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sábado, 25 de agosto de 2018

O Milagre da Ressurreição de Lázaro

“Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria e que tinham visto o que Jesus fizera creram nele” Jo 11.45

“Pergunta-se: Por que os outros três evangelhos não relatam o grande milagre da ressurreição de Lázaro? Uma das respostas é: porque o Espírito Santo levou João a registrar esse milagre, que preenche sua parte no propósito do livro. O milagre da ressurreição de Lázaro não tinha lugar no plano dos outros três escritores. Lembremo-nos que há cinco outros milagres relatados por João, que não se mencionam nos outros Evangelhos. E há trinta e três milagres nos outros Evangelhos, não registrados por João. [...] Tirai a pedra (v.39): Era proibido, pelo Talmude, abrir um túmulo, depois de fechá-lo com a pedra. E isso para se evitar contaminar-se cerimonialmente. Mas Aquele que tocou o esquife do filho da viúva de Naim (Lc 7.14), e que tocou o leproso (Mt 8.3), mandou que retirassem a pedra do túmulo de Lázaro — anulando o formalismo dos judeus. Jesus, levantando os olhos para o céu, disse... (vv.41,42): Isto não é uma oração mas ação de graças a Deus, pela resposta à oração, resposta já recebida. Vd. Mc 11.24 (Vers. Bras e Vers. Ver. Autor.): Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim. Recebestes é no tempo passado. Recebemos enquanto oramos e o vemos depois com os olhos. Cristo, diante do túmulo de Lázaro, orara até receber e só restava agradecer a Deus a resposta que ia ver logo com os próprios olhos” (BOYER, Orlando. Espada Cortante.Lucas, João e Atos. Volume 2. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.311,312).

O sétimo e último sinal do quarto Evangelho é o mais significativo de todos, pois devolveu a vida a Lázaro, mostrando todo o poder do Filho de Deus.

Acostumados com a importante e necessária prática do planejamento, vez por outra somos surpreendidos por algum acontecimento que nos desperta para o inegável fato de que, na realidade, não temos controle algum, não apenas sobre o futuro, mas também sobre o que quer que seja. Sem conhecer os contornos da estrada da existência que vai se delineando conforme os dias vão passando, muitas vezes nos pegamos absortos com os acontecimentos. Para o bem ou para o mal, quantas vezes já não exclamamos: “Nunca pensei que isto fosse acontecer comigo”. Se os que não conhecem a Deus atribuem os acontecimentos ao “acaso”, aos que creem tal maneira de pensar não faz sentido, pois acreditam na providência divina. Não obstante, uma vez que são insondáveis as formas de Deus agir, até mesmo o crente, vez por outra, incorre no erro de falar daquilo que escapa ao seu conhecimento. O último sinal do quarto Evangelho ensina-nos que Deus, muitas vezes, age de maneira contrária à lógica, mas que ao final tudo concorre para a glória do nome dEle.

Como Jesus teve acesso tão rápido ao sepulcro onde jazia Lázaro?
A maioria dos estudiosos defende que havia no próprio terreno das casas, sobretudo das pessoas de posse, esculpido em rochas o túmulo dos entes queridos.

Texto Bíblico - João 11.28-40,43,44

INTRODUÇÃO

O sétimo milagre do Evangelho de João coroa de forma magistral os relatos dos sinais do texto joanino, culminando com o maior deles, pois devolveu a vida a alguém que havia morrido há quatro dias (Jo 11.39).

I. A ENFERMIDADE PARA A GLÓRIA DE DEUS

1. Jesus é notificado da enfermidade de Lázaro.
A cada sinal realizado, Jesus se indispunha ainda mais com as classes religiosas que, temendo perder seu domínio, depois deste grande feito, acabaram reunindo-se numa coalizão de forças entre sacerdotes e fariseus, formaram um conselho e reconheceram o que não dava mais para esconder — o que poderia ser feito para barrar o Senhor visto que Ele fazia “muitos sinais” (Jo 11.47)? Apesar de os milagres beneficiarem o povo, sobretudo os mais necessitados (At 10.34-38), o medo dos religiosos era que todos passassem a crer em Jesus e isso fizesse com que o poder imperial os achassem dispensáveis e não mais necessários para os interesses e acordos políticos (Jo 11.48). Foi nessa infame reunião que, diz o apóstolo do amor, depois de afirmar que convinha que um homem morresse pelo povo, o “sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação” (Jo 11.51), selando de vez o destino entre eles, pois “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” (Jo 11.53).

Dividido em duas partes, o relato do sétimo sinal tem longos 44 versículos (Jo 11.1-44). A despeito de o texto bíblico da lição conter apenas a segunda parte do relato, o contexto exposto na primeira é de primordial importância para se valorizar ainda mais a narrativa. João informa que se encontrava doente um homem chamado “Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta” (Jo 11.1). Estas, conhecidas e amadas do Senhor, mandaram-lhe avisar que Lázaro, a quem Jesus igualmente amava, estava enfermo (Jo 11.3,5). Isso indica que o Senhor já conhecia essa família. Todavia, mesmo após ser notificado, Jesus “ficou ainda dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6).

2. A doença que veio para a glória de Deus.
Felizmente, a demora de Jesus em ir até Betânia não se trata de insensibilidade, antes tem uma razão de ser, isto é, como o próprio Mestre disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11.4b). Na verdade, conforme o Senhor revela, o real motivo de Ele não se apressar em ir ao povoado e curar Lázaro antes que este viesse a falecer, foi o amor que Ele tinha pelos seus discípulos, pois estes teriam a oportunidade ímpar de assistir um portentoso milagre e assim poderiam acreditar definitivamente que o Senhor era o Filho de Deus (Jo 11.15).

3. O duplo significado da morte neste texto.
É natural que haja algum estranhamento no fato de Jesus ter dito que a doença não era para “morte” e Lázaro ter vindo a óbito. Vale perceber que, particularmente, neste texto, a “morte” possui dois sentidos e não significa simplesmente a cessação da vida biológica, mas tem um significado bem mais profundo, conforme se depreende da resposta do Senhor a Marta (Jo 11.25b,26). Falando, entretanto, especificamente da morte de Lázaro, o Mestre disse que aquele apenas “dormia”, algo que levou os discípulos a não entenderem a expressão, achando que o doente estivesse se recuperando (Jo 11.11-13). Para desfazer o equívoco “Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto” (Jo 11.14). Portanto, vê-se que há dois sentidos para a expressão “morte” na narrativa: morte natural e morte eterna.

