Membros / Amigos

Conheça mais de nossas Postagens

Research - Digite uma palavra ou assunto e Pesquise aqui no Blog

Carregando...

sábado, 24 de setembro de 2016

A Evangelização integral nesta Última Hora

E eles, tendo partido, pregaram por todas as partes, cooperando com eles o Senhor e confirmando a palavra com os sinais que se seguiram. Amém!” Mc 16.20

O ser humano foi constituído por duas dimensões (material e imaterial) em sua própria natureza e precisa ser compreendido holisticamente pela Igreja para que uma prática bíblica e teologicamente adequada na evangelização. Aqui podemos remontar uma postulação do teólogo John Stott, um dos maiores pregadores do século XX, quando ele observa a natureza global do ser humano. Para Stott, pela Palavra de Deus o nosso próximo é uma pessoa humana criada por Deus. Essa pessoa humana não é uma alma sem corpo, nem corpo sem alma, muito menos corpo-alma em isolamento. Ora, Deus criou o ser humano como ser espiritual, físico e social, isto é, integral. E segundo esta integralidade é que devemos pensar a nossa prática de evangelização.

Assim, é possível compreender John Stott quando diz que a sentença “Pregarás o Evangelho” não substitui a “Amarás o teu próximo”. Ambas as sentenças se complementam e sustentam-se por si mesmas, denotando suas autonomias teológicas para fazer cumprir a “doutrina” sistematizada em dois pilares por Jesus de Nazaré: a primeira “Amarás o Senhor teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento”; a segunda “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”.

A Missão da Igreja Cristã permeará esses dois eixos, apontando que o homem precisa de salvação para o porvir (restauração da comunhão do homem com o Deus eterno), mas também de redenção para o presente. O ser humano inserido num contexto de um mundo injusto e mal, precisa ser compreendido pela Igreja numa perspectiva global. Onde ele entenda a sua função de existir para Deus e servir o próximo (Mc 12.30,31).

Segundo Nancy Pearcy, essa mensagem denota “o nosso valor e dignidade [...] fundamentados no fato de que somos criados à imagem de Deus, chamados para sermos seus representantes na terra”. Numa perspectiva profundamente bíblica, a Igreja é chamada por Deus à resgatar a dignidade humana perdida no Éden após a Queda, mas estabelecida pelo Altíssimo desde a fundação do mundo (Gn 1.26). A salvação em Cristo recupera a imagem de Deus em nós. Então, agora podemos exercer o modelo bíblico de uma ação evangelizadora integral para mundo. Entretanto, precisamos confessar que muitas vezes enfatizamos mais o “ide” que o “amai”. Estas duas ordens não podem ser encaradas de maneira excludentes entre si. Necessitamos de resgatar a verdade bíblica que denota dois mandamentos que independem um do outro. - Revista Ensinador Cristão n.67 pg.42.

Leitura Bíblica: Lucas 24.44-53


Prezado professor, com a graça de Deus chegamos ao final de mais um trimestre. Esperamos que as lições tenham causado um grande despertamento em seus alunos, contribuindo para que a Igreja cumpra a sua missão primordial nessa última hora.
Não precisamos de estratégias mirabolantes para dar cumprimento a nossa missão. Carecemos é de ser obedientes e cheios do poder do Espírito Santo. Sem Ele não podemos cumprir a nossa missão de modo integral. Os discípulos de Jesus ficaram na cidade de Jerusalém até que do alto foram revestidos de poder. Depois, eles saíram e alcançaram Samaria, Judeia e os confins da terra, cumprindo com êxito a missão que lhes foi confiada pelo Senhor.
Jesus nos confiou uma importante missão, por isso, não sejamos negligentes, pois ainda existem muitos que precisam ouvir as Boas-Novas e se entregarem a Cristo. Esses aguardam por você.

INTRODUÇÃO
A Igreja Primitiva não precisou de mais do que uma geração para levar o Evangelho de Cristo aos confins do Império Romano. Seguindo o modelo que lhes deixara o Senhor, os discípulos, no poder do Espírito Santo, evangelizaram simultaneamente Jerusalém, a Judeia e Samaria até chegarem à capital de Roma, no Ocidente.
Se levarmos em conta o modelo autenticamente pentecostal de evangelização, cumpriremos, em tempo recorde, o programa divino para alcançar tanto o nosso bairro quanto as nações mais distantes. Mas, para isso, temos de nos voltar ao método de evangelização simples, mas eficaz, dos primeiros evangelistas e missionários.

I. O QUE É A EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL
Não carecemos de nenhum método inovador, nem de fórmulas extravagantes, para cumprir plenamente o cronograma divino do anúncio universal do Evangelho.

1. Evangelização integral. Consiste na proclamação simultânea do Evangelho em todos os âmbitos: local, nacional e transcultural. O modelo de Atos 1.8 implica uma ação conjunta, ou seja, evangelizando Samaria, Judeia e os confins da terra ao mesmo tempo. Jesus não ordenou aos discípulos evangelizar primeiro Jerusalém, depois a Judeia, em seguida Samaria e, finalmente, os confins da terra. O seu plano-diretor era bem claro e objetivo: “e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra”. Isso implica uma ação da Igreja (At 13.1-5).

A evangelização mundial, para ser bem-sucedida, tem de funcionar de acordo com o manual que nos deixou o Senhor Jesus no Novo Testamento.

2. Avivamento e evangelização. Nenhum plano evangelístico, ainda que bem elaborado, terá êxito a menos que retornemos ao cenáculo. Sem o batismo com o Espírito Santo, não teremos o poder necessário para anunciar o Evangelho de Cristo. Evangelismo e Pentecostes são temas gêmeos, inseparáveis. O poder do alto é insubstituível na vida da igreja.
A evangelização integral requer o revestimento de poder daquele que se predispõe a falar de Cristo no bairro, na cidade, no país e no exterior.

A evangelização integral é necessária e requer o revestimento de poder.

Uma igreja missionária
“Sob a orientação do Espírito Santo, a igreja de Antioquia comissiona Barnabé e Paulo como os primeiros missionários oficiais do cristianismo (At 13.1-3). Sua aventura inicial acontece na ilha de Chipre, onde Paulo amaldiçoa um bruxo com cegueira e testemunha a conversão do procônsul romano (vv.4-12). Em Antioquia da Psídia, Paulo prega primeiramente numa sinagoga judaica, onde sua mensagem sobre Jesus suscita grande interesse (vv.13-43)”. Para conhecer mais, leia Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p.720.

II. DISCIPULADO INTEGRAL
A evangelização integral deve ser acompanhada do discipulado integral, que compreende as seguintes ações: doutrinação, integração, treinamento e identificação.

1. Doutrinação.
A doutrinação do novo convertido consiste no ensino das verdades centrais da fé cristã, para que ele pense, aja e viva de acordo com o mandamento de Cristo. Dessa forma, poderá ele guardar todas as coisas ordenadas pelo Senhor, até o arrebatamento da Igreja (Mt 28.20).
A doutrinação deve ser iniciada no ato da conversão, tendo continuidade durante toda a vida cristã (At 2.41-43).

2. Integração.
Sem a integração social do novo crente, sua doutrinação torna-se ineficaz. O novo convertido precisa sentir que é parte da família de Deus. Não se trata de um mero exercício sociológico, mas do compartilhamento do amor cristão (At 2.44).
João sabia que, se os cristãos não se amassem mutuamente, jamais se sentiriam parte do corpo de Cristo. Por isso, não cessava de exortar a Igreja. O amor que integra não compreende apenas palavras, mas ações efetivas (1Jo 3.18).

