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sexta-feira, 9 de novembro de 2018

O dom de Línguas

“Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar” 1Co 14.13


“Ressaltamos que os pentecostais têm uma hermenêutica distintiva, um modo particular de ler a Bíblia. Nós, pentecostais, sempre lemos a narrativa de Atos e, particularmente, o relato do derramamento pentecostal do Espírito Santo (At 2) como modelo para a vida. As histórias de Atos são as nossas histórias, e nós as lemos com um sentimento de grande expectativa.
Estou convencido de que essa hermenêutica simples, essa abordagem direta à leitura de Atos como modelo para a igreja hoje, é uma das principais razões por que a ênfase no falar em línguas desempenhou papel tão importante na formação do movimento pentecostal moderno. A ligação entre o falar em línguas e o batismo no Espírito Santo marca o movimento pentecostal moderno desde o início e, sem essa ligação, é duvidoso se o movimento teria visto a luz do dia, muito menos sobrevivido.
A glossolalia é de importância crucial para os pentecostais de todo o mundo, por muitas razões, mas gostaria de propor que duas são de particular importância. Primeiro, o falar em língua destaca, encarna e valida à maneira única como os pentecostais entendem o livro de Atos: Atos não é um documento histórico; Atos apresenta um modelo para a vida da igreja contemporânea” (MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a Nossa História. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2016, pp.57,58).

A manifestação do dom de Línguas, tanto na Igreja quanto na devoção pessoal, é plano de Deus para os crentes em nossos dias.

Você já recebeu o batismo com o Espírito Santo e experimentou o falar em línguas estranhas? Então, não se esqueça de partilhar com seus alunos como se deu tal experiência e o que mudou em sua vida. Pois, estudaremos acerca do dom de Línguas. No decorrer da aula, procure enfatizar que o falar em línguas, glossolalia, era e é um sinal divino para evidenciar o batismo com o Espírito Santo. Como pentecostais cremos que os dons não foram somente para os crentes do primeiro século e que o ser cheio do Espírito é uma recomendação do Pai para os crentes da atualidade (Ef 5.18). O Senhor continua o mesmo e seu desejo de que vivamos na plenitude do Espirito não foi alterado pelo fato de que algumas pessoas não crerem na promessa de Joel 2.28 que teve o seu cumprimento em Atos 2. É importante ressaltar que as línguas (gr. glossa) podem ser humanas, atualmente faladas (At 2.6), ou desconhecidas na terra (cf. 1Co 13.1) e que a fala jamais será extática.

Leitura Bíblica - 1 Coríntios 14.1-5,12-15

INTRODUÇÃO

O apóstolo Paulo, escrevendo aos coríntios, trata a respeito das línguas estranhas e da profecia no uso coletivo e individual. Ainda dentro da perspectiva de que as línguas e a profecia são dons do Espírito Santo para a edificação da Igreja, o apóstolo traz orientações sobre como a Igreja deve se portar nesse aspecto. Na prática, o servo de Deus não ensina que esses dons devem deixar de ser exercitados, mas orienta que sejam usados da forma correta, tendo em vista que a sua principal função é edificar o corpo de Cristo.

I. O FALAR EM OUTRAS

1. As Línguas em Marcos 16.

Iniciemos nosso estudo a respeito do dom de Línguas remontando às palavras de Jesus no Evangelho de Marcos 16.17,18. Marcos, um escritor que tem o propósito de demonstrar Jesus como o Filho de Deus, com poder e autoridade, registra que parte desse poder, recebido de Deus, seria manifestado entre aqueles que creriam em Jesus. Seus discípulos teriam poder para expulsar espíritos malignos, curar enfermidades e falar em outras línguas.

2. O ensino paulino a respeito das línguas.

Paulo dá prosseguimento à sua Primeira Carta aos Coríntios fazendo uma distinção sobre o uso do dom de línguas e o uso da profecia. Deixemos claro que o ensino paulino não restringe o falar em línguas, e sim o regulamenta. Qualquer entendimento diferente deste deturpa a ideia original do escritor, e consequentemente, ataca a própria inspiração divina, que moveu Paulo a escrever a respeito desse assunto.

3. Orar em Línguas.

“Porque, se eu orar em Língua estranha, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto” (1Co 14.14). Paulo continua seu ensino tratando, agora, a respeito de oração. A comunicação com Deus é inserida em seu discurso, desta vez incluindo a oração em línguas, uma manifestação que entendemos ser genuinamente pentecostal, mas não restrita aos arraiais pentecostais. Lembremo-nos de que a promessa do derramamento do Espírito Santo é para toda a carne, e não é patrimônio de uma única igreja.

Uma característica destacada por Paulo no assunto das línguas é que quando utilizadas na oração, fazem com que o espírito ore bem. Parece que não há qualquer impedimento na oração ao Pai Celeste quando se utiliza o falar em línguas. Paulo também destaca que quando se ora em línguas “o entendimento fica sem fruto”, ou seja, é como se o intelecto da pessoa não tivesse participação, não entendesse efetivamente o que está sendo falado. Paulo menciona isso, mas não dá a entender que o texto seja uma condenação ao fato de orar em Línguas. Ele mesmo diz que “o meu espírito ora bem”. Com certeza, pela revelação do Senhor trazida a Paulo, orar em línguas manifesta uma conexão mais íntima e profunda com o Espírito Santo de Deus.

II. O FALAR EM OUTRAS LÍNGUAS NA VIDA PESSOAL

1. Línguas para falar com Deus (1Co 14.2).

Uma das verdades acerca do dom de línguas é que quem se utiliza dele fala com Deus. Por mais que os homens não entendam o que está sendo pronunciado, a Palavra de Deus diz que há uma comunicação entre a pessoa e Deus. Essa é uma revelação muito séria, pois o falar em línguas tem sido combatido por cristãos cessacionistas, que acreditam que essa manifestação não seria um dom para a Igreja de hoje. Eles se baseiam no fato de que a revelação de Deus já está toda na Escritura, mas curiosamente, para eles, esta parte da revelação não teria valor normativo (a recomendação de orar em línguas) seriam relatos que não deveriam ser reproduzidos na vida cristã em nossos dias. Como Paulo não demonstrou esse mesmo entendimento, cremos que o falar em línguas inicia uma comunhão mais íntima com Deus no momento em que o dom é manifesto, e é isso que a Bíblia diz.

