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quinta-feira, 3 de setembro de 2015

O líder diante da chegada da morte

Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” 2Tm 4.7

A morte é a consequência do pecado (Rm 6.23). Deus não criou o homem e a mulher para a morte. Esta é a separação entre a alma e o corpo. A base bíblica para este entendimento encontra-se em Gênesis 35.18 a respeito da morte de Raquel: “E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu)”. E Tiago, o irmão do Senhor, corrobora com este fato quando ensina: “Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obra é morta” (Tg 2.26). Podemos, então, afirmar: quando a alma deixa o corpo estabelece-se o evento no qual denominamos morte.

A pergunta de Jó, “morrendo o homem, porventura, tornará a viver?”, é de interesse perene a todos os seres humanos. Quem nunca se perguntou: “Há vida após a morte?”; “Há consciência após a morte?”. As Sagradas Escrituras têm respostas afirmativas para estas indagações:
a) “No Antigo Testamento”. O lugar denominado “sheol” aparece com frequência no Antigo Testamento. Em Salmos 16.10; 49.14,15 o termo hebraico é traduzido por “inferno” e “sepultura”. Em ambos os textos o ensino da imortalidade da alma é o âmago da esperança de salvação humana após a experiência da morte. As frequentes advertências contra a consulta aos mortos (comunicação com espíritos de mortos) indicam a imortalidade da alma numa esfera além vida (Dt 18.11; Is 8.19; 29.4). Em seguida, os textos de Jó 19.23-27; Sl 16.9-11; 17.15; Is 26.19; Dn 12.2 são taxativos em relação à doutrina da ressurreição denotando, inclusive, a alegria do crente em comunhão com Deus de se encontrar com Ele depois da morte. Logo, podemos afirmar que o Antigo Testamento afirma perfeitamente que, após a morte, a alma continua a existir conscientemente.

b) “Em o Novo Testamento”. A base bíblica neotestamentária para a imortalidade da alma está na pessoa de Jesus Cristo. Ele é quem trouxe à luz, a vida e a imortalidade. As evidências são abundantes. Passagens como Mt 10.28; Lc 23.43; Jo 11.25,26; 14.3; 2Co 5.1 ensinam claramente que a alma dos crentes e do ímpios sobreviverão após a morte. A redenção do corpo e a entrada na vida alegre de comunhão com Deus é o resultado da plena e bem-aventurada imortalidade da alma (1Co 15; Ts 4.16; Fp 3.21). Para os crentes, a vida não é uma mera existência do acaso, mas uma encantadora comunhão com Deus implantada em nós, por intermédio de Cristo Jesus, enquanto de nossa peregrinação terrena.
Revista Ensinador Cristão nº 63 

A morte do crente não é o fim, mas a passagem para a glória eterna, na presença de Deus.

As cartas pastorais de Paulo são ricas em ensinamentos, conselhos, exortações e doutrinas, que têm grande valor para a vida cristã, tão carente de consistência e fundamentos, como nos dias atuais. Paulo escrevia à mão, em pergaminhos que, transformados em rolos, eram enviados a lugares os mais distantes, por intermédio de mensageiros ou portadores de suas missivas.

Depois que escreveu a Timóteo, na segunda carta, acerca da corrupção que haveria de dominar o mundo “nos últimos dias” (2Tm 3.1), Paulo chama a atenção do seu discípulo amado para alguns aspectos preocupantes da realidade que viria sobre a igreja do Senhor Jesus Cristo, não só em Éfeso, na Ásia Menor, mas em todo o mundo, como se depreende de seu ensino pastoral. Em primeiro lugar, o apóstolo usa uma expressão forte, que poderia assustar Timóteo, pela veemência da recomendação do mestre ao jovem obreiro. Mas Timóteo já conhecia o linguajar de Paulo. Ele diz: “Conjuro-te, pois, diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino, que pregues a palavra, instes a tempo e fora de tempo, redarguas, repreendas, exortes, com toda a longanimidade e doutrina” (2Tm 4.1,2). Timóteo deveria transmitir a mensagem da “sã doutrina” de modo insistente, quer os ouvintes aceitassem quer não a palavra que lhes era enviada. A experiência, fundada na Palavra, mostra que, quando a mensagem é de Deus, o pregador deve falar, não o que o povo gosta de ouvir, mas o que Deus quer falar.

