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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Recuperando o tempo perdido

“E restituir-vos-ei os anos que foram consumidos pelo gafanhoto, e a locusta, e o pulgão, e a oruga, o meu grande exército que enviei contra vós” Jl 2.25

Estimado docente, o assunto de hoje é de extrema relevância para a vida de seus alunos, portanto cuide para que todos possam estar compenetrados. Para começar, lance as seguintes perguntas: “Você acha que os resultados de sua vida, até o presente momento, são bons, ou você está numa ‘viagem de um dia curto do nada para o nada’ (como dizia o ateu Ernest Hemingway)? E por qual motivo você chegou a essa conclusão?”. Espere que seus alunos respondam e registre todas as colocações. Após, comece a analisar as respostas, junto com eles, com o cuidado de não causar constrangimentos. Essa atividade vai diagnosticar o estado de espírito de seus alunos quanto às suas realizações pessoais. Lembre-se: o “filho pródigo” possivelmente errou nessa análise e, depois, pediu a herança e partiu para uma terra longínqua.

TEXTO BÍBLICO:   Jó 1.1,3,12,18-21; 42.10,12,17

Ao tratar a respeito do desperdício do tempo (preguiça), bem como o desejo de realizar tudo ao mesmo tempo (ativismo), ou mesmo da antecipação do tempo (ansiedade), estamos mostrando o quanto desperdiçamos o tempo e as oportunidades que Deus nos concede. Muito poderíamos fazer em favor do Reino de Deus, de nossa família e do próximo se fizéssemos uso do tempo com sabedoria, de forma correta. Em nossa caminhada, cometemos alguns erros, desperdiçamos boas oportunidades e o tempo que o Criador nos concede, mas como filhos seus não devemos desistir e ficar parados no tempo. Precisamos nos arrepender dos nossos pecados, confessá-los a Deus, abandoná-los e seguir adiante, pois o Pai Celeste sempre nos oferece uma segunda chance. O que não podemos é persistir em nossos erros.

I. TEMPO DE RECOMEÇAR

1. Perdendo tempo.
Perdemos tempo quando passamos a viver fora dos propósitos divinos. O Senhor deseja que todos os homens vivam com um propósito: glorificar o seu nome. Mas, quando não queremos viver de acordo com os desígnios de Deus, pecamos e perdemos o que o Pai tem de melhor para nossas vidas. O apóstolo Paulo tinha consciência de que os seus atos e realizações no judaísmo foram uma grande perda de tempo e propósito. Segundo a Bíblia de Aplicação Pessoal, “depois que Paulo avaliou o que havia conquistado em sua vida, disse que tudo aquilo era ‘perda’ quando comparado à grandeza de conhecer a Cristo”.

2. Reconhecendo o tempo.
Certa vez, Paulo, servo de Jesus Cristo afirmou: “E isto digo, conhecendo o tempo, que já é hora de despertarmos do sono [...]” (Rm 13.11). Ele tem o cuidado de alertar aos crentes romanos quanto à urgência do tempo em que viviam. Ele aponta vários acontecimentos quanto ao tempo do fim. Paulo também afirma que Deus não leva em conta os tempos da ignorância. Entretanto, Ele conclama a todos, em todos os lugares, que se arrependam (At 17.30). Hoje ainda há tempo para nos arrependermos e nos voltarmos para Deus. Mas, sabemos que em breve o Dia do Senhor virá e o tempo da oportunidade se findará.

Muitos servos de Deus estão sendo atingidos pelo sono da indolência, mas é tempo de despertar e recomeçar. Lembre-se de onde você caiu e levante-se. O Senhor Jesus exortou a igreja de Éfeso para que se lembrasse de onde havia caído, e voltasse a fazer o que era correto (Ap 2.5). Sempre é tempo de recomeçar!

3. Desistir jamais.
A perseverança diante das dificuldades é uma das características daqueles que já experimentaram do amor de Cristo mediante a fé. Sabemos que aqueles que amam a Cristo, tudo suportam, tudo creem e tudo esperam (1Co 13). Quem não tem o amor, fruto do Espírito, desiste das pessoas e da obra de Deus com mais facilidade. E estes sempre acabam seguindo o seu próprio caminho, ou seja, fazendo sua vontade e não a de Deus. Jó amava a Deus, por isso, diante das muitas adversidades ele declarou: “Ainda que ele me mate, nele esperarei [...]” (Jó 13.15). Jó não desistiu de amar e buscar a Deus, mesmo sofrendo. Você é daqueles que na primeira adversidade pensa logo em desistir? Não desista jamais de amar, buscar a Deus e a sua vontade diretiva, pois vale a pena.

Não há nada de bom em uma vida longe de Jesus Cristo. Sem Ele a vida se torna apenas uma sucessão de dias e horas.

II. A RESTITUIÇÃO DO TEMPO

1. Deus, agente da restituição.
Davi, ao contrário do que a maioria dos reis fazia, restituiu a Mefibosete, filho de Jônatas, todas as terras de Saul (2Sm 9.7). Os reis procuravam eliminar a família de seus rivais, pois tinham medo que alguém lhes usurpasse o trono. Davi não somente restitui os bens materiais, mas de contínuo convidava o filho de seu amigo para comer com ele à sua mesa (2Sm 9.7). Todos podiam ver que Mefibosete desfrutava do favor do rei. Deus pode restituir o que perdemos. Ele também tem poder para restabelecer o tempo perdido, pois como dizia Agostinho, “o passado, o presente e o futuro são para Ele a mesma coisa”. Assim, Deus é o único protagonista em relação ao tempo e só Ele tem poder para restituí-lo. Às vezes perdemos boas oportunidades na vida por rebeldia, desobediência, medo ou preguiça. Mas, quando nos arrependemos e buscamos o perdão do Pai, Ele nos dá novas oportunidades.

2. O homem, o beneficiário do milagre.
A restituição divina aconteceu não somente na vida de Mefibosete, mas também com outros servos de Deus, como por exemplo, Abraão. Imagina o tempo que ele teve que esperar até que o herdeiro nascesse. Mas, no tempo certo, o Senhor cumpriu com sua promessa e ele foi o pai, não de um filho somente, mas de uma nação inteira. José passou sua juventude como escravo no Egito. Ele perdeu, aparentemente, os melhores anos da sua vida vivendo como escravo em um país estrangeiro. Sofreu humilhações e dores, quando poderia estar vivendo no conforto da sua casa. Parecia que os seus sonhos e projetos haviam falido. Mas, Deus em segundos mudou a história de vida de José. De prisioneiro ele foi elevado a governador do Egito. Os anos como escravo e prisioneiro foram um tempo de treinamento para algo maior da parte de Deus. Nada foi perdido.

3. Aprendendo com a espera.
O Senhor também tem um propósito na dor e no sofrimento. Na vida existe tempo de alegria e também de tristeza. Mas todas as coisas cooperam para o nosso bem. Abraão teve de esperar por Isaque, seu herdeiro, durante anos. Mas a espera fez dele um herói da fé (Hb 11). Isaque, teve que “perder” um pouco de tempo e recursos cavando poços, mas ele aprendeu a arte da persistência e da boa vizinhança. Moisés teve que passar um período de quarenta anos no deserto, mas esse tempo aperfeiçoou seu caráter e o preparou para assumir a liderança do povo de Deus. Na vida de Rute, seu casamento e sua viuvez não foram em vão; ela conheceu o Deus de Israel e entrou para a árvore genealógica do Salvador.

Para Deus não há distinção entre mil anos e a noite que passou (Sl 90.4). Ele é o Senhor do tempo e somente Ele pode restituir as oportunidades que perdemos.

III. UM JOVEM PARADO NO TEMPO

1. Um terrível engano.
A sensação de estar “parado” no tempo deve ser terrível. A pessoa se sente perdida e inútil. Talvez esses sentimentos tenham afligido o filho pródigo depois de ter abandonado seu pai e desperdiçado toda a sua fortuna (Lc 15.11-32). O filho pródigo parou no tempo quando decidiu viver a sua vida longe da casa do seu pai. Quantos jovens também não estão “parados” no tempo, pois decidiram deixar a Deus, Jesus e a Igreja e foram viver segundo esse mundo? O mundo é enganador e efêmero e muitos erroneamente estão seguindo os passos do filho pródigo.