2. Edificação pessoal.

“O que fala língua estranha edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja” (1Co 14.4). Paulo mostra a primeira diferença entre o ato de profetizar — e aqui não é a pregação da Palavra de Deus — e o falar em línguas. O ato de profetizar traz uma edificação coletiva, ao passo que o falar em línguas traz edificação pessoal. É inegável que o ato de profetizar na língua vernácula traga uma edificação muito maior, pois a profecia alcança a congregação. Mas é igualmente inegável que o falar em línguas fortalece quem fala, e isso é o apóstolo Paulo que está ensinando. Contradizer esse princípio equivale a refutar o restante dos escritos paulinos, pois não há um escrito mais inspirado e outro menos. Não é pecado edificar a si mesmo. Na Igreja de Cristo há espaço para os que profetizam e edificam a Igreja, e há espaço para os que falam em línguas edificando a si próprios. A utilidade de cada dom tem sua oportunidade e espaço para a glória de Deus. É notório que há cristãos que intelectualmente entendem ser a profecia um dom de alcance plural, mas rejeitam sua manifestação genuína em suas Igrejas. Para que sejamos honestos intelectualmente é preciso que sejamos coerentes com o que a Palavra de Deus fala.

3. Agradecendo a Deus (1Co 14.17).

A gratidão é uma das características que traz contentamento a Deus em nossa relação com Ele. Tão importante quanto à santidade, que nos desafia a ser pessoas separadas para o Senhor, a gratidão faz de nós pessoas que reconhecem que o Todo-Poderoso nos beneficiou, nos fez um favor, seja por meio de uma resposta de oração, seja simplesmente por um ato de sua vontade para conosco sem que tivéssemos pensado ou pedido.

Paulo mostra que, apesar do fato de as línguas serem um instrumento de manifestação de gratidão por parte de quem fala, essa manifestação não edifica outras pessoas. A observação do apóstolo torna a mostrar que o falar em línguas tem um caráter pessoal quando visto sobre a perspectiva do alcance da coletividade. Não há impedimento para que se fale em línguas na congregação, pois tal manifestação inclui a nossa gratidão a Deus. Concordamos que no contexto paulino há uma diferenciação a respeito do alcance coletivo e o individual, mas entendemos que essa diferenciação tem um caráter educativo, ou seja, o objetivo é efetivamente incentivar o dom de uso coletivo sem desprezar o dom de alcance individual.

Ponto Importante
O falarem línguas tem a capacidade de edificar o falante, mas se este a interpretar, tem equiparação à profecia.

CONCLUSÃO

A Bíblia é enfática em dizer que o dom de línguas não pode ser desprezado, mas o culto deve ter ordem. Que o dom de línguas ache espaço entre nós, em nossas orações e momentos com Deus, mas também na Igreja, onde Deus se valerá de intérpretes para trazer o entendimento do que está sendo falado.


Subsídio Lexicográfico

“Glossolalia — [Do gr. glosso, língua + lalia, falar em língua]. Dom sobrenatural concedido pelo Espírito Santo, que capacita o crente a fazer enunciados proféticos em línguas que lhe são desconhecidas.
O objetivo da glossolalia é enunciar sobrenatural e extraordinariamente o Evangelho de Cristo, como aconteceu no Dia de Pentecoste (Atos 2); levar o crente a consolar-se no espírito, e a proclamar, com o auxílio do dom da interpretação, o conhecimento e a vontade de Deus à Igreja (1 Co 14).

A glossolária, conhecida também como dom de línguas [desconhecidas], é um dom espiritual que, à semelhança dos demais, não ficou circunscrito aos dias dos apóstolos: continua atual e atuante na vida da Igreja” (ANDRADE, C. C. Dicionário Teológico. 6.ed., RJ: CPAD, 1998, p.167).

“Xenolalia — O falar em línguas num idioma conhecido, estranho apenas a quem o fala.
[...] O interesse generalizado pelo batismo e dons do Espírito Santo convenceu alguns [os evangélicos do século XIX] de que Deus concederia o dom de línguas a fim de equipá-los com idiomas humanos identificáveis (xenolalia) para que pudessem anunciar o Evangelho noutro países, agilizando assim a obra missionária.

[...] Em 1895, o autor e líder do Movimento da Santidade, W. B. Codbey, disse que o ‘dom de línguas’ era ‘destinado a desempenhar um papel de destaque na evangelização do mundo pagão e no cumprimento profético glorioso dos últimos dias. Todos os missionários nos países pagãos deviam buscar e esperar esse dom que os capacitaria a pregar fluentemente no vernáculo’.

[...] Entre os que esperavam o recebimento do poder do Espírito para evangelizar rapidamente o mundo, achava-se o pregador da Santidade, em Kansas, Charles Fox Parham e seus seguidores. Convencido pelos seus próprios estudos de Atos dos Apóstolos, e influenciado por Irwin e Sandford, testemunhou Parham um reavivamento notável na Escola Bíblica Bethel, em Topeka, Kansas, em Janeiro de 1901. A maioria dos alunos, bem como o próprio Parham, regozijaram-se por terem sido batizados no Espírito e de haverem falado noutras línguas (xenolalia). Assim como Deus concedera a plenitude do Espírito Santo aos 120 no Dia do Pentecoste, eles também haviam recebido a promessa (At 2.39).

[...] Depois de 1906, os pentecostais passaram a reconhecer, cada vez mais, que, na maioria das ocorrências do falar em línguas, os cristãos realmente estavam orando em línguas não identificáveis e não em idiomas identificáveis (glossolalia ao invés de xenolalia). Embora Parham mantivesse sua opinião a respeito da finalidade das línguas na pregação transcultural, os pentecostais chegaram finalmente à conclusão: as línguas representavam a oração no Espírito, a intercessão e o louvor” (HORTON, S. M. et all. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10.ed., RJ: CPAD, 2006, pp.15-17,19,20).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 4º Trimestre de 2018 - Título: O vento sopra onde quer – O ensino bíblico do Espírito Santo e sua operação na vida da Igreja – Comentarista: Alexandre Coelho

Aqui eu Aprendi!

