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sexta-feira, 27 de abril de 2018

Vivendo uma Vida Santa

“Portanto, quem despreza isto não despreza ao homem, mas, sim, a Deus, que nos deu também o seu Espírito Santo” 1Ts 4.8

“A santificação começa na conversão, quando uma pessoa se arrepende e volta para Deus, passando a ser um ‘santo’ (que significa, literalmente, ‘uma pessoa separada ou consagrada’). Esse, porém, é apenas o começo de um processo contínuo e progressivo. Não leva muito tempo entrar num trem, mas leva tempo até chegar ao destino. A pessoa se torna santa por um ato de fé em Cristo Jesus, que nos atribui esse título, mas ser santo em cada aspecto da vida leva tempo. O trem não chega ao seu destino num pulo único, e nem nós nos tornamos santos desenvolvidos de um dia para outro. Precisamos crescer na graça e no conhecimento de Jesus Cristo. Do ponto de vista prático, a santificação é o processo mediante o qual os separados se tornam santos na prática, os que estão sob a graça de Cristo se tornam graciosos, e os cristãos se tornam semelhantes a Cristo. A santificação é a cristianização dos cristãos. [...] A santidade prática exige crescer espiritualmente; pessoas santas são ‘perfeitos, os quais, em razão do costume, têm os sentidos exercitados para discernir tanto o bem como o mal’ (Hb 5.14). Criancinhas espirituais, como criancinhas físicas, estão dispostas a engolir tudo que acham! (Ef 4.14)” (PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas:Semeando as Doutrinas Cristãs. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1998. pp.184,194).

Deus nos convoca para uma compreensão de santidade que transcende os cerimoniais religiosos e os rituais de purificação humanos.

Texto Bíblico - Tessalonicenses 4.1-4

INTRODUÇÃO

Depois de ter redigido a parte principal desta sua primeira carta, na qual as temáticas centrais eram o louvor e a gratidão a Deus pela experiência de salvação que desfrutavam os tessalonicenses, Paulo passa a fazer alguns esclarecimentos a respeito de assuntos pontuais para a vida dos irmãos daquela igreja. O início desse novo momento da epístola é demarcado através da primeira palavra de 1 Tessalonicenses 4.1, que é traduzida por “finalmente”, “quanto ao mais”, “de resto”, “ademais”. O apóstolo parece orientar os membros daquela jovem igreja a respeito de algumas dúvidas teológicas que eles possuíam e provavelmente a respeito de algumas questões práticas que Timóteo destacou em seu relatório de retorno a Paulo. Estudar as inquietações dos tessalonicenses torna-se muito relevante, especialmente quando percebemos que estas ainda são muito pertinentes para a Igreja atual.

I. A VIDA SANTA QUE AGRADA A DEUS

1. Um modelo que é transmitido e compartilhado.
A preocupação de Paulo era que os tessalonicenses permanecessem no mesmo conjunto de princípios fundamentais que receberam no início de sua fé, pois se eles assim fizessem, tudo permaneceria bem. Em tempos de fórmulas mágicas ou estratégias mirabolantes, devemos nos fortalecer na confiança de que o Evangelho que nos foi transmitido é verdade espiritual suficiente para nossa edificação. Não necessitamos de complementos ou novas revelações (Gl 1.6-9). As boas-novas de Cristo não são uma verdade complexa e de difícil compreensão que apenas alguns privilegiados terão a capacidade de discerni-las; antes, é um fato simples e de fácil assimilação: Deus nos ama de maneira incondicional. O Evangelho é simples e descomplicado.

2. Vivendo para agradar a Deus.
O objetivo de Paulo neste momento de sua carta àquela comunidade era lembrar aos irmãos de que a finalidade de nossas vidas não é atingir metas pessoais ou sonhos individuais, e sim, agradar a Deus em tudo quanto fizermos. Ter uma vida santa é viver segundo o propósito do Senhor (2Tm 1.9). Por isso não tenhamos receio de obedecer a Cristo, sabendo que tal opção de vida nos conduzirá à felicidade e à realização pessoal. A manifestação do Reino de Deus em nós é produtora de vida, libertação e alegria (Sl 16.8-11); certamente passaremos por desafios e lutas, mas nada, nem ninguém, terão o poder de destruir os fundamentos eternos que o Senhor já estabeleceu em nossas vidas por meio da salvação em Cristo Jesus (Rm 8.35-39). Compreendamos que se viver é um privilégio, viver em Cristo é a experiência mais sublime que podemos vivenciar.

3. Vida transbordante, vida em santidade.
A presença do Senhor é reconfortante e abençoadora para nós. Se há uma metáfora bíblica que exemplifica de maneira clara a vida cristã, esta é a imagem do transbordamento. Analogias que se referem a rios caudalosos em terras secas (Is 41.18); colheitas produtivas em tempos de crise (Dt 28.8); prosperidade material (Sl 112.1-3). A medida de nossa alegria é a fartura (Sl 16.11), a porção do perdão que nos atinge é transbordante (Lc 6.38), o amor que nos salva é incomensurável (Jo 3.16). Vida cristã é sinônimo de vida santa, não há compatibilidade entre viver em Cristo e viver no pecado (Rm 6.1,2; 11-15). Por isso a nossa experiência de fé é aquela que aponta para uma abundante graça (Rm 5.20). Não é possível estar cheio de Deus, e continuar carregando ainda ódios, mágoas e ressentimentos. Esta é a causa de algumas pessoas não experimentarem a plenitude do Espírito, é preciso esvaziar-se de muita coisa antes.

Ponto Importante
Não devemos temer o que Deus preparou para nós; por mais desafiador e espantoso que seja, certamente isto será sempre o melhor.