3. Treinamento.
Ainda na fase da doutrinação e da integração, o novo convertido deve ser treinado a fazer novos discípulos. A libertação do endemoninhado gadareno ilustra muito bem esta etapa do discipulado radical. Tão logo Jesus o livrou daquela legião, recomendou-lhe: “Torna para tua casa e conta quão grandes coisas te fez Deus [...]” (Lc 8.39). E, no mesmo instante, o homem saiu a apregoar quão grandes coisas fizera-lhe o Senhor.

4. Identificação.
Esta fase somente será eficaz se as anteriores forem bem executadas. A plenitude do discipulado radical será levar o novo crente a ser conhecido, através de seu testemunho e postura, como seguidor de Cristo. Os crentes primitivos, em virtude de seu compromisso com Jesus, eram conhecidos como cristãos (At 11.26).
Hoje, mais do que nunca, devido à brevidade e a urgência destes dias, carecemos de homens, mulheres e crianças que sejam identificados como discípulos de Jesus Cristo (Jo 8.31).

A evangelização integral deve ser acompanhada do discipulado integral.

III. A IGREJA DA EVANGELIZAÇÃO INTEGRAL
A igreja da evangelização integral é caracterizada por três ações básicas na divulgação do Evangelho de Cristo: promoção, comissão e manutenção.

1. Promoção.
À semelhança de Antioquia, a igreja da evangelização integral não vive de si e para si. Antes, promove a proclamação de Cristo em todos os âmbitos (At 13.1-3). Ela é evangelística e missionária. Para ela, não existe maior evento do que evangelizar e fazer missões. Que o Senhor avive nossas igrejas, impulsionando-as aos confins da Terra.

2. Comissão.
Na evangelização integral, a igreja tem de agir como a agência evangelizadora e missionária por excelência. Nenhuma organização pode substituí-la nessa tarefa. Discorrendo sobre os pressupostos da evangelização mundial, o apóstolo Paulo pergunta: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados? [...]” (Rm 10.14.15).

3. Manutenção.
No auge da prosperidade econômica do Brasil, o que fizemos em prol da evangelização mundial? Sabemos que algumas igrejas aproveitaram aquele momento para chegar aos confins da Terra. Outras, porém, viveram apenas para si, como se aquele instante não tivesse fim.
As igrejas da Macedônia, apesar de pobres, enriqueceram a muitos, sustentando obreiros e missionários (2Co 8.1-7). Nesta crise que ora atravessamos, demonstremos a nossa fé, mantendo as frentes evangelísticas já iniciadas e abrindo outras.

As principais características da igreja da evangelização integral são: promoção, comissão e manutenção.

SUBSÍDIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ
O que é a integração total do novo convertido
Integrar é juntar, incorporar, tornar parte. Quando falamos em integrar o novo-convertido, estamos falando simplesmente disto: fazê-lo parte do corpo visível do Senhor — a igreja local. A sua união ao corpo místico de Cristo é obra do Espírito Santo; cabe-nos, entretanto, a missão de levá-lo pela mão em seus primeiros passos na fé, e de ajudá-lo a ocupar o seu lugar na comunidade dos salvos.
Na maioria das vezes, as igrejas limitam-se a orar pelas pessoas no ato da conversão, quando ela manifesta, de alguma forma, o desejo de receber a Jesus como Salvador. Os cuidados com o novo crente resumem-se a preencher uma ficha com seus dados pessoais, oferecer-lhe, às vezes, um Novo Testamento, e, quando muito, visitá-lo em casa depois de alguns dias.
O novo convertido dá os primeiros passos na vida cristã, já participando dos trabalhos tradicionais da igreja, tentando digerir o ‘sólido mantimento’ sem antes haver recebido o leite dos ‘primeiros rudimentos da palavra de Deus’ (Hb 5.12). Quanto desestímulo e prejuízo esse descaso poderá trazer. A igreja precisa conscientizar-se da importância da integração total do novo convertido, para que ele não venha a sentir-se excluído ou desmotivado.
A recepção e os primeiros contatos servem para deixá-lo à vontade e despertar nele o interesse em voltar à casa de Deus. Contudo, o papel da igreja vai além; cabe-lhe promover a integração espiritual eclesiástica, doutrinária, social, emocional e cultural do novo crente, bem como envolvê-lo no serviço cristão. Isto é integração total” (DORETO, Marli; DORETO, Maísa; DORETO, Marta. Manual de Integração do Novo Convertido. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.19,20 ).

CONCLUSÃO
Que a evangelização integral caracterize nossas igrejas nesses dias difíceis e trabalhosos. A crise que perturba o nosso país poderá não ser a última. Outras mais agudas poderão surgir. Mas, amparados pelo Autor e Consumador da nossa fé, não desanimemos. Caminhemos de vitória em vitória, evangelizando e fazendo missões, até que o Senhor nos venha buscar.

Fonte:
Lições Bíblicas - O Desafio da Evangelização - 3º.trim_2016 CPAD - Comentarista Claudionor de Andrade
Livro de Apoio - O Desafio da Evangelização - Obedecendo ao Ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda a criatura - Comentarista Claudionor de Andrade
Revista Ensinador Cristão-nº67
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Os deficientes serão curados

...então nos chega a seguinte pergunta: 

Um crente deficiente continuará deficiente apos a morte?

O que a Bíblia diz?

O Reino de Deus, anunciado pelo Senhor Jesus Cristo, era inclusivo. Ele amou e curou os paralíticos, os coxos, os surdos e os cegos. No tempo de Jesus, as pessoas com deficiência não eram valorizadas; elas viviam à margem da sociedade. Existia a crença errônea de que as deficiências físicas eram resultado de algum pecado.

O Evangelho anunciado pelo Senhor Jesus Cristo continua inclusivo. A Grande Comissão abrange a todos “A Palavra de Deus declara: ‘Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura’ (Mc 16.15).1

Para Jesus, os deficientes eram oportunidades através dos quais o poder de Deus podia ser revelado. A Bíblia diz em João 9:2-3 “Perguntaram-lhe os seus discípulos: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? Respondeu Jesus: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi para que nele se manifestem as obras de Deus.”

As nossas limitações são temporárias.
A Bíblia diz em 1 Coríntios 15:53 “Porque é necessário que isto que é corruptível se revista da incorruptibilidade e que isto que é mortal se revista da imortalidade.”

Os deficientes serão curados.
A Bíblia diz em Isaías 35:5-6 “Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo.”2

A Cura futura (ressurreição).
Verdade é que "os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós" (Romanos 8:18).

A Cura dos amputados.
Quando um crente perde uma perna ou um braço, ele tem a promessa de Deus da cura futura e a fé é "a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem" (Hebreus 11:1).

Jesus disse: "Portanto, se a tua mão ou o teu pé te faz tropeçar, corta-o e lança-o fora de ti; melhor é entrares na vida manco ou aleijado do que, tendo duas mãos ou dois pés, seres lançado no fogo eterno" (Mateus 18:8). Suas palavras confirmam a importância relativa da nossa condição física neste mundo, em comparação com o nosso estado eterno. Entrar na vida mutilado (e, em seguida, ser curado) é infinitamente melhor do que entrar inteiro no inferno (para sofrer por toda a eternidade).

"Deus pode curar os amputados e curará cada um dos que confiarem em Cristo como Salvador. A cura virá, não como resultado de exigirmos agora, mas no próprio tempo de Deus , possivelmente nesta vida, mas definitivamente no céu. Até esse momento, andamos por fé, confiando no Deus que nos redimiu em Cristo e promete a ressurreição do corpo".3

Um corpo transformado.
Nosso corpo físico será transformado.