sábado, 3 de novembro de 2018

A contemporaneidade dos Dons Espirituais

“Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil” 1Co 12.7

“Os dons espirituais, que são pela graça, mediante a fé, encontram-se na palavra grega mais usada para descrevê-los: charismata, ‘dons livres e graciosamente concedidos’, palavra esta que se deriva de charis, graça, o imerecido favor divino. Os carismas são dons que merecemos sem os merecermos. Dão testemunho da bondade de Deus, e não da virtude de quem os receberam.
Uma das falácias que frequentemente engana as pessoas é a ideia de como Deus abençoa ou usa alguém; isso significa que Ele aprova tudo o que a pessoa faz ou ensina. Mesmo quando parece haver uma ‘unção’, não há garantia disso. Quando Apolo chegou a Éfeso pela primeira vez, não somente era eloquente em sua pregação; era também ‘fervoroso de espírito’. Tinha o fogo. Mas Priscila e Áquila perceberam que faltava algo. Logo, o levaram (provavelmente, para casa, a fim de participar de uma refeição), e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus (At 18.25,26). Era, pois o caminho de Deus a respeito dos dons espirituais, que Paulo, como um pai, desejava explicar com mais exatidão aos coríntios. A esses dons ele dá o nome de ‘espirituais’ em 1 Coríntios 12.1 (a palavra dom não se encontra no grego). A palavra, por si mesma, inclui algo dirigido pelo Espírito Santo e expresso através de crentes cheios do poder. Nesta passagem, porém, Paulo limita a palavra no sentido dos dons gratuitos, ou carismas, que passam a ser mencionados repetidas vezes” (HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12ª Edição. RJ, CPAD, 2012, p.225).

Os dons espirituais, conforme relatados em 1 Coríntios, não ficaram perdidos na história, nem devem ser desprezados, pois o propósito é a edificação da Igreja.

Na lição de hoje estudaremos as dádivas do Espírito Santo para a Igreja — os dons espirituais. Eles não foram somente ofertados e distribuídos para os crentes do primeiro século e não cessaram, pois enquanto a Igreja permanecer neste mundo, ela precisa dessas concessões divinas para sua expansão, edificação, exortação e consolo. Como pentecostais, sabemos que os dons são ferramentas divinas que contribuem para que a Igreja cumpra com a sua missão de proclamar o Evangelho. Contudo, é importante ressaltar que os dons espirituais não são evidências de espiritualidade e que não devem ser utilizados para o nosso próprio deleite, mas para o fortalecimento da Igreja de Cristo até que Ele volte (1Co 12.7).

Leitura Bíblica em classe: 1 Coríntios 12.1-11

INTRODUÇÃO

No último século, a história cristã registrou em diversas igrejas a ocorrência de manifestações espirituais semelhantes às relatadas por Lucas em Atos e pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12. Muitos cristãos passaram a ser usados por dotações do Espírito Santo, os dons espirituais, e milhares de igrejas experimentaram um mover de Deus sem precedentes. Seriam essas manifestações espirituais realmente vindas de Deus, e se sim, com que propósito? Seriam para os nossos dias, ou estariam restritas aos tempos bíblicos, e, portanto, inoperantes ou inexistentes em nossos dias? É sobre a contemporaneidade dos dons do Espírito Santo, uma das marcas mais importantes do pentecostalismo, que estudaremos.

I. A UTILIDADE DOS DONS ESPIRITUAIS

1. O contexto dos dons em 1 Coríntios.

O que levou Lucas a registrar no livro de Atos e na Epístola aos Coríntios, por inspiração do Espírito Santo, o falar em línguas, profecias, revelações, operação de milagres e curas? O que fez com que Paulo na Primeira Carta aos Coríntios mencionasse um conjunto de dotações do Espírito Santo aos crentes da igreja local? Os registros a respeito dos dons espirituais nos mostram que, após o Pentecostes, o Espírito Santo não apenas continuou a batizar pessoas, mas também concedeu à Igreja dons, presentes. Paulo escreveu a respeito desse assunto, para que os crentes de Corinto aprendessem a lidar com essas manifestações, tanto na igreja quanto fora dela (1Co 12.1).

2. A edificação da Igreja por meio dos dons.

Paulo deixa claro que “a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co 12.7), ou seja, os dons espirituais têm como propósito a edificação da Igreja. Não raro, os críticos da doutrina pentecostal alegam que a igreja mais pentecostal do Novo Testamento (a igreja de Corinto) era também a mais desordenada e confusa, como se os dons espirituais fossem os responsáveis pelos problemas daquela igreja. Se analisarmos o contexto da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, veremos que, antes de tratar dos dons espirituais, ele abordou a respeito do comportamento daqueles cristãos. Esta carta é um retrato de uma Igreja que estava começando, e que, no processo de crescimento, precisava de educação e disciplina. Mas dentro desse mesmo contexto, Paulo não diz que esses problemas, naquela Igreja, eram atribuídos aos dons espirituais.

Quanto aos dons Paulo afirma: “Não quero, irmãos, que sejais ignorantes” (1Co 12.1); “não proibais falar línguas” (1Co 14.39) e “procurai com zelo os dons espirituais, mas principalmente o de profetizar” (1Co 14.1). Essa é a Palavra do Senhor. Se acreditarmos que os dons espirituais eram os responsáveis pela desordem daquela igreja, então vamos atribuir esse problema também a Deus, pois foi Ele que deu os dons. Mas, não é esse o caso, pois tudo que Deus faz é perfeito.

3. Os dons espirituais glorificam a Deus.

Como os dons espirituais são dados pelo próprio Espírito Santo, que “opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1Co 12.11), precisamos compreender que essas operações têm o objetivo de glorificar a Deus. Por isso, quem recebe os dons espirituais precisa fazer uso deles com temor, de forma correta, adequada e bíblica.

Aqui cabe uma observação: Como os dons espirituais glorificam a Deus e edificam a Igreja, Satanás faz o possível para que essas dotações sejam imitadas, e muitos crentes, de forma inadvertida, decidem rejeitar os dons espirituais por causa das falsificações de Satanás. Como crentes, devemos usar de sabedoria e não deixar de fora da vida da Igreja os verdadeiros dons, pois estes não podem ser rejeitados pelos simulacros do Inimigo. Só porque Satanás pode imitar algumas manifestações, vamos penalizar as manifestações verdadeiras do Espírito? Realmente não é razoável agir com esse entendimento. As imitações malignas não podem nos fazer descrer do verdadeiro poder de Deus manifesto pelos dons espirituais.


II. OS DONS ESPIRITUAIS EM 1 CORÍNTIOS

1. Dons de elocução.

Os chamados dons de elocução, assim descritos, são manifestos pela fala, a saber: a profecia, a variedade de línguas e a interpretação das línguas.

A profecia se trata de uma mensagem dada diretamente por Deus, trazida pela vontade do Espírito e transmitida de forma consciente, e como se depreende, é emitida na própria língua da pessoa que está falando.

A variedade de línguas e a interpretação dessas línguas são dons que andam juntos, tendo em vista que essas línguas, pelo contexto apresentado por Paulo, não são as mesmas que a pessoa fala para edificar a si mesma. De acordo com as Escrituras Sagradas, as línguas, quando interpretadas, têm o peso de uma profecia, pois edificam a Igreja, e não apenas a pessoa que está falando.