II. O IMPERATIVO DA PUREZA SEXUAL

1. A santificação como vontade de Deus.
Não foi para uma vida de pecados que fomos vocacionados por Deus (1Jo 3.8,9). Aqueles que são guiados pelos valores decadentes do mundo não conseguem aperceber-se da presença do Senhor; veem apenas tragédias, dores e maldades. No nosso caso é diferente, pois por meio da semente da santidade que brotou em nosso ser conseguimos ver Deus em tudo ao nosso redor: reconhecemos as grandezas de Deus na natureza (Sl 19.1); na transformação ocorrida em nossas vidas percebemos a presença do Senhor (2Co 3.18); em tudo o que existe, ao vivermos em santidade, somos capazes de reconhecer a glória de Deus. Uma vez que Deus nos tornou santos devemos fazer de nossa vida um altar de louvor a Ele, de maneira que, assim como o Sumo Sacerdote da Antiga Aliança, todos quantos olharem para nós lembrem-se do lema de nossa vida: “SANTIDADE AO SENHOR!” (Êx 39.30).

2. Santificação que se exige de solteiros e casados.
Há em 1 Tessalonicenses 4.3-5 uma explícita e contundente exortação paulina quanto a pureza sexual. Não nos concentraremos no debate a respeito do que significa o termo vaso no v.4, pois o mais relevante é compreender que o Senhor conclama os seus filhos a reconhecerem a sexualidade como um componente tão sagrado do ser humano quanto tudo o mais que nos envolve é. Não há nada de profano ou pecaminoso no relacionamento sexual entre os casados. Lembre-se disso: seu corpo é templo e morada do Espírito Santo (1Co 3.16), não profane o templo de Deus, você! (1Co 6.15-19; Hb 13.4).

3. Vivendo num nível diferente de espiritualidade.
Se de fato nossa espiritualidade é viva, é necessário que o padrão moral e comportamental do povo de Deus não seja o mesmo daquele que é adotado pelo mundo. Essa é a orientação de Paulo àquela jovem comunidade (1Ts 4.5). Aqueles que estão cegos em seus delitos e pecados possuem uma maneira distorcida de encarar aspectos essenciais da vida, como a sexualidade, por exemplo, que não condizem com nossa maneira de compreender a realidade. Fomos vocacionados à salvação para, através de nosso testemunho, anunciarmos os valores de um Reino superior, de cima, do céu (Mt 5.13-16; Jo 3.31).

Ponto Importante
A santificação produzida por Deus em nossas vidas não tem efeitos apenas para o futuro; na verdade, os efeitos da obra de Cristo já repercutem agora em nós.

III. SANTIFICAÇÃO EM TODA MANEIRA DE VIVER

1. Negócios honestos.
Santidade, todavia, não é algo que se refere apenas ao corpo ou a exterioridade das pessoas. Devemos ser santos e honestos também em nossos negócios (1Ts 4.6). A corrupção é uma prática usual em nosso país; entretanto, nós temos de ser diferentes (Ml 3.18). Não podemos defender o lucro a todo custo, a pirataria, o desvio de verba, a balança injusta (Pv 11.1; Mq 2.2). Somos um ser integral, logo, é impossível ter um padrão de santidade nos momentos litúrgicos, isto é, na igreja, e não apresentar um testemunho santo em nossa vida fora do templo. Na verdade, fomos chamados para anunciar as verdades do Reino aos que estão distantes de Deus, se, em virtude de um comportamento inadequado, não somos capazes de fazer isso, nosso cristianismo é falso e nossa fé morta (1Co 8.9; Tg 2.17). É impossível ser cristão e não ser santo.

2. Relacionamentos sadios.
Não existe santidade na vida de quem promove violência, injustiça e discórdia. Como alguém pode declarar-se nascido de novo, mas ser responsável pelo fim de um casamento, pela promoção de inimizades entre pessoas, por semear a contenda entre irmãos? Isto é simplesmente impossível (Pv 6.16-19). Deus nos chamou para relacionamentos mutuamente edificantes, não devemos ser fardos para ninguém. Como anuncia Paulo, o Senhor é vingador do injustiçado (1Ts 4.6). Numa referência direta a Levítico 25.17, o apóstolo assegura que as trapaças humanas podem passar desapercebidas pelas demais pessoas, todavia, jamais serão desconsideradas pelo Senhor que é Deus da Justiça (Is 61.8). Ele “vingará” o violentado, restituirá o roubado, justificará o fraudulentamente acusado (Hb 10.30). Nossa esperança se estabelece no Senhor, em época como a nossa em que instituições sociais e seus compromissos com a equidade estão fragilizados.

3. Santificação como experiência de viver no Espírito.
O poder santificador do Espírito nos torna progressivamente mais santos (1Co 6.11). Somos convocados por Deus para uma experiência de santificação instantânea e constante (Jo 17.19). O fato de o mundo estabelecer relacionamentos fraudulentos e moralmente decadentes, além de ser um desrespeito ao outro — obra do amor do Criador, imagem e semelhança da própria divindade — torna-se um afrontoso pecado contra o Espírito Santo. Ao tratarmos outras pessoas fora do nível de amor e respeito que elas merecem, como filhos e filhas de Deus, estamos voltando-nos contra o próprio Senhor (1Ts 4.8). A adoração a Deus sem comunhão com o próximo é puro rito religioso vazio, desprovido do real sentido do culto a Deus. Deste modo, viver no Espírito é uma experiência de comunhão verdadeira com o Criador e seus filhos.

Ponto Importante
Em um mundo de ódio, preconceitos e posturas cada vez mais radicalizadas, somos convidados para ser agentes do amor, movidos pelo Evangelho de Cristo, por uma íntima compaixão que nos faça ver as pessoas que, se não forem evangelizadas, não terão qualquer oportunidade de ver o rosto de Deus.

CONCLUSÃO

Não existe santidade quando há isolamento, ódio e negação do outro. Se somos as pessoas deixadas por Deus nesta sociedade para que ela não apodreça em seus extremismos sociais, cabe-nos a tarefa de iluminar os corações entenebrecidos por preconceitos e discriminações, e dar sabor às vidas desesperançosas de justiça, bondade e paz. Ser santo é estar a serviço do bem-estar do outro.


