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sábado, 18 de novembro de 2017

Salvação e Livre-Arbítrio

“Qual é o homem que teme ao Senhor? Ele o ensinará no caminho que deve escolher” Sl 25.12

Salvação e Livre-Arbítrio

Prezado(a) professor(a), na aula desta semana é importante remontar a biografia de Jacó Armínio. Por isso o estudo de livros de história da Igreja é importante. Há também boas literaturas teológicas sobre Armínio, uma delas já mencionada em artigo anterior. A CPAD também tem as obras de autoria de Armínio publicadas em língua portuguesa à disposição dos irmãos: As Obras de Armínio, 3 Volumes. Assim, faremos um breve resumo sobre a importância desse grande teólogo.

Jacó Armínio era um teólogo holandês que se posicionou contrário a algumas doutrinas de linha calvinista com o objetivo de destacar mais o caráter amoroso, bondoso e justo de Deus que foram manifestos na pessoa bendita de Jesus Cristo. Por isso, Armínio foi acusado injustamente de ensinar muitas heresias. Contra ele, foram usados argumentos frágeis e insustentáveis se analisados de maneira séria. Infelizmente, esse “espírito” é comum ainda hoje. A fé cristã não é uma expressão homogênea. Embora tenhamos pontos de fé comuns, que nos une, também temos pontos que nos traz discordâncias pontuais: batismo, escatologia, batismo no Espírito. Mas temos de fazer um alerta importante! Por exemplo, antes de existirem tradicionais-históricos, pentecostais, neopentecostais e outros, já havia milhares de cristãos fiéis ao Senhor. Isso significa que a história da Igreja não começou com uma pessoa ou denominação somente. Por isso não se justifica guerras teológicas, brigas denominacionais e, até mesmo, rompimentos de amizade por causa disso. A Palavra de Deus não é para trazer contendas e rivalidades.

É importante salientar que Jacó Armínio não acrescentou nada novo à teologia cristã no sentido doutrinário. Para fortalecer esse parecer, o estudioso holandês usou em seu método os pais da Igreja, escritos medievais e muitos outros protestantes que lhe antecederam, mostrando que eles defendiam a mesma doutrina cristã. Alguns nomes que fazem parte da belíssima história protestante podem ser arrolados ao lado de Armínio em visões similares e bem idênticas ao do teólogo holandês: Melanchton, um líder luterano; Erasmo, reformador católico; Balthasar Hubmaier e Menno Simons, líderes anabatistas do século XVI. Jacó Armínio morreu no auge da controvérsia teológica na Holanda, em 1609. Revista Ensinador Cristão nº72

O projeto primário de Deus foi salvar a humanidade. Todavia, de acordo com sua soberania, concedeu o livre-arbítrio ao homem.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE - João 3.14-21

Deus é soberano, amoroso e deseja salvar a todos indistintamente, mas isso não anula o direito de escolha do ser humano. O que coube a Deus fazer no plano perfeito da salvação Ele o fez, mas a parte do homem, que é pela fé decidir crer e aceitar o sacrifício de Jesus, ele precisa fazer. Deus criou seres autônomos, inteligentes e permite que suas criaturas escolham entre o bem e o mal. No plano perfeito da salvação, Cristo deu a sua vida por todos, mas somente aqueles que decidem crer serão salvos. Nesta lição estudaremos também a respeito do teólogo reformador Armínio, pois ele foi um dos que refutou duramente a teologia da predestinação de Calvino.

INTRODUÇÃO

Na cruz do Calvário, Jesus Cristo ofereceu a salvação indistinta e gratuitamente para todos os seres humanos (Ap 22.17). Por decisão pessoal, e liberdade individual, os que recebem a oferta de salvação são destinados à vida eterna, pois o Pai quer que todo homem se salve e que ninguém se perca (2Pe 3.9).

I. A ELEIÇÃO BÍBLICA É SEGUNDO A PRESCIÊNCIA DIVINA

1. A eleição de Israel.
A eleição no Antigo Testamento tem um significado mais específico que no Novo Testamento. Exemplo disso é o chamado de Abraão e sua descendência, que mais tarde formariam a nação de Israel. Deus chamou o patriarca e lhe fez promessas (Gn 12.1-3). Livre e espontaneamente, o “amigo de Deus” respondeu positivamente ao chamado. Entretanto, diante dele havia a possibilidade de não atender a essa convocação. Nesse sentido, é importante ressaltar que a eleição de Israel (Is 51.2; Os 11.1) é específica e pontual. Deus tinha um propósito de enviar o Salvador ao mundo por intermédio da nação judaica. Por ser pontual, específica e coletiva, a eleição de Israel não pode ser usada como base para fundamentar a salvação individual do crente, nem mesmo dos judeus, no sentido de Deus decretar uns para a vida eterna e outros para a eterna danação. Além do mais, por meio do livre-arbítrio que Deus deu a Israel, a nação chegou a perder algumas bênçãos prometidas porque se rebelou contra o Senhor e desobedeceu à sua ordem (Jr 6.30; 7.29). Segundo o apóstolo Paulo, isso nos serve de exemplo a fim de não repetirmos os mesmos erros do povo de Deus do Antigo Testamento (1Co 10.6,11).

2. A eleição para a salvação.
A eleição divina é o ato pelo qual Deus chama os pecadores à salvação em Cristo e os torna santos (Rm 8.26-39). Essa eleição é proclamada por meio da pregação do Evangelho (Jo 1.11; At 13.46; 1Co 1.9), pois o Altíssimo deseja que todos sejam salvos, respondendo afirmativamente ao seu chamado para a salvação (At 2.37; 1Tm 2.3,4; 2Pe 3.9). Entretanto, as Escrituras mostram claramente que quem crer será salvo, mas quem não crer será condenado (Mc 16.16).

3. A presciência divina.
Presciência é a capacidade de Deus saber todas as coisas de antemão (At 22.14; Rm 9.23) e de interferir na história humana (Ne 9.21; Sl 3.5; 9.4; Hb 1.1-3). Ele é soberano (Jó 42), provedor (Sl 104) e sabe quem responderá positivamente ao convite de salvação (Rm 8.30; Ef 1.5). Deus proveu o meio de salvação para todas as pessoas, mas nem todas atenderão ao seu convite. Em sua soberania e presciência, estamos sob os seus cuidados, mas paradoxalmente, também desfrutamos do livre-arbítrio que Ele nos deu, o que aumenta mais a responsabilidade humana de obedecer à sua vontade (Rm 11.18-24).

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Qualquer estudo sobre a eleição deve sempre começar por Jesus. E toda conclusão teológica que não fizer referência ao coração e aos ensinos do Salvador, seja tida forçosamente por suspeita. Sua natureza reflete o Deus que elege, e em Jesus não achamos nenhum particularismo. Nele, achamos o amor. Por isso, é relevante que em quatro ocasiões Paulo vincule o amor à eleição ou à predestinação: ‘Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição [gr. eklogen] é de Deus’ (1Ts 1.4). ‘Como eleitos [gr. eklektoí] de Deus, santos e amados...’. (Cl 3.12) — nesse contexto, amados por Deus. ‘Como também nos elegeu [gr. exelaxato] nele antes da fundação do mundo... e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito [gr. eudokia] de sua vontade’ (Ef 1.4,5). Embora a intenção divina não esteja ausente nesta última palavra grega (eudokia), ela inclui também um sentido de calor que não fica tão evidente em thelõ ou boulomai. A forma verbal aparece em Mateus 3.17, onde o Pai diz: ‘Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo [gr. eudokesa]’.
Finalmente, Paulo diz: ‘Mas devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos amados do Senhor, por vos ter Deus elegido [gr. heilato] desde o princípio para a salvação, em santificação do Espírito e fé da verdade’ (2Ts 2.13). O Deus que elege é o Deus que ama, e Ele ama o mundo. Tornar-se-ia válido o conceito de um Deus que arbitrariamente escolheu alguns e desconsidera os demais, deixando-os ir à perdição eterna, diante de um Deus que ama o mundo?” (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática:Uma perspectiva pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, pp.363,364).

II. ARMÍNIO E O LIVRE-ARBÍTRIO

1. Breve histórico de Jacó Armínio.
Jacó Armínio (*1560 +1609) nasceu na Holanda, foi pastor de uma igreja em Amsterdã e recebeu o título de doutor em teologia pela Universidade de Leiden. Tendo sido envolvido numa disputa calvinista, desenvolveu uma tese bíblica a partir dos primeiros Pais da Igreja, que foi denominada de Arminianismo. Sua principal característica é a defesa do livre-arbítrio humano. Por esse posicionamento, enfrentou forte oposição, perseguição e falsas acusações por parte dos teólogos calvinistas. Entretanto, esse teólogo holandês sempre apresentou uma postura tolerante e não combativa, embora convicto de suas opiniões.