Quando Cristo voltar, teremos muitas surpresas, e uma delas será ver o nosso próprio corpo transformado.

O apóstolo Paulo falou sobre este assunto em 2 passagens:

1) “O qual [Jesus Cristo] transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as coisas” (Filipenses 3.21).

2) “Eis que vos digo um mistério: nem todos dormiremos, mas transformados seremos todos, num momento, num abrir e fechar de olhos, ao ressoar da última trombeta. A trombeta soará, os mortos ressuscitarão incorruptíveis, e nós seremos transformados. Porque é necessário que este corpo corruptível se revista da incorruptibilidade, e que o corpo mortal se revista da imortalidade. E, quando este corpo corruptível se revestir de incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir de imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita: Tragada foi a morte pela vitória.” (1 Coríntios 15:51-54).

Portanto, o nosso corpo de humilhação, o nosso corpo corruptível será transformado, num momento, num piscar de olhos, e será imortalizado. A nossa natureza pecaminosa será extinta, os defeitos físicos desaparecerão, receberemos a vida eterna, todas as feridas serão curadas, nossa aparência será perfeita, todos serão jovens, as rugas não mais existirão, as deformidades e toda a degenerescência desaparecerão.

Já imaginou a exultante emoção daquele dia? Os cegos abrindo os olhos para contemplar o seu Redentor em glória, os surdos ouvindo as trombetas a tocar e dizendo, “Eu estou escutando… é Jesus!” Os coxos saltando e os mudos cantando louvores ao nosso Deus!

Portanto, o que devemos fazer diante dessa grande verdade? Após falar da transformação Paulo disse: “Portanto, meus irmãos, amados e mui saudosos… permanecei, deste modo, firmes no Senhor.” (Filipenses 4:1).4

Fontes:
1- Lições Bíblicas CPAD - 3º trim.2016 O Desafio da Evangelização

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

EDOM - Os Edomitas

Os Edomitas descendentes de Esaú (filho de Isaque e neto de Abraão)

Os Edomitas e o excesso de confiança e segurança devido a topografia de seu território - uma fortaleza natural.


EDOM
Jacó e Esaú seguiram seus respectivos caminhos, embora fossem irmãos gêmeos. O povo de Israel descende de Jacó, e os edomitas ou idumeus descendem de Esaú. Esaú, de acordo com as tradições judaicas posteriores, mencionadas então no Novo Testamento, como no nono capitulo da epístola aos Romanos, não era favorecido por Deus. Porém, isso não é indicado pelo próprio relato veterotestamentário. De fato, ali Esaú aparece como homem de caráter mais nobre que Jacó. Pessoalmente, creio que Deus cuidou da alma de Esaú, através do ministério de Cristo, na vida após-túmulo. Sem importar como lhe tenha acontecido, o certo é que os descendentes de Esaú ocuparam um território que fica na fronteira suleste da Palestina (ver Jz 11:17; Nm 34:3), que era chamado de terra ou monte de Seir. ver também Gn 32:3; 36:8; Ez 35:3,7,15.

I. A Palavra

No hebraico, edome«vermelho», uma alusão ao cozido vermelho (ou marrom amarelado de lentilhas, o adashimcuja preparação culinária aparece em gravuras egípcias), em troca desse cozido Esaú vendeu o seu direito de primogenitura, porquanto não dava valor à realidades espirituais. Essa palavra, pois, veio a tornar-se um sobrenome de Esaú. O nome também tornou-se apropriado para designar o território de Esaú, a saber, o monte Sir, visto que a área é dominada por uma coloração avermelhada, devido à natureza das rochas superficiais.

Usos da Palavra. Essa alcunha foi dada a Esaú, filho de Isaque, depois que ele se desfez de seu direito de primogenitura por um mero prato de lentilhas cozidas (Gn 25:30). Passou a ser um nome alternativo para indicar a Iduméia, ou seja, o monte Seir. Também designa a terra de seus descendentes (Gn 32:3; 25:20,21,30), ou então, coletivamente, todos os idumeus (Nm 20:18,20,21; Amos 1:6,11; Ml 1:4).


II. O Território
Esse pais estendia-se desde o mar Morto, na direção sul, até o golfo de Acaba e desde o vale da Arabá, na direção leste, até o deserto da Arábia, isto é, tinha cerca de duzentos quilômetros de comprimento por quarenta e oito quilômetros de largura. Era uma região montanhosa, composta de rochas avermelhadas como uma de suas características principais. Acima dessas rochas havia pedras calcárias que assumiam formas fantásticas, ao mesmo tempo que de ambos os lados dessas formações havia colinas de pedra calcária. Para o lado oeste, ao longo do vale da Arabá, as colinas são mais baixas. Para o lado oriental, as montanhas atingem sua maior expressão. Grande parte do terreno era inóspito, embora houvesse áreas que podiam ser cultivadas (Nm 20:17-19). O território compreende uma espécie de retângulo malformado. — O ponto mais elevado tem cerca de 1740 m de altura, acima do nível do mar. Os idumeus fortificaram a região em vários lugares, especialmente na sua fronteira leste, mais exposta. O Caminho do Rei passava ao longo do planalto leste dessa área, perto de Tofel, Bozra e Dana, mais ao sul, e então descendo ao vale de Hismé. A capital, Selá, estava situada a oeste desse caminho no maciço platô chamado Umm el-Biyara, que se eleva a 300 m acima de Petra. Petra é o nome grego da mesma cidade de Selá.

Os idumeus não habitavam a área inteira desse retângulo, mas controlavam-na. Certas partes da Arabá possuíam ricos depósitos de ferro e minas de cobre, o que era uma das principais fontes de riqueza dos idumeus. As rotas comerciais que ligavam a região com a Mesopotâmia e com o Egito, passavam na extremidade sul dessa região, e isso também contribuía positivamente para a economia dos idumeus. A porção ocidental da Arabá era habitada por tribos nômades, que tinham uma frouxa associação com os idumeus, e que vieram a mesclar-se parcialmente com eles (Gn 36:11,12), embora não fossem totalmente dominadas pelos filhos de Edom. O povo de Israel atravessou essa área, pouco antes da conquista da Terra Prometida.


III. Os Idumeus

Estes eram descendentes de Esaú (também apelidado Edom). O trecho de Dt 2:12 mostra-nos que os habitantes originais da região eram os horeus, os quais foram dali expulsos pelos descendentes de Esaú. A arqueologia tem demonstrado habitações pré-iduméias na terra. Os descendentes de Esaú migraram para esse território e tornaram-se o poder dominante na região, — embora não o único agrupamento humano (Gn 14:6). Por volta de 1850 A.C., houve uma interrupção no desenvolvimento da cultura Iduméia, o que se prolongou até cerca de 1300 A.C., quando a área veio a ser dominada por povos nômades. Esaú ocupara essa área antes de Jacó retornar de Harã (Gn 32:3; 26:6-8; Js 14:4). Chefes tribais controlavam a região (Gn 36:15-19,40-43). Reis idumeus (chefes tribais, ou chefes de várias tribos) antecederam qualquer rei em Israel (Gn 26:31-39; I Cr 1:43-51).