II. A RESSURREIÇÃO E A VIDA

1. O inusitado convite de Jesus.
Quando o “tempo de Deus” se completou, Jesus então convidou os seus discípulos a retornarem à Judeia e eles, completamente confusos, tentaram dissuadir o Senhor “lembrando-lhe” que há pouco quiseram apedrejá-lo naquela localidade (Jo 10.31,39 cf. 11.7,8). A preocupação dos discípulos se dava pelo fato de Betânia distar de Jerusalém cerca de dois a três quilômetros (Jo 11.18). O Mestre então lhes esclarece por meio da metáfora do dia, já anteriormente utilizada (Jo 9.4,5), que há necessidade de se fazer o que Ele fora designado para executar (Jo 11.9-11). A resposta de Tomé, discípulo lembrado pela dúvida (Jo 20.24- 29) — “Vamos nós também, para morrermos com ele” (Jo 11.16) — que figura para muitos como uma incógnita, na verdade, trata-se de uma expressão de coragem, e resignação e não uma ironia.

2. O encontro de Jesus com Marta.
É curioso notar que em Lucas 10.38-42, Marta encontra-se excessivamente ocupada com as coisas corriqueiras da vida e até solicita ao Mestre que diga a Maria para esta vir lhe auxiliar. Neste episódio, entretanto, ela vai ao encontro do Senhor mesmo antes dEle chegar na aldeia, “Maria, porém, ficou assentada em casa” (Jo 11.20). Ambas, todavia, lamentam-se da mesma forma a respeito de Jesus não ter chegado a tempo de impedir que Lázaro viesse a óbito (Jo 11.21,32). Se na ocasião da narrativa de Lucas, Maria dispôs-se a estar aos pés do Mestre para aprender, nesta oportunidade é Marta quem nos oportuniza um importante e instrutivo diálogo (Jo 11.21-27). É perigoso formar uma visão de alguém, ou ainda pior, uma caricatura, por um único lance da vida da pessoa.

O fato de Maria ter ficado “assentada em casa”, certamente está relacionado com a recepção dos judeus que tinham ido a Betânia consolar a ambas (Jo 11.19,31).

3. Um diálogo altamente teológico.
O que acontece na sequência após Marta ter ido se encontrar com o Senhor é um diálogo de teor altamente teológico. Apesar de ter dito que sabia que tudo quanto Jesus pedisse a Deus, o Pai lhe concederia, no momento decisivo, tal crença parece não ter se mostrado tão segura (Jo 11.22,39). O Mestre então diz que trará Lázaro novamente à vida e Marta responde que sabe que o seu irmão “há de ressuscitar na ressurreição do último Dia” (Jo 11.23,24). A crença na ressurreição não era novidade para os judeus (Is 26.19; Dn 12.2), porém, por entender a morte apenas no sentido natural, este evento era exclusivamente situado no futuro. Jesus revela uma verdade completamente distinta: Ele mesmo é a ressurreição e a vida e quem nEle crê, “ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê [...] nunca morrerá” (Jo 11.25,26). Portanto, morte e vida, nas palavras do Senhor a Marta, revestem-se de um significado bem mais profundo, pois indicam que, como já foi dito, existem dois tipos de morte e também de vida: naturais e eternas. O Mestre falava, obviamente, da vida eterna que era uma realidade para os que nEle criam (Jo 3.16,36). À pergunta do Senhor se Marta cria no que Ele acabara de pronunciar, ela respondeu não apenas de forma afirmativa, mas com uma confissão: “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (Jo 11.27).

III. “PARA QUE CREIAM QUE TU ME ENVIASTE”

1. Um homem com sentimentos.
Após fazer tal confissão, Marta então se dirige a casa e avisa a Maria que o Mestre desejava vê-la. Maria, sem demora alguma, corre ao encontro do Senhor, que ainda nem havia chegado à aldeia (vv.28-30). Os judeus que a consolavam seguiram-na pensando que ela fosse ao sepulcro chorar, e acabaram encontrando-se também com o Senhor Jesus que, observa João, “quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se” (v.33). Se essa observação parece “subjetiva”, o que acontece na sequência não deixa dúvida quanto ao fato de Jesus ser um homem sensível.

Após inquirir acerca do local onde sepultaram Lázaro, o apóstolo do amor registra que “Jesus chorou” (v.35), daí a afirmação dos judeus: “Vede como o amava” (v.36b). Diferentemente dos mestres da antiguidade que se esforçavam para passar uma imagem de impassibilidade, o Senhor não teve receio algum em chorar e comover-se por ver Maria e os judeus chorando.

2. A dúvida dos judeus e de Marta.
Vendo que Jesus chorava, alguns dos judeus questionaram: “Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?” (v.37b). Eles até levantam a hipótese de o Senhor, por ter dado vista ao cego, caso tivesse chegado a tempo, também ter curado a Lázaro; mas trazê-lo de volta parece estar completamente fora de cogitação. Neste momento, ao chegar ao sepulcro havia uma pedra na entrada e uma vez mais o Mestre se comoveu (v.38). Sem titubear, Jesus ordenou que removessem a pedra do sepulcro, mas Marta então protestou que já fazia quatro dias que Lázaro morrera e que por isso já cheirava mal (v.39), o Mestre, todavia, respondeu-lhe: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (v.40b).

3. O grande milagre.
Após removerem a pedra, Jesus faz uma breve oração, onde deixa claro sua intimidade com o Pai (vv.41,42). Na prece, o Senhor revela que a oração não fora feita por uma necessidade de comunicação entre ambos Ele e o Pai, e sim por causa da “multidão ao redor”, ou seja, para que as pessoas creiam que Deus o enviara. Logo depois de orar, o Mestre grita: “Lázaro, vem para fora” (v.43b). No mesmo instante, Lázaro despertou e “saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto, envolto num lenço” (v.44). O Senhor então mandou que o soltassem e o deixassem ir. Se o povo já admirara o milagre de dar vista ao cego realizado por Jesus, este agora era sobrenaturalmente superior, pois devolvera a vida a um morto, não de poucas horas, mas alguém que já havia morrido há quatro dias, isto é, não havia dúvida alguma acerca da impossibilidade de este voltar à vida a não ser por um milagre divino.

CONCLUSÃO

A lição de hoje encerra o ciclo dos sete sinais elencados pelo apóstolo do amor. Não apenas aos seus destinatários originais, mas também a nós, nos dias de hoje, tais sinais trazem edificação e fazem com que creiamos no Senhor como o Filho de Deus, e assim tenhamos vida em seu nome (Jo 20.31).