2. Aprendendo com o erro.
O melhor caminho para quem descobre que está na direção errada é retornar de onde partiu. O caminho mais curto é dizer: “[...] Pai, pequei contra o céu e perante ti e já não sou digno de ser chamado teu filho” (Lc 15.21). Reconhecer o erro, arrepender-se e buscar o perdão divino é a primeira providência para quem quer recuperar o tempo perdido.

3. Seguindo em frente.
O caminho de volta até a casa do pai deve ter sido difícil. O filho pródigo sabia que poderia sofrer rejeição devido as suas atitudes erradas, mas ele estava disposto a seguir em frente e recomeçar. O pai ao ver o filho que estava perdido de volta, não lhe fez critica alguma, mas disse: “[...] Trazei depressa a melhor roupa, e vesti-lho, e ponde-lhe um anel na mão e sandália nos pés” (Lc 15.22). Deus jamais abandona aqueles que se arrependem e desejam voltar para perto dEle.

Estar “parado no tempo” é estar vivendo fora do propósito de Deus. É estar longe da casa do Pai, como aconteceu com o filho pródigo.


CONCLUSÃO
O tempo pertence ao Senhor e não existe tempo perdido quando estamos juntos a Ele, fazendo a sua vontade. Perdemos tempo quando abandonamos o Pai e decidimos viver a vida do nosso modo.


SUBSÍDIO
“Os seus bens (de Jó) estranhamente aumentaram pela bênção de Deus sobre o pouco que seus amigos lhe deram. Ele recebeu a cortesia deles com gratidão, e não passou por sua cabeça ter os seus bens restituídos pelas contribuições. Deus lhe deu aquilo que era muito melhor do que o dinheiro e os pendentes de ouro deles: a sua bênção (Jó 42.12). O Senhor o consolou agora de acordo com os dias em que o havia afligido, e abençoou o seu último estado mais do que o seu início. Os últimos dias de um homem bom às vezes se mostram os seus melhores dias; as suas últimas obras as suas melhores obras; as suas últimas consolações as suas melhores consolações, pois o seu caminho, como o da luz da manhã, brilha cada vez mais até ser dia perfeito. Do homem ímpio é dito, o seu último estado é pior do que o primeiro (Lc 11.26). Deus às vezes se agrada em fazer o último estado da vida de um bom homem mais confortável do que foi a sua primeira parte, e estranhamente para superar as expectativas do seu povo afligido, que pensava que jamais viveria para ver dias melhores, para que não percamos a esperança mesmo estando nas profundezas da adversidade. Não sabemos que tempos bons podem estar reservados para nós no final dos nossos dias” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. 1ª Edição. Volume 3, RJ: CPAD, 2010, pp.209,210).

Fonte: Lições Bíblicas 3º Trimestre de 2017 Título: Tempo para todas as coisas — Aproveitando as oportunidades que Deus nos dá - Comentarista: Reynaldo Odilo 

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quinta-feira, 2 de junho de 2016

Quando a divisão se instala na Família

“E amava Isaque a Esaú, porque a caça era de seu gosto; mas Rebeca amava a Jacó” Gn 25.28

A lição de hoje veremos que a divisão na vida de uma família sempre causa uma enorme perturbação, correndo o risco de surgir um profundo sentimento de descontentamento que pode chegar até à morte.
A família do patriarca Isaque, que está no centro da aula de hoje, foi extremamente abençoada, mas um dia permitiu que a divisão se instalasse em seu interior.

A divisão na família traz danos para todos, e somente Deus pode restaurar os elos de carinho e lealdade danificados.

O sentido de algumas palavras pode ser compreendido através da estrutura de seus elementos mórficos. A palavra divisão, por exemplo, é uma dessas. Ela possui o prefixo “di", que significa duplicidade, e o termo “visão”, que pode assumir vários significados. Entretanto, prioritariamente, pode ser entendido como a “percepção do mundo exterior” ou "aquilo constituinte de uma expectativa ou um desejo”. Assim sendo, ocorre a divisão quando duas pessoas juntas têm visões distintas sobre o mundo exterior, ou quando, entre elas, os ideais ou os desejos não são compatíveis. Como dois andarão juntos se não estiverem de acordo? (Amós 3.3)

A divisão, dessa forma, cria dificuldade para as coisas permanecerem estáveis. Por isso, o Senhor Jesus disse: "todo reino dividido contra si mesmo é devastado; e toda cidade ou casa dividida contra si mesma não subsistirá” (Mt 12.25). Destruição completa e queda, assim, são consequências da divisão. Isso decorre do princípio, segundo o qual, um plano somente será viável caso persista em suas características iniciais. Havendo divisão, surgirão novos projetos. Todavia, a glória do original jamais será restaurada.

Em toda a história da humanidade, observam-se muitas “quedas e devastações” decorrentes da divisão. Aconteceu, por exemplo, na partição de Israel, depois dos períodos áureos de Davi e Salomão, ocasião em que a terra santa foi dividida entre o Reino do Norte e o do Sul. Os dois Reinos foram decaindo gradativamente até serem levados cativos para terras longínquas. O Reino do Sul, Judá, ainda conseguiu retornar para Jerusalém. Entretanto, depois de subjugado, finalmente, no ano 70 d.C., foi esmagado por completo pelos romanos, acontecendo a Diáspora. Israel nunca mais foi o mesmo depois da divisão.


Queda e devastação foram observadas no Império Grego, depois da morte de Alexandre, o Grande,quando o reino foi dividido em quatro partes e, aos poucos, entrou em declínio, até ficar completamente absorvido pelo Império Romano, o qual, séculos depois, também entrou em colapso pela ocorrência desse mesmo processo.


A partir do século XV, o comércio de africanos como escravos para diversas partes do mundo, inclusive para o Brasil, não foi decorrente de invasões estrangeiras naquele continente, mas sim por causa de guerras entre etnias africanas inimigas. As pessoas das linhagens derrotadas nas batalhas eram vendidas aos comerciantes árabes e europeus, embarcando em navios negreiros para nunca mais retornarem à sua terra natal. "Assim, consta que o comércio de escravos que se estabeleceu no Atlântico entre 1450 e 1900 contabilizou a venda de cerca de 11.313.000 indivíduos”.


Atualmente, a África está dividida em 54 países, sendo o continente mais pobre do mundo, corroborando para tal circunstância, dentre outras, a profunda divisão étnica e cultural ali existente, gerando, ainda, prolongadas e sangrentas guerras em diversos países. Como mencionado, Jesus advertiu que um reino dividido contra si mesmo seria devastado. Muito lamentável.


Na história do século XX, de igual forma, alguns países tiveram grandes prejuízos por causa de divisões, como são os casos da Coreia e Alemanha, que se separaram após a 2ª Guerra Mundial.

Com a queda do muro de Berlim, no dia 9 de novembro de 1989, e a reunificação da Alemanha Oriental e Alemanha Ocidental, o novo país restaurado se transformou numa das maiores economias do mundo. A antiga Coreia, entretanto, nunca se reunificou. Hoje, a Coreia do Norte continua empobrecida, com graves agressões aos direitos humanos (desenvolveu apenas sua indústria bélica), e a Coreia do Sul ainda está em processo de desenvolvimento.

Da mesma forma que aconteceu com vários países do mundo ao longo da história, inúmeras famílias também têm se desintegrado por causa da divisão instalada. No início da década de 1980, o mundo parou para assistir pela TV o enlace matrimonial entre o príncipe Charles e a princesa Diana, considerado o casamento do século. Anos depois, tendo a divisão se alojado naquela família real, o lar não subsistiu. Com as traições, conspirações e mortes, a sua ruína foi completa.


Desfecho distinto aconteceu com o casal Clinton. Mesmo com a infidelidade do esposo e então presidente americano, Bill Clinton, sua esposa, Hillary, decidiu permanecer no casamento. Posteriormente, em 2009, ela assumiu o posto de Secretária de Estado do seu país e, atualmente (2015), está cotada para concorrer à presidência dos EUA pelo partido Democrata. O casal enfrentou toda sorte de turbulências e, mesmo assim, ficou junto e, hoje, pode continuar o projeto de vida em comum.


