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sábado, 26 de dezembro de 2015

A transição entre José e Moisés

"E disse José a seus irmãos: Eu morro; mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó." Gênesis 50:24

INTRODUÇÃO
O que aconteceu entre a morte de José e o nascimento de Moisés?

A Bíblia, com sutileza e arte, cala-se acerca dessa transição. Quanto à história secular, tem pouco a oferecer-nos. Não obstante, dispondo ou não de fontes pertinentes, é preciso reconstituir os quatro séculos entre o Gênesis e o Êxodo, para compreendermos a formação do Israel de Deus. Nesse período, os israelitas passam da fase tribal à nacional, transformando-se num povo tão grande e poderoso, que veio a ameaçar o Império Egípcio.

Neste capítulo, buscaremos recompor os acontecimentos entre os dois primeiros livros da Bíblia. Apesar do incômodo silêncio, é possível chegar a algumas conclusões surpreendentes. Já de início, adiantamos: o mutismo histórico-profético não descontinuou a narrativa sagrada, nem ignorou a força das profecias. O que o Senhor prometera aos patriarcas não caiu por terra; permanece inalterável até hoje.

Por conseguinte, no estudo da História Sagrada, atentaremos não somente ao que foi escrito, mas também ao que, providencialmente, foi omitido. Deus fala até mesmo quando se cala. Ele nunca deixou de revelar-se aos seus filhos, conforme garante o autor da Epístola aos Hebreus: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1.1,2).

I. QUATRO SÉCULOS DE SILÊNCIO HISTÓRICO
Na História Sagrada, há dois períodos de silêncio histórico. O primeiro, como já vimos, deu-se entre o Gênesis e o Êxodo. Já o segundo ocorreria entre o Antigo e o Novo Testamento. Por que esses hiatos? Tratemos essa questão com discernimento e cuidado, para chegarmos a conclusões plausíveis e reveladoras.

1. A preparação do cenário. Deus bem que poderia ter confiado, de vez, a Terra Prometida a Jacó e aos seus filhos. Afinal, já havia uma promessa, uma teologia bem definida e uma base étnica delineada. O Senhor, contudo, embora intervenha na História, não atropela processos históricos e sociológicos, pois almeja que o reconheçamos como o Soberano dos Céus e da Terra.

Por essa razão, da morte de José ao nascimento de Moisés, Deus põe-se a trabalhar em silêncio. Nesse período, os cronistas sagrados nada escrevem, nem profetizam os servos de Jeová. Entretanto, a História Sagrada não perde a sua continuidade, nem a profecia deixa de ser cumprida. O que Abraão ouvira do Senhor desenrolava-se naqueles séculos de mutismo histórico: “Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas” (Gn 15.13,14).

Enquanto isso, ia Deus preparando o cenário para o Êxodo. No Egito, multiplicava-se o clã patriarcal; as tribos transformavam-se num grande e temível exército. Já em Canaã, o amoroso Senhor dispensava o tempo necessário para que as nações, ali instaladas, viessem a arrepender-se de seus grosseiros pecados.

A saída dos israelitas do Egito, por conseguinte, só teria êxito se ocorresse no tempo certo. E, para tanto, era indispensável um cenário ideal, a fim de que os personagens separados por Deus pudessem atuar de forma decisiva.

2. A preparação dos protagonistas do Êxodo. Depois da morte dos 12 patriarcas, os israelitas tiveram de esperar 400 anos até que uma nova geração de líderes estivesse pronta. E, conforme sabemos, não é sempre que aparece um libertador com a fidelidade de Moisés, um sacerdote com a postura de Arão, ou um general com o coragem de Josué. É imperioso que a nação seja submetida a alguns processos históricos, sociológicos, políticos e teológicos, visando o seu amadurecimento. Tais processos são bastante morosos; requerem décadas e, às vezes, séculos.

Era imprescindível, pois, que os hebreus deixassem a fase tribal, a fim de se erguerem nacionalmente. Doravante, Deus não trataria mais diretamente com os patriarcas, mas haveria de tratar, através de seus profetas, com a nação. Os pais, contudo, jamais deixariam de ser lembrados como a principal referência teológica, ética e histórica dos hebreus. Nos momentos de crise e dificuldade, o Senhor apresentar-se-ia como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Sua menção serviria, também, para lembrar aos israelitas que as alianças firmadas pelo Senhor com os antigos continuavam tão firmes quanto às leis que regem o Sol, a Lua, a Terra e as estrelas.

Portanto, seriam essenciais 400 anos de trabalho silencioso e metódico, para que o Senhor formasse os protagonistas do Êxodo. Não é da noite para o dia que aparecem homens da estirpe de Moisés. A ascensão de líderes, enfatizamos, demanda tempo, paciência, espera e oportunidade. A História Sagrada não ignora processos, nem despreza a ocasião propícia.