SUBSÍDIO
“Quando Jesus declarou: ‘Teu irmão há de ressuscitar’, Marta recitou: de modo muito triste, um artigo do credo judaico: ‘Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia’. O único alívio que sentia era uma esperança para o futuro distante, baseada numa doutrina. Jesus, no entanto, fez com que ela desviasse sua atenção do artigo do credo para fixá-la nEle: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’, o que nos faz entender que o Cristianismo consiste mais em confiar numa Pessoa divina do que assentir a proposições teológicas. Não há proveito em procurar assenhorear-se da teologia sem primeiro aceitar Cristo como Senhor. Podemos crer numa doutrina sem entregar nossa vida a ela em plena confiança; podemos entendê-la sem que ela nos transforme o coração; como Marta, podemos crer na ressurreição sem ter verdadeira fé naquele que é a Ressurreição e a Vida. A causa das lágrimas de Jesus. Tais lágrimas fazem parte da humanidade de Jesus. Apesar de ser Filho de Deus, Ele sofreu todas as aflições dos homens, embora sem a prática do pecado. ‘E o Verbo se fez carne’. Sua humanidade não era fictícia; participou realmente da nossa natureza. As lágrimas brotaram de real compaixão, foram a resposta do coração de Jesus ao apelo da tristeza. Suas lágrimas também foram causadas pela tristeza — tristeza pelos danos causados pelo pecado e pela morte” (PEARLMAN, Myer. João. O Evangelho do Filho de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1995, pp.138-140).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
Aqui eu Aprendi!

sábado, 18 de agosto de 2018

A cura do cego de nascença

“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” Jo 9.5

“Jesus cura um homem cego de nascença / 9.1-12
9.6,7 Isto não é típico da maneira como Jesus operava milagres, de acordo com João. Mas Marcos registra dois incidentes de cura miraculosa em que Jesus usou a saliva — para curar um homem surdo e mudo e para curar um homem cego (Marcos 7.33; 8.23).
O relato de João, porém, fornece o único registro de Jesus cuspindo na terra e formando lodo. Desde a antiguidade, pensava-se que o cuspe ou saliva possuía algum poder medicinal. Mas os judeus desconfiavam de qualquer pessoa que usasse saliva para curar, porque tal atitude estava associada com artes mágicas. Vale a pena notar, porém, que o papel da saliva de Jesus na cura era principalmente o de fazer lodo. Como já foi salientado anteriormente ([...]), Jesus não usava objetos aleatórios sem um propósito específico. Primeiro, Jesus usou o lodo para ajudar a desenvolver a fé do homem (ele tinha que fazer o que Jesus lhe disse: ir e se lavar em um certo tanque). Segundo, Jesus amassou o lodo com suas mãos a fim de colocá-lo sobre os olhos do homem. Isto constituía ‘trabalho’ em um dia de sábado e iria perturbar os fariseus. Jesus tinha muito que lhes ensinar sobre Deus e o seu sábado” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Volume 1. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.544).

Ao dar vista ao cego, Jesus devolveu-lhe também a dignidade, tirando-o da mendicância, e o libertou da opressão religiosa.

O ritmo frenético imposto pela vida moderna priva-nos de ver outras dimensões da realidade. Somos condicionados a enxergar apenas àquilo que está imediatamente relacionado aos nossos afazeres. Se por um lado este ritmo de vida certamente já é desgastante e prejudicial à saúde, por outro, tal corre-corre torna-nos muitas vezes insensíveis diante das necessidades das pessoas. Automatizados por tantas obrigações, acabamos sobrecarregados e sem tempo para coisas simples. Quando encontramos textos como o da lição de hoje, vemos um nítido contraste entre a postura de Jesus, Filho de Deus, e muitos de nós cujas atribuições humanas servem como abismos que nos separam da dura realidade de milhões de pessoas necessitadas. Que com o estudo da lição de hoje possamos aprender com Jesus e assim passarmos a olhar para além dos nossos interesses pessoais.

Texto Bíblico: João 9.1-9

INTRODUÇÃO

O sexto milagre relatado por João encontra-se em uma narrativa dividida em cinco partes (9.1-41), sempre seguindo a divisão do apóstolo do amor, que intercala sinais e palavra, ou seja, milagres seguidos por discursos de Jesus. O texto bíblico da presente lição traz apenas a primeira dessas cinco divisões e relata o milagre em si. No entanto, a continuidade da narrativa contém profundas lições, não apenas espirituais, mas também teológicas, que servem como formas de identificar as diferenças entre os princípios doutrinários da religiosidade judaica em relação ao Evangelho de Jesus Cristo cujo fim é levar à “cegueira” os que pensam ver e dar vista aos que são conscientes de que não “enxergam” (Jo 9.39).


I. A LUZ DO MUNDO

1. Jesus contempla o cego.
A observação de que “passando Jesus, viu um homem cego de nascença” (v.1), não é fortuita e nem mera praxe para introduzir o assunto. Trata-se de um detalhe importantíssimo, pois revela, como em outras ocasiões (Mt 5.1; Jo 5.5,6; 6.5), a atenção do Mestre para os excluídos, desprezados e esquecidos pela sociedade. Em meio a um cenário tumultuado, de grande concentração de pessoas e onde cada um busca apenas os seus próprios interesses, Jesus vê e contempla aqueles que não têm visibilidade alguma, ou quando são vistos, tal não ocorre de forma correta, como se poderá ver adiante.

2. Jesus desmonta a errônea crença dos discípulos.
Ao perceber que o Mestre fita alguém de forma particular, os discípulos, certamente desconhecendo as reais intenções do Senhor, dirigem-lhe uma pergunta que reflete uma antiga e errônea crença que já existia naquela época: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (v.2). Em vez de enxergarem um ser humano carente de cuidados e atenção, o colégio apostólico aproveita para tomar o cego como ponto de partida para uma discussão teológica, típica da vaidade religiosa. Na verdade, a associação de sofrimento com pecado é algo bastante recorrente na Bíblia, podendo ser visto ainda no alvorecer de Israel (Êx 20.5). Mesmo tendo o Senhor Deus desconstruído tal pensamento, através de profetas como Ezequiel e Jeremias, por exemplo (Jr 31.29,30; Ez 18.1-32), nos dias do ministério de Jesus alguns setores da sociedade mantinham tal crença, ensejando a bela resposta do Mestre aos discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (v.3).

3. Jesus declara-se a luz do mundo.
Em consonância com o prólogo do quarto Evangelho, onde se encontra o texto que diz, do Filho de Deus, que Ele é “a luz verdadeira” (Jo 1.9), o Mestre, em demonstração de profundo compromisso com seu ministério e chamado, afirma então que está incumbido de realizar, enquanto é “dia”, as obras daquEle que o enviara, pois “a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (v.4). O Senhor falava da atenção que Ele deveria dispensar a pessoas como a do cego que, anônimo, encontrava-se na mendicância e sem esperança alguma. E tal trabalho, de iluminar — de todas as formas — deveria ser feito, pois enquanto estava no mundo, disse o Senhor, “sou a luz do mundo” (v.5). E onde é que a luz torna-se mais necessária? Evidentemente que é onde há trevas (Mt 4.16).


II. UMA CURA DIFERENTE

1. A saliva e o milagre.
Após declarar-se como a luz do mundo, num gesto como se estivesse com “pressa” (Ele havia dito que tinha de fazer as obras de Deus enquanto era dia, pois a noite vinha, “quando ninguém pode trabalhar”), Jesus imediatamente cuspiu no chão e, “com a saliva, fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego” (v.6). Esta não foi a única vez que o Mestre agiu dessa maneira. Em outras duas ocasiões, de forma inexplicável, Ele também fez uso da saliva para realizar milagres (Mc 7.33; 8.23).

