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sexta-feira, 21 de setembro de 2018

As orações dos santos no altar de ouro

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, afim de sermos ajudados em tempo oportuno” Hb 4.16

As orações dos santos no altar de ouro

Na lição desta semana, analisaremos o incenso como uma atividade de adoração ao Senhor. Este ato remonta à ideia de oração, súplicas e ação de graças ao Senhor.

O lugar santíssimo

O altar do incenso ficava entre o lugar santo e o lugar santíssimo (Santo dos santos). Note que sua localização representa uma transição de um lugar para outro em que se daria de frente com a Arca da Aliança, o símbolo da presença de Deus. Logo, o incenso apresentado pelos sacerdotes tinha a ver com a presença de Deus e sua santidade.

As orações dos santos

O incenso traz à memória às orações dos santos de todos os tempos. Uma vida de oração é sobrevivência espiritual. Por isso, nosso Senhor deixou um modelo perfeito de súplica pelo qual devemos nos achegar a Deus (Mt 6.9-13). Assim, necessitamos falar com o Altíssimo no sentido do que Jesus nos ensinou.

Precisamos está ligado ao trono da graça de Deus por meio da oração, um incenso suave ao Senhor. Busque-o de todo o seu coração e com toda a sua força!

Leitura Bíblica -  Levítico 16.12,13;  Apocalipse 5.6-10

A oração, qual incenso precioso, é a maior oferenda que podemos apresentar ao Pai Celeste, através do Senhor Jesus, com a ajuda do Espírito Santo.


O LUGAR SANTÍSSIMO

Para se oferecer o incenso ao Senhor, três coisas eram necessárias: o lugar, o altar e a cerimônia. Apenas o sumo sacerdote estava autorizado a conduzir esse ato de adoração.

1. O Lugar Santo.
No Lugar Santo, ficavam três mobílias: o candelabro, à esquerda de quem entrava; a mesa dos pães da proposição, à direita; e, no limiar, entre o Lugar Santo e o Santíssimo, bem em frente ao véu que os separava, estava o altar do incenso (Êx 26.35).

Há algo muito importante que devemos considerar. Embora o altar de incenso estivesse no Lugar Santo, era considerado também parte da mobília do Santo dos Santos juntamente com a arca da aliança (Hb 9.1-10).

2. O altar do incenso.
Feito de madeira de acácia, o altar de incenso era revestido de ouro, sendo estas as suas medidas: um côvado de comprimento, um de largura e dois de altura (Êx 30.1-10; 37.25-28). Os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas, quatro argolas e dois varais; tudo revestido de fino ouro.

3. A composição do incenso.
O incenso destinado ao altar de ouro não podia ser usado indistintamente; era de uso exclusivo do Senhor (Êx 30.38). Esta era a sua composição: estoraque, ônica e gálbano (Êx 30.34-36). A receita do perfume não constituía nenhum segredo. Todavia, se alguém o reproduzisse para uso profano seria punido severamente.

4. A cerimônia.
O incenso só podia ser queimado com as brasas do altar de bronze (Lv 16.12). E, já de posse destas, o sacerdote aproximava-se do altar de ouro para queimar o incenso no altar de ouro. Dessa forma, a nuvem do incenso cobria o propiciatório, mostrando à Casa de Israel o favor divino (Lv 16.13).

Observemos que, antes de achegar-se ao altar de ouro, o sacerdote tinha de passar, necessariamente, pelo altar de bronze. Isso significa que, sem o sangue de Cristo, jamais teremos acesso ao trono da graça (Hb 9.12).


No Apocalipse, a oração dos santos aparece como o mais precioso dos incensos. Subindo aos Céus, recende o clamor dos santos; descendo à Terra, exala julgamentos e punições. Dessa imagem, concluímos que o poder da oração, quando feita de acordo com a vontade de Deus, é ilimitado; vai além da eternidade.

Sendo a Igreja de Cristo a comunidade de clamor e intercessão por excelência, não pode ela, sob hipótese alguma, esquecer-se de sua obrigação básica: clamar e interceder; preciosíssimo incenso. De nossos rogos, dependem a sociedade e a nação. Ainda que estas se achem indiferentes às coisas divinas, imploremos a Deus que intervenha nos assuntos e negócios humanos. Se o fizermos, Ele intervirá como tem intervindo seja na biografia do homem mais humilde, seja na história do reino mais exaltado e poderoso.

Sem um retorno imediato à Palavra de Deus e à oração, jamais experimentaremos o avivamento de que tanto precisamos. Se lermos a Bíblia piedosamente e se nos curvarmos em orações e súplicas, o Espírito Santo jamais deixará de mover-se poderosamente entre nós. Acheguemo-nos ao trono da graça; ofereçamos ao Pai, por meio do Consolador, o incenso de nossos rogos, petições e clamores.

Neste capítulo, mostraremos que, na História Sagrada, oração e incenso são inseparáveis. Oremos sem cessar. E o mundo sentirá, em nós, o bom cheiro de Cristo. Na presença do Senhor, assemelhamo-nos ao turíbulo de Arão; incensamos os Céus e a Terra.

A TEOLOGIA DA ORAÇÃO

Existe, sim, uma teologia da oração. Ela permeia toda a Bíblia; vai do Gênesis ao Apocalipse. Encontra-se na boca dos profetas, nos lábios dos apóstolos e na alma do próprio Cristo. Neste tópico, apesar da exiguidade do espaço de que dispomos, faremos um pequeno esboço dessa teologia, que, embora desconhecida, é preciosa; imprescindível.

1. A oração, a voz da alma.

A palavra “oração”, proveniente do vocábulo latino orationem, comporta ricos enunciados à nossa vida espiritual. Num primeiro momento, pode ser compreendida como a súplica que o peregrino, assediado por ânsias e almejos, endereça ao Pai Celeste. Nesse sentido, a oração é rogo, pedido e prece.

Num segundo momento, a oração pode ser vista como a petição que esse mesmo peregrino, agora já não preocupado consigo, faz em favor do companheiro que desmaia na jornada à Jerusalém Celestial; intercessão amorosa.

Recorramos ao idioma do Antigo Testamento, para vermos como a palavra “oração” foi usada pelo cantor-mor de Israel. No quarto salmo do saltério hebreu, Davi roga ao Senhor num momento de grande e inesperada angústia:

“Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça; na angústia, me tens aliviado; tem misericórdia de mim e ouve a minha oração” (Sl 4.1, ARA).

O termo utilizado pelo autor sagrado, em sua prece, é o que melhor descreve a atitude do homem que, exilado no mundo, busca a face de Deus. O vocábulo hebraico tephillah significa oração, súplica, intercessão e hino. Este último significado encerra muita beleza. Até este momento, humildemente confesso, eu ainda não tinha olhado a oração como um hino que, na angústia, entoamos a Deus. Bem cantou o poeta sacro:

“Os mais belos hinos e poesias foram escritos em tribulação, e do céu, as mais lindas melodias, se ouviram na escuridão”.

Sim, querido leitor, a oração é poesia e hino.

Já imaginou se nos fosse possível registrar todas as orações que chegam ao Pai Celeste num só dia? Quantas obras-primas, partidas do mais fundo da alma, não teríamos. Aqui, uma prece em português; cântico mais alto que o de Camões. Ali, uma oração em italiano; poesia mais sublime que a de Dante. Mais além, uma petição em língua alemã; verso mais belo que o de Goethe. Na Rússia, uma intercessão que supera a maravilhosa prosa de Tolstói. Já na China, apesar de todos os empecilhos do regime comunista, ouviríamos confissões que superam a sinceridade de Confúcio e a força de Lao-Tsé.

Entremos a examinar, agora, a língua na qual foi escrito o Novo Testamento. No capítulo cinco de Apocalipse, assistimos à instalação da corte celestial, reunida solenemente para a abertura do livro que, seguro na destra de Deus, encontrava-se sob o poder de sete selos. Quando Jesus, ali identificado como o Leão de Judá, tomou o livro das mãos do Todo Poderoso, algo ocorreu entre os moradores do Céu, conforme a narrativa de João, o Teólogo:

Veio, pois, e tomou o livro da mão direita daquele que estava sentado no trono; e, quando tomou o livro, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos prostraram-se diante do Cordeiro, tendo cada um deles uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos. (Ap 5.7,8, ARA)

Analisemos a palavra grega, usada nessa passagem, para o substantivo “oração”. Nesse caso, como em outros do Novo Testamento, o autor sagrado utiliza o termo proseuchê ; em sua essência, em nada difere do tephillah hebreu. Além de seu primordial significado, lembra o próprio lugar da oração. Em português, possuímos também um vocábulo para designar o local consagrado aos rogos e petições: o oratório. Entre nós, evangélicos, o termo é quase desconhecido. Mas, na igreja católica, é bastante comum; descreve as capelinhas e nichos destinados às rezas e veneração de imagens.

