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sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Alegria, Fruto do Espírito; Inveja, hábito da Velha Natureza

Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos” Fp 4.4

O contentamento é um dom de Deus
Você está satisfeito, a despeito das circunstâncias que enfrente? Paulo sabia como ficar contente, quer tivesse abundância ou estivesse em necessidade. O segredo era buscar a força e a resistência no poder de Deus. Você tem grandes necessidades ou está descontente porque não tem o que deseja? Aprenda a confiar nas promessas de Deus e no poder de Cristo para ajudar você a ficar satisfeito e contente. Se você sempre quer mais, peça que Deus remova esse desejo e lhe ensine o contentamento em cada circunstância. Ele suprirá todas as suas necessidades, mas de uma maneira que Ele sabe que é melhor para você. [...] Paulo estava contente e satisfeito, porque podia ver a vida do ponto de vista de Deus. Ele se concentrava no que deveria fazer e não no que achava que deveria ter. Paulo tinha as prioridades corretas e era grato por tudo o que Deus lhe dera. Ele havia se separado do que não era essencial, para que pudesse se concentrar no que é eterno(Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2013, pp.163,164).

A alegria, fruto do Espírito, não depende de circunstâncias.

Leitura Bíblica: João 16.20-24
20 — Na verdade, na verdade vos digo que vós chorastes e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes; mas a vossa tristeza se converterá em alegria.
21 — A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já se não lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.
22 — Assim também vós, agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria, ninguém vo-la tirará.
23 — E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.
24 — Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra.

Definição da Alegria no Aspecto Bíblico

Algo que caracteriza grandemente o texto bíblico do Novo Testamento é a alegria, a começar com o próprio nascimento de Jesus Cristo. “E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo” (Lc 2.10).
No Léxico Grego do Novo Testamento, de Edward Robinson, a palavra chará pode ser definida como gozo, regozijo, alegria (Mt 2.10).

Ele prossegue falando da alegria no Espírito Santo, que é aquela concedida aos crentes (2Co 1.24; 7.4,13; Fp 1.25) e da alegria da fé, que é aquela que provém da fé que se tem no evangelho (lTs 1.6).

Para F. Wilbur Gingrich e Frederick W. Danker, chará, em seu aspecto figurativo, fala de pessoa ou coisa que causa alegria (Lc 2.10; Fp 4.1; lTs 2.19), bem como de um estado de gozo permanente (Mt 25.21, 23; Hb 12.2).

A alegria tem seu aspecto positivo tanto no aspecto bíblico, como fruto do Espírito, como também em sua definição psicológico.

No livro do pastor Antônio Gilberto, fazendo uma definição sobre a alegria, ele comenta: A alegria, como parte do fruto do Espírito, não depende das nossas circunstâncias exteriores. A alegria espiritual continua, mesmo nas dificuldades da vida, portanto, trata-se de algo desenvolvido em nosso interior pelo Espírito Santo. O apóstolo Paulo reconheceu isso, quando escreveu: “...posto que em meio de muita tribulação com alegria do Espírito Santo”. (1 Ts 1.16). (GILBERTO, 1984, p. 70)

A alegria, em sua definição psicológica, segundo expressam H. C. Lindgren e D. Byrne:
O medo implica em movimento de afastamento da situação ameaçadora: a pessoa assustada pode não se afastar fisicamente, mas sente ímpetos de escapar da fonte de ameaças. A raiva implica em movimento contra o estímulo: a pessoa zangada pode não atacar, mas sente impulsos de destruir aquilo, ou aquele, que a enraivece. A alegria implica em movimento em direção à fonte de estimulação: se o indivíduo deseja se aproximar da fonte, aproxima-se realmente ou fica em suas vizinhanças, dependendo de como ele percebe a situação.
Em qualquer acontecimento, a atitude é de desejar sentir proximidade, ou identidade, com a fonte de estimulação. (LINDGREN; BYRNE 1982, p. 253)

A palavra chará aparece aproximadamente 60 vezes no Novo Testamento, seu uso, nos prefácios das cartas paulinas, é visto como saudação. Em Filipenses, a alegria foi usada até mesmo para resolver conflitos entre duas irmãs (Fp 4.1.1,2).No aspecto emocional, o regozijo ou a alegria no Senhor é de vital importância, pois dissipa mágoas e ressentimentos. O crente que só vê seus direitos, suas prerrogativas, sua amargura e é dominado pelo sentimento de ódio não pode ter alegria nem se quer louvar a Deus (Ed 3.12. Ne 8.10; Fp 4.4; 1Ts. 5.16). Tendo a verdadeira alegria, Jesus Cristo, tudo na vida dos cristãos primitivos era desenvolvido com alegria, qualquer decisão tomada era para manifestá-la (At 15.23; 2Co 13.11). O nascimento de Cristo foi marcado com grande alegria, e depois de ressuscitado Jesus cumprimentou as mulheres de modo alegre (Mt 28.9).

Alegria, Fator Preponderante na Vida Cristã

O que caracteriza fortemente a vida do cristão é a alegria, isso acontece porque doravante o cristão vive em Cristo Jesus, a fonte da alegria, por isso Paulo incentiva a todos a se alegrarem no Senhor (Fp 4.4). Lendo Colossenses 1.9-11, Paulo ora pára que os cristãos sejam alegres.

Uma igreja que vive dominada pela virtude da alegria não se deixa abater pelas lutas, problemas do dia a dia, pelos dissabores da vida; pelo contrário, todas as suas atividades vêm banhadas pela presença do Espírito Santo, que não deixa a verdadeira alegria faltar. Paulo falou que o salvo em Cristo vive em uma esfera diferente. Na carta aos Efésios, falando das regiões celestiais (Ef 1.3), ele diz que nessa região é que acontece nosso relacionamento com Cristo, que nada mais é que viver uma vida nos planos de Deus e buscar nEle a força para vencer.

Quando a igreja vive na alegria do Espírito Santo, no seu meio não há espaço para intrigas, brigas, desavenças, e ainda que isso venha a acontecer logo é desfeito, pois o que caracteriza o Reino de Deus é a alegria. Observe que Paulo diz que o Reino de Deus não é caracterizado apenas pelo seu lado espiritual ou escatológico, mas também é dinamizado pela conduta e pela honestidade. Esse Reino é dinamizado pelo Espírito Santo, que faz com que os crentes tornem-se agradáveis e aprovados nesse mundo. Quem vive no Reino de Deus não procura criar obstáculos, colocar impedimentos diante do cristão, pelo contrário, procura levar a cada um a edificação e a paz de Deus (Rm 14.17). O salmista disse: “Puseste alegria no meu coração, mais do que no tempo em que se multiplicaram o seu trigo e o seu vinho” (SI 4.7). O que traz alegria ao cristão é sua confiança em Deus. Muitas pessoas vivem sem alegria, sem prazer na vida, decepcionadas com tudo, frustradas, pessimistas, procurando saber quem lhe fará o bem, porque não conhecem a Deus, pois Ele é aquEle que faz o nosso rosto brilhar de alegria (Nm 6.26). A causa da alegria do salmista era sua confiança em Deus, com Ele a vida era bela. Quem confia em Deus sabe que nas horas mais necessárias Ele está presente, seu socorro divino é melhor do que qualquer riqueza desta terra (Is 9.7).

