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sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

A Bondade que confere Vida

Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna” 1Jo 3.15

A única forma de um ser humano mau se tornar em um ser humano bom de maneira plena é por intermédio da graça de Deus mediante a fé em Jesus Cristo (Ef 2.8). Somente assim que a pessoa tem a condição de compreender as implicações destes dois mandamentos do Senhor: “O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12.29-31). Por isso devemos compreender que há somente um Deus todo-poderoso, glorioso e gracioso que devemos amá-lo e honrá-lo com toda a nossa vida. De modo que esse amor seja direcionado ao próximo que está ao nosso lado como o bem que fazemos a nós mesmos. Aqui, a bondade como fruto do Espírito começa a se manifestar.

Neste aspecto, a bondade é um compromisso que tem a ver com o benefício do outro. É viver a bondade de Deus até as últimas consequências. Ora, Deus é bom e deseja que todos manifestemos sua bondade por onde passarmos. Uma bondade extraordinária que não pode ser encontrada em nenhum lugar, senão pela Palavra de Deus, mediante o encontro que tivemos com Jesus, o Nazareno, cuja vocação nos foi dada sem arrependimento. Nosso Deus é bondoso, gracioso, maravilhoso, pois assim criou os céus e a terra. Por isso, no lugar de vingança, oferecemos amor, consolo, disponibilidade para acolher quem mais precisa de nós. Sempre há alguém que precisa de um acolhimento verdadeiro e podemos ser o instrumento de Deus para acolhê-lo.

Diferentemente da bondade, o homicídio como obra da carne não acolhe a ninguém, pelo contrário, destrói a vida alheia, separando para sempre das pessoas queridas. Sobre o homicídio, a proibição de se tirar a vida do próximo remonta o Decálogo (Ex 20.13): não matarás. Ou seja, todo atentado contra a vida humana é um atentado contra o mandamento de Deus. Todo atentado contra o ser humano inocente, o aborto deliberado, o homicídio pensado e planejamento, é um atentado contra a Criação de Deus. Entretanto, para além do homicídio físico, o apóstolo João também se referiu ao homicídio quando disse: “Qualquer que aborrece a seu irmão é homicida. E vós sabeis que nenhum homicida tem permanente nele a vida eterna” (1Jo 3.15). "Revista Ensinador Cristão nº69"

A vida é um dom de Deus e ninguém tem o direito de tirá-la a não ser o próprio Deus.

Leitura Bíblica: Mateus 5.20-26

Hoje vamos estudar mais um aspecto do fruto do Espírito, a bondade.
Seu coração já foi transformado pelo Filho de Deus? Então, já foi enxertada em seu interior a “semente” da benevolência. Vivemos em uma sociedade onde as pessoas acreditam, erroneamente, que ser bom é ser fraco. Mas, tal virtude revela um caráter maduro e forte, leal a Deus e ao próximo. Como discípulos de Jesus, nosso exemplo maior de bondade, precisamos evidenciar nossa afabilidade por intermédio de ações e palavras. Não basta apenas dizer que é bondoso, as pessoas precisam ver esse aspecto do fruto do Espírito em suas palavras e ações, em seu dia a dia.


Bondade versus Homicídio

Facilmente podemos dizer que a palavra bondade fala de alguém que é indulgente, benevolente, de bom caráter, mas essa definição seria simplista demais e não esgotaria a realidade da palavra bondade. É difícil conceituar a palavra bondade, isso porque ela tem diversos sentidos. Posso falar de bondade no sentido de qualidade e capacidade; existem pessoas que são boas em algumas coisas, outras não; uns são bons no trabalho, igreja, mas não em casa com sua família. Para não complicar a situação, o melhor é saber que a bondade perfeita está em Deus, enquanto no homem sua bondade é relativa, uma vez que pode ser a carne ou o Espírito que esteja no controle.

O pastor Stanley Horton, falando sobre a bondade escreve:
'A bondade dá a ideia do desenvolvimento de um caráter bom, reto, fidedigno, sem deixar de ser generoso e amigável com o próximo. É isso que nos transforma na nobreza de Deus. A melhor maneira de descrevê-lo é sermos semelhante a Jesus. (Ele incorporou todo o fruto do Espírito e, sua vida e ministério).' (HORTON, 1993, p.194)

Analisando duas virtudes do fruto do Espírito a benignidade e bondade, notamos que há muita semelhança entre ambas. No entanto, podemos fazer distinção entre essas duas palavras da seguinte maneira: a benignidade está relacionada com a qualidade, com o sentimento. Bondade aponta para a vida prática. A benignidade fala de um cristão que tem um coração puro, sempre deseja fazer o bem, e no momento em que ele põe em prática o que há no coração, está praticando bondade. Para entendemos melhor essa colocação, veja o que diz o Dicionário Bíblico Wycliffe:

BONDADE. Tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, dois elementos aparecem em particular: uma bondade que se baseia na misericórdia (hesed, chrestotes), e uma que se baseia na bondade moral de Deus (tob, agathosune). Desta maneira, em algumas ocasiões, a bondade de Deus é manifesta: “A terra está cheia da bondade do Senhor” (SI 33.5, cf. SI 52.1; 107.8); “Desprezas tu as riquezas de sua benignidade [bondade]... ignorando que a benignidade de Deus leva ao arrependimento?” (Rm 2.4). Em outras ocasiões, a perfeição e a bondade de Deus vêm à tona (Nm 10.32; SI 16.2; 23.6; Gl 5.22; 2Ts 1.11). Um dos frutos do Espírito é a bondade (agathosune) no sentido de santidade e da justiça cristã (Gl 5.22). Isso está de acordo com o objetivo da nossa vida cristã, que é o de sermos semelhantes ao nosso Pai Celestial, tanto em caráter quanto em atitude, assim como Cristo nos ensinou no Sermão do Monte (Mt 5.48). (2009, p.322)

Na praticidade existente entre benignidade e bondade, uma apontando para o coração, emoção, sentimento em querer o bem, elas estiveram presentes no ministério de Jesus Cristo, em sua ação prática em querer zelar a casa de Deus Ele evidenciou bondade (Mt 21.13), mas mostrou um coração benigno ao perdoar a pecadora (Lc 7.37.50).

A palavra bondade (agathosune) aparece poucas vezes no Novo Testamento, apenas três vezes, no grego clássico nenhuma vez. Podemos dizer que a palavra grega agathosune, ainda com seu pouco aparecimento, fala de bondade, que pode ser entendida no seu aspecto geral como aquilo que é bom, fazendo oposição ao que é ruim, mau.

Dentro do Antigo Testamento, seguindo a Septuaginta, a bondade é descrita da seguinte maneira:
a) Oposição entre o mal (SI 52.3).
b) Prosperidade nesta vida (Ec 7.15).
c) Benefício para a vida (Ec 4.8).
d) Generosidade divina (Ne 9.25.35).

Nas páginas do Novo Testamento temos que recorrer ao que Paulo escreveu sobre bondade. Primeiramente, ele fala da bondade assim:

1 - Como virtude do fruto do Espírito
Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. (G1 5.22)

Com essa virtude do fruto do Espírito na vida, o cristão tem uma dívida para a prática do bem para com as pessoas. Ele pode agir dessa maneira porque está livre da Lei, das obras da carne e vive dominado pelo Espírito Santo, de maneira que seu desejo é expressar o caráter de Deus que é bom (Rm 3.21; 7.12).

2 - Bondade como boa Palavra
Console os vossos corações, e vos conforte em toda a boa palavra e obra. (2Ts 2.17)

Nesse versículo Paulo se preocupa com estado interior de cada crente, por isso encoraja a todos a serem sinceros em tudo, inclusive no comportamento. Esses crentes deveriam agir dessa forma por intermédio da boa Palavra de Deus, procurando corresponder com ela, expressando santidade adequada à vocação da vida espiritual.

3 - O fruto do Espírito como bondade, justiça, verdade
Porque o fruto do Espírito está em toda a bondade, e justiça e verdade. (Ef 5.9)

Aqui, Paulo está dando ênfase aos resultados que aparecem na vida daqueles que tem o Espírito Santo de Deus, que já foram iluminados por Jesus Cristo, todos produzirão o seu caráter. A justiça e a verdade são oriundas da comunhão com Jesus (Rm 6.21; Fp 1.11), e a verdade é uma ação constante que busca promover o bem a todo tempo.

Para um entendimento melhor desse versículo, veja o que fala o teólogo Francis Foulkes, no seu Comentário Bíblico de Efésio:
[...] Paulo não deve ter pensado conscientemente na luz como uma semente plantada na vida, que no devido tempo dá o seu fruto, mas sim nos resultados que devem aparecer, o tipo de caráter que deve ser visto na pessoa que foi iluminada por Cristo. Em muitas passagens, justiça refere-se ao fruto da vida em Cristo Jesus (Hb 12.11). Nada do que é corrupto e injusto nos relacionamentos do homem para com seu semelhante (veja comentário sobre 4.24) deve existir. Então, em vez de “toda malícia” (4.31), deve haver toda bondade, a procura ativa pelo bem em cada área da vida. Há uma distinção muito instrutiva entre “bondade” e “justiça” em Romanos 5.7, mostrando que a primeira, além da ideia de retidão moral e integridade, expressa também a força atrativa de um belo caráter. E terceiro, quando as trevas da ignorância, cegueira, erro e engano se vão (4.14, 17,22), surge a verdade como fruto da luz que Cristo traz. (FOULKES, 1993, p. 120)

4 - A bondade presente na vida de cada crente
Eu próprio, meus irmãos, certo estou, a respeito de vós, que vós mesmos estais cheios de bondade, cheios de todo o conhecimento, podendo admoestar-vos uns aos outros. (Rm 15.14)

Quando a virtude da bondade está presente na vida do crente, ele expressa a boa qualidade de vida que tem, sempre deseja coisas boas para as outras pessoas e desenvolve um padrão ético e moral, pois é guiado por esse fruto da luz (Ef 5.9). Paulo orava pelos crentes para que todos produzissem o fruto do Espírito, especialmente o da bondade (2Ts 1.11,12).