2. Dons de sabedoria.

A palavra do conhecimento, a palavra da sabedoria ou o discernimento de espíritos são capacitações que Deus dá aos crentes para que, por um conhecimento puramente divino, venham tomar decisões; saibam de acontecimentos que somente Deus poderia mostrar; para que possam discernir se uma atividade ou manifestação estão sendo produzidas realmente por Deus ou se são um simulacro de Satanás.

3. Dons de poder.

A fé, a operação de maravilhas e os dons de curar (no plural, como descrito na Bíblia) são os carismas que se manifestam de forma sobrenatural em prol dos servos de Deus, trazendo a cura divina, a ocorrência de um milagre ou mesmo uma confiança fora do comum sobre algo que Deus há de fazer.


III. CESSACIONISMO E CONTINUÍSMO

1. O que é o cessacionismo?

É a teoria que acredita que os dons espirituais, como relatados no Novo Testamento, só existiram no primeiro período da história da Igreja. Essa época em que os dons teriam cessado situa-se, para alguns, no momento da morte do último apóstolo, João, no fim do primeiro século. Outros colocam o quarto século de nossa era como a data do fim da validade dos dons espirituais. Essa teoria é divulgada predominantemente por cristãos que aderem à denominada Linha “Reformada” de interpretação da Bíblia. Entre as alegações para o cessacionismo está a convicção de que milagres e sinais foram usados por Deus para reiterar a mensagem do evangelho, e que uma vez que o cânon sagrado foi completado, os dons não teriam mais razão de existir. Se o cânon já foi completado, não há mais espaço para novas revelações na Igreja, É dito ainda que todos os cristãos possuem o dom do Espírito, e que a história mostra que os dons cessaram.

2. O que é o continuísmo?

É a corrente teológica adotada por pentecostais, que creem que os dons espirituais, como mencionados por Paulo em 1 Coríntios, são correntes em nossos dias. Pentecostais não consideram uma palavra profética, trazida por meio do dom de profecia, uma palavra equivalente à uma nova revelação escriturística, pois sabem que qualquer manifestação espiritual precisa ser avaliada à luz da Palavra de Deus. Reconhecemos o ministério pastoral, dos presbíteros e diáconos, mas entendemos que Deus continua, por meio dos dons espirituais, edificando a Igreja. Todos os que nasceram de novo foram selados por Deus, mas esse selo não é o batismo com o Espírito Santo, pois este se trata de um revestimento de poder para testemunhar de Jesus.

3. O que a Bíblia diz?

Para que possamos finalizar este assunto, devemos recorrer à Bíblia, autoridade máxima aceita por todo crente comprometido com a Verdade. Enquanto vários pensadores cristãos, avessos à contemporaneidade dos dons, ensinam que eles deixaram de existir quando o último apóstolo morreu, a própria Bíblia jamais disse que os dons tinham uma “data de validade”, ou seja, que deixariam de existir a partir de uma determinada data.

Teólogos que criticam o continuísmo se valem da ideia de que alguns dos pais da Igreja não viam, em seus dias, as manifestações espirituais conforme relatadas no Novo Testamento, e por isso, esses pais da Igreja entenderam que os dons cessaram por não serem mais necessários para os seus dias. O fato de os chamados pais da Igreja não mencionarem as manifestações dos dons ao longo da história não se comprova um argumento idôneo para questionar o continuísmo. Um estudo honesto e profundo a respeito da história da Igreja mostra que houve, sim, várias ocorrências de manifestações ao longo da história. Além disso, a ideia de que os dons cessaram por que não são mais necessários não é um argumento bíblico, e sim uma opinião meramente humana.

O ensino de Paulo aos Coríntios não proíbe a manifestação das línguas, mas orienta os coríntios sob a forma correta dessa manifestação (1Co 14.26-28). Se analisarmos o texto de Paulo, veremos que ele pede que os dons sejam manifestos com ordem no culto, sem atrapalhar a liturgia da congregação. Na prática, o apóstolo corrige não os dons, mas sua utilização desestruturada no culto. E ele mesmo deixa claro: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas” (1Co 14.39). Essa é a orientação de Deus para a Igreja em nossos dias. Podemos, sim, praticar os dons espirituais, se os recebermos. Paulo não proibiu os dons espirituais, apenas ensinou a Igreja a tratar deles de forma correta. E essa é a Palavra do Senhor, não sendo, portanto, passível de ser contradita.


CONCLUSÃO

Cremos que os dons espirituais são para os nossos dias, pois não há um versículo nas Sagradas Escritura que comprove a sua revogação. O Corpo de Cristo continua sendo edificado por meio dessas manifestações espirituais. A Primeira Carta aos Coríntios não é uma forma de dizer à Igreja que pare de trabalhar com os dons em nossos dias, mas sim que ela não deixe de buscar os dons espirituais e que os utilizem de forma correta. O Deus que operou orientando os coríntios é o mesmo que opera em nossos dias, repartindo os dons a cada um, conforme lhe aprouver.


Leia também: A Igreja e os Dons Espirituais

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 4º Trimestre de 2018 - Título: O vento sopra onde quer – O ensino bíblico do Espírito Santo e sua operação na vida da Igreja – Comentarista: Alexandre Coelho

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 24 de outubro de 2018

O Batismo com o Espírito Santo

“Porque a promessa vos diz respeito a vós, a vossos filhos, e a todos os que estão longe, a tantos quantos Deus nosso Senhor chamar” At 2.39


“A distinção e as evidências do batismo no Espírito Santo são estudadas em primeiro lugar porque delas depende a maioria das posições teológicas no tocante às demais questões, isto é, as posições adotadas quanto a esses dois primeiros tópicos definem as questões nas demais áreas. A questão da disponibilidade hoje do batismo no Espírito Santo é muito discutida. Por um lado, muitos estudiosos da Bíblia responderão que o batismo no Espírito Santo está à disposição dos crentes atuais, mas apenas parte da conversão. Por outro lado, quando os pentecostais afirmam que o Espírito está disponível, argumentam em favor de uma experiência distinta da regeneração, em certo sentido, e acompanhada pela evidência física inicial do falar em línguas. Além disso, embora a distinção e as línguas como evidência estejam estreitamente relacionadas entre si, não deixam de ser questões separadas. Pela lógica, existem quatro possíveis posições quanto à distinção e as línguas como evidência. [...] Há os que pensam ser o batismo no Espírito Santo parte da experiência da conversão, sem qualquer evidência inicial, como o falar em outras línguas [...] Há os que defendem o batismo no Espírito Santo como uma experiência geralmente ocorrida após a regeneração e sempre acompanhada pela evidência especial do falar em outras línguas. Esta é a posição de igrejas pentecostais como as Assembleias de Deus” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 8ª Edição. RJ: CPAD, 2003, p.432).

