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segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

...e agora é Natal! Festa Cristã ou Festa Pagã?

SHALOM ADONAI

Caros irmãos, e então, chegou o Final de mais um ano. Glória Deus por isso!

Com o mês de Dezembro, agitando e colocando o comércio em alta rotação, muitos aproveitam para idolatrar a data 25 de Dezembro.

Observei que nesta data, alias em especial neste mês (dezembro), a população fica tão agitada, tão carismática(?), tão esperançosa, tão amorosa(?). Que nem parece que são as mesmas pessoas!
São pessoas viajando, recebendo parentes, "amigos" pra cá, "amigos" pra lá, mimos, cartões, fantasias, e por ai vai.... Ah, não esquecendo dos Perus, Aves temperadas, Churrascos, Tenders e as incríveis sobremesas. Então, se ouve ao longe a voz de uma crianças: - oba! Festa, presente! era o que eu queria! tem mais? meu videogame! nossa que lindo!
Meu irmão são tantas as expressões que, talvez, nos perderíamos em tantos adjetivos para expressar a alegria de uma data tão comemorativa "o aniversário em Dezembro"!

Então surge a pergunta: mas quem está aniversariando? e logo a resposta: Jesus!


Surge também outro questionamento: Tem certeza?

O que esta data "25 de Dezembro" tem haver com o nascimento de Jesus?
Não querendo ser um desmancha prazer, lhe respondo: NADA! certamente não seria esta a data do nascimento do Filho de Deus!

E com isso, vemos que a chegada desta data ficou mais voltado para comercialização, ganhos exagerados e vendas, muitas vendas e seus lucros exorbitantes!

Vamos deixar bem claro que não sou contra a reuniões familiares, inclusive nesta data, alias, acredito que a população deveria se reunir mais também fora desta data, não ter que esperar o "natal" para realizar esses encontros, não ter que esperar "um ano" para rever um parente querido, não ter que esperar "uma certa data" para abraçar alguém, não ter que esperar "Dezembro" para convidar pro almoço, ou jantar, alguém que tanto ama. Tenho a visão e entendimento que podemos abraçar a qualquer dia, dar um presente em qualquer dia, dizer a pessoa amada palavras lindas todos os dias, convidar para jantar em qualquer ocasião; meu amigo, para que esperar se posso fazer isso a qualquer momento!

Se reunir com pessoas que amamos é simplesmente maravilhoso!


Não quero desencorajar ninguém, mas o natal, 25 de dezembro, data reservada para estar se comemorando o nascimento de Jesus não existe. Na verdade o SENHOR nos orienta (ordena) a relembrar Sua morte, não seu nascimento!. (Êxodo12; Levitico 23:4,5; Números 9:1-5; Mateus 26:1,2; João 28; 1Coríntios 5:7)

ELE espera que os verdadeiros adoradores observem esta orientação: "Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós. Por isso façamos a festa, não com o fermento velho, nem com o fermento da maldade e da malícia, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade." 1 Coríntios 5:7,8

Natal! Esta comemoração é, na verdade, uma festa pagã. Mas ouvimos, ano apos ano, que essa data é o nascimento de Jesus. Mas quando vamos buscar a resposta nas Escrituras, não encontramos nada. Não há na Bíblia Sagrada respaldo para tal afirmação e nem tão pouco comemoração; é paganismo, mas quem quer ouvir isso? Poucos, alias, pouquíssimos!

A mídia mostra um momento de deslumbre, de presentes e mais presentes. E o povo? Sendo enganado!

Meu povo peca por falta de conhecimento! Oseias 4.6

Se pensarmos bem, milhões, bilhões de pessoas celebram a suposta data de aniversario de Jesus, mas não lembram, não se incomodam, não observam o dia de Sua morte na cruz. Que hipocrisia!

"E ele, respondendo, disse-lhes: Bem profetizou Isaías acerca de vós, hipócritas, como está escrito: Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim; em vão, porém, me honram, ensinando doutrinas que são mandamentos de homens." Marcos 7:6,7

ENTÃO NATAL OU SANTA CEIA - NASCIMENTO OU RESSURREIÇÃO

O que quer dizer a palavra Natal?

Natal no dicionário, diz-se do lugar onde alguém nasceu; diz respeito ao nascimento; natalício (relativo ao dia de nascimento).

E o que podemos encontrar nos Evangelhos?

As epístolas e os Evangelhos, foram escritos aproximadamente, segundo historiadores, a  partir de 50 d.C e não fazem menção de festa natalina. A única vez que é descrita uma festa de aniversário, diz respeito a Herodes. A passagem Bíblica diz que o ambiente no palácio naquele dia de festa era tão pecaminoso que ocasionou na morte de João Batista: "Festejando-se porém, o dia natalício de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio dos convivas, e agradou a Herodes, pelo que este prometeu com juramento dar-lhe tudo o que pedisse. E instigada por sua mãe, disse ela: dá-me aqui num prato a cabeça de João, o Batista." Mt 14:6,7,8

Sendo assim, com base neste relato Bíblico, podemos presumir que havia na época o costume de se comemorar o dia do nascimento, o aniversario, que por sinal até hoje se comemora.


O aniversário de Jesus não foi comemorado pela Igreja Primitiva e nem consta na Bíblia. O nosso Senhor é de Eternidade em Eternidade, o Deus Trino (Pai, Filho, Espírito Santo), não dá para determinar o dia de seu nascimento pois Ele, sendo Eterno, fica impossível dizer quando começou, onde seria a metade e quando o fim. Jesus não requer aniversario. Ele (Jesus) é a nossa alegria, a nossa Pascoa, o nosso Refrigério, o Sumo Sacerdote, o Profeta, a nossa Salvação, o Noivo esperado pela noiva, o Advogado, o Juiz, e podemos estar com Ele todos os dias, inclusive a Bíblia nos ordena a celebrar a Sua morte e ressurreição. Todos os meses que fazemos menção de Seu sacrifico, nos alegramos com os irmãos ao partir o pão e celebrar a Sua morte até que venha.  I Corintios 11 23-34


Jesus ressuscitou, foi elevado ao céu e está a direita de Deus Pai. Marcos 16:19


Nascimento de Jesus

A data de nascimento de Jesus é muito discutida. Porém, considerando que Jesus nasceu pouco tempo antes da morte de Herodes isto coloca-nos numa data anterior a 4 a.C. Outra ajuda que temos para facilitar a localização da data do nascimento de Jesus foi que este ocorreu quando José foi a Belém com sua família para participar do recenseamento.

Os romanos obrigaram o recenseamento de todos os povos que lhes eram sujeitos a fim de facilitar a cobrança de impostos, o que se tornou numa valiosa ajuda na localização temporal dos fatos, uma vez que ocorreu exatamente 4 anos antes da morte de Herodes, no ano 8 a.C.. Entretanto, os Judeus tomaram providência no sentido de dificultar qualquer tentativa por parte dos ocupantes em contar o seu povo, pelo que, segundo a história, nas terras judaicas este recenseamento ocorrera um ano depois do restante império romano, ou seja no ano 7 a.C.. A data mais provável que podemos encontrar nas diversas pesquisas e através dos historiadores, seria entre Agosto/Setembro e no máximo no inicio Outubro.(pesquisa net)


Quem já pesquisou sobre Israel sabe que 25 de Dezembro é inverno naquela região, e quem ficaria exposto ao frio e ao tempo com o rebanho (suas ovelhas), vejamos Lucas 2:8 "Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho."; os pastores não ficariam no campo numa noite de inverno. No final de Outubro e início de Novembro, os pastores já não vão mais ao campo, porque já é declarado inverno. Cabe ser mencionado, mas Dezembro na realidade seria o mês de numero 10 e não 12, já como o próprio nome diz, "decem", mas isso foi só para despertar nossa curiosidade, em breve revemos este assunto. Roma modificou muitas coisas e, por bem colocar a data de 25 de Dezembro como sendo o dia do nascimento de Jesus. Mas no frio?


Precisamos discernir o que é sagrado e o que é profano.


No período do nascimento de Jesus, ocorreram alguns fatos importantes e destaco o recenseamento. O imperador Octávio César Augusto decretou que todos os habitantes do Império fossem se recensear, cada um à sua cidade natal, isso obrigou José a viajar de Nazaré (na Galileia) até Belém (na Judeia), porque era da casa e família de Davi, a fim de alistar-se (registrar-se) com Maria, sua esposa, que estava grávida. Enquanto estavam ali, chegou o tempo em que ela havia de dar à luz. Lembrando que havia Herodes lançado uma ordem para matar todos os meninos de 2 anos para baixo (era seu desejo se livrar de um possível novo "rei dos judeus").


Aqui eu Aprendi!
Seria um recenseamento para fins tributários ou não? Outro aspecto importante, subir a Jerusalém em um mês frio, em dezembro?
Sabemos que as 03 principais festas judaicas eram/são: a Páscoa (Pães Asmos), o Pentecostes (Colheita ou Semanas), e Tabernáculos (Tendas), que são assim chamadas em Ex 23.14-17; 34.18-23; Deut 16. 1-17; II Cr. 8:13.

Na Primavera a Pascoa hebraico Pesah, no mês de Abib (ou Nisan) - março/abril;

Na Primavera Pentecostes hebraico Shavuotno mês de Sivan - maio/junho

No Outono Tabernáculos hebraico Sucot, no mês de Tishri (ou Tishrei) - setembro/outubro

Em dezembro só existe uma festa que é a dos Macabeus, mais conhecida como festa das luzes (do sol). Quando Jesus nasceu, segundo a historiadores, provavelmente era a Festa dos Tabernáculos.

Subindo a Jerusalém

Qual é o judeu que ascende a Jerusalém em Dezembro? Em Dezembro só existe uma festa que é a festa dos Macabeus, conhecida como Festa das Luzes. Eles subiam, porque Maria era da descendência de Davi e era decreto que os descendentes de Davi todos os anos subissem a Tabernáculos para celebrar. Havia dois eventos especiais: a Festa dos Tabernáculos e o aniversário de Jerusalém. No caminho, em Belém, Jesus nasceu porque isto era profético (Miquéias 5:2). Mas não foi em Dezembro, não foi na festa ao deus sol. Quando Jesus nasceu, segundo a história, provavelmente era a Festa dos Tabernáculos.

Então o que 25 de Dezembro tem haver com o aniversario de nascimento de Jesus? Como já expresso acima, Nada!

Essa data teve inicio com a festa de adoração do sol chamada solstício de inverno. Os pagãos supersticiosos observaram que o sol se movia para o sul e os dias estavam reduzindo. Eles achavam que um dia o sol iria embora de vez, para nunca mais voltar. Então, como forma de impedir essa tragédia e agradar o deus sol, eles promoviam rituais e cerimônias.
  • No mundo Babilônico, o 25 de Dezembro era comemorado como "vitória do deus sol".
  • No antigo império romano a data e a festa ficaram conhecida como Saturnalia festival romano ou Natalis Solis Invicti ( aniversário do sol invencível)
  • Quem popularizou a data como sendo comemoração cristã, foi a Igreja Católica Apostólica Romana em 375 d.C, sob o papado de Júlio I. Os símbolos usados nas comemorações eram praticamente os mesmos dos cultos pagãos. Com a evolução dos anos, outros elementos foram inseridos a festividade natalina que atualmente tem forte apelo comercial.
Esta festa tem uma origem de celebração a falsos deuses “nascidos” na Babilônia, Grécia, Síria, nos países circunvizinhos do Oriente Médio, passando para a Europa, entrando em Roma e na Alemanha. A França comprou a visão, passou para a China e distribuíram para todas as nações da terra como fonte de comércio.

As antigas civilizações egípcias influenciavam todas as outras nações com a ideologia do deus sol. A festa acontecia em Dezembro, um mês de inverno. Era a festa pagã mais celebrada. Eles ficavam esperando a chegada do sol e, pelo ritual, no dia 24, no Oriente, o sol se abriria, e então, poderia haver a celebração porque o deus sol havia se manifestado. Roma adota essa data esperada pelos pagãos, para o nascimento de Jesus; declarou que o Natal seria na viração do dia 24 para 25 de Dezembro. O Imperador Aureliano estabeleceu em 275 que todos os fiéis e não fiéis obrigatoriamente comemorassem o Natal na data que foi estabelecida pelas autoridades romanas. Isto se dava com a comemoração da natividade da festa pagã, ou seja, do sol invicto. Todos deveriam participar dessa manifestação festiva, por isso foi oficializada aproximadamente no ano 336 por Constantino.


Santa Claus ou "Papai Noel" - é uma modificação do holandês "Nikolaas Sant." Foi o quarto bispo católico de Myra, na Ásia Menor, que trabalhava com crianças. Foi canonizado pela Igreja Católica Romana. A cor vermelha da veste é usada por bispos e cardeais da igreja romana e significa: Santa Claus protetor das crianças. Santa Claus também era conhecido como "Kriss Kringle" o mesmo que "Cristo Kindl"  ou "menino cristo". 
Então fica claro que tal adoração é para um santo católico chamado Nicolau, que é Papai Noel.
A aceitação dessa ideia é quase cem por cento, porque cultivaram isso em nossa mente quando éramos crianças. Mas, Deus levantou um povo para desmascarar o inimigo. "desperta tú que dormes levanta dentre os mortos e CRISTO te esclarecerá”.

Que coisa demoníaca esse homem de vermelho e enganando nossas crianças, que adoração a essa ilusão. (ah! se não for o papai ou a mamãe pra trabalhar e conquistar condições financeiras e manter seus lares, sua família)


A quem tu queres rendem adoração, ao Nicolau ou a Jesus?

Quem é a verdadeira Luz do mundo? Este é o tempo de levantarmos a nossa voz e declararmos que Jesus é a Resplandecente Estrela da manhã.


Vamos aproveitar o momento e trazer luz aos pensamentos, fazer ouvir a nossa voz. Preparar sermões onde o centro seja Cristo, nossa Salvação.

Porque nós cristãos temos que calar nossa boca em todo Natal?! 

Você sabia que:

Os Muçulmanos não comemoram o nascimento de Jesus. Embora eles mencionem Jesus no Alcorão (Livro sagrado dos Muçulmanos) a figura mais importante para os Muçulmanos é o profeta Maomé.


No Hinduísmo, por exemplo, Cristo é tido como uma encarnação de Vishnu, uma importante deidade da religião e o natal é, para os hindus, a festa das luzes, quando o nascimento da luz venceu a escuridão.


O Islamismo vê Cristo como uma espécie de profeta, porém não comemora o natal.


Os Testemunhas de Jeová são devotos a Cristo, mas não comemoram o natal por não haver, na Bíblia Sagrada, nada atestando ser este o dia do nascimento de Jesus além de entenderem que festas de aniversário são de costume pagão.


No Budismo, comemorar o natal é reunir os familiares, a celebração não tem nenhum cunho religioso por não se tratar de uma religião cristã e não acreditarem em Jesus Cristo.


Sobre os Ateus e Satanistas só o nome já responde a pergunta em quem acreditam ou melhor, em que está a sua fé(?), crença(?), devoção(?)


Estes exemplos, não comemoram o Natal! deixe-me repetir: Eles não comemoram o Natal, porque para eles o Salvador nunca nasceu e se nasceu alguém a quem chamamos de salvador, esse Alguém para eles não existe!


É hora de juntar as forças e lutar contra a ilusão do natal.


Comemorar Jesus (Emanuel) em nosso meio é maravilhoso, mas não podemos deixar acontecer o sincretismo nas Igrejas. Em nome do 'socialismo', do 'não fazer acepção', do 'devemos nos misturar para ganhar', as coisas estão tomando rumos críticos e caóticos.


Dentro de igrejas estamos vendo o paganismo entrar e os "separados", os "sacerdotes", a "noiva", aceitando, comendo qualquer comida, não discernindo o bem e o mal. Estamos em momentos difíceis e precisamos preservar a Verdade, anunciar as Boas Novas com sabedoria e verdade. Chega de mentiras e enganos, chega de ganancia e exageros em nome do "ser social", este é o tempo de fazer algo diferente e com isso voltarmos ao primeiro amor, ter fome e sede de justiça (de Deus), realizar o sacrifício agradável a Deus, entregar a melhor oferta, deixar de comer migalhas, encarar a verdade, acreditar que tudo posso naquele que me fortalece mas, nem tudo me convêm. Abra os olhos e veja! não se engane!


"Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem." João 4:23

Jesus afirmou: “Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a Ele servirás”. (Mt. 4:10).

A expressão usada pelo Mestre “só a Ele servirás”, indica que Deus é o único (de todo universo) que merece adoração ou ser servido (cultuado, venerado), porque Ele tudo criou.

"Temei a Deus, e dai-lhe glória; porque é chegada a hora do seu juízo; e adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas" Apocalipse 14:7


NÃO DESVIE A TUA ADORAÇÃO!

Fonte: Cristianismo hoje; Consciência Cristã; alunosonline; Bíblia Apologética; Bíblia Defesa da Fé; Blog Aqui eu Aprendi postagens publicadas


Leia: 


Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 29 de maio de 2018

As manifestações do Anticristo e o Dia do Senhor

“Que não vos movais facilmente do vosso entendimento, nem vos perturbeis, quer por espírito, quer por palavra, quer por epístola, como de nós, como se o Dia de Cristo estivesse já perto” 2Ts 2.2

ANTICRISTO — [Do gr. anti, contra, ou em lugar de, e christos, o ungido] Opositor por antonomásia de Cristo. Também pode significar aquele que se coloca no lugar de Cristo. Lendo a Primeira Epístola Universal de João, temos a impressão de que este personagem sempre esteve presente ao longo da história do povo de Deus: ‘Filhinhos, esta é a última hora; e, conforme ouvistes que vem o anticristo, já muitos anticristos se têm levantado; por onde conhecemos que é a última hora. Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos. Ora, vós tendes a unção da parte do Santo, e todos tendes conhecimento. Não vos escrevi porque não soubésseis a verdade. mas porque a sabeis, e porque nenhuma mentira vem da verdade. Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse mesmo é o anticristo, esse que nega o Pai e o Filho’ (1Jo 18.22)” (ANDRADE, Claudionor Corrêa. Dicionário de Escatologia Bíblica. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1998, p.22).

Pensar a respeito do futuro leva-nos a uma reflexão profunda sobre o presente, na certeza de que os sinais da vinda do Senhor estão estabelecidos.

Leitura Bíblica em classe - 2 Tessalonicenses 2.1-12

INTRODUÇÃO

O capítulo dois de 2 Tessalonicenses é dedicado à escatologia. Duas questões sobressaem-se: o Dia do Senhor e a figura do Anticristo. A abordagem que Paulo dá a esta temática é diferente daquilo que ele faz em 1 Tessalonicenses. As novas explicações dadas por Paulo manifestam, mais uma vez, o imenso cuidado que o apóstolo tinha para com aquela comunidade, pois ao invés de desistir de esclarecer o tema, ou simplesmente repeti-lo, o coração pastoral de Paulo leva-o a procurar outros argumentos para elucidar as dúvidas, a respeito das últimas coisas, daqueles irmãos.

I. POR QUE FALAR NOVAMENTE A RESPEITO DOS ÚLTIMOS DIAS?

1. Porque esta é uma questão que nunca envelhece.
Paulo demonstra em 2 Tessalonicenses 2.1, que a Igreja Primitiva tinha em seu interior uma oração constante, a qual centrava-se no desejo pela volta do Senhor Jesus. Qualquer igreja que não dedica tempo adequado à reflexão sobre a doutrina das últimas coisas será facilmente envolvida por um discurso imediatista, que defende o resultado a qualquer custo. Nós, contudo, devemos ser guiados pelos princípios da Palavra, os quais apontam para um minucioso processo desenvolvido por Deus ao longo da história. Devemos viver assim como Paulo e seus contemporâneos, pensando e esperando pela vinda do Senhor em nossa geração, mas se assim não acontecer, certamente usufruiremos do maravilhoso privilégio de estarmos preparados para a ressurreição dos santos.

2. Porque alguns falsos ensinos estavam confundindo os irmãos.
Pode-se inferir por aquilo que é dito no versículo dois que havia uma série de informações distorcidas, oriundas de fontes duvidáveis, que estavam confundindo o coração dos irmãos em Tessalônica. As palavras de Paulo tinham como intenção reforçar os fundamentos doutrinários que já haviam sido postos. O apóstolo contrapunha-se ao princípio estratégico de toda heresia: tomar uma parte da verdade, distorcê-la, e transformá-la em uma perniciosa mentira (2Pe 2.1). Os crentes em Tessalônica já tinham ouvido Paulo ensinar-lhes sobre as coisas futuras. Todavia, falsos pregadores, movidos por um maligno sentimento de aproveitar-se da generosidade e cordialidade daqueles novos convertidos, como se verá em outras lições, anunciavam o retorno iminente de Cristo como pressuposto para não trabalharem e viverem às custas de outros.

3. Porque é um tema complexo.
Debater a respeito dos últimos acontecimentos da história da humanidade é um enorme desafio, pois é uma questão sempre apresentada a partir de um olhar profético, envolto por revelações, visões, e por isso, muitas interpretações. Paulo já havia falado muito sobre essas questões com os irmãos em Tessalônica (v.5), mesmo assim era necessário aprofundar ainda mais os debates. A complexidade das questões escatológicas tende a levar as pessoas a dois extremos: ou a um afastamento completo, por meio do qual alguns evitam todo e qualquer debate alegando ser um tema profundo e de difícil tratamento. Outros, por sua vez, vivem fascinados por tais problemas e mensalmente elegem um anticristo. Esses, em todo acontecimento de repercussão mundial, veem um cumprimento profético, etc. Devemos procurar uma postura moderada, especialmente, centrada na Palavra de Deus.

Pense!
O imediatismo de nossos dias tenta nos roubar o direito de fazer uma reflexão profunda a respeito do futuro. Superemos o perigo de uma vida instantânea e lancemo-nos na busca constante e incansável por tudo aquilo que o Senhor generosamente tem nos preparado desde antes da fundação do mundo.

Ponto Importante
Se a igreja contemporânea calar-se a respeito do debate acerca das questões futuras, os ensinamentos heréticos oriundos de grupos heréticos se multiplicarão. Por mais desafiador que seja, nosso compromisso deve ser com o Deus da Palavra.

II. O DIA DO SENHOR

1. Não será previsto por indicações humanas.
Não são predições humanas que indicarão a chegada do Dia do Senhor. Tal evento certamente acontecerá, mas como o próprio Cristo já anunciou, será algo impossível de ser previsto por meio de uma data específica, apesar de falsos profetas tentarem adivinhar o dia (Lc 21.8). Será algo repentino e surpreendente (Mt 24.44). Ao longo da história humana foram várias as tentativas frustradas de indicação do Dia do Senhor. Ao invés de dedicarmos um precioso tempo a supostos cálculos, teorias sobre Israel e outras questões desnecessárias, devemos nos concentrar em manter uma vida piedosa e centrada na vontade de Deus, tal como Paulo orientava os crentes de Tessalônica. Mais importante do que saber o dia e a hora do retorno do Rei é estar preparado para tal momento.

2. O que acontecerá antes.
Paulo esclarece aos tessalonicenses a respeito de alguns acontecimentos que precederão o grande Dia do Senhor, dentre eles os dois principais: aumento exponencial da apostasia e a manifestação plena do Anticristo (v.3). A Palavra de Deus, em vários momentos específicos, aponta para esse processo de retrocesso em diferentes áreas: na espiritualidade de nossa sociedade, aumento de conflitos armados (Mt 24.6); desestruturação familiar (Mc 13.12); processo de dessensibilização dos indivíduos (Mt 24.12). Esses acontecimentos caracterizam a sociedade que presenciará o Dia do Senhor. Todo e qualquer prognóstico otimista é contrário ao que é anunciado pelas Escrituras. Não sabemos o dia nem a hora, mas podemos discernir o tempo: aproxima-se cada vez mais a vinda do Senhor.

3. Será um tempo de juízo para os que não creram na verdade.
O Dia do Senhor aqui é descrito por Paulo numa linguagem muito próxima a do profetismo do Antigo Testamento, tanto com relação à vinda dos povos opressores para o estabelecimento do cativeiro, como num anúncio escatológico (Is 13.6; Jr 46.10; Jl 2.1; Sf 1.14). Ao ser compreendido como momento de estabelecimento da justiça de Deus, o Dia do Senhor tem como inevitável característica da aplicação a sentença do Pai sobre aqueles que, conscientemente, negaram a eficácia da verdade e preferiram o erro. Não se trata de uma destinação prévia à condenação, mas antes, como o emprego da punição requerida por aqueles que arbitrariamente optaram por uma vida sem Deus e sem salvação. O Dia do Senhor certamente virá!

Pense!
A ilusão que grande parte dos movimentos heréticos cria é que, promovendo o anúncio de uma data para o retorno de Cristo, certamente as pessoas preocupar-se-ão em serem mais piedosas. O fato é que se não vivermos como se Cristo voltasse hoje, de nada importa saber que Ele virá amanhã.

Ponto Importante
A decadência moral e espiritual de nossa sociedade é um indício do quê? Na verdade, desde a Queda do homem, a natureza sofre ansiando a redenção e a humanidade luta para manter os resquícios da vida edênica. Não devemos temer o futuro, uma vez que é para a eternidade de alegria que nós caminhamos.

III. O ANTICRISTO

1. Aquele que ousa ser o que não é.
Há na descrição do Anticristo, tanto aqui em 2 Tessalonicenses, como em 1 João e Apocalipse, um conjunto de características que apontam para este espírito de emulação que domina o Anticristo (v.4). Não sendo o Salvador, ele pretende em tudo parodiá-lo: Se a vinda de Jesus é segundo o poder de Deus (Ap 19.11-16), a chegada do Anticristo é segundo a eficácia de Satanás (v.9); se Cristo é aquEle que se chama Fiel e Verdadeiro (Ap 19.11), o Anticristo vem firmado na operação da mentira e do engano (v.10). Mas também é preciso lembrar que, enquanto o Reino do Senhor estabelecer-se-á para sempre (Sl 145.13), a atuação do Anticristo será desfeita, facilmente, pelo poder da palavra do Altíssimo e pelo esplendor de sua vinda (v.8). O Anticristo busca incessantemente plagiar as ações do Cristo para, uma vez confundindo os incautos, arrebanhar para si uma multidão de alienados, opressos pelo mal.

2. É a materialização de uma espiritualidade decadente.
Ao denunciar a perniciosidade dos ensinos gnósticos que se multiplicavam no seio da igreja no final do primeiro século, especialmente os difundidos por aqueles que haviam sido cristãos, e agora apostatavam da fé (1Jo 2.18-23), João denuncia que já opera entre eles uma mentalidade demoníaca, uma espiritualidade diabólica, a qual o apóstolo denomina de “espírito do anticristo” (1Jo 4.3). A figura apontada por Paulo em 2 Tessalonicenses seria a personificação deste modelo antideus de sociedade, que se estabelecerá diante da vinda do Senhor. É como se, novamente numa nítida paródia de Cristo, no Anticristo se estabelecesse a síntese de toda a malignidade que é possível o indivíduo comportar. De fato, o Anticristo nada mais será que o ícone de uma cosmovisão, o símbolo encarnado do espírito que se opõe a Deus.

3. A operação do Anticristo hoje.
Aquilo que João e Paulo enfrentaram há 2.000 anos estamos enfrentando hoje. Os anticristos continuam em operação entre nós tentando, sistematicamente, desconstruir tudo o que tenha significância e importância para Deus e seu povo na atualidade. Deste modo, os ataques acontecem no campo da educação, das artes, da política, economia, etc. Quantas supostas “igrejas” têm surgido, acobertando e justificando os mais absurdos comportamentos e práticas supostamente em nome de um Evangelho contemporâneo? Ao invés de ficarmos, pateticamente, em busca de denominar o personagem histórico que se revelará como o Anticristo, é melhor denunciarmos as práticas decadentes da espiritualidade anticristã que deseja, de maneira insistente, estabelecer-se em nossa sociedade.


CONCLUSÃO
A reflexão sobre o Dia do Senhor e o Anticristo para a igreja em Tessalônica tinha uma enorme importância comunitária. Foi, provavelmente, por meio de uma heresia escatológica que se estabeleceu naquela comunidade uma celeuma de ordem coletiva. Nunca devemos menosprezar a relevância do ensino da Palavra, por mais desafiador e espinhoso que seja o tema, nosso papel é pregar toda a verdade.


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 2º Trimestre de 2018 - Título: A Igreja do Arrebatamento — O padrão dos Tessalonicenses para estes últimos dias - Comentarista: Thiago Brazil

Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 23 de março de 2018

Exortações finais na Grande Maratona da Fé

“Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta” Hb 12.1

Professor(a), pela graça do Senhor Jesus Cristo, chegamos ao final de mais um trimestre. Estudamos a Epístola aos Hebreus, uma carta que revela a superioridade de Cristo, do seu ministério e da Nova Aliança. Ela foi escrita em um tempo e em um contexto bem diferente do nosso, mas seu conteúdo é atual e nos ajuda a enfrentarmos os “tempos trabalhosos” pelos quais estamos passando. Nesta última lição estudaremos os dois últimos capítulos, esses nos exortam a correr a maratona da fé sem recuar ou olhar para trás, pois em breve o nosso Salvador virá.


Texto Bíblico - Hebreus 12.1-8;  13.15-18

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
Texto Bíblico: Hebreus 12.1-8; 13.15-18

2. I. A Corrida Proposta
• 1. O exemplo dos antigos.
• 2. O exemplo de Jesus.
• 3. O exemplo da Igreja.

3. II. Corredores Bem Treinados
• 1. Respeitam limites.
• 2. Mantêm a mente limpa.
• 3. Valorizem as coisas espirituais.

4. III. As Responsabilidades da Nova Aliança
• 1. Valorizar a liderança.
• 2. Valorizar a doutrina.
• 3. Valorizar a adoração.

5. Conclusão

Assim como um atleta, o cristão corre a grande maratona da fé.

Os dois capítulos finais da Carta aos Hebreus constituem-se como um dos mais fortes apelos exortativos de toda a epístola. A exortação, que começa no capítulo 12, é que cada um corra a “maratona da fé” que está proposta. A palavra grega agon traduzida como “carreira” tem o sentido de luta, conflito, esforço e corrida. No capítulo 11 o autor havia falado das promessas de Deus como o alvo a ser alcançado, agora ele coloca o cristão dentro da maratona da fé, correndo rumo a essa meta. Como toda corrida, é preciso fazer os preparativos necessários. E isso tem uma razão de ser — toda corrida, especialmente a maratona, demanda algum tipo de esforço e sofrimento. O sofrimento aparece como algo intrínseco da corrida, já que ela exige uma vida disciplinada. Todavia, nada disso deve servir de desmotivação, já que estamos numa pista onde outros, bem antes de nós, também já trilharam.

Comentário de Hebreus 12.1-29 e 13.1-25

O capítulo 12 de Hebreus continua com o tom exortativo característico do autor. Neil R. Lightfoot observa que o capítulo 11 não está isolado dessa seção. Ele destaca que o autor

"combinando fervor e o discernimento religiosos, trata-se de uma brilhante exortação colocada em meio a duas grandes seções apelatórias (10.19-39 e cap. 12) com respeito ao empreendimento cristão. Este capítulo então começa ou continua um desafio aos leitores para que perseverem na fé até o fim”.1

“Portanto, nós também, pois, que estamos rodeados de uma tão grande nuvem de testemunhas, deixemos todo embaraço e o pecado que tão de perto nos rodeia e corramos, com paciência, a carreira que nos está proposta" (v. 1).
Tendo discorrido sobre a odisseia dos heróis da fé, o autor introduz um elemento de conclusão de sua longa dissertação sobre o valor da fé na vida do crente. Estamos cercados de todos os lados pelo testemunho daqueles que ousaram acreditar nas promessas de Deus e viver à altura delas. Ele exorta seus leitores a deixar todo embaraço. A palavra grega usada aqui para “embaraço” é onkos, que significa peso, massa, e só aparece aqui no Novo Testamento. Philip E. Hughes destaca que esse termo é usado em relação a um atleta que se despirá para a ação, tanto pela remoção do peso supérfluo — mediante rigoroso treinamento — como pela remoção de todas as suas roupas.2  Muitas coisas à nossa volta não são pecados, mas podem tornar-se um peso do qual precisamos nos livrar.

"olhando para Jesus, autor e consumador da fé, o qual, pelo gozo que lhe estava proposto, suportou a cruz, desprezando a afronta, e assentou-se à destra do trono de Deus" (v. 2).
O autor encoraja seus leitores a olharem para Jesus, e não para as circunstâncias ao redor. Ele é o autor e consumador da nossa fé. O termo grego teleiotés, traduzido aqui como consumador, tem o sentido de “aquilo que é conduzido até o fim”. A ideia é do alvo que foi alcançado. O autor destaca que, a favor da igreja, Cristo trocou a alegria pelo desprezo. Ele suportou a cruz. A palavra "cruz” traduz o termo grego stauros, traduzido como cruz e madeiro.3  A palavra grega kekathiken, traduzido "sentar”, está no perfeito. Esse tempo verbal mostra uma ação feita no passado, mas cujos efeitos continuam no presente. Nesse aspecto, o autor destaca que Cristo, tendo concluído a obra da redenção, assentou-se à destra de Deus e ainda continua lá assentado (Ef 1.20). E mais: no Reino espiritual, nós também estamos assentados com Ele acima de todo principado, potestades, poder, domínios e qualquer nome que se possa referir não só no presente século, mas também no vindouro (Ef 2.6).

"Considerai, pois, aquele que suportou tais contradições dos pecadores contra si mesmo, para que não enfraqueçais, desfalecendo em vossos ânimos" (v. 3).
Os crentes hebreus estavam desfalecendo. Deveriam, portanto, tomar como exemplo Jesus Cristo, que, mesmo sendo inocente, suportou a afronta dos pecadores.

“Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado" (v. 4).
Jesus Cristo não apenas suportou o escárnio, o desprezo e a oposição dos pecadores; muito mais do que isso: Ele derramou seu sangue pela humanidade. Era verdade que os cristãos hebreus haviam passado por certas provas e sofrimentos, mas não ao ponto de derramar sangue. Não havia, portanto, razão para recuar. Donald Hegner destaca que

"como indica o contexto, não a batalha do crente que evita o pecado (cf. o v. 1), mas a luta para vencer a apostasia. Pode referir-se também ao pecado dos inimigos de Deus que perseguem o povo do Senhor, tanto quanto pode relacionar-se ao pecado potencial da apostasia que aflige os leitores. É contra a apostasia que estes devem lutar”.4

“E já vos esquecestes da exortação que argumenta convosco como filhos: Filho meu, não desprezes a correção do Senhor e não desmaies quando, por ele, fores repreendido" (v. 5).
Citando Provérbios 3.11, o autor mostra que a prova da fé cristã, longe de sinalizar um abandono de Deus, é uma clara demonstração do seu amor. Aqui, o autor vê o sofrimento que vem como consequência da oposição desse mundo hostil como algo positivo que vai acrescer maturidade à vida do crente. É evidente que o autor não se refere aqui ao sofrimento que foi provocado pelo próprio crente em virtude de seu pecado ou desobediência, nem tampouco naquele que é claramente visto como uma ação de Satanás. Aqui, tem-se em vista o sofrimento de quem vive de forma justa e piedosa e, por causa disso, entra em rota de colisão com o mundo, a carne e o diabo.

“Pois o Senhor corrige ao que ama, e açoita a todo o que recebe por filho” (v. 6).
Longe de apresentar Deus como um ser sádico, que tem prazer em ver o sofrimento dos outros, o autor continua com sua citação do Antigo Testamento, onde mostra que, muitas vezes, o sofrimento exerce um papel disciplinador na formação do caráter e identidade do crente. Se sofremos, e Deus se faz presente nesse sofrimento, então o sofrimento é para nosso próprio bem.

“É para disciplina que sofreis; Deus vos trata como a filhos; pois qual é o filho a quem o pai não corrija?” (v. 7).
O apóstolo Paulo lembrou que, quando não nos disciplinamos, Deus, então, exerce o seu papel de Pai quando nos disciplina (1 Co 11.31,32). O autor mostra que, se alguma coisa extraordinária estivesse acontecendo entre os hebreus, eles deveriam ver isso não de forma negativa, mas como um agir de Deus para o bem deles. Nem sempre é fácil ver Deus na adversidade. Como Gideão, dizemos: "O Senhor nos desamparou" (Jz 6.13).

“Mas, se estais sem disciplina, da qual todos são feitos participantes, sois, então, bastardos e não filhos" (v. 8).
O filho legítimo necessitava de disciplina e devia ser disciplinado para que tivesse seu caráter bem formado. Todavia, no mundo antigo, o filho ilegítimo não recebia tratamento igual. A palavra grega nothos, “ilegítimo”, não indica apenas

“que o pai não está suficientemente interessado neles para lhes infligir o castigo apropriado a seus filhos legítimos, mas, também, deve ser entendida no sentido legal de que um filho ilegítimo não desfruta dos direitos de herança e do direito de participação no culto familiar".5

“Além do que, tivemos nossos pais segundo a carne, para nos corrigirem, e nós os reverenciamos; não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, para vivermos?" (v. 9).
Nesse versículo, a palavra “pais” traduz o grego “paideutes”, de onde se origina a palavra “paideia” e a portuguesa pedagogia. A lógica do autor é bastante simples e prática: se nossos pais terrenos possuem o direito de educar-nos, às vezes tendo que corrigir comportamentos errados, da mesma forma Deus não pode fazer o mesmo conosco? Se respeitamos nossos pais, que nos disciplinam, e não os abandonamos de forma alguma, então por que vamos desistir da fé quando alguma situação adversa surge na nossa caminhada espiritual? O contraste é feito entre “pais segundo a carne”, que tem o sentido de “pais terrenos”, com "Pai dos espíritos", que tem o sentido de “Pai celeste” ou “Pai espiritual".

“Porque aqueles, na verdade, por um pouco de tempo, nos corrigiam como bem lhes parecia; mas este, para nosso proveito, para sermos participantes da sua santidade” (v. 10).
Visando um bem maior, nossos pais nos corrigiam conforme melhor lhes parecia. Às vezes, as suas intenções eram boas, mas a forma como faziam poderia não ser adequada. Por outro lado, Deus, como nosso Pai, corrige-nos visando um bem maior e da forma correta. O alvo da correção ou prova espiritual é a nossa participação na santidade de Deus. Não podemos servir a Deus de qualquer forma, visto ser Ele um Deus santo; precisamos nos manter separados daquilo que ofende a sua santidade.

“E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela" (v. 11).
Nenhuma criança (e adulto também) gosta de ser repreendido ou corrigido. A repreensão mostra-se desconfortável principalmente no momento em que é feita. Todavia, o autor mostra que o Pai celeste sabe que ela é necessária e, por isso, corrige-nos segundo melhor lhe parece. Há muitas famílias e até mesmo igrejas destroçadas por omissão e descaso na aplicação da disciplina bíblica. Se praticarmos a disciplina, ou, como diz o autor, nela nos exercitarmos, seremos cristãos bem formados espiritualmente.

"Portanto, tornai a levantar as mãos cansadas e os joelhos desconjuntados” (v. 12).
Como faz com frequência, o autor fundamenta suas exortações com passagens da Bíblia. Aqui, ele recorre a Isaías 35.3 da tradução dos LXX. Há muitas semelhanças entre o que Isaías diz para o antigo Israel com aquilo que o autor vem falando para seus leitores hebreus. A linguagem figurada mostra que é preciso vencer o cansaço e a fadiga que surge na caminhada.

“E fazei veredas direitas para os vossos pés, para que o que manqueja se não desvie inteiramente; antes, seja sarado” (v. 13).
A metáfora é a de um atleta em plena corrida que poderia “desviar-se” da rota que lhe foi traçada. O termo "desviar" usado pelo autor ocorre outras quatro vezes no texto grego (ektrapé) e, em todas as vezes, são de uso paulino. Duas dessas ocorrências paulinas mantêm o mesmo sentido que o autor demonstra aqui. Em 1 Timóteo 1.6, é usado para referir-se àqueles que se haviam desviado da sã doutrina para seguir as fábulas. Em 1 Timóteo 5.15, o apóstolo usa em referência às viúvas que se haviam desviado seguindo a Satanás. O perigo de perder o rumo existe, e é por isso que é preciso vigilância e cuidado.

“Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor" (v. 14).
O autor volta à santidade sobre a qual já se havia referido em Hebreus 12.10. O termo "santidade” traduz o grego hagiasmós, que, nesse contexto, tem um sentido mais relacional do que cerimonial. Aqui, o autor usa "santidade” para referir-se ao relacionamento do crente com Deus. Não se trata de uma forma de prática legalista, mas, sim, da intimidade do cristão com o Senhor.

“Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem" (v. 15).
O autor mantém seu tom exortativo. Aqui, ele exige cuidado e supervisão (gr. episkopeo) de seus ouvintes para não se privarem da graça de Deus. Os expositores Wilfrid Haubeck e Heinrich Von Siebenthal destacam que a expressão “hysteron apo charitos (privar da graça de Deus) tem o sentido de "ficar para trás / não chegar ao destino (na competição) e, assim, perder a graça”.6  O expositor George Wesley Buchanan observa que, aqui, o autor tenha ainda em mente a metáfora da corrida atlética e adapta à corrida cristã. Buchanan destaca que o autor tem em mente alguma coisa que pode conduzir à idolatria e à apostasia.Para Richard Taylor, essas palavras do autor de Hebreus também realçam o aspecto metafórico por ele descrito, só que em referência aos aspectos da vida cristã, e não propriamente às pessoas.

“Como as mãos são uma metáfora de serviço, e joelhos são uma figura de atitude (quer corajosa ou ansiosa), assim os pés são uma figura do caminhar cristão diário. Se este caminhar é cambaleante e tortuoso, nossa fraqueza se tornará pior, e nossa influência sobre os outros será prejudicada. Deus deseja a cura; mas nem as nossas próprias almas nem a nossa influência serão curadas a não ser que estejamos dispostos a corrigir o que está errado em nossas vidas. O arrependimento é o pré-requisito para a cura da alma".8

"E ninguém seja devasso, ou profano como Esaú, que por uma simples refeição vendeu o seu direito de primogenitura” (v. 16).
A palavra “devasso" usada aqui traduz o termo grego pornôs, da mesma raiz de pornográfico, prostituição e imoralidade. No Antigo Testamento, é bastante comum esse vocábulo ser usado em relação à idolatria como uma forma de prostituição. Aqui, o contexto sugere o uso desse sentido, pois, ao vender o seu direito de primogenitura, Esaú agiu com uma mentalidade materialista e avarenta. Ele valorizou mais o seu desejo que as bênçãos espirituais. Paulo afirma que a avareza é uma forma de idolatria (Cl 3.5). Por outro lado, o termo “profano”, do grego bébelos, está relacionado à falta de religiosidade de Esaú, que o fez perder a sua bênção.

“Porque bem sabeis que, querendo ele ainda depois herdar a bênção, foi rejeitado, porque não achou lugar de arrependimento, ainda que, com lágrimas o buscou” (v. 17).
O autor usa o exemplo de Esaú como uma metáfora de como devem ser tratadas as coisas espirituais. Esaú serve para exemplificar que há casos em que o arrependimento pode ser tardio.9  O expositor Richard Taylor comenta que

“Esaú pode ter alcançado arrependimento para a salvação eterna, mas não readquiriu seu direito de primogenitura (...). Persistir em vender santidade, que é o nosso direito de primogenitura, pelo prato de lentilhas que este mundo oferece vai finalmente selar nossa condenação. Há esperança para o relapso, mas não há esperança para o apóstata absoluto, e não haverá uma 'segunda chance’ após a morte”10.

No caso de Esaú, foi a bênção da primogenitura; no caso dos Hebreus, era a promessa da salvação.

“Porque não chegastes ao monte palpável, aceso em fogo, e à escuridão, e às trevas, e à tempestade" (v. 18).
Aqui, o autor usa os textos da Septuaginta de Deuteronômio 4.11; 5.22-25 e Êxodo 19.12-19. Os eventos do Sinai, onde houve manifestações físicas da presença divina, servem para mostrar como o povo da Antiga Aliança comportou-se diante dessas manifestações. Adam Clarke destaca que o propósito do escritor era "demonstrar que a dispensação da lei gera terror; que era terrível e exclusiva; que pertencia somente ao povo judeu".11  Por outro lado, Bruce vê aqui uma advertência dada pelo autor de Hebreus àqueles que começaram, mas estavam voltando atrás. Aqueles que são fiéis não devem temer nada.12

“E ao sonido da trombeta, e à voz das palavras, a qual, os que a ouviram pediram que se lhes não falasse mais” (v. 19).
Êxodo 19 mostra a sequência de eventos quando Deus revelou-se. A santidade de Deus é demonstrada aos israelitas de uma forma imponente em Êxodo 20.18-21. C. S. Keener destaca que, naquela ocasião. Deus quis provocar no povo o temor a fim de que eles parassem de pecar.13

"Porque não podiam suportar o que se lhes mandava: Se até um animal tocar o monte, será apedrejado” (v. 20).
Deus é tremendamente santo e, aqui, os parâmetros sobre a sua santidade atingiam até os animais (Nm 17.3).

“E tão terrível era a visão, que Moisés disse: Estou todo assombrado e tremendo” (v. 21).
Diante da manifestação da glória de Deus, até mesmo Moisés ficou assustado. No livro de Deuteronômio, ele diz: "Porque temi por causa da ira e do furor com que o Senhor tanto estava irado contra vós, para vos destruir; porém, ainda por esta vez, o Senhor me ouviu" (Dt 9.19). Donald Guthrie destaca que:

"Não há nenhum registro específico no Antigo Testamento de que Moisés tenha dito: Sinto-me aterrado e trêmulo na ocasião da outorga da lei, mas a ocorrência da tremedeira não é difícil de se imaginar nessas circunstâncias. A declaração mais próxima é Deuteronômio 9.19, que registra que Moisés relembra o temor que sentira. Além disso, há referência ao seu temor diante da sarça ardente (Êx 3.6), fato este que Estêvão nota em Atos 7.32. Este terror da parte de Moisés termina abruptamente o comentário do escritor sobre a velha ordem. Seu interesse centraliza-se na nova ordem”.14

“Mas chegastes ao monte Sião, e à cidade do Deus vivo, à Jerusalém celestial, e aos muitos milhares de anjos" (v. 22).
O cenário muda do monte Sinai para o monte Sião; da Jerusalém terrena para a Jerusalém celestial; das figuras humanas para as figuras angélicas. Aqui, os anjos aparecem não como seres a serem adorados, mas como adoradores de Deus juntamente com os remidos.

“Á universal assembleia e igreja dos primogênitos, que estão inscritos nos céus, e a Deus, o Juiz de todos, e aos espíritos dos justos aperfeiçoados" (v. 23).
Esse versículo é mais bem traduzido na Bíblia de Jerusalém: “com a igreja toda, na qual todos são ‘primogênitos’ e cidadãos do céu.” A expressão "espíritos dos justos aperfeiçoados” é uma referência a todos os crentes que completaram suas carreiras, que chegaram ao alvo desejado. É o mesmo termo grego que o autor usou em Hebreus 5.9.

"E a Jesus, o Mediador de uma nova aliança, e ao sangue da aspersão, que fala melhor do que o de Abel” (v. 24).
O relato de Gênesis 4.10 mostra que o sangue de Abel clama justiça. Na tradição rabínica, ele continuava clamando contra Caim. Esse conceito do “sangue que clama” também é lembrado por Jesus: “para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar” (Mt 23.35). Aqui, o contraste é entre o sangue do justo Abel, assassinado injustamente, e o sangue de Cristo, o Cordeiro de Deus imaculado e Mediador de um novo pacto, que foi entregue e morto por todos os homens. F. F. Bruce destaca que

"O sangue de Abel clamou a Deus desde a terra, ele está protestando contra o seu assassinato e reivindicando vingança; mas o sangue de Cristo traz uma mensagem de limpeza, perdão e paz com Deus para todos os que depositam sua fé nele".15

"Vede que não rejeiteis ao que fala; porque, se não escaparam aqueles que rejeitaram o que na terra os advertia, muito menos nós, se nos desviarmos daquele que é dos céus" (v. 25).
Com Êxodo 20.19 em mente, o autor volta ao seu característico tom exortativo. Se a quebra da Lei, que foi outorgada na terra, no Sinai, trouxe consequências para os desobedientes, muito mais responsabilidade tem aqueles que são advertidos e que participam de uma aliança superior, que vem diretamente do céu.

“A voz do qual moveu, então, a terra, mas, agora, anunciou, dizendo: Ainda uma vez comoverei, não só a terra, senão também o céu” (v. 26).
Esse versículo remete a Êxodo 19.18 e Salmos 68.8. No passado, na outorga da Lei, a voz de Deus foi ouvida como um estrondo. Na Nova Aliança, essa voz será ouvida no futuro, cumprindo a profecia de Ageu 2.6: “Porque assim diz o Senhor dos Exércitos: Ainda uma vez, daqui a pouco, e farei tremer os céus, e a terra, e o mar, e a terra seca”. O autor de Hebreus usa esse texto como uma referência aos eventos escatológicos finais.

“E esta palavra: Ainda uma vez, mostra a mudança das coisas móveis, como coisas feitas, para que as imóveis permaneçam" (v. 27).
A velha ordem dará lugar a uma nova ordem. A ideia aqui é que tudo o que existe será “sacudido” e só as coisas que são inabaláveis permanecerão. Donald Hegner sublinha que:

“As palavras ainda uma vez, extraídas da citação, explicam-se como referência ao julgamento escatológico (diferentemente do abalamento’ ou ‘sacudidela’ anterior); este abalar envolve purificação das coisas criadas (lit., como de coisas feitas’) para que (ou a fim de que’) só as (coisas) inabaláveis permaneçam, e mais nada. Mas as coisas que são abaláveis de fato serão abaladas; e isto é o que faz que a perspectiva do julgamento escatológico seja uma coisa terrível, (cf. v. 29)”.16

"Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade” (v. 28).
Aqui, o contraste é feito entre o mutável e o imutável; entre o que é abalável e o inabalável. A natureza do reino espiritual do qual todos os crentes fazem parte não sofre desgastes pelo tempo nem tampouco poderá ser substituído. Como participantes desse reino, a atitude do adorador é de um coração reverente e cheio de temor.

“Porque o nosso Deus é um fogo consumidor” (v. 29).
Aqui, o autor tem em mente Deuteronômio 4.24, que fala de um "Deus zeloso”. Diante de um Deus tão grande e de uma revelação tão completa, o crente não pode agir com indiferença.17

A conclusão da carta aos Hebreus no capítulo 13 segue o modelo das demais cartas neotestamentárias. Tendo terminado a sua longa exposição teológica, o autor conclui sua redação com alguns conselhos e recomendações práticas. Na verdade, essa conclusão apresenta-se como uma forma de "complemento”, onde algumas exortações já feitas no corpo da carta são trazidas à tona, porém de uma forma menos complexa. Muito da identidade do autor é revelada aqui. Um homem humilde, piedoso, compromissado e cheio de amor por seus irmãos aos quais ele queria ver com animo, fé e esperança em tempos de apostasia.

“Permaneça o amor fraternal" (v. 1).
O verbo grego usado aqui, menô, está no presente imperativo. O presente contínuo indica uma ação habitual ou contínua. O autor começa a conclusão de sua carta com uma ordem ou mandamento. O sentido é: “continuem permanecendo no amor fraternal’’.

“Não vos esqueçais da hospitalidade, porque, por ela, alguns, não o sabendo, hospedaram anjos” (v. 2).
O autor lembra seus leitores de serem hospitaleiros. Essa palavra (philonexenia) é também usada por Paulo em Romanos 12.13. Visto os constantes deslocamentos e as precárias acomodações existentes, a hospitalidade era algo extremamente necessário. Aqui, ela surge como uma demonstração de amor, comunhão e uma troca de bênçãos recíprocas. Como hospedeiro, Abraão acolheu a anjos (Gn 18.1-8).

“Lembrai-vos dos presos, como se estivésseis presos com eles, e dos maltratados, como sendo-o vós mesmos também no corpo" (v. 3).
É possível que, nessa passagem, o autor esteja se referindo aos cristãos encarcerados por causa de sua fé. No primeiro século, os presos, em alguns casos, não possuíam nem mesmo direito à alimentação. Eles dependiam de terceiros para prover-lhes o necessário.

“Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém aos que se dão à prostituição e aos adúlteros Deus os julgará" (v. 4).
A visão sobre a relação sexual entre os gregos e romanos era muito diferente daquela que existia entre os hebreus. No mundo greco-romano, a prática sexual não possuía os limites que a cultura judaica estabelecia. A pederastia, relação sexual entre uma pessoa mais velha e uma mais jovem, era uma prática que tinha amparo legal. Foi dito que Nero, o impiedoso imperador romano, era o homem de toda mulher e a mulher de todo homem. Sabendo que a prática sexual era vista de forma distorcida nos seus dias, o autor exorta os seus leitores a manterem a pureza sexual. A forma estabelecida por Deus era a prática do sexo dentro da esfera matrimonial.

“Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (v. 5).
Aqui, a exortação do autor direciona-se contra a avareza. A palavra grega aphilargyros, usada no versículo como "avareza", tem o sentido de “sem amor ao dinheiro”. Esse mesmo termo grego é usado em 1 Timóteo 3.3. Possuir dinheiro não é pecado, mas amar o dinheiro é. O conselho do autor é buscar o contentamento. Aqui, ele lembra as promessas de Deus a Josué, onde o Senhor mostra seu cuidado com o grande comandante de Israel (Js 1.5).

“E, assim, com confiança, ousemos dizer: O Senhor é o meu ajudador, e não temerei o que me possa fazer o homem" (v. 6).
Tendo em mente o Salmo 118.6, o autor lembra os seus leitores da fidelidade de Deus. Esse versículo é bem significativo quando o contemplamos dentro da exortação que o autor vem fazendo. Numa época de perseguição, espólio, sofrimento e até mesmo morte, o crente necessita descansar nas promessas de Deus.

“Lembrai-vos dos vossos pastores, que vos falaram a palavra de Deus, a fé dos quais imitai, atentando para a sua maneira de viver" (v. 7).
A palavra "pastores” traduz o vocábulo grego hégeomai, que aparece 20 vezes no Novo Testamento. O autor de hebreus utiliza esse termo seis vezes, sendo três delas neste capítulo.18  Na maioria das vezes, esse termo é aplicar a um "líder”. Dessa forma, Paulo exorta aos Tessalonicenses (1 Ts 5.13); Estevão usa essa palavra para referir-se a José como “governador" do Egito (At 7.10); em Hebreus 13.17, o autor usa essa palavra para exortar seus leitores a serem obedientes a seus pastores. O sentido aqui, portanto, é o de submissão, e não o de subserviência, dos liderados frente a seus líderes ou pastores.

“Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente" (v. 8).
O expositor bíblico Donald Hegner expôs com precisão esse versículo:

“A ênfase maior desse versículo é que Jesus Cristo, por causa de sua obra do passado e do presente, é infinitamente capaz de satisfazer todas as necessidades de todos os cristãos. Isto se torna aparente não só a partir do contexto, mas também pela estrutura do próprio versículo que diz, literalmente: ‘Jesus Cristo ontem e hoje é o mesmo, e até as eras.’ Sua obra de ontem, a obra sacrificial e expiatória como sumo sacerdote, foi exposta pelo autor de Hebreus com profundidade. É a própria base do cristianismo. Hoje a obra de Cristo prossegue, na intercessão que ele faz por nós, à mão direita do Pai (7.25; cf. 4.14-16)”.19

“Não vos deixeis levar em redor por doutrinas várias e estranhas, porque bom é que o coração se fortifique com graça e não com manjares, que de nada aproveitaram aos que a eles se entregaram" (v. 9).
Durante sua exposição sobre a doutrina do sacerdócio, o autor havia deixado bem claro que a Antiga Aliança, com todo o cerimonialismo levítico, havia sido substituída por uma Nova Aliança e um novo sacerdócio. Dentro da velha ordem, havia leis minuciosas sobre o que era considerado limpo e imundo (Dt 4.3-20). Ao acharem que essas regras tornavam Israel melhor do que os outros povos, eles acabaram desenvolvendo uma atitude legalista em relação às mesmas. Para o autor, essas prá­ticas não foram capazes de justificar ninguém diante de Deus. O que importava, portanto, não era a observância meticulosa dessas leis, mas, sim, um coração limpo e cheio da graça de Deus.

“Temos um altar de que não têm direito de comer os que servem ao tabernáculo” (v. 10).
Usando uma linguagem metafórica, o autor usa a cruz como sendo o altar do cristão. Os judeus que insistiam em cultuar a Deus valendo-se do antigo cerimonial levítico estavam excluídos da verdadeira adoração cristã. Era uma coisa ou outra. Quem insistisse em participar do velho sistema estava excluído do novo.

“Porque os corpos dos animais cujo sangue é, pelo pecado, trazido pelo sumo sacerdote para o Santuário, são queimados fora do arraial” (v. 11).
Levítico 9.11 e Números 9.13 descrevem os vários rituais de sacrifícios que eram realizados fora do acampamento. O expositor C. S. Keener observa acertadamente que a referência, nesse versículo, é ao dia da expiação, quando o sumo sacerdote entrava no Santo dos Santos com o sangue do sacrifício (Lv 16.27). Jesus cumpriu esse sacrifício no altar celestial.20

“E, por isso, também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, padeceu fora da porta” (v. 12).
Nessa passagem, o autor estabelece um paralelo entre os sacrifícios realizados no dia da expiação e o sacrifício de Jesus. Naquela ocasião, os corpos dos animais sacrificados eram queimados fora do acampamento. O relato em João 19.20 demonstra o fato de Jesus ter sido crucificado fora da cidade. O sumo sacerdote entrava no santuário com o sangue de animais para fazer o ritual da purificação; Jesus, todavia, com seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos para santificar o povo.

“Saiamos, pois, a ele fora do arraial, levando o seu vitupério" (v. 13).
Esse versículo dá sequência à argumentação do autor no verso anterior. Aqui, o convite é para os crentes deixarem o velho sistema e abraçarem o novo. Seguir a Jesus significa tomar a sua cruz e levar o seu vitupério. O termo grego oneidismos (vitupério) ocorre cinco vezes no Novo Testamento e significa "insulto”, "opróbrio". Esse termo já havia sido usado pelo autor de Hebreus no capítulo 11.26 para referir-se à "desonra" (NVI) que Moisés sofreu por ter abandonado as glórias do Egito. Seguir a Cristo é recompensador, mas quem o segue de verdade não terá os aplausos do mundo.

"Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura" (v. 14).
A cultura judaica antiga alimentava a esperança numa Jerusalém vindoura, que não podia ser encontrada aqui na terra. Para o autor de Hebreus, essa Jerusalém já existe e é para lá que os cristãos devem ansiar ir. Aqui, o contexto sugere que o autor tem consciência da luta dos cristãos primitivos e não quer vê-los alimentando expectativas com o velho sistema, simbolizado aqui pela Jerusalém terrena.

“Portanto, ofereçamos sempre, por ele, a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome” (v. 15).
Seguindo o texto de Oseias 14.3 da Septuaginta, o autor entra na dinâmica do culto cristão. O sacrifício do cristão é feito através da adoração e louvor que ele presta a Deus. Cristo ofereceu-se a si mesmo a Deus, e o cristão, por meio de Cristo, deve render sacrifícios espirituais. Uma tradição judaica afirmava que todos os sacrifícios mosaicos teriam um fim, exceto a gratidão, e todas as orações encerrariam, exceto a de ações de graças.21

“E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque, com tais sacrifícios, Deus se agrada" (v. 16).
Aqui, há um paralelo entre Atos 4.32-33, onde é descrito como vivia a comunidade primitiva. A exortação é para que os crentes não negligenciem práticas que são saudáveis e necessárias na vida cristã. As palavras “beneficência" e "comunhão" traduzem os termos gregos eupoiia e koinonia, respectivamente, que, neste contexto, significam "prática do bem” e "mútua cooperação”.

"Obedecei a vossos pastores e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossa alma, como aqueles que hão de dar conta delas; para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil" (v. 17).
Mais uma vez, como já havia feito (v. 7), o autor chama a atenção para a relação líder-liderado. Aqui, o contexto sugere que o termo egoumenois (pastor) tem o sentido de alguém que supervisiona ou pastoreia uma comunidade. Eles devem ser objeto de respeito, amor e consideração devido à obra que realizam (1 Ts 5.13). O trabalho pastoral transcende em muito o aspecto material ou físico. Aqui, o autor diz que o supervisor ou pastor tem a missão de “vigiar”, “estar alerta e vigilante” pela congregação, porque, segundo o autor de Hebreus, ele está consciente que prestará contas sobre a mesma. Tendo sobre seus ombros tão grande responsabilidade, seria um fardo a mais suportar a indiferença de seus liderados.

“Orai por nós, porque confiamos que temos boa consciência, como aqueles que em tudo querem portar-se honestamente" (v. 18).
Embora não saibamos quem escreveu esta carta, suas palavras revelam o caráter de um homem de Deus. Com humildade, ele pede oração a seus leitores, mostrando que a sua obra foi feita com a consciência de quem quer agradar a Deus, e não a si mesmo.

“E rogo-vos, com instância, que assim o façais para que eu mais depressa vos seja restituído"(v. 19).
Nesse versículo, alguns argumentam que o autor revela estar encarcerado, mas F. F. Bruce, tendo em vista o versículo 23, discorda dessa opinião. O fato é que o autor acredita fortemente no poder da oração e pede todo o empenho da comunidade em favor dele.

“Ora, o Deus de paz, que pelo sangue do concerto eterno tornou a trazer dos mortos a nosso Senhor Jesus Cristo, grande Pastor das ovelhas" (v. 20).
Esse versículo é mais bem compreendido dentro da tipologia do Êxodo:
“Todavia, se lembrou dos dias da antiguidade, de Moisés e do seu povo, dizendo: Onde está aquele que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho? Onde está aquele que pôs no meio deles o seu Espírito Santo?" (Is 63.11). A imagem é aquela de Moisés como o pastor do povo de Deus na travessia do mar (Sl 77.20). Aqui, a metáfora, como observa Bruce, é que Jesus, o grande Pastor, assim como Moisés, foi trazido não do mar, mas do domínio da morte.22

“Vos aperfeiçoe em toda a boa obra, para fazerdes a sua vontade, operando em vós o que perante ele é agradável por Cristo Jesus, ao qual seja glória para todo o sempre. Amém!” (v. 21).
Aqui, o autor expressa o seu desejo de ver seus leitores sendo capacitados e aperfeiçoados no servir a Deus. O Senhor é a fonte dessa graça que habilita os crentes a realizarem sua vontade.

“Rogo-vos, porém, irmãos, que suporteis a palavra desta exortação; porque abreviadamente vos escrevi" (v. 22).
O autor tem consciência de que foi incisivo em muitos pontos de sua argumentação e que fora duro em muitos deles. Todavia, isso não era tudo. Ele poderia ter dito muito mais, porém o que fora apresentado era suficiente. Agora, ele rogava-os que essa palavra de exortação deveria ser acolhida.

“Sabei que já está solto o irmão Timóteo, com o qual (se vier depressa) vos verei" (v. 23).
Aqui, é dada uma informação sobre Timóteo que não aparece nos demais escritos neotestamentários — a libertação de Timóteo da prisão. Essa era uma boa notícia para todos os crentes, já que Timóteo, um discípulo de Paulo, era querido por toda a igreja.

“Saudai todos os vossos chefes e todos os santos. Os da Itália vos saúdam” (v. 24).
Mais uma vez, como já havia feito, o autor demonstra um carinho e um respeito muito grande pelos supervisores da obra de Deus. Ele recomenda saudações a todos, juntamente com todos os crentes.

“A graça seja com todos vós. Amém!” (v. 25).
O autor termina sua carta como o faz os demais escritores do Novo Testamento: recomendando a todos a graça de Deus. Uma carta que começou com a graça, agora termina também com a graça. Amém.

Notas
1 LIGHTFOOT, Neil R. Hebreus - comentário vida cristã. Editora Vida Cristã.
2 FRITZ, Rienecker. Chave Linguística do Novo Testamento. Vida Nova.
3 Stauros, tanto no Antigo com o no Novo Testamento, recebe vários significados quando é traduzida. O seu significado, portanto, não pode ser dado isolado do seu contexto (para um estudo exaustivo sobre essa palavra, veja: GONÇALVES, José. Defendendo o Verdadeiro Evangelho. CPAD, Rio de Janeiro, 2009).
4 HEGNER, Donald. Hebreus - comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
5 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento. Vida Nova.
6 HAUBECK, Wilfrid e SIEBENTHAL, Heinrich Von. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Hagnus.
7 BUCHANAN, George Wesley. To The Hebrews - The Anchor Bible. Doubleday & Company, INC. Garden City, Nova York, EUA, 1972.
8 TAYLOR, Richard. Hebreus - comentário bíblico Beacon. CPAD, Rio de Janeiro.
9 A mesma palavra arrependimento usada aqui, metanoia, também é usada em Hebreus 6.4-6.
10 TAYLOR, Richard. Hebreus - comentário bíblico Beacon. CPAD, Rio de Janeiro.
11 CLARKE, Adam. Hebreus - comentário de la Santa Biblia - Novo Testamento, Tomo III. Casa Nazarena de Publicaciones.
12 BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio.
13 KEENER, C. S. Comentário al Contexto Cultural dei Nuevo Testamento. Mundo Hispano.
14 GUTRHIE, Donald. Hebreus - introdução e comentário. Editora Vida Nova.
15 BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio.
16 HEGNER, Donald. Hebreos - novo comentário contemporâneo. Editora Vida.
17 KEENER, C. S. Comentário al Contexto Cultural del Nuevo Testamento. Mundo Hispano.
18 FRIBERG, Timothy e FRIBERG, Barbara. Analytical Concordance of the Greek New Testament, vol. 1, lexical focus. Baker Book House, Grand Rapids, Michigan, EUA.
19 HEGNER, Donald. Hebreus - novo comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
20 KEENER, C. S. Hebreos - comentário al contexto cultural de la Biblia. Mundo Hispano.
21 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Vida Nova.
22 BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves

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