A bondade na vida do crente é como uma fonte de água cristalina, sempre irá jorrar só aquilo que é bom e perfeito, já que seu alvo é ser como Deus e dEle nunca vem coisa ruim (Tg 1.17). Quando há a virtude da bondade na vida do cristão seu amor é constante, sua justiça é posta em prática sempre querendo fazer o que é certo.

Não há passos errados nem ações desairosas para quem tem a vida guiada pelo Espírito Santo, mas, sim, gentileza, comedimento, visto que o aspecto da bondade domina seu ser, e o que a caracteriza fortemente é a generosidade, que concede ao homem o que ele nunca poderia ter por merecimento.

O homem, por mais sincero e verdadeiro que seja não pode produzir o padrão de bondade conforme Paulo descreve, pois, seu amor é sempre falho (Os 6.4), entretanto, quando a virtude da bondade está em sua vida, vindo do Espírito de Deus, ele pode produzir uma vida de qualidade e um amor verdadeiro.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Bondade como fruto do Espírito é tradução de uma palavra grega que é encontrada apenas quatro vezes na Bíblia: agathosune. Quando comparada com chrestotes vemos que a bondade é a prática ou a expressão da benignidade, ou seja, fazer aquilo que é bom. O termo agathosune só é usado nos escritos de Paulo nas seguintes passagens: Romanos 14.14; Gálatas 5.22; Efésios 5.9; 2 Tessalonicenses 1.11.

No primeiro destes textos, Romanos 15.14-16, Paulo reconhece que os cristãos romanos estão prontos para ministrar uns aos outros e, portanto, os exorta a ministrar, lembrando-os de sua chamada para ser ministro (literalmente, servo) de Jesus Cristo. No versículo 16 (NVI), Paulo se compara a um sacerdote que oferece a Deus os gentios salvos como oferta santificada pelo Espírito Santo. Em todos estes versículos é vista a expressão da bondade.

Bondade, então, fala de serviço ou ministério uns aos outros, um espírito de generosidade posto em ação; diz respeito a servir e dar. É o resultado natural da benignidade — a qualidade interior de ternura, compaixão e brandura. Tudo isso está resumido na palavra amor. O amor é benigno, que é o oposto do maligno. O amor é bom, sempre buscando ministrar às necessidades dos outros” (GILBERTO, Antonio. O Fruto do Espírito: A plenitude de Cristo na vida do crente. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.92).

Conheça mais...

Bondade
“O Espírito Santo transmite esta virtude como um fruto, para que cada um do bom tesouro possa tirar o bem (Lc 6.45). Barnabé foi cheio do Espírito Santo e por isso se tornou um homem bom (At 11.24). Ele deixou um brilhante exemplo de que maneira esse fruto se manifesta. O seu coração era aberto para doar (At 4.37). Ele viu o que a graça de Deus havia operado (At 11.23), por isso conseguiu ajudar a Saulo (At 9.26-28; 11.25-26)”. Para conhecer mais leia, Teologia Sistemática — Coleção Ensino Teológico, CPAD, p.28.


HOMICÍDIO, A DESTRUIÇÃO DO PRÓXIMO

Não matarás.
Em Êxodo 20.13, temos uma ordem de Deus em favor da preservação da vida. A ordenança divina é bem clara, de forma que até uma criança pode compreender: “Não matarás” (Êx 20.13; Dt 5.17). Encontramos, em todo o Pentateuco, várias advertências a respeito da violência contra a vida. Deus é bom. Por isso, Ele estabeleceu leis para os homicídios dolosos, ou seja, quando uma pessoa mata a outra intencionalmente (Dt 27.24,25) e culposos, quando não há intenção de matar (Dt 19.4-6). O Senhor Jesus, nosso maior exemplo de bondade e amor, reforçou a legislação divina ao ensinar que podemos atentar contra a vida do nosso próximo até mesmo por palavras (Mt 5.21, 22). O apóstolo João também deixa claro que quem aborrece o seu irmão é homicida (1Jo 3.15). Que venhamos a amar o próximo, cuidar dele e preservar a sua vida, pois esta é a vontade de Deus para nós.

Aborto, a morte de um inocente indefeso.
Quando falamos em homicídio, estamos também nos referindo ao aborto. Este ato perverso está inserido no sexto mandamento, pois é um atentado contra a vida de um indefeso, além de ser um ato contra Deus, que é o doador da vida (Is 45.12; Mt 10.28).

O aborto, segundo o Código Penal Brasileiro, é também um crime. Embora faça parte do Código Penal, alguns, erroneamente, acreditam que o aborto deve ser uma escolha da mulher. Mas o Criador não permite que nós, seres criados, venhamos a decidir quem deve ou não viver. Deus nos criou, nos conhece e nos ama desde quando nosso corpo ainda estava sendo formado no ventre de nossa mãe (Sl 139.16).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO


Não matarás (20.13). ‘Assassinar’ é mais precioso aqui do que ‘matar’. A palavra hebraica rasah é a única sem paralelo em outras sociedades do segundo milênio a.C. Ela identifica ‘morte de pessoas’ e inclui assassinatos premeditados executados com hostil intenção e mortes acidentais ou homicídios culposo. Dentro da comunidade da aliança, precisava-se tomar um grande cuidado para que ninguém perdesse a vida, mesmo por acidente. O termo rasah não é aplicado em mortes na guerra ou em execuções judiciais” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse Capítulo por Capítulo. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2005, p.64).

