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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Relevantes como o Sal, Resplandecente como a Luz

“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” Mt 5.16


TEXTO BÍBLICO - Mateus 5.13-16

13 — Vós sois o sal da terra; e se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta, senão para se lançar fora e ser pisado pelos homens.
14 — Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;
15 — nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas, no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
16 — Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus.

“A Influência Deles (5.13-16)
Jesus usou dois símbolos para descrever a influência que os cristãos têm sobre uma sociedade não cristã. O primeiro foi o sal, e o segundo, a luz.

a) Como o Sal (5.13). O sal possui dois usos — dar gosto e conservar.

1) Alimentos como mingau de aveia ou molhos são muito desagradáveis ao paladar sem sal. Durante a Idade Média, na Europa, quando as pessoas preparavam a maior parte de seu próprio alimento, elas ainda tinham que viajar para os mercados anuais para comprar sal. O sal era considerado um ingrediente absolutamente essencial. Dessa mesma forma, a vida sem Cristo e sem o cristianismo é insuportavelmente insípida. Assim como Cristo revitalizou e deu gosto à vida do crente, cada discípulo, por sua vez, deve fazer o mesmo pela vida de outros.

2) O sal conserva. Antes do advento das caixas de gelo e dos modernos refrigeradores, o sal era um dos principais meios de conservar os alimentos. Quando peixes eram transportados no lombo de burros por cento e sessenta quilômetros de Cafarnaum até Jerusalém, eles tinham que ser abundantemente salgados. Assim, o seguidor de Cristo deve agir como um conservante no mundo. Não se pode deixar de imaginar o que aconteceria com a sociedade moderna, com toda a sua podridão moral, se não fosse a presença da igreja cristã”.

b) Como Luz (5.14-16). Jesus declarou certa vez: “Eu sou a luz do mundo” (Jo 8.12). Aqui Ele diz aos seus discípulos: Vós sois a luz do mundo (14). Assim como a lua reflete a luz do sol no lado escurecido da terra, a igreja deve refletir os raios do “Sol da Justiça” (Ml 4.2) em um mundo escurecido pelo pecado.

Os cristãos são como uma cidade edificada sobre um monte - uma imagem comum na Palestina. Gostem ou não, eles estão expostos perante o mundo o tempo todo. Não se pode mais escapar de sua influência, assim como ninguém é capaz de fugir de sua própria sombra.

O termo candeia (15) deve ser entendido como “lâmpada”; alqueire deve ser entendido como “medida de cereal” ou “cuba de farinha”; velador deve ser entendido como “castiçal”. Não se usavam velas nos dias de Jesus, mas pequenas lâmpadas de barro do tamanho aproximado da palma da mão de um homem. Muitas lâmpadas do tempo de Cristo foram desenterradas na Palestina. Nas casas sem janelas daqueles dias, a lâmpada deveria ser colocada em um pedestal, ou mais provavelmente em um nicho na parede de barro; ela daria luz a todos aqueles que estivessem na casa. Isto seria literalmente verdadeiro nas casas de apenas um cômodo das pessoas pobres da Palestina. O azeite era o combustível usado nestas lâmpadas.

A luz dos discípulos deveria ser as suas boas obras (16). Se eles brilhassem de forma coerente com aquilo que professavam, ela iria glorificar a Deus. Louvar ao Senhor com a nossa vida é mais importante do que louvá-lo com os nossos lábios. (Comentário Bíblico Beacon. Volume 6: Mateus a Lucas. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, pp.56,57).

O viver cristão autêntico é capaz de fazer uma diferença substancial na sociedade, não por meio de palavras, mas através de ações verdadeiras.

Estamos iniciando uma nova lição da Escola Bíblica Dominical sob o título “Seguidores de Cristo: Testemunhando numa Sociedade em Ruínas”. As aulas deste trimestre serão desafiadoras, pois teremos a oportunidade de aprender e discutir a respeito dos diversos temas que emergem na sociedade contemporânea. Falaremos sobre questões nacionais, internacionais, políticas, econômicas e muitos outros assuntos que fazem parte do nosso cotidiano, a respeito dos quais somos chamados a dar respostas contundentes à luz das Escrituras e das convicções cristãs.

Aproveite estas lições para instigar os alunos a serem relevantes e resplandecentes nesses tempos trabalhosos (2Tm 3.1). “Fazer a diferença” não pode ser um mero bordão religioso, e sim o resultado do efetivo testemunho cristão.

INTRODUÇÃO

Jesus foi contundente ao dizer que os seus discípulos eram o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5.13-16). Passados mais de dois mil anos após o Mestre proferir essa majestosa declaração, a responsabilidade que dela se extrai continua a ecoar sobre a vida dos seus seguidores. No decorrer deste trimestre, estudaremos a respeito de vários temas que evocam a aplicação dessa alegoria. Vivendo em tempos de caos, em meio a injustiças, desigualdades e conflitos, a Igreja é chamada a fazer a diferença e a testemunhar, diante dos homens, a relevância da fé cristã.

Nesta primeira lição, aprenderemos acerca do comissionamento que recebemos do Senhor para fazermos a diferença no mundo, mesmo dentro de uma cultura decadente.


I. COMISSIONADOS PARA TRANSFORMAR O MUNDO

1. A riqueza da metáfora.
No contexto do Sermão da Montanha, logo após falar sobre as beatitudes, Jesus declarou que os seus discípulos são o “sal da terra” e a “luz do mundo” (Mt 5.13-16). Ensinador por excelência, o Mestre valeu-se de metáfora, extraída das práticas comuns à vida, para transmitir um rico ensinamento a respeito do testemunho cristão no ambiente social. A alegoria empregada nos fala sobre um aspecto essencial da missão da Igreja na Terra: a sua presença ativa e transformadora na sociedade.

2. Comissão cultural.
Depreendemos da declaração de Jesus que ser sal e luz não é mera faculdade conferida à sua Igreja, é imperativo. Além da Grande Comissão (Mc 16.15), pela qual a comunidade cristã recebeu a incumbência de proclamar o evangelho e fazer discípulos, foi-nos outorgada também a comissão cultural — a chamada para salgar e iluminar a cultura do mundo. Isso significa tanto confrontar as culturas que se opõem ao evangelho, quanto produzir cultura de qualidade, para exaltação do nome do Senhor. Tal determinação está em sintonia com o mandamento que o Criador deu ao primeiro casal para sujeitar a terra e dominar sobre as demais criaturas (Gn 1.28). Surge daí a responsabilidade ética e espiritual de cuidarmos da criação de Deus de maneira zelosa, o que compreende aplicar os valores e princípios bíblicos em todos os setores da sociedade.

