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segunda-feira, 26 de junho de 2017

Maturidade Espiritual

Cinco sinais de Maturidade Espiritual

Deixe-me começar dizendo que não é errado para um novo crente ser imaturo, assim como não é errado para uma criança ser infantil.

Infantilidade só é irritante em um adulto. Quando uma criança de quatro anos veste uma capa, uma cueca por sobre a calça, alegando ter visão raio-x, isso é fofo. Quando seu pai faz isso, é preocupante (ou insanidade).

Quando você é um crente por muitos anos, porém, a falta de alguns desses indicadores deve ser preocupante.

Crentes maduros possuem estes 5 indicadores…

1. Um desejo por alimento sólido

É bom aproveitar o leite do evangelho em todas as refeições. Mas alguns cristãos orgulham-se de si mesmos por focar apenas no evangelho, esnobando a oferta de doutrinas mais profundas. O amor pela doutrina pode ser adquirido com o passar do tempo, mas ele sempre estará lá em um crente maduro.

O autor aos Hebreus repreende seus leitores por causa da relutância em mastigar.

Hebreus 5. 11: A esse respeito temos muitas coisas que dizer e difíceis de explicar, porquanto vos tendes tornado tardios em ouvir. 12 Pois, com efeito, quando devíeis ser mestres, atendendo ao tempo decorrido, tendes, novamente, necessidade de alguém que vos ensine, de novo, quais são os princípios elementares dos oráculos de Deus; assim vos tornastes necessitados de leite e não de alimento sólido. 13 Ora, todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é criança. 14 Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal.

A refeição de uma criança precisa ir ao liquidificador durante os primeiros meses dela (ou dele). Quando uma pessoa normal de 21 anos pede para a mamãe alimentá-lo com batata amassada, de colher, isso é assustador e disfuncional.

2. Uma impermeabilidade a ofensas pessoais

É raro um crente maduro se sentir ofendido. A ofensa é apropriada ao crente em qualquer ataque à glória de Deus, como quando o zelo pela casa de Deus consumiu Jesus e ele usou um chicote do Indiana Jones na corrupta zona comercial do templo por causa dos animais superfaturados.

Mas um crente maduro não fica pessoalmente ofendido de maneira tão fácil. Eles entendem que quando alguém peca contra eles, há coisas maiores em jogo do que seus próprios direitos pessoais como, por exemplo, a glória de Deus, o relacionamento do outro com Deus, etc.

Veja Paulo. Quando ele já não podia atrair uma multidão (estando preso por causa do evangelho e tal…), pregadores rivais estavam “jogando sal” em suas algemas ao pregar o evangelho em competição com Paulo. Ele não se tornou insolente. Muito pelo contrário, ele parecia animado com a notícia de que o evangelho estava sendo pregado. Isso é maturidade!

Filipenses 1.15: Alguns, efetivamente, proclamam a Cristo por inveja e porfia; outros, porém, o fazem de boa vontade; 16 estes, por amor, sabendo que estou incumbido da defesa do evangelho; 17 aqueles, contudo, pregam a Cristo, por discórdia, insinceramente, julgando suscitar tribulações às minhas cadeias. 18 Todavia, que importa? Uma vez que Cristo, de qualquer modo, está sendo pregado, quer por pretexto, quer por verdade, também com isto me regozijo, sim, sempre me regozijarei.

3. Uma consciência informada pelas Escrituras, não por opiniões

Quando você é um novo convertido, é natural ter um pêndulo oscilando em aversão a qualquer coisa associada com o seu antigo estilo de vida. Isso pode ser saudável. Mas, à medida que vai se tornando mais maduro, você vai criando uma visão mais balanceada sobre liberdade. Se Jesus diz que algo está “ok”, então você não vai ficar chateado quando alguns cristãos aproveitam essa liberdade.

Romanos 14.1: Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. 2 Um crê que de tudo pode comer, mas o débil como legumes; 3 quem come não despreze o que não come, e o que não come não julgue o que come, porque Deus o acolheu.

Eu amo vegetarianos – sobra mais carne pra mim. Porém, quando um crente se abstém da liberdade legal pensando que isso torna-o mais aceitável para Deus, isso é um sinal de imaturidade. Quanto mais você cresce no seu entendimento sobre graça, menos você se incomoda quando as pessoas ignoram normas religiosas feitas por homens. Você pode continuar escolhendo se abster, mas sua consciência não é atormentada pelo conhecimento de que outros cristãos participam do que você evita.

4. Uma sensação de humilde surpresa quando usado por Deus no ministério

Deus usa pecadores para fazer Seu trabalho por uma boa razão: não há mais ninguém para Ele escolher. Alguns pecadores são usados poderosamente. Um crente maduro sempre vai sentir-se humilde por sua eficácia no ministério de Deus. Frequentemente, no entanto, o mesmo privilégio vai inflar o ego de um crente imaturo.

1 Timóteo 3.6: Não seja neófito, para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condenação do diabo.

O pressuposto de Paulo é que um novo convertido – que é mais provável de ser imaturo – quando usado no ministério de Deus, não vai possuir a sensação de surpresa e humildade que são sinais de maturidade.

Compare isso com a própria atitude de Paulo, de que ele é o principal dos pecadores, usado apenas como meio para mostrar a extensão da misericórdia de Deus (1 Tm 1.15). Ele considerava a si mesmo como improvável e inadequado vaso que foi abençoado por abrigar temporariamente o tesouro inestimável dos dons de Deus (2 Co 4.7).

5. Tendência de dar crédito a Deus pelo crescimento espiritual, não a homens

Nosso mundo é uma arena para idolatria. “American Idol” é o nome mais adequado e tributo descaradamente honesto para a nossa cultura de celebridade. Nossos corações são orientados a adular e a adorar. Um crente imaturo luta para quebrar o hábito de idolatrar pessoas. Ele meramente transfere sua adulação pelas celebridades do mundo para celebridades espirituais.

Quer seja um pedestal para o seu pastor, ou uma desordenada reverência por João Calvino, ou qualquer outro sintoma, a imaturidade falha em dar a credibilidade devida ao poder de Deus em Seu trabalho.

1 Coríntios 3.4: Quando, pois, alguém diz: Eu sou de Paulo, e outro: Eu, de Apolo, não é evidente que andais segundo os homens? 5 Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um. 6 Eu plantei, Apolo regou; mas o crescimento veio de Deus. 7 De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.

Experientes donos de cavalos de corrida têm respeito por bons jóqueis, treinadores, e veterinários, mas todos entendem que o fator principal para uma vitória é o cavalo. Respeitamos bons pregadores, escritores, comentaristas, e mentores espirituais, mas, esperançosamente, nós reconhecemos o real músculo por trás de qualquer vitória no ministério deles.

Vá com este pensamento: na minha vida, qualquer imaturidade residual em qualquer uma dessas áreas irá desembocar na minha “caixa de entrada” espiritual. Sou confortado em saber que sou uma obra em progresso e me agarro à Filipenses 1.6: Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus.