No deslinde do vocábulo proseuchê, deveríamos ver, além da preocupação linguística, o chamamento ao lugar das preces e das intercessões, conforme exorta-nos o Senhor Jesus:

“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará” (Mt 6.8, ARA).

Que em cada domicílio evangélico, haja uma capela de oração; nosso quarto. Nesse aposento tão reservado e querido, no qual descansamos e reavemos as forças, depositemo-nos diariamente aos cuidados divinos. Antes de dormirmos e depois de acordamos, conversemos com o Pai; confessemos-lhe as faltas e as transgressões; narremos-lhe o nosso cotidiano; abramos-lhe a alma. Daí, sairemos renovados para mais uma jornada, não de lutas e entreveros, mas de vitórias e triunfos.

2. A teologia da oração.

Nos parágrafos anteriores, pusemos-nos a descrever a oração, e não propriamente a defini-la. Como a teologia não pode nem deve prescindir de conceitos e exposições, buscaremos, agora, definir a oração. A partir desta definição, ser-nos-á possível ver a oração não mais como um dever enfadonho, mas como o maior deleite da alma.

A oração é o diálogo que o crente, capacitado pelos méritos de Jesus Cristo e por meio da ação intercessora do Espírito Santo, mantém com o Único e Verdadeiro Deus. Conquanto pareça monólogo, a oração é de fato um diálogo; comprovado e doce diálogo. Num salmo, por exemplo, temos a impressão de que a fala é apenas de Davi; a voz, a dicção e o estilo são indiscutivelmente dele. Todavia, nas entrelinhas do cântico, vemos o Senhor a responder-lhe por intermédio dessa mesma voz, dessa mesma dicção e desse mesmo estilo.

Trata-se, pois, de um monólogo dialogável. Outro exemplo do diálogo orante temo-lo na oração sacerdotal de Nosso Senhor. Na agonia da hora que se aproximava, Jesus desfaz-se em rogos e intercessões; somente Ele fala. Mas, se é diálogo, onde esta a voz de Deus? O Senhor, sendo a própria sabedoria, nem sempre se apressa a responder-nos. Às vezes, sua resposta é imediata; o momento requer urgência. Outras vezes, só vem a responder-nos após algumas gerações. O que lhe pedimos, hoje, será respondido, amanhã, aos nossos filhos e tataranetos.

Que a oração tem de ser espontânea, ninguém o nega. No entanto, ela requer racionalidade, método, palavras adequadas, constância, fé e piedade. Não há de ser um discurso aleatório, palavroso e vazio. Se é dirigida a Deus, demanda zelo e temor em sua composição. Eis porque, nas Sagradas Escrituras, o orar é visto como o antítipo mais perfeito do incenso. No fabrico deste, não basta jogar num frasco, ao acaso, as mais caras essências e substâncias. É necessário selecioná-las e dosá-las para que, dessa mesclagem, saia um aroma agradável não um cheiro sufocante. Sendo assim, como deve ser a nossa oração? Atentemos a algumas de suas partes.

Antes de tudo, dirijamo-nos a Deus, exaltando-o como o Criador e Senhor de todas as coisas. Reconhecendo-o de forma mais teológica que litúrgica, descansemos; nossas petições serão respondidas de acordo com a sua vontade. Não oravam assim Davi e Paulo?

Em segundo lugar, agradeçamos-lhe já por todos os bens recebidos. Antes da petição, a gratidão piedosa. No simples ato de agradecer, já selamos os rogos. No Salmo 103, o cantor sagrado eleva-se, aos Céus, em ações de graças por todos os benefícios de Jeová.

Na estação seguinte, confessemos ao Pai Celeste os pecados, faltas e transgressões. Não os citemos por atacado; varejemo-los; que nenhum seja omitido. Até mesmo as iniquidades mais feias e vergonhosas devem mencionadas pelo nome; se não houver um nome, que o seja pelo apelido.

Se você pensa que já é chegado o momento das petições, engana-se. Contenha as ansiedades. Esqueça-se de suas necessidades e carências; elas, pela fé, já não existem. Concentre-se nas carências e necessidades dos outros; altruísmo santo e bíblico. Ore pelo que o ofendeu; abençoe-o. Rogue por seu inimigo; ofereça-lhe amizade; não se limite a um armistício. Interceda por aqueles que o ignoram; faça-os conhecidos diante de Deus. Não deixe de lembrar-se dos enfermos, atribulados e angustiados. E, para que ninguém seja excluído de suas intercessões, faça uma lista; escreva cada nome e leia-os diante de Deus.

Agora, sim, faça as suas petições. Liste-as. Seja específico; descreva-as. Mas, via de regra, quando intercedemos pelos outros, o Senhor Jesus supre, em glória, todas as nossas precisões. Não foi o que ocorreu a Jó quando orava por seus molestos amigos? Naquele momento, seu cativeiro foi prontamente removido.

No encerramento de sua oração, dê continuidade à sua vida orante. Seus joelhos já não se acham dobrados. Mesmo assim, mantenha-se prostrado diante do Pai. Saia de seu quarto, mas prossiga a entrar, a cada instante, na presença de Deus.

3. O orador e o orante.

Na parábola de Jesus sobre o fariseu e o publicano, que foram ao Santo Templo, em Jerusalém, para orar, distinguimos no primeiro, o orador; e, no segundo, o orante. Nessa singela, mas belíssima narrativa, somos constrangidos a reconhecer que, nalguns momentos, cruzamos os limites entre a oração e a oratória. Leiamos a parábola de Jesus:

Dois homens foram ao templo para orar: um era fariseu e o outro era publicano. O fariseu ficou em pé e orava de si para si mesmo, desta forma: Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado. (Lc 18.10-14, ARA)

Foquemos inicialmente a figura orgulhosa, altiva e arrogante do fariseu. Não obstante estar na Casa de Deus, não se humilha; exalta-se como objeto do próprio culto. É difícil ver, em suas palavras, um judeu religioso; em sua arenga, vê-se um orador grego, que, dispensando uma introdução, faz logo a conclusão; justifica-se a si mesmo enumerando aparentes boas obras. Na verdade, ele não ora; faz oratória. Supõe que, de sua tribunazinha, é capaz de convencer até Deus.

Já o publicano, não tendo argumentos e não possuindo introdução alguma, limita-se a pronunciar uma oração de apenas sete minguadas palavras: “Ó Deus, sê propício a mim, pecador!”. Garante o Senhor que este, e não aquele, retirou-se da presença de Deus justificado.

Se o primeiro é orador, o segundo é orante. Aquele brilha na oratória; este rebrilha na confissão.

Tal não é a nossa postura nas orações públicas? Nos grandes encontros, nem sempre temos oportunidade de exibir a nossa oratória. Mas, às vezes, chamam-nos a orar. Então, que na oração nos ostentemos como oradores. E, assim, rebuscando palavras e joeirando termos, oramos não a Deus, mas aos que, ali, nos ouvem. Não raro, aproveitamos a oportunidade para deixar um recado político, para firmar um posicionamento convencional e para amedrontar algum desafeto. Mas se somos, de fato, orantes, não precisamos de oração, nem de oratória para chegar à presença de Deus. Bastam as nove palavras do publicado, para que alcancemos o favor divino. Nossa prece, então, qual incenso precioso, chegará sem demora ao trono divino; manifestação da graça.

II. A SIMBOLOGIA DO INCENSO

Explicaremos, aqui, por que o incenso é tomado, na Bíblia Sagrada, como o símbolo máximo da oração. Veremos que, nas oferendas a Deus prescritas no Levítico, há uma belíssima teologia ascendente. Do holocausto, o primeiro dos sacrifícios, ao incenso do altar de ouro, a oferta derradeira e mais bela do Tabernáculo Santo, tudo quanto é apresentado ao Senhor sobe, porque Ele se acha assentado no alto e sublime trono. Mas encontra-se, também, na humildade e contrição do adorador fiel e sincero.

