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sexta-feira, 5 de maio de 2017

Arqueólogos acham novas evidências da Torre de Babel

Museu Smithsonian apresenta na TV achado de peça do Iraque

Uma tabuleta de pedra, com mais de 2.500 anos, que fala sobre a Torre de Babel foi encontrada no Iraque. Ela faz parte de uma coleção particular, pertence ao empresário norueguês Martin Schøyen, que possui um acervo de mais de 13.000 manuscritos e peças antigas. 

O professor Andrew George, do Instituto Smithsonian, uma das instituições mais respeitadas do mundo no estudo de antiguidades, apresentou esta semana o material pela primeira vez.

Ele foi objeto de um programa de TV produzido pelo Canal do museu

O arqueólogo escreveu em 2011 o livro “Inscrições Cuneiformes dos Reis”, onde analisa o material da coleção de Schøyen. A tabuleta contém um desenho do rei Nabucodonosor II, que governou Babilônia há 2.500 anos, ao lado de um enorme zigurate – estrutura piramidal, que era dedicada ao deus Marduk.

O texto que acompanha a figura menciona a “torre”, que os estudiosos acreditam ser uma referência inequívoca à Torre de Babel descrita na Bíblia. O mais provável é que Nabucodonosor II tenha restaurado ou reconstruído uma torre com os sete andares mostrados no desenho e uma grande escadaria. No topo, um local usado para observação das estrelas e realização de cerimônias religiosas.

Essa representação de Nabucodonosor é uma das quatro únicas no mundo. O professor George explica que as outros estão esculpidas em falésias no Líbano, em Wadi Brisa e em Shir es-Sanam. Destaca também que, dentre todas, a representação mais nítida está na tabuleta.

As ruínas de Babel se encontram em Hillah, no Iraque, cerca de 100 quilômetros ao sul de Bagdá. Há um sítio arqueológico que inclui um grande número de estruturas de edifícios. Foi encontrado o alicerce de um gigantesco zigurate. 


Contudo, os relatos por escrito sobre o local são raros. A tabuleta apresentada por Andrew George é a única conhecida com uma representação gráfica. Durante muito tempo pesquisadores usaram esse argumento para afirmar que o relato bíblico seria apenas uma “lenda”. 

Contudo, uma tabuleta de argila com escrita cuneiforme –  datada de 2500 a. C. – foi encontrada no Iraque e traduzida em 1872. Ela traz um relato controvertido que parece ser um paralelo à história bíblica da Torre de Babel: “…seu coração se tornou mal… Babilônia submeteu os pequenos e os grandes. Ele (uma divindade) confundiu seus idiomas… o seu lugar forte, que por muitos dias eles edificaram, numa só noite ele trouxe abaixo.” 

Outro texto cuneiforme, produzido em cerca de 2200 a. C. e publicado em 1968, faz menção de uma época em que havia “harmonia de idiomas em toda Suméria” e os cidadãos “adoravam ao deus Enlil numa só língua… o deus Enki, senhor da abundância… e o líder dos deuses… mudou a linguagem na sua boca e trouxe confusão a eles. Até então, a linguagem dos homens era apenas uma.”

O texto de Gênesis 11 fala sobre uma torre construída pelos descendentes de Noé, com a intenção de eternizar seus nomes. Sua pretensão é que ela fosse tão alta que alcançasse o céu.

Isso foi visto como uma afronta por Deus que, para castigá-los, confundiu as suas línguas e os espalhou por toda a Terra.

Fonte: GospelPrime
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

A origem da diversidade cultural da humanidade - Livro de Gênesis

[...] Eis que o povo é um, e todos têm uma mesma língua; e isto é o que começam a fazer; e, agora, não haverá restrição para tudo o que eles intentarem fazer” Gn 11.6


O capítulo 11 de Gênesis expõe a história de Babel, concluindo todos os relatos pré-abraâmicos. Além de encerrar a série de narrativas das origens, a história de Babel leva o leitor diretamente para a narrativa de Abraão e a conseqüente à formação do povo de Deus. A história de Babel tem como um de seus intuitos apresentar o ambiente pagão e politeísta do nosso pai na fé, Abraão.
Gênesis 11 mostra que a confusão do idioma, quando Deus decidiu confundir as línguas da humanidade, ocorreu na quarta geração pós-diluviana. O propósito por trás do relato da Torre de Babel está paralelamente ligado ao mesmo propósito da narrativa de Adão e Eva em Gênesis 3: mostrar a busca pela própria autonomia e usurpar a glória de Deus. O povo de Babel tinha o propósito de transcender às limitações humanas. Queria mostrar que não dependia do auxílio de Deus, pois buscava a glória humana, e não a divina. Isso fica claro quando fazemos uma comparação da Torre de Babel com o Dia de Pentecoste (At 2):



A Torre de Babel representa a eterna tentativa do ser humano em ser autônomo, ser independente e dono do seu próprio destino. Mas o texto deixa claro que quando o ser humano porfia por esse caminho, ele entra pelo caminho da morte, da rebelião contra a vontade de Deus. De outro modo, o Dia de Pentecoste representa o ideal de Deus, por intermédio da Igreja, o Corpo de Cristo, em viver uma comunhão verdadeira e uma vida que faça sentido para o ser humano. A Torre de Babel é a tentativa da emancipação do homem por si mesmo; o Dia de Pentecoste é Deus, por intermédio do Espírito Santo, emancipando o ser humano. Revista Ensinador Cristão nº64-pg.41

Apesar da multiplicidade de línguas e dialetos, decorrente da confusão de Babel, o Evangelho de Cristo pode ser perfeitamente entendido em todos os idiomas e culturas.


Neste estudo veremos que um dos fatores que contribuíram para que a depravação da humanidade viesse a crescer de forma vertiginosa foi o monolinguismo. A Terra havia sido purificada pelas águas do dilúvio, mas a semente do pecado estava em Noé e em seus descendentes. Não demorou muito para que o pecado se alastrasse novamente. Já que não havia impedimento quanto a língua, os homens cheios de soberba, e com um espírito de rebelião se unem para fazer um monumento que seria símbolo da sua empáfia. Deus não estava preocupado com a construção ou com o tamanho da torre, mas com a arrogância que dominava, mais uma vez o coração do homem. O Senhor abomina a altivez, o orgulho (Pv 6.17). Que venhamos guardar os nossos corações destes sentimentos tão nefastos.

Gênesis 11.1-9 - Torre de Babel, um monumento à soberba humana

INTRODUÇÃO
Só no Brasil, são falados, além do português, 187 idiomas. Alguns, por 11 pessoas; outros, por apenas duas. Tais números tendem a crescer se levarmos em conta as etnias ainda não contatadas. Num único país, já temos uma formidável Babel.

No mundo todo, segundo a Enciclopédia Ethnologue, há 6.912 línguas e dialetos. A mesma fonte acrescenta que, nas regiões da Ásia e do Pacífico, há mais de 300 unidades linguísticas ainda não catalogadas. Boa parte desses idiomas terá uma existência bastante efêmera. Alguns não demorarão a ser extintos; outros, sufocados, perderão a identidade.
Qual a origem da diversidade linguística e cultural da humanidade? Em Gênesis, Moisés narra como a civilização, a princípio monologuista e monocultural, veio a dividir-se em idiomas, dialetos e falares. Multiplicando-se a língua, subdividiu-se a cultura dos filhos de Noé.

