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sábado, 27 de maio de 2017

A Bondade Divina e a Regra de Ouro

E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira fazei-lhes vós também” Lc 6.31

Pedir, Buscar, Bater: Jesus fala da oração (7.7-12)
Interpretação. Duas observações essenciais para nossa interpretação. Jesus está falando estas palavras como incentivo. Jesus está falando de súplica, não de outras formas de oração. Nós sabemos que as palavras de Deus devem ser interpretadas como um incentivo e não como um mandamento, porque cada exortação vem acompanhada de uma promessa:

• Pedi e dar-se-vos-á.

• Buscai e encontrareis.

• Batei e abrir-se-vos-á.

Isto leva à pergunta imediata: Por que precisamos ser incentivados a levar nossas súplicas a Deus?
A resposta pode estar sugerida no contexto total do ensino de Jesus. O relacionamento com Deus é verdadeiramente uma coisa ‘em secreto’. Os incrédulos não podem ver, tocar nem sentir ‘Deus’. Nem nós! Quando oramos, damos um salto de fé, confiando em um Ser invisível para atuar em nosso nome no universo material. À medida que começamos a praticar a oração, precisamos da certeza provida pelas promessas de Jesus” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, p.36).

Pedir, Buscar, Bater
Se os pais humanos, que são maus, dão coisas boas aos seus filhos, Deus, que é completamente bom, certamente dará coisas boas àqueles que Lhe pedirem. Isto verdadeiramente é incentivo. Deus não apenas responderá nossas orações, mas, sua resposta nascerá de seu amor de Pai por nós, e será verdadeiramente uma ‘coisa boa’. Em segundo lugar, o tipo de oração que Jesus está ensinando é a súplica. Isto não é louvor, nem ação de graças, nem contemplação. É pedir a Deus por alguma coisa que é vital para nós. Nós sabemos disto porque Jesus descreve a oração como pedir, buscar e bater. ‘Pedir’ é um ato de oração na sua forma mais simples. ‘Buscar’ transmite intensidade, uma ‘sinceridade fervorosa’. E ‘bater’ retrata persistência. Nós batemos à porta do céu, e continuamos batendo! É importante não confundir o que Jesus está dizendo com o estabelecimento de condições que, se cumpridas, levarão Deus a nos responder. Jesus não está dizendo que se você pedir com fervor o suficiente, Deus responderá sua oração. Ele simplesmente está dizendo que quando sentirmos uma necessidade tão intensa que nos leve ao Senhor repetidas vezes, não devemos nos sentir desencorajados, mesmo se a resposta parecer atrasada. Deus verdadeiramente se preocupa com estas coisas que importam para os seus filhos. E Deus responde às nossas súplicas dando-nos boas coisas” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, pp.36-37).

“Tratar os demais como nós mesmos gostaríamos de ser tratados” é um conhecido dito popular. Contudo, ao analisar melhor tal sentença, é possível perceber que ela diz mais do que conseguimos enxergar em uma primeira leitura. A forma como todos gostamos de ser tratados é algo bastante pessoal. Um exemplo ilustra o ponto: Há pessoas que preferem ser chamadas de maneira formal (senhor/senhora), mesmo tendo pouca idade, ao passo que outras, mais idosas, preferem a informalidade (você). Tratá-las como “gostaríamos de ser tratados” significa justamente observar essa regra. Não nos cabe exigir que as pessoas gostem das mesmas coisas que nós, pois isso seria tratá-las como nós — e não elas — pessoalmente gostamos de ser tratados e não como elas, segundo suas predileções, gostariam de ser consideradas. Isso, porém, não significa que devemos concordar com tudo que as pessoas gostam/fazem e vice-versa. Tal distinção é necessária, pois não se pode confundir educação e boas maneiras com concordância acrítica e descompromissada de práticas reprováveis. Cuidemos, entretanto, de não tornar os nossos “gostos pessoais” a regra, segundo a qual, avaliamos as pessoas.

TEXTO BÍBLICO: Mateus 7.7-12

7 — Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
8 — Porque aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre.
9 — E qual dentre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra?
10 — E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?
11 — Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?
12 — Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas.

INTRODUÇÃO
Os seis versículos da lição de hoje encerram grandes ensinamentos. Os primeiros cinco retomam verdades que já foram implicitamente trabalhadas na oração do Pai-Nosso e também nas orientações gerais sobre o ato de orar (Mt 6.5-13). O Mestre retoma igualmente os ensinos acerca da ansiedade pela vida (Mt 6.25-34). Entretanto, em relação a este último aspecto do discipulado, Cristo instrui, primeiramente, em detalhes e agora o coloca de forma implícita em forma de orientação a respeito da “frequência” com que se deve orar (vv.7,8). A confiança no Pai é ensinada com base na própria bondade humana que, como se sabe, é limitadíssima (vv.9-11). Finalmente, um dos textos mais populares e que é repetido até mesmo por pessoas que não creem em Deus: a regra de ouro é apresentada pelo Mestre como síntese da Lei (v.12).

I. PEDIR, BUSCAR E BATER

1. A vida orante.
É preciso ter em mente que o Mestre dirige-se aos seus discípulos e que eles são judeus. É acerca da justiça do Reino que Ele está a ensinar. Sendo assim, como a abnegação e a confiança são pré-requisitos indispensáveis aos que atenderam ao chamado de Jesus (Mt 6.25-34), o Mestre instrui agora acerca da “vida orante”, ou seja, da adoção de um estilo de vida que tem a oração como uma constante (v.7). A constância aqui nada tem com as vãs repetições que foram reprovadas anteriormente, posto que aquelas consistem em palavrórios vazios de quem não tem discernimento do caráter de Deus (Mt 6.7,8,32,33). A questão visada aqui não é algo circunstancial, mas perene e profundamente espiritual indo além das necessidades básicas que já são conhecidas pelo Pai (Lc 11.9-13).

2. “Pedi”, “buscai” e “batei”.
Através de três verbos, o Mestre ensina acerca da constância e do estilo de vida do discípulo no que diz respeito à oração: “Pedi”, “buscai” e “batei” (v.1). São ações e não meramente contemplações. Quem pede demonstra humildade, pois reconhece sua necessidade (Mt 15.21-28). Buscar está relacionado ao reconhecimento de que há algo mais que precisa ser encontrado, obtido. Não quer dizer inconformismo egoísta, mas a não aceitação de um estado de apatia espiritual e de falta de comunhão (Jr 29.11-14). Finalmente, o que bate sabe que depende da benevolência e da sensibilidade de quem está do “lado de dentro”. Portanto, precisa contar com tal confiança (At 12.16; Ap 3.20).