3. O poder impactante do Evangelho em tempos sombrios.
Apesar de vivermos em uma cultura decadente, caótica e sombria, o povo de Deus é capaz de testemunhar a graça divina e transformar a realidade social, política e econômica da presente era. Tal transformação se dá primeiramente com a correta compreensão de que o mundo jaz no maligno (1Jo 5.19), mas não lhe pertence. O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos (2Co 4.4). O Inimigo de Deus, depois da Queda, intrometeu-se na Criação e agora tenta subjugá-la. Entretanto, com a morte e a ressurreição de Jesus Cristo, o Criador contra-atacou mostrando que intervém e que tem o controle da História. Além disso, Ele nos comissionou para fazer a sua obra. Assim vivendo a dimensão presente do Reino, o povo de Deus pode influenciar o mundo com o poder do evangelho (Rm 1.16).

Apesar de vivermos em uma cultura decadente, caótica e sombria, o povo de Deus é capaz de testemunhar a graça divina e transformar a realidade social, política e econômica da presente era.


II. RELEVANTES COMO O SAL

1. “Vocês são o sal da terra”.
O sal é um elemento útil na culinária. Podemos usá-lo tanto para dar sabor quanto para conservar os alimentos. Ao dizer que os discípulos são o sal da terra, Jesus destaca o papel relevante que podemos exercer em seu nome na sociedade. Quando o evangelho é pregado e vivido em toda a sua pureza, a Igreja torna-se o tempero gracioso para um mundo decadente (Ef 3.10,11; 1Pe 2.9).

Imagine como seria a história da humanidade sem o tempero dos crentes sobre a face da terra? Através dos séculos, encontramos vários exemplos da influência transformadora da Igreja no mundo: a Reforma Protestante foi um marco divisor da história mundial; o Avivamento Wesleyano do Século XVIII afetou poderosamente a história e a cultura britânica; o Avivamento Pentecostal moderno iniciado na Rua Azusa tem promovido, até hoje, resultados extraordinários para a civilização. Todos esses eventos demonstram que Deus se importa com a história e nela intervém com a sua soberana vontade.

2. Cadê o sabor do sal que estava aqui?
“E se o sal for insípido, com que se há de salgar? Para nada mais presta senão para se lançar fora, e ser pisado pelos homens” (v.13). Aqui o Mestre adverte do perigo de se perder a essência do sal. Quando possui sabor, o cristianismo é realmente útil para atender às diversas necessidades do homem. Porém, insípido, se resume à mera religiosidade formal, inútil para promover qualquer mudança. Guarda-nos, Deus, de perdemos o sabor de Cristo em nossas vidas, tornando-nos servos inúteis (Mt 25.30) ou árvores infrutíferas (Jo 15.1). Devemos estar temperados com a graça!

3. Não confunda!
Não é correto associar relevância social da Igreja com o seu crescimento numérico, pois nem sempre quantidade representa qualidade espiritual. Se o aumento da população evangélica não for fruto de genuíno avivamento pela Palavra, não haverá testemunho público impactante. Por outro lado, mesmo em pequena quantidade, cristãos comprometidos com o Reino fazem a diferença onde estiverem, assim como ocorreu com a Igreja Primitiva. Apesar de ser minoria, cheios do Espírito Santo, os crentes do primeiro século davam grande testemunho da fé em Cristo (At 4.33).

Relevância também não significa ativismo social e político dos crentes. A utilidade cristã na esfera pública ocorre de maneira natural, como consequência da vivência contínua e duradoura dos discípulos sob o senhorio de Cristo. Afinal, a Igreja não é uma organização, é um organismo vivo (1Co 12.12)!

Cabe realçar, por fim, que a busca por relevância social jamais pode nos fazer esquecer da vocação evangelística da Igreja (Lc 9.2; 1Co 9.16). A transformação social somente ocorre após a redenção das pessoas a Cristo!

Não é adequado associar relevância social da igreja com o seu crescimento numérico, pois nem sempre quantidade representa qualidade espiritual.


III. RESPLANDECENTES COMO A LUZ

1. Devemos ser como “astros” no mundo.
Na Física, luz é uma onda eletromagnética. Mas, fique tranquilo. Certamente não era sobre isso que Jesus estava se referindo quando disse que os seus discípulos são a luz do mundo. O Mestre tinha em mente a função iluminadora, resplandecente da luz. O princípio aqui aduzido é de que a comunidade cristã é o luzeiro moral e espiritual de Deus neste mundo tenebroso. Em meio às trevas morais que empalidecem e ofuscam a vida contemporânea, a Igreja faz raiar o brilho da esperança. Com efeito, nosso compromisso com Cristo deve nos levar a viver de uma maneira tal que sirva de modelo para as demais pessoas. O apóstolo Paulo expressou essa verdade ao dizer que devemos ser “irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus inculpáveis, no meio de uma geração corrompida e perversa, entre a qual resplandecemos como astros no mundo” (Fp 2.15).

2. Não esconda a sua luz!
Para cumprir a sua finalidade, a lâmpada não pode ficar escondida. Ela precisa ser posta em local propício para que suas ondas se propaguem em todas as direções. Igualmente, os filhos de Deus são chamados a reluzir amplamente, fazendo-se notar em todos os segmentos. Ao restringirmos a dimensão da nossa espiritualidade somente aos limites da Igreja e do lar, escondemos a luminosidade que resplandeceu em nossos corações (2Co 4.6) e sobre a qual é-nos exigido testificar. Se a nossa vida é completamente iluminada pelo Senhor, não tendo trevas em parte alguma (Lc 11.36), então o brilho da nossa fé é igualmente integral e abrangente, capaz de alumiar o mundo além da religião, o que inclui as grandes áreas de influência do mundo: economia, comércio, direito, meios de comunicação, artes, educação, governo e política.