O batismo com o Espírito Santo é uma experiência dada por Deus para o revestimento de poder.

Professor(a), na Lição de hoje estudaremos a respeito de uma das maiores dádivas divinas depois da salvação — o batismo com o Espírito Santo. Esse revestimento de poder não foi somente para os crentes do primeiro século e ele não cessou, pois enquanto a Igreja permanecer neste mundo. Então, não deixe de aproveitar essa oportunidade para orar por seus alunos que ainda não foram batizados com o Espírito Santo. É importante, antes de orar, que você ressalte que esse revestimento de poder não é concedido por nossos méritos (1Co 12.7), mas é fruto da graça e da misericórdia divina. Diga também que para os pentecostais o falar em Línguas estranhas é uma evidência do batismo com o Espírito Santo.

Leitura Bíblica - Atos 10.34-47

INTRODUÇÃO

Como está registrado na Palavra de Deus, o Espírito Santo foi derramado sobre os discípulos de Jesus no Dia de Pentecostes. A esse derramamento denominamos “batismo com o Espírito Santo”, expressão corrente entre os pentecostais. A Palavra de Deus também utiliza a expressão “ser cheio do Espírito” em alguns textos como um sinônimo da experiência do batismo com o Espírito Santo. A certeza que precisamos ter é de que essa experiência está disponível a todos os crentes hoje, como sempre esteve desde o Dia de Pentecostes em Atos 2.


I. DEFININDO O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

1. O batismo com o Espírito Santo.

É um revestimento de poder cuja finalidade é levar os crentes a testemunharem da pessoa de Jesus Cristo. Na Declaração de Fé das Assembleias de Deus, é definido como “[...] uma experiência espiritual que ocorre após ou junto à regeneração, sendo acompanhada da evidência física inicial do falar em línguas (At 2.4)”.
Essa experiência foi notória na Igreja em Atos, tanto na Igreja de origem judaica quanto na de origem grega, e pelo relato de Lucas em Atos 19, chegou a ser acompanhada de profecias.

2. É uma realidade para os nossos dias.

Quando se trata deste assunto, há pessoas que acreditam que o revestimento de poder, conforme relatado em Atos, está fora do alcance da experiência cristã de nossos dias. Tal entendimento se dá por força de uma visão mais voltada a um intelectualismo de cunho pós-moderno, que vê a experiência pessoal com pouco valor. Na prática, um pensamento teológico que rejeita a experiência do batismo com o Espírito Santo como um evento real para os nossos dias o faz puramente por um prisma racionalista, que rejeita a experiência por entender que ela é subjetiva, ou seja, cada pessoa tem a sua, e por isso não tem valor. Mas com o respaldo da Palavra de Deus, tendo em vista que o próprio Jesus disse que “estes sinais seguirão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas” (Mc 16.17), cremos que o batismo com o Espírito Santo e o falar em línguas é, sim, uma experiência de Deus para os nossos dias.

3. O batismo com o Espírito Santo não é designativo de espiritualidade.

Em hipótese alguma um pentecostal genuíno, que manifesta o fruto do Espírito, pode se achar superior a qualquer outro cristão não pentecostal. O batismo com o Espírito Santo é um revestimento de poder, não um designativo de superioridade ou de santidade. Ser revestido de poder por meio do batismo com o Espírito Santo exige de nós humildade, pois não fomos nós mesmos que nos revestimos. O revestimento de poder não é coisa de homens, mas de Deus, e cremos que este revestimento é dado por Ele não para que venhamos ser testemunhas da obra de Cristo e do motivo pelo qual o Filho de Deus veio ao mundo (1Jo 3.8). Portanto, ser cheio do Espírito é uma promessa de Jesus a todos os crentes, mas para que sejam testemunhas dEle.


II. O QUE NÃO É O BATISMO COM O ESPÍRITO SANTO

1. A conversão.

É uma experiência que ocorre no momento em que a pessoa, arrependida de seus pecados, e tendo sido convencida pelo Espírito Santo, decide renunciar a vida de pecados, aceitando a Jesus como seu único Senhor e Salvador. Uma vez que ocorre a conversão, o pecador é transformado em uma nova criatura e feito filho de Deus. Essa transformação, de pecador e inimigo de Deus para filho, é uma mudança poderosa operada pelo próprio Senhor. O homem pode ouvir a mensagem do evangelho, ser convencido de seus pecados e aceitar a Jesus, mas ser transformado é somente pelo poder de Deus (Jo 1.11-13). Ser feito um filho de Deus é um poder concedido para fazer de nós novas criaturas, mas a conversão não é o batismo com o Espírito Santo. O batismo com o Espírito Santo é para pessoas que já experimentaram a salvação. Uma pessoa pode receber o batismo com o Espírito segundos após ter se arrependido de seus pecados e aceitado a Jesus, mas são experiências diferentes.

2. O selo do Espírito.

Paulo descreve que quando recebemos Jesus como nosso Salvador, fomos selados, marcados pela glória dEle para a eternidade. É o chamado “selo do Espírito Santo” para os que creem nEle (Ef 1.13,14). Paulo, escrevendo aos efésios, não menciona ser o chamado “selo do Espírito Santo” o revestimento de poder para testemunhar. O selo nos tempos antigos servia para garantir a fidelidade de um documento ou a inviolabilidade de um estabelecimento. Neste caso, Paulo diz que os que estão em Cristo, que creram nEle depois da exposição da Palavra, foram selados, separados pelo Espírito Santo para que Deus seja glorificado. É uma experiência da salvação, genuína e para todos os crentes, mas não pode ser confundida com o revestimento de poder do Espírito Santo.

3. O fruto do Espírito.

O fruto do Espírito não é o batismo com o Espírito Santo, pois enquanto este é o derramamento do Espírito para revestimento de poder, aquele é a manifestação do Espírito nas atitudes daqueles que foram alcançados pelo evangelho. Enquanto o batismo com o Espírito vem da parte de Deus, o fruto do Espírito é a forma como os cristãos demonstram seu caráter transformado pelo evangelho, e isso é necessário a todo cristão, independente de sua linha doutrinária ser pentecostal ou não. O fruto do Espírito é o resultado de uma maturação na vida do crente, de passar por experiências em que Deus o vai moldando de acordo com a sua Palavra.