Como dito antes, “havendo divisão, surgirão novos projetos”. Esses novos planos podem dar muito certo numa empresa onde, fazendo a repartição em segmentos, são estabelecidas diversas personalidades jurídicas (divisões) para as áreas de seguros, previdência, capitalização bancária, etc. O problema é que isso não vale, necessariamente, para a família, projeto feito para durar para sempre. Portanto, quando a divisão acontece na família, faz emergir inexoravelmente a presunção de dificuldades.


A história da família do patriarca Isaque, filho de Abraão, apresenta, com riqueza de detalhes, pessoas muito comuns. As características desses personagens são vistas, ainda hoje, em qualquer família contemporânea. Não se trata, pois, de um épico judaico com elucubrações fantasiosas, mas sim da narrativa de uma família que conviveu com os defeitos dos seus membros e enfrentou, por isso, questões interpessoais mal resolvidas. O relato é crível, verossímil, plausível, real. Trata-se de um primor, uma obra perfeita e excelente.


I. Uma Família Abençoada

1. Pré-história
E importante conhecer a história anterior ao nascimento de Isaque, a fim de se dimensionar o status desse homem excepcional e, a partir daí, compreender melhor todo o desenrolar de sua vida familiar.

Um homem da antiguidade, para ser feliz, precisava de duas coisas básicas: possuir uma terra para viver e ter um filho para preservar sua memória. Abrão morava em Ur dos Caldeus, uma terra que não era sua, e cuidava de Ló, um filho que não era seu. Ele tinha riquezas, amizades, destaque social em Ur, porém não tinha uma família completa e feliz. Um dia, o Altíssimo o mandou ir embora, e ele foi. Era preciso somente seguir as instruções para receber uma terra como herança e poder gerar um filho. Abrão queria alcançar a promessa, e o primeiro passo para isso era chegar a bom termo em sua jornada.


O Todo-Poderoso não lhe deu um mapa; apenas o mandou sair de Ur, e ele partiu. Por que Deus fez isso? Porque o Eterno queria que Abrão fosse um referencial de fé para sua família e para todo mundo, porque nele seriam benditas todas as famílias da terra (Gn 12.3).

Deus prometeu ao patriarca fazer dele uma grande nação (Gn 12.2). Entretanto, depois, o Senhor lhe deu uma promoção: garantiu fazer dele “pai de multidões de nações” (Gn 17.4,5). Por isso, Deus mudou o nome de Abrão para Abraão, como também alterou o nome da sua esposa para Sara (Gn 17.15,16), pois ela seria “mãe das nações” e de “reis de povos”.
Muitos anos após chegar à terra de Canaã, e depois de diversos equívocos cometidos pelo ilustre casal, em cumprimento às inefáveis e gloriosas promessas de Deus, nasceu o herdeiro de todas as bênçãos que pendiam sobre Abraão e Sara, o qual foi criado em um lar no qual havia amor e carinho; talvez, em todos os tempos, ninguém tenha sido, como filho, tão amado como Isaque, que se constituiu em um presente inefável do Altíssimo na velhice dos seus pais e motivo de alegria (riso — Gn 21.6,7) para toda a sua família.

SUBSÍDIO
"A escolha do nome lsaque ("ele sorri")
Deve ter causado uma variedade de sentimentos a cada vez que era pronunciado. Mais importante, era um testemunho do poder de Deus em tornar realidade a sua promessa.
Em uma família de vigorosos desbravadores, lsaque era do tipo quieto, que se importava mais com seus próprios negócios, a menos que recebesse um chamado especifico para agir. Ele foi o filho único protegido desde que Sara livrou-se de Ismael.
Em sua própria família, lsaque ocupava a posição patriarcal, mas Rebeca tinha o poder. Ao invés de ser firme, lsaque achava mais fácil mentir ou condescender a fim de evitar confrontos. Apesar desses defeitos, lsaque fazia parte dos planos de Deus. O exemplo que recebera de seu pai incluía uma grande fé no único Deus verdadeiro. A promessa de Deus, de criar uma grande nação através da qual Ele abençoaria o mundo, foi passada de lsaque para seus filhos gêmeos.
Não é raro nos identificarmos com lsaque em suas fraquezas. Mas considere um instante: Deus trabalha através das pessoas a despeito de suas falhas. Ao orar, fale com Deus que você está disponível para ser usado por Ele. Você descobrirá que a disposição de Deus em usá-lo é ainda maior que o seu desejo de ser usado" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, p.20).

2. Casamento no Senhor

Com uma educação primorosa, tanto no aspecto espiritual quanto no moral, Isaque transformou-se num homem excelente. Ele era um homem de oração. Depois da morte de sua mãe, Abraão entendeu que era chegado o momento do casamento de seu filho. Enquanto Eliézer foi buscar uma esposa da linhagem paterna para ele, Isaque foi orar (Gn 24.63). Ele conhecia o Senhor, o qual, muitas vezes, no futuro, se identificaria como sendo o Deus de Isaque.
Tudo aconteceu de forma maravilhosa. Isaque e Rebeca se casaram no Senhor, cheios de alegria (Gn 24.67). As coisas começaram muito bem, pois contaram com a direção do Altíssimo, a bênção dos pais e o sentimento de amor recíproco dos nubentes.
Eles formavam o casal sobre o qual repousariam bênçãos divinas inigualáveis. O casal se constituía em paradigma de amor conjugal, espiritualidade e moralidade. Eles tinham uma casa edificada sobre a Rocha, conheciam o Senhor e eram submissos à sua palavra.
Isaque e Rebeca viviam assim, compartilhando vidas, sonhos e emoções, como veremos a seguir.

3. História que se repete

O desejo de ter uma família feliz passava, necessariamente, pelo nascimento de um filho, porém Rebeca era estéril. Não haveria o futuro profético tão almejado sem um filho. Uma enorme dificuldade para o novo casal que, junto, sonhava com o nascimento de um herdeiro, para ser aquele através do qual descenderiam tantos como as estrelas do céu. Abraão e Sara, os pais de Isaque, passaram pelo mesmo problema com Sara, e eles tentaram resolver a questão pelo modo deles (com a egípcia Agar), e não deu muito certo, pois criaram um embaraço para toda a descendência, o qual, inclusive, permanece até hoje, o conflito árabe-israelense.

Isaque e Rebeca, ao contrário, não pegaram nenhum "atalho”; antes entraram pelo caminho da oração. Eram pessoas de fé. Após vinte anos de oração, Rebeca engravidou e nasceram-lhes gêmeos (Gn 25.20-21; 26). Glória a Deus, o qual, após isso, confirmou a promessa: a descendência de Isaque seria como as estrelas do céu (Gn 26.4). Por outro lado, a vida financeira e social da família de Isaque estava indo muito bem (Gn 26.12-14). Não lhes faltava nada. Afinal de contas, "a bênção do Senhor é que enriquece, e Ele não acrescenta dores” (Pv 10.22).


II. Problemas

1. Pais com preferências filiais
No momento em que mais a família precisava caminhar junto, formando um laço indestrutível, para exemplo em todas as famílias do mundo (Gn 12.3), um aspecto bastante ruim começou a se manifestar no caráter de Isaque e Rebeca (Gn 25.28).

Isaque se afeiçoou profundamente pelo filho Esaú, o qual era homem de ação, de luta, de embates, que sabia como alvejar, com seu arco, uma caça que se movia rapidamente, além de conhecer, talvez até melhor que a mãe, o tempero da comida que era agradável ao pai. Esaú era a satisfação para seu velho pai, porém não dava prazer ao Altíssimo. Ele era profano (Hb 12.16). O interessante é que a Bíblia não mostra Isaque repreendendo Esaú pelos seus graves equívocos comportamentais. Ao que tudo indica, o pai se omitiu de ensinar o filho como andar com o Todo-Poderoso, diferentemente da conduta de Abraão. Filhos criados de forma diferente apresentam sempre diferenças importantes. Os ensinamentos recebidos não foram suficientes para tornar Esaú em um homem de fé.