A confiança plena em Deus faz com que a alma fique em tranquilidade serena, sem agitação e num equilíbrio total.
Observe que o salmista encerra esse salmo bem sossegado, uma vez que conhece o seu Deus, e sabe que Ele nunca falha (Jó 11.18,19).
O cristão é alegre porque sabe que Jesus ressuscitou, vive em sua vida, e nEle confia e descansa. E inadmissível para o salvo em Cristo levar uma vida de tristeza, pois o gozo de servir a Cristo fala mais alto do que qualquer outra coisa (Rm 8.35-39).

Vivendo na alegria do Espírito Santo a comunhão entre os cristãos é uma realidade, Jesus orou para que a unidade fosse uma realidade (Jo 17.21). Um cristão alegre sabe estar bem ao lado de outro crente, sabe partilhar os bens em favor de outro (Fm 7; Fp 4.10). A alegria do Espírito Santo em nós faz com que sintamos prazer somente com aquilo que é bom e agradável, no momento em que há quebra da comunhão, a alegria desaparece. Paulo sentiu grandemente pelo procedimento de certos cristãos da igreja de Corinto, da divisão que aconteceu no seu meio, mas seu espírito alegrou-se ao saber que todos se prontificaram a viver novamente na comunhão de Cristo (2Co 7.7, 13).

Oremos e batalhemos, queridos pastores, para que a Alegria do Espírito Santo nunca esteja ausente da vida dos membros de nossas igrejas, pois caso isso aconteça a desunião é certa. É lamentável, mas quantos não têm trabalhado para que a alegria entre os crentes seja desfeita, criando sentimento de ódio uns para com os outros.

Hoje existem crentes que não se falam mais, que não sentem mais aquela alegria de estarem perto do seu irmão, porque uma semente de amargura foi plantada no coração. Como verdadeiros cristãos que somos, devemos trabalhar para preservar a alegria que vem do Espírito Santo de Deus para vivermos bem com todos (2Jo 12). É impossível um cristão ser triste, posto que sua salvação se dá por meio do evangelho, que são as Boas-Novas de Jesus Cristo. Na narrativa do nascimento de Cristo Jesus tudo se deu de maneira alegre:

1. Os magos se alegraram quando viram a estrela (Mt 2.10);

2. O anúncio do anjo a Maria foi marcado de Alegria (Lc 1.28);

3. A ressurreição foi anunciada com alegria (Mt 28.8); 

4. A notícia da ressurreição causou alegria abundante no coração dos discípulos de Cristo (Lc 24.41);

5. Todos se alegraram quando viram Jesus (Jo 20.20);

6. Os discípulos não ficaram tristes quando Jesus foi para o céu, pois agora O tinham em seus corações (Lc 24.52).

Entendemos que toda alegria dos discípulos girava em torno de Cristo. Sendo assim, como já mencionado, os que têm Jesus no coração sempre terão alegria verdadeira como virtude do fruto do Espírito Santo. Em inúmeras passagens do Novo Testamento notamos que os que recebiam a Jesus Cristo, que são as Boas-Novas, sempre manifestam grande alegria, foi isso que aconteceu com Zaqueu (Lc 19.6), com os habitantes da cidade de Felipe (At 8.8).

Em nossos dias existem cidades grandiosas que estão oferecendo todo tipo de lazer, comédia, brincadeiras e opções diversas para alegrar as pessoas, muitas delas estão dominadas por doenças, síndrome do pânico e perda da vontade de viver. Porém, precisamos dizer a todos que a verdadeira alegria para os habitantes de uma cidade está no Evangelho de Jesus Cristo.

Paulo pregou em uma cidade onde o povo gostava muito de novidades, era Corinto. Cidade da Grécia, cheia de pecado e corrupção, destruída pelos romanos sob o comando do general Múmio, em 146 a.C. e reconstruída em 46 d.C., por Júlio César.
Durante cem anos ela ficou em ruínas.

Coríntio era sinônimo de “imoral” e “depravado”, lá havia um templo dedicado ao culto de Afrodite, deusa do amor. Nesse templo havia mil prostitutas CULTUAIS, que atraíam adoradores de todo o mundo antigo. Em Corinto Paulo fundou uma Igreja (At 18.1-18). Corinto era bem localizada, servia como ponto de comunicação entre o norte e o sul (Rm 16.1). Como centro comercial essa cidade atraía judeus; Paulo viu Corinto como um local estratégico para pregar o evangelho, por isso dirigiu-se para lá.

Foi para essa cidade que Paulo levou a maior novidade, o Evangelho de Jesus Cristo, alguns receberam, outros, não, mas a verdade de Deus foi anunciada. Não importa a cidade, sua cultura, por vezes ela está dominada de pecados, idolatrias, e devemos procurar pregar as Boas-Novas de salvação, para que todos tenham alegria.

Os Frutos da Verdadeira Alegria

Lendo alguns textos de Paulo, podemos perceber que a virtude da alegria mantém o crente firme na fé, por isso que o apóstolo sempre orava desejando que todos os cristãos estivessem cheios de alegria. Em nossas igrejas existem irmãos que conhecem bem a Bíblia, são formados em Teologia, o que é muito importante, mas não desfrutam da alegria verdadeira do Espírito Santo, por esse motivo devemos fazer como Paulo, orar por eles para que sejam alegres (Rm 15.13; Fp 1.25) Todos aqueles que vivem dominados pela virtude da alegria fazem as coisas para Deus com prazer, inclusive servi-lo. Vamos entender isso de um modo melhor lendo o Salmo 100.

Celebrai com júbilo ao Senhor, todos os moradores da terra.
Servi ao Senhor com alegria; e apresentai-vos a ele com canto.
Sabei que o Senhor é Deus: foi ele, e não nós, que nos fez povo seu e ovelhas do seu pasto. Entrai pelas portas dele com louvor, e em seus átrios com hinos: louvai-o, e bendizei o seu nome. Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração. (Sl 100.1-5) 

Exegeticamente, vamos analisar o conteúdo desse salmo. Esse hino é um chamado para que todos celebrem ao Senhor. Acredita-se que ele seja processional, e também expressa o ponto-chave da fé dos hebreus. A celebração verdadeira no culto caracteriza-se pela conscientização que cada pessoa tem de Deus, daí a expressão: “Sabei que o Senhor é Deus...” (Êx 20.6; Dt 6.4).