1. Homem, o ser que olha para cima.

A palavra “homem”, em grego, possui uma etimologia rica e significativa: aquele que olha para cima. Pelo menos é o que ensinam alguns filólogos. O termo anthropos, em si, já é um compêndio teológico. Tendo em vista essa predisposição da alma humana, o crente hebreu, em seu culto ao Senhor, buscava sempre uma oferta, seja animal seja vegetal, que, no altar sagrado, evolasse ao céu.

Tal descrição quadra-se muito bem ao holocausto e ao incenso; quando queimados, sobem; chegam às narinas divinas como aroma suave. Acredito que, de ambos, o incenso, como adiante veremos, é o mais representativo. Em primeiro lugar, porque só pode ser apresentado pelo adorador que já adorou no altar do holocausto; já redimido, tem condições agora de aproximar-se do altar de ouro.

2. Incenso, oração e prece.

A palavra latina “incenso” provém do vocábulo latino incensum, que, por sua vez, origina-se do verbo incendere, queimar. Ela descreve as substâncias queimadas em sacrifício.

Quimicamente, o incenso é o resultado de um composto de materiais aromáticos. Ao fogo, esses bióticos liberam fumaça perfumada. Os elementos do incenso são assim designados, porquanto são extraídos de seres vivos: as plantas.

A composição do incenso levítico, embora siga um processo comum, era destinada a um uso incomum: adorar a Deus. Ninguém, a não ser os ministros do altar, podiam usá-la; era algo sacratíssimo.

3. O uso religioso do incenso.

Acredita-se que o incenso começou a ser usado, para fins religiosos, no Egito dos Faraós. Importando preciosas resinas da Arábia, os sacerdotes de Heliópolis preparavam variados e finos incensos, para venerar os deuses e deusas que, prepotentes e vaidosos, requeriam adorações cada vez mais sofisticadas; tolas pretensões. O incenso era utilizado também nos templos gregos e romanos. Até na imemorial China tal prática era observada.

As igrejas católica e ortodoxa, cada uma com o seu próprio ritual, utiliza largamente o incenso em suas liturgias. Elas justificam tal prática, citando, fora de seu devido contexto, algumas passagens isoladas do Antigo Testamento. Hoje, porém, já não precisamos do incenso em nossa liturgia; o cerimonialismo da aliança passada cumpriu-se cabalmente na nova. Por que judaizar a Igreja de Cristo?

4. A imagem do incenso.

A imagem do incenso, como evolando devoções e serviços a Deus, provém de algumas passagens do Antigo Testamento. Veja esta oração do salmista: “Apresente-se a minha oração como incenso diante de ti...” (Sl 141.2). Noutras palavras, almejava ele que as suas preces, qual precioso incenso, subissem à presença do Senhor. E, juntamente com suas orações, sua alma ascenderia ao trono da graça.

No Antigo Testamento, a oferenda mais excelente que se podia oferecer ao Senhor, depois do holocausto, era o incenso. Ali, no limiar do lugar Santíssimo, o sacerdote entrava para, com temor e tremor, adorar ao Senhor com um incenso preparado exclusivamente àquela ocasião. Hoje, o sacrifício mais sublime que podemos oferecer ao Senhor são as orações, súplicas e ações de graças.

Por esse motivo, o Senhor Jesus recomenda-nos a entrar em nosso quarto, fechar a porta, e, no segredo de nossos aposentos, oferecer-lhe orações, lágrimas e louvores.

III. A OFERTA DE INCENSO

Para se oferecer o incenso ao Senhor, três coisas eram necessárias: o lugar, o altar e a cerimônia. Apenas o sumo sacerdote estava autorizado a conduzir esse ato de adoração.

1. O Lugar Santo.

No Lugar Santo, ficavam três mobílias: o candelabro, à esquerda de quem entrava; a mesa dos pães da proposição, à direita; e, no limiar, entre o Lugar Santo e o Santíssimo, bem em frente ao véu que os separava, estava o altar do incenso (Êx 26.35). É bom considerarmos que, embora o altar de incenso estivesse no Lugar Santo, era considerado parte da mobília do Santo dos Santos juntamente com a arca da aliança (Hb 9.1-10).

2. O altar do incenso.

Feito de madeira de acácia, o altar de incenso era revestido de ouro, sendo estas as suas medidas: um côvado de comprimento, um de largura e dois de altura (Êx 30.1-10; 37.25-28). Os seus ornatos compunham-se de quatro chifres, bordas, quatro argolas e dois varais; tudo revestido de fino ouro.

3. A composição do incenso.

O incenso destinado ao altar de ouro não podia ser usado indistintamente; era de uso exclusivo do Senhor (Êx 30.38). Esta era a sua composição: estoraque, ônica e gálbano (Êx 30.34-36). A receita do perfume não constituía nenhum segredo. Todavia, se alguém o reproduzisse para uso profano, seria punido severamente.

4. A cerimônia.

O incenso só podia ser queimado com as brasas do altar de bronze (Lv 16.12). Isso significa que a base da adoração cristã é a redenção no sangue de Jesus Cristo. E, já de posse do fogo sagrado, o sacerdote aproximava-se do altar de ouro para queimar o incenso no altar de ouro. E, dessa forma, a nuvem do incenso cobria o propiciatório, mostrando à Casa de Israel o favor divino (Lv 16.13).

IV. A ORAÇÃO DOS SANTOS, SUAVE E PRECIOSO INCENSO

A oração dos santos, qual incenso precioso, é inimitável em seus efeitos. Ninguém, a não ser que conte com a ajuda do Espírito Santo, pode elevá-la ao trono divino.

1. A receita para uma oração perfeita.

O Senhor Jesus, no Sermão da Montanha, entregou a seus discípulos os ingredientes de uma oração perfeita (Mt 6.9-13). Ele exorta-nos também a não imitarmos os gentios e hipócritas que, presumidos e soberbos, imaginam que, pelo seu muito falar, serão ouvidos (Mt 6.7).

Fechemo-nos em nosso quarto e, ali, qual santo dos santos, falemos com o Pai Celeste (Mt 6.5,6). Dessa maneira, poderemos entrar com ousadia e confiança no trono da graça (Hb 4.16). Pode haver incenso mais excelente do que a oração dos santos? Todas as nossas súplicas chegarão aos céus por intermédio do Espírito Santo, que intercede por nós com gemidos inexprimíveis (Rm 8.26).

2. A oração como sacrifício ao Senhor.

O salmista, conhecendo perfeitamente a simbologia do incenso sagrado, assim orou ao Senhor: “Suba a minha oração perante a tua face como incenso, e seja o levantar das minhas mãos como o sacrifício da tarde” (Sl 141.2). Quando nos dedicamos integralmente ao Senhor, toda a nossa vida torna-se uma oferenda a Deus (Ef 5.2; Fp 2.17; 2 Tm 4.6).

3. A oração dos santos na Grande Tribulação.

No período da Grande Tribulação, logo após o arrebatamento da Igreja, haverá um número incontável de mártires provindos de todos os povos e nações (Ap 9.9-17). Apesar da perseguição que lhes moverá o Anticristo, eles atuarão como fiéis testemunhas de Jesus Cristo. As orações desses santos serão recebidas, em cima nos céus, como incenso de grande valor (Ap 5.8; 8.3). Ninguém pode deter o poder de um santo que, no oculto de seu quarto, roga a intervenção do Santo dos santos (Tg 5.16). Irmãos, orai sem cessar (1 Ts 5.17).

CONCLUSÃO

Como está a nossa vida de oração? Se já não arrumamos tempo para orar antes de iniciarmos a jornada diária, é hora de repensar nossas prioridades. Antes de tudo, reconsidere sua agenda. Nada pode estar acima das prioridades do Reino de Deus.

Oração, leitura da Palavra e reflexão piedosa.

Pode haver melhor composição para o incenso que, do altar de nossa alma, evole ao trono da graça?

Senhor, ajuda-nos.

