Membros / Amigos

Conheça mais de nossas Postagens

Research - Digite uma palavra ou assunto e Pesquise aqui no Blog

Mostrando postagens com marcador Igreja. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Igreja. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Entre a Páscoa e o Pentecostes

“Cumprindo-se o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar [...] E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” At 2.1,4


Entre a Páscoa e o Pentecostes

Esta última lição remonta as duas principais festas do judaísmo do Antigo Testamento, a Páscoa e o Pentecostes. Não por acaso, a partir de Jesus Cristo e do Espírito Santo, respectivamente, a Páscoa e o Pentecostes também se tornaram dois marcos para a igreja cristã.

Cristo, nossa Páscoa A Páscoa Cristã marca o maior acontecimento que já houve na face da Terra: a Ressurreição de Jesus. A Palavra de Deus mostra que quem teve um encontro com o Cristo ressuscitado nunca mais foi o mesmo. Saulo, ao encontrá-lo, de perseguidor, resignou-se a ser perseguido por amor a Cristo (At 9.19-31). Tal experiência é o que mais de extraordinário pode acontecer na vida do ser humano: encontrar-se com o Cristo Ressuscitado.

O Dia de Pentecostes

A Igreja de Cristo, do ponto de vista histórico, nasceu no dia de Pentecostes, a ocasião em que Deus derramou o Espírito Santo a fim de demarcar sobrenaturalmente a Igreja de Jesus no tempo e no espaço (At 2.1-13). O dia de Pentecostes para o cristão marca a ocasião em que o Espírito Santo se faz presente até a vinda do Senhor Jesus.

Sem a Páscoa, não há Pentecostes; e, sem o Pentecostes, o Páscoa perde a sua eficácia: somente a redenção em Jesus Cristo, que está junto ao Pai, traz o derramamento do Espírito Santo.

Leitura Bíblica: Êxodo 34.18-29

Prezado (a) professor (a), com a graça de Deus chegamos a conclusão das lições do trimestre, uma oportunidade ímpar que tivemos de estudar a teologia do livro de Levítico. O povo estava acampado no deserto, o Tabernáculo, lugar de adoração a Deus estava pronto, então era o momento ideal para o Senhor orientar a Moisés e a todos hebreus quanto às leis a respeito da adoração, do culto, do serviço e dos ministros. Contudo, o livro de Levítico não é somente uma série de normas e regras, mas uma demonstração clara da maneira como o homem pecador pode se aproximar e se relacionar com o Deus que é Santo. Esse livro nos revela a santidade e majestade do nosso Deus e o caminho, Jesus Cristo, que temos que trilhar para ter um relacionamento pessoal com Ele. Que possamos adorar a Deus todos os dias da nossa vida, com temor e santidade, pois somente Ele é digno de ser adorado.



Neste último capítulo, trataremos de um assunto bastante caro a nós, pentecostais. Refiro-me ao avivamento espiritual que, em nossa história, sempre teve início com um retorno incondicional à Bíblia Sagrada, à oração e a uma vida de santidade e pureza. A volta ao Calvário e ao Cenáculo resulta, invariavelmente, em batismos com o Espírito Santo, manifestação de dons espirituais, curas divinas, sinais e maravilhas. Não nos esqueçamos da operação do Espírito no interior de cada um que professa o nome de Cristo: convicção de pecado, arrependimento, volta ao primeiro amor e voluntariedade no serviço cristão.

Se almejamos, de fato, um poderoso reavivamento, seremos constrangidos a trilhar um caminho que, tendo início na Páscoa, vai até ao Pentecostes. Antes, porém, teremos de definir o avivamento de acordo com a ótica pentecostal. Logo após, alinharemos os fatores imprescindíveis para um reavivamento duradouro e bíblico. Que Deus nos ajude a viver a plenitude de seu Espírito; menos que isto é inaceitável.

I. PRINCÍPIOS DE UM AUTÊNTICO AVIVAMENTO

Se você me perguntar qual o maior avivamento da história da Igreja Cristã, responder-lhe-ei que é o pentecostal. Não quero, com a minha resposta, desmerecer a reforma de Lutero, na Alemanha, ou a iniciativa de John Wesley, na Inglaterra.

Todavia, quando comparo ambos os movimentos ao pentecostal, vejo-me obrigado a reconhecer que este é maior e mais abrangente do que aqueles. Mas reconheço, igualmente, que sem o labor de Lutero e Wesley, nossos pais fundadores, Daniel Berg e Gunnar Vingren, nada poderiam ter feito. No Reino de Deus, há uma santa e desejável interdependência. Todos dependemos de todos. Em meio a essas considerações, procuremos uma definição de avivamento.

1. O que é o avivamento.

Quando nos propomos a definir o avivamento de acordo com a história e a tradição da Igreja Cristã, deparamo-nos, logo de início, com um incômodo problema de nomenclatura e semântica. Afinal, a palavra certa é “avivamento” ou “reavivamento”? Costumamos usá-las invariavelmente; temo-las por sinônimos. Todavia, há uma diferença substancial entre ambas.

Avivamento diz respeito a um organismo que, embora não esteja morto, ainda precisa experimentar a vida em sua plenitude. Foi o caso dos discípulos de Cristo. Antes do Pentecostes, não estavam mortos; tinham já o Espírito Santo a dirigir-lhes, inclusive, a escolha do sucessor de Judas Iscariotes. O próprio Jesus já havia assoprado, neles, a promessa do Consolador: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20.22).

Conquanto já vivessem eles como apóstolos e discípulos de Jesus, não haviam sido avivados, pelo Espírito Santo, como Igreja de Cristo. Isso só haveria de acontecer no Dia de Pentecostes, em Jerusalém, conforme o relato de Lucas, no capítulo dois de Atos.

O reavivamento, por seu turno, concerne à igreja que, em consequência de seus pecados e iniquidades, morreu organicamente e, agora, já começa a falecer como organização. Haja vista o ocorrido com a congregação de Sardes, a qual o Senhor Jesus endereça uma carta sobrecarregada de urgências: “Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto. Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus” (Ap 3.1,2, ARA).

Essa igreja, sim, necessitava urgentemente de um reavivamento espiritual, porque sobrevivia apenas no âmbito material. O que a tornava visível era a sua burocracia, membresia e clero.

Na morte de uma igreja, desaparece o ministério e surge o clero; os membros do corpo de Cristo fazem-se logo membresia e clientela; o que era obrigação espiritual desponta, agora, como burocracia pesada e custosa; o que era esperança cristã transforma-se numa mera agenda social e política. Uma igreja, nessas condições, precisa, sim, de um urgente reavivamento.

Portanto, o avivamento coube à Igreja Cristã que, no dia de Pentecostes, passou a viver na força e no poder do Espírito Santo. Ela foi avivada e não reavivada, pois não estava morta; apenas não havia nascido. Quanto ao reavivamento, cabe a igrejas e congregações como a de Sardes que, apesar de já terem experimentado a vida em Cristo, deixaram-se morrer espiritual e ministerialmente. Tais rebanhos carecem de um reavivamento poderoso, para que voltem à vida. Caso contrário, morrerão; logo estarão a cheirar mal.

Embora haja diferenças entre os termos “avivamento” e “reavivamento” podemos, teologicamente, usar um pelo outro, a fim de descrever o movimento do Espírito Santo numa igreja local, objetivando levá-la a experimentar novamente a vida que somente Jesus Cristo pode nos dar.

Portanto, o avivamento ou reavivamento, é a operação sobrenatural do Espírito Santo, na Igreja de Cristo, cujo principal objetivo é reconduzi-la à sua condição primordial de corpo espiritual do Filho de Deus. Essa ação do Espírito Santo só é possível por intermédio destes fatores: retorno à Palavra de Deus, à oração, à santidade, à comunhão e ao serviço cristão.

2. O retorno à Palavra de Deus.

Certa tarde, quando me encontrava internado num hospital do Rio de Janeiro, recebi a visita de um enfermeiro que, fugindo à rotina, me narrou suas dificuldades num seminário já bem tradicional e histórico. Em sua primeira aula, disse-me ele, foi seriamente advertido por um professor: “Aqui, neste seminário, não perderemos tempo com a leitura da Bíblia nem com oração; aqui só há lugar para uma coisa: o estudo da teologia”. Até agora não entendi como é possível estudar teologia evangélica sem as Sagradas Escrituras.

De um seminário como esse, não se deve esperar avivamento nem reavivamento. Infelizmente, o que antes era casa de profeta, agora é albergue de hereges, ativistas sociais e seguidores de Balaão. Aproveitando o ensejo, recomendo aos pastores que mantenham seus institutos bíblicos e faculdades teológicas sob a tutela do santo ministério. Isso porque, a teologia, para ser boa e inútil, tem de ser produzida no âmbito da Igreja Cristã, conforme lemos nos primeiros versículos de Atos capítulo 13. Se assim agirmos, o avivamento não será apenas desejável, como também possível e contínuo.

Se não voltarmos urgentemente à Palavra de Deus não haverá qualquer esperança para o Movimento Pentecostal no Brasil. Sem o percebermos, fomos substituindo a pregação e o ensino da Palavra de Deus por extravagâncias: coreografia, teatro, cinema, shows, misticismos e outras tralhas e modismos. Enquanto isso, aos sermões, às doutrinas, aos estudos bíblicos e às abençoadas escolas de obreiros reservamos um tempo sem tempo; os cantinhos das agendas.

