oráculo divino no Salmo 110.

“Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles” (v.25). A expressão grega eis to pantelés, traduzida aqui como “perfeitamente” em virtude do contexto, mantém o sentido temporal que lhe dá a versão americana RSV e significa "em todas as épocas”. Ao contrário do sacerdócio levítico, o ministério de Cristo não é prejudicado pelo tempo. Em qualquer época, Ele continua sendo sacerdote. Ele salva aqueles, conforme observou Adam Clarke, que, mediante a graça de Deus, através de seu sacrifício e propiciação, achegam-se a Ele implorando misericórdia.21

Cristo é o intercessor de todos os salvos.

“Porque nos convinha tal sumo sacerdote, santo, inocente, imaculado, separado dos pecadores e feito mais sublime do que os céus" (v.26). Cinco coisas são afirmadas aqui sobre Jesus:
(1). Ele é santo. Aqui, no texto grego, temos a palavra hosios em vez de hagios (separado). O termo grego hosios ocorre oito vezes no N.T e tem o sentido de “santo, piedoso, misericordioso". Aqui, a ideia é a mesma encontrada na palavra hebraica chasid, "misericordioso”;

(2). Ele é inocente. Aqui, a ideia é de alguém que não tem maldade. A sua santidade não é apenas externa, mas também interna. Ele é santo por dentro e por fora;22

(3). Ele é imaculado. A ideia aqui é extraída dos princípios exigidos na consagração dos sacerdotes. O sacerdote na antiga aliança não poderia ter defeito corporal algum. O autor mostra que Jesus possui um caráter imaculado. O seu sentido vai muito além da pureza ritual, mostrando a natureza ética do sacerdócio de Jesus;

(4). separado dos pecadores. Ao fazer essa declaração, o autor usa o tempo perfeito, que mantém a ideia de algo que começou no passado, mas cujos efeitos continuam no presente. Nesse aspecto, Jesus foi separado dos pecadores, isto é, pertence a uma classe distinta deles e continua dessa forma. Ele não pode ser alcançado pelo pecado. Não há pecado nEle;

(5). mais sublime do que os céus. Ele está acima de tudo, até mesmo das mais altas hostes angelicais.

“Que não necessitasse, como os sumos sacerdotes, de oferecer cada dia sacrifícios, primeiramente, por seus próprios pecados e, depois, pelos do povo; porque isso fez ele, uma vez, oferecendo-se a si mesmo" (v.27). A Almeida Revista e Corrigida (ARC) enfraqueceu o sentido da palavra grega ephapaks ao traduzi-la simplesmente como "uma vez”. O seu sentido está melhor demonstrado na versão Almeida Revista e Atualizada (ARA) como “uma vez por todas". O sacrifício de Cristo foi perfeito e completo. Não há, pois, necessidade, em tempo algum, de sua repetição.

“Porque a lei constitui sumos sacerdotes a homens fracos, mas a palavra do juramento, que veio depois da lei, constitui ao Filho, perfeito para sempre" (v.28). A “perfeição” aludida pelo autor tem um sentido de "obra cumprida integralmente”, isto é, “completada”. Esse fim jamais poderia ser alcançado pelo sacerdócio levítico, devido a seu caráter transitório e imperfeito.

O ministério sacerdotal de Jesus Cristo é santo, inculpável e imaculado.


A Carta aos Hebreus é o único texto do Novo Testamento que apresenta uma doutrina sistematizada do sacerdócio de Cristo. A carta mostra aos leitores que Jesus é o Sumo Sacerdote-Rei predito nas Escrituras e que, como tal, superior ao sistema levítico. Melquisedeque, rei de Salém, a quem Abraão entregou o dízimo, tornou-se um tipo desse sacerdócio eterno. E não só isso, mas todo o sistema levítico tornara-se obsoleto visto que a nova ordem sacerdotal havia suplantado a antiga.

A natureza do sacerdócio de Cristo é expressa pela sua imutabilidade, perfeição e eternidade.