Fonte:
Livro de Apoio – Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Claudionor de Andrade
Lições Bíblicas 3º Trim.2018 - Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Comentarista: Claudionor de Andrade
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

O milagre da mulher grega e siro-fenícia

“Então, respondeu Jesus e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé. Seja isso feito para contigo, como tu desejas. E, desde aquela hora, a sua filha ficou sã” Mt 15.28

Jesus expulsa o demônio de uma jovem / 7.24-30
[...] 7.24 Jesus viajou cerca de trinta milhas até o território de Tiro, e depois de Sidom (7.31). Essas eram duas cidades portuárias localizadas no Mar Mediterrâneo e ao norte de Israel. Ambas praticavam um intenso comércio e eram muito ricas. Além disso, eram duas orgulhosas e históricas cidades cananeias. Na época de Davi, Tiro mantinha boas relações com Israel (2Sm 5.11), mas logo depois a cidade tornou-se conhecida pela sua imoralidade. Seu rei até afirmava ser Deus (Ez 28.1ss.). Toda cidade se regozijou quando Jerusalém foi destruída em 586 a.C., porque sem a sua concorrência o comércio e os lucros de Tiro iriam aumentar. Provavelmente, Jesus e seus discípulos foram a esse território dos gentios pensando que lá seriam menos conhecidos e assim poderiam ter algum tempo de privacidade para descansar. Foram à casa de alguém (provavelmente o lar de um judeu que vivia nesse local) e não queriam que ninguém soubesse sobre sua chegada. Mas nem mesmo nesse território Jesus conseguiu manter sua presença em segredo” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Volume 1. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, pp.235,236).

Além de intercessora, a mulher cananeia era também sábia, pois respondeu o Mestre corretamente e assim recebeu a bênção que necessitava.

O quanto estamos dispostos a reconsiderar uma decisão e rever uma posição? Pode parecer algo sem importância, mas se refletirmos com calma, veremos que não é tão simples. Geralmente ficamos tranquilos quando tudo está do “nosso jeito” e as coisas estão ao nosso favor. Mas, e quando somos contrariados ou as coisas não saem necessariamente como gostamos? Geralmente nos revoltamos e, exasperados, não raras vezes, falamos até daquilo que não sabemos, pois não apreciamos ser contrariados.
Acostumados com a ideia de que se tudo está indo bem é porque Deus está conosco, mas se algo não der certo significa que saímos da vontade dEle, podemos errar muito. Nem sempre a realidade funciona assim. Devemos ser suficientemente confiantes para crer que o Senhor da história tem o melhor para as nossas vidas, ainda que os contornos não sejam os que nós somos habituados ou conhecemos.

Texto Bíblico - Marcos 7.24-30

INTRODUÇÃO

A narrativa da presente lição encerra, tanto no material de Marcos quanto no texto paralelo, grandes ensinamentos (Mt 15.21-28). Contudo, o destaque neste momento inicial fica por conta do fato de a narrativa colocar em relevo a pessoa de uma mulher. Mais precisamente de duas, pois a mulher viera pedir por sua filha. Como anteriormente já foi frisado, o conhecimento dos costumes sociais do Antigo Oriente indica que a forma como Jesus tratava a mulher, naquele momento histórico, estava muito à frente de seu tempo.

I. JESUS ENTRA EM TERRITÓRIO PAGÃO

1. Jesus entra em território pagão.
É exatamente isto que o texto quer destacar — a presença de Jesus, ou sua investida, em terras pagãs (v.24a). Apesar de o território de Tiro, na Fenícia, ser uma região prototípica na Bíblia, sobretudo no Antigo Testamento e, vale a pena pontuar, no aspecto negativo (Is 23.1-12; Jr 25.22; 27.1-11; Ez 26.1-21; Jl 3.4-8; Am 1.9,10), não é efetivamente a questão geográfica que interessa a Marcos, mas sim o aspecto demográfico, ou seja, a proximidade do Senhor com os gentios. Mesmo o texto não afirmando que Jesus tenha penetrado na terra de Tiro, não deixa de ser sugestivo que Ele tenha ao menos passado pela região.

2. Jesus queria “esconder-se”, mas não foi possível.
A intenção do Mestre em entrar em uma casa para “esconder-se” (v.24b), não significa que Ele tenha agido de má-fé ou mesmo sido negligente, antes indica que o Senhor, juntamente com o colégio apostólico, buscava fazer uma pausa necessária em uma casa que, muito provavelmente, pertencia a um judeu conhecido deles. Contudo, mesmo com toda a sua discrição e estando fora da área em que atuava ministerialmente, não pôde manter-se afastado do cumprimento de sua missão.

3. Uma mulher procura Jesus.
O evangelista revela que a possibilidade de o Mestre passar incólume, e no anonimato, não foi possível “porque uma mulher cuja filha tinha um espírito imundo, ouvindo falar dele, foi e lançou-se aos seus pés” (v.25). A fama de Jesus havia extrapolado a Judeia e a Galileia (Mt 4.24; Jo 12.20-22). Isto era um fato. Não obstante, considerando o aspecto puramente histórico e a cultura da época, a situação dessa pessoa que procurara o Senhor em nada lhe era favorável, pois se tratava de uma mulher que, pela forma com que se colocara diante do Mestre, estava em flagrante desespero.

II. A REAÇÃO DE JESUS DIANTE DO PEDIDO DA MULHER

1. A religião da mulher e sua naturalidade.
Devido ao domínio grego que outrora havia prevalecido na região, Marcos informa que a mulher era “grega”, isto é, uma legítima gentia nos costumes incluindo a religião que não era o judaísmo, e siro-fenícia de nação, ou seja, aqui sim o aspecto de sua naturalidade (v.26). Tal informação vem a calhar com os propósitos e os destinatários do Evangelho de Marcos que, como tradicionalmente tem sido defendido, são os romanos, isto é, cristãos de origem pagã. A narrativa neste caso seria, dentro do contexto do que anteriormente havia sido discutido (Mc 7.1-23), a demonstração concreta de que realmente não havia diferença entre judeu e gentio, pois não é o ritual que define a pessoa e sim o coração. Dessa forma, os ouvintes e leitores de Marcos deveriam ficar em paz, pois eram tão alvo do amor divino quanto os judeus.

2. Um pedido desesperado.
A despeito de a cultura grega antiga ser conhecida não apenas por sua mitologia, mas também por causa de sua racionalidade e lógica (1Co 1.22-25), essa mulher mostrava-se desesperada diante do fato de que sua filha estava dominada pelo demônio. De certa forma, o texto paralelo parece sugerir que juntamente com a possessão havia também enfermidade (Mt 15.28c). Portanto, não é de admirar que esta mulher estivesse extremamente aflita. Ela roga ao Senhor que expulse o espírito maligno de sua filha (v.26). Tal súplica indica que tudo que ela ouvira falar acerca do Mestre fora suficiente para produzir-lhe a confiança de que Ele poderia libertar sua filha.

3. A curiosa resposta do Senhor.
Jesus responde de forma, no mínimo curiosa, à interpelação da mulher: “Deixa primeiro saciar os filhos, porque não convém tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos” (v.27). Os intérpretes são unânimes a respeito do fato de que “filhos” trata-se de uma alusão aos judeus, enquanto que “cachorrinhos” refere-se aos gentios. Eles, todavia, se dividem quanto ao significado do texto. Há os que acreditam ser uma resposta dura, marcada pela distinção que o judeu faz entre ele e as demais pessoas, tratando muitas vezes os gentios como “cães”, enquanto outros defendem a ideia de que se trata de um “dito espirituoso” que pedia uma resposta igualmente “engenhosa”. Independentemente de qual delas é a correta, o fato é que o Mestre, no texto de Marcos, fala de precedência e não de exclusão. Ele deve atender primeiramente os judeus e posteriormente os demais. Contudo, como pode ser visto no prólogo do quarto Evangelho, foi justamente entre os gentios que sua obra acabou sendo mais proeminente (Jo 1.11-13).

III. UMA RESPOSTA SÁBIA E O RECEBIMENTO DO MILAGRE

1. Uma surpreendente resposta.
Seja qual for a interpretação que se dê à resposta de Jesus, dura ou espirituosa, a verdade é que o clímax da passagem está na reação da mulher. De forma surpreendente ela respondeu a Jesus: “Sim, Senhor; mas também os cachorrinhos comem, debaixo da mesa, as migalhas dos filhos” (v.28). A sábia resposta da mulher demonstrou que ela não apenas entendeu o que o Mestre disse, mas que, além disso, aceitou as posições apresentadas! De fato a resposta da mulher traz à mente uma cena bastante corriqueira: Uma grande mesa em que uma família banqueteia e, no entorno, cães de estimação, ou não, se deliciam com os restos que caem ou que são lançados. Digno de menção também é a expressão grega Kyrios(Senhor) que ela utiliza para dirigir-se a Jesus. Tal destaque é merecido porque está é a única ocorrência da expressão, como forma de confissão, em todo o Evangelho de Marcos. E ela não vem de um judeu, mas de uma gentia, uma mulher pagã que desde o momento que viu Jesus reconheceu seu senhorio, pois “lançou-se aos seus pés” (v.25).

