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quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Isaque, não desça ao Egito

E apareceu-lhe o SENHOR e disse: Não desças ao Egito. Habita na terra que eu te disser” Gn 26.2


Deus: o nosso Provedor

Embora o homem tenha o livre-arbítrio, Deus é soberano. Soberania e livre-arbítrio sempre viveram inúmeras tensões no campo da teologia. Entretanto, quando levamos em conta a teologia bíblica defrontamo-nos com textos que nos mostram Deus respeitando o livre-arbítrio do ser humano, noutro momento lançando às favas o livre-arbítrio. Ora, Ele é um Deus soberano, eterno, majestoso e Senhor de todas as coisas.

Compreendendo a natureza soberana do Deus eterno, é que devemos olhar para os problemas deste mundo. No Brasil, a crise financeira está assolando todas as classes sociais. Mas uma crise como essa não acontece da noite para o dia.
Há uma série de decisões macro e microeconômicas que se tomadas equivocadamente trarão prejuízos irreparáveis a uma nação. Na esfera da economia doméstica, igualmente. Se não houver uma consciência de se a nossa despesa for maior que a nossa receita, brevemente entraremos num colapso econômico. Foi isso o que ocorreu com o nosso país e todos os dias ocorre com inúmeras famílias. Má gestão e decisões equivocadas são as razões das principais crises financeiras. Percebe como o livre-arbítrio interfere nas coisas mais comezinhas da vida? Ora, não há solução mágica.

Entretanto, é bem verdade que problemas financeiros assaltam muitas vidas de surpresa. O desemprego, ou problema de saúde. Enfim, muitos servos de Deus entram numa provação causticante onde só perceberam que entraram em crise tempos depois, pois não imaginariam de modo algum o que viria pela frente. Aqui entra a soberania de Deus. Quando não há mais solução visível, nem perspectiva de auxílios externos, Deus age em nosso favor e derrama da sua misericórdia para conosco.

Quantos testemunhos bíblicos e da história da Igreja nos mostram a ação de um Deus que prover as necessidades dos seus filhos! É o cumprimento de uma bela promessa do nosso Senhor quando ensinava o Sermão do Monte: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? ou: Com que nos vestiremos? Porque os gentios é que procuram todas estas coisas; pois vosso Pai celeste sabe que necessitais de todas elas; buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas” (Mt 6.31,32).

São muitas pessoas que têm provado da provisão de Deus nos momentos de angústias e tribulações. Nossa parte é priorizar o Reino de Deus e a sua justiça, e o nosso Pai Celestial agirá em nosso favor.- Revista ensinador Cristão nº68 - pg.39

Em tempos de crises financeiras não se volte às coisas deste mundo, mas busque a suficiência do Pai Celeste.

Leitura Bíblica: Gênesis 26.1-6


Na lição de hoje estudaremos a respeito da ida de Isaque para o Egito e as crises que o filho da promessa teve que enfrentar ali. Deus tinha feito uma promessa a Abraão e seus descendentes, mas isso, não significava que eles não enfrentariam obstáculos e crises. Isaque também teve que enfrentar a tensão da esterilidade de sua esposa. Enfrentou a crise da falta de alimentos e de água; além de vizinhos invejosos e perversos. Mesmo enfrentando problemas com seus vizinhos, Isaque não deixou de trabalhar, de investir e crer na provisão divina. Seus inimigos, por diversas vezes entulharam seus poços, mas ele continuou crendo. A fé fez com que ele cavasse vários poços. Em tudo Isaque pode ver a suficiência divina. Se você está atravessando uma crise, seja ela financeira, familiar, ministerial ou espiritual; não desista! Continue “cavando seus poços”, trabalhando e crendo. Pois você também verá a provisão de Deus.

Mas os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz. - Salmos 37.11

A história de Isaque é uma das mais belas do Gênesis. Ele é o segundo patriarca na escala dos pais da nação israelita. Logo a seguir, aprece seu filho Jacó, que se tornou o terceiro patriarca de Israel. Quando um israelita ora a Yahweh, refere-se sempre aos três patriarcas. Portanto, esse capítulo trata de uma experiência específica quando Isaque enfrentou as primeiras dificuldades em sua vida. Foram algumas crises com as quais ele teve que se deparar e que exigiram dele atitudes inteligentes e, acima de tudo, de confiança no Deus de seu pai.