O Conhecimento de Deus (SL 100.1-3)

Em procissão, dirigindo-se para a Casa de Deus, ainda não tendo entrado no Templo, o povo de Deus o louvava com alegria, com muito prazer, isso devido ao conhecimento que tinha dEle.
Quem realmente conhece a Deus de verdade, todas as suas bondades e maravilhas, jamais o servirá com tristeza, mas se apresentará a Ele com cântico.

O profeta Oseias fala tanto do bem em conhecer ao Senhor, como também dos males em rejeitar o seu conhecimento (Os 4.6;6.3). Esse mesmo profeta diz que o conhecer a Deus é melhor do que qualquer sacrifício (Os 6.6).

Estamos presenciando celebrações, cultos que, na verdade, os adoradores não são realmente conscientes da grandeza e do poder de Deus, por conseguinte não celebram a Ele alegres cânticos, nem o servem com prazer. Segundo o profeta Isaías, é a falta do verdadeiro conhecimento de Deus que faz com que sejamos ingratos e irracionais em relação à bondade divina (Is 1.3).

Se realmente queremos celebrar a Deus com sinceridade, alegria e amor, precisamos seguir o conselho de Paulo, pedindo a Deus que abra os olhos do nosso entendimento para entendermos realmente a essência de um verdadeiro culto dirigido a Ele (Ef 1.18). Paulo tinha consciência de que se cada crente estivesse realmente dominado pelo conhecimento de Cristo, eles seriam frutescentes, por isso ora a Deus para que todos crescessem no conhecimento divino (Fp 1.9).

Quem deseja prestar um verdadeiro culto a Deus deve ser consciente de três coisas: Servir a Ele com alegria (At 13.52; Rm 14.17); Que o Senhor é Deus (1 Rs 8.20); Que somos ovelhas do seu pasto (Jo 10.11).

Um Culto com Gratidão (Sl 100.4,5)

Quando os peregrinos iam chegando à Casa de Deus, dentro do Templo havia um grupo que os chamavam para entrar pelas portas com ações de graças. Note que as ações de graças eram marcadas por louvores e hinos, tudo sendo direcionados a Deus.
O motivo da celebração pautava-se na bondade de Deus como também no seu caráter, atentando para seus atributos divinos: Bondade (Êx 33.19); Fidelidade (2Co 1.18); Misericórdia (Nm 14.18).

Como falou o profeta Malaquias: Deus não muda (Ml 3.6), os atributos divinos são inalteráveis, isso quer dizer que por toda a eternidade Deus permanece o mesmo. Sendo assim, o cristão que celebra a Deus não tem qualquer dubiedade sobre o seu caráter divino, é bem verdade que algo em nós pode mudar, mas Deus permanece o mesmo (2Tm 2.13), qualquer falha no culto não é dEle, mas nossa.

Nossa fé deve ser marcada pela alegria, diante disso, no momento em que aparecerem as desavenças, contratempos, nada abalará nossa estrutura, pois a alegria do Senhor é a nossa força (Ne 8.10). Nas páginas do Novo Testamento os cristãos são ensinados a manifestar alegria em toda circunstâncias da vida (Tg 1.2), claro que ninguém é ensinado a sentir alegria por causa das provações, mas sim por saber que, às vezes, em meio às provas, o cristão está sendo testado por Deus.

O cristão é alegre o tempo todo porque sua alegria vem de Jesus, do seu coração ninguém poderá tirá-la nem mesmo as situações mais impertinentes (Jo 16.22). O salvo em Cristo, como ser humano que é, sente tristeza, mas não se deixa dominar por ela (2Co 6.10), pois a alegria do Espírito Santo é maior em seu coração (At 13.52).

A alegria como um ato de fé é descrita claramente na Palavra (At 5.41), descrita assim porque se fundamenta em Jesus, especialmente no seu exemplo de vida, que suportou tudo para manter sua fé em Deus (Hb 12.2; 1Pe 4.13). A alegria, como um ato de fé pertencente ao crente, é manifestada também pelo desejo de partilhar com os outros, quem vive na alegria do Espírito Santo quer que outras pessoas também a sintam, por isso se dedica para que a obra de Cristo alcance mais corações vazios de Deus (Cl 1.24).

Alegria Manifestar pelo Prazer de Trabalhar para Deus

Uma prova clara de que muitos cristãos estão vazios da alegria do Espírito Santo pode ser comprovada no desprazer que alguns manifestam de não querer fazer a obra de Deus, mas aqueles que realmente têm seus corações impactados por essa alegria sentem-se felizes em fazê-la.

Quem trabalha na obra de Deus com prazer vai colher os frutos com alegria. "Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria” (SI 126.5).

Em Lucas 10.17 está escrito que os discípulos sentiram prazer pela obra que estavam fazendo, pois viram o poder de Deus operar em suas vidas quando contemplaram o Diabo sendo expulso.

Mencionamos anteriormente que a alegria pode chegar a uma cidade por meio das Boas-Novas, especialmente quando vêm acompanhadas de milagres e maravilhas.

A “alegria” que o povo de uma cidade sente é momentânea, circunstancial e tem causas em coisas humanas, mas a alegria que resulta do agir divino concede paz para a alma. Está escrito em Lucas 13.17, que o povo de muitas cidades nos dias de Jesus alegrou-se com as obras que Ele fazia. Portanto, devemos sair pelas ruas, vielas e bairros anunciando o evangelho com alegria para que outros também sejam alcançados pela sua graça (At 11.23; 15.3).

Em diversas passagens bíblicas está escrito que os cristãos não se privaram nem ficaram com a alegria do Espírito presa em si, antes, procuraram espalhar-se por todos os lados levando a mensagem da salvação, para que todos fossem contagiados com a alegria verdadeira, que somente o Espírito pode conceder (Rm 16.10; Fp 2.2).

Um pastor de verdade sempre desejará que os membros de sua igreja estejam alegres, desenvolvendo essa maravilhosa virtude do Espírito em sua vida. Essa atitude esteve presente na vida de Paulo e João (Rm 16.19; Fp 2.2; Cl 2.5; 2Jo 3,4). Paulo se alegrava quando tomava conhecimento do crescimento espiritual dos crentes, e João alegrava-se quando ouvia a notícia que os crentes estavam andando na verdade. A maior alegria de um pastor deve ser a de saber que seus filhos estão vivendo na verdadeira fé em Cristo Jesus.
Mas para que a congregação esteja sempre disposta a viver a virtude da alegria do fruto do Espírito, o pastor precisa pregar cheio dessa alegria. Jesus jamais ensinou os seus discípulos com tristeza, mas cheio de alegria, Ele desejava que todos fossem tocados pelos seus ensinos e ficassem cheios de alegria (Jo 15.11, 17.13), nessa mesma linha de pensamentos João escreveu sua epístola (1Jo 1.1-4).