Fonte: Guiame  via Iprodigio
Aqui eu Aprendi!

sábado, 24 de junho de 2017

Jesus Cristo, o modelo Supremo de Caráter

[...] E o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” Is 9.6

Jesus Cristo foi o maior “evento” que aconteceu no mundo. Chamamos evento porque nosso Senhor não era simplesmente homem, Ele era Deus; não era simplesmente Deus, Ele era homem. A encarnação do Filho trouxe à humanidade uma nova esperança que há muito havia desaparecido entre os hebreus. Entretanto, essa esperança alcançou a humanidade inteira, pois Jesus Cristo morreu por todo o mundo. Por isso, ao iniciar a aula, professor, procure levar o aluno a essa reflexão.

O Filho de Deus se fez Homem
Não há nada mais significativo nos Evangelhos que a narrativa da Encarnação de Jesus. Com encarnação nos referimos ao processo de humanização da divindade. Jesus é achado Filho de Deus e sua concepção foi obra do Espírito Santo. As Escrituras afirmam que Maria, sua mãe, concebeu a Jesus virginalmente (Lc 1.26-35). A concepção de Cristo foi obra do Espírito Santo, sem paternidade humana, assistida pelo Pai Celeste; e obra da Santíssima Trindade. Diferentemente dos deuses pagãos, o Deus da Bíblia buscou se revelar a humanidade toda como igual com ela. Sem deixar de ser divino e, igualmente, sem deixar de ser humano, pois as suas duas naturezas, humanas e divinas são inseparáveis.

Verdadeiro Deus
O Credo Apostólico afirma: “Creio [...] em Jesus Cristo, seu Filho Unigênito, o qual foi concebido pelo Espírito Santo”. O apóstolo Paulo também testemunha com clareza a sua divindade: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus” (Fp 2.5,6). Por isso, o modo do Deus Único agir e de se relacionar com o ser humano está demonstrado em Jesus Cristo. Nele são denunciadas toda imagem falsa de Deus, as divindades pagãs e tudo o que nada tem haver com o seu amor e a sua justiça.

Verdadeiro Homem
O Credo Apostólico também declara: “Creio [...] em Jesus Cristo [...] [que] nasceu da virgem Maria, padeceu sob o poder de Pôncio Pilatos, foi crucificado, morto e sepultado”. Esse artigo declara o ensino bíblico sobre a natureza humana de Jesus.
Quando conhecemos a natureza humana de Jesus Cristo, podemos chegar a Ele com toda a nossa fraqueza e fragilidade porque Ele foi humano como nós o somos. Imagine: Deus em sua glória encarnou-se humanamente e não quis ser um “super-homem”. Por que nos apresentaríamos super-humanos diante de Deus? Ele nos conhece por dentro e por fora! Revista Ensinador Cristão nº70


Como Homem, Jesus encarnou e demonstrou ter um caráter perfeito, suportando as fraquezas humanas, sem dar lugar ao pecado.

Prezado professor, vamos concluir o trimestre estudando a respeito do Homem mais importante de todos os tempos — Jesus. Sua vinda a este mundo se deu de forma sobrenatural e foi tão significativa e marcante que a História foi dividida em duas partes: antes de Cristo e depois. Como Homem, Jesus teve um desenvolvimento e um caráter perfeito que refletia a sua natureza divina. Até os 30 anos, Ele viveu como todo judeu. Foi apresentado no Templo por seus pais, participou das festas judaicas, trabalhou como carpinteiro, pagou impostos e teve uma vida sociável, indo a jantares na casa dos amigos e a festas de casamento. Por isso, Jesus deve ser nosso modelo e referência como Homem e servo. Que possamos seguir sempre os seus passos, glorificando o seu nome.

Leitura Bíblica: Mateus 1.18,21-23; 3.16,17


Neste capítulo, nos deteremos, de modo bastante resumido, com muita reverência e temor, sobre o personagem mais importante que já pisou na terra. Refletiremos sobre Jesus, o homem de caráter perfeito. E praticamente impossível descrever a grandeza de sua personalidade e do seu caráter supremo com palavras humanas. Sua entrada no seio da raça humana, em seu estado de miséria espiritual, não somente significou Deus entre nós, o Emanuel (Mt 1.23), mas também sua missão salvífica em cumprimento à promessa do Criador de redimir o homem caído desde o Éden. Ele humanizou-se como “a semente da mulher” que haveria de ferir a cabeça do Diabo (Gn 3.15).

Na eternidade, Ele tinha todos os atributos da divindade: Onisciência, Onipotência, Onipresença e tantos outros somente a Ele inerentes, ou absolutos e intransferíveis. Porém, ao encarnar no ventre da mulher, tornou-se o “Filho do Homem”, absorvendo temporariamente as limitações do ser humano, para que pudesse experimentar a vida humana em todos os seus mais diferentes aspectos e circunstâncias. Ele despojou-se de seus atributos e de sua glória para submeter-se ao plano do Pai em relação à salvação do mundo (Jo 3.16). Diz Paulo aos filipenses: “[...] que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fp 2.6-11).

Ele era, ao mesmo tempo, o Deus-Homem e o Homem-Deus, possuindo as naturezas divina e humana, na incompreensível união hipostática, o que o torna inalcançável na dimensão plena de sua natureza, pela mente finita e limitada do homem. Para entender o seu caráter no âmbito deste estudo, em que apresentamos exemplos de homens e mulheres que foram protagonistas da história bíblica, precisaremos analisar alguns aspectos de sua vida retratados nas escrituras, tanto em termos proféticos, como em seu nascimento, seu desenvolvimento humano e experiências que vivenciou no confronto com a realidade espiritual e humana em que foi introduzido, para cumprir o plano de Deus para a redenção da humanidade. Ele era o “Verbo”, que “[...] estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus” (Jo 1.1,2). O que nos remete à sua divindade e eternidade.

Esse Verbo, no entanto, não se manteve só na eternidade. Ele tornou-se homem por desígnio supremo de Deus, o Pai, para resgatar a criatura das forças do mal, que perturbaram e prejudicaram a história do homem — feito imagem e semelhança de Deus — por causa do pecado e da Queda. Diz João: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14).

Abstraindo a sua condição divina, seu caráter humano revelou qualidades especiais. Jesus sofreu as necessidades humanas como cansaço, fome, sono, alegria, tristeza e muito mais. Ele experimentou também o que é ser tentado. Podemos depreender que as forças do mal investiram contra Ele não só no monte da Tentação, mas também em diversas áreas da vida, incluindo a área moral. Mas Ele em tudo foi o Grande Vencedor, pois venceu todas as fontes da tentação e também venceu o mundo. Ele disse a seus seguidores: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (Jo 16.33). Ele venceu a carne (a natureza carnal): “[...] nesta previsão, disse da ressurreição de Cristo, que a sua alma não foi deixada no Hades, nem a sua carne viu a corrupção” (At 2.31).

Ele venceu o Diabo em todos os embates e confrontos: “Então, disse-lhe Jesus: Vai-te, Satanás, porque está escrito: Ao Senhor, teu Deus, adorarás e só a ele servirás. Então, o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos e o serviram” (Mt 4.10,11). Uma síntese do seu caráter e de sua vitória total sobre o pecado está no livro aos Hebreus: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15).