Percebe-se que o capítulo 26 de Gênesis parece repetir a mesma experiência de Abraão quando enfrenta a fome em Canaã. Isaque resolve sair de Canaã, que passava mais uma vez pela adversidade da escassez de grãos na terra. Isaque saiu rumo ao Egito, mas parou na terra de Gerar, lugar dos filisteus. Nessa terra dos filisteus, Isaque prosperou muito e adquiriu muita riqueza (Gn 26.12). Antes de continuar sua caminhada para o Egito, o Senhor apareceu-lhe e disse: “Não desças ao Egito” (Gn 26.2). O Senhor o prevenira acerca dos perigos do Egito e prometeu abençoá-lo onde estivesse, mas não no Egito.

A ideia de ir para o Egito lembrava experiências ruins. Isaque estava sendo lembrado pelo Senhor de que não seria bom que ele fosse ao Egito, uma vez que seu pai, Abraão, havia passado por experiências ruins naquele lugar, com consequências amargas que lembravam mentira, engodo e humilhação por estar fora da vontade de Deus. Foi no Egito que Abraão foi sem ter consultado ao Senhor. Lá, sabendo-se fora do plano de Deus, Abraão não construiu um altar ao Senhor porque sabia que Deus não aceitaria seu sacrifício. Depois de muitos anos, Deus falou com seu filho Isaque, que já tinha dois filhos, Esaú e Jacó, que não descesse ao Egito. Deus sabia por sua presciência, que Isaque poderia ser vencido pelas tentações da terra e não teria firmeza suficiente para evitar as ameaças do povo daquela terra.

Entretanto, podemos perceber que os valores morais e espirituais estariam na vida de Isaque, mesmo que, em algumas vezes ele se deixasse vencer em algumas circunstâncias.


ISAQUE, UM HOMEM DE CARÁTER ILIBADO

Antes de considerar os aspectos históricos que envolveram sua mudança de Canaã para Gerar, o homem Isaque faz uma demonstração das qualidades de seu caráter quando teve de enfrentar e passar por algumas crises. O exemplo maior de Isaque foi, sem dúvida, o de seu pai Abraão, que, acima de tudo, tinha um elevado conceito moral entre todos os povos por onde habitou. Foi um homem temente a Deus, a despeito de alguns momentos de fraqueza, mas não se deixou levar por costumes que pudessem servir de mau testemunho para seu filho Isaque. O autor da Carta aos Hebreus diz que “pela fé, [Abraão] habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa” (Hb 11.9). Isaque assimilou muito bem as características de caráter de seu pai e, por isso, tornou-se um homem especial no projeto de Deus.

Um Homem sob a Bênção de Deus de Espírito Despojado
No texto de Gênesis 26.1-5, à semelhança de Abraão, Deus aparece a Isaque e fala com ele, demonstrando a Isaque a mesma disposição para ajudar e orientar sua vida ao longo dos anos. Era a providência divina demonstrada em algumas circunstâncias adversas pelas quais Isaque passaria. Ao lado dos pais, Abraão e Sara, Isaque aprendeu a depender de Deus e a manter-se fiel às promessas da terra de Canaã. Mas, como aconteceu anteriormente com Abraáo, Isaque enfrentou o problema da escassez de alimentos na terra, mesmo que “a fome na terra” não tenha afetado diretamente a ele e sua fazenda. Mudou-se para Gerar, na terra dos filisteus e teve de enfrentar obstáculos daquele povo em tudo quanto fazia, por causa da inveja da sua prosperidade. Deus o abençoou copiosamente, tanto em Canaã como em Gerar. Nessa terra, Isaque viu crescer sua fazenda e isso provocou inveja e ciúme da parte dos filisteus, que começaram a criar dificuldades para ele e sua gente.