IV. História

As descobertas arqueológicas desvendaram indícios de habitação, nessa área, até tempos tão remotos quanto o século XXIII A.C. A cultura iduméia começou ali entre 1850-1900 A.C. Talvez tenha sido a invasão de Quedorlaomer (Gn 14:1 ssque despovoou a área de seus habitantes mais antigos. Os horeus tomaram conta da região; e quando Esaú e seus filhos vieram a dominar e absorver os habitantes horeus originais (Gn 14:6), eles encontraram as tribos usuais com seus respectivos chefes (Gn 36:29,30). Esaú casou-se com uma filha de um desses chefes tribais (Gn 36:2,25). Por sua vez, os descendentes de Esaú também tornaram-se chefes tribais da região (Dt 2:12,22).

Os idumeus tinham uma cultura bem estabelecida, com uma monarquia que começou antes mesmo da época do êxodo de Israel do Egito. Os registros escritos dos idumeus desapareceram, embora os egípcios nos dêem algumas informações, como também os hebreus e os assírios. Os registros dos dias dos faraós Mernepta (cerca de 1225-1215 A.C.) e de Ramsés III (cerca de 1198-1167 A.C.) mencionam os idumeus como tributários. Alguns historiadores duvidam da exatidão dessa reivindicação. Os trechos de Gn 36:20-30 e I Cr 1:43-54 mencionam a sociedade monárquica dos idumeus. O papiro Anastasi VI, do Egito, menciona tribos-pastores de Edom. E a carta de Tell El-Amarna, n° 256 (cerca de 1400 A.C), ao chamar Edom de Udumurefere-se ao lugar como um adversário do príncipe jordaniano.


A história de Edom inclui grande caldeamento de raças. Os casamentos mistos deram-se com os cananeus (hititas, Gn 26:24) e com os horeus do monte Seir (Gn 36:20-30). A absorção e a mescla criaram um povo distintivo, hostil a Israel. Quando Israel desejou atravessar o território de Edom, a caminho da conquista da Terra Prometida, não tiveram permissão para tanto; mas Edom, visto descender de um irmão distante, não deveria ser perturbado (Js 15:1,21).


A história subseqüente inclui vários incidentes de hostilidades, sendo provável que esses fossem permanentes. Saul teve problemas com os idumeus (I Sm 14:47). No entanto, houve idumeus que o serviram (I Sm 21:7; 22:9). Davi subjugou a terra deles, e ali erigiu fortificações (II Sm 8:13,14). Joabe tinha como um de seus alvos erradicar todos os idumeus do sexo masculino; e podemos supor que isso criou uma grande e contínua hostilidade (I Rs 11:15,16). Esse programa de Joabe, todavia, não obteve sucesso total, pelo que, mais tarde, Salomão teve problemas com os idumeus (I Rs 11:14-22). Entretanto, ele dominou essencialmente a Iduméia, tirando vantagem de suas riquezas naturais. Construiu um porto marítimo em Eziom Geber, no golfo de Acaba, para servir ao comércio marítimo (I Rs 9:26; II Cr 8:17). A arqueologia tem descoberto as minas de cobre e de ferro de Salomão, localizadas entre três e cinco quilômetros de Elate (no golfo de Acaba).


Edom, porém, recuperou-se. Aliados de Amom e de Moabe, nos dias de Josafá, os idumeus atacaram Judá (II Cr 20:1). Então, posteriormente, esses aliados combateram uns contra os outros (II Cr 20:22,23). Judá, entretanto, conseguiu o predomínio e um governador, controlado por Judá, passou a dirigir os idumeus (I Rs 22:48). Todavia, no tempo de Jeorão, Edom rebelou-se novamente, atacando Eziom-Geber (II Rs 8:21). Jeorão levou a melhor na refrega, embora não tivesse podido subjugar totalmente os idumeus. E Edom ficou independente por um período de cerca de quarenta anos.

Amazias (796-767 A.C.) promoveu outra invasão de Edom, matou dez mil guerreiros idumeus e capturou Sela, a capital (II Rs 14:7; II Cr 25:11,12). Uzias aniquilou o que ainda restava deles (II Rs 14:22). Porém, uma vez mais Edom obteve a independência e Judá nunca mais teve a oportunidade de reconquistar o território. Tiglate-Pileser III, da Assíria, compeliu Kaush-malaku, rei de Edom, a submeter-se a seu governo. A área foi absorvida pelos babilônios, em 604 A.C. Eles aliaram-se a Nabucodonosor e ajudaram a destruir a cidade de Jerusalém, em 587 A.C, e então regozijaram-se grandemente diante do acontecimento (Sl 137:7; Lm 4:21,22; Ob 10-16). Subsequentemente, alguns idumeus ocuparam a porção sul de Judá, fazendo de Hebrom a sua capital. Isso resultou na formação da Iduméia do período pós-exílico. No século V A.C., Edom caiu sob o poder dos árabes. Os nabateus, no século IV A.C, conquistaram a região e fizeram de Petra (Sela) a sua capital. Alguns idumeus fugiram para a Iduméia, mas a maioria deles foi absorvida pelos novos habitantes da região.


Chegamos então ao tempo dos Macabeus. Judas Macabeu obteve vitória sobre os idumeus, em 164 A.C (I Macabeus 4:1-5; Josefo, Anti. 12:8,1). João Hircano ocupou o território inteiro, em 120 A.C Nessa época, o judaísmo tornou-se a religião obrigatória deles, conforme nos diz Josefo (Anti. 13:9,1; 15:7,9). Depois disso, chegou o poder dos romanos, e todos os territórios em questão ficaram sob o domínio deles. Antípater, pai de Herodes, o Grande, era proveniente da Iduméia. Ele governava o território inteiro; então Herodes, o Grande, tornou-se o governante, em 37 A.C. Foi nesse tempo que houve a última dinastia de governantes palestinos. Após a destruição de Jerusalém, em 70 D.C, os idumeus desapareceram da história. Isso pôs fim à história de Edom. Foi um jogo irônico da história que os descendentes daqueles que tanto haviam exultado ante a queda de Jerusalém, em 587 A.C, estivessem entre os mais resolutos defensores da cidade, quando os romanos a atacaram, em 66-70 D.C.


Fonte: Russel Norman Champlin - Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia vol.2 pgs.266, 267 e 268 - Ed.Hagnos


Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 20 de setembro de 2016

Arqueologia - Piso do segundo Templo é reconstruído em Israel

Arqueólogos apresentam provas incontestáveis da construção feita por Herodes no Monte do Moriá
A partir da esquerda: Frankie Snyder, que reconstruiu os projetos da telha,
Dr. Gabriel Barkay e Zachi Dvira | Crédito da foto: Dudi Vaaknin
Uma descoberta recente está animando estudiosos da Bíblia e da história de Israel, em especial aqueles que anseiam pela reconstrução do Templo no alto do Monte Moriá. Após 12 anos de pesquisas meticulosa, arqueólogos israelenses conseguiram reconstruir sete partes originais do piso do templo edificado por Herodes, no alto do monte Moriá, que foi destruído no ano 70.

Um verdadeiro “quebra-cabeças” foi montado partir de 600 pedaços de cerâmica encontrados nos escombros do que a administração palestina do Monte do Templo tentou esconder. Há anos os muçulmanos tentam eliminar provas da história judaica no lugar.

De maneira ilegal, toneladas de terra foram escavadas e lançadas fora como aterro, mas os especialistas estão cuidadosamente resgatando moedas, potes e cerâmicas. É o projeto Peneirar o Monte do Templo.

Esses pedaços do piso, que lembram ladrilhos modernos, são parte de um trabalho supervisionado por Gabriel Barkay e Yitzhak Dvira. Eles explicaram ao portal de notícias Ynet que o material reconstruído é “de uma beleza excepcional, e provavelmente foram utilizados nos pórticos, na entrada do acesso ao Templo”. Lembram que o historiador judeu Flávio Josefo descreveu em seus escritos que eles eram coloridos. “Temos aqui pela primeira vez um vislumbre da beleza do lugar”, comemora Barkai.