2. O milagre contraria a lógica humana.
Por definição o milagre contraria a lógica humana. Não obstante, neste caso específico, “untar”, isto é, besuntar ou aplicar sobre o olho de alguém cego uma espessa camada de lama, parece não ser algo sensato, segundo o raciocínio lógico humano. Contudo, tal ato indica que os métodos divinos não precisam ser repetitivos ou iguais. O Senhor age da forma que lhe apraz e no momento que lhe convém (2Rs 4.32-37; 5.8-14).

3. A obediência e a cura.
Por mais inconcebível que possa parecer à mentalidade moderna, o cego obedeceu e foi ao tanque de Siloé lavar os seus olhos, voltando então completamente curado (v.7). É no mínimo curioso que o significado do nome Siloé seja justamente “o Enviado”. Contudo, a observação joanina figura no texto para destacar a pessoa de Jesus, que fora enviado pelo Pai para cumprir a missão de dar vista aos cegos (Jo 5.36-38; 8.16; 9.39). O texto não informa a distância que eles se encontravam do tanque e nem se alguém auxiliou o cego para que pudesse chegar até lá, todavia, diz apenas que ele “Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo” (v.7b). Há na Bíblia, outros exemplos de pessoas cuja cura aconteceu após obedecerem (2Rs 5.8-14; Is 38.21), mostrando uma íntima relação entre obediência e cura.


III. A INCREDULIDADE PERANTE A CURA

1. A dúvida.
Ao retornar ao convívio da sociedade e da vizinhança, o agora ex-cego ouviu as pessoas perguntarem: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?” (v.8b). A dúvida surge pelo fato de que a aparência do cego, ao locomover-se e transitar de forma autônoma, leva as pessoas a questionar, pois ele agora estava “diferente”. Não apenas isso, mas também o fato de ele agora não mais ficar na mendicância e ter sua dignidade restituída. Isso fez com que a dúvida se instaurasse. Era a mesma pessoa ou não?

2. A desconfiança.
Como tudo na vida, as opiniões se dividiram e muitas pessoas passaram a achar que se tratava de alguém parecido com o cego, isto é, não era ele (v.9). É incrível a capacidade humana em achar que tudo aquilo que não possui uma explicação lógica deve ser desacreditado. As pessoas achavam mais fácil pensar que estavam diante de um “sósia”, alguém muito parecido, do que do antigo cego que eles costumavam ver mendigando na região. Isso a despeito de o ex-cego dizer com sua própria boca que era ele mesmo.

3. A curiosidade.
Superados os estágios da dúvida e da desconfiança, depois de se certificarem de que se tratava realmente do cego em questão, as pessoas agora queriam saber como ele passara a enxergar (v.10). Tal não deve ter sido a surpresa delas ao ouvi-lo responder: “O homem chamado Jesus fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, e lavei-me, e vi” (v.11). À mentalidade incrédula, tal resposta é um insulto, pois ela nada explica. E como tais pessoas não creem em milagres, o fato inexplicável do agora ex-cego estar ali como um testemunho vivo, faz com que elas sintam-se curiosas não apenas a respeito do milagre, mas também do realizador do feito miraculoso (v.12). No entanto, Jesus que nada exigiu do cego para curá-lo, nem mesmo que este o seguisse, encontra-se em um local ignorado pelo ex-cego que se limita a responder aos inquiridores que não sabe onde o Mestre encontra-se.


CONCLUSÃO

A cura do cego evidencia a mentalidade prevalente de uma sociedade preconceituosa. Era mais fácil acreditar que se tratava de outra pessoa do que dobrar-se à realidade — Deus curara e restituíra uma pessoa de forma sobrenatural! Lamentavelmente, tal postura não ficou no passado, pois ainda hoje, até mesmo nos círculos religiosos, pessoas demonstram incredulidade diante de transformações radicais operadas pelo Senhor em alguém. Que tal atitude desapareça entre nós.


SUBSÍDIO
“Jesus viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? (9.1,2)
A cura milagrosa é uma evidência vívida das verdades que Jesus afirmou. Ele é a Luz do mundo, capaz de trazer a visão ao cego. Aqueles como o homem cego, cuja visão foi restaurada, reconhecem Jesus e caminham na luz. Mas aqueles que afirmam ver, porém não conseguem reconhecer a confirmação de Deus em relação aos Salvador nos seus milagres, provam que estão espiritualmente cegos, e morrerão nos seus próprios pecados.
Aqui também há algo especial para nós. Os discípulos, depois de verem o homem nascido cego, foram levados a fazer uma interessante pergunta teológica. A crença popular sugeria que a deficiência deste homem era devida ao pecado em sua vida. Mas, como ele nasceu cego, como poderia ter merecido esta punição? Ele foi punido por algum pecado dos seus pais? Ou quem sabe algum pecado que Deus sabia de antemão que o homem iria cometer? O que é importante aqui não é a resposta que Jesus deu — de que a cegueira não era punição por nenhum pecado, mas que servia como oportunidade para glorificar a Deus. O que é importante é o fato de que quando os discípulos viram o sofrimento — sua curiosidade, e não sua compaixão, foi despertada” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.218,219).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
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quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O Milagre de andar por sobre o mar

“Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu; não temais” Mt 14.27

"Jesus anda sobre o mar" João 6.16-21
Este é um dos grandes ‘sinais’ narrados por João para que crêssemos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhamos vida em Seu nome, cap. 20.31. Os judeus, considerando-O o grande Líder político, designado para salvar a pátria, tinham o intuito de arrebatá-lo e proclamá-lo Rei. Jesus, porém, ao andar sobre o mar, manifestou-se, não como um mero político em uma esfera limitada, mas como o divino Criador com supremo poder sobre o universo. O mar da Galileia, apesar de não ser mais que um lago, sofre grandes temporais. Turistas testificam que se desencadeiam lá tempestades repentinas e tão violentas que a superfície do lago parece como as águas fervendo de um gigantesco caldeirão. Logo o barco chegou à terra para onde iam (v.21). É uma figura expressiva e palpitante do Cristo atual:

1) Já subiu para orar noutro alto, Mt 14.23; Hb 7.26; 9.24.

2) O mar deste mundo é muito tempestuoso, Lc 21.25-28.

3) A quarta vigília (Mt 14.25), Jesus está para voltar, Rm 13.11-14.

4) Com a vinda de Jesus cessa o vento. Ele não deixa a tempestade aumentar demasiado; antes de chegar ao extremo, Ele aparecerá sobre as ondas mais elevadas, Lc 21.28.

5) Com a chegada de Jesus, o barco já estava no porto, não se tinha desviado um metro da rota, durante o temporal. Com a Sua chegada findarão todos os problemas e logo entraremos no porto onde jamais baterão ventos nem tormenta” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Volume 2. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.267,268).

