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sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

A Igreja louvará eternamente ao Senhor

Cada dia te bendirei e louvarei o teu nome pelos séculos dos séculos” Sl 145.2

O que deve mover nossa vida, o futuro ou o passado? A resposta para esta questão torna-se como uma guia-mestra para as atitudes que tomaremos em nossas vidas.

Numa leitura de nossa história coletiva, se olharmos para o passado nos comoveremos pela tragédia do Éden, onde nossos pais ancestrais – exemplos de cada um de nós e nossa condição humana – renderam-se às seduções da serpente.

Aparentemente, a morte de Jesus na cruz pode ser considerada um evento do passado, todavia, como bem nos atesta a Escritura (1 Pe 1.18-21), o sangue do cordeiro foi oferecido em sacrifício, desde antes da fundação do mundo. Logo este é um sacrifício eterno, que transcende a temporalidade, o qual demonstra que em momento algum a trindade foi tomada por surpresa, mas antes, eternamente tem trabalhado para nossa também eterna salvação.

Deste modo, devemos ser daqueles que se orientam para o futuro, olhando para aquilo que ainda não conseguimos ver, mas que eternamente está proposto para nós: o céu de glória.

Por isso adoramos, não por bênçãos materiais, promessas transitórias ou poderes humanos, mas porque para isso fomos criados por Deus. Talvez não saibamos cantar ou tocar, mas adorar sim! Alguns não são habilidosos com palavras, tendo dificuldade de pregar ou orar em público, porém para adorar não precisamos de nada, de nenhuma outra habilidade, para além de nosso próprio ser.

Em tempos de tantas polêmicas e discussões, nada como concentrar-se na simplicidade.

Não precisamos de cursos para aprender a adorar, não necessitamos de palestras com sete pontos para compreender o que é louvar a Deus, basta-nos, ser aquilo que originalmente o SENHOR nos fez, nós mesmos, adoradores.

No final desta nossa reflexão, que uma verdade mínima possa ser absolutamente cristalina: adorar é parte da essência da própria humanidade.

Se tudo tem uma razão de ser, somente o Criador poderia dar sentido a cada detalhe do universo. Alegre-se, você é a realização do mais lindo projeto de Deus. Por isso, você nasceu para adorar.

Diga não ao efêmero, a eternidade aguarda-te.
Nós devemos deixar-nos afetar muito mais pelo futuro do que pelo passado (Fp 3.13,14). O horizonte de uma vida celeste deve influenciar-nos a tomar decisões corretas e dignas de alguém que passará a eternidade diante de Deus (2Ts 1.5-12). Diante da certeza do céu, e de uma vida eternamente adorando, diga não, cotidianamente, a tudo o que possa afastar você de sua comunhão com o Senhor.

Não permita que pequenas coisas, prazeres fugazes, instantes de ilusão, roubem as certezas imperecíveis que Jesus garantiu por seu ato de amor na cruz.

Como a Bíblia declara: não sejamos profanos como Esaú (Hb 12.16); maldosos como Caim (1Jo 3.12); avarentos como Ananias e Safira. E sim, excelentes como Daniel (Dn 5.12); cheios do Espírito como José (Gn 41.38); dedicados como Paulo (2Co 11.26).

"Cura-me, Senhor, e sararei; salva-me, e serei salvo; porque tu és o meu louvor." Jeremias 17:14

Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Livro de Apoio - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - Thiago Brasil
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal
Aqui eu Aprendi!

sábado, 17 de dezembro de 2016

Modismos na Adoração e no Louvor

Retendo firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina como para convencer os contradizentes” Tt 1.9

Em um mundo repleto de desigualdades, injustiças, pessimismo e descrenças, uma pergunta crucial que devemos constantemente nos fazer antes de realizarmos qualquer tipo de empreendimento ou ação é: “Quais minhas motivações?”. Em outras palavras, devemos nos indagar sobre quais os objetivos que, por mobilizar nossas mentes e corações, nos impulsionam a realizar determinada tarefa.

Como muito bem já anunciou a sabedoria profética ("Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá?" Jr 17.9), existem inclinações de nosso homem interior que, por mais que pareçam ser puras e isentas de influências externas, serão perigosamente perniciosas a nossas vidas.

É um erro primário tentar avaliar a validade de uma determinada ação pelo resultado externo previsto ou até mesmo alcançado. Em inúmeros episódios da narrativa bíblica, pessoas que se auto-intitularam como justas ou éticas partindo simplesmente do julgamento dos resultados – atingidos ou esperados – de suas ações foram desmascaradas.

Leitura Texto Bíblico: 2 Pedro 2 1,13-19

“A razão da audácia dos falsos mestres é encontrada na sua animalidade. Eles são como animais irracionais (12), que nascem para ser capturados e destruídos como animais de rapina. Sua brutalidade é evidenciada no fato de blasfemarem do que não entendem. Eles posam como peritos espirituais quando, na realidade, são ignorantes quanto às coisas de Deus. Ao destruírem, eles certamente serão destruídos; ao serem injustos, eles receberão o salário da iniquidade (v.13). Mas Pedro ainda não terminou. A animalidade deles é percebida no fato de terem prazer nos deleites cotidianos. Esses cristãos professos são nódoas [...] e máculas para a comunidade cristã. A última parte do v.13 tem sido interpretada da seguinte maneira: ‘[...] os enganam, vivendo em pecado repugnante por um lado, enquanto pelo outro juntam-se a vocês em suas festas fraternais, como se fossem homens sinceros’ (Bíblia Viva). Visto que seus olhos são cheios de adultério (14), eles não conseguem ver uma mulher sem ter pensamentos lascivos. Na verdade, eles estão tão profundamente emaranhados que não cessam de pecar (são incapazes de parar de pecar), porque, por meio da avareza, exercitaram o coração com desejos maldosos” (Comentário Bíblico Beacon. Volume 10 — Hebreus a Apocalipse. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.274).