I - JESUS DE NAZARÉ - O FILHO DO HOMEM

1. Sua Origem Humana
Jesus é Deus, porém fez-se homem para fazer parte da raça humana, com o objetivo de remir o homem perdido. Ele fez-se homem através do processo maravilhoso da encarnação. Ele, o Verbo divino, “se fez carne”, tornou-se homem “e habitou entre nós” (Jo 1.14). Ele nasceu como homem no tempo (gr. Kairós) de Deus. Diz Paulo: “mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei, para remir os que estavam debaixo da lei, a fim de recebermos a adoção de filhos” (Gl 4.4,5). Sua entrada no mundo foi marcada por eventos de caráter espiritual e humano de grande significado. Jesus foi enviado por Deus com Unção e Poder: “[...] como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38).

1) A anunciação a Maria. Jesus foi inserido na História da humanidade de forma singular. Deus chamou o anjo Gabriel e enviou-o à pequena cidade de Nazaré, na Galileia, para anunciar à jovem Maria que ela seria mãe do Salvador do mundo: “Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus, e eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e por-lhe-ás o nome de Jesus [...]. E disse Maria ao anjo: Como se fará isso, visto que não conheço varão? E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.30,31; 34,35). Maria ficou impactada com a mensagem do anjo, mas, como serva de Deus, sendo ela humilde e santa, creu na mensagem e declarou sua submissão à vontade de Deus: “Disse, então, Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela” (v. 38). Com essa atitude, Maria demonstrou ser uma jovem humilde e submissa à vontade de Deus.

2) A anunciação a José. Ao tomar conhecimento de que Maria estava grávida sem ele ter coabitado com ela, José, homem de temperamento tranquilo, arquitetou um plano para fugir secretamente, a fim de não infamar sua noiva. Deus, porém, também o escolheu com uma missão elevada ao lado de Maria, no mistério da encarnação de Jesus. E, antes que ele executasse seu plano de fuga, Deus falou com ele em sonho: “Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente. E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo. E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de JESUS, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados” (Mt 1.19-21). Antes de ser alertado pelo anjo, José imaginara que sua noiva teria fornicado e corria grande risco. Assim, Jesus entrou no mundo em sua humanidade real.

3) A natureza singular do seu nascimento. A diferença do nascimento de Jesus para o nascimento dos demais homens foi o fato de Ele ter sido gerado sem a semente do homem, contaminada pelo pecado: “Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18 – grifo nosso). Em cumprimento às profecias, ele tinha que nascer de uma virgem: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14). Essa profecia, proferida em 700 a.C, foi cumprida literalmente (Mt 1.23). O anjo Gabriel foi enviado a Maria, unja jovem simples, anônima, da pequena cidade de Nazaré, para dizer que ela fora escolhida para trazer ao mundo o Messias prometido (Lc 1.26-31, 39-56).

4) Data e local de nascimento. Era o ano 5 a.C "1", no mês Sebate (fevereiro). Cirênio (Quirino), governador da Síria, assinou um Decreto, mandando que todos se alistassem em sua cidade de nascimento. Assim, José levou Maria de Nazaré para Belém para o alistamento. No mês de Adar (março), “No início da primavera”, José e Maria estavam em Belém após uma viagem de 160 quilômetros desde Nazaré. Não havendo lugar numa hospedaria, José conduziu Maria para uma gruta, que servia de manjedoura, e, ali, nasceu o Salvador do Mundo. Cumpriu-se a profecia (750 a.C), que diz: “E tu, Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti me sairá o que será Senhor em Israel, e cujas origens são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Mq 5.2).

5) Ameaça de morte, fuga para o Egito e retorno a Nazaré. Quando Jesus nasceu, Herodes, o Grande, reinava sobre a Palestina (Mt 2.1). Esse monarca era um rei de personalidade fraca e caráter perverso. Quando os magos que vieram do Oriente procuraram por Jesus, nascido Rei dos Judeus, ele ficou perturbado, temendo perder o poder por causa de uma criança desconhecida dos judeus. E, então, ele mandou matar todos os meninos de Belém para que também fosse eliminado o filho de Maria e de José. Deus, no entanto, não permitiu isso acontecer e dirigiu os magos para não retornar ao sanguinário rei. O Senhor também falou com José para fugir para o Egito com Maria e Jesus, pois Herodes queria matá-lo (Mt 2.13,14). Um ano após o nascimento de Jesus (3 a.C), a história registra a morte do famigerado e assassino Herodes (Mt 2.19-23); ele morreu apodrecido, acometido de estranha enfermidade, comido de vermes; um neto seu, Herodes Agripa I, morreu da mesma forma (At 12.23); em lugar do Herodes homicida, reinou Arquelau, seu filho, que escapou da sua ira sanguinária."2José e Maria não ficaram em Belém ou Jerusalém, mas, sabendo que o filho de Herodes assumira o poder em Jerusalém, foi para a Galileia “por divina revelação”, passando a residir em Nazaré (Mt 2.21-23).

2. Seu Desenvolvimento Humano
A condição divina de Jesus ficou latente em sua mente. Ele só tomaria ciência da sua natureza divina tempos depois. Como criança, ele teve uma infância normal e saudável aos cuidados de Maria, com apoio de José, o pai terreno e guardião. Enquanto José cuidava da provisão para a família como carpinteiro, Maria tinha, sem dúvida, um papel importantíssimo na formação do caráter humano de Jesus. Ele era o próprio Deus encarnado; mas, como humano, só teve consciência dessa condição à proporção que crescia e se desenvolvia aos cuidados de sua mãe extremosa em cuidado e amor.

Ele era perfeitamente homem e perfeitamente Deus. Durante trinta anos — desde o seu nascimento até iniciar o seu ministério —, houve uma preparação espiritual e humana para Jesus começar a desenvolver sua missão em prol da redenção da humanidade.

1) Infância e adolescência de Jesus. A Bíblia traz poucas informações sobre a infância de Cristo. O texto de Lucas mostra, em rápidas palavras, como foi a criação de Jesus: “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa” (Lc 2.40-41). Podemos resumir a educação de Jesus sob os cuidados de Maria, sua mãe, em alguns aspectos:

• “E o menino crescia [...]”. O menino crescia fisicamente. A Bíblia pouco fala sobre esse aspecto, mas, ao que tudo indica, Ele não foi criado dentro de uma sinagoga ou do templo, isolado dos outros meninos. Podemos inferir que Jesus teve uma infância normal. Ele brincava e alimentava-se de modo sadio, o que favorecia seu crescimento físico. Brincar sempre foi coisa de menino. Isso é tão interessante que, no Milênio, essa será uma das características da tranquilidade daquele período do reinado de Cristo: “E as ruas da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão” (Zc 9.5). A profecia fala da restauração espiritual, social e até de lazer, tão necessários à infância. Nesse período pueril, assim como nas faixas etárias seguintes, o menino Jesus viveu a sua plena humanidade. Escritores apócrifos dizem que Ele fazia pássaros de barro e, depois, fazia-os voar com um sopro; ou então que Ele uma vez matou um menino que o empurrou, amaldiçoando-o. Nada está mais longe da verdade. Jesus era um menino normal. Nas escolas daquele tempo, os meninos aprendiam a ler e a escrever, tanto o hebraico como o aramaico.