Um Homem de Espírito Despojado
A herança maior que Isaque recebeu de seu pai foi o exemplo de seu caráter. As riquezas materiais acumuladas eram apenas o fruto do trabalho. Em Gerar, na terra dos filisteus, Isaque continuou sendo abençoado por Deus, e toda a terra plantada e os pastos rejuvenesciam milagrosamente, mas Isaque foi uma pessoa de “espírito despojado”. A despeito da capacidade de administrar os bens que possuía, Isaque não colocava seu coração nas coisas materiais, porque sabia que Deus era a sua segurança. Acima de tudo, seu despojamento indicava que ele temia a Deus e dependia dEle para viver feliz. Era um homem que correspondia ao que Jesus falou no seu sermão do Monte, quando disse: “Bem-aventurados os pobres de espírito” (Mt 5.3). Olhando com olhos positivos, entendemos que “um pobre de espírito” é alguém que sabe que não é nada e que Deus é tudo na sua vida. É alguém que se reconhece dependente de Deus para as realizações da sua vida pessoal. Não se trata de alguém nulo, incapaz, mas sim de alguém que rejeita a postura de autossuficiência e está disposta a abrir mão de si mesmo para depender de Deus e da sua provisão. Isaque tinha essa qualidade e, por isso, quando se tornou rico, reconhecia que Deus era a razão de tudo.

Um Homem de Espírito Manso
A palavra manso no grego neo-testamentário é “praos”, que se refere à atitude interior de uma pessoa no modo de agir e reagir às situações. No sentido figurado, praos pode significar gentileza, humildade, cortesia. Há um substantivo de praos que é praotês, cujo significado é “a força interior que põe sob controle o nosso dia a dia”. Portanto, ter “espírito manso” é ter a serenidade para agir com firmeza sem se deixar arrebatar pela ira provocada por alguma situação ruim. Isaque é um exemplo de mansidão que sabia agir e reagir ante alguns obstáculos. No registro histórico de Gênesis 26, encontramos os filisteus criando dificuldades para a continuidade de Isaque naquela terra. Ao reabrir alguns poços, os quais foram abertos por seu pai, Abraão, em tempos atrás, os filisteus iam aos mesmos poços e os entulhavam para que Isaque e seus pastores não tivessem água para o seu gado. Em vez de agir com atitude de represália aos filisteus, Isaque preferiu agir com atitude mansa, abrindo outros poços em outros lugares para evitar conflitos.

Seu espírito manso era uma qualidade de equilíbrio que o fazia forte, não um fraco, ou medroso de reagir. Na verdade, a mansidão é uma força sob controle em que a pessoa não se exaspera facilmente, mas é capaz de dialogar e procurar produzir a paz. Mansidão é uma qualidade do fruto do Espírito” (G1 5.22,23) que deve ser cultivada por aqueles que temem a Deus. A prosperidade de Isaque foi uma realidade em função dessas qualidades de espírito que ele possuía. Ter o espírito manso (1 Co 4.21) é ter a firmeza de não se intimidar diante das ameaças, mas agir com serenidade para evitar confrontos que produzem mal estar a todos.

O DRAMA QUE SE REPETE

Parece coincidência de fatos, mas as mesmas situações se repetiram, as mesmas experiências vividas por Abraão passaram a ser vividas por Isaque naquela terra. Visto que Deus estava no controle de todas as coisas na vida de ambos, entendemos o cuidado de Deus para com eles a fim de preservar o seu projeto da “Terra Prometida”.

Não Há nenhum Determinismo na Experiência de Isaque
Tanto Abraão quando Isaque, ao saírem da terra de Canaã em busca de mais prosperidade material em terras estrangeiras, sofreram com os vizinhos pagãos as relações que agiam com eles com desconfiança, inveja e porfia. Aqueles povos não tinham dificuldades em aceitar a prosperidade de ambos. Agora, Isaque repete a mesma história e deseja ir para o Egito, deixando Canaã, o lugar da promessa. Isaque estava em Canaá e, como nos dias de Abraão, seu pai, a terra de Canaã passou a ter escassez de víveres, não só para os moradores da terra, bem como para os animais de criação. Por algum momento de fraqueza espiritual, Isaque deixou de buscar ao Senhor para receber a orientação de como deveria fazer para não ser atingido pela fome da terra. Não há nenhum determinismo quanto aos fatos acontecidos.

Defrontando-se com a Fome da Terra de Canaã
Essa situação de escassez de alimentos na terra de Canaã fomentou na mente de Isaque o desejo de repetir o que seu pai havia feito muitos anos antes: ir para o Egito. Quantas vezes somos influenciados por circunstâncias que nos levam a tomar decisões precipitadas? O Senhor exortou a Isaque que não viajasse para o Egito. Na presciência divina, o Egito seria uma interferência no plano de Deus para a vida de Isaque. Quando deixamos de buscar a Deus para direção de nossa vida, tornamo-nos reféns de preocupações que fazem o coração pulsar mais forte e as nossas emoções ficam à mercê dessas preocupações. Quando Isaque permitiu que sua mente e coração fossem atormentados por pensamentos fora da vontade Deus, a ideia de ir para o Egito parecia ser a melhor opção naquele momento. Mas Deus ordena que não fosse ao Egito, porque esse lugar é símbolo do mundo que se opõe a Deus. O Egito é tipo da oposição que ameaça a fé cristã.

Nessa ocasião, Isaque já tinha 75 anos de idade e, a despeito da prosperidade que teve no Egito, sentiu que “a fome na terra” prejudicaria seu avanço na terra. A escassez da terra o levou à cidade de Gerar, cidade dos filisteus, e, chegando lá, buscou ajuda do rei filisteu, Abimeleque. O lugar de habitação de Isaque e Rebeca é identificado na Bíblia como “Beer-Laai-Roi” (Gn 25.11). Ao decidir sair daquele lugar, viajaram cerca de 110 quilómetros até chegar a Gerar. A rota para o Egito incluía a cidade de Gerar, pois o caminho seria menor até o Egito, como desejou Isaque. Ao parar em Gerar, Isaque continuou a prosperar, porque o Senhor promete-lhe abençoar e prosperar sua fazenda. Entretanto, Isaque não parecia plenamente feliz naquele lugar. A prosperidade de Isaque causou admiração, mas ao mesmo tempo, inveja dos habitantes daquela terra.

Daí iniciou-se a perseguição e a provocação para que Isaque reagisse de tal modo que lhes desse oportunidade de o expulsarem. O desejo de ir para o Egito foi aguçado pelas notícias da riqueza daquela terra. Na verdade, por um lapso de tempo, Isaque deixou de confiar na direção divina e resolveu agir por conta própria. Estava inseguro, e sua insegurança não se justificava porque Deus o havia abençoado copiosamente em todo o seu caminho. Quando nos deparamos com situações de insegurança em termos de subsistência material, devemos sempre buscar de Deus o conhecimento da sua vontade (Gn 12.2,3; 13.16; 15.5; 17.3-8; 22.15-18). Deus abençoou Isaque por amor a Abraão (Gn 26.5,24).

Uma Experiência Pessoal
Certa feita, nos anos de 1945 e 1946, meu pai, Osmar Cabral, era obreiro na cidade de Mafra, SC. Era o final da Segunda Guerra Mundial e a escassez tomou conta do mundo inteiro. A igreja era pequena e não tinha recursos para sustentá-lo, ainda que não faltasse nada em casa. Meu pai desejou deixar a obra do ministério e conseguir algum emprego. Minha mãe foi forte o suficiente para dizer-lhe que Deus cuidaria deles, por isso não poderia abandonar o ministério. Quantas vezes somos tentados a desistir da obra de Deus quando circunstâncias adversas surgem! Com Isaque, mesmo havendo fome na terra, a sua fazenda não deixou de crescer e aumentar. Seu maior problema foi permitir que a ambição material roubasse a direção de Deus de sua vida.

A Tentação de Mentir
Mentira, do tipo que Isaque fez, pode ser uma declaração ou informação deliberadamente transmitida como se fosse verdade. Em nenhuma circunstância tem lugar a mentira na vida do cristão. No episódio da ação de Isaque, não foi diferente a sua mentira da que seu pai Abraão fez no Egito. Agora Isaque, em Gerar, com medo de os filisteus tomarem a sua mulher e o matarem, usa a mentira para poder alcançar seus objetivos na terra. Rebeca era muito bonita, e temendo perdê-la ou ser morto por causa dela, combinou com ela para que se identificasse como sendo sua irmã (Gn 26.7). O rei Abimeleque, antes de pensar em levar Rebeca para o seu palácio, da sua casa “olhou por uma janela e viu, e eis que Isaque estava brincando com Rebeca, sua mulher” (Gn 26.8). O rei procurou Isaque e falou da sua decepção com a mentira dele. Mesmo assim, Abimeleque deu uma ordem a todo o povo de Gerar que não tocasse naquela mulher. Isaque, certamente envergonhado diante do rei Abimeleque, teve que confessar seu erro. Isaque agiu desse modo porque não queria correr o risco de perder suas vantagens materiais.

Na história de seus pais, Sarai e Abrão, havia ocorrido o mesmo problema, diferenciado apenas pelo fato de que, o rei do Egito, imaginando que Sarai era irmã de Abrão, por causa da sua beleza, a pediu para ser uma de suas concubinas. Quando Faraó descobriu a mentira de Abrão, mesmo sem ter tocado nela, o rei foi atingido com pragas no seu palácio. Faraó devolveu Sarai a Abrão e ordenou que fosse embora do Egito. Em relação a Rebeca, ela não chegou ser desejada por nenhum filisteu, mas quando Abimeleque descobriu a mentira de Isaque, reprovou a sua atitude de querer enganar. A mentira é sempre perniciosa numa convivência social. Para o crente em Cristo, nada justifica usar da mentira para tirar proveito de alguma coisa. O apóstolo Paulo exortou aos Efésios, dizendo: “Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo; porque somos membros uns dos outros” (Ef 4.25).

A SIMBOLOGIA DOS POÇOS ENTULHADOS

A Inveja dos Filisteus
Ao longo da história dos judeus, os filisteus sempre foram inimigos de Israel. Sempre procuraram apossar-se das terras de Israel e desfazer seu trabalho. Na história de Abraão e Isaque, os filisteus tornaram-se inimigos por causa da prosperidade de ambos. No capítulo 26 de Gênesis, a história se repete quando Isaque foi para a terra dos filisteus em Gerar. Prosperou tanto que o próprio rei dos filisteus reconheceu que Isaque era mais rico que ele. Os servos do rei rangiam os dentes contra todo o povo de Isaque porque em tudo ele era próspero e estava sob a guarda da bênção de Jeová (Gn 26.22).

O Dicionário Bíblico Wycliffe diz que “a inveja é um princípio ativo de hostilidade dirigido maliciosamente a um aspecto de superioridade, real ou suposta, de outra pessoa”. O Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento define a “inveja como algo que faz com que alguém tenha ressentimento contra outra pessoa por ter algo que ele mesmo deseja, sem, porém, possuí-lo”.

No grego, a palavra phtonos dá a ideia de zelos ou ciúmes. Essa palavra, phtonos, não aparece na literatura canónica da LXX. No grego do Novo Testamento, aparece phthoneô, na escritura de Gálatas 5.26 (ARA), quando Paulo diz: “tendo inveja uns dos outros” como uma atitude que faz contraste com o “viver no Espírito”. Marcos falou da inveja dos que entregaram Jesus a Pôncio Pilatos (Mc 15.10). Em toda a Bíblia, existem muitos textos que condenam a inveja como algo que é repudiado por Deus. A inveja ao sucesso de prosperidade de Isaque foi a razão que levou os filisteus a entulharem os poços de água para que os pastores de Isaque não tivessem água para dar ao gado. Isaque, com espírito pacífico, evitou brigar com os filisteus, e sempre abria poços em outro lugar, numa demonstração de bom senso e mansidão, com o fim de obter uma convivência pacífica.

Quem Eram os Filisteus?
Na verdade, o povo filisteu é um povo que desapareceu na história mundial dos povos. Eles são fartamente citados no Antigo Testamento e estiveram em passagens importantes da história de Israel. Essas passagens bíblicas revelam as constantes guerras com os hebreus, e são histórias com personagens como Abraão, Isaque, Sansão e Davi. Por volta do século 7 a.C., esse povo misturou-se a outros povos e praticamente desapareceu. Os pesquisadores descobriram e entenderam que os filisteus faziam parte dos “povos do mar”. Eles haviam se fixado, sobretudo, ao longo da costa do Mar Mediterrâneo. Eles aparecem no sudoeste, especialmente na Costa do Neguebe e Sefalá (Vale de Sarom), onde fundaram cidades como Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom (Js 13.3). Havia templos deles a Dagom (1 Sm 31.10; 1 Cr 10.10); templos e altares para Baal e Astarote (1 Sm 31.10; 2 Rs 1.1,16). O espaço ocupado por eles era chamado de Filístia, de onde deriva o nome Palestina, que vai do sul do monte Carmelo até o sul da Palestina na direção do Egito. Ao longo da história desse povo, eles aparecem em várias circunstâncias de conflito com os hebreus. Quem não se lembra da história de Davi e Golias, o gigante filisteu?

Na essência histórica, os filisteus sempre revelaram posturas incertas de quem não inspira confiança, que é variante, inconstante, vacilante. Portanto, o espírito dos filisteus é um sinal negativo que aborda a vida de muitos cristãos hoje que não sabem o que querem e que vivem sempre mudando de igreja. Segundo a história, os filisteus eram obstinados e duros de coração (SI 95.8; Pv 28.14; E f 4.19; 1 Tm 4.2). A lição negativa dos filisteus é a atitude egoísta para satisfazer apenas os seus interesses físico e materiais. Por isso, eles entulhavam os poços abertos, tanto por Abraão como por Isaque, mais tarde.

A Simbologia dos Poços Entulhados
Deus tem dado ao seu povo poços de água viva que rejuvenescem, fertilizam, saciam a sede, como Jesus falou a mulher samaritana: “[...] porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água viva” (Jo 4.14). Na vida cristã, o Espírito nos leva a cavar poços de água que possam, não apenas saciar a nossa sede, mas que fertilizam a terra para a semeadura. Precisamos ter o cuidado para que os “filisteus modernos” do mundo não entrem na igreja para entulhar os poços abertos pelo Espírito Santo. As águas cristalinas do Espírito precisam continuar a jorrar na vida da igreja e dos crentes em particular.


A PROVISÃO DE DEUS NA TERRA DOS FILISTEUS

Isaque prosperou naquela terra e diz a Bíblia que ele “semeou [...] naquela mesma terra e colheu, naquele mesmo ano, cem medidas, porque o Senhor o abençoava” (Gn 26.12). A inveja dos filisteus surgiu em função da grande possessão de terras, ovelhas, vacas e gente de serviço. Por isso, depois de várias intromissões e entulhos nos poços abertos por ele e seus servos, Isaque, pacificamente, foi para mais longe daquele lugar.

Os Obstáculos Levantados pelos Filisteus Foram Desfeitos
Enquanto ainda estava nas terras de Gerar, não faltaram obstáculos à sua permanência naquele lugar. Então Abimeleque, reconhecendo que o Deus de Isaque era poderoso e o abençoava, propôs um concerto com Isaque, mas que o mesmo saísse daquelas terras. Os trabalhadores de Isaque foram à frente para a terra que Isaque os ordenara que fossem e lá cavaram um poço, e acharam água em abundância. Isaque saiu das terras de Gerar naquele mesmo dia e foi-se para um lugar chamado Berseba (Gn 26.32,33).

Deus nunca Abandona os seus Servos
Isaque foi um homem abençoado porque era homem de paz; por isso, a bênção divina esteve com ele o tempo todo. Isaque enfrentou a oposição dos filisteus com atitudes de paciência e mansidão, que eram qualidades de seu caráter (Gn 26.17). Essas atitudes para com os seus opositores amenizaram seus ódios e rancores porque Isaque soube ser manso em momentos de rispidez.

Isaque Semeou muita Semente
Sob a bênção de Deus, Isaque prosperou em tudo que fazia e investia das suas forças. Além das pastagens bem tratadas por causa das águas dos seus poços que brotavam abundantemente, Isaque investiu em plantações com sementes que encheram aquelas terras antes rústicas. Essa prosperidade era o fruto da fidelidade de Deus à sua promessa feita a Abraão e ao próprio Isaque. A fome da terra de Canaã o levou a Gerar, lugar antes habitado por seu pai. Depois, ao voltar ao mesmo lugar, Deus o abençoou porque aprendeu a confiar em nEle para sua provisão em vez de confiar com a boa terra do Egito. Sua prosperidade se tornou alvo da inveja dos filisteus, que pediram a Isaque que deixasse aquela terra e voltasse ao seu lugar de origem em Canaã.