Cidades de Refúgio
Entre as 48 cidades dadas aos levitas em Israel, seis, por ordem de Deus, foram indicadas como cidades de refúgio, ou asilo, para o ‘homicida’ (Nm 35.6,7). O próprio Moisés escolheu três delas no lado leste do rio Jordão: Bezer para os rubenitas, Ramote, em Gileade, para os gaditas; Golã, em Basã, para os manassitas (Dt 4.41-43). Mais tarde, na época de Josué, as outras três foram indicadas na parte oeste do Jordão. Elas estavam convenientemente situadas nas regiões norte, central e sul da terra que habitavam. Seriam construídas e mantidas abertas estradas para essas importantes cidades (Dt 19.3).

Em Hebreus 6.18 está indicado que as cidades de refúgio eram um tipo de Cristo. O apóstolo faz alusão a isso quando fala daqueles que fugiram procurando um refúgio, e também da esperança oferecida a eles. Nós procuramos o refúgio em Cristo, e nele estamos a salvo do Vingador do sangue divino (Rm 5.9)” [PFEIFFER, Charles F. (Ed.) Dicionário Bíblico Wycliffe. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2010, pp.417-18].


Uma Análise Geral sobre o Homicídio na Concepção Bíblica e Jurídica

O primeiro homicídio do mundo foi praticado por um homem, que matou seu irmão, Caim (Gn 4.8), a origem desse homicídio estava pautada na inveja, que é uma das obras da carne (GI 5.21). João diz que Caim era do Maligno e suas obras estavam influenciadas por ele (1Jo 3.12).

Todo o ódio de Caim para com Abel é porque Deus recebeu as suas ofertas, porque as obras de Abel eram boas; já quanto a Caim, Deus o rejeitou porque as suas obras eram más (1Jo 3.12). O mundo rejeitou a Cristo porque as suas obras eram um aguilhão que penetrava na consciência daqueles que viviam praticando obras más.

• A Bíblia condena todo e qualquer tipo de homicídio (Êx 20.13), e até no ensino de Jesus sobre o amor, Ele condenou o homicídio. Deus criou o homem para viver, então, quando alguém cometia homicídio, sua ordem era para que o tal fosse morto também (Nm 35.31), pois somente Deus é quem tem o poder de dar e tirar a vida (1Sm 2.6).

Primeiramente, vamos começar esse assunto fazendo uma definição da palavra homicídio, observe que ela é composta: homo- -homem, ceder e- matar ou cortar. E claro que a palavra homicídio pode ser entendida também como a morte de um animal, todavia, para os seres racionais essa palavra tem o sentido de matar um ser criado por Deus.

O homicídio pode ser classificado em duas categorias:

1 - Homicídios que podem ser justificados
Está escrito no Antigo Testamento que alguns homicídios eram justificáveis, a lista é bem extensa, vejamos:
a) Os que praticassem adultério (Lv 20.10).
b) Os que praticassem incesto (Lv 20.11).
c) Que praticassem sexo com animal (Lv 20.16).
d) Aqueles que não respeitassem os pais (Ex 21.17; Dt 21.18-21).
e) Os que praticassem a feitiçaria (Ex 22.18).
f) Aqueles que matasse ao seu próximo (Lv 24.17).
g) Os que praticassem a idolatria (Dt 13.6-9).
h) Quem blasfemasse do nome de Deus (Lv 24.16).
i) Quem praticar roubo (Ex 21.16).
j) Que cometesse estrupo (Dt 22.25).

O nosso Código Penal fala de alguns crimes que hoje podem ser justificáveis, ou melhor, que excluem a criminalidade. No artigo 23 do Código Penal está escrito: “Não há crime quando o agente pratica o fato”:

I - Em estado de necessidade;
II - Em legítima defesa;
III - Em estrito cumprimento de dever legal ou no exercício de direito.

Para entender melhor cada uma das três colocações mencionadas acima, explicaremos cada uma delas.

Primeiro, estado de necessidade que configura a ação de alguém que, frente a uma grande necessidade, age devido a um grande perigo, que não foi provocado por sua própria vontade, e que não lhe dá outra opção. Um exemplo que se pode dar é: Duas pessoas que estão em alto-mar, mas há apenas um salva-vidas no barco, de modo que um lutará para se salvar, condenando o outro à morte.

Segundo, em legítima defesa, podemos citar o pai que mata o ladrão que entra em sua casa armado para praticar algum crime.

Terceiro, no cumprimento do dever legal, quando o soldado mata o inimigo no campo de batalha; isso lhe é permitido por lei.

Portanto, seguindo o princípio bíblico, vemos que existem os crimes que podem ser justificáveis, dentre esses, ainda queremos citar os acidentais, que são aqueles em que a pessoa não tinha a intenção de matar. No Direito esse crime é chamado de homicídio culposo.