Fragmentos dos pisos do Pórtico do Templo de Herodes
Piso onde Jesus andou
Originalmente importados de Roma, da Ásia Menor, da Tunísia e do Egito, os mosaicos que formam o piso foram cortados em diferentes formas geométricas. Provavelmente foram feitos por artesãos estrangeiros e enviados para Herodes, o Grande pelo imperador Augusto.

Frankie Snyder, especialista em pisos decorativos antigos e que trabalha com o projeto Peneirar ajudou a reconstruiu as peças. Ele explica que o estilo, chamado Opus Sectile, era distintivo de pisos exclusivos feitos na época. Basicamente eram pedras multicoloridas polidas e cortadas para compor uma diversidade de formatos geométricos.

Mosaico do piso do Templo de Herodes

Este mesmo estilo de decoração de pisos foi encontrado em outras construções de Herodes o Grande e visto nas ruínas dos palácios erguidos por ele em Massada, Herodium e Jericó. Uma característica-chave desses mosaicos herodianos é o seu tamanho, que corresponde à medida de um pé romano: 29,6 centímetros.

O dr Barkay acredita que além de conectar os judeus com seus antepassados, o achado deve ter grande importância para os cristãos. “Este provavelmente é o piso por onde as moedas rolaram quando Jesus virou as mesas dos cambistas!”, acredita.

Dr.Gabriel Barkay
Trata-se da mais incisiva evidência física e arqueológica que havia um Templo Judaico no Monte do Templo 2 mil anos atrás. “É a primeira vez em que arqueólogos foram capazes de restaurar com sucesso um elemento do complexo que formava o Segundo Templo”, comemora Zachi Dvira, co-fundador e diretor do projeto Peneirar.  Até agora a maioria das descobertas era de moedas, selos pedaços de argila e cerâmica da época.

Schneider e Dvira apresentaram suas descobertas esta semana, na conferência anual da Megalim, central de estudos da antiga Jerusalém.



Projeto Peneira
Coordenado pela Universidade Bar-Ilan e a Fundação Cidade de Davi, o “Peneira” deseja investigar todo o material dos mais de 400 caminhões de terra retirados do Monte do Templo e despejados em um vale, perto da Cidade Velha de Jerusalém.

Zachi Dvira, idealizador do projeto que possibilita que voluntários ajudem na escavação, explica que desde o início do projeto em 2004, mais de 170 mil pessoas já participaram. Cerca de 50% da terra retirada do local sagrado já foi analisada.

O doutor Barkay afirma que esse “aterro” é o “maior crime arqueológico da história de Israel”. Afinal, o Monte do Templo está no centro da disputa política sobre Israel ser (ou não) a capital de um futuro Estado da Palestina.

“O Monte do Templo é o mais delicado e mais importante sítio arqueológico no país, e jamais foi escavado por causa da política. É uma incógnita; um pedaço de terra desconhecida”.

Após a reunificação de Jerusalém durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel retomou o controle de sua capital, mas por causa de um acordo, o Monte permanece sob domínio do governo jordaniano. Achados arqueológicos que comprovem que ali repousava o templo de Salomão colocariam por terra os argumentos muçulmanos de que os judeus não têm direito ao local.

The Temple Mount Sifting ProjectProjeto Peneirar Monte do Templo

Fonte: GospelPrime

Leia também:
Aqui eu Aprendi!

domingo, 18 de setembro de 2016

Profecias de Salvação e Esperança

"Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada Lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram." Hb 4.2

No capítulo 40, começam as profecias que se referem ao exílio e pós--exílio. Isaías tem objetivos muito claros nessa segunda parte de suas profecias. Ele anuncia ao povo que o tempo de sofrimento estaria chegando ao fim, que o castigo divino estava para terminar e que bênçãos e salvação estavam a caminho. Elas enfatizam o livramento (40-48), a redenção (49-57) e a glória (58-66) do povo de Deus. Logo, dizem respeito à salvação e à esperança, servindo de contrapeso às profecias iniciais que previam catástrofes e miséria devido à desobediência do povo, mostrando também que a misericórdia e o amor de Deus são infinitamente maiores que sua correção e juízo.

As profecias se referem a dois períodos históricos. O primeiro é o do cativeiro babilônico que logo aconteceria e o povo precisaria ter esperança em Deus para ver Jerusalém e o templo completamente destruídos (veja Lamentações de Jeremias) e sobreviver em Babilônia, um lugar de sofrimentos, saudades (SI 137) e perdas; alguns deles serviriam no palácio real, como Daniel e seus amigos, porém muitos seriam escravos maltratados e fariam trabalhos desprezíveis. Aliás, os maltratados eram maioria. Por isso, o profeta anima-os com suas palavras preparando-lhes para este tempo; o segundo é o período em que eles voltariam do cativeiro e, dadas as condições precárias da longa viagem, em boa parte pelo deserto, bem como a própria situação de Jerusalém devastada, a qual encontrariam quando chegassem, era preciso palavras de encorajamento para que o remanescente não desfalecesse. Todas essas profecias de Isaías, no entanto, têm um horizonte muito maior, que é a salvação que Deus daria ao povo através de Cristo; por isso, o profeta é chamado de anunciador de Boas-Novas, pois ele prevê que Deus traria grande salvação ao seu povo, para além do tempo de cativeiro e retomo.

I - O PROFETA EVANGELISTA
A destruição estava em toda parte (Lm 2.2), o templo foi profanado, e todos foram humilhados (Lm 1.10; 2.15; 3.45-46), a autoestima foi abalada (Lm 2.1), a esperança esvaiu-se por completo (Lm 5.2), o povo foi levado escravo (Lm 1.3; 5.5), instalou-se uma crise de identidade (Lm 1.6; 2.9; 5.6) e a fome devorava todos (Lm 4.4-5). É nesse contexto futuro de destruição que o profeta constrói uma das passagens mais lindas de Isaías. Primeiramente que Deus agiria trazendo libertação ao povo, mas também traria a certeza de que o Messias viria como ungido divino e restauraria todas as coisas.

É importante notar uma inferência à trindade no texto do capítulo 61, pois o profeta se refere ao “Espírito”, ao “Senhor Jeová” e a “mim” (Is 61.1), demonstrando que toda a trindade e poder divinos estavam agindo a favor de Israel e da humanidade perdida, no sentido de lhes trazer salvação e redenção completas através das Boas-Novas do evangelho. Teologias do método histórico-crítico argumentam que, quando o profeta se refere a “mim”, está se referindo a si mesmo ou ao povo de Israel, porém essa tese é desfeita quando Jesus toma o livro de Isaías na sinagoga de Nazaré e diz: “Hoje se cumpriu esta Escritura em vossos ouvidos” (Lc 4.21)

1. A situação do povo no cativeiro
Aconteceram três deportações para a Babilônia; a primeira em 605 a.C., sendo um dos cativos o profeta Daniel; a segunda em 597 a.C., quando foram levados todos os nobres e ricos da cidade, em torno de 10 mil pessoas; e a terceira, como um golpe final sobre Jerusalém, aconteceu no ano 586 a.C.. Alguns haviam morrido de forme e nas guerras, e somente os mais pobres dentre o povo ficaram na cidade. Nessa conquista, a cidade foi devastada, o templo queimado e as riquezas saqueadas. Somente no ano de 539 a.C. os judeus começaram a voltar para Jerusalém e a reconstruí-la juntamente com o templo.