2. O livre-arbítrio.
O livre-arbítrio é a possibilidade que os seres humanos têm de fazer escolhas e tomar decisões que afetam seu destino eterno, especificamente se tratando da salvação. Isso quer dizer que cabe a cada um deixar-se convencer pelo Espírito Santo para ser salvo por Jesus ou não, embora Deus dê a todos a oportunidade da salvação. No Jardim do Éden, o Criador outorgou o livre-arbítrio ao homem (Gn 2.16,17); a Israel deu também essa prerrogativa (Dt 30.19); e à humanidade o Altíssimo possibilitou escolha entre o caminho da salvação ou o da perdição (Mc 16.16).

3. O livre-arbítrio na Bíblia.
Deus nos criou à sua imagem e semelhança (Gn 1.26). Logo, por Ele ser naturalmente livre, também seus filhos possuem a faculdade de escolherem livremente. Por isso, o Criador sempre incentivou a nação a escolher o caminho da vida (Dt 30.19-20). Assim, segundo as Escrituras, se em Adão todos são predestinados para a perdição, em Cristo, todos são predestinados para a salvação: “Porque, assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em Cristo” (1Co 15.22; cf. Jo 1.12), pois “se, com a tua boca, confessares ao Senhor Jesus e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9).


Eleição divina e livre-arbítrio
“Na Bíblia temos tanto a predestinação divina como a livre-escolha humana, em relação à salvação; mas não uma predestinação em que uns são destinados à vida eterna, e outros, à perdição eterna. [...]. Por outro lado, a ênfase inconsequente à livre-vontade do homem conduz ao engano de uma salvação dependente de obras, conduta e obediência humanas”. 
Leia mais em Teologia Sistemática Pentecostal, CPAD, pp.368,69.


III. ELEIÇÃO DIVINA E LIVRE-ARBÍTRIO

1. A eleição divina.
A eleição é uma escolha soberana de Deus (Ef 1.5,9) que tem como objeto de seu amor todos os seres humanos (1Tm 2.3,4). Não é uma obra que leva em conta o mérito humano, mas que é feita exclusivamente em Cristo (Ef 1.4). Em Jesus, Deus nos elegeu com propósitos específicos: para pertencermos a Cristo (Rm 1.6; 1Co 1.9); para a santidade (Rm 1.7; 1Pe 1.15; 1Ts 4.7); para a liberdade (Gl 5.13); para a paz (1Co 7.15); para o sofrimento (Rm 8.17,18); e para a sua glória (Rm 8.30; 1Co 10.31).

2. Escolha humana e fatalismo.
A graça comum (Rm 5.18) é estendida a todos os seres humanos, abrindo-lhes a oportunidade para crerem no Evangelho, o que descarta a possibilidade de a eleição ser uma ação fatalista de Deus — Fatalismo: acontecimentos que operam independentemente da nossa vontade, e dos quais não podemos escapar. Ora, a eleição de Deus não é destinada somente a alguns indivíduos, enquanto os outros, por escolha divina, vão para o inferno. Isso vai contra a natureza amorosa e misericórdia do Criador. Por isso, indistintamente, Ele dá a oportunidade para que todos se salvem (At 17.30), pois Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34).

3. A possibilidade da escolha humana.
Há vários textos bíblicos que apontam para o fato de o ser humano ser livre para escolher: “todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16); “o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora” (Jo 6.37); “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo” (Rm 10.13). Uma das coisas mais belas da Palavra de Deus é que, embora o Altíssimo seja soberano, Ele não criou seus filhos como robôs autômatos milimetricamente controlados. O nosso Deus deseja que todo ser humano, espontânea e livremente, o ame de todo coração e mente.


Deus nos elegeu, em Jesus, para pertencermos a Ele.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Ainda de acordo com a ideia de que o relacionamento entre o divino e o humano é uma via de mão dupla, a posição compatibilista de Lewis, que aventa o que chamei de ‘coexistência pacífica entre soberania divina e livre-arbítrio’ ou ‘compatibilidade incognoscível’, é exemplificada pelo autor de As Crônicas de Nárnia, com a ideia de perdão. A necessidade de tal ato da parte de Deus, ‘move’ a divindade e, ‘Nesse sentido’, diz ele, ‘a ação divina é consequência do nosso comportamento, [e] é por ele condicionada e induzida’. Lewis então questiona retoricamente: ‘Será que isso significa que podemos ‘influenciar’ Deus?’. O anglicano acredita que é até possível responder afirmativamente caso se quiser e diz que, se isso for dessa forma, é preciso então que se flexibilize a noção de ‘impassibilidade’ divina, ‘de forma que admita isso’, aventando a hipótese de que o comportamento humano, de alguma forma, ‘influencia’ o Criador, ‘pois sabemos que Deus perdoa muito mais do que entendemos o significado de impassível’. Assim é que, a respeito dessa questão, Lewis diz que prefere ‘dizer que, antes de existirem todos os mundos, Seu ato providencial e criativo (porque são uma coisa só) leva em conta todas as situações engendradas pelos atos de suas criaturas’. Mas, questiona, ‘se Deus leva em conta nossos pecados, por que não nossas súplicas?’. Isso significa que a oração, a súplica, move a Deus. Numa palavra, ‘Deus e o homem não se excluem mutuamente, como o homem exclui ao seu semelhante no ponto de junção, por assim dizer, entre Criador e criatura; no ponto em que o mistério da criação — infinito para Deus e incessante no tempo para nós ’ ocorre de fato’. Isso significa que, ‘Deus fez (ou disse) tal coisa’ e ‘eu fiz (ou disse) tal coisa’ podem ambos ser verdadeiros’. Esta, inclusive, é a forma arminiana e pentecostal de crer. A soberania divina coexiste com o livre-arbítrio e qualquer tentativa de explicar como isso ocorre leva a equívocos e discussões desnecessárias” (CARVALHO, César Moisés. O Sermão do Monte: A justiça sob a ótica de Jesus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2017, pp.114,115).

SUBSÍDIO
Abaixo, segue um quadro comparativo entre as três principais correntes de doutrina da salvação, quanto a vários temas que demonstram as tensões e questões conflitantes entre elas:


(É lógico que há muitas variantes desses três modelos. Procuramos falar aqui das correntes clássicas, sem levar em conta o semipelagianismo e os vários calvinismos como o neopuritano, o neo-ortodoxo, o neocalvinista, o hiper-calvinismo, o fatalista. Além disso, sabe-se que "os tipos ideais possuem uma coerência, que evidentemente não é possível encontrar na realidade" (MARIZ, Cecilia Loreto. A Sociologia da Religião de Max Weber. In: TEIXEIRA, Faustino (Org.). Sociologia da religião: enfoques teóricos. Petrópolis: Vozes,2007.p.78)


CONCLUSÃO

O Evangelho é um presente oferecido a todas as pessoas, independente de méritos pessoais. Por isso o Senhor convida: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Os que aceitam a esse convite estão predestinados a “serem conforme a imagem de seu filho”, Jesus Cristo (Rm 8.29). Deus deseja que todo ser humano seja salvo!


Fonte:
Livro de Apoio - 4º Trim/17 – A Obra da Salvação - Claiton Ivan Pommerening
Lições Bíblicas Adultos 4º trimestre/17 - A Obra da Salvação — Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Comentarista: Claiton Ivan Pommerening

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A resposta cristã para a violência urbana

“A terra, porém, estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência” Gn 6.11

“Os servos de Deus devem manifestar-se contra a violência (Jr 20.8; Hc 1.2). Eles oram pela libertação dos homens violentos (Sl 140.1,4) sabendo que somente Deus poderá libertá-los (2Sm 22.3,49; Sl 72.14; 86,14). Os governantes devem eliminar a violência (Jr 22.2ss; Ez 45.9). As cidades devem se arrepender dela (Jn 3.8). Entretanto, sua presença na sociedade humana ainda cria problemas em relação à doutrina da justiça divina (Ec 5,8; Hc 1.2-4). Somente Cristo estava livre dela (Is 53.9) e ela não existirá na nova terra (Is 60.18ss). Deve-se observar que a violência na época de Noé (Gn 6.11,13) repetir-se-á nos últimos dias antes do segundo advento de Cristo (Mt 24.12,37)” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009. p.2022).

“É certo que somente os cristãos têm a cosmovisão capaz de prover soluções exequíveis para os problemas da vida comunitária. Assim, devemos estar na vanguarda, ajudando comunidades a cuidarem de seus próprios bairros. Seja mobilizando esforços para acabar com as pichações e limpar terrenos desocupados, ou ativismo político para fazer votar leis que obriguem padrões de comportamento público, deveríamos estar ajudando a restabelecer a ordem nessas áreas menores como primeiro passo em direção aos principais problemas sociais” (COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. E Agora, como Viveremos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2000, pp.434,435).