É ora de alguém, como Hilquias, aparecer em nossos arraiais com esta notícia: “Achei o Livro da Lei na Casa do SENHOR” (2 Cr 34.15). O que me espanta, nessa história, é o fato de a Palavra do Senhor ter-se perdido justamente na Casa do Senhor. Se no palácio real, seria compreensível; os documentos eram muitos. E se na intendência, seria não somente compreensível, mas também desculpável; a burocracia faz perder qualquer coisa. Mas, na Casa do Senhor, onde a Palavra do Senhor deve ocupar sempre o primeiro lugar, não podemos nem compreender nem desculpar. Que a Bíblia Sagrada esteja sempre em primeiro lugar tanto no templo como no santuário de nossos corações. Nela, o avivamento é possível.

3. O retorno à oração.

Não posso esquecer-me dos abençoados cultos de oração na Assembleia de Deus em São Bernardo do Campo, SP. Ali, todas às quartas-feiras, reuníamo-nos a buscar ao Senhor. Das 19h30 às 21 horas, permanecíamos ajoelhados a clamar pelos mais difíceis e complicados motivos; a resposta era certa. O interessante é que, passados mais de 40 anos, aquela querida igreja continua avivada; não perdeu a flama do Cenáculo; sua identidade pentecostal acha-se inalterada.
Nada substitui a oração.
Hoje, porém, buscamos substituí-la por fórmulas mágicas e alienígenas. Supomos que o nosso déficit de oração pode ter como sucedâneo uma palestra motivacional, uma seção de psicanálise, uma semana no spa, uma mês na Europa ou uma vida toda a justificar nossos fracassos e quedas espirituais.
O que dizer daqueles que substituíram o Espírito Santo por um guru ou por uma pitonisa?
Busquemos ao Senhor enquanto é tempo. Se não voltarmos à oração e ao jejum não sobreviveremos aos dias ruins, trabalhosos e sobrecarregados que se escondem nas agendas e calendários eclesiásticos. Voltemo-nos sem tardança à resposta do Senhor a Salomão na inauguração do Santo Templo:

Se eu cerrar os céus de modo que não haja chuva, ou se ordenar aos gafanhotos que consumam a terra, ou se enviar a peste entre o meu povo; se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra. (2 Cr 7.13, 14, ARA)

Que os céus, sob muitas igrejas, já foram cerrados, não há dúvida; ei-las secas e estéreis. Que os gafanhotos já consomem vinhas e oliveiras, dantes tão produtivas, ninguém pode esconder; é algo visível e de partir o coração. E que a peste do pecado e da iniquidade espalha-se entre os santos é um fato mais que testemunhal; nunca se viu tanto joio em meio ao trigo.

Se a situação é tão calamitosa, o que fazer? A resposta vem do próprio Senhor: humilhação, oração e conversão. É urgente buscar a face de Deus.

4. O retorno à santidade.

Às vezes, orgulhamo-nos de ser a maior igreja evangélica da América Latina. De acordo com alguns censos, já superamos a casa dos 10 milhões de membros. E, de conformidade com outros, temos em torno de vinte milhões de fiéis do Amapá ao Rio Grande do Sul. Uma nação dentro da nação. Uma cifra que supera a demografia de muitos países do mundo. Mas, aqui, não devo discutir números ou censos; isso não seria nada sensato. O que busco discutir, nessas linhas que me restam, é a qualidade de toda essa quantidade.

Será que temos sido realmente santos como requer a Palavra de Deus? O Deus da Palavra ainda está a exigir de cada um de seus filhos: “Santos sereis, porque eu, o SENHOR, vosso Deus, sou santo.” (Lv 19.22). Perante essa reivindicação divina, não nos resta alternativa a não ser buscar a santidade e viver em santificação diante de Deus e dos homens. Sejamos santos na Igreja de Cristo e no mundo que tem por príncipe ao Diabo; no lar, entre o cônjuge e os filhos, e nas ruas e logradouros entre desconhecidos que anseiam por conhecer o Evangelho.

Querido pastor, não permita que seus jovens precipitem-se no inferno. Doutrine-os, na Palavra de Deus, a fugir da prostituição. Deixe-lhes bem claro que o sexo, antes e fora do casamento, é pecado. Quanto a você, dê-lhes um exemplo de gravidade e pureza; fuja aos encontros equívocos com outras mulheres. Ensine às esposas e aos maridos a beleza da fidelidade; desestimule separações e divórcios. Realce o valor do culto doméstico e da Escola Dominical.

Exorte o rebanho a vestir-se com decência, recato e ordem. Por que roupas sensuais? Por que vestes que espelham a ideologia de gênero? Que os homens vistam-se como homens, e que as mulheres trajem-se como mulheres. Por que tatuagens e marcas a desmerecer o nosso corpo? Somos o templo do Espírito Santo?

Devido a demandas financeiras, alguns pastores e dirigentes de congregações se quer ousam exortar um dizimista adúltero ou uma ofertante corrupta. Já imaginou apresentar o próximo relatório sem o dízimo daquele homem e sem a oferta desta mulher? Sob essa pressão, alguns aceitam até oferendas de sodomitas e meretrizes.

Querido obreiro, não se enverede por esse caminho. Quem nos faz prosperar é o Senhor; fujamos aos produtos de roubos e furtos. Nada de dinheiro lavado na casa do tesouro; perante Deus estará sempre sujo. Antes, recolha com amor e carinho a contribuição da viúva pobre. Se você agir dessa forma, tanto ela quanto você serão abençoados.

Na luta pela santidade, ressoa-nos a exortação do autor da Epístola aos Hebreus: “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14).

5. O valor da comunhão cristã.

Ao encerrar a segunda carta aos irmãos de Corinto, uma igreja que tinha sérias dificuldades quanto à comunhão cristã, o apóstolo deixa-lhes esta doce e maravilhosa bênção: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós” (2 Co 13.13, ARA).

A comunhão que, na Terra, nos mantém unidos ao Céu, é mantida pelo Espírito Santo. Horizontalmente, faz com que todos os santos sintam-se e comportem-se como irmãos; verticalmente, leva todos os santos, agora irmãos amados, a regozijarem-se e a conduzirem-se como filhos do Pai Celeste.

Se às ovelhas é recomendado viver a comunhão cristã em sua plenitude, o que esperar dos pastores? Deveríamos nós, obreiros de Cristo, ser modelares quanto à paz, à concórdia e à cooperação; menos do que isso é inaceitável.

Mas, às vezes, comportamo-nos como os pastores de Abraão e de Ló. Enquanto as ovelhas compartilhavam os pastos que já não tinham, os pastores não conseguiam enxergar a amplidão que os espreitava quer à direita, quer à esquerda. Por que brigar por um posto no ministério? Se é Jesus Cristo quem dá obreiros à Igreja, tenhamos paciência; no momento certo, seremos dados pelo Sumo Pastor ao rebanho certo. Por que altercar-se pela presidência de um ministério ou de uma convenção? Comporte-se como homem de Deus. O primeiro lugar nem sempre é conveniente. Às vezes, é a ruína de nossa alma. Portanto, não se agaste. Se entregue à Obra de Deus, mas não deixe de prostrar-se ao Deus da obra. Lembremo-nos de que seguir a paz com todos é um dos requisitos para se entrar no Céu. Eu quero ver o Senhor.

6. O serviço cristão.

O verdadeiro avivamento espiritual implica também na retomada do serviço cristão. Assim se deu com os pais-fundadores do Movimento Pentecostal. Tão logo foram batizados no Espírito Santo saíram a evangelizar e a fazer missões. Aliás, não há como desassociar o pentecostalismo da obra missionária; acham-se intimamente unidos.

Portanto, nós, que já passamos pelo Calvário, não deixemos de entrar no Cenáculo. Avivando-nos, o Senhor quer levar-nos aos confins da Terra. Confiemos no seu querer. Sim, Jesus, que rogou ao Pai que nos enviasse o Consolador, é a nossa Páscoa.

II. PENTECOSTES, A FESTA DAS PRIMÍCIAS

Se o Senhor Jesus Cristo não tivesse sido imolado como o nosso Cordeiro Pascal, aquele dia de Pentecostes, em Jerusalém, não teria qualquer sentido. Todavia, a Páscoa de Cristo tornou real o Pentecostes do Espírito.

1. Cristo, o Cordeiro Pascal.

O Senhor Jesus foi crucificado durante a Páscoa (Mt 26.2). Mas, ao terceiro dia, eis que Ele ressurgiu de entre os mortos, recebendo toda a autoridade nos céus e na terra (Mt 28.1-8). Jesus foi feito as primícias dos que dormem, por ser Ele mesmo a ressurreição e a vida (Jo 11.25; 1 Co 15.20-23). Em seguida, fez menção da grande colheita que haveria por intermédio da descida do Espírito Santo (Jo 1.8). Que os discípulos, pois, esperassem a chegada do Consolador (Lc 24.4).

O batismo com o Espírito Santo é o requisito inicial e básico para a consagração de um obreiro ao ministério da Palavra. Por que fazer atalhos para que este ou aquele seja guindado ao ofício sagrado? Vejamos se os candidatos foram ou não chamados por Deus. Foram agraciados com algum dom ministerial? O princípio de Atos 13 ainda continua a vigorar. Apenas Jesus Cristo, o Sumo Pastor, pode dar os homens certos à Igreja. Quanto a nós, sigamos os preceitos de Efésios 4.11-14. Não imponhamos as mãos precipitadamente sobre quem quer que seja, a fim de não separarmos um diabo que, mais adiante, nos destruirá o reganho do Senhor. A responsabilidade será nossa. Prove cada um de seus candidatos antes de sua aprovação final.