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 2º Trimestre de 2018 - Título: A Igreja do Arrebatamento — O padrão dos Tessalonicenses para estes últimos dias - Comentarista: Thiago Brazil

Aqui eu Aprendi!

sábado, 26 de agosto de 2017

A necessidade de termos uma vida santa

Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” 1Pe 1.15

A necessidade e a possibilidade de termos uma vida santa

Santidade é para mostrar superioridade espiritual em relação ao outro? É mostrar que você tem o controle da própria natureza nas mãos? É se mostrar orgulhoso da “autoridade espiritual” que possui? Essas perguntas, prezado professor, prezada professora, são boas sugestões para iniciar a lição desta semana.
É preciso desenvolver a perspectiva bíblica de que a santidade nada tem a ver com superioridade espiritual em relação ao outros; muito menos a sensação de que se tem o controle da própria natureza humana; tão pouco é se apresentar uma pessoa orgulhosa como portadora de determinada “autoridade espiritual”. É preciso salientar que a Bíblia mostra a santidade como uma atitude de quem, sendo alcançado pela graça de Deus, devolve-Lhe o amor que o Pai depositou em sua vida. Então, essa pessoa tem a plena consciência que não pertence ao mundo, muito menos a si própria, mas somente a Deus. E consagrada, separada, escolhida por Deus como propriedade exclusiva dEle.

Por que fomos chamados para ser santos?
Logo, somos santos porque Deus nos separou para isso, por intermédio de sua graça manifesta no sacrifício de Jesus, pois assim, a santidade não passa por mera ambição de seguir uma carreira espiritual ou eclesiástica, mas pela forte convicção de que Deus nos chamou e separou para trilhar o mesmo caminho de Jesus neste mundo. Por isso, somos os seus discípulos!

Distinguindo “mundo” da “terra”
É preciso deixar claro para classe, que biblicamente, neste mundo, os crentes são considerados forasteiros, peregrinos e, por isso, não devem se conformar com ele, pois não pertencemos mais ao sistema filosófico de vida do mundo (Rm 12.2; cf. Jo 15.9; Hb 11.13; 1Pe 2.11). Aqui, é importante destacar que quando falamos que não pertencem os a este mundo, partimos do pressuposto da distinção entre as palavras “mundo” e “terra”. Não por acaso nos referimos a “mundo” como um sistema filosófico de vida para o indivíduo, e não como a terra, isto é, a beleza da Criação, criada por Deus, para glorificar o seu nome e ser bênção em nossas vidas. Ora, Deus não proíbe a contemplação da natureza criada como obras de suas mãos, como as montanhas, as florestas, os mares, enfim, a terra toda criada, pois “Os céus manifestam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos” (Sl 19.1).

Que Deus nos molde e ajude a sermos santos em toda a nossa maneira de viver! (1Pe 1.15)

Cremos na necessidade e na possibilidade de termos uma vida santa e irrepreensível por obra do Espírito Santo, que nos capacita a viver como fiéis testemunhas de Jesus Cristo.

Texto Bíblico: 1 Pedro 1.13-22

Justificação, regeneração e santificação são obras que o Senhor Jesus realiza na vida do pecador que se arrepende. Nesse aspecto, a santificação, o tema desta lição, tem duas perspectivas em sua natureza. A primeira é instantânea, pois no exato momento em que o pecador se arrepende de seus pecados, Cristo Jesus o justifica e regenera, tornando-o santo, isto é, essa pessoa passa a pertencer exclusivamente a Cristo. A segunda perspectiva é progressiva, pois enquanto vivemos neste mundo, o nosso corpo mortal não foi redimido, transformado e glorificado e, por isso, precisamos dia após dia estar diante de Jesus, buscando a Deus e consagrando a nossa vida para o Espírito Santo sobrepujar a natureza má da nossa “carne”. A Palavra de Deus nos mostra que fomos chamados para sermos santos em toda a esfera da vida (1Pe 1.15,16).

INTRODUÇÃO

Quando o pecador se arrepende e aceita Jesus como seu Salvador pessoal, ele é justificado, regenerado, santificado e adotado na família de Deus. A santificação é especialidade do Espírito Santo; é instantânea, mas ao mesmo tempo progressiva, pois esse processo continua na vida do crente. O presente estudo pretende explicar a necessidade e a possibilidade de uma vida santa.

O nosso chamado para ser santo, isto é, afastar-se de tudo aquilo que é pecaminoso, está baseado na santidade de Deus.


A Doutrina da Santificação pertence em parte à doutrina de Deus e em parte à doutrina da salvação, a soteriologia; é a santidade como atributo divino e a santidade como elemento constituinte da salvação. Deus é absolutamente santo, sua santidade é infinita e inigualável, Ele é santo em Si mesmo, em sua essência e natureza; no entanto, está escrito: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo” (Lv 19.2). Essa passagem é citada no Novo Testamento (1 Pe 1.16). Deus exige santidade de seu povo porque Ele é santo. Temos aqui a santidade em Deus e nas pessoas; isso explica a dúbia classificação, apesar de haver enorme e incomparável diferença entre a santidade de Deus e a santidade do ser humano.

SANTIDADE COMO ATRIBUTO DIVINO

A santidade é uma das perfeições de Deus conhecidas como atributos morais ou transitivos, pois há nos humanos alguma ressonância. Ele é absolutamente santo em natureza e conduta; sua santidade é sui generis e se distingue de tudo o que há no universo, porque lhe é próprio, é uma característica inerente ao seu Ser, absoluta e perfeita. É o atributo mais solenizado nas Escrituras. Sua Pessoa é santa: “o nosso Deus é santo” (Sl 99.9); seu nome é santo: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo” (Is 57.15); sua morada é santa: “Olha desde a tua santa habitação, desde o céu” (Dt 26.15); Cale-se, toda a carne, diante do SENHOR, porque ele despertou na sua santa morada” (Zc 2.13); santo é o seu templo: “Mas o SENHOR está no seu santo templo” (Hc 2.20); sua promessa é santa: “Porque se lembrou da sua santa palavra” (Sl 105.42).