I. A APOSTASIA DE CAM E A SEDIÇÃO DE CANAÃ
No capítulo anterior, vimos como a família de Noé acabou por dividir-se por causa da irreverência de Cam. À primeira vista, o fato mais parecia uma comédia de mau gosto. Aquele deboche, porém, viria a revelar o pecado que reinava no coração de Cam e já imperava na alma de Canaã, seu filho. O que era apostasia pessoal desdobra-se, agora, numa sedição coletiva.

1. A sedição de Canaã. Em toda a narrativa bíblica, devemos observar não somente o que diz o autor sagrado como também o que ele deixou de dizer. Alentemos à sedição de Canaã que, embora não declarada, foi ganhando corpo ao longo da História Sagrada. A partir do ignominioso episódio da embriaguez de Noé, pôs-se Canaã a aliciar a sua geração, levando-a a rejeitar a cultura divina que o patriarca buscava implantar na nova civilização.
À semelhança de Lameque, Canaã leva a segunda civilização a revoltar-se contra Deus. Sua influência foi tão poderosa que, em pouco tempo, induz a todos à incredulidade, à desobediência, à arrogância e ao ateísmo.

2. A incredulidade generaliza-se. Deus havia garantido àquela gente que não mais destruiria a terra através de um novo dilúvio. Iniciada alguma chuva, erguiam-se de imediato as cores de sua aliança, arquejando os hemisférios. Logo, qual a utilidade de uma torre, cujo topo arranhasse o céu?
Cidades e torres seriam construídas aos milhares desde então. Todavia, os discípulos de Canaã não intentavam erguer uma cidade, ou uma simples torre; porfiavam por um monumento contra Deus. Nessa metrópole, cujo epicentro seria pontificado por um zigurate, haveriam de se apinhar, impedindo o repovoamento e a lavratura do planeta.
Aquela geração não mais confiava em Deus. Seduzida já por Canaã, é tomada por um pavor mórbido de outra inundação. E, receando ser espalhada, rejeita coletivamente os desígnios que o Senhor lhe reservara. Juntos, supunham-se mui seguros; dispersos, imaginavam-se insulados, fracos e vulneráveis.
Era plano de Deus que os varões, deixando a casa paterna, constituíssem novas famílias. Desdobrar-se-iam estas em tribos, nações e povos. Todavia, isso somente seria possível se as novas unidades domésticas se propusessem a ocupar os continentes e ilhas. O Senhor buscava pioneiros e empreendedores. Logo, não há civilizações sem desafios e aventuras.

3. A desobediência espalha-se. Canaã possuía um excelente marketing. Sabia mentir, e tanto mentiu, que a sua mentira veio a fazer-se verdade aos ouvidos rebeldes. Dentro em pouco, ninguém mais ousava aventurar-se por terras estranhas, a fim de iniciar uma nova tribo, nação ou povo. O pecado daquela geração até que não parecia grave. Se todos buscam concentrar-se num só lugar, que mal pode haver nisso? Num primeiro momento, nenhum. Todavia, tal postura quebrantava o mandamento que o Senhor confiara a Adão, e, depois, a Noé. Talvez os filhos de Sem, Jafé e Cam ainda não soubessem que a confinação poderia ser-lhes fatal. A concentração urbana gera licenciosidade, violência, injustiça social e tirania.

4. Arrogância virulenta. No início da segunda civilização, apenas dois eram os desobedientes e revoltosos. Mas a apostasia de Cam e a sedição de Canaã não demoraram a espalhar-se entre os filhos de Sem e Jafé. O problema, agora, não era mais a violência, nem a promiscuidade sexual; era algo pior: o orgulho. Os descendentes de Noé construiriam uma torre, visando uma única coisa a perpetuação de seu nome. Por isso, desabrem-se arrogantemente: "Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra" (Gn 11.4). A soberba adora monumentos. Faraó ergueu as pirâmides. Nabucodonosor, os jardins suspensos. Nero, a nova Roma. Quanto aos governantes atuais, constroem grandes edifícios, mas são incapazes de estender, aos mais pobres, serviços tão básicos e mínimos como redes de água e esgoto. O soberbo pode não se preocupar com a sua descendência, mas faz questão de erguer pelo menos um monumento. Haja vista Absalão, filho de Davi (2Sm 18.18). Não sei a que altura Babel alcançou. De uma coisa, porém, estou certo: não era maior do que o ego daquela geração que se punha contra o Senhor.

5. Ateísmo, a nova religião. Tomados já pela soberba, os descendentes de Noé punham-se, agora, aberta e declaradamente contra Deus. Rejeitando o governo divino, optavam por uma governança humana. Não lhes interessava mais o Reino do Céu, mas o império da Terra. Fizeram-se ateus não por que desacreditassem do Criador, mas por se voltarem à criatura.

II. A CIVILIZAÇÃO MONOLINGUISTA
Já imaginou se toda a humanidade falasse alemão no período da Segunda Guerra Mundial? Providencialmente, havia muita gente, no século passado, pensando contrariamente a Hitler noutros idiomas e dialetos. Assim, puderam os homens livres congregar-se, a fim de preservar as conquistas da civilização.

1. Vantagens do monolinguismo. Quando viajo aos Estados Unidos sinto-me um pouco frustrado: “Por que todo mundo fala inglês, menos eu”. Aliás, até os alienígenas dominam o bendito idioma de Shakespeare. Nos filmes de ficção cientifica, os exploradores americanos deixam a galáxia, não se assustam com os buracos de minhoca, ignoram os vórtices temporais, e, no outro lado do Universo, a centenas de anos luz da Terra, encontram um alienígena que fala perfeitamente o inglês. Quanto a mim, tenho de contentar-me com uma comunicação monossilábica com os falantes da língua inglesa.

Já imaginou se todos falassem um único idioma? Não precisaríamos de interpretes, nem de tradutores para falar de Cristo aos alemães, chineses e belgas. Inexistindo barreiras idiomáticas, sentir-nos-íamos mais irmanados. A comunicação com os africanos e asiáticos fluiria como fluem os rios que cortam ambos os continentes. O conhecimento poderia ser transmitido com eficácia sem os perigos que representam as traduções apressadas e temerárias. Mas Deus, a fim de preservar a espécie humana, adiou por bem confundir-nos a língua, para que o caos não fosse maior.

2. Desvantagens do monolinguismo. Canaã não precisou de muito para induzir a nascente civilização à apostasia. Já que todos falavam a mesma língua e moravam num só lugar, compartilhando iguais costumes, foi-lhe relativamente fácil desviar os filhos de Sem e Jafé.
A ordem divina era que, espalhando-se todos, viessem a ocupar toda a terra Canaã, porém, queria ajuntar a todos em torno de uma torre, símbolo de sua tirania. O que ele pretendia, na verdade, era instaurar uma ordem mundial, cuja essência era o ateísmo. Ninguém podia negar a existência de Deus, pois a presença divina era ainda bem forte nos resquícios da arca e nos testemunhos de Sem e Jafé. Talvez o próprio Noé ainda vivesse quando do episódio de Babel. Se não podiam negar-lhe a existência, contra Ele colocaram-se abertamente.

3. O idioma dos antigos. Ao contrário do que muita gente imagina, o idioma de Adão e Eva não era o hebraico.
Aliás, a língua oficial de Israel nem existia quando Noé saiu da arca. Segundo depreendo do texto sagrado, nem o próprio Abraão falava a língua hebreia. Sendo o patriarca arameu, é de se supor que, ao deixar a sua terra, falava ele o mais puro aramaico (Dt 26.5). Mas, no decorrer do tempo, seus descendentes foram paulatinamente modificando o idioma de Ur, até que, no cativeiro egípcio, deu-se a formação do hebraico como hoje conhecemos.

O primeiro idioma humano foi um presente divino. Nos diálogos que o Senhor mantinha com Adão, na viração daqueles dias e noites, foi o homem aprendendo como se expressar. Primeiro deu ele nome aos animais; depois, à sua mulher. Dali em diante, não lhe foi difícil narrar suas experiências e expressar-se em proposições teológicas. No episódio da queda, o homem já possuía um vocabulário suficiente até para desculpar-se diante do Senhor. Do primeiro idioma humano, devemos ter apenas alguns indícios raros e bem longínquos. Que era perfeito e belo, não há dúvida, pois Adão e seus filhos não proseavam; expressavam-se em poesia. Num poema, Adão recebeu Eva, sua mulher. Eva, em versos, abraçou o primogênito como dádiva de Deus. Metrificando sua irritação, Caim demonstra todo o seu ódio contra Abel. A linguagem humana era linda e perfeita até mesmo na boca assassina de Lameque.
Mas o que era poético estava prestes a tornar-se prosaico e corriqueiro em decorrência da soberba dos filhos de Noé.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
*A Torre de Babel 
“Como a humanidade, descendendo novamente de uma única família, tornou-se tão dividida? A história da Torre de Babel explica. Deus introduziu idiomas que dividem o povo como um ato de julgamento quando os descendentes de Noé tentaram arrogantemente alcançar os céus.
O capítulo 11 de Gênesis nos mostra os descendentes de Sem, a linhagem da qual surgiram Abrão e, em última análise, Cristo.”
Para conhecer mais leia Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p.31.

“Façamos uma torre cujo cimo atinja os céus”, quadro de Hendrick III van Cleve (1525-1589).


III. A CONSTRUÇÃO DE BABEL
Até hoje, o Burj Khalifa é o edifício mais alto do mundo. Localizado em Dubai e medindo 828 metros de altura, o prédio é o símbolo da moderna engenharia. Conhecido como a Torre do Califa, o prédio assoberba-se num dos centros mais valorizados do mundo. Não acredito que a torre de Babel chegasse a essas alturas, pois os arquitetos da época, apesar de sua audácia e perícia, ainda não possuíam recursos técnicos e materiais para uma construção tão arrojada. Todavia, Babel era alta o bastante para provocar a ira de Deus.

1. A engenharia pós-diluviana. Qual a altura da atmosfera terrestre? O que sabemos é que o oxigênio só começa a ficar respirável abaixo de 11 quilômetros. Deduz-se, pois, que ninguém haveria de vislumbrar um edifício de 11 mil metros de altura. Os antigos também sabiam disso, pois eram inteligentes, argutos e cautos. Doutra forma, jamais teriam descoberto novos continentes, povoado a terra e dominado tantas ciências e artes. Aliás, eram eles mais inteligentes que nós. Se hoje, sabemos mais do que eles, é porque olhamos o mundo a partir de seus ombros.

Se eles eram tão inteligentes, por que ousaram descrever uma torre, cujo topo alcançasse os céus? Eis o que eles disseram “Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn 11.4). Acaso não sabiam das impossibilidades técnicas de se construir um edifício de cinco, seis ou 10 mil metros de altura?
E claro que sabiam. Nós também o sabemos. Entretanto, quando erguemos um prédio alto e avantajado, chamamo-lo de arranha-céu. Aquela gente não era estúpida nem tola, como o próprio Deus reconhece: “Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” (Gn 11.6). A humanidade é capaz inclusive de fazer o seu ninho entre as letras.

2. Uma cidade à prova d’água. Em linhas gerais, este era o projeto arquitetônico dos filhos e netos de Noé: “Vinde, façamos tijolos e queimemo-los bem. Os tijolos serviram-lhes de pedra, e o betume, de argamassa. Disseram: Vinde, edifiquemos para nós uma cidade e uma torre cujo tope chegue até aos céus e tornemos célebre o nosso nome, para que não sejamos espalhados por toda a terra” (Gn 11.3,4).
A metrópole seria edificada com tijolos bem queimados e amarrados, entre si, por uma argamassa de betume. O que eles buscavam era uma cidade à prova d’água. Se houvesse outro dilúvio, estariam eles a salvo naquele centro urbano. E, caso este viesse a ser inundado, correriam todos à torre, onde, segundo imaginavam, estariam a salvo.

Todo esse complexo era alicerçado por uma filosofia deletéria e antagônica a Deus: concentrar a todos num só lugar, substituir a religião divina por um culto antropocêntrico e favorecer a ascensão do império do Anticristo. O Senhor Jesus ainda não havia nascido, mas já havia uma forte oposição à sua presença entre os filhos dos homens.
Parece que a nova geração desconhecia os efeitos do Dilúvio. Se o Senhor quisesse destruir a terra através de outra inundação, ninguém haveria de segurar o ímpeto de suas águas.

3. O primeiro ídolo humano. Até este momento, ainda não se tinha notícia de ídolos de barro, de pedra ou de metais. O ídolo do homem era o próprio homem. Mas eis que o ser humano ergue o seu primeiro deus. A torre que serviria para confinar os filhos de Noé haveria de conduzi-los a uma virulenta idolatria. Dessa forma, a sedição de Canaã seria mais deletéria que a de Lameque. Se isso ocorresse, não haveria mais um justo como Noé para assegurar, diante de Deus, a continuidade da espécie humana. A engenharia está intimamente associada à idolatria. Torres, zigurates, pirâmides e templos, tanto ontem quanto hoje, têm levado os homens a materializar o seu orgulho e soberba. Aliás, até o Santo Templo veio a fazer-se armadilha a Israel (Jr 7.4). Por isso mesmo, Deus não habita em templos feitos por mãos humanas, mas escolhe um coração humilhado e contrito para ai residir (Atos 17.24; Is 57.15).


O bem preservado zigurate de Ur (Templo da Lua), no Iraque. Essa construção foi a primeira do tipo a ser descoberta e teria sido erguida entre 2113 e 2096 a.C. por ordem do rei sumério Ur-Nammu. Detêm 21 metros de altura por 62,5 x 43 metros em suas bases. Fotografia: Josh McFall, 26.07.2005 / Fonte: Museu de Imagens.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
*ZIGURATE 
O zigurate era uma espécie de templo construído pelos assírios, babilônios e sumérios, povos da Antiga Mesopotâmia. Esta construção tinha o formato de uma pirâmide, porém com a presença de espécies de degraus.
Os zigurates possuíam de 3 a 6 andares. Eram construídos de pedra ou de tijolos cozidos ao Sol. A entrada era feita através do topo do templo, sendo que o acesso ocorria através de uma rampa espiralada, construída nas paredes externas do zigurate. Sua função religiosa era muito importante, pois os antigos mesopotâmicos acreditavam que os zigurates serviam de morada para os deuses. Através destas construções, acreditavam que os deuses estariam mais perto da sociedade. Logo, somente os sacerdotes poderiam acessar as partes internas do zigurate. (SuaPesquisa.com)

Apesar da semelhança com as pirâmides do Egito, sua estrutura interna e finalidade são bem distintas: os zigurates não possuem câmaras internas e são templos religiosos destinados à moradia dos deuses – diferentemente da complexa estrutura das pirâmides e destinação mortuária. “Nas cidades mesopotâmicas, as construções mais importantes eram as ligadas às grandes instituições, ao templo e ao rei. Sendo a moradia da divindade tutelar da cidade, o templo era o símbolo central do bem-estar local e, em geral, a estrutura mais alta. Os reis reformavam e reconstruíam os templos dos centros religiosos importantes como sinal da aprovação divina”. (Dominic Rathbone - História Ilustrada do Mundo Antigo,2011, p.118)

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"A história nos conta que, em assembleia, os novos habitantes de Sinar tomaram uma decisão totalmente fora da vontade de Deus. O propósito da ação é claro. Queriam fama (Gn 11.4). E desejavam segurança: 'Para que não sejamos espalhados sobre a face de toda a terra'. Ambas as metas seriam alcançadas somente pelo empreendimento humano. Não há dúvida sobre a ingenuidade das pessoas. Não tendo pedras, fabricaram tijolos de barro e depois queimaram bem. Viram a utilidade do betume abundante na área e o usaram como argamassa.
O interesse principal desse povo não estava numa torre, embora também houvesse a construção de uma cidade. A torre ia alcançar os céus. Nada é dito sobre um templo no topo da torre, por isso não está claro se a torre era como os zigurates que houve mais tarde na Babilônia.
O paganismo está indiretamente envolvido nesta história, pois havia um ímpeto construtivo em direção ao céu e o único verdadeiro Deus foi definitivamente omitido de todo planejamento e de todas as etapas. Mas Deus não estava inativo. O julgamento de Deus logo veio. Para demonstrar que a unidade humana era superficial sem Deus, Ele introduziu confusão de som na língua humana. Imediatamente estabeleceu-se o caos. O grande projeto foi abandonado e a sociedade unida, sem temor de Deus, foi despedaçada em segmentos confusos. Em hebraico, um jogo de palavras no versículo 9 é pungente. Babel significa 'confusão' e a diversidade de línguas resultou em balbucis ou fala ininteligível" (Comentário Bíblico Beacon. Vol 1. 1.ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2005, p. 55). 



IV. A PRONTA INTERVENÇÃO DE DEUS
Não sabemos em que ponto da empreitada de Babel interveio o Senhor. Talvez seus alicerces já houvessem sido lançados. Ou, quem sabe, os tijolos já começassem a ganhar os contornos de uma torre. O certo é que é o Senhor, intervindo a tempo, evitou que a segunda civilização experimentasse o mesmo destino da primeira.

1. A torre que Deus não viu. Narra o autor sagrado que o Senhor “desceu para ver a cidade e a torre, que os filhos dos homens edificavam” (Gn 11.5). Nesta passagem, há uma ironia fina e quase imperceptível. Apesar de os descendentes de Noé estarem construindo um arranha-céu, Deus precisou descer para vê-lo. Assim são os nossos projetos. Aos nossos olhos, tão altos e sublimes; aos de Deus, pequenos e desprezíveis.
Desde então, os homens pouco aprenderam, pois imaginam que seus monumentos são capazes de lhe garantir a vida eterna. O que dizer das pirâmides? Conta-se que Napoleão, ao contemplá-las teria declarado às suas tropas: “Soldados, do alto daquelas pirâmides quarenta séculos vos contemplam”. Ainda que se avultem perenes, não subsistirão para sempre. Um dia serão apenas pó e cinza. Pobre Babel! Mais que uma torre, um símbolo da rebeldia humana contra o Senhor.

2. A confusão que trouxe ordem. Já resolvido a paralisar a construção da torre, decreta o Senhor: “Eis que o povo é um, e todos têm a mesma linguagem Isto é apenas o começo; agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer. Vinde, desçamos e confundamos ali a sua linguagem, para que um não entenda a linguagem de outro” (Gn 11.6,7).
Dessa forma, foram aqueles clãs dispersos por toda a terra. Agrupando-se de acordo com a sua identidade linguística, parte dos camitas deteve-se nas terras que o Senhor daria a Israel; a maior parte deles, todavia, foi parar na África. Os semitas espalharam-se pela Asia. Quanto aos jafetistas, encetaram uma grande caminhada em direção à Europa. No decorrer dos séculos, esses clãs, forçados por êxodos e imigrações, ditaram às ilhas mais distantes e ao Artico.
A diversidade linguística acentuaria não só o distanciamento geográfico entre os clãs, mas também o cultural. Nem a globalização foi capaz de eliminar tais compartimentos. No Evangelho de Cristo, porém, irmanamo-nos, transcendendo barreiras linguísticas e culturais.

3. Removido o perigo de extinção. Se a humanidade fosse confinada em Sinear, falando todos uma só língua, em torno de um único líder, acredito que a linhagem adâmica já teria desaparecido. Nossa reserva genética acabaria por estreitar-se de tal forma que, em poucas gerações, nos levaria à extinção.
Deus é sábio em todos os seus caminhos. A ordem de povoar a Terra, inicialmente dada a Adão, e, depois, confiada a Noé, tinha como objetivo guardar a humanidade de si mesma. A concentração urbana vem mostrando-se uma tragédia. Nesses conglomerados, multiplicam-se as enfermidades, conflitos e males espirituais. Em caso de catástrofes, as consequências ganham contornos apocalípticos.

CONCLUSÃO
A humanidade, com a dispersão de Babel, veio a ocupar, progressivamente, os mais distantes continentes e as ilhas mais desconhecidas. Desde então, idiomas e dialetos vêm-se multiplicando. Línguas nascem e morrem, culturas sedimentam-se; erguem-se fronteiras e derrubam-se fronteiras.
Não obstante toda essa diversidade, o Evangelho de Cristo vai chegando até aos confins da Terra. A confusão que o Senhor incitou em Babel foi, miraculosamente, desfeita no Pentecostes, visando a universalização do Evangelho. Ao narrar a descida do Espirito Santo no Pentecostes, escreve Lucas: “Todos ficaram cheios do Espirito Santo e passaram a falar em outras línguas, segundo o Espirito lhes concedia que falassem. Ora, estavam habitando em Jerusalém judeus, homens piedosos, vindos de todas as nações debaixo do céu. Quando, pois, se fez ouvir aquela voz, afluiu a multidão, que se possuiu de perplexidade, porquanto cada um os ouvia falar na sua própria língua. Estavam, pois, atônitos e se admiravam, dizendo: Vede! Não são, porventura, galileus todos esses que aí estão falando? E como os ouvimos falar, cada um em nossa própria língua materna?” (At 2.4-8).
O Evangelho é a mensagem por excelência. Todos podem compreendê-lo e, plenamente, aceitá-lo. Em Cristo, as famílias de Sem, Jafé e Cam fazem-se irmãs; a comunhão é plena.



PARA REFLETIR
A respeito do livro de Gênesis:
O que levou os descendentes de Noé a construírem a torre de Babel?
Eles queriam fama e desejavam segurança. Foram movidos pelo orgulho.
Como eles construíram a torre?
Eles prepararam o material: tijolos bem queimados e betume.
O que teria acontecido se eles tivessem alcançado o seu intento?
O homem não teria cumprido o mandato cultural que Deus havia lhe dado.
O que, hoje, separa os seres humanos?
A diversidade linguística, cultural e geográfica.
Que episódio bíblico é considerado o contraponto da torre de Babel?
A proclamação do Evangelho, pois no Pentecostes, “todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem” At 2.4

Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4ºtrim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)
Rathbone. Dominic - História Ilustrada do Mundo Antigo, Publifolha_2011

Guia do Leitor da Bíblia - CPAD
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé


Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Benção e Maldição na Família de Noé - Livro de Gênesis

"Bendito seja o Senhor, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo." Gn 9.26,27

O capítulo 9 de Gênesis, infelizmente, e por muito tempo, foi usado para amaldiçoar outros povos e raças.

A “maldição contra Cam”, mais especificamente em relação a Canaã, seu filho, muitas vezes tem sido relacionada às pessoas de raças não-brancas, especialmente às pessoas negras. Logo, essa interpretação tem sido empregada para apoiar a suposta superioridade da raça branca, bem como a justificativa para a escravidão, que era muito comum entre alguns protestantes do passado na região sul dos EUA, na África do Sul no regime do apartheid e em muitos tipos de discriminação.

É importante ressaltar esse fato, pois, no Brasil, recentemente, um conhecido pastor midiático trouxe à tona essa interpretação, trazendo grandes problemas e contundentes acusações de preconceito para os que pensam segundo essa corrente equivocada de interpretação bíblica.

Por que não se pode usar a “maldição de Canaã” para justificar, por exemplo, a miséria presente num continente como a África? Ora, em primeiro lugar, é difícil definir os “cananeus” como grupo racial específico, e ao que tudo indica, suas origens foram profundamente diversificadas. Segundo os estudiosos, possivelmente, os cananeus rumaram para a Arábia meridional e central, ao Egito, ao litoral do Mediterrâneo e à costa leste da África. Não se pode falar de um povo cananeu somente, mas de vários povos com cultura específica, língua própria etc: os jebuseus, os amorreus, os girgaseus, os heveus, os arqueus, os sineus, os arvadeus, os zemareus, os hamateus e a diversificação das famílias dos cananeus (Gn 10.15-18; cf. 15.18-21).

Nas Escrituras, o relato de Canaã foi exposto para explicar as implicações da conquista da terra de Israel no livro de Josué. De fato, a terra de Canaã, sua cultura e costumes, confrontavam diretamente a vontade e o plano de Deus. Entretanto, a maldição de Noé em relação a Cam, e especificamente ao seu neto Canaã, nada têm a ver com a África e, muito menos, com um recorte racial. Isso precisa ficar bem claro a seus alunos na classe! 
Revista Ensinador Cristão nº64

Por causa de sua irreverência e falta de respeito, Cam veio a perder boa parte de sua herança.

I. A FAMÍLIA DE NOÉ
Já estabelecidos nas imediações do Ararate, Noé e sua família recebem do Senhor a incumbência de repovoar a Terra. E, assim, tem início um novo processo civilizatório. Daquele único clã, sairão as tribos, nações e povos que, espalhados pelos cinco continentes, hão de originar reinos e impérios. A tarefa será nada fácil. A ruptura cultural com o mundo de Lameque envidará muito trabalho. Por isso mesmo, os filhos de Noé empenhar-se-ão em recompor as ciências, engenhos e tecnologias de quase vinte séculos. Se algum esforço foi requerido de Adão, de Noé há de ser exigida redobrada pertinácia, para que a nova civilização finque suas raízes.

Em meio a tantos afazeres e preocupações, eis que um incidente na família do patriarca cinde a humanidade ali representada. Tudo começou quando Noé retomou suas lides agrárias.

II. NO PRINCÍPIO, ERA A AGRICULTURA
Sem a agricultura, a civilização seria impossível . É o que nos ensina a História. Os povos que, hoje, nos encantam com o seu progresso e desenvolvimento são os que mais se entregaram ao amanho da terra. Os europeus, norte-americanos e japoneses são um exemplo clássico. O cultivo do solo exigiu-lhes o domínio da meteorologia, da química, da metalurgia e de outras ciências fronteiriças. Quem lida com a plantação há de necessitar de enxadas e relhas, adubos e previsões do tempo. Concernente aos povos que se limitaram à caça e à coleta vegetariana, jazem tão primitivos quanto há dois mil anos.

1. Noé, o agricultor.
Já fora da arca e já estabelecido nas imediações de Sinear, passou Noé a trabalhar a terra, pois não desconhecia os benefícios da agricultura. Assim o autor sagrado descreve a fadiga do patriarca: “Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha” (Gn 9.20). O verbo hebraico natah não significa apenas plantar; seu significado tem sérias implicações civilizatórias: estabelecer, edificar e construir.
Em sua essência, plantar é fazer cultura.
Ciente da importância da agricultura, eis que Noé põe-se a trabalhar a terra. E, dessa forma, semeia uma nova civilização que, dentro em pouco, não terá apenas recuperado o que se havia perdido, mas se haverá surpreendentemente. Haja vista o que dirá o próprio Senhor quando da soberba de Babel : “Agora não haverá restrição para tudo que intentam fazer” (Gn 11.6).
Noé volta à terra. Ele planta uma vinha e semeia uma civilização; seus filhos colherão reinos e impérios.

2. A vinha de Noé.
Pelo que depreendo das palavras de Jesus, a uva já era bastante cultivada no período pré-diluviano, pois os discípulos de Lameque entregavam-se à comida e à bebida. Vinhas e adegas eram mui encontradiças naquele tempo. Ninguém desconhecia o poder inebriante do fruto da vide.
Juntamente com a vinha, o patriarca constrói uma adega. E, com a ciência que trouxera da primeira civilização, põe-se a vinificar suas uvas. Desenvolvendo a enologia, produz a primeira safra de vinho da segunda civilização. De vinhateiro, faz-se vinicultor. Mas essa sua faina trar-lhe-ia constrangimento e desinteligência ao lar.

III. O BOM E VELHO VINHO DE SEMPRE
Se por um lado, o vinho é o mais notório símbolo da alegria, por outro, é o emblema mais poderoso da intemperança. Quem a ele se entrega, por mais avisado e sábio, acaba comportando-se de maneira inconveniente. Por isso, o rei Salomão alerta-nos a tratá-lo com cuidado e duplicada prudência. 
Que o exemplo de Noé sirva-nos de alerta.

1. Um homem piedoso e íntegro. Na História Sagrada, foi Noé considerado um dos três varões mais piedosos de todos os tempos (Ez 14.14). Pontificando-se ao lado de Jó e Daniel, não soube, porém, como se comportar diante do vinho. Para comemorar a primeira safra de sua vide, embebedou-se e pôs-se nu na tenda patriarcal (Gn 9.21). Que escândalo! O homem que sobrevivera ao Dilúvio deixava-se, agora, afogar numa taça de vinho. O patriarca, embriagando-se, desveste-se e cai num sono profundo. Sua vinolência chega a tal ponto que o leva a perder a noção do certo e do errado. Por algum tempo, faz-se dissoluto. Por isso, recomenda-nos Paulo: “E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito” (Ef 5.18).

2. Quando o vinho faz-se irresistível. Aconselhando Timóteo a selecionar avisadamente os obreiros, Paulo é incisivo: “Que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não violento, porém cordato, inimigo de contendas, não avarento” (1 Tm 3,2,3).
O Senhor dera a vinha a Noé, mas Noé, imoderando-se, dera-se à vinha, entregando-se ao desprezo doméstico.
Se um homem santo e piedoso como o patriarca não se houve com moderação ante o vinho, sejamos precavidos. Doutra forma, corremos o risco de cometer até inimagináveis torpezas (Gn 19.31-38).

Quem não pode conter-se, abstenha-se. O ideal é agir como os recabitas que, ansiando por agradar a Deus, evitavam o vinho (Jr 35.1-19). O patriarca não ignorava os efeitos da fermentação. Certamente vira ele, no período antediluviano, o que os seguidores de Lameque faziam sob o jugo da bebida. Além de comer imoderadamente, imoderadamente bebiam, dando-se a todos os excessos. Noé, embriagado, caiu num pecado que, sóbrio, condenara.

3. A nudez de Noé. Dando-se ao vinho, Noé embriaga-se. Perde a noção do certo e do errado. Ignora os limites da ética e do decoro mínimo. Agora, ei-lo irreconhecível em sua tenda. Despe-se e deixa-se vencer pela vinolência. Ali estava um dos três homens mais piedosos da História Sagrada exposto diante da esposa, filhos, noras e netos.

Vejamos como se comportavam Jó e Daniel citados por Ezequiel juntamente com Noé. Pelo que nos relata o autor sagrado, o patriarca de Uz, ao contrário dos filhos, não se dava ao vinho. Quanto a Daniel, observamos que, de fato, ele não compartilhava do vinho do rei. Mas, particular e reservadamente, bebia o seu vinho. Num momento de ansiedade e interrogações, o profeta abstém-se das iguarias e bebidas: “Manjar desejável não comi, nem carne, nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que passaram as três semanas inteiras” (Dn 10.3).

Dos três varões mais piedosos da História Sagrada, observamos três diferentes posturas: duas louváveis e uma condenável . Jó era abstêmio, e Daniel, moderado. Quanto a Noé, deixou-se dominar pela imoderação, trazendo escândalo ao lar. Nos países mediterrâneos, onde o vinho fermenta a cultura e o cotidiano das gentes, a bebida é larga e, às vezes, prodigamente consumida até por cristãos professos. Não são poucos os servos de Deus que se permitem embriagar, comprometendo a saúde física e espiritual. Enfermam o corpo e a alma. Nossa piedade resiste ao orgulho, à concupiscência e aos pecados mais grosseiros. Todavia, é incapaz de resistir ao vinho. Na taça, fruto da vide; no estômago, reação química e escândalo. Se imoderados, agiremos soberbamente, dar-nos-emos à lascívia e agiremos como os mais grosseiros e vulgares pecadores. Portanto, moderação e cuidado. Se você dele se abstiver, melhor. Embora todas as coisas sejam-nos lícitas, nem todas convém-nos. Afinal, somos a comunidade ética e moral por excelência.

"E não vos embriagueis com vinho, em que há contenda, mas enchei-vos do Espírito;" Efésios 5:18


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Um pouco mais adiante na história da humanidade a Bíblia relata o caso das filhas de Ló quando após a destruição de Sodoma e Gomorra embebedaram o pai para deitarem-se com ele:

"Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai. E deram de beber vinho a seu pai naquela noite; e veio a primogênita e deitou-se com seu pai, e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou. E sucedeu, no outro dia, que a primogênita disse à menor: Vês aqui, eu já ontem à noite me deitei com meu pai; demos-lhe de beber vinho também esta noite, e então entra tu, deita-te com ele, para que em vida conservemos a descendência de nosso pai...E deram de beber vinho a seu pai também naquela noite; e levantou-se a menor, e deitou-se com ele; e não sentiu ele quando ela se deitou, nem quando se levantou" Gênesis 19:32-33,35

Já a passagem a seguir mostra a completa desaprovação de Deus ao uso do vinho, claramente referindo-se ao vinho fermentado com sua coloração resplandecente e suave escoar:

"Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos? Para os que se demoram perto do vinho, para os que andam buscando vinho misturado. Não olhes para o vinho quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. No fim, picará como a cobra, e como o basilisco morderá. Os teus olhos olharão para as mulheres estranhas, e o teu coração falará perversidades. E serás como o que se deita no meio do mar, e como o que jaz no topo do mastro. E dirás: Espancaram-me e não me doeu; bateram-me e nem senti; quando despertarei? aí então beberei outra vez." Provérbios 23:29-35 [Sola Scriptura.tt.org]

Vejamos mais alguns alertas, dentre  vários, revelados nas Escrituras

"O vinho é escarnecedor, a bebida forte alvoroçadora; e todo aquele que neles errar nunca será sábio." Provérbios 20:1

"Ai dos que se levantam pela manhã, e seguem a bebedice; e continuam até à noite, até que o vinho os esquente! E harpas e alaúdes, tamboris e gaitas, e vinho há nos seus banquetes; e não olham para a obra do SENHOR, nem consideram as obras das suas mãos. Portanto o meu povo será levado cativo, por falta de entendimento; e os seus nobres terão fome, e a sua multidão se secará de sede." Isaías 5:11-13

"Mas também estes erram por causa do vinho, e com a bebida forte se desencaminham; até o sacerdote e o profeta erram por causa da bebida forte; são absorvidos pelo vinho; desencaminham-se por causa da bebida forte; andam errados na visão e tropeçam no juízo." Isaías 28:7


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Noé era um lavrador da terra, como fora Caim. Cuidar de plantas se tornou sua grande paixão e entre elas estava a videira. Esta é a primeira vez que a produção de vinho é aludida na Bíblia, e é significativo que esteja ligada a uma situação de desgraça.
Noé pode ter sido inocente, não conhecendo o efeito que a fermentação causa no suco de uva nem o efeito que o vinho fermentado exerce no cérebro humano. Isto não impediu que a vergonha entrasse no círculo familiar. Perdendo os sentidos, Noé tirou a roupa e se deitou nu. A nudez era detestada pelos primitivos povos semíticos, sobretudo pelos hebreus que a associavam com a libertinagem sexual (cf. Lv 18.5-19; 20.17-21; 1Sm 20.30)” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.42).

*O pecado de Cam
O pecado é muito debatido, pois a frase 'viu a nudez de' é usada em relações sexuais ilícitas (cf. Lv 18). Aqui o texto sugere que o pecado de Cam foi o de ridicularizar o pai a quem deveria honrar (cf. Êx 20.12). As falhas de Noé e de Cam nos advertem que, embora vivamos num lar aparentemente perfeito, a raiz do pecado está plantada profundamente em cada pessoa individualmente. A causa de nossos fracassos está em nós mesmos." Para conhecer mais leia Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 30


IV. A IRREVERÊNCIA DE CAM
Cam, o filho mais novo de Noé, representou à nova civilização o que Caim, o filho mais velho de Adão, representara à antiga. De sua pouquíssima história, podemos extrair muita conclusão. Embora salvo do Dilúvio, não conseguira livrar-se dos pecados que ocasionaram a grande inundação. Na primeira oportunidade, sua loucura e irreverência vieram à tona, revelando quem, de fato, era ele. Pelo jeito, em nada diferia dos herdeiros espirituais de Lameque. Não fora seu pai, teria perecido nas águas da ira divina.

1. O desamor. Quem ama não é indecente. Mas discreto, lhano, gentil . Se assim devemos portar-nos em relação aos estranhos, o que não faremos concernente aos nossos pais? O filho mais novo de Noé, conforme já vimos, não se importava com tais questões. Imbuído ainda do espírito da geração que perecera no Dilúvio, estava sempre disposto a caçoar e irreverenciar a todos, inclusive o próprio pai. Ao deparar-se com o pai desnudo na tenda, Cam não se conteve. Saiu a contar a todos o que presenciara. Chamou a atenção de Sem, Jafé, das cunhadas, filhos e sobrinhos. Ele fez questão que todos vissem o homem mais piedoso da Terra numa situação acabrunhante e vergonhosa. Já imaginou se todos tivessem acorrido à porta da tenda do velho patriarca para ver-lhe o opróbrio? Num único momento a humanidade teria se desencaminhado e, por certo, haveria de tornar-se pior do que a geração pré-diluviana.
Cam era desamoroso, debochado e insolente. Ele caricaturava tudo o que via.

2. A irreverência. No meio pentecostal, a irreverência não é vista como pecado. Brincamos com os dons espirituais, imitamos as línguas estranhas e, de quando em quando, urdimos algumas profecias e visões. Ao que parece, o único pecado que leva para o inferno é o que diz respeito à castidade. Desde que não se adultere, nem se prostitua, que o deboche seja liberado.
A Palavra de Deus, porém, coloca a irreverência no mesmo patamar dos pecados grandes e temíveis. Afirma Paulo que a Lei foi promulgada inclusive para castigar os irreverentes (1Tm 1.9). O mesmo apóstolo deixa claro que, nos últimos dias, a falta de respeito surgirá como um dos mais fortes sinais da chegada da apostasia final. Por conseguinte, o pecado de Cam não era uma simples brincadeira. Levando-se em conta que Noé representava a Deus naquele momento, a irreverência camita avultava-se como gravíssima blasfêmia. Por muito menos, o profeta Eliseu amaldiçoou uns garotos (2Rs 2.23). Narra o autor sagrado que o profeta os desventurou, e, na mesma hora, apareceram duas ursas que despedaçaram quarenta e dois daqueles meninos.Noutras palavras, o pecado de Cam era tão grave, que poderia ser punido com a morte. Sua transgressão constituiu-se na primeira apostasia da segunda civilização.

V. O JUÍZO SOBRE CANAÃ
Segundo a doutrina da responsabilidade pessoal, os filhos não serão castigados pelas transgressões dos pais, nem os pais serão penalizados pelas iniquidades dos filhos. A sentença divina não isenta o transgressor nem o iníquo: a alma que pecar esta morrerá. Mas no caso específico de Cam, parece que há uma exceção a essa regra. No entanto, como veremos, a justiça divina foi perfeita no castigo imposto a Canaã, filho de Cam.

1. A apostasia de Cam. Conforme já vimos, tudo começou com a irreverência de Cam que, ao ver a nudez do pai, não somente contemplou-a, mas a expôs a toda a família. A reverência fez-se grave apostasia, levando a iniquidade e o pecado à nova civilização. Mas, mercê de Deus, a transgressão não se generalizou. Pelo contexto da narrativa bíblica, constatamos que Canaã, filho de Cam, não somente caiu no mesmo erro do pai, como veio a superá-lo.
Portanto, Noé não foi respeitado nem pelo filho, nem pelo neto; ambos fizeram-se igualmente réprobos. Quanto aos outros filhos de Cam, não tomaram parte naquele pecado. Por isso, não foram penalizados.

2. A sedição de Canaã. O que era irreverência em Cam fez-se apostasia e sedição em Canaã. Não faltou muito para que a segunda civilização, ainda no nascedouro, viesse a se corromper. Se lermos os capítulos 10 e 11 de Gênesis com atenção e cuidado, verificaremos que a rebelião de Canaã não se deteve com a reprimenda de Noé. Mais adiante, constataremos que ela foi crescendo até alcançar todos os caimitas, num primeiro momento, e, num segundo, as demais famílias de Noé. E, assim, os filhos do patriarca irmanaram-se contra o Senhor, no episódio da Torre de Babel. Por isso, a justiça divina recaiu pesadamente sobre Canaã e seus descendentes.

3. A maldição de Canaã. Entre as mitologias hermenêuticas, há uma que vem causando mal-estar devido à sua conotação racista. Há gente que ainda acha que a maldição que Deus impôs a Cam foi a cor que, hoje, caracteriza os povos subsaarianos. Na verdade, o Senhor não castigou todos os camitas, mas apenas Canaã que, ao contrário de seus irmãos e primos, pôs-se a debochar da nudez do avô.
Sua maldição consistiu na perda de suas terras aos filhos de Abraão, o mais ilustre representante de Sem depois de Jesus Cristo. Eis o que decreta Noé: “Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo” (Gn 9.25-27).

Os descendentes de Canaã vieram a habitar as terras que, hoje, pertencem ao Estado de Israel. Ali, começaram a deteriorar-se de tal maneira, que o seu modo de vida passou a ser sinônimo de pecado e abominação. A sociedade cananeia tornou-se irrecuperável; depravara-se essencial e totalmente. Não havia entre os descendentes de Canaã pensadores, filósofos ou sábios, mas sacerdotes ávidos por sacrifícios infantis. Por esse motivo, o Senhor removeu, daquelas terras boas e amplas, os descendentes de Canaã, até que viessem a desaparecer como nação.
Se do Senhor é a Terra e a sua plenitude, conclui-se que Ele a dá a quem lhe aprouver, e, dela, desaloja os povos segundo o seu querer e justiça. Por isso, houve por bem desalojar os cananeus daquela boa terra, para dar-lha aos hebreus. Não somente a História, mas a própria Geografia, acham-se sob o absoluto controle de Deus. Eis porque o Senhor entrega o território cananeu a Israel . Aquelas terras, portanto, são propriedade dos filhos de Abraão.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Recuperando os sentidos, Noé ficou sabendo do que aconteceu e falou com seus filhos. Ele deixou Cam sem bênção e concentrou sua reprimenda em Canaã, cujos os descendentes historicamente se tornaram um povo marcado por moralidades sórdidas e principalmente fonte de corrupção para os israelitas. A adoração Cananéia de Baal desceu às mais baixas profundezas da degradação moral. Embora os cananeus obtivessem certo poder, como os fenícios, pelo tráfico marítimo no Mediterrâneo, eles nunca conseguiram se tornar grande nação. Quase sempre foram dominados por outros povos” (Comentário Bíblico Beacon.Volume 1. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.52).


VI. O DESTINO DOS CAMITAS
Se Deus o quisesse, poderia ter amaldiçoado todos os clãs provenientes do caçula de Noé. Mas, castigando Cam, amaldiçoou a seu filho, Canaã, que, à sua semelhança, era também irreverente, debochado e sedicioso. Quanto aos outros filhos de Cam, imigraram à África, ao Oriente Médio e, segundo é-nos possível depreender linguisticamente, até mesmo ao Extremo Oriente.

1. Os camitas da África. Segundo a genealogia de Gênesis 10, estes são os filhos de Cam: Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã. Os três primeiros, já em solo africano, dão origem a poderosos reinos e impérios. De Cuxe, veio a Etiópia, cujo poderio militar amedrontava povos e nações. Vamos encontrá-los no Novo Testamento, na figura daquele oficial de Candace, rainha dos etíopes. Mizraim foi o pai dos egípcios que, na História Sagrada, detinha a hegemonia na região do Oriente Médio. Quanto a Pute, é o patriarca que deu origem à Líbia que, nos tempos bíblicos, era uma potência não desprezível.
Canaã, o caçula de Cam, seguiu o caminho do pai. E, hoje, já não há indícios de sua civilização, a não ser as informações da Bíblia Sagrada.


2. Os camitas da África e os hebreus. Foi numa nação camita que os filhos de Israel abrigaram-se até que tivessem condições de assumir o controle das terras que o Senhor prometera a Abraão. No Egito, os hebreus peregrinaram por 430 anos. De início, o relacionamento entre semitas e camitas, em solo egípcio, foi amistoso e mui produtivo. José, filho de Jacó, assumiu o governo egípcio e, dessa forma, preservou a progênie hebreia num momento de dificuldade e fome.
Passados quatro séculos, porém, eis que um Faraó, que não conhecia a José, passou a oprimir os hebreus. Sua intenção era destruir a nação que, embora escolhida por Deus, ainda não havia assumido a sua identidade profética e sacerdotal . Por essa razão, interveio o Senhor com mão poderosa, a fim de arrancar Israel do Egito. Na verdade, o Senhor castigou severamente o Egito, mas não o destruiu, porque tinha, e ainda tem, grandes promessas a essa nação camita. Os israelitas, por exemplo, eram exortados a não maltratar os egípcios, pois em sua terra peregrinaram (Dt 23.7). Nos últimos dias, o Egito terá um lugar especial no plano divino, e estará relacionado estreitamente com o povo de Israel (Is 19.21-25).
O interessante é que Israel abrigou-se entre um povo camita até que tivesse condições de apossar-se do território de outro camita que, segundo a promessa divina, cabia-lhe como herança. Mas qual a diferença entre o Egito e Canaã. Os cananeus, devido à sua deplorável idolatria, jamais produziram moralistas ou reformadores sociais, ao passo que entre os egípcios, os sábios eram comuns, conforme observamos nesta passagem do livro dos Reis: “Era a sabedoria de Salomão maior do que a de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios” (1Rs 4.30). Vê-se, pois, que o saber dos egícpios era proverbial e lendário. Quanto aos cananeus, eram tidos como grandes pecadores. Haja vista que os sodomitas e gomorritas provinham de clãs cananeus.

Sodoma e Gomorra - Gn 10:19 - 

SUBSÍDIO DIDÁTICO
“Maldito seja Canaã
Quando Noé ficou sabendo do ato desrespeitoso de Cam, pronunciou uma maldição sobre Canaã, filho de Cam (não sobre o próprio Cam). (1) Talvez Canaã tivesse de alguma maneira envolvido no pecado de Cam, ou tivesse os mesmos defeitos de caráter do seu pai. A maldição prescrevia que os descendentes de Canaã (os quais não eram negros) seriam oprimidos e controlados por outras nações. Por outro lado, os descendentes de Sem e Jafé teriam a bênção de Deus (vv.26,27). (2) Essa profecia de Noé era condicional a todas as pessoas a quem ela foi dirigida. Qualquer descendente de Canaã que se voltasse para Deus receberia, também, a bênção de Sem (Js 6.22-25; Hb 11.31), mas também quaisquer descendentes de Sem e de Jafé que desviassem de Deus teriam a maldição de Canaã (Jr 18.7-10)” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.42).


CONCLUSÃO
Sem e Jafé, ao contrário de Cam, não escarneceram da embriaguez de Noé. Mas, reverentemente, cobriram a nudez do pai, impedindo que o incidente levasse a sua família a um escândalo ainda maior. Se agirmos assim, evitaremos falatórios, maledicências e sedições na família de Deus. Por isso, foram eles abençoados de uma forma peculiar. O primeiro tornou-se num dos principais ascendentes legais de Jesus Cristo. Quanto a Jafé, pai dos europeus, ajudou a propagar a mensagem do Evangelho até aos confins da Terra.
Portanto, não exponhamos as faltas de nossos irmãos. Mas, discreta e amorosamente, ajudamo-los a se reerguerem. Afinal, todos podemos cair em muitas faltas e tentações. Se quisermos, pois, ser tratados com amor e consideração, usemos de iguais medidas.


A grande lição que podemos extrair do texto que ora estudamos é que devemos agir com amor e cuidado ante nossos irmãos surpreendidos em faltas e pecados. Ajamos com amor, a fim de que sejam recuperados. Assim faria Jesus.
Que em nossos arraiais não haja lugar para irreverências nem desrespeitos. Além disso, cuidemos da educação de nossos filhos e netos. Somos responsáveis por suas almas.

Hoje, somos a geração santa, sacerdotes do Senhor em Jesus Cristo (1Pe 2.9), e como tal devemos nos manter sóbrios, evitado o uso de bebidas alcoólicas.


PARA REFLETIR
A respeito do livro de Gênesis:
Em que consistiu o pecado de Cam?
Ao invés de calar-se e, discretamente, resguardar a honra do pai, saiu a depreciar-lhe a imagem (Gn 9.22).
Em quem recaiu a maldição de Cam?
O patriarca castiga indiretamente a Cam, lançando sobre o filho deste uma pesada maldição.
Como Sem e Jafé foram abençoados?
Ao galardoar a atitude respeitosa e reverente de Sem e Jafé, o patriarca concede-lhes uma benção eterna: “Bendito seja o Senhor, Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo” (Gn 9.26,27).
Como Canaã foi castigado?
Eles seriam punidos com a perda de suas terras aos filhos de Abraão, o mais notável descendente de Sem, depois de Jesus Cristo.
De que forma devemos agir ante os pecados alheios?
Não entreguemos o faltoso ao vitupério. Se agirmos com amor, poderemos recuperá-lo plenamente (Tg 5.20). Doutra forma, perderemos almas mui preciosas aos olhos de Deus. Lembremo-nos da recomendação de nosso Senhor (Mt 18.15-18).


Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4ºtrim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)
Comentário bíblico Beacon,vol.1 1ªed.RJ.CPAD_2005

Guia do Leitor da Bíblia - CPAD
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
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