O enfrentamento da violência urbana e a compaixão pelas vítimas são faces da responsabilidade cristã na sociedade.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Nesta lição, utilize o esquema abaixo para ensinar a importância do Decálogo para o estabelecimento da ordem social. Dos Dez Mandamentos, os quatro primeiros referem-se ao relacionamento entre Deus e o homem, e os outros seis, do homem com o próximo. O intuito dos mandamentos era organizar a vida em comunidade, para proteger os israelitas contra o arbítrio e a ofensa alheia.


TEXTO BÍBLICO - Lucas 10.30-37

INTRODUÇÃO

Na lição deste domingo, violência urbana é o tema a ser estudado. No sentido aqui compreendido, o termo violência urbana alude a toda conduta humana que ofenda a lei e a ordem pública.

I. PERSPECTIVA BÍBLICA SOBRE A VIOLÊNCIA

1. A violência na Bíblia.
O primeiro episódio violento registrado nas Escrituras após a rebelião humana foi protagonizado por Caim. Este entrou para os anais da história como o homem que inaugurou a violência na face da terra, ao assassinar friamente seu irmão Abel (Gn 4.1-16). Depois deste fatídico evento, e com a crescente degeneração humana, não pararia mais a escalada da violência social, a ponto de homens sanguinários se vangloriarem de seus feitos cruéis (Gn 4.23) e assassinos serem cultuados como verdadeiro heróis (Gn 6.4).

2. A geração do dilúvio.
Violência e depravação vieram a atingir níveis alarmantes nos tempos de Noé (Gn 6.5). De acordo com Gênesis 6.11, a terra estava corrompida diante da face de Deus; e encheu-se a terra de violência. O Guia do Leitor da Bíblia explica que maldade e violência são as duas palavras usadas para caracterizar os pecados que causaram o dilúvio do Gênesis: “Maldade é rasah, atos criminosos que violam os direitos dos outros e tiram proveito do sofrimento deles. Violência é hamas, atos deliberadamente destrutivos que visam prejudicar outras pessoas”. Eis aí as características da violência urbana.

3. Violência ao longo da Bíblia.
As Escrituras relatam muitos outros episódios de violência, crueldade e agressão, física e emocional, a fim de evidenciar a condição pecaminosa do homem (Êx 2.11,12; 2Sm 13; 1Rs 21). Ao lermos tais passagens, devemos ter em mente que se trata de relatos descritivos, e não prescritivos. Ou seja, descrevem fatos, mas não prescrevem condutas!

Pense!
Por amor à humanidade, Jesus submeteu-se à maior de todas as violências: a morte.

Ponto Importante
A Bíblia faz questão de registrar a violência humana. Afinal, não é objetivo de Deus esconder a verdade ou falsear a história da humanidade.

II. O PODER PÚBLICO E A VIOLÊNCIA URBANA

1. “Nínives” da atualidade.
O Brasil é um dos países com maior índice de criminalidade do mundo, com elevada taxa de homicídios, roubos, sequestros e outros atos criminosos. Algumas cidades se assemelham a Nínive: há derramamento de sangue, são repletas de roubo e nunca ficam sem presas (Na 3.1). Nesse quadro avassalador, a população vive em estado de pânico, insegura e traumatizada com a delinquência dominante. Oremos pelo nosso país!

2. O Estado e a sua função de punir o mal.
Conforme estudamos na lição anterior, Deus delegou ao governo civil a autoridade para castigar os malfeitores (1Pe 2.14). Paulo diz que os magistrados são ministros de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal (Rm 13.4). Fica claro, à luz do texto bíblico, que somente o Estado, sob a autoridade divina, pode punir os malvados, o que contraria qualquer ideia de revanchismo, vingança privada e o “justiçamento” feito com as próprias mãos.

3. O papel do Poder Público.
É responsabilidade do poder público a promoção da segurança e o combate a todo tipo de criminalidade, mediante a atuação conjunta e eficiente dos três poderes governamentais. Espera-se do Legislativo a criação de leis e normas que coíbam todo e qualquer ato de violência a fim de garantir a ordem e a paz social. O poder Executivo, além de criar políticas públicas que busquem garantir a segurança da população, deve manter um corpo policial preparado, próximo da comunidade, que saiba atuar de forma preventiva e repressiva. Enquanto isso, o Judiciário tem o importante papel de julgar de maneira célere e punir com justiça os homens violentos e sanguinários, evitando, com isso, a impunidade.

Pense!
“Não vos vingueis a vós mesmos [...]” (Rm 12.19)

Ponto Importante
É responsabilidade do poder público a promoção da segurança e o combate a todo tipo de criminalidade.

III. A IGREJA EM UMA SOCIEDADE VIOLENTA

1. Utilizando as ferramentas de Deus.
Os filhos de Deus têm condições suficientes de contribuir com o enfrentamento da violência urbana, valendo-se das ferramentas que Deus nos disponibilizou em sua Palavra. Vejamos como fazer isso:

a) Fornecendo uma lei moral absoluta: Para criarmos uma boa sociedade do ponto de vista cristão, é necessário, em primeiro lugar, um firme sentimento do que é certo e errado e uma determinação para colocar adequadamente em ordem a vida de alguém. A violência urbana da presente época deve-se em grande parte à desconstrução dos valores judaico-cristãos que serviram de base para a história da humanidade. O cristianismo rejeita o relativismo pós-moderno e fornece ao homem uma lei moral absoluta que permite julgar entre o certo e o errado.

b) Envolvendo-se com a comunidade local: Na fé cristã, palavras e ações devem caminhar juntas. Logo, o agir cristão impactante no contexto das cidades inicia-se com o envolvimento da igreja com a comunidade, famílias e escolas locais. A congregação de crentes não pode viver alienada do cotidiano e dos problemas que afetam o bairro onde está instalada.

c) Desenvolvendo projetos contra a violência: Você já pensou como os grupos de jovens crentes podem ajudar a desenvolver projetos contra a violência urbana? Colocando em prática a força espiritual a que João alude (1Jo 2.14), é possível promover ações sociais que incentivem o comportamento virtuoso e confrontem os vícios sociais que conduzem à destruição e à delinquência juvenil.

d) Apoiando as vítimas da violência: Por fim, e não menos importante, é a ajuda às vítimas da violência. No exemplo de Jesus (Lc 10.37), a atuação do Bom Samaritano não se resumiu às palavras de apoio ao homem que fora espancado a caminho de Jericó. A Bíblia diz que ele “atou-lhe as feridas, deitando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre o seu animal, levou-o para uma estalagem, e cuidou dele” (v.34). Há muitos feridos e moribundos ainda hoje. Cuidar dessas pessoas revela a nobreza do amor de Deus derramado em nossos corações.

Pense!
Além de pôr em prática a dimensão do cuidado, o Bom Samaritano garantiu financeiramente a continuidade do tratamento da vítima.

Ponto Importante
Na fé cristã, palavras e ações devem caminhar juntas.

CONCLUSÃO

Ao final desta lição, a parábola do Bom Samaritano ainda continua a nos ensinar muito a respeito do enfrentamento cristão à violência urbana de hoje. Deus nos chama a desempenhar esse mesmo ministério da compaixão e da misericórdia nesta sociedade fraturada pela violência física, emocional e patrimonial.

SUBSÍDIO
“Todas as vezes que os líderes das grandes potências, ignorando a soberania de Deus, proclamam uma política de globalização, o mundo é mergulhado numa guerra. Haja vista a euforia do primeiro-ministro inglês Neville de Chamberlain às vésperas da Segunda Guerra Mundial. Terminado o conflito, constataram os estadistas que o mundo estava mais dividido do que nunca.
Assim acontece a esta geração de estadistas. Apesar de sua retórica, o mundo nunca teve tão dividido em aldeias e tribos. O ser humano continua o mesmo: bairrista, selvagem, violento. Se o romano Petrônio estivesse aqui, vendo as cenas que neste momento comovem o mundo, repetiria mais enfaticamente sua sentença: ‘O homem é o lobo do homem’.
A globalização jamais melhorará o homem, nem o arrancará de suas estreitas fronteiras de violência e terror. Somente o Senhor Jesus Cristo poderá transformar radicalmente o ser humano numa nova criatura (Jo 3.3).
O que estamos fazendo enquanto o mundo arde em nosso redor? Não nos enganemos! [...] Que ninguém pense que seremos poupados de semelhantes provações por sermos o país do futebol e do carnaval. Deus exige que sejamos conhecidos também como a pátria do Evangelho e da responsabilidade moral” (ANDRADE, Claudionor Corrêa de. Quando os Símbolos e Mitos Caem:Ícones de riqueza, globalização e segurança desabam em Nova Iorque. Mensageiro da Paz, CPAD: RJ. Setembro/2001, p.11).