O fato de Jesus andar sobre o mar consolidou seu senhorio sobre a natureza, evidenciando sua divindade.

Grande parte do ministério do Senhor Jesus fora desenvolvida às margens do mar da Galileia. Uma vez que na verdade se trata de um grande lago de água doce, muitas pequenas cidades se formavam em seu entorno por causa de suas águas.

Leia mais sobre:  O Mar da Galileia


Leitura Bíblica - João 6.16-21


INTRODUÇÃO

Seguindo seu propósito de demonstrar que Jesus é o Cristo, o Ungido (Jo 20.30,31), João relata o “quinto sinal”. Cotejado com as narrativas de dois dos Sinóticos — Mateus (14.23-36) e Marcos (6.45-56) — o material joanino parece estar incompleto. Todavia, como já foi dito, cada Evangelho possui suas peculiaridades e o de João não é diferente. Como poderá ser visto, para os propósitos do quarto Evangelho, as informações constantes nesta pequena porção bíblica são suficientes.

I. OS DISCÍPULOS E A PERSPECTIVA DO REINO

1. Jesus retira-se sozinho para o monte.

O texto estudado anteriormente termina com duas informações, sendo que a ênfase da lição passada recaiu apenas sobre a primeira delas. Neste tópico, a segunda será mais bem explorada para se entender o contexto do quinto sinal. João diz que Jesus “tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (Jo 6.15). Não poucas vezes o Mestre retirou-se para períodos a sós com o Pai (Mc 1.35; Lc 5.16; 6.12).

2. Os discípulos com o coração endurecido.

No texto paralelo de Marcos para essa narrativa, o evangelista observa que os discípulos “não tinham compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido” (Mc 6.52). Acostumados à ideia de que um grande feito como aquele deveria culminar com nada menos que o coroamento e a ascensão definitiva do seu Mestre, os discípulos certamente ficaram decepcionados e, por isso mesmo, com o coração “endurecido” pela atitude de Jesus.

3. “Jesus não tinha chegado perto deles”.

O texto joanino diz que no período da tarde os discípulos desceram para o mar (v.16). Eles então embarcaram “em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado perto deles” (v.17). Esse tempo que Jesus se deteve em oração talvez tenha sido oportuno para que os discípulos refletissem melhor e, quem sabe, entendessem a diferença entre a perspectiva humana e a do Reino.

Ponto Importante
Ao permitir que, em alguns momentos, fiquemos sozinhos, Deus certamente dá-nos grandes lições espirituais.

II. O MAR E O MILAGRE

1. A situação do mar.

Os discípulos haviam descido para o mar e já era noite quando zarparam rumo a Cafarnaum. Devido à topografia da região, cercada por montes, onde está situado o “mar” da Galileia, trata-se na verdade de um imenso lago de água doce cuja superfície encontra-se 210 metros abaixo do nível do mar. Ventos originados no mar Mediterrâneo sopram pelo vale do grande lago, fazendo com que as águas deste se agitem tornando-se perigosas (Mc 4.35-41). É exatamente isso que o texto informa ao dizer que “o mar se levantou, porque um grande vento assoprava” (v.18).

2. O progresso da viagem.

Os discípulos haviam remado por muitas horas, praticamente a noite inteira, e não conseguiram navegar mais que cinco ou seis quilômetros, pois o grande vento que assoprava não permitira o progresso da viagem (vv.18,19). Isso aconteceu a despeito de alguns deles serem pescadores e, consequentemente, experientes na arte da navegação.

3. Jesus anda sobre o mar.

Foi em meio a este momento difícil que os discípulos avistaram algo inusitado, que os fez temer mais ainda: uma pessoa andando sobre o mar (v.19). Se dentro de um barco a situação era desesperadora, o que dizer daquela experiência? Felizmente, não se tratava de nada do imaginário que povoava o folclore judaico (Mt 14.25,26; Mc 6.48,49), mas era o Mestre que, de forma sobrenatural e milagrosa, andava sobre as águas tempestuosas e revoltas do mar da Galileia.

Ponto Importante
O inusitado pode não ser necessariamente o que imaginamos, por isso, é importante estar atento para novas experiências.

III. “O EU SOU”

1. Na resposta, a afirmação do nome de Deus.

Reconhecendo o pavor que tomara conta dos discípulos, o Mestre identifica-se desde onde está, dizendo a eles que não temessem. Contudo, os melhores comentaristas são unânimes em dizer que o texto vai muito além de uma resposta que visava apenas um reconhecimento superficial; antes, ao afirmar “Sou eu” (v.20), Jesus alude a um dos mais conhecidos nomes divinos do Antigo Testamento (Êx 3.14; Is 43.10,11,25).

2. A divindade do Senhor.

Com a resposta do Senhor aos discípulos, identificando-se com Deus, somado ao fato de Ele estar andando sobre as águas, ao colégio apostólico, bem como aos leitores de João, não resta nenhuma dúvida: Jesus é Deus, pois somente o Criador, desde o Antigo Testamento, tem tal poder (Jó 9.8; Sl 77.19).

3. Do assombro à esperança.

Do primeiro momento em que estavam endurecidos, e posteriormente espantados, os discípulos passaram então à esperança, pois receberam o Mestre, diz João, “de boa mente”, conseguindo chegar, em segurança, à outra margem, para o local onde tinham por destino (v.21).

Ponto Importante
Em meio às dificuldades Deus pode revelar grandes coisas, basta apenas prestar a atenção.

CONCLUSÃO

O grande ensinamento desta lição é justamente o fato de Jesus ter “deixado” seus discípulos por um período de tempo, permitindo que estes refletissem e enfrentassem as dificuldades de uma viagem corriqueira. Isso fez com que eles experimentassem a verdade de que se o Senhor estiver no barco tudo vai bem.

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
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quarta-feira, 1 de agosto de 2018

O milagre da multiplicação

“E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos, pelos que estavam assentados; e igualmente também os peixes, quanto eles queriam” Jo 6.11

“Jesus... vendo que uma grande multidão vinha ter com Ele (v.5)
Os discípulos também viram a multidão, mas não com a mesma visão do Mestre. Alguns enumeram as multidões como se enumera gado, tantas cabeças. Outros, em termos de trabalho, contam as mãos. Ainda outros, o tamanho da multidão indica o grau de popularidade. Mas Jesus vê a necessidade, o anelo da alma, os sofrimentos da multidão. Aquele que percebeu a fome de Nicodemos, que sentiu a sede da mulher samaritana, que compartilhou da miséria do paralítico em Betesda, que compreendeu o anelo de Zaqueu? Ele teve a verdadeira visão da multidão com Ele no deserto. Spurgeon teve a mesma visão quando chorou perante os trinta mil que se congregaram para ouvi-lo pregar no Great Crystal Palace. A ternura infinita de Jesus O constrangeu a alimentar a multidão. No Seu ministério compadecia-se tanto do estado físico do povo como do espiritual. Esforçava-se para ministrar tanto ao corpo como à alma dos homens.
A multidão achava o pão espiritual tão bom que se esquecera de comer.
Compare cap. 4.31-34.
Ele bem sabia o que havia de fazer (v.6): Nos problemas e dificuldades não sabemos avançar; mas Ele bem sabe, nunca está perplexo para nos dirigir” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Volume 2. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, p.265).