III. O FALAR EM LÍNGUAS COMO EVIDÊNCIA

1. Falam todos em línguas?

Um dos equívocos mais comuns na interpretação de 1 Coríntios 12.30 é acerca da pergunta de Paulo sobre os dons espirituais: “Têm todos o dom de curar? Falam todos diversas línguas? Interpretam todos?”. Alegar que esse texto indica que nem todas as pessoas batizadas com o Espírito Santo falam em línguas é forçar uma interpretação, pois esse texto trata especificamente a respeito dos dons espirituais, e não sobre o falar em línguas como evidência do batismo com o Espírito Santo. É próprio de uma vertente teológica pós-moderna dizer que o livro de Atos é meramente histórico quando se trata do falar em línguas. Os Evangelhos também são históricos, e nem por isso são desprezados.

2. No Cenáculo.

Lucas menciona em três ocasiões que o falar em línguas é observado como evidência inicial do batismo com o Espírito Santo. A primeira é em Atos 2, no cenáculo, em que os discípulos estavam orando (At 2.4). Nesse primeiro registro, as línguas são diretamente associadas à visitação do Espírito Santo aos crentes em oração. Além do som como de um vento impetuoso que encheu o lugar de oração, e línguas de fogo, vistas sobre aqueles crentes, o que chamou a atenção dos visitantes de Jerusalém foi que ouviram os crentes falando em outras línguas. E antes de falar de Jesus à multidão, Pedro falou em línguas no local de oração.

3. Na casa de Cornélio.

A segunda ocorrência é mostrada por Lucas em Atos 10.44-46. Este relato nos remete à primeira visitação do Espírito Santo aos gentios, na casa de Cornélio, o centurião romano. Pedro fora informado de que deveria se dirigir à casa de Cornélio e falar com ele, e Lucas relata que antes que Pedro terminasse a pregação, o Espírito de Deus veio sobre aqueles que ouviam suas palavras. Até aquele momento, não havia registros de que os apóstolos em Jerusalém tivessem testemunhado o batismo com o Espírito Santo em gentios. Na verdade, como vemos por Atos 7 a 10, os discípulos de Jesus permaneceram em Jerusalém, e somente com uma perseguição é que se espalharam e foram pregar o evangelho por onde passavam. O evangelho chegou a Samaria com Filipe, Saulo encontrou Jesus no caminho de Damasco e então surge o relato de Cornélio. O impacto foi tão grande na vida de Pedro, após os gentios terem sido cheios do Espírito Santo, que ele não negou o batismo àqueles que tinham recebido o Espírito Santo. Mesmo depois de retornar a Jerusalém o apóstolo teve de se explicar aos “da circuncisão”, e deixou claro: “[...] quem era, então, eu, para que pudesse resistir a Deus?” (At 11.17). Se Deus trouxe seu Espírito aos gentios, nada mais restou aos de Jerusalém, senão glorificarem a Deus (At 11.18).

4. Em Éfeso.

A terceira menção de Lucas aparece em Atos 19. Paulo chega a Éfeso e se depara com um grupo de homens que já conheciam o evangelho, mas não haviam recebido o batismo com o Espírito Santo. “E os que ouviram foram batizados em nome do Senhor Jesus. E, impondo-lhes Paulo as mãos, veio sobre eles o Espírito Santo; e falavam línguas e profetizavam” (At 19.5,6). Eles já eram salvos, foram convencidos de seus pecados pelo Espírito, já tinham se arrependido e eram batizados. Entretanto, eles nem mesmo sabiam da existência da Pessoa do Espírito Santo. Após receberem a imposição de mãos do apóstolo Paulo, foram cheios e falaram em outras línguas. Esse é o segundo relato de gentios sendo cheios do Espírito no livro de Atos.


CONCLUSÃO

O batismo com o Espírito Santo é mais do que uma promessa. É o cumprimento do projeto de Deus de revestir seus filhos com um poder para testemunhar das suas grandezas, da salvação e da vida porvir. Essa promessa jamais foi revogada por Deus, e até que o Senhor Jesus, que é perfeito, seja manifesto, podemos contar com o cumprimento dessa promessa. Como os discípulos em oração, podemos receber esse mesmo revestimento de poder em nossos dias.



SUBSÍDIO
A glossolalia. É a manifestação das línguas estranhas no batismo no Espírito Santo bem como das línguas como um dos dons espirituais. Trata-se um termo técnico de origem grega glossa, “língua, idioma”, e de lalía, “modo de falar” (Mt 26.73), conjugado à “linguagem” (Jo 8.43), substantivo derivado do verbo grego lalein, “falar”. A expressão lalein glossais, “falar línguas” (1Co 14.5), é usada no Novo Testamento para indicar “outras línguas”. É importante saber que as línguas manifestas no dia de Pentecostes são as mesmas que aparecem na lista dos dons espirituais (1Co 12.10,28; 14.2). Ambas são de origem divina e sobrenatural, mas são diferentes apenas quanto à função.


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 4º Trimestre de 2018 - Título: O vento sopra onde quer – O ensino bíblico do Espírito Santo e sua operação na vida da Igreja – Comentarista: Alexandre Coelho

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Os Livros de Lucas e Atos - A Base da Doutrina Pentecostal

“Então começou a dizer-lhes: Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” Lc 4.21

Professor (a), você crê que o Movimento Pentecostal tem a sua base doutrinária na Palavra de Deus? Se sua resposta foi afirmativa, com certeza você não terá dificuldades em trabalhar o conteúdo dessa lição com seus alunos. Infelizmente muitos crentes, até mesmos os que se dizem pentecostais têm um conceito errado a respeito da Terceira Pessoa da Trindade e desconhecem a origem do Movimento Pentecostal. Segundo Stanley Horton o “Espírito Santo tem sido negligenciado no decurso dos séculos”. O Consolador não é uma força ou uma influência, Ele é Deus e tem revelado à humanidade o Deus Pai e o Deus Filho mediante os dons espirituais. Nesta lição estudaremos a respeito de dois importantes livros das Sagradas Escrituras que são tidos como a base do Movimento Pentecostal. Não se esqueça de que você pode e deve contar com o Espírito Santo para o preparo e a execução dessa aula.