Presenciamos hoje no meio de algumas igrejas e seminários pessoas escrevendo artigos e livros, não para alegrar, mas para confundir a mente dos crentes e entristecer muitos corações.
Nossos escritos e fala devem ser para ajudar, nunca para matar alguém. O profeta Isaías disse que Deus lhe deu língua erudita não para exibir conhecimento, mas, sim, para fortalecer (Is 50.4).

O ensino e a pregação de um homem de Deus devem ser para levar o seu povo a desfrutar da verdadeira alegria. Aliás, os céus se alegram por um pecador que se arrepende porque entendeu o plano salvador de Deus, recebendo as Boas-Novas do evangelho, que concede a alegria que dá vida.
A maior alegria que um homem de Deus sente é saber de vidas que se converteram pela pregação do evangelho, isso aconteceu com Paulo (Fp 4.1), Jesus falou da alegria do pastor que consegue trazer de volta sua ovelha em seus ombros (Lc 15.5).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
O fruto do Espírito é a obra espontânea do Espírito Santo em nós. O Espírito produz esses traços de caráter que são encontrados em Cristo, e que são o resultado do controle de Cristo — não podemos obtê-los tentando consegui-los sem a Sua ajuda. Se quisermos que o fruto do Espírito cresça em nós, devemos unir a nossa vida à dEle (veja Jo 15.4,5). Devemos conhecê-lO, amá-lO, lembrá-lO e imitá-lO. Como resultado, cumpriremos o propósito da lei — amar a Deus e aos homens. Quais dessas qualidades você quer que o Espírito produza em você? (Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2013, p.41,42).

A Inveja: obra da carne

Temos que fazer distinção entre a inveja e a apreciação. Na inveja está o desejo egoístico pelo que é do outro, na apreciação esta presente a estimação, avaliação daquilo que é de outra pessoa, mas sem manifestar uma cobiça forte para possuir tal objeto ou coisa vista em alguém. Nas páginas do Antigo Testamento essa obra perversa esteve presente no meio do próprio povo de Deus (Gn 31.1; Sl 106.17), ela se configura com um misto de desgosto e ódio provocado pela prosperidade e alegria dos outros. Em Gênesis, homens de Deus como Abraão, Isaque, José tiveram que enfrentar esse sentimento maléfico.

Em Gênesis 26.12-22, os filisteus começaram a sentir inveja de Isaque por causa de sua prosperidade. Pelo texto bíblico, vemos que Isaque logo se tornou um próspero fazendeiro na terra dos filisteus, o que causou grande inveja por parte deles, até mesmo o rei Abimeleque ficou com inveja, razão pela qual pede a Isaque que deixe sua cidade. Isaque mudou para outro lugar, agora ele tem que recomeçar a vida outra vez, mas os nativos daquelas terras haviam entulhado os poços que seu pai tinha cavado.

Isaque determinou que seus servos abrissem esses poços, mas também novos poços deveriam ser cavados. O texto mostra a reação dos filisteus frente aos novos poços, sempre colocavam dificuldades, veja:

1. O primeiro poço se chamava Eseque: contenção, luta; 
2. O segundo poço se chamava Sitna: Inimizade; 
3. O terceiro poço se chamava Reobote: Lugares largos.

Nesse terceiro não houve competição por ele, por isso recebeu o conceito de Lugares largos.

Em meio a todas essas lutas, novamente o Senhor aparece para Isaque e promete que lhe dará mais bênçãos, por isso não deveria temer a nada. Voltando ao território santo, Isaque levanta um altar ao Deus maravilhoso, por meio desse ato ele estava demonstrando a todos sua fé e fidelidade para com Deus, assim como também para com a missão que fora determinado, não se importando com os invejosos. Nesse capítulo, Isaque começa a revelar a sua vida de piedade com Deus.

Deus sempre alertou os seus servos para não se deixarem dominar pela inveja:

1. Todos foram alertados para não terem inveja dos homens iníquos (SI 37.1);
2. A inveja é descrita como a podridão dos ossos (Pv 14.30);
3. Não se deve ter inveja dos que cometem pecados (Pv 23.17);
4. A inveja comete homicídio (Rm 1.29; Mt 27.18).

Um obreiro de Deus sempre encontrará oposição e inveja por partes daqueles que não têm história, passado e que não sabem cavar poços, e preferem entulhar os que já abertos. O trabalho do invejoso é tentar depreciar alguma coisa que existe de bom em uma pessoa, foi isso que aconteceu com José e Jesus. Os irmãos de José o venderam por causa do amor de seu Pai Jacó, por vinte moedas de prata (Gn 37.28). Jesus foi vendido por trinta moedas de prata (Mt 27.3). O preço pelo qual Jesus foi vendido era o valor de um simples escravo (Ex 21.32). A expressão trinta moedas de pratas fala de siclos, que era a medida de peso igual a 11,424 isto, é pesava seis gramas (Gn 24.22), é igual a 2 Becas ou a 20 Geras.

Siclo era também uma peça de ouro ou prata usada como dinheiro (2 Sm 24.24). Elas foram pesadas, por isso pode ser traduzida como shakal (1 Rs 20.30). Nem a inveja, nem a venda, nem expulsar alguém de grande valor de um lugar pode causar sua destruição ou tirar o seu valor, pois quem tem Deus em sua vida sempre será honrado.

Saiba mais sobre Pesos na Bíblia

O servo de Deus não deve temer os invejosos, antes deve seguir seu caminho sempre cavando seus poços, enfrentando lutas, competições, inimizades e invejas, visto que sempre o Senhor se responsabilizará para que os seus poços deem água.

O Conselho de Asafe para se Vencer a Inveja

Novamente vamos fazer uso de um salmo para mostrar como os servos de Deus venciam a inveja. No Salmo 73 o salmista mostra que a melhor forma para vencer a inveja era descasando em Deus.
Podemos dizer que este salmo é didático, isto é, serve para instrução. Ele se reveste de uma sabedoria, mas é marcado por um contraste, pois quando o salmista vê a prosperidade dos ímpios, parece que ele passa a duvidar um pouco da bondade e fidelidade divina, todavia, procura silenciar-se e esperar com paciência em Deus; isso ele fez pensando em si e nos seus ouvintes.