3. Luz Pentecostal.
É significativo observar que o símbolo do batismo com o Espírito Santo e do pentecostalismo é o fogo, em alusão a Atos 2.3. Além de aquecer, a chama irradia luz. Consequentemente, a espiritualidade pentecostal não se restringe a um gueto religioso; ela é capaz de impactar o mundo no poder do Espírito Santo e fornecer uma visão distinta sobre a sociedade, iluminando-a. Podemos afirmar que a fé pentecostal tem sempre algo a dizer, seja nos degraus do templo de Jerusalém (At 2) ou no Areópago de Atenas (At 17).

4. Resplandecentes para a glória de Deus.
Jesus concluiu o ensino a respeito do sal e da luz enfatizando o propósito final do testemunho relevante dos discípulos diante dos homens: “(...) para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está no céu”. Fica claro que a iluminação cristã no mundo não é algo para a autoglorificação da Igreja. Esta não existe para atrair os holofotes da fama, mas para ser como o farol, que irradia luz e serve como norte para as pessoas, para a glória de Deus!

A Igreja não existe para atrair os holofotes da fama, mas para ser como o farol, que irradia luz e serve como norte para as pessoas, para a glória de Deus!

CONCLUSÃO

O intuito desta lição introdutória foi explicitar o significado da metáfora de Jesus sobre o sal e a luz. A alegoria enfatiza a presença ativa e transformadora da Igreja na sociedade. O sal preserva e dá paladar; representando a relevância cristã no mundo. A luz resplandece nas trevas, em alusão ao testemunho moral e espiritual dos crentes diante dos homens. Com base nessas premissas, nas lições seguintes veremos como a fé cristã encara e responde aos vários problemas sociais, éticos e políticos que florescem nestes tempos de crise e calamidade moral. Embora o cenário seja sombrio, não há motivos para desespero. Afinal de contas, além de encontrarmos nas Escrituras as respostas para as questões da atualidade, nossa esperança está em Cristo!


Fonte: Lições Bíblicas CPAD - Jovens - 4º Trimestre de 2017
Título: Seguidores de Cristo — Testemunhando numa Sociedade em ruínas - Comentarista: Valmir Nascimento
Aqui eu Aprendi!

sábado, 24 de junho de 2017

A descisão crucial do Discípulo: Ouvir e Praticar

“Aquele, porém, que atenta bem para a lei perfeita da liberdade e nisso persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas fazedor da obra, este tal será bem-aventurado no seu feito” Tg 1.25

O momento mais importante de um período de aprendizado é, sem dúvida alguma, quando o educando decide reorientar sua vida de acordo com as informações e os saberes apreendidos. É o que se chama de práxis, ou seja, a prática instruída pela teoria e esta modificada e readequada por aquela. Consiste em agir de forma refletida e refletir de forma ativa. O Senhor Jesus Cristo disse aos seus discípulos que se eles tinham entendido o que Ele ensinara com o ato de lavar os pés de cada um deles, “bem-aventurados” seriam se praticassem (Jo 13.17). Toda instrução que não gera prática precisa se questionar. As pessoas entenderam o que lhes fora transmitido? Se não, o professor deve perguntar a si mesmo acerca de sua didática, de sua maneira de transmitir e lecionar. Vencida essa etapa e tendo certeza de que se fez entender, o educador deve perscrutar a sua própria prática. O quanto acredita, vive e age de acordo com as lições que ensina. É fato que o Evangelho é maior que qualquer pessoa ou instituição, mas a incoerência é um excelente “pedagogo”, posto que “ensina” mais e melhor que qualquer método. Portanto, a legitimidade, não apenas do conteúdo, mas de qualquer mestre, está visceralmente relacionada à forma com que ele pratica e persegue como alvo a mensagem que leciona.

TEXTO BÍBLICO:  Mateus 7.24-29

INTRODUÇÃO

O Mestre finaliza o Sermão do Monte chamando-nos a todos a que tomemos uma decisão séria diante do que ouvimos (Mt 7.24-27). Tal postura se contrasta com a dos mestres religiosos de Israel, posto que eles mesmos não cumpriam as lições transmitidas em seus ensinamentos (Mt 23.1-38). Agindo dessa forma, Jesus evidencia claramente que não tem interesse algum em fundar uma escola de interpretação, tornar-se tema de debate ou mesmo um rabino popular por suas diferentes leituras da Lei. Seu objetivo é fazer com que as pessoas conheçam e vivam a verdade que pode salvá-las em tempos de aflição (Jo 6.60-69; 10.10). Finalmente, os últimos dois versículos do capítulo sete são da pena de Mateus que observa e assinala a reação do povo diante de tudo o que acabara de ouvir (vv.28,29).

A justiça do Reino não é um amontoado de regras que serve para debates, trata-se de posturas e atitudes que precisam ser vivenciadas e praticadas.

I. O HOMEM PRUDENTE QUE CONSTRUIU SUA VIDA EM UM TERRENO SEGURO

1. A imprescindibilidade da obediência no Antigo Testamento.
Diferente das divindades pagãs das nações ao redor da Terra Prometida, o Deus de Israel nunca exigiu coisa alguma de seu povo que não a obediência (1Sm 15.22). Através de Jeremias, Deus revela que até mesmo os rituais veterotestamentários nunca foram sua preocupação, e sim a obediência (Jr 7.21-26).

2. A relação entre obediência e bênção no Antigo Testamento.
A despeito de o pensamento corrente afirmar que havia uma conexão automática e mecânica entre obediência e bênção no Antigo Testamento, uma leitura mais atenta dos textos demonstra que o próprio ato de obedecer já era algo abençoador (Lv 26.1-13; Dt 28.1-14). Isso porque havia regras quanto ao cuidado com a terra, consigo e no relacionamento interpessoal, só para citar algumas, e em sua observância residia a “bênção” pessoal e comunitária (Lv 25).

3. A escolha sensata.
Tendo em mente esse aspecto da Antiga Aliança, é importante entender que o Mestre chega ao fim de seu sermão apelando não para uma memorização irrefletida do que Ele dissera acerca da justiça do Reino, mas à prática de tal justiça, pois em tal ação há segurança existencial (v.24). O Mestre não disse que se o discípulo atentasse para o seu ensinamento não teria problemas, justamente o contrário, Ele sinalizou o imprescindível fato de que aquele que o colocasse em prática podia ser comparado ao homem prudente que construiu sua casa sobre um fundamento seguro. A metáfora utilizada por Jesus, isto é, a construção comparada à vida, e as intempéries exemplificadas na “chuva”, “rios” e “ventos”, significando os problemas e dificuldades comuns a todos, demonstra que a observância da justiça do Reino é, tal como na Antiga Aliança, para o nosso próprio bem (v.25).

