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segunda-feira, 30 de abril de 2018

4 Peculiaridades do Livro de Jonas

AS PECULIARIDADES DO LIVRO DE JONAS

O livro de Jonas tem algumas características peculiares:

EM PRIMEIRO LUGAR, ele é mais um relato histórico do que uma profecia. O livro é mais uma narrativa da experiência do profeta Jonas do que oráculos divinos pregados pelo profeta Jonas. Os demais profetas falam da parte de Deus ao povo em vez de contarem sua própria experiência. Há muito se observa que o livro de Jonas é notadamente diferente das outras obras que compõem os profetas menores. Enquanto elas se concentram basicamente nos dizeres dos profetas, o livro de Jonas trata dos acontecimentos em torno da missão do profeta e contém apenas um brevíssimo registro de seus pronunciamentos.

EM SEGUNDO LUGAR, ele é o único profeta especificamente comissionado a pregar aos gentios. Esse é o grande livro missionário do Antigo Testamento, diz Charles Feinberg. Jonas, um nacionalista zeloso é chamado por Deus e enviado a Nínive, uma grande cidade para proclamar contra ela. Nínive, mencionada pela primeira vez em Gênesis 10.11 era a antiga capital do Império Assírio. Situava-se na margem oriental do rio Tigre. Senaqueribe fê-la a capital da Assíria e os Medos e Persas a destruíram em 612 a.C. Nínive era a maior cidade do mundo daquele tempo (3.2,3; 4.11). Os pecados dos pagãos sobem até o céu e ofendem a Deus. Mas, o amor de Deus pelos pagãos desce até a terra e Deus envia a eles um mensageiro para anunciar-lhes sua Palavra. Jerónimo Pott diz que o propósito do livro de Jonas é ensinar que a providência e o cuidado de Deus não se limitam a Israel, mas se estendem também aos gentios.

EM TERCEIRO LUGAR, o livro de Jonas termina com uma pergunta retórica. Somente Jonas e Naum terminam suas profecias com uma pergunta retórica de Deus e curiosamente ambos os profetas profetizaram a Nínive, capital da Assíria. A pergunta registrada em Jonas revela a misericórdia de Deus e a pergunta registrada em Naum revela a sua justiça.

EM QUARTO LUGAR, o livro de Jonas descreve o maior protótipo da morte e ressurreição de Cristo no Antigo Testamento. A experiência vivida por Jonas três dias e três noites no ventre do grande peixe foi um sinal da morte e ressurreição de Cristo (Mt 12.38-40). Assim como a experiência de Jonas abriu-lhe a porta para anunciar aos pagãos a Palavra de Deus, a morte e a ressurreição de Cristo é o alicerce da nossa redenção. O livro de Jonas oferece-nos um protótipo das duas mais importantes doutrinas do Cristianismo: a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo.
Selo postal israelense com citação de Jonas 4:8. 
“e o sol lançou seus raios na cabeça de Jonas.” 
Pinturas baseadas em tópicos do livro do profeta, 
capítulos 1 e 4. 21 de agosto de 1963, 
idiomas hebraico e francês. 'Wikipédia'

Autoria: Evangelista Rodrigo Alex 

Forte e e fraterno abraço ao grande amigo em Cristo.
Irmão Rodrigo Alex obrigado pela permissão desta publicação.

Livro do Profeta Jonas - Um Tesouro Bíblico para a Humanidade!

Autoria do Livro: Jonas 1:1 - expõe o profeta Jonas como o autor do Livro.

Escrito em: Provavelmente escrito entre 793 e 758 A.C.



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"Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém." 
Romanos 11:36

Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 6 de junho de 2017

Os falsos Profetas e seus frutos

“Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos” Mc 13.22

“Os Verdadeiros Profetas e os Falsos Profetas (7.15-23)
A advertência de Jesus sobre os falsos profetas tem uma lição oportuna para a igreja atual. Só Mateus registra a advertência sobre os falsos profetas que são lobos vestidos (endyma) como ovelhas (probaton). Estas duas palavras fazem parte do vocabulário preferido de Mateus: Ele usa o termo endyma para dizer que as roupas são necessidade básica (Mt 6.25,28) e para identificar especificamente as pessoas que usam vestuário exclusivo como parte do Reino de Deus (Mt 3.4; 22.11,12; veja também Mt 28.2,3); ele usa o termo probaton para descrever os eleitos ou o povo de Israel (e.g., Mt 10.6; 15.24; 25.32,33). Neste ponto Jesus enfatiza que às vezes os falsos profetas não podem ser discernidos só por palavras ou ações. Embora façam grandiosos milagres (Mt 7.22), podem ser falsificações.
O Evangelho de Mateus torna o fruto dos profetas a verdadeira prova de tais ministérios. O caráter é essencial. O evangelista comenta muitas vezes o tema de árvores boas e ruins e seus frutos; seu interesse em produzir justiça o compele a repetir o tema. [...] Em Mateus 12.33,35 Jesus une a acusação dos fariseus (de que Ele faz o bem pelo poder do mal) com dar maus frutos e a chama de blasfêmia contra o Espírito Santo” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal:Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.61).

Os frutos, e não a retórica, são os sinais de que alguém é, ou não, profeta de Deus.

Há quem pense e imagine que a existência de falsos profetas entre o povo de Deus é fenômeno recente. No entanto, uma rápida pesquisa demonstra não apenas que eles sempre existiram, mas deixa claro que, no Antigo Testamento, o Senhor, por intermédio de Moisés, estipulou regras claras para se identificar um falso profeta (Dt 13.1-3; 18.20-22). Os próprios profetas também se viram às voltas com os falsos profetas e, por isso mesmo, ofereceram regras para se crivar e verificar a autenticidade de alguém que dizia falar em nome de Deus (Is 8.19,20; Jr 28.9). Nos dias de Jesus e dos apóstolos esta advertência também se mostrou necessária (Mc 13.22,23; 2Pe 2.1-3). E em nossos dias, será que não precisamos estar atentos por causa dos que querem enganar em nome de Deus? A fórmula para se identificar os falsos profetas no passado continua a mesma. Não são os prodígios, os sinais e as maravilhas que eles supostamente realizam que os credencia como profetas do Altíssimo, mas sim a fidelidade ao Senhor e à sua Palavra. De igual forma, é preciso evitar o outro extremo que é justamente não acreditar na operação divina por causa dos que enganam. O ideal é conhecer a Escritura e também o poder de Deus (Mt 22.29).

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ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Apesar de não ser biblicamente recomendável, até mesmo entre os que servem a Deus existem espécies de “fã-clubes”. Há alguns que são tão fanáticos pelo “ídolo” gospel que chegam a digladiar-se até mesmo entre si. Existem outros que não suportam uma única observação bíblica que, de forma sadia, poderia corrigir a postura não apenas deles, mas igualmente da pessoa que eles admiram. Com esta informação em mente, solicite à classe que abra a Bíblia em 1 Coríntios 1.12,13. É possível identificar quatro grupos principais: Paulo, Apolo, Cefas (Pedro) e “Cristo”. Esses grupos organizavam-se como verdadeiros “fã-clubes”, admirando a teologia elaborada por pessoas que tinham em cada um desses representantes quem elas mais admiravam. Não era apenas uma identificação, mas eles achavam-se superiores em relação aos outros. Uns viam Paulo, como um grande ensinador, Apolo como um grande pregador, Pedro como um grande pastor e um quarto grupo que se achava piedoso por seguir apenas “Cristo”. Entretanto, Paulo os adverte como “carnais” (1Co 3.1-4) e questiona: “Está Cristo dividido?” (1Co 1.13). Se o Corpo de Cristo é um só, como pode haver divisões? Depois de orientá-los acerca do cuidado com este tipo de postura de “fã-clube”, encerre dizendo ser incorreto haver desavenças por causa disto.