INTRODUÇÃO

Vivemos numa sociedade fluida. Prega-se que ao invés de valores e princípios — fixos e tradicionais — deve-se optar por tendências e modas — efêmeras e midiáticas. Essa tendência que se instaurou na sociedade contemporânea tem forte repercussão no campo religioso, especialmente quanto ao desenvolvimento do louvor e da adoração. A lógica do “faça rápido”, do “quem não aparece não é lembrando”, do “falem bem ou falem mal, mas falem de mim” invadiu o território sagrado da espiritualidade, transformando nossos adoradores em pop-stars e os cultos em “agendas” comerciais. A simplicidade e discrição, própria do cristianismo, foi substituída pelo glamour e pela midiaticidade. Todos querem ser notícia, cantar a música do momento, ir ao show de um ídolo. Parece que a mesma máquina de fazer dinheiro que impera no meio artístico de um modo geral, invadiu o segmento “gospel”. Em nome de Mamom, Jesus é preterido.

I. A DENÚNCIA DE PEDRO COMO ALERTA PARA NOSSOS DIAS

1. Os falsos profetas.
A preocupação de Pedro, que em grande parte é a preocupação de vários profetas ainda no Antigo Testamento, era a de que uma falsa liderança se levantasse sobre o povo de Deus distorcendo os ensinamentos de Cristo (Dt 13.1-18; Jr 23.9-15; Ez 12.21-28). As pessoas que Pedro denunciava, já naquela época, possuem, ainda hoje, uma série de características perigosas e identificadoras de suas más intenções: São avarentos e gananciosos (2Pe 2.3). Desejam fazer do povo de Deus mercadoria para negócio; são rebeldes e incapazes de obedecer às autoridades (v.10); são irracionalmente pragmáticos (vv.12,13), só pensam nos resultados imediatos, ainda que para isso acabem com princípios espirituais; são cheios de pecados sexuais, a mente, o coração e os olhos deles são dominados por adultérios (vv.14,15).

2. O culto defendido pelos falsos doutores em 2 Pedro.
Segundo os falsos mestres que Pedro denuncia, a vida do cristão não precisa ter grandes mudanças, libertação de pecados. Basta que ele permaneça como está, pois isso é ser livre. Mas como Pedro denuncia, esse discurso de falsa liberdade é a fonte de escravidão e dissolução daqueles que deveriam afastar-se do mal (vv.18,19). Seguindo a retórica falaciosa do princípio de que é “Proibido proibir!”, aquilo que deveria ser adoração torna-se profanação, e o que deveria ser louvor constitui-se escândalo. A promiscuidade é travestida de liberdade, e assim permite-se tudo para manter um grupo frequentando a igreja (Gl 5.13). O Evangelho é emudecido e só há espaço para discursos de autojustificação dos excentrismos, dos pecados e da falta de transformação.

3. Este “evangelho” mudou tanto que não muda ninguém!
Pedro, como verdadeiro profeta, já denunciava há quase dois mil anos que em tempos de crise desenvolver-se-ia um tipo de cristianismo que, de tão similar às práticas pecaminosas da sociedade sem Deus, não faria diferença alguma na vida das pessoas. A metáfora que o apóstolo usa no versículo 22 é extraída de Provérbios 26.11, e tem como finalidade demonstrar a ineficácia de uma espiritualidade que não liberta as pessoas. Esse tipo de “evangelho” é uma farsa, não transforma vidas, apenas as “embeleza” exteriormente para que mais tarde elas voltem a pecar, e mais uma vez retornem para a farsa religiosa, sem arrependimentos, apenas com culpas. Essa é a lógica perversa do “cristianismo sem Cristo”, um ciclo de pecado, falso perdão, novo pecado, novo falso perdão... Seguir a Cristo é um processo de escolha, renúncia e perseverança (Mt 16.24).

Que o Senhor Jesus nos dê cada vez mais discernimento para sermos capazes de diferençar os verdadeiros servos de Deus, dos mercenários que desejam apenas o poder.

II. MODISMOS NA ADORAÇÃO

1. Como se formam os modismos no mundo gospel?
Definimos como “modismo” todo tipo de comportamento ou atitude que as pessoas simplesmente reproduzem, sem uma reflexão prévia. É “moda” porque faz sucesso, porque chama a atenção. Na atualidade, boa parte dos modismos são reproduzidos por meio dos mecanismos de comunicação em massa, especialmente pela internet e por seus sites ou aplicativos de compartilhamento de informações. A força dos modismos está na falsa sensação de ineditismo que eles causam. Numa sociedade das coisas supérfluas, as pessoas não gostam de repetir experiências, por isso, até em sua vida espiritual procuram vivências novas, diferentes. Partindo deste princípio é que o modismo atinge outro ponto central para sua reprodutibilidade: o narcisismo. Quem faz algo novo torna-se o centro das atenções, e infelizmente muitas pessoas não estão em busca de uma adoração verdadeira, mas de tornarem-se celebridades.

2. As modas na adoração.
Os modismos na adoração são cíclicos, vão e vêm, sempre obedecendo ao princípio do ineditismo que alimenta o narcisismo. Tais modismo, de um modo geral, tiram a glória que pertence a Deus e direcionam a uma pessoa ou objeto (Êx 32.4; Ap 13.4). Daí temos as orações pelos copos com água ou pelas Carteiras de Trabalho; os tapetes ungidos; as vigílias centradas no número sete, etc. Existe a moda dos acontecimentos sobrenaturais no culto: todo culto alguém tem que cair; alguém rodopia; alguém marcha no poder. Acontecimentos que, se fossem ações de fato espirituais, deveriam ser episódicos e não programados.

3. Os efeitos dos modismos na adoração.
Os efeitos destes comportamentos são terríveis para o desenvolvimento de uma igreja: as pessoas não amadurecem espiritualmente (Hb 5.12), há um excesso de meninices (1Co 14.20), são facilmente enganadas por falsos obreiros (2Tm 3.13). É celebrado o culto, mas Cristo não é adorado (Mt 7.20-23). O que se faz pode-se chamar de adoração extravagante — onde pessoas gritam, choram jogam-se ao chão —, ou ainda de culto das primícias, do pentecostes — cheio de símbolos judaicos: shofar, candelabro, palavras em hebraico e ofertas em dinheiro —, todavia não são momentos de adoração, pois o simples nome não define uma celebração como verdadeira adoração. Pessoas que entram pelo caminho da falsa adoração enveredam por uma trajetória de ilusão, sofrimento e frustração (Cl 2.4,8,16).