A conclusão de tudo isso é: “Não há santo como é o SENHOR” (1 Sm 2.2); “Ó SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em santidade, terrível em louvores” (Êx 15.11); “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3); “E os quatro animais tinham, cada um, respectivamente, seis asas e, ao redor e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Ap 4.8); “Quem te não temerá, ó Senhor, e não magnificará o teu nome? Porque só tu és santo; por isso, todas as nações virão e se prostrarão diante de ti, porque os teus juízos são manifestos” (Ap 15.4). Isso é ensinado ao longo das páginas da Bíblia; não se trata apenas de um dos seus atributos comunicáveis, mas de algo fundamental a tudo o que se refere a Deus. Sua santidade é em majestade e transcendência; Ele é separado e acima de todos os povos e muito distante de tudo o que é pecaminoso.

DEFININDO OS TERMOS

A raiz do verbo hebraico qādash e seus termos derivados como substantivo e adjetivo têm um significado amplo, e não é possível descrevê-los por causa da escassez do espaço. Os dicionários e léxicos da língua hebraica ocupam muitas páginas para descrever e explicar esses termos. O significado básico de qādash é “ser santo, ser santificado, santificar, ser posto à parte” (Êx 29.21). O adjetivo qādôsh, “santo”, designa o próprio Deus: “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos” (Is 6.3). Isso diz respeito à santidade como pureza ética. O equivalente grego é hágios“Quem não te temerá, Senhor, e quem não glorificará o teu nome? pois só tu és santo” (Ap 15.4). Deus é santo em si mesmo completamente separado de tudo o que comum e impuro ou pecaminoso: “Porque assim diz o Alto e o Sublime, que habita na eternidade e cujo nome é Santo: Em um alto e santo lugar habito e também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e para vivificar o coração dos contritos” (Is 57.15). A revelação aqui mostra um Deus transcendente e imanente. Ele é exaltado e elevado das nações e habita na eternidade do tempo e do espaço, e seu nome, natureza e caráter é Santo [qādôsh]. Isso é transcendência. Mas habita também com o contrito e abatido para vivificar o pecador abatido de espírito e contrito de coração. É a graça salvadora de Deus para todas as pessoas (Tt 2.11).

A etimologia da raiz de qādash é ainda incerta; parece ser uma combinação que indica “queimar no fogo”, uma referência à oferta queimada, ou “brilho, brilhante”, especificamente divino, como no substantivo “santidade”, qōdesh: “Quem é semelhante a ti, glorioso em santidade, terrível em louvores, operando maravilhas? (Êx 15.11 – TB), mas a ideia básica é de “separar, retirar do uso comum”. A natureza essencial do substantivo qōdesh pertence ao domínio do sagrado; a ideia é de santidade, que distingue daquilo que é comum ou profano: “para fazer diferença entre o santo e o profano e entre o imundo e o limpo” (Lv 10.10); “e profanam as minhas coisas santas; entre o santo e o profano não fazem diferença, nem discernem o impuro do puro” (Ez 22.26); “E a meu povo ensinarão a distinguir entre o santo e o profano e o farão discernir entre o impuro e o puro” (Ez 44.23).

Mas “qādôsh, que significa santo, era uma palavra cananeia antes de se tornar uma palavra hebraica. Na religião cananeia essa palavra não tinha um sentido ético especial. Os sacerdotes e sacerdotisas eram chamados de qādôsh no sentido de serem devotados a um deus ou deusa, mas não no sentido de pureza ética. Eles, na verdade, eram impuros, como as deidades. A prostituição sagrada fazia parte de suas práticas religiosas” (CULVER, 2012, p. 146). Isso esclarece o uso do termo qādēsh e do feminino qedēshâ, “consagrado a/consagrada a”, que se aplicava a homens e mulheres consagrados aos santuários pagãos e se traduz também como “prostituto/prostituta cultual, sodomita, rameira” devido à licenciosidade da adoração aos deuses cananeus. Era o culto à fertilidade. Na cultura pagã, não havia aí conotação moral, nem bom nem mal, apesar de se tratar de uma prática repugnante aos olhos de Deus.

A palavra qedēshâ e o termo masculino qādēsh são traduzidos por “rameira” e “sodomita”, respectivamente: “Não haverá rameira dentre as filhas de Israel; nem haverá sodomita dentre os filhos de Israel” (Dt 23.17). Dizem respeito à chamada “prostituição sagrada” ou “cultual”. Aqui se refere à proibição de os filhos de Israel participarem dos rituais de fertilização prática dedicada a certos deuses dos cananeus (Jz 8.33). A palavra qādēsh é também traduzida por “rapazes escandalosos” (1Rs 14.24; 15.12) ou “sodomitas” (TB), ou ainda “prostitutos-cultuais” (ARA) e também por “prostituto sagrado” (NVI).

O verbo hebraico zānāh, “cometer fornicação, praticar prostituição”, designa primariamente um relacionamento sexual fora de uma união formal, uma relação sexual irregular e ilegal entre um homem e uma mulher. O particípio do verbo zānāh é zonāh, “prostituta, meretriz”, e se refere à mulher que se entrega a tal prática, à mulher que recebe pagamento por favores sexuais (Pv 6.26; Ez 16.31, 33, 34). Essa palavra se aplica à Raabe (Jo 2.1; 6.17) e à mãe de Jefté (Jz 11.1), entre outras. Esse mesmo termo é usado para a nora de Judá (Gn 38.15), mas, logo adiante, ela é identificada como qedēshâ (Gn 38.21, 22). A Septuaginta traduziu zonāh (Gn 38.15) e qedēshâ em Gênesis 38.21, 22, por pornē, “prostituta, meretriz”, a mesma palavra usada para Raabe no Novo Testamento (Hb 11.31; Tg 2.25). A referência à rameira e ao sodomita é no sentido cultual; a raiz da palavra hebraica é a mesma, mas esses pagãos eram consagrados ou dedicados à imundícia, à prostituição cúltica e à idolatria, e não à santidade.

