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sábado, 25 de agosto de 2018

O Milagre da Ressurreição de Lázaro

“Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria e que tinham visto o que Jesus fizera creram nele” Jo 11.45

“Pergunta-se: Por que os outros três evangelhos não relatam o grande milagre da ressurreição de Lázaro? Uma das respostas é: porque o Espírito Santo levou João a registrar esse milagre, que preenche sua parte no propósito do livro. O milagre da ressurreição de Lázaro não tinha lugar no plano dos outros três escritores. Lembremo-nos que há cinco outros milagres relatados por João, que não se mencionam nos outros Evangelhos. E há trinta e três milagres nos outros Evangelhos, não registrados por João. [...] Tirai a pedra (v.39): Era proibido, pelo Talmude, abrir um túmulo, depois de fechá-lo com a pedra. E isso para se evitar contaminar-se cerimonialmente. Mas Aquele que tocou o esquife do filho da viúva de Naim (Lc 7.14), e que tocou o leproso (Mt 8.3), mandou que retirassem a pedra do túmulo de Lázaro — anulando o formalismo dos judeus. Jesus, levantando os olhos para o céu, disse... (vv.41,42): Isto não é uma oração mas ação de graças a Deus, pela resposta à oração, resposta já recebida. Vd. Mc 11.24 (Vers. Bras e Vers. Ver. Autor.): Tudo quanto em oração pedirdes, crede que recebestes, e será assim. Recebestes é no tempo passado. Recebemos enquanto oramos e o vemos depois com os olhos. Cristo, diante do túmulo de Lázaro, orara até receber e só restava agradecer a Deus a resposta que ia ver logo com os próprios olhos” (BOYER, Orlando. Espada Cortante.Lucas, João e Atos. Volume 2. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.311,312).

O sétimo e último sinal do quarto Evangelho é o mais significativo de todos, pois devolveu a vida a Lázaro, mostrando todo o poder do Filho de Deus.

Acostumados com a importante e necessária prática do planejamento, vez por outra somos surpreendidos por algum acontecimento que nos desperta para o inegável fato de que, na realidade, não temos controle algum, não apenas sobre o futuro, mas também sobre o que quer que seja. Sem conhecer os contornos da estrada da existência que vai se delineando conforme os dias vão passando, muitas vezes nos pegamos absortos com os acontecimentos. Para o bem ou para o mal, quantas vezes já não exclamamos: “Nunca pensei que isto fosse acontecer comigo”. Se os que não conhecem a Deus atribuem os acontecimentos ao “acaso”, aos que creem tal maneira de pensar não faz sentido, pois acreditam na providência divina. Não obstante, uma vez que são insondáveis as formas de Deus agir, até mesmo o crente, vez por outra, incorre no erro de falar daquilo que escapa ao seu conhecimento. O último sinal do quarto Evangelho ensina-nos que Deus, muitas vezes, age de maneira contrária à lógica, mas que ao final tudo concorre para a glória do nome dEle.

Como Jesus teve acesso tão rápido ao sepulcro onde jazia Lázaro?
A maioria dos estudiosos defende que havia no próprio terreno das casas, sobretudo das pessoas de posse, esculpido em rochas o túmulo dos entes queridos.

Texto Bíblico - João 11.28-40,43,44

INTRODUÇÃO

O sétimo milagre do Evangelho de João coroa de forma magistral os relatos dos sinais do texto joanino, culminando com o maior deles, pois devolveu a vida a alguém que havia morrido há quatro dias (Jo 11.39).

I. A ENFERMIDADE PARA A GLÓRIA DE DEUS

1. Jesus é notificado da enfermidade de Lázaro.
A cada sinal realizado, Jesus se indispunha ainda mais com as classes religiosas que, temendo perder seu domínio, depois deste grande feito, acabaram reunindo-se numa coalizão de forças entre sacerdotes e fariseus, formaram um conselho e reconheceram o que não dava mais para esconder — o que poderia ser feito para barrar o Senhor visto que Ele fazia “muitos sinais” (Jo 11.47)? Apesar de os milagres beneficiarem o povo, sobretudo os mais necessitados (At 10.34-38), o medo dos religiosos era que todos passassem a crer em Jesus e isso fizesse com que o poder imperial os achassem dispensáveis e não mais necessários para os interesses e acordos políticos (Jo 11.48). Foi nessa infame reunião que, diz o apóstolo do amor, depois de afirmar que convinha que um homem morresse pelo povo, o “sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação” (Jo 11.51), selando de vez o destino entre eles, pois “Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem” (Jo 11.53).

Dividido em duas partes, o relato do sétimo sinal tem longos 44 versículos (Jo 11.1-44). A despeito de o texto bíblico da lição conter apenas a segunda parte do relato, o contexto exposto na primeira é de primordial importância para se valorizar ainda mais a narrativa. João informa que se encontrava doente um homem chamado “Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta” (Jo 11.1). Estas, conhecidas e amadas do Senhor, mandaram-lhe avisar que Lázaro, a quem Jesus igualmente amava, estava enfermo (Jo 11.3,5). Isso indica que o Senhor já conhecia essa família. Todavia, mesmo após ser notificado, Jesus “ficou ainda dois dias no lugar onde estava” (Jo 11.6).

2. A doença que veio para a glória de Deus.
Felizmente, a demora de Jesus em ir até Betânia não se trata de insensibilidade, antes tem uma razão de ser, isto é, como o próprio Mestre disse: “Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela” (Jo 11.4b). Na verdade, conforme o Senhor revela, o real motivo de Ele não se apressar em ir ao povoado e curar Lázaro antes que este viesse a falecer, foi o amor que Ele tinha pelos seus discípulos, pois estes teriam a oportunidade ímpar de assistir um portentoso milagre e assim poderiam acreditar definitivamente que o Senhor era o Filho de Deus (Jo 11.15).

3. O duplo significado da morte neste texto.
É natural que haja algum estranhamento no fato de Jesus ter dito que a doença não era para “morte” e Lázaro ter vindo a óbito. Vale perceber que, particularmente, neste texto, a “morte” possui dois sentidos e não significa simplesmente a cessação da vida biológica, mas tem um significado bem mais profundo, conforme se depreende da resposta do Senhor a Marta (Jo 11.25b,26). Falando, entretanto, especificamente da morte de Lázaro, o Mestre disse que aquele apenas “dormia”, algo que levou os discípulos a não entenderem a expressão, achando que o doente estivesse se recuperando (Jo 11.11-13). Para desfazer o equívoco “Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto” (Jo 11.14). Portanto, vê-se que há dois sentidos para a expressão “morte” na narrativa: morte natural e morte eterna.

II. A RESSURREIÇÃO E A VIDA

1. O inusitado convite de Jesus.
Quando o “tempo de Deus” se completou, Jesus então convidou os seus discípulos a retornarem à Judeia e eles, completamente confusos, tentaram dissuadir o Senhor “lembrando-lhe” que há pouco quiseram apedrejá-lo naquela localidade (Jo 10.31,39 cf. 11.7,8). A preocupação dos discípulos se dava pelo fato de Betânia distar de Jerusalém cerca de dois a três quilômetros (Jo 11.18). O Mestre então lhes esclarece por meio da metáfora do dia, já anteriormente utilizada (Jo 9.4,5), que há necessidade de se fazer o que Ele fora designado para executar (Jo 11.9-11). A resposta de Tomé, discípulo lembrado pela dúvida (Jo 20.24- 29) — “Vamos nós também, para morrermos com ele” (Jo 11.16) — que figura para muitos como uma incógnita, na verdade, trata-se de uma expressão de coragem, e resignação e não uma ironia.

2. O encontro de Jesus com Marta.
É curioso notar que em Lucas 10.38-42, Marta encontra-se excessivamente ocupada com as coisas corriqueiras da vida e até solicita ao Mestre que diga a Maria para esta vir lhe auxiliar. Neste episódio, entretanto, ela vai ao encontro do Senhor mesmo antes dEle chegar na aldeia, “Maria, porém, ficou assentada em casa” (Jo 11.20). Ambas, todavia, lamentam-se da mesma forma a respeito de Jesus não ter chegado a tempo de impedir que Lázaro viesse a óbito (Jo 11.21,32). Se na ocasião da narrativa de Lucas, Maria dispôs-se a estar aos pés do Mestre para aprender, nesta oportunidade é Marta quem nos oportuniza um importante e instrutivo diálogo (Jo 11.21-27). É perigoso formar uma visão de alguém, ou ainda pior, uma caricatura, por um único lance da vida da pessoa.

O fato de Maria ter ficado “assentada em casa”, certamente está relacionado com a recepção dos judeus que tinham ido a Betânia consolar a ambas (Jo 11.19,31).

3. Um diálogo altamente teológico.
O que acontece na sequência após Marta ter ido se encontrar com o Senhor é um diálogo de teor altamente teológico. Apesar de ter dito que sabia que tudo quanto Jesus pedisse a Deus, o Pai lhe concederia, no momento decisivo, tal crença parece não ter se mostrado tão segura (Jo 11.22,39). O Mestre então diz que trará Lázaro novamente à vida e Marta responde que sabe que o seu irmão “há de ressuscitar na ressurreição do último Dia” (Jo 11.23,24). A crença na ressurreição não era novidade para os judeus (Is 26.19; Dn 12.2), porém, por entender a morte apenas no sentido natural, este evento era exclusivamente situado no futuro. Jesus revela uma verdade completamente distinta: Ele mesmo é a ressurreição e a vida e quem nEle crê, “ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê [...] nunca morrerá” (Jo 11.25,26). Portanto, morte e vida, nas palavras do Senhor a Marta, revestem-se de um significado bem mais profundo, pois indicam que, como já foi dito, existem dois tipos de morte e também de vida: naturais e eternas. O Mestre falava, obviamente, da vida eterna que era uma realidade para os que nEle criam (Jo 3.16,36). À pergunta do Senhor se Marta cria no que Ele acabara de pronunciar, ela respondeu não apenas de forma afirmativa, mas com uma confissão: “Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo” (Jo 11.27).

III. “PARA QUE CREIAM QUE TU ME ENVIASTE”

1. Um homem com sentimentos.
Após fazer tal confissão, Marta então se dirige a casa e avisa a Maria que o Mestre desejava vê-la. Maria, sem demora alguma, corre ao encontro do Senhor, que ainda nem havia chegado à aldeia (vv.28-30). Os judeus que a consolavam seguiram-na pensando que ela fosse ao sepulcro chorar, e acabaram encontrando-se também com o Senhor Jesus que, observa João, “quando a viu chorar e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito e perturbou-se” (v.33). Se essa observação parece “subjetiva”, o que acontece na sequência não deixa dúvida quanto ao fato de Jesus ser um homem sensível.

Após inquirir acerca do local onde sepultaram Lázaro, o apóstolo do amor registra que “Jesus chorou” (v.35), daí a afirmação dos judeus: “Vede como o amava” (v.36b). Diferentemente dos mestres da antiguidade que se esforçavam para passar uma imagem de impassibilidade, o Senhor não teve receio algum em chorar e comover-se por ver Maria e os judeus chorando.

2. A dúvida dos judeus e de Marta.
Vendo que Jesus chorava, alguns dos judeus questionaram: “Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?” (v.37b). Eles até levantam a hipótese de o Senhor, por ter dado vista ao cego, caso tivesse chegado a tempo, também ter curado a Lázaro; mas trazê-lo de volta parece estar completamente fora de cogitação. Neste momento, ao chegar ao sepulcro havia uma pedra na entrada e uma vez mais o Mestre se comoveu (v.38). Sem titubear, Jesus ordenou que removessem a pedra do sepulcro, mas Marta então protestou que já fazia quatro dias que Lázaro morrera e que por isso já cheirava mal (v.39), o Mestre, todavia, respondeu-lhe: “Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?” (v.40b).

3. O grande milagre.
Após removerem a pedra, Jesus faz uma breve oração, onde deixa claro sua intimidade com o Pai (vv.41,42). Na prece, o Senhor revela que a oração não fora feita por uma necessidade de comunicação entre ambos Ele e o Pai, e sim por causa da “multidão ao redor”, ou seja, para que as pessoas creiam que Deus o enviara. Logo depois de orar, o Mestre grita: “Lázaro, vem para fora” (v.43b). No mesmo instante, Lázaro despertou e “saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto, envolto num lenço” (v.44). O Senhor então mandou que o soltassem e o deixassem ir. Se o povo já admirara o milagre de dar vista ao cego realizado por Jesus, este agora era sobrenaturalmente superior, pois devolvera a vida a um morto, não de poucas horas, mas alguém que já havia morrido há quatro dias, isto é, não havia dúvida alguma acerca da impossibilidade de este voltar à vida a não ser por um milagre divino.

CONCLUSÃO

A lição de hoje encerra o ciclo dos sete sinais elencados pelo apóstolo do amor. Não apenas aos seus destinatários originais, mas também a nós, nos dias de hoje, tais sinais trazem edificação e fazem com que creiamos no Senhor como o Filho de Deus, e assim tenhamos vida em seu nome (Jo 20.31).

SUBSÍDIO
“Quando Jesus declarou: ‘Teu irmão há de ressuscitar’, Marta recitou: de modo muito triste, um artigo do credo judaico: ‘Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia’. O único alívio que sentia era uma esperança para o futuro distante, baseada numa doutrina. Jesus, no entanto, fez com que ela desviasse sua atenção do artigo do credo para fixá-la nEle: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’, o que nos faz entender que o Cristianismo consiste mais em confiar numa Pessoa divina do que assentir a proposições teológicas. Não há proveito em procurar assenhorear-se da teologia sem primeiro aceitar Cristo como Senhor. Podemos crer numa doutrina sem entregar nossa vida a ela em plena confiança; podemos entendê-la sem que ela nos transforme o coração; como Marta, podemos crer na ressurreição sem ter verdadeira fé naquele que é a Ressurreição e a Vida. A causa das lágrimas de Jesus. Tais lágrimas fazem parte da humanidade de Jesus. Apesar de ser Filho de Deus, Ele sofreu todas as aflições dos homens, embora sem a prática do pecado. ‘E o Verbo se fez carne’. Sua humanidade não era fictícia; participou realmente da nossa natureza. As lágrimas brotaram de real compaixão, foram a resposta do coração de Jesus ao apelo da tristeza. Suas lágrimas também foram causadas pela tristeza — tristeza pelos danos causados pelo pecado e pela morte” (PEARLMAN, Myer. João. O Evangelho do Filho de Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1995, pp.138-140).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
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quarta-feira, 9 de maio de 2018

Nossa Esperança na Vinda do Senhor

“Não durmamos, pois, como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios” 1Ts 5.6

“A Trombeta de Deus ressoará”
Que instante abençoado! Nos dias do Antigo Testamento, Deus determinara que se fizessem duas trombetas de prata, que seriam usadas tanto para reunir o povo como para alertá-lo para a partida (Nm 10.1-7). Naquele dia tocará do céu a trombeta de Deus, como sinal de que devemos partir daqui, deste mundo, e reunir-nos em glória celestial! Essa trombeta de Deus não faz parte de nenhuma das sete trombetas do juízo, que serão tocadas no tempo dos três ‘ais’ (Ap 8.13; 11.15). Ela é uma trombeta de bênção, cujo som convocará a Noiva de Jesus para a festa eterna no céu.

“Os mortos ressuscitarão primeiro”
Aqui chegamos a um dos maiores milagres do universo — a ressurreição. Para os materialistas e ateus, a ressurreição é uma fantasia. Não creem por não encontrarem explicação para tal maravilha. Porém, a salvação não se baseia, efetivamente, na compreensão do homem natural, mas na fé. E por meio da fé compreendemos essas verdades gloriosas. A ressurreição significa que o homem morto tornará a existir e a viver fisicamente por meio de uma nova união entre o espírito e o corpo que foram separados no momento da morte. Para os que morreram em Cristo esse milagre se realizará no dia da vinda de Jesus (BERGSTÉN, Eurico. Teologia Sistemática. 13ª Edições. RJ: CPAD, 2013. pp.320,321).

Deus é responsável pela criação e consumação de todas as coisas em Cristo Jesus.

A escatologia discutida por Paulo em 1 Tessalonicenses tem suas peculiaridades, mesmo se comparada com a abordagem que o apóstolo promove em 2 Tessalonicenses. O pragmatismo atual que envolve a fé cristã de muitas pessoas é o único objeto de busca para alguns indivíduos A aridez da questão (com suas imagens apocalípticas, figuras fantásticas e eventos extraordinários) tende, em alguns casos, a tornar o debate escatológico distante do interesse dos jovens. Apesar destes desafios lembre-se: Você é a pessoa que Deus usará para abençoar esse grupo de jovens. O Senhor é contigo!

Texto Bíblico - 1 Tessalonicenses 4.13-18; 5.1-6

INTRODUÇÃO

Para a maior parte dos intérpretes, o debate a respeito das últimas coisas é uma temática tão importante na relação de Paulo com os tessalonicenses que pode, inclusive, servir de chave de leitura para uma compreensão integrada das duas epístolas. Mais importante do que determo-nos em intermináveis discussões sobre nuances ou detalhes escatológicos que resvalam deste texto de 1 Tessalonicenses, será refletir a respeito do contexto geral que fomenta tal discussão.

O amoroso cuidado pastoral de Paulo leva-o a explicar aos crentes em Tessalônica algumas verdades espirituais primárias, mas que estes, por imaturidade ou por falta de um ensino mais sistemático, ainda não haviam assimilado.

De forma análoga, é de extrema importância questionarmo-nos sobre a imperativa exigência de discussão deste tema na sociedade contemporânea. Em tempos de conhecimento instantâneo, transformações sociais diárias e economia extremamente volátil, ainda faz sentido falar de eternidade?

I. OS TRÊS OBJETIVOS DOS ESCLARECIMENTOS ESCATOLÓGICOS

1. Evitar os perigos da falta de profundidade bíblica.
O receio de Paulo para com os tessalonicenses era o de que a falta de uma compreensão mais profunda dos pilares da fé — dentre os quais estava, por exemplo, a crença na ressurreição de Jesus — levasse este grupo de novos irmãos a uma fé ignorante, e por isso mesmo, adoecida. Não somos chamados para permanecer em níveis elementares da fé (Hb 5.13,14); a metáfora bíblica diz-nos que a história de nossa fé é semelhante à corrida de um maratonista (1Co 9.24; 2Tm 4.7), por isso, é necessário sabedoria para não “morrer no meio do caminho”, mas antes, completarmos a carreira. Como um atencioso mestre, o apóstolo refletirá com seus amigos a respeito das questões básicas, mas imprescindíveis para o estabelecimento de uma vida cristã saudável, livre das fábulas e mitos das tradições religiosas.

2. Impedir qualquer entristecimento desnecessário.
A imaturidade da fé dos tessalonicenses poderia desembocar num problema maior: abandono da fé (Gl 1.6-9). A compreensão errônea de princípios bíblicos sempre tem repercussões negativas, comunitárias e pessoais. Percebemos pelo texto que o apóstolo apressou-se em responder as indagações dos irmãos para que assim se evitasse um esfriamento da fé daqueles irmãos. E isto é bastante perigoso, especialmente quando ocorre entre novos convertidos que, muitas vezes, não têm ainda suas convicções bem firmadas. Deixar de enfrentar tristezas de modo absoluto parece impossível, no entanto, existem determinados problemas e angústias que podemos fugir, e este era o caso entre aqueles novos irmãos.

3. Encher os tessalonicenses de esperança e consolo.
Algo inquietava os crentes de Tessalônica, tirava-lhes o sono e a harmonia interna da comunidade. Ao falar a respeito de questões pertinentes àquele contexto social, Paulo demonstra seu cuidado pastoral, que se manifesta no zelo pelo crescimento espiritual daquela Igreja. Do que adianta um sermão bem estruturado se o seu conteúdo não é compreendido pelo público? Qual a relevância de uma profunda discussão sobre elementos secundários da doutrina cristã se o essencial ainda não foi assimilado pela comunidade? Mais uma vez aprendemos com Paulo um importante princípio cristão: o importante em um sermão não é demonstrar o quanto se tem de conhecimento, e sim, falar com clareza e pertinência aquilo que produz crescimento às pessoas. Produzir esperança e consolo (1Ts 4.13,18), ou como o apóstolo fala em contexto semelhante — consolar, exortar e edificar (1Co 14.3) — este deve ser o cerne de toda pregação.

Pense!
Não podemos desprezar o estudo sistemático da Palavra de Deus.

Ponto Importante
Para o cristão, compreender os fundamentos básicos da fé significa sobrevivência espiritual.

II. VERDADES RELACIONADAS À VINDA DO SENHOR

1. A certeza da ressurreição gloriosa dos santos.
Temos plena convicção que aqueles que morreram em Cristo serão triunfalmente ressuscitados para satisfação e alegria eterna, pois assim como aconteceu com Jesus de Nazaré também acontecerá com todos aqueles que nEle creem (1Ts 4.14). Por isso, não há espaço para nenhuma crença aniquilacionista. Não só haverá vida após a morte, como a ressurreição dos santos será para felicidade e paz. O poder da maldade é parcial e transitório, a glória de Cristo é eterna e absoluta.

2. A certeza da vinda do Senhor exige vigilância.
Não é porque temos a certeza do retorno de Jesus para nos buscar, e com isso a convicção de nosso estado de eterna alegria com o Pai, que devemos viver de modo negligente (1Ts 5.4-6). Pelo contrário, tal revelação exige de nós comprometimento absoluto com o Reino de Deus. Não é possível vivermos com o coração dividido entre dois tipos de desejos contrários, ou com a alma cindida tentando servir ao Senhor e às trevas; é necessária a tomada de decisão. Aqueles que não conhecem a Cristo temem o fim de todas as coisas, apavoram-se ao pensar sobre o dia glorioso do Senhor. Estes, porém são os que desperdiçam suas vidas no pecado e por isso temem apresentarem-se diante do Criador. Nosso sentimento deve ser exatamente o inverso, ansiar o retorno de Jesus (Ap 22.20), com a convicção de que nos encontraremos com Deus; este será o melhor momento de nossas vidas. Por isso, vigiai! (Lc 21.36)

3. Este será um ato reivindicatório de Deus.
A palavra usada no versículo 17 para descrever a ação promovida por Cristo com relação aos que estiverem vivos quando de sua vinda literalmente significa “tomar com força”, “arrebatar com rapidez”, “reivindicar para si”. Deste modo, nosso encontro com o Senhor será resultado de uma decisão exclusiva de Deus, que, por ter autoridade e poder para isso, arrancará — sem qualquer preocupação com explicações a terceiros — aqueles que lhe pertencem. Somos possessão do Senhor, estamos neste mundo como peregrinos e forasteiros, aguardando apenas o exato momento de nosso regresso à morada eterna. Mais uma vez ratifica-se que nossa salvação não é um ato cuja origem deriva de nós, é na verdade um ato gracioso do Pai.

Pense!
A ressurreição é uma crença tão central para o Cristianismo que, como afirmou Paulo, se este fato não for verdadeiro nada mais terá sentido para nós.

Ponto Importante
A discussão de questões sobre o fim de todas as coisas produz medo e temor em muitos. Os justos não devem temer nada, aqueles que estão ainda no pecado há tempo para arrependimento.

III. OS JOVENS DE HOJE PRECISAM PENSAR SOBRE AS ÚLTIMAS COISAS?

1. A urgência de um despertamento.
Assim como Paulo exorta à jovem igreja de Tessalônica a vigiar e estar atenta quanto aos acontecimentos que precedem a vinda do Senhor (1Ts 5.6); a juventude de nossos dias também precisa ser sacudida com esta verdade que para alguns é inconveniente: tudo vai passar! Sim, é necessário demonstrar aos jovens desta geração que a força deles passa, assim como sua beleza, e que a própria juventude é “vaidade”, ou seja, efêmera, passageira (Ec 11.10). A ilusão da juventude eterna — que se propaga em nossa sociedade por meio da cultura das cirurgias estéticas e de um estilo de vida completamente irresponsável — precisa ser desfeita. As pessoas precisam reconhecer a presença de Deus em cada fase da vida, e assim, experimentar o melhor do Senhor sempre. Não há mais tempo a perder.

2. Superando o imediatismo.
O anúncio da vinda iminente do Senhor como um processo lento, aos nossos olhos, mas irreversível na história, a declaração do fim de todas as coisas e a comunicação do estabelecimento do Reino Eterno do Pai, são formas de estabelecer padrões temporais bem diferentes daqueles que a sociedade vive hoje. Em tempos de comunicações on line, de comidas fast-food e de relacionamentos líquidos (que de tão provisórios poderiam ser até mesmo chamados de gaseificos), falar de valores eternos parece uma piada, mas é sobre isso que nossos contemporâneos precisam ouvir. O imediatismo do cotidiano precisa se render ao plano de Deus que, a seu tempo, estabelece seus propósitos e desígnios (Lc 21.19; 2Pe 3.8). A pregação sobre as últimas coisas tem o poder de despertar o ouvinte para um modelo de temporalidade que se concentra no estabelecimento correto de um processo, e não, apenas, em um resultado prematuramente obtido.

3. Anunciando que há um Senhor na história da humanidade.
A urgência da pregação escatológica está intimamente associada à constante necessidade de declararmos a este mundo que não vivemos num turbilhão de caos, e sim, que há um Deus que de maneira amorosa traçou as linhas mestras da história humana. Anunciar o fim implica dizer que há um Senhor no universo o qual, sendo responsável pela criação de todas as coisas, também estabeleceu um fim para elas. Por meio de seu cuidado, o Pai tem gestado na história o resultado de seu plano eterno, mesmo diante das oposições das trevas e da fragilidade humana, de tal modo que o fim, que já deve ser anunciado, aponta para o estabelecimento integral do Reino de Deus. Desta maneira, apregoar o fim é, também, apontar para a causa última do universo: Deus (Sl 74.12-17).


CONCLUSÃO

A vinda de Jesus deve ser um fato presente no horizonte existencial de cada cristão. Não somos chamados para permanecer aqui eternamente, antes, nossa pátria é do alto, nossa saudade é por aquilo que ainda não vimos. Somente por meio de uma fé genuína conseguimos permanecer íntegros quanto à disposição de nosso coração de acreditar que o arrebatamento é uma realidade.


“A precedência dos ressuscitados. ‘Dizemo-vos, pois, isto pela palavra do Senhor: que nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro’ (1Ts 4.15,16). É a precedência honrosa que Deus concederá aos ‘que morreram em Cristo’. Serão arrebatados primeiro, ainda que num ‘abrir e fechar de olhos’. Na ressurreição, o corpo dos salvos, ainda que transformados em pó, carbonizados ou comidos por peixes ou feras, serão trazidos à existência pelo poder de Deus, pela energia criadora de sua palavra: ‘[.] a saber, Deus, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem’ (Rm 4.17). A ressurreição dos salvos para serem arrebatados é a vitória sobre a morte, ‘o último inimigo’ a ser aniquilado (1Co 15.26). A segunda ressurreição será para os ímpios, após o Milênio (Ap 20.5)” (LIMA, Elinaldo Renovato. O Final de Todas as Coisas. Esperança e glória para os salvos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015. p.55).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 2º Trimestre de 2018 - Título: A Igreja do Arrebatamento — O padrão dos Tessalonicenses para estes últimos dias - Comentarista: Thiago Brazil

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quarta-feira, 14 de março de 2018

A Ressurreição de Jesus Cristo

“Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia.” Mt 28.6


A maior prova da divindade de Jesus é a sua ressurreição. Os adversários do cristianismo se utilizam de vários argumentos para anular a veracidade da ressurreição de Cristo. As evidências diretas somente podem ser comprovadas por quem as presenciou. No entanto, as evidências circunstanciais podem ser constatadas pela própria história. Por isso, nesta lição estudaremos algumas dessas provas que auxiliam na constatação da ressurreição de Jesus.

Texto Bíblico - Mateus 28.1-15

I - A RESSURREIÇÃO DE JESUS É ACOMPANHADA DE SINAIS (Mt 28.1-7)

1. A aparente vitória dos líderes religiosos.
No sábado, o dia seguinte ao da preparação da Páscoa, considerado sagrado pelos judeus, tudo parecia estar perfeito para os principais líderes religiosos judaicos. Aparentemente seus planos contra Jesus tinham dado certo. Eles haviam persuadido Pilatos a enviar um destacamento para guardar o túmulo de Jesus. Os primeiros discípulos, que haviam deixados seus próprios projetos de vida para acompanhar Jesus, agora estavam dispersos, amedrontados e desolados.

As autoridades religiosas e romanas acreditavam que tudo iria voltar a ser como antes, pois o principal “problema” deles, Jesus, havia sido morto. Enquanto as autoridades comemoravam a aparente vitória, os discípulos de Jesus estavam passando o pior momento de suas vidas. Mas a tranquilidade dos oponentes de não iria durar por muito tempo.

2. Maria Madalena e Maria vão até o túmulo (v.1).
As mulheres tiveram um papel importante no ministério de Jesus, na sua paixão e ressurreição. Todos os Evangelhos destacam a atuação delas durante a crucificação, a morte, o sepultamento e ressurreição do Messias. O destaque dado às mulheres era algo incomum na cultura judaica, para quem Mateus escreveu o Evangelho que leva o seu nome.

As mulheres que contemplaram, de longe, a crucificação do Salvador (Mt 27.55-60), agora olham o túmulo de Jesus de perto (Mt 27.61). Elas retornam ao sepulcro no alvorecer do domingo. Pela fé aquelas mulheres se tornaram as primeiras testemunhas da ressurreição. Que privilégio!

3. O túmulo é aberto de forma sobrenatural (v.2).
Quando as mulheres chegaram no domingo pela manhã ao sepulcro ele estava vazio; a pedra havia sido removida da entrada e o selo romano, que havia sido posto sobre o túmulo, fora quebrado. Tanto os judeus como os romanos admitem este fato.

Mateus menciona que enquanto as mulheres caminhavam rumo ao sepulcro, houve um “grande terremoto” que removeu a pedra que lacrava a entrada. Terremoto é um fenômeno natural e que acontece em alguns lugares. Entretanto, para Mateus, o terremoto não foi um fato isolado e casual; ele afirma que o tremor de terra foi consequência da descida de um anjo.

Ponto Importante
Todos os Evangelhos destacam a atuação das mulheres durante a crucificação, a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus.


II - EVIDÊNCIAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS (Mt 28.9-15)

1. A ressurreição de Jesus ao terceiro dia.
Algumas pessoas questionam a veracidade do relato da ressurreição, afirmando ser contradizente ela ter ocorrido no terceiro dia. Jesus foi crucificado, morto e sepultado rapidamente na sexta-feira, antes do pôr do sol. O pôr do sol é o começo do dia seguinte para os judeus e a ressurreição ocorreu no domingo, antes do nascer do sol. Portanto, Jesus morreu na sexta-feira e passou a noite e o início do segundo dia, o sábado, no túmulo. Então, quando chega o pôr do sol do sábado, que já é o início do terceiro dia, e antes do sol nascer no domingo, Ele ressuscita. Portanto, considerando a forma de contar os dias e noites dos judeus, não há contradição quando afirmamos que Jesus ressuscitou no terceiro dia.

2. A aparição de Jesus para as mulheres.
O anjo do Senhor diz às mulheres que Jesus havia ressuscitado. Ele também pede que elas anunciem este fato aos discípulos, pois o Mestre iria encontrá-los na Galileia (vv. 6,7). Mas Jesus as surpreende enquanto elas caminhavam para cumprir as ordens recebidas. Ele vai ao encontro delas e as saúda. Elas imediatamente caem aos pés dEle e o adoram. Mateus destaca o fato de as mulheres abraçarem os pés de Jesus. O Mestre repete a ordem dada pelo anjo e as encoraja a não temerem. O fato de as mulheres serem as primeiras a testemunhar a ressurreição de Jesus, também é uma evidência favorável à ressurreição.

3. A trama para esconder o fato da ressurreição (vv. 11-15).
Enquanto as mulheres vão até os discípulos para dar as boas-novas, os soldados que guardavam o sepulcro vão até os príncipes dos sacerdotes contar o que havia ocorrido. Então, eles se reuniram com os anciãos para tomar uma decisão a respeito do assunto. A deliberação do conselho foi mentirosa e desonesta: pagar propina aos soldados para que eles mentissem a respeito da ressurreição de Jesus.

O fato de soldados romanos terem sido enviados para guardar o túmulo, deu mais credibilidade à ressurreição de Jesus. Quem poderia retirar o corpo de um túmulo que estava lacrado e guardado por um destacamento de Roma? Os chefes dos sacerdotes e os fariseus que haviam feito o pedido a Pilatos para guardar o túmulo de Jesus, sem querer, acabaram por colaborar com a comprovação da sua ressurreição.

Ponto Importante
O fato das mulheres serem as primeiras testemunhas e a trama dos judeus para esconder a ressurreição são fortes evidências da ressurreição de Jesus.

III - EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS

1. A Igreja de Cristo, um fenômeno histórico.
Como os sacerdotes e demais líderes religiosos judaicos não podiam apresentar o corpo de Jesus, restou-lhes ameaçar os discípulos de morte se anunciassem a ressurreição. Mas, os discípulos não se intimidaram. Eles pregaram, com convicção, o Cristo ressurreto, mesmo correndo o risco de serem mortos. Milhares de pessoas se converteram ao ouvirem as pregações deles (At 2.41).

Os discípulos arriscariam suas vidas por mentiras? Como tantas pessoas, contemporâneas de Jesus e moradoras de Jerusalém, poderiam se converter se não houvesse evidências da ressurreição? Sem mencionar o risco de morte que estas pessoas que se convertiam também estariam correndo. A Igreja também é um fenômeno histórico que evidencia a ressurreição de Jesus. Interessante é o fato de que ela teve o seu início na cidade onde Jesus foi crucificado, morto e sepultado.

2. O domingo, um fenômeno sociológico.
O livro de Atos dos Apóstolos registra que os primeiros cristãos passaram a se reunir para adorar ao Senhor no primeiro dia da semana (dia da ressurreição). Mudar o dia de adoração de sábado para o domingo foi uma decisão radical, considerando que os judeus guardavam o sábado e que a Igreja Primitiva, na sua grande maioria, era formada por eles.

Os judeus, mesmo os convertidos ao cristianismo, tinham receio de quebrar a guarda do sábado, pois temiam desagradar a Deus e serem amaldiçoados. Somente algo divino, como a ressurreição de Jesus, seria capaz de fazer com que eles deixassem uma vida inteira de tradições e treinamento religioso.

3. A transformação de vidas, um fenômeno divino.
Declarar a fé em Cristo como Senhor e na sua ressurreição era o mesmo que assinar uma sentença de morte. Por isso, somente alguém que tivesse experimentado uma conversão genuína e uma transformação interior profunda, teria coragem de se declarar cristão. Os crentes do primeiro século foram muito perseguidos e tiveram que enfrentar toda a sorte de males: a morte por apedrejamento (At 6.8-15) ou crucificação, prisões, ser lançados aos leões para entretenimento dos romanos, etc. Mesmo assim, não negavam a fé e não deixavam de testemunhar o Cristo ressurreto.

4. As duas ordenanças de Cristo para a Igreja.
O batismo e a Santa Ceia são as duas ordenanças do Mestre para a sua Igreja. A imersão nas águas representa a morte do crente para o pecado, enquanto a saída das águas simboliza a ressurreição (o ressurgimento de uma nova vida). O batismo é uma ordenança de Jesus que passou a ser obedecida pela Igreja, com base na ressurreição histórica do próprio Salvador.

Outra ordenança de Cristo para a Igreja é a Santa Ceia. Esta ordenança possui dois elementos que são símbolos da morte e do derramamento de sangue de Cristo pelos pecados da humanidade. Quando participamos da Santa Ceia estamos reconhecendo publicamente que Cristo morreu por nós, mas que ao terceiro dia Ele ressuscitou em um corpo glorificado e que em breve voltará. A Santa Ceia também é uma das evidências circunstanciais da ressurreição de Cristo.

Ponto Importante
No primeiro século, confessar a fé em Jesus era enfrentar perseguição, sofrimento e dor.


CONCLUSÃO
Nesta lição, aprendemos que o testemunho das mulheres e a trama dos líderes judeus ao subornar os soldados para dizerem que os discípulos roubaram o corpo de Jesus durante a noite são evidências do relato da ressurreição de Jesus.


SUBSÍDIO
“Na Bíblia, a palavra cumprir é normalmente usada como referência a profecia. Aqui Jesus usa a palavra cumprir para falar sobre a Lei. Ele esclarece que nenhuma Lei morrerá até que tudo se cumpra, e no caso de algumas das categorias das leis judias, o seu ministério trouxe claramente o cumprimento de leis específicas. Por exemplo, Ele cumpriu as leis sobre o sacrifício pelos pecados. A partir da sua morte na cruz, o Senhor Jesus serviu como o sacrifício definitivo pelos pecados da humanidade. Já não há mais a necessidade de trazer touros, cabritos, ovelhas e pombos à igreja para que sejam sacrificados pelos pecados (GUTHRIE, Geroge H. Lendo a Bíblia para Vida: Seu guia para entender e viver a Palavra de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.172).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves


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quinta-feira, 8 de março de 2018

O Cristo crucificado: está consumado

“E Jesus, clamando outra vez com grande voz, entregou o espírito.” Mt 27.50

“A morte de Cristo foi voluntária
Jesus não foi forçado à cruz. Nada fez contra a sua vontade. Submeteu-se à aflição espontaneamente. Humilhou-se até à morte, e morte de cruz. Deixou-se crucificar. Que graça espantosa por parte daquEle que tudo podia fazer para evitar tamanho suplício. Ele tinha o poder de entregar a sua vida e tornar a tomá-la – e de fato fez isso. Sim, eterno Salvador não foi forçado ao Calvário, mas atraído para ele, por amor a Deus e à humanidade perdida.

Sua morte foi vicária e sem dúvida, o profeta Isaías tinha em mente o cordeiro pascal, oferecido em lugar dos israelitas pecadores. Sobre a cabeça do cordeiro sem mancha realizava-se uma transferência dupla. Primeiro, assegurava-se o perdão divino mediante o santo cordeiro, oferecido e morto. Segundo, o animal, sendo assado, servia de alimentação para o povo eleito. O sacrifício de Cristo foi duplo: morreu para nos salvar, e ressuscitou para nossa justificação. Cristo também é o Pão da vida, o nosso ‘alimento diário’.

Sua morte foi cruel. Ele foi levado ao matadouro, esta palavra sugere brutalidade. Não é de admirar que a natureza envolvesse a cruz em um manto de trevas, cobrindo, assim, a maldade dos seres humanos” (SILVA, Severino Pedro da. Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 156).

Depois de muito sofrimento e dor, a morte de Cristo, na cruz, proporciona a justificação de todo aquele que nEle crê.

Texto Bíblico – Mateus 27.32-37, 45-51

INTRODUÇÃO

O capítulo 27 do Evangelho de Mateus descreve o suicídio de Judas, o julgamento de Jesus, a sua crucificação e sepultura.  Mateus retrata com precisão os momentos que antecedem a crucificação, inclusive os horários dos acontecimentos. Tudo aconteceu conforme as Escrituras Sagradas e com a permissão de Deus.

Ao longo de sua viagem para Jerusalém, Jesus por três vezes anunciou a sua crucificação e morte (Mt 16.21; 17.22,23; 20.18). Então, o momento chega como Ele havia predito. Depois de um julgamento forjado e repleto de falsos testemunhos das autoridades religiosas e políticas, Jesus é condenado e conduzido à morte de cruz. Este é o tema que estudaremos na lição de hoje.


ACONTECIMENTOS                                             TEXTOS BÍBLICOS DO A.T.

A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém.                  Is 62.11; Zc 9.9

A purificação do Templo.                                                       Is 56.7

Indicação de que haveria um traidor.                                   Sl 41.9

Na última ceia a alusão ao sangue da aliança.                   Êx 24.8

A prisão de Jesus e a fuga dos discípulos.                        Zc 13.7

Condenação à morte pelo Sinédrio.                                  Sl 31.11-13

Traição de Judas.                                                                  Zc 11.12

Flagelos de Jesus.                                                                 Is 50.6


I – CRUCIFICAÇÃO DE JESUS

1. A vida e o sofrimento de Jesus foi previsto nas Escrituras Sagradas.
O relato da vida e da obra de Jesus seguiu um plano previamente estabelecido pelo Senhor e que foi relatado já no Antigo Testamento. Observe o quadro acima:

Como podemos observar, a paixão e a ressurreição de Cristo são os fundamentos do cristianismo. Por isso, podemos encontrar referências a respeito deste assunto tanto no Antigo como no Novo Testamento.

2. Os flagelos e escárnios no caminho do Gólgota.
O caminho para a cruz foi um caminho de dor e tristeza, onde Jesus teve que enfrentar a zombaria e o escárnio. O sarcasmo a respeito da realeza de Jesus começou com os principais líderes religiosos (Mt 26.67; 27.39-44), continuou com os soldados e oficiais romanos, após a condenação à morte por Pilatos (Mt 27.27-31). A caminhada até o monte da crucificação foi marcada por atos de violência e opressão. Diante da fragilidade física de Jesus, devido aos maus tratos, Simão, o Cirineu, é obrigado a ajudar Jesus a carregar a cruz.

Ao chegarem ao lugar da crucificação é oferecido a Jesus vinho misturado com fel; tal mistura tinha um efeito entorpecente, mas, Jesus ao prová-lo, não quis beber. Mateus é o único evangelista que registra que antes de recusar, Jesus o prova.

3. A acusação de Jesus: “Rei dos Judeus”.
Como os demais crucificados, Jesus ficou pendurado até que, lentamente, as dores e a exaustão física os levassem a morte. Se a perda de sangue e as consequências da flagelação não o matassem, a asfixia o faria. A vítima, geralmente, ficava fraca demais e não conseguia levantar o corpo para respirar.

Mateus registra que os soldados repartiram as vestes de Jesus entre eles lançando a sorte (Mt 27.35), uma referência ao Salmo 22.18. Em cima de sua cabeça, na cruz, puseram uma tabuleta com a acusação contra Ele: “ESTE É JESUS, O REI DOS JUDEUS”. Mais uma vez, Jesus é escarnecido e desprezado. Mas, no Dia do Senhor, todas as pessoas, de todas as nações, terão que se dobrar diante dEle para serem julgadas (Mt 25.31-34). Afinal, Ele é o Rei dos reis.

Ponto Importante
A partir da crucificação, as relações dos acontecimentos com o Antigo Testamento se intensificam, pois a paixão e a ressurreição são fundamentos da fé cristã.


II – MORTE DE JESUS

1. Morte de cruz.
A morte de cruz era desprezada pelos judeus e pelos romanos. Os judeus a rejeitavam por questões religiosas e os romanos por questões políticas. Para os judeus a morte de cruz era uma maldição (Dt 21.22,23). Por isso, os judeus não esperavam um Messias sofredor e muito menos um condenado à morte na cruz. Paulo afirma, quando escreve aos Gálatas, que Cristo nos resgatou da maldição da Lei, fazendo-se maldição por nós, morrendo na cruz (Gl 3.13). Ele faz uma referência a Deuteronômio 21.23.

Os romanos reservavam a morte de cruz somente para os inimigos políticos, pessoas consideradas rebeldes e subversivas que se recusavam a obedecer as ordens impostas pelas autoridades romanas. Essa morte era tão desprezível que um cidadão romano não poderia ser executado dessa forma.

2. A morte de Cristo foi necessária para a justificação da humanidade.
O primeiro clamor de Jesus na cruz demonstrou um grande desespero, e o texto utilizado por Mateus foi uma referência ao Salmo 22.1, onde o justo, ao enfrentar uma oposição obstinada de seus oponentes, não encontra uma solução aparente e se vê abandonado por Deus. Por isso, clama: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste? Por que te alongas das palavras do meu bramido e não me auxilias?” Jesus, neste momento, sente a separação de Deus, pois os pecados da humanidade estavam sobre si. Ao ouvir as palavras de Jesus, o povo pensou que Ele estava pedindo socorro a Elias (Mt 27.47). Por isso, mais uma vez zombam dEle. Então, o Salvador deu o seu último brado, ao entregar o espírito ao Pai. As palavras utilizadas por Jesus são uma referência ao Salmo 31.5: “Nas tuas mãos encomendo o meu espírito; tu me remiste, SENHOR, Deus da verdade.”

3. A morte de Jesus rasgou o véu do Templo em dois.
Mateus não somente fala a respeito do véu que foi rasgado, mas também menciona o fato de ter havido um terremoto (Mt 27.51). O véu era símbolo da inacessibilidade do ser humano à presença de Deus. Ele tornava o sumo sacerdote o único intermediário entre Deus e o homem. Com a morte de Jesus o véu se rasgou, nos dando livre acesso ao Todo-Poderoso.

Jesus demonstrou que, por meio de sua própria vida e obra, cumpriu toda a Lei e os profetas. A obra de Cristo satisfez a justiça de Deus e conquistou o direito da justiça perfeita que é atribuída a todo o que crê e aceita o sacrifício vicário de Cristo.

Ponto Importante
O sacrifício vicário de Cristo foi perfeito e cumpriu a Lei. Por isso, não é mais necessário oferecer sacrifícios a Deus.

III – O SEPULTAMENTO DE JESUS

1. José de Arimateia.
Ele é apresentado pelos Evangelhos sinóticos como um homem rico, membro do Sinédrio, justo, bom e discípulo secreto de Jesus. Mateus informa que ele rompeu a barreira do anonimato ao pedir o corpo de Jesus a Pilatos. Os discursos de Jesus também alcançaram as pessoas da elite de Israel. João menciona que Nicodemos também foi com José de Arimateia sepultar Jesus.

Enquanto os discípulos mais próximos abandonaram Jesus após sua prisão, surge um discípulo secreto que se expõe e coloca em risco sua posição e a própria vida. Se o corpo não fosse requisitado, como costume, seria sepultado com os criminosos ou deixado para ser consumido por bestas selvagens e pássaros. Assim, dois discípulos secretos acabam por participar de um momento importante do término da missão terrena de Jesus, e para dar cumprimento às Escrituras como veremos a seguir.

2. Jesus é sepultado em túmulo emprestado.
José de Arimateia envolveu o corpo de Jesus em um lençol de linho. Ele e Nicodemos fizeram uma cuidadosa e completa unção do corpo, conforme o costume judaico, e depois o colocaram em um sepulcro novo, uma tumba talhada na rocha. João acrescenta que o sepulcro nunca havia sido usado e ficava em um jardim, próximo ao Gólgota, lugar estratégico devido ao pouco tempo para sepultamento (Jo 19.41). O que José de Arimateia não sabia é que o túmulo novo no domingo pela manhã já estaria vazio. José pode não ter tido coragem durante o ministério de Jesus, mas agora ele se expõe e entra para a história como o homem que emprestou a própria tumba talhada na rocha para sepultar Jesus, o Filho de Deus.

3. A guarda do sepulcro.
Duas mulheres permanecem ali sentadas, Maria Madalena e a outra Maria. Elas dão continuidade ao testemunho da morte e sepultamento de Jesus (Mt 27.55,56).  Os chefes dos sacerdotes também ficaram preocupados com o túmulo de Jesus. Os discípulos se esqueceram da promessa que Jesus havia feito de que ressuscitaria ao terceiro dia, mas estes não se esqueceram. Os chefes dos sacerdotes vão até Pilatos e pedem para que o túmulo seja guardado para evitar que os discípulos roubassem o corpo e testificassem uma suposta ressurreição. Pilatos atende ao pedido deles e envia um destacamento para selar o túmulo e guardá-lo. Indiretamente, eles acabaram por colaborar com a comprovação da ressurreição de Jesus.


SUBSÍDIO
“José de Arimateia, conseguiu permissão de Pilatos para tirar o corpo da cruz. E, com Nicodemos, levando quase cem arráteis dum composto de mirra, aloés, envolveram o corpo do Senhor em lençóis com as especiarias, como era costume dos judeus. Havia no horto daquele lugar um sepulcro em que ainda ninguém havia sido posto. Ali puseram Jesus (Jo 19.38-42). Sepultar os mortos era considerado um ato de piedade. Também era comum que se sepultassem os mortos no mesmo dia de seu falecimento. O corpo de um homem executado não tinha permissão para ficar pendurado na cruz a noite inteira (Dt 21.23), pois isso, para a mente judaica, poluiria a Terra. Às seis horas, começaria o sábado da semana da Páscoa, durante a qual estava proibida qualquer execução” (SILVA, Severino Pedro da. Teologia Sistemática Pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p. 156).


CONCLUSÃO

Nesta lição aprendemos que Mateus demonstra que o sofrimento, o escárnio e a crucificação de Jesus aconteceram segundo o que estava previsto nas Escrituras Sagradas. A morte de cruz, desprezada pelos judeus e romanos, passou a ser motivo de vitória e vida eterna para todos aqueles que creem, mediante a justificação alcançada por Cristo.



Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves

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