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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A Segunda Volta de Cristo

Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do Homem” Mt 24.27

A Segunda Vinda de Cristo

Prezado professor, prezada professora, as Escrituras revelam um Deus de esperança. A manifestação do reino eterno de Deus é o desfecho da esperança dos seus filhos, a conclusão de toda a espera de um Reino de paz, de amor e de justiça sem fim (Mt 25.31-40). Para os que têm a certeza da salvação, uma mensagem de esperança e alegria; para quem despertar sem esperança, uma tragédia eterna (Mt 25.41-46). Nesse sentido, essa esperança se desdobrará em dois momentos.

O Arrebatamento da Igreja
Na primeira fase, o nosso Senhor virá somente para sua Igreja. É o Arrebatamento! Refere-se ao “encontro do Senhor”, o rapto da Igreja. Esta primeira fase da vinda do Senhor será visível à Igreja, mas invisível ao mundo. O apóstolo Paulo nos diz em sua primeira epístola aos Tessalonicenses que, em primeiro lugar, os crentes que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro, depois os crentes que estiverem vivos serão arrebatados juntamente com os crentes que morreram e foram ressuscitados em Cristo. Esse encontro com Jesus Cristo se dará nos termos da sua ascensão aos céus, relatada em Atos 1, isto é, nas nuvens (1Ts 4.13-18). Uma esperança gloriosa! Estaremos para sempre com o nosso Senhor, Redentor e Salvador!

A Segunda Vinda de Cristo
Após o Arrebatamento, dizem os estudiosos, virá um tempo de muita confusão na Terra: a Grande Tribulação. Por acaso você ouviu ou conhece essa expressão? A Grande Tribulação marca um tempo de juízo de Deus para as pessoas que não atenderam a chamada do Criador para se arrependerem (Ap 6—8) — a Igreja que foi arrebatada pelo Senhor não passará pela Grande Tribulação. Nesse tempo se levantará um homem poderoso, inteligente e um ditador mundial. Ele é o homem do pecado e o filho da perdição (2Ts 2.3).
No momento de tão grande aflição proporcionada pela ação do Anticristo; mas juntamente com Igreja que fora anteriormente arrebata, Jesus Cristo intervirá no mundo para destruir o Anticristo (Ap 19.14), fazer cessar a guerra sem proporção na história do mundo e estabelecer um reino de paz universal, o Milênio.

A Segunda Vinda de Jesus será visível, pois Ele se manifestará ao mundo todo. Todas as línguas, tribos e nações confessarão que Ele é o Senhor (Fp 2.9-11). O Senhor Jesus virá como o Juiz de toda terra!

Todo crente que conhece o Evangelho de Jesus espera se encontrar com o seu Senhor. Que haja no coração de nossos alunos esse mesmo sentimento! revista Ensinador Cristão nº71

A Segunda Vinda de Cristo será em duas fases distintas: primeira — invisível ao mundo, para arrebatar a sua Igreja; segunda — visível e corporal, com a sua Igreja glorificada.

TEXTO BÍBLICO:  1 Tessalonicenses 4.13-18;  Lucas 21.25-27

A vinda do Senhor é uma promessa feita pelo próprio Senhor Jesus. É uma promessa de esperança para todos os que creem. Por isso, a Palavra de Deus nos exorta a viver como se Cristo voltasse a qualquer momento. A iminência da volta do Senhor traz ao crente uma consciência de vivermos uma vida mais santa, de maior seriedade com a evangelização dos não-crentes e desejo de estar mais perto do Senhor.

INTRODUÇÃO

A Bíblia mostra a segunda vinda de Cristo em duas fases: a primeira é o arrebatamento da Igreja, e a segunda é a sua vinda em glória. Entre esses dois eventos, haverá na terra a Grande Tribulação, o julgamento divino sobre todos os moradores do mundo e no céu o Tribunal de Cristo seguido das Bodas do Cordeiro. O nosso enfoque aqui é a fundamentação bíblica desses eventos. Mas o tema escatológico não se esgota com o que trataremos e a sua continuação se dará na próxima lição.


  • Fonte de predição. Não há outra fonte de predições verdadeiras a não ser a Bíblia Sagrada, por meio da qual Deus nos diz tudo o que precisamos saber sobre os eventos do porvir. Ela é a única fonte confiável. Esses eventos são uma série de acontecimentos do epílogo da história humana que envolve o Arrebatamento da Igreja (1Ts 4.16,17), a Vinda de Jesus em glória (Mt 24.30; Ap 1.7), o Juízo de Deus sobre a terra no fim dos tempos (Mt 24.21), o Futuro glorioso de Israel (Is 62.2,3) e o Reino Milenar de Cristo (Is 9.7; 11.10). São acontecimentos anunciados desde o princípio do mundo, desde Enoque (Jd 14) até o apóstolo João, o último dos apóstolos, no livro de Apocalipse.

SUBSÍDIO PEDAGÓGICO
Além dos termos bíblicos serem importantes para o estudo da segunda vinda de Cristo, outros termos, de cunho teológicos, são também de suma importância ao professor dominá-los. Veja abaixo:



Escatologia é a doutrina das últimas coisas.

O termo vem de dois vocábulos gregos: éskhatos, “último”, e logos, “palavra, tratado, estudo”. A segunda vinda de Cristo é parte da escatologia, uma doutrina da teologia de fundamental importância na vida cristã porque envolve a esperança dos crentes em Jesus. O assunto envolve os sinais que precederão a vinda de Cristo, o próprio evento em si, a ressurreição dos mortos, o juízo divino sobre as nações incrédulas, o destino glorioso dos crentes e a recompensa dos infiéis.

Todas as profecias do Antigo Testamento concernentes à vida do Messias se cumpriram cabalmente em Jesus (Lc 24.44). Os profetas anunciaram também de antemão o destino de Israel e dos grandes impérios da Antiguidade, como Assíria, Babilônia, Grécia, Roma; tais oráculos se cumpriram no passado, e outros se cumprem na atualidade. A história é testemunha disso. Os fatos estão aí à disposição de todos. Os eventos do porvir elencados na doutrina escatológica são a consumação da história humana. O livro de Apocalipse é a revelação do epílogo da história da humanidade. O cumprimento das profecias bíblicas na Antiguidade e ao longo da história é igualmente a garantia do cumprimento das coisas futuras.


  • O destino dos impérios da antiguidade. As profecias sobre os impérios antigos, como a queda da Babilônia para nunca mais se erguer no cenário mundial (Is 13.19,20) e ascensão e queda dos impérios medo-persa, grego e romano nos capítulos 7 e 8 de Daniel, entre outros profetas, se cumpriram, e a própria História confirma esses fatos. As profecias messiânicas se cumpriram com abundâncias de detalhes, como o nascimento do Messias de uma virgem, na cidade de Belém, seu julgamento diante de Pôncio Pilatos, sua morte, sua ressurreição e a ascensão ao céu, entre outros.
  • Sobre as Diásporas Judaicas. As profecias apontam, de antemão, as duas dispersões do povo judeu e as suas respectivas restaurações. A primeira Diáspora (Jr 16.13) e seu retorno (Ed 1.1-3); a segunda Diáspora, anunciada pelo próprio Senhor Jesus Cristo: “E cairão a fio de espada e para todas as nações serão levados cativos; e Jerusalém será pisada pelos gentios, até que os tempos dos gentios se completem” (Lc 21.24), com o seu respectivo retorno depois de mais de 18 séculos à terra de seus antepassados, tal como fora anunciado pelos profetas do Antigo Testamento, como Jeremias (Jr 31.17), Ezequiel (Ez 11.17; 36.24; 37.21), Amós (Am 9.14,15) e Zacarias (Zc 8.7,8).

SINAIS QUE PRECEDERÃO A SEGUNDA VINDA DE CRISTO

Nenhum dos seres humanos nem mesmo os anjos têm conhecimento da data da vinda de Cristo. Mas o Senhor Jesus deixou sinais claros e evidentes, positivos e negativos que nos mostram que esse evento está próximo. O Senhor Jesus chama nossa atenção para a Israel na parábola da figueira: “Olhai para a figueira e para todas as árvores. Quando já começam a brotar, vós sabeis por vós mesmos, vendo-as, que perto está já o verão. Assim também vós, quando virdes acontecer essas coisas, sabei que o Reino de Deus está perto” (Lc 21.29-31). A “figueira” é Israel (Jr 8.13; Os 9.10; Jl 1.7) e as outras “árvores” são uma referência às outras nações. A restauração da nação de Israel dar-se-á em duas etapas, conforme as profecias bíblicas. A restauração nacional de Israel como nação autônoma já aconteceu desde 29 de novembro de 1947, quando a primeira assembleia geral das Nações Unidas aprovou a criação de um estado judeu em Éretz Israel. Muitas profecias bíblicas se cumpriram, entre elas Amós 9.14-15 e Ezequiel 36.24; 37.21. O renascimento do Estado de Israel é um sinal evidente de que vinda de Jesus está próxima.

Os sinais positivos são diversos, entre eles a agitação mundial e o avanço da ciência (Dn 12.4), e a efusão do Espírito Santo como nunca depois do dia de Pentecostes. Os pentecostais juntamente com os neopentecostais já são o segundo maior grupo cristão. A palavra profética anuncia esse acontecimento para os últimos dias (Jo 2.28-32; At 2.16-21). A obra da evangelização mundial é um fenômeno cada vez mais crescente na atualidade. Nunca houve na história da igreja um despertamento como vem acontecendo nestes últimos dias (Mt 24.14). É bom lembrar que, com os recursos dos meios de comunicação da atualidade, principalmente a Internet, é possível se evangelizar o mundo em questão de horas. Portanto, ninguém deve dormir nem se acomodar, pois o arrebatamento da igreja pode ocorrer a qualquer momento.

Os sinais negativos são ainda mais visíveis, como o aparecimento de falsos cristos e falsos profetas (Mt 24.5, 11). É verdade que muitos falsos cristos se já levantaram ao longo da história do cristianismo. À medida que a vinda de Cristo se aproxima, o número deles vai aumentando. A quantidade é alarmante. É praticamente impossível apresentar uma lista completa deles. Alguns servirão de exemplos: David Koresh, da Califórnia, sobre o qual a imprensa internacional noticiou recentemente, dizia ser o Cristo e fez vários adeptos. O reverendo Moon também declarou-se ser o Cristo e teve muitos adeptos. Em Curitiba, Inri Cristo declara ser o Cristo. Muitos outros têm declarado ser o Messias. Isso aponta para o sinal dos tempos. Jesus advertiu-nos de antemão sobre estas coisas. O crescimento da apostasia nos últimos anos tem alcançado proporções estarrecedoras. O apóstolo Paulo afirma que a apostasia generalizada é coisa para os últimos tempos (1 Tm 4.1-3; 2 Tm 3.1-5). A crescente violência nas principais capitais do mundo, assim como a expansão do terrorismo e do narcotráfico acontecem nos dias atuais, porque a iniquidade está se multiplicando (Mt 24.12). Estamos vivendo na época do princípio de dores.

Outros sinais negativos visíveis: “Levantará nação contra nação, reino contra reino, e haverá fomes, e pestes, e terremotos, em vários lugares” (Mt 24.6, 7). O v.5 refere-se aos distúrbios mundiais e a uma crise na política internacional. As guerras no Oriente Médio parecem não ter fim. Testemunhamos a fome generalizada em muitos países, e o avanço de doenças como a aids e o ebola, entre outras. Trata-se de uma crise de caráter mundial, e não apenas local. É verdade que desde os tempos de Jesus sempre houve guerras, pestilências, fomes, imoralidades etc. Mas o ensino de Jesus consiste no fato de essas coisas irem aumentando e se intensificando dia após dia, à medida que a vinda de Cristo se aproxima, até chegar a um ponto insuportável. Os dias que estamos vivendo, à luz das palavras de Jesus, caracterizam o princípio das dores (Mt 24.8).

O cenário mundial já está pronto para que o apocalipse se cumpra. A palavra “fim” (Mt 24.14) é ambígua e há muitas controvérsias sobre o assunto entre os expositores da Bíblia. Ninguém pode garantir que isso seja o arrebatamento da igreja ou a vinda de Cristo em glória; ela pode aplicar-se aos dois eventos. Há quem afirme que Isaías 66.18,19 está no contexto de Mateus 24.14. Se isto puder ser confirmado, é possível que a pregação continue durante a Grande Tribulação, pelos 144 mil remanescentes de Israel (Ap 7.1-8), e assim a profecia tenha o seu completo cumprimento.

CRISTO VOLTARÁ

Há diversas interpretações escatológicas, principalmente sobre a segunda vinda de Cristo. Mas todas elas têm um ponto em comum: Ele virá! Isso é tão certo quanto a sucessão dos dias e das noites (Os 6.3). É algo que não se discute. É uma esperança cristalina nas Escrituras que desde os primeiros pais da Igreja é ensinada e aparece ainda nos credos ecumênicos. A diferença está no modus operandi, em como essa promessa divina vai se cumprir.

Stanley M. Horton, em sua obra intitulada Nosso destino, publicação da CPAD de 1998, apresenta um estudo criterioso e esclarecedor das diversas interpretações sobre o fim dos tempos.

O Antigo Testamento fala sobre a vinda do Messias como homem, na encarnação no Verbo, como servo sofredor, mas revela também a sua vinda em glória. Mas Justino, o Mártir precisou explicar isso aos judeus no século 2 (Diálogo, 80.5; 81.14), uma vez que não era do conhecimento de Israel nem de suas autoridades religiosas. Da mesma maneira, a segunda vinda de Cristo em duas fases é uma doutrina genuinamente bíblica; no entanto, isso só veio à tona a partir de 1830, na Escócia. Seus principais expoentes no século 19 foram John Darby e Scofield, na sua Bíblia Anotada.

Há passagens nas Escrituras que mostram a repentina vinda de Jesus, rápida e invisível aos olhos humanos; por outro lado, elas também anunciam vinda de Jesus visível a todos os moradores da terra. Isso mostra com clareza meridiana que se trata de dois acontecimentos distintos. O Senhor Jesus Cristo virá em duas etapas distintas. Na primeira, levará os santos ao céu, que é o arrebatamento da Igreja (1 Co 15.51-53; 1 Ts 4.14-17). Esse acontecimento será em fração de segundos, simultâneo no mundo inteiro e invisível aos olhos dos moradores da terra. Essa é a expectativa e a esperança da Igreja. Jesus prometeu nos buscar (Jo 14.3).

Com o arrebatamento da Igreja será estabelecido o império do anticristo, identificado no livro de Apocalipse, capítulo 13, como a besta. Ele é chamado também de “o homem do pecado, o filho da perdição... o iníquo” (2 Ts 2.3, 8). O termo “anticristo” só aparece nas epístolas de João (1 Jo 2.18, 22; 4.3; 2 Jo 7). Essa personagem fará um concerto com Israel depois que a Igreja for raptada da terra. Os detalhes desse período estão em Apocalipse dos capítulos 6 a 19.

Esse período se chama A Grande Tribulação. Terá a duração de sete anos, ou uma semana de anos, e na metade da semana os judeus descobrirão que fizeram acordo com o anticristo. O concerto será rompido na metade da semana (Dn 9.27). Só a partir daí começa o período da angústia de Jacó (Jr 30.7). A cidade de Jerusalém será ainda tomada, por pouco tempo, pois, no final da Grande Tribulação, o Senhor Jesus descerá para livrar seu povo (Zc 14.2-4). Por isso que a metade da Grande Tribulação terá a duração de três anos e meio, ou, usando a linguagem bíblica, “um tempo, de tempos e metade de um tempo” (Dn 12.7), que em Apocalipse aparece descrito como “tempos e metade de um tempo” (Ap 12.14) ou ainda “mil duzentos e sessenta dias” (Ap 12.6) e “quarenta e dois meses” (Ap 13.5).

O Falso Profeta é o porta-voz da besta e ambas as personagens serão lançadas no lago de fogo (Ap 19.20). A Grande Tribulação é o período de transição entre a Dispensação da Igreja e o Milênio. É um período de angústias e sofrimentos sem precedentes na história e será universal. Há quatro passagens clássicas sobre a Grande Tribulação nas Escrituras (Jr 30.7; Dn 12.1; Jl 2.2; Mt 24.21) e a passagem paralela em Marcos 13.19. Este período foi determinado por Deus para fazer justiça contra a rebelião dos moradores da terra e para preparar a nação de Israel para o encontro com o seu Messias (Am 4.12). Mas haverá pregação do evangelho nesse período. Esses pregadores são os144 mil judeus que se converterão ao Senhor Jesus no período da Grande Tribulação, que não se contaminarão com as falsas doutrinas (Ap 14.1-5) e que substituirão a igreja na pregação do evangelho: “... primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16).

Enquanto o cálice da ira de Deus está sendo derramado sobre os moradores da terra, a Igreja é recepcionada pelo Senhor Jesus no céu. Após o arrebatamento da Igreja, os salvos se apresentarão diante do Tribunal de Cristo (2Co 5.10). Esse julgamento é para que cada um receba o seu galardão conforme a obra realizada na terra pela causa do evangelho (1Co 3.12-15). Haverá outro evento glorioso no céu enquanto a Grande Tribulação acontece na terra: as Bodas do Cordeiro (Ap 19.7). Esta celebração é a festa de recepção da Igreja pelo Senhor Jesus.  (veja também As Bodas do Cordeiro parte II)

Depois disso, o Senhor Jesus virá em glória com a sua Igreja glorificada, os salvos raptados da terra por ocasião do arrebatamento da Igreja (1 Ts 3.13; Jd 14), e todo o olho verá (Mt 24.30; Ap 1.7). Ele voltará da mesma maneira que subiu ao céu na presença dos seus discípulos (At 1.9-11). Essa é a segunda fase da segunda vinda de Cristo para destruir o império do anticristo.

A Batalha do Armagedom (Ap 16.16)12 é o símbolo de todas as batalhas nas quais Deus manifesta o seu poder, quando o seu povo, em condições de inferioridade em efetivo e em equipamento bélico, se vê diante de seus inimigos. É a Batalha Final, a última batalha da história da humanidade do Senhor Jesus Cristo contra Satanás e o seu império representado pelo do anticristo (Ap 19.20). Nesse contexto, está a libertação de Israel (Zc 12.10; 14.8, 9), o conflito decisivo com a interferência direta do Senhor Jesus em favor de seu povo.

Nessa ocasião, o Senhor Jesus julgará as nações (Mt 25.31, 32). Não se deve confundir esse julgamento com o do Juízo Final mencionado em Apocalipse. Aqui o juízo é sobre todas as nações (Jl 3.12), e não sobre todas as pessoas. As bem-aventuranças citadas aqui são recompensas pelas boas obras; no entanto, ninguém é salvo pelas obras, mas pela graça mediante a fé (Gl 2.16; Ef 2.8). Os irmãos aqui de Jesus são os judeus e, agora, as nações vão receber a recompensa pelo tratamento dado a eles ao longo da história. O Reino preparado desde a fundação do mundo (Mt 25.34) não é o céu, mas o Milênio.

Nessa vinda de Jesus em glória se cumprirá também a promessa de Deus que o anjo Gabriel anunciou a Maria: “E o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai, e reinará para sempre na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim” (Lc 1.32, 33). E, assim, será estabelecido o Milênio, com o lançamento no lago de fogo da besta e do falso profeta (Ap 19.20).


12 O termo “Armagedom” significa literalmente “monte de Megido”, duas palavras hebraicas: har, “monte”, e magidó, “Megido”. O vale de Megido está no norte de Israel e foi palco de grandes batalhas nos tempos do Antigo Testamento (Jz 5.19), lá morreu o rei Josias na batalha contra Faraó-Neco, rei do Egito (2 Rs 23.29, 30). É nesse local que será realizada a Batalha do Armagedom, a batalha da história de Cristo contra o anticristo e seus seguidores.



SUBSÍDIO
Vinda. A palavra parousia (que se pronuncia “parussía”) significa “vinda, chegada, presença, volta, visita real, advento, chegada de um rei”. No aspecto escatológico, este substantivo se refere tanto ao arrebatamento da igreja (1Ts 4.15) como à vinda de Cristo em glória com sua Igreja (2Ts 2.8). O outro termo é érchomai, “ir” e também “vir”. Duas coisas opostas? Sim, desde que se considere o movimento entre o ponto de partida e o ponto de chegada. Para quem está no ponto de partida é “ida”, mas, para quem estiver no ponto de chegada, é “vinda”. Esse verbo aparece em referência à vinda de Jesus (Jo 14.3) e também à sua vinda em glória (At 1.11; Jd 14; Ap 1.7).

Manifestação, aparição. O substantivo grego aqui é epipháneia, que só aparece seis vezes no Novo Testamento, com uso exclusivamente paulino, e todas as ocorrências dizem respeito à vinda de Jesus, desde a encarnação do Verbo (2Tm 1.10). O apóstolo Paulo exorta os crentes para uma vida irrepreensível até “à aparição de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Tm 6.14); “e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Senhor Jesus Cristo” (Tt 2.13). O termo é também traduzido por “vinda” em referência ao arrebatamento da Igreja (2Tm 4.8). O apóstolo o emprega ainda para se referir à segunda vinda de Cristo em glória: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino” (2Tm 4.1), ou conforme encontra-se na Almeida Revista e Atualizada, “pela sua manifestação e pelo seu reino”.

Revelação. O termo é apokalypsis. O apóstolo Pedro emprega essa palavra para se referir ao arrebatamento da Igreja (1Pe 1.7). Esse termo é traduzido ainda como “manifestação”, também em referência ao arrebatamento da Igreja: “De maneira que nenhum dom vos falta, esperando a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 1.7) ou de acordo com a versão Almeida Revista e Atualizada, “aguardando vós a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo”.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“O Senhor advertiu-nos quanto ao tempo de sua vinda: ‘Mas, daquele Dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai. Olhai, vigiai e orai, porque não sabeis quando chegará o tempo’ (Mc 13.32,33). Jesus também disse aos discípulos, momentos antes de subir aos céus, que não lhe pertencia ‘saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder’ (At 1.7). A data do retorno de Cristo não é prerrogativa nossa. Contudo, há algumas linhas mestras que devemos observar para que não sejamos surpreendidos.
Em vista da necessidade de nos mantermos sempre alertas, podemos falar da bendita esperança como algo que fosse acontecer a qualquer momento. Não queremos dizer com isso que o Senhor Jesus poderia ter retornado imediatamente após a sua ascensão. Todavia, atentemos para a parábola na qual Jesus pintou um ‘homem nobre’ que ‘partiu para uma terra remota, a fim de tomar para si um reino e voltar depois. E, chamando dez servos seus, deu-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu venha’ (Lc 19.11-27). Esta comparação dá a entender que haveria uma ausência considerável. Haja vista o dinheiro confiado aos servos. Era sinal de que estes deveriam cumprir suas tarefas com fidelidade. Como eles não sabiam o tempo exato do retorno de seu senhor, não podiam mostrar-se negligentes: teriam de cuidar com o máximo zelo dos negócios do mestre” (MENZIES, William W.; HORTON, Stanley M. Doutrinas Bíblicas: Os Fundamentos da Nossa Fé. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1995, pp.184-85).


CONCLUSÃO

Essas amostras proféticas servem como garantias de que tudo o que está escrito para o fim dos tempos irá de igual modo se cumprir (Jr 1.12). A nossa esperança não se baseia numa utopia, mas em fatos revelados na Palavra de Deus e confirmados pela História. A escatologia bíblica é a continuação do processo histórico.


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Adultos - 3º Trimestre de 2017 - Título: A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos - Livro de Apoio - Comentarista: Esequias Soares
Revista Adultos 3ºTrim.2017 - A razão da nossa fé — Assim cremos, assim vivemos - Comentarista: Esequias Soares

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quando a divisão se instala na Família

E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto; mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25.28

A lição de hoje veremos que a divisão na vida de uma família sempre causa uma enorme perturbação, correndo o risco de surgir um profundo sentimento de descontentamento que pode chegar até à morte.
família do patriarca Isaque, que está no centro da aula de hoje, foi extremamente abençoada, mas um dia permitiu que a divisão se instalasse em seu interior.

A divisão na família traz danos para todos, e somente Deus pode restaurar os elos de carinho e lealdade danificados.

O sentido de algumas palavras pode ser compreendido através da estrutura de seus elementos mórficos. A palavra divisão, por exemplo, é uma dessas. Ela possui o prefixo “di", que significa duplicidade, e o termo “visão”, que pode assumir vários significados. Entretanto, prioritariamente, pode ser entendido como a “percepção do mundo exterior” ou "aquilo constituinte de uma expectativa ou um desejo”. Assim sendo, ocorre a divisão quando duas pessoas juntas têm visões distintas sobre o mundo exterior, ou quando, entre elas, os ideais ou os desejos não são compatíveis. Como dois andarão juntos se não estiverem de acordo? (Amós 3.3)

A divisão, dessa forma, cria dificuldade para as coisas permanecerem estáveis. Por isso, o Senhor Jesus disse: "todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt 12.25). Destruição completa e queda, assim, são consequências da divisão. Isso decorre do princípio, segundo o qual, um plano somente será viável caso persista em suas características iniciais. Havendo divisão, surgirão novos projetos. Todavia, a glória do original jamais será restaurada.

Em toda a história da humanidade, observam-se muitas “quedas e devastações” decorrentes da divisão. Aconteceu, por exemplo, na partição de Israel, depois dos períodos áureos de Davi e Salomão, ocasião em que a terra santa foi dividida entre o Reino do Norte e o do Sul. Os dois Reinos foram decaindo gradativamente até serem levados cativos para terras longínquas. O Reino do Sul, Judá, ainda conseguiu retornar para Jerusalém. Entretanto, depois de subjugado, finalmente, no ano 70 d.C., foi esmagado por completo pelos romanos, acontecendo a Diáspora. Israel nunca mais foi o mesmo depois da divisão.


Queda e devastação foram observadas no Império Grego, depois da morte de Alexandre, o Grande,quando o reino foi dividido em quatro partes e, aos poucos, entrou em declínio, até ficar completamente absorvido pelo Império Romano, o qual, séculos depois, também entrou em colapso pela ocorrência desse mesmo processo.


A partir do século XV, o comércio de africanos como escravos para diversas partes do mundo, inclusive para o Brasil, não foi decorrente de invasões estrangeiras naquele continente, mas sim por causa de guerras entre etnias africanas inimigas. As pessoas das linhagens derrotadas nas batalhas eram vendidas aos comerciantes árabes e europeus, embarcando em navios negreiros para nunca mais retornarem à sua terra natal. "Assim, consta que o comércio de escravos que se estabeleceu no Atlântico entre 1450 e 1900 contabilizou a venda de cerca de 11.313.000 indivíduos”.


Atualmente, a África está dividida em 54 países, sendo o continente mais pobre do mundo, corroborando para tal circunstância, dentre outras, a profunda divisão étnica e cultural ali existente, gerando, ainda, prolongadas e sangrentas guerras em diversos países. Como mencionado, Jesus advertiu que um reino dividido contra si mesmo seria devastado. Muito lamentável.


Na história do século XX, de igual forma, alguns países tiveram grandes prejuízos por causa de divisões, como são os casos da Coreia e Alemanha, que se separaram após a 2ª Guerra Mundial.

Com a queda do muro de Berlim, no dia 9 de novembro de 1989, e a reunificação da Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental, o novo país restaurado se transformou numa das maiores economias do mundo. A antiga Coreia, entretanto, nunca se reunificou. Hoje, a Coreia do Norte continua empobrecida, com graves agressões aos direitos humanos (desenvolveu apenas sua indústria bélica), e a Coreia do Sul ainda está em processo de desenvolvimento.

Da mesma forma que aconteceu com vários países do mundo ao longo da história, inúmeras famílias também têm se desintegrado por causa da divisão instalada. No início da década de 1980, o mundo parou para assistir pela TV o enlace matrimonial entre o príncipe Charles e a princesa Diana, considerado o casamento do século. Anos depois, tendo a divisão se alojado naquela família real, o lar não subsistiu. Com as traições, conspirações e mortes, a sua ruína foi completa.


Desfecho distinto aconteceu com o casal Clinton. Mesmo com a infidelidade do esposo e então presidente americano, Bill Clinton, sua esposa, Hillary, decidiu permanecer no casamento. Posteriormente, em 2009, ela assumiu o posto de Secretária de Estado do seu país e, atualmente (2015), está cotada para concorrer à presidência dos EUA pelo partido Democrata. O casal enfrentou toda sorte de turbulências e, mesmo assim, ficou junto e, hoje, pode continuar o projeto de vida em comum.


Como dito antes, “havendo divisão, surgirão novos projetos”. Esses novos planos podem dar muito certo numa empresa onde, fazendo a repartição em segmentos, são estabelecidas diversas personalidades jurídicas (divisões) para as áreas de seguros, previdência, capitalização bancária, etc. O problema é que isso não vale, necessariamente, para a família, projeto feito para durar para sempre. Portanto, quando a divisão acontece na família, faz emergir inexoravelmente a presunção de dificuldades.


A história da família do patriarca Isaque, filho de Abraão, apresenta, com riqueza de detalhes, pessoas muito comuns. As características desses personagens são vistas, ainda hoje, em qualquer família contemporânea. Não se trata, pois, de um épico judaico com elucubrações fantasiosas, mas sim da narrativa de uma família que conviveu com os defeitos dos seus membros e enfrentou, por isso, questões interpessoais mal resolvidas. O relato é crível, verossímil, plausível, real. Trata-se de um primor, uma obra perfeita e excelente.


I. Uma Família Abençoada

1. Pré-história
E importante conhecer a história anterior ao nascimento de Isaque, a fim de se dimensionar o status desse homem excepcional e, a partir daí, compreender melhor todo o desenrolar de sua vida familiar.

Um homem da antiguidade, para ser feliz, precisava de duas coisas básicas: possuir uma terra para viver e ter um filho para preservar sua memória. Abrão morava em Ur dos Caldeus, uma terra que não era sua, e cuidava de Ló, um filho que não era seu. Ele tinha riquezas, amizades, destaque social em Ur, porém não tinha uma família completa e feliz. Um dia, o Altíssimo o mandou ir embora, e ele foi. Era preciso somente seguir as instruções para receber uma terra como herança e poder gerar um filho. Abrão queria alcançar a promessa, e o primeiro passo para isso era chegar a bom termo em sua jornada.


O Todo-Poderoso não lhe deu um mapa; apenas o mandou sair de Ur, e ele partiu. Por que Deus fez isso? Porque o Eterno queria que Abrão fosse um referencial de fé para sua família e para todo mundo, porque nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.3).

Deus prometeu ao patriarca fazer dele uma grande nação (Gn 12.2). Entretanto, depois, o Senhor lhe deu uma promoção: garantiu fazer dele “pai de multidões de nações” (Gn 17.4,5). Por isso, Deus mudou o nome de Abrão para Abraão, como também alterou o nome da sua esposa para Sara (Gn 17.15,16), pois ela seria “mãe das nações” e de “reis de povos”.
Muitos anos após chegar à terra de Canaã, e depois de diversos equívocos cometidos pelo ilustre casal, em cumprimento às inefáveis e gloriosas promessas de Deus, nasceu o herdeiro de todas as bênçãos que pendiam sobre Abraão e Sara, o qual foi criado em um lar no qual havia amor e carinho; talvez, em todos os tempos, ninguém tenha sido, como filho, tão amado como Isaque, que se constituiu em um presente inefável do Altíssimo na velhice dos seus pais e motivo de alegria (riso — Gn 21.6,7) para toda a sua família.

SUBSÍDIO
"A escolha do nome lsaque ("ele sorri")
Deve ter causado uma variedade de sentimentos a cada vez que era pronunciado. Mais importante, era um testemunho do poder de Deus em tornar realidade a sua promessa.
Em uma família de vigorosos desbravadores, lsaque era do tipo quieto, que se importava mais com seus próprios negócios, a menos que recebesse um chamado especifico para agir. Ele foi o filho único protegido desde que Sara livrou-se de Ismael.
Em sua própria família, lsaque ocupava a posição patriarcal, mas Rebeca tinha o poder. Ao invés de ser firme, lsaque achava mais fácil mentir ou condescender a fim de evitar confrontos. Apesar desses defeitos, lsaque fazia parte dos planos de Deus. O exemplo que recebera de seu pai incluía uma grande fé no único Deus verdadeiro. A promessa de Deus, de criar uma grande nação através da qual Ele abençoaria o mundo, foi passada de lsaque para seus filhos gêmeos.
Não é raro nos identificarmos com lsaque em suas fraquezas. Mas considere um instante: Deus trabalha através das pessoas a despeito de suas falhas. Ao orar, fale com Deus que você está disponível para ser usado por Ele. Você descobrirá que a disposição de Deus em usá-lo é ainda maior que o seu desejo de ser usado" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.20).

2. Casamento no Senhor

Com uma educação primorosa, tanto no aspecto espiritual quanto no moral, Isaque transformou-se num homem excelente. Ele era um homem de oração. Depois da morte de sua mãe, Abraão entendeu que era chegado o momento do casamento de seu filho. Enquanto Eliézer foi buscar uma esposa da linhagem paterna para ele, Isaque foi orar (Gn 24.63). Ele conhecia o Senhor, o qual, muitas vezes, no futuro, se identificaria como sendo o Deus de Isaque.
Tudo aconteceu de forma maravilhosa. Isaque e Rebeca se casaram no Senhor, cheios de alegria (Gn 24.67). As coisas começaram muito bem, pois contaram com a direção do Altíssimo, a bênção dos pais e o sentimento de amor recíproco dos nubentes.
Eles formavam o casal sobre o qual repousariam bênçãos divinas inigualáveis. O casal se constituía em paradigma de amor conjugal, espiritualidade e moralidade. Eles tinham uma casa edificada sobre a Rocha, conheciam o Senhor e eram submissos à sua palavra.
Isaque e Rebeca viviam assim, compartilhando vidas, sonhos e emoções, como veremos a seguir.

3. História que se repete

O desejo de ter uma família feliz passava, necessariamente, pelo nascimento de um filho, porém Rebeca era estéril. Não haveria o futuro profético tão almejado sem um filho. Uma enorme dificuldade para o novo casal que, junto, sonhava com o nascimento de um herdeiro, para ser aquele através do qual descenderiam tantos como as estrelas do céu. Abraão e Sara, os pais de Isaque, passaram pelo mesmo problema com Sara, e eles tentaram resolver a questão pelo modo deles (com a egípcia Agar), e não deu muito certo, pois criaram um embaraço para toda a descendência, o qual, inclusive, permanece até hoje, o conflito árabe-israelense.

Isaque e Rebeca, ao contrário, não pegaram nenhum "atalho”; antes entraram pelo caminho da oração. Eram pessoas de fé. Após vinte anos de oração, Rebeca engravidou e nasceram-lhes gêmeos (Gn 25.20-21; 26). Glória a Deus, o qual, após isso, confirmou a promessa: a descendência de Isaque seria como as estrelas do céu (Gn 26.4). Por outro lado, a vida financeira e social da família de Isaque estava indo muito bem (Gn 26.12-14). Não lhes faltava nada. Afinal de contas, "a bênção do Senhor é que enriquece, e Ele não acrescenta dores” (Pv 10.22).


II. Problemas

1. Pais com preferências filiais
No momento em que mais a família precisava caminhar junto, formando um laço indestrutível, para exemplo em todas as famílias do mundo (Gn 12.3), um aspecto bastante ruim começou a se manifestar no caráter de Isaque e Rebeca (Gn 25.28).

Isaque se afeiçoou profundamente pelo filho Esaú, o qual era homem de ação, de luta, de embates, que sabia como alvejar, com seu arco, uma caça que se movia rapidamente, além de conhecer, talvez até melhor que a mãe, o tempero da comida que era agradável ao pai. Esaú era a satisfação para seu velho pai, porém não dava prazer ao Altíssimo. Ele era profano (Hb 12.16). O interessante é que a Bíblia não mostra Isaque repreendendo Esaú pelos seus graves equívocos comportamentais. Ao que tudo indica, o pai se omitiu de ensinar o filho como andar com o Todo-Poderoso, diferentemente da conduta de Abraão. Filhos criados de forma diferente apresentam sempre diferenças importantes. Os ensinamentos recebidos não foram suficientes para tornar Esaú em um homem de fé.

Rebeca, por sua vez, amava o caçula (Jacó), um moço pacato, de hábitos caseiros. Possivelmente, ele não sabia, sequer, utilizar arco e flecha e nunca tinha matado uma gazela. Isso não era importante para sua mãe, que gostava de vê-lo em casa, em atividades pouco agressivas. Talvez Rebeca se sentisse consolada por sua preferência por causa de uma revelação divina recebida, segundo a qual o filho maior serviria ao menor (Gn 25.23). Contudo, como a palavra profética não havia sido dirigida a Isaque, eventualmente ele não tenha acreditado na veracidade dessa promessa.


Pelo que se percebe do texto bíblico, essas preferências dos pais não eram em nada dissimuladas. Os irmãos, desde muito jovens, sabiam perfeitamente da forte divisão naquela abençoada família. Certamente, era uma questão incomoda para todos. As esposas de Esaú, os criados, os pastores de Isaque, todos, enfim, deveriam conhecer bem de perto o antigo problema familiar, através dos sinais claramente perceptíveis que Isaque e Rebeca emitiam. Os pais faziam questão de tomar partido. Isso é lamentável.


2. Filhos com cosmovisões distintas

Quando a divisão se instala na família, os danos são imprevisíveis. A maneira diferenciada dos pais tratarem os irmãos repercutiu, certamente, no desenvolvimento emocional de ambos. A Bíblia não diz expressamente, entretanto seria natural que o pai tratasse com desdém, vez por outra, a presença “desinteressante” do filho mais novo, ao passo que vibrasse e sorrisse efusivamente com as façanhas do primogênito. Em contrapartida, da mesma forma, é provável que a mãe sempre implicasse com os "maus modos” do mais velho e guardasse sempre a melhor comida para o caçula, dentre outras coisas pontuais, que, ao longo da vida, foram distanciando emocional e espiritualmente os pais dos filhos, bem como os irmãos entre si — que acabaram absorvendo cosmovisões diferentes. A vida de Jacó era agradável ao Eterno (Ml 1.2; Rm 9.13), já Esaú era sexualmente descontrolado (prova disso é que se casou com duas mulheres pagãs, as quais trouxeram muita aflição à família patriarcal (Gn 26.34,35) e, depois, com uma terceira (Gn 28.9)). Ele também não respeitava as coisas santas do Senhor. Era, por isso, fornicador e profano (Hb 12.16). Jacó valorizava as coisas espirituais, e Esaú as materiais (Gn 25.34), razão pela qual, aos quarenta anos, casou-se com duas mulheres ímpias (Gn 26.34), enquanto que o caçula decidiu esperar em Deus pela esposa certa (Gn 27.46), vindo a se casar somente aos 84 anos! (Gn 29 21-30)


SUBSÍDIO
Fazendo a escolha certa. Quando, enfim, termina a espera, inicia-se a fase do deslumbramento. O primeiro olhar, aquele que chama a atenção e desestabiliza, é, em regra, inesquecível (o que não significa necessariamente amor à primeira vista). Foi o que aconteceu na vida do patriarca Jacó (Gn 29.10,11). Aquele que tinha esperado em Deus durante tanto tempo (diferentemente de seu irmão Esaú, que casara fora da vontade de Deus - Gn 26.34,35), teve enorme emoção ao se encontrar com sua amada. Mas por que ele chorou? Porque Jacó percebera que Raquel, mais que uma mulher bonita, era também a bênção há tanto tempo esperada. Ele percebeu que a ponte afetiva entre eles tinha sido construída por Deus. Não se tratava só de aparência física, mas, sobretudo, de providência divina. Jacó podia ver que Deus estava naquele negócio. (Preparando-se para construir uma Família - Lições Bíblicas JOVENS - Reynaldo Odilo)

3. Rompimento familiar
Iniciada como uma fagulha, ainda no ventre materno (Gn 25.22,23), a divisão concretizou-se decisivamente aos 77 anos de convivência dos irmãos, no momento em que o pai, já cego e debilitado, achava que iria morrer.
Depois de Jacó enganar o pai e Esaú, o último elo entre os irmãos foi totalmente desfeito. O que era “apenas” inimizade tornou-se ódio descontrolável. O campo de treinamento de Deus, a família, transformou-se em campo de batalha entre irmãos. A guerra estava deflagrada abertamente, e Rebeca, sempre muito perspicaz, ouviu uma informação terrível: Esaú estava propondo matar Jacó. Por causa disso, temendo perder seu filho querido, enviou-o a Padã-Arã, porém tencionava buscá-lo quando a ira de Esaú diminuísse. No entanto, nunca o fez, sinalizando um rompimento fraternal grave e duradouro.
Não é sabido se Rebeca, a serva do Senhor, se arrependeu por ter discriminado o filho mais velho durante toda a sua vida e mimado o mais novo, ensejando, no fim de tudo, uma confusão que a afastaria para sempre do seu filho amado Jacó.
A lição extraída disso tudo é que o ódio plantado na família pode ser incontrolável. O correto é remover, com urgência, o mal pela raiz, através do perdão. É muito triste saber que um casal tão abençoado como Isaque e Rebeca tenha errado de maneira tão decisiva na educação de seus filhos. Fica o exemplo para todas as famílias da terra. O amor deve ser distribuído profunda e indistintamente entre os filhos. Caso contrário, a formação deles, inclusive a espiritual, ficará comprometida.
Dessa forma, é bem possível que a divisão na família de Isaque tenha cooperado, ainda que minimamente, em produzir um filho completamente distanciado dos padrões divinos, como foi Esaú.

O ódio plantado na família pode ser incontrolável. O certo é cortar logo o mal na raiz, pelo perdão.

III. Fim da História
1. A fuga
Fugir nunca é a melhor saída. O importante é que cada pessoa assuma seus erros e arque com as consequências. Jacó, porém, diante do drástico rompimento familiar, empreendeu uma longa viagem à terra de seus avós maternos. Ele não sabia que lá, distante dos cuidados de sua mãe, passaria por momentos bastante difíceis. Seu tio Labão foi um péssimo anfitrião.
Egoísta e traiçoeiro, Labão fez o sobrinho experimentar dos seus próprios métodos familiares, com os quais enganara seu pai e seu irmão. Não adiantou reclamar, pois o irmão de sua mãe mudou seu salário dez vezes, com o objetivo que não tivesse prosperidade nos negócios. Apesar disso, o Eterno o ajudou e o abençoou (Gn 31.7,41,42). Entretanto, como toda fuga tem seu fim, chegou o dia determinado pelo Altíssimo, no qual o fugitivo voltaria à sua terra.

2. O retorno
“Então Jacó orou: ‘Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar'” (Gn 32.9 NVI). Jacó estava muito aflito! E por quê?
Porque ninguém pode ser feliz se, no passado, rastros de sofrimento foram deixados sem solução, se inocentes ficaram no prejuízo e se lágrimas de aflição rolaram sem consolo. O Senhor pedirá contas um dia. Essa é uma lei inexorável. Imagine agora como a situação fica mais complicada se isso aconteceu em nome do Altíssimo? Que drama! Que incongruência! Pois foi exatamente tal circunstância que se deu na vida do patriarca Jacó. E foi por causa disso que o Senhor determinou seu retorno à terra de seus pais.

Questões mal resolvidas são pedras no caminho da felicidade. No texto bíblico agora citado, há a informação de que o Criador mandou o "usurpador” retornar à “casa de seus pais e aos seus parentes”. Que grande susto para um fugitivo! O dia de fazer um “acerto de contas” com o seu passado havia chegado. Ele não poderia seguir adiante sem isso. Bem, ele até poderia, só que sem a bênção do Altíssimo.

Jacó, anos antes, tinha fugido de sua casa, por causa de uma trapaça que fizera. Seu irmão gêmeo e pai foram enganados. Sua conduta trouxe vexame, dor e lágrimas para sua família. Ele viajou para uma terra distante, arrumou emprego, casou, ficou rico, estava aparentemente tudo bem... contudo, havia algo que o amarrava... Era o ódio pelo seu irmão. O problema é que Jacó tentava empurrar isso para “debaixo do tapete” da existência. Porém, seria inútil. O filho preferido da mãe não poderia mais dar legalidade ao inimigo. Ele precisava enfrentar os dramas causados por suas escolhas egoístas, pois era um fugitivo dos seus próprios erros. E precisava deixar de ser, pois os foragidos nunca encontrarão a verdadeira paz. Como escapar de si mesmo? Como escapar da própria consciência que arde? Há uma lei, um princípio, que proíbe a existência de felicidade plena se, no passado, maldades foram perpetradas contra pessoas inocentes.
Essa diretriz da justiça divina está em toda a Bíblia e alcançou a vida do Filho Pródigo, narrada por Jesus em Lucas 15 (aquele moço jamais seria feliz se não voltasse para se reconciliar com seu pai). Um dia, na fazenda em que cuidava dos porcos, ele, caindo em si, entendeu que o único caminho da felicidade era voltar, para se reconciliar com seu pai. Do contrário, ele nunca se reencontraria com o caminho da vida.

A bênção do Todo-Poderoso somente flui, em sua plenitude, para quem responde pelos sofrimentos causados intencionalmente, sobretudo aos familiares, de maneira a evitar que os inimigos do Senhor blasfemem, conforme Natã explicou a Davi (2 Sm 12.14).

Assim sendo, filhos que abandonaram e praguejaram contra seus pais, ou vice-versa, ou quaisquer outros relacionamentos que exigiam cumplicidade recíproca diante de Deus, e que daí adveio traição, só poderão encontrar o caminho da paz quando restaurarem, pelo perdão, os elos vitais quebrados. Talvez, por enquanto, o Senhor não esteja exigindo uma conduta objetiva a esse respeito, mas no futuro o Altíssimo certamente cobrará o retorno, para um reencontro indispensável.

O Excelso Criador tinha mandado que o avô dos irmãos beligerantes, Abraão, saísse da sua terra e da sua parentela para uma terra que manasse leite e mel, mas o Senhor nunca determinou o retorno do pai da fé à sua terra natal. Por quê? Porque a vida de Abraão, em Ur dos Caldeus, estava bem resolvida familiarmente! Ele não era foragido, mas partiu de cabeça erguida. Entretanto, seu neto, ao contrário, tinha deixado marcas de sofrimento na vida do pai e do irmão e, por isso, era preciso retornar para pagar o débito com o Eterno e com sua família (Gn 32.3), pois quem assim não procede nunca poderá seguir em frente.

Da mesma forma, esse princípio divino atuou no caso de Onésimo, o escravo fugitivo de Filemon. Deus queria que ambos resolvessem a “quebra de fidelidade” que tinha acontecido. Paulo, por isso, escreveu uma carta ao seu amigo Filemon, determinando o reencontro. Voltar ao passado é um requisito para ser feliz e próspero na vida. Onésimo nunca poderia ser um obreiro eficaz com um "mandado de prisão” contra si. É preciso que todas as amarras sejam soltas.

Interessante, Deus havia dito a Jacó: “volte... e o farei prosperar.” Farei prosperar? Mas Jacó já não era rico e tinha muitos filhos? Sim, porém ele não era próspero! Só a partir daquele reencontro, o Senhor lhe daria a real prosperidade.

«Le Combat de Jacob avec l'Ange», détail
Peinture murale par Eugène Delacroix (1798-1863)
Para retornar e resolver os conflitos do passado, como sempre acontece, um forte medo invadiu o patriarca. Não seria bom continuar se evadindo? Só que o Eterno não aceitaria... Ele havia colocado Jacó numa encruzilhada. Sem ter alternativa, enfrentou o dilema do retorno da maneira que aprendera com seu pai Isaque e seu avô Abraão: buscando a Deus. Antes de se chegar ao seu irmão, reencontrou-se com o próprio Criador, em Jaboque, durante toda uma noite, quando seu caráter foi mudado. Ele deixou de ser “enganador” e foi transformado em Israel, que significa "aquele que luta com Deus”.

Será que na sua vida existe alguma relação que precisa ser reatada, principalmente diante do Todo-Poderoso?
Uma má ação praticada contra alguém que amava você?
Uma lembrança triste, a qual você prefere não trazer à memória ou que você prefere não mencionar?
Talvez este seja o seu momento!
O Senhor, quando fala assim, o faz por amor, visando que as coisas voltem à normalidade e que a bênção dEle seja derramada abundantemente.

3. O reencontro
Vinte anos já tinham decorrido desde a fuga de Jacó, mas agora ele retorna com tudo que possuía para se reencontrar com a sua família (Gn 31.17,18). Esaú era uma sombra no seu passado, uma marca indelével. Diante disso, Jacó enviou mensageiros para informar a Esaú que ele estava chegando (Gn 32.3-5). O medo da vingança assombrava o fugitivo patriarca e ficou ainda mais forte quando os emissários voltaram, pois disseram que Esaú viria ao seu encontro com quatrocentos homens (Gn 32.6,7). A partir daí, Jacó voltou a tratar diretamente com aquEle que pode fazer todas as coisas e que aparecera a ele no caminho de ida (Gn 28.10-13). Ele fez uma vigília a noite inteira e teve um encontro com o Altíssimo (Gn 32.22-31). Ao amanhecer o dia, Esaú despontou no horizonte com quatrocentos homens. Era um grande exército para a época! Mas o Senhor se compadeceu de Jacó e houve reconciliação entre os irmãos. Está escrito: “Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram” (Gn 33.4). No fim de tudo, Israel (aquele que lutou com Deus e prevaleceu), com a alma leve, teve um grave entrave do seu passado resolvido. Só não aconteceu mortandade porque Jacó buscou ao Senhor em tempo (Os 12.3,4) e se humilhou ante Esaú, recebendo o perdão, podendo, mais uma vez, sorrir livremente. Nada mais impediria aquele ancestral de Jesus a ser próspero de verdade, com toda sua família. Glória ao Eterno!

O reencontro marcou a completa reconciliação de irmãos que estavam separados há décadas. A família de Isaque agora poderia seguir seu caminho. Só o Criador cura graves traumas familiares.

Tempos depois, Isaque morreu (com 180 anos), e seus descendentes, unidos, sepultaram-no (Gn 35.29).

“Nota o homem sincero e considera o que é reto, porque o futuro desse homem será de paz” (SI 37.37).



CONCLUSÃO

Os descendentes de Isaque experimentaram as consequências de uma danosa semente de discórdia plantada pelos próprios pais. Fica o exemplo. É preciso haver equilíbrio no tratamento dos filhos, confiança no caráter de Deus, que sempre cumpre as suas promessas, além de um profundo desejo de construir um lar que glorifique ao Senhor, que faça a diferença na terra. Este é o plano divino para os jovens que esperam no Senhor!


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Um problema histórico. A rivalidade entre irmãos é um problema familiar histórico. Os casos são abundantes na Bíblia. Ismael perseguia a Isaque (Gl 4.29), Esaú e Jacó eram rivais desde o ventre (Gn 25.22,23), os irmãos de José tinham inveja dele (Gn 37.11), Miriã e Arão cobiçaram a posição de Moisés (Nm 12.1,2), os irmãos de Davi o desprezavam (1Sm 16.11; 17.28), dentre muitos outros casos. Assim, todas as famílias, independentemente da época em que viveram, são capazes de criar grandes zonas de conflitos entre irmãos. Cabe, porém, aos membros das famílias buscarem ao Senhor, para que haja controle sobre os impulsos da carne. Paulo roga que guardemos a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.1,3). Essa regra serve tanto para a igreja como para a família.
Todo problema vivido dentro da família é relevante, pois quebra a unidade no lugar em que as pessoas têm a obrigação de se amarem. “Amem-se ou pereçam”, dizia certo poeta americano. Ademais, está escrito: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1 Tm 5.8).
Por outro lado, os problemas familiares são inevitáveis. Sempre existirão conflitos. Cedo ou tarde. Pequenos ou grandes. Com todos ou só com alguns. Isso faz parte da natureza humana decaída. Até na família terrena do Filho de Deus houve conflitos. Assim, não existem famílias sem problemas, mas há como os membros permanecerem sempre unidos (Pv 24.3,4). Não se pode permitir que o campo de treinamento de Deus (a família) se transforme no campo de batalha da carne. O Senhor pode estabelecer uma paz inefável e duradoura (Jo 14.27).

Fonte:
Lições Bíblicas CPAD - 2ºtrim.2016 Eu e minha casa - Orientações da Palavra de Deus para a Família do Século XXI - Comentarista Reynaldo Odilo
Livro de Apoio - Eu e minha casa - Orientações da Palavra de Deus para a Família do Século XXI - Comentarista Reynaldo Odilo
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. Volume 1, RJ: CPAD, 2010.
Comentário Bíblico BEACON Vol.1 RJ.CPAD.2015
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé


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Aqui eu Aprendi!
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