Fonte: Lições Bíblicas CPAD - Jovens - 4º Trimestre de 2017
Título: Seguidores de Cristo — Testemunhando numa Sociedade em ruínas - Comentarista: Valmir Nascimento

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

Arqueologia - Descoberta ruínas da "fortaleza de Salomão"

"E a Baalate, e a Tadmor, no deserto daquela terra, e a todas as cidades de provisões que Salomão tinha, e as cidades dos carros, e as cidades dos cavaleiros, e tudo o que Salomão quis edificar em Jerusalém, e no Líbano, e em toda a terra do seu domínio." 1 Reis 9:18,19

Descobertas ruínas da “fortaleza de Salomão”, mencionada na Bíblia

Os arqueólogos acreditam ter encontrado os portões da fortaleza do deserto do rei Salomão. (Captura de tela)

Arqueólogos afirmam que achado corresponde ao local descrito em 1 Reis

Um grupo de arqueólogos cristãos descobriu os portões de uma das fortalezas do rei Salomão, durante escavações no Parque Tamar, sul de Israel. Paul Lagno, que faz parte da equipe, diz que indícios no local confirmam o relato bíblico.

“A Bíblia diz que Salomão construiu uma fortaleza no deserto. Os arqueólogos têm certeza de que encontraram todas as características dos portões de uma delas. O local tem todas características de uma cidade fortificada. Eles acreditam que esta foi construída por Salomão”, assegurou Lagno ao site Breaking Israel News.

Ele lembra que o texto de 1 Reis 9:18, fala sobre Salomão edificar um local no deserto chamado Tamar. “Além disso, os altares pagãos destruídos pelo rei Josias, conforme descrito em 1 Reis 13:3 também foram encontrados, exatamente fora dos portões”.

"E deu, naquele mesmo dia, um sinal, dizendo: Este é o sinal de que o Senhor falou: Eis que o altar se fenderá, e a cinza, que nele está, se derramará." 1 Reis 13.3

A doutora Tali Erickson-Gini, arqueóloga da Autoridade de Antiguidades de Israel, que participou da descoberta, acredita que essa escavação descobriu as primeiras fortificações no sítio arqueológico do Parque Tamar, provavelmente erguidas no período do Primeiro Templo. Ela, juntamente com o Dr. James Tabor e o Dr. Yoram Haimi, lideraram a equipe durante cinco dias.

Na verdade, esses portões foram parcialmente descobertos em 1995, pelo Dr. Rudolph Cohen e o Dr. Yigal Israel. Mas eles não tinham fundos para terminar as escavações, por isso encheram o local com areia para ‘proteger’ sua descoberta que pretendiam retomar no futuro. Com esse novo trabalho, a equipe de arqueólogos atingiu a base dos portões, na chamada de “linha de deposição”.

Uma vista aérea das escavações em Tamar. (Autoridade de Antiguidades de Israel)



“Estamos trabalhando em partes muito antigas do local, que inclui um portão de quatro câmaras”, enfatiza Erickson-Gini.

O Parque Bíblico de Tamar é um dos mais antigos sítios arqueológicos no sul de Israel e o único na região capaz de mostrar toda a história arqueológica do período abraamico (2000-1300 a.C.) até hoje. Localizado ao longo da Rota das Especiarias, a área teve uma enorme importância para o comércio mundial. Trata-se de uma notável parte da herança judaica da terra de Israel.

A organização cristã Blossoming Rose é responsável pela administração do Parque bíblico de Tamar, fundado pelo Dr. DeWayne Coxon em 1983. Paul Lagno trabalha com a organização desde 2010, com foco na exposição do Pavilhão do Tabernáculo.

Seguindo o que acredita ser o mandamento bíblico de abençoar Israel, a Blossoming Rose investiu milhões de dólares na manutenção do sítio arqueológico desde sua fundação, proporcionando manutenção e segurança. Também ajuda a levar voluntários de todo o mundo para o local, que plantaram milhares de árvores atrás do parque.

Foram os arqueólogos ligados ao governo de Israel que o batizaram de Tamar, por causa das várias passagens bíblicas que se referem à antiga cidade que estava ali. A esperança da Blossoming Rose é que ele seja reconhecido oficialmente como um parque nacional. Isso ajudaria na sua manutenção e atrairia um número grande de turistas de todo o mundo.

Segundo Lagno, as novas descobertas ajudam a lançar luz sobre o Antigo Testamento, que é a base da religião judaica, bem como o fundamento de crenças cristãs.

Os voluntários cavam no local da escavação. (Captura de tela)

Fonte: Gospelmais_noticias

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terça-feira, 14 de novembro de 2017

A Parábola da Dracma perdida

"Ou, qual é a mulher que, possuindo dez dracmas e, perdendo uma delas, não acende uma candeia, varre a casa e procura atentamente, até encontrá-la?E quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: Alegrem-se comigo, pois encontrei minha moeda perdida. Eu digo que, da mesma forma, há alegria na presença dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende" Lucas 15:8


Lucas 15 é uma sucessão de parábolas sobre a graça de Deus resgatando o homem do pecado. São três parábolas:1- A ovelha perdida resgatada pelo pastor,2- a dracma perdida resgatada pela mulher e 3-o filho pródigo resgatado do mundo pelo amor do pai. Jesus é o bom pastor da parábola 1,  O Espírito Santo de Deus é a candeia iluminada da parábola 2 e Deus é o Pai amoroso da parábola 3, essa é uma forma de interpretar e compreender o trabalho da Trindade na salvação do homem.

Neste artigo falaremos especificamente sobre a Parábola 2 (dracma perdida), uma vez que outros estudos já foram publicados sobre as demais parábolas.De inicio, selecionemos alguns aspectos que merecem nossa atenção:

1-O que era dracma, que valor tinha para aquela sociedade?
2-Por que a mulher da parábola ficou incomodada com a dracma que se perdeu se ela tinha outras nove?
3- A dracma se perdeu dentro de casa e não do lado de fora, em outro ambiente
4-Era noite quando a mulher percebeu que havia perdido a dracma, senão: por que acender uma candeia para procurá-la?
5- Por que ela não esperou o dia amanhecer para procurar?
6- A candeia no contexto Bíblico
7- A dracma se perdeu em segredo, mas foi encontrada com festa e publicação na vizinhança.

Contextualizando:
Dracma era uma moeda de prata utilizada para comércio e também para enfeitar colares para noivas. O colar com 10 dracmas tinha o significado de uma aliança, o noivo presenteava sua noiva com o colar selando  um compromisso de casamento. Assim, a noiva deveria cuidar bem do colar em demonstração de confiança e fidelidade. Perder dracmas do colar implicava em maus julgamentos por parte do noivo e até rompimento da relação. O conhecimento do costume nos dá uma ideia mais nítida do porque de ter sido uma mulher e não um homem que busca diligentemente o dracma. A dracma referia  valores inestimáveis, superiores ao valor material. Para este caso, as nove dracmas reunidas não tinham valor algum distanciadas da dracma perdida. Em compensação, a dracma perdida era de muito valor, pois encontrá-la era como reaver a aliança de noivado, assegurar o compromisso com o noivo.

A dracma se perdeu à noite, dentro de casa. Esta casa pode ser chamada de Igreja,  noiva de Cristo:

  • Regozijemo-nos, e alegremo-nos, e demos-lhe glória; porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou. – Apocalipse 19:7

A casa também é o Reino de Deus que se fundamenta na obra expiatória de Cristo e no trabalhar do Espírito Santo:

  • Eu, João, vi a santa cidade, a nova Jerusalém, que de Deus descia do céu, adereçada como uma esposa ataviada para o seu marido. – Apocalipse 21:2 

É Este Espírito que conduz o pecador ao arrependimento. A ausência do Espírito Santo é como uma casa em trevas, uma candeia sem luz. O colar de 10 dracmas no pescoço da noiva era como um adereço, atavio necessário para manutenção da comunhão com o noivo.

Jesus foi quem introduziu o significado de candeia na Bíblia, por diversas vezes ele cita este instrumento fazendo referência a uma vida dirigida, guiada e pertencente ao Reino de Deus, vejamos:

  • "Estejam cingidos os vossos lombos  e conservem acesas as suas candeias"- Lucas 12:35

  • "Vós sois a luz do mundo; não se pode esconder uma cidade edificada sobre um monte;Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire, mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa. Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus."Mateus 5:14-16

  • " Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas candeias, saíram ao encontro do esposo". Mateus 25:1.

