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sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Salvação - O Amor e a Misericórdia de Deus -

Vós que, em outro tempo, não éreis povo, mas, agora, sois povo de Deus; que não tínheis alcançado misericórdia, mas, agora, alcançastes misericórdia” 1 Pe 2.10

Salvação — O amor e a misericórdia de Deus

Prezado (o) professor (a), o amor e a misericórdia de Deus, por si só, são temas que poderiam ser tratados em separado, ou seja, um por lição. Como aprendemos ao estudar os atributos de Deus, o amor e a misericórdia podem ser classificados nos atributos denominados de comunicáveis ao ser humano — o que significa que a Bíblia revela atributos de Deus que não podem ser manifestar na pessoa (atributos incomunicáveis) —, ou seja, atributos que podem ser manifestos na vida do ser humano. Nessa categoria, além da bondade, da justiça, da verdade, o amor e misericórdia são atributos que os seres humanos podem manifestar em vida. O plano de salvação de Deus tem como fundamento o seu amor e misericórdia.

Amor. A Bíblia declara que o próprio Deus é amor (1Jo 4.8,16). Isso significa que o amor é essência de Deus, a moral de o seu próprio ser. Ele justificou isso ao oferecer o seu Filho para nos salvar (Jo 3.16). Só o amor de Deus justifica seu caráter compassivo. Infelizmente, nossa sociedade está acostumada com a perspectiva fantasiosa do amor, pois este nos moldes modernos, na maioria das vezes, está baseado em palavras, subjetividades e romantismos baratos. Entretanto, o amor que se revela nas Escrituras Sagradas demonstra ação, atos de doar-se ou doar alguma coisa. É isso que caracteriza o amor de Deus. Por isso, encontramos nas Bíblias, principalmente nas antigas, o termo “caridade” no lugar do “amor”. Diferentemente de nossa cultura, na Bíblia, o amor é inimaginável sem o sê-lo por uma ação concreta. A prova do amor de Deus para com a humanidade foi o ato de enviar o seu único Filho para nos salvar.

Misericórdia. No Antigo Testamento, de acordo com os termos hebraicos rehem e hesed, a palavra misericórdia pode significar “compaixão materna”, “mútua obrigação ou solidariedade”. Já em o Novo Testamento, a palavra tem a conotação de piedade e compaixão, bem como pode expressar a ideia de “companheirismo em meio ao sofrimento”. Os textos de Lucas 10.37; Hebreus 4.16; Filipenses 2.1; Colossenses 3.12; Hebreus 10.28 ilustram respectivamente essas conotações e ideias. Logo, a salvação que o Deus Pai proveu a todos os seres humanos por meio de seu Filho, Jesus Cristo, é a prova cabal do amor e misericórdia de um Deus solidário ao ser humano, da pessoa que se arrepende de seus pecados para encontrar uma novidade de vida. Assim, vemos que a misericórdia de Deus dura para sempre! Revista Ensinador Cristão nº72

A partir de seu amor misericordioso, aprouve a Deus enviar seu Filho para morrer em lugar da humanidade.

Texto Bíblico - 1 João 4.13-19



Deus é um ser único e incomparável em um nível muito superior ao que conhecemos simplesmente por Ele ser Deus. Os critérios que Ele usa para definir o que Ele faz pelo ser humano não estão condicionados ao que o ser humano pode fazer por Ele e o quanto o ser humano pode amá-lo e corresponder a esse amor. Da mesma forma, sua misericórdia não encontra eco nas ações humanas que possam ter como objetivo algum merecimento, mas, exclusivamente, porque Ele é amor e exerce misericórdia deliberada e voluntariamente.

A salvação é a culminação do imenso amor e da misericórdia de Deus e somente é possível porque Deus amou o pecador infinitamente a ponto de entregar seu filho e continuamente tem misericórdia de seus filhos preservando-lhes a vida e concedendo-lhes perdão.

O MARAVILHOSO AMOR DE DEUS

O amor não é um atributo divino assim como os demais que lhe são próprios por ser Deus, pois o amor é a própria natureza e essência de Deus (1Jo 4.16). Sua principal característica é simplesmente ser amor e criar, manter e gerir todas as coisas sob essa essência. Deus não precisa esforçar-se para amar, pois nEle não se manifestam o ódio nem a raiva como nos seres humanos. Todavia, a Bíblia afirma que Deus manifesta ira, furor e punição, só que esses são frutos de sua justiça exercida com equidade, e não de qualquer patologia como nos homens. Essas manifestações são a consequência natural da alienação (separação) do homem de Deus, pois ninguém consegue viver alienado de Deus sem sofrer as consequências naturais desse afastamento.

Ele não ama com base na capacidade de alguém amá-lo. Ele não se envolve com base na capacidade de alguém se envolver com Ele. Ele não se doou baseado na capacidade de alguém se doar. Ele não espera ser correspondido para continuar oferecendo graça. Se Ele dependesse da correspondência humana para retroalimentar sua atitude graciosa, Deus seria um ser finito e limitado, dependente de fontes externas para estabelecer-se, mas não! Sua graça é infinita porque Ele não tem fim. Essa graça emana dEle, e é Ele próprio que a mantém, e também é Ele quem gera a energia permanente e transformadora dessa graça que Ele ofertou.

Nos seres humanos, o amor é uma força interior que impele ao autossacrifício e ao bem-estar do sujeito amado, que leva a nutrir, cuidar e proteger o ser que é alvo desse amor. O amor é a mais extremada e profunda forma possível de expressão do sujeito e também a mais incrível e gratificante forma de intimidade nas relações pessoais — nesse caso, baseada em relações de troca e em mutualidade. Até mesmo o amor de mãe, por mais sublime, altruísta e abnegado que seja, autorrealiza-se no bem-estar do filho/a amado/a (Is 49.15-16). Portanto, em certo sentido, o amor de mãe também é baseado em troca quando ela vê refletido em si mesma o seu cuidado no objeto do amor. O amor de Deus, porém, vai além dessa categoria humana de amar que tem como base a troca, pois o seu amor, mesmo não correspondido, não depende disso, tendo em vista que nenhuma criatura é capaz de amá-lo nem corresponder ao seu amor na mesma intensidade que Ele ama. Por isso, o amor de Deus é o que teologicamente se chama de incondicional, pois Ele ama sem ser amado, doa-se sem receber nada em troca, sacrifica-se sem ser reconhecido, entrega-se sem ser correspondido e tudo espera mesmo não recebendo nada. No grego, essa forma de amor é grafada com o verbo agapao e o substantivo ágape.

Somos apenas o alvo dessa graça que provém dEle e que é sustentada por Ele. Só é preciso estar disposto a cumprir o papel para o qual fomos designados, que é ser alvo dessa graça, desse favor, permitir que ela passe por nós, atravesse-nos e cumpra o papel designado a ela para cumprir em nós e por nós. Deus não ama porque merecemos, não importa o que façamos ou deixemos de fazer. Deus ama porque Ele é amor. Logo, não amar significaria negar sua própria essência, significaria Deus negar-se a si mesmo. Ao amar, Deus está apenas sendo leal a Ele mesmo. Ele não se doa por uma obrigação de ofício, mas, sim, pelo prazer de poder, mais uma vez e de novo, manifestar-se assim como Ele é. Quando Ele ama, simplesmente reafirma quem Ele é. Deus é amor, e sua graça será sempre derramada não por merecimento, mas, sim, porque Ele nunca deixará de ser quem Ele é. Eis aí algo que parece que Deus não pode fazer: Ele não pode escolher não amar, pois isso fere sua essência.

Deus ama não somente a criança abandonada, a menina abusada, aquele que foi morto por uma bala perdida, a mulher que teve sua casa incendiada pelo marido com ela dentro, mas Ele também ama aquele que abandonou a criança, o que abusou da menina, o que apertou o gatilho, o que incendiou a casa, embora Ele abomine essas atitudes e aja com justiça contra os maldosos. Deus amou aquele que não o reconheceu, aquele que o rejeitou, aquele que o traiu, aquele que o negou. O mundo não é um lugar belo e digno de ser amado, tem muito ódio e malignidade, mas, mesmo assim, Deus amouo. Por esse motivo, Jesus disse: “[...] sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (Jo 13.1).

Jesus amou os do mundo exatamente como eles eram, sem fantasiar esse amor, sem ser enganado, pois conhecia o coração deles (Mc 12.15; Lc 11.17). Por isso mesmo, Deus não está iludido em relação a nós. Ele sabe quem nós somos, que pecamos, que temos dificuldade para amar, que muitas vezes viramos as costas para Ele; mas, assim mesmo, Ele continua e continuará amando incondicionalmente. Quando o homem disse “não” para Deus, só houve um jeito de Deus trazê-lo para si: dando as costas para si mesmo e encarnando como homem. Dizer “não” para si mesmo para dizer “sim” ao ser humano a quem Ele ama.

Um dos mais belos textos bíblicos do Antigo Testamento que exemplifica esse amor de Deus é a vida parabólica de Oseias, o profeta que toma para si uma mulher totalmente indigna de ser amada e, mesmo assim, ela é amada por ele, apesar das suas estripulias, traições, amantes e repulsas pelo profeta. Ele toma todas as medidas para que a sua esposa venha amá-lo; vai ao encontro dela, recompra-a no mercado de prostituição, leva-a para casa e cuida dela com um amor incondicional e não correspondido. Deus quer mostrar ao seu povo que, apesar de não serem merecedores do seu amor, Ele, assim mesmo, ainda continuaria amando-os (Os 11.8-9). O amor de Deus manifesta-se terno e compassivo, muito acima do amor humano, que é apenas responsivo. Em Oseias, Deus solicitou ao profeta que Ele fizesse uma demonstração real do seu amor para com seu povo, atestando, assim, que Deus ama mesmo que o alvo do seu amor seja totalmente perverso e indiferente (Os 11.1-4).

Deus é amor (1Jo 4.8, 16) e, por esse motivo, Deus prossegue amando até à morte, como demonstrado na própria morte de Cristo (Gl 2.20; Rm 5.8; 2Co 5.14). Ele é a própria essência do amor; nós, seres humanos, somos apenas dotados com a capacidade de amar, mas Ele é o próprio amor. O objeto desse amor é o mundo todo destinado à salvação (Jo 3.16) mediante a pregação do evangelho (At 1.8), ou seja, toda a criação existente, incluindo, logicamente, o homem.

Diferentemente de outras crenças e religiões cujas divindades precisam ser descobertas (no sentido de não se revelarem) e agradadas para aplacar-lhes sua ira patológica, a cristandade tem seu fundamento em um Deus que se revela e que deseja que a humanidade venha conhecê-lo. Essa revelação baseia-se em amor, pois não são as criaturas que amam para que Deus venha amá-las, mas é o Deus verdadeiro que as ama para, a partir desse amor, seus filhos venham amá-lo por terem sido amados primeiro (Jr 31.3). O objeto do amor, o ser humano, não tem nada para ser amado; portanto, o amor de Deus é espontâneo e ilimitado.

Os evangelhos não apenas descreveram ditames morais e éticos, mas também estão repletos de ações de Jesus que revelam o amor de Deus. Quando seus discípulos pediram para que Ele mostrasse o Pai, Jesus respondeu: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). Foi por isso que Ele compadeceu-se dos pobres e marginalizados, curou os doentes, deu vista aos cegos, libertou os oprimidos do Diabo e estava sempre pronto para receber os mais miseráveis pecadores (Lc 15.11). Tudo isso aponta para o grande amor de Deus para com aqueles que não têm forças por si só de atraírem o amor e o cuidado dos outros (Lc 7.34), pois são indignos de serem amados pela seletividade do egoísmo e da individualidade humana; entretanto, Deus ama essas pessoas em Cristo Jesus.

É baseado nesse amor que o crente tem a sua segurança da salvação. É na revelação desse amor que ele firma sua confiança em Deus, que lhe ama incondicionalmente. Isso traz uma grande responsabilidade para o crente amar a Deus mesmo sabendo que seu amor é incondicional. Muitos têm medo de expor com clareza o amor de Deus porque os crentes podem abusar desse amor, entendendo que Ele amará do mesmo jeito, e, assim, eles aproveitarão para pecar; e Ele amará mesmo, mas é impossível entender o amor de Deus e não ser constrangido à obediência por amor (2Co 5.14). Quem não se sujeita obedientemente a esse amor é porque, na verdade, não o compreendeu nem o experimentou. É preferível servir a Deus por amor a servir baseado em ideias de medo e punição que são alienadoras e mentirosas em relação ao que Deus realmente é. Foi por isso que Oseias escreveu: “Atraí-os com cordas humanas, com cordas de amor; e fui para eles como os que tiram o jugo de sobre as suas queixadas; e lhes dei mantimento” (Os 11.4).

UM DEUS MISERICORDIOSO

A misericórdia de Deus é necessária em face da miserabilidade do homem. Por esse motivo, a Bíblia refere-se a Deus como o Pai das misericórdias (2 Co 1.3), de forma que tudo o que Ele faz é permeado por sua misericórdia (Sl 145.9), especialmente a obra de salvação pela qual estamos salvos (Tt 3.5). Assim, a misericórdia é a fidelidade de Deus para com a aliança de amor estabelecida com a humanidade (Sl 89.28) apesar da infidelidade e da indignidade desta.

Em grego, eleos (correspondente hebraico de hesed) significa expressar compaixão para com aqueles que sofrem alguma necessidade, ou que estão em extrema angústia, ou que estão em dívida e não encontram uma solução favorável. Este, portanto, é o significado da misericórdia referindo-se a Deus (Sl 103.13): a raça humana encontra-se em profunda angústia e dívida, merecendo a condenação eterna; Deus, no entanto, compadece-se dela fazendo irromper sua misericórdia em meio à desgraça humana simplesmente porque é um Deus de misericórdia e, então, traz-lhes perdão, alívio e descanso através de Cristo (Ef 2.4-5). Paulo afirma um grande gesto de misericórdia de Deus quando “havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz” (Cl 2.14).

Uma das mais belas histórias que retrata a misericórdia de Deus e que reflete exatamente o que Ele fez e faz por nós é a história de Nínive, retratada pelo profeta Jonas. Nela, a pecaminosidade daquela cidade extrapolou os limites da alienação humana, atraindo a justiça e a ira de Deus; mas, mediante a pregação dura do profeta Jonas, a cidade arrependeu-se, e Deus teve misericórdia dela. Isso causou a indignação do profeta, pois a misericórdia de Deus é paradoxalmente oposta a qualquer senso de justiça humano. Apesar disso, o profeta entendeu que a destruição da cidade era a coisa mais correta e justa que Deus poderia fazer (Jn 4.2).

Assim, a misericórdia de Deus faz-se necessária para que o estado de alienação e pecado em que o homem vive não faça com que sua ira e justiça divina irrompam em destruição e morte eterna. A misericórdia interpõe-se entre Deus e o ser humano, entre sua santidade e nossa pecaminosidade, entre aquilo que Deus deveria fazer conosco e aquilo que efetivamente Ele faz. Portanto, a misericórdia de Deus é infinitamente maior do que sua ira (Is 54.8). O nascimento, a vida e a obra de Cristo são a encarnação dessa misericórdia de Deus.

Quando andou na terra, os atos e palavras de Jesus demonstraram intensa compaixão para com os pecadores e com o sofrimento humano, de tal forma que as escrituras afirmam, por várias vezes, que Jesus sentiu compaixão (Mt 15.32; 20.34; Mc 8.2; Lc 7.13; 15.20; Jo 8.11). Baseado nessa misericórdia, o crente pode tranquilizar seu coração quando se sentir perturbado e afligido (Ef 2.4-5) e, quando em pecado, pode alcançar seu perdão e reconciliação (1 Jo 2.1), pois a sua misericórdia alcança-o a cada dia e nunca acaba (Lm 3.22, 23; Is 54.7); todavia, sua misericórdia não deve servir de oportunidade para o pecado (Jo 5.14; Hb 10.27). Certamente, uma das coisas mais difíceis da vida espiritual é receber o perdão de Deus.

Há alguma coisa em nós, humanos, que faz com que nos apeguemos aos nossos pecados e impeçamos que Deus exclua o nosso passado e nos ofereça um recomeçar inteiramente novo. Às vezes, até parece que quero provar a Deus que a minha mesquinhez leva-me a devolver a total dignidade da afiliação; persisto em insistir que conseguirei contentar-me em ser um servo eventual. Receber o perdão exige uma absoluta aceitação para deixar que Deus seja Deus e faça toda a cura, restauração e reparos.47

Quando aceitamos a misericórdia de Deus, também nos tornamos aptos a exercê-la em prol dos outros. Nos homens, o mais baixo grau de qualidade espiritual é a ausência de misericórdia (Rm 1.29-32); por isso, as Escrituras admoestam os crentes a terem entranháveis afetos e compaixões (Fp 2.1), como um sentimento que brota das mais intensas emoções e afetos. Por esse motivo, um dos sinônimos gregos da palavra misericórdia é justamente splanchnizomai (ter dó, ter misericórdia, sentir empatia), cuja raiz splanchna é entranhas, partes internas; por isso mesmo que, na antiguidade, significava a sede das emoções. A Bíblia ensina-nos a expressarmos ternos afetos de misericórdia (Cl 3.12) e declara que os misericordiosos são bem-aventurados e serão beneficiados pela misericórdia (Mt 5.7) quando necessitarem dela. Os escritores bíblicos querem afirmar com isso que a misericórdia deve ser exercida ativamente para com aqueles que não são dignos de amor e deve ser gerada como um sentimento que brota das entranhas, ou seja, extremamente profundo que brota do âmago do ser e que é manifestada em ações concretas de perdão, acolhimento e serviço em relação ao próximo.

AMOR, BONDADE E COMPAIXÃO NA VIDA DO SALVO

A primeira evidência da salvação na vida do crente é a maneira como ele ama a Deus. Esse amor é demonstrado na singela experiência de comunhão íntima com o Senhor (Sl 18.1; 116.1) e na obediência aos seus mandamentos (Dt 10.12; Jo 14.21). A segunda evidência é o amor demonstrado ao seu semelhante, que, conforme João escreveu, é a evidência material de seu amor para com Deus (1 Jo 3.17). Porém, a luta entre o amor e o desamor é acirrada nos corações.

Desde que a serpente disse: “[...] no dia em que dele comerem [do fruto da árvore que está no meio do jardim], seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus, serão conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.5), somos tentados a substituir o amor pelo poder. Jesus viveu essa tentação da maneira mais agonizante possível, do deserto até a cruz.48

O cristão que conhece e entende (racional e relacionalmente) o amor de Deus, reconhecendo-se como um pecador amado e alcançado por Ele, manifestará em seus relacionamentos o mesmo tipo de amor, pois seu amor deriva-se do próprio amor de Deus. Ele é a fonte desse amor que não cessa de jorrar e provê a capacidade de amar sempre de novo, mesmo sob circunstâncias adversas (Rm 5.5; 15.30). Estando em Cristo ou Cristo em nós (Gl 2.20), temos a certeza de que a capacidade de amar apoderou-se de nós e transformou-nos em pessoas amorosas, pois o amor que os seres humanos manifestam tem a sua fonte no amor de Deus.

O Antigo Testamento referiu-se a amar o próximo como a si mesmo (Mt 22.39), e essa realidade é muito difícil de ser atingida, pois o egoísmo e a individualidade fazem transgredir o mandamento. Jesus, porém, coloca outra medida ainda mais alta para o amor. Ele afirmou que deveríamos amar uns aos outros, assim como Ele nos amou (Jo 15.12). Sua medida de amor é entregar-se até à morte por alguém, ou seja, um amor extremado e imensurável. Nossa essência é pecaminosa, e a dEle é amor; amar como Ele amou é permitir que Ele habite em nós de forma tal que submeta nossa natureza caída ao esplendor de sua essência, que é amor. Amar como Ele amou vai além de parecermo-nos com Ele e fazer o que Ele faz. Não aprenderemos amar apenas fazendo o que Ele disse para nós fazermos, mas também permitindo que Ele viva em nós e ame a partir de nós; assim, não aprenderemos cognitivamente, mas aprenderemos vivendo a experiência de amar.

Nós, porém, somente teremos condições de amar como Cristo amou se primeiramente compreendermos a grandeza desse amor, como foi abordado anteriormente no tópico 1 deste capítulo. O motivo pelo qual muitos crentes não conseguem amar é porque nunca entenderam, por mínimo que seja, a grandeza desse amor, ou ainda, porque nunca o experimentaram em suas emoções, as quais não puderam ser tocadas por esse amor.

Sobre a capacidade de compreender o amor de Deus, Frank Macchia escreveu que, para os crentes pentecostais, as línguas faladas como evidência do batismo no Espírito Santo são uma linguagem de amor em que nosso entendimento tateia desajeitadamente para tentar entender o incomensurável49 e que o pentecostal recebe o batismo no poder do amor de Deus, que lhe preenche, para autotranscender as limitações de criatura, transpor fronteiras e desfrutar sensitiva e emocionalmente o amor santificador de Deus.50 Portanto, uma das maneiras de compreender, com base na experiência, o que é o amor de Deus, é por meio da ajuda do Espírito Santo, pois, humanamente falando, seremos levados a duvidar ou mesmo não compreender esse amor imensurável.

Sygmunt Bauman (1925–2017) afirmou que, para desenvolvermos nosso amor, precisamos ser amados. Não ser amado, recusar o amor, não entender que se é amado ou achar que não é objeto digno do amor alimenta a autoaversão (repugnância de si) porque o “amor-próprio é construído a partir do amor que nos é oferecido por outros”51; logo, quem se sente amado por Deus também não se ama e não pode amar o próximo. Dessa forma, para amar o próximo, passa-se por um processo de receptividade do amor de Deus, de entender profundamente esse amor, de viver e experimentar constantemente a realidade desse amor, de forma que a profundidade do ser desfrute objetiva e subjetivamente esse amor.

Assim, ao compreendermos o imenso amor de Deus, também seremos capazes de amar o próximo. “A práxis do amor eficaz consegue uma transformação da realidade. Transforma o círculo vicioso da ‘desgraça’ no círculo [divino] da graça, originando uma reação em cadeia de bênçãos.”52 Somente somos emocionalmente sadios se afirmamo-nos diante do nosso próximo como um alguém que cuida de nós e do qual cuidamos. Para superar nossas necessidades humanas, precisamos ser cuidados e cuidar dos outros; assim, garantimos nossa humanidade. Precisamos cuidar do outro para humanizarmo-nos.53 Entretanto, dentro de nós, “temos impulsos para a bondade, a solidariedade, a compaixão, o amor.” Mas, ao mesmo tempo, temos em nós “apelos para o egoísmo, a exclusão, a antipatia e até o ódio. Somos feitos com essas contradições, [...] gente de inteligência e lucidez e paradoxalmente rudeza e violência.”54

Somos inclinados a não amar. Sabemos que não amamos e nem sabemos amar, mas, através da salvação amorosa praticada por Cristo a nosso favor e uma vez convertido a Ele, que negou a si mesmo a sua condição de Deus para assumir a fraqueza humana, é arrancado do nosso coração o ódio e, então, cheio com a capacidade de amar. Assim, devemos ser esforçados para amar. Para isso, muitas vezes precisamos resignar a nós mesmos, suportar, minimizar, perdoar, não usar de violência nas palavras, acolher, cuidar e fazer tudo o que se relaciona ao amor. Como afirmou Fiodor Dostoiévski (1821– 1881), “o amor é um tesouro tão precioso que com ele podes comprar o mundo inteiro, e ainda redimes não só teus pecados, mas também os dos outros. Vai [amando], e não tenhas medo.”55

Amar o próximo como na parábola do Bom Samaritano (Lc 10.30ss) é amar não apenas aquele que escolhemos para ser nosso próximo, mas também aquele que se interpõe a mim, que eu encontro na caminhada e que precisa de mim. É o próximo que define que devo amá-lo (Mt 22.39), e não o meu desejo. O que define quem é meu próximo não é a distância ou a proximidade dele, mas, sim, a necessidade que essa pessoa tem daquilo que, sendo eu cristão, posso oferecer. Jesus muda radicalmente a forma como devemos amar. Ele desafia cada cristão a amar pessoas de etnias diferentes (Lc 10.25ss.); amar pessoas moralmente discriminadas e excluídas, opondo-se à “vanglória legalista e moralista” (Lc 7.34; Mt 21.31; Lc 15.1ss.; 18.11; Mc 2.15-17); amar os inimigos, contrariando o amor “incestuoso”, que não ultrapassa o raio dos próprios parentes e amigos (Mt 5.38-48); e amar os socialmente desprotegidos (contra a ideologia do “cada um por si, Deus por todos” (Mt 20.1-16)).56

Amor e sofrimento andam juntos. Quem ama precisa estar disposto a sofrer, pois as relações com o outro são precárias pelas próprias limitações do ser humano e pelo estado pecaminoso em que todos nós vivemos. Ninguém consegue satisfazer plenamente o outro numa relação, e isso precisa ser entendido para evitar frustrações, rancores e ter de exigir do outro além do que este pode dar, pois isso não é amor, e sim egoísmo. Entretanto, ao mesmo tempo em que as relações são precárias, elas também são uma manifestação do Reino de Deus entre as pessoas. Quando os relacionamentos são saudáveis e comprometidos, há um esforço para cuidar, nutrir, proteger, lutar, socorrer, prover, exercer misericórdia e estabelecer comunhão — tudo na potência desse amor. O apóstolo Pedro afirmou que esse amor é capaz de curar feridas: “[...] tende ardente amor uns para com os outros, porque o amor cobrirá a multidão de pecados” (1 Pe 4.8).

Certo teólogo disse que o sofrimento do amor é quando chegamos a ficar cansados de tanto amar, pois aqueles que precisam do nosso amor levam embora todas as nossas forças, e é exatamente por serem tão carentes é que precisam mais de nosso abraço. Precisa-se estar pronto a sofrer decepções, traições e incompreensões e entregar-se ao próximo em amor sempre novamente (1 Jo 3.14-18). Amar é correr o risco de não ser amado, de colher ingratidão, injúria e ser perseguido pelo mal em nome do amor. “Quanto mais alguém é capaz de uma entrega total, maior e mais forte será o seu amor. Tal entrega supõe extrema coragem, experiência de morte, pois não se retém nada e se mergulha totalmente no outro.”57

Quando Jesus lavou os pés dos discípulos, Ele afirmou que, como Ele havia agido em amor, os discípulos deveriam agir também (Jo 13.14), ou seja, o cristão deve demonstrar na prática a grandeza do amor de Deus, amando com um amor serviçal e sacrificial a todos a sua volta. Essa é a maneira mais grandiosa de demonstrar o verdadeiro discipulado cristão: amar uns aos outros (Jo 13.34).

Dentro dessa realidade de amar como Cristo amou, somos exortados pela Palavra de Deus a levar as cargas uns dos outros (Gl 6.2), a alegrar-se com os que se alegram e chorar com os que choram (Rm 12.15), chorar com e pelos que não conseguem chorar e ser sensível ao insensível (Lc 19.41-44). O Novo Testamento descreve mais de 36 vezes, direta e indiretamente, a necessidade relacional de “uns aos outros”, das quais 13 vezes são ligadas diretamente ao amor: lavar os pés (Jo 13.14); amar cordialmente e honrar (Rm 12.10); acolher (Rm 15.7); admoestar (Rm 15.14; Hb 10.25b); mostrar afeto (Rm 16.16; 1 Co 16.20; 2 Co 13.12; 1 Pe 5.14); ser servo (Gl 5.13); suportar (Ef 4.2; Cl 3.13); ser benigno, compassivo e perdoador como Cristo (Ef 4.32); sujeitar-se (Ef 5.21); instruir e aconselhar (Cl 3.16); amar fraternalmente (I Ts 4.9); consolar com palavras (1 Ts 4.18; 5.11); edificar (1 Ts 5.11); exortar no sentido de animar, incitar, aconselhar, persuadir (Hb 3.13); considerar (Hb 10.24); confessar as culpas (Tg 5.16); orar (Tg 5.16); amar de coração ardente (1 Pe 1.22); e servir com dons (1 Pe 4.10). Assim, devemos tratar os outros como se fossem o próprio Jesus e servir os outros como se nós fôssemos Jesus. “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo, todos morreram” (2 Co 5.14).


SUBSÍDIO LEXICOGRÁFICO
Misericórdia
“No Antigo Testamento, a palavra ‘misericórdia’, é a tradução da palavra grega eleos, ou ‘piedade, compaixão, misericórdia’ (veja seu uso em Lucas 10.37; Hebreus 4.16), e oiktirmos, isto é, ‘companheirismo em meio ao sofrimento’ (veja seu uso em Filipenses 2.1; Colossenses 3.12; Hebreus 10.28).
No Antigo Testamento, este termo representa duas raízes distintas: rehem, que pode significar maciez, ‘o ventre’, referindo-se, portanto, à compaixão materna (1Rs 3.26, ‘entranhas’), e hesed, que significa força permanente (Sl 59.16; 62.12; 144.2) ou ‘mútua obrigação ou solidariedade das partes relacionadas’ — portanto, lealdade. A primeira forma expressa a bondade de Deus, particularmente em relação àqueles que estão em dificuldades (Gn 43.14; Êx 34.6). A segunda expressa a fidelidade do Senhor, ou os laços pelos quais ‘pertencemos’ ou ‘fazemos parte’ do grupo de seus filhos. Seu permanente e imutável amor está subentendido, e se expressa através do termo berit, que significa ‘aliança’ ou ‘testamento’ (Êx 15.13; Dt 7.9; Sl 136.10-24)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1290).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“[...] É preciso compreender e comparar dois aspectos da salvação, que são: o aspecto legal e o aspecto ético e moral. No aspecto legal está a justificação, que trata da quitação da pena do pecado. Significa que a exigência da Lei foi cumprida. Porém, no aspecto moral, está a santificação que trata da vivência cotidiana após a justificação. Como compreender então a relação entre a justificação e a santificação?
Em primeiro lugar, a santificação trata do nosso estado, assim como a justificação trata da nossa posição em Cristo. Observe isto: Na justificação somos declarados justos. Na santificação nos tornamos justos. A justificação é a obra que Deus faz por nós como pecadores. A santificação diz respeito ao que Deus faz em nós. Pela justificação somos colocados numa correta e legal relação com Deus. Na santificação aparecem os frutos dessa relação com Deus. Pela justificação nos é outorgada a segurança. Pela santificação nos é outorgada a confiança na segurança. Em segundo lugar, a santificação envolve, também, o aspecto posicional. Na justificação o crente é visto em posição legal por causa do cumprimento da Lei, na santificação o crente é visto em posição moral e espiritual. Posicionalmente, o crente é visto nesses dois aspectos abordados que são: o legal e o moral. Legalmente, ele se torna justo pela obra justificadora de Jesus Cristo. Moralmente, ele se torna santo por obra do Espírito Santo” (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 5ª Edição. RJ: CPAD, 2005, pp.73,74).

Fonte: 
Livro de Apoio - 4º Trim/17 – A Obra da Salvação - Claiton Ivan Pommerening
Lições Bíblicas Adultos 4º trimestre/17 - A Obra da Salvação — Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Comentarista: Claiton Ivan Pommerening
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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

O Cristão diante da pobreza e da desigualdade

“O que oprime ao pobre insulta àquele que o criou, mas o que se compadece do necessitado honra-o” Pv 14.31

“As Escrituras condenam aqueles que manipulam a economia para satisfazer os próprios propósitos pecaminosos, tanto acumulando somente para si, como por outras formas de maldade, como cobiça, indolência e engano (Pv 3.27-28; 11.26; Tg 5.1-6). A justiça econômica condena aqueles que aumentam seus créditos, tirando vantagem dos que lhes devem; por outro lado, os que contraem dívida devem reembolsá-la (Êx 22.14; 2Rs 4.1-7; Sl 37.21; Pv 22.7). O princípio subjacente é que a propriedade privada é um dom de Deus para ser usado com o propósito de estabelecer a justiça social e cuidar do pobre e do necessitado. O ladrão arrependido é orientado a não mais roubar, mas sim trabalhar com as mãos e assim ganhar o sustento e ‘para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade’ (Ef 4.28, ênfase acrescentada). Poucos temas nas Escrituras se evidenciam de forma tão direta e clara do que as ordens de Deus para que nos preocupemos com os menos afortunados. ‘Aprendei a fazer o bem’, Deus brada, ‘praticai o que é reto; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas’ (Is 1.17). Através do mesmo profeta, Deus anuncia que o verdadeiro jejum não é um ritual religioso vazio (Is 58.7). Jesus aprofunda nosso sentimento de responsabilidade, falando que ao ajudarmos o faminto, o desnudo, o doente e o encarcerado, estamos, na verdade, servindo-o (Mt 25.31-46)” (COLSON, C.; PEARCEY. E Agora, Como Viveremos? 2ª Edição. RJ: CPAD, 2000, pp.454,455).

Diante da desigualdade e da marginalização social, a ação solidária da Igreja testifica a relevância da fé cristã diante dos homens e dá credibilidade à pregação do evangelho.

A ação solidária e caridosa é uma das maneiras mais eficazes de demonstração da autenticidade e relevância da fé cristã. Apesar disso, há quem entenda que não é papel dos discípulos de Jesus combater a pobreza e as desigualdades sociais, por acreditar que somos salvos pela graça. Realmente, as obras não servem para a salvação (pois pela graça somos salvos), porém elas testificam a nova vida em Cristo. As obras de justiça e misericórdia exteriorizam a graça divina e revelam o amor depositado em nossos corações. Afinal, quem foi agraciado com as Boas-Novas, passa a ser um agente de boas obras. Por esse motivo, Tiago escreveu que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17).

TEXTO BÍBLICO - Tiago 5.1-6

INTRODUÇÃO

A desigualdade social e a pobreza são problemas sociais presentes em praticamente todos os países do mundo, mas principalmente nas nações em desenvolvimento do Sul Global, incluindo o Brasil. Aqui, milhares de famílias vivem em condição de miséria, cuja renda é insuficiente para suprir as necessidades básicas. Não há como viver indiferente a esta realidade calamitosa!

Diante disso, a presente lição demonstrará a importância da participação cristã nas obras sociais, como expressão de amor e misericórdia, e como os princípios bíblicos podem contribuir para a formação de uma sociedade livre, justa e produtiva.

I. A ASCENÇÃO ECONÔMICA E O CUIDADO COM O POBRE

1. A pobreza nas Escrituras.
Nas Escrituras, o pobre é retratado como a pessoa necessitada, desamparada ou que se encontra em situação de miséria (Sl 37.25; 72.13; Lc 16.20; 1Tm 5.5). A pobreza é um fenômeno complexo e vários fatores econômicos e sociais podem contribuir para que alguém chegue a esta condição, tais como: desastres naturais, dívidas, falta de emprego, política econômica inadequada e até mesmo a preguiça (Pv 19.15). Em todos os casos não é suficiente olhar para o pobre simplesmente a partir da situação social ou econômica imediata. Biblicamente, devemos compreender que vivemos em um mundo caído, e a pobreza, assim como a doença e a morte, resulta da rebelião do homem contra o Criador.

2. O pobre e o amor ao próximo.
Enfaticamente, a Palavra destaca a importância do cuidado ao pobre, assim como denuncia a discriminação e a desonra contra as pessoas carentes (Tg 2.1-6). Tal se deve ao mandamento de amar o próximo como a nós mesmos (Mt 22.39) e do imperativo de demonstrarmos o resplendor das virtudes cristãs para a glória de Deus (Mt 5.16). Contudo, não encontramos nas Escrituras respaldo para a Teologia da Libertação, que centraliza na pobreza a ênfase do evangelho, e interpreta as Escrituras com base no sofrimento do oprimido. A teologia bíblica irradia graça para todos, sem distinção de classe social (Tt 2.11).

Igualmente, ainda que sejamos advertidos para não ajuntarmos tesouros na terra (Mt 6.19), e acerca dos perigos do amor ao dinheiro (1Tm 6.7-10), não se pressupõe que os ricos tenham conquistado sua riqueza por meio desonesto. Tanto o rico quanto o pobre carecem da graça de Deus, e devem igualmente ser tratados com equidade (Êx 23.3,6).

3. Ascensão econômica e desigualdade social.
Mesmo quando há ascensão econômica e melhores condições de vida, a desigualdade social e os grupos em situação abaixo da linha da pobreza persistem em existir. Isso porque, em razão dos efeitos do pecado, a Bíblia declara que “sempre haverá pobres na terra” (Mc 14.7). Todavia, longe de indicar uma postura de conformismo e indiferença, e servir como desculpa contra a ação social, tal afirmação deveria nos conduzir ao cuidado permanente dos necessitados, enquanto eles existirem (Rm 15.25,26; Gl 2.10; 1Jo 3.17). Somos apenas mordomos de Deus nesta terra; aquilo que possuímos, na verdade, pertence a Ele!

“A evidência da graça divina é vista na pregação e no alívio das necessidades materiais dos pobres” (Comentário Bíblico Pentecostal).

II. JUSTIÇA SOCIAL E PROFETISMO

1. Justiça social e igualdade.
Fazer justiça é um aspecto vital do nosso viver diário. Justiça, no sentido ora empregado, não tem qualquer acepção ideológica ou político-partidária. Em termos bíblicos, a justiça social parte do pressuposto de que todas as pessoas devem ser tratadas com igual respeito e dignidade, possuindo os mesmos direitos e deveres na sociedade. Considerando que o homem foi criado à imagem de Deus (Gn 1.26), a injustiça (Sl 92.15) e a acepção de pessoas (Rm 2.11) são rejeitadas por Ele. Desde o Antigo Testamento, aliás, vemos o Senhor instruindo a nação de Israel para cuidar dos pobres e vulneráveis (Mq 6.8; Zc 7.9); por isso a Lei estabelecia uma série de disposições contra a opressão aos menos favorecidos (Êx 22.25; 23.6; 30.15; Lv 19.10).

A prática da justiça na sociedade é uma prova da justificação que recebemos em Cristo. É certo que as obras são incapazes de salvar o homem caído e que as obras de misericórdia e justiça testificam a salvação alcançada pela graça. Tiago retratou fielmente essa verdade ao dizer que a fé, sem as obras, é morta em si mesma (Tg 2.17). Do crente, portanto, se espera a prática da justiça!

O espírito cristão de amor mútuo e caridade comum é uma marca do cristianismo ao longo da história.

2. Profetizando contra as injustiças.
A função profética sobrepuja a tarefa de transmitir mensagens de bênçãos da parte de Deus. Ela envolve também a denúncia do erro e a exortação contra as injustiças. Em outras palavras, o profetismo bíblico é abrangente, pois compreende, além do aspecto eminentemente religioso, as esferas econômicas e políticas. Profetas como Isaías, Jeremias, Miqueias e Zacarias falaram ousadamente contra a corrupção, exploração e as injustiças do seu tempo. Em um contexto difícil, Amós condenou o desprezo e a opressão dos poderosos em relação aos pobres, que eram pisados (Am 5.11) e vendidos ao preço de sandálias. Contra essa situação desumana e degradante, o profeta alçou a sua voz em defesa das pessoas carentes (Am 4.1,2).

3. Voz profética da Igreja.
A dimensão política do ministério profético permanece válida ainda hoje. Os cristãos são chamados a testemunhar publicamente acerca da justiça divina, ao tempo em que denunciam todo tipo de injustiça. A voz profética dos cristãos deve consolar e edificar, mas também precisa exortar (1Co 14.3), apontando tanto os desvios morais quanto sociais, a partir das verdades bíblicas.

Pense!
A Palavra de Deus condena aqueles que manipulam a economia para satisfazer os próprios interesses egoístas. Ela também condena qualquer forma de maldade, como a cobiça, a indolência e o engano.

Ponto Importante
Profetas como Miqueias, Isaías e Jeremias falaram ousadamente contra a corrupção, exploração e as injustiças do seu tempo.

III. A POLÍTICA ECONÔMICA E A DESIGUALDADE SOCIAL NO BRASIL

1. Desigualdade social no Brasil.
O país em que vivemos é marcado pela desigualdade social. Enquanto existe enorme concentração de renda entre as pessoas mais ricas, milhões de pessoas vivem abaixo da linha da pobreza, em condições de miséria. É papel da política econômica de uma nação avaliar os fatores que provocam as distorções sociais, e criar leis e mecanismos que possibilitem uma sociedade mais produtiva e justa. A economia, portanto, é um elemento importante para a vida das pessoas e das instituições públicas. Por essa razão, considerando que os princípios que norteiam a economia são vitais para o desenvolvimento sustentável da comunidade, adotar uma visão econômica coerente e que considere adequadamente a natureza humana (especialmente o seu estado decaído) é essencial para a redução da pobreza.

2. Economia na perspectiva cristã.
Embora a Bíblia não seja um livro de economia, ela contém relatos e princípios que nos fazem compreender a relação entre pobreza, riqueza, trabalho, desigualdade social e muitos outros temas da área econômica. Enquanto visão de mundo, o cristianismo considera todos os aspectos da vida humana, inclusive a dimensão econômica. Nesse sentido, encontramos nas Escrituras e na história da tradição cristã orientações suficientes para que a sociedade possa ser livre, próspera e justa.

Vejamos algumas dessas diretrizes: incentivo ao trabalho e repreensão à preguiça (Pv 6.6-11), limitação da função do governo (1Pe 2.13,14); condenação àqueles que manipulam a economia (Tg 5.1-6); proteção da propriedade privada (Êx 20.15); ênfase na liberdade responsável (1Co 6.12; 8.9) e valorização do espírito comunitário de ajuda ao próximo, dentre outros.

3. Assistência e desenvolvimento.
Mesmo no ambiente coletivo, a assistência às pessoas carentes é uma atitude vital de solidariedade. Embora o governo civil deva promover o bem, o que inclui programas de assistência social para atender às necessidades básicas dos cidadãos, não é recomendável criar uma cultura de assistencialismo que perpetue a condição da pobreza. É necessário focar no desenvolvimento, para que pessoas e famílias adquiram independência econômica e ganhem o pão do suor do próprio rosto (Gn 3.19).

“A fé deve nos mover em prol de boas ações, não para sermos salvos, mas para demonstrarmos que somos salvos, que nossa fé não é estática, e que Deus pode usar nossas ações para apresentar a fé pura e imaculada” (Silas Daniel).


CONCLUSÃO

Como percebemos nesta lição, o trabalho solidário da Igreja testifica a relevância da fé cristã diante dos homens, ao mesmo tempo em que dá credibilidade à pregação do Evangelho. Não podemos nos esquecer, porém de que Igreja, no sentido aqui empregado, não se resume à congregação local. Individual ou coletivamente, cristãos regenerados são capazes de desenvolver obras sociais que expressem o amor e a misericórdia divina, a partir da igreja local.



Fonte: Lições Bíblicas CPAD - Jovens - 4º Trimestre de 2017
Título: Seguidores de Cristo — Testemunhando numa Sociedade em ruínas - Comentarista: Valmir Nascimento
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quarta-feira, 18 de outubro de 2017

OMO preocupe-se apenas em fazer sabão. Dos meus filhos, cuido eu!

Omo: preocupe-se apenas em fazer sabão. Dos meus filhos, cuido eu!

“O teste de moralidade de uma sociedade é o que ela faz com suas crianças”.

A Escritura não falha. Paulo disse à Timóteo algo que, hoje, me faz um sentido absurdo:
“Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos.” 2 Timóteo 3:1

E cá estamos nós tratando de mais uma polêmica…

A empresa anglo-holandesa Unilever é uma multinacional de bens de consumo que possui no seu portfólio produtos alimentícios, bebidas, produtos de limpeza e produtos de higiene pessoal. A empresa possui mais de 400 marcas, dentre elas Dove, Hellmann’s, Rexona, Seda e…. OMO.

No último dia 06/10/2017, a marca de sabão em pó divulgou no seu canal no Youtube um vídeo intentando exercer uma influência direta na educação dos filhos brasileiros, ao afirmar que não se deve cria-los com “regras ou padrões”.

O mais interessante foi perceber que o vídeo sofreu (até este exato momento em que escrevo) 140.000 deslikes, enquanto obteve apenas 14.000 likes – o que denota que a aceitação do público para esta propaganda foi completamente negativa.

Aqui, temos um ponto a considerar: é evidente que a sociedade brasileira é moralmente conservadora e que não possui o desejo de ser doutrinada ideologicamente por ninguém. No entanto, caso a sociedade de um modo geral promova um boicote à marca OMO, será que isso impactaria na vida financeira desta gigante chamada Unilever?

Outra questão temos a levantar: qual é a necessidade de uma marca de sabão em pó promulgar impositivamente um pensamento progressista e relativista moral sobre o nosso país?

Os paladinos da esquerda brasileira que, engravatados, vociferam na Câmara dos Deputados, estão afirmando que a reação sociológica a todas as polêmicas recentes que envolvem a moralidade humana, a saber, QueermuseuMAM de SP, Programa Encontro com Fátima Bernardes, Programa ‘Fantástico’ etc., tem a ver com uma orquestração consciente do grupo político da situação para desvirtuar a atenção do povo daquilo que está acontecendo em Brasília.

Eu diria que isso é ingênuo ou mesmo perverso, pois é como se estivessem chamando o brasileiro de alienado. Veja bem: para mim, o único alienado é aquele que acha que deve fazer vista grossa quando a mídia tenta desconstruir valores familiares milenares com o pretexto de que temos de “evoluir como sociedade”.

Não há quem não perceba que o governo Temer é um governo deslegitimado e que os escândalos de corrupção permanecem pululando nos noticiários, mas isso não significa que temos de ser passivos quando a Rede Globo ou qualquer outra empresa ou qualquer outro indivíduo famoso tenta pregar uma mensagem de ódio à fé cristã e propor toda uma desconstrução ética que atinja o cenário familiar nacional como um todo.

Isso me lembra uma das palavras de ordem mais gritadas pelos próprios progressistas: “o povo não é bobo (…)”.

Contudo e voltando a tratar do boicote, a questão é simples pra mim: dar um deslike no vídeo da empresa OMO e boicotar os seus produtos nos supermercados é o mínimo que um cristão sensato tem de fazer.

“Ah, mas isso não vai fazer cosquinha na Unilever!”. Não importa. A empresa perderá os seus resultados expressivos nas vendas deste produto se as pessoas boicotarem e a resposta a toda esta mobilização midiática contra a família bíblica será dada à altura.

Não podemos nos esquecer que a razão de existir de uma empresa ou um negócio é o lucro. Se não dá lucro, algo precisa ser avaliado. E quem sabe o corpo diretório da OMO não conclua que o marqueteiro deles precisa ser menos militante político e mais preocupado com a venda do seu produto?

A questão é que há uma tentativa velada de impor sobre o Brasil que o pensamento ou a opinião conservadora está ultrapassada. Porém, quem tenta fazer isso ou é ingênuo ou é ignorante, pois o Brasil é majoritariamente conservador. A reação da sociedade apenas comprova que a maioria conservadora está se impondo sobre a minoria liberal.

Como diz Bonhoeffer, “O teste de moralidade de uma sociedade é o que ela faz com suas crianças”. E a nossa sociedade (graças a Deus), majoritariamente, ainda procura dar uma educação que se firma não nas elucubrações toscas de Paulo Freire, mas, sim, na infalível Palavra de Deus.

OMO, um conselho te dou: preocupe-se apenas em fazer sabão. Com relação à educação dos meus filhos, cuido eu!


por Maycson Rodrigues

Fonte: GOSPELPRIME
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terça-feira, 17 de outubro de 2017

'Pedofilia não é arte' - Reportagem Domingo Espetacular - Record

Record mostra que pedofilia não é arte

Reportagem do Domingo Espetacular foi um dos assuntos mais comentados do Twitter


A rede Globo exibiu na semana passada um longa matéria tentando taxar de intolerantes todos os que reclamaram nas redes sociais da indecência exibidas nas mostras Queermuseu (Porto Alegre) e MAM (São Paulo).

A exibição de imagens de pedofilia, zoofilia e o vídeo que mostrava uma criança tocando o corpo nu de um homem sob o título de arte deixou muitos brasileiros contrariados. Por isso, quando a Globo tentou justificar esses abusos, a hashtag #globolixo acabou entrando para os principais assuntos do Twitter no mundo.

Neste domingo (15/10/17), a rede Record abordou o assunto de uma maneira completamente diferente, mostrando estar em maior sintonia com o pensamento dos brasileiros.

A Reportagem da Semana, que tomou um bloco inteiro do Domingo Espetacular, ouviu especialistas e mostrou de maneira inequívoca que houve abuso infantil nos museus.

A diferença na abordagem fez com que a hashtag #ParabensRecord chegasse aos trending topics.

De forma mais clara que sua concorrente, a Record ouviu especialistas como a psicóloga Roseli Sayão e o escritor Leandro Narlock, que mostraram o ponto de vista dos conservadores, repudiando não as “manifestações artísticas” em si, mas o fato de crianças terem livre acesso a coisas que não possuem maturidade para discernir.

Ao longo dos mais de 15 minutos da matéria, a Record também expôs a hipocrisia do movimento de artistas denominado #342Artes, que tentou ao longo da semana fazer protestos do que consideram censura.

Ficou mais uma vez evidenciado que o grupo, liderado por Caetano Veloso, segue uma agenda política de esquerda, contrária aos valores familiares da maioria dos brasileiros. A matéria mostrou inclusive que Caetano aos 40 anos teve relações sexuais com uma menina de apenas 13 anos, crime previsto em lei no Brasil. O ato criminoso já prescreveu, mas mostrou por que Caetano se incomoda tanto com essa questão.

Assista:
para ouvir o áudio vá ao topo da pagina e dê pausa na radio Gospel


por Jarbas Aragão

Fonte: GOSPELPRIME
#ParabensRecord

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