2. O Pentecostes do Espírito Santo.

Passados cinquenta dias, desde a morte de Cristo, ocorrida na Páscoa, eis que os discípulos recebem o Consolador em pleno dia de Pentecostes (At 2.1-4). Cheios do Espírito Santo, falaram noutras línguas, enunciando, aos peregrinos que visitavam Jerusalém, as grandezas de Deus (At 2.7-11).

3. As primícias da Igreja Cristã.

Nesse momento, levanta-se Pedro com os demais apóstolos, e proclama o Evangelho de Cristo. E, como resultado de sua mensagem, quase três mil pessoas converteram-se (At 2.41). As primícias da Igreja Primitiva são apresentadas a Deus Pai.

CONCLUSÃO

Afirmou o evangelista norte-americano Stanley Jones (1884-1973): “A vida do cristão começa no Calvário, mas o trabalho eficiente no Pentecostes”.

Sem a Páscoa não pode haver Pentecostes. O que isso significa? Duas são as experiências indispensáveis ao discípulo de Jesus. Além da salvação, o batismo com o Espírito Santo. Então, revestidos de poder, apresentaremos ao Senhor as primícias de nosso amor e serviços: preciosas almas.

Por intermédio do Evangelho Completo, podemos reviver a experiência da Igreja Primitiva, que apregoava ousada e livremente que Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e maravilhas e, em breve, virá buscar-nos. Aviva, Senhor a tua obra.

Irmãos, orai por mim.

Fonte:
Livro de Apoio – Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Claudionor de Andrade
Lições Bíblicas 3º Trim.2018 - Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Comentarista: Claudionor de Andrade
Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Para aqueles que acham que não tem sentido ir à Igreja

PARA AQUELES QUE ACHAM QUE NÃO TEM SENTIDO IR À IGREJA.


Um frequentador de uma igreja escreveu a seguinte mensagem para um jornal:

"Eu tenho ido à igreja por 30 anos e durante este tempo devo ter ouvido umas 3.000 pregações. Mas, com exceção de uma ou outra, eu não consigo lembrar da maioria delas.  Por isso, acho que estou perdendo meu tempo e os que pregaram também estão desperdiçando o deles".

Essa matéria divulgada no jornal gerou uma grande discussão resultando em uma sábia resposta de um leitor,  igualmente divulgada nos seguintes termos:

"Estou casado há mais de 30 anos e durante esse tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 9.000 refeições. Mas, com exceção de uma ou outra, eu não consigo me lembrar da maioria delas. Mas de uma coisa eu sei: todas elas me nutriram, me alimentaram e me deram a força necessária para fazer minhas atividades. Sem essas refeições, eu e nossos filhos estaríamos desnutridos, fracos, desanimados e mortos. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à igreja para alimentar minha vida, minha alma e a da minha família, estaríamos hoje mortos espiritualmente".

Portanto, não deixe de estar em comunhão na sua igreja. Encorajemo- nos uns aos outros.


"...Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;" Hebreus 3:13

O Salmista nos alerta:

"A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos.
O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa." Salmos 19:7-11

Nos alimentemos da Palavra de Deus!

abraço fraterno
Pastor Ismael
Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 25 de maio de 2018

Coragem em meio à perseguição

“Pelo que também rogamos sempre por vós, para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo desejo da sua bondade e a obra da fé com poder” 2Ts 1.11

Por vivermos em um país pacífico e receptivo aos princípios do Evangelho temos, muitas vezes, dificuldade de compreender com clareza o que de fato é ser perseguido por amor a Cristo. Uma estratégia para utilizar-se nesta lição é pesquisar em sites especializados informações sobre como é a vida de cristãos em países fechados para a pregação do Evangelho. Existe inclusive uma mobilização nacional por igrejas que vivem em contextos de perseguição que é o DIP (Domingo da Igreja Perseguida). Este sempre ocorre no domingo após a comemoração do Pentecostes — em alusão ao contexto de Atos 4.

Promova entre seus alunos um momento de conscientização missionária, com o foco voltado para nações onde declarar-se cristão é assumir para si uma sentença de morte. Ore em sala por nossos irmãos perseguidos, e demonstre que os desafios enfrentados pelos tessalonicenses são compartilhados por muitos ainda hoje.

Não existem contrariedades que sejam capazes de destruir o projeto de Deus para nós.

Texto Bíblico - 2 Tessalonicenses 1.3-12

INTRODUÇÃO

Provavelmente, alguns meses depois da escrita de 1 Tessalonicenses, a persistência de três problemas leva Paulo a escrever uma nova carta à Igreja em Tessalônica com o objetivo de novamente denunciar tais situações. As dificuldades enfrentadas pelos tessalonicenses englobam três grandes áreas: política-cultural, teológica e social; são estes: uma ferrenha perseguição promovida por judeus e pelo império, uma interpretação completamente errônea com relação a parousia (a vinda do Senhor), e o desagradável testemunho pessoal de alguns irmãos que simplesmente não queriam mais trabalhar.

Neste primeiro capítulo o apóstolo dedica-se a uma palavra de ânimo e fortalecimento àqueles irmãos que, desde a saída de Paulo daquela cidade, passavam por severas situações de intolerância, mas mesmo assim continuavam firmes no propósito de servir a Deus. Sobre esta situação, Paulo os conforta afirmando que o Senhor fará justiça.

I. COMO SE PORTAR DIANTE DAS TRIBULAÇÕES?

1. Com uma fé amadurecida.
A fé dos tessalonicenses não estagnou (2Ts 1.3). Apesar das severas tribulações, das heresias que se infiltravam naquela comunidade, eles cresceram em confiança diante do Senhor. A máxima de Paulo direcionada à Igreja em Corinto em 1 Coríntios 11.19 parece fazer todo sentido em Tessalônica: é na crise que os verdadeiros e fiéis se manifestam, assim como os fraudulentos e hipócritas também (1Tm 5.24,25). Um contexto de adversidades não deve nos intimidar, antes, devemos encará-lo como uma possibilidade de aprofundarmo-nos na fé em Jesus Cristo. A vivência de oposições deve colaborar para nosso amadurecimento, isto é, quando vivemos em tempos difíceis passamos a valorizar as coisas certas, assim como a desconsiderar como relevante aquilo que não edifica. As muitas dificuldades que os tessalonicenses enfrentavam serviram de combustível para o desenvolvimento da fé daqueles irmãos.

2. Com um amor que se multiplica.
Um dos erros mais comuns, mas ao mesmo tempo mais perigosos que cometemos em tempos difíceis, é permitir que o ódio ganhe espaço em nosso ser. Os sentimentos de injustiça, desrespeito e medo que se levantam contra nós, não podem ser alimentados, senão, enraízam em nossos corações impedindo-nos de compreender com clareza a vontade de Deus (Hb 12.15). Lembremo-nos: nossos inimigos não são terrenos ou humanos, mas espirituais e diabólicos (Ef 6.12). Ao contrário disso, diante da crise, o amor entre os tessalonicenses se multiplicou, e não apenas, como alguém poderia pensar, de maneira egoísta, internamente, mas também para com a comunidade que estava à volta deles. Por meio do amor aquela comunidade se fortalecia e conseguia superar suas limitações e oposições. Não se vence o mal com mal, mas por meio do bem, do amor, da justiça e da misericórdia.

3. Com uma paciência inspiradora.
A reação daquela jovem igreja perante tantas tribulações era exemplar; o próprio apóstolo testemunha que durante sua estadia em outras igrejas daquela região, a postura dos irmãos em Tessalônica servia de inspiração. De modo especial, Paulo fala sobre a paciência daquela comunidade, que mesmo em meio a “perseguições e aflições” (2Ts 1.4) persiste pacientemente confiando em Cristo. Este é o segredo de uma vida vitoriosa: nunca agir precipitadamente em momentos de tensão, mas ao contrário, orientar-se por uma postura paciente. Nossa paz não se deriva de posses, poderes ou palavras. Temos a capacidade de parcimoniosamente enfrentar os percalços da vida porque temos um supremo alívio vindo do Senhor (Jo 16.33). A paciência dos tessalonicenses, que se fundamentava numa fé inabalável no amor de Deus, deve inspirar-nos a crer que nenhum problema é capaz de mudar o que o Senhor sente por nós.

Pense!
Não somos chamados para sermos cristãos infantis.

Ponto Importante
Em tempos de ódios culturais aflorados, precisamos, mais do que nunca, ser multiplicadores do amor.

II. O QUE ESPERAR EM TEMPOS DE TRIBULAÇÃO?

1. Que a tribulação converta-se em instrumento de testemunho de nossa fé.
Levando em consideração tudo o que aquela igreja enfrentava, mui especialmente a intolerância por parte da população local, o que poderia garantir que eles estavam no caminho certo? Esse é um sério questionamento com o qual comumente nos deparamos em tempos de adversidade: será que estou fazendo as escolhas corretas? Que garantias tenho que Cristo está comigo se estou enfrentando tudo isso? A resposta para estas questões, segundo o próprio Paulo afirma (2Ts 1.5; Sl 11.5), são as tribulações. Isto é, as lutas que enfrentamos, e superamos com paciência e fé (v.4), é o testemunho que fala mais alto acerca de nossa espiritualidade e dignidade em Cristo. Não devemos procurar problemas. Todavia, não devemos temê-los quando esses chegam, pois Cristo está conosco.