A Septuaginta emprega os vocábulos hagiazō, “santificar”, hagiasmós, “santificação”, e hágios, “santo”, que são os termos mais usados no Novo Testamento com o mesmo sentido. A influência da Septuaginta nos escritores do Novo Testamento foi determinante, servindo de ponte linguística e teológica entre o hebraico do Antigo Testamento e o grego do Novo. Os apóstolos encontraram nela uma fonte de conceitos e termos teológicos para expressar o conteúdo e o pensamento cristão.

A NECESSIDADE DE UMA VIDA SANTA

Os deuses da mitologia greco-romana apresentavam os mesmos vícios e as mesmas características dos homens – ódio, inveja, ciúme, imperfeições – e além disso cometem prostituição, comem, bebem etc. Os deuses do paganismo antigo eram tão imorais quanto os seus adoradores. O caráter e a atividade das pessoas eram iguais aos dos deuses que eles serviam. Elas se comportavam como seus deuses sem temê-los. De modo, que é dedicado a eles, pois que praticam as mesmas coisas. Isso transmite a ideia de legitimidade às pessoas sobre as mesmas práticas dos deuses. Resumindo, as pessoas têm o direito de fazer tudo os que os deuses fazem. É exatamente isso o que se vê na sociedade greco-romana.

Mas com o verdadeiro Deus revelado nas Escrituras as coisas são diferentes. O seu caráter é puro e santo por natureza, completamente isento de pecado, portanto, e todos os que pertencem a ele precisam igualmente de pureza e santidade: “Os deuses do paganismo antigo eram tão imorais quanto os seus adoradores” (Lv 19.2); “Santificai-vos e sede santos, pois eu sou o SENHOR, vosso Deus” (Lv 20.7). Essa exortação não se restringe aos filhos de Israel, pois ela reaparece no Novo Testamento ensinando aos cristãos a necessidade de uma vida santa: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo” (1 Pe 1.15, 16).

Quando Deus introduz os dez mandamentos com as palavras “Eu sou o SENHOR, teu Deus” (Êx 20.2), está se referindo ao resgate dos israelitas da terra do Egito, à grande libertação das garras de Faraó. Esta redenção é o tema do livro de Êxodo. A “casa da servidão” é o símbolo da opressão social. Quem paga o preço do resgate tem o direito legal de posse. A santificação dos filhos de Israel era uma exigência porque eles pertencem a um Deus que é santo em Si mesmo e também porque Ele os resgatou.

A Igreja é agraciada com a mesma bênção e herança de Israel. Dentre todos os povos da terra, Deus separou os israelitas para serem nação santa: “E ser-me-eis santos, porque eu, o SENHOR, sou santo e separei-vos dos povos, para serdes meus” (Lv 20.26); “Porque povo santo és ao SENHOR, teu Deus; o SENHOR, teu Deus, te escolheu, para que lhe fosses o seu povo próprio, de todos os povos que sobre a terra há” (Dt 7.6); “Porque és povo santo ao SENHOR, teu Deus, e o SENHOR te escolheu de todos os povos que há sobre a face da terra, para lhe seres o seu povo próprio” (Dt 14.2). Esse chamado à santidade se fundamentava no fato de agora ter se tornado possessão de Deus, que é santo, e por isso os israelitas deviam estar separados de tudo aquilo que é profano ou comum, tudo o que contamina; Ele exige santidade do seu povo (Lv 11.44, 45).

A Bíblia ensina que as bênçãos de Israel são equivalentes às da Igreja. Há certa correspondência entre o chamado de Israel e o da Igreja, pois os mesmos três privilégios de Israel – “propriedade peculiar”, “reino sacerdotal e povo santo” (Êx 19. 5, 6) – são também concedidos à Igreja: “Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9). O compromisso de santidade dos israelitas é o mesmo dos cristãos, pois Israel foi resgatado do Egito, da casa da servidão, e nós fomos libertados do poder das trevas. É assim que pertencemos a Cristo e devemos viver em santidade.

Há certa correspondência entre o padrão das antigas nações cananeias e também dos diversos povos pagãos da Antiguidade com a sociedade atual. O estilo de vida da Antiguidade e o de hoje mantêm os mesmos princípios, como o desprezo pelos valores cristãos. A idolatria é a manifestação pública da infidelidade a Deus, comparada ao adultério e a diversas formas de prostituição (Ap 2.20). O povo de Deus em todas as épocas precisa se afastar dessas coisas, e não somente isso, mas também combater essas práticas com a pregação do evangelho. Aí estava a diferença entre as nações cananeias e a nação de Israel (Lv 11.44) e entre os cristãos e o mundo (Rm 12.1, 2; Fp 2.15). E isso vale para os nossos dias.

MODOS DE SANTIFICAÇÃO

A santificação apresenta três estágios ou aspectos na vida do cristão: começo, desenvolvimento e conclusão; passado, presente e futuro; instantânea, progressiva e completa. O pecador é santificado no ato de sua conversão a Cristo; ela é imediata e coloca o convertido na posição de filho de Deus (Hb 3.1) e de posicionalmente santo: “mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus” (1 Co 6.11). Essa santificação é chamada de passada ou posicional e foi realizada por Cristo (Jo 17.17; Hb 10.10). É posicional por causa da mudança de pecador para santo ou santificado (At 26.18; 1 Co 1.2). Essa mudança moral coincide com a regeneração (Tt 3.5). É a santificação definitiva em que o pecador rompe de uma vez por todas o seu relacionamento com o pecado e assume um novo relacionamento com o Senhor Jesus (Rm 6.1, 2, 18; 1 Pe 2.24). É uma santificação que não se baseia no que fazemos ou no que devemos fazer, mas tem consequência na nossa vida; é uma ação do Deus trino (1 Pe 1.2).