2. O elogio do Senhor e a concessão do milagre.
Se a resposta é surpreendente, não menos inesperado nessa narrativa é o fato de que é a siro-fenícia que dá o tom do assunto e acaba fazendo toda a diferença. Na verdade, ela decide o desfecho final, pois o Mestre, no texto paralelo, por exemplo, a elogia (Mt 15.28b), e aqui no texto de Marcos, Ele observa: “Por essa palavra, vai; o demônio já saiu de tua filha” (v.29). Ambas as narrativas não deixam margem alguma para dúvida, foi a resposta da mulher quem decidiu o final feliz desse episódio em que o Senhor parece colocar à prova a fé dessa mãe.

3. A confirmação do milagre.
Chega a ser intrigante a confiança dessa estrangeira. Tal como o oficial do rei (Lc 7.1-10), ela não solicita que Jesus vá até a sua casa, mas apenas pede que o Senhor expulse o demônio de sua filha. Ela crê que, à distância, Jesus tem tanto poder que pode realizar esse milagre. De fato, Marcos encerra essa narrativa com fortes tons comprobatórios dizendo que “indo ela para sua casa, achou a filha deitada sobre a cama, pois o demônio já tinha saído” (v.30). Os comentaristas concordam em dizer que as expressões utilizadas indicam uma libertação total, ou seja, o espírito imundo não mais achou lugar e, por isso, não retornaria.


CONCLUSÃO

Uma das grandes lições deste episódio é que Jesus, ao aproximar-se da região gentílica, de certa forma permitiu-se ser interpelado, como de fato o foi, por alguém que não pertencia à nação de Israel. Tal atitude antecipa a abertura do Evangelho, a mensagem de salvação e o caminho de Deus aos que não tinham nenhuma esperança, isto é, a nós que, parafraseando Pedro, em outro tempo, não éramos povo, mas, agora, somos povo de Deus; que não tínhamos alcançado misericórdia, mas, agora, alcançamos misericórdia (1Pe 2.10).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Para aqueles que acham que não tem sentido ir à Igreja

PARA AQUELES QUE ACHAM QUE NÃO TEM SENTIDO IR À IGREJA.


Um frequentador de uma igreja escreveu a seguinte mensagem para um jornal:

"Eu tenho ido à igreja por 30 anos e durante este tempo devo ter ouvido umas 3.000 pregações. Mas, com exceção de uma ou outra, eu não consigo lembrar da maioria delas.  Por isso, acho que estou perdendo meu tempo e os que pregaram também estão desperdiçando o deles".

Essa matéria divulgada no jornal gerou uma grande discussão resultando em uma sábia resposta de um leitor,  igualmente divulgada nos seguintes termos:

"Estou casado há mais de 30 anos e durante esse tempo minha esposa deve ter cozinhado umas 9.000 refeições. Mas, com exceção de uma ou outra, eu não consigo me lembrar da maioria delas. Mas de uma coisa eu sei: todas elas me nutriram, me alimentaram e me deram a força necessária para fazer minhas atividades. Sem essas refeições, eu e nossos filhos estaríamos desnutridos, fracos, desanimados e mortos. Da mesma maneira, se eu não tivesse ido à igreja para alimentar minha vida, minha alma e a da minha família, estaríamos hoje mortos espiritualmente".

Portanto, não deixe de estar em comunhão na sua igreja. Encorajemo- nos uns aos outros.


"...Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;" Hebreus 3:13

O Salmista nos alerta:

"A lei do Senhor é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do Senhor é fiel, e dá sabedoria aos símplices.
Os preceitos do Senhor são retos e alegram o coração; o mandamento do Senhor é puro, e ilumina os olhos.
O temor do Senhor é limpo, e permanece eternamente; os juízos do Senhor são verdadeiros e justos juntamente.
Mais desejáveis são do que o ouro, sim, do que muito ouro fino; e mais doces do que o mel e o licor dos favos.
Também por eles é admoestado o teu servo; e em os guardar há grande recompensa." Salmos 19:7-11

Nos alimentemos da Palavra de Deus!

abraço fraterno
Pastor Ismael
Aqui eu Aprendi!

domingo, 16 de setembro de 2018

Os Pães da Proposição

“Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna. Eu sou o pão da vida” Jo 6.47,48


Os Pães da proposição

Como o candelabro tinha uma simbologia diretamente aplicada ao Israel de Deus do Antigo Testamento, “os Pães da Proposição” tem uma simbologia aplicada mais tarde diretamente ao nosso Senhor. Sim, o nosso Senhor é o Pão da Vida descido dos céu para saciar o pecador faminto. Só Cristo pode saciar plenamente o ser humano que vive em busca de um significado para vida.

Os Pães da Proposição
No Antigo Testamento a simbologia dos Pães da Proposição refletia a presença providencial de Deus para o seu povo. Uma presença que substituía qualquer meio material para trazer-lhe alguma solução, pois, assim, o povo de Israel aprenderia que “nem só de pão viverá o homem, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4.4). Sim, os pães da proposição mostravam que a presença de Deus no meio do seu povo era suficiente, providencial e definitiva.

A Palavra de Deus, o Pão da vida
“E te humilhou, e te deixou ter fome, e te sustentou com o maná, que tu não conheceste, nem teus pais o conheceram, para te dar a entender que o homem não viverá só de pão, mas que de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem”, é o que diz a Palavra de Deus (Dt 8.3). Mais do que o pão material, o pão espiritual é que sustentaria o povo no deserto. O pão espiritual é a Lei de Deus. Ora, não adiantava o povo de Israel alimentar-se bem da comida material, mas não comer o pão espiritual, isto é, guardar a Lei do Senhor e amá-la de todo coração. Sem o pão espiritual, a nação morreria.

O problema mais grave é quando o ser humano confia somente em seu braço material, na suficiência do dinheiro, ou na beleza dos bens. É quando a visão cega, o coração esfria e a alma morre sem a presença do Altíssimo. Portanto, a verdadeira vida está na Palavra de Deus! O sustento diário está na Palavra de Deus! O sustento específico está na Palavra de Deus!

Jesus Cristo, o Pão que desceu do céu
Toda a beleza da Palavra de Deus, o provimento da Lei do Senhor e a essência do Verbo que vem do Criador estão plenamente revelados em Cristo Jesus, o Pão Vivo que desceu do céu. É o pão da vida que foi partido por nós, para nos trazer salvação e vida eterna (Lc 22.14-23). Jesus Cristo é a síntese de toda providência divina para dar sentido à alma do ser humano e prover-lhe salvação e vida eterna.

Quando o homem “come” desse pão, ele sacia a alma e a fome espiritual para sempre. E compreende definitivamente que não só de pão o ser humano vive, mas de toda Palavra de Deus.

A Palavra de Deus é o alimento que nos sustenta a alma, o coração e o próprio corpo; sem ela, a vida é impossível.

Leitura Bíblica em classe - Levítico 24.5-9



Antes de iniciar este capítulo, fui à internet para ver alguns quadros que tivessem como motivo o pão, o alimento por excelência. E, ali, entre gravuras de todos os tempos e lugares, reparei que o pão combina com todas as mesas e harmoniza-se com todas as iguarias. Quer numa cozinha ocidental, quer numa oriental, faz-se ele presente. Aqui, tem um formato cilíndrico; ali, uma forma cúbica; mais além, uma silhueta abaulada como os gostosos pães italianos.

Nas Sagradas Escrituras, o pão é apresentado não apenas como alimento, mas também como liturgia e comunhão. No Tabernáculo Santo, servia para honrar e enaltecer o Senhor. Já na Igreja Cristã, é utilizado como símbolo do corpo do Filho de Deus, que, no Calvário, deixou-se partir vicariamente por mim e por você, querido leitor.

Estudaremos, neste capítulo, os pães da proposição. Conhecidos ainda como os pães da apresentação, encerram eles, quando dispostos no Lugar Sagrado, uma teologia lindamente remidora; soteriologia eterna. Depois, veremos a sua tipologia em relação a Jesus Cristo, que, num pronunciamento carregado de significados redentores, declarou-se como o Pão que desceu do Céu.