Os modismos na adoração são prejudiciais à Igreja, pois tiram a glória que pertence a Deus e direcionam a uma pessoa.

Ser narcisista é tornar a si mesmo como objeto de adoração e veneração; para um narcisista ninguém é melhor que ele, somente ele é digno dos holofotes, aplausos e olhares.

III. MODISMOS NO LOUVOR

1. Muita repetição e pouca música.
O louvor é algo intimamente ligado a construção do povo de Deus. Os judeus possuem uma vasta coletânea de salmos, já a Igreja Primitiva possuía um conjunto de hinos públicos. Para o desenvolvimento deste repertório musical foi necessário muita inspiração e dedicação. Infelizmente hoje, uma parte das canções que cantamos na Igreja são plágios explícitos de músicas seculares; outras canções, apesar de inéditas, são compostas de tão poucos versos que é necessário repeti-la várias e várias vezes. Há ainda uma grave pobreza de conteúdo, canções que falam apenas de vitória, depois de vitória e no fim de vitória; temas repetitivos, estruturas poético-musicais paupérrimas. Quando lemos o Salmo 119, ou mesmo um cântico como o de Romanos 8.31-39, pode-se perceber que a inspiração de Deus é infinita e a riqueza de temas e assuntos é inesgotável. Cabe àquele que se dedica ao louvor que o faça com empenho e humildade.

2. A “indústria do louvor”.
No final da década de 90 e início dos anos 2000, concretizou-se a guinada descendente da indústria fonográfica. Com a popularização dos aparelhos de reprodução de CD's e da internet, os grandes selos musicais entraram em decadência. Contudo, os empresários do entretenimento musical logo perceberam que o segmento evangélico, por seus princípios éticos, continuava consumindo os CD's e DVD's de seus cantores. A indústria da música passou a contratar e gravar música gospel, que antes era preterida. Nossos irmãos tornaram-se artistas, suas músicas, as capas de seus CD's e seus shows tornaram-se plágios do mercado secular. Não houve apenas uma profissionalização do louvor, desenvolveu-se uma mercantilização da fé. Hoje há artista gospel em comícios de políticos, em programas de TV com baixa audiência, músicas como trilha sonora de novelas. E não foi para a glória de Deus, e sim, para o enriquecimento de alguém.

Ponto Importante
Todo obreiro é digno do seu salário. Aquele que faz a obra de Deus com dedicação e esmero deve ser reconhecido, em todas as áreas, por seu empenho. Todavia, é a lógica perversa do acúmulo de riqueza que faz com que muitos de nossos irmãos trabalhem muito, para enriquecer a outros.

CONCLUSÃO

Só existe oferta porque há mercado. Só existe artista porque há plateia. A adoração e o louvor obedecerão tanto mais os modismos do entretenimento secular quanto nós, em nossas igrejas, aceitarmos, comprarmos e reproduzirmos esses comportamentos decadentes. Só há um modo de retornarmos a essência da adoração: apresentando nossa adoração como puro louvor, nosso louvor como desinteressada adoração.

"Então disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz, e siga-me; porque aquele que quiser salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a sua vida por amor de mim, achá-la-á." Mateus 16:24,25

Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Livro de Apoio - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - Thiago Brasil
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal


Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

sábado, 10 de dezembro de 2016

A Forma do Culto - Liturgia e Ordem

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional” Rm 12.1

“O formalismo cansa a Deus
O culto levítico fora instituído, a fim de que Israel adorasse a Deus de forma verdadeira e amorosa (Lv 20.7). Os seus vários sacrifícios, oferendas e oblações deveriam ser subentendidos como figuras dos bens futuros (Hb 10.11). Infelizmente, os israelitas passaram, com o decorrer do tempo, a adorar a própria adoração. Acabaram por considerar o culto superior ao cultuado. E isso trouxe-lhes consideráveis prejuízos. Haja vista o que aconteceu à serpente de bronze (Nm 21.8; 2 Rs 18.4).

Na vida dos judeus, cumprira-se o que, certa feita, afirmou Charles Montesquieu: ‘A maior ofensa que se pode fazer aos homens é tocar nas suas cerimônias e nos seus usos’. De tal maneira o formalismo contagiou os judeus que, no tempo de Jeremias, passaram eles a considerar o Templo do Senhor como mais importante que o Senhor do Templo (Jr 7.4). Achavam que, apesar de suas iniquidades, os sacrifícios e oblações, que pensavam eles endereçar ao Altíssimo, ser-lhes-iam mais do que suficientes para torná-los aceitáveis diante de Deus (Jr 3.1-15). Como estavam enganados! [...] Assim é o cristianismo nominal” (ANDRADE, Claudionor, de. Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2004. p.128).

Deus criou todas as coisas ordenadamente. Nada veio do caos, tudo que existe tem uma razão de ser; assim também no culto ao Senhor necessitamos de princípios básicos de organização.

Texto Bíblico: I Coríntios 14 26-33

Existe uma liturgia ideal?
Liturgia, formalismo e fanatismo; culto à forma X culto a Deus. Estudaremos a respeito da natureza, necessidade e lógica da Liturgia, compreendida como conjunto de procedimentos públicos que orientam o culto a Deus.

I. LITURGIA

1. O que é liturgia?
O termo “liturgia” é derivado de um vocábulo do mundo político da Grécia Antiga, que foi incorporado ao contexto religioso. Definia-se como leiturgía o trabalho que um cidadão exercia em benefício da coletividade. Tal atribuição não era percebida como um encargo, mas com uma honra. Ações como serviço militar, responsabilidade em cargos políticos, construção de bens públicos, todos eram concebidos como leiturgía.