A santificação presente é progressiva, também conhecida como santificação real, (Pv 4.18) e continua em desenvolvimento (Hb 12.14). Apesar do seu caráter instantâneo, não significa que seja estagnada; ela se desenvolve na vida cristã: “Mas todos nós, com cara descoberta, refletindo, como um espelho, a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória, na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor” (2 Co 3.18). Gradualmente o cristão vai se tornando cada vez mais semelhante a Cristo (Fp 3.13, 14; Cl 3.10). À medida que o crente em Jesus se afasta do pecado, mais ele se aproxima de Deus: “Deixemos todo o embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta, olhando para Jesus, autor e consumador da fé” (Hb 12.1, 2). A expectativa revelada no Novo Testamento é no sentido de que cada crente aumente a santificação durante o curso da vida.

A santificação presente não é ainda completa e perfeita porque o cristão não está totalmente isento do pecado: “Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós” (1 Jo 1.8). Por maior que seja o grau de santidade, ela nunca será plena enquanto estivermos neste corpo mortal (Rm 6.12, 13). Mas o terceiro estágio da santificação, a santificação futura e completa (1 Co 15.49; 2 Co 7.1; 1 Ts 5.23), será quando Senhor vier; Ele mesmo “transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas” (Fp 3.21). É a glorificação dos salvos (Rm 8.30), uma promessa de transformação futura de nosso corpo mortal (1 Co 15.43).


SUBSÍDIO
Santo” conceito exegético desse termo:

“Santo (Antigo Testamento): qõdesh: ‘santidade, coisa santa, santuário’. Este substantivo ocorre 469 vezes com os significados de: ‘santidade’ (Êx 15.11), ‘coisas santas’ (Nm 4.15 — ARA) e ‘santuário’ (Êx 36.4).

Santo (Novo Testamento): hagiasmos, é traduzido em Rm 6.19,22; 1Ts 4.7; 1Tm 2.15; Hb 12.14 por ‘santificação’. Significa:
(a) separação para Deus (1Co 1.30; 2Ts 2.13; 1Pe 1.2);

(b) o estado resultante, a conduta que convém àqueles que são separados (1Ts 4.3,4,7; e os quatro primeiros textos citados acima).

A ‘santificação’ é, pois, o estado predeterminado por Deus para os crentes, no qual Ele pela graça os chama, e no qual eles começam o curso cristão e assim o buscam. Por conseguinte, eles são chamados ‘santos’ (hagioi)" (VINE, W. E.; UNGER, Merril F. (et all). Dicionário Vine: O Significado Exegético e Expositivos das Palavras do Antigo e do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, pp.281,970).

"Santificação"
“A Santificação precisa ser distinguida da justificação. Na justificação, Deus atribui ao crente, no momento em que recebe a Cristo, a própria justiça de Cristo, e a partir de então vê esta pessoa como se ela tivesse morrido, sido sepultada e ressuscitada em novidade de vida em Cristo (Rm 6.4-10). É uma mudança que ocorre ‘de uma vez por todas’ na condição legal ou judicial da pessoa diante de Deus. A santificação, em contraste, é um processo progressivo que ocorre na vida do pecador regenerado, momento a momento”. Para conhecer mais, leia Dicionário Bíblico Wycliffe, CPAD, p.1762.


É POSSÍVEL SER SANTO?   SIM! É POSSÍVEL.  E deve ser o desejo de todo cristão se parecer com Jesus e ter uma vida santa, assim como o Mestre teve. Pela sua infinita graça, Deus concede vida santa a todos os pecadores, desde que eles se arrependam e confessem o nome de Jesus (Rm 10.9,10). Assim, Deus disponibilizou três meios para a santificação: o sangue de Jesus: “E, por isso, também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (Hb 13.12); o Espírito Santo (2Ts 2.13); e a própria Palavra de Deus (Jo 17.17; Ef 5.26). O Senhor nos forneceu todos os recursos necessários para uma vida santa e separada do mundanismo (Rm 12.1,2).


CONCLUSÃO
O nosso dever não consiste apenas em nos afastar do pecado e de toda a forma de paganismo, mas também de combatê-los com a pregação do evangelho e com nossa maneira de viver, assim como fizeram os primeiros cristãos. O cristianismo é a única religião do planeta que tem o Espírito Santo (Jo 14.16,17). É Ele quem nos capacita a viver em santidade e a vencer as tentações. Somos privilegiados porque temos Jesus e o Espírito Santo.


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Adultos - 3º Trimestre de 2017 - Título: A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos - Livro de Apoio - Comentarista: Esequias Soares
Revista Adultos 3ºTrim.2017 - A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos - Comentarista: Esequias Soares

Aqui eu Aprendi!

segunda-feira, 23 de maio de 2016

A Bíblia - Questões Familiares (sexualidade humana e O novo casamento)

A Bíblia e as questões familiares

Como a unidade social básica, cada questão social atinge de algum modo a família. É claro, porém, que algumas questões chegam mais perto do centro da identidade e do bem-estar familiar. Na sociedade contemporânea, estariam entre essas questões: papéis sexuais (veja a postagem anterior), a extensão e os tipos de comportamento sexual e os padrões de casamento.

Veja também:

A Bíblia e a sexualidade humana.
O primeiro princípio bíblico da sexualidade humana é que o sexo é legítimo exclusivamente dentro da aliança do casamento. A declaração concisa desse princípio em Gênesis 2.24 é a corte de apelação em todo o Novo Testamento em questões ligadas ao casamento e ao comportamento sexual (veja Mt 19.5-6; Mc 10.8; Ef 5.31). As implicações desse princípio orientador são também examinadas na Bíblia.