2 - Homicídios injustificáveis
No homicídio culposo a morte se dá por falta de prudência, descuido, mas não existe qualquer intenção de praticar um crime. No caso do homicídio injustificável, que também pode ser denominado premeditado, em que alguém age de modo bem planejado querendo realmente pôr fim à vida de uma pessoa, sua mente arquiteta tudo e seu coração está cheio de ódio, por isso parte para a execução desse projeto satânico.

O homicídio injustificável é chamado no Direito de doloso, quando há intenção de matar, de fato, a pessoa assume o risco de que esse feito possa ser realizado. Na questão do crime doloso, este pode ser dividido em duas partes, isso na questão da prática criminosa:
1 - Dolo Direto. Nessa conduta a pessoa está decidida deliberadamente a cometer o crime: matar.
2 - Dolo Eventual. Nesse caso a pessoa pode prever um determinado resultado criminoso, por causa de sua conduta sem se preocupar se sua atitude pode prejudicar alguém. Um exemplo bem prático que podemos dar para a conduta eventual é quando um rapaz toma uma arma, coloca apenas uma bala, a brincadeira chamada “roleta russa”, e aponta para alguém disparando, caso aconteça a morte foi praticado um crime doloso, de natureza com dolo eventual.

O homicídio que vem dominado pelo ódio, que é planejado, que é passional, isto é, suscetível de paixão, e aquele surge de uma briga ou discussão. Intencional ou não todo homicídio é condenado pela Palavra de Deus.

O homicídio é uma obra puramente da carne. Por isso os que são comandados pela carne estão prontos para fazer de tudo para acabar com aquelas pessoas que odeiam ou para tomar posse de alguma coisa.

Um homicídio pode ser cometido por vários motivos:
a) Inveja, como aconteceu com Caim (Gn 4.8).
b) Sede pelo poder: Abimeleque (Jz 9.5).
c) Para satisfazer os desejos de Alguém: Jezabel (1 Rs 21.10).
d) Para não perder o trono: Herodes (Mt 2.16).
e) Desejo para ter dinheiro: Judas (Mt 27.4).


O que Jesus Falou sobre o Homicídio?

Jesus não tratou do homicídio apenas como o ato em si, mas da ira que pode levar a matar. Quanto à expressão “sem motivo”, ela não consta nos melhores manuscritos, a ira tem suas restrições, conforme falou Paulo (Ef 4.26).
Pelas palavras de Jesus, observe que tudo o que Ele ensinava estava fundamentado no que Deus já havia dito: “Ouvistes que foi dito aos antigos: Não matarás; mas qualquer que matar será réu de juízo” (Mt 5.21).

Em Mateus 5.21, Jesus estava se voltando para a Lei judaica, Ele não arquiteta nada, mas cheio do Espírito Santo revelar com tonicidade aguda as verdades que estavam na Palavra de Deus. Todo estudioso da Palavra deveria proceder como Jesus, como Bom Mestre Ele era fiel, não adulterou em nada as Escrituras, antes foi fiel a ela em tudo. Jesus Cristo soube tirar da porção do Antigo Testamento coisas velhas e novas (Mt 13.52).

No tocante à expressão “não matarás”, ela está restrita ao que a Lei estava dizendo, Jesus não está aqui abordando o assunto de modo global, mas em sua ênfase dirige-se para a própria natureza do homem, pois é de dentro de um coração não transformado e pecaminoso que brota o homicídio.

Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias. (Mt 15.19)

O homicídio não vem logo de imediato, mas ele é precedido pelo ódio e pela raiva, e sem a ajuda do Espírito Santo de Deus ninguém poderá controlá-lo. As palavras que ferem são pronunciadas pela raiva; a expressão aramaica raca, que quer dizer vazio, oco e apontava para alguém que age em desrespeito ao outro.

As duas palavras raca e louco podem ter o mesmo significado, e podemos pensar que pelo uso que Jesus fez delas, talvez quisesse referir-se ao crime de calúnia e difamação. Porque só mesmo uma pessoa vazia e sem caráter é que pratica tais crimes. A injúria ataca o caráter da pessoa, sempre procurando depreciá-la, e a calúnia baseia-se em uma falsa acusação, as duas são crimes contra a honra. A difamação segue quase a mesma conotação de calúnia, só que com uma diferença, a conduta praticada por quem é ofendido não é descrita como um crime na lei.

Na comunidade de Qumran, quando alguém ofendia outro com palavra, sua comida era reduzida durante um ano, ele ficava isolado das pessoas, e, às vezes, até era excomungado do meio social. Palavras duras acompanhadas de ódio causam feridas grandiosas, e muitas delas provocam o homicídio, por isso é bom evitar as ofensas, as calúnias e difamações, especialmente o crime de racismo. Deixemos que a Palavra de Deus limpe os nossos corações, e que o amor divino permeie todo o nosso ser, desse modo não pronunciaremos palavras duras, pelo contrário, teremos uma língua erudita para dizer palavras que produzam vida (Is 50.4).

Os que São Nascidos de Deus

João diz que o nascido — uma ação que começou no passado, mas que tem resultado no presente — jamais vive na prática do pecado, porque foi regenerado (2Pe 1.4). Só existem dois tipos de filho: um é de Deus e o outro do Diabo, portanto, ou você é filho de Deus, nascido por meio da ação do Espírito Santo de Deus (Jo 1.11-13), ou, então, é filho do Diabo (At 13.10. Ef 2.3).