O que se perdeu: 
Convêm perguntarmos: por que a dracma se perdeu, qual o motivo? E por que ela foi buscada dentro de casa e não fora?

A parábola é bem curta e necessita  ser examinada de forma expositiva, em relação a outros trechos da escritura. A dracma perdida é como uma pessoa perdida no pecado, distante da comunhão com Deus e com os irmãos em Cristo. Esse pecador perdido, em trevas, como em uma casa escura, será salvo, resgatado da escuridão pela ação do Espírito Santo (candeia acesa) na igreja. 

A primeira atitude da mulher é acender uma candeia. Ela não vai dormir e esperar amanhecer, clarear, para encontrar o que se perdeu. Significa que nenhuma obra no Reino de Deus pode ser feita de modo terreno apenas (sem candeia). A diligência da mulher na procura é um processo de transformação, de rever atitudes, conceitos que impedem o relacionar-se com Deus. A mulher buscando a dracma perdida é uma lição de cooperação da Igreja de como o amor por Deus e a observância aos princípios Bíblicos pode influenciar o mundo (casa escura).

Interessante é perceber que a dracma perdida expõe a relação direta entre o Reino de Deus e o reino dos homens. Uma dracma, um pecador perdido, carrega consigo outros tantos. Eis o inestimável valor de uma vida! A organização da dracma perdida retornando para o colar, para seu lugar, é como uma alma lavada e remida pelo sangue de Jesus que através do testemunho de vida reúne mais pessoas ao Reino de Deus.

A mulher varreu a casa. imagino que varreu de uma forma que nunca tinha varrido: levantando tapetes, afastando móveis do lugar, aproximando a candeia, abaixando-se. Ela examinou cada canto e limpou toda sujeira de maneira segura.

A obra do Espírito Santo na vida do pecador, expõe todo o pecado como a luz expõe a sujeira: 
  • "Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus."João 3:20,21

A conversão das trevas para luz, do pecado para a salvação é um caminho de renúncias, de purificação. É como esse "varrer" da casa, a sujeira incomoda e existe todo um esforço para reaver a comunhão com Deus, para estar em Sua presença. Uma vez transformado, o pecador arrependido é como esta dracma encontrada cujas novas e diferentes obras alegram o coração de Deus.

Pequenas coisas:
Aquela dracma parecia sem valor...E assim são tantas vidas que aos olhos dos homens parecem insignificantes, mas aos olhos de Deus são incalculáveis. Assim também são pecados que parecem pequenos, imperceptíveis, mas, contudo, atrapalham o relacionamento com Deus. Será preciso acender a candeia, encher a vida com o Espírito Santo de Deus de modo que não haja espaço para nenhum mal, nenhuma treva.

A dracma e a família: 
Poderíamos ainda relacionar a diligente mulher da parábola com uma mãe de família que tem nove filhos e um entre todos se perde: em delitos, drogas, prostituição, mendicância e etc. Esta mulher busca a Deus intensamente de modo que em seu lar a presença de Deus vai transformando a família, removendo as imperfeições e estreitando relacionamentos. O filho é resgatado pela diligência da mãe cheia do Espírito Santo: oração, amor, paciência, testemunho.


Concluindo... 


A parábola deixa claro o amor de Deus pelo pecador e a obra do Espírito Santo na conversão . Somente sob dependência de Deus é possível compreender o valor de uma vida perdida. A relação das nove dracmas com a que se perdeu é uma formidável lição de cooperação entre Reino de Deus e reino dos homens. Que maravilha saber que existe um Deus vivo e eficaz empenhado na felicidade humana, um Deus que enxerga os lugares inacessíveis da mente e do espírito humano. Um Deus que põe luz nas trevas não para condenar, mas para salvar e por causa do Seu grande e incomparável amor é que o pecador se constrange a arrepender-se. É o amor do Cristo vivo e ressuscitado que salva, que busca diligentemente e diariamente o homem: excluído (fora do colar), distante ( sem comunhão,escondido).

Que Deus o abençoe.


por Wilma Rejane

Texto extraído do 'excelente' Blog A Tenda na Rocha
Aqui eu Aprendi!

sábado, 11 de novembro de 2017

A Salvação pela Graça

Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida” Rm 5.18

A Salvação pela Graça

Uma acusação comum aos pentecostais é que não conhecemos a graça de Deus. Acusa-nos de legalistas porque em pleno século XXI preservamos costumes — como os que de quaisquer igrejas evangélicas também são conservados, embora diferente dos nossos — em detrimento da graça de Deus, dizem eles. Nesse assunto, os pentecostais também concordam com a teologia arminiana, em que o fundamento essencial na dinâmica da salvação é o da graça proveniente e que toda salvação é fruto inteiramente da graça de Deus. Retomando mais uma vez o auxílio do teólogo arminiano Roger Olson, passamos a conceituar graça preveniente.

A graça proveniente é uma doutrina elevada da graça

Com graça proveniente se quer dizer o chamado de Deus no sentido de ser dEle a iniciativa do começo de relação com uma pessoa que é livre para responder a esse chamado com arrependimento e fé. Esse processo proveniente da graça, segundo Roger Olson, inclui ao menos quatro aspectos: chamada, convicção, iluminação e capacitação. Por isso, alinhado à visão arminiana, o pentecostal não tem dificuldade de pregar a graça de Deus e, ao mesmo tempo, reconhecer que a chamada para a salvação pode ser rejeitada pela pessoa. É muito claro para o pentecostal que nenhuma pessoa pode arrepender-se, crer e ser salva sem o auxílio sobrenatural do Espírito Santo. Este age do início ao fim do processo salvífico. Entretanto, é preciso que a pessoa não resista ao Espírito, como fizeram os fariseu são resistirem arduamente à mensagem de Jesus Cristo (Mt 12.22-32), mas coopere com o Espírito reconhecendo a própria condição de pecador e crendo no único Salvador.

O que pensava Armínio acerca da graça de Deus na salvação?

Segundo Roger Olson, a teologia de Armínio sempre foi compromissada com a graça de Deus e o teólogo holandês jamais atribuiu qualquer eficácia salvífica à bondade ou à força de vontade do ser humano. Isso é importante destacar, pois é um equívoco pensar que quem afirma que o ser humano pode resistir a graça de Deus está dizendo que o que define a salvação é a vontade humana. Nada mais injusto!
Não havia dúvida para Armínio que a salvação era de graça, provinha de Deus, era um presente incomensurável do Altíssimo para o homem. Entretanto, o problema para Armínio, e o mesmo para os pentecostais, era que “de acordo com as escrituras, que muitas pessoas resistem ao Espírito Santo e rejeitam a graça que é oferecida”. Revista Ensinador cristão nº72

A nossa salvação é fruto único e exclusivo da graça de Deus.

Texto Bíblico - Romanos 5.6-10,15,17,18,20; 11.6

Prezado(a) professor(a), na lição deste domingo estudaremos a respeito da maravilhosa graça de Jesus. A nossa salvação é resultado desta graça, ou seja, do favor imerecido de Deus à humanidade pecadora. Ninguém pode receber a salvação por méritos próprios ou pela observância da Lei, pois o seu propósito, segundo o apóstolo Paulo, era somente apontar o pecado a fim de nos conduzir a Cristo (Gl 3.24).
Embora a lição não trate a respeito do legalismo, acreditamos ser importante ressaltar que ele é antagônico, adverso à graça. Por isso, no decorrer da lição enfatize que o homem é salvo unicamente pela fé em Cristo Jesus, pela graça, e não pelas obras da Lei ou pelo seu esforço em tentar agradar a Deus.

INTRODUÇÃO

A Lei no Antigo Testamento tem a função de instruir e ensinar ao povo o que Deus estabeleceu aos israelitas a fim de eles terem um convívio próspero, pacífico e harmonioso na terra de Canaã. Os mandamentos contêm preceitos indispensáveis de moral, de ética e de vida religiosa, sem os quais o povo viveria num caos. Entretanto, na impossibilidade de os seres humanos cumprirem plenamente a Lei para tornarem-se justos, Deus nos outorgou a sua maravilhosa graça.

A SALVAÇÃO PELA GRAÇA

Maravilhosa graça que perdido me encontrou Estando cego pude ver, Cristo me resgatou Quando sua graça me tocou, do medo me livrou Quão preciosa é pra mim a graça do Senhor.90

Graça é uma atitude benevolente e incondicional em prol de outro e é também a manifestação da essência de Deus assim como Ele é. Quando Ele libera graça, não está ofertando algo que é seu, mas, sim, auto-ofertando-se, pois amor incondicional é o que o constitui em sua essência.