Primeiro, todos os desvios sexuais são condenados (Gl 5.19; Rm 1.24). Entre eles a relação sexual com crianças (pedofilia, veja Mt 18.6), o incesto (Lv 20.11-21) e o comportamento homossexual (Lv 18.22; Rm 1.26-27).

Segundo, a atividade sexual está sempre ligada à edificação da família. Isso não significa que o único propósito da sexualidade são os filhos, por mais que sejam importantes (Sl 127.3-5; 128.3-6). Significa que a Bíblia coloca o sexo dentro da estrutura da formação da família. Todo ato sexual, de regra, possui potencial para concepção. E a relação sexual é o meio pelo qual se cumpre a ordem divina de gerar filhos (Gn 1.28). Ele também expressa amor (Hb 13.4), nutre o companheirismo (Pv 5.18-19) e fortalece o compromisso (1Co 7.3-4). Por conseguinte, como princípio operacional, qualquer atividade sexual que não possa ser considerada promotora da formação de famílias vai contra a Bíblia. O sexo pré-conjugal, por exemplo, coloca a intimidade sexual antes da aliança do casamento. Ele também tem o potencial de produzir filhos para os quais ainda não foi preparado o ambiente seguro de um lar (casamento). Assim, ele não consegue edificar uma família.

Terceiro, a sexualidade causa consequências psicológicas poderosas. O sexo é o modo de união no casamento (Gn 2.24). Ele junta duas pessoas formando “uma carne” (veja acima). O sexo no casamento desenvolve a personalidade. Mas fora dele, distorce e prejudica emocionalmente (1Co 6.18; Ml 2.16).

Quarto, o casamento é a provisão divina para expressão sexual (1Co 7.9). Como tal, é normal e bom (Jo 2.1-11; 1Tm 4.3; 5.14). A Bíblia certamente permite o celibato e o recomenda para uma vida de devoção completa (1Co 7.7-9,32-34). Mas a noção de celibato egoísta que busca o próprio prazer é estranho à Bíblia. O celibato bíblico sempre inclui castidade e devoção (Mt 19.10-12; 1Tm 5.9-11).

A Bíblia e o divórcio e o novo casamento.
Assim como ocorre hoje, o divórcio era comum em todo o mundo greco-romano e em Israel após o exílio (cerca de 536 a.C.). Isso explica os severos alertas a respeito do divórcio e novo casamento em Malaquias (cerca de 430 a.C.) e em todo o Novo Testamento. Enquanto o divórcio vem se tornando mais aceitável na sociedade, os cristãos questionam cada vez mais o ensino bíblico sobre o assunto.

A discussão envolve quatro passagens-chave nos evangelhos (Mt 5.32; 19.3-12; Mc 10.2-12; Lc 16.18), uma nas epístolas de Paulo (1Co 7) e algumas no Antigo Testamento (especialmente Dt 24.1-4). A questão decisiva nessas passagens é se há motivos justificáveis para o divórcio e, caso haja, quais.

Debates extensos tem levado a diferentes conclusões entre cristãos evangélicos. Alguns não encontram permissão alguma para o divórcio. Outras encontram uma, duas ou várias. Outras permitem o divórcio, mas não o novo casamento.

Um ponto crucial nesse debate é Mateus 19.3-9 (também Mc 10.2-12), onde Jesus citou a permissão mosaica de um “certificado de divórcio” no contexto do próprio ensino. Jesus afirmou que Moisés “permitiu” essa prática por causa da dureza dos corações. A prática é descrita em Deuteronômio 24.1-4 que, porém, não prescreve nenhuma base para divórcio. Antes, proíbe o novo casamento de um casal previamente divorciado.

O motivo do divórcio (“por ter ele achado coisa indecente nela”) é ambíguo em hebraico. Já na época do Novo Testamento, os rabinos judeus dividiam-se quanto ao significado da frase. Os seguidores do rabino Shammai limitavam o significado a “adultério”. Os seguidores do rabino Hillel incluíam qualquer coisa que desagradasse. A pergunta dos fariseus reflete esse debate (19.3). Jesus evitou o laço armado e, ao mesmo tempo, elaborou três pontos importantes acerca do divórcio.
Primeiro, ele declarou que a questão do divórcio não era pertinente. Deus queria que o casamento fosse uma relação de aliança e uma união que formasse “uma só carne” pelo resto da vida (19.4-6).
Segundo, Moisés não instituiu o divórcio, nem forneceu bases para isso. Ele só permitiu e regulamentou o divórcio como uma realidade social que resultava em última análise do pecado.
Terceiro, o Senhor designou a imoralidade sexual como a única base para o divórcio (1990). A palavra usada é porneia (cf. a palavra “pornografia”), um termo um tanto amplo que inclui outros tipos de imoralidade além do adultério.

Há muito se entende que o ensino de Paulo em 1 Coríntios 7 acrescenta uma segunda exceção para o divórcio. Nesse caso, um crente “não fica sujeito à servidão”, caso o cônjuge incrédulo deixe a relação de casamento (1Co 7.12-15). Tomadas em seu sentido literal, essas palavras parecem indicar desobrigação do compromisso marital e, portanto, liberdade para novo casamento (cf. 7.39). Em 7.10-11 Paulo reiterou o ensino do Senhor sobre o ideal do casamento. Os maridos e as esposas não se separem. Mas caso o façam, devem buscar reconciliação ou permanecer sós. A palavra aqui traduzida por “separar” (chorizo) pode incluir o divórcio.

Parece mais natural pressupor que a Bíblia aceita o novo casamento em casos de imoralidade sexual e abandono. Em 1 Coríntios 7.8-9 Paulo disse que é melhor que os “solteiros” casem-se em vez de se arriscarem à imoralidade sexual. Em 1 Coríntios 7.27-28, Paulo deu uma orientação ainda mais geral ao tratar de tais pessoas. A palavra “solteiros” (agamos) não se refere exclusivamente a pessoas que nunca se casaram (“virgem”, parthenos) ou a viúvas (chera). Ela parece englobar pessoas que não se encontram casadas por algum outro motivo. Observe o contraste entre “solteiro” e “viúvas” (7.8,39) e “virgens” (7.27-28).