Notas
1 HEGNER, Donald. Hebreus — comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida, São Paulo.
2 SCOLNICK, Fred & BERENBAU, Michael. Enciclopedia Judaica, second edtion, volume 14. P p.ll. Macmillan Reference. Nova York, EUA, 2007.
3 O profícuo escritor e teólogo Pedro Cardoso Lindoso, em seu livro Melquisedeque, o Sacerdote Cristofânico, desenvolveu uma tese muito interessante, porém diametralmente oposta daquela defendida aqui, sobre o sacerdócio de Melquisedeque. Nisso está a beleza da vida cristã: em pensarmos diferentes sem, contudo, tornarmo-nos adversários.
4 "E que reside a semelhança? Naquilo que não conhecemos nem o princípio nem o fim de nenhum dos dois; de Melquisedeque, porque não foi registrado, e de Cristo, porque não tem [nem princípio nem fim]. Essa é a semelhança! Se a semelhança fosse estabelecida em absolutamente tudo, não haveria figura nem realidade, senão que ambas seriam figuras" (CRISÓSTOMO, João. Sobre La Carta a Los Hebreos, 12, l-2); "Portanto temos aprendido que aquele famoso Melquisedeque é sacerdote de Deus na figura de Cristo; pelo que aquele era a figura, este é a realidade (a figura é a sombra da realidade); aquele era em nome de uma só cidade, este é rei na reconciliação de todo o mundo, como está escrito: "Porque em Cristo, Deus estava reconciliando consigo o mundo” (AMBRÓSIO. Sobre La Fé, 3,11, 88-89); "Também comentou a expressão ‘sem genealogia’. Afirmou que Melquisedeque não pertencia à sua árvore genealógica, pelo qual é evidente que não estava privado de uma árvore genealógica, senão que se trata de uma figura” (DE CIRO, Teodoreto. Interpretacion Sobre La Carta a Los Hebreos, 7); "Enquanto a Escritura que diz: ‘Tu és sacerdote eterno segundo a ordem de Melquisedeque’, nosso mistério está revelado na palavra ‘ordem’” (JERÔNIMO, Libro de Cuestiones Hebreas Sobre el Gênesis, 14,18-19).
5 ROBERTSON, A. T. Comentário Al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
6 TAYLOR, Richard. Comentário Bíblico Beacon. CPAD. Ao longo da história, não tem faltado interpretações fantasiosas sobre a pessoa de Melquisedeque. De acordo com a Enciclopedia Judaica, Melquisedeque é identificado nos textos de Qumran como sendo um "anjo de luz” e também “o arcanjo Miguel”. Na tradição rabínica, é identificado como sendo Sem, filho de Noé. Por outro lado, o livro apócrifo de Enoque faz Melquisedeque tornar-se filho de Nir, irmão de Noé (Enciclopaedia Judaica, second edition, volume 14. Macmillan Reference. Nova York, EUA, 2007).
7 DARBY, John N. La Espistola a los Hebreus. Verdades Bíblicas. Addison, IL, EUA.
8 Donald Carson observa que há quem pense que Jesus de Nazaré, o Filho eterno, apareceu em forma corpórea em Gênesis 14.18-20 — uma encarnação antes da Encarnação. Carson acertadamente argumenta que dois textos bíblicos depõem contra essa interpretação. O primeiro é o Salmo 110, usado pelo autor de Hebreus. O Salmo 110 diz: "Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”. Carson pergunta: "Por que não diz simplesmente que o "Senhor” é Melquisedeque? Por que não diz: "Tu és sacerdote para sempre. Tu és Melquisedeque”? Isso resolveria o problema. Mas ele é um sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque. Melquisedeque é um modelo”. O segundo texto é Hebreus 7.2b-3. Nesse texto, o autor de Hebreus repete o Salmo 110, mostrando a relação profética de Melquisedeque com Jesus, onde aquele é "feito semelhante ao filho de Deus” (Hb 7.3). “Se Melquisedeque fosse o Filho de Deus”, argumenta Carson, "a razão pela qual 'permanece