3. Receber, encontrar e abrir.
Quem tomou a decisão de pedir, buscar e bater, tem do Mestre a confiança de que “aquele que pede recebe; e o que busca encontra; e, ao que bate, se abre” (v.8). Adotar esse estilo de vida orante, significa manter-se em um estado de perpétuo reconhecimento. Não é algo que deve se apresentar apenas em momentos de dificuldades que atingem a todos indistintamente. Comportar-se dessa maneira significa reconhecer a total dependência que temos do Criador (At 17.24-28).

Ponto Importante

A petição do estilo de vida orante não se restringe às necessidades básicas e, muito menos, a desejos caprichosos e individualistas, mas é um reconhecimento da nossa dependência divina.

II. A BONDADE DIVINA E A MALDADE HUMANA

1. O amor paternal humano.
Em continuidade ao seu ensino acerca do estilo de vida orante, o Mestre agora evoca a figura paterna para demonstrar o quanto se pode confiar em Deus. Qual pai, em sã consciência, ao pedido de alimento do filho lhe dará uma pedra, ou, “pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente?” (vv.9,10). Evidentemente que os dois elementos aqui colocados para exemplificar os cuidados paternais — pão e peixe — são típicos da sociedade daquela época. No entanto, a mensagem é clara: salvo os comportamentos patológicos que existem, qualquer pai, em condições normais, cuida do filho e quer o melhor para ele (Lc 15.11-32).

2. A maldade inata do ser humano.
Apesar de este não ser o propósito do ensino do Mestre, Ele reitera uma doutrina cara da fé cristã que é o fato de a humanidade ser pecadora por natureza (Gn 3; Rm 5.12), ou seja, os atos de bondade que somos capazes de exercer não nos tornam bons, pois somos maus (v.11).

3. A infinita bondade divina.
A capacidade humana de praticar um ato de bondade ante a necessidade do filho, a despeito de o ser humano ser mau, faz com que Jesus tome tal situação como referência para exemplificar a infinita bondade do Pai (v.11). Em outros termos, se nós, sendo maus, temos capacidade de dar coisas boas aos nossos filhos, que dirá Deus, que é infinitamente bondoso (1Jo 4.8). Dessa forma, a pergunta do versículo 11 é retórica, pois é claro que Deus é indiscutivelmente mais digno da nossa confiança, pois Ele é bom para todos, independentemente das circunstâncias (Sl 118.1; Is 49.15,16; Lc 18.19; Mt 5.44,45).

Ponto Importante

O discípulo não é como os pagãos que não possuem entendimento algum sobre Deus. Por isso, seus pedidos precisam ser conscientes e nunca individualistas e egoístas.

III. A REGRA DE OURO E A COMPLETUDE DA LEI

1. A regra de ouro.
Conhecida até mesmo, de alguma forma, por pessoas que não leem a Bíblia, a regra de ouro consiste em um ditado que, em sua forma negativa (“Não faça aos outros, o que não queres que façam a ti”) era muito difundida no mundo antigo. Alguns autores defendem ser ela, em sua forma positiva (v.12), uma criação de Jesus. Entretanto, pesquisas realizadas no campo da literatura greco-romana e rabínica, demonstram sua existência em outros lugares e cultura.

2. A novidade da regra de ouro em Jesus.
Como qualquer ditado que, devido ao seu uso popular, tende a se tornar um chavão desgastado e raramente praticado, Jesus surpreende ao relacionar a regra de ouro àquilo que era mais caro aos judeus: as Escrituras Veterotestamentárias (v.12). Nesse sentido, uma vez mais o Mestre demonstra que não veio para “pisar” na Lei, e sim dar-lhe pleno sentido e cumprimento (Mt 5.17).

3. A Lei e os Profetas.
Considerando o volume físico do material do Antigo Testamento, inscrito em papiros e, posteriormente, em pergaminhos, sendo, por isso mesmo, de difícil reprodução, não há dificuldade alguma em imaginar o que o Mestre fez ao acrescentar à regra de ouro que o seu cumprimento correspondia a viver integralmente a “Lei e os Profetas”. Sendo as mentes judias disputadas por várias escolas rabínicas e estas, monopolizadoras do Antigo Testamento, não é difícil entender a revolução que foi afirmar que toda discussão teórica em torno de minúcias da Lei de nada valiam, mas sim o agir em amor, o fazer (praticar, realizar) aos outros aquilo que gostaríamos que fizessem a nós. Esta sim era uma atitude que significava viver, integralmente, o que ensinava a Lei e os Profetas (Mt 22.34-40).

Ponto Importante

Uma vez mais o Mestre ensina que a vontade de Deus não é contemplação, mas ação. Saber sobre a Lei e os Profetas não é tão importante quanto cumprir o que lá está escrito, isto é, amar e agir como gostaríamos que agissem conosco.

CONCLUSÃO

Pedir, buscar e bater são atitudes que indicam reconhecimento de que se está necessitado e de que há falta de algo. O apelo se dirige a quem, a priori, acreditamos nos ser propício e benevolente, posto que confiamos que irá nos atender. Outro grande ensinamento do Senhor é que, fazer aos outros primeiro o que gostaríamos que fosse feito a nós é o que, de fato, significa cumprir o que está na Lei e nos Profetas. Para o judeu este é o maior de seus anseios e objetivos. Mas, e para os discípulos? Sua justiça deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt 5.20). Logo, deve ter algo mais profundo. E Jesus revela isso em João 13.34.


Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 


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segunda-feira, 22 de maio de 2017

Padre Fabio de Melo critica Teologia da Prosperidade na Igreja Católica

Para o padre Fábio de Melo, a teologia da prosperidade tem causado grande mal também no meio católico

O sagrado e o profano cercam a rotina de Padre Fábio de Melo. Há 20 anos na estrada religiosa, o mineiro confessou no Conversa com Bial desta terça-feira (16/5) não temer circular pelo show business e esbarrar em possíveis pecados que rondam o sucesso e a fama. "Preciso me despir da hipocrisia. O pecado está em todos os lugares, na minha sacristia da mesma forma que está na Marquês de Sapucaí. Eu prefiro estar onde ele é mais visível porque eu sei com quem estou lidando", diz.

Ao ser questionado sobre a teologia da prosperidade, o padre falou que os cristãos católicos também têm aderido a esse mal.