Um Bom Conselho para o Povo de Deus (SI 37.1-11)

A primeira expressão do salmista revela seu crescimento, um progresso espiritual, ou seja, ele alcançou a verdadeira maturidade, em razão disso dá seu conselho dizendo que não é bom ter inveja dos malfeitores, dos que praticam o mal ou daqueles que já alcançaram certa prosperidade neste mundo. O salmista prossegue dizendo que o verdadeiro servo de Deus procura confiar no Senhor e fazer o bem. Observe que o salmista apresenta as atitudes de um verdadeiro homem que vive confiando em Deus:
agrada-se, confia-se, entrega-se, espera, descansa, deleita-se, deixa, pois, procedendo assim tem certeza de que o Senhor concederá o desejo do seu coração (Is 58.14).

O homem que vive fielmente em Deus sempre irá sobressair-se, pois o Senhor lhe fará justiça (1Rs 3.28; Pv 21,3), ainda que os perversos façam planos malignos contra sua vida, eles não prosperarão, serão desarraigados, desaparecerão, e os mansos herdarão a terra.
As vezes, nos mostramos impacientes diante das desigualdades existentes neste mundo, e pensamos que Deus não se importa com que está acontecendo. Todavia, mesmo que o nosso conhecimento sobre o futuro seja pouco, temos que adotar a postura do salmista, que procurou confiar na providência divina.

Quem vive em Deus não abre espaço em sua vida para os ressentimentos, não fica dominado por um sentimento de perda, de desapontamento, visto que o ato de alguém estar em Deus é a certeza de que a verdadeira alegria superará todos os nossos temores.

A Sina dos ímpios (SI 37.12-40)

O salmista deixa claro que para todas as ações maléficas dos ímpios invejosos chegará o dia do seu julgamento, ele diz que Deus irá sorrir deles. O plano de Deus para com o homem é duplo, para os que fazem o bem Ele dará ricas bênçãos, porém, para os que vivem na prática do mal, receberão o castigo eterno (Dn 12.2).

Esses versículos deixam claro que os servos de Deus não estão à mercê dos seus inimigos. Ainda que eles façam uso da espada, dos seus arcos, intentando contra a vida do pobre e do justo para os matarem, não obterão sucesso, pois os servos de Deus estão bem abrigados, sustentados pelo Senhor, já que assim como Deus conhece os dias finais dos ímpios, Ele sabe os dias maravilhosos que vem para os justos (Is 60.21). Muitas são as bênçãos que virão àqueles que forem fieis e justos para com Deus, não serão envergonhados, nem terão fome; todavia, os ímpios serão destruídos, mas os justos, que são abençoados por Deus, herdarão a terra. As recompensas destinadas aos justos são: possuir a terra, porque são abençoados pelo Senhor, e viver em total mansidão.

Para os que procedem fielmente, Deus confirmará seus passos, porquanto aprovará o seu caminho; ainda que venham a cair, não ficarão prostrados, pois ao justo o Senhor nunca abandona.

Todos nós somos falhos, mas Deus tem um plano especial para aqueles que procuram andar nos seus caminhos, e se continuarmos naquilo que nossos pais ensinaram sobre Deus, Ele jamais nos desamparará, pois seu cuidado é certo.

O salmista encerra este salmo fazendo um contraste, porque hoje, enquanto os ímpios ficam procurando meios de apanhar o justo e montando armadilhas, chegará o momento em que o justo apenas observará como Deus apanhará os ímpios. Os justos terão um final feliz, cheio de paz e alegria (Is 31.5; Dn 3.17, 28), mas os ímpios terão como sina a destruição.

A Inveja Presente no Novo Testamento

Nas páginas do Novo Testamento a inveja aparece também, o que prova que uma natureza não regenerada sempre vai manifestar esse sentimento diabólico, veja:

• A inveja dos saduceus (At 5.17);
• A inveja dos pagãos (Rm 1.29);
• A inveja entre os cristãos (1 Co 3.3; 2 Co 12.20);
• A inveja, obra da carne (G1 5.21);
• Inveja entre obreiros (Fp 1.15);
• A origem da inveja (1 Tm 6.4);
• A inveja, sentimento de amargura (Tg 3.14).

A inveja obra da carne vem dominada pela natureza pecaminosa, que transforma tal desejo em concupiscência da carne.

Jesus foi entregue por causa da inveja, observe o que diz o texto:
“Porque sabia que por inveja o haviam entregado” (Mt 27.18).

A palavra inveja que aparece no texto grego éphitonós (Mc 15.10; Rm 1.29; Fp 1.15; 1Tm 6.4; Tt 3.3; Tg 4.5), ela expressa ciúme maléfico, um sentimento de explosão e raiva por causa do bem do outro. É um sentimento forte em desprazer que se sente por causa da vantagem ou prosperidade que alguém alcançou. No texto bíblico está bem claro que a entrega de Jesus para ser crucificado não era porque Ele tivesse cometido algum crime, ou contrariasse as normas políticas, ou envolvesse o povo em rebelião, não, está claro que havia motivos religiosos e pessoais da parte dos judeus. Devido à popularidade de Cristo, os judeus, por inveja, o entregaram. Pilatos entendeu que a inveja dos judeus era muito grande, por isso montaram um esquema para que Jesus fosse morto.

Em diversas passagens bíblicas do Novo Testamento a inveja manifestada para com Jesus foi grande, um exemplo bem claro é o de Herodes, que não suportava ouvir quem pudesse estar acima dele, por essa razão, quando os pastores falaram sobre o nascimento de Jesus, falsamente ele disse que queria adorá-lo, mas na verdade seu sentimento era outro: matá-lo, foi isso que logo se revelou por sua atitude cruel (Mt 2.13).

Ninguém pode adorar verdadeiramente a Deus se não for por meio de um verdadeiro conhecimento espiritual ou uma revelação divina. Herodes falsamente disse que queria adorar o menino, mas ele não podia porque seu coração estava cheio de ódio, inveja, sentimento de ganância, desejo pelo poder e de medo, por isso tomou uma medida drástica - mandou matar todos os meninos de dois anos para baixo. Como que um homem com tal comportamento poderia adorar ao Senhor?

A Inveja dos Fariseus contra Jesus

A inveja e o ódio que vinham da parte dos fariseus era porque o povo estava se voltando para Jesus. Diante desse grande milagre, eles atribuíram a Jesus um aspecto sobrenatural, o que provava sua divindade, então, para não deixar o povo se voltar para Cristo, eles pervertem tudo, dizendo que o Filho de Deus fazia milagre pelo poder de Belzebu. Cristo rebate severamente esse posicionamento absurdo e perverso pela lei da própria lógica, ora, se Ele estava expulsando os demônios pelo próprio poder de Satanás, então o seu Reino estava dividido, o que jamais aconteceria, pois se assim o fosse, era o próprio Diabo malogrando ou frustrando os seus planos. Outro argumento de Jesus é que dentre os próprios fariseus existiam alguns dos seus filhos que tinham o poder para expulsarem demônios, nesse caso eles teriam que atribuir a outros a causa dessa expulsão.