Abrindo Poços Abundantes Espirituais
Os poços que cavamos podem simbolizar as conquistas espirituais que fazemos, mas que são alvo de inveja, porfia de nossos inimigos espirituais. Isaque dá uma lição de paciência e mansidão em não revidar os ataques, mas não desistir de lutar pelos ideais sonhados. Às vezes, nossos inimigos procuram entulhar nossos poços com as pedras da censura, da calúnia e da mentira para que desistamos de lutar.

CONCLUSÃO

Deus cumpre a sua palavra e não leva em conta nossos erros de decisões fora da orientação dEle. O Senhor suporta nossas fraquezas por causa do projeto maior. Isaque falhou algumas vezes, mas deixou um grande exemplo de homem humilde, gentil e cortês, não só para com os amigos, mas também com os seus inimigos. Não ter ido para o Egito foi um ato de obediência e reconhecimento da soberania divina para cuidar dele, de sua família e de toda a sua fazenda.


O Egito é símbolo do mundo, que atrai os incautos para afastá-los de Deus.


SUBSÍDIO BÍBLICO-TEOLÓGICO
“Isaque
O nome dado por Deus antes do nascimento da criança (Gn 17.19) significa ‘ele ri’, ‘aquele que ri’, ou simplesmente ‘riso’.
Nada é conhecido sobre os dias da infância de Isaque. Em seguida, vemo-lo grande e forte o suficiente para carregar a madeira para o fogo do altar subindo a montanha, não sabendo que ele mesmo seria colocado no altar. A experiência de ter sido amarrado como uma vítima de sacrifício e então liberto pela intervenção divina deve ter afetado profundamente toda a sua vida” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2006, p.989).

O concerto de Deus com Isaque
Deus procurou estabelecer o concerto abraâmico com cada geração seguinte, a partir de Isaque, filho de Abraão (Gn 17.21). Noutras palavras, não bastava que Isaque tivesse por pai a Abraão; ele, também, precisava aceitar pela fé as promessas de Deus. Somente então é que Deus diria: ‘Eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e multiplicarei a tua semente’ (Gn 26.24). Durante os vinte primeiros anos do seu casamento, Isaque e Rebeca não tiveram filhos. Rebeca permaneceu estéril até que Isaque orou ao Senhor, pedindo que sua esposa concebesse. Esse fato demonstra que o cumprimento do concerto não se dá por meios naturais, mas somente pela ação graciosa de Deus, em resposta à oração e busca da sua face. Isaque tinha de ser obediente para continuar a receber as bênçãos do concerto. Quando uma fome assolou a terra de Canaã, por exemplo, Deus proibiu Isaque de descer ao Egito, e o mandou ficar onde estava. Se obedecesse a Deus, teria a promessa divina: ‘[...] confirmarei o juramento que tenho jurado a Abraão, teu pai’ (Gn 26.3)” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.73).

Fonte:
Lições Bíblicas - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Livro de Apoio - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Revista Ensinador Cristão-nº68
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Wycliffe

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4 comentários:

  1. Continuas ávido na missão, Deus lhe abençoe, passeei por aqui.

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    Respostas
    1. Waldryano, grande amigo. A Paz do Senhor.

      Que o Espírito Santo nos capacite! Aleluia!

      abraço fraterno
      Pastor Ismael

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  2. Que benção de palavra pastor é tudo o que precisamos para estes dias crer no Deus provedor. Seguindo este blog abençoado.
    Grande abraço. http://ladymaregina.blogspot.com.r

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    Respostas
    1. Regina, a Paz do Senhor. Obrigado pelo comentário e por estar seguindo este nosso trabalho. Deus abençoe!

      Passei pelo seu blog, também estou te seguindo por lá, parabéns pelo trabalho.

      abraço fraterno
      Pastor Ismael

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