Sempre firme nas opiniões, Padre Fábio diz se inspirar em figuras como Papa Francisco. Inclusive, explica como faria se ocupasse o posto dele!

"Fico pensando se eu fosse Papa, não poderia dizer tudo que penso porque existe uma observação muito maior."

E mesmo quando a conversa fica mais afiada e Bial pergunta sobre o surgimento de padres famosos para atrair mais fiéis, Padre Fábio reconhece sua posição nesse mercado.

“Não posso negar que sou um homem do espetáculo, trabalho com música e meu palco é bonito. O que acontece com esse espetáculo é minha grande responsabilidade.”



Fonte: GospelGeral
Aqui eu Aprendi!

sábado, 20 de maio de 2017

Abigail, um caráter conciliador

A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” Pv 15.1

Nabal era um homem destemperado. Não por acaso o seu nome significa “insensato”, “tolo”. Ao ser instado pelos jovens de Davi a usar de benevolência para com ele, por intermédio do seu rebanho, Nabal tratou Davi de maneira desrespeitosa e tresloucada. Por outro lado, Davi também se mostrou descontrolado, afobado e precipitado. Com uma mente voltada para a guerra, a primeira coisa a pensar foi na vingança: “Cada um cinja a sua espada. E cada um cingiu também Davi a sua; e subiram após David uns quatrocentos homens, e duzentos ficaram com a bagagem” (1Sm 25.13). Notou? 400 homens para dá cabo da vida de um homem? Algo completamente desproporcional.

Nesse contexto de ira, ódio, precipitação aparece Abigail, mulher de Nabal (1Sm 25.14). Uma mulher formosa e de bom senso. Reconheceu a loucura de seu esposo e preparou uma grande dádiva de suprimentos para Davi e seus guerreiros. A partir de sua prudência e palavras de reconciliação, ela controlou a ira de Davi e salvou a vida de seu esposo. O próprio Davi admitiu que por causa de Abigail não cometeu um ato extremo de vingança em relação ao inimigo: “Bendito o teu conselho, e bendita tu, que hoje me estorvaste de vir com sangue e de que a minha mão me salvasse” (25.33).

Mais tarde, após a morte de Nabal, Davi achou por bem tomar Abigail como esposa. O perfil da sábia mulher, que fez Davi retroceder em sua decisão em relação a Nabal, fez muita diferença. O bom senso, o equilíbrio e polidez de Abigail por certo encantaram a Davi. Logo, Abigail casou-se com o futuro rei e teve um filho chamado Quileabe (2Sm 27.3) em Hebrom.

Quantas dores não foram evitadas por causa de um conselho conciliador de Abigail? A Palavra de Deus diz que “a resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15.1). Muitas vezes esquecemos esse alerta e pensamos que podemos falar com outras pessoas da forma que se bem pretenda. Usando a desculpa de “sou sincero” ou “só falo a verdade” as pessoas acabam cometendo “sincericídio”. No lugar de aplacar a ira, a estimula mais. No lugar de apagar o fogo da discórdia, o acende mais. Há pessoas que preferem jogar “gasolina na fogueira”, quando deveriam trabalhar para apagá-la. Trabalhar pelo entendimento, pela conciliação, pela unidade. Trabalhar para debelar a contenda e ter um espírito mais manso. Trabalhar pela paz é que fomos chamados! Revista Ensinador Cristão nº70

A mulher sábia, além de edificar a sua casa, contribui para apaziguar os ânimos dos que vivem ao seu redor.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE:  1 SAMUEL 25.18-24,27,28

Estudaremos, na lição deste domingo, a respeito do caráter de Abigail. Ela foi uma mulher sábia que edificou sua casa e demonstrou ter habilidade para lidar com os conflitos. Embora fosse uma mulher inteligente, teve a desventura de se casar com um homem tolo. A insensatez de Nabal fez com que ele ofendesse Davi e seus liderados, suscitando ira e desejo de vingança. Eles estavam prestando um favor a Nabal ao proteger seus rebanhos. Se não fosse a intervenção sábia de Abigail, toda a família de Nabal teria perecido. Quando a crise familiar chegou, Abigail com coragem e sabedoria, soube tomar as atitudes certas e na hora certa. Que nos momentos de crise, venhamos buscar em Deus sabedoria para agirmos com prudência, coragem e de forma pacífica.

INTRODUÇÃO

Abigail era esposa de Nabal, um rico fazendeiro, proprietário de grandes rebanhos de ovelhas e de cabras, que vivia nas proximidades do Carmelo, em Maom, não muito distante do deserto de Parã. Ali, os pastores de Davi travaram contato com os pastores de Nabal. Necessitando de alimento para seus homens, Davi mandou pedir víveres a Nabal. Ao ouvir o pedido, Nabal encolerizou-se e afrontou Davi diante dos mensageiros, negando qualquer apoio (1Sm 25.10,11). Irado, Davi ajuntou homens para atacar Nabal e toda a sua casa. A tragédia foi evitada pela pronta intervenção de Abigail, que soube aplacar a ira de Davi.

I. ABIGAIL, UM POUCO DE SUA HISTÓRIA

1. Nabal, um homem de Belial.
Nabal significa “insensato”, “tolo”. O texto bíblico diz que ele era “homem mui poderoso, e tinha três mil ovelhas e mil cabras” (1Sm 25.2). Além de insensato, “era duro e maligno nas obras, e era da casa de Calebe” (1Sm 25.3). Era um homem dominado por um espírito mal, arrogante, que não se relacionava bem, nem mesmo com sua esposa. Era considerado um “tal filho de Belial”, com o qual não se podia falar pacificamente (1Sm 25.17). Seu coração estava focado em seus bens materiais. Era homem de mau relacionamento, principalmente com seus servos ou empregados.

2. Davi recorre a Nabal e é desconsiderado.
Como a tropa de Davi dependia de ajuda para alimentar-se no deserto, ao saber que Nabal, um homem riquíssimo e muito próspero, estava tosquiando ovelhas, mandou Davi dez jovens para lhe saudar, desejando paz a ele e à sua casa, e solicitou que enviasse o que pudesse para seus homens. Com seu temperamento colérico, Nabal sequer agradeceu a saudação. E respondeu de forma grosseira e irônica aos criados de Davi: [...] “Quem é Davi, e quem é o filho de Jessé? [...] Tomaria eu, pois, o meu pão, e a minha água, e a carne das minhas reses que degolei para os meus tosquiadores, e o daria a homens que não sei de onde vêm?” (1Sm 25.10,11).