2. Que a devida justiça seja exercida sobre os perseguidores.
Em um contexto ostensivo e de ferrenha oposição, devemos ter a certeza de que o Senhor está ao lado do justo, e que por isso o ímpio jamais prosperará (2Ts 1.6,8,9). O aparente bem-estar do injusto não deve angustiar nossos corações, pois a estabilidade de tal felicidade é frágil e de rápida desestruturação. A alegria e descanso que o Pai tem programado para nós, todavia, são eternos, estáveis e abençoadores. Não nos cabe a execução de nenhum juízo, e sim a prática cotidiana da justiça. A ação de julgar é exclusiva do Pai (Hb 10.30), quanto a nós, basta-nos acreditar que nenhum culpado será tomado como inocente, e nenhum puro será condenado pelo Senhor como perverso (Na 1.3). No dia do juízo, justos e ímpios, serão separados pelo Senhor, os primeiros para descanso eterno, já esses últimos, infelizmente para desprezo e castigo eternos (Mt 25.33-45).

3. Que o dia do descanso virá.
As tribulações um dia terão um fim! (2Ts 1.7,10)
Nossa jornada, por mais cheia de percalços que possa ser, terá um ponto final, pois o plano eterno de Deus desenrola-se desta forma. Não é para o caos e o descontrole que tendem todas as coisas, o Senhor ainda coordena o universo, Ele está assentado no trono (Sl 11.4; 96.10). Para os seus santos, o Altíssimo tem preparado lugar de descanso e paz (Hb 4.1-11). É para essa esperança que devemos direcionar nossos corações, isto é, não é aqui que acaba nossa história. As muitas lutas e tribulações que enfrentamos não serão capazes de impedir o estabelecimento da eterna vontade do Pai. Nossa trajetória tem um rumo, nossos passos possuem uma direção certa; não demorará muito, e nós ouviremos do Senhor o chamado eterno para morarmos para sempre ao lado daquele que infinitamente nos ama.

Pense!
Não é necessário desejar o mal de ninguém. Cada um colherá aquilo que pessoalmente plantou.

Ponto Importante
Não devemos fazer uma apologia ao sofrimento, como se devêssemos desejá-lo, contudo, é preciso ter consciência de que enfrentaremos problemas.

III. A ORAÇÃO DE PAULO PELOS TESSALONICENSES

1. Tenham sua vocação confirmada.
Não vem dos tessalonicenses o direito à salvação; esta é uma obra exclusivamente realizada por Deus (Ef 2.8). Contudo, o Eterno exige de seus filhos um padrão ético elevado; a vida digna para qual somos chamados também é uma realização de Deus em nosso ser. Sendo o Altíssimo o protagonista de todos os atos referentes à salvação, a oração de Paulo é para que os tessalonicenses aguardassem, de modo ativo (com testemunho, obediência e fervor), a ação salvadora do Senhor (2Ts 1.11). Grandes coisas o Salvador tem a realizar na vida de todos os seus filhos. Nosso esforço, desta maneira, deve estar em crer naquilo que o Senhor é poderoso para fazer. Sabendo que é Ele quem continuamente restaurará nosso ser à imagem do Pai enquanto aguardarmos a salvação.

2. Vivam a vontade de Deus.
Paulo esclarece aos tessalonicenses que a vocação daqueles irmãos tem como finalidade cumprir a vontade do Pai. Esta é uma importante intercessão que o apóstolo faz por aquela jovem igreja, pois cotidianamente somos confrontados com essa situação a ser resolvida: obedecemos a voz do Mestre ou fazemos tudo do nosso jeito? É claro que qualquer pessoa responderá que é melhor fazer a vontade do Senhor. Contudo, muitas vezes o plano de Deus nem sempre é o mais fácil ou conveniente a nós. Que nos inspiremos no clamor de Paulo pelos tessalonicenses para crer que a mais excelente escolha é cumprir cada plano do Senhor (Sl 143.10). Sempre viveremos tribulações e adversidades, mas isso não quer dizer que estamos sozinhos. Na maioria das vezes, continuar de pé em tempos de calamidade é a prova mais contundente de que Deus está conosco (Sl 118.6,7).

3. Glorifiquem ao Senhor com suas vidas.
Aquela era uma Igreja que enfrentava fortes dificuldades. A possibilidade de haver algum tipo de repercussão negativa na espiritualidade daqueles novos irmãos era algo real. Todavia, a intercessão de Paulo pelos tessalonicenses direcionava-se no sentido de que estes reconhecessem que suas vidas tinham como finalidade a glória de Deus, e por isso, não deveriam permitir que nada lhes separassem do amor do Pai (Rm 8.35-39). Tal como os irmãos de Tessalônica, devemos viver de maneira que tudo que façamos seja para o louvor do Senhor. Muito mais importante que glorificar a Deus apenas com palavras ou discursos é viver inteiramente para a honra do Senhor.

Pense!
A salvação não vem de nós, é uma dádiva de Deus.

Ponto Importante
Somos comissionados para uma vida de doação ao Reino e ao seu Rei.

CONCLUSÃO

Os desafios que aquela jovem igreja enfrentava eram enormes. Se fizéssemos uma avaliação meramente humana da situação, o prognóstico seria dos piores. Todavia, aquela comunidade não andava por critérios humanos, mas por obra de Deus. Inspiremo-nos no exemplo de Tessalônica para enfrentar nossas lutas particulares, sempre crendo que o Senhor é nosso bondoso Pai, que jamais nos abandona.

SUBSÍDIO
“A Completa Recompensa Virá (1.6-10)
Saber que qualquer tipo de injustiça cometida um dia terá seu julgamento é um grande incentivo que gera um sentimento de bem-estar. Deus deseja que a justiça corra como um ribeiro impetuoso (Am 5.24). Seus filhos podem ter certeza de que a impiedade não escapará do julgamento, nem a justiça deixará de ser recompensada. Paulo reafirma os dois lados da justiça de Deus. Primeiramente fala do lado negativo — aqueles que perturbarem os tessalonicenses não escaparão impunes (v.6). Esse ato de Deus não deveria ser visto como um ‘embrulho de brutalidade cruel’ que proporcionará alegria, embora a simplicidade da expressão no versículo 6 possa levar a tal pensamento (também os vv.8,9; 2Pe 2.12-17; Jd vv.10-13). Talvez estas expressões bíblicas sejam como os salmos imprecatórios, que exigem dolorosos julgamentos sobre os opressores (por exemplo, Sl 3; 58; 59), não porque alguém esteja sedento de sangue, mas por se esperar tão ansiosamente que a justiça de Deus resgate o seu povo do mal. O salário do pecado será pago pelos perseguidores — a não ser, é claro, que lhes aconteça o mesmo que aconteceu a Saulo, ou seja, que se arrependam durante a sua jornada” (ARRINGTON, French L. e STRONSTAD, Roger (Ed). Comentário Bíblico Pentecostal. 4ª Edição. RJ: CPAD, 2006. p.1414).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 2º Trimestre de 2018 - Título: A Igreja do Arrebatamento — O padrão dos Tessalonicenses para estes últimos dias - Comentarista: Thiago Brazil

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

A Vida Cristã e a Estima pela Liderança

“Vede que ninguém dê a outrem mal por mal, mas segui, sempre, o bem, tanto uns para com os outros como para com todos” 1Ts 5.15

Nesta lição trataremos a respeito do valor das lideranças biblicamente constituídas, assim como sobre as características de uma igreja local espiritualmente relevante. Faça de sua aula um maravilhoso momento de reflexão sobre a urgente necessidade de novas lideranças constituírem-se no interior da igreja local. Indague a seus alunos se eles estão conscientes de que sairão do meio deles as futuras lideranças que conduzirão a obra de Deus daqui a poucos anos.

Reflita com seus educandos a respeito dos desafios que se impõe diante de um líder que de maneira séria e dedicada compromete-se com o bem-estar da obra de Deus.

Caro professor(a) da Escola Dominical, nunca se esqueça, você também tem uma grande honra e uma grande responsabilidade de liderar e encaminhar as futuras gerações de líderes da igreja.

Somente uma igreja autêntica reconhecerá a vocação de seus líderes e servirá ao Pai e a sua geração com o objetivo de glorificar o santo nome do Senhor.

Texto Bíblico - 1 Tessalonicenses 5.12-22

INTRODUÇÃO

No momento final desta carta o apóstolo Paulo concentra-se em uma série de prescrições práticas para o desenvolvimento da obra de Deus naquela comunidade. As orientações concentram-se basicamente em duas grandes temáticas: a necessidade de apreço pelas lideranças constituídas e ações práticas para o desenvolvimento da espiritualidade. Paulo, num destacável exercício de síntese de conceitos, passa a apontar algumas ações que não poderiam deixar de ser realizadas para a manutenção da saúde espiritual daquela comunidade.

I. A IGREJA COMO ESPAÇO DE CONCRETIZAÇÃO DA VERDADEIRA LIDERANÇA CRISTÃ

1. Uma liderança constituída para a Igreja.
Não foi a Igreja que nasceu para a liderança, mas a liderança que foi constituída em função da Igreja (At 6.3-5). É a Igreja quem confirma o ministério frutífero de um líder. É por isso que Paulo roga aos irmãos em Tessalônica que reconheçam o serviço daqueles irmãos (1Ts 5.12,13), pois, se não for a Igreja que fizer isso, instituições humanas não poderão fazê-lo. Deste modo, repousa sobre a comunidade local a responsabilidade de discernir, por meio da ação do Espírito de Deus, que se torna evidente em frutos perceptíveis, a chamada para liderança de determinada pessoa. O líder precisa ter o reconhecimento de sua comunidade local. No mundo secular, governa-se por direitos legalmente constituídos, por nepotismo e até mesmo por usurpação do poder. Todavia, na Igreja só há uma maneira: por meio da vocação de Cristo que é referendada pela igreja local.

2. Liderando no Senhor.
Os líderes são levantados para serem ministros em suas comunidades, ou seja, servos. Liderar no Senhor implica utilizar-se de princípios extraídos da Palavra, que espelhem a vontade de Deus. Não se deve dirigir para uma instituição, muito menos para uma pessoa específica; lideramos para a glória de Deus, a fim de que o nome do Senhor seja exaltado em tudo o que realizarmos. Assim sendo, liderar no Senhor significa, em muitos casos, abrir mão das opiniões pessoais em nome de cumprir-se a vontade de Deus. Todo líder deve ter a convicção de que nunca terá a equipe ideal; lembremo-nos de que nem mesmo Jesus a teve, por isso o líder não deve desmotivar-se diante de adversidades.

3. Reconhecendo a liderança como uma grande obra.
Como nos aponta a orientação paulina, o chamado para servir a Igreja como líder é, ao mesmo tempo, um honroso e árduo ofício (1Ts 5.12,13) e cabe-nos reconhecer os verdadeiramente vocacionados. Devemos publicamente, e em particular, atestar a existência de pessoas escolhidas por Deus para o governo, liderança e presidência (Rm 12.8; 1Co 12.28). Assim não falamos apenas de pastores, mas também de líderes em outros níveis, por meio dos quais a obra de Deus se desenvolve.

II. O QUE É SER IGREJA?

1. É ser um ambiente onde há espaço para acolher todos.
Uma Igreja não pode ter um “público-alvo” específico; nosso campo de evangelização é o mundo. Uma igreja não pode ser apenas para jovens, ou só para adolescentes, ou exclusivamente para adultos. É um absurdo existirem igrejas voltadas para o público intelectualizado, outras para o “povão”. Igrejas para ricos, igrejas para pobres. É intrínseco a Igreja ser composta por indivíduos de todas as classes, grupos e culturas. Somos um espaço de acolhimento onde o problemático, o fraco e o desacreditado devem ter o mesmo espaço que o saudável, o forte e o fervoroso. Somos vocacionados para dar suporte uns aos outros (Ef 4.1-6), isto é, nossa responsabilidade é auxiliar aqueles que ainda não são capazes de seguir suas jornadas sozinhos, e por isso precisam de amigos, abraços e orações.

2. É ter a palavra certa para cada indivíduo.
A Igreja deve ser capaz de dialogar com todos os indivíduos de tal forma a ter a palavra adequada para cada perfil de indivíduo. É por isso que os sermões não devem ser “enlatados”, copiados de um pregador estrangeiro, ou padronizados, reproduzido irrefletidamente como uma “fórmula mágica” copiada de um “megaevangelista”, sem respeitar as especificidades e singularidade de cada comunidade de fé e sujeito. A responsabilidade de sermos Igreja nos leva ao compromisso de falar com austeridade com os que não levam o Reino de Deus a sério (Hb 3.13). Fomos chamados a expressar amorosamente a graça e a misericórdia do Pai àqueles que estão fragilizados (Rm 14.11; 1Co 9.22,23) e apresentar as promessas do Reino para os que estão desesperançados (2Co 1.18-20).

3. É eleger o bem como estilo de vida.
Somos vocacionados para fazer o bem e servir uns aos outros (Jo 13.13-15). Já fomos libertos da prática do mal, por isso este não pode sequer tornar-se uma reação nossa (1Ts 5.15). Rancor, mágoa, ressentimento, fúria, inveja, etc., não devem fazer sentido algum para nós. Não utilizamos as armas do Maligno; se rejeitamos suas ações não devemos nos apropriar de suas metodologias. Como o próprio Paulo afirma, somos espirituais, deste modo, nossas estratégias precisam ser diferentes das utilizadas por aqueles que não conhecem o Pai (Gl 6.1,2; 2Co 10.4). Todo e qualquer discurso de ódio, a quem quer que seja, não nos é conveniente. Somos o povo da misericórdia, da graça e do perdão. Não que de nós mesmos derivem tais princípios, na verdade eles são todos oriundos do amor do Pai para conosco.


III. TRÊS ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA UMA VIDA CRISTÃ AUTÊNTICA

1. Fervor devocional.
Sendo a vida cristã comparada à rotina de treinamento de um atleta (1Co 9.24-27), é necessário compreender que existem algumas práticas que devemos realizar cotidianamente; isto é, assim como um atleta possui disciplina corporal e alimentar, até mesmo de sono, como cristãos devemos ser capazes de continuar orando, mesmo quando aparentemente parece que não somos ouvidos (1Ts 5.17). Nossa vida não deve ser encarada como um fardo, mas como um maravilhoso privilégio. A gratidão deve ser a marca de nosso relacionamento com o Pai (1Ts 5.18), pois quando reconhecemos o poder e a soberania do Senhor somos capazes de acreditar naturalmente que tudo o que Ele faz é carregado de bondade e perfeição, tornando assim nossa vida cheia de leveza.

2. Vigilância moral.
Há um princípio de conduta apresentado por Jesus nos Evangelhos que fundamenta de maneira bem relevante a orientação paulina em 1 Tessalonicenses 5.22. Escrevendo aos tessalonicenses, Paulo orienta-os a não só fazerem a coisa certa, mas a se absterem da “aparência do mal”. Ou seja, devemos evitar toda e qualquer prática que escandalize o Evangelho. Assim, mesmo sabendo que determinadas ações não incorrem em pecado, devemos evitá-las se elas produzem confusão e alvoroço na mente e coração dos fracos na fé (1Co 8.9; 10.32; 2Co 6.3).

3. Discernimento espiritual.
Uma das características mais marcantes deste nosso tempo é a variedade de discursos, ações e manifestações. São várias igrejas, inumeráveis pregadores e cantores, e os meios de propagação de suas ideias nunca foram tão numerosos como hoje — televisão, rádio, internet, redes sociais etc. Nessa selva de informações como devemos nos portar? Paulo orienta-nos a sermos criteriosos com TODAS as coisas (1Ts 5.21), isto é, examiná-las minuciosamente para conferir sua autenticidade, assim como um ourives faz com os objetos que lhes são trazidos. Sabemos que inerrante só a Palavra de Deus, entretanto, as interpretações humanas, os usos (e abusos) que se faz da Palavra, tudo precisa ser examinado.


CONCLUSÃO

Nunca se fez tão necessário tomar cuidado com os charlatões da fé e, ao mesmo tempo, dar suporte à vocação dos santos que foram chamados por Deus para abençoar nossas vidas por meio da liderança.


SUBSÍDIO I
“O culto de adoração pentecostal é conhecido pelas manifestações do Espírito Santo, como o falar em línguas, a interpretação das línguas e a profecia (expressão vocal inspirada pelo Espírito no idioma da própria pessoa). Já em pleno século XXI, observamos que esses fenômenos estão se difundindo em mais igrejas, países e povos do que estavam no começo deste século, quando o movimento pentecostal teve seu início. Contanto que obedeçamos à Palavra de Deus e fiquemos abertos ao mover do Espírito Santo, desfrutaremos da manifestação ou dons do Espírito Santo em nossos cultos de adoração. Que nunca deixemos de manter diante de nós as palavras de 1 Tessalonicenses 5: ‘Não extingais o Espírito. Não desprezeis as profecias. Examinai tudo. Retende o bem’ (vv.19-21). [...] Em última instância, a igreja pentecostal deve julgar sua adoração pelo que está acontecendo interiormente, e não pelo que ocorre exteriormente. Jesus nos falou que a vinda do Espírito Santo significaria que aquEle que tinha estado conosco agora estaria em nós (Jo 14.17). É o grandioso poder pentecostal em ação em nós que tornará nossa adoração significativa e eficaz” (CARLSON, Raymond et al. Pastor Pentecostal. Teologias e práticas pastorais. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008. pp.592,593).

SUBSÍDIO II
“Não obstante, ele também se refere ‘os que têm dons de administração’ (1Co 12.28 — NVI) e diz que se alguém tiver o dom de ‘exercer liderança, que a exerça com zelo’ (Rm 12.8 — NVI). Ele também incita os tessalonicenses ‘que reconheçais os que trabalham entre vós, e que presidem sobre vós no Senhor, e vos admoestam’ (1Ts 5.12). O verbo na expressão ‘presidem sobre vós’ é proistêmi traduzido por ‘liderança’ em Romanos 12.8 (NVI). Portanto, alguns exerciam responsabilidades administrativas e de liderança na igreja. Mas não se determina o grau da autoridade que suas responsabilidades acarretavam. É provável que essas lideranças cumpriam principalmente as decisões da congregação.
Nessas epístolas, uma voz de autoridade pertence ao próprio apóstolo. Ele comunica aos tessalonicenses: ‘Pelo Senhor vos conjuro que esta epístola seja lida a todos os santos irmãos’ (1Ts 5.27). E que ‘se alguém não obedecer à nossa palavra por esta carta, notai o tal’ (2Ts 3.14). Ele, ao advertir os coríntios de que falar de modo arrogante não substitui o poder, pergunta-lhes: ‘Irei ter convosco com vara ou com amor e espírito de mansidão?’ (1Co 4.21)” (ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008. p.317).


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 2º Trimestre de 2018 - Título: A Igreja do Arrebatamento — O padrão dos Tessalonicenses para estes últimos dias - Comentarista: Thiago Brazil

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 15 de março de 2018

Os Gigantes da Fé e o seu legado para a Igreja

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem." Hb 11.1


O autor acabara de fazer sua longa exposição sobre a supremacia de Cristo, seu sacerdócio e a superioridade da Nova Aliança em relação à Antiga. Essa exposição começou no capítulo primeiro e se estendeu por quase todo o capítulo dez. Aqui, ele faz um apanhado histórico sobre a jornada de fé dos homens e das mulheres de Deus no Antigo Pacto e como isso deveria ser tomado como exemplo para os cristãos do Novo Concerto. Essa fé, diferentemente do conceito de justificação dado por Paulo, aparece aqui com o sentido de ousadia, perseverança e confiança nas promessas de Deus. A fé demonstrada por eles em diferentes momentos da história, e em diferentes situações, foi o que garantiu as suas inserções na galeria dos heróis bíblicos. Essa mesma fé, que garantiu que eles sempre avançassem e nunca recuassem, devemos imitar.

Texto Bíblico - Hebreus 11.1-8, 22- 26,30 - 34

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
• Texto Bíblico: Hebreus 11.1-8,22-26,30-34

2. l. A Fé que gera confiança em Deus
• 1. O sacrifício de Abel.
• 2. O testemunho de Enoque.
• 3. A confiança de Noé.

3. II. A Fé que faz ver o invisível
• 1. A obediência de Abraão.
• 2. A fidelidade de José.
• 3. A determinação de Moisés.

4. III. A Fé que dá poder para avançar
• 1. A ousadia de Josué.
• 2. A coragem de Raabe.
• 3. O heroísmo de Gideão.

5. Conclusão

O capítulo 11 de hebreus é um dos mais conhecidos e mais ricos sobre o tema da fé. Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, "o capítulo 11 demonstra a natureza do único tipo de fé aceita por Deus e que triunfará na pior das situações. É uma fé que crê nas realidades espirituais (v.1), que leva à justiça (v.4), que busca a Deus (v.6), que crê na sua bondade (v.6), que tem confiança na sua palavra (vv.7,11), que obedece aos seus mandamentos (v.8), que vive segundo as promessas de Deus (w. 13,29), que rejeita o espírito deste presente mundo mau (v.13), que busca um lar celestial (vv.14-16; cf.13.13,14), que abençoa a geração seguinte (v.21), que recusa os prazeres do pecado (v.25), que suporta a perseguição (v.27), que pratica poderosos atos de justiça (vv.33-35), que sofre por amor a Deus (vv. 25,35-38) e que não volta àquela pátria donde haviam saído, i.e., o mundo" (p.1916).

Com base nesse comentário, podemos destacar algumas características da fé que o autor aos Hebreus se refere no capítulo 11: a fé nos faz crê nas realidades espirituais (v.1); A fé nos leva à justiça (v.4); a fé nos leva crê na bondade de Deus (v.6); a fé nos leva a ter confiança na Palavra de Deus (vv.7,11); a fé nos leva a obedecer os mandamentos divinos (v.8); a fé nos leva viver segundo as promessas divinas (w.13,29); a fé nos leva a rejeitar o espírito do mundo (v.13); a fé nos levar a buscar um lar celestial (v. vv.14-16; cf.13.13,14); a fé nos leva a abençoar a nossa geração seguinte (v.21); a fé nos leva a recusar os prazeres do pecado (v.25); a fé nos leva a suportar a perseguição (v.27); a fé nos leva a sofrer por amor a Deus (v.25,35-38).  Revista Ensinador Cristão nº72

A fé é a confiança irrestrita nas promessas de Deus.



Comentário de Hebreus 11.1 -40

A leitura do capítulo 11 de Hebreus deve ser feita à luz do que foi dito no capítulo 10. Ali, o autor completou o seu longo argumento sobre o sacerdócio de Cristo (Hb 10.18) e, parenteticamente, como de costume, usou um tom exortativo para alertar seus leitores sobre o perigo de voltar atrás. O capítulo 11 traz a galeria dos heróis da fé, como uma forma de exemplificar como viveram e agiram os grandes homens e mulheres de Deus do passado. O objetivo é que seus exemplos sejam seguidos pelos cristãos hebreus que davam sinais de desesperança e falta de fé.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem" (v. 1).
Mais do que um conceito, o autor faz aqui uma afirmação sobre a fé que é oposta àquela que estava sendo demonstrada por seus leitores. Os Hebreus davam sinal de fraqueza espiritual justamente porque estava faltando-lhes a fé. O substantivo grego pistis, traduzido aqui como "fé”, ocorre 243 vezes no Novo Testamento; 30 vezes somente em Hebreus, sendo que, somente no capítulo 11, há o registro dessa palavra 24 vezes.1  A palavra grega hypostasis, traduzida aqui como "fundamento", tem, no texto grego, o sentido de certeza, garantia, segurança2  Nesse sentido, era usada como atestação ou garantia de uma propriedade. Para o autor, a fé era como ter em mãos um documento que atestava a posse de determinado objeto. E mais: a fé é a convicção das coisas que não se viam. O termo grego elenkos, traduzido aqui como "prova”, mantém o sentido de "evidência”.3

“Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho” (v. 2).
Nesse versículo, a construção en tauté gar emartyrethesan presbyteroi ("pois nela, isto é, na fé, os antigos obtiveram testemunho"). Aqui, é o próprio Deus quem dá testemunho dos feitos que a fé realizou na vida dos antigos.

“Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (v. 3).
Aqui, a fé é usada no sentido instrumental. É por meio da fé que temos a percepção das coisas espirituais. Mediante a fé, sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. Os expositores veem aqui um contraste entre a percepção mental e sensitiva, quando o autor usa o termo grego noeo (aquilo que está relacionado ao conhecimento intelectual). A fé vai além do conhecimento sensorial e empírico para acreditar que o mundo visível não tenha existido a partir das coisas que são visíveis.4

“Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (v. 4).
Abel abre a galeria dos heróis da fé. O texto de Gênesis 4.2-16 silencia sobre o que teria distinguido o sacrifício de Abel daquele oferecido por Caim. Todavia, o autor de Hebreus diz que a oferta (gr. propheró) de Abel foi melhor (gr. pleion). Donald Hegner observa que “a entrega sem reservas à realidade de Deus e ao caráter absoluto das vindicações de Deus sobre nós — fez uma diferença decisiva. De certa forma, Caim retraiu-se em relação a Deus, quer na própria oferta, quer em seu coração”.5

"Peia fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque Deus o trasladara, visto como, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus” (v. 5).
A palavra grega metatithemi, usada três vezes em Hebreus e outras três vezes no Novo Testamento, significa "mudar”, “transpor", "transferir”, "remover” e “trasladar”.6  Na interpretação do autor, Enoque, tendo obtido o testemunho de haver agradado a Deus, foi trasladado ao céu e não passou pela morte.

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam" (v. 6).
De forma parentética, como costumeiramente vinha fazendo, o autor aproveita o espaço para fazer uma exortação sobre a necessidade de se exercer a fé na caminhada cristã. Aqueles que creem precisam saber que Deus existe e está pronto a premiar aqueles que o buscam, não os que desistem pelo caminho. Quem não tem fé não segue avante.

"Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (v. 7).
Nessa passagem, o autor tem em mente o relato de Gênesis 6.8,9, 13-22; 7.1. Aqui, o particípio aoristo krematistheis (avisar, advertir, instruir) antecede a ação do verbo principal. Primeiramente, o Senhor avisou a Noé sobre o Dilúvio que viria, e, a partir daí, Noé começou a trabalhar no projeto da Arca. Não havia nada além da palavra de Deus, nenhuma prova material ou física, para Noé saber que aquilo que lhe fora dito iria cumprir-se. Noé, porém, ousou crer naquilo que o Senhor dissera a ele. O texto destaca que a iniciativa para livrar Noé e sua família teve início em Deus.

“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (v. 8).
Agora, o autor entra no universo dos patriarcas. O particípio presente kaloumenos (gr. kaléô, chamar) tem o sentido temporal aqui. Quando Deus chamou a Abraão, este não vacilou, mas obedeceu sem fazer perguntas. À semelhança de Noé, Abraão não tinha nenhuma prova, além da palavra de Deus, que, de fato, chegaria a essa terra que a ele foi prometida. Ele não sabia onde era essa terra, muito menos seu caminho.
O texto diz que o patriarca saiu “sem saber para onde ia”. Somente a palavra de Deus serviu-lhe de bússola e guia naquela longa jornada.

“Pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa" (v. 9).
A fé fez Abraão sair do seu mundo conhecido, e a mesma fé fê-lo chegar ao mundo até então desconhecido para ele. A fé leva-nos a fazer coisas incríveis. Todavia, essa terra ainda não era dele, mas apenas uma promessa. Na verdade, Abraão morava nas promessas de Deus e vivia em Canaã. Ali, ele não passava de um estrangeiro. A fé dizia que essa terra, embora não lhe pertencesse fisicamente, era dele por herança divina. A fé era o único documento que ele tinha de propriedade daquela terra.

“Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (v. 10).
Abraão descansava na fé, mesmo habitando em tendas. O autor põe em relevo a fé de Abraão, que, mesmo sabendo que aquela terra era sua pela promessa de Deus, continuou morando em tendas. E assim o fazia porque sabia que era um nômade e que a sua verdadeira morada era a celeste. A fé tirava seus olhos da terra e colocava-os no céu. Quando a fé não está presente, facilmente miramos para baixo ou para os lados, mas nunca para cima.

“Pela fé, também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido” (v. 11).
O autor sagrado põe Sara na lista da fé, embora o relato de Gênesis 18.12 mostre Sara rindo quando recebeu a promessa de gerar um filho. Ela sabia que já havia passado da idade de tê-lo. Querendo retirar essa aparente dificuldade do texto, alguns comentaristas entendem que o sujeito da frase é Abraão, e não Sara. Dessa forma, o autor estaria se referindo primeiramente ao patriarca, e não a sua esposa, Sara. A Nova Versão Internacional traduziu desta forma: “Pela fé Abraão — e também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade — recebeu poder para gerar um filho”. Fritz Laubach destaca que o autor, com seus olhos espirituais,

"tem capacidade para constatar fé no lugar em que outras pessoas não notam nada. Além disso, temos de considerar ainda outro aspecto: as dificuldades do texto se dissolvem quando entendemos o matrimônio de Abraão com Sara no sentido original conforme a criação, como a união total de duas pessoas segundo corpo, alma e espírito. O que é afirmado sobre Sara vale de modo idêntico para Abraão. Na fé, Abraão e Sara obtiveram a força para gerar descendência, apesar de que isso era humanamente impossível (cf. Rm 4.18-21). Sua fé se atém exclusivamente à promessa e à fidelidade de Deus, não às possibilidades imanentes”.7

“Pelo que também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar" (v. 12).
A palavra "amortecido" traduz o grego “nekrów” e tem o sentido de “considerado como morto”. Paulo usa essa palavra em Colossenses 3.5 no sentido de mortificação da natureza adâmica. Abraão, mesmo amortecido pela idade avançada, foi, pela fé, capaz de gerar descendência. Essa descendência não era apenas física, mas, sobretudo, espiritual (Gl. 3.7-9).

"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (v. 13).
Um fato descrito aqui pelo autor e que vai contra a crença popular é que quem tem promessas morre! Abraão, por exemplo, viu o nascimento de Isaque, mas não viu a promessa da posse da terra de Canaã concretizada. As pessoas as quais o autor acabou de referir-se morreram na fé, sem, contudo, obterem a plenitude das promessas. Deve ser sublinhado que o texto está falando de promessas não apenas no sentido físico, mas, sobretudo, espiritual.

"Porque os que isso dizem claramente mostram que buscam uma pátria” (v. 14).
Aqui, o autor demonstra que não estava se referindo apenas às promessas materiais no versículo 13. Ao aceitar serem peregrinos e estrangeiros em terra alheia, os patriarcas comportaram-se como quem de fato acredita em outra pátria, a Canaã celestial.

“E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar” (v. 15)
O expositor Richard Taylor traduziu esse versículo assim: “E se eles realmente tivessem lembrado daquela (terra) de onde tinham saído, eles teriam tido continuamente a oportunidade de voltar”.8

“Mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade” (v. 16).
Abraão teve a oportunidade de voltar atrás, mas não voltou. O contraste com a geração do êxodo a qual se refere o autor fica evidente. Os israelitas que peregrinaram no deserto tentaram voltar para o Egito por inúmeras vezes. O autor mostra que, da mesma forma que os patriarcas agiram, indo sempre para frente em direção às promessas de Deus, os seus leitores deveriam fazer o mesmo. Eles deveriam também ansiar a pátria melhor, a Canaã celeste, e nunca pensar em voltar atrás.

"Pela fé, ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito" (v. 17).
O verbo grego prosphero, “oferecer”, é um dos termos preferidos do autor de hebreus, ocorrendo 20 vezes no texto. O seu sentido é o de "sacrificar”, “oferecer sacrifícios”. A palavra "testou” (ARA) em vez de “tentou (ARC) traduz melhor o termo grego peirasmos. Aqui, o seu sentido é determinado pelo contexto, que é claramente de uma prova. A fé de Abraão é demonstrada no fato de que o cumprimento das promessas de Deus feitas a ele dependia de um Isaque vivo, e não morto. Muitas vezes, é preciso matar, mesmo simbolicamente, o "Isaque” para que as promessas de Deus sejam cumpridas. Isaque não era filho único de Abraão (havia também Ismael). Todavia, a palavra monogenes, traduzida aqui como “unigênito", quer dizer “único do gênero". Isaque era o filho da promessa, Ismael não.

“Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar” (v. 18).
Todas as promessas de Deus a Abraão estavam em Isaque: “Em Isaque será chamada a tua descendência [...]". A fé de Abraão acreditava que Deus era poderoso para ressuscitar uma promessa, mesmo que esta tivesse morrido.

"E daí também, em figura, ele o recobrou” (v. 19).
Abraão não chegou a sacrificar Isaque, mas, figuradamente, isso aconteceu! Na mente de Abraão, quando Deus pediu Isaque, ele considerou a possibilidade de perdê-lo, mesmo que momentaneamente. Abraão acreditava que, de alguma forma, as promessas de Deus relativas a Isaque seriam cumpridas, mesmo que o Senhor tivesse que o ressuscitar dentre os mortos.

“Pela fé, Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras" (v. 20),
O autor tem o olhar sempre no horizonte quando descreve a fé. Aqui, Isaque — e não Abraão — é o personagem principal. A fé conduziu-o a abençoar seus filhos, Jacó e Esaú, com relação a coisas que só o tempo poderia comprovar sua veracidade. Como abençoou, assim aconteceu. A fé não é míope; ela enxerga longe.

“Pela fé, Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José e adorou encostado à ponta do seu bordão" (v. 21).
O autor sublinha o fato de Jacó estar para morrer quando abençoou os filhos de José. Mesmo acamado, o velho patriarca, em adoração a Deus, proferia uma benção profética. Sem dúvidas, muitas profecias modernas não se cumprem porque são dadas por quem não adora.

“Pela fé, José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel e deu ordem acerca de seus ossos" (v. 22).
José não é conhecido apenas por sua fidelidade, mas também por sua fé. Pela fé, ele faz menção do êxodo quando deu instruções sobre os seus ossos. O que José viu pela fé foi cumprido à risca (Êx 13.19; Js 24.32). A fé enxerga longe e costuma honrar aquele que a exercita.

“Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei" (v. 23).
Uma análise simples do relato de Êxodo não permite enxergar mais do que o cuidado de pais zelosos pelo filho que tinham gerado (Êx 2.2). O autor usa a palavra asteios, traduzido aqui como “formoso”, para justificar esse instinto de proteção materno e paterno. Essa mesma construção grega é usada por Estevão em Atos 7.20, onde significa “agradável a Deus”. F. F. Bruce destaca que “formoso" “significa algo mais que sua condição de beleza. Havia algo na aparência do menino que indicava que não era um menino comum, senão alguém destinado por Deus para fazer grandes coisas".9

"Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó" (v. 24).
A Bíblia não identifica quem era essa princesa que era filha de Faraó. Muitas conjecturas são levantadas, mas não há certeza em nenhuma delas.10  O fato relevante aqui é apontado para a fé de Moisés, que escolheu sofrer como um peregrino do que viver na luxuosa vida dos faraós. A fé tirou-o do palácio para colocá-lo no deserto. Todavia, essa mesma fé não o deixou lá. Ela levou Moisés para o centro da vontade de Deus, que era livrar o seu povo da escravidão do Egito.

“Escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado" (v. 25).
O autor sublinha o fato da escolha feita por Moisés. Nesse texto, o termo helomenos tem o sentido de “tendo escolhido”. Esse mesmo vocábulo é usado por Paulo para retratar seu dilema de escolher entre partir para estar com Cristo na eternidade ou ficar na igreja (Fp 1.22). O autor quer sublinhar o dilema que Moisés tinha diante de si — duas opções, mas ele teria somente uma para escolher. Aparentemente, a mais vantajosa seria aquela que o faria permanecer no palácio em vez da outra, que o expulsava de lá. A fé fez Moisés escolher a que contemplava a eternidade.

"Tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa" (v. 26).
Nessa passagem, o contraste é entre "riquezas" e "vitupério". Moisés fez uma escolha entre viver "honrado” ou "desonrado”. Viver no palácio era viver no luxo, no glamour. Em contrapartida, ficar do lado dos cativos era ser exposto ao desprezo. Mas a fé não vê o que é imediato; ela vê o longe. Aqui, Moisés não viu os luxuosos palácios faraônicos, mas, sim, o rude monte Calvário.

“Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”(v. 27).
Viver pela fé envolve desafios. Muitas vezes, significa remar contra a correnteza. Outras vezes, significa conquistar muitos inimigos. No entanto, nada disso abalou Moisés — ele lançou-se nos braços da fé porque conseguia ver o que ninguém via. Ele via a Cristo.

"Pela fé, celebrou a Páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse" (v. 28).
O ritual da Páscoa está registrado em Êxodo 12. A Páscoa apontava para Cristo. O cordeiro deveria ser sem defeito (Êx 12.5); o sangue deveria ser posto do lado de fora, nas umbreiras, para proteger quem estivesse dentro, só há segurança para quem está na Igreja, em Cristo (Êx 12.7). A Páscoa deveria ser realizada com pães ázimos, isto é, sem fermento (Êx 12.8), pois o fermento incha! A vida cristã não pode ter inchaços. Fazia parte do ritual da Páscoa a presença de ervas amargas (Êx 12.8). A vida cristã não é só prosperidade, mas também adversidades. Em muitos momentos da vida, para manter-se o testemunho cristão, é necessário comer ervas amargas. O cordeiro deveria ser comido assado (Êx 12.9-10). A vida do cristão não pode ser “cozinhada”, nem tampouco “crua”, mas queimada com fogo (Mt 3.11; At 2.3). Nada da Páscoa podia ser usado para outros fins (Êx 12.10). A vida do crente é consagrada a Cristo e não deve ser usada para fins profanos.

“Pela fé, passaram o mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram” (v. 29).
A fé cria desertos dentro d´água. Às vezes, constrói pontes onde não há nenhuma (Mt 14.29).

"Pela fé, caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias” (v. 30).
Aqui, o autor põe em destaque a fé de Josué. Os capítulos 1 a 7 do livro de Josué revelam essa grande façanha conquistada pela fé. Primeiramente, vemos que os homens passam, mas Deus continua o mesmo (Js 1.1,2); conquistas futuras são determinadas por decisões tomadas no passado (Js 1.2-7); mais importante do que manusear uma espada é o manuseio da Palavra (Js 1.7-9); conflitos e guerras não são para amadores, mas para pessoas treinadas, habilitadas (Js 1.14); nenhuma fortaleza é conquistada sem antes ser conhecida (Js 2.1); se Deus estiver atrás, não importa quem está na frente (Js 3.1-3); antes da bênção, deve vir a consagração (Js 3.5, 15,16); devemos levar sobre os ombros somente "pedras” de gratidão (Js 5.5-7); se não cortarmos a própria carne, não há livramento completo (Js 5.1 -9); devemos manter nossos olhos no céu, mas sem esquecer que temos nossa missão aqui na terra (Js 5.11-12); quando Deus está no comando, ganha-se até no "grito” (Js 6.1-6); devemos aprender que não há explicação para o inexplicável (Js 6.14-16); quem se cobre com o manto do pecado ficará descoberto depois (Js 6.17; 7.21).

“Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias” (v. 31).
A fé transformou Raabe, a meretriz, em uma filha de Deus. E mais: de Raabe, vem a linhagem do Messias. Ela casou-se com Salmom e deu à luz Boaz, bisavô de Davi. Dessa forma, Raabe tornou-se da linhagem de Jesus.

“E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel, e dos profetas" (v. 32).
O autor coloca outros homens do Antigo Testamento na galeria da fé: Gideão, que, com seus 300 homens, derrotou os midianitas; Baraque, que, juntamente com Débora, deu grande livramento a Israel; Sansão, que, com sua força extraordinária, proveu grandes livramentos a seu povo; Jefté, que, mesmo tendo feito um voto precipitado, transformou-se num hábil guerreiro; Davi, o estrategista militar por excelência e o homem segundo o coração de Deus; Samuel, o último dos juízes e um profeta respeitado entre seu povo. Por fim, o autor cita os profetas nessa galeria que fizeram coisas estrondosas por meio da fé.

“Os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões" (v. 33).
Aqui, o autor não é específico em sua citação. A vitória sobre reinos pode ser a conquista da terra de Canaã sob a liderança de Josué ou as muitas vitórias de Davi. A prática da justiça é muito comum nos profetas que exigiam dos reis uma maior atenção ao desamparado. Alguém observou que 60% das profecias do Antigo Testamento estão relacionadas com a justiça social. Eles também alcançaram as promessas.

“Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos" (v. 34).
A citação sobre o fogo é, provavelmente, extraída de Daniel 3.1-30. A referência à espada não é tão especifica. Pode ser uma referência ao profeta Elias, que escapou da espada de Jezabel (1 Rs 19.2-8), ou ao profeta Jeremias (Jr 36,19,26). As vitórias nas batalhas não são fáceis de precisar. Há muitos eventos no Antigo Testamento que podem ser identificados dentro da descrição do autor.

“As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição" (v. 35).
A referência à ressurreição é perfeitamente identificada com a viúva de Sarepta (1 Rs 17.17-24) e a Sunamita (2 Rs 4.25-37). Outros foram torturados por sua fé.

“E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões" (v. 36).
Bruce vê aqui uma referência ao profeta Jeremias (Jr 20.2; 20.7; 37.15). O homem que viu a promessa da chegada da Nova Aliança (Jr 31) deve servir de exemplo àqueles que agora viviam esse novo pacto.

“Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (v. 37).
As citações são genéricas, mas é possível identificar aqui o apedrejamento de Zacarias (2 Cr 24.20,22; Mt 23.35). C. S. Keener entende que o autor está aludindo aqui a tradição na qual se afirma que o profeta Isaías fora cerrado ao meio.11  É possível associar os vestidos de pelo de cabra ao profeta Elias. O expositor Richard Taylor observou que

"a fé em tempos prósperos logo desaparece diante do assalto violento das tempestades que abalam a alma. Se a fé é relevante somente para ser feliz e próspera neste mundo, ela não passa de uma muleta débil e inútil de um mundanismo egoísta. A verdadeira fé cristã, por outro lado, encontra seu maior triunfo, não nos feitos visíveis, mas numa confiança e equilíbrio interior quando não existem circunstâncias encorajadoras. A fé mais brilhante é uma fé que é brilhante quando o certo é derrotado e o errado está no trono, quando a vida parece completamente irracional".12

"(homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra” (v. 38).
Esses heróis, dos quais o mundo não era merecedor, que deveriam ser honrados, reconhecidos, viveram como errantes no mundo. Todavia, aceitaram viver uma vida à margem da sociedade do que perder as promessas de Deus.

“E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa" (v. 39).
A promessa não alcançada aqui é a mesma que os crentes judeus deveriam aguardar. Os crentes da Antiga Aliança morreram por ela, e os da Nova devem fazer o mesmo.

"Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados" (v. 40).
Eles viveram na fé, porém na sombra das promessas. Os crentes da Nova Aliança vivem já a realidade dessa promessa com a morte, ressurreição, glorificação de Cristo e o consequente derramamento do Espírito Santo. O termo grego teleioô, traduzido aqui como aperfeiçoar, tem o sentido de alcançar o alvo ou objetivo. Para o autor, só existe um povo de Deus ou igreja, constituída pelos santos da Antiga e Nova aliança. Quando todo o povo de Deus estiver junto, então o alvo foi alcançado. Adam Clarke comenta: "Posto que o evangelho é a última dispensação, os fiéis das dispensações anteriores não podem ser concluídos (aperfeiçoados), mesmo na glória, senão até que a igreja chegue aos céus dos céus”.13


A confiança em Deus nos dá poder para avançar e vencer os obstáculos.

Notas
1 Na carta aos Hebreus, ao contrário do que afirmam muitos mestres modernos, a fé não aparece como uma lei a ser aprendida ou dominada. Antes, a fé é vista na esfera relacional entre Deus e os homens que ousaram acreditar nEle e em sua Palavra, e, dessa forma, obtiveram a concretização das suas promessas.
2 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento. Editora Vida Nova, São Paulo.
3 Uma tradução livre mostra que a fé é a certeza, a garantia das coisas que estamos esperando e a evidência, a prova concreta que teremos aquilo que não estamos vendo.
4 ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento. Vida Nova.
5 HEGNER, Donald. Hebreus - novo comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
6 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento. Editora Vida Nova, São Paulo.
7 LAUBACH, Fritz. Hebreus - comentário bíblico esperança. Editora Esperança.
8 TAYLOR, Richard. Hebreus - comentário bíblico Beacon. CPAD, Rio de Janeiro.
9 BRUCE. F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio. Grand Rapids, Michigan, EUA.
10 F. F. Bruce destaca que "não temos nenhum meio de identificar esta princesa. Uma tradição encontrada no livro dos Jubileus 47.5 e em Josefo (Antiguidades II. 224ss, a chama de Tharmuth ou Thermuthis (uma filha de Ramsés II, cerca de 1290-1225 a.C. Outra atestada por Arabanus (Eusébio, Preparação IX 27) chama-a Merris (de Meri, uma filha de Ramsés II e sua esposa hitita, que, sem dúvida, com toda probabilidade, era mais jovem que o mesmo Moisés). Alguns escritores de épocas mais recentes têm julgado, com a ideia improvável, de que poderia ser Hatshepsut (Cerca de 1500 a.C), princesa e rainha regente da décima oitava Dinastia, filha de Tutmosis I (assim J. Feather, "A Princesa que resgatou Moisés: quem era ela?" ExT xliii (1931-32), pp. 423ss., C. Marston, A Disse a Verdade, [Londres, 1934], pp. L 79s.). É provável que seu pai foi um rei primitivo da décima nona Dinastia (cerca de 1300 a.C.); mais que isso não podermos dizer” (BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio).
11 KEENER, C. S. Comentário dei Contexto Cultural de la Biblia. Editora Mundo Hispano.
12 TAYLOR, Richard. Comentário Bilbico Beacon. CPAD.
13 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Biblia. Tomo 111. Casa Nazarena de Publicaciones, Lenexa, Kansas, EUA.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves

Aqui eu Aprendi!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...