O povo de Deus, vivendo fora de sua própria terra, estaria numa situação muito lastimável. Eram escravos, sem templo, sem sacerdote, sem rei, sem orientação clara, em total desespero. Isaías nos dá uma ideia de como seria: “Essas duas coisas te aconteceram; quem terá compaixão de ti? A assolação, e o quebrantamento, e a fome, e a espada! Como te consolarei? Já os teus filhos desmaiaram, jazem nas entradas de todos os caminhos, como o antílope na rede; cheios estão do furor do Senhor e da repreensão do teu Deus” (Is 51.19-20). Eles seriam tão humilhados que o profeta lhes chama de “bichinho [outras versões escrevem vermezinho] de Jacó, povozinho de Israel” (Is 41.14). Mas ao mesmo tempo, ele lhes dá esperança de que Deus os ajudaria, seria seu Redentor. A escravidão a qual o povo foi submetido é descrita por Isaías como humilhante e exaustiva a ponto de aniquilar as forças (Is 44.12; 49.4). Eles estavam indefesos diante do poder do opressor.

Além disso, quando o povo de Jerusalém chegasse à Babilônia, haveria um contraste inquietante: a falsa grandeza dos deuses babilônios, que deram a vitória aos opressores, e o aparente fracasso do Deus israelita, que não livrou seu povo. Diante disso, eles precisavam ser animados e encorajados para continuarem crendo e esperando que Deus lhes traria o livramento, quando o castigo pela desobediência passasse. O profeta deveria dar uma mensagem de esperança para que o povo não caísse na armadilha de achar que havia uma disputa entre os deuses babilônios e o Deus de Israel. Embora temporariamente os babilônios tenham sido vencedores, essa realidade não duraria para sempre. Sendo assim, o profeta estava enviando Boas-Novas de salvação para num momento em que a confiança em Deus ficaria muito tênue, diante da realidade do opressor.

2. A situação do povo que ficou em Jerusalém
Nas primeiras deportações, o rei da Babilônia levou as pessoas mais nobres, ricas e as pertencentes à corte real (2 Rs 24.12-17; Jr 52.28-32). Na última deportação, foram levadas pessoas mais simples, como os funcionários da corte, sacerdotes, levitas, ajudantes, serventes, artesãos, alguns agricultores e vinhateiros (2 Rs 25.9-12). Ficaram somente os extremamente pobres na periferia de Jerusalém. O profeta Jeremias descreve a situação dos que ficaram da seguinte maneira: “A nossa herdade passou a estranhos, e as nossas casas, a forasteiros. Órfãos somos sem pai, nossas mães são como viúvas. [...] Os nossos perseguidores estão sobre os nossos pescoços; estamos cansados e não temos descanso. [...] Servos dominam sobre nós; ninguém há que nos arranque da sua mão. [...] Nossa pele se enegreceu como um forno, por causa do ardor da fome. Forçaram [estupraram] as mulheres em Sião; as virgens, nas cidades de Judá” (Lm 5.2-3, 5, 8, 10-11). Chegou-se até a afirmar que eram mais felizes os que morreram pela espada do que pela fome (Lm 4.9).

3. O significado de Boas-Novas
Diante desse quadro desolador, o profeta anuncia as Boas-Novas de salvação através do Servo Sofredor, que tomaria o lugar miserável do povo. De forma contextualizada, é justamente nesse estado que se encontram todos aqueles que estão afastados de Deus, cuja situação é caótica e somente a graça de Deus anunciada nas Boas-Novas é que pode trazer libertação e redenção.

A expressão Boas-Novas vem da palavra hebraica basar, que no grego é euangelizo, de onde provém a palavra “evangelho”. Sendo assim, quando anunciamos o evangelho, estamos cooperando com Deus e dando prosseguimento ao que o profeta iniciou, proclamando que o Deus libertador e perdoador está ao alcance de todos. É justamente a proclamação do evangelho que permite o acesso ao evangelho; por isso, o imperativo ide (Mt 22.9; 28.19), que possibilita aos ouvintes libertação, de acordo com o que Paulo escreveu: “Como, pois, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele de quem não ouviram? E como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14).

4. O anunciador de Boas-Novas
Por quatro vezes em seu livro, o profeta faz menção ao anúncio de Boas-Novas (40.9; 41.27; 52.7; 61.1). O que aconteceria ao povo no cativeiro não poderia ser comparável com a salvação que viria, e é por isso que ele anuncia Boas-Novas. Portanto, quando o profeta pronuncia Boas-Novas, está dizendo que, apesar das circunstâncias difíceis do cativeiro, Deus estaria agindo. Para provar isso, ele evoca na sua profecia, diversas vezes, a obra da criação (e.g., Is 40.12-17, 21-31 dentre outros), como se, no momento do exílio, estivesse tudo “sem forma e vazio”, mas Deus estaria se movendo sobre a face das águas (Gn 1.2) e, em breve, traria livramento para seu povo.

Da mesma forma, os cristãos no mundo todo são chamados a proclamarem o evangelho de Cristo aos que estão no cativeiro do pecado, do desprezo e da opressão, de tal forma que todos alcancem aquilo para o qual Cristo veio: “[...] restaurar os contritos de coração, a proclamar liberdade aos cativos e a abertura de prisão aos presos” (Is 61.1). Isso porque, como afirma René Padilha, “a comunicação oral do evangelho realmente é uma tarefa que os cristãos não podem esquecer.” Somos convocados por Deus para tal tarefa ao recebermos o seu Espírito Santo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Assim sendo, porque Cristo foi ungido pelo Espírito Santo, todos nós, seus discípulos, também o somos com o objetivo de tornar conhecidas as Boas-Novas do evangelho. O profeta deixa claro que, para fazer a obra de Deus dessa forma extraordinária, é necessário que, antes de tudo, haja unção do Espírito Santo (At 1.8). Depois é que se segue o enviar (ide), o proclamar (pregar), o consolar e o ordenar (serviços) (Is 61.1).

II - ABOAS-NOVAS DO EVANGELHO
Apesar de Isaías prever muito juízo divino como consequência da desobediência à Palavra de Deus, de descrever catástrofes bélicas e de aprisionamento do povo de Deus, o profeta faz irromper, com todo ímpeto, a salvação de Deus em seu livro. É algo extraordinário e belo observar a inspiração profética de Deus vindo em socorro do povo, a começar pelo nome de Isaías, que significa “o Senhor salva”. O verbo hebraico ysha ’, de cuja raiz vem o nome de Isaías, significa ajudar, salvar, resgatar, auxiliar quem está em dificuldades, e é justamente isso que Deus faz com Israel. Por isso, vários textos de Isaías mostram o Senhor Deus como o salvador.

Outra palavra utilizada por Isaías que denota Boas-Novas é “Redentor”, do hebraico go’el, que é o que redime dívidas impagáveis, assumindo as penalidades do que deveria ser castigado. Assim, Deus se coloca no lugar do pecador (Israel e gentios) impenitente e lhe provê o perdão e o livramento do castigo. Isaías ainda usa a palavra hebraica padah, que também significa “remir” ou “resgatar”, ou seja, é Deus pagando o preço pela libertação. Essas são as grandes Boas-Novas que Isaías anuncia, sem nem mesmo compreendê-las plenamente, pois se cumpririam por completo apenas em Cristo. Elas se resumem neste texto do profeta: “Por um pequeno momento, te deixei, mas com grande misericórdia te recolherei; em grande ira, escondi a face de ti por um momento; mas com benignidade eterna me compadecerei de ti, diz o Senhor, o teu Redentor” (Is 54.7-8).