• “... e se fortalecia em espírito”. Expressão que se refere ao crescimento espiritual do menino. Os pais de Jesus, com o zelo de Maria, tinham o cuidado de promover sua educação e formação espiritual com base nos mandamentos do Antigo Testamento. Sem dúvida alguma, eles, como pais judeus, ensinavam a Palavra de Deus a Jesus. Na Lei, Deus ordenou: “Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te; e escreve-as nos umbrais de tua casa e nas tuas portas” (Dt 11.18-20). O zelo espiritual de Maria e José por Jesus é demonstrado pelo fato de levarem-no todos os anos para a festa da Páscoa, em obediência a Ex 23.15: “Ora, todos os anos, iam seus pais a Jerusalém, à Festa da Páscoa. E, tendo ele já doze anos, subiram a Jerusalém, segundo o costume do dia da festa” (Lc 2.41,42). A Páscoa era realizada no mês de Abibe ou Nisã (abril); ali, em Jerusalém, Jesus causou admiração aos doutores da lei; aos 5 anos, começou a ler as Escrituras; aos dez, já sabia toda a Lei; aos 13, assumia a responsabilidade de cumprir os mandamentos (cerimônia do bar mitzvah)."3" Segundo Champlin, “2. Aos cinco anos, a criança começava a aprender a lei, mediante o ensino catequético, na escola. 3. Aos doze anos, o menino se tornava diretamente responsável pela obediência à lei, incluindo suas ordenanças e solenidades prescritas [...]”."4" Desde o retorno para Nazaré, é a primeira vez que o texto bíblico faz referência à presença de Jesus num episódio marcante para a sua vida espiritual e humana.

• “[...] cheio de sabedoria”. Refere-se ao crescimento progressivo em sabedoria humana, pois sua sabedoria espiritual estava em estado latente, até ser despertado nEle a condição de sua natureza divina. Ele era perfeitamente homem e perfeitamente Deus, mas sua divindade manifestou-se no momento certo, no tempo de Deus. Lucas resume o texto que fala sobre o crescimento de Jesus em diversas áreas, reiterando que Ele passou por um desenvolvimento espiritual e humano exemplar: “E crescia Jesus em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2.52 - grifo nosso).

• “[...] e a graça de Deus estava sobre ele”. O termo graça, na Bíblia, tem vários sentidos e aplicações. No caso do menino Jesus, Lucas quis dizer que a “bondade” e a “benevolência” de Deus estavam sobre Ele. Essa condição de relacionamento com Deus era progressivo em seu crescimento ou desenvolvimento espiritual: “E crescia Jesus [...] em graça para com Deus [...]”. Assim como Ele tinha a graça para com Deus, tinha-a também “para com [...] os homens” (2.52).

2) A juventude de Jesus. Desde a sua adolescência e juventude, Jesus exerceu a profissão ensinada pelo pai. Ele era conhecido como “o carpinteiro”, “o filho do carpinteiro [...]” (Mc 6.3; Mt 13.55). Dos 12 aos 30 anos, Jesus trabalhava com seu pai adotivo em sua carpintaria, exercendo o mesmo ofício. Há especulações cavilosas e deturpadas, sugerindo que, nesse período, Jesus “teve algum contato com João Batista e com os essênios”."5" Estes eram uma das três seitas judaicas principais (com os fariseus e os saduceus). Eles viviam isolados, defendiam o celibato, eram extremamente rígidos em matéria de costumes e discordavam do judaísmo em várias práticas. Há ensinos deturpados e heréticos que propalam que Jesus aprendeu muito com os essênios e viveu um tempo na índia e no Tibete, aprendendo a realizar curas e milagres, o que pode ser considerado um ensino blasfemo contra o Senhor Jesus Cristo."6" Podemos afirmar, com segurança e base nas Escrituras, que Jesus, dos 12 aos 30 anos, viveu exercendo o ofício aprendido com seu pai adotivo, aguardando o momento de iniciar seu ministério terreno em prol da salvação da humanidade. Como dito acima, Ele era bastante conhecido em sua comunidade como “o carpinteiro”, o que só faz sentido se Ele, de fato, vivesse ali de modo regular e constante.

3. Jesus É Apresentado ao Mundo.
Para seus patrícios, Jesus era “o carpinteiro”, provavelmente substituto de José, seu pai terreno (Mt 13.55; Mc 6.3). Ele sentiu o toque do Pai para apresentar-se ao mundo não como o filho de José ou de Maria, mas, sim, como o “Filho do Homem”, como o “Filho de Deus”, como o Messias. João evangelista foi quem melhor percebeu a realidade divina de Jesus. Em seu evangelho, ele apresenta Jesus como “o Verbo” que “era Deus”, sendo Criador de todas coisas, pois “Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.1-3). Quando batizava em “Betânia, do outro lado do Jordão [...]. No dia seguinte, João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.28,29). Tendo visto Jesus receber o Espírito Santo sobre ele, João declarou que Ele (Jesus) “é o que batiza com Espírito Santo. E eu [João] vi e tenho testificado que este é o Filho de Deus” (Jo 1.32-34).

II - SEU MINISTÉRIO E CARÁTER SUPREMOS

1. O Ministério de Jesus
Antes de iniciar seu Ministério propriamente dito, houve alguns eventos que merecem destaque.

O batismo e a tentação de Jesus. Ele apresentou-se para iniciar seu ministério quando foi ao rio Jordão para ser batizado por João Batista, para cumprir “toda a justiça”, quando “começava a ser de quase trinta anos” (Lc 3.23; Mt 3.1-12; Jo 1.6-8, 19-36). Logo após o batismo em águas, “[...] foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome” (Mt 4.1,2; Mc 1.12,13; Lc 4.1). Foi servido pelos anjos, no meio das feras, naquela circunstância dramática. Foi uma prova de fogo para Jesus como homem, mas Ele suportou todos os ataques presenciais do maligno e venceu. Jesus em tudo foi tentado, mas sem pecado (Hb 4.15; 1 Pe 2.22). Com humildade, submeteu-se ao batismo de João e, com a graça de Deus, foi aprovado no “batismo de fogo” da tentação no deserto, e só depois escolheu seus primeiros discípulos (Mt 4.12-25). Aqui, o caráter de Jesus demonstrou estar forjado para cumprir sua missão.

A ordem cronológica dos fatos principais do ministério de Jesus nem sempre é bem definida pelos evangelistas. Talvez porque esse não era seu propósito, e, sim, descrever e registrar na inspiração do Espírito Santo, o que Jesus fez como homem e como enviado de Deus para trazer a salvação aos homens: “Como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele” (At 10.38).

É impossível dizer tudo sobre o ministério de Jesus. O que os evangelhos relatam sobre sua vida e sobre seus feitos, incluindo mensagens, sinais, prodígios, milagres e maravilhas não dariam para caber em todos os livros do mundo. João diz: “Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e, se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém!” (Jo 21.25). Porém, o que as Escrituras mostram é suficiente para demonstrar que Jesus foi o homem perfeito, o Mestre perfeito, o Supremo Pastor, o Ensinador maravilhoso, cuja mensagem era diferente de tudo o que o mundo já conhecera.