Caim era da família do Diabo, por isso matou seu irmão. Atente para a palavra grega ésphakse, matar, assassinar. Esse verbo expressa uma brutalidade tremenda, mostrando que esse ato é de alguém totalmente maligno.

Como o mundo está no poder do Maligno, os cristãos não deveriam ficar admirados quando forem odiados. Quem não tem o verdadeiro amor de Deus no coração está cheio de ódio, mas o verdadeiro amor sempre luta pela vida, o ódio sempre luta pelo mal (Mt 5.21,22). Uma pessoa que tem o coração cheio de animosidade terá as mesmas atitudes de Caim: inveja e ódio.

No amor de Cristo temos o exemplo para sermos amorosos com os outros, nos sacrificando para que a vida seja vivida por outros. A ênfase desse versículo não está na palavra morrer, mas, sim, no ato de partilhar com os outros para que também vivam bem.


SEJAMOS BONDOSOS E MISERICORDIOSOS

Servindo ao outro com amor.
Jesus deve ser o nosso exemplo de serviço e amor. Ele declarou que não veio ao mundo para ser servido, mas para servir e dar a sua vida por nós (Mt 20.28). Vivemos em um mundo egoísta, onde as pessoas só querem ser servidas. Por isso, precisamos, como sal e luz desse mundo, mostrar-lhes o nosso serviço e compaixão (Mt 5.13,14). Paulo exortou os crentes da Galácia para que levassem as cargas uns dos outros (Gl 6.2). Para realizamos tal ato precisamos amar, pois levar a carga do outro significa ajudar o irmão que está enfermo, enfrentando tribulação ou enfrentando necessidade financeira. Você tem ajudado seus irmãos a carregarem suas cargas ou você tem ainda acrescentado mais peso a elas?

"Então, enquanto temos tempo, façamos bem a todos, mas principalmente aos domésticos da fé." Gálatas 6:10

O crente cheio do Espírito Santo é bondoso e misericordioso.


CONCLUSÃO

Que possamos demonstrar ao mundo e aos nossos irmãos a bondade de Deus que um dia foi derramada em nossos corações. Que jamais venhamos aceitar qualquer forma de homicídio, pois somos novas criaturas e sabemos que Deus abomina tal prática.



Fonte:
Livro de Apoio 1º trim 2017 - As Obras da Carne e o Fruto do Espírito - CPAD - Osiel Gomes
Revista Bíblica As Obras da Carne e os Frutos do Espírito - Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente - 1º sem_2017 - CPAD - Comentarista Osiel Gomes
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal
Dicionário Wycliffe

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

A Igreja e os Dons Espirituais

Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar e não proibais falar línguas” 1Co 14.39

Dons espirituais
“Os dons espirituais, que são pela graça, mediante a fé, encontra-se na palavra grega mais usada para descrevê-los: charismata, ‘dons livre e graciosamente concedidos’, palavra esta que se deriva de charis, graça, o imerecido favor divino. Os carismas são dons que merecemos sem os merecermos. Dão testemunho da bondade de Deus, e não da virtude de quem os receberam.
Uma das falácias que frequentemente engana as pessoas é a ideia de como Deus abençoa ou usa alguém; isso significa que Ele aprova tudo o que a pessoa faz ou ensina. Mesmo quando parece haver uma ‘unção’, não há garantia disso. Quando Apolo chegou a Éfeso pela primeira vez, não somente era eloquente em sua pregação; era também ‘fervoroso de espírito’. Tinha o fogo. Mas Priscila e Áquila perceberam que faltava algo. Logo, o levaram (provavelmente, para casa, a fim de participar de uma refeição), e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus (At 18.25,26). Era, pois o caminho de Deus a respeito dos dons espirituais, que Paulo, como um pai, desejava explicar com mais exatidão aos coríntios. A esses dons ele dá o nome de ‘espirituais’ em 1 Coríntios 12.1 (a palavra dom não se encontra no grego). A palavra, por si mesma, inclui algo dirigido pelo Espírito Santo e expresso através de crentes cheios do poder. Nesta passagem, porém, Paulo limita a palavra no sentido dos dons gratuitos, ou carismas, que passam a ser mencionados repetidas vezes (12.4,9,28,30,31)” (HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12ª Edição. RJ, CPAD, 2012, p.225).