1. O evangelho é uma pessoa
O Evangelho é a própria pessoa de Cristo. Nele se concentra toda a boa-nova de Deus para o resgate do ser humano. Foi Ele que, com sua morte e ressurreição, tornou a mensagem do Evangelho inconfundível. Quando Jesus morreu na cruz, nEle concentrou-se todo o mal e toda a culpa humana, como um ralo gigantesco que absorveu tudo aquilo que é contrário à plenitude da natureza humana para a qual Deus nos criou. Cristo nos libertou da maldição da Lei, da condenação do pecado e da separação de Deus, permitindo-nos estar unidos em comunhão com Ele, a fonte da vida. Deus agora não olha mais para nosso passado como parâmetro para nos aceitar e encaminhar nosso destino; porém, através da lente do evangelho, Ele nos vê como sua delícia (“Hefzibá” conforme Is 62.4) e somos procurados por Ele (Is 62.12) para uma vida de comunhão e intimidade.

Marcos é o evangelista que nomeia o Evangelho como sendo o próprio Cristo (Mc 1.1), bem como anuncia que o tempo do Evangelho chegou com Cristo (Mc 1.15) e Mateus anuncia que as várias profecias de Isaías se cumpriram em Cristo (Mt 1.22-23; 2.15,23; 4.12-17; 12.17-21; 21.4-5). Ele abriria os olhos dos cegos e tiraria de prisões aqueles que estavam em trevas. Por isso, Jesus é chamado em Isaías de luz dos gentios (Is 9.2; 42.6-7), que os tirariam das trevas e lhes iluminariam o acesso a Deus.

2. O evangelho é uma mensagem
O evangelho é o poder de Deus operando para a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). A aceitação do evangelho em atitude de fé é a garantia da libertação de pecados, medos e culpas, e também é a porta de entrada para a vida de liberdade que Deus preparou para os seus filhos. “O Messias continuará a usar a pregação do evangelho, para levar embora as cinzas da tristeza que os nossos obscuros pensamentos amontoaram sobre a nossa cabeça, e a derramar sobre nós o óleo de gozo.”

O profeta salienta que Deus, contrastando com os ídolos, é aquEle que trabalha para os que nEle esperam (Is 64.4). Na história da humanidade, nunca se viu ou se verá um Deus assim, simplesmente porque não existe outro Deus. O trabalhar de Deus em prol da humanidade perdida foi tão intenso que não poupou nem mesmo seu único filho. Dessa forma, seu trabalhar estendeu-se para além de qualquer expectativa humana, a ponto de entregar-se a si mesmo em Cristo, provando seu grande amor incondicional e seu cuidado intensivo para com a situação deplorável da humanidade, trazendo-lhes salvação, apesar de ninguém ser merecedor de tão grande salvação, pois todos pecamos, “somos como o imundo, e todas as nossas justiças, como trapo da imundícia” (Is 64.5-6).

Imundícia, aqui, está relacionada à peça de vestuário suja de sangue de menstruação, que contaminava cerimonialmente a mulher e também o homem que nela tocasse no Antigo Testamento. Mesmo quando achamos que podemos estar agindo religiosamente da melhor maneira, isso pode ser totalmente sem valor, pois quem nos justifica é somente Cristo, ou seja, o evangelho é a garantia de que todas as nossas impurezas, imperfeições, pecados e misérias são lavados pelo sangue do Cordeiro e, assim, somos aceitáveis e queridos por Deus. O apóstolo Paulo faz coro ao profeta quando afirma: “[...] As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1 Co 2.9-10).

3. O evangelho é um estilo de vida
O estilo de vida proposto pelo evangelho não tem muito a ver com a cultura gospel impregnada em nosso país. É, na verdade, um estilo de vida que imita Jesus em todas as coisas, numa atitude radicalmente contrária aos valores observados ou impostos até mesmo pela religiosidade. Seguir Jesus é dizer sim a atitudes de amor e de esperança para um mundo sofredor.

Mas seguir a Jesus também é ansiar pela presença e intervenção de Deus no mundo para que haja salvação. Por isso, o profeta faz uma série de anseios, lamentos e apelos proféticos apaixonados, que também devem ser nosso alvo, divididos da seguinte forma:

A1. Anseio: Pelo amor de Deus (63.15-16);

B1. Lamento: Nosso coração endurecido (63.17-19);

A2. Anseio: Desejo intenso pela presença e ação de Deus (64.1-5a);

B2. Lamento: Nossos pecados permanentes (64.5b-7);

C. Anseio: Desejo pelo toque perdoador de Deus (64.8-9);

Apelo: Que o Deus ilimitado intervenha (64.10-12).

Assim, viver o evangelho é ansiar profundamente (SI 42; 84) pela presença e manifestação de Deus como única solução purificadora e regeneradora do ser humano. É bem verdade que o pecado e o sofrimento nos acompanharão por toda a vida terrena; mas em Cristo, sempre de novo e infinitamente, experimentaremos o poder libertador, curador, restaurador e transformador do evangelho.

Algumas pessoas são carregadas de vícios a serem abandonados, culpas do passado, precisam de restauração de suas ruínas emocionais de sofrimento e dor, pois o pecado e o sofrimento criam correntes de prisão da alma humana. Muitos não encontram saída para tanta desolação e tristeza. Os mecanismos humanos não dão conta de reconstruir o que se perdeu, ou entrou em ruínas. É nesse momento de caos, assim como com Israel, que o profeta levanta a voz e diz: “E edificarão os lugares antigamente assolados, e restaurarão os de antes destruídos, e renovarão as cidades assoladas, destruídas de geração em geração” (Is 61.4). Tudo isso é possível porque o Espírito do Senhor, assim como no Messias, é sobre nós. Logo, a restauração da situação de miséria humana é um milagre divino que ecoa e age porque Cristo torna isso possível. Foi por isso que Paulo escreveu: “Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). Portanto, os que vivem no evangelho vivem um novo estilo de vida não mais condicionado ou aprisionado ao pecado e ao sofrimento humano, mas livre, liberto e pleno de vida, porque Cristo permite a todos que o aceitam e vivem a mensagem do evangelho que experimentem o seu poder transformador.

III - SALVAÇÃO E ESPERANÇA
1. Deus ampara seu povo no cativeiro
O profeta, descrevendo a situação do povo no cativeiro e prevendo salvação, afirma que o livramento do Senhor virá em meio ao deserto e que este se tornará em caminho reto. Passarão por vales e montanhas, porém estes se tornarão planos. Aquilo que no momento está torto será endireitado, e o que é áspero se tornará liso (Is 40.3-4). Ele faz a promessa de que aqueles que, em meio à tribulação, ficarem cansados e afadigados, se esperarem no Senhor, suas forças seriam renovadas para uma caminhada sem fadiga e uma corrida sem se cansar (Is 40.29-31). No exílio, o povo se sentiria muito longe de Deus, com muita sede dEle, mas Ele os ouviria e lhes saciaria; Deus lhes promete que lugares desertos se transformariam em mananciais de águas pelo seu poder miraculoso (Is 41.17-18). Isso significa que Deus proverá para o seu povo as coisas essenciais em muita abundância.