A graça de Deus é estendida a todas as dimensões da vida e não somente na salvação. É o que alguns teólogos chamam de graça comum. Ela é vista no domínio físico quando diz que Deus faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos (ver Mt 5.44-45) e nas belezas da criação com suas múltiplas cores, nuances, beleza e mistério; é também vista na capacidade intelectual de desenvolver o conhecimento, a ciência, a tecnologia, as artes e em tudo que a humanidade cria; na capacidade moral e na demonstração de bondade, mesmo em pessoas más; na capacidade que a sociedade tem de, apesar de muita maldade, conseguir organizar-se e viver em harmonia; na organização das religiões, que, mesmo sendo pagãs, revelam traços do mistério divino e da transcendência de Deus; e ainda na capacidade da gratuidade humana em ajudar e cuidar do próximo.

Mas há também a graça preveniente, que é aquela que opera para a salvação, onde o Espírito Santo convence, chama e ilumina o indivíduo a crer, o que precede a conversão e possibilita o arrependimento e a fé. Para os calvinistas, ela é irresistível e eficaz, ou seja, a pessoa beneficiada por essa graça vai obrigatoriamente crer e arrepender-se para a salvação, mas não há liberdade de escolha. Para os arminianos, ela é resistível, ou seja, a resposta a essa graça depende da vontade da pessoa (At 7.51). Sem a graça preveniente, porém, as pessoas poderão resistir à vontade de Deus por causa da escravidão do pecado. Portanto, graça preveniente é aquela que precede a salvação e prepara o indivíduo para recebê-la. O Espírito Santo exerce essa graça preparatória no homem enfraquecido pelo pecado e também impossibilitado de crer em Deus. A Teologia afirma ainda que a graça é eficaz (o que Deus propõe e cumpre não falha) e suficiente (ela pode salvar perfeitamente os que se aproximam de Deus por meio de Cristo).

No Antigo Testamento, a palavra usada para graça é hen, que significa favor, inclinação; ou ainda rason, favor. Essa palavra, entretanto, aparece poucas vezes no AT; mas, em vários contextos históricos, está claramente revelado que houve manifestação da graça de Deus. Como exemplo, cito o caso de Davi; quando ele pecou com Bate-Seba, a consequência foi a morte do seu primeiro filho; entretanto, o segundo, Salomão, tornou-se rei de Israel e sobrepujou Davi em sabedoria e riqueza.

No Novo Testamento, a palavra grega empregada é charis e normalmente significa dádiva, dom gratuito, graça,91 agradável, atraente.92 Jesus não utiliza a palavra graça nos seus ensinos; mesmo assim, seus atos estão saturados desse conceito em muitos momentos em que se manifesta a graça de Deus para com os pecadores, os fracos, os pobres e os perdidos.93 Suas palavras são cheias de ensino em que há perdão de dívidas incalculáveis, galardão precioso e propostas de vida nova apesar das tragédias causadas pelo pecado. Assim, pode-se afirmar que:

Graça é a maneira pela qual Deus se dispõe a receber, de braços abertos, o pecador, não obstante sua santidade absoluta e o estado miserável em que se encontra aquele que dele se desviou. É uma bênção ou um favor verdadeiramente imerecido e indevido, que Deus concede em sua soberania [...]. Deus não tem nenhuma obrigação de perdoar. Ninguém tem o direito de cobrar tal coisa de Deus. Ele, no entanto, perdoa por causa da graça. A iniciativa é sempre de Deus.94

Para Paulo,95 que abandonou uma religiosidade legalista e hipócrita que consistia da conquista do favor de Deus por mérito pessoal para, então, abraçar o cristianismo, a graça é entendida como essencial à salvação, pois, através da morte de Cristo, o pecador alcança favor incondicional de Deus, não necessitando de absolutamente nenhum esforço humano para alcançá-la; basta ter fé para a salvação. “Mas, se é por graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça” (Rm 11.6). Entretanto, essa mesma graça que salva não permite o ser humano ficar sob o domínio do pecado, pois aqueles que são alcançados por ela passam a experimentar o processo de santificação.

LEI E GRAÇA

A Palavra de Deus é composta pelo Antigo e Novo Testamentos, cujos conteúdos são compostos pela Lei e pelo evangelho, sendo que o Antigo Testamento não contém somente a Lei e vice-versa. O conteúdo da Lei e do Evangelho perpassa todo o conteúdo bíblico; há, no entanto, uma maior ênfase de conteúdos em cada um dos Testamentos respectivamente. A Lei serve como um condutor para o encontro com Cristo e sua graça (Gl 3.24).

A Lei convence-nos, por sua impossibilidade de ser cumprida, de que não podemos alcançar a salvação sem a mediação de Cristo. Desse modo, a Lei tem sentido depreciativo para mostrar o estado daqueles que se justificam sob a Lei, quando se torna nossa própria justiça como mérito humano que impossibilita obter a salvação, somente alcançável pelo Evangelho da graça. A graça é superior à Lei. Paulo contrasta a superioridade do Espírito em relação à Lei (Gl 5.18) e afirma que morremos para a Lei (Rm 7.4; Gl 2.19). O escritor aos Hebreus salienta que a Lei tornou-se antiquada e imperfeita (Hb 8.6-7, 13), e João afirma que Cristo trouxe a graça e a verdade (Jo 1.17). “Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei” (Rm 7.7). A Lei somente existe porque foi outorgada por causa do pecado e para apontar o pecado; por isso, a graça de Deus é superior à Lei, pois a graça de Deus é anterior ao pecado e à Lei.

Pecado não é aquilo que necessariamente fere a Deus e nem aquilo que o destrona ou o diminui, mas, sim, tudo o que prejudica o ser humano de alguma forma; quando Deus define o que é pecado, Ele não define pensando nEle, mas, sim, no pecador. Logo, o papel da Lei é mostrar de antemão tudo aquilo que prejudica para que, assim, possamos defender-nos e evitar ser feridos. No entanto, não há como se defender de tudo o que faz mal, pois a natureza pecaminosa reside em nós. É nesse momento que a graça de Deus entra em ação. A Lei foi sinalizada no coração das pessoas pela própria natureza, e ela existe especialmente como consequência do pecado para delimitar a ética e a moral humana. Embora sinalizada no coração (Rm 2.14-15), ela precisou ser mais bem esclarecida por Deus utilizando-se de Moisés para descrevê-la de modo sistemático e ampliado. Já o evangelho é uma revelação nova do amor de Deus (Gl 1.12), tanto é que produz escândalo (1 Co 1.23) e já era presente no Antigo Testamento, porém inteiramente revelado no Novo Testamento e especificamente na pessoa de Cristo, sendo a graça de Deus um elemento principal do evangelho. Lei e evangelho são complementares, embora com funções diferentes. Ambos podem virar legalismo quando servem para quantificar a obediência e a desobediência no ambiente religioso.

O papel da Lei tinha um propósito material de preservar o homem do pecado e um propósito espiritual de mostrar quão terrível é o pecado (“Pela lei vem o conhecimento do pecado” (Rm 3.20)), e quão grande é a necessidade da graça para obter a salvação, pois é impossível cumprir a Lei (Rm 7.19; Tg 2.10), que é entendida como a vontade de Deus presente em todo o Antigo Testamento. Dessa forma, estamos sob a Lei Moral de Deus, no sentido de que ela continua representando nossos deveres e obrigações para com o Senhor e para com o nosso semelhante e, no sentido de que ela, resumida nos Dez Mandamentos, representa o caminho traçado por Deus no processo de santificação efetivado pelo Espírito Santo (Jo 14.15). Nesse aspecto, o papel do Espírito Santo é ajudar a cumprir a Lei. A própria Lei Moral de Deus é uma expressão de sua graça, representando a revelação clara de sua vontade santa, justa e boa (Rm 7.12). A Lei coloca a todos sob a maldição do pecado. É ela quem avilta e mostra a crueldade do pecado e as consequências da desobediência. A Lei é boa (Rm 7.16; 1 Tm 1.8) porque quer evitar a ruína humana apontando-lhe o caminho certo a seguir, mas é impossível cumpri-la. Deus utiliza-se de sua misericórdia para tolerar o pecado e ofereceu o seu Filho manifestando a sua graça para perdoar e permitir que a humanidade possa, através de Cristo e por seus méritos, satisfazer as exigências da Lei, impossíveis de serem cumpridas.