Dado conforme o Espírito deseja
“A primeira relação dos dons com a repetição do fato que cada um é dado pelo Espírito (1Co 12.8-10) leva ao clímax no versículo 11, que diz: ‘Mas um só e o mesmo Espírito opera todas as coisas, repartindo particularmente [individualmente] como quer’. Aqui temos um paralelo com Hebreus 2.4, que fala dos apóstolos que primeiramente ouviram o Senhor e depois transmitiram a mensagem: ‘Testificando também Deus com eles, por sinais [sobrenaturais], e milagres, e várias maravilhas [tipos de obras de grande poder] e dons [distribuições separadas] do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade’. É evidente, à luz destes trechos, que o Espírito Santo é soberano ao outorgar os dons. São distribuídos segundo a sua vontade. Buscamos os melhores dons, mas Ele é o único que sabe o que é realmente melhor em qualquer situação. Fica evidente, também, que os dons permanecem debaixo de sua autoridade. Nunca são nossos no sentido de não precisarmos do Espírito Santo, pela fé, para cada expressão desses dons. Nunca se tornam parte da nossa própria natureza, ao ponto de não perdê-los, de serem tirados de nós. A Bíblia diz que os dons e a vocação de Deus são permanentes (Deus não muda de opinião a respeito deles), mas aqui há referência a Israel (Rm 11.28,29). A princípio, parece, no entanto, que os dons e as vocações, uma vez dados, permanecem à nossa disposição” (HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12ª Edição. RJ, CPAD, 2012, p.230).

Os dons espirituais são presentes dados por Deus à sua Igreja para edificação do Corpo de Cristo.

Os dons não foram somente para a Igreja Primitiva e não cessaram, pois enquanto a Igreja permanecer neste mundo, ela precisa destas concessões divinas para sua expansão, edificação, exortação e consolo. Os dons são ferramentas divina que contribuem para que a Igreja cumpra com a sua missão de proclamar o Evangelho.

Os dons não são concedidos por nossos méritos (1Co 12.7). Eles são fruto da graça e da misericórdia divina.

Os dons não são sinais de espiritualidade e que não devem ser utilizados para o nosso próprio deleite, mas para o fortalecimento da Igreja de Cristo até que Ele volte (1Co 12.7).

Vejamos, abaixo, algumas das características dos Dons Espirituais. Perceba que os dons não são habilidades e aptidões inatas. Também são diferentes dos dons ministeriais relacionados em Romanos 12.7,8.

   •    São dádivas (presentes) divinas;
   •    Não são resultado da nossa espiritualidade;
   •    Não leva tempo para se desenvolverem;
   •    Vão cessar somente quando a Igreja estiver com Cristo;
   •    São diversos;
   •    São para todos aqueles que creem e os buscam;
   •    São para o nosso tempo.
  
TEXTO BÍBLICO: 1 Coríntios 12.1-11

1 - Acerca dos dons espirituais, não quero, irmãos, que sejais ignorantes.
2 - Vós bem sabeis que éreis gentios, levados aos ídolos mudos, conforme éreis guiados.
3 - Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema! E ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo.
4 - Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
5 - E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.
6 - E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos.
7 - Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um para o que for útil.
8 - Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;
9 - e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar;
10 - e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.
11 - Mas um só e o mesmo Espírito opera todas essas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer.

INTRODUÇÃO

Neste domingo estudaremos os dons espirituais. Esse assunto tem sido alvo de debates nos últimos 100 anos, por ocasião do surgimento do Movimento Pentecostal.

O que a Bíblia diz a respeito dos dons?  Será que são válidos para os nossos dias?

I. DEFININDO O QUE SÃO DONS ESPIRITUAIS

1. O que são os dons espirituais.
Dons espirituais são poderes ou capacitações sobrenaturais, dadas pelo Espírito Santo, à pessoas em sua Igreja. Não são talentos naturais, aprendidos ou aperfeiçoados pelo uso de técnicas humanas. Essas dotações são divididas entre o povo de Deus pela escolha do Espírito Santo, que age “repartindo particularmente a cada um como quer” (1Co 12.11).

2. Não são um sinal de superioridade espiritual.
Como os dons espirituais são presentes de Deus, não podem ser um designativo de superioridade ou de santidade pessoal. Os dons dados por Deus não se baseiam em um grau de santidade adquirido por um crente, e sim na própria vontade de Deus em fazer daquela pessoa alguém que vai ser usada para determinada atuação dentro do Corpo de Cristo, na igreja local. Um profeta não pode se achar mais santo que outra pessoa por ter recebido o dom de profecia, pois o dom é dado pelo Espírito.

3. Devem ser utilizados para edificar a Igreja.
Paulo deixa claro que os dons são dados por Deus para que a igreja seja edificada, fortalecida. Não são para a vaidade pessoal, ou para se dar destaque a uma personalidade na igreja local. Entendemos que pessoas que recebem tais capacitações por parte do Espírito Santo podem até ser vistas de forma distinta. Mas estes jamais podem perder o senso de que os dons do Espírito não são para promoverem a si próprios, e sim o Reino e a glória de Deus.

Os dons espirituais são para os nossos dias, e não possuem o caráter distintivo de santidade na vida de um cristão.

II. A DIVERSIDADE DOS DONS

1. Dons de saber.
Os dons da Sabedoria, da Palavra da Ciência e de Discernimento de espíritos são nomeados como dons de saber, tendo em vista que de forma sobrenatural, Deus revela conhecimento a respeito de pessoas e circunstâncias.

A Palavra da Sabedoria, segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, “trata de uma mensagem vocal sábia, enunciada mediante a operação sobrenatural do Espírito Santo”.

A Palavra da Ciência manifesta ao que a recebe o saber de alguma situação, circunstância ou detalhes sobre determinadas pessoas.