3. Davi resolve vingar a afronta.
A resposta dura de Nabal foi uma grande afronta a Davi e a seu grupo de guerreiros dispostos a lutar por Davi, por si próprios e por suas famílias. Ele tomou quatrocentos homens para ir em direção a Nabal. A intenção dele era atacar Nabal e tudo o que ele tinha, com extrema vingança, disposto a destruir tudo (1Sm 25.22). A reação de Davi foi carnal, carregada de ressentimento e vingança, contrária à vontade de Deus (1Sm 25.10-13,21,22).

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
A solução de Abigail
“A irritação de Davi foi compreensível, mas não justificada. Abigail demonstrou grande sensibilidade em ajudar Davi em sua ira. Observe:
1 — Ela trouxe comida para Davi e com esse ato corrigiu a situação que o irritou. Onde uma injustiça foi cometida, necessitamos tentar corrigi-la.

2 — Ela pediu desculpas a Davi. Esta é uma piedosa alternativa para cancelar um tentativa de obter vingança.

3 — Ela apontou as consequências de agir sob irritação. Davi seria culpado do derramamento desnecessário de sangue. E mais tarde, quando Davi se tornou rei, seu ato poderia desgastar a confiança e o apoio do povo de Judá.

4 — Ela também apressou Davi a deixar a vingança nas mãos de Deus. Deus, que corrige todos os erros, se importaria com Davi — e cuidaria de todos os seus inimigos. Impressionado pelas palavras dessa humilde, contudo segura mulher, Davi a abençoou por afastá-lo de agir precipitadamente”
(RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 9ª Edição. RJ: CPAD, p. 196).

CONHEÇA MAIS...
Nabal e Saul
“Alguns comentaristas observam uma semelhança entre Nabal e Saul. Os dois são hostis ao leal e honesto Davi. Os dois vão contra o conselho da família e partidários. Os dois são finalmente derrubados por Deus, não por Davi. Samuel disse que Saul agira tolamente, usando as mesmas letras hebraicas que compõem o nome de Nabal. O mal de cada um fez Davi voltar para condená-los. Que lição! Deixemos os próprios atos de nossos inimigos condená-los, ao invés de lançarmos mão da vingança”. Para conhecer mais leia, Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p.196.

II. ABIGAIL DEMONSTRA O SEU CARÁTER

1. Uma mulher prudente.
O nome Abigail significa “pai da alegria” ou “exultação”. Seu nome também corresponde ao seu caráter pacificador e humilde. Ela era uma mulher dotada de beleza física e entendimento (1Sm 25.3). Ao tomar conhecimento da terrível ameaça à sua casa, Abigail resolveu agir com prudência, sabedoria e diligência, para evitar um grande mal que seria perpetrado por Davi, o ungido de Deus. Diante de tamanho perigo, foi que Abigail teve oportunidade de demonstrar quem era ela. Abigail deu uma lição para todos os que servem a Deus: saber agir nos momentos de crises e ameaças.

2. O caráter diligente e sábio.
Ao saber do mal que estava arquitetado contra seu esposo e sua casa, Abigail atuou de forma rápida e eficiente. Preparou uma carga de cereais, frutas e vinho e os colocou sobre alguns jumentos, e os levou a Davi. Em sentido contrário, vinha Davi com seus quatrocentos homens, respirando raiva e sentimento de vingança, com desejo de não deixar com vida nem mesmo um menino (1Sm 25.18-22). Que diferença do que Jesus ensinou com seu evangelho. Jesus mandou amar os próprios inimigos, bendizendo-os e orando por eles (Mt 5.44).

3. O caráter conciliador de Abigail.
Davi cavalgava com a fúria dos homens de coração ferido. Mas em sentido contrário, vinha Abigail, montada em seu jumento. Em seu coração, ela levava sentimento de paz, de humildade, de amor e de perdão. Ao ver Davi, ela desceu de seu animal e prostrou-se com o rosto em terra, diante daquele que ia destruir sua família. “E lançou-se a seus pés e disse: Ah! Senhor meu, minha seja a transgressão; deixa pois, falar a tua serva aos teus ouvidos e ouve as palavra da tua serva” (1Sm 25.24). Abigail exortou Davi para que não fizesse justiça com as próprias mãos, pois Deus haveria de julgar seus inimigos (1Sm 25.25-31). Davi nunca imaginou que a sua sede de vingança e fúria contra um desafeto fossem anuladas pela sabedoria e pela força de uma mulher de caráter pacificador.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor procure ressaltar algumas das características de Abigail. Enfatize o fato de que seus sábios conselhos foram eficientes para aplacar a fúria de Davi, impedindo que ele agisse com ira e de forma impensada, e para a preservação da vida de seus familiares. Utilize o quadro abaixo para, juntamente com os alunos, analisarem as realizações e exemplos que podem ser extraídos do caráter de Abigail.



III. O RESULTADO DO CARÁTER DE ABIGAIL

1. Davi foi aplacado por Abigail.
Ao encontrar-se com Abigail, Davi foi vencido pela palavra sábia e prudente de uma verdadeira mulher de Deus. Cumpriu-se o que diz Salomão: “A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira” (Pv 15.1). A atitude humilde e conciliadora de Abigail foi uma resposta à atitude agressiva de Davi. Certamente ele aprendeu uma grande lição para a sua vida. Ele era corajoso e provou isso quando enfrentou Golias. Mas faltava-lhe a lapidação do caráter para enfrentar situações adversas e oposições.

2. Deus feriu Nabal.
Quando Abigail relatou os acontecimentos a Nabal, “[...] se amorteceu nele o coração, e ficou ele como pedra” (1Sm 25.37). A Bíblia diz de forma bem simples e direta: “E aconteceu que, passados quase dez dias, feriu o Senhor a Nabal, e este morreu” (1Sm 25.38). Se Davi tivesse feito justiça com suas próprias mãos, as coisas teriam tomado outro rumo, imprevisível e perigoso. Mas como a sábia mulher agiu com presteza e eficiência, ele foi poupado de manchar suas mãos e sua história com o sangue de Nabal. “Minha é a vingança e a recompensa, ao tempo em que resvalar o seu pé; porque o dia da sua ruína está próximo, e as coisas que lhes hão de suceder se apressam a chegar” (Dt 32.35).