UMA BREVE HISTÓRIA DO PÃO

Nas linhas a seguir, esboçaremos rapidamente a história do pão que,conforme já dissemos, é o mais universal dos alimentos. Nos mais diversos formatos e nos mais variados sabores, é encontrado em todas as sociedades. Feito de trigo, de cevada ou de milho, o pão orna a mesa do rico e não deixa de embelezar a mesa do pobre. Comecemos por estudar essa palavra tão abençoada.

1. A origem da palavra “pão”.

A palavra “pão”, em português, origina-se do substantivo latino panis que, por seu turno, provém de um termo antiquíssimo: pa, que significa nutrição. Para os romanos, acostumados ao amanho do trigo, o pão é aquilo que nutre o homem. Acredito que, desse conceito, ninguém discorda. Hoje mesmo, antes de assentar-me a escrever, precisei alimentar-me com uma gostosa fatia de pão integral. A partir daí, ganhei forças e disposição para dar sequência a este trabalho. Senhor, ajuda-me.

2. A origem do pão.

A história tem o Egito como a primeira padaria do mundo. Ali, às margens do Nilo, onde a fertilidade já era proverbial há cinco mil anos, os trigais espalhavam-se do Alto ao Baixo Egito. E, muito cedo, o egípcio veio a descobrir que o grão do trigo, se esfarinhado, levedado e levado ao forno, transforma-se num alimento nutritivo e delicioso.

No Egito, havia mais de trinta variedades de pães. Ovais, cônicos ou triangulares, eram tidos como a iguaria predileta dos deuses. Conta-se que o Faraó Ramsés III (1194 – 1163 a.C.) teria ofertado aos ídolos mais de duzentos mil pães.

Os padeiros tornaram-se tão requisitados no Egito, que não demoraram a organizar suas guildas e aquilo que, modernamente, chamamos de sindicato. Eram orgulhos de seu ofício; exigentes ao extremo. Às vezes, insuportáveis. Não foi sem motivo que o Faraó, nos dias de José, filho de Jacó, mandou executar o seu padeiro-mor. Antes de avançarmos, neste tópico, ressalvamos que há uma leve controvérsia quanto à origem do pão. Para alguns historiadores, este alimento teria surgido não no vale do Nilo, mas no vale entre os rios Tigre e Eufrates. Mas, se perguntarmos a um chinês acerca da proveniência do pão, é bem provável que ele nos responda que este não proveio nem do Egito, nem da Mesopotâmia, mas apareceu no vale do rio Huang He. Não obstante as controvérsias acadêmicas, o certo é que o pão aí está, em nossas mesas, todos os dias. Obrigado, Senhor.

3. O pão em Israel.

Antes mesmo de os israelitas descerem ao Egito, precedidos por José e liderados por Jacó, o pão já fazia parte da dieta hebreia. A primeira referência que aparece, na Bíblia, acerca do pão é feita pelo próprio Deus ao disciplinar Adão: “No suor do rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado; porque tu és pó e ao pó tornarás” (Gn 3.19, ARA). Até aquele momento, o homem não havia precisado amanhar a terra para arrancar dela o seu sustento; vivia da coleta exuberante do Éden. No entanto, a partir do juízo divino, teria ele de trabalhar arduamente, a fim de prover o seu pão diário.

Teria Deus se referido indiretamente ao trigo ao mencionar o pão? Vejamos o significado dessa palavra no idioma original do Antigo Testamento. A palavra hebraica lechem significa, além de pão, alimento, refeição, comida, mantimento e, também, pão sagrado ou da proposição.

Quer direta, quer indiretamente, o Senhor alertava Adão de que, a partir de agora, teria ele de processar arduamente o seu sustento diário. E, nessa proposição, temos bem presente a palavra de Paulo aos irmãos de Tessalônica. Aos desocupados daquela congregação, afirmou energicamente o apóstolo: “Porque, quando ainda convosco, vos ordenamos isto: se alguém não quer trabalhar, também não coma” (2 Ts 3.10, ARA).

Sem trabalho não há pão; a agricultura é a base da riqueza das nações.

Acostumados a uma dieta rica e variada, os hebreus, já no final de sua estadia no Egito (cativeiro escancarado), tiveram de adaptar-se a um cardápio pobre e ralo; subsistência amarga. Nas panelas que lhes dava Faraó, havia carne e peixe; pão não havia. É o que inferimos deste lamento proferido numa das apostasias de Israel no Sinai: “Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; dos pepinos, dos melões, dos alhos silvestres, das cebolas e dos alhos” (Nm 11.5).

Por que o rei do Egito não lhes dava pão? Alimento destinado à comunhão social egípcia e à liturgia dos templos faraônicos, o pão jamais poderia, no imaginário egípcio, ser destinado a uma sociedade abominável e servil como a hebreia. Então, que o trigo do Nilo fosse trazido a Rá-Atum, a Hathor e a Osíris. Quanto aos filhos de Israel, que se contentassem com o refugo da mesa de seus amos.

De acordo com nossos padrões nutricionais, a dieta descrita no murmúrio hebreu parece rica. Mas, se numa mesa israelita faltasse o pão, nenhuma refeição estaria completa.

Libertos do cativeiro, os israelitas puderam retornar à sua dieta. Como não havia trigo para alimentar toda a multidão que atravessara o mar Vermelho, os levitas houveram por bem reservar o trigo, que ainda tinham e que de alguma maneira produziam, ao uso litúrgico. Para que o povo não viesse a desnutrir-se, proveu-lhes o Senhor o maná; pão dos anjos comungado aos homens.

4. O pão na Grécia.

O trigo começou a ser processado como pão, na Grécia, quando as várias famílias helenas, chegadas do Leste, por volta do século XII a.C, instalaram-se naquelas paragens, que, ainda hoje, são acariciadas pelos ventos elísios. Para aquela gente de terra pobre e mente rica, os cereais eram considerados um dom dos deuses. Ou, mais propriamente, de uma deusa que, embora gentil e prestativa, era malcomportada e vingativa. Filha de Cronos e de Reia, Deméter saiu pelo mundo, na companhia de Dionísio, a ensinar os homens a plantar e a colher. Por isso, reverenciavam-na como a divindade responsável pela agricultura. Em Roma, ela receberia outro nome: Ceres; daí a palavra cereal. Por que os egípcios, gregos e romanos atribuíam o seu sustento a deuses nulos e inúteis, e não ao Todo-Poderoso? Que eles não ignoravam a existência de Deus, todos o sabemos. Pelo menos os gregos, conforme a narrativa lucana, haviam consagrado um altar ao Deus Desconhecido. Mas, tendo eles os moradores de Heliópolis (morada dos deuses egípcios) e do monte Olimpo (albergue das divindades gregas) como mais acessíveis, pois eram estes tão dissolutos e imorais quanto aqueles, ignoravam os benefícios que, diariamente, recebiam do Senhor.

Em seu discurso em Listra, o apóstolo Paulo, depois de ser confundido com o deus Mercúrio, deixou bem patente aos moradores daquela antiga cidade da Licaônia, que a subsistência de todos os seres humanos depende unicamente do Deus Único e Verdadeiro, e não dos ídolos que, a bem da verdade, não passam de coisas bizarras e grotescas:

Senhores, por que fazeis isto? Nós também somos homens como vós, sujeitos aos mesmos sentimentos, e vos anunciamos o evangelho para que destas coisas vãs vos convertais ao Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que há neles; o qual, nas gerações passadas, permitiu que todos os povos andassem nos seus próprios caminhos; contudo, não se deixou ficar sem testemunho de si mesmo, fazendo o bem, dando-vos do céu chuvas e estações frutíferas, enchendo o vosso coração de fartura e de alegria. (At 14.15,16, ARA)

Dizendo isto, relata ainda Lucas, “foi ainda com dificuldade que impediram as multidões de lhes oferecerem sacrifícios”. Que provação para Barnabé e Paulo. Como tinham suficiente maturidade, não se deixaram enredar pelo marketing do Diabo. Em seu discurso, o apóstolo elaborou, rápida e profundamente, o que podemos chamar de teologia do pão.