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes evidencia o compromisso do Evangelho em alcançar o ser humano de forma completa.

Texto Bíblico - João 6.1-15

INTRODUÇÃO

A continuidade do capítulo cinco do quarto Evangelho revela que os judeus passaram a perseguir Jesus e queriam matá-lo, pois Ele realizava prodígios no sábado. O Mestre ia ainda mais longe, pois justificava sua postura dizendo que o Criador ainda estava em atividade de trabalho e que Ele, justamente por isso, também trabalhava. Tal pronunciamento enchia os judeus ainda mais de ira, pois Jesus “não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus” (Jo 5.16-18). Dessa maneira Jesus consolida seu ministério como Messias enquanto João, por sua vez, vai evidenciando a messianidade do Senhor. Dos versículos 19 a 47 o Mestre faz um de seus discursos, intercalando sinais e palavra, como é característico do estilo do Evangelho joanino. Na sequência, Jesus realiza o grande milagre da lição que será estudada hoje.

I. O CENÁRIO E AS CIRCUNSTÂNCIAS DA NARRATIVA

1. Jesus volta à Galileia.
Como já foi mencionado, Jesus desenvolve o seu ministério entre a Judeia e a Galileia. Assim, depois de curar o paralítico no Tanque de Betesda, reencontrá-lo no Templo em Jerusalém, confrontar os religiosos com a questão do sábado e de pronunciar seu discurso (Jo 5.1-47), o Mestre dirige-se novamente à Galileia, especificamente, diz João, “para o outro lado do mar da Galileia, que é o de Tiberíades” (Jo 6.1).

2. A multidão e os sinais.
João observa que uma grande multidão seguia o Senhor, pois via os sinais que Ele realizava (v.2). A observação é oportuna, pois evidencia que a multidão continua ávida pelo extraordinário, não tendo ainda maturidade para desenvolver uma fé solidificada na Palavra do Evangelho anunciado por Jesus Cristo, conforme pode ser visto logo mais no próprio capítulo seis do texto joanino (Jo 6.22-26). Na verdade, conforme o Senhor deixa claro, até mesmo os sinais são desprezados diante de outras necessidades priorizadas pelo povo.

3. A época e o “local”.
Jesus e os seus discípulos, os doze, sobem a um “monte” não especificado (v.3). João acrescenta um detalhe que também aparece no versículo 13 do capítulo 2, demarcando um período de aproximadamente um ano, pois ele diz que se aproximava mais uma Páscoa (v.4). Têm-se então a passagem do primeiro ano do ministério terreno do Senhor.

Mesmo tendo necessidades, é preciso desenvolver uma fé madura e fundamentada no Evangelho e não na resolução dos nossos problemas.

II. JESUS E O SEU COMPROMISSO COM AS PESSOAS

1. A solidariedade de Jesus.
Ao contemplar a multidão, Jesus demonstra preocupação e comprometimento (v.5). Sua pergunta a Filipe — “Onde compraremos pão, para estes comerem?” — deixa isso muito claro. Na realidade, como João revela, o Mestre experimentava Filipe, ou seja, testava o seu discípulo com o objetivo de ver sua reação, pois o Senhor sabia perfeitamente como deveria proceder (v.6). O discípulo, visivelmente abismado, responde ao Mestre que duzentos dinheiros não seriam suficientes para que cada um pudesse comer um pedaço de pão (v.7).

O “dinheiro” ou denário era uma moeda romana de prata, sendo mais ou menos a média do salário de um dia de trabalho de um operário. Por isso, a sugestão de Filipe mostra-se “lógica”, pois deixa transparecer que eles não têm tal dinheiro e nem condição de alimentar tanta gente. À parte disso, é interessante pensar no fato de que mesmo Jesus, sabendo das reais intenções da multidão (Jo 6.22-26), ainda assim não deixou de ser solidário, cordato e educado, atendendo as pessoas em suas necessidades.

2. A fé do rapaz.
O que acontece na sequência demonstra que o problema havia extrapolado o círculo dos discípulos e chegado ao povo, pois um rapaz anônimo avisa André, irmão de Simão Pedro, ao Senhor Jesus, oferecera seu lanche — “cinco pães de cevada e dois peixinhos” — para que pudesse ser repartido pela multidão (vv.8,9). A pergunta retórica de André deixa explícita sua completa descrença em relação ao gesto do rapaz: “mas o que é isso para tantos?”. Tal atitude, porém, revela que o rapaz tinha mais fé que os discípulos, pois ofereceu seu lanche por saber que aquela pequena quantidade de alimento, nas mãos de Jesus, certamente poderia ser transformada em muito.

3. A organização da multidão.
Uma vez que havia muita relva no local, isto é, planta rasteira apropriada para descanso, o Mestre então orienta os seus discípulos para que organizem a multidão, mandando que o povo se assente (v.10). Neste momento o texto joanino informa que o número de homens era de quase cinco mil. É importante dizer que tal contagem não considerava mulheres e crianças (Mt 14.21), portanto, a quantidade de pessoas alimentadas, provavelmente, deve ter sido bem superior a cinco mil. Certamente por isso André desprezou o gesto do anônimo que ofereceu seu lanche. Deus, todavia, não age de acordo com a lógica humana (1Co 1.25).

A lógica humana é diametralmente oposta à divina, por isso, quem serve a Deus não pode orientar-se exclusivamente pelo entendimento humano.

III. O MILAGRE EVIDENCIA A COMPLETUDE DO EVANGELHO

1. O milagre e sua relação com o Reino de Deus.
O Mestre toma os cinco pães e os dois peixinhos do moço anônimo e dá graças; a seguir passa aos discípulos, e estes ao povo que anteriormente fora organizado. O texto diz que o alimento era dado “quanto eles queriam” (v.11), ou seja, não era regulado, mas distribuído em abundância e com fartura. Tal ação, demonstra a grandeza do milagre, pois os pães eram poucos e os peixes estão no diminutivo, “peixinhos”, mas estes nas mãos de Jesus foram suficientes. O milagre também aponta para a completude do Evangelho, pois era anunciado pelo Senhor a todos, mas primordialmente aos pobres, pois estes não tinham esperança e muito menos condições de subsistência. No entanto, o Senhor era sensível às necessidades dos menos favorecidos, sinalizando o compromisso do Reino de Deus (Mt 11.5; 25.35; Tg 2.14-17).