3. Davi toma Abigail por sua esposa.
Logo após a morte de Nabal, Davi agradeceu a Deus por ter-lhe livrado de cometer um grave erro diante do Senhor; “E mandou Davi falar a Abigail, para tomá-la por sua mulher” (1Sm 25.39). E o fez, mandando seus criados falar com Abigail, transmitindo o honroso convite, que ela aceitou com muita humildade (1Sm 25.39-42). Ela se apressou, certamente mudou suas vestes, “montou num jumento com as suas cinco moças que seguiam as suas pisadas: e ela seguiu os mensageiros de Davi, e foi sua mulher” (1Sm 25.42).

O caráter pacificador de Abigail contribuiu para que sua família fosse salva da ira de Davi.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Tanto os servos de Nabal (cujo o nome em hebraico significa ‘tolo’, insensato intelectualmente e moralmente) quanto sua esposa concordavam quanto à maldade de seu senhor. Quando retornou à sua fazenda, Abigail encontrou seu marido comendo e bebendo como um rei. Ele estava tão bêbado, que ela não lhe contou sobre sua pequena escapada até o dia seguinte, quando estava sóbrio. Após ouvir sobre o perigo que estava exposto, alguns entenderam que Nabal sofreu um ataque cardíaco ou talvez uma congestão e ficou ‘como pedra’. Dez dias depois ‘feriu o Senhor a Nabal, e este morreu’. Davi considerou sua morte como um ato de Deus, pelo qual foi vingado e protegido de derramar sangue por si mesmo.
Pouco tempo depois, Davi enviou servos para pedirem a mão da viúva em casamento. Abigail graciosamente e sem hesitar consentiu, dizendo: ‘Eis aqui a tua serva servirá de criada para lavar os pés dos criados de meu senhor’. Em sua segunda viagem ao campo de Davi, ela foi acompanhada de seus bens pessoais e cinco servas a fim de permanecer com Davi como sua segunda esposa. Mais tarde ela foi com Davi para Hebrom e Jerusalém, como sua rainha” (Dicionário Bíblico Wycliff. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1324).


CONCLUSÃO

Nabal era um homem insensato, dotado de um temperamento duro e violento. Mas Deus permitiu que Davi dele precisasse, para que uma mulher sábia e prudente protagonizasse um exemplo marcante para seus servos e suas servas, em todo o mundo, ao longo dos séculos. Viúva de um homem irascível, que era bem-sucedido em suas atividades produtivas, mas um tolo e insensato, no relacionamento humano, Abigail jamais imaginou ser esposa do rei Davi, o mais afamado monarca de Israel. O Deus de Davi é o nosso Deus, que provê tudo para os que nEle confiam.


Fonte: Lições Bíblicas CPAD - 2º trim.2017 adultos - O Caráter do Cristão - Moldado pela Palavra de Deus e provado como ouro - Elinaldo Renovato de Lima
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Pentecostal - CPAD

Aqui eu Aprendi!

Autoavaliação e Discernimento, sim, Julgar, não

Sede, pois, misericordiosos, como também vosso Pai é misericordioso” Lc 6.36

Não Julgar ou Ser Julgado (7.1-5)
Esta passagem é uma das declarações de Jesus mais equivocadamente interpretadas e erroneamente citadas. Sempre que a pessoa quer obstar críticas sobre atitudes, ações ou estilo de vida de alguém, objeções são encontradas na ordem: ‘Não julgueis’. Obviamente não é o que Jesus pretendia aqui. Ele espera que julgamentos de valor sejam feitos, que o certo e o errado sejam identificados e que o digno e o indigno sejam discernidos, como vemos nos versículos seguintes (especialmente o v.6). O discípulo deve poder ver a falta no irmão de forma que tal pessoa seja trazida a uma correção gentil, mas firme (cf. Mt 18.15-17). Jesus nunca disse que o bem e o mal são ideias relativas determinadas por cada pessoa. A tradição profética pede discernimento e correção. A oferta de Deus de perdão não envolve libertinagem impenitente.

O que Jesus proíbe nesta passagem é a mania de criticar, a condenação e o espírito de hipocrisia. O imperativo presente em ‘não julgueis’ (ou ‘parai de julgar’) indica um estilo de vida e uma atitude habitual de condenação. Tal atitude obsta a misericórdia e sujeita o participante à mesma justiça rigorosa e implacável. A expressão: ‘Com a medida com que tiverdes medido vos hão de medir a vós’ (v.2) conota a retribuição divina e era usada nas obras rabínicas judaicas (e.g., M. Sotá 1.7). Esta declaração de Jesus remonta à Oração do Senhor no capítulo prévio, na qual Ele deixou claro que um espírito irreconciliável ou condenador revoga o perdão já recebido (Mt 6.14,15; cf. Mt 18.23-35)” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.59-60).

A trave e o argueiro
“Para ampliar seu ensino contra o julgamento, Jesus focaliza a imagem do argueiro e da trave (vv.3-5). A trave, ou tábua, é uma hipérbole que Jesus usa para condenar a pessoa que, com uma tábua no olho (i.e., uma grande falta), tenta tirar um farelo de serragem (um defeito menor) dos olhos de outra pessoa. Esta imagem ridícula intensifica a imperfeição e autoilusão da hipocrisia. Normalmente Jesus reserva o título ‘hipócrita’ para os inimigos, mas Ele o aplica aos discípulos. Ninguém está imune desta miopia ética; assim devemos provar a percepção da profundidade espiritual da pessoa” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.60).

Não julgueis, para que não sejais julgados (7.1)
A palavra krinō tem o sentido de ‘avaliar, distinguir’ e também de ‘julgar, condenar’. Aqui ‘não julguei’ refere-se a uma atitude crítica e cáustica com relação a outros. Por quê? Jesus dá três razões poderosas.
Em primeiro lugar, a maneira como tratamos os outros definirá a maneira como eles nos tratam (7.2). Em segundo lugar, estar alertas às nossas próprias faltas já é um trabalho suficiente (7.3-5). E, em terceiro lugar, se os outros não valorizam o que você valoriza (‘Nem deiteis aos porcos as vossas pérolas’ [7.6]), sua condenação irá enfurecê-los ao invés de convencê-los do pecado” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, p.33).

A nossa natural disposição em sentenciar as pessoas, coloca-nos em uma posição que não nos cabe.