II. A TEOLOGIA DO PÃO: A DOUTRINA QUE NUTRE

Talvez, você, querido leitor, esteja dizendo que o autor destas linhas vê teologia em todas as coisas. Você não está errado. Na verdade, vejo não apenas teologia em tudo, mas em tudo vejo o próprio Deus. Por esse motivo, teologizo sempre. Nesse verbo intransitivo e, às vezes, tão mal conjugado, diviso a solução para todos os problemas humanos. Não agiam assim os profetas e apóstolos? Então, que reflitamos sobre a teologia do pão.

1. Terceiro dia; a semente do pão.

No livro de Gênesis, observo que o reino vegetal teve início no terceiro dia da criação. Narra o autor sagrado:

Disse também Deus: Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num só lugar, e apareça a porção seca. E assim se fez. À porção seca chamou Deus Terra e ao ajuntamento das águas, Mares. E viu Deus que isso era bom. E disse: Produza a terra relva, ervas que dêem semente e árvores frutíferas que dêem fruto segundo a sua espécie, cuja semente esteja nele, sobre a terra. E assim se fez. A terra, pois, produziu relva, ervas que davam semente segundo a sua espécie e árvores que davam fruto, cuja semente estava nele, conforme a sua espécie. E viu Deus que isso era bom. Houve tarde e manhã, o terceiro dia. (Gn 1.9-13, ARA)

Lavrador de excelência, o Senhor da vinha preparou o terreno, amanhou a terra e, só então, lançou a sementeira, abundante e pródiga, sobre a terra. Entre as plantas que não demorariam a brotar, estava o trigo. Daquela sementinha, agora inumada, brotaria uma planta que os homens cientificamente alcunharam, alguns milênios depois, de Triticum Aestivum.

Acredito que, dentre todos os cereais, o trigo é o mais belo de todos. Como descrever seu caule ereto, suas folhas planas, suas espigas densas e suas cariopses intumescidas e gentilmente tenras? Ante um trigal, tem-se a impressão de estar à beira de um campo polvilhado de ouro.

Dessa beleza toda, porém, sai o grão que, triturado e moído, alimentará milhões de pessoas todos os dias. Se Deus fez o trigo, como não o agradecer pela subsistência?

2. Ações de graças pelo pão.

Na Oração Dominical, o Senhor Jesus colocou uma petição nos lábios de seus discípulos, que jamais deveria abandonar-nos a boca. Em menos de dez palavras, aprendemos a garantir a nossa subsistência até que, da terra dos viventes, sejamos tirados: “O pão nosso de cada dia dá-nos hoje” (Mt 6.11). Aqui, nessa oração tão singela e despretensiosa, despojada de ativismos sociais e reivindicações políticas, acha-se o equilíbrio e o segredo à paz mundial.

Se os governantes todos, ao invés de terçarem armas, dirigissem clamores e rogos a Deus, implorando-lhe pelo sustento de seus povos, não haveria necessidade de conflitos ou guerras. Todos os confrontos haveriam de ser substituídos por orações, preces e lágrimas. Quanto aos apetrechos bélicos, seriam transformados em implementos agrícolas, conforme profetiza Isaías ao antever o reinado de Jesus Cristo, no Milênio:

“Ele julgará entre os povos e corrigirá muitas nações; estas converterão as suas espadas em relhas de arados e suas lanças, em podadeiras; uma nação não levantará a espada contra outra nação, nem aprenderão mais a guerra” (Is 2.4, ARA).

Mas, para que isso ocorra, é urgente que todos nos voltemos aos exemplos de petição e gratidão deixados pelo Filho de Deus, durante a sua missão na Terra de Israel. Se no início de seu ministério, Ele ensinou os discípulos a implorar ao Pai pela manutenção diária, no encerramento de seu ofício terreno, levou-os a aprender a beleza do agradecimento.

Na celebração da última Páscoa, e já na comemoração da primeira Santa Ceia, deixou-nos o maior exemplo de gratidão, conforme registra Paulo. Embora não haja presenciado a instituição da segunda ordenança, o apóstolo considerou as palavras do Filho de Deus mais do que um sacramento; era uma rememoração profética, cujo cumprimento ansiosamente aguardamos:

“Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou o pão; e, tendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim” (1 Co 11.23,24, ARA).

Do que já estudamos, concluímos: na teologia do pão, há três grandes proposições: petição, ações de graças e liturgia. Quem diariamente nos sustenta é Deus; a Ele, nossas petições. Se Ele é o nosso sustento, apresentemos-lhe, em cada cotidiano, reconhecimentos e gratidões. Então, o que já vislumbramos? Uma liturgia em torno do pão nosso de cada dia.

3. A liturgia do pão.

A primeira ação litúrgica envolvendo o pão deu-se no encontro de Abraão com Melquisedeque. Em Salém, como já vimos, o rei da então Cidade Santa trouxe ao patriarca hebreu pão e vinho. E, ali, num momento em que convergiam o Antigo e o Novo Testamento, ambos celebraram, perspectivamente, a morte e a ressurreição de Jesus Cristo (Gn 14.18-20).

Abraão participaria ainda de outra refeição profética e memorial. Agora, com o próprio Deus. Ao ver o Senhor, teofanicamente manifestado, o patriarca dispôs-se de imediato a preparar-lhe uma refeição que, generosa e farta, aprofundaria a comunhão entre ambos. Disse-lhe Abraão, agradecendo-o já por todas as promissões:

“Senhor meu, se acho mercê em tua presença, rogo-te que não passes do teu servo; traga-se um pouco de água, lavai os pés e repousai debaixo desta árvore; trarei um bocado de pão; refazei as vossas forças, visto que chegastes até vosso servo; depois, seguireis avante” (Gn 18.35, ARA).

Dessa forma, o patriarca consagrou ao Senhor, naquele dia já tão memorável, e sob os carvalhais de Manre, o primeiro pão da apresentação. As árvores, servindo-lhe de Tabernáculo, e a terra na qual pisava, erigindo-se-lhe como mesa, tinha Abraão um santuário perfeito para adorar a Deus. Aquele pão, assado ao borralho, fez-se presença e santa proposição naquele instante; prenúncio da adoração levítica.

III. OS PÃES DA APRESENTAÇÃO

Para que os pães da proposição fossem introduzidos no Tabernáculo, Deus ordenou o fabrico de uma mesa especial. Quanto aos pães, deveriam estes ser preparados de acordo com uma receita bastante específica.

1. A mesa dos pães.

A mesa que receberia os pães da proposição, feita de madeira de acácia, tinha essas medidas: dois côvados de cumprimento (90 centímetros), um côvado de largura (45 centímetros) e sua altura, um côvado e meio (70 centímetros) (Êx 25.23-30). A mesa, toda revestida de ouro fino, recebeu adornos da altura de quatro dedos, mui apropriados para conter os pães sagrados. Suas argolas serviam para transportá-la. A madeira de acácia, por ser medicinal, evitava fungos e parasitas que poderiam contaminar os pães sagrados.

2. Os pães da proposição.

Os pães da proposição eram preparados todos os sábados pelos coatitas (1 Cr 9:32). Em sua composição, usava-se a flor da farinha de trigo (Lv 24.5). Ou seja, a parte mais fina e nobre desse produto. Depois de cozido, eram postos em duas fileiras sobre a mesa, sendo entremeados por incenso (Lv 24.6,7). Doze pães, um para cada tribo de Israel.

Eis como os pães eram dispostos. O culto divino, embora repulse o formalismo, não dispensa a ordem nem a decência. Todas as coisas, tanto ontem quanto hoje, devem ser feitas para glorificar o nome de Deus. Às vezes, na tentativa de fugir ao cerimonialismo, caímos numa informalidade bizarra e afrontosa que, a seu próprio modo, não deixa de ser um cerimonialismo.

Aprendamos com os levitas como proceder no culto divino. Fugindo aos extremos, adoremos a Deus em espírito e em verdade. Até na mesa dos pães sagrados, observa-se a reverência devida ao Pai Celeste.

3. A simbologia dos pães.

Os pães da proposição simbolizavam a presença sempre providencial de Deus no meio de seu povo (Jr 32.38). Desta forma, os israelitas deveriam saber que o homem não vive só de pão, mas de toda a palavra que sai da boca de Deus (Mt 4.4). Quanto ao pão estar acompanhado de incenso, significa isso que a presença do Senhor sempre vem acompanhada pelas orações dos santos (Ap 5.8; 8.3,4).

Os pães da proposição ou da presença, representam ainda a Palavra de Deus, que, por intermédio do Evangelho, alimenta o mundo faminto (Jo 1.1).