A Lei oferece a salvação (seu cumprimento), e essa é a parte boa da Lei, mas também a condenação (a incapacidade de cumpri-la), e essa é a perdição que a Lei traz ao homem. A violação da Lei, tanto por transgressão quanto por não conseguir cumpri-la, traz inevitáveis consequências punitivas, tendo como fim a morte (Rm 6.23).96

Desobedecer à Lei traz implicações sérias ao ser humano, não necessariamente por ela possuir algum valor ou dignidade inerente, mas porque desobedecê-la implica em atacar a própria natureza de Deus. Por esse motivo, o legalismo é uma afronta a Deus, pois a Lei deve ser entendida como um meio para relacionar-se pessoalmente com Deus, e não uma norma fria superior a Ele mesmo. Não apenas a obediência cega à Lei é legalismo, mas também toda regra humana, ou usos e costumes, que se estabelecem como superiores ao evangelho da graça e obscurecem-na (Gl 1.3ss).

A Lei, vocábulo procedente da palavra grega nomos, é a imposição de regras e normas para o convívio pacífico e justo entre as pessoas; ela ainda cumpre um propósito divino de expressar a bondade de Deus com vista à satisfação humana através de uma ética comum. Dessa forma, a desobediência à Lei implica em desobedecer ao próprio Deus porque a Lei é uma transcrição da essência moral de Deus. Esse é o motivo das consequências drásticas ao ser humano que desobedece à Lei.

A Lei tem a função teológica de revelar-nos como pecadores, acusando-nos diante de Deus e colocando-nos em ira, juízo e condenação; tem também a função pedagógica de conduzir-nos a Cristo para sermos justificados pela fé. Revelando a desgraça do pecado, somos conduzidos à extrema necessidade do perdão e da graça divina, representando uma ponte que nos conduz a Cristo.97

Como Deus é amor e para não prejudicar a raça humana com a impossibilidade de cumprir a Lei, Ele, desde sempre, teve suas ações regidas por sua bondosa gratuidade, o que chamamos de graça, que Paulo denomina de “o escândalo do evangelho”. Assim, morremos para a Lei com Cristo, embora ela não tenha sido anulada, pois Jesus é tudo em todos (Cl 3.11), inclusive a Lei, pois a cumpriu. Dessa forma, não é mais a Lei de Moisés que tem valor final, mas é o “vocês ouviram o que foi dito [...] mas eu lhes digo [...]” (Mt 5.22,28,32,34,39,44 – NTLH) de Jesus proferido no Sermão do Monte, ou seja, a Lei do amor e da ética do evangelho suplanta a Lei de Moisés. O próprio Jesus afirmou que “A Lei e os Profetas duraram até João; desde então, é anunciado o Reino de Deus” (Lc 16.16a) Por isso, Paulo escreveu: “Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído” (Gl 5.4).

O Deus apresentado pelo Antigo Testamento é fruto de uma revelação progressiva dEle ao homem, e, em muitos casos, Ele é mostrado como sendo um Deus que exige méritos para abençoar, pois boa parte da Teologia do Antigo Testamento é meritória. Por isso, o Novo Testamento aponta para o fato de que o Antigo Testamento foi suplantado pelo Novo, embora não tenha sido abolido nem rejeitado, sendo o evangelho a solução definitiva para a redenção da humanidade. Paulo afirmou que “o fim da lei é Cristo para justiça de todo aquele que crê” (Rm 10.4). Ela “nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que, pela fé, fôssemos justificados. Mas, depois que a fé veio, já não estamos debaixo de aio” (Gl 3.24-25).

Para compreender melhor a importância e a relevância do evangelho da graça, precisamos atentar para o que o autor aos Hebreus escreveu: “Mas agora alcançou ele ministério tanto mais excelente, quanto é mediador de um melhor concerto, que está confirmado em melhores promessas. Porque, se aquele primeiro fora irrepreensível, nunca se teria buscado lugar para o segundo. [...] Dizendo novo concerto, envelheceu o primeiro. Ora, o que foi tornado velho e se envelhece perto está de acabar” (Hb 8.6-7,13).

O FAVOR IMERECIDO

Um importante aspecto do significado de graça em sentido original no grego (charis) é sua relação com a beleza tanto de gestos e palavras98 quanto àquilo que dá prazer e provoca júbilo por causa de sua graciosidade presente na beleza das pessoas e de suas ações. “Graça e beleza são conceitos afins; graça e feiura são termos mutuamente excludentes.”99

Na cruz, Jesus foi a manifestação da graça. A cruz foi seu símbolo (1 Co 1.18). O símbolo é a figura com que se representa um conceito; logo, “a graça (entenda-se como graça o ato salvífico, expiatório) seria o conceito, e a cruz, seu símbolo. Isso estabeleceria que graça e cruz são dois elementos distintos, porque uma, a cruz, só representa a outra, a graça; uma é material, a outra abstrata.”100

A graça da cruz está representada na motivação de Jesus para enfrentar a cruz: os outros.101 Nessa afirmação, concentra-se toda a essência pela qual Jesus achou necessário morrer, que é justamente seu gesto gracioso, voluntário e positivamente definidor em prol da humanidade, cujo fim é a salvação de todo o que crê. A graça de Deus opera a salvação, atuando pela fé no Filho de Deus (Rm 3.28; 5.2). “E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus, pela fé” (Fp 3.9).

Não há transgressão, por maior que seja, ou pecador, por pior que seja, que não possa ser alcançado por essa graça, pois, onde abundou o pecado, que foi exposto pela Lei, superabundou a graça (ver Rm 5.20). Foi por compreender a grandeza da graça que o apóstolo João escreveu que, “se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo” (1 Jo 2.1).

A graça, no entanto, jamais é ou será um salvo-conduto para a prática do pecado ou para a libertinagem (Gl 5.13); muito pelo contrário, ela convoca-nos à obediência em gratidão ao doador da graça. Quando se ama, faz-se de tudo para agradar; portanto, “o amor de Cristo nos constrange” (2 Co 5.14) a fazermos coisas por Ele que lhe são agradáveis (1 Ts 4.1) e glorifiquem seu nome, pois o cumprimento da Lei é o amor (Rm 13.10; 1 Jo 2.5). Assim sendo, viver pela graça é uma questão de escolha humana. Foi por isso que Armínio escreveu:

A respeito da graça e do livre-arbítrio, isto é o que ensino, a respeito das Escrituras e do consenso ortodoxo: o livre-arbítrio é incapaz de iniciar ou aperfeiçoar qualquer bem verdadeiro e espiritual, sem graça. Para que eu não possa ser considerado como Pelágio, como usando mentiras com respeito à palavra “graça”, quero dizer, com isto, aquilo que é a graça de Cristo e que diz respeito à regeneração. Portanto, afirmo que esta graça é simples e absolutamente necessária para o esclarecimento da mente, a devida ordenação dos interesses e sentimentos, e a inclinação da vontade para o que é bom. É esta graça que opera na mente, nos sentimentos e na vontade; que infunde na mente bons pensamentos; inspira bons desejos às ações, e faz com que a vontade coloque em ação bons pensamentos e bons desejos. Esta graça vai antes, acompanha e segue; instiga, auxilia, opera o que queremos, e coopera, para que não queiramos em vão. Ela evita tentações, auxilia e concede socorro em meio às tentações, sustenta o homem contra a carne, o mundo e Satanás, e, nesse grande conflito, concede vitória ao ser humano. Ela levanta outra vez os que são vencidos e os que estão caídos, firmando-os e dando a eles nova força, além de fazer com que sejam mais cuidadosos. Esta graça inicia a salvação, promovendoa, aperfeiçoando-a e consumando-a.102

Paulo, antecipando o problema que pode surgir ao lidar com a graça de Deus de forma irresponsável, faz a pergunta e também a responde: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?” (Rm 6.1-2). O autor aos Hebreus complementa ainda: “Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (Hb 6.12). Dessa forma, a graça faz que sejamos ainda mais responsáveis diante de Deus no cultivo de uma santidade que leva em conta a gratuidade e a bondade dEle (Rm 2.4).