O dom de Discernimento de espíritos nos faz identificar falsos ensinos, profecias, mensagens e manifestações espirituais.

2. Dons de elocução.
Os dons de elocução são os dons manifestos por palavras, a saber, o de profecia, a variedade de línguas e a interpretação das línguas.

O ato de profetizar implica a manifestação de uma previsão sobrenatural, divina a respeito de alguém ou situação. Mas não há maior profecia do que a Palavra de Deus. Qualquer outro tipo de previsão ou de advertência para os nossos dias deve se sujeitar à Palavra de Deus.

3. Dons de poder.
Os dons de poder são os de Fé, Curas e Manifestações de Maravilhas, também, chamado de Operação de Milagres. Tais dons interferem na área física, trazendo curas e agindo de forma sobrenatural em situações em que só o poder de Deus poderia intervir.

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III. A CONTEMPORANEIDADE DOS DONS

1. Os dons são para os nossos dias.
Os dons espirituais, para alguns grupos cristãos, não são para os nossos dias. Eles não se baseiam na Palavra de Deus para respaldar essa opinião, e sim em entendimentos teológicos que consideram que o Livro de Atos não tem caráter prescritivo, e sim descritivo. Com base nesse argumento, entendem que com a morte do último apóstolo, os dons espirituais cessaram.

Se crermos que o Espírito Santo fala através das Escrituras, devemos ver se Ele deixou nas Escrituras algum texto que diga que os dons espirituais cessaram com a morte do último apóstolo. Em nenhum verso na Palavra de Deus há essa informação. Além disso, cremos — e temos visto — que Deus não deixou de curar pessoas, batizar com seu Espírito Santo, e isso o próprio Jesus disse que aqueles que criam nEle fariam, como curar enfermos e falar novas línguas (Mc 16.16-18). E Jesus disse que estaria conosco até a consumação dos séculos (Mt 28.20). Como a consumação dos séculos não aconteceu e Jesus não revogou sua presença com a igreja, Ele continua operando por meio de seu Espírito e pelos dons espirituais na igreja.

2. E quanto às revelações?
Como pentecostais, cremos na Palavra de Deus como nossa regra de fé e prática. Cremos que Deus pode falar com seus servos, dando-lhes orientações e advertências. Entretanto, qualquer palavra profética advinda do dom de profecia não pode ter o mesmo peso da Palavra revelada de Deus. Aqueles que possuem esse dom devem sujeitar seus vaticínios ao escrutínio das Escrituras. Se uma revelação trazida por um profeta é contrária à Palavra de Deus, tal revelação deve ser rejeitada. Nenhuma visão ou sonho podem ser superiores à Palavra revelada de Deus.

3. O que dizer da igreja de Corinto.
Muitos estudiosos dizem que a Igreja em Corinto era pentecostal, bagunçada e dividida, dando a entender que pentecostais são da mesma forma. Ocorre que, por um erro de interpretação, esses estudiosos se esquecem de que o problema daquela igreja não eram os dons espirituais, e sim o comportamento daqueles crentes. Dizer que a igreja em Corinto era problemática por causa dos dons espirituais é atribuir a Deus o envio de dons que ao invés de edificar a Igreja, estava na verdade, prejudicando-a. Deus é bom o tempo todo, e o que Ele nos concede também é bom.

4. Satanás pode imitar a manifestações dos dons?
Entendemos que o Inimigo intentará o possível no sentido de fazer com que da obra de Deus sofra revezes, e isso pode ocorrer quando ele faz com que haja imitações dos dons espirituais, a saber, o falar em línguas, a profecia e os dons de curar e milagres. Entretanto, devemos pensar que, primeiramente, toda imitação se baseia em algo original e legítimo.

Um objeto falso pode ser a imitação do original, e nem por isso o original é que perde o seu valor! Só porque o Inimigo consegue em alguns casos fazer imitações desses dons, as verdadeiras manifestações é que devem ser desprezadas e condenadas?

Em segundo lugar, devemos ter bastante cautela para não atribuir ao Diabo algo que Deus efetivamente está realizando. Mateus relata que Jesus libertou um jovem que estava possesso de espíritos malignos, e os fariseus atribuíram aquela libertação a uma atuação de Satanás (Mt 12.24). Jesus então responde que aquilo que eles fizeram, entender que a atuação divina estava sendo na verdade realizada por Satanás, era um pecado contra o Espírito Santo de Deus, e para tal coisa não haveria perdão (Mt 12.32). Devemos, portanto, ter muito cuidado para não atribuir ao Diabo algo que Deus efetivamente está fazendo.

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CONCLUSÃO

Os dons espirituais continuam a ser ministrados pelo Espírito Santo à sua Igreja em nossos dias. Seu uso correto traz edificação, glorifica a Deus e faz com que a igreja seja edificada. Mesmo sendo vários dons, são ministrados pelo mesmo Espírito, e não podem trazer confusão para a igreja.


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Fonte:
Lições Bíblicas - 1º trim.2017 - A Igreja de Jesus Cristo - Sua origem, doutrina, ordenanças e destino eterno - Comentarista: Alexandre Coelho - CPAD

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