TEXTO BÍBLICO:  Mateus 7.15-20

15 — Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 — Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 — Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.
18 — Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons.
19 — Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
20 — Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

INTRODUÇÃO

Prática que é, a justiça do Reino não admite palavras sem coerência com as ações. Por isso, o Mestre avança em sua conclusão do Sermão do Monte expondo agora uma maneira para se reconhecer os falsos profetas (Mt 7.15-20). Não são suas credenciais, nem sua capacidade de oratória que revelam quem eles, de fato, são. Jesus apresenta os sinais inequívocos para se identificá-los e reconhecê-los. Tal atitude do Mestre deve ser urgentemente observada nos dias atuais, pois não são poucos os enganadores que usam, indevidamente, o nome santo do Senhor sem ter, entretanto, compromisso algum com Ele.

I. OS FALSOS PROFETAS E SUA ATUAÇÃO

1. Perturbadores antigos.
Estar à volta com pessoas que pretendiam manipular — sob o manto de uma falsa espiritualidade — é uma luta constante dos verdadeiros profetas de Deus. Desde o Antigo Testamento, o povo de Deus sofre com a atuação dos falsos profetas (Nm 22.1-24.25; Mq 3.5; Jr 23.9-32). Ao se estudar o texto bíblico facilmente se verifica que este é um dos grandes males que sempre assolou o povo de Deus. No Novo Testamento há vários exemplos. Um deles, cuja medida, aparentemente, radical adotada por Paulo para erradicá-los na Ilha de Creta chama a atenção. Para lá o apóstolo dos gentios enviou Tito com a finalidade de colocar em ordem as coisas que ainda faltavam ser ajustadas, separar pessoas para auxiliar na realização da obra de Deus, mas também coibir a atuação dos maus obreiros e falsos profetas, “tapando-lhes a boca” (Tt 1.5-11), isto é, tirar-lhes a oportunidade de usar a palavra na igreja. Ao se observar o texto bíblico, é possível verificar que os maus obreiros estavam agindo motivados por “torpe ganância”, ou seja, por dinheiro (Tt 1.11). Assim, o que parece ser, à primeira vista, uma medida implacável é, na realidade, um ato de amor, pois o apóstolo dos gentios tinha como objetivo, não meramente repreendê-los de forma severa, e sim torná-los “são na fé” (Tt 1.13).

2. Lobos devoradores.
A metáfora utilizada pelo Mestre ao dizer que os falsos profetas são lobos devoradores que se vestem de ovelhas, é exclusividade dEle registrada por Mateus (v.15). Contudo, a figura do “lobo” é uma imagem usual na Bíblia para exemplificar pessoas mal-intencionadas (Ez 22.27; Sf 3.3; Mt 10.16; Lc 10.3; At 20.29). Ao despedir-se dos anciãos da Igreja em Filadélfia, falando particularmente aos responsáveis por aquele rebanho, Paulo afirma que nunca deixou de pregar e ensinar o que Deus lhe entregava para que dividisse com aquela congregação, e que depois de sua partida “lobos cruéis” se infiltrariam na igreja e não perdoariam o rebanho, ou seja, os devovariam (At 20.17-38). Infelizmente, em nossos dias, a realidade parece não ser muito distinta.

3. A introdução dos lobos entre as ovelhas de Deus.
Provavelmente por ser um animal dócil e de fácil domesticação (2Sm 12.3), tanto a ovelha como o cordeiro são utilizados para exemplificar o povo de Deus (Sl 74.1; 78.52; 79.13; 119.176; Is 13.14; 40.11; Jr 12.3; Ez 36.37,38; Am 3.12; Mq 2.12; Zc 11.16; 13.7; Mt 18.11,12; 25.1-3 etc.) e até o próprio Mestre (Is 53.7). Por isso, Jesus observa de forma preventiva o ardil do falso profeta (v.15). Uma vez que o Senhor está em busca das ovelhas perdidas (Is 53.6; Jr 50.6; Zc 10.2,3; Mt 9.36; 10.6; 15.24; Jo 10.16; 1Pe 2.2), e incumbe os discípulos de darem continuidade a essa missão, é fato que o melhor disfarce de um falso profeta para introduzir-se entre o rebanho é se passar por ovelha.

É imprescindível não perder de vista o fato de que os lobos devoradores não se apresentam assim, mas fingem-se de dóceis ovelhas.

II. IDENTIFICANDO OS FALSOS PROFETAS

1. A metáfora dos frutos.
A utilização da ideia de “frutos” como exteriorização do caráter, ou resultado final das ações, é um recurso comum desde o período do Antigo Testamento (Pv 1.31; Is 3.10; Jr 17.10; Os 10.13 etc.).

2. A figura das árvores boas e más.
De igual forma, a tipificação de árvores boas e más como figuras das pessoas, é igualmente uma maneira didática utilizada para exemplificar o caráter, o resultado das ações ou ainda o ressurgimento ou extinção de um reino ou nação (Gn 49.22; Sl 37.35; Pv 11.30; 13.12; 15.4; Ct 2.3; Is 7.2; 10.33; 44.23; 55.12; 56.3; 65.22; Jr 11.19; 17.8; Ez 17.24; 31.1-18; Dn 4.1-37; Zc 11.2; Mt 3.10, etc.).

3. Identificando os falsos e os verdadeiros profetas.
Sendo os frutos utilizados como metáfora para identificação do caráter de alguém, após dizer que é justamente por eles que se pode identificar os falsos profetas (vv.16a,20), o Mestre questiona: “Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (v.16b). Aprofundando sua advertência, Jesus lança mão tanto da figura da árvore má para exemplificar os falsos profetas e, ao mesmo tempo, deixa uma “pista” para se reconhecer os verdadeiros profetas, ou seja, a figura da árvore boa. O Mestre assim o faz porque cada árvore só pode gerar frutos segundo a sua própria espécie e natureza (vv.17,18). É interessante lembrar que no Antigo Testamento também havia uma forma de identificar o falso profeta (Dt 13.1-5). É preciso notar que não era simplesmente o fato de que o tal profeta fizesse algum sinal miraculoso, ou mesmo um prodígio, o que valeria como forma de reconhecê-lo como um verdadeiro profeta, antes, a sua devoção, respeito e reverência a Deus é o que contavam. O Senhor até advertiu o povo dizendo ser permissão dEle que o tal prodígio se concretizasse para saber se o povo realmente era fiel a Ele. Em outro texto, uma forma diferente de identificação do falso profeta dizia respeito à profecia como predição. Se o que o tal profeta dissesse não se cumprisse, ele era considerado falso (Dt 18.20-22).

Saber distinguir entre a avaliação dos frutos, para identificar os falsos profetas, e o julgamento definitivo que só pertence a Deus, também faz parte da maturidade da fé.

III. O DESTINO DOS FALSOS PROFETAS

1. O dever de gerar bons frutos.
A árvore boa tem o dever de gerar bons frutos (Lc 3.8-14), pois essa é a sua natureza. Não basta ter folhas (aparência), e não gerar bons frutos (obras/ações); é preciso que aqueles que abraçaram o Evangelho de Cristo demonstrem isso de forma concreta e visível (Mt 21.18-20 cf. Mt 3.8-10).

2. A prática que desvirtua.
O fruto exemplificado como ações e práticas diz muito da preocupação do Mestre, pois o mau exemplo “ensina” mais eficazmente que as palavras (Mt 23.1-39). Aos que, porém, se dedicam com amor e compromisso a essa atividade, há uma linda promessa (Dn 12.3).

3. O destino da árvore que não produz bons frutos.
A sentença do Mestre aos que não produzem bons frutos lembra a mensagem de João Batista (v.19 cf. Mt 3.10). O destino final será o juízo da condenação eterna, pois diferentemente da figueira condenada pelo Mestre, a pessoa que conhece o Evangelho e, ainda assim, decide produzir frutos maus, é inteiramente responsável pela sua condenação (Mt 25.41-46 cf. Mt 13.40-42).

O destino de cada pessoa que tem oportunidade de obedecer ao Evangelho, pois o conhece, e não o faz, é de inteira responsabilidade dela.


CONCLUSÃO

O alerta do Mestre é válido para todos os seus seguidores em qualquer tempo e em qualquer lugar, pois enquanto estivermos vivendo sob o regime desse mundo pecaminoso, estamos sujeitos a ser enganados pelos falsos profetas. Portanto, atentemos para a fórmula ensinada pelo Senhor para os identificarmos, pois ela continua válida.


SUBSÍDIO
“Falsos Profetas (7.15-20)
Jesus teve que advertir os seus discípulos contra aqueles vestidos como ovelhas. Eles ajuntariam o rebanho de crentes, como se fossem um com eles, mas interiormente (15) seriam lobos devoradores. A igreja de Jesus Cristo tem sido afligida por esses falsos profetas ao longo de toda a sua história. Eles às vezes têm feito muito para destruir o rebanho. Como podem ser reconhecidos? Por seus frutos os conhecereis (16).
Cristo usou a analogia de vinhas e árvores frutíferas. Cada uma produz seus próprios frutos. Se a árvore for má, os frutos serão maus. O inverso também é verdadeiro. A árvore que não produz bons frutos corta-se e lança-se no fogo. Esta é uma advertência solene. Aqueles que não estão produzindo bons frutos não pertencem a Cristo (19)” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).



Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 


Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

A Lembrança da Essência da Adoração: A Denúncia de Miqueias

“Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça, e ames a benignidade, e andes humildemente com o teu Deus?” Mq 6.8

O papel do profeta foi algo fundamental para o desenvolvimento da fé judaica no Antigo Testamento. A imagem de homens impulsionados por uma revelação divina e que por meio dela falavam de maneira audaz à sua geração é corriqueira nas páginas da Escritura. Grande parte dos profetas foram homens de ministério itinerante, por isso pouco sabemos sobre os discursos e pensamento da maioria deles; a exceção dessa constatação histórica são os profetas cuja trajetória e palavras foram preservados no interior do cânon sagrado. Além dos que possuem maior destaque literário – Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel – existe outro conjunto de profetas (em número de doze) cujos discursos foram minimamente preservados, sendo possível uma análise de contexto histórico e do seu objetivo ministerial.
Sobre o papel do profeta no contexto do Antigo Testamento, corroboramos com o ponto de vista de Suaiden, segundo a qual:

A atividade dos profetas críticos em Israel se nutre do projeto tribal e da teologia do Êxodo. Os profetas do século VIII a.C. foram a maior expressão da crescente resistência popular em Israel. Entre os profetas bíblicos, temos Miquéias e Isaías no sul e Amós e Oséias com atividade no norte. A função social dos profetas bíblicos era fazer o discernimento das estruturas que levavam o povo à vida e daquilo que o levava à morte e, portanto, ao afastamento do projeto de Iahweh (denúncia/anúncio). Para fazer a crítica estrutural da sociedade, o profeta tinha uma visão de conjunto da sociedade nacional e internacional (Am 1-2). Um de seus recursos era o resgate da memória histórica do povo, sobretudo os eventos do Êxodo (Mq 6 3-5). A partir daí, ele interpretava o presente em função da utopia de libertação, defendendo e propondo uma sociedade utópica, construída sob novas relações humanas, econômicas, sociais, políticas e religiosas, cujo modelo concreto era a sociedade tribal. Isso fazia com que a mensagem dos profetas estabelecesse a necessária crise no meio do povo. Daí, profetas críticos! (SUAIDEN, 2012, p.71)

Dentre os denominados “profetas menores” encontra-se Miqueias.

Personagem central na profecia que carrega seu nome, ele, e especialmente seu ministério profético na sua correlação com os fundamentos do louvor e da adoração, serão o objeto de nossa reflexão neste capítulo.

Miquéias falando ao Povo - pintura de Gustave Doré
MIQUEIAS: Dados Biográficos e Informação sobre o contexto Histórico

Presumindo-se que o texto da profecia de Miqueias de fato expõe muito de seu contexto histórico, o qual será extremamente útil para a compreensão do conteúdo das profecias ali apresentadas, é imprescindível uma reflexão sobre esse período que é retratado no interior dessa profecia.

Se levarmos em consideração que o ministério de Miqueias teve cerca de quarenta anos de duração (STURZ, 2001, p.160) e que ele foi contemporâneo de Isaías, a data mais consensual entre os especialistas para marcar o limite inicial de sua profecia é 722 a.C.. Ao que tudo indica, Miqueias era um cidadão de vida simples, provavelmente morador da zona rural, e desta forma, conhecedor dos sofrimentos e limitações de grande parte da população.

Politicamente, Judá – para quem a profecia de Miqueias se remete em maior parte –, está autônoma e estruturada sobre a liderança de líderes locais que enriquecem de modo repentino em virtude do declínio das nações opressoras (Assíria, Babilônia e Egito) a volta de Judá.

Esse “pax assyríaca” durou pouco, pois ainda durante o governo de Ezequias, e quase dez anos após a invasão e derrocada de Samaria (722 a.C.), Judá é subjugada pelo agora poderoso e fortalecido Império Assírio, cuja impiedade para com seus povos conquistados tornou-se historicamente notório, (Autores como Mario Liverani chegam a afirmar que as cifras dos sobreviventes deportados de Samaria e Jerusalém chegavam a impressionantes 40 mil e 200 mil respectivamente.)

Com relação a esse conturbado contexto político-social do período histórico que abarca a profecia de Miqueias, afirma Peisker:

Era natural de Moresete, cidade situada nos contrafortes de Judá a uns 32 quilômetros a oeste de Jerusalém, na extremidade da planície marítima, entre as montanhas de Judá e a Filístia junto ao mar. Ainda que a região fosse fértil e bem provida de água, lugar de plantações, pomares de olivas e pastos, os agricultores, entre os quais Miqueias fora criado, quase sempre estavam em dificuldades econômicas. Oprimidos pelas dívidas, eram forçados a hipotecar suas propriedades aos ricos de Samaria e Jerusalém, os quais lhes desapropriavam as terras. Assim, se tomavam arrendatários de fazendas, oprimidos por senhores gananciosos e insensíveis. Esta exploração dos pobres foi, aos olhos de Miqueias, um dos crimes mais hediondos de seus dias, e ele bravamente denunciou estes exploradores (2.2).

O mundo de Miqueias estava em revolução. E o profeta estava ciente da situação agourenta. Ele morava numa região de aldeiazinhas afastada das atividades políticas das capitais, mas era o seu vale amplo e aberto que tinha de suportar o ímpeto do ataque do invasor que empreendesse conquistar Judá. Foi por isso que ele viu e sentiu os terrores da catástrofe espantosa de seu mundo.

O meio século de segurança e prosperidade desfrutado pelo Reino do Norte terminou com a morte de Jeroboão II e o avanço dos assírios em direção oeste. Damasco, capital da Síria, caiu em 731 a.C. (2 Rs 16.9). Samaria, capital de Israel, foi vencida em 721 a.C. pelos exércitos assírios sob as ordens de Salmaneser e Sargão (2 Rs 17.5,6). A queda da capital do norte deixou Jerusalém e a amada região rural de Miqueias expostas aos inimigos que destruíam tudo o que encontravam pela frente em sua determinação rumo ao Egito. O profeta deve ter sofrido uma angústia de espírito indescritível quando viu o rei Senaqueribe invadir Judá e, em 701 a.C., armar o cerco de Jerusalém (2 Rs 18.13-9.37).

A impiedade predominante e a deterioração calamitosa contra Israel e Judá não levaram Miqueias ao desespero. Ele sabia muito bem que a última palavra não seria dada pelos usurários cruéis que mantinham a ele e seus vizinhos em escravidão, nem mesmo seria dos insensíveis reis pagãos e seus exércitos que arbitrariamente causavam devastação por todo o mundo do profeta. Miqueias esperava uma nação purificada e restaurada. (Armor D. Peisker - Comentário BEACON vol.5 pg.167,168)

Nada justifica a opressão ou exploração de uma pessoa por outra. Todo sacrifício feito à custa do sangue e lágrimas de outrem é abominação. A adoração torna-nos mais justos e bondosos.

INTRODUÇÃO
O profeta Miqueias, não era um simples religioso de sua época. Ele foi um homem comprometido com a luta contra as desigualdades e abusos dos poderosos sobre os mais frágeis em sua comunidade. Para este profeta, como deve ser para todos nós, era impossível defender um real avivamento que, além de transformações espirituais, também não causasse mudanças nos paradigmas sociais. A adoração naquela época — isto é, durante os reinados de Jotão, Acaz e Ezequias (1.1) — ganhou nova centralidade. Os cultos foram reestabelecidos, sacrifícios passaram a ser cerimonialmente apresentados, todavia, ainda havia corrupção e injustiça entre o povo (2.1,2). Havia certo pessimismo no coração de Miqueias com relação ao povo e o seu relacionamento com Deus (1.9).

“Miqueias profetizou nos dias dos reis Jotão, Acaz e Ezequias em Judá (Mq 1.1) e dos reis Pecaías, Peca e Oseias em Israel (2Rs 15.23-30), e sua mensagem era tanto para Judá quanto para Israel (Mq 1.1-9). Ele predisse o cativeiro do povo do Reino do Sul e do Reino do Norte. Viu a queda de Samaria pela Assíria e a queda de Jerusalém pela Babilônia”.

Será que nossa geração está seguindo esse mesmo caminho? Vamos pensar a esse respeito na aula de hoje.

I. MIQUEIAS E SUA DENÚNCIA PROFÉTICA

1. O perfil de um adorador.
As informações biográficas a respeito deste profeta são muito escassas. Além de seu próprio texto, temos na profecia de Jeremias um registro sobre o seu ministério (Jr 26.18,19). Tanto pelo contexto mais amplo da profecia de Miqueias, como pela sucinta citação de Jeremias, pode-se inferir que ele tinha como tônica central de seu ministério o desenvolvimento de uma fé viva, a qual deveria romper com o modelo vigente, onde sacerdotes e profetas realizavam seus ministérios conforme o pagamento que recebiam (Mq 3.5,11). A cidade de onde Miqueias é oriundo, Moresete, não possui sua identificação geográfica clara, mas provavelmente é um povoado da zona rural próximo a Filistia. Se levarmos em conta esta possibilidade, Miqueias seria um homem humilde, do contexto campestre, que anunciava a vontade de Deus na mesma época do palaciano profeta Isaías (Is 6.1).

2. O contexto sócio-religioso da comunidade de Miqueias.
As palavras do profeta são contra Jerusalém e Samaria (1.5), apesar do profeta concentrar-se mais na denúncia da situação espiritual do Reino do Sul (3.1). Mesmo diante do avivamento experimentado pelo povo de Deus durante o reinado de Ezequias (2Cr 29-31), havia um conjunto de pecados que sistematicamente desenvolviam-se naquela comunidade: os ricos estavam perversamente explorando os mais pobres (6.12-15). Os profetas não denunciavam as mazelas sociais, antes, por suborno que recebiam, anunciavam uma falsa paz (3.5-12). Havia idolatria e práticas religiosas reprovadas por Deus (5.12-15); o cerimonialismo legalista também era um desafio a ser superado naquela comunidade (6.6,7). Em meio a todo esse contexto paradoxal (avivamento X pecaminosidade, justiça divina X injustiça humana), o Senhor continuava atraindo e pacientemente esperando uma mudança de comportamento do povo (6.8,9).

3. A profecia de Miqueias.
As palavras de Miqueias são, literalmente, revelação àquela comunidade. O profeta “tira o véu” que tenta esconder a condição deplorável que os mais pobres estavam vivendo naquele contexto (3.1-4). Revela ainda os efeitos imediatos que sobreviriam sobre àquela sociedade em virtude do conjunto de opressores (3.12), e os efeitos a longo prazo que repercutirão naquela sociedade, tanto as repreensões (4.10-12) como as restaurações (5.2-4). O esforço do profeta está em denunciar as condutas pecaminosas que foram normalizadas entre os filhos de Israel (7.2), e propor uma mudança radical de comportamento que espelhe a natureza graciosa e justa do Senhor. Segundo a perspectiva defendida por Miqueias, o verdadeiro avivamento traz a presença de Jeová para o meio do seu povo, para que este povo possa revelar ao mundo a presença de Deus por meio de atos de justiça social.

II. A ESSÊNCIA DA ADORAÇÃO SEGUNDO MIQUEIAS (6.8)

1. A adoração conduz a bondade.
É impossível que aquele que conhece a Deus permaneça deliberadamente numa vida de maldade, pois o pecado não o domina mais (Rm 6.14), tendo sido afastado de nós (Sl 103.12). Não fazemos boas obras para sermos salvos, todavia, uma vez íntimos do Pai, inevitavelmente espelharemos o seu caráter por meio das boas ações que realizaremos (2Ts 3.13). A crueldade não pode ser um atributo daqueles que se declaram adoradores do Senhor, João deixa isso bastante claro em 3 Jo 1.11 (Amado, não sigas o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; mas quem faz o mal não tem visto a Deus.). Se é para a glória de Deus que realizamos uma determinada ação, esta não pode ter como meio a violência, opressão ou mentira (Cl 3.9), e seu fim não pode ser a inveja, competição ou vanglória (Fp 2.3). Se de fato adoramos a Deus, a bondade é o fundamento de nossa vida (Cl 3.12; Rm 15.14). Uma vez que a adoração nos aproxima de Deus, ela também nos afasta do mal e atrai-nos para o bem (Pv 14.22).

2. A justiça como fruto da adoração.
Miqueias chocou-se com a cumplicidade e com a injustiça que imperavam entre aqueles que se declaravam povo de Deus (3.9). Contudo, ele, como profeta do Senhor, proclamava em alto e bom som a justiça (3.8). Aquele que adora a Deus ama a justiça porque o Senhor a ama também, assim como ao homem justo (Sl 11.7; 33.5; 146.8). A justiça é parte integrante da natureza de Deus, por isso a sua observância jamais vai contrariar o coração de Deus; assim sendo, cuidado, não confunda justiça com legalismo-formalismo. Nosso critério de justiça não é nossa constituição — esta é a base de mediação de nossas relações civis —, mas sim a Escritura. Enquanto aqueles que não conhecem a Deus associam o conceito de justiça a leis e punições, nós devemos defender um tipo de justiça que se alinhe mais com o amor e a misericórdia.

3. Louvar a Deus torna o nosso coração humilde.
Sentimentos como autossuficiência e exaltação tendem a ser próprios daqueles que estão longe do amor de Deus, e essa era a situação deplorável dos contemporâneos de Miqueias (2.1; 3.9). Uma vida de adoração torna-nos absolutamente conscientes de nossas finitudes, diante da grandeza do Deus a quem adoramos somos confrontados com uma verdade eterna: somos limitados e fracos, Deus é quem nos fortalece (2Co 2.19; Is 40.29,30; Ef 6.10). A soberba da geração de Miqueias expunha o quão longe do Senhor eles estavam; de nada serviam os sacrifícios e cerimoniais que faziam (6.6,7). A arrogância deles era um prenúncio de sua queda iminente (Pv 16.18). A verdadeira adoração conduz-nos a mesma postura do publicano da célebre parábola de Jesus (Lc 18.10-14). Não existe adoração sem quebrantamento.

III. DE FATO SOMOS ADORADORES?

1. A Igreja e a justiça social.
A Igreja de Jesus Cristo não deve se esquecer de que precisa também socorrer aqueles que têm necessidades. Em momentos, como o que estamos enfrentando, em que a desigualdade social é manifestada nacionalmente, devemos nos posicionar não apenas falando de Jesus para a nossa sociedade, mas também estendendo as mãos para que possamos ver mais justiça social de acordo com o que Deus planejou.

2. Somos cristãos ou consumidores de religiosidade?
O marketing religioso é um campo em amplo crescimento no mundo dos negócios. Infelizmente, para algumas igrejas, desenvolver uma comunidade de adoradores não é mais o foco; aspira-se um mercado consumidor, por isso há todo um “portfólio” de opções para atrair novos “clientes”. A Igreja não pode se esquecer de que o foco é Jesus. Como arautos do Senhor, precisamos pregar a Palavra de Deus com responsabilidade. Isto implica discipular pessoas, ensiná-las a se relacionarem com Deus. É preciso mostrar que diferente do que o mundo tenta fazer em alguns ambientes de adoração que recorrem as regras de mercado para atrair pessoas, a Igreja não forma consumidores em busca de entretenimento, e sim ovelhas que obedecem a Deus.

3. O mais importante não é o que temos, mas o que somos.
Os ricos opressores do contexto histórico de Miqueias, queriam justificar sua opulência como derivada da bênção de Deus (3.11). Na verdade eles tinham muito em virtude da opressão e exploração dos mais frágeis.
Desenvolvamos nossa viva fé como um instrumento de adoração a Deus que nos torna mais humanos, irmãos uns dos outros, filhos de Deus. Se o Senhor abençoar-nos com riquezas, o fará por meio da justiça e da verdade (Sl 112.1-10).

Nossa experiência de fé tem de fato tornado-nos pessoas com valores e princípios diferentes daqueles que estão estampados no mundo, ou tudo o que vivemos é uma adaptação religiosa da lógica perversa e perniciosa do mundo que nos cerca?


CONCLUSÃO
Assim como na época de Miqueias necessitamos urgentemente de um avivamento. Contudo, esse movimento não pode reduzir-se apenas a um conjunto de práticas religiosas, antes deve contemplar a totalidade de nossos papéis e relacionamentos. Deste modo, uma Igreja avivada segundo a vontade de Deus, imprescindivelmente colaborará para uma sociedade melhor.


SUBSÍDIO
“Miqueias expõe os falsos profetas pelo que realmente são. Afirma que suas visões serão tiradas. Os que, por dinheiro, deram orientações errôneas às pessoas serão abandonados em suas próprias ilusões sombrias. Pelo fato de eles mesmos estarem na noite espiritual, não poderiam fazer predições ou tornar a vontade de Deus conhecida. Em consequência disso, as trevas espirituais infestarão toda a nação. Elas caem sobre todo homem, ou grupo de pessoas, que, por fins ignóbeis e egoístas, fecham os olhos à verdade. Agir irresponsavelmente com a justiça, faz os homens perderem todo o senso de princípio; ‘direitos’ e ‘deveres’ tornam-se meras palavras (ver Mt 7.22,23; 1Jo 1.7). É muito ruim estar sob o governo de líderes que não temem a Deus, mas é pior ser guiado por falsos mestres. Jesus falou sobre eles quando se referiu a cegos que guiam cegos (Mt 15.14) e mencionou a necessidade de andarmos na luz para que não sejamos surpreendidos (Jo 12.34-36). Se por um ganho monetário ou por outro motivo vil, os líderes da igreja torcem o Evangelho, quando as pessoas lhes pedem conselhos, não têm a resposta do Senhor para dar. E como são densas essas trevas! (Mt 6.19-23; cf. Is 5.20,21)” (Comentário Bíblico Beacon. Oseias a Malaquias. Volume 5, 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.180).

Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Comentário BEACON vol.5 - Oséias a Malaquias - CPAD
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Primeiras Profecias Messianicas

“Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Is 9.6



O capítulo 7 do livro de Isaías dá início a uma sequência de profecias que seguem até o capítulo 12. Esse bloco de sequências pode ser chamado de “O livro do Emannuel”, pois esses capítulos narram as primeiras profecias que Isaías, impelido pelo Espírito Santo, proclamou acerca do Messias. Sendo assim, é importante destacar alguns aspectos do contexto em que o profeta Isaías estava inserido, durante o tempo em que ele anunciava a vinda do Messias.

Após passar por uma forte e gloriosa experiência que impactou completamente a sua vida ministerial (Is 6.1-13), Isaías, o profeta do julgamento e da esperança, decidiu obedecer ao chamado que recebera de Deus e passou a anunciar a sua palavra com ousadia e temor. E com esse ímpeto que vemos o profeta atuando a partir do capítulo 7. Nesse trecho, Isaías é mandado por Deus para falar com Acaz, atual rei de Judá daquela época e sucessor de seu pai Jotão e neto de Uzias. Esses dois foram bons reis para Judá (2 Cr 26.1-4; 2 Rs 15.33-34), porém Acaz não tinha confiança no Senhor, chegando a oferecer vários sacrifícios para deuses pagãos. Dentre os tais, deu os seus próprios filhos para serem queimados como oferta (2 Cr 28.3; 2 Rs 16.3).

O profeta Isaías fala do Messias como uma grande luz que dissiparia as trevas.

I - CONSOLO AO POVO SOFREDOR
Conforme Deus ordenara, Isaías foi encontrar-se com o rei Acaz, levando consigo o seu filho Sear-Jasube, cujo significado é “um resto voltará”. De acordo com o texto, o cenário político de Judá, a essa altura, não era dos melhores, pois a cidade estava prestes a ser tomada pelas forças aliadas de Rezim, rei da Síria, e Peca, rei de Israel. Esses líderes tinham como objetivo principal forjar uma aliança com Judá para combater as forças assírias que estavam se expandindo rapidamente e ameaçavam se tomar um império. Portanto, seria necessário, primeiramente, destronar Acaz, rei de Judá, e colocar um rei “fantoche” que favorecesse a aliança que aqueles reis tanto desejavam. Conforme se encontram registradas nas narrativas de 2 Crônicas 28, Judá já havia sofrido baixas que geraram medo no seio dos habitantes, e era assim que Acaz também se encontrava, conforme a narrativa bíblica: “moveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento” (Is 7.2).


Apesar de ter conhecimento dos cultos idólatras do rei de Judá, Deus, num ato de misericórdia, ordenou ao profeta Isaías dizer a Acaz que ele não estremecesse o seu coração com pavor dos inimigos que os cercavam. Pelo contrário, o rei só precisaria aquietar-se e confiar em Deus, pois Ele não deixaria o mal cair sobre o seu reinado. E como prova de que tais promessas vinham da parte do Senhor, foi dada a chance a Acaz de pedir um sinal que comprovasse a veracidade da palavra, conforme veremos no próximo capítulo deste comentário.

Com indignação, o profeta Isaías advertiu a casa de Davi, ou seja, não apenas ao rei Acaz, mas também toda a casa real, que esgotou a paciência de Deus. Assim, seguiu-se uma mensagem de julgamento, na qual o Senhor deixaria um sinal, ainda que fosse contra a vontade de Acaz. Trata-se do sinal de Emanuel, que significa “Deus conosco” ou “conosco-está-Deus” (7.14). Esse sinal serve para refutar a incredulidade de Acaz, que o fazia pensar que Deus não mais se importaria com o seu povo.

Somente sob a inspiração do Espírito Santo para ser feita uma declaração como a que foi feita por Isaías! Ao dizer conosco está Deus , o profeta não mais incluía o rei Acaz, porque este já fez a sua escolha diante de Deus. Porém, a inclusão que Isaías apontou apontava ao “remanescente que voltaria”, ou seja, Deus estava com o profeta e com o povo que voltaria do cativeiro. Foi nesse contexto em que Isaías, inspirado pelo Espírito Santo, começou, então, a “desenhar” a figura do Messias como símbolo de uma nova ordem, sem aparência de rei, mas com a dignidade de monarca, sem palácios, sem exércitos. Contudo, Ele ensinará e será juiz das nações, reinará com justiça, e as nações virão até Jerusalém para o conhecer.

Apesar de o sinal profético de Isaías deixar claro que as promessas se cumpririam muito em breve, ou seja, durante o período de vida do rei Acaz (7.16), observaremos que a profecia não se aplicaria apenas no tempo daquele rei, mas seu cumprimento final aponta para Jesus Cristo, nosso Senhor. De acordo com Mateus (1.23) e Lucas (1.27-33), uma criança nasceu e encarnou o mesmo sinal que Isaías anunciou a aproximadamente sete séculos atrás. Essa criança, porém, não anunciaria apenas que o Senhor estava somente com o povo de Judá, mas o Emanuel é dado agora por Deus como sinal para todo o mundo no tempo presente e no vindouro. Jesus Cristo é o Emanuel, o sinal de Deus para o mundo, pois veio para trazer a salvação e a libertação, paz para os aflitos e descanso aos abatidos. Ele veio trazer uma nova ordem ao mundo, um paradigma baseado no amor. Veio também anunciar a chegada do Reino de Deus a todos os seres humanos.

A característica primordial que articula esse Reino é a constante e eterna presença de Deus. Nada sucede sem a sua presença. Tudo acontece nEle e por Ele. Portanto, Jesus Cristo é o eterno sinal de que Deus está e estará sempre conosco em todas as situações.


1. O Instrumento de Deus para corrigir e livrar o seu povo
Para melhor compreensão do anúncio messiânico que se encontra no capítulo 9, será necessária uma leitura breve e geral dos acontecimentos que antecederam aquele texto. Assim, após o anúncio da destruição dos inimigos de Judá (7.4-9), Deus ordenou a Isaías que fosse ter com sua esposa, que se encontrava grávida, prestes a dar à luz. E ela gerou um filho. Então, o Senhor falou ao profeta que este chamasse o menino de Maer-Salal-Hás-Baz (“pronto ao saque, rápido aos despojos”). Esse nome, portanto, sinalizava que a promessa não tardaria e seria cumprida logo (8.1-4), quando os assírios invadiram o Reino do Norte. Mas o Reino do Sul também teria seu tempo de exílio ao ser feito cativo pela Babilônia.

Em seguida, assistimos uma série de advertências que o profeta declarou contra Judá, pois o seu povo e a casa de Davi subestimaram a ação de Deus e depositaram confiança na Assíria (8.6-8). Não bastasse essa falsa confiança, o profeta advertiu também acerca da vã esperança que muitos deles depositavam ao consultarem adivinhos e espíritos familiares (8.19) quando deveriam viver sob o seguinte lema: “à lei e ao testemunho”. Essa frase, embora curta, será de extrema importância para os que assim desejam viver, pois, assim como luz, iluminará os seus caminhos. Isso porque o profeta estava prevendo tempos de escuridão, de fome e de opressão àqueles que decidissem se afastar da fé (8.22) e, em resposta, eles amaldiçoarão ao rei e ao Senhor, o que prova mais uma vez que seus corações estariam endurecidos.

2. A Arrogância do instrumento de Deus
Os Assírios eram um povo arrogante. Embora naquele momento estivessem sendo instrumento de Deus, não reconheceram essa verdade e diziam que tinham muita força própria, sabedoria, inteligência; que tinham o poder de mover as nações e remover seus limites, de roubar riquezas e destronar reis (Is 10.13-14). O profeta afirma que jamais um instrumento poderá se gloriar contra aquele que o utiliza, como se o machado pudesse mover a mão do lenhador (Is 10.15).

3. Deus destruirá o inimigo cruel
Angústia, escuridão e sombras de ansiedades. Esses eram os sentimentos que habitariam (e habitaram) no povo de Judá e os fariam mergulhar completamente nas trevas. Em meio ao caos, e após proferir o julgamento do povo, o profeta, sob as instruções do Senhor, anunciou, enfim, a esperança para os povos cansados e oprimidos e a destruição tanto da Assíria quanto da Babilônia. Assim, as terras de Zebulom, Naftali e a Galileia, que juntas serão mais tarde chamadas apenas de Galileia, tornam-se o primeiro alvo do profeta Isaías para lhes anunciar o fim da escuridão, do medo e das trevas. Essa escolha deve-se possivelmente pelo fato de as terras da Galileia terem sido destruídas de maneira mais severa durante as guerras sírias e também quando os assírios invadiram Efraim (Is 8.4), sendo a primeira a ser tomada. Nessa investida, Tiglate-Pileser, rei assírio, deportou a sua população para a Assíria (2 Rs 15.29).

Mas a intervenção de Deus chegou na hora exata para o povo de Jerusalém e, como um lenhador, o Senhor destruirá as forças assírias, pois essa é aqui colocada como uma vasta floresta de árvores imponentes que caíram em todo seu esplendor (10.18); serão derrubados, em primeiro lugar, os ramos com violência; e os de alta estatura serão cortados, e os elevados serão abatidos, conforme anuncia o profeta. Essa trama faz-nos lembrar de que não existem reinos ou reinados que excederão o grande governo do Senhor. Assim, todos os reinos que se exaltam e soberbamente se enchem de orgulho serão certamente aniquilados pelo Senhor. Não importa quão altas sejam as suas árvores ou quão fortes os seus caules. Deus sempre abaterá todos os que se exaltam e elevará os que procuram a humildade que não é fingida ou disfarçada de hipocrisia.

Isaías diz que o Senhor dos Exércitos fará definhar a Assíria. O próprio Deus em um dia consumiria parte de seus exércitos (Is 10.16-19). Isso aconteceu quando, de uma só vez, morreram 185 mil soldados dizimados por uma peste (2 Rs 19.35), quando esse exército estava acampado ao redor de Jerusalém para a destruir, depois de já ter destruído todas as cidades em volta. Mas a destruição final da Assíria viria com a invasão dos Medos e dos Babilônios em 612 a.C.. A magnífica civilização de ilimitada ambição e conquistas violentas e cruéis terminaria, conforme descrito por Isaías (10.24-25).

II - O PODER DO MESSIAS
O Messias para Israel seria o grande libertador que finalmente tiraria do seu povo a vergonha de ser escravizado e subjugado por outros povos, como no caso da Assíria e da Babilônia. Somente Ele teria poder para trazer libertação total e completa. Todos os demais reis frustraram a esperança do povo, mas esse seria vencedor. Essa mesma importância Jesus assumiu para o povo da nova aliança, a Igreja.


1. A Grande luz do menino que nasceu
O povo que andou em trevas viu finalmente uma luz! Por fim, encerrava-se uma era trágica marcada pela morte. O profeta antevê todos esses acontecimentos e certamente se regozija pelo fato de saber que Deus não abandonaria o seu povo. Ainda que esse povo mergulhasse nas mais terríveis trevas, haveria sempre uma saída no Senhor. Tal como o sinal (Is 7.14) era para sinalizar trilhos de esperança, a luz, aqui, indica o término do pesado sofrimento, que a opressão política externa teria o seu fim, que a libertação estaria à vista, que há uma direção a ser seguida, pois agora não se anda mais sobre o que não se vê, porque os caminhos estão iluminados; é anunciado mais uma vez um futuro excelso, e as terras da Galileia, que muito sofreram, seriam testemunhas de que essa luz veio ao mundo e nunca mais se apagará.

A importância da luz na Bíblia se dá pelo fato de simbolizar e estar ligada à vida e à felicidade. Por isso, Deus é comparado à luz (Tg 1.17), pois dEle emana a vida e a felicidade. Nenhuma vida seria possível na Terra se não houvesse abundância de luz. Nenhuma vida espiritual teria as pessoas que conhecem a Deus se Ele não as alimentasse com sua luz poderosa. Dessa forma se diz do Messias que virá, que Ele irradiará uma grande luz, iluminando os que andavam na escuridão (Is 9.2). Agora não haverá mais desorientação, nem confusão, pois o Messias, o Cristo, já proporcionou abundante luz para os seus filhos, pois, diante dessa luz, há clareza no caminho (Jo 14.6). Aqueles que moravam em regiões de morte têm agora lugar permanente na vida abundante (Jo 5.24).

2. A Imensa alegria (is 9.3)
Isaías previu que essa luz traria uma grande alegria ao povo remanescente, porém uma alegria superior a todas as experiências boas que o povo já havia vivido. Sendo assim, o profeta tenta fazer aproximações comparativas dessa alegria com os melhores momentos que o povo já experimentou, como os dias em que o povo saía para celebrar as colheitas feitas (9.3); ou então nos dias em que repartiam os despojos; e até mesmo como nos dias em que Deus usou Gideão e o seu pequeno exército para derrotar os midianitas, quando nem chegaram a lutar contra os midianitas e, mesmo assim, venceram (Jz 7). Mas, ainda assim, esses exemplos não chegavam perto daquilo que o profeta Isaías contemplou por meio do Espírito Santo. A alegria era tamanha que essa palavra aparece registrada por mais de três vezes em apenas dois versículos (9.3,4).

Antes que perguntassem qual a razão de tamanha alegria, o profeta Isaías nos responde imediatamente: “porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu!” Esse menino não é apenas uma criança comum. Pelo contrário, nEle repousam grandes atributos de equidade e justiça, como afirma Ridderbos. O profeta Isaías certamente não tinha em mente um príncipe terreno (pois alguns estudiosos comparam o nascimento da criança com o rei Ezequias), mas estava se referindo ao Grande Rei do futuro que seria chamado também de Messias, Cristo ou Ungido.

Isaías compara a alegria que o Messias traria à mesma alegria que havia na época das colheitas (dia de pagamento com aumento de salário) ou como num despojo de guerra em que conseguissem muitas riquezas. A vinda de Cristo a terra representa uma boa-nova expressa nos Evangelhos, tão extraordinária que o anjo que apareceu aos pastores em muita glória, a ponto de eles ficarem aterrorizados, disse: “[...] vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lc 2.10). A alegria de Cristo consiste no fato de Ele ter poder para perdoar pecados, salvar, curar e batizar no Espírito Santo. Mas, além disso, estar com Cristo é estar com a fonte permanente de alegria. Assim, mesmo em meio às tribulações e angústias, podemos experimentar sua alegria em nossa alma.

3. A Quebra do jugo (is 9.4)
Jugo é designado na Bíblia como uma peça de ferro ou madeira que era colocada no pescoço do boi para controlá-lo, ou seja, um instrumento de opressão e submissão.

Não existe nada pior para o ser humano do que ser aprisionado por algum jugo. Existem muitas pessoas aprisionadas pelo pecado, por outras pessoas, ou mesmo por situações da vida que as oprimem e as subjugam. Mas Cristo, o Messias, veio para estraçalhar qualquer jugo e para tomar completamente livres todos os que o reconhecem como Cristo.


III - OS NOMES DO MESSIAS
O Messias libertador do povo seria o contraponto de todos os reis e reinos que fracassaram e fracassariam. Conforme descrito por Isaías, esse rei teria que ter qualificativos que nenhum outro rei, em qualquer tempo ou lugar teve, pois somente Ele é o Rei dos reis e o Senhor dos senhores (Ap 19.16). Ele é Jesus Cristo, aquEle que foi enviado por Deus como o Messias.
1. Maravilhoso Conselheiro
Maravilhoso é a prova clara de que o Messias iria transcender os limites da compreensão e existência humanas comuns. Por exemplo, os milagres que os Evangelhos relatam acerca de Jesus, o Messias, deixaram claro que Ele era extraordinário, ou seja, não é comum aos seres humanos caminharem sobre as águas (Mc 6.45-52; Mt 14.22-36; Jo 6.15-21), ou que simplesmente ordenem aos mortos para que voltem à vida (Jo 11.1-46). E o que dizer da sua morte e ressurreição?

A característica de Conselheiro é indispensável aos reis, especialmente quando se trata do Rei dos reis e Senhor dos senhores, que governará eternamente. Desde o Antigo Testamento ao Novo Testamento, observamos que Deus sempre deixou claro que o Messias seria amante da sabedoria (e.g. Pv 8; Is 11.2). Essa sabedoria é notável ao percebermos que, até mesmo quando criança, antes de dar início ao seu ministério, Jesus já se sentava para gastar tempo com os doutores, ouvindo-os e interrogando-os (Lc 2.41-52).

2. Deus Forte
Poder que não é acompanhado por conselhos sábios ou conselhos sem poder para agir são ambos infrutíferos. Portanto, essa característica atribuída ao Messias é complementar à sabedoria. Foi com poder e sabedoria que fomos salvos. Paulo faz uma excelente comparação ao dizer que Cristo é a cabeça sobre todo principado e potestade, sejam humanas ou espirituais (Cl 2.8-13), pois nEle “habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (v.9), ou seja, não há e nunca haverá nenhuma criatura e situação que possa nos arrancar de Cristo (Rm 8.31-39), pois todos os seres viventes estão sob o seu governo, que é eterno e poderoso.
Contrapondo a fraqueza dos governantes que oprimiram os fracos e desvalidos (Is 10.1-2), mas também se sobrepondo aos países que oprimiram Israel, como Assíria e Babilônia, agora o Deus Forte assume o controle. Ele tem todo o poder e pode governar. Ele é infinitamente mais forte que todos os inimigos e vai dar descanso ao seu povo. Além disso, é na força de, Deus que o Messias, também sendo Deus, imporá a justiça e o direito. Ninguém mais oprimirá seu próximo, pois a equidade será estabelecida. Ele é forte o suficiente para estabelecer a tão esperada paz.

3. Pai da Eternidade
O governo e o cuidado que o Messias tem pelo seu povo serão eternos. Sendo assim, desde a eternidade, Deus vem preparando esse evento futuro. É pensando desse modo que o apóstolo João descreveu que, no princípio, Ele era e sempre será. Essa característica extrapola toda a compreensão humana, mas o fato é que, por transitar de eternidades a eternidades, o Senhor É o que É, e nEle são todas as coisas. Todas as coisas se perdem diante dEle, e é Ele que nos aponta o futuro e nos convida a sermos parte dEle e a participarmos da alegria eterna que, já desde Isaías, está nos convidando e continuará nos convidando até que o tempo por Ele estabelecido se cumpra. Porém, uma coisa é certa: em Deus, há um futuro maravilhoso sem trevas e sem medo. Esse tempo pode ser aproveitado nos nossos dias, pois basta lembrar que o Senhor “conosco-está” e opera maravilhas em nossas vidas, conduzindo-nos sabiamente como um pastor conduz as suas ovelhas e nos protege com segurança e destreza contra todos os inimigos que nos tentam no dia a dia. E o mais importante: é Ele quem nos guia em caminhos de paz.
Deus contrapõe a efemeridade de tudo o que é humano. “Ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele” (Cl 1.17). Exatamente por ser eterno, sem começo nem fim, é que Ele é o Deus Forte que controla e mantém todas as coisas em seu devido lugar, com todas as leis da natureza por Ele criadas e sustentadas. Antes que houvessem sido criados céus e terra, Ele já existia (Jo 1.1), pois Ele criou a própria eternidade. Além disso, Ele existirá para todo o sempre, numa perpetuidade de poder, glória e majestade. Podemos dizer ainda que não há rugas na fronte do altíssimo, pois Ele é perpetuamente jovem!

4. Príncipe da Paz
Essa é a utopia de todos os tempos e lugares. Todo o mundo procura um instante de paz. Até os mais sanguinários líderes, em algum momento de suas carreiras, sonharam com a paz. A paz para o povo que vivia em trevas significava finalmente o cessar dos conflitos armados, repouso e bem-estar. Porém, essa paz não deve ser compreendida apenas sob esse ponto de vista, pois a paz tem sua origem na expressão hebraica shalom, que pode ser compreendida também como toda a salvação, bênção e felicidade. Mas a palavra também sugere prosperidade, espaço, riqueza, saúde, bem--estar, felicidade e contentamento. Enfim, é uma paz muito abrangente.

Aquele a quem o profeta Isaías chamou de Príncipe da Paz, cujos atributos foram analisados anteriormente, culminam, de maneira simples, nesta grande revelação: o menino que carrega em seus ombros o principado será conhecido como Maravilhoso por causa das ações extraordinárias que realizaria. Será também conhecido como Conselheiro, pois sua sabedoria excederá inúmeras vezes mais do que a sabedoria do rei Salomão. NEle se encontra toda a plenitude divina. Logo, é Deus forte, que conhece e dita o tempo antes que o tempo se cumpra. Antes que o mundo existisse, Ele já existia. Isso porque Ele é o Pai da eternidade e, por isso mesmo, somente Ele pode trazer a paz completa para os seres humanos e no ser humano todo, como escreveu o salmista: “Porque ele livrará ao necessitado quando clamar, como também ao aflito e ao que não tem quem o ajude. Compadecer-se-á do pobre e do aflito e salvará a alma dos necessitados. Libertará a sua alma do engano e da violência, e precioso será o seu sangue aos olhos dele” (SI 72.12-14).


IV - A CERTEZA DA VINDA DO MESSIAS
A consequência de todos os atributos do Messias que Isaías previu seria certamente o do reinado sem fim e também de sua multiplicação por toda a terra. Essa visão é semelhante àquela que o profeta Daniel interpretou acerca do sonho do Rei Nabucodonosor (Dn 2.35). A promessa feita a Davi sobre o reinado eterno finalmente se cumprirá nesse Rei (Jesus). Esse reinado certamente não conhecerá guerra nem trevas, pois o que estará assentado sobre o trono reinará sob a vontade completa de Deus. Atualmente, muitas pessoas que ouvem essas promessas não conseguem acreditar, pelo fato de soarem como boas demais para se tornarem reais. Mas o fato é que elas se cumprirão completamente com a segunda vinda de Cristo. Isso quer dizer que boa parte do que o profeta profetizou já se cumpriu, primeiramente em seu tempo ou logo após. Por fim, e acima de tudo, já se cumpriu e será ainda cumprido por meio de Jesus Cristo. Como garantia de que a palavra vem do Senhor, o próprio profeta Isaías deixou claro que “o zelo do Senhor dos Exércitos fará isso” (9.7b-NVI).

Através dos eventos históricos, podemos observar que o profeta Isaías falava realmente sob inspiração divina, pois, ao analisarmos o Novo Testamento, observaremos que o povo da Galileia contemplou a maravilhosa luz (Mt 4.12-17) quando Jesus deixou a cidade de Nazaré para começar sua atividade ministerial e, de lá, passou a anunciar a chegada do Reino de Deus. Outro aspecto também se deve ao fato de o anjo Gabriel descrever Jesus com os mesmos atributos que o profeta Isaías previu acerca do Messias (Lc 1.31-33); enfim, poderíamos citar aqui inúmeros trechos do Novo Testamento que apontam que as profecias de Isaías se cumprem em Jesus. Porém, o que importa para nós é saber, mediante a fé e as Escrituras, que Jesus já está sentado em seu trono de glória ao lado do Pai, pois venceu o príncipe das trevas (Mt 12.29; 1 Jo 3.8) e, um dia, fará raiar a alvorada de um Reino de paz que abrangerá céus e terra.

Após as extraordinárias visões que Isaías teve acerca do Messias, só lhe restou se encher de esperanças e entoar um salmo de ações de graça ao Senhor (Is 12). A nós também nos resta apenas dizer como o profeta: “Eis que Deus é a minha salvação” (v.2). Pois o que Isaías escreveu, apesar de estar inserido num outro contexto, afeta a cada um diretamente, pois sabemos, mediante a fé e as escrituras, que as profecias discorridas sobre o Messias se cumpriram parcialmente e ainda se cumprirão por completo.

Hoje, sabemos que Jesus Cristo é o Messias, o Príncipe da Paz, o Emanuel, o nosso Salvador. O futuro anunciado por Isaías será executado por Ele, Jesus, que eternamente governará e libertará a terra da opressão e da morte. Cabe-nos, portanto, estarmos confiantes nessa fé no Senhor acerca do tempo que nos conduzirá triunfantemente a um futuro melhor, a dias incontáveis sem dor e de paz eterna.


SUBSÍDIO
“Emanuel (7.14) - O nome significa ‘Deus conosco’. Mas a comum e enfática posição das palavras compondo o nome mostra que devia ser entendido como ‘Conosco está Deus!’. Assim, o nome Emanuel capta a admiração e maravilha da encarnação e o inimaginável fato de que o Deus do Universo entrou na corrente do tempo para tornar-se um conosco.

Nascimento virginal (7.14). A palavra hebraica traduzida por virgem significa ‘jovem mulher em idade casadora’. O ideal hebraico de casamento faz uma tradução como ‘virgem’ igualmente. Entretanto, a intenção é absolutamente clara em Mateus 1.23 que cita Isaías e usa palavra grega, parthenos que inequivocadamente significa ‘virgem’. De fato, o conceito de nascimento virginal é um fundamento básico do cristianismo bíblico” (RICHARS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.415).

Fonte:
Lições Bíblicas - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. 3º.trim_2016 CPAD - Clayton Ivan Pommerening
Livro de Apoio - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. - Clayton Ivan Pommerening
Guia do leitor da Bíblia - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Bíblia Nova Versão Internacional
Dicionário Bíblico Wycliffe

Sugestão de Leitura:
Aqui eu Aprendi!
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