O Senhor deixa bem claro para esses importunadores invejosos, que expulsava os demônios pelo poder de Deus, por isso estava agora desfazendo o poder do valente. Ao falar sobre o ato de entrar na casa do valente e roubar os seus bens, Jesus estava atacando diretamente o poder do Diabo e enfraquecendo o seu poder.

Merece destaque a expressão “roubar os seus bens”, demonstra a destruição do poder do Diabo e seu enfraquecimento. Quando um rei era vencido por outro, seus bens eram tomados, prova de que seu poder caíra por terra. Todos os evangelhos estão mostrando a decadência do poder de Satanás, mas realça a superioridade de Cristo Jesus (1Jo 3.8; Rm 16.20; Ef 1.20).

Nosso Senhor fala que no duelo entre Ele e o inimigo não tinha como existir indeciso, ou a pessoa estava do seu lado ou estava do lado do Maligno. Na questão sobre o pecado contra o Espírito Santo, muitas opiniões têm sido ditas e apresentadas, todavia, podemos dizer que Jesus não estava dizendo que o Espírito Santo é superior ao Pai e ao Filho. No entanto, podemos entender que:
o Espírito Santo é quem convence o homem de todos os seus pecados, Ele é quem leva ao arrependimento. Mas quando o homem despreza o Espírito Santo, que tem a capacidade de promover em seu coração o desejo de buscar a Deus e de se arrepender, se é Ele quem pode convencer de todo pecado (Jo 16.8), como poderá crer na providencia do Pai, na obra expiatória de Cristo, se despreza a força do Espírito Santo? (Jo 3.36).

Em se tratando do pecado dos fariseus, eles não estavam dizendo isso sem conhecimento, pois conheciam a Palavra, o que gerava ainda maior responsabilidade (Tg 3.1), o pecado dos fariseus era consciente (Nm 15.30), e não ignorante, pois no caso de alguém dizer algo sem realmente conhecer, ainda assim pode ser convencido pelo Espírito Santo de Deus (1Tm 1.13). Em resumo, dizemos: o pecado por ignorância tem perdão, como falou Moisés e Paulo (At 17.30), mas quanto ao pecado deliberado e consciente, este não tem perdão. Por não ter o que Jesus tinha, poder para abençoar vidas, os fariseus, por causa da inveja, fizeram de tudo para criticar e atacar as obras de Cristo. O grande perigo da inveja é que ela se torna destrutiva, passando apenas de um sentimento para uma ação na prática, isso pode ser visto em alguns textos bíblicos: Gênesis 37.3,4; Atos 5.17; 1 João 3.12; 1 Samuel 18.7, observe que a inveja conduziu pessoas ao homicídio.

Fazendo Distinção entre Ciúme e Inveja

Para muitos estudiosos, as duas palavras phthonós e zêlos devem ser estudadas juntas, a diferença entre essas duas palavras é que zêlos tem dois sentidos, um positivo e negativo, ao passo que phthonós é sempre negativa e maléfica. Platão dizia que a palavra zêlos seria vista como um tipo de má vontade, mas o phthónos é a ação da inveja na prática com seus malefícios.

Não há muita concordância entre Platão e Aristóteles quanto a distinção existente entre as palavras zêlos e phthonós, pois, na concepção de Aristóteles, o zêlos pode ser entendido como um zelo, sentimento de alegria por ver algo de bom em uma pessoa, tal sentimento não estaria marcado pelo ódio ou inveja, apenas tristeza por não ter a mesma coisa. Plutarco segue a mesma linha de pensamento de Aristóteles, afirmando que o zêlos sempre procura fazer o bem, deixando claro que o mal está presente em phthonós.

Zêlos aplicado a Deus fala do seu cuidado e zelo para cumprir todos os seus propósitos (Is 9.7). Ele manifesta esse ciúme também quando o seu povo, conforme consta no Antigo Testamento procurava adorar outros deuses, por isso eram repreendidos (Ez 16.37, 38). Mas conforme falamos, zêlos tem seu sentido negativo apontando para a inveja, a qual luta para desfazer relacionamentos e destruir a felicidade de uma pessoa (Jó 5.2). O zêlos no aspecto negativo é um sentimento que se fundamenta na fúria (Pv 6.34).

Os que vivem dominados pela obra da carne chamada inveja, devem saber que ela conduz à morte. Entre as duas palavras gregas ficou um duelo, alguns dizem que zêlos sempre teve um aspecto positivo, e outros seguiram na assente afirmação de que phthonós sempre tem apenas um aspecto negativo, no texto do Novo Testamento ela está presente em Romanos 1.29 e Filipenses 1.15.

Na análise de Gálatas 5.20,21, como as duas palavras são mencionadas por Paulo como sendo obras da carne, o ciúme e a inveja aqui são apresentadas como obras de pessoas que não têm a presença do Espírito Santo, que podem neutralizar essas ações destruidoras. A inveja é algo tão nocivo que às vezes uma pessoa tem ódio da outra sem que a conheça, e outros tentam agir contra alguém só para não ver seu crescimento, isso nos leva a crer o quanto a inveja é diabólica. O Comentário Bíblico Pentecostal, falando de zêlos ephtbónos, diz assim:

[...] “Ciúme” significa literalmente zelo, e pode ser uma virtude se a pessoa for tocada pelo Espírito Santo de Deus (2 Co 11.2). Porém, quando fomentada pela natureza pecaminosa, degenera-se em um ciúme invejoso, que abomina o sucesso do outro. [...] Diferentemente de “zelo”, a palavra para inveja é (phtbonos) tem sempre um significado maligno. Refere-se a uma atitude de espírito mesquinho, que se ressente do sucesso do outro. A palavra está na verdade no plural e indica um ciúme contínuo em uma variedade de circunstâncias. (1999, p. 1.181-1.182)