“A estrutura de Lucas—Atos
Todo estudioso do Novo Testamento que se preze dirá que Lucas 4.16-30, o impressionante sermão de Jesus em Nazaré, é paradigmático para o Evangelho de Lucas. Todos os principais temas que serão mostrados no Evangelho são prenunciados aqui: a obra do Espírito Santo; a universalidade do evangelho; a graça de Deus; a rejeição de Jesus.
E este é o ponto significativo em que a cronologia do Evangelho de Lucas é diferente do Evangelho de Marcos. Aqui, Lucas toma um evento do meio do ministério de Jesus e o coloca bem lá na frente para inaugurar o ministério de Jesus. Lucas faz isso porque entende que esse evento — em especial a recitação de Jesus de Isaías 61.1,2 e sua declaração de que essa profecia está agora sendo cumprida em seu ministério — fornece insights importantes sobre a natureza de Jesus e sua missão. Essa passagem, então, fornece um modelo para o ministério posterior de Jesus.
É interessante observar que Lucas fornece um tipo semelhante de introdução paradigmática ao segundo volume, o livro de Atos. Depois da vinda do Espírito no dia de Pentecostes, Pedro faz um sermão (At 2.14-41) que, em muitos aspectos, se assemelha ao de Jesus em Lucas 4. No sermão, Pedro também se refere a uma profecia do Antigo Testamento sobre a vinda do Espírito, desta vez Joel 2.28-32, e declara que essa profecia agora também está se cumprindo (At 2.17-21). A mensagem é clara. Assim como Jesus foi ungido pelo Espírito para cumprir sua chamada profética, assim também os discípulos de Jesus foram ungidos como profetas do fim dos tempos para proclamar a Palavra de Deus. O texto de Joel 2.28-32 que é citado aqui, como também a passagem paradigmática em Lucas 4, mostra sinais de edição cuidadosa por parte de Lucas” (MENZIES, Robert. Pentecostes: Essa História é a Nossa História. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2016, p.26).

O Movimento Pentecostal está alicerçado nas Escrituras Sagradas, especificamente no Evangelho de Lucas e no livro de Atos, obras que mostram de forma contundente a atuação irrestrita do Espírito Santo.

Estudaremos, ainda que de forma resumida, o Evangelho de Lucas e o livro de Atos. Lucas, o autor desses livros, apresenta as bases doutrinárias do Movimento Pentecostal. Abaixo quadro com uma visão panorâmica desses livros e do trabalho de Lucas.



Texto Bíblico: Lucas 1.1-3; Atos 1.1-9

INTRODUÇÃO

Nesta Lição, destacaremos os escritos de Lucas, considerado o autor pentecostal por excelência do Novo Testamento.

I. LUCAS, O ESCRITOR PENTECOSTAL

1. Quem foi Lucas?

Lucas foi um médico grego convertido ao cristianismo, e que se tornou depois companheiro de Paulo em suas viagens missionárias. De suas mãos saíram dois documentos que representa praticamente 25% do texto do Novo Testamento. Esses dois documentos, o Evangelho de Lucas e os Atos dos Apóstolos, foram dirigidos inicialmente a um homem chamado Teófilo, possivelmente um convertido interessado na história de Jesus e dos apóstolos e que possivelmente financiou o projeto literário de Lucas.

Pelo conteúdo do seu texto, Lucas demonstra que teve uma educação diferenciada, pois seus escritos trazem em torno de 800 palavras que não ocorrem nos demais textos do Novo Testamento, em um grego refinado. E sua narrativa, como ele mesmo expõe, foi feita de forma ordenada, tendo sido investigados os fatos de acordo com a ordem em que ocorreram: “[...] por sua ordem, havendo-me já informado minuciosamente de tudo desde o princípio” (Lc 1.3). Lucas é o único que traz o relato da vida de Jesus de forma cronológica, procurando registrar todos os acontecimentos na ordem em que ocorreram. De acordo com a tradição da Igreja, Lucas teria morrido com mais de oitenta anos.

2. A produção literária de Lucas.

Lucas é o autor que descreve a vida de Jesus de forma mais ampla em seu primeiro livro, o Evangelho de Lucas, e que por meio de um segundo livro, Atos dos Apóstolos, mostra a forma com que os discípulos de Jesus deram prosseguimento às obras do Mestre. Por ser médico, relata com detalhes certas doenças e registra suas curas, como nos casos da sogra de Pedro (Lc 4.37-39), do homem que tinha uma das mãos mirrada (Lc 6.6-11) e do servo do centurião (Lc 7.1-10). Por ser gentio, apresenta Jesus falando do reino de Deus a pessoas que a sociedade judaica não prezava, como Zaqueu (Lc 19), e recebendo crianças para abençoar (Lc 18.15-17). Sua narrativa se inicia com os relatos de antes mesmo do nascimento de Jesus Cristo. No seu Evangelho, vemos um farto material de parábolas, histórias que Jesus contou para ilustrar verdades do Reino de Deus, como também um relato a respeito das aparições de Jesus ressurreto aos seus discípulos. Em Atos, Lucas dá prosseguimento à narrativa evangélica, desta vez mostrando o que os discípulos de Cristo fizeram após o Senhor retornar aos céus.

3. Fontes dos escritos de Lucas.

Lucas, no seu Evangelho, mostra o relato de testemunhas oculares dos fatos narrados. Ele buscou pessoas que haviam convivido com Jesus, visto seus milagres, ouvido seus ensinos e que foram libertas de doenças e espíritos imundos pelo poder do Salvador. No livro de Atos, Lucas chega a participar de acontecimentos que ele mesmo descreve, deixando de ser um mero ouvinte de relatos para ser um dos protagonistas da própria narrativa. Isso pode ser visto nas vezes em que ele usa o pronome pessoal “nós”, indicando ser um protagonista dos relatos, como na volta de Paulo para a Ásia (At 20.13), na viagem de volta a Jerusalém (At 21.7) e na viagem de navio de Paulo a Roma (At 27.2). Sua ênfase recai na atuação do Espírito Santo tanto na vida e ministério de Jesus como nas obras que os discípulos desenvolveram nos primeiros anos da Igreja, chegando a mostrar Paulo antes de seu martírio.

II. O EVANGELHO DE LUCAS

1. Um livro que prima pela oração.

O Evangelho de Lucas é iniciado, mostrando uma resposta de oração. Zacarias, futuro pai de João Batista, tem a oportunidade de oferecer incenso por ocasião de seu ofício sacerdotal, quando recebe a visita do anjo Gabriel e junto com ele a informação de que seria pai (Lc 1.13). A Bíblia não registra a oração de Zacarias, mas deixa claro que ele orava ao Senhor, e que sua oração foi respondida, concedendo-lhe Deus a paternidade do precursor do Messias.