O profeta descreve o amor de Deus semelhante ao amor materno (Is 49.15), não tendo outra comparação que chegue mais perto desse amor, pois é a expressão de amor humano mais gratuito que existe. Ainda assim, o amor materno pode falhar, mas o de Deus nunca falha. Assim, Deus é descrito como amigo e interessado em livrar, perdoar, libertar, curar e cuidar. Nesse sentido, o profeta Isaías descreve o amor de Deus sendo: consolador (40.1; 51.12), que dá vigor ao cansado (40.29; 41.10), o compassivo (49.13; 52.9), o pastor (40.11), o perdoador (55.7) e um Deus próximo (45.3; 49.1,16). Dessa forma, o profeta desfaz uma imagem de um Deus vingativo e irado, muito comum no Antigo Testamento, e mostra quem Ele realmente é. Uma figura próxima do ser materno, a fim de expressar o amor de Deus ao povo, é usada quando o profeta o chama de pastor (Is 40.11; 56.8; 57.18; 58.11). Ele assim o faz para mostrar que Deus cuida, guia, toma em seus braços de amor e lhes traz descanso.

2. Deus livra o seu povo do cativeiro
A divindade cultuada na Babilônia era Marduk que, aparentemente, enquanto o povo estava debaixo da escravidão, levava vantagem. Marduk, na mitologia babilônica, era o deus que havia vencido o monstro marinho e criado o mundo; logo, era o mais poderoso. Por esse motivo, a profecia salienta a grandeza do Todo-poderoso Deus de Israel, atribuindo a vitória sobre o monstro a Jeová (Is 45.5; 51.9) e salientando várias vezes que Ele é o criador de todas as coisas (Is 43.7,15; 45.12), o único Salvador (Is 44.8; 45.5,6,18,21; 46.9), o Redentor e o Santo de Israel (Is 41.14; 44.22; 54.5,8).

Certamente, a dúvida pairava na cabeça de muitos israelitas se, de fato, essa divindade não seria mais poderosa que o Deus Jeová. Entretanto, quem tem condições de entender a história - e o profeta é um deles - prevê que, ao final das contas, existe apenas um Deus que é verdadeiro, sendo os demais mui medíocres (Is 46.1), pelo simples fato de terem sido criados pelas mãos dos homens, o que nem é parâmetro de comparação com o Deus de Israel. Pouco a pouco, o povo percebe que são seus próprios pecados e desobediência que os trouxeram ao cativeiro (Is 43.27-28) e que o opressor nada mais foi que um instrumento do único Deus verdadeiro para corrigir e dar vida novamente a seu povo.

Na profecia de Isaías, Deus chama Ciro, rei da Pérsia, de “ungido” (Is 45.1), sendo ele o instrumento para consolar e libertar seu povo do cativeiro no ano 539 a.C., apontando, desse modo, para o próprio Messias que, então sim, traria a libertação completa (Jo 8.36). Para reacender a fé do povo quando estivesse no cativeiro, o profeta lembra a eles o triunfo do êxodo, quando Deus interviu milagrosamente para libertar o povo (Is 40.3-4; 43.19-21). Deus sabia que seu povo ficaria confuso e com dúvidas no cativeiro. Por isso, o profeta antecipa-se aos fatos com palavras de consolo e esperança (Is 49.8-10).

3. Um derramar abundante do seu Espírito
Em todo o Antigo Testamento, o Espírito Santo é mostrado como o ser divino bastante ativo e colocando tudo e todos em movimento, criando (Gn 1.2; SI 33.6), organizando a caminhada do povo (Jz 3.10), inspirando e ungindo reis, profetas e sacerdotes (1 Sm 19.21; Mq 3.8; Nm 3.3), e dando sabedoria (Ex 35.31); mas é em Isaías que o Espírito Santo tem uma abrangência muito maior. Ele repousaria sobre o Messias (11.2); seria derramado (32.15); faria cumprir a Palavra do Senhor (34.16); está em todos os lugares (38.16); é autônomo (40.13); seria o protetor (59.19); daria restauração e liberdade (61.1); faria um concerto eterno (61.8) e daria descanso (63.14). O profeta prevê que Ele derramaria água sobre todos os que tiverem sede de Deus e transformaria em rios onde houvesse uma terra seca. “E a terra seca se transformará em tanques, e a terra sedenta, em mananciais de águas; e nas habitações em que jaziam os chacais haverá erva com canas e juncos” (Is 35.7). E ainda: “Abrirei rios em lugares altos e fontes, no meio dos vales; tornarei o deserto em tanques de águas e a terra seca, em mananciais” (Is 41.18).

Esse mesmo Espírito agiu sobre a vida de Jesus (Mc 1.10; Lc 4.14,18) para curar, libertar, transformar, operar milagres, consolar, ressuscitar mortos e realizar as obras de Deus; e esse mesmo Espírito opera na vida da Igreja para fazer obras maiores ainda (Jo 14.12); e é o Espírito Santo quem dá acesso ao Reino de Deus: “Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3.5). Portanto, o Espírito Santo age hoje de maneira muito mais intensa que nos tempos de Isaías, pois foi ele quem previu um derramar abundante onde houvesse sequidão (Is 35.7).

Além de o Espírito Santo colocar todas as coisas em movimento, atuar sobre reis e profetas e ungir a Jesus de Nazaré, seu agir se dá no meio do seu povo e na vida de cada crente em particular, levando ao arrependimento. Quando alguém olha para dentro de si e percebe quantas coisas existem que não agradam a Deus e se esforça para abandoná-las, isso pode levar a um colapso mental e espiritual, pois ninguém consegue agradar a Deus plenamente. Porém, ao reconhecer as falhas e procurar abandoná-las - o que o profeta chama de arrependimento ou estar de coração contrito (Is 57.15) -, Deus imediatamente se aproxima num acolhimento de amor, provendo sua presença curadora e restauradora. Caso contrário, ninguém suportaria a dor de suas próprias debilidades humanas. A isso o evangelho chama de graça divina. Aqueles cujo coração é contrito, com estes o “Deus conosco” habita (Is 7.14; Mt 1.23) e produz vivificação, ou seja, o que era sinal de morte passa a ser a essência da vida.

"Mas agora, assim diz o SENHOR que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.
Quando passares pelas águas estarei contigo, e quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.
Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; dei o Egito por teu resgate, a Etiópia e a Seba em teu lugar.
Visto que foste precioso aos meus olhos, também foste honrado, e eu te amei, assim dei os homens por ti, e os povos pela tua vida.
Não temas, pois, porque estou contigo; trarei a tua descendência desde o oriente, e te ajuntarei desde o ocidente.
Direi ao norte: Dá; e ao sul: Não retenhas; trazei meus filhos de longe e minhas filhas das extremidades da terra, a todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para a minha glória: eu os formei, e também eu os fiz.
Trazei o povo cego, que tem olhos; e os surdos, que têm ouvidos.
Todas as nações se congreguem, e os povos se reúnam; quem dentre eles pode anunciar isto, e fazer-nos ouvir as coisas antigas? Apresentem as suas testemunhas, para que se justifiquem, e se ouça, e se diga: Verdade é.
Vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor, e meu servo, a quem escolhi; para que o saibais, e me creiais, e entendais que eu sou o mesmo, e que antes de mim deus nenhum se formou, e depois de mim nenhum haverá.
Eu, eu sou o Senhor, e fora de mim não há Salvador.
Eu anunciei, e eu salvei, e eu o fiz ouvir, e deus estranho não houve entre vós, pois vós sois as minhas testemunhas, diz o Senhor; eu sou Deus.
Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?" Isaías 43:1-13

Fonte:
Lições Bíblicas - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. 3º.trim_2016 CPAD - Clayton Ivan Pommerening
Livro de Apoio - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. - Clayton Ivan Pommerening
Guia do leitor da Bíblia - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Bíblia Nova Versão Internacional
Dicionário Bíblico Wycliffe

Sugestão leitura:
Aqui eu Aprendi!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...