O verbo conjurar, no primeiro versículo, tem o sentido de rogar, suplicar, e não de tramar, maquinar, como ocorre, nas conjurações políticas. Paulo expressava seus sentimentos, de modo dramático, para que Timóteo levasse em consideração até as últimas consequências a nobilíssima missão que lhe era confiada, para que pregasse a Palavra de Deus, de modo insistente, em caráter de urgência, “a tempo e fora de tempo”, tendo em vista o que haveria de ocorrer, conforme o sentir profético do apóstolo. E sua forte recomendação deveria ser aceita, “diante de Deus e do Senhor Jesus Cristo”; e numa perspectiva escatológica: “que há de julgar os vivos e os mortos, na sua vinda e no seu Reino”! Talvez seja o trecho da carta de maior gravidade. E o que estava por vir não era nada desejável nem comum.
Além da corrupção dos últimos tempos, Paulo antevia tempos em que, dentro da própria igreja local, levantar-se-iam homens que seriam usados pelo Diabo para rejeitar a sã doutrina e usar sua influência intelectual ou teológica para deturpar a verdade do evangelho de Cristo. Por isso, ele determina, em sua súplica, que Timóteo usasse a Palavra para redarguir, repreender e exortar “com toda a longanimidade e doutrina”. Aqui, há um grande ensinamento de ordem prática para a vida ministerial do obreiro, especialmente dos que lideram, na igreja local. A exortação não deve ser dada de forma pesada ou agressiva, como ocorre em muitos púlpitos. A palavra exortar vem do grego, parakaleo, que tem o sentido de chamar para fora, para consolar. Daí, porque o Espírito Santo é nosso parakleto, nosso Consolador.

Timóteo deveria ser um obreiro firme na palavra na exortação, mas com “longanimidade” (gr. makrothumia), isto é, com paciência, diante dos que precisavam da mensagem firme e incisiva. Mais ainda. Paulo demonstra, nesse texto, que a exortação só tem sentido se, além de ser dada com longanimidade, tem que estar fundamentada na “doutrina” (gr. didache). Exortar não é “dar carão”, “sentar a ripa”, ou “sentar o pau”, nas ovelhas, como o fazem alguns pastores, em sua neurastenia descontrolada ou radicalismo exacerbado. Exortar é orientar com segurança, com firmeza, mas com amor, compreensão e longanimidade. Em seguida, Paulo esclarece o motivo da sua veemente recomendação.
A premência da recomendação incisiva de Paulo tinha motivo muito mais sério do que se poderia imaginar. Ele diz a Timóteo, seu filho na fé, e portador da mensagem para a igreja: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2Tm 4.3,4). Era a incumbência mais significativa que Paulo daria a Timóteo, pois estava em análise o futuro e a sobrevivência da fé cristã e da igreja de Jesus, ameaçada pelos falsos mestres, e “doutores” falsos e hereges, que levariam os crentes a se desviarem da verdade da Palavra de Deus, da “sã doutrina”.

Preparando-se para o fecho da carta, Paulo dá sua última palavra pessoal a Timóteo: “Mas tu sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre o teu ministério” (2Tm 4.5). Será que essas palavras foram só para Timóteo? Certamente, não. O Espírito Santo pôs na mente e na escrita de Paulo recomendações que se aplicam de modo perfeito aos obreiros do Senhor em todos os tempos, incluindo o tempo presente, em que há tantas aberrações ministeriais, na consagração de homens despreparados para a elevada missão de um ministro do evangelho. O texto diz que o obreiro deve ser “sóbrio”, ou seja, simples, humilde. Deve ser sofredor, ou seja, capaz de saber suportar as aflições que possam surgir no ministério. E Timóteo deveria saber fazer “a obra de um evangelista” e cumprir o seu ministério, ou sua missão ou tarefa que lhe fora confiada.