A Bíblia diz que é para todos se despojarem dessa obra carnal (1Pe 2.1), mas isso não se consegue por um esforço próprio, é preciso ser dominado pelo Espírito Santo de Deus, tão somente assim é que é possível o cristão se alegrar com o sucesso do outro. A maior prova de que um cristão é realmente espiritual é quando: ele ora e se alegra com o que há de bom no outro e pelo seu crescimento (Rm 12.15). Só é possível termos o mesmo sentimento de Jesus Cristo (Fp 2.3,4), que sempre procurou agradar os outros e orar por eles, conforme aparece em Romanos 15.23, por intervenção do fruto do Espírito em nossa vida.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Cobiçar é desejar a propriedade de outras pessoas. Não devemos fixar nossos desejos em nada que pertença a outra pessoa. Não apenas esses desejos nos fariam infelizes, como também pode nos levar a cometer outros pecados, como adultério e roubo. Invejar os outros é um exercício inútil, porque Deus pode propiciar tudo o que realmente necessitamos, mesmo se não nos der sempre tudo o que queremos. Para deixar de cobiçar, precisamos praticar o contentamento com o que temos. O apóstolo Paulo enfatiza a importância do contentamento em Filipenses 4.11. É uma questão de perspectiva. Em vez de pensar no que não temos, devemos agradecer a Deus pelo que Ele nos deu, e nos esforçar para ficar satisfeitos. Afinal, o nosso bem mais importante é gratuito e está disponível a todos — a vida eterna, que só é dada por Cristo (Manual da Bíblia de Aplicação Pessoal. RJ: CPAD, 2013, p.462).

Que a alegria, como fruto do Espírito, seja derramada em nossos corações, mesmo enfrentando lutas e tribulações e que jamais venhamos permitir que a inveja tenha lugar em nossos corações.
Que amemos a Deus e ao próximo, alegrando-nos com o seu sucesso.


Fonte:
Livro de Apoio 1º trim 2017 - As Obras da Carne e o Fruto do Espírito - CPAD - Comentarista Osiel Gomes
Revista Bíblica As Obras da Carne e os Frutos do Espírito - Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente - 1º sem_2017 - CPAD - Comentarista Osiel Gomes
Bíblia de Estudo Pentecostal
Dicionário Wycliffe
Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

O Ministério da Igreja

“E nos fez reis e sacerdotes para Deus e seu Pai, a ele, glória e poder para todo o sempre. Amém!” Ap 1.6

O exercício do ministério na igreja do Senhor é muito mais do que apenas possuir um cargo na igreja. É preciso entender que o serviço ministerial possui um significado muito especial que norteia e dá sentido ao que fazemos na obra de Deus. 

Ministrar está intrinsecamente ligado a nossa identidade cristã. Somos chamados por Deus para exercer o sacerdócio real, cujo objetivo é trazer aos homens as verdades do evangelho eterno de nosso Senhor Jesus Cristo.

O exercício do ministério cristão requer santidade, conhecimento e obediência aos valores e princípios da Palavra de Deus.

“No Antigo testamento, o sacerdócio era restrito a uma minoria qualificada. Sua atividade distintiva era oferecer sacrifícios a Deus, em prol do seu povo e comunicar-se diretamente com Deus (Êx 19.6; 28.1; 2Cr 29.11). Agora, por meio de Jesus Cristo, todo crente é constituído sacerdote para o serviço de Deus (Ap 1.6; 5.10; 20.6). Esse sacerdócio de todos os crentes abrange o seguinte:

(1) Todos os crentes têm acesso direto a Deus, através de Cristo (1Pe 3.18; Jo 14.6; At 4.12; Ef 2.18).

(2) Todos os crentes têm a obrigação de viver uma vida santa (1Pe 2.5,9; 1.14-17).

(3) Todos os crentes devem oferecer ‘sacrifícios espirituais’ a Deus, inclusive:

(a) viver em obediência a Deus, sem conformar-se com o mundo (Rm 12.1,2);
(b) orar a Deus e louvá-lo (Sl 50.14; Hb 13.15);
(c) servir com o coração íntegro e mente disposta (1Cr 28.9; Fp 2.17; Ef 5.1,2);
(d) praticar boas ações (Hb 13.16);
(e) contribuir com nossas posses materiais (Rm 12.13; Fp 4.18) e
(f) apresentar nossos corpos a Deus como instrumentos de justiça (Rm 6.13,19).

(4) Todos os crentes devem interceder e orar uns pelos outros e por todos (Cl 4.12; 1Tm 2.1; Ap 8.3).

(5) Todos os crentes devem proclamar a Palavra e orar pelo sucesso dela (1Pe 2.9; 3.15; At 4.31; 1Co 14.26; 2Ts 3.1; Hb 13.15)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.1940).

O ministério da Igreja é um lugar para os servos de Deus, visando o aperfeiçoamento dos santos.

Leitura Bíblica: 1 Pedro 2.1-10

INTRODUÇÃO

Muitas pessoas dizem que desejam ter um ministério. E o que é, essencialmente, ministrar? É dar ordens, ter prerrogativas de privilégio, ou estar em uma plataforma falando às pessoas? Não.

Ministrar é servir.

Aquele que ministra o faz porque é servo de Deus em primeiro lugar, e servo de seus irmãos, pois assim foi comissionado por Deus.

Nesta lição, trataremos da importância do ministério na Igreja e do ministério de todos os crentes diante de Deus e dos homens.

I. O QUE É MINISTÉRIO

1. Ministério é uma forma de adorar a Deus.
Adorar é uma manifestação de fé, uma forma de aproximar a criatura de seu Criador. Por meio da adoração, demonstramos nosso apreço e afeição pelo nosso Deus, sem precisar pedir nada em troca. Nossas petições ficam na esfera de nossas orações, ao passo que, na adoração, simplesmente nos regozijamos na presença de Deus e agradecemos a Ele por sua presença entre nós, por suas bênçãos e pela salvação manifesta ao seu povo.

2. Ministério, adoração e fé.
A adoração como manifestação da nossa fé, é um serviço, um ministério. A expressão hebraica abad traz a ideia de “trabalhar, servir, adorar”. A expressão grega latreuo traz a mesma ideia de serviço e adoração (dessa expressão vem as palavras “idolatria”, adoração ou serviço a um ídolo). Aquele que ministra a um ídolo, o idólatra, também o adora, ignorando o verdadeiro Deus.

Nesse contexto, precisamos entender que quando servimos ao Senhor, devemos igualmente ter um comportamento que demonstra que o adoramos também.

3. Ministério é serviço.
Quando falamos que uma pessoa trabalha em um ministério dentro da igreja local, estamos igualmente falando que essa pessoa está fazendo um trabalho específico dentro daquela igreja. Os obreiros da igreja, por exemplo, exercem seu ministério, seu serviço a Deus, servindo à igreja para a qual foram chamados a pastorear. Pessoas que lidam com departamentos infantis também estão prestando um serviço a Deus quando estão instruindo crianças em suas classes. Ministério, nessa acepção, é serviço.