IV. A PALAVRA DE DEUS É O PÃO DA VIDA

Para o povo de Israel, o pão é mais do que um alimento; é uma experiência cerimonial e tipológica (Gn 14. 18-20). Quer no Tabernáculo quer fora do Tabernáculo, o pão sempre simbolizou a presença de Deus entre o seu povo.

1. A Palavra de Deus é vida.

Durante a peregrinação de Israel no Sinai, os israelitas conscientizaram-se de que nem só de pão vive o homem, mas da Palavra de Deus (Dt 8.3). Durante 40 anos, Deus os sustentou com o maná, o pão que descia dos céus a cada manhã (Êx 16.31-35). A presença divina era perceptível tanto no Tabernáculo quanto no arraial. Todos sabiam que, apesar das asperezas do deserto, o Senhor jamais os abandonaria naquela árdua caminhada.

Sem a intervenção divina no cotidiano hebreu, eles jamais teriam sobrevivido às inclemências do Sinai. Os oásis, quando encontrados, não eram suficientes para saciar a sede de uma população ambulante de aproximadamente dois milhões de pessoas. Ali, longe do Egito e ainda distante de Canaã tinham de confiar, exclusivamente, na providência divina. Relata-nos a Bíblia que, apesar de uma jornada de 40 anos, foram sobrenaturalmente preservados. Os óbitos deixamo-los por conta das apostasias e desvios de uma geração que, apesar de arrancada do Egito, com mão poderosa, não pôde ou não quis, arrancar o Egito de seu coração.

2. A Palavra de Deus é o nosso sustento diário.

Além do pão, Deus proporcionava cotidianamente ao seu povo água, direção, proteção e iluminação (Êx 13,21; 15.22-27, 17.1-16). Diariamente, os israelitas eram sustentados, orientados e protegidos pelo Senhor. À semelhança de Davi, eles podiam declarar que o Senhor era o seu pastor; nada lhes faltava (Sl 23.1).

Já antes mesmo de haver completado 60 anos, deixava-me tomar por uma preocupação: “Como será o meu futuro?”. Nessas horas, porém, lembrava-me da confiança do salmista nos cuidados do Senhor. Já tomado pelas cãs, confessou que, apesar de velho, jamais viu um justo a passar necessidade, nem a sua descendência a mendigar o pão. Nessa confiança, descanso, hoje, como se tudo já estivesse resolvido; de fato, já o está. Glória a Deus.

3. A Palavra de Deus é o nosso sustento específico.

Na mesa do Tabernáculo, havia, como já vimos, doze pães distribuídos em duas fileiras, sendo um pão para tribo de Israel (Lv 24.5). Entre as fileiras de pães, o incenso (Lv 24.7). O que isso significa? Antes de tudo, que Deus alimenta o seu povo tanto coletiva, quanto individualmente. Ele conhece perfeitamente nossas necessidades (Sl 103.14; Mt 6.8). O que podemos inferir dessa lição? Deus tem uma comida personalizada para mim, para você e para cada santo em particular.

O Pai Celeste é mais do que um chefe de cozinha; é um nutricionista zeloso e consciente de nossas carências, necessidades e precisões. Por isso, administra-nos o alimento certo na hora certa. Se estamos fracos, eis-nos uma comida leve. Mas, se já fortalecidos, serve-nos uma refeição sólida como o pão que o anjo dispôs a Elias. Com a força daquela comida, o profeta caminhou quarenta dias e quarenta noites (1 Rs 19.8). Chegando a Horebe, seu ânimo ainda se renovava.

V. JESUS CRISTO, O PÃO QUE DESCEU DO CÉU

Os pães da proposição são o mais perfeito símbolo do Senhor Jesus Cristo, pois a sua missão, neste mundo, foi (e sempre será) alimentar-nos com a Palavra de Deus (Jo 1.1).

1. Jesus, o pão da vida.

O Senhor Jesus, por meio de sua palavra, revela-se como a água e o pão da vida (Jo 4.13,14; 8.32; Ap 7.17). Certa vez, Ele foi tão claro acerca de sua missão redentora, que levou alguns de seus discípulos mais chegados a escandalizarem-se com o seu discurso (Jo 6.48-60).

O Senhor Jesus, como o pão vivo, não se limitou a ficar no santuário, mas, encarnando-se, trouxe a presença do Pai Celeste a toda a humanidade (Mt 1.23; Hb 1.3).

2. Jesus, o pão de nossa comunhão com o Pai.

Jesus, como o pão vivo que desceu do céu, não precisa ser trocado todos os sábados, como os pães da proposição (Lv 24.8). Nosso Salvador, além de ser um sumo sacerdote infinitamente superior a Arão, é o pão divino; e, do próprio sábado, é Senhor (Mt 12.8; Jo 6.41; Hb 7.17-25). Aliás, Jesus Cristo é o próprio Tabernáculo de Deus. Ao encarnar-se, tornou-se semelhante a nós (Jo 1.14; Hb 9.11,12). E, com a sua morte e ressurreição, fez-nos acessível o trono da graça, no qual, hoje, entramos ousadamente (Hb 4.16).

3. Dai-lhes vós de comer. Hoje, ao proclamarmos o Evangelho, outra coisa não fazemos senão alimentar os famintos com a Palavra de Deus (Mt 28.1820; Lc 9.13). Portanto, evangelizemos e façamos missões enquanto há tempo. A fome espiritual nunca foi tão acentuada como nos dias de hoje (Am 8.11,12).

A um mundo faminto e desesperançado, ofereçamos o que, de fato, pode sustentá-lo: a Palavra de Deus. Soa-nos aos ouvidos, a ordem urgente e irresistível do Mestre: “Dai-lhes vós de comer”. Se temos o Evangelho, por que retardar a evangelização de nosso bairro? Se começarmos a falar de Jesus à nossa vizinha, em breve o nosso país experimentará um grande avivamento. Não nos esqueçamos da Obra Missionária. Regiões, como o Leste da Europa e o Oriente Médio, clamam por nossa intervenção.

CONCLUSÃO

No Antigo Testamento, apenas o sumo sacerdote e seus filhos tinham direito de comer dos pães da proposição. A única exceção foi Davi e seus homens (Mc 2.26). Por intermédio de Cristo, entretanto, temos acesso não somente aos pães da proposição como também ao lugar mais santo do Tabernáculo. E, todas as vezes que nos reunimos para celebrar a Ceia do Senhor, lembramo-nos de que Jesus é a presença eterna do Pai entre nós; o pão de nossa comunhão santa (1 Co 11.23,24).

Jesus é o pão da vida. Na simbologia de sua paixão e morte, Ele, qual grão de trigo, foi triturado e moído em consequência de nossos pecados. Aliás, a etimologia da palavra “trigo” significa exatamente isto: aquilo que se tritura. Mas, ressurreto e glorificado, nosso Amado Senhor está a alimentar-nos com a sua presença. Você já orou hoje? Já leu a Bíblia Sagrada? Então, não morra de fome. Faça uma pausa: ore, mesmo em espírito. No instante seguinte, vá aos profetas e apóstolos; medite neles.


SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO

“Em Levítico 24.5-9 somos instruídos com relação à fabricação do pão, tipo de farinha, quantidade, o arranjo do pão sobre a mesa, bem como quem deve comê-lo. Os pães deveriam ser feitos de farinha fina e são símbolo de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (Jo 6.35). A Palavra de Deus é o Pão da Vida para nós. A cada sábado era colocado pão fresco na Mesa da Proposição, doze pães em duas pilhas organizadas contendo seis cada. Bem-aventurados são aqueles que diariamente se alimentam da Palavra. Quando se ajuntarem no Dia do Senhor, encontrarão um novo suprimento de Pão da Vida esperando por eles. O pão que se retirava da mesa seria comido por Arão e seus filhos em um lugar santo. Tomar tempo para alimentar a alma com a Palavra Viva é essencial à nossa experiência. ‘Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti’ (Sl 119.11). Muitas vezes o salmista usa a palavra ‘Selá’ para lembrar-nos de meditar na Palavra” (SPRECHER, Alvin. Tabernáculo no Deserto: O lugar do seu encontro com Deus. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002, pp.115,116).

Fonte:
Livro de Apoio – Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Claudionor de Andrade
Lições Bíblicas 3º Trim.2018 - Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Comentarista: Claudionor de Andrade
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