3. A espera do tempo da oportunidade. A História Sagrada não se baseia apenas no tempo cronológico; sua referência máxima é a presença de Deus na vida de Israel, da Igreja e dos gentios. Por esse motivo, o Senhor aguardou quatro séculos para intervir no Egito, objetivando libertar os filhos de Abraão daquele amargo e duro cativeiro.

A histórica secular divide-se em períodos e eras. Vai de uma fantasiosa pré-história a um pós-modernismo blasfemo e anticristão. A História Sagrada, por seu turno, não se prende a épocas ou fases; guiada pelo Espírito Santo, narra as intervenções de Deus no Universo. Não foi por mero acaso, portanto, que o Senhor aguardou quatro séculos para libertar os israelitas. Era sua intenção redimir não somente Israel, mas o mundo todo, pois todos nos achávamos escravizados pelo pecado. O êxodo hebreu prefigurava a redenção cristã.

Se lermos a História Sagrada sem a assistência divina, vê-la-emos como um mero processo político. Aliás, foi o que fizeram os proponentes da Teologia da Libertação na América Latina. A Bíblia, contudo, longe de ser um panfleto de libertação nacional, mostra o Filho de Deus como o redentor e salvador universal.

Sendo o evento pascal tão importante, aprouve a Deus silenciar-se por 400 anos, até que o tempo se fizesse oportuno. Se por um lado, a História Sagrada emudecia-se, por outro, a salvação era preparada no refúgio em Gósen.

II. GOSÉN, O ÚTERO DA NAÇÃO HEBREIA
Ao receber os irmãos no Egito, promete José ao velho pai que ainda se encontrava em Canaã: “Assim manda dizer teu filho José: Deus me pôs por senhor em toda terra do Egito; desce a mim, não te demores. Habitarás na terra de Gósen e estarás perto de mim, tu, teus filhos, os filhos de teus filhos, os teus rebanhos, o teu gado e tudo quanto tens. Aí te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome; para que não te empobreças, tu e tua casa e tudo o que tens” (Gn 45.9-11).
Ali, em Gósen, longe dos egípcios, os filhos de Israel haveriam de engrandecer-se como nação. Deixariam de ser dispersas e frágeis tribos, para se apresentarem como um povo forte, valoroso e único.

1. Gósen, uma terra excelente. Localizada no delta oriental do Egito, era Gósen uma terra de excelências. Ampla, fértil e mui receptiva, mostrava-se ideal a quem se entregava às lides do campo e à pecuária. Sendo os israelitas dados à agricultura e afeitos ao gado, receberam a oferenda do Faraó como algo providencial e divino.
A região de Gósen, embora isolada dos grandes centros, não distava muito de Mênfis, sede da corte egípcia, possibilitando a José visitar regularmente a família.

2. Refúgio espiritual. Jacó, acompanhado de seus filhos e netos, chegou a Gósen como peregrino do Senhor. Ele sabia que, apesar da amável acolhida de Faraó, o destino de sua família era a terra que Deus prometera a seu pai, Isaque, e a seu avô, Abraão. Por isso, seus descendentes teriam de preservar a fé no Deus Único e Verdadeiro. Caso contrário, perderiam a sua identidade espiritual e teológica.

Os israelitas eram uma ilha monoteísta cercada por um politeísmo militante, agressivo e sedutor. Os deuses egípcios achavam-se presentes em todas as cerimônias estatais, sociais e domésticas. Ali estava o orgulhoso Amom, chefe dos deuses e senhor de todos os ventos. Logo mais, apresentava-se Anúbis, a divindade que controlava a morte; não faltava aos funerais.
Como os egípcios davam-se às ciências ocultas, incensavam à erudita Ramras, simbolizada por uma coruja. Dokten era a deusa da guerra. Logo mais erguia-se Anukis, guia do Nilo e de todas as águas. Àpis, visto no boi, era o senhor da fertilidade. Não se pode esquecer a libertina Hathor. Simbolizada por uma vaca, era a diva do amor e da prostituição cultual. Isis, a senhora da magia, não faltava às celebrações do Faraó, pois entretinha o soberano com seus truques baratos e tolos.

Pelas ruas de Mênfis, era mais fácil encontrar uma divindade do que uma pessoa. Em Gósen, porém, habitaria um povo, cujo Deus não era representado na criatura, porquanto é o criador dos Céus e da Terra. Não habitava em templo algum, pois nem o céu dos céus seria capaz de contê-lo. Ali, naquele lugar isolado geográfica, social e espