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sábado, 31 de março de 2018

O que é Ética Cristã

Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm; todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam” 1Co 10.23

Corrupção, degradação dos valores interiores, relativização da vida humana. As questões são muitas. Os desafios, tensos. Não poucos cristãos se veem na encruzilhada da ética. Por exemplo, diante de uma gravidez, quando se recebe um diagnóstico assustador acerca do bebê, é possível continuar a crer na sacralidade da vida? Ou diante do sonho da maternidade é possível continuar ético e bíblico para não manipular diversos embriões (sabendo que na fertilização in vitro a maioria dos embriões se perde) em nome desse sonho? A resposta para essas e outras perguntas dependerá da convicção ética que a pessoa tem segundo as Sagradas Escrituras.

Neste trimestre, o tema da Ética é o objeto do nosso estudo. Como introdução ao assunto, é importante o prezado professor, a prezada professora, procurar dominar os conceitos de “ética” e de “moral”, distinguindo-os com clareza. Aqui, podemos iniciar esse trabalho com o auxílio do filósofo cristão norte-americano, Arthur Holmes, que descreve a ética da seguinte forma: “a ética trata do bem (isso é, dos valores e virtudes que devemos cultivar) e do direito (isso é, de quais devem ser as nossas obrigações morais). Ela avalia pontos de vista alternativos do que é o bem e o direito; explora caminhos para alcançarmos o conhecimento moral de que necessitamos; indaga por que devemos agir com correção e, a partir daí, conduz a problemas morais práticos, que estimulam a assim pensarmos prioritariamente” (Ética: As decisões morais à luz da Bíblia, CPAD, p.10). A partir dessa descrição podemos perceber que a questão da moral, diferentemente da “ética”, se atém à prática das ações do bem viver. Nesse sentido, a ética aponta para as práticas virtuosas, ou seja, ela fundamenta a moral.

No caso da Ética Cristã, seu objeto de reflexão susta-se de acordo com os princípios morais desenvolvidos ao longo das Escrituras. A lei moral que promana da Bíblia é refletida hoje em nossa sociedade; ou seja, os princípios morais postos nas Escrituras, e manifestos por meio da cultura judaico-cristã, estão claramente presentes em nossa cultura ocidental.

Já que é impossível esgotarmos todos esses princípios neste espaço, sugerimos que aprofunde os estudos das seguintes seções bíblicas: O Decálogo, a Mensagem dos Profetas, a Mensagem dos Evangelhos, o Sermão do Monte, os aspectos éticos das Epístolas Paulinas e Gerais. Bom trimestre!  - Revista Ensinador Cristão nº73

As Escrituras Sagradas ensinam o que convêm à virtude do bem-viver cristão em sociedade.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - 1 Coríntios 10.1-13

Caro professor, prezada professora, mais um trimestre chegou. Para se ter uma abrangência do conteúdo que desenvolveremos nestes três meses é importante conhecer as ideologias que predominam o século XXI. Por isso, procure pesquisar os seguintes temas:

1) Relativismo;

2) Materialismo;

3) Pós-Modernismo.

Entender esses assuntos permitirá que você tenha um arcabouço seguro para compreender a atualidade do tema deste trimestre: Valores Cristãos — Enfrentando as questões morais de nosso tempo.

Estudar ética é muito importante para o aperfeiçoamento dos nossos relacionamentos e conduta na sociedade. Entretanto, neste trimestre, veremos que a Ética Cristã difere da secular. Enquanto esta se fundamenta em valores materialistas e relativistas, aquela tem como eixo a Palavra de Deus, a revelação divina imutável. Assim, como vivemos em uma época onde os conceitos pós-modernos relativizam as doutrinas cristãs, é relevante identificarmos os principais fundamentos da Ética Cristã a fim de aperfeiçoar nossa vida de comunhão com Deus e testemunho cristão à sociedade (Mt 5.13,14).


Historicamente, o conceito de ética surgiu na Grécia antiga, período que coincide com o século IV a.C. Na prática, a ética sempre fez parte do dia a dia da humanidade. Quando os códigos ainda não estavam escritos e positivados, a própria consciência estabelecia a ética a ser observada (Rm 2.14,15). As Sagradas Escrituras contêm os fundamentos da ética para a sociedade humana. No Antigo Testamento, Deus revelou instruções éticas específicas. Nos Evangelhos, encontramos os ensinamentos éticos de Jesus. Nas epístolas neotestamentárias, o tema está amplamente registrado.

I. O CONCEITO DE ÉTICA CRISTÃ

O filósofo e educador Cortella (1954-) apresenta uma definição para ética que em muito se assemelha com os textos bíblicos:

Ética é o conjunto de valores e princípios que usamos para responder a três grandes questões da vida: 1. quero? 2. devo? e 3. posso? Nem tudo que eu quero eu posso; nem tudo que eu posso eu devo; e nem tudo que eu devo eu quero. Você tem paz de espírito quando aquilo que você quer é ao mesmo tempo o que você pode e o que você deve. (CORTELLA, 2014)

De fato, de maneira simples e genérica, a ética cristã está relacionada às respostas de tais questões. O apóstolo Paulo, de certo modo, ensina a prática da ética, sob esses aspectos: o que quero, devo e posso. Ele afirma que tudo é lícito, mas que nem tudo convêm e nem tudo edifica, portanto, o cristão não pode e nem deve se deixar dominar por aquilo que foge da ética cristã (1 Co 6.12).

1. Definição Geral
A palavra “ética” possui origem no vocábulo grego ethos, que literalmente significa “costumes” ou “hábitos”. No latim, é usado o termo correspondente mos (moral) com o sentido de “normas” ou “regras”. Assim, “ética e moral referem-se ao conjunto de costumes tradicionais de uma sociedade e que, como tais, são considerados valores e obrigações para a conduta de seus membros” (CHAUÍ, 1995, p. 340). Como esses termos, “ética” e “moral”, são muito próximos, eles são muitas vezes confundidos e usados como sinônimos. No entanto, para fins didáticos e acadêmicos, é possível defini-los separadamente.

2. Ética e Moral
A ética enquanto ciência pode ser entendida como a parte da filosofia que investiga os fundamentos da moral adotados por uma cultura. Foram os filósofos gregos que começaram a estudar esses fundamentos para então “identificar” uma pessoa como sendo boa ou má e também um ato como sendo bom ou mau. A partir desses fundamentos, alguém pode ser classificado como “ético” ou “antiético”.

Pode-se afirmar, por exemplo, que a ética de Platão (427-347 a.C.) era “transcendente” e “deontológica”. Essa teoria acredita que a noção do correto é algo moralmente bom em si mesmo. Nesse caso, a fundamentação do certo e do errado está ligada ao bem-estar da alma, um estado inerente ao ser humano e procedente de um mundo superior. Aqui o homem obedece ao dever, independentemente das consequências que a obediência pode resultar para si ou para os outros (PALLISTER, 2005, p. 20).

Em contrapartida, com Aristóteles (384-322 a.C.) surgiu a ética “imanente” e “teleológica” ou “utilitária”. Essa teoria argumenta que o correto só pode ser definido a partir das consequências que um ato ou uma ação possa produzir. Aqui a fundamentação do certo e o errado procedem do mundo dos homens e depende apenas da utilidade e do bem-estar que as ações do indivíduo podem resultar para si ou para os outros.

A moral, por sua vez, refere-se ao comportamento das pessoas e às reações dos indivíduos que compõem uma sociedade em relação às regras estabelecidas pela ética. Como observado, essas regras podem ser diferentes de uma cultura para outra e ainda podem ser modificadas de acordo com as transformações vividas pelos grupos sociais. Tudo depende da fonte de autoridade que lhes serve de fundamento para os padrões de conduta.

Quando se analisa as teorias éticas acima discutidas, percebe-se que na “deontológica” é o princípio da ação moral que é bom ou mau independentemente do seu resultado. Já na teoria “teleológica”, o princípio moral é substituído pela previsão racional das vantagens e desvantagens que determinada ação pode produzir. No primeiro caso, os atos morais, mesmo corretos, podem prejudicar a si e ao outro. No segundo caso, a moral se relativiza, busca não se prejudicar evitando o sofrimento, e assim pode servir para legitimar a máxima que diz “os fins justificam os meios”.

3. Ética Cristã
A ética cristã tem como objetivo indicar a conduta ideal para a retidão do comportamento humano. O fundamento moral da ética cristã são as Escrituras Sagradas. Portanto, a ética cristã não se modifica e nem se relativiza. Desse modo, a ética cristã não pode ser desassociada da moral e dos bons costumes preconizados nas doutrinas bíblicas.

Sob esta concepção, os pais da Igreja adotaram a ética “transcendente” e “deontológica”. Isso significa que a vida ética cristã procede de um Deus transcendente e pessoal que concede ao ser humano a capacidade de viver a verdadeira moral. Agostinho de Hipona, na obra Cidade de Deus (escrita entre 413-426 d.C.), reconhece que a graça de Deus é indispensável para transformar o caráter humano e fazê-lo viver de acordo com os padrões morais divinamente estabelecidos. Para Agostinho, a educação, a meditação, os códigos e as leis, por si mesmas, não conseguem levar o homem a agir de modo ético.

Na perspectiva de Agostinho, a ética cristã só poderia ser vivida quando o cristão experimentasse a verdadeira regeneração. O mero esforço humano servia unicamente para disfarçar a natureza caída. A eventual virtude demonstrada por alguém era algo temporário, falso e aparente. Somente a genuína regeneração faria o homem verdadeiramente virtuoso. Tomás de Aquino discordou e propôs algumas modificações nessa visão agostiniana. Aquino considerava que as leis humanas não somente inibiam a prática do mal, mas também podiam moldar pessoas de boa índole. O ensino de Aquino não deixou de “ser transcendente e deontológico”, contudo, permitiu flexibilizar a ética.

Com o advento da Reforma Protestante (1517), os reformadores restauraram a ética de Agostinho, defenderam a revelação bíblica como única infalível e inerrante regra de fé e conduta (Sola Scriptura) e a estenderam a todos os homens. Assim, a ética protestante reafirma a doutrina bíblica de que todos serão julgados à luz do conhecimento que tiveram de Deus. E, de acordo com o apóstolo Paulo, quando esse conhecimento for parcial, os homens serão julgados pela lei escrita em seus corações (Rm 2.14-16).

4. Princípios da Ética Cristã
A principal fundamentação para a ética cristã encontra-se na revelação divina. Desse modo, os princípios adotados pela ética cristã são bíblicos, e, portanto, imutáveis. Em consequência, os princípios bíblicos têm aplicação hoje, assim como o tiveram antigamente. Aquilo que a revelação bíblica considera como pecado, permanece sendo pecado. A lei divina não pode ser revogada e ajustada aos interesses humanos. Esses princípios são universais e por isso não se admite uma ética cristã diferente de uma cultura para outra cultura. Os padrões da ética e da moral cristã não sofrem mutações. A verdade bíblica não pode ser relativizada ou flexibilizada para atender o egoísmo e o hedonismo da raça humana. O texto bíblico permanece inalterado e imexível. Por isso, os valores cristãos são permanentes, pois a fonte de autoridade é permanente. Quanto a esta realidade, Cristo afirmou: “o céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35).

II. FUNDAMENTOS DA ÉTICA CRISTÃ

Como já afirmamos no tópico anterior, a ética cristã tem como principal fundamento o texto inspirado das Sagradas Escrituras. É verdade que não se pode desprezar a tradição da Igreja, as leis civis e criminais, as variadas literaturas e nem tampouco os bons costumes adotados pela sociedade; entretanto, para o cristão, toda e qualquer prática e conduta precisa passar pelo crivo e pelo aval da Palavra de Deus (Hb 4.12). Nesse sentido, a Bíblia Sagrada foi reafirmada na Reforma Protestante como sendo o principal fundamento da fé cristã. Lutero e outros reformadores combateram “a elevação católica da tradição a um status igual ou até mesmo superior das Escrituras” (COMFORT, 1998, p. 68).

Tendo a inspiração divina como pressuposto, a Bíblia Sagrada difere de outros livros pela sua inerrância e infalibilidade. Esses conceitos teológicos apontam que as Escrituras não contêm erro algum, que seus ensinos são fidedignos e confiáveis, e, por isso, não podem falhar. Por conseguinte, aquele que crê na inspiração das Escrituras também deve crer que a Bíblia é inerrante e infalível.

1. O Decálogo
A partir do século V, a Igreja Católica começou a ensinar os fiéis a prática do confessionário. Com o propósito de julgar as confissões, os sacerdotes católicos eram orientados a proferir penitências por meio de “manuais penitenciais ou confessionais”. As penas eram elaboradas conforme os sete pecados capitais: soberba, inveja, cobiça, ira, preguiça, avareza, gula e luxúria. No século XV, o teólogo francês Jean de Gerson (1363-1429) discordou dessa forma de tratar os pecados e voltou-se para os DezMandamentos, que chamou de “a rocha da Ética Cristã” (KEENA, 1999, p.13).

No século seguinte, por ocasião da Reforma Protestante, os Dez Mandamentos passaram a ser a principal base de instrução moral e ética para a Igreja protestante. O uso do Decálogo era uma resposta à teologia católica e uma rejeição à supremacia, por mais de dez séculos, dos sete pecados capitais. A justificativa era de que o Decálogo constava das Escrituras e não de um compêndio de penitências. Enquanto os sete pecados capitais tratavam prioritariamente das ações ofensivas à vida humana, os Dez Mandamentos expressavam a vontade divina, primariamente por meio da nossa relação com Deus e depois com os nossos irmãos.

Os Dez Mandamentos ou “dez palavras” estão revelados em Êxodo 20.1-17 e Deuteronômio 5.6-21. O Decálogo contém prescrições e proibições com três claras expressões positivas:

a) A relação do homem com Deus — “Eu sou o Senhor teu Deus” (Êx 20.2);

b) A relação do homem na adoração — “Lembra-te do sábado” (Êx 20.8); e

c) A relação do homem com o próximo — “Honra a teu pai e a tua mãe” (Êx 20.12).

As outras sete declarações negativas estão diretamente subordinadas a essas três esferas da vontade de Deus. Em vista disso, os Dez Mandamentos são preceitos éticos que fazem parte da lei moral de Deus e devem ser obedecidos.

Os quatro primeiros Mandamentos tratam da relação do homem e sua adoração para com Deus: o Senhor requer culto exclusivo, condena a idolatria, alerta sobre omal-uso do seu nome e lembra que tem direito ao tempo do homem (Êx 20.1-11). Os seis últimos referem-se à relação para com o próximo: o Senhor exige honra aos genitores, zela pela integridade da vida, repudia o adultério, proíbe o furto, amentira e a cobiça (Êx 20.12-17). Essas ordenanças se caracterizam como atos morais que o homem pode escolher praticar ou recusar. Por isso, o cumprimento do Decálogo pode ser resumido na prática do amor. Esse foi o ensino do legislador e Moisés (Dt 4.6-8) e de Paulo, o apóstolo dos gentios (Rm 13.10; 1 Tm 1.5). O próprio Cristo enfatizou essa verdade e ratificou que o amor a Deus e ao próximo é a expressão máxima dos Dez Mandamentos (Mt 22.37-39). Como o Decálogo faz parte da lei moral de Deus e está baseado na natureza divina, os Dez Mandamentos permanecem válidos para todos os cristãos desempenhando a função de “rocha da Ética Cristã”.

2. Os Evangelhos e Atos
Os Evangelhos são mais do que simples biografias de Jesus, e o livro de Atos mais do que simples história da Igreja. A narrativa desses livros serve a um propósito teológico: o de apresentar os ensinos de Jesus, diretamente ou por meio dos apóstolos, como parte da “boa vontade de Deus para com os homens” (Lc. 2.14). Isto posto, o evangelho refere-se às boas novas de Cristo (Mt 9.35). A mensagem registrada pelos evangelistas contém apelo ao arrependimento, renúncia ao pecado, oferta de perdão, esperança de salvação e santidade de vida (Mt 3.2, Lc 1.77, 9.62). Os seguidores de Cristo são convocados a viver as doutrinas do evangelho e adotaram a ética e a moral do Reino de Deus (Mt 16.24; Mc 10.42-45). Por meio do evangelho, o homem pode compartilhar a natureza moral de Deus (Mt 5.48). O genuíno evangelho produz mudanças no caráter do cristão (Tt 2.11-14), e quem pauta sua vida pelo evangelho recebe o dom do Espírito Santo (At 2.38,39).

3. O Sermão do Monte
Reconhecidamente, o Sermão do Monte reúne princípios do mais alto idealismo moral e “tem sido entendido como a aplicação maior da ética de amor ao próximo e da Lei Áurea que ele contém” (HENRY, 2007, p. 548).

No Sermão são reveladas a ética e a moral do Reino de Deus em questões como: a ira, adultério, divórcio, juramento, vingança e o amor. Cristo ensina que quando uma pessoa não consegue controlar a sua ira, ela pode perder o controle e matar alguém (Mt 5.21,22). O Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento salienta que “o assassinato começa com a raiva; a pessoa tem de lidar com a raiva a fim de evitar o assassinato” (2003, p. 45). Essa proposição adverte que o pecado da ira precede o pecado de assassinato, que é a violação do sexto mandamento do Decálogo (Êx 20.13).

Após abordar a questão da ira, Cristo passa a ensinar acerca da violação de outro mandamento do Decálogo — o adultério (Êx 20.14). O Senhor apresenta uma moral muita acima daquela convencionada entre os judeus. Para os rabinos o adultério só era caracterizado por meio do ato sexual. Para Cristo, o adultério está no pensamento, na intenção do coração que enche os olhos de luxúria (Mt 5.27,28). O Senhor também ensina sobre a santidade e indissolubilidade do casamento (Mt 5.31,32). Quanto à prática de juramentos permitidos na lei mosaica (Mt 5.3337), Cristo aponta para uma nova conduta:
No comentário sobre a antiga lei Jesus faz um ajuste importante. [...] O emprego do advérbio holos (“de maneira nenhuma”, Mt 5.34) indica que Jesus esperava que esta atividade cessasse completamente. Os juramentos que aludem indiretamente a Deus, pela referência a céu, terra e até a própria pessoa, eram proibidos [...] A pessoa honesta não tem necessidade de fazer juramento; um simples sim ou não é suficiente. (STRONSTAD, 2003, p. 46)

Em relação ao sentimento de vingança, Cristo ensina não revidar as ofensas sofridas (Mt 5.38-41). Ao contrário, Ele nos ensina a ser caridosos e beneficentes (Mt 5.42). No que diz respeito ao amor — o resumo da lei e dos profetas — em especial o “amor ao próximo”, a moral e a ética cristã requerem do cristão o dever de amar seus inimigos: falando bem deles, fazendo o bem a eles e orando por eles (Mt 5.44). Quem não o fizer é considerado hipócrita e indigno de receber galardão (Mt 5.46-48).

O sermão também aborda questões como a esmola, a oração e os jejuns. Aqui, somos advertidos contra a hipocrisia e o sentimento de vanglória. A esmola, a oração e o jejum devem ser praticados a partir de um coração sincero, e não para sermos aplaudidos ou reconhecidos pelos homens (Mt 6.1,5,16). Na sequência, Cristo trata do problema do pré-julgamento — uma advertência contra a mania precipitada, arrogante e orgulhosa em julgar os outros (Mt 7.1,2). Cristo ainda trata do livre-arbítrio e apresenta ao homem dois caminhos: o largo e o estreito (Mt 7.13,14). Ato contínuo, o Senhor faz um grande alerta contra os falsos profetas e ensina que o ministério de alguém deve ser provado pelos seus frutos (Mt 7.15-23). Por fim, o Senhor adverte sobre a necessidade de o cristão ouvir e praticar as palavras proferidas no sermão (Mt 5.24-35). Ressalta-se então que o sermão chama os homens para uma vida ética de perfeição em Cristo (Mt 5.48) e os concita a priorizar o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6.33).

III. FOMOS CHAMADOS A VIVER ETICAMENTE

As Escrituras alertam sobre o perigo de não vivermos de modo ético. Os israelitas no deserto foram abençoados e sustentados pelo maná (Êx 16.4) e pela água potável (Êx 17.6) que Deus lhes concedia de modo sobrenatural, mas a maior parte deles foi reprovada por não viver a lei moral outorgada por Deus (1 Co 10.5). Somente dois israelitas daquela geração, Josué e Calebe, puderam herdar a Terra Prometida (Nm 14.30). No capítulo 10, versículos 1 a 10, da Primeira Epístola de Paulo aos Coríntios, o apóstolo seleciona cinco pecados cometidos pelos israelitas que ficaram registrados, em forma de negação, para nossa advertência: “Porque tudo o que dantes foi escrito, para nosso ensino foi escrito” (Rm 15.4a).

1. Não Cobicemos as Coisas Más
 Paulo adverte a Igreja a não incorrer no pecado da cobiça uma vez que as experiências dos israelitas no deserto “foram-nos feitas em figura, para que não cobicemos as coisas más, como eles cobiçaram” (1 Co 10.6). No deserto, os israelitas cobiçavam prazeres proibidos e sentiam saudades do Egito. A multidão que saiu do Egito era composta por uma “mistura de gente” que aproveitou a ocasião para fugir de Faraó. Essa gente deu início à murmuração que contaminou os israelitas e gerou um descontentamento generalizado (Nm 11.4-6).

Ainda hoje, pseudocristãos cobiçam os prazeres do mundo. Muitos desses são negativamente influenciados pela “mistura” do joio na Igreja (Mt 13.25). Por isso, o apóstolo dos gentios ensina que “as más conversações corrompem os bons costumes” (1 Co 15.33). A convivência com o joio pode corromper e incitar a rebelião. Os que se contaminam passam a rejeitar o maná celeste que é Cristo (Jo 6.35,48,51) e decidem viver sob o jugo do hedonismo (excessiva busca pelo prazer) e sob a escravidão do pecado, isso porque se negam em observar a lei moral do Decálogo que diz: “Não cobiçarás” (Êx 20.17).

2. Não vos Torneis Idólatras
O apóstolo também alertou a Igreja acerca do perigo da idolatria (1 Co 10.7). Enquanto Moisés recebia a Lei permanecendo afastado do povo por 40 dias e 40 noites (Êx 24.18; 31.18), os israelitas se corrompiam adorando um bezerro fundido (Êx 32.4). Longe de seu líder, Israel falhou vergonhosamente. Arão, o vice-líder, cedeu às pressões do povo e ordenou que trouxessem contribuição para promover a idolatria e foi prontamente atendido (Êx 32.1-4). Chegou ao ridículo de erigir um altar e se tornou sacerdote de um falso culto (Êx 32.5,6). Infelizmente, em nossos dias essas cenas se repetem. Muitos são hipócritas e fora das vistas da liderança vivem em pecado. Outros são falsos líderes que ensinam o erro e promovem falsa espiritualidade estando fadados ao juízo (Mt 23.15; Rm 1.32). Constatamos estarrecido como os falsos profetas conseguem atrair dinheiro para os seus falsos cultos. A idolatria tem sido sustentada por “ofertas de amor” e “ofertas de sacrifício” pelo povo alienado e mal instruído. O Dicionário Wycliffe define idolatria como:

Uma transliteração da palavra gr. eidololatria, cujo significado entendemos ser “a adoração a ídolos; a adoração a imagens como divinas e sagradas” [...] Com base nesse termo foi formada a palavra eidolon, “imagem”, que veio a significar especificamente uma imagem de um deus como um objeto de adoração, ou um símbolo material do sobrenatural como tal objeto. O segundo termo é latreia, significando “culto ou adoração aos deuses”. Idolatria, então, é prestar honras divinas a qualquer produto de fabricação humana, ou atribuir poderes divinos a operações puramente naturais. (PFEIFFER, 2008, p. 944)

Observa-se nesse conceito que a idolatria consiste em adorar, venerar ou prestar culto a algo ou alguém em lugar de Deus. É importante ressaltar que o ato de idolatria não consiste apenas na adoração de uma imagem, mas também “a qualquer produto de fabricação humana”. Assim sendo, atualmente, falsos cristãos e falsos líderes desprovidos de temor adoram o dinheiro e os bens materiais, e os utilizam para promover o falso culto atraindo sobre si à ira divina (Êx 32.35). O mal da idolatria desvirtua a moral cristã e mantém o povo afastado do verdadeiro culto (Jo 4.23).

2. Não nos Prostituamos
O terceiro pecado relacionado por Paulo adverte a Igreja a respeito da maldição provocada pela imoralidade sexual (1 Co 10.8). A história tem início quando Israel deteve-se em Sitim, uma região nas campinas de Moabe (Nm 22.1-30). A presença dos israelitas aterrorizou a Balaque, rei dos moabitas. Balaque então contratou o profeta pagão Balaão para amaldiçoar a Israel. Como Balaão foi divinamente impedido de amaldiçoar o povo da promessa (Nm 23.8), ensinou a Balaque como fazer para moralmente corromper os israelitas (Nm 31.16). Essa conduta ficou conhecida nas Escrituras de maneira negativa e pejorativamente como “doutrina de Balaão” (2 Pe 2.15; Jd 1.11; Ap 2.14). A motivação em corromper Israel era fazê-los pecar e assim causar a queda da nação. Lamentavelmente, os israelitas foram presa fácil. As mulheres moabitas convidaram o povo para participar de seu culto a Baal-Peor. A prática cultual dos moabitas era tomada por glutonarias, orgias sexuais, fornicação e adultério, o que levou os israelitas a prostituírem-se com as filhas dos moabitas.

Não demorou muito e a ira de Deus se acendeu contra os pecadores. Moisés foi instruído a enforcar a luz do dia e publicamente todos os chefes do povo que se envolveram com a orgia e o culto a Baal-Peor. Em seguida, os juízes foram orientados a matar cada um os seus homens que se juntaram a Baal-Peor. Enquanto Israel chorava essas mortes, uma praga assolava todo o povo. Em meio à ira divina, um rebelde príncipe israelita apresentou no arraial uma princesa midianita que ele trouxera consigo o que vendo o sacerdote Fineias indignado os atravessou a ambos com uma lança e a praga cessou (Nm 25.1-15). Ciente do grande mal e das graves consequências da imoralidade sexual, Paulo exorta a Igreja a vigiar constantemente. Ao analisar esse assunto o Comentário do Novo Testamento — Aplicação Pessoal, afirma que a intenção paulina era mostrar que “Deus não teria complacência para com aqueles que afirmassem pertencer a Ele, mas que ainda participassem de cultos pagãos e da imoralidade sexual” (2009, v. 2, p. 148). Aliás, a imoralidade encabeça a lista de Paulo das obras da carne: “adultério, fornicação, impureza e lascívia” (Gl 5.19). Nesse quesito, o apóstolo ordena ao cristão viver eticamente e conservar o corpo irrepreensível (1 Co 6.18; 1 Ts 5.23).

3. Não Tentemos ao Senhor
Neste ponto, o apóstolo previne a Igreja quanto ao perigo da maldição em se provocar a Deus (1 Co 10.9). Os israelitas tentaram o Senhor  com suas rebeldias, queixas, incredulidade e irreverência. Paulo lembra o protesto dos israelitas contra Deus por terem sido conduzidos para o deserto: “E o povo falou contra Deus e contra Moisés: Por que nos fizestes subir do Egito para que morrêssemos neste deserto? Pois aqui nem pão nem água há; e a nossa alma tem fastio deste pão tão vil” (Nm 21.5). Esse questionamento foi extremamente ofensivo aos olhos do Senhor. Ele os tirara do Egito com mão forte e poderosa, e estava provendo-lhes todo o sustento. Mas o povo demonstrava ingratidão e falta de confiança. Eles estavam testando e colocando à prova a paciência do Todo-Poderoso. “Tentar o Senhor é experimentar até que ponto se pode abusar da paciência de Deus antes de incorrer em seu julgamento” (Dt 6.16) (STRONSTAD, 2008, p. 995).

Como resultado de “tentarem ao Senhor”, o juízo divino foi instantâneo sobre o povo. O Senhor mandou serpentes ardentes e a natureza incurável das picadas matou muita gente em Israel (Nm 21.6). Ao reconhecerem o pecado, os queixosos suplicaram a Moisés que intercedesse diante de Deus (Nm 21.7). O arrependimento cessou a praga e possibilitou a cura para os que iam sendo picados (Nm 21.8,9). O apóstolo trouxe esse fato à memória da Igreja em Corinto, pois alguns dos irmãos também estavam “tentando ao Senhor” com os seus recorrentes pecados e afrontas à santidade do Altíssimo. Por conseguinte, os que de forma proposital rebelam-se contra a vontade do Senhor, ignoram a ética cristã e violam a lei moral de Deus,  ficam sujeitos à ira divina (Rm 2.8,9).

4. Não Murmureis
Por fim, o apóstolo alerta acerca do pecado da murmuração (1 Co 10.10). Infelizmente, esse fato aconteceu várias vezes na peregrinação dos israelitas. É possível que na citação paulina esteja incluída a murmuração ocorrida em Cades quando o povo se recusou entrar na Terra Prometida recebendo o castigo por meio de uma praga (Nm 14.2,36,37). Mas o incidente na contradição de Coré parece servir melhor ao propósito do apóstolo. A rebelião liderada por Coré era uma murmuração não apenas contra Moisés e Arão, mas também contra o próprio Deus (Nm 16.1-35). Coré e duzentos e cinquenta aliados questionaram a escolha divina de confiar à liderança do povo e o ministério a Moisés e Arão. Diante dessa murmuração, eles foram submetidos a um teste de santidade. No dia seguinte, Arão, Coré e os 250 revoltosos ofereceram incenso em seus incensários. Coré trouxe o povo todo para assistir ao ritual e colocá-los contra Moisés e Arão. Todavia, enquanto o cerimonial acontecia, a terra se abriu e engoliu as tendas, os bens e as famílias dos líderes da rebelião. E, enquanto o povo corria com medo de ser tragado pela terra, “saiu fogo do Senhor, e consumiu os duzentos e cinquenta homens que ofereciam o incenso”.

Apesar de o juízo divino ter aberto a terra e enviado fogo contra os murmuradores rebelados, o coração do povo era extremamente obstinado. No dia seguinte, tornaram a afrontar Moisés e Arão e lançaram sobre eles a culpa pela morte de Coré, Datã, Abirão e suas famílias, bem como dos 250 príncipes que ofereciam incenso (Nm 16.41,42). Diante dessa teimosia e insensatez, Deus enviou uma praga que consumiu quatorze mil e setecentos israelitas (Nm 16.49). Lamentavelmente, a murmuração foi frequente e permanece em nossos dias: “murmurar contra Deus, ou contra os líderes que Ele designou, resulta no castigo divino [...] Esse era outro problema que a Igreja de Corinto estava enfrentando” (RIBAS, 2009, v. 2, p. 148). O significado aqui se refere à falta de ética que provoca maledicência, inveja e calúnias contra o próximo, e ainda provoca a ira de Deus.

No epílogo dessas advertências, Paulo reitera que as experiências de Israel servem de exemplo para os cristãos não cometerem os mesmos erros, pois “estão escritas para aviso nosso” (1 Co 10.11). O apóstolo ainda admoesta os cristãos que cuidam estar em pé que tomem muito cuidado para não cair (1 Co 10.12). Ao encerrar essas admoestações, Paulo apresenta uma palavra de esperança. Ele afirma que as tentações são comuns a todos, mas que não devemos desanimar, pois não estamos sozinhos em nossas fraquezas. Deus não nos deixará ser tentados além de nossa capacidade de resistir. A fidelidade do Senhor provê a cada um o meio de escape (1 Co 10.13). Portanto, devemos entregar nosso caminho ao Senhor e depositar nEle toda a nossa confiança (Sl 37.5).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
1. “Atenção para a tradição da Igreja de Cristo!
Além das Sagradas Escrituras, a Igreja de Cristo tem uma tradição riquíssima em decisões de questões éticas, como aborda muito bem o pastor Claudionor de Andrade: ‘Se, por um lado, não podemos escravizar-nos à tradição, por outro, não devemos desprezá-la. Sem o legado dos que nos precederam, jamais teríamos conseguido estruturar nosso edifício teológico, moral e ético. Logo, é-nos permitido eleger a tradição eclesiástica como o segundo fundamento da Ética Cristã. [...] A tradição, quando bem utilizada, assessora a Igreja nos dilemas teológicos, morais e éticos. O apóstolo Paulo reconhece-lhe a importância: ‘Nós vos ordenamos, irmãos, em nome do Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo irmão que ande desordenadamente e não segundo a tradição que de nós recebestes’ (2Ts 3.6). O que não podemos fazer é colocá-la de pé de igualdade com a Bíblia. A Didaqué é um dos tratados mais antigos e tradicionais da Igreja Cristã. Produzida ainda nos dias apostólicos, ajudou os primeiros cristãos a posicionarem-se espiritual e eticamente. A Doutrina dos Doze Apóstolos, como também é conhecida, realçava-se por amorosas admoestações, conforme podemos observar: ‘Há dois caminhos: um da vida e outro da morte. A diferença entre ambos é grande. O caminho da vida é, pois, o seguinte: primeiro amarás a Deus que te fez: depois teu próximo como a ti mesmo. E tudo o que não queres que seja feito a ti, não o faças a outro’. Mais adiante, prossegue o autor anônimo, citando as práticas que conduzem o ser humano à perdição: ‘Mortes, adultérios, paixões, fornicações, roubos, idolatrias, práticas mágicas, rapinagens, falsos testemunhos, hipocrisias, ambiguidades, fraude, orgulho, maldade, arrogância, cobiça, má conversa, ciúme, insolência, extravagância, jactância, vaidade e ausência do temor de Deus” (ANDRADE, Claudionor de. As Novas Fronteiras da Ética Cristã. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.17,18).

2. Ética
“Historiador e estadista, Churchill não ignorava a influência da Bíblia Sagrada na formação das grandes nações. Sabia que, sem ela, a Civilização Ocidental seria inviável. Por isso, foi tão categórico ao analisar as conquistas espirituais e morais da Inglaterra: ‘O estandarte da ética cristã [a Bíblia] é, ainda, o nosso mais importante guia’”. Para conhecer mais, leia As Novas Fronteiras da Ética Cristã, CPAD, p.9.

A Bíblia Sagrada é o fundamento para o viver ético-moral dos cristãos. É a única regra infalível de fé e de conduta para a Igreja (2Tm 3.16). Portanto, em tempos de ataques ideológicos contra a cultura judaico-cristã, a Igreja não deve furtar-se de ser o “sal da terra” e a “luz do mundo” em pleno século XXI (Mt 5.13,14).

Fonte:
Livro de Apoio – Valores Cristãos - Enfrentando as questões morais de nosso tempo - Douglas Baptista
Lições Bíblicas 2º Trim.2018 - Valores Cristãos - Enfrentando as questões morais de nosso tempo - Comentarista: Douglas Baptista
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quinta-feira, 31 de agosto de 2017

O Perigo do Materialismo

Se esperamos em Cristo só nesta vida, somos os mais miseráveis de todos os homens” 1Co 15.19


“Outro problema tem atingido frontalmente as famílias, acirrando ainda mais a crise contemporânea: o materialismo. Ele incute a ideia de que os bens materiais são mais importantes que as riquezas espirituais. Ele cega, tira a esperança e desconsidera as coisas da fé.
Recentemente li uma reportagem muito triste de um inglês chamado Tom Attwater, de 32 anos, que tinha um tumor no cérebro, e faleceu dia 29/9/2015 após arrecadar cerca de R$ 3 milhões (£ 500 mil) para garantir o futuro de sua enteada Kelli, de seis anos, que já tinha tido um sério problema de saúde.
Sabendo de sua morte iminente, ele escreveu uma carta de despedida para Kelli, na qual aborda diversos assuntos. Ele disse lamentar que não pudesse vê-la crescer e arremata: ‘Por favor, não culpe as pessoas ou o mundo por isso’. (Não mencionou sequer Deus!) Ele continuou a aconselhando sobre assuntos como a escola, meninos, casamento, família, amigos, carreira profissional, além de pedir para que ela aprendesse a dirigir e que fosse feliz em primeiro lugar.
A história poderia ser bonita e não triste, se Tom Attwater não fosse um materialista. Ele nada disse a Kelli acerca de Deus. Quanta pobreza existencial!” (SOARES, Reynaldo Odilo Martins. Eu e Minha Casa. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2016, p.149).

A cosmovisão materialista busca entender o Universo somente levando em conta o mundo físico.

TEXTO BÍBLICO - Romanos 1.20-22, Lucas 12.15-21

Romanos 1
20 — Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem e claramente se veem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
21 — porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças; antes, em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
22 — Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.

Lucas 12
15 — E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.
16 — E propôs-lhes uma parábola, dizendo: a herdade de um homem rico tinha produzido com abundância.
17 — E arrazoava ele entre si, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos.
18 — E disse: Farei isto: derribarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens;
19 — e direi à minha alma: alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos; descansa, come, bebe e folga.
20 — Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?
21 — Assim é aquele que para si ajunta tesouros e não é rico para com Deus.

INTRODUÇÃO

O materialismo é um pensamento filosófico que apresenta um grande perigo para a sociedade deste tempo, porque defende a ideia de que a matéria é a única realidade da vida, sendo, portanto, o centro de todas as coisas, e a base para toda a existência. Assim, qualquer tema espiritual não apresenta relevância para o materialismo, seja a existência de Deus, da alma, céu ou inferno.

Nesta lição, veremos um paralelo entre a cosmovisão materialista e a maneira de ver o mundo do Cristianismo, a denominada cosmovisão judaico-cristã, que se traduz como a resposta mais contundente de Deus para um mundo materialista decaído, o qual precisa desesperadamente de razões para viver.

I. CONHECENDO O MATERIALISMO

1. O que é o materialismo.
Materialismo é uma cosmovisão, uma maneira de ver o mundo, uma filosofia da matéria, que não admite a existência do sobrenatural, nem de verdades absolutas, mas acredita que todos os fenômenos do universo são explicados exclusivamente pelas condições concretas materiais.
Assim, para uma pessoa materialista, só há seres materiais e tudo que existe está consolidado materialmente. Isso apenas desnuda a extrema pobreza do referido sistema filosófico ao tentar, com uma verdade parcial, explicar a verdade total, por olhar para a complexidade da vida sem a dimensão da eternidade.

O preconceito abrigado na mente dos materialistas atenta, inclusive, contra as regras de investigação científica, pois descarta previamente a possibilidade da existência de coisas espirituais nas suas análises. Está escrito: “Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus” (Sl 10.4). Assim, vê-se que o pensamento materialista carece de respaldo científico para existir, pois suas cogitações ateístas impedem de enxergar a verdadeira realidade, a qual não depende de condições temporais para existir, mas é desde a eternidade: o mundo espiritual.

2. As origens do materialismo.
O materialismo, enquanto pensamento filosófico esquematizado, teve sua origem no século V a.C, com a teoria atomista de Demócrito, o qual defendia que o Universo e tudo que nele há é constituído apenas por átomos (partículas invisíveis de matéria) que se movem no vazio, definindo assim toda a realidade, inclusive os pensamentos.

Ao longo dos séculos, a ideia atomista foi corroborada por alguns, como Epicuro e os estoicos, mas isso proliferou, sobretudo, a partir do Iluminismo. No Século XIX, foi elaborada a tese do materialismo dialético, por Karl Marx e Friedrich Engels, que motivou inúmeras revoluções socialistas em vários lugares do mundo (Rússia, China, Cuba, etc.), onde milhões de pessoas foram mortas por motivação ideológica.

3. As consequências do materialismo.
Contemporaneamente, os materialistas valorizam bastante sua vertente biologista, capitaneada por Richard Dawkins, escritor dos livros “O gene egoísta” e “Deus, um delírio”, dentre outros, porém cada vez mais o mundo continua destituído de propósito e sem rumo. Retrato disso pode ser observado em Ernest Hemingway, um célebre romancista ateu, o qual dizia que a vida era “uma viagem de um dia curto do nada para o nada”, e que decidiu viver intensamente seu materialismo e hedonismo. Afirmava que tinha tudo para ser feliz sem Deus, mas chegou ao fundo do poço de seu desespero existencial em julho de 1961, quando deu cabo à sua vida. O materialismo outorga aparente autonomia ao homem para viver a seu bel prazer, mas lhe tolhe a possibilidade de encontrar a verdadeira felicidade e paz.

O maior problema dos materialistas será quando forem prestar contas diante de Deus, pois nesta vida eles podem até ter alegria no coração, pela imensa graça de Deus, porque está escrito que Deus deixou os povos andarem “em seus próprios caminhos”, e mesmo assim mandou “chuvas e tempos frutíferos, enchendo de mantimento e de alegria os vossos corações” (At 14.16,17). Que grande amor! O Senhor, ainda que o homem se desvie, continua o amando e outorgando-lhe bênçãos. Mas no dia da prestação de contas, diante do Justo Juiz, se não se arrependerem dos seus pecados, ainda em vida, e se converterem a Jesus, o fim dos materialistas não será o dos melhores.

Algumas Coisas que não vemos são fundamentais para provar as que vemos!

II. ANALISANDO O MATERIALISMO

1. A futilidade do materialismo.
A característica de ser fútil, insignificante, sem valor, cai bem ao materialismo. Está escrito que não se deve atentar para as coisas materiais, pois elas desaparecerão, haja vista que o verdadeiro valor encontra-se naquilo que dura para sempre, como a Palavra de Deus, o amor, o Reino de Deus.

O materialismo apequena a vida, pois destrona dela tudo o que é duradouro e significativo, deixando somente aquilo que é passageiro, pequeno e vão.

Benjamim Disraeli, escritor e político inglês do Século XIX, dizia que “a vida é muito curta para ser pequena”. Não se deve aceitar a míope e fútil cosmovisão materialista para resolver todos os dilemas da existência, notadamente porque existe em cada pessoa uma partícula imaterial, perene, a fagulha de Deus, que necessita ter intimidade com o Criador, sob pena de perder os melhores sentimentos da vida.

2. A loucura do materialismo.
Além de ser fútil, o materialismo é desarrazoado, uma loucura. Aliás, é a própria Bíblia que chama o materialista de louco. Jesus contou a parábola de um homem rico o qual, ensandecido, pensou que tinha o controle sobre o tempo futuro. Ele projetou tudo e, como era materialista, em vez de falar com Deus, falou consigo mesmo. Observe-se o que está escrito: “E direi à minha alma: alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado para quem será?” (Lc 12.19,20).
Assim, a empreitada materialista não tem futuro, como não tinha futuro as condutas do homem aparentemente rico da parábola.

3. A pobreza do materialismo.
Jesus contou a história sobre um homem rico, judeu (porque é chamado de filho) o qual, ao morrer, foi para o inferno (Lc 16.25,26,31) e, naquele lugar de tormento, o materialista tentou resolver seu grande problema, mas a resposta de Deus foi que ele se lembrasse de que tinha recebido os seus bens durante a vida, e obviamente não tinha ajuntado tesouro no Céu.

Ora, é certo que possuir bens não é pecado, porém o fato relevante da história é que a mente daquele homem focava exclusivamente nas coisas materiais e não atentava para o que era sobrenatural, por isso o Senhor lhe falou daquela forma. O homem da história era um pobre rico e Lázaro a única pessoa que possuía muitos bens, pois o seu tesouro estava no Céu.

O materialismo apequena o sentido da vida, pois destrona dela tudo o que é duradouro e significativo, deixando somente aquilo que é passageiro, pequeno e vão.

III. CONTRAPONDO O MATERIALISMO

1. A cosmovisão judaico-cristã.
A cosmovisão judaico-cristã, como forma de ver e compreender o mundo, surgiu ao longo dos séculos, quando Deus tratava com seus servos, ensinando-lhes como viver sobre a terra. Esses ensinamentos foram sendo contados nas Sagradas Escrituras e, com o advento dos textos do Novo Testamento, aconteceu o aperfeiçoamento, transformando-se na única ideologia que oferece uma resposta eficiente aos anseios mais profundos do homem e da sociedade, sendo, assim, um contraponto em relação ao materialismo.

2. A contracultura do Reino.
A cosmovisão do Cristianismo produz uma forma de viver diferente, o que pode ser chamado de contracultura, já que os cristãos não devem viver em conformidade com a cultura do mundo (Rm 12.2); como também não podem produzir uma subcultura, através da qual se vive algo parecido com o materialismo, submetendo a igreja a condutas não bíblicas... Deus chamou a igreja para realizar um movimento revolucionário, de guerra contra o pecado, sabendo que “nossa luta não é contra a carne e o sangue...” (Ef 6.12).

3. A comissão cultural da Igreja.
Quando Jesus mandou que a Igreja ensinasse às nações a cosmovisão cristã, — o Evangelho — buscava que o poder transformador de Deus alcançasse o homem individualmente, outorgando-lhe a redenção, mas também influenciasse a comunidade na qual está inserida. A isso se denomina comissão cultural.

A cosmovisão do Cristianismo produz um jeito de viver diferente, uma contracultura, já que os cristãos não devem viver em conformidade com cultura do mundo (Rm 12.2).


CONCLUSÃO

O materialismo destrói a fé e tira a visão da realidade espiritual, enxergando só o que é tangível, mensurável, transitório... uma loucura, na medida em que Deus é real e tudo o que é material vai perecer. Diante disso, a Igreja, cumprindo a Grande Comissão (Mt 28.19,20) e a comissão cultural, deve ensinar a cosmovisão judaico-cristã desde Jerusalém... até os confins da terra (At 1.8).


SUBSÍDIO
“Provas científicas, com base na observação por repetição, mostram que alguma coisa é um fato com a repetição do evento na presença da pessoa que questiona o caso. Estabelece-se um ambiente controlado, o experimento é realizado, são feitas observações, são obtidos os dados e hipóteses são empiricamente verificadas ou falsificadas.

Uma vez que a eficácia da ciência depende de coletar dados a partir da observação contínua dos testes de hipótese, o método cientifico moderno, embora altamente eficaz em determinada esfera, é gravemente limitado. Ele é aplicável apenas a eventos ou fatos passíveis de repetição. É lamentável que o respeito moderno pela ciência tenha levado as pessoas a supor, equivocadamente, que o método científico pode ser usado para determinar toda a verdade. Ele não pode, e nunca pôde. Os eventos históricos, pela sua própria natureza, ocorrem apenas uma vez no tempo, e não são passíveis de repetição. Não podemos provar cientificamente que Aníbal cruzou os Alpes. Mas isso não nos dá motivos para considerar a disciplina histórica como uma ciência ‘fraca’.

A impossibilidade de repetir o evento em um ambiente controlado não impossibilita a sua realidade. O método científico é inválido, como ferramenta, para todos os tipos de provas” (McDOWELL, Josh. McDOWELL, Sean. Evidências da Ressurreição. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.141,142).

Fonte: Lições Bíblicas 3º Trimestre de 2017 Título: Tempo para todas as coisas — Aproveitando as oportunidades que Deus nos dá - Comentarista: Reynaldo Odilo 

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terça-feira, 27 de setembro de 2016

As Doenças do nosso século

"Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos2 Tm 3.1


Neste século marcado pela descrença e impiedade, deve o cristão apegar-se firmemente aos princípios da Palavra de Deus, a fim de ser exemplo da verdade, justiça, e temor a Deus.

2 Timóteo 3.1-9.
1 - Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos;
2 - porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
3 - sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons,
4 - traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,
5 - tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te.
6 - Porque deste número são os que se introduzem pelas casas e levam cativas mulheres néscias carregadas de pecados, levadas de várias concupiscências,
7 - que aprendem sempre e nunca podem chegar ao conhecimento da verdade.
8 - E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.
9 - Não irão, porém, avante; porque a todos será manifesto o seu desvario, como também o foi o daqueles.

"Paulo e a Disciplina
1) A lista de Paulo em 2 Tm 3.1-9 começa descrevendo as pessoas dos últimos tempos como amantes de si mesmos (v.2). O egoísmo encabeça a lista dos males do final dos tempos.

2) O materialismo vem em segundo lugar; as pessoas serão 'avarentas', amando o dinheiro e aquilo que este é capaz de comprar;

3) A arrogância é o terceiro vício. A palavra 'presunçosos' se refere a 'alguém que alardeia e ostenta realizações, e em sua jactância ultrapassa os limites da verdade, procurando se destacar e se engrandecer em uma tentativa de impressionar'.

4) A pessoa 'soberba' (isto é, arrogante ou altiva) é 'alguém que procura se mostrar superior aos outros'.

5) Os 'blasfemos' são aqueles que usam suas palavras para caluniar os outros. O termo grego fornece a raiz da palavra portuguesa 'blasfêmia'.

6) Os 'desobedientes a pais e mães' são os rebeldes.

7) Eles são 'ingratos' ou mal-agradecidos.

8) Eles são 'profanos' ou não religiosos.

9) Aqueles 'sem afeto natural' (v.3) são os que não amam a família, e insensivelmente não amam aos pais, isto é, desprezam o afeto natural. Sêneca cita a prática de expor os bebês indesejados como uma ilustração de tal falta de humanidade e sensibilidade, e de afeto natural [...]".
(ARRINGTON, F. L.; STRONSTAD, R. Comentário bíblico pentecostal: Novo Testamento. RJ: CPAD, 2003, p.1497-8.)

Prezado leitor, você sabe classificar e seriar um determinado assunto?

Classificar é distribuir certos elementos em categorias correspondentes, enquanto Seriar é ordenar as coisas por uma sucessão. Esta lição classifica as doenças de nosso século em: intrapessoais, sociais e religiosas, mas é possível distribuí-las de outro modo.

Os atributos negativos dos homens dos últimos dias:

egoísta - amante de si mesmo, ingrato, irreconciliável;

sacrílego - blasfemo, profano, inimigo de Deus, hipócrita religioso;

materialista - avarento;

hedonista - amigo dos deleites, incontinente;

vaidoso - presunçoso, soberbo, orgulhoso;

desafeiçoado - sem afeto natural, desobediente a pai e mãe, cruel, sem amor para com os bons, caluniador, traidor, obstinado;

Os dias que antecederão a segunda vinda de Cristo serão marcados por um sensível aumento da iniquidade sobre o mundo. As pessoas estarão, nesse tempo, mais propensas a certas enfermidades do espírito tais como egoísmo, perversão e crueldade. Conforme vaticinou nosso Senhor Jesus, a maldade se multiplicará e o "amor de muitos se esfriará". Todavia, "aquele que perseverar até ao fim será salvo" (Mt 24.12,13).

"Para que sejais irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandeceis como astros no mundo;" Filipenses 2:15

I. DOENÇAS NA ÁREA INTRAPESSOAL
Muitas dessas enfermidades espirituais do homem sem Deus são internas ou intrapessoais. Vejamos algumas das mais severas e perniciosas.

1) Orgulho e Vaidade. Muitos se gabam de seus próprios atos e glorificam suas realizações com o único intuito de impressionar as pessoas. São os adeptos do culto à personalidade (Sl 4.2; 94.11; 144.4; Jr 2.5), os presunçosos, soberbos que desejam ardentemente fama e projeção social (Ec 1.2; Mt 23.2-7; Ef 4.17-19). Estes são os que se julgam superiores aos outros, e desprezam os que estão abaixo de sua condição privilegiada (Pv 11.2; 16.18; 21.4).

2) Egoísmo e Avareza. Essas enfermidades caracterizam os chamados "amantes de si mesmos". Elas fazem com que as pessoas sejam individualistas e nutram desejos irrefreáveis de alcançar seus interesses pessoais em detrimento do respeito e amor pelo outro.
O egoísta é ambicioso e narcisista: adora a si mesmo (2 Tm 3.2). Já o avarento, "amante do dinheiro", é obcecado pelo lucro (Pv 21.6). Nestes últimos dias, o materialismo tem levado as pessoas a se digladiarem pelo vil metal e, infelizmente, as promessas de "fortuna fácil" têm atingido os púlpitos de muitas igrejas (1 Tm 6.10). Todavia, a Palavra de Deus é incisiva: "guardai-vos da avareza" (Lc 12.15-21; Hb 13.5).

3) Incontinência. Essa é a doença que faz com que as pessoas não tenham domínio de si mesmas, isto é, não consigam refrear seus impulsos naturais dominados pelo pecado. Isso fica claro em Romanos 1.23-32, quando a Bíblia nos adverte enfaticamente acerca desta condição pecaminosa. A Palavra de Deus nos admoesta a fazermos tudo com moderação, autocontrole e disciplina (Gl 5.22; 2 Tm 1.7). Porém, muitas vezes a incontinência leva as pessoas a rejeitarem a Deus, se entregando à libertinagem, à prostituição e aos vícios infames.

As doenças intrapessoais mais perniciosas ao convívio eclesiástico e social são: orgulho, vaidade, egoísmo e avareza.


II. DOENÇAS NA ÁREA SOCIAL
Como podemos depreender do texto bíblico em estudo, o pecado Original não afetou apenas o indivíduo, mas também seus relacionamentos. Dentre as enfermidades sociais desses tempos difíceis podemos destacar:

1) Desobediência aos pais e ingratidão. É de se notar que ao longo da história, a cultura anticristã tem incentivado a desobediência ao mandamento divino, explícito em Êxodo 20.12, que ordena aos filhos honrar pai e mãe. Entretanto, nada se compara a insubordinação obstinada dos filhos aos pais nesses últimos dias (Rm 1.30; 1 Tm 1.9). Lembremos que a responsabilidade de educar os filhos não é dos avós, nem da escola e igreja, muito menos do Estado. Esse dever é dos pais (Dt 6.6,7; Sl 127.3-5; Pv 22.6). A ingratidão, por sua vez, é uma conseqüência da apostasia destes últimos tempos. Sempre que há uma ascensão do paganismo e do pecado, os homens tendem à ingratidão (Rm 1.21).

2) Desamor e Crueldade. Há por toda parte pessoas desprovidas de "afeto natural", isto é, que não têm afeição, amor e cuidado nem mesmo pela própria família. São pais desafeiçoados aos filhos, e filhos que não têm a menor consideração e carinho pelos pais (1 Tm 1.9; Ef 6.1-4). Desde o passado distante, o desamor e a crueldade têm caminhado juntos revelando a irracionalidade e a selvageria dos homens (Êx 1.22; 2 Rs 25.7). A Bíblia nos alerta sobre os que "respiram crueldade" contra seus desafetos (Sl 27.12). A falta de afeição dos ímpios faz com que até seus animais sofram (Pv 12.10 cf. Nm 22.27). Não nos enganemos! Os "últimos dias" não serão menos violentos que os do tempo pré-diluviano (Gn 6.5,11).

3) Dureza de coração e Calúnia. O perdão e a reconciliação são atributos necessários à convivência social e religiosa. Porém, a Palavra de Deus nos adverte que nos últimos dias, os homens tornar-se-ão irretratáveis, "duros de coração", e incapazes de perdoar. Nas regras de sobrevivência do mundo moderno não há espaço para a compaixão e perdão. Jesus, em seu conhecido sermão do monte, condenou taxativamente o rancor vingativo, e enobreceu a mansidão e a graça (Mt 5.5,9,21-26; 11.29; Mc 11.25). A calúnia, no original "diábolos", é outra doença terrível desse século. São caluniadores aqueles que se comprazem em depreciar a honra e a moral alheia (Tt 2.3). O difamador, diz a Bíblia, "separa os maiores amigos" (Pv 16.28).

4) Traição e Hipocrisia. São desvios de caráter próprios de certos executivos e políticos que se orgulham de enganar seus concorrentes e descumprirem suas promessas em razão de suas conveniências pessoais (Is 32.6; Lc 12.1; 1 Tm 4.2). Infelizmente, essas doenças atingem todas as áreas e níveis da sociedade (Is 9.17; Mt 6.2,5,16). Não nos esqueçamos que até no colégio apostólico houve um discípulo traidor e hipócrita (Mt 26.47-50; Jo 12.3-6). Assim como Judas, muitos têm aparência de piedade, mas são lobos devoradores (Mt 7.15).

5) Aversão ao bem. Nos últimos dias, diz-nos a Palavra de Deus, os homens serão inimigos do bem e negar-se-ão a praticá-lo. Desprezarão os bons e amarão os maus (Sl 14.1; Pv 28.5; 2 Tm 3.13).
Atualmente, a indústria do entretenimento tem induzido nossas crianças a gostarem de "heróis" de caráter explicitamente mau, seres demoníacos e monstros malignos através de jogos eletrônicos e das histórias em quadrinhos. Contudo, o cristão deve ser "amigo do bem" (Tt 1.8).

6) Abuso de poder. Diz respeito aos homens obstinados, orgulhosos e atrevidos que abusam do poder temporário, cultuando a própria personalidade (Ez 28.5-8; Jo 19.10,11; At 12.20-23). Aqui também estão incluídos aqueles obreiros de ministérios independentes, que não obedecem nem prestam contas a ninguém (2 Cr 26.18-21). Reconsideremos o exemplo do servo que espancava os conservos na ausência de seu senhor (Mt 24.46-51). A Escritura exorta à obediência aos pastores (Hb 13.7,17; 1 Ts 5.12,13), mas ordena que o ministro presida "com cuidado" e "governe bem" (Rm 12.8c; 1 Tm 5.17).

As mais graves doenças sociais de nosso século são: desobediência aos pais, ingratidão, desamor, crueldade, dureza de coração, calúnia, traição, hipocrisia, aversão ao bem e abuso do poder.

III. DOENÇAS NA ÁREA RELIGIOSA
O pecado prejudicou o relacionamento do homem consigo, com os outros e com Deus. Neste século perverso os principais pecados contra Deus são:

1) Blasfêmia e Irreverência. Os blasfemos são os que difamam a honra alheia. Há os que ultrajam a glória de Deus (Lv 24.16; Mt 12.22-32; 15.19; Mc 3.28,29), e aqueles que difamam o comportamento religioso do cristão e a doutrina (At 26.9-11; 1 Tm 6.1; Tg 2.6,7). Não devemos, porém, dar motivos para os ímpios blasfemarem contra o Senhor e o Evangelho (2 Sm 12.14; 1 Tm 6.1).

Os blasfemos também são irreverentes. O termo "irreverente" significa "ímpio" ou "sem respeito pelo sagrado". No final dos tempos os homens se afastarão de Deus a ponto de perderem o respeito pelas coisas santas. Lamentavelmente, a pior profanação, algumas vezes, manifesta-se na Casa de Deus, com a falta de sinceridade e irreverência durante o culto divino (Sl 93.5; Is 56.7; Mc 11.17).

2) Apego aos prazeres mundanos. A Bíblia vaticina que nos últimos dias os homens viverão em função do aprazimento deste mundo (Lc 12.19), isto é, serão "mais amigos dos deleites do que amigos de Deus". O estilo de vida mundano, chamado atualmente de hedonismo, prega que o principal alvo da vida humana é a obtenção do prazer, a fim de evitar a dor e o sofrimento (Pv 21.17; 2 Pe 2.13). Porém, a Palavra de Deus nos assevera: "glorificai, pois, a Deus no vosso corpo e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus" (1 Co 6.20).

Os principais pecados contra Deus, praticados por esse século vil, são: blasfêmia, irreverência e apego aos prazeres mundanos.

CONCLUSÃO
A Bíblia, em Efésios 6.10-18, afirma que devemos nos fortalecer no Senhor e nos revestir de toda a armadura de Deus, a fim de que estejamos firmes contra as astutas ciladas do Diabo e possamos resistir "no dia mau". Esse "dia" é agora! Rejeitemos, pois, as obras das trevas, e vistamo-nos das armas da luz (Rm 13.12).

Vocabulário
Hedonismo: Doutrina que considera o prazer imediato como o único bem possível.
Intrapessoal: Dentro da pessoa; internalizado no indivíduo.
Profanação: Irreverência contra pessoa ou coisa digna de todo o respeito.
Taxativo: Que não admite réplica ou contestação.
Vaticinar: Profetizar, predizer; prenunciar, adivinhar.

"Salvai-vos desta geração perversa". Com este imperativo categórico, exortava o apóstolo Pedro a sua geração. A proclamação ou kerygma da igreja primitiva resume-se em dois substantivos: anunciação e condenação. Anunciação das Boas Novas de Salvação, cumpridas e realizadas por Cristo Jesus. Condenação do pecado, da injustiça, da violência, do paganismo, da imoralidade e da hipocrisia. Na anunciação a igreja cumpre sua missão sacerdotal, mas na condenação, a missão profética. A primeira salvífica, porém a segunda, exortativa.
A igreja moderna também é responsável pelo anúncio do kerygma cristão primitivo. Devemos proclamar a salvação em Cristo, sem jamais deixar de condenar os pecados dos homens. Anunciemos, pois, a salvação, mas também denunciemos os pecados dos homens na pós-modernidade.

Fonte: As Doenças do nosso século. As Curas que a Bíblia oferece. Lições Bíblicas 3º trim.2008 - Comentarista Pastor Wagner dos Santos Gaby

Sugestão de leitura:
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