A Bíblia destaca que o próprio Deus pretende que o casamento seja uma relação de aliança vitalícia entre um homem e uma mulher. Deus declara seu ódio ao divórcio (Ml 2.16). Tanto o Senhor como Paulo foram coerentes ao apelar à ordenança do casamento na criação em seu ensino. A Bíblia não exige nem recomenda em parte alguma o divórcio. Antes, o perdão e a reconciliação são estimulados (1Co 7.11). Todas as exceções são dadas com reserva, como um meio de regular condições pecaminosas. Em suma, a fácil aceitação do divórcio moderno é estranha à Bíblia.

Fonte: A Bíblia e a Fé Cristã  - via Estudantes da Bíblia.

quinta-feira, 31 de março de 2016

O pecado de adultério e o Ministério Pastoral

"Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? ); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo." 1 Timóteo 3:1-7


"..., marido de uma mulher,..." 1 Timóteo 3:2b

Em 1ª Timóteo 3.2-7, Paulo enumera as qualificações imprescindíveis para o exercício do ministério pastoral. A lista é estruturada por aquilo que é chamado de “inclusio” (dispositivo literário em forma de parêntesis). O primeiro requisito (verso 2a) é que o ministro seja “irrepreensível”; o último (verso 7) que tenha “bom testemunho dos que estão de fora”. Em consequência os requisitos para o ministério exigem no todo que o candidato esteja acima de qualquer repreensão. A não observância de quaisquer requisitos o desqualifica para a função.

Assim, o ministro deve ser “irrepreensível” também no casamento. Não deve ser alvo de reprovação da sociedade ou da comunidade cristã em seu relacionamento conjugal. Sua conduta matrimonial não pode macular a reputação da igreja.

Muitos debates têm surgido acerca do significado da expressão paulina “marido de uma mulher” (1Tm 3.2b) que também pode ser traduzida como “homem de uma única mulher”. Os questionamentos giram em torno de uma possível alusão apostólica desfavorável a poligamia, ao concubinato, ao divórcio ou infidelidade no casamento. Vamos então aos argumentos prós e contras a estas interpretações:

A poligamia, embora praticada, era contrária a lei romana. E entre os judeus a monogamia era a regra mais aceita. O concubinado, apesar de ser o único meio dos soldados viverem maritalmente, não era prática habitual fora do Exército. O divórcio, ainda que socialmente aceito de modo trivial entre judeus e pagãos, no cristianismo primitivo só era tolerado em casos de adultério (Mt 19.9) ou de abandono do lar (1Co 7.15). A infidelidade matrimonial, por sua vez, era conduta condenada e desprezível, tanto no judaísmo quanto no cristianismo incipiente (Êx 20.14; Mt 5.27,28).

Mercê das evidências do ambiente cultural à época, em que a sociedade cristã e pagã não via com bons olhos a poligamia e nem o concubinato, conclui-se, então, que, embora não excluídos, não são a poligamia e o concubinato o foco principal da instrução de Paulo em análise. Resta então saber se é o novo casamento após o divórcio trivial ou a infidelidade conjugal que desqualifica candidatos para o ministério pastoral. O texto bíblico permite as duas possibilidades. O candidato divorciado por motivo incompatível com as exceções bíblicas (Mt 19.9; 1Co 7.15) e aquele que, enquanto casado, tenha praticado adultério. Os candidatos que tenham incorrido na prática de um destes casos, não preenchem o requisito bíblico de “homem de uma única mulher” e portanto inabilitado para o exercício do ministério pastoral.

Certamente que os envolvidos em quaisquer destas situações, ao confessarem o pecado, receberão o perdão de Deus. Contudo há de se fazer uma diferença entre ser perdoado e ser qualificado para o ministério. Se os fatos tenham ocorrido antes da conversão “Deus não levará em conta o tempo da ignorância” (At 17.30). Porém, se, tais erros forem cometidos após a conversão, como pecador arrependido recebe perdão, mas como candidato ao ministério torna-se incapacitado.

A culpa na dissolução do casamento não se harmoniza com a retórica paulina: “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” (1Tm 3.5). De outro lado, a prática “do pecado contra o próprio corpo, que é templo do Espírito Santo” (1Co 6.18,19), imprime no transgressor uma “mancha moral” inconciliável para o exercício pastoral. Salomão asseverou que a vergonha e a infâmia da infidelidade acompanharão o adúltero pela vida inteira: Mas o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma. Achará castigo e vilipêndio, e o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32.33).

Tenho discutido esta exigência paulina no meio acadêmico com teólogos renomados, nos cursos preparatórios de aspirantes ao ministério e no meio eclesiástico com ministros ordenados. Os debates têm sido calorosos. Uns contra e outros favoráveis a posição aqui defendida.

Confesso que como cristão gostaria que fosse possível à restauração ao ministério pastoral do obreiro em falta neste quesito (pecado de adultério). Porém como intérprete comprometido com as Escrituras discordo que homens adúlteros permaneçam no exercício pastoral. Sou convicto que a interpretação bíblica exclui do ministério pastoral aqueles que se envolvem com o divórcio trivial e o adultério. Ainda não fui persuadido do contrário. Os que não concordam com esta posição aqui defendida, apresentam diversas conjecturas, opiniões pessoais e ainda a “práxis” da igreja contemporânea. Porém, tais conjecturas são biblicamente refutadas: “o Ministro deve ser irrepreensível e com bom testemunho dos que estão do lado de fora da Igreja” (1Tm 3.2,7).

Reflita sobre isso!

Texto: Pastor Douglas Roberto de Almeida Baptista


Sugestão de leitura: 
Aqui eu Aprendi!
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