Quando introduzida no campo religioso a palavra passou a designar a organização dos elementos cúlticos com a finalidade de prestar adoração e louvor a Deus de forma coletiva e saudável. Em o Novo Testamento textos como 2 Coríntios 9.12; Filipenses 2.17 e Hebreus 8.6, utilizam o termo que é traduzido, respectivamente, como administração, serviço, ministério. Pode-se assim notar que a liturgia não tem um fim em si mesma, mas tem como objetivo contribuir para que cada elemento do culto cumpra seu papel principal, que é colaborar na adoração.

2. Quem precisa de liturgia?
Se vivemos em comunidade é natural que em determinado momento surjam as divergências. Elas não são necessariamente fruto do pecado ou da influência de Satanás, mas produto de nossas singularidades. Essa natureza multifacetada da humanidade repercute no corpo de Cristo, assim como nos ministérios que exercemos nele (Ef 4.11; Rm 12.6-8). Diante dessa condição própria da humanidade, o desenvolvimento de um conjunto de princípios para a organização do culto é absolutamente necessário. Sem um ordenamento mínimo qualquer organização humana torna-se caótica, até mesmo a adoração a Deus. Deste modo, por melhores que sejamos ou mais espirituais que nos achemos, todos necessitamos de limites e sinais que nos apontem até onde podemos ir.

3. Quais os fundamentos de uma liturgia.
O primeiro fundamento da liturgia é o louvor a Deus. Tudo o que acontece no culto deve exaltar e bendizer ao Pai, logo, se algo é realizado sem tal finalidade deve ser suprimido da devoção coletiva. A segunda razão de ser da liturgia é a coletividade, isto é, tudo que envolve o processo de organização do culto deve visar o bem comum, jamais o interesse individual. Por isso, gostos e preferências particulares precisam ser deixados de lado. O culto é organizado para glória de Deus e alegria de todos os adoradores (Sl 32.11; 68.3). O terceiro elemento da liturgia é a organização; a aplicação da liturgia deve permitir que participação no culto seja inteligível a todos. Não há nada indiscernível ou misterioso no culto; tudo o que acontece deve promover uma adoração racional.

"Portanto santificai-vos, e sede santos, pois eu sou o Senhor vosso Deus." Levítico 20:7

II. O PROBLEMA DO CULTO EM CORINTO

1. Corinto, uma igreja de excessos.
A igreja em Corinto espelhava a comunidade na qual estava inserida: cheia de exageros e imoderação (1Co 4.8; 5.6). Não que aquela comunidade fosse apenas um reduto de pecados — apesar deles existirem (1Co 5.1,2; 8.12) —, mas, ao contrário, a graça de Deus fora derramada ali de modo especial (2Co 7.4; 8.7; 9.8,14). Aquela igreja transbordava em bênçãos de Deus (1Co 1.7), esse talvez fosse o “bom problema” em Corinto: havia tantos dons, bênçãos, milagres e ministérios, que se iniciou ali um choque de atuações e serviços; enquanto alguns eram abençoados, outros eram atribulados (1Co 14.17). Foi algo tão sério que a comunidade chegou a partidarizar-se em torno de algumas lideranças — as quais por sua vez possuíam características ministeriais e carismáticas diferentes (1Co 3.1-6). Diante desse abençoado, mas problemático, excesso de dádivas, o que fazer?

2. A adoção de uma liturgia para edificação coletiva.
Havia muitos talentos entre os coríntios (1Co 14.26). Por isso, para o desenvolvimento espiritual de todos, era necessário a adoção de um plano litúrgico para que as celebrações em Corinto fossem edificantes para todos. Logo, deveria haver espaço para tudo, do louvor ao falar em línguas, passando pela profecia e pelo discernimento de espírito. Um conceito chave, entretanto, era a ordem, de modo que cada um, a partir de seu próprio relacionamento com Deus e no desenvolvimento de sua adoração, deviam colaborar, individualmente, para o estabelecimento de um bom ambiente de louvor a Deus. A desculpa de que o momento da adoração nos conduz ao descontrole é inválida.

3. O princípio do amor na estruturação da liturgia.
Paulo deixa bastante claro que todas as regras comunitárias, operações sobrenaturais, normas coletivas e manifestações espirituais precisam ser mediadas pelo amor (1Co 12.31). Nada deve ser feito por revanchismo, sentimento de humilhação do próximo, ou narcisismo (1Co 14.36). Cada cristão daquela comunidade tinha o privilégio de exercer seus dons e ministérios, desde que levasse em conta que a existência desses era para a glória de Deus e serviço à comunidade. Sem a devida conciliação entre dons/ministérios e amor, a bênção de Deus pode tornar-se inválida (1Co 14.19,23). Não existe culto sem a manifestação de Deus, as operações espirituais sem a mediação do amor tornam-se puro exibicionismo e espetáculo que somente atrapalham o culto e afastam a glória de Deus.

"Alegrai-vos no Senhor, e regozijai-vos, vós os justos; e cantai alegremente, todos vós que sois retos de coração." Salmos 32:11

III. LITURGIA, FORMALISMO E EXIBICIONISMO

1. O culto a Deus X o culto ao culto.
A história é dinâmica, assim como o desenvolvimento do povo de Deus. Durante o curso do desenvolvimento do plano divino sobre a terra, o Senhor vem se utilizando de diversas estratégias para auxiliar o seu povo no louvor: orientou a construção do Tabernáculo e do Templo. Exigiu sacrifícios de animais e agora pede sacrifícios de louvor (Hb 13.15). Se com Israel e a Igreja Primitiva as formas de cultuar a Deus mudaram é natural que em nossas comunidades algo também se altere, sem contudo, a essência ser perdida.

2. Formalismo.
Formalismo é uma observância estrita a regras e formas, e isso em algumas igrejas vem se tornando um problema no momento do culto. Em alguns lugares, o culto é tão mecânico que sua previsibilidade engessa a adoração. Em outros casos, uma pessoa pode até não andar realmente de acordo com os padrões de Deus, mas se ela seguir o formalismo do culto, pode até ministrar a adoração. Isso é errado! Pois, os adoradores verdadeiros, mais do que seguir regras, seguem uma vida de obediência a Deus. Não existe fervor nas orações, que já se tornaram vãs repetições. A forma como o culto é apresentado é muito mais importante que o Deus que se pretende adorar. Ir à igreja tornou-se uma tradição.