Há três palavras gregas que designam o termo ministro: leitourgos, um funcionário público que prestava um serviço ao Estado; hūperetes, a pessoa que trabalhava em um navio de escravos, e diaconos, aqueles que serviam às mesas. Por essas informações, podemos perceber que o ministro é um servo, uma pessoa que, por força de suas atribuições, tem mais obrigações e deveres do que necessariamente privilégios. Cremos, com isso, que devemos cuidar bem daqueles que são chamados por Deus para servir aos seus irmãos e à Igreja, pois o serviço cristão é mútuo, uns servindo aos outros.

Servir é uma forma de demonstrar aos que nos cercam a nossa adoração a Deus. Quando amamos a Deus nos tornamos servos dEle.

II. O MINISTÉRIO SACERDOTAL DOS CRENTES

1. Ministério no Antigo Testamento.
No Antigo Testamento, o ministério era tido como uma atividade espiritual. Os sacerdotes e levitas integravam o ministério religioso em Israel, e posteriormente, Deus levantou profetas que também tinham um ministério. Enquanto os levitas e sacerdotes oficiavam no sentido de intermediar a aproximação do homem para com Deus, os profetas falavam em nome de Deus ao povo.

2. Ministério no Novo Testamento.
No Novo Testamento, a palavra ministério traz a ideia de serviço, e de forma peculiar, apresenta aqueles que são salvos em Cristo como pessoas que atuam em um ministério como sacerdotes de Deus aos homens. Esse ministério é conhecido como “sacerdócio universal dos crentes”.

3. O cristão como um sacerdote.
Pela ideia do sacerdócio universal dos crentes queremos dizer que todos aqueles que já experimentaram a salvação são chamados a servir ao Senhor como sacerdotes, como mediadores da mensagem da salvação. Essa premissa, baseada em 1 Pedro 2.9 foi criada na Reforma Protestante, e é atribuída a Lutero, para contrapor a ideia de que apenas os sacerdotes da igreja romana eram detentores da salvação e da autoridade divina. Por ocasião da Reforma, Lutero ensinou que Deus chama a todos para que sejam sacerdotes do Deus Altíssimo.

"Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;"

Essa definição não deve ser confundida com o ministério pastoral de nossas igrejas. Lutero nunca disse que não poderia haver pastores, ou que todas as pessoas seriam pastores na igreja, pois o ministério pastoral é para pessoas com vocação e formação para ministrar ao rebanho de Cristo. Deus chama pastores para que possam ser responsáveis pelo rebanho do Senhor, e eles são nossos sacerdotes. Isso não significa que todos os crentes são pastores! Nem todos possuímos a vocação ao ministério pastoral, de conduzir o rebanho do Senhor. Esse ministério é reservado a pessoas que Deus chama com essa finalidade específica. Entretanto, diante dos homens, somos sacerdotes, ou seja, representamos a Deus neste mundo que carece da salvação. Por isso, pregamos e oramos pelos que ainda não conhecem Jesus.

O sacerdócio de todos os crentes é uma premissa da Reforma Protestante.

III. O MINISTÉRIO DA COMUNHÃO E DA RECONCILIAÇÃO

1. A reconciliação.
Essa expressão retrata a união de duas ou mais pessoas depois que barreiras foram removidas. Quando vemos os efeitos do pecado na vida das pessoas, entendemos também a separação que há entre o homem e Deus.

2. A reconciliação é obra divina.
A reconciliação entre Deus e o homem foi iniciada por Deus, pois “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados, e pôs em nós a palavra da reconciliação” (2Co 5.19). A Igreja tem a mensagem da reconciliação, e deve fazer dessa mensagem e de sua prática um ministério. O mesmo deve ser feito em relação aos que, em algum momento, tropeçaram na caminhada cristã e se afastaram do convívio dos santos. Enquanto não formos arrebatados e chamados para estar com o Senhor, vivemos sujeitos ao pecado e aos ataques deste mundo, que buscam a todo custo nos afastar da presença do Senhor. Nossa postura, como servos e servas de Deus, é fazer com que esses irmãos afastados sejam reconciliados com a igreja local e estejam na comunhão dos santos.

3. A comunhão.
A palavra comunhão traz a ideia de atos de fraternidade, de companheirismo. A Igreja de Cristo não pode ser marcada por partidarismo e dissensões, pois um reino dividido não subsiste (Mc 3.24). A comunhão é inspirada pelo amor, e este é o adesivo que une duas partes que de outra forma entrariam em atrito.

Reconciliação e comunhão costumam andar juntas na vida cristã. Primeiro partes opostas se reconciliam, para depois manterem a fraternidade da comunhão.

CONCLUSÃO
Em Cristo, vemos todos os exemplos de que a Igreja precisa para efetuar seu ministério. Ele foi servo, é nosso Sumo Sacerdote, busca a reconciliação e faz com que tenhamos comunhão com Deus. Que nossas vidas sejam pautadas no exemplo de Jesus.


SUBSÍDIO
O sumo sacerdote
“Dentro da divisão dos coatitas, a família de Arão passou a ser de sacerdotes. De um lado isso os tornou encarregados dos levitas. Itamar supervisionava os gersonitas (Nm 4.28) e os meraritas (v.33); Eleazar cuidava dos coatitas (v.16). Por outro lado os sacerdotes eram distintos dos levitas, porque só eles podiam tocar nas coisas santas — tudo que tivesse a ver com o altar, a lâmpada, ou a mesa da proposição (Nm 4.5-15).

O sacerdote nem sempre era quem fazia o sacrifício, mas era ele quem levava o sangue para o altar (por exemplo, Lv 3.2). O próprio Arão veio a ser sumo sacerdote (às vezes chamado de principal sacerdote). Ele usava roupas especiais (Lv 16.2), interpretava o lançamento das sortes sagradas que eram mantidas em seu peitoral.

Arão tinha quatro filhos. Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar. Nadabe e Abiú morreram por terem cometido sacrilégio em seus deveres religiosos como sacerdotes (Lv 10.1-3) e o sumo sacerdócio passou então a Eleazar e foi mantido em sua família (Nm 20.25-29).

Eli era um sacerdote da família de Eleazar. O sumo sacerdócio parece ter passado depois para a família de Itamar (veja 1Rs 2.27; cf. 1Cr 24.3). Foi Salomão quem fez retornar a linhagem de volta à família de Eleazar, colocando Zadoque na posição de sumo sacerdote. Essa posição foi mantida na família dele até que seu descendente veio a ser deposto por Antíoco Epifânio nos dias dos macabeus” (GOWER, Ralph. Novo Manual dos Usos e Costumes dos Tempos Bíblicos. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.326,327).

Fonte:
Lições Bíblicas - 1º trim.2017 - A Igreja de Jesus Cristo - Sua origem, doutrina, ordenanças e destino eterno - Comentarista: Alexandre Coelho - CPAD 

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!
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