Dois extremos podem estar presentes na compreensão da graça: o primeiro é o de que ela possibilita uma liberdade total para pecar à vontade (Rm 6.12), pois Cristo perdoa. Entretanto, a desobediência fere a imagem de Deus em nós e no nosso próximo e traz consequências. “Será que posso pecar indiscriminadamente?” Isso tem resposta bíblica quando se afirma que maior castigo sobrevirá sobre os que profanarem o sangue do pacto e ultrajarem o Espírito da graça (Hb 10.29). Dietrich Bonhoeffer (1906–1945), levando em conta a possível negligência para com a graça de Deus, escreveu a conhecida sentença:

Graça barata é graça como refugo, perdão malbaratado, consolo malbaratado, [...] é a pregação do perdão sem arrependimento, é o batismo sem a disciplina de uma congregação, é a absolvição sem confissão pessoal [...], é graça sem discipulado, [...] sem a cruz, a graça sem Jesus Cristo vivo, encarnado.103

O outro extremo é o de achar que é impossível receber um presente tão valioso como a salvação sem que para tal seja necessário dar algo em troca; isso pode levar ao legalismo, ao ascetismo ou ao misticismo,104 tentando alcançar a salvação por obras, tão combatida por Paulo na epístola aos Gálatas (Gl 5.4,6). Essa atitude pode levar ao orgulho espiritual (Ef 2.8-9) e gerar toda sorte de hipocrisias (Mt 23.23). Dessa forma, criam-se meios de autossalvação inventando-se regras para aliviar a consciência ao invés de confiar na obra completa de Cristo. (Gl 3.1-5). Por isso, Paulo alertou os colossenses:

Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum, senão para a satisfação da carne. (Cl 2.20-23)

Os agraciados pela graça são os que compreendem que somos devedores para com Deus e para com os irmãos (Rm 13.8) e, por isso, amam como Cristo amou (Jo 13.35). Os que vivem sob a liberdade da graça desenvolvem uma santidade que reflete a beleza de Cristo no homem interior, que extravasa nas mais diferentes esferas da vida humana e em total confiança em Deus para tudo. Essa mesma graça permite estarmos mortos para o pecado (Rm 6.11, 13) e vivendo a Lei de Cristo para alcançar os que vivem sem Ele (1 Co 9.21).

Assim, nossa única saída é confiar inteiramente em Cristo, que nos perdoa, aceita e ama do jeito que somos. Esse amor, porém, constrange-me a obedecer-lhe. O contrário disso seria a negação da eficácia da obra de Cristo. A religião diz o que devo fazer (obedecer); Jesus diz o que Ele já fez por mim (confiar).

O ESCÂNDALO DA GRAÇA

Exatamente pelo fato de a graça de Deus ser um escândalo é que existe tanta dificuldade em compreendê-la de forma plena. Alguns usando os argumentos da liberdade fazem dela um salvo-conduto para pecar; outros caem no legalismo e anulam o efeito da graça, tornando ineficaz a obra de Cristo. Certamente, uma das formas de compreender é perceber o conceito da graça de Deus presente na Parábola dos Vinhateiros. Ali não há méritos por tempo de serviço ou produtividade; a mesma recompensa dos que iniciaram o trabalho no fim do dia é dado aos que começaram no início do dia, mesmo que o senhor tenha sido injusto aos olhos dos trabalhadores. É essa aparente injustiça sob a ótica humana que caracteriza a graça de Deus.

A justiça divina, se comparada com a humana, é imensamente perdoadora; por isso, a graça torna-se injusta sob a ótica humana, pois é imerecida e incoerente. Por esse motivo, Paulo classificou-a como escandalosa (1 Co 1.23; Gl 5.11).

Antropologicamente, o ser humano tem a necessidade de expiar sua culpa, conforme descrito no primeiro capítulo deste livro. Dentro dele, há um grito na alma que faz anelar por um preço que precisa ser pago. Por isso, muitos crentes não entendem a graça de Deus e acham que precisam ter méritos diante dEle, pagando um preço pela sua salvação. E assim são inventados os esquemas humanos (legalismos, critérios, ordenanças, doutrinas, etc.)105 para tentar “acalmar” a ira de Deus sobre o homem, criando-se situações meritórias; entretanto, tudo já foi pago por Cristo, os méritos são dEle, e não do homem com seus esforços.106 Não podemos viver sem a observância da Lei (Tg 2.24), pois ela conduz nossas vidas a um bom caminho de relacionamento com Deus e com o próximo; entretanto, estamos cônscios de que o que nos salva é a graça de Deus somente, presenteada a nós através da morte de Cristo na cruz do Calvário.

Isso não significa que, confiando na graça de Deus para a salvação, não se precisa mais fazer nada após a salvação. Deve-se, sim, continuar lutando para construir uma vida de santificação, renunciando tudo aquilo que nos afasta de Deus. O que muda é que, a partir da ótica da graça, não se faz mais nada para ser salvo, mas faz-se em gratidão a tudo o que Cristo já fez. O desejo de santificação e renúncia a tudo o que nos afasta de Cristo não parte de um coração que quer entrar no céu por méritos próprios, pois a graça trouxe a consciência de que nada que se faça pode garantir o que tão somente o sacrifício de Cristo garante: a salvação. Por outro lado, não se consegue viver na graça e continuar satisfazendo os desejos impuros do velho homem. A diferença é que tudo o que se faz agora é motivado por um sentimento de gratidão e pertença, e não de troca e barganha.

Compreender a graça e não ter consciência de que a nova vida com Cristo significa separação do mundo pecaminoso e dedicação exclusiva a Deus é um forte indício de que ainda não se compreendeu o que é viver na graça de Deus. Viver essa graça produz em nós a satisfação plena em Deus; logo, todas as outras fontes de prazer ferem ao invés de satisfazerem. Eis um indício de estarmos compreendendo a graça de Deus: viver a graça não isenta de pecar, mas o pecado que antes trazia prazer causa agora dor e arrependimento genuíno.

Pelo fato de a graça ser algo que depende exclusivamente de Deus sem merecimento por parte do recebedor (Ef 2.8), Paulo enfatiza a impossibilidade de estar sob a graça e a Lei ao mesmo tempo, no sentido de obter a salvação por uma ou por outra, pois, nesse sentido, ambas são excludentes. Portanto, ou o indivíduo é salvo pela Lei, o que é impossível, ou ele depende inteiramente da graça de Deus, pois por “obras da lei nenhuma carne será justificada” (Gl 2.16; At 15.11).

A graça é algo ao qual é impossível o seu recebedor retribuir. A única coisa que lhe cabe é agradecer,107 pois qualquer gesto de retribuição tirar-lhe-ia a qualidade de favor imerecido, tornando-se, assim, um mérito. Como no relacionamento com Deus não existem méritos, pois somente Cristo tem méritos, é um ato de afronta contra o doador querer retribuí-lo; entretanto, até mesmo tal afronta é coberta pela graça.

Os que compreendem a graça devem desenvolver a incrível capacidade de simplesmente se deixarem presentear por Deus. Somente esses são justificados porque aceitam ser aceitos, “a despeito de ser inaceitável”,108 e assim se permitem embalar nos braços do amor e do perdão. Para os filhos de Deus, cônscios da graça do Pai, tudo é presente, é dádiva. Não há reivindicação, nem presunção de méritos, mas somente gratidão e ação de graças, pois a graça de Deus aceita o inaceitável.

Quando o cristão entende a graça de Deus, ele necessariamente vai expressar essa mesma graça no relacionamento com outros cristãos, ou seja, o recebimento da graça resultará em atos graciosos e cheios de beleza por parte do recebedor. Isso, entretanto, não é feito por mérito; é simplesmente a reação graciosa de gratidão para com a graça recebida, mas vai além disso; ela é expressada como “presente para a comunidade, um benefício para o bem comum.”109 Logo, podemos afirmar que cristãos que não reagem assim à graça provavelmente não a compreenderam ainda.

Falar de graça implica um binômio presente na sanidade espiritual, que consiste em ela (a graça) operar em conjunto com a gratidão. A reação normal a qualquer oferta de graça é agir com gratidão. A graça é o princípio central de nossa Teologia, e a gratidão é o princípio central de nossa ética. O crente precisa conhecer “três verdades básicas: quão grande é o nosso pecado, quão grande é a graça de Deus que nos redimiu e quão grande deve ser nossa gratidão a Deus por sua graça.”110 Exercitar a gratidão diante de grandes ou pequenos gestos da graça de Deus demonstra um coração que avançou em sua caminhada espiritual e reconheceu a grandeza da superabundante graça oferecida na cruz. Mostrar gratidão mesmo quando o coração estiver cheio de lamúrias, mágoas e ressentimentos é uma escolha que fazemos; posso optar por falar de bondade e beleza, mesmo quando, interiormente, ainda procuro alguém para acusar ou achar algo feio.

Na lição desta semana, estudamos a relação da Graça e a Lei; vimos que a graça é favor imerecido; e compreendemos que ela chega a ser um escândalo para os que não creem. Portanto, estamos cônscios de que o que nos salva é a graça de Deus mediante a fé somente (Ef 2.8). E o livre-arbítrio? É possível perder a salvação? São assuntos que veremos nas próximas lições.


Fonte:
Livro de Apoio - 4º Trim/17 – A Obra da Salvação - Claiton Ivan Pommerening
Lições Bíblicas Adultos 4º trimestre/17 - A Obra da Salvação — Jesus Cristo é o caminho, a verdade e a vida – Comentarista: Claiton Ivan Pommerening

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