2. A saciedade e o cuidado com o desperdício.
Depois de saciada a multidão, o Senhor orientou os discípulos a que recolhessem o que sobrou para que nada se perdesse (v.12). A sobra foi tão grande que os discípulos “encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido” (v.13). Tal ação demonstra o cuidado do Mestre com o desperdício, pois se antes não havia o que comer, agora já tinha até mesmo de sobra. Isso, porém, não justificava o desperdício.

3. A discrição e a consciência de Jesus a respeito de sua missão.
Com a realização do milagre, e devido sua especificidade, a multidão concluiu que Jesus era “verdadeiramente, o profeta que devia vir ao mundo” (v.14). Contudo, o Mestre sabia que tal pensamento não se dava por uma motivação correta, mas sim por um interesse político. E era justamente por saber disso, isto é, que “haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei”, que Ele “tornou a retirar-se, [...] só, para o monte” (v.15). Jesus tinha uma missão e sua consciência acerca desse fato levou-o a não se empolgar com o pensamento da sociedade a seu respeito, daí o porquê de Ele retirar-se (Jo 6.38).

A consciência da missão faz com que não nos desviemos do alvo estabelecido por Deus.

CONCLUSÃO

O milagre da multiplicação dos pães e dos peixes evidencia a completude do Evangelho e sua relação com o Reino de Deus que, apesar de não ser “comida nem bebida; mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17), deve contemplar o ser humano em sua totalidade. O Mestre demonstrou isso com sua preocupação em deixar a multidão com fome. Ele não se preocupava apenas com as almas das pessoas, mas as via de forma global e completa. Da mesma forma, Tiago instrui que não podemos, tendo condições, ver o nosso irmão padecendo necessidades, dizer para ele ir em “paz”, pois “a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma” (Tg 2.15-17).

"e Jesus tomou os pães e, havendo dado graças,..." João 6:11

SUBSÍDIO
“Repartiu-os pelos discípulos (v.11).
Lembremo-nos de que foi somente quando o menino entregou seus pães a Jesus que eles foram multiplicados para alimentar toda a multidão. É somente quando entregamos a Jesus o pouco que temos que Ele pode multiplicá-lo. Foi só quando a pobre viúva de Zarefate cedeu ao pedido estranho de Elias, Faze disso primeiro para mim um bolo, que o punhado de farinha e o pouco de azeite se tornaram provisão inesgotável para ela, 1Rs 17.13.

Foi nas mãos de Cristo que os pães se multiplicavam. Os discípulos não podiam multiplicar a comida, mas tinham de voltar constantemente a Ele para receber mais para distribuir. Tudo é uma figura do que nos acontece: não podemos, nem com os maiores esforços e com estudos esmerados, alimentarmos as multidões sem recorrermos, constantemente, a Jesus.” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Volume 2. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, p.266).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho

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quinta-feira, 26 de julho de 2018

A cura do paralítico de Betesda

“E Jesus, vendo este deitado e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?” Jo 5.6


“Jesus cura um homem paralítico perto de um tanque / 5.1-15
5.1 Todos os homens judeus eram solicitados a ir até Jerusalém para participar de três festas:
(1) a Festa da Páscoa e dos Pães Asmos,
(2) a Festa das Semanas (também chamada de Pentecostes), e
(3) a Festa dos Tabernáculos. Embora este dia santo em particular não seja especificado, a frase explica por que Jesus estava em Jerusalém.

5.2-4 Os leitores familiarizados com Jerusalém teriam conhecimento da Porta das Ovelhas (ela é mencionada em Neemias 12.39). Escavações recentes mostram que este local tinha dois tanques com cinco pórticos cobertos. Estes eram estruturas abertas com telhados que permitiam alguma proteção das intempéries. Uma multidão de enfermos ficava nos pórticos. As pessoas faziam peregrinações ao tanque de Betesda para receberem o benefício de cura das águas.
O versículo 4 não está incluído nos melhores manuscritos. Onde ele ocorre nos manuscritos posteriores, é frequentemente marcado de tal forma a mostrar que é uma adição. A passagem foi provavelmente inserida pelos escribas que acharam necessário fornecer uma explicação para o ajuntamento de pessoas deficientes e da agitação da água mencionada no versículo 7. A água se agitava e cria-se que um anjo a revolvia. A crença era de que a primeira pessoa que entrasse na água, depois que ela fosse agitada, seria curada.

5.10 Não há nada na lei de Deus que torne ilícito levar a cama no sábado. Mas o homem violou a aplicação legalista dos fariseus do mandamento de Deus para se honrar o sábado. A ordenança contra carregar algo no sábado era a última de trinta e nove regras na ‘tradição dos anciãos’ que estipulavam os tipos de trabalho que eram proibidos no sábado. Esta era apenas uma das centenas de regras que os líderes judeus haviam acrescentado à lei do Antigo Testamento” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Volume 1. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, pp.514,515).

Subsídio:

O Mestre curou o paralítico, libertando-o igualmente das amarras religiosas da tradição dos judeus.

Texto Bíblico – João 5.1-15

INTRODUÇÃO

Seguindo sua trajetória ministerial, João informa que Jesus agora deixa a Galileia e “sobe” a Jerusalém (Jo 5.1). O evangelista ainda diz que havia uma “festa entre os judeus”. Apesar de o texto não informar a qual festa específica se faz referência, o fato relevante a ser destacado é que o Mestre não se isolava, antes, como já foi dito, ficava entre as pessoas, pois seu objetivo era libertar as pessoas, daí a necessidade de estar em contato com elas (Mc 3.7-12). Ele se retirava para períodos de oração e relacionamento particular com o Pai (Mc 1.35), mas sua prioridade era cumprir a missão que Deus O destinara (Jo 3.16,17; 9.4; 12.46,47). Além de ir à festa em Jerusalém, Jesus também foi a um local na cidade onde se concentrava uma grande multidão (Jo 5.3). E é justamente neste lugar que se passou o assunto da lição de hoje.


I. UM LOCAL DE SOFRIMENTO

1. A Porta das Ovelhas.
Muito provavelmente a primeira alusão à “Porta das Ovelhas” encontra-se no livro de Neemias, onde se lê “Porta do Gado” no texto da versão Corrigida e “Ovelhas” na versão Atualizada (Ne 3.1). Na realidade, as doze portas da cidade de Jerusalém possuíam nomes que as identificavam (Ne 3.1,3,6,13-15,26,28,29,31). O texto de Neemias informa que Eliasibe, sumo sacerdote, e seus irmãos, foram responsáveis quando da reedificação dos muros da cidade, por assentar e consagrar a Porta das Ovelhas. Estudiosos afirmam que essa Porta tinha esse nome por ser o principal acesso de passagem de ovelhas destinadas, por ocasião da Páscoa, ao sacrifício no Templo, daí o seu nome.