Em 1 Coríntios 11.31,32 o apóstolo Paulo diz que “se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seriamos julgados. Mas quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo”. Este texto utilizado, tradicionalmente, em reuniões de celebração da Ceia revela uma grande verdade. Se cada um de nós exercesse sobre, e acerca de si, um autoexame perfeito, não haveria o perigo de sermos julgados. Contudo, devido ao fato de não sermos perfeitos, terminamos não nos avaliando corretamente, ou seja, fazemos isto de forma desequilibrada, sendo, muito vezes, autoindulgentes ou severos demais. Entretanto, quando somos avaliados pelo Senhor, acabamos corrigidos para o nosso bem, para não sermos condenados com o mundo. Na realidade, como diz a Palavra de Deus, “Quando somos corrigidos, isso no momento nos parece motivo de tristeza e não de alegria. Porém, mais tarde, os que foram corrigidos recebem como recompensa uma vida correta e de paz” (Hb 12.11 — ARA).

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
A fim de contribuir para um melhor entendimento acerca das três posturas e/ou práticas a serem estudadas nesta lição, apresente a seguinte atividade: Solicite aos alunos que se dividam em três grupos. Um grupo representará a prática do julgamento, o outro a da capacidade de autoavaliação e o último, a do discernimento. A ideia é que cada grupo apresente, ao menos, dez palavras relacionadas a cada uma das práticas para posteriormente compará-las com as expressões das demais. Exemplo:


O objetivo é que ao comparar as expressões, os alunos compreendam não apenas a diferença entre elas, mas o lugar de cada prática e o que cabe a cada um. No sentido em que o Senhor Jesus ensina no Sermão do Monte, só a Deus cabe o julgamento, pois Ele é o único capaz de julgar perfeitamente e sentenciar. Nosso papel é “julgarmos” a nós mesmos, isto é, nos autoavaliarmos e discernirmos todas as coisas para que possamos agir com sabedoria.

TEXTO BÍBLICO:  MATEUS 7.1-6

INTRODUÇÃO

A vida em comunidade é fascinante. Não podemos existir saudavelmente vivendo em isolamento. Contudo, o viver em sociedade tem os seus desafios. Um dos principais diz respeito ao relacionamento interpessoal. Na convivência surgem rusgas, discordâncias e até ofensas. Apesar de essas práticas não serem positivas e cristãs, muitas vezes são inevitáveis. A Bíblia, porém, nos ensina a tratar de tais conflitos para que eles não se tornem raízes de amargura e, com isso, venham contaminar a muitos (Hb 12.15). Outro fator perigoso é que discordâncias podem formar grupos e nestes as pessoas se transformam em juízes (1Co 3.1-8; Rm 14.1-12), postura altamente reprovável pelo Senhor, conforme iremos aprender nesta aula (Mt 7.1-5). Não podemos esquecer de que o ensinamento desse texto dirige-se aos discípulos, portanto, aos filhos do Reino de ontem e de hoje.

I. JULGANDO O PRÓXIMO OU OCUPANDO O LUGAR DE DEUS

1. Não podemos julgar.
O texto é claro e não permite outras interpretações. O Mestre é enfático: “Não julgueis” (v.1). Como pessoas de uma sociedade estratificada, ou seja, dividida em partidos e grupos, tanto políticos quanto religiosos, era atitude corriqueira entre eles a disputa pela “verdade” (Mt 22.15,23; Mc 3.18; Lc 7.18; 20.1; Jo 12.20-22; At 5.36,37). Cada facção reivindicava a posse da verdade e assim punha-se a julgar as demais pessoas ou grupos. Na realidade, os discípulos foram forjados nessa sociedade e, mesmo depois de estarem com o Mestre, eles ainda disputavam entre si (Mc 9.33,34; Lc 9.46). Quem entra em uma disputa não o faz sem intenção de ganhar e, para isso, lança mão de todos os tipos de artifícios e argumentos para que o seu ponto de vista prevaleça. Ao final, o comportamento é o de alguém que se acha capaz de julgar as demais pessoas, tendo a si mesmo como base e referência. Infelizmente, quem se acostuma com essa prática, faz do costume de julgar os outros seu estilo de vida.

2. A consequência para quem se comporta como juiz.
O Mestre adverte que o discípulo não deve julgar para que não venha a ser julgado (v.1). Ele desdobra o seu ensino e mostra a consequência, ou o resultado, do exercício do julgamento por parte de quem se acha capaz de julgar, dizendo que da mesma forma que a pessoa julga, ela será julgada, e que a medida utilizada para medir será também a mesma com que ela também será medida (v.2). A pergunta inevitável é: Se tal for feito, qual será o destino de todos? Se não falhamos em uma área da vida em que alguém sempre tropeça, por outro lado temos defeitos que, às vezes, nos passam despercebidos, mas que prejudicam outras pessoas do nosso convívio (Sl 19.12). Entretanto, esse “nível de julgamento” ainda é simples diante do que o Senhor está advertindo a que não se faça (Mt 18.15-35).

3. Por que não podemos julgar?
A Bíblia de Estudo Palavras-Chave, em seu Dicionário do Novo Testamento, afirma que o verbo krinō, traduzido no versículo primeiro como “julgar”, significa “propriamente distinguir”, ou seja, “decidir (mentalmente ou judicialmente)” e, sendo assim, “julgar, condenar, punir: — vingar, concluir, condenar, maldizer, decretar, determinar, estimar, julgar, recorrer a Lei, ordenar, questionar, sentenciar a, pensar”. Considerando os versículos posteriores, não seria forçado dizer que a expressão tem um sentido de julgar com o objetivo de “sentenciar”, isto é, condenar e proferir um castigo à altura. Ocorre, porém, que nesse sentido, o julgamento só cabe a Deus, que conhece perfeitamente a tudo. Nem mesmo o Mestre colocou-se nessa condição (Lc 12.14; Jo 12.47,48). Assim, os discípulos, ao menos agora, não devem sentenciar a ninguém, pois não têm prerrogativa para tal. Quanto ao exercício do julgamento futuro, tanto Jesus, como os salvos, no dia determinado pelo Pai, deverão exercê-lo (Jo 5.22,23; 1Co 6.2,3).

II. AUTOAVALIAÇÃO, AUTOCORREÇÃO E O AUXÍLIO A TERCEIROS

1. A disposição natural para corrigir aos outros.
Pensando na possibilidade de exercer um juízo de correção, portanto, de menor alcance sobre as pessoas, o discípulo, como ser humano em transformação, é tentado a observar a conduta alheia e apontar o erro do próximo sob a desculpa de estar sendo cuidadoso (v.3). A este comportamento, o Senhor Jesus interpõe uma observação fundamental: Se a pessoa tem capacidade para enxergar um pequeno “cisco” no olho de alguém, é estranho que não verifique que há uma tábua na frente dos seus próprios olhos! Quem tem capacidade para observar pequenos detalhes nos outros, precisa exercer o mesmo rigor consigo mesmo. Nessa mesma linha é que Jesus faz duas censuras ao comportamento dos que se achavam justos aos seus próprios olhos, mas não “conseguiam” ver os sinais que Ele fazia como sendo provenientes de Deus (Lc 12.54-57; Jo 7.19-24). Somos ávidos para corrigir e avaliar os outros, mas lentos e parcimoniosos quando se trata de ver os próprios erros e corrigi-los da mesma forma.