Em seguida, tal como um corredor de “corrida de revezamento”, Paulo prepara-se para “passar o bastão” a Timóteo. O apóstolo estava perto de terminar a corrida (ou o combate), e Timóteo deveria substituí-lo, pois Paulo sentia que sua missão apostolar estava perto do fim. Lembremos que Paulo estava na prisão, e não no púlpito de uma igreja. Ainda esperava ver Timóteo, mas a urgência da mensagem apertava seu coração. Talvez Timóteo não percebesse tal situação, até que seus olhos pousaram nos últimos parágrafos da carta. E viu com profundo sentimento de santa tristeza que seu mestre, seu mentor e tutor, tinha consciência de que a morte se aproximava, no fim do seu ministério. Mas, em lugar de demonstrar medo ou pavor diante da morte, Paulo escreve o que poderia ser considerado um “cântico de vitória” no final da missão: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7). O jovem obreiro deve ter-se detido mais tempo ante essa declaração de Paulo do que no restante de sua epístola. E sentido o peso da responsabilidade, ao pensar se estaria à altura de substituir o maior evangelista do cristianismo, o maior intérprete dos evangelhos, que se considerava, contudo, “o menor dos apóstolos” (1Co 15.9).


"Embora a morte traga abatimento para os crentes, os discípulos de Jesus não se desesperam diante dela, pois têm uma certeza em Cristo: de que para sempre estaremos com o Senhor."

I - A CONSCIÊNCIA DA MORTE NÃO TRAZ DESESPERO AO CRENTE FIEL
1. A Serenidade diante da Morte
Enquanto Timóteo ainda era um jovem obreiro, Paulo já era de certa idade, “o velho” (Fm 9), e já tinha consciência, dada por Deus, de que estava no final de sua longa, sacrificada e honrosa missão, que lhe fora confiada por Jesus Cristo, quando de sua dramática conversão no caminho de Damasco.
Ao escrever a Timóteo, sobre os últimos dias de sua vida e de seu ministério, Paulo usou uma figura emprestada dos antigos sacrifícios do Templo em Jerusalém. “Porque eu já estou sendo oferecido por aspersão de sacrifício, e o tempo da minha partida está próximo” (2Tm4.6). É uma linguagem “técnica”, por assim dizer. Só pode entender quem lê acerca dos rituais dos sacrifícios na Antiga Aliança. Aquele que oferecia sacrifício ao Senhor, como “oferta de manjares”, o fazia com “flor de farinha”, misturada com azeite, na proporção indicada pela lei; e também derramava sobre ela uma porção de vinho, ou uma “libação” (Nm 15.5,7,10), uma oferta de caráter voluntário, “de cheiro suave ao Senhor” (Lv 2.2). Não era uma oferta pelos pecados, mas uma oferta de gratidão a Deus. Paulo considerava a sua vida, salva por Cristo, e toda a sua experiência no cristianismo, como uma “oferta de manjares”, uma “libação” ou “aspersão do sacrifício”, ante a proximidade da morte, que ele encarava com paz e serenidade.

2. A Certeza da Missão Cumprida
Ao se deter nas últimas linhas da carta, Timóteo deve ter sentido muita admiração pelo velho obreiro, quando este diz: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé. Desde agora, a coroa da justiça me está guardada, a qual o Senhor, justo juiz, me dará naquele Dia; e não somente a mim, mas também a todos os que amarem a sua vinda” (2Tm 4.7,8). No texto, que indica antecipadamente a consciência da proximidade da partida para a eternidade, vemos três aspectos a destacar:

1) “Combati o bom combate”
Paulo diz a Timóteo que está chegando ao fim da jornada, como servo de Deus, como apóstolo e fiel testemunha do Senhor, mas, como um lutador que enfrentava a luta, na arena, havia combatido “o bom combate”, ou seja, o bom combate da fé. Paulo conhecia as competições atléticas de sua época, E imaginou essa metáfora para indicar sua vitória, ante as lutas que houvera enfrentado, desde sua conversão e o desenvolvimento do seu ministério, sempre envolvido com opositores humanos, além da luta espiritual contra os inimigos do crente em Jesus.
Seu combate da fé era em defesa da igreja, lutando pelos irmãos em Cristo (Cl 2.1); era a luta contra os opositores que se levantavam contra sua missão (1Ts 2.2). Todos os apóstolos de Jesus eram homens que combatiam “pela fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3). Mas nenhum teve tantas oposições e ameaças quanto Paulo. Ele foi um obreiro muito perseguido, mas nunca desistiu da luta espiritual em prol do evangelho (2Tm 3.11,12; 2Tm 4.14; 1Tm 1.20).

2) “Acabei a carreira”
No original, o texto indica que Paulo se referia à “pista de corrida”, nas competições em Atenas, em Roma, ou em outra cidade que conhecia. Em sua carreira ou “corrida”, Paulo diz que não olhava para trás, mas para as coisas que estavam diante dele, prosseguindo “para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3.13,14). Muitos têm começado a carreira da vida cristã, mas desistem, ante os obstáculos e os problemas que surgem pela frente.
Nessa “carreira”, as dificuldades são enormes, porque, além de ser uma luta constante, o crente tem que carregar uma cruz “de cada dia” (Lc 9.23). Diante dessa realidade, após as experiências vividas em seu ministério, Paulo mostrou a Timóteo que tinha a certeza de que sua carreira como ministro do evangelho houvera terminado. Mas o fazia com a consciência tranquila, mesmo diante da morte, de que cumprira o seu dever para com Deus e sua Igreja.

3) “Guardei a fé’’
Paulo quis dizer que não apenas lutou o “bom combate” e concluiu “a carreira”, mas não o fez de qualquer maneira. Ele guardou “a fé”. Isso quer dizer que ele foi fiel a Deus, em todas as circunstâncias de sua vida cristã. Ele não se embaraçou “com os negócios dessa vida” e militou legitimamente (2Tm 2.4,5). Guardar a fé significa guardar a fidelidade estrita a Cristo e a seus ensinamentos. E Paulo ensinou de modo eloquente sobre esse cuidado. O crente é consolado pela fé (Rm 1.12); a justiça de Deus é pela fé (Rm 3.22); o homem é justificado pela fé (Rm 3.28; 5.1; G1 2.16); o justo vive pela fé (Gl. 3.11); a salvação é pela fé em Jesus (Ef 2.8). Paulo sabia o que era lutar e guardar a “fé que uma vez foi dada aos santos” (Jd 3).

A vida do apóstolo Paulo é um exemplo de seriedade cristã diante da morte e uma certeza da missão cumprida.


SUBSÍDIO DIDÁTICO
*Coroa da justiça
"A coroa, como símbolo de um prêmio, deriva das culturas gregas e judaicas. Como uma recompensa, a coroa simboliza a honra que Deus quer abençoar seus servos fiéis. A Bíblia menciona três tipos de coroas; a coroa da vida (1Co 9.25; 2Tm 2.5); a coroa da justiça; a coroa de glória (1Pe 5.4). Além disso, Paulo também conclama os tessalonicenses a que se convertam em coroas (1Ts 2.19). Cada uma dessas coroas será conferida após a volta de Cristo". Leia mais em Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 844.


II - O SENTIMENTO DE ABANDONO
O apóstolo Paulo contribuiu de forma decisiva e marcante para a expansão do evangelho de Jesus Cristo, não só no Oriente Médio, mas na África e na Europa. Foi o maior missionário de seu tempo. Além de seu trabalho missionário, Paulo foi um escritor extraordinário, que contribuiu para a formação do pensamento cristão, não só para sua época, mas para a Igreja do Senhor em todos os tempos. Dos 27 livros do Novo Testamento, ele escreveu treze. Mas, por permissão de Deus, terminou seus dias num cárcere de uma prisão romana.
Pela grandeza do seu ministério, como um verdadeiro formador de líderes e de discípulos de Cristo, como fruto de sua pregação, de suas mensagens e ensinos profundos, era de se esperar que, nos momentos cruciais em que estava vivendo, não faltassem os amigos e os irmãos ao seu lado. Mas, infelizmente, não foi o que aconteceu. O texto em apreço demonstra que ele experimentou a solidão e o abandono dos que faziam parte do seu círculo de relacionamentos. Como um fiel discípulo e imitador sincero de Cristo, Paulo soube o que era ficar só quando mais precisava de companhia.

1. O Clamor de Paulo na Solidão
Jesus exclamou sua solidão na cruz, sentindo a ausência necessária do Pai, por ter recebido sobre si os pecados da humanidade. Deus não poderia estar em comunhão com o pecado, no momento em que Cristo morria como “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29). Paulo clamou pelo amigo, de dentro da prisão. Ele não tinha meios de comunicação rápidos, como hoje qualquer pessoa pode dispor. Sua carta deve ter demorado dias para chegar às mãos de Timóteo. No início da carta, ele já sentia a falta do amigo, quando escreveu: “desejando muito ver-te, lembrando-me das tuas lágrimas, para me encher de gozo” (2Tm 1.4). No final da missiva, consta a premente súplica de Paulo ao seu filho na fé: “Procura vir ter comigo depressa” (2Tm 4.9). Nas linhas seguintes, ele diz o porquê de sua pressa.

1) Demas o desamparou
“Porque Demas me desamparou, amando o presente século, e foi para Tessalônica” (2Tm 4.10a). Tal expressão dá a entender que Demas, que era um cooperador e amigo de Paulo (Cl 4.14; Fm 24), na hora em que mais precisava dele, sentiu sua falta de amor.

2) Dois amigos tiveram que viajar
“Crescente, para a Galácia, Tito, para a Dalmácia” (2Tm 4.10b). Não fica claro o motivo da viagem desses dois irmãos. Provavelmente, foram a serviço do ministério, a lugares distantes. Em alguns momentos, Paulo estivera cercado de amigos. Mas, por razões diversas, muitos tiveram que deixá-lo só. Tíquico foi mandado para Éfeso (2Tm 4.12). Os textos das cartas dão a entender que Tíquico fora o mensageiro que levou a carta a Timóteo (cf. Tt 3.12; Cl 4.7; Ef 6.21,22), assim como foi portador de outras missivas; Erasto ficou em Corinto e Trófimo ficou doente em Mileto (2Tm 4.20).

3) Só o médico amado ficou com Paulo
“Só Lucas está comigo” (2Tm 4.11). Lucas, “o médico amado” (2Tm 4.14), escritor do livro de Atos dos Apóstolos, e cooperador do apóstolo (Fm 24), fez-se presente, dando assistência a Paulo. Sem dúvida alguma, fora providência de Deus. Em idade avançada (Fm 1.9), Paulo precisava de cuidados médicos, de remédios e orientações clínicas. E ali estava o Dr. Lucas, seu amigo, que não o desamparou.

4) A necessidade de um amigo
“Toma Marcos e traze-o contigo, porque me é muito útil para o ministério” (2 Tm 4.11b). E interessante esse apelo de Paulo. Marcos, ou João Marcos, filho de Maria (At 12.12), era um obreiro jovem, que, por seus impulsos, deixou de acompanhar Paulo, em uma de suas viagens missionárias, o que muito lhe desagradou (At 13.13), e foi motivo de contenda e separação entre Paulo e Barnabé (At 15.36-38). Foi um incidente muito desagradável entre aqueles irmãos. Mas, na carta em apreço, Paulo demonstra que deve ter refletido sobre Marcos, e conclui que, apesar do acontecido, aquele jovem obreiro lhe era “muito útil” ao seu ministério. O perdão é assim. Sara as mágoas e reaproxima os amigos e irmãos.

2. A Serenidade nos Últimos Dias da Vida
É impressionante o comportamento de Paulo, registrado na segunda carta a Timóteo. Mesmo consciente de que sua vida estava prestes a findar, ainda tem a calma para interessar-se por coisas que seriam absolutamente desprezadas por outras pessoas, naquela circunstância. Na primeira vez, Paulo ficou em prisão domiciliar, durante dois anos, quando podia receber visitas (At 28.16). Mas, no segundo encarceramento, deve ter ficado recluso em cárcere fechado. Contudo, sua serenidade era tal que ainda teve ânimo para solicitar a Timóteo algumas coisas e fazer recomendações importantes. “Quando vieres, traze a capa que deixei em Trôade, em casa de Carpo, e os livros, principalmente os pergaminhos” (2Tm 4.13).
Como se aproximava o inverno (2Tm 4.21), e Paulo sentia a necessidade da capa que deixara na casa de Carpo. Mas para quê os livros, os pergaminhos, se sua morte estava iminente? Antes de tudo, percebe-se quanto valor Paulo dava à leitura de livros, anotações, feitas em pergaminho. Talvez aqueles livros fossem livros da lei ou do Antigo Testamento. Ao que tudo indica, o seu julgamento, perante a justiça de Roma, pudesse demorar alguns dias ou meses. De qualquer forma, é um eloquente testemunho de que o homem de Deus, quando está seguro em sua comunhão com o Senhor, não teme a morte ou qualquer outra adversidade.