sacerdote para sempre’ é que ele é o filho eterno de Deus. Mas o autor de Hebreus diz outra coisa. Ele afirma que Melquisedeque se parece com o Filho de Deus, é semelhante ao filho de Deus” (CARSON, Donald. Aí Escrituras Dão Testemunho de Mim - Jesus e o evangelho no Antigo Testamento, pp. 190-193. Editora Vida Nova, São Paulo). Outro fato relevante, não abordado por Carson, que mostra que Melquisedeque não é Jesus pré-encarnado, está no texto de João 8.56: “Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se”. Se Melquisedeque fosse, de fato, uma manifestação cristofânica, o texto seria: “Abraão, vosso pai, exultou por ver-me quando eu era ainda Melquisedeque; viu-me e alegrou-se”. Mas não é isso o que o texto diz nem dá a entender.
9 ROBERTSON, A. T. Comentário Al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
10 HEGNER, Donald. Hebreus — Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida, São Paulo.
11 LAUBACH, Fritz. Hebreus — Comentário Esperança. Editora Esperança.
12 KITESMARKER, Simon. Hebreos — Comentário Al Nuevo Testamento. Libros Desafio, 1991.
13 HEGNER, Donald. Hebreos — comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
14 O autor de Hebreus não tem a intenção de tratar aqui do dízimo como uma prática válida ou não para os seus dias. A sua intenção é mostrar que a ordem sacerdotal levítica passara e que agora outra tomou o seu lugar — a ordem de Melquisedeque, representada aqui por Jesus Cristo, o Sacerdote-Rei. Todavia, em relação à pratica do dízimo na Nova Aliança, em contraste com a Antiga Aliança, escrevi em meu livro A Prosperidade à Luz da Bíblia: "Mudou apenas a forma do culto, mas não a sua função! O culto levítico com seus milhares de rituais já não existe, todavia, o princípio do sacerdócio continua ainda hoje (1 Pe 2.9; Ap 1.6). Passou o sacerdócio de Arão, ficou o sacerdócio do cristão (Hb 4.14-16; 10.11,12; 1 Pe 2.5,9; Ap 1.6). A justificativa que alega que o cristão não está mais debaixo do preceito legal do dízimo mosaico é falha por não levar em conta que o cristão permanece ligado ao princípio moral do dízimo abraâmico! Abraão, o pai dos que crêem, devolveu o seu dízimo de forma espontânea e voluntária antes do preceito legal (Gn 14.20), o que deve servir de modelo para todos os crentes. A Bíblia mostra claramente que a ordem sacerdotal a quem Abraão pagou seu dízimo é eterna, ao contrário da ordem do sacerdócio levítico, que era transitórial (Hb 5.10; 7.1-10; Sl 110.4). Portanto, aqueles que não reconhecem mais o preceito da obrigatoriedade concernente ao dízimo, como ensinou Moisés, deveriam submeter-se ao princípio da voluntariedade, como exemplificou Abraão (GONÇALVES, José. A Prosperidade à Luz da Bíblia. CPAD).
15 LIGHTFOOT, Neil R. Hebreos — Comentário Vida Cristã. Editora Cultura Cristã.
16 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editora Vida Nova.
17 MOFFATT, James. A Criticai and Exegetical Commetary on the Epistle to the Hebrews. T & T Clark, 1963.
18 KEENER, C. S. Comentário dei Contexto Cultural de La Biblia. Editora Mundo Hispano, Texas, EUA.
19 SPICQ, Ceslas. Theological Lexicon of the New Testament, vol 1, pp 390- 391. Hendrickson Publishers. Peabody, Massachusetts, EUA, 2012.
20 ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego.
21 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Biblia. Nuevo Testamento, vol. III. Casa Nazarena de Publicaciones, Lenexa, Texas, EUA.
22 Idem.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves
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