“No princípio, criou Deus os céus e a terra” Gn 1.1
GÊNESIS, O Livro das Origens
ESBOÇO DO LIVRO DE GÊNESIS
1) A Criação
Gn 1.1 - 2.3
2) A Narrativa pré-patriarcal
a) História dos céus e da terra - 2.4 - 4.26
b) História de Adão - 5.1 - 6.8
c) História de Noé - 6.9 - 9.29
d) História de Sem, Cam e Jafé - 10.1 - 11.9
e) História de Sem - 11.10-26
3) Os Patriarcas na palestina: a formação do povo de Deus
a) História de Terá - 11.27 - 25.11
b) História de Ismael - 25.12-18
c)História de Isaque - 25.19-35.29
d) História de Esaú - 36.1-43
4) Os Patriarcas no Egito: o inicio de fato da história do povo de Deus
a) A História de Jacó - 37.1-50.26
Como
apresentado na tabela acima, o livro de Gênesis se divide em quatro partes
principais: (1) a Criação; (2) a narrativa pré-patriarcal; (3) os patriarcas na
Palestina; e 4) os patriarcas no Egito. Os 50 capítulos de Gênesis darão conta
desse esboço, do desenvolvimento da história do povo de Deus.
Tecnicamente,
pode-se dizer que o gênero literário predominante no livro de Gênesis é o da
narrativa. As narrativas variam entre antes e depois da Era do Patriarcado na
Palestina. Esse gênero literário nos permite perceber que as histórias ali
narradas foram elaboradas de maneira a prender a atenção do leitor a ponto de
levá-lo ao clímax da história: a saga do povo de Deus rumo à Terra Prometida.
A
partir dessa percepção, podemos inferir o propósito do livro de Moisés: contar
a maneira e motivo de o Deus de Israel escolher a família de Abraão e fazer uma
eterna aliança com ela. Para os cristãos, essa aliança tem uma importância
preponderante, pois foi a partir da aliança de Deus com Abraão que Jesus de
Nazaré foi feito o Messias prometido: o Messias seria judeu, da família de
Davi, descendente direto da casa de Abraão. De modo que também a Igreja de
Cristo foi pensada sob a aliança estabelecida entre Deus e Abraão. Por isso, o
apóstolo Paulo escreve convictamente: “Nisto não há judeu nem grego; não há
servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo
Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros
conforme a promessa” (Gl 3.28,29).
Portanto,
há razão suficiente para dedicarmo-nos ao estudo do livro de Gênesis. Ele
apresenta o início da história da salvação. Em Gênesis, somos convidados a
compreender como começou a história do povo de Deus que culminou na revelação
de Jesus Cristo, a fim de que hoje fôssemos alcançados pela graça de Deus em
Cristo Jesus, o nosso Senhor. Revista Ensinador Cristão nº64 pg.36.
INTRODUÇÃO
O
Gênesis fascina-me o espírito. Tudo nele é relevante, didático, profundo, belo
e devocional. Até as suas genealogias trazem-me preciosas lições. Da criação do
Universo à morte de José, percorro um caminho que, apesar das agruras e provas,
conduz-me logo ao Criador. Em cada página, encontro um Deus que, não se
limitando a criar, deleita-se em revelar-se à criatura.
Neste
livro, enterneço-me com os patriarcas. No Crescente Fértil, refaço-lhes as
peregrinações desde a imponente Ur à rústica Betel. De suas vitórias,
compartilho. Aos seus idílios, assisto. Que outro autor poderia descrever com
tanta poesia o encontro de Jacó e Raquel? E a história de José? Não há quem não
chore ao ler o drama do escravo hebreu que veio a governar o Império Egípcio. Em
cada capítulo do Gênesis, tenho uma nova experiência com o Deus de Isaque e de
Abraão. Iniciemos, pois, o nosso diálogo com uma literatura alta, rica e
artisticamente bem trabalhada. Mas este não é o seu principal mérito. A
semelhança dos demais livros da Bíblia Sagrada, o Gênesis é a inspirada,
inerrante e infalível Palavra de Deus. Não veio á luz apenas para encantar-nos
a estética, mas para encaminhar-nos à ética inigualável e perfeita do Criador.
Sem o livro de Gênesis, as grandes perguntas da vida ainda estariam sem resposta.
I.
A AUTORIA MOSAICA
O
Gênesis foi escrito por um dos homens mais sábios da história Filho de Anrão e
Joquebede, pertencia Moisés à casa de Levi, a mais conservadora das tribos
hebreias (Ex 6.20; 32.26-28). Sua biografia é pontilhada por lances dramáticos
e inexplicáveis. Ainda recém-nascido, foi preservado do infanticídio
desencadeado pelo rei do Egito, visando à eliminação do povo de Israel (Ex
2.1-10).
Providencialmente adotado pela filha
do Faraó, é levado ao palácio, onde recebe a educação mais esmerada da época
(At 7.22). Homem feito, saiu a ver as agruras de seus irmãos. E, na ânsia por
ajudá-los, acaba por matar um egípcio. Vê-se, então, forçado a refugiar-se em
Midiã. Nesse diminuto reino localizado ao norte da Arábia, entrega-se ao
pastoreio do rebanho de Jetro, seu sogro (Ex 3.1). Ali, solitário e reflexivo,
dispõe de espaço e tempo para meditar nos propósitos do Deus de Abraão. Que
perguntas avivaram-lhe o espírito? E que indagações fez ao Eterno de Israel?
Deus
utiliza o isolamento de Midiã, para trabalhar-lhe a personalidade. No Egito,
entre cativos e exatores, jamais se teria desenvolvido espiritualmente, Foi em
seu exílio, que Moisés inteira-se de uma invenção que revolucionaria a
transmissão do conhecimento: o alfabeto. Surgido na região do Sinai, seria logo
adotado pela maioria dos povos.
Providencialmente, o Senhor impediu que a sua Palavra fosse escrita em
caracteres egípcios, pois tanto o demótico, conhecido pelo povo, como o
hieróglifo, dominado apenas pelos sacerdotes, não possuíam a plasticidade e a
segurança necessárias para registrar os inícios da História Sagrada.
Não
sabemos em que período de seu ministério, Moisés escreveu o primeiro livro da
Bíblia Sagrada. Mas podemos garantir que o Êxodo é uma sequência natural do
Gênesis, pois, no original hebraico, ambos os livros acham-se ligados por uma
conjunção aditiva.
O Pentateuco é de autoria de Moisés - Êx 17.14, 24.4; Nm 33.1,2; Dt 31.9; Js 1.8; 2Rs 21.8
Os escritores do Novo Testamento estão em concordância com os do Antigo Testamento pois falam dos cinco livros como "a lei de Moisés" (At 13.39; 15.5; Hb 10.28; ainda 2Co 3.15). O próprio Jesus deu testemunho de que Moisés é o autor (Jo 5.46; Mt 8.4, 19.8; Mc 7.10; Lc 16.31; 24.27,44)
II.
DATA E LOCAL
Não é
tarefa nada fácil precisar a data e o local em que Moisés escreveu o Gênesis.
Para não nos perdermos em especulações, algumas absurdas e outras impiamente
vazias, adotaremos a posição conservadora por ser a mais segura e racional.
1.
Data. É-nos permitido afirmar que o primeiro livro da Bíblia foi
redigido entre 1445 e 1405 antes da era cristã, durante a peregrinação de
Israel pelo Sinai. Eleger qualquer outra época, como a do pós-exílio
babilônico, por exemplo, é atentar contra as evidências da própria Bíblia.
Tanto os profetas quanto os apóstolos têm como certa a autoria mosaica de todo
o Pentateuco, incluindo o Gênesis.
2.
Local. Já que sabemos ter Moisés escrito o Gênesis no século 15 antes
de Cristo, concluímos que ele o redigiu no Sinai. Aliás, encontramo-lo em
diversas ocasiões, durante a peregrinação de Israel pelo deserto, a registrar
as palavras do Senhor (Ex 24.4; Nm 32.2,- Dt 31.9). Ao seu dispor, excelente
material de escrita. Doutra forma, o livro jamais teria chegado às gerações
futuras.
O tema central do livro de Gênesis se encontra no primeiro capítulo e versículo: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1)
A História da Criação
"A primeira coisa que chama a atenção do leitor da Bíblia é o laconismo (apenas dois capítulos) com que a história da Criação do mundo e da humanidade é contada. A aritmética de Gênesis é impressionante. Somente dois capítulos são dedicados à história da Criação e um à entrada do pecado na raça humana. Por outro lado, treze capítulos são dedicados a Abraão, dez a Jacó e doze a José (que nem era um patriarca, nem um filho por meio do qual as promessas da aliança seriam perpetuadas). Ora, presenciamos o fenômeno de doze capítulos para José e apenas dois para a Criação. Seria impossível alguém ser, por assim dizer, seis vezes mais importante que o mundo?" Para conhecer mais leia Manual do Pentateuco, CPAD, p.19.
III.
REIVINDICAÇÃO E TEMA
Todos os
livros da Bíblia possuem, além do tema central, uma reivindicação específica. Por isso, devemos ler a Palavra de Deus com atenção e cuidado, para não lhe
ignorarmos as demandas.
1.
Reivindicação. A principal reivindicação do Gênesis é que creiamos ser
Deus o Criador dos céus e da terra. Aliás, é a primeira verdade que nos expõe o
autor sagrado (Gn 1.1). Que nos curvemos humildemente, pois, à soberania divina. Ao aceitar semelhante demanda, confessa o salmista Etã: ‘Teus são os céus, e tua e a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste” (Sl 89.11).
Quem lê o Gênesis com devoção e amor, aceita de imediato a exigência divina.
Sim, tudo pertence ao Senhor, inclusive você e eu. Aleluia!
2. Tema. O
tema do Gênesis faz-se acompanhar de sua reivindicação central: “No princípio,
criou Deus os céus e a terra”. Nesse livro, portanto, encontramos as origens
dos céus, da terra, do ser humano, das nações e do povo de Israel. Acham-se
nele, também, os esboços das doutrinas que professamos. O seu título, a
propósito, significa exatamente isso: origem.
Um dos objetivos de Moisés ao escrever o livro de Gênesis, era fortalecer a fé da geração do êxodo mostrando que Deus é o grande criador dos céus, da Terra e do homem.
IV.
OBJETIVOS DO LIVRO
Além de uma reivindicação específica e de um tema central, o Gênesis foi
escrito com, pelo menos, dois objetivos: fundamentar teológica e historicamente
o êxodo hebreu e responder-nos às grandes perguntas da vida.
1.
Fundamentar o êxodo hebreu. Os leitores, ou ouvintes, imediatos do
Gênesis foi a geração que o Senhor libertara do cativeiro egípcio. No momento
mais crítico de sua história, era-lhes urgente saber três coisas essenciais.
Antes de tudo, que o Jeová do Êxodo era o mesmo Elohim do Gênesis. Logo, o
Criador dos Céus e da Terra não poderia deixar de apresentar-se como o Redentor
de seu povo. Finalmente, o Deus que chamara Abraão a uma nova realidade
espiritual, convocava-os, agora, a uma vida de liberdade numa terra boa, ampla
e singularmente aprazível. Por isso, o Senhor se apresenta aos filhos de Israel
como o El-shaday dos patriarcas (Gn 17.1; Ex 6.3).
O
objetivo primacial do Gênesis, portanto, era fundamentar teológica e
historicamente os filhos de Israel, a fim de que assumissem a sua identidade
como povo de Deus. Eles deveriam saber que a sua liberdade não era fruto de um
movimento político, nem de uma convulsão social, mas o cumprimento das alianças
que o Senhor estabelecera com Abraão, Isaque e Jacó. Aliás, o próprio José, pouco
antes de morrer, profetizara, no Gênesis, o Êxodo: “Eu morro; porém Deus
certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar
a Abraão, a Isaque e a Jacó”. Em seguida, José fez jurar os filhos de Israel,
dizendo: “Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos
daqui” (Gn 50.24,25). Nas Sagradas Escrituras, todos os atos de Deus são bem
fundamentados teológica e historicamente. O que aconteceu no Êxodo alicerça-se
no Gênesis. As alianças firmadas neste cumprem-se naquele. O mesmo podemos
dizer com respeito a nossa salvação. O que teve início no primeiro livro da
Bíblia plenifica-se no último.
2.
Responder as grandes perguntas da vida. O Gênesis foi escrito também
para responder-nos às grandes perguntas da vida. Em primeiro lugar, todos
ansiamos por saber como vieram a existir os Céus e a Terra. A segunda
indagação, não menos importante, é acerca da nossa própria origem. Se não
obtivermos as respostas certas, deixar-nos-emos aprisionar tanto pelas mitologias
antigas como pelas modernas, que nos chegam diariamente travestidas de ciência.
Adão não tinha qualquer dúvida quanto à criação, pois conhecia pessoalmente o
Criador. Mas os seus descendentes, por parte de Caim, logo endeusaram a
criatura, permitindo-se arrastar pelo sexo e por atos cada vez mais violentos.
Sim, violência e sensualidade, os dois primeiros deuses da humanidade; daí,
nasceram todos os ídolos.
Não demorou muito para que os filhos do
próprio Sete caíssem nos mesmos pecados de Caim (Gn 6.1-3). Senão fosse o
piedoso Noé, toda a raça humana teria perecido no Dilúvio.
A era atual em nada difere daquela
época, conforme afiança o Senhor Jesus: “Pois assim como foi nos dias de Noé,
também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores
ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que
Noé entrou na arca, e não o perceberam, senão quando veio o dilúvio e os
levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt
24.37-39). Em consequência do pecado, o deus deste século não
demorou a cegar e a perverter a mente da humanidade (2Co 4 4). E, assim, a
narrativa que Adão e Noé transmitiram aos seus filhos acabou por degenerar-se
em mitologias blasfemas e grosseiras. A família de Sem, através de Abraão,
ainda manteria, por alguns séculos, a pureza do criacionismo.
Mas, já no tempo do Êxodo, a tradição oral já não era confiável. Por isso, o Senhor
convoca Moisés não apenas para libertar Israel do Egito, como também perenizar,
através da palavra escrita, a verdade sobre os inícios de todas as coisas.
Tendo em vista a pureza do Gênesis, rejeitamos a hipótese de que o autor
sagrado foi buscar rescaldos nas mitologias babilônicas para redigir o primeiro
livro da Bíblia. Supervisionado pelo Espírito Santo, selecionou os registros
mantidos pelos hebreus, depurando a tradição oral da criação que o seu povo
ainda conservava. E claro que, nessa tarefa, ele contou igualmente com a
revelação divina. De modo que, hoje, temos um texto confiável, lógico e
coerente. Não temos qualquer dúvida quanto à inspiração divina do Gênesis, que
compreendeu tanto a iluminação como a supervisão do Espírito Santo.
Moisés foi chamado por Deus no momento mais crítico da história de Israel, pois
Faraó estava prestes a exterminar os hebreus. E, com eles, perder-se-iam a
narrativa da criação e os registros genealógicos que nos remetem a Adão e ao
próprio Deus (Lc 3,38). Além disso, a linhagem do Messias também seria
destruída, tornando inviável o advento de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Não há como mesurar a importância de Moisés na História Sagrada. O seu
necrológio, apensado ao Deuteronômio, faz jus à sua biografia; “Nunca mais se
levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse
tratado face a face, no tocante a todos os sinais e maravilhas que, por mando
do SENHOR, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais e a toda a
sua terra, e no tocante a todas as obras de sua poderosa mão e aos grandes e
terríveis feitos que operou Moisés à vista de todo o Israel” (Dt 34.10-12).
Bastava o Gênesis para que Moisés se imortalizasse. Mas a sua obra não parou
aí; transcendeu, fazendo-se eterna séculos mais tarde, vamos encontrá-lo no
Monte da Transfiguração. Ali, juntamente com Elias, conferenciava com o verbo
de Deus acerca do momento mais ingente da História Sagrada: a expiação da
humanidade no Calvário. A profecia de Gênesis 3.15 cumpria-se plenamente.
Podemos encontrar no livro de Gênesis temas como a Criação; Queda e a degradação humana; o dilúvio; o recomeço da civilização e a origem da nação de Israel.
V.
GÊNERO LITERÁRIO
Ao
contrário de Homero, legou-nos Moisés uma cosmogonia altamente confiável. Se o
primeiro dispôs apenas do engenho humano, o segundo foi assistido pelo Espírito
Santo, que o inspirou, dirigindo-o em toda a redação da obra. Na composição do
livro de Gênesis, por conseguinte, Deus providenciou todos os detalhes, para
que tivéssemos uma obra inerrante e infalível: alfabeto, língua, gênero
literário e estilo.
1.
Alfabeto. Conforme já dissemos, o Senhor impediu que os primeiros
cinco livros das Escrituras Sagradas fossem escritos nos caracteres egípcios.
Se isso tivesse ocorrido, o Pentateuco teria desaparecido já nas décadas
seguintes, pois somente a elite cultural egípcia, da qual Moisés fazia parte,
era capaz de dominá-los. Além do mais, a escrita ideográfica do Nilo estava
fadada a desaparecer. Haja vista que, no período do Novo Testamento, os
hieróglifos já haviam sido substituídos, em todo o Egito, pelos alfabetos grego
e latino. Dezoito séculos mais tarde, o francês Jean-François Champollion
(1790-1832) enfrentaria dificuldades, a fim de resgatar o sentido daqueles
signos linguísticos.
Por esse motivo, Deus isolou Moisés por quarenta anos em Midiã, para que o seu
servo aprendesse o alfabeto sinaítico. Através dessa invenção maravilhosa, ele
teria condições de transmitir às gerações futuras os inícios da História
Sagrada. Embora não se saiba quem de fato criou a linguagem alfabética, o certo
é que ela veio a ser assimilada rapidamente pelos hebreus, fenícios, gregos e
latinos. Destes, veio a ser adotada pela maioria das línguas modernas.
Durante o cativeiro babilônico, os escribas judeus houveram por bem substituir
o alfabeto sinaítico pelo ashurith, conhecido também como quadrático devido á
sua forma retangular. E, a partir do século 6º de nossa hera, apareceram os massoretas, cujo principal trabalho foi a vocalização do texto original
hebraico, para que este não acabasse por perder a sua pureza fonética.
2.
Língua. Entre os idiomas antigos, tenho para mim que o hebraico era o
mais perfeito. Simples e poético, apresenta uma gramática descomplicada e logo
assimilável.
É claro que, no decorrer do Antigo Testamento, os livros do Pentateuco foram
submetidos a vários processos editoriais. Mas todas essas intervenções foram
orientadas e supervisionadas pelo Espírito Santo, visando preservar a
integridade do texto sagrado.
3.
Gênero literário. Embora haja poesias e até hinos no Gênesis, o livro
não é uma obra poética. Diferentemente de Homero, utiliza Moisés a narrativa
histórica para registrar os começos do Céu, da Terra, da humanidade e do povo
hebreu.
A
História da Criação seria, séculos depois, salmodiada pelos cantores de Israel.
Mas, quando da redação do Gênesis, o Senhor levou Moisés a utilizar um gênero
literário adequado à historiografia sagrada, realçando a credibilidade do
primeiro livro da Bíblia.
4.
Estilo. Se o estilo é de fato o homem, em todo o Gênesis vemos a mão
de Deus em tudo o que Moisés escreveu. Historiador sagrado, foi belo e poético
em cada frase e oração. Até pequenas sentenças, como esta, adquirem beleza e
ternura em sua pena: “Haja luz” (Gn 1.3). A História de José é outro exemplo da
excelência literária do autor sagrado. Quem consegue lê-la sem lacrimejar?
Enfim, o Gênesis é tão belo e singular que só podia ser divino. Escrito há mais
de três mil e quinhentos anos, continua a encantar crianças, adolescentes,
adultos e anciãos. O primeiro livro da Bíblia Sagrada, portanto, é uma história
real, não uma parábola, nem uma coleção de alegorias, como sugerem os liberais
e inimigos da Palavra de Deus. Se o interpretarmos doutra forma, jamais
poderemos aceitar, como verdade, a História da Redenção.
SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"Sete características principais assinalam Gênesis.
(1) Foi o primeiro livro da Bíblia a ser escrito (com possível exceção de Jó) e registra o começo da humanidade, do pecado, do povo hebreu e da redenção.
(2) A história contida em Gênesis abrange um período de tempo, maior que o restante da Bíblia, e começa com o primeiro casal humano; dilata-se, abrangendo o mundo antediluviano, e a seguir limita-se à história do povo hebreu, o qual semelhante a uma torrente, conduz à redenção até o final do A.T.
(3) Gênesis revela que o universo material e a vida na terra são categoricamente obra de Deus, e não um processo independente da natureza. Cinquenta vezes nos capítulos 1-2, Deus é o sujeito de verbos que demonstram o que Ele fez como Criador.
(4) Gênesis é o livro das primeiras coisas -a primeira família, o primeiro nascimento, o primeiro pecado, o primeiro homicídio, o primeiro polígamo, os primeiros instrumentos musicais, a primeira promessa de redenção, e assim por diante.
(5) O concerto de Deus com Abraão, que começou com a chamada deste (12.1-3), foi formalizado no capítulo 15, e ratificado no capítulo 17, e é da máxima importância em toda a Bíblia.
(6) Somente Gênesis explica a origem das doze tribos de Israel.
(7) Revela como os descendentes de Abraão, por fim, se fixam no Egito (durante 430 anos) e assim preparam o caminho para o êxodo, o evento central do Antigo Testamento" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro:CPAD, 1991, p.29).
VI.
CONTEÚDO
O
Gênesis pode ser dividido em duas grandes seções: a História Primitiva e a
História de Israel.
1. A
História Primitiva. Conhecida também como História Primeva, a História
Primitiva ocupa-se dos primeiros dois milênios da estadia do homem na Terra,
abrangendo os primeiros onze capítulos do livro: da Criação à Torre de Babel.
De
forma sintética, mas profundamente clara, a Palavra de Deus mostra como vieram
a existir o Céu, a Terra, os animais e o homem. Narra também a ocorrência do
Dilúvio e o evento da Torre de Babel, revelando como originou-se a diversidade
cultural da humanidade.
2.
A História de Israel. A partir do capítulo 12, tem início a História
de Israel. É uma narrativa soteriológica das biografias dos três grandes
patriarcas da nação hebreia: Abraão, Isaque e Jacó. O relato é encerrado com a
ascensão providencial de José ao governo egípcio.
Nessa seção, Deus estabelece suas alianças com os pais da família hebraica. De
um lado, promete-lhes que os protegerá em suas peregrinações até introduzi-los
na terra de Canaã. Do outro, os hebreus se comprometem a guardar-lhe os
mandamentos e devotar-lhe uma adoração exclusiva e única. Todos fomos chamados
a uma vida perfeita diante de El Shaday (Gn 17.1).
CONCLUSÃO
Como nos sairíamos sem o Gênesis? Ainda estaríamos presos às mitologias
babilônicas, indianas e gregas. Sem ele, jamais poderíamos libertar-nos dos
mitos pós-modernos, que nos chegam todos os dias como verdade e ciência. Enfim,
sem as verdades do Gênesis, jamais teríamos alcançado a liberdade em Cristo,
pois a doutrina da salvação tem, no primeiro livro da Bíblia Sagrada, a sua
gênese. Por isso, agradeçamos a Deus por nos haver providenciado uma porção tão
indispensável e bela de sua inspirada e inerrante Palavra. Quanto mais o tempo
passar, mais constataremos a exatidão da obra que nos legou Moisés.
Leia o Gênesis com a sua família. No culto doméstico,
abra a Bíblia neste livro e estude-o metódica e sistematicamente. Assim, você
impedirá que os seus pequeninos sejam vítimas dos falsos postulados científicos
como a Teoria do Big Bang e o Evolucionismo.
Na proclamação do Evangelho, faz-se necessária a evocação de três verdades que se acham em Gênesis: 1) Deus criou os céus, a terra e o homem; 2) Em Adão, todos pecamos, tornando-nos réus da morte eterna; 3) Entretanto, Deus providenciou-nos eficaz salvação através da semente da mulher: Jesus Cristo, nosso Salvador.
A leitura do Gênesis nunca se fez tão necessária como nos dias de hoje. Nossas crianças precisam saber quem fez todas as coisas. O que eles veem não é obra do acaso; é criação divina. Se não formos precavidos, doutrinas fúteis, como o evolucionismo, lhes roubarão a fé salvadora.
Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4ºtrim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (livro de Apoio)
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe CPAD
Manual do Pentateuco-CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé
Aqui eu Aprendi!