3. Preocupações Finais com o Discípulo
Parece algo desconexo, em relação às preocupações anteriores, quando solicitou objetos pessoais a Timóteo. Paulo passa de escrita sobre sua situação e necessidades, e se refere a um homem de mau caráter que lhe causara muitos problemas, e orienta Timóteo a respeito do mesmo (2Tm 4.14,15). “Alexandre, o latoeiro, causou-me muitos males; o Senhor lhe pague segundo as suas obras. Tu, guarda-te também dele, porque resistiu muito às nossas palavras” (2Tm 4.14,15). Pela sua designação, “latoeiro”, esse indivíduo era um lanterneiro ou funileiro, que se tornou cristão, aparentemente, mas tornou-se inimigo de Paulo e de seu ministério.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
“Bem sabes isto: que os que estão na Ásia todos se apartaram de mim; entre os quais foram Fígelo e Hermógenes. O Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, porque muitas vezes me recreou e não se envergonhou das minhas cadeias; antes, vindo ele a Roma, com muito cuidado me procurou e me achou. O Senhor lhe conceda que, naquele Dia, ache misericórdia diante do Senhor. E, quanto me ajudou em Éfeso, melhor o sabes tu” (2Tm 1.15-18). Este texto, mostra com clareza, que o apóstolo Paulo já havia se queixado da solidão. Esta é uma informação importante que você, prezado professor, deve repassar à classe. O texto de Paulo expresso no capítulo 4 de 2 Timóteo é de caráter bem pessoal, demonstrando o sentimento, a pessoalidade e a dor do apóstolo em ser abandonado por quem deveria apoiá-lo em seu árduo ministério. Enfatize que 2 Timóteo 4 narra os últimos momentos da vida do apóstolo. Podemos afirmar que temos o privilégio de conhecer os últimos momentos da vida de um grande homem de Deus, apóstolo Paulo.


III - A CERTEZA DA PRESENÇA DE CRISTO
1. Sozinho no Tribunal dos Homens
“Ninguém me assistiu na minha primeira defesa; antes, todos me desampararam. Que isto lhes não seja imputado” (2Tm 4.16). De acordo com estudiosos, Paulo se referia à primeira audiência a que se fez presente, na sua segunda prisão, e não ao primeiro julgamento, do qual foi liberado, após ter ficado em prisão domiciliar, alugada por ele próprio, durante dois anos (At 28.30,31). Na situação de que trata o presente texto, Paulo se encontrava respondendo a processo judicial, e esperava o julgamento final. Esse juízo poderia demorar ainda algum tempo, como ocorreu na primeira detenção do apóstolo. Por isso, ele diz a Timóteo que volte depressa. E relata que sentiu a falta dos companheiros, naquela hora tão difícil em que se encontrava, dizendo “todos me desampararam”. Parece que Tíquico e Lucas, o “médico amado” não se encontravam na cidade, quando Paulo compareceu àquela audiência. Mas Paulo não era murmurador, nem guardou mágoa dos amigos ausentes. Pelo contrário, demonstrou que os perdoara, pedindo a Deus “Que isto lhes não seja imputado”.

2. Sentindo a Presença de Cristo
“Mas o Senhor assistiu-me e fortaleceu-me, para que, por mim, fosse cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem; e fiquei livre da boca do leão” (2Tm 4.17). Na carta, Paulo declara que, não obstante ter sentido a falta dos irmãos e amigos, sentiu de perto a gloriosa presença de Deus. E acentua que Cristo, seu Senhor, lhe concedeu duas grandes bênçãos, naquela circunstância tão desconfortante. Primeiro, o assistiu. Ele não tinha advogado humano; respondeu sozinho as acusações injustas contra sua pessoa, fazendo sua própria defesa; mas o Senhor estava ao seu lado.
A segunda grande coisa que o Senhor proporcionou foi o fortalecimento do seu espírito, dando-lhe energia e ânimo para enfrentar não só o julgamento injusto, mas a própria morte, que se aproximava. Em terceiro lugar, Paulo diz que por ele fosse “cumprida a pregação e todos os gentios a ouvissem”, indicando que, de alguma forma, antes da sua morte, os gentios haveriam de ouvir a mensagem do evangelho. Há quem diga que ele se referia ao primeiro encarceramento, do qual fora liberto. E continuou a pregar o evangelho. Em seguida, ele diz: “e fiquei livre da boca do leão”. Há dificuldades de entendimento quanto a essa expressão.
Teria sido Paulo mais uma vez liberto da prisão, após o segundo julgamento? Teria sido ele inocentado e solto? Estudiosos das epístolas pastorais entendem que, em sua própria defesa, Paulo proclamou sua fé em Cristo, perante as autoridades e assistentes do júri. E que, dizendo que ficou “livre da boca do leão”, refere-se à sua libertação espiritual, de Nero, o imperador sanguinário, ou de Satanás, ainda que passando pelo “vale da sombra da morte” (SI 23.4). Tal entendimento se fortalece quando recordamos seu brado de vitória: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2Tm 4.7).

3. Palavras e Saudações Finais
“E o Senhor me livrará de toda má obra e guardar-me-á para o seu Reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém!” (2Tm 4.18). Vencendo as lutas do combate da fé, acabando a carreira que lhe foi proposta e guardando sua fé em Cristo, Paulo sentia-se liberto para sempre de “toda má obra”, e sentia-se guardado “para o seu Reino celestial” (de Cristo), a quem dá “glória para todo o sempre, amém”.
Paulo, com o ânimo fortalecido pelo Senhor, encontra forças para mandar saudações a seis amigos (2Tm 4.19,20); lembra-se de Erasto, que ficou em Corinto, e do amigo Trófimo, que ficou doente em Mileto. E pede que Timóteo procure chegar a Roma antes do inverno, naturalmente, levando a sua capa, que deixara na casa de Carpo (2Tm 4.21). E, de modo elegante, envia saudação em nome de “Eubulo, e Pudente, e Lino, e Cláudia, e todos os irmãos” que saudavam Timóteo. Isso mostra o quanto ele estava tranquilo, aguardando a vontade de Deus sobre sua vida e o fim do seu ministério. E conclui, saudando seu jovem discípulo, dizendo: “O Senhor Jesus Cristo seja com o teu espírito. A graça seja convosco. Amém!” (2Tm 4.22).


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“A graça seja convosco. Estas são as últimas palavras de Paulo nas Escrituras registradas enquanto ele aguardava o martírio num cárcere romano. Do ponto de vista do mundo, a vida do apóstolo estava para terminar num trágico fracasso.
Durante trinta anos, largara tudo por amor a Cristo; pouca coisa ganhara com isso, a não ser perseguição e inimizade dos seus próprios patrícios. Sua missão e sua pregação aos gentios resultaram no estabelecimento de um bom número de igrejas, mas muitas dessas igrejas estavam decaindo em lealdade a ele e à fé apostólica (2Tm 1.15). E agora, no cárcere, depois de todos os seus leais amigos o deixarem, a não ser Lucas (vv.11,16), ele aguarda a morte” (Bíblia de Estudo Pentecostal. CPAD 1995, p.1885).

CONCLUSÃO
Os últimos trechos da segunda carta de Paulo a Timóteo demonstram que um servo de Deus que se pauta pela obediência ao Senhor, vivendo em santidade, e fazendo a vontade divina, não se desespera, mesmo ante a iminência do dia final. Noutra carta, Paulo diz: “Ora, o último inimigo que há de ser aniquilado é a morte” (1Co 15.26), referindo-se à vitória de Cristo sobre todos os poderes e forças contrárias à vida do crente fiel. Ele tinha consciência de que a morte física aniquilava apenas o corpo, mas seu espírito e sua alma (o homem interior — 2Co 4.16) estavam guardados em Cristo Jesus.

A segunda carta de Paulo a Timóteo foi escrita no ano de 66 ou 67 d.C.(aproximadamente). Foi escrita durante a prisão em Roma. Depois de um ano ou dois de liberdade, Paulo foi novamente preso e executado durante o governo do imperador Nero. [Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, CPAD. pg.1710.]


Fonte:
A Igreja e o seu Testemunho - As ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais
As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais - Elinaldo Renovato de Lima (livro de Apoio)
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº63
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé

Sugestão de leitura:
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