A justiça do Reino, tal como na Antiga Aliança, é para o nosso próprio bem.

II. O HOMEM INSENSATO QUE CONSTRUIU A SUA VIDA SOBRE UM TERRENO INSEGURO

1. O tema da desobediência no Antigo Testamento.
Semelhantemente ao assunto da obediência, o tema da desobediência era a tônica no Antigo Testamento (Jr 7.23-26; 25.1-11; 44.4,5). Ela era o grande conteúdo das mensagens proféticas (Jr 26.1-6).

2. A relação entre desobediência e maldição no Antigo Testamento.
Conquanto pareça haver um resultado automático entre desobediência e maldição, desde o pecado de Adão, tal resultado raramente se dá em linha reta (Gn 2.16,17; 3.1-24). Entretanto, suas consequências são inevitáveis (Gn 3.17-19; Lv 26.14-39; Dt 28.15-68) e, às vezes, duradouras (Rm 5.12-14). Contudo, é importante lembrar-se de que, ainda no período da Antiga Aliança, Deus “mudou” o resultado da desobediência no que diz respeito à abrangência e implicações, ou seja, havendo arrependimento, Deus sempre está disposto a mudar sua sentença (Êx 20.5,6 cf. Jr 31.29,30 e Ez 18.1-32; Jn 4.10,11 cf. 3.1-10).

3. A escolha insana.
O quadro da última cena mostrada pelo Mestre é a do homem insensato, ou imprudente, que devido à pressa ou mesmo por desleixo, resolve construir sua casa sobre um terreno arenoso e movediço, isto é, inseguro (v.26). Quando as dificuldades que acometem a todos, indistintamente lhe sobrevieram, sua “casa” desabou, ou seja, sua vida, e foi “grande a sua queda” (v.27). Da mesma forma que na Antiga Aliança, a desobediência está relacionada à derrocada e aos efeitos danosos de todos que decidem por tomar o caminho contrário ao que o Senhor propõe (Pv 14.12).

A maldição é o contrário da bênção e, resultando ou não em infortúnio, é o contrário do que Deus planejou para o seu povo.

III. A RADICALIDADE DO ENSINAMENTO DE JESUS

1. A simplicidade da doutrina de Jesus Cristo e a admiração do povo.
Enquanto a “Lei oral” possuía 613 preceitos, e os escribas debatiam entre as várias escolas de interpretação sobre qual deles era o mais importante, tendo sempre que se subordinar à interpretação dada pelo fundador de tal escola, a doutrina do Mestre era simples, direta e facilmente inteligível (v.28), levando o povo a ficar admirado (Mc 1.27).

2. A autoridade do Mestre.
O motivo da admiração do povo era não apenas a simplicidade do ensinamento de Cristo, mas também o fato de Ele não ter preocupação alguma com o que a “tradição dos anciãos” dizia, isto é, a “Lei oral” não era divina, mas uma interpretação humana acerca da Lei de Moisés (Mt 15.1-20). Por isso, o Mestre não tinha compromisso algum com ela, e sim com o espírito da Lei do Senhor em si, daí porque Ele dissera seis vezes durante o sermão: “Ouviste o que foi dito, eu, porém, vos digo” (Mt 5.21,22,27,28,31-34,38,39,43,44). Ele não ensinava como os doutores da Lei de sua época, mas com a autoridade dada pelo Pai (v.29).

3. A radicalidade da justiça do Reino.
O Mestre coloca acertadamente, nas mãos do próprio ouvinte, a responsabilidade e o desafio deste ouvir e proceder conforme o que Ele acabara de ensinar. Na verdade, só pode ser discípulo dEle, quem decide proceder conforme a justiça do Reino. Não há possibilidade alguma de seguir o Mestre como um mero repetidor de conteúdos, pois a radicalidade da justiça do Reino não requer nada menos que a prática e a imitação do Mestre (Mt 10.16-42; 16.24-26).

A prática da justiça do Reino significa que já somos de Cristo e estamos salvos.

CONCLUSÃO

Como Mateus escreve a judeus e estes têm Moisés como o maior dos profetas, ele mostra o Mestre, tal como Moisés, promulgando a nova justiça do alto de um monte (Êx 31.12-32.1 cf. Mt 5.1). O ex-funcionário estatal conclui de forma magistral seu registro do Sermão do Monte, mostrando o povo admirado da doutrina do Filho de Deus, em clara substituição da forma dos escribas ensinar.


SUBSÍDIOS
“A Conclusão do Sermão (7.24-29)

a) Ilustração Final (7.24-27). Aquele que ouve e pratica é como um homem que construiu a sua casa sobre a rocha. Quando as tempestades batem contra a casa com toda a sua fúria, ela ainda permanece firme. O termo enchente, utilizado por algumas versões, significa, literalmente, rios. O clima da Palestina é como o do sul da Califórnia, sob muitos aspectos. Os leitos dos rios ficam secos durante a maior parte do ano. Mas quando as chuvas do inverno e da primavera chegam, surgem as inundações. Jesus retratou o ouvinte descuidado como um homem que de forma insensata construiu a sua casa sobre a areia, e então a perdeu. As casas na Palestina são em sua maioria construídas com pedras ou com tijolos secos ao sol. Quando as tempestades dissolvem a argamassa, as paredes tendem a cair.

b) A Reação da Multidão (7.28-29). Quando Jesus concluiu o seu sermão, o povo se admirou da sua doutrina ou melhor, do seu ‘ensino’. Ele ensinava com autoridade (29). As pessoas comuns sentiram a sua autoridade divina, que faltava aos escribas, e a reverenciaram. Os escribas tinham o hábito de citar antigos mestres como apoio aos seus ensinos” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

“O Epílogo do Sermão (7.28,29)
É evidente que Mateus quer que esta seja a conclusão da primeira seção principal dos ensinos de Jesus, porque ele encerra com as palavras: ‘Concluindo Jesus este discurso’ (v.28). Cada uma das cinco principais unidades pedagógicas que Mateus apresenta tem um desfecho narrativo semelhante (Mt 7.28; 11.1; 13.53; 19.1; 26.1). Jesus é o novo Moisés que tem cinco apresentações principais da lei nova ou Torá, da mesma maneira que Moisés teve cinco livros da lei no Pentateuco [...].

O que se segue é uma observação da resposta das multidões aos ensinos de Jesus, os quais elas reconhecem que são autorizados, ao contrário dos ensinos dos mestres da lei (veja também Mc 1.21-27; Lc 4.31-37). Mateus está direcionando o espanto das pessoas para as afirmações de Jesus, a fim de que Ele seja o Intérprete da nova lei, cujas palavras serão a base de julgamento no ajuste de contas do tempo do fim” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.62).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Uma séria advertência aos Discípulos

“E por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu digo?” Lc 6.46



Se por um lado a igreja evangélica brasileira caminhou, por muitas décadas, sob o peso de uma religiosidade que em nada se parecia com o Evangelho, por outro, adentramos em um tempo em que a falta de compromisso e a irreverência tomaram conta. Vivemos uma época em que, infelizmente, quase não se conhece a Bíblia. A despeito de tantas versões do Livro Sagrado, não há uma preocupação em conhecer mais da Palavra de Deus. Nunca se viu tanta literatura, mas ao mesmo tempo, tanta gente reproduzindo frases nas redes sociais, algumas até antibíblicas, como se fossem parte da Escritura. Antigamente ouvíamos falar em pessoas que eram apenas “crentes nominais”, pois nada tinham com a igreja. Atualmente, as igrejas são até frequentadas, mas cabe perguntar acerca da qualidade dos hinos, ou seja, de suas letras, o quanto são bíblicas ou apenas produto da imaginação formada pelo pragmatismo religioso. Os templos, alguns apinhados, por conta de pregadores famosos, parecem mais entreter que desafiar os crentes. A despeito de tudo isso, a advertência de Jesus Cristo continua atual e ainda há muitos servos do Senhor comprometidos com ela. Aos que levam uma vida sem qualquer respeito para com o Senhor, ainda que falando em nome dEle, ouvirão naquele dia que o Mestre não os conhece.

TEXTO BÍBLICO:  Mateus 7.21-23

21 — Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
22 — Muitos me dirão naquele Dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E, em teu nome, não expulsamos demônios? E, em teu nome, não fizemos muitas maravilhas?
23 — E, então, lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade.

INTRODUÇÃO

Em face da seriedade de tudo que anteriormente foi exposto, o Mestre agora sublinha a gravidade de se observar o que Ele disse e não apenas atentar, de maneira interesseira, para as capacitações espirituais disponíveis aos que se colocam a dar continuidade à missão iniciada pelo Senhor e confiada aos discípulos. Fazer estas e não observar aquela resultará em uma grande decepção e, finalmente, numa sentença terrível. A penúltima lição soa como uma séria advertência aos que atenderam ao chamado do Mestre, ou seja, todos os discípulos que se dispõe a fazer a obra de Deus, pois Cristo nos ensina que é preciso fazer a sua obra sem, contudo, deixar de cumprir a vontade do Pai. Jesus tinha autoridade para falar acerca desse assunto, visto que Ele dissera que não veio fazer a sua vontade própria, mas sim a daquEle que havia lhe enviado (Jo 6.38). É legítimo que façamos a obra, porém, ela deve ser realizada segundo a vontade do Pai (1Co 3.10,11).

I. NÃO BASTA PRONUNCIAR. É PRECISO RESPEITAR E FAZER A VONTADE DE DEUS

1. Não basta chamar a Deus de Pai ou Senhor.
Através de Malaquias, o último profeta literário do Antigo Testamento, Deus repreende os líderes do povo escolhido dizendo: “O filho honrará o pai, e o servo, ao seu senhor; e, se eu sou Pai, onde está a minha honra? E, se eu sou Senhor, onde está o meu temor? — diz o SENHOR dos Exércitos a vós, ó sacerdotes, que desprezais o meu nome e dizeis: Em que desprezamos nós o teu nome?” (Ml 1.6). No questionamento, o Senhor deixa claro que de nada adianta dirigir-se a Ele chamando-o de Pai ou Senhor, mas não honrá-lo ou obedecê-lo como tal, pois isso é hipocrisia.

2. A pronúncia mecânica que em nada resultará.
Da mesma maneira que no Antigo Testamento o Senhor repreendeu aqueles que o chamavam de Senhor, mas não o honrava, o Mestre diz que nem todo aquele que lhe diz “Senhor, Senhor! Entrará no Reino dos céus” (v.21). Apesar de a confissão ser importante, ela só tem valor se vier acompanhada do reconhecimento que lhe corresponda. Do contrário, é mera pronúncia mecânica e nada mais.

3. Praticando a vontade de Deus.
No complemento ao ensino de que pronunciar “Senhor” mecanicamente não será capaz de proporcionar à pessoa sua entrada no Reino dos céus, o Mestre diz que tal está reservado somente àquele que faz a vontade do Pai. O que Ele estava ensinando é que chamá-lo de Senhor, mas não fazer a vontade de seu Pai, isto é, obedecer o que anteriormente foi exposto como justiça do Reino, não tem valor algum (Mt 5.20-6.34). Confessando Jesus como nosso Senhor e fazendo a vontade do Pai nos tornamos discípulos de forma integral e coerente (Mt 21.28-32).



Confessar Jesus Cristo, em espírito e em verdade, não é apenas fazer uma pronúncia mecânica, antes, significa fazer a vontade de Deus.

II. ADQUIRINDO STATUS COM A OBRA DE DEUS E RECEBENDO UMA DURA SENTENÇA

1. A alegria de ver as maravilhas de Deus.
Conforme vimos na lição anterior, Deus mesmo permite que determinados sinais aconteçam sem que, no entanto, o tal realizador tenha compromisso algum com Ele (Dt 13.1-5). A Palavra de Deus diz que a “manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil” (1Co 12.7), sendo assim, é preciso entender que tal utilidade é aferida pelo próprio Espírito, e não por nós mesmos. Ao enviar os setenta discípulos para fazer a obra de Deus, o Mestre notou que eles voltaram regozijando e cheios de alegria (Lc 10.1-17). Tal felicidade é legítima, pois realmente é maravilhoso ver Deus realizar prodígios por intermédio de nossas vidas.

2. O perigo do status.
Conquanto seja algo maravilhoso realizar a obra de Deus, é preciso ter muito cuidado para não querer usurpar a glória que pertence somente a Deus (Is 42.8). É fato que todos aqueles que realizam a obra do Senhor sejam notados e distinguidos. Porém, é preciso maturidade e lucidez para reconhecer-se apenas como canal e não portador do poder de Deus (At 3.11-16). Na visão materialista, ser canal de Deus gera tanto status que já houve quem quisesse comprar tais dons (At 8.17-24).

3. Uma dura sentença aos que fizeram a obra de Deus sem compromisso com o Senhor.
O Mestre diz que “naquele Dia” (v.22), isto é, no momento do juízo, os que aqui realizaram a obra de Deus sem compromisso com Ele, sem fazer a vontade do Pai, desfrutando apenas do status proporcionado por aqueles a quem o Espírito usa, não compreenderão por que estão sendo condenados mesmo depois de profetizar, expulsar demônios e fazer muitas outras maravilhas. A sentença será dura. O Mestre demonstra não os conhecer, pois pela condenação, percebe-se que tais pessoas apenas usufruíram, de forma desonrosa, e para praticar coisas erradas, do poder que lhes fora conferido por Deus (v.23).

Será muito triste descobrir-se, no dia do juízo, como alguém desconhecido por Jesus.

III. UMA ADVERTÊNCIA PARA O SACERDÓCIO ATUAL

1. A Grande Comissão.
A incumbência do Senhor aos seus discípulos, de que continuassem e dessem prosseguimento ao que Ele começou, é conhecida como a “Grande Comissão” (Mt 28.19-20; Mc 16.15-20; Lc 24.46-49; Jo 20.21). Além da pregação e do discipulado, ela envolve a operação de milagres da parte do Espírito de Deus (Lc 10.19).

2. A verdadeira alegria dos discípulos.
Ao enviar os setenta, os milagres aconteceram, e os discípulos voltaram felizes por isso (Lc 10.1-17). Ciente do perigo que tal “alegria” pode trazer se extrapolar o nível tolerado, o Mestre relembra-os: “Mas não vos alegreis porque se vos sujeitem os espíritos; alegrai-vos, antes, por estar o vosso nome escrito nos céus” (Lc 10.20). Esta deve ser a verdadeira alegria de todo discípulo.

3. O sacerdócio atual.
Na atualidade, a igreja toda, pelo fato de ela ser formada pelos discípulos do Mestre, é chamada a realizar a obra de Deus. O apóstolo Pedro diz que nós, que não éramos povo, agora somos e temos tal incumbência, isto é, somos “a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pe 2.9). Portanto, cuidemos para que a obra de Deus seja realizada, mas que igualmente pratiquemos a vontade de Deus, para que não venhamos a ouvir a dura sentença, mas, diferentemente, o bem-vindo amoroso do Mestre: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o Reino que vos está preparado desde a fundação do mundo” (Mt 25.34b).

A realização da obra de Deus é uma obrigação dos discípulos. Mas devemos fazê-la com temor e cuidado.

CONCLUSÃO

A advertência do Mestre aos seus discípulos é oportuna, pois muitos iniciam bem, mas acabam se desvirtuando durante o trajeto. Continuemos a fazer a obra de Deus, sem descuidar com a necessidade de fazer a vontade do Pai, visto que, ao final, é isso que contará.

SUBSÍDIO
“Falsa Profissão de Fé (7.21-23)
Enquanto a advertência anterior estava particularmente voltada aos líderes religiosos, esta trata do grupo de membros dentro da Igreja. O verdadeiro teste do discipulado é a obediência. Nem mesmo a pregação e a operação de milagres em Nome de Jesus Cristo prova que uma pessoa é aceita diante de Deus. O termo demônio, diabolos (‘Diabo’) é sempre singular no grego. A palavra aqui é plural, daimonia, ‘demônios’. A penalidade para a desobediência é a separação de Deus” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon: Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).

“7.22 Muitos me dirão naquele dia
Nos versículos 22,23, Jesus declara enfaticamente que ‘muitos’ que profetizam, pregam ou realizam milagres em seu nome estão enganados, pensando que são servos de Deus quando, na realidade, Ele não os conhece. Para não ser enganado nos últimos dias, o dirigente de igreja, ou qualquer outro discípulo, deve apegar-se totalmente à verdade e à justiça reveladas na Palavra de Deus [...], e não considerar o ‘sucesso ministerial’ como padrão de avaliação no seu relacionamento com Cristo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, pp.1399-400).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 


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terça-feira, 6 de junho de 2017

Os falsos Profetas e seus frutos

“Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios, para enganarem, se for possível, até os escolhidos” Mc 13.22

“Os Verdadeiros Profetas e os Falsos Profetas (7.15-23)
A advertência de Jesus sobre os falsos profetas tem uma lição oportuna para a igreja atual. Só Mateus registra a advertência sobre os falsos profetas que são lobos vestidos (endyma) como ovelhas (probaton). Estas duas palavras fazem parte do vocabulário preferido de Mateus: Ele usa o termo endyma para dizer que as roupas são necessidade básica (Mt 6.25,28) e para identificar especificamente as pessoas que usam vestuário exclusivo como parte do Reino de Deus (Mt 3.4; 22.11,12; veja também Mt 28.2,3); ele usa o termo probaton para descrever os eleitos ou o povo de Israel (e.g., Mt 10.6; 15.24; 25.32,33). Neste ponto Jesus enfatiza que às vezes os falsos profetas não podem ser discernidos só por palavras ou ações. Embora façam grandiosos milagres (Mt 7.22), podem ser falsificações.
O Evangelho de Mateus torna o fruto dos profetas a verdadeira prova de tais ministérios. O caráter é essencial. O evangelista comenta muitas vezes o tema de árvores boas e ruins e seus frutos; seu interesse em produzir justiça o compele a repetir o tema. [...] Em Mateus 12.33,35 Jesus une a acusação dos fariseus (de que Ele faz o bem pelo poder do mal) com dar maus frutos e a chama de blasfêmia contra o Espírito Santo” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal:Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.61).

Os frutos, e não a retórica, são os sinais de que alguém é, ou não, profeta de Deus.

Há quem pense e imagine que a existência de falsos profetas entre o povo de Deus é fenômeno recente. No entanto, uma rápida pesquisa demonstra não apenas que eles sempre existiram, mas deixa claro que, no Antigo Testamento, o Senhor, por intermédio de Moisés, estipulou regras claras para se identificar um falso profeta (Dt 13.1-3; 18.20-22). Os próprios profetas também se viram às voltas com os falsos profetas e, por isso mesmo, ofereceram regras para se crivar e verificar a autenticidade de alguém que dizia falar em nome de Deus (Is 8.19,20; Jr 28.9). Nos dias de Jesus e dos apóstolos esta advertência também se mostrou necessária (Mc 13.22,23; 2Pe 2.1-3). E em nossos dias, será que não precisamos estar atentos por causa dos que querem enganar em nome de Deus? A fórmula para se identificar os falsos profetas no passado continua a mesma. Não são os prodígios, os sinais e as maravilhas que eles supostamente realizam que os credencia como profetas do Altíssimo, mas sim a fidelidade ao Senhor e à sua Palavra. De igual forma, é preciso evitar o outro extremo que é justamente não acreditar na operação divina por causa dos que enganam. O ideal é conhecer a Escritura e também o poder de Deus (Mt 22.29).

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ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Apesar de não ser biblicamente recomendável, até mesmo entre os que servem a Deus existem espécies de “fã-clubes”. Há alguns que são tão fanáticos pelo “ídolo” gospel que chegam a digladiar-se até mesmo entre si. Existem outros que não suportam uma única observação bíblica que, de forma sadia, poderia corrigir a postura não apenas deles, mas igualmente da pessoa que eles admiram. Com esta informação em mente, solicite à classe que abra a Bíblia em 1 Coríntios 1.12,13. É possível identificar quatro grupos principais: Paulo, Apolo, Cefas (Pedro) e “Cristo”. Esses grupos organizavam-se como verdadeiros “fã-clubes”, admirando a teologia elaborada por pessoas que tinham em cada um desses representantes quem elas mais admiravam. Não era apenas uma identificação, mas eles achavam-se superiores em relação aos outros. Uns viam Paulo, como um grande ensinador, Apolo como um grande pregador, Pedro como um grande pastor e um quarto grupo que se achava piedoso por seguir apenas “Cristo”. Entretanto, Paulo os adverte como “carnais” (1Co 3.1-4) e questiona: “Está Cristo dividido?” (1Co 1.13). Se o Corpo de Cristo é um só, como pode haver divisões? Depois de orientá-los acerca do cuidado com este tipo de postura de “fã-clube”, encerre dizendo ser incorreto haver desavenças por causa disto.

TEXTO BÍBLICO:  Mateus 7.15-20

15 — Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores.
16 — Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?
17 — Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus.
18 — Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons.
19 — Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo.
20 — Portanto, pelos seus frutos os conhecereis.

INTRODUÇÃO

Prática que é, a justiça do Reino não admite palavras sem coerência com as ações. Por isso, o Mestre avança em sua conclusão do Sermão do Monte expondo agora uma maneira para se reconhecer os falsos profetas (Mt 7.15-20). Não são suas credenciais, nem sua capacidade de oratória que revelam quem eles, de fato, são. Jesus apresenta os sinais inequívocos para se identificá-los e reconhecê-los. Tal atitude do Mestre deve ser urgentemente observada nos dias atuais, pois não são poucos os enganadores que usam, indevidamente, o nome santo do Senhor sem ter, entretanto, compromisso algum com Ele.

I. OS FALSOS PROFETAS E SUA ATUAÇÃO

1. Perturbadores antigos.
Estar à volta com pessoas que pretendiam manipular — sob o manto de uma falsa espiritualidade — é uma luta constante dos verdadeiros profetas de Deus. Desde o Antigo Testamento, o povo de Deus sofre com a atuação dos falsos profetas (Nm 22.1-24.25; Mq 3.5; Jr 23.9-32). Ao se estudar o texto bíblico facilmente se verifica que este é um dos grandes males que sempre assolou o povo de Deus. No Novo Testamento há vários exemplos. Um deles, cuja medida, aparentemente, radical adotada por Paulo para erradicá-los na Ilha de Creta chama a atenção. Para lá o apóstolo dos gentios enviou Tito com a finalidade de colocar em ordem as coisas que ainda faltavam ser ajustadas, separar pessoas para auxiliar na realização da obra de Deus, mas também coibir a atuação dos maus obreiros e falsos profetas, “tapando-lhes a boca” (Tt 1.5-11), isto é, tirar-lhes a oportunidade de usar a palavra na igreja. Ao se observar o texto bíblico, é possível verificar que os maus obreiros estavam agindo motivados por “torpe ganância”, ou seja, por dinheiro (Tt 1.11). Assim, o que parece ser, à primeira vista, uma medida implacável é, na realidade, um ato de amor, pois o apóstolo dos gentios tinha como objetivo, não meramente repreendê-los de forma severa, e sim torná-los “são na fé” (Tt 1.13).

2. Lobos devoradores.
A metáfora utilizada pelo Mestre ao dizer que os falsos profetas são lobos devoradores que se vestem de ovelhas, é exclusividade dEle registrada por Mateus (v.15). Contudo, a figura do “lobo” é uma imagem usual na Bíblia para exemplificar pessoas mal-intencionadas (Ez 22.27; Sf 3.3; Mt 10.16; Lc 10.3; At 20.29). Ao despedir-se dos anciãos da Igreja em Filadélfia, falando particularmente aos responsáveis por aquele rebanho, Paulo afirma que nunca deixou de pregar e ensinar o que Deus lhe entregava para que dividisse com aquela congregação, e que depois de sua partida “lobos cruéis” se infiltrariam na igreja e não perdoariam o rebanho, ou seja, os devovariam (At 20.17-38). Infelizmente, em nossos dias, a realidade parece não ser muito distinta.

3. A introdução dos lobos entre as ovelhas de Deus.
Provavelmente por ser um animal dócil e de fácil domesticação (2Sm 12.3), tanto a ovelha como o cordeiro são utilizados para exemplificar o povo de Deus (Sl 74.1; 78.52; 79.13; 119.176; Is 13.14; 40.11; Jr 12.3; Ez 36.37,38; Am 3.12; Mq 2.12; Zc 11.16; 13.7; Mt 18.11,12; 25.1-3 etc.) e até o próprio Mestre (Is 53.7). Por isso, Jesus observa de forma preventiva o ardil do falso profeta (v.15). Uma vez que o Senhor está em busca das ovelhas perdidas (Is 53.6; Jr 50.6; Zc 10.2,3; Mt 9.36; 10.6; 15.24; Jo 10.16; 1Pe 2.2), e incumbe os discípulos de darem continuidade a essa missão, é fato que o melhor disfarce de um falso profeta para introduzir-se entre o rebanho é se passar por ovelha.

É imprescindível não perder de vista o fato de que os lobos devoradores não se apresentam assim, mas fingem-se de dóceis ovelhas.

II. IDENTIFICANDO OS FALSOS PROFETAS

1. A metáfora dos frutos.
A utilização da ideia de “frutos” como exteriorização do caráter, ou resultado final das ações, é um recurso comum desde o período do Antigo Testamento (Pv 1.31; Is 3.10; Jr 17.10; Os 10.13 etc.).

2. A figura das árvores boas e más.
De igual forma, a tipificação de árvores boas e más como figuras das pessoas, é igualmente uma maneira didática utilizada para exemplificar o caráter, o resultado das ações ou ainda o ressurgimento ou extinção de um reino ou nação (Gn 49.22; Sl 37.35; Pv 11.30; 13.12; 15.4; Ct 2.3; Is 7.2; 10.33; 44.23; 55.12; 56.3; 65.22; Jr 11.19; 17.8; Ez 17.24; 31.1-18; Dn 4.1-37; Zc 11.2; Mt 3.10, etc.).

3. Identificando os falsos e os verdadeiros profetas.
Sendo os frutos utilizados como metáfora para identificação do caráter de alguém, após dizer que é justamente por eles que se pode identificar os falsos profetas (vv.16a,20), o Mestre questiona: “Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos?” (v.16b). Aprofundando sua advertência, Jesus lança mão tanto da figura da árvore má para exemplificar os falsos profetas e, ao mesmo tempo, deixa uma “pista” para se reconhecer os verdadeiros profetas, ou seja, a figura da árvore boa. O Mestre assim o faz porque cada árvore só pode gerar frutos segundo a sua própria espécie e natureza (vv.17,18). É interessante lembrar que no Antigo Testamento também havia uma forma de identificar o falso profeta (Dt 13.1-5). É preciso notar que não era simplesmente o fato de que o tal profeta fizesse algum sinal miraculoso, ou mesmo um prodígio, o que valeria como forma de reconhecê-lo como um verdadeiro profeta, antes, a sua devoção, respeito e reverência a Deus é o que contavam. O Senhor até advertiu o povo dizendo ser permissão dEle que o tal prodígio se concretizasse para saber se o povo realmente era fiel a Ele. Em outro texto, uma forma diferente de identificação do falso profeta dizia respeito à profecia como predição. Se o que o tal profeta dissesse não se cumprisse, ele era considerado falso (Dt 18.20-22).

Saber distinguir entre a avaliação dos frutos, para identificar os falsos profetas, e o julgamento definitivo que só pertence a Deus, também faz parte da maturidade da fé.

III. O DESTINO DOS FALSOS PROFETAS

1. O dever de gerar bons frutos.
A árvore boa tem o dever de gerar bons frutos (Lc 3.8-14), pois essa é a sua natureza. Não basta ter folhas (aparência), e não gerar bons frutos (obras/ações); é preciso que aqueles que abraçaram o Evangelho de Cristo demonstrem isso de forma concreta e visível (Mt 21.18-20 cf. Mt 3.8-10).

2. A prática que desvirtua.
O fruto exemplificado como ações e práticas diz muito da preocupação do Mestre, pois o mau exemplo “ensina” mais eficazmente que as palavras (Mt 23.1-39). Aos que, porém, se dedicam com amor e compromisso a essa atividade, há uma linda promessa (Dn 12.3).

3. O destino da árvore que não produz bons frutos.
A sentença do Mestre aos que não produzem bons frutos lembra a mensagem de João Batista (v.19 cf. Mt 3.10). O destino final será o juízo da condenação eterna, pois diferentemente da figueira condenada pelo Mestre, a pessoa que conhece o Evangelho e, ainda assim, decide produzir frutos maus, é inteiramente responsável pela sua condenação (Mt 25.41-46 cf. Mt 13.40-42).

O destino de cada pessoa que tem oportunidade de obedecer ao Evangelho, pois o conhece, e não o faz, é de inteira responsabilidade dela.


CONCLUSÃO

O alerta do Mestre é válido para todos os seus seguidores em qualquer tempo e em qualquer lugar, pois enquanto estivermos vivendo sob o regime desse mundo pecaminoso, estamos sujeitos a ser enganados pelos falsos profetas. Portanto, atentemos para a fórmula ensinada pelo Senhor para os identificarmos, pois ela continua válida.


SUBSÍDIO
“Falsos Profetas (7.15-20)
Jesus teve que advertir os seus discípulos contra aqueles vestidos como ovelhas. Eles ajuntariam o rebanho de crentes, como se fossem um com eles, mas interiormente (15) seriam lobos devoradores. A igreja de Jesus Cristo tem sido afligida por esses falsos profetas ao longo de toda a sua história. Eles às vezes têm feito muito para destruir o rebanho. Como podem ser reconhecidos? Por seus frutos os conhecereis (16).
Cristo usou a analogia de vinhas e árvores frutíferas. Cada uma produz seus próprios frutos. Se a árvore for má, os frutos serão maus. O inverso também é verdadeiro. A árvore que não produz bons frutos corta-se e lança-se no fogo. Esta é uma advertência solene. Aqueles que não estão produzindo bons frutos não pertencem a Cristo (19)” (CHILDERS, Charles L.; EARLE, Ralph; SANNER, A. Elwood (Eds.) Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. Volume 6. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.69).



Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 


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