2. O Tanque de Betesda.
O quarto Evangelho informa que próximo a Porta das Ovelhas havia um tanque chamado Betesda que, em hebraico, significa “casa de misericórdia”. Neste local havia cinco pavilhões onde se encontrava uma multidão de pessoas enfermas (vv.2,3). Tal multidão aguardava o movimento das águas do referido tanque por um anjo que, acreditava-se, descia em determinado tempo e o primeiro que submergisse ficava curado de qualquer enfermidade (v.4). É óbvio que o processo de exclusão era imenso, aumentando o sofrimento deste local, pois certamente chegavam a cada dia mais e mais pessoas doentes, tornando a situação absurdamente crítica.

3. O paralítico.
A prova de que o sofrimento se prolongava neste local é o fato de Jesus ter, em meio à multidão de enfermos, se dirigido a um homem em particular e por um motivo específico — ele sofria há trinta e oito anos (vv.5,6). Certamente não havia apenas ele com necessidade, mas devido ao tempo de seu padecimento o Mestre o notou, destacando-o dentre a multidão.

Se no Tanque de Betesda, local de sofrimento, apenas o primeiro era agraciado, no Reino de Deus todos são abençoados pelo Senhor.

II. A CURA DO PARALÍTICO

1. A pergunta do Senhor.
Ao abordar o homem que padecia há trinta e oito anos, o Mestre o indagou acerca do seu interesse em ser curado (v.6). A pergunta pode parecer despropositada, mas revela o caráter didático não apenas da cura física, mas também psicológica, pois uma pessoa que padece há quase quatro décadas certamente “acostuma-se” ao sofrimento. Outro aspecto a ser destacado neste episódio é que conforme a própria Bíblia diz, a “esperança demorada enfraquece o coração” (Pv 13.12), e este homem provavelmente sentia-se, de forma justificável, desmotivado e deprimido.

2. A resposta do paralítico.
Alheio a quem era Jesus, a resposta do homem demonstra sua desesperança em relação à possibilidade de ele chegar ao Tanque ou de alguém ajudá-lo (v.7). Assim, a pergunta do Senhor não surpreende o homem, antes lhe oportuniza a possibilidade de exteriorizar seus sentimentos em relação ao seu estado. Na resposta é possível identificar que ele sente-se abandonado e, ao mesmo tempo, revela também o quanto o individualismo e o egoísmo imperavam naquele ambiente.

3. A cura.
Não obstante o homem estar alheio, naquele dia sua história seria radicalmente mudada, pois “Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma tua cama e anda” (v.8). Isso sim lhe causou surpresa, pois o desconhecido, sem rodeios, interjeições ou qualquer cerimônia, simplesmente ordenou que o paralítico levantasse, tomasse a sua cama e andasse! Numa fração de segundos o homem ficou completamente curado. Trinta e oito anos de sofrimento findaram em um instante, sem intervenção angelical alguma e sem sequer aproximar-se da água.

Talvez por conta dos trinta e oito anos de sofrimento o homem já tivesse perdido a esperança, entretanto, quando Jesus entra em cena, muda toda a situação.

III. A CONTROVÉRSIA POR CAUSA DO SÁBADO

1. O sábado como uma necessidade imprescindível e também um princípio.
Como todos os demais preceitos da Lei, o do sábado tinha um objetivo definido (Êx 20.8-11). O quarto mandamento do Decálogo visava preservar a saúde e a integridade da pessoa, coibindo a exploração e o abuso da força de trabalho tanto por parte do próprio indivíduo quanto por parte do patrão. Aliado a isso, Deus também consagrou esse dia como um período especial de adoração a Ele. Tomando o exemplo do próprio Criador, que realizou a obra da criação em seis dias e no sétimo “descansou” (Gn 2.2,3), o mandamento da guarda do sábado tinha o claro propósito de preservar a liberdade intrínseca do ser humano. A prova de que o sábado não era um “dia” específico e sim um princípio, pode ser vista em textos como de Levítico, por exemplo, quando Deus orientou aos israelitas que semeassem e colhessem durante seis anos, mas no sétimo, obrigatoriamente a terra deveria ter um “sábado de descanso” (25.2-5).

2. O sábado como uma forma de aprisionamento.
Lamentavelmente, assim como todas as demais coisas que o ser humano desajusta, com o sábado não foi diferente. De necessidade imprescindível e princípio de descanso, o sábado foi transformado em uma poderosa arma de opressão religiosa que intensificava ainda mais a aflição das pessoas que, além de sofrer com a carga de impostos que tinham de pagar ao império, ainda padeciam com o aprisionamento religioso (Mt 23.1-4,13-35). Não poucas vezes Jesus esteve às voltas com a questão do sábado (Mt 12.11,12; Mc 2.27,28; Lc 14.3-6; Jo 5.16,17; 7.21-24).

3. O milagre ignorado e a liberdade sob perigo.
O homem que padecera há trinta e oito anos obedecendo à ordem de Jesus levantou-se, tomou a sua cama e imediatamente partiu (v.9). Contudo, João observa que a cura deu-se num sábado. Tal observação se dá justamente para preparar os destinatários para a cena seguinte — o milagre completamente ignorado e a expressão fria da religiosidade representada pelos “judeus” que censuraram o homem por estar carregando sua cama em pleno sábado (v.10). A resposta do agora ex-paralítico revela implicitamente a autoridade de Jesus: “Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma a tua cama e anda” (v.11). Em termos simples, o que o homem quis dizer foi que se o “desconhecido” teve poder para curá-lo, depois de trinta e oito anos de sofrimento, certamente possuía autoridade para liberá-lo para carregar sua cama no dia de sábado. Evidentemente que, devido ao uso que os líderes religiosos faziam do preceito do sábado, alguém que ousasse desafiá-lo deveria ser identificado e, consequentemente, punido, daí a curiosidade em saber quem havia dito a ele para tomar a sua cama e andar (v.12). Todavia, a espontaneidade e a forma célere com que se dera a cura, bem como a rápida saída de Jesus do local, não proporcionaram ao homem saber quem era o Mestre (v.13).

O modo como o preceito do quarto mandamento foi distorcido revela o quanto os homens podem perverter algo que foi criado para o seu próprio bem.

CONCLUSÃO

João finaliza a narrativa da cura do paralítico do Tanque de Betesda falando de um encontro de Jesus com ele no Templo, quando então o Mestre disse-lhe: “Eis que já estás são; não peques mais, para que te não suceda alguma coisa pior” (v.14). Tal recomendação demonstra que Jesus conhecia aquele homem de forma sobrenatural, pois não apenas sabia que o paralítico padecera trinta e oito anos com aquela enfermidade, mas também conhecia a causa que o deixara naquele estado. Assim, Jesus o adverte a não mais incorrer nas mesmas práticas anteriores para que não acabasse ficando em uma situação pior que a que o deixara acamado por trinta e oito anos! Aparentemente o homem nada responde ao Mestre, mas finalmente descobre quem era Jesus e vai até aos judeus anunciar (v.15).


Sugestão leitura:


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho


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