Rebeca, por sua vez, amava o caçula (Jacó), um moço pacato, de hábitos caseiros. Possivelmente, ele não sabia, sequer, utilizar arco e flecha e nunca tinha matado uma gazela. Isso não era importante para sua mãe, que gostava de vê-lo em casa, em atividades pouco agressivas. Talvez Rebeca se sentisse consolada por sua preferência por causa de uma revelação divina recebida, segundo a qual o filho maior serviria ao menor (Gn 25.23). Contudo, como a palavra profética não havia sido dirigida a Isaque, eventualmente ele não tenha acreditado na veracidade dessa promessa.


Pelo que se percebe do texto bíblico, essas preferências dos pais não eram em nada dissimuladas. Os irmãos, desde muito jovens, sabiam perfeitamente da forte divisão naquela abençoada família. Certamente, era uma questão incomoda para todos. As esposas de Esaú, os criados, os pastores de Isaque, todos, enfim, deveriam conhecer bem de perto o antigo problema familiar, através dos sinais claramente perceptíveis que Isaque e Rebeca emitiam. Os pais faziam questão de tomar partido. Isso é lamentável.


2. Filhos com cosmovisões distintas

Quando a divisão se instala na família, os danos são imprevisíveis. A maneira diferenciada dos pais tratarem os irmãos repercutiu, certamente, no desenvolvimento emocional de ambos. A Bíblia não diz expressamente, entretanto seria natural que o pai tratasse com desdém, vez por outra, a presença “desinteressante” do filho mais novo, ao passo que vibrasse e sorrisse efusivamente com as façanhas do primogênito. Em contrapartida, da mesma forma, é provável que a mãe sempre implicasse com os "maus modos” do mais velho e guardasse sempre a melhor comida para o caçula, dentre outras coisas pontuais, que, ao longo da vida, foram distanciando emocional e espiritualmente os pais dos filhos, bem como os irmãos entre si — que acabaram absorvendo cosmovisões diferentes. A vida de Jacó era agradável ao Eterno (Ml 1.2; Rm 9.13), já Esaú era sexualmente descontrolado (prova disso é que se casou com duas mulheres pagãs, as quais trouxeram muita aflição à família patriarcal (Gn 26.34,35) e, depois, com uma terceira (Gn 28.9)). Ele também não respeitava as coisas santas do Senhor. Era, por isso, fornicador e profano (Hb 12.16). Jacó valorizava as coisas espirituais, e Esaú as materiais (Gn 25.34), razão pela qual, aos quarenta anos, casou-se com duas mulheres ímpias (Gn 26.34), enquanto que o caçula decidiu esperar em Deus pela esposa certa (Gn 27.46), vindo a se casar somente aos 84 anos! (Gn 29 21-30)


SUBSÍDIO
Fazendo a escolha certa. Quando, enfim, termina a espera, inicia-se a fase do deslumbramento. O primeiro olhar, aquele que chama a atenção e desestabiliza, é, em regra, inesquecível (o que não significa necessariamente amor à primeira vista). Foi o que aconteceu na vida do patriarca Jacó (Gn 29.10,11). Aquele que tinha esperado em Deus durante tanto tempo (diferentemente de seu irmão Esaú, que casara fora da vontade de Deus - Gn 26.34,35), teve enorme emoção ao se encontrar com sua amada. Mas por que ele chorou? Porque Jacó percebera que Raquel, mais que uma mulher bonita, era também a bênção há tanto tempo esperada. Ele percebeu que a ponte afetiva entre eles tinha sido construída por Deus. Não se tratava só de aparência física, mas, sobretudo, de providência divina. Jacó podia ver que Deus estava naquele negócio. (Preparando-se para construir uma Família - Lições Bíblicas JOVENS - Reynaldo Odilo)

3. Rompimento familiar
Iniciada como uma fagulha, ainda no ventre materno (Gn 25.22,23), a divisão concretizou-se decisivamente aos 77 anos de convivência dos irmãos, no momento em que o pai, já cego e debilitado, achava que iria morrer.
Depois de Jacó enganar o pai e Esaú, o último elo entre os irmãos foi totalmente desfeito. O que era “apenas” inimizade tornou-se ódio descontrolável. O campo de treinamento de Deus, a família, transformou-se em campo de batalha entre irmãos. A guerra estava deflagrada abertamente, e Rebeca, sempre muito perspicaz, ouviu uma informação terrível: Esaú estava propondo matar Jacó. Por causa disso, temendo perder seu filho querido, enviou-o a Padã-Arã, porém tencionava buscá-lo quando a ira de Esaú diminuísse. No entanto, nunca o fez, sinalizando um rompimento fraternal grave e duradouro.
Não é sabido se Rebeca, a serva do Senhor, se arrependeu por ter discriminado o filho mais velho durante toda a sua vida e mimado o mais novo, ensejando, no fim de tudo, uma confusão que a afastaria para sempre do seu filho amado Jacó.
A lição extraída disso tudo é que o ódio plantado na família pode ser incontrolável. O correto é remover, com urgência, o mal pela raiz, através do perdão. É muito triste saber que um casal tão abençoado como Isaque e Rebeca tenha errado de maneira tão decisiva na educação de seus filhos. Fica o exemplo para todas as famílias da terra. O amor deve ser distribuído profunda e indistintamente entre os filhos. Caso contrário, a formação deles, inclusive a espiritual, ficará comprometida.
Dessa forma, é bem possível que a divisão na família de Isaque tenha cooperado, ainda que minimamente, em produzir um filho completamente distanciado dos padrões divinos, como foi Esaú.

O ódio plantado na família pode ser incontrolável. O certo é cortar logo o mal na raiz, pelo perdão.

III. Fim da História
1. A fuga
Fugir nunca é a melhor saída. O importante é que cada pessoa assuma seus erros e arque com as consequências. Jacó, porém, diante do drástico rompimento familiar, empreendeu uma longa viagem à terra de seus avós maternos. Ele não sabia que lá, distante dos cuidados de sua mãe, passaria por momentos bastante difíceis. Seu tio Labão foi um péssimo anfitrião.
Egoísta e traiçoeiro, Labão fez o sobrinho experimentar dos seus próprios métodos familiares, com os quais enganara seu pai e seu irmão. Não adiantou reclamar, pois o irmão de sua mãe mudou seu salário dez vezes, com o objetivo que não tivesse prosperidade nos negócios. Apesar disso, o Eterno o ajudou e o abençoou (Gn 31.7,41,42). Entretanto, como toda fuga tem seu fim, chegou o dia determinado pelo Altíssimo, no qual o fugitivo voltaria à sua terra.

2. O retorno
“Então Jacó orou: ‘Ó Deus de meu pai Abraão, Deus de meu pai Isaque, ó Senhor que me disseste: ‘Volte para a sua terra e para os seus parentes e eu o farei prosperar'” (Gn 32.9 NVI). Jacó estava muito aflito! E por quê?
Porque ninguém pode ser feliz se, no passado, rastros de sofrimento foram deixados sem solução, se inocentes ficaram no prejuízo e se lágrimas de aflição rolaram sem consolo. O Senhor pedirá contas um dia. Essa é uma lei inexorável. Imagine agora como a situação fica mais complicada se isso aconteceu em nome do Altíssimo? Que drama! Que incongruência! Pois foi exatamente tal circunstância que se deu na vida do patriarca Jacó. E foi por causa disso que o Senhor determinou seu retorno à terra de seus pais.

Questões mal resolvidas são pedras no caminho da felicidade. No texto bíblico agora citado, há a informação de que o Criador mandou o "usurpador” retornar à “casa de seus pais e aos seus parentes”. Que grande susto para um fugitivo! O dia de fazer um “acerto de contas” com o seu passado havia chegado. Ele não poderia seguir adiante sem isso. Bem, ele até poderia, só que sem a bênção do Altíssimo.

Jacó, anos antes, tinha fugido de sua casa, por causa de uma trapaça que fizera. Seu irmão gêmeo e pai foram enganados. Sua conduta trouxe vexame, dor e lágrimas para sua família. Ele viajou para uma terra distante, arrumou emprego, casou, ficou rico, estava aparentemente tudo bem... contudo, havia algo que o amarrava... Era o ódio pelo seu irmão. O problema é que Jacó tentava empurrar isso para “debaixo do tapete” da existência. Porém, seria inútil. O filho preferido da mãe não poderia mais dar legalidade ao inimigo. Ele precisava enfrentar os dramas causados por suas escolhas egoístas, pois era um fugitivo dos seus próprios erros. E precisava deixar de ser, pois os foragidos nunca encontrarão a verdadeira paz. Como escapar de si mesmo? Como escapar da própria consciência que arde? Há uma lei, um princípio, que proíbe a existência de felicidade plena se, no passado, maldades foram perpetradas contra pessoas inocentes.
Essa diretriz da justiça divina está em toda a Bíblia e alcançou a vida do Filho Pródigo, narrada por Jesus em Lucas 15 (aquele moço jamais seria feliz se não voltasse para se reconciliar com seu pai). Um dia, na fazenda em que cuidava dos porcos, ele, caindo em si, entendeu que o único caminho da felicidade era voltar, para se reconciliar com seu pai. Do contrário, ele nunca se reencontraria com o caminho da vida.

A bênção do Todo-Poderoso somente flui, em sua plenitude, para quem responde pelos sofrimentos causados intencionalmente, sobretudo aos familiares, de maneira a evitar que os inimigos do Senhor blasfemem, conforme Natã explicou a Davi (2 Sm 12.14).

Assim sendo, filhos que abandonaram e praguejaram contra seus pais, ou vice-versa, ou quaisquer outros relacionamentos que exigiam cumplicidade recíproca diante de Deus, e que daí adveio traição, só poderão encontrar o caminho da paz quando restaurarem, pelo perdão, os elos vitais quebrados. Talvez, por enquanto, o Senhor não esteja exigindo uma conduta objetiva a esse respeito, mas no futuro o Altíssimo certamente cobrará o retorno, para um reencontro indispensável.

O Excelso Criador tinha mandado que o avô dos irmãos beligerantes, Abraão, saísse da sua terra e da sua parentela para uma terra que manasse leite e mel, mas o Senhor nunca determinou o retorno do pai da fé à sua terra natal. Por quê? Porque a vida de Abraão, em Ur dos Caldeus, estava bem resolvida familiarmente! Ele não era foragido, mas partiu de cabeça erguida. Entretanto, seu neto, ao contrário, tinha deixado marcas de sofrimento na vida do pai e do irmão e, por isso, era preciso retornar para pagar o débito com o Eterno e com sua família (Gn 32.3), pois quem assim não procede nunca poderá seguir em frente.

Da mesma forma, esse princípio divino atuou no caso de Onésimo, o escravo fugitivo de Filemon. Deus queria que ambos resolvessem a “quebra de fidelidade” que tinha acontecido. Paulo, por isso, escreveu uma carta ao seu amigo Filemon, determinando o reencontro. Voltar ao passado é um requisito para ser feliz e próspero na vida. Onésimo nunca poderia ser um obreiro eficaz com um "mandado de prisão” contra si. É preciso que todas as amarras sejam soltas.

Interessante, Deus havia dito a Jacó: “volte... e o farei prosperar.” Farei prosperar? Mas Jacó já não era rico e tinha muitos filhos? Sim, porém ele não era próspero! Só a partir daquele reencontro, o Senhor lhe daria a real prosperidade.

«Le Combat de Jacob avec l'Ange», détail
Peinture murale par Eugène Delacroix (1798-1863)
Para retornar e resolver os conflitos do passado, como sempre acontece, um forte medo invadiu o patriarca. Não seria bom continuar se evadindo? Só que o Eterno não aceitaria... Ele havia colocado Jacó numa encruzilhada. Sem ter alternativa, enfrentou o dilema do retorno da maneira que aprendera com seu pai Isaque e seu avô Abraão: buscando a Deus. Antes de se chegar ao seu irmão, reencontrou-se com o próprio Criador, em Jaboque, durante toda uma noite, quando seu caráter foi mudado. Ele deixou de ser “enganador” e foi transformado em Israel, que significa "aquele que luta com Deus”.

Será que na sua vida existe alguma relação que precisa ser reatada, principalmente diante do Todo-Poderoso?
Uma má ação praticada contra alguém que amava você?
Uma lembrança triste, a qual você prefere não trazer à memória ou que você prefere não mencionar?
Talvez este seja o seu momento!
O Senhor, quando fala assim, o faz por amor, visando que as coisas voltem à normalidade e que a bênção dEle seja derramada abundantemente.

3. O reencontro
Vinte anos já tinham decorrido desde a fuga de Jacó, mas agora ele retorna com tudo que possuía para se reencontrar com a sua família (Gn 31.17,18). Esaú era uma sombra no seu passado, uma marca indelével. Diante disso, Jacó enviou mensageiros para informar a Esaú que ele estava chegando (Gn 32.3-5). O medo da vingança assombrava o fugitivo patriarca e ficou ainda mais forte quando os emissários voltaram, pois disseram que Esaú viria ao seu encontro com quatrocentos homens (Gn 32.6,7). A partir daí, Jacó voltou a tratar diretamente com aquEle que pode fazer todas as coisas e que aparecera a ele no caminho de ida (Gn 28.10-13). Ele fez uma vigília a noite inteira e teve um encontro com o Altíssimo (Gn 32.22-31). Ao amanhecer o dia, Esaú despontou no horizonte com quatrocentos homens. Era um grande exército para a época! Mas o Senhor se compadeceu de Jacó e houve reconciliação entre os irmãos. Está escrito: “Então, Esaú correu-lhe ao encontro e abraçou-o; e lançou-se sobre o seu pescoço e beijou-o; e choraram” (Gn 33.4). No fim de tudo, Israel (aquele que lutou com Deus e prevaleceu), com a alma leve, teve um grave entrave do seu passado resolvido. Só não aconteceu mortandade porque Jacó buscou ao Senhor em tempo (Os 12.3,4) e se humilhou ante Esaú, recebendo o perdão, podendo, mais uma vez, sorrir livremente. Nada mais impediria aquele ancestral de Jesus a ser próspero de verdade, com toda sua família. Glória ao Eterno!

O reencontro marcou a completa reconciliação de irmãos que estavam separados há décadas. A família de Isaque agora poderia seguir seu caminho. Só o Criador cura graves traumas familiares.

Tempos depois, Isaque morreu (com 180 anos), e seus descendentes, unidos, sepultaram-no (Gn 35.29).

“Nota o homem sincero e considera o que é reto, porque o futuro desse homem será de paz” (SI 37.37).



CONCLUSÃO

Os descendentes de Isaque experimentaram as consequências de uma danosa semente de discórdia plantada pelos próprios pais. Fica o exemplo. É preciso haver equilíbrio no tratamento dos filhos, confiança no caráter de Deus, que sempre cumpre as suas promessas, além de um profundo desejo de construir um lar que glorifique ao Senhor, que faça a diferença na terra. Este é o plano divino para os jovens que esperam no Senhor!


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO

Um problema histórico. A rivalidade entre irmãos é um problema familiar histórico. Os casos são abundantes na Bíblia. Ismael perseguia a Isaque (Gl 4.29), Esaú e Jacó eram rivais desde o ventre (Gn 25.22,23), os irmãos de José tinham inveja dele (Gn 37.11), Miriã e Arão cobiçaram a posição de Moisés (Nm 12.1,2), os irmãos de Davi o desprezavam (1Sm 16.11; 17.28), dentre muitos outros casos. Assim, todas as famílias, independentemente da época em que viveram, são capazes de criar grandes zonas de conflitos entre irmãos. Cabe, porém, aos membros das famílias buscarem ao Senhor, para que haja controle sobre os impulsos da carne. Paulo roga que guardemos a unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4.1,3). Essa regra serve tanto para a igreja como para a família.
Todo problema vivido dentro da família é relevante, pois quebra a unidade no lugar em que as pessoas têm a obrigação de se amarem. “Amem-se ou pereçam”, dizia certo poeta americano. Ademais, está escrito: “Mas, se alguém não tem cuidado dos seus e principalmente dos da sua família, negou a fé e é pior do que o infiel” (1 Tm 5.8).
Por outro lado, os problemas familiares são inevitáveis. Sempre existirão conflitos. Cedo ou tarde. Pequenos ou grandes. Com todos ou só com alguns. Isso faz parte da natureza humana decaída. Até na família terrena do Filho de Deus houve conflitos. Assim, não existem famílias sem problemas, mas há como os membros permanecerem sempre unidos (Pv 24.3,4). Não se pode permitir que o campo de treinamento de Deus (a família) se transforme no campo de batalha da carne. O Senhor pode estabelecer uma paz inefável e duradoura (Jo 14.27).

Fonte:
Lições Bíblicas CPAD - 2ºtrim.2016 Eu e minha casa - Orientações da Palavra de Deus para a Família do Século XXI - Comentarista Reynaldo Odilo
Livro de Apoio - Eu e minha casa - Orientações da Palavra de Deus para a Família do Século XXI - Comentarista Reynaldo Odilo
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. Volume 1, RJ: CPAD, 2010.
Comentário Bíblico BEACON Vol.1 RJ.CPAD.2015
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé


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terça-feira, 24 de maio de 2016

Conflitos Familiares

“Porque ainda sois carnais, pois, havendo entre vós inveja, contendas e dissensões, não sois, porventura, carnais e não andais segundo os homens?” 1Co 3.3 


INTRODUÇÃO


Os conflitos familiares são tão antigos quanto a própria raça humana. Eles começaram a partir do Éden, com a Queda, atingindo Adão e Eva e, posteriormente, Caim e Abel. Desde muito cedo, o homem natural é inclinado a pecar, o que pode ser visto já nas crianças de tenra idade, que são inclinadas ao egoísmo. Esse é o grande problema da humanidade. Na narrativa bíblica, os grandes homens de Deus enfrentaram sérios conflitos em suas famílias, como é o caso dos patriarcas Abraão, Isaque, Jacó, Davi... O único remédio para solucionar conflitos é o amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo (Rm 5.5). A parábola do filho pródigo narra o epicentro dos conflitos familiares. Filho rebelde em atrito com irmão que não perdoa, e o Pai, que representa Deus, em busca da reconciliação familiar. Essa é a história de todos nós!

A família é o campo de treinamento de Deus, por isso, não pode se transformar em um campo de batalha entre irmãos.


Era uma vez um jovem cheio de esperança, pois tinha uma firme confiança em Deus quanto ao seu futuro. Ele sempre buscava o Senhor em oração. Era feliz com o que tinha e no lugar em que vivia. Também não tinha dilemas existenciais, mas era convicto do propósito do Senhor na sua vida. Ele chamava a atenção por onde passava, porque tinha o brilho do Senhor. A graça do Altíssimo estava sobre ele. Fazia parte de uma família tradicional, mas não era orgulhoso. Amava seus irmãos, porém não compactuava com os pecados deles e, por isso, contava ao pai os desvios de condutas deles, que, também por isso, o odiavam.

A vida seguia em meio a muitos conflitos familiares e, ao que parece, o pai não praticava nenhuma ação para diminuir as tensões fraternais. Antes, pelo contrário, fazia de conta que nada de errado estava acontecendo nos relacionamentos dos seus filhos. Um dia, para piorar as coisas, o pai presenteou o jovem com uma linda roupa colorida, caríssima, bem diferente das peças do vestuário dos demais. Seus irmãos acreditavam que ele era o “queridinho do papai”, e agora isso estava comprovado “com todas as cores”.

Quando o virtuoso moço da história tinha dezessete anos, ao fazer uma viagem, a pedido do pai, para encontrar seus irmãos e, eventualmente, ajudá-los em alguma necessidade, sofreu a maior decepção da vida. Eles, ao invés de agradecerem pelo cuidado e esforço empreendido na viagem, cheios de ira e inveja, entenderam que aquele era o momento ideal para se livrarem do irmão que se sobressaía, que atraía todas as atenções, o qual, certamente, ficaria com o direito de primogenitura e, por conseguinte, com a maior parte da herança paterna, pois era o filho mais velho da esposa amada do pai! Enquanto armavam o plano maligno, uma caravana de negociantes passou pelo local, tendo eles vendido o irmão como escravo. Com o negócio concretizado, os dez irmãos achavam que, com aquela conduta, todos os seus problemas familiares estariam resolvidos. Entretanto, eles não sabiam que aquilo seria o grande drama existencial deles até o fim de seus dias (Gn 50.14-17). O engano e a traição jamais porão fim a qualquer dificuldade familiar. Eles apenas aumentarão a dor e o sofrimento de todos.

O mundo de José, circunscrito ao conforto do lar, marcado pelo amor dos pais e recheado de sonhos bons, desmoronou de uma hora para outra. Ele estaria, a partir de então, sozinho e desprezado no maior país do mundo na época — o Egito.

A insensibilidade dos irmãos de José impressiona, muitas vezes, os leitores da Bíblia Sagrada. No entanto, a reação dos irmãos, movidos de inveja, era perfeitamente previsível, mesmo porque eles nunca aprenderam nada acerca de perdão e tolerância com seus pais! O hostil ambiente familiar, que contava com filhos de várias esposas (cenário bastante parecido com muitas famílias atuais) e mães que se digladiavam de maneira feroz, incentivava naturalmente a rivalidade entre todos, o que, sem dúvida, não poderia acabar em algo. Isso mostra que até um aparente pequeno conflito familiar entre irmãos pode se transformar em tragédia. E mais: que cabe a todos (principalmente aos pais) procurarem, a todo o custo, o mais rápido possível, juntar os cacos dos relacionamentos familiares fragilizados, independentemente da gravidade e extensão dos mesmos, antes que seja tarde demais.

No fim da história, aconteceu a reconciliação familiar, e José, como governador, salvou sua família da fome, levando-a para o Egito. Vale dizer, porém, que o período de sofrimento decorrido por causa dos enfrentamentos familiares foi muito longo, e os danos emocionais provocados foram bastante significativos, a ponto de Jacó, o pai dos moços, mencionar que os 130 anos de sua vida foram “poucos e maus” (Gn 47.9).

Poderia ter sido diferente, se os conflitos tivessem sido solucionados a tempo e modo. Ainda que José não tivesse assumido o posto de rei do Egito, mesmo assim o Todo-Poderoso não deixaria perecer a família dos descendentes de Abraão e Isaque! O final triunfante de José apenas comprova o que as Escrituras dizem: “(...) todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto” (Rm 8.28), mas os conflitos familiares foram, sem dúvida, fontes de grandes dissabores que deveriam ter sido evitados.

Como aconteceu à família de José, assim acontece com todas as famílias ao redor do mundo. Do coração das pessoas, brotam os maus pensamentos e eclodem insurreições familiares. Na verdade, as famílias têm conflitos por serem formadas por seres humanos falhos, decaídos moralmente diante do Senhor, como será visto adiante.

I. O GRANDE PROBLEMA
1. A maldade humana
O Criador colocou Adão e Eva no Paraíso para eles viverem uma intensa história de amor. Para tanto, o Senhor deu a eles o livre-arbítrio, que é o requisito essencial para a existência de qualquer tipo de amor, bondade, alegria, etc. Eles, entretanto, escolheram o pecado.

Após os olhos de Adão e Eva se abrirem, a vergonha afastou-os mutuamente. Ambos eram uma só carne, mas o pecado os separou emocionalmente. Eles não podiam olhar entre si. Achavam seus corpos instrumentos do mal. Sentiam-se sujos e, por isso, se envergonhavam. Antes, seus corpos eram símbolos de uma união verdadeira, como altares para o Todo-Poderoso. Agora, porém, seus corpos traziam vergonha. Eles, a partir dali, tinham o que esconder. Não refletiam mais a imagem do Criador. Por tal razão, quiseram se cobrir. A vida de decepções horizontais entre os semelhantes estava apenas começando.

O interessante é que, quando Adão recebeu Eva das mãos do Altíssimo, ele ficou tão feliz que até fez uma poesia. Cantou uma música romântica (Gn 2.23,24). Entretanto, depois da Queda, a coisa ficou diferente. Logo no primeiro aperto, quando o Eterno perguntou sobre o pecado cometido, Adão respondeu: “a mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3.12). Com a resposta, Adão estava traindo a Eva. Ele estava, a rigor, pedindo a morte para sua esposa. Quanto egoísmo e indiferença. O amor que sobreviveu depois da Queda foi somente o amor próprio — o amor de Adão por ele mesmo.

Como visto, a humanidade, mesmo sabendo quem era o Todo--Poderoso, perdeu-se em seus caminhos, preferindo o pecado e desprezando o Criador. A maldade se instalou no coração do homem, e o processo de corrosão moral entrou em funcionamento, culminando na mais terrível degradação, o que atingiu frontalmente a família. Eis a explicação teológica para os conflitos familiares. Sem dúvida, a situação espiritual do mundo, o qual é dominado pelo humanismo, fez a sociedade ser inimiga do Senhor (Tg 4.4).

Assim, num agrupamento humano, seja a família, a escola ou a igreja, sempre haverá pessoas com maus pensamentos. Dessa forma, existe no homem natural a tendência ao pecado, que Paulo chama de inclinação da carne (Rm 8.6) e, por isso, no seio familiar sempre acontecem conflitos.

2. O início precoce
A maldade do coração humano, que é a força motriz dos conflitos familiares, tem um início bastante precoce. Já na denominada primeira infância, os sinais do egoísmo infantil podem ser claramente identificados. Para comprovar isso, basta colocar uma criança em um quarto com poucos brinquedos, e ela passará um longo período de tempo se divertindo. No entanto, se ali forem colocados mais cem brinquedos e, junto a isso, outra criança entrar no recinto, em pouco tempo as duas estarão brigando por um mesmo brinquedo.

A Palavra de Deus diz que “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” (Gn 8.21b) e que a estultícia (insensatez) está ligada ao coração do menino (Pv 22.15). Este grande problema humano, todavia, tem sido tratado de maneira inadequada pelas famílias e educadores, notadamente pela adoção da teoria educacional do construtivismo, que tem uma ideia utópica do homem (pensamento que surgiu com força a partir do lluminismo), acreditando que o homem é bom desde pequeno e que, se ele ficar entregue a si mesmo, produzirá excelentes resultados éticos e morais.

Dessa forma, os pais que têm deixado as crianças entregues a si mesmas sofrerão sérios problemas (Pv 29.15), porque, dessa forma, não são estabelecidos limites comportamentais e, no futuro, surgirão indivíduos profundamente ensimesmados, ou até algo pior. Assim sendo, os cristãos devem saber que seus filhos são inclinados a praticar o pecado, mas que é possível corrigir essa tendência. É bom alertar, contudo, que os filhos podem fazer escolhas pecaminosas em suas vidas e decidirem não obedecer ao Senhor. A Bíblia, todavia, garante que eles jamais se esquecerão daquilo que aprenderam no caminho em que seus pais os ensinaram (Pv 22.6).

Assim, mesmo com a indefinição sobre o futuro, a educação cristã, na família, deve assumir a função da vara da correção (Pv 22.15), a fim de que a insensatez da criança seja debelada. Apesar disso, é bom repetir: existe uma parte neste processo que é responsabilidade pessoal do filho, da mesma forma que o barro precisa deixar ser moldado para que um vaso seja construído pelo oleiro.
Sabendo disto, os pais que tenham cumprido seu papel como bons educadores cristãos não devem ser responsabilizados por eventuais desvios de comportamentos e conflitos de seus filhos (Dt 24.16; Ez 18.20). Isto se chama livre-arbítrio!

3. A insaciabilidade
Outra característica presente em cada ser humano que vem ao mundo é a insaciabilidade. Está escrito que o homem natural nunca satisfaz a sua cobiça (Ec 6.7), e isso pode ser visto, igualmente, no seio familiar. Há sempre o desejo por trás, porém cabe à educação familiar frear esse anelo, que é a fonte de muitos conflitos.

Esse campo de treinamento do Senhor — a família — deve reprimir essa ânsia pelo possuir indefinidamente e impregnar o desejo pelo repartir, de estar satisfeito com o que se tem, mas isso não é fácil. A cosmovisão judaico-cristã é a única que detém condições de incutir no homem valores morais indispensáveis, como o altruísmo, a solidariedade, a bondade, a humildade, que combaterão essa terrível inclinação carnal (1 Co 3.3), transformando-o num verdadeiro cidadão do céu.

O homem, enquanto estiver nesta casa terrestre, estará sujeito a inúmeras fraquezas, que geram conflitos; mas um dia, na eternidade a paz será perfeita. 

II. FAMÍLIAS EM CONFLITO
1. Ingratidão e desprezo
Os casos de conflitos familiares ao longo da Bíblia são abundantes, e os motivos que emergem são os mais variados possíveis. Essa maldade inata não corrigida e a insaciabilidade sempre estão presentes na base de todos esses enfrentamentos, corroborados, além disso, por outros sentimentos não nobres, como se verá a seguir.

A família de Abraão sofreu com vários conflitos desde a sua constituição. O primeiro narrado pela Bíblia aconteceu por causa de desentendimentos entre os pastores de Abraão e os pastores de Ló, o que causou a separação dos patriarcas. Depois, o conflito apareceu entre uma escrava que se agregara à família quando visitou o Egito, em desobediência a Deus e sua esposa.
O fato aconteceu depois que a egípcia, com a permissão de Sara, engravidou de Abraão. Está escrito: “(...) e, vendo ela [Agar] que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos” (Gn 16.4). Que coisa absurda! Agar era escrava de Sara, tinha alcançado uma posição de destaque por causa de sua senhora, e agora simplesmente não queria mais honrá-la. A narrativa é sintética, entretanto é possível imaginar o que aconteceu naquele clã familiar. Uma escrava que, agora, acreditava ser detentora dos direitos de sua senhora, pois o filho dela seria o herdeiro de tudo. Não sabia ela que o Todo-Poderoso tinha surpresas agradáveis para Sara no futuro. A serva egípcia não conhecia a grandeza daquela mulher, sua senhora, a qual sofria a humilhação.
Agar foi expulsa e, no deserto, grávida, um anjo determinou que ela voltasse e se humilhasse debaixo da mão de sua senhora. Ela atendeu e, pela virtude do coração da esposa de Abraão, foi readmitida no clã familiar (Gn 16.7-9).

Com Jacó, neto de Abraão, deu-se outro caso notável de repulsa. O filho de Isaque desprezou sua esposa Leia, por causa de uma trapaça do sogro. Foi um grande desrespeito com um ser humano frágil, que lhe devotava tanto amor. Isso durou muitos anos. É verdade que, moralmente, Jacó tinha o direito de ficar indignado com Labão, mas não poderia desprezar sua esposa Leia, que era tão vítima quanto ele. O resultado desse processo de humilhação foi que o Senhor curou a infertilidade de Léia, enquanto Raquel, sua irmã e concorrente, permaneceu estéril durante muitos anos (Gn 29.31). Deus, por amor, mostrou à família patriarcal que injustiça e desprezo jamais podem ser a base dos relacionamentos familiares, principalmente daqueles que servem ao Senhor.

Nunca o Senhor compactuou com a ingratidão e o desprezo, dentro ou fora da família. Por isso, jamais se viu alguém se dar bem na vida por subestimar as pessoas, mas sempre há registros de indivíduos que foram vitoriosos por superestimarem os outros. Afinal, o Todo-Poderoso abate os orgulhosos, mas dá graça aos humildes (Tg 4.6).

2. Soberba e ciúme
Um caso emblemático de soberba e ciúme na família aconteceu com Moisés (Nm 12.1-15). Moisés era o homem mais manso da terra, mas seus irmãos, Miriã e Arão, não eram tão mansos assim, em desobediência a Deus (Mt 11.29,30). E, por isso, se rebelaram contra o irmão Moisés. Diz a Bíblia: “E falaram Miriã e Arão contra Moisés, por causa da mulher cuxita, que tomara; porquanto tinha tomado a mulher cuxita. E disseram: Porventura, falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? E o Senhor o ouviu” (Nm 12.1,2). O sucesso nem sempre é bem digerido, em todo o tempo, pelos membros da família. Moisés era um homem bem-sucedido e tinha uma família bem unida. Sua irmã Miriã salvou sua vida quando ele era bebê. Seu irmão Arão era o seu porta-voz. Tudo estava bem, até que a soberba e o ciúme entraram no seio familiar.
A consequência foi que o Todo-Poderoso sequer analisou o mérito da acusação infundada, mas castigou a Miriã, a qual ficou leprosa. Logo após, "Arão disse a Moisés: Ah! Senhor meu! Ora, não ponhas sobre nós este pecado, que fizemos loucamente e com que havemos pecado!” (Nm 12.11). Arão foi perdoado sem nenhum dano físico, mas somente moral. Infelizmente, muitas famílias são destruídas por permitirem que tais sentimentos prevaleçam. O amor não se ensoberbece (1 Co 13.4).

3. O remédio sublime
Familiares são presentes de Deus. São indivíduos que foram feitos para sofrerem, amarem e viverem juntos. Foi o Eterno quem criou o sentimento de amor na família, de consideração não fingida. O Senhor Jesus amou sua família, apesar das incompreensões dos seus irmãos, como cada um deve amar também a sua. Ele tinha tempo para eles, embora, às vezes, a conversa não fosse agradável. Isso não importava, pois era sua família.

Há pessoas, porém, que dizem que os relacionamentos humanos, inclusive na família, são calcados, sempre, em interesses mesquinhos, como se fosse uma troca, porém nunca em amor sincero (quem nunca ouviu falar na teoria do "gene egoísta”, de Richard Dawkins?) Quando alguém envereda por esse pensamento satânico "do comércio", nunca terá uma família feliz e acabará enxergando maldade em tudo e em todos. Com olhos sujos, a visão sempre será embaçada. O Amor, porém, “tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor nunca falha” (1Co 13.7,8). Ele é o remédio para todos os dramas familiares e foi administrado pelo Espírito Santo nos casos de José e seus irmãos, Moisés e seus irmãos, Jesus e seus irmãos, etc. Se for pago mal com mal, o mal sempre prevalecerá e não haverá vencedores. Se for pago, na família, olho por olho, é possível que, em breve, acabem-se os olhos de todos.

A lei de talião não leva em consideração aspectos espirituais, mas somente humanos. A lei de Cristo é: perdoe, que todos vencerão, e a justiça de Deus se estabelecerá.
sugestão leitura: Deus dá Sua lei ao povo de Israel

III. A HISTÓRIA DE TODOS NÓS
A sensação de estar perdido é uma das mais angustiantes. As coisas ao redor não têm sentido. Tudo é igual. Tristeza pelo erro do caminho. Ansiedade pela incerteza do futuro. Estar perdido é para quem não tem familiaridade com o lugar em que se encontra. O que dizer, porém, de dois filhos que se perderam dentro da sua própria casa? Essa foi uma história magnífica contada por Jesus (Lc 15.11-32) e que tem tudo a ver com os conflitos familiares.

Era uma vez um pai que tinha dois filhos. Esses filhos representam todos os membros das famílias. Um decidiu ir embora para uma terra longínqua, levando consigo sua herança. Isso mostra que ele já estava perdido na sua casa. Sua saída fez somente aprofundar o desnorteamento e a distância. Ele já havia perdido os referenciais, os princípios, a intimidade com o pai.

O outro filho, que permaneceu em casa, igualmente estava perdido na mesma intensidade do caçula. Acontece que o mais novo reconheceu seu pecado e retornou para casa arrependido. O filho mais velho, porém, “reconheceu” o erro do seu genitor e não quis retornar dos campos para casa. Ele sabia o caminho para a sala do banquete, mas não quis voltar. Está escrito: “Mas ele se indignou e não queria entrar. E, saindo o pai, instava com ele” (Lc 15.28).
O primogênito ouviu os sons da celebração ruidosa e alegre que seu pai patrocinou, pelo retorno de seu irmão caçula, mas isso o indignou. Ele não entrou na casa, apesar de no Oriente haver o costume de que, em caso de festa, o primogênito deveria ficar descalço, à porta, cumprimentando os convidados. Neste caso, o mínimo que se esperava dele era que honrasse o pai, pelo menos saudando as pessoas, e somente depois reclamasse. Mas ele preferiu humilhar seu pai publicamente, discutindo na presença dos convidados. Um insulto, principalmente num banquete. Esse filho estava profundamente perdido.
Entretanto, o pai se humilhou publicamente, saindo de casa e instando com o filho mais velho para que participasse da celebração — um gesto de amor inesperado. Aquele pai falou ternamente ao filho rebelde sobre a importância de eles sempre estarem juntos e também falou da comunhão patrimonial entre ambos, mas o primogênito desprezou o arrazoado paterno.
Ele queria dinheiro, destaque, e isso tudo bem distante das pessoas de casa. O filho mais velho, na verdade, odiava o pai que, por sua vez, sem levar em consideração a amargura do coração, a arrogância das palavras, o insulto dos gestos, a distorção dos fatos e as acusações injustas de seu filho mais velho, queria tocar seu coração. Aquele pai não condenou, nem criticou, muito menos rejeitou, da mesma forma como fez com o filho caçula. Houve, com isso, um novo derramamento de amor.
Em flagrante contraste, o pai o chamou de "filho”, um título afetivo. “Não há dor maior do que perder um filho”, pensava o pai, que insistiu: “Filho, entre na festa. Precisamos de você ao nosso lado”.
A reação do pai para com cada um de seus filhos foi essencialmente idêntica, já as condutas dos filhos foram bem diferentes. O caçula teve tudo de volta, mas nada se sabe acerca do primogênito. Uma coisa é certa: se ele não se encontrou com a Vida naquele dia, o pai sempre o estará esperando... de braços abertos.

1. O filho egoísta

O filho mais jovem era egoísta, pois pensava apenas em si e estava enjoado da vida em família. Ele não precisava de mais ninguém para viver e, por isso, viajou para longe do aconchego do lar e desperdiçou toda sua herança. Quando, por fim, chegou ao fundo do poço, ele, em desespero, se lembrou da casa do seu pai. Essa é a história de muitos filhos que, mesmo sem partirem geograficamente, abandonaram o ideário familiar, buscando construir sua história, relativizando os valores morais com independência emocional e sem compartilhamento de vida. O fim sempre será a solidão, pois não há melhor lugar para estar do que na companhia daqueles que o Eterno estabeleceu como família. Ainda dá tempo para voltar!

2. O irmão que não perdoa

O outro filho, o orgulhoso, não perdoava ninguém. Ele era aparentemente envolvido com a família, mas seu coração estava muito longe. E o pior: ele, que tanto errava, não admitia o erro de ninguém. Insensível, ele cumpria os rituais familiares, mas era tão ou mais egoísta que seu irmão. Este filho (mais experiente), que sempre está em conflito consigo e com os outros, também precisa cair em si, reconhecer seu erro e voltar à boa convivência da vida familiar.

3. O pai que reconcilia
Por fim, a parábola do filho pródigo traz a figura do reconciliador — o pai, que simboliza Deus, o qual sempre busca a união para a família, “porque ali o Senhor ordena a benção e a vida para sempre” (SI 133.3).
O Senhor busca as famílias que estão perdidas em seus conflitos, que transformaram o campo de treinamento do Reino num verdadeiro campo de batalha terrenal. Ciúme, brigas, agressões, infidelidades e uma grande quantidade de males se multiplicam inexplicavelmente. Falta paciência, falta perdão, falta amor. Este não foi o propósito do Criador — o Pai. Ele quer que as famílias vivam unidas, refletindo a glória do seu Reino.


CONCLUSÃO

Não adiantam medidas psicológicas paliativas para resolver os conflitos familiares. Deus deve ser convidado para fazer parte do ambiente familiar, para que a história mude e o mal ceda. A família, o laboratório que Deus usa para forjar homens de fé, não pode ser objeto de manipulação maligna, onde os membros são concorrentes, oponentes, inimigos. Ela é o farol que traz luz para as nações, por amor a Jesus Cristo.

Fonte:

Lições Bíblicas CPAD - 2ºtrim.2016 Eu e minha casa - Orientações da Palavra de Deus para a Família do Século XXI - Comentarista Reynaldo Odilo
Livro de Apoio - Eu e minha casa - Orientações da Palavra de Deus para a Família do Século XXI - Comentarista Reynaldo Odilo
HENRY, Matthew. Comentário Bíblico do Novo Testamento. Volume 5, RJ: CPAD, 2010
RENOVATO, Elinaldo. A Família Cristã e os Ataques do Inimigo. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2013
STEPHENS, Steve. Projetos Para um Casamento Sólido. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2011
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé
Aqui eu Aprendi!
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