2. Autoavaliação.
Quem é competente para perceber um pequeno defeito nos demais, deve ser suficientemente capaz para perceber os seus grandes erros e mudar de atitude (v.4). Se essa não for a postura, torna-se impossível corrigir alguém. Na verdade, querer consertar os outros antes de fazer o mesmo consigo é hipocrisia (Rm 2.1-16). Mesmo porque, a correção alheia não redime os meus defeitos e pecados.

3. Autocorreção e auxílio ao próximo.
A instrução do Mestre é clara quanto ao comportamento de quem quer corrigir aos outros no intuito de “ajudá-los”: Tirar a trave, ou seja, remover os seus graves desvios e se autocorrigir. Só assim estará apto a auxiliar o próximo na remoção do “cisco do olho” (v.5). Vale lembrar que, posteriormente, Jesus instrui acerca da correção ao próximo, isto é, como ela deve ser feita e as reais motivações que devem levar alguém a fazê-lo (Mt 18.15-17).

Por que será que somos rápidos para reparar os defeitos dos outros, mas tão lentos para nos autocorrigir?

III. A NECESSIDADE DE DISCERNIMENTO

1. Discernir é preciso.
O versículo seis demonstra claramente que o ensino do Mestre acerca de “julgar” nos versículos anteriores não se refere ao indispensável exercício do discernimento nem da autoavaliação. É necessário e urgente que se faça. Todavia, é preciso que isso se dê de forma consciente, inclusive, dos nossos próprios erros e do valor das coisas sagradas.

2. Cães e porcos.
Os destinatários da justiça do Reino são os discípulos. Como eles são judeus, sabem claramente o que essa palavra quer dizer ao utilizar a figura de dois animais imundos, ou cujo comportamento remete à imundície (Lv 11.7; 2Pe 2.22).

3. Coisas santas e pérolas.
Novamente não é possível entender o ensinamento do Mestre se não tivermos em mente o fato de que Ele se dirige a uma audiência imediata composta por judeus. “Coisas sagradas” lembram claramente o sacrifício destinado á expiação da culpa que era propriedade de Deus e do sacerdote, portanto, sagrado (Lv 7.5-38). Quanto às pérolas, lembra-nos o que o Senhor falou em Mateus 13.45,46. Como os cachorros são animais carnívoros, a carne do sacrifício lhes era certamente atrativa, mas nem isso os impediam de satisfazerem-se e, depois de empanzinados, voltarem-se contra quem lhes ofereceu. É importante lembrar que o cachorro não era um animal de estimação como se vê nos dias de hoje. A respeito dos porcos, a ideia é simples: Em um chiqueiro do mundo antigo, e até mesmo em época mais recente, a comida dos porcos consistia de restos e sobras, muitas vezes estragados. Pérola para um animal como esse só tinha um destino: ser despedaçada. Assim, a mensagem do Reino levada a pessoas que a desprezavam, davam de ombros e desdenhavam, seria como dar coisas sagradas aos cães e pérolas ao porcos. Um desperdício que os discípulos não podiam se dar ao luxo de cometer (Mt 10.5-15).


CONCLUSÃO

A lição de hoje ensinou-nos grandes princípios, mas o principal deles é que a única pessoa que cada um de nós pode realmente melhorar através da correção somos nós mesmos.



Fonte: Lições Bíblicas CPAD Jovens - 2º trim.2017 - O Sermão do Monte - A Justiça sob a ótica de Jesus - Comentarista César Moisés Carvalho 


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terça-feira, 16 de maio de 2017

A Primeira Pedra

"...E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais." João 8:11

A Primeira Pedra

No Evangelho escrito pelo Apóstolo João, em seu capítulo 8º, há a narração de um fato ocorrido envolvendo a pessoa de Jesus Cristo, que é do conhecimento da maioria absoluta das pessoas que frequentam a Igreja. Uma mulher foi flagrada no ato do adultério. E levaram esta mulher até Jesus, ansiosos para ter o consentimento do Mestre para poderem apedrejá-la até a morte.

Era de manhã cedo, e uma pequena multidão estava na praia ouvindo os ensinamentos de Jesus Cristo. De repente chegou uma outra multidão, trazendo uma mulher assustada. Aterrorizada seria o termo mais correto. Acredito que a multidão, sedenta de sangue, já havia torturado, espancado, seviciado, rasgado as suas vestes daquela mulher. Ela foi jogada aos pés de Jesus. As pessoas que já estavam com Jesus se uniram aos que trouxeram a mulher, ansiosos para também descarregar a sua ira, a sua frustração, a sua animalidade, a sua irracionalidade, a sua impiedade, a sua bestialidade sobre aquela mulher.

Os seres humanos são maus, são péssimos, são horríveis. Amar é assumir o risco de sofrer uma decepção, porque somos, todos nós, perversos, e temos prazer na aflição alheia.

Há dois elementos que podem ser observados nesta situação: de um lado a multidão que queria se divertir às custas da vida daquela mulher; e de outro, os escribas e fariseus, que queriam colocar Jesus num beco sem saída. Se Jesus tivesse concordado com a execução da mulher, então, o seu ministério de amor seria uma farsa. Por outro lado, se Jesus determinasse o perdão da mulher, estaria indo contra a Lei de Moisés. O que não poderia ocorrer, uma vez que Ele próprio já afirmara que não viera a revogar a Lei de Moisés, mas sim a cumpri-la.

Uma turba exaltada se formou, contando, inclusive, com as pessoas que estavam a ouvir os ensinamentos de Jesus antes da chegada dos escribas e dos fariseus. Todos já estavam excitados com a possibilidade de poderem atirar "uma pedrinha" na mulher.

Nós seres humanos somos naturalmente propensos a extravasar a nossa frustração, e nossa infelicidade sobre pessoas que nada tem a ver com o nosso sofrimento. Freqüentemente a nossa decepção se torna frustração, e posteriormente em raiva. Então passamos a ansiar por matar, esquartejar, queimar em praça pública mesmo aqueles que são inocentes de nosso sofrimento (os filhos que o digam...).