3. O perigo da falta de ordem.
Semelhante a comunidade em Corinto, em várias igrejas a abundância de dons, que deveria ser um sinal de bênção, tem se tornado motivo de tribulação. Em alguns lugares há tanto louvor que não é possível ter pregação da Palavra; já em algumas comunidades o momento da oferta tornou-se o centro do culto, ocupando a maior parte do tempo. Como faz falta uma boa e genuína liturgia nestes lugares.

"Porque não temos aqui cidade permanente, mas buscamos a futura. Portanto, ofereçamos sempre por ele a Deus sacrifício de louvor, isto é, o fruto dos lábios que confessam o seu nome. E não vos esqueçais da beneficência e comunicação, porque com tais sacrifícios Deus se agrada." Hebreus 13:14-16


CONCLUSÃO
A importância da liturgia para o desenvolvimento da adoração a Deus é algo que devemos continuamente reconhecer. Todos somos capazes de perceber quando a programação de um culto está mal elaborada ou simplesmente não existe; isto porque essa irresponsabilidade afeta coletivamente o louvor que se pretende apresentar ao Senhor. Busquemos a Deus com fervor, mas sempre numa perfeita organização.


SUBSÍDIO
“O espírito do profeta e o Espírito do Senhor. Precisamos fazer a nossa parte, a fim de que o Espírito realize a dEle. E isso está relacionado com a liturgia, conjunto dos elementos que compõem o culto cristão (At 2.42-47; 1Co 14.26-40; Cl 3.16). Embora seja possível liturgia sem culto, não há culto sem liturgia (Is 1.11-I7; 29.13; Mt 15.7-9; 1Co 11.17-22).

A parte litúrgica compreende diversas partes do culto: oração (At 12.12; 16.16); cânticos (1Co 14.26; Cl 3.16); leitura e exposição da Palavra de Deus (Rm 10.17; Hb 13.7); ofertas (1Co 16.1,2); manifestações e operações do Espírito Santo (1Co 14.26-32); e bênção apostólica (2Co 13.13; Nm 6.23-27).

Tomando como base o livro de Atos dos Apóstolos e as Epístolas (At 2.1-4; Ef 5.19; Cl 3.16), vejamos como era o culto, nos tempos do Novo Testamento. A promessa da efusão do Espírito (Jl 2.28) cumpriu-se no dia de Pentecostes (At 2.16-18), quando os que estavam reunidos foram ‘cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem’ (At 2.1-4). Essa experiência pentecostal repetiu-se em outras ocasiões: At 8.14-20; At 9.17; At 10.44-48; At 19.1-7” (GILBERTO, Antonio. Teologia Sistemática Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2008, p.208).

Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Livro de Apoio - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - Thiago Brasil
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

sábado, 3 de dezembro de 2016

A Adoração sem conhecimento - A experiência da Mulher Samaritana

Jesus respondeu e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva” Jo 4.10


Texto Bíblico: João 4 1-30
em destaque versículos
19 — Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.
20 — Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.
21 — Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.
22 — Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.
23 — Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque o Pai procura a tais que assim o adorem.
24 — Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

INTRODUÇÃO

O episódio da mulher de Samaria pode ser tomado como uma imagem da condição espiritual de muitas pessoas na época de Jesus e ainda hoje há pessoas que elegem lugares, outras pessoas e até elas mesmas como elementos dignos de adoração. A ignorância é um perigoso estado para aquele que busca a Deus.

Adorar a Deus é o mais nobre privilégio que o Pai concede-nos. Por isso, faça-o com todo o zelo, fervor e empenho de sua alma, sabendo que adorar a Deus é conhecê-lo.


Há, no mercado religioso brasileiro, uma variedade de opções de Igrejas e denominações que se apresentam como canal de aproximação entre homem e Deus. Cada uma com seu discurso, suas doutrinas, suas proibições e permissões, tenta atrair para si a maior quantidade possível de fiéis.

Através de um olhar generalista e simplório, todo espectro religioso brasileiro – com especial apresso o protestantismo – poderia ser igualado e tratado como massa homogênea. Todavia, quem milita nas trincheiras da espiritualidade brasileira bem sabe que, em meio a charlatães e tecnocratas da fé, ainda existem homens e mulheres comprometidos exclusivamente com o anúncio do Reino de Deus.

Mas como, diante desta multiplicidade de opções, deste enorme “cardápio” de cultos e práticas religiosas, discernir aquelas que iram de fato aproximar-nos de Cristo? Dentre as várias respostas possíveis para esta questão, uma parece sobressair-se com relação as demais: a espiritualidade que Cristo veio ensinar conduz as pessoas a um processo de libertação, esclarecimento e restauração.

Uma sintética reflexão sobre o que propriamente seja cada uma destas três características do Evangelho de Cristo poderá nos ajudar, seguramente, a identificar estruturas ou grupos religiosos que sinceramente estejam buscando ao SENHOR.

Inicialmente, pode-se identificar uma igreja ou denominação comprometida com os valores do Reino avaliando-se o quanto ela contribui para a libertação das pessoas. Onde o Espírito de Deus age há liberdade; toda estrutura que compactua com práticas opressoras, de controle e limitação de pessoas, não está vinculada aos valores de Jesus Cristo. O Evangelho, como bem nos afirmou Pedro, não é estabelecido através de práticas que imponham sobre as pessoas o “peso” de fardos, mas antes, é alicerce daquilo que produz leveza de ser.

A presença de Cristo em uma comunidade se apresenta ainda, por meio da revelação da verdade. Mecanismos obscurantistas, instrumentos de reforço da ignorância, são as armas mais perversas de quem deseja afastar pessoas de Deus. Nós, pentecostais, somos tradicionalmente acusados de reforçar tais práticas por meio de cultos carismáticos, com manifestações do Espírito Santo que as pessoas, de um modo geral, não entendem. Bem é importante compreender o fundamento desta falácia: para aqueles que não acreditam na atualidade dos dons sobrenaturais do Espírito, o falar em línguas, revelações e visões, são eventos ininteligíveis; para um cristão pentecostal, entretanto, é exatamente nestes momentos que a verdade de Deus se torna inteligível.

A manifestação de Deus dá-se de modo pessoal, íntimo, mas sempre esclarecedora. Se muitas vezes falta ao homem e a mulher pentecostal profundidade para compreensão dos esquemas teológicos profundos, sobre piedade para – através de uma vida de oração e santidade – fundamentar o relacionamento com Jesus. A complexidade das premissas e corolários teológicos é encarnada por meio de experiências pessoais com o SENHOR. No caso do pentecostalismo brasileiro, muito associado às camadas mais simples da sociedade historicamente, está foi a estratégia utilizada por Deus para fazer claro sua vontade a nós. Isto não nos faz melhores ou piores que outras expressões do protestantismo no Brasil, simplesmente fundamenta o que somos, bem como nossa opção cúltica. A manifestação da verdade de Deus em nossas vidas dá-se muito mais intuitivamente do que por meio de uma mediação acadêmico-teológica. É claro que para muitos isto é uma afronta, até porque foi por meio desta característica central do pentecostalismo que negros, pobres, mulheres, analfabetos, tiveram o privilégio de serem ouvidos.

Por fim, uma comunidade identificada com o Evangelho colabora para a restauração da imagem de Deus na vida de todos. É por isso que onde a verdade de Cristo chega, preconceitos são destruídos, estereótipos são desconstruídos e a igualdade dos filhos de Deus manifesta-se. Não somos idênticos – cópias não criativas uns dos outros –, mas igualmente acolhidos e amados como geração de Deus. Espaços onde desigualdades de toda natureza – gênero, sociais, culturais ou econômicas – são acentuadas não são casa de Deus, e sim, prisões do mal. A presença de Deus nos dignifica, dando-nos novamente o privilégio de compreendermo-nos como irmãos, e por isso, próximos demais um dos outros para nos acharmos superiores ou melhores entre si.

Somente a verdade de Deus, por meio do Evangelho de Cristo, poderia fazer com que pessoas que nós, ou que nem a mulher de Sicar, tivéssemos acesso ao Reino do Filho do seu amor. Quem libertaria da religiosidade claustrofóbica uma mulher oprimida ao meio-dia, fazendo-a compreender esclarecidamente a mais límpida verdade do Evangelho – que o salvador está entre nós, sentindo nossas dores, mas também experimentando nosso amor – restituindo assim àquela a dignidade de ser aceita e acolhida em sua comunidade? Somente um, o CRISTO!

Se faltar-nos maturidade e envergadura espiritual para sermos tudo o que Deus tem sonhado para nós, que ao menos possamos crer que, no mínimo – ou talvez no máximo de tudo que importa – Ele nos faz anunciadores de sua chegada entre nossa geração.

A ausência de um conhecimento verdadeiro sobre quem é Deus e sua obra, conduz os indivíduos a perderem a percepção de uma existência além do imediatismo da vida, ou seja, de um pragmatismo existencial (Is 22.13; 1Co 15 32).


Sicar, cuja localização exata é desconhecida, ficava numa região árida. Ao meio-dia, horário do encontro da mulher com Jesus, o clima é extenuante. O Mestre aguarda seus amigos que foram à procura de alimentação; o pedido por água — ainda que estranho em nossos dias de violência e individualismo —, era uma prática corriqueira naquela época. A mulher, fundamentada em seu preconceito, nega o pedido. Como alguém, que inclusive afirmará que adora a Deus (v.20), poderia ser tão insensível à necessidade do próximo? Está é a desprezível consequência que a ignorância espiritual causa: dureza de coração (Is 46.12; Ez 2.4). Note-se assim que a falta de um conhecimento verdadeiro de Deus pode, rapidamente, transformar indiferença em conivência com o sofrimento alheio. Quem conhece a Deus não negará um copo de água fria a nenhum dos filhos dEle (Mt 10.42).

“Sabemos muita coisa a respeito da mulher junto ao poço. No oriente, a hora de pegar água no poço era a ocasião em que as mulheres de uma comunidade reuniam-se para conversar, enquanto se dirigiam ao poço, voltavam dele, ou esperavam a retirada de cada jarro de água. Mas a mulher de nossa história vem sozinha. Evidentemente, alguma coisa a separou das outras mulheres da cidade, e fez dela uma pessoa socialmente proscrita. E sabemos mais. Nenhuma mulher naquela cultura falaria com um homem sem que seu marido estivesse presente. Jesus também sabia disso, por isso seu pedido ‘vai chamar teu marido’ (4.16) tinha a intenção de confronto. Mas não há indicações culturais para o fato de que ela tivesse tido cinco maridos e agora estivesse vivendo com outro, sem estar casada. Assim estendemos sua surpresa quando Ele, homem judeu, é condescendente em falar com uma samaritana. E os discípulos ficaram surpresos por encontra-lo dialogando com uma mulher sozinha. [...] Muitas pessoas evitadas por outras estão esperando que nos aproximemos delas. Como Jesus, nós podemos reconhecer o pecado nos outros, sem acusar nem condenar”
(RICHARDS. Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 3ª Ed.RJ: CPAD. 2008. p.206).

Lutamos diariamente para que o pecado não nos domine (Gn 4.7; Rm 3.23; 6.14). Aqueles que não mantêm um relacionamento pleno e consciente com Deus, “domesticam” o pecado e fazem dele algo próprio de suas vidas.

SUBSÍDIO
“Muitas vezes, João registra declarações depreciativas, sarcásticas ou céticas que as pessoas fazem sobre Jesus. Em João 4.12, por exemplo, a mulher samaritana pergunta: ‘És tu maior do que Jacó, o nosso pai, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?’. Essas afirmações, como meio de ironia, são verdades ou mais relevantes do que o orador percebe no momento em que o profere. Contudo, o leitor do Evangelho, tendo a essa altura, pelo menos, alguma noção de quem é Jesus, percebe que a afirmação é verdade e pode sancioná-la. No caso da passagem 4.12, Jesus, de fato, é maior que Jacó. [...] Em João 4, Jesus, no diálogo com a mulher samaritana, faz uma declaração a respeito da natureza de Deus. ‘Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade’ (v.24). Embora nenhum desses dois usos da palavra ‘espírito’ aludam diretamente ao Espírito Santo, a noção de que a adoração deve acontecer em espírito e verdade pressupõe a atividade do Espírito da verdade que leva o crente à verdadeira adoração” (ZUCK, Roy. Teologia do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD. 2008. pp.190.221).

Adorar em espírito e em verdade
A vivência da adoração não é algo limitado a um aspecto físico — um determinado local, por exemplo —, muito menos pode ser fundamentada sobre opiniões ou tradições míticas. A verdadeira adoração é “em espirito”, ou seja, é uma experiência que tem seu nascedouro no interior do homem, que mobiliza partes do ser homem que foram criadas por Deus para serem canal de comunicação entre o Criador e seus filhos (Pv 20.27). Além disso o louvor a Deus deve ser “em verdade”, isto é, por meio de uma “revelação” — que é o significado imediato da palavra grega (aletheia) (2Co 13.8). A verdade na vida de um adorador implica uma vida entregue realmente aos cuidados de Deus, onde Ele tem total comando, e onde é adorado não apenas nos momentos de comunhão do culto, mas também nos momentos da vida comum, como trabalho, estudos, família e demais relacionamentos onde Deus também deve se manifestar.

Adoração como uma urgência
Jesus não mediu palavras e disse à mulher que o tempo para a vivência de uma verdadeira adoração já havia chegado (v.21). O erro daquela mulher, que é o mesmo de muitas pessoas ainda hoje, foi imaginar que o louvor ao Pai era algo apenas para um momento específico ou para um tempo futuro. Não há mais tempo a perder, o desenvolvimento de uma vida de adoração é algo urgente, uma viva necessidade da Igreja para o tempo que se chama hoje! Infelizmente em muitas igrejas o tempo da adoração tem sido consumido por infindáveis, e muitas vezes dispensáveis, avisos; já em outras comunidades é a má gerência do tempo de acontecimento do culto (atraso para começar, demorar para execução dos louvores, hiatos de continuidade) que atrapalham a adoração. Cada instante de nossas vidas, especialmente aqueles que dedicamos a Deus na igreja, precisam ser bem aproveitados.


A Verdadeira Adoração tornar-se inspiração para a vida de outros.

Num mundo tão repleto de exemplos negativos, devemos nos empenhar em ter uma vida de adoração ao Pai, e por meio desta, tornarmo-nos exemplo para nossa geração. A mulher pode ouvir, dos habitantes de sua vila, que a fé em Jesus que ela inicialmente testemunhara, tornara-se uma viva consciência espiritual em cada pessoa daquele vilarejo. A adoração não nos torna escandalosos, de modo a afastar pessoas de Cristo; ao contrário, a fé no Salvador é algo tão poderoso e transformador do caráter de uma pessoa que esta passa a ser exemplo e inspiração a todos aqueles que o cercam (At 9.19-21).

CONCLUSÃO

Assim como a mulher em Samaria teve sua história revolucionada, que nosso encontro com Jesus transforme tudo em nós: que nosso testemunho seja para edificação daqueles que estão à nossa volta, que sejamos libertos de todos os nossos pecados, até daqueles que estão no mais profundo de nossas almas. Mas, acima de tudo, que sejamos partícipes da comunidade dos verdadeiros adorares do Pai.

Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Livro de Apoio - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - Thiago Brasil
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal


Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A Adoração Integral ensinada por Jesus

[...] amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” Mc 12.33

Texto Bíblico: Lucas 10
25 — E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 — E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
27 — E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.
28 — E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
29 — Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
30 — E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31 — E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32 — E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
33 — Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
34 — E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
35 — E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.

INTRODUÇÃO

Jesus, através de sua vida, demonstra que adorar a Deus é muito mais do que cumprir exigências cerimoniais; louvar ao Criador envolve a totalidade de nosso ser: todo nosso espírito, alma e corpo. Logo, se é tudo o que somos, a adoração está ligada também com nossos relacionamentos. Deste modo, a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas denuncia se somos ou não adoradores. Partindo da célebre parábola de Jesus, em Lucas 10, refletiremos nesta lição a respeito do caráter integral da verdadeira adoração a Deus.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Mateus 22:37-39

Que tipo de pessoa nossa jornada de adoração tem nos tornado? Cotidianamente, aproximamo-nos de Deus – através de um relacionamento pessoal, íntimo e real – ou temos nos transformado em peritos da legislação religiosa? A radicalidade com que Jesus encara a espiritualidade é algo impressionante; para o Mestre não há concessões no trato com os meros religiosos, e isso fica muito explícito naquela que é uma das mais célebres parábolas registradas no Evangelho.

A parábola de Lucas 10, sobre o homem assaltado e abandonado, nos leva a reflexão sobre o real valor da humanidade. Ninguém deve perceber-se superior ao outro, isto porque, na perspectiva neotestamentária, não há hierarquia entre os homens. O pecado que maculou a humanidade, tornou-nos a todos indignos, universalmente. As contingencias da existência fazem com que alguns possuam melhores condições econômicas ou culturais para viver, isto, todavia, não segmenta ou elege pessoas melhores que as outras, apesar das pessoas ou dos sistemas religiosos insistirem neste tipo de discriminação.

Essa é a amarga experiência que o personagem da parábola enfrenta e encarna. O roubo de que ele é vítima, tira-lhe não apenas os bens e a saúde, mas também o valor que a sociedade religiosamente mediada lhe dava. Toda a dignidade que ele possuía não era algo intrínseco a sua condição humana, mas antes, era um tipo de doação que a religião coletiva lhe conferia, e por contrapartida, também poderia usurpar-lhe. Inconsciente, no meio da estrada, aquele homem – aos olhos dos religiosos de sua sociedade – era na verdade apenas um corpo, sem qualquer tipo de dignidade ou necessidade de misericórdia. Infelizmente é isto que a religião faz: escolhe um pequeno número de eleitos, rejeita a multidão dos condenados por ela. As pessoas são descartáveis, o cumprimento dos regimentos litúrgicos é mais importante. São leituras fundamentalistas como estas abrem precedentes para segmentos religiosos que propagam muito mais o ódio do que o amor, a morte que a vida, a dor do que a restauração.

O levita e o sacerdote não se sentiram culpados ao furtarem-se da responsabilidade de dar socorro ao homem na estrada – a religião lhes permitia isso. Mas, a despeito da enorme decepção que essas figuras religiosas devem ter promovido no coração e na mente do agredido homem, foi a necessidade de identificar-se com um samaritano que deve ter confundido ainda mais seus sentimentos cerimoniais. Um judeu não falava, muito menos, deixava-se tocar por um samaritano. Um cão tinha a mesma relevância social que um dos filhos de Samaria. A experiência de ser espoliado de todas as superficialidades sociais e permanecer apenas com a humanidade, levou aquele homem a compreender que, para além dos preconceitos e discriminações, somos todos muito próximos, extremamente parecidos. A experiência episódica e momentânea daquele judeu, constituía-se como a condição social permanente de um samaritano. Estes eram evitados, desprezados e, até, considerados como deserdados da filiação com Abraão.

O que o samaritano deveria fazer? Pagar desprezo e ódio, com discriminação e preconceito? Retribuir mal com mal nunca deve a resposta de quem verdadeiramente conhece a Jesus; o acolhimento que o samaritano proporciona ao fragilizado homem é fundamentado numa autopercepção realista, que compreende todos os homens como terrivelmente pecadores, mas também, universalmente como objetos do amor de Deus. Com que tipo de espiritualidade o homem caído devia identificar-se, depois da experiência do quase-morte abrir-lhe o entendimento para compreensão do tipo de zelo cerimonial que o levita e o sacerdote carregavam? Claro, com o modo de viver e adorar do samaritano!

Este é o mesmo desafio que o escriba que dialoga com Jesus tem que enfrentar: deve reproduzir a postura cerimonial dos religiosos ou o amor do samaritano? Assumir que a atitude do samaritano é louvável, implica em apontar para um tipo de espiritualidade que é capaz de sacrificar qualquer tipo de tradição em nome da salvação dos mais frágeis. A verdadeira adoração encarnada e ensinada por Jesus, abandona o protagonismo das liturgias e exalta o amor e cuidado às pessoas. A adoração que Jesus veio nos ensinar destrói todo tipo de categorização das pessoas e nos torna universalmente próximos, íntimos, familiares.

Que chave de leitura temos utilizado para ler a Bíblia? Se compreendermos as Escrituras através do amor, misericórdia e graça, estaremos mais próximos do Pai.

O Amor supera o ódio.
Diante da cena que Jesus elabora, o quadro tradicional muda: temos um sacerdote e um levita, não misericordiosos, cerimonialmente puros, mas cheios de preconceitos. Por outro lado temos um samaritano, socialmente rejeitado, mas graciosamente acolhedor; etnicamente odiado, entretanto o único que demonstra amor.

A quem o escriba comparar-se-ia, aos dois primeiros? Se fizesse isso, Jesus demonstraria que não havia amor a Deus naquele homem. O escriba, num exercício de superação de seus preconceitos, teve de comparar-se ao samaritano.

Por esta parábola Jesus demonstra que o próximo, o íntimo, é todo aquele que é carente de amor, assim como é aquele que desinteressadamente ama.


A fé que desenvolvemos a partir de nosso encontro com Jesus tem nos tornado pessoas mais amorosas, misericordiosas, capazes de superar os preconceitos que a sociedade constituiu sobre nós?

O desenvolvimento de uma adoração plena.
O culto não pode ser nosso único momento de adoração. Não é saudável que reduzamos nossa adoração apenas a louvores, pregações, orações e contribuições. Devemos adorar com tudo o que somos, em todo o tempo (Sl 32.6; Ef 6.18), com tudo o que temos (At 20.35; Cl 3.22-25). Sempre conscientes de que é fraudulenta a adoração do coração daquele que afirma amar a Deus, mas tem algo contra seu irmão (Mt 5.23,24).

Igreja, acolhimento e adoração.
Que tipo de pessoas a espiritualidade que praticamos tem desenvolvido? Indivíduos insensíveis à dor do outro, que em nome de rituais e tradições observam de maneira inerte multidões morrendo à míngua sob o domínio do pecado, sem sequer estender a mão. Ou nossa fé, que é simultaneamente resultado e causa de nossa adoração (Hb 11.1), tem cotidianamente transformado nosso ser, quebrando nossa arrogância e exaltação (Pv 8.13), levando-nos a perceber àquele que está a nossa volta não apenas como um outro (Gr. heteros), distante e diferente, mas como o próximo (Gr. plesíon), íntimo, amigo mais chegado que irmão (Pv 18.24).

Nós e os Samaritanos.
Quem são os samaritanos de nossa sociedade? Nossa fé não é excludente, o Reino de Deus é inclusivo (Mt 9.10-13). O evangelho do Senhor Jesus é a boa-nova de Deus para a humanidade. Ele é convidativo, acolhedor. Assim como Jesus, não tenhamos medo de aproximarmo-nos das pessoas que necessitam de Deus (Fp 2.6-9; Hb 2.11).


CONCLUSÃO
O tipo de vida que Deus deseja que desenvolvamos está intimamente ligada à vivência do louvor e da adoração; por isso vai muito além da mera observação de tradições ou ordenamentos humanos. Adorar ao Pai significa amá-lo, e tal experiência somente é possível quando nos permitimos amar e ser amados pelas pessoas que estão à nossa volta. Viva o melhor de Deus para você: adore, ame, perdoe.


Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Livro de Apoio - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - Thiago Brasil
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal
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