Lucas mostra Jesus orando quando foi batizado e o Espírito Santo desceu sobre Ele (Lc 3.21,22). Jesus ungido pelo Espírito Santo, se retira, depois de seu batismo, para o deserto a fim de orar e, posteriormente, ser tentado pelo Diabo (Lc 4-1; 5.16). Jesus ora uma noite inteira na ocasião em que está prestes a escolher seus discípulos (Lc 6.12). E somente Lucas registra que Jesus, na cruz, orou para que os seus crucificadores fossem alcançados pelo perdão de Deus.

2. O Espírito de Deus enchendo e orientando pessoas.

Lucas tem um cuidado especial ao registrar a ação direta do Espírito Santo na vida das pessoas que conviveram com Jesus, o ouviram e creram nEle, e isso antes mesmo do ministério de Jesus começar. É dito por ele que Maria, mesmo sendo virgem, seria mãe de Jesus por obra do Espírito Santo (Lc 1.35), e que por essa ação Jesus seria chamado “Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). A prima da mãe do Salvador, Isabel, ao receber a saudação de Maria, é cheia do Espírito Santo e João Batista salta ainda no ventre de sua mãe (Lc 1.41). Este mesmo Espírito Santo estava sobre Simeão, um homem justo e temente a Deus, que foi levado ao Templo pelo Espírito para ver a salvação de Israel, o próprio menino Jesus, por ocasião da apresentação deste no Templo (Lc 2.25-27). É o Espírito Santo que capacita tais pessoas a falarem de forma profética, revelando-lhes informações sobre Jesus.

Lucas registra a ordem de Jesus aos discípulos, que ficassem em Jerusalém para serem revestidos de poder e ser testemunhas do Senhor, completando assim, seu evangelho (Lc 24.49).

3. O Espírito de Deus agindo em Jesus.

Jesus, já adulto, é batizado por João, e nesse momento o Espírito Santo veio sobre Ele em “forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3.22). Pela virtude do Espírito volta para sua terra, a Galileia, para ensinar nas sinagogas, e tendo chegado a Nazaré, leu o texto de Isaías que dizia: “O Espírito do Senhor é sobre mim [...]” (Lc 4.18). É neste Evangelho que nos é dito que a “a virtude do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17).

Jesus, como relatado por Lucas, deu poder aos seus discípulos para expulsarem demônios e curarem os enfermos (Lc 9.1,2), virtude que só poderia ser dada peto Espírito Santo, que estava em Jesus, o que é dito posteriormente pelo mesmo Lucas, desta vez em Atos.

III. OS ATOS DOS APÓSTOLOS

1. A vinda do Espírito Santo.

Lucas registra a descida do Espírito Santo não apenas como uma promessa feita pelo Senhor Jesus Cristo, mas também as palavras do apóstolo Pedro, associando o evento, no Pentecostes, à profecia de Joel. Esse é o registro da primeira interpretação da profecia de Joel se cumprindo naqueles dias.

Da mesma forma que Lucas prioriza os relatos de oração no Evangelho, ele o faz no livro de Atos. Os discípulos de Jesus, no Dia de Pentecostes, não estavam comemorando a festa, como era de costume, mas estavam orando no cenáculo, até que receberam a virtude do Espírito. Os discípulos oraram quando ameaçados, e pediram que Deus estendesse sua mão para curar e manifestar sinais e prodígios (At 4.30).

2. O poder do Espírito Santo.

Lucas registra a descida do Espírito Santo e a conversão de quase três mil pessoas no Dia de Pentecostes. Pedro, cheio do Espírito Santo, respondeu aos principais da sinagoga a respeito da cura do coxo, na Porta Formosa, que foi realizada em nome de Jesus (At 4.1-11). O mesmo Espírito Santo enche outros discípulos de Jesus quando, ameaçados pelas autoridades, oravam pedindo ousadia para testemunhar, e pediam que Deus fizesse sinais e prodígios (At 4.24-31). O Espírito de Deus, de forma poderosa, encheu Estêvão diante de seus inimigos, de tal forma que não podiam resistir “à sabedoria e ao Espírito com que falava” (At 6.10), e lhe permitiu ver o próprio Senhor Jesus em pé à direita de Deus momentos antes de encontrar com seu Salvador (At 7.55,56). Percebemos que o Espírito agia tanto para trazer a palavra adequada de testemunho a respeito de Jesus quanto para operar milagres, numa atuação diversificada.

Lucas registra em Atos que na segunda viagem missionária, por duas vezes seguidas, Paulo, Silas e Timóteo tentaram entrarem duas regiões, e foram impedidos pelo Espírito (At 16.6,7), uma referência clara de que Ele estava diretamente ligado à expansão missionária da igreja. O Espírito Santo é responsável por realizar sinais e maravilhas, e direcionar os caminhos pelos quais a sua obra vai se desenvolver.

3. Os Atos do Espírito Santo.

Mais que registrar atos dos discípulos de Jesus, Lucas registra os atos do Espírito Santo. Seus escritos mostram que Deus está no controle da história, guia seus discípulos, opera milagres e fala diretamente com seus servos.

Lucas mostra que tanto judeus como gentios foram cheios do Espírito Santo, falaram em línguas e receberam poder para serem testemunhas de Cristo (At 10.44-48). É Lucas quem narra que um homem chamado Barnabé, cheio do Espírito Santo (At 11.22-24), foi mandado para Antioquia, e lá viu a graça de Deus entre os crentes gentios. É nessa mesma igreja que o Espírito Santo de Deus, tempos depois, disse que separassem a Saulo e Barnabé para uma obra específica (At 13.1-3).

Somos pentecostais e não temos dúvidas quanto à atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais.

CONCLUSÃO

A Bíblia é rica em detalhes de como o Espírito Santo veio habitar naqueles gentios e judeus que aceitaram a Jesus. Essa habitação traz consigo santidade, poder para resistirão mal e testemunhar de Jesus. Não há um verso nas Sagradas Escrituras que nos permita inferir que o batismo com o Espírito Santo, seguido do falar em outras línguas, ficou restrito ao tempo dos apóstolos. Lucas registra o início da obra do Santo Espírito, e sabiamente, não descreveu um encerramento dessa atividade, pois o Espírito de Deus continua a mover pessoas com seu poder, acima de tudo, para testemunhar de Cristo com autoridade.

Lucas é efetivamente um escritor que dá ênfase à presença do Espírito Santo em seus dois livros e suas obras são fontes primárias da doutrina pentecostal.

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 4º Trimestre de 2018 - Título: O vento sopra onde quer – O ensino bíblico do Espírito Santo e sua operação na vida da Igreja – Comentarista: Alexandre Coelho

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