Jesus esperou mais alguns minutos, até que a multidão armada com as pedras, exigiu de Jesus uma posição, um pronunciamento, uma decisão, uma sentença. Imagino que quando Jesus se colocou em pé, a multidão, apreensiva, fez um silêncio de morte (morte da mulher). Jesus se levantou e disse uma coisa que ninguém esperava. Ele não disse "sim", não disse "não". Mas a sua resposta não poderia ter sido mais dura, mais eficaz, mais cortante e penetrante: "aquele que não tem pecados, seja o primeiro a atirar a pedra". Em outras palavras, somente quem fosse santo, quem não tivesse pecados, quem fosse puro de mãos e limpo de coração, que não entregasse a sua alma à vaidade e nem jurasse enganosamente (Salmos 24), poderia ser o primeiro a atirar a pedra.

E a Bíblia diz que aos poucos a multidão se dispersou. Todos foram para as suas casas, acusados pela própria consciência, deixando a mulher e Jesus sozinhos. Quando a mulher ficou a sós com Jesus, ela poderia ter fugido. Mas não o fez. Por que aquela mulher não fugiu?

Nós seres humanos, temos uma reação instintiva de fugir sempre. Nós fugimos daquilo que pode nos causar dor e sofrimento. É uma reação natural. Você já pensou em fugir de alguém alguma vez em sua vida? Ir para bem longe onde ninguém te ache, ninguém te conheça, ninguém te acuse, ninguém saiba do teu passado?

Por que fugir? Para ter um alívio momentâneo e imediato. Mas não é possível fugir sempre. Aliás, existem duas pessoas de quem você não poderá fugir para sempre, e nem há local do mundo onde possa se esconder delas: Deus e você mesmo. É por isso que aquela mulher não fugiu. Mais cedo ou mais tarde você vai ter que enfrentar o seu Deus. Não vai poder fugir dele para sempre. E quanto mais tempo demorar, mais dor e sofrimento vai colher...

Eu gostaria de chamar a tua atenção para dois fatos nesta passagem. A primeira é que Jesus não disse: "quem não é adúltero atire a primeira pedra", dando a entender que os que não eram adúlteros poderiam condenar aquela mulher. A exigência, o requisito, a habilitação exigida por Jesus para que alguém pudesse condenar aquela mulher era uma condição intransponível: não ter pecados, não ter nenhum pecado. E diante desta condição, somos forçados a concluir que o único que poderia atirar as tais pedras era o próprio Jesus Cristo...

Não obstante, nós, da igreja moderna, pensamos que podemos atirar pedras sobre aqueles que cometem os pecados que nós não cometemos. Isto é, pensamos que podemos condenar os adúlteros porque não cometemos adultério; os ladrões porque não roubamos; os estupradores porque não cometemos estupro; os assassinos porque não matamos ninguém; os sequestradores porque não sequestramos ninguém; e assim sucessivamente. Em outras palavras, acreditamos que podemos condenar as pessoas que cometem os pecados que nós não cometemos. Olhamos para os pecados dos outros e nos julgamos melhores do que os outros. Em alguns casos chegamos a nos julgar santos e imaculados.

Quando nós nos arrogamos ao direito de condenar uma pessoa, quem quer que seja, e qualquer que seja o motivo, estamos simplesmente nos declarando santos, puros e imaculados. E merecedores de uma posição de destaque no Reino de Deus: juízes. São os juízes que tem o poder e a capacidade de julgar e condenar. Quando nós condenamos alguém, nós nos declaramos melhores do que as pessoas que condenamos. Talvez até com uma certa dose de razão, mas sem nenhum fundamento bíblico...

A justiça de Deus não é a mesma justiça que os seres humanos utilizam.

Essa colocação que fez Jesus Cristo nos coloca (a todos nós), num mesmo pé de igualdade. Mas nós, arrogantes, prepotentes, orgulhosos, ufanistas, hipócritas, acreditamos que nos é possível estarmos em situações diferentes porque não cometemos os mesmos pecados que cometem aqueles a quem condenamos.

O segundo fato para o qual gostaria de chamar a tua atenção é que a própria mulher adúltera não tinha o direito de se condenar. De atirar pedras sobre a própria cabeça. Não poderia ser a sua própria acusadora, juíza e carrasca.

Nós, membros de alguma das igrejas de Jesus Cristo, não temos o direito de nos condenarmos ao inferno, ao fogo eterno. Não importa o tamanho ou a gravidade de nosso pecado. Se deliberadamente nos afastamos da Igreja, estamos a nos condenar à separação eterna de nosso Deus. Muito embora todos os dias milhares de pessoas cometam este tipo de "suicídio espiritual", dizendo-se indignos da graça, do perdão e da misericórdia de nosso Deus.

Se nosso Deus nos tratasse do modo como merecemos ser tratados, onde estaríamos nós? Algum de nós, com toda sinceridade, pode olhar para os céus, e reivindicar, requerer, exigir alguma coisa de Deus fundado em sua própria santidade e pureza? De se lembrar que pecado não é somente matar, roubar e estuprar, como muitos pensam. Mas pecado é tudo aquilo que fere, ofende, magoa e entristece o coração de Deus e o Espírito de Deus. O fato de sermos pecadores nos retira, e nos atira para longe da presença de Deus. Então nos vemos em uma situação de desespero: o pecado nos retira da presença de Deus, de modo que não podemos exigir nada de Deus. Por outro lado não podemos (nós mesmos) atirarmo-nos ao inferno por termos pecado (não importa qual tenha sido o pecado).

Olhe para a tua vida, para a tua conduta, para os teus sentimentos, para os teus desejos mais secretos, para os sonhos sórdidos e imorais, para a raiva e o rancor que possivelmente você tenha guardado. Você pode dizer que não tem pecados para poder condenar quem tem pecados? Lembre-se de que o fato de não ter cometido o mesmo pecado de quem você quer condenar, não te autoriza a fazê-lo... Ainda mais ainda se o pecador for... você mesmo!

Ninguém de nós merece alguma coisa de Deus, senão a sua ira e sua condenação. A salvação não é por merecimento. Não importa o que façamos ou deixamos de fazer. O que importa é se nós cremos ou não na misericórdia, no perdão, na regeneração e no amor de nosso Deus.

Crês isto? Então vai-te, e te seja feito assim como creste Jo.11:26, Mt.8:13

Autor: Takayoshi Katagiri
via Mídia Gospel - A vida sem Deus não vale a pena  Estudos Gospel
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