2. Início do Ministério na Judeia
Da Galileia, Jesus deslocou-se para a Judeia e, depois, foi a Jerusalém. Jesus chegou ali próximo à Páscoa. Chegando ao templo, Ele fez a primeira purificação do santuário, derrubando mesas de cambistas e agindo com zelo santo contra os vendilhões de animais, expulsando-os e repreendendo-os por profanarem a casa de seu Pai (Jo 2.13-22). Nicodemos, um fariseu e líder dos judeus, teve uma entrevista com Jesus quando o Mestre mostrou-lhe que era necessário “nascer de novo”, demonstrando o grande amor de Deus pela humanidade (Jo 3.1-21). Da Judeia, passando por Samaria, Jesus retornou à Galileia (Lc 4.14; Mt 4.12). Em meio ao retorno à Galileia, Jesus passou por Samaria (já fora da Judeia), onde falou com a mulher Samaritana e revelou-se como o Messias (Jo 4.25,26). Na Galileia, foi bem recebido pelos galileus, que tinham visto os sinais que Ele operara na Judeia (Jo 4.43-45).

3. O Grande Ministério na Galileia
Depois que João Batista fora preso, Jesus deslocou-se para a Galileia: “[...] pregando o evangelho do Reino de Deus e dizendo: O tempo está cumprido, e o Reino de Deus está próximo. Arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1.14,15; Mt 4.12,17). Esteve em Caná da Galileia, onde, na primeira vez que lá estivera, transformou água em vinho e curou um filho de um oficial do rei. Era o seu segundo milagre (Jo 4.46-54). Experiências positivas e negativas desafiaram sua natureza humana e fortaleceram-no para cumprir sua missão.

1) A rejeição de Jesus pelos galileus. Não demorou muito e surgiram oposições ao seu ministério, justamente “em Nazaré, onde fora criado”. Num dia de sábado, Jesus foi a uma sinagoga e foi-lhe dada a oportunidade para ler, e Ele leu o livro de Isaías, onde está escrito: “O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração, a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor” (Lc 4.18,18; Is 61.1,2a). Depois da leitura, Jesus disse que, naquele dia, fora cumprida aquela Escritura aos ouvidos dos presentes (Lc 4.18-21). Como resultado, em lugar de aceitarem sua palavra, ficaram muito irados com Ele e expulsaram-no da cidade (Lc 4.28-30). Dali, foi morar em Cafarnaum. Como homem, Jesus experimentou o que era ser rejeitado pelo seu próprio povo.

2) O primeiro milagre. Jesus foi convidado junto com sua mãe e seus discípulos para um casamento em Caná da Galileia. Ali, Ele transformou grande quantidade de água em vinho puro. Foi o seu primeiro milagre. Não foi efetuado numa sinagoga ou no Templo em Jerusalém, mas numa festa de casamento, e isso é significativo. Além de mostrar a valorização do casamento com sua presença e também o valor da família, esse fato foi muito interessente porque marcou a realização de sinais que o credenciaram perante seus discípulos como o Messias que haveria de vir: “Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galileia e manifestou a sua glória, e os seus discípulos creram nele” (Jo 2.1-11).

3) A primeira pregação. “E, deixando Nazaré, foi habitar em Cafarnaum, cidade marítima, nos confins de Zebulom e Naftali, para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta Isaías, que diz: A terra de Zebulom e a terra de Naftali, junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galiléia das nações, o povo que estava assentado em trevas viu uma grande luz; e aos que estavam assentados na região e sombra da morte a luz raiou. Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.13-17). Ali, com a família e os discípulos, Jesus permaneceu por algum tempo (Jo 2.12). Ele começou sua pregação de modo impactante, como um andarilho, um pregador solitário: “Desde então, começou Jesus a pregar e a dizer: Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos céus” (Mt 4.17). Isso já sinalizava que a salvação começa com o arrependimento seguido da conversão genuína (At 3.19). Em sua mensagem, Ele deixou bem claro que ninguém pode ter acesso a Deus a não ser por Ele: “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo 14.6).

4) Os primeiros discípulos. Em seguida, caminhando pela orla do mar, Jesus viu os irmãos Pedro e André em pleno trabalho, lançando a rede ao mar, e chamou-os para serem “pescadores de homens”. O efeito daquele chamado foi tão grande que os irmãos deixaram as redes e seguiram-no. Logo após, também à beira-mar, Ele viu mais dois irmãos, Tiago e João, filhos de Zebedeu, que consertavam as redes de pescaria, e esses também deixaram tudo e seguiram-no (Mt 4.18-22). Acompanhado de seus quatro primeiros discípulos, Jesus começou sua Obra Missionária de tríplice ação. Em toda a Galileia, Ele ensinava nas sinagogas, pregava o evangelho do Reino e curava “todas as enfermidades e moléstias entre o povo”. Com essa mensagem de poder jamais vista em toda a Palestina, Jesus atraiu multidões que vinham ouvi-lo não só “da Galileia”, mas também “de Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e dalém Jordão” (Mt 4.23-25). Depois, Ele completou o número do seu “colégio apostólico”, integrado por doze discípulos, a quem chamou e deu-lhes todas as instruções sobre sua grande missão (Mt 10.1; Lc 6.13; 9.1). A escolha dos discípulos não foi feita de forma aleatória. Jesus “passou a noite em oração a Deus” (Lc 6.12-16). Hoje, muitas vezes, são escolhidos obreiros por motivos humanos, preferências pessoais, amizades, sem a busca da direção de Deus. São evidentes os prejuízos à Obra do Senhor quando não são observados os critérios para a escolha de obreiros.

5) O Sermão da Montanha: As leis do Reino. Nos capítulos 5 a 7 de Mateus, junto a textos correlatos, Jesus iniciou a proclamação do seu evangelho ditando as bem-aventuranças e também muitos outros ensinamentos, que constituem o que chamamos de “As Leis do Reino”. Neste Sermão, Jesus demonstrou uma ética tão elevada que, até hoje, ninguém na terra teve condições de alcançar em sua plenitude. Em seus ensinos, Ele usou os Dez Mandamentos como base para a conduta cristã, porém superou-os, trazendo uma nova visão e uma nova maneira de cumprir o Decálogo. Ele chocou os fariseus e os judeus em geral. Chamou de bem-aventurados os que choram, os mansos, os misericordiosos, os pacificadores e outros que enfrentam adversidades pelo simples fato de serem cristãos fiéis (Mt 5.1-12). Para Jesus, homicida não é só quem fere ou tira a vida, mas também quem aborrece seu próximo! Adultério não é só o ato ilícito, mas também o pensamento ilícito! (Mt 5.21,22; 27,28).

Com esse entendimento, Jesus causou grande rebuliço entre os líderes de sua época. Ele reuniu seus discípulos e trouxe ao mundo a mensagem mais poderosa e revolucionária (no bom sentido da palavra) que o homem já ouviu, fazendo tudo isso com apenas 12 homens de caracteres diferentes, mesmo sabendo quem era cada um deles — até mesmo Judas, que era o mais intelectual de todos e tornou-se o tesoureiro. Os demais eram homens simples, pescadores, de índoles e temperamentos diferentes, mas foi com eles que começou a mais extraordinária mudança no pensamento humano em toda a história da humanidade. Além do Sermão da Montanha, houve outros sermões de grande significado para a salvação do homem. Em João 3.16, Jesus pregou para um homem só, mas resumiu todo o sentido da pregação do evangelho. Deus amou “o mundo”, e não só a alguns “eleitos” ou “predestinados”. Quem crê é salvo. “Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus” (Jo 3.16-18).

6) Milagres, sinais e maravilhas. O ministério de Jesus foi autenticado por Deus através da operação de muitos milagres e maravilhas. Podemos resumir os milagres e maravilhas operados por Jesus em quatro categorias, demonstrando seu poder divino:

a) Sobre as enfermidades e doenças. Em Cafarnaum, numa sinagoga, Jesus causou tremendo rebuliço quando curou um homem endemoninhado num dia de sábado (Mc 1.21- 28); Ele curou leprosos, os mais estigmatizados enfermos de sua época, e, inclusive, sarou dez leprosos de uma só vez (Lc 17.12; Mc 1.40; Mt 8.2-4); curou paralíticos, cegos e coxos e também portadores de outras enfermidades (Lc 7.22^-Jo 5.1-47).

b) Sobre a morte física. Em Naim, Jesus interrompeu o cortejo da morte e ressuscitou o filho de uma viúva (Lc 7.11-17); foi grande o impacto desse sinal: “E de todos se apoderou o temor, e glorificavam a Deus, dizendo: Um grande profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo. E correu dele esta fama por toda a Judeia e por toda a terra circunvizinha” (Lc 7.16,17). Em outra ocasião, Ele foi à casa de Jairo, líder da sinagoga, e ressuscitou sua filha de 12 anos, maravilhando a todos (Lc 8.40-42,49-56). O terceiro caso de ressurreição foi a de Lázaro, irmão de Marta e de Maria, quando o defunto já estava na sepultura há quatro dias. Tal milagre contribuiu para que muitos cressem em Jesus como o Messias (Jo 11.1-44)

c) Sobre as forças da natureza. Jesus é o criador de todas as coisas ao lado do Pai: “Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez” (Jo 1.3). Ele é o único que muda o curso da natureza por meio de seu poder sobrenatural, de sua onipotência. Numa ocasião, estava Ele no barco com os discípulos e levantou-se uma tão grande tempestade que as ondas cobriam a embarcação. Clamando por Jesus, Ele levantou-se, repreendeu o vento e o mar e houve grande bonança, e seus discípulos ficaram maravilhados (Mt 8.23-27; Lc 8.22-25). Em outra ocasião, os discípulos fizeram-se ao mar, deixando Jesus para trás. Levantou-se, então, um vento contrário, e eles não estavam conseguindo chegar à outra margem. Jesus, porém, andando sobre o mar, foi ao encontro deles, provocando grande bonança (Mc 6.45-56). Ele também multiplicou pães e peixes duas vezes, alimentando milhares de pessoas (Mt 14.15-21; Mc 8.1-9).

d) Sobre as forças espirituais do mal. Uma das consequências mais trágicas do pecado foi a ação dos demônios sobre as pessoas, subjugando-as e dominando-as com o poder maligno. Jesus, no entanto, com o seu poder sobrenatural, libertou a muitos do jugo dos demônios, expulsando-os com autoridade. Ele libertou um menino da possessão maligna (Mt 17.18); libertou a filha da mulher siro-fenícia (Mc 7.26-30); libertou um homem com espírito imundo numa sinagora (Lc 4.33-36); libertou o endemoninhado gadareno, dominado por uma legião de demônios (Lc 8.26- 39). Com esses e muitos outros milagres, Jesus demonstrou que era um homem dotado de capacidade espiritual, sendo humano e, ao mesmo tempo, divino.

III - MORTE, RESSURREIÇÃO E VOLTA DE CRISTO

1. A Morte de Cristo - a Garantia da Salvação
Jesus entregou-se pelo homem para salvá-lo da condenação eterna. Sua morte foi o maior gesto de Amor de Deus para com o homem perdido. O significado de sua morte pode ser resumido no que Ele próprio disse a Nicodemos: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). O sangue de animais no A.T apenas cobria o pecado, mas não o tirava. Já o sangue de Jesus expia o pecado e tira o pecado do homem com a eficácia divina (Hb 9.26,28; 10.4-10). Através de sua morte, Jesus propiciou a reconciliação do homem com Deus (Jo 1.12; Hb 2.17). Enquanto os conquistadores humanos venceram e tiraram a vida dos adversários, Jesus venceu e deu a sua própria vida pelos pecadores (Rm 5.8).

2. A Ressurreição de Jesus - a Vitória sobre a Morte
Temos a garantia de que, um dia, todos os que creem em Cristo haverão de ressuscitar, vencendo o último inimigo, que é a morte. Diz Paulo: “Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens. Mas, agora, Cristo ressuscitou dos mortos e foi feito as primícias dos que dormem. Porque, assim como a morte veio por um homem, também a ressurreição dos mortos veio por um homem. Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo. Mas cada um por sua ordem: Cristo, as primícias; depois, os que são de Cristo, na sua vinda. Depois, virá o fim, quando tiver entregado o Reino a Deus, ao Pai, e quando houver aniquilado todo império e toda potestade e força. Porque convém que reine até que haja posto a todos os inimigos debaixo de seus pés. Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1 Co 15.19-26).

3. A Volta de Cristo - a Esperança para os Salvos
Quando Jesus nasceu em Belém, veio ao mundo de maneira muito singela e modesta. Ele apareceu como um bebê em meio a uma grande pobreza. Seu berço era uma manjedoura, um recipiente de comida de animais; sua mãe envolveu-o em panos; Ele, sendo Deus, sendo “Rei dos Reis e Senhor dos Senhores” (Ap 19.16), “Se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14a); se fez pobre, “porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre, para que, pela sua pobreza, enriquecêsseis” (2 Co 8.9). Contudo, na sua Vinda em Glória, será diferente, pois Ele virá “com poder e grande glória”: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória” (Mt 24.30); Ele virá cercado de anjos (2 Ts 1.7) e também virá “com seus santos” para reinar sobre a Terra (Jd 14); Ele voltará para exercer seu juízo sobre toda a impiedade (Jd 15,16); Ele voltará para livrar Israel do extermínio pelos inimigos do povo escolhido (2c 14.3-5); Ele derrotará e prenderá o Anticristo, o Falso Profeta e o Diabo (Ap 19.20; 20.3); e, por fim, Ele implantará o seu reino milenial, quando reinará com os salvos, que fazem parte de sua Igreja Amada.

CONCLUSÃO

Nos estudos e capítulos sobre alguns personagens do Antigo e do Novo Testamento, vimos que não é fácil dissertar sobre suas vidas, testemunho e missão, por causa da escassez de informações e de dados históricos. No caso de Jesus, o maior e mais excelente personagem da História, é ainda mais difícil descrevê-lo, não tanto por falta de dados e informações, mas, sim, por causa de sua grandeza, de sua personalidade singular e de seu caráter inigualável. E não poderia ser diferente. Ele é a “[...] imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades; tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência” (Cl 1.15-18).

1 Um erro no calendário, só descoberto séculos depois, foi corrigido, e indicando que havia 5 anos adiantados, na contagem da História. Por isso, se diz que Jesus nasceu no ano 5 a.C.

2 O rei Herodes — o que matou os meninos de Belém — era Herodes Antípater. Era homem cruel, que não admitia que ninguém ameaçasse seu poder. Matou seus parentes, sua esposa, e seus próprios filhos. Só Arquelau escapou.

3 COHEN, Armando Chaves. Vida Terrena de Jesus, p. 58.

4 CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado — Versículo por Versículo, Vol. 2, p. 38.

5 Ibid., Vol. 3, p. 479.

6 A Vida Secreta de Jesus. Disponível em: http://www.imagick.org.br/pagmag/ themas2/VidaSecretaJesus.html. “A preparação de Jesus incluiu o estudo profundo das antigas religiões e das diversas seitas que influenciaram o desenvolvimento da civilização. Sua primeira e distante escola teria sido a índia. Do monte Carmelo, na Palestina, onde se recolhera com os essênios, dirigiu-se com dois magos até Jaganate — atual Puri —, localidade que, por séculos, fora centro do budismo. Ali permaneceu por um ano entre os mais sábios instrutores da doutrina de Buda”. Acesso em 29/10/2016.


SUBSÍDIO CRISTOLÓGICO

A morte de Cristo foi voluntária
“Jesus não foi forçado à cruz. Nada fez contra a sua vontade. Submeteu-se à aflição espontaneamente. Humilhou-se até à morte, e morte de cruz. Deixou-se crucificar. Que graça espantosa por parte daquEle que tudo podia fazer para evitar tamanho suplício. Ele tinha o poder de entregar a sua vida e tornar a tomá-la — e de fato fez isso. Sim, eterno Salvador não foi forçado ao Calvário, mas atraído para ele, por amor a Deus e à humanidade perdida.
Sua morte foi vicária e sem dúvida, o profeta Isaías tinha em mente o cordeiro pascal, oferecido em lugar dos israelitas pecadores. Sobre a cabeça do cordeiro sem mancha realizava-se uma transferência dupla. Primeiro, assegurava-se o perdão divino mediante o santo cordeiro, oferecido e morto. Segundo, o animal, sendo assado, servia de alimentação para alimentar o povo eleito. O sacrifício de Cristo foi duplo: morreu para nos salvar, e ressuscitou para nossa justificação. Cristo também é o Pão da vida, o nosso ‘alimento diário’.
Sua morte foi cruel. Ele foi levado ao matadouro, esta palavra sugere brutalidade. Não é de admirar que a natureza envolvesse a cruz em um manto de trevas, cobrindo, assim, a maldade dos seres humanos.
José de Arimateia, conseguiu permissão de Pilatos para tirar o corpo da cruz. E, com Nicodemos, levando quase cem arráteis dum composto de mirra, aloés, envolveram o corpo do Senhor em lençóis com as especiarias, como era costume dos judeus. Havia no horto daquele lugar um sepulcro em que ainda ninguém havia sido posto. Ali puseram Jesus (Jo 19.38-42). Sepultar os mortos era considerado um ato de piedade. Também era comum que se sepultassem os mortos no mesmo dia de seu falecimento. O corpo de um homem executado não tinha permissão de ficar pendurado na cruz a noite inteira (Dt 21.23), pois isso, para a mente judaica, poluiria a terra. Às seis horas, começaria o sábado da semana da Páscoa, durante a qual estava proibida qualquer execução” (SILVA, Severino Pedro da. Teologia Sistemática Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.156).


Fonte: Livro de apoio - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Lições Bíblicas CPAD - 2º trim.2017 adultos - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD
Aqui eu Aprendi!

A descisão crucial do Discípulo: Ouvir e Praticar

Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” Tg 1.25

O momento mais importante de um período de aprendizado é, sem dúvida alguma, quando o educando decide reorientar sua vida de acordo com as informações e os saberes apreendidos. É o que se chama de práxis, ou seja, a prática instruída pela teoria e esta modificada e readequada por aquela. Consiste em agir de forma refletida e refletir de forma ativa. O Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos que se eles tinham entendido o que Ele ensinara com o ato de lavar os pés de cada um deles, “bem-aventurados” seriam se praticassem (Jo 13.17). Toda instrução que não gera prática precisa se questionar. As pessoas entenderam o que lhes fora transmitido? Se não, o professor deve perguntar a si mesmo acerca de sua didática, de sua maneira de transmitir e lecionar. Vencida essa etapa e tendo certeza de que se fez entender, o educador deve perscrutar a sua própria prática. O quanto acredita, vive e age de acordo com as lições que ensina. É fato que o Evangelho é maior que qualquer pessoa ou instituição, mas a incoerência é um excelente “pedagogo”, posto que “ensina” mais e melhor que qualquer método. Portanto, a legitimidade, não apenas do conteúdo, mas de qualquer mestre, está visceralmente relacionada à forma com que ele pratica e persegue como alvo a mensagem que leciona.

TEXTO BÍBLICO:  Mateus 7.24-29

INTRODUÇÃO

O Mestre finaliza o Sermão do Monte chamando-nos a todos a que tomemos uma decisão séria diante do que ouvimos (Mt 7.24-27). Tal postura se contrasta com a dos mestres religiosos de Israel, posto que eles mesmos não cumpriam as lições transmitidas em seus ensinamentos (Mt 23.1-38). Agindo dessa forma, Jesus evidencia claramente que não tem interesse algum em fundar uma escola de interpretação, tornar-se tema de debate ou mesmo um rabino popular por suas diferentes leituras da Lei. Seu objetivo é fazer com que as pessoas conheçam e vivam a verdade que pode salvá-las em tempos de aflição (Jo 6.60-69; 10.10). Finalmente, os últimos dois versículos do capítulo sete são da pena de Mateus que observa e assinala a reação do povo diante de tudo o que acabara de ouvir (vv.28,29).

A justiça do Reino não é um amontoado de regras que serve para debates, trata-se de posturas e atitudes que precisam ser vivenciadas e praticadas.

I. O HOMEM PRUDENTE QUE CONSTRUIU SUA VIDA EM UM TERRENO SEGURO

1. A imprescindibilidade da obediência no Antigo Testamento.
Diferente das divindades pagãs das nações ao redor da Terra Prometida, o Deus de Israel nunca exigiu coisa alguma de seu povo que não a obediência (1Sm 15.22). Através de Jeremias, Deus revela que até mesmo os rituais veterotestamentários nunca foram sua preocupação, e sim a obediência (Jr 7.21-26).

2. A relação entre obediência e bênção no Antigo Testamento.
A despeito de o pensamento corrente afirmar que havia uma conexão automática e mecânica entre obediência e bênção no Antigo Testamento, uma leitura mais atenta dos textos demonstra que o próprio ato de obedecer já era algo abençoador (Lv 26.1-13; Dt 28.1-14). Isso porque havia regras quanto ao cuidado com a terra, consigo e no relacionamento interpessoal, só para citar algumas, e em sua observância residia a “bênção” pessoal e comunitária (Lv 25).

3. A escolha sensata.
Tendo em mente esse aspecto da Antiga Aliança, é importante entender que o Mestre chega ao fim de seu sermão apelando não para uma memorização irrefletida do que Ele dissera acerca da justiça do Reino, mas à prática de tal justiça, pois em tal ação há segurança existencial (v.24). O Mestre não disse que se o discípulo atentasse para o seu ensinamento não teria problemas, justamente o contrário, Ele sinalizou o imprescindível fato de que aquele que o colocasse em prática podia ser comparado ao homem prudente que construiu sua casa sobre um fundamento seguro. A metáfora utilizada por Jesus, isto é, a construção comparada à vida, e as intempéries exemplificadas na “chuva”, “rios” e “ventos”, significando os problemas e dificuldades comuns a todos, demonstra que a observância da justiça do Reino é, tal como na Antiga Aliança, para o nosso próprio bem (v.25).

A justiça do Reino, tal como na Antiga Aliança, é para o nosso próprio bem.

II. O HOMEM INSENSATO QUE CONSTRUIU A SUA VIDA SOBRE UM TERRENO INSEGURO

1. O tema da desobediência no Antigo Testamento.
Semelhantemente ao assunto da obediência, o tema da desobediência era a tônica no Antigo Testamento (Jr 7.23-26; 25.1-11; 44.4,5). Ela era o grande conteúdo das mensagens proféticas (Jr 26.1-6).

2. A relação entre desobediência e maldição no Antigo Testamento.
Conquanto pareça haver um resultado automático entre desobediência e maldição, desde o pecado de Adão, tal resultado raramente se dá em linha reta (Gn 2.16,17; 3.1-24). Entretanto, suas consequências são inevitáveis (Gn 3.17-19; Lv 26.14-39; Dt 28.15-68) e, às vezes, duradouras (Rm 5.12-14). Contudo, é importante lembrar-se de que, ainda no período da Antiga Aliança, Deus “mudou” o resultado da desobediência no que diz respeito à abrangência e implicações, ou seja, havendo arrependimento, Deus sempre está disposto a mudar sua sentença (Êx 20.5,6 cf. Jr 31.29,30 e Ez 18.1-32; Jn 4.10,11 cf. 3.1-10).

3. A escolha insana.
O quadro da última cena mostrada pelo Mestre é a do homem insensato, ou imprudente, que devido à pressa ou mesmo por desleixo, resolve construir sua casa sobre um terreno arenoso e movediço, isto é, inseguro (v.26). Quando as dificuldades que acometem a todos, indistintamente lhe sobrevieram, sua “casa” desabou, ou seja, sua vida, e foi “grande a sua queda” (v.27). Da mesma forma que na Antiga Aliança, a desobediência está relacionada à derrocada e aos efeitos danosos de todos que decidem por tomar o caminho contrário ao que o Senhor propõe (Pv 14.12).

A maldição é o contrário da bênção e, resultando ou não em infortúnio, é o contrário do que Deus planejou para o seu povo.

III. A RADICALIDADE DO ENSINAMENTO DE JESUS

1. A simplicidade da doutrina de Jesus Cristo e a admiração do povo.
Enquanto a “Lei oral” possuía 613 preceitos, e os escribas debatiam entre as várias escolas de interpretação sobre qual deles era o mais importante, tendo sempre que se subordinar à interpretação dada pelo fundador de tal escola, a doutrina do Mestre era simples, direta e facilmente inteligível (v.28), levando o povo a ficar admirado (Mc 1.27).

2. A autoridade do Mestre.
O motivo da admiração do povo era não apenas a simplicidade do ensinamento de Cristo, mas também o fato de Ele não ter preocupação alguma com o que a “tradição dos anciãos” dizia, isto é, a “Lei oral” não era divina, mas uma interpretação humana acerca da Lei de Moisés (Mt 15.1-20). Por isso, o Mestre não tinha compromisso algum com ela, e sim com o espírito da Lei do Senhor em si, daí porque Ele dissera seis vezes durante o sermão: “Ouviste o que foi dito, eu, porém, vos digo” (Mt 5.21,22,27,28,31-34,38,39,43,44). Ele não ensinava como os doutores da Lei de sua época, mas com a autoridade dada pelo Pai (v.29).

3. A radicalidade da justiça do Reino.
O Mestre coloca acertadamente, nas mãos do próprio ouvinte, a responsabilidade e o desafio deste ouvir e proceder conforme o que Ele acabara de ensinar. Na verdade, só pode ser discípulo dEle, quem decide proceder conforme a justiça do Reino. Não há possibilidade alguma de seguir o Mestre como um mero repetidor de conteúdos, pois a radicalidade da justiça do Reino não requer nada menos que a prática e a imitação do Mestre (Mt 10.16-42; 16.24-26).

A prática da justiça do Reino significa que já somos de Cristo e estamos salvos.

CONCLUSÃO

Como Mateus escreve a judeus e estes têm Moisés como o maior dos profetas, ele mostra o Mestre, tal como Moisés, promulgando a nova justiça do alto de um monte (Êx 31.12-32.1 cf. Mt 5.1). O ex-funcionário estatal conclui de forma magistral seu registro do Sermão do Monte, mostrando o povo admirado da doutrina do Filho de Deus, em clara substituição da forma dos escribas ensinar.


SUBSÍDIOS
A Conclusão do Sermão (7.24-29)

a) Ilustração Final (7.24-27). Aquele que ouve e pratica é como um homem que construiu a sua casa sobre a rocha. Quando as tempestades batem contra a casa com toda a sua fúria, ela ainda permanece firme. O termo enchente, utilizado por algumas versões, significa, literalmente, rios. O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia, sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de forma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina são em sua maioria construídas com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolvem a argamassa, as paredes tendem a cair.

b) A Reação da Multidão (7.28-29). Quando Jesus concluiu o seu sermão, o povo se admirou da sua doutrina ou melhor, do seu ‘ensino’. Ele ensinava com autoridade (29). As pessoas comuns sentiram a sua autoridade divina, que faltava aos escribas, e a reverenciaram. Os escribas tinham o hábito de citar antigos mestres como apoio aos seus ensinos” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

O Epílogo do Sermão (7.28,29)
É evidente que Mateus quer que esta seja a conclusão da primeira seção principal dos ensinos de Jesus, porque ele encerra com as palavras: ‘Concluindo Jesus este discurso’ (v.28). Cada uma das cinco principais unidades pedagógicas que Mateus apresenta tem um desfecho narrativo semelhante (Mt 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1). Jesus é o novo Moisés que tem cinco apresentações principais da lei nova ou Torá, da mesma maneira que Moisés teve cinco livros da lei no Pentateuco [...].

O que se segue é uma observação da resposta das multidões aos ensinos de Jesus, os quais elas reconhecem que são autorizados, ao contrário dos ensinos dos mestres da lei (veja também Mc 1.21-27; Lc 4.31-37). Mateus está direcionando o espanto das pessoas para as afirmações de Jesus, a fim de que Ele seja o Intérprete da nova lei, cujas palavras serão a base de julgamento no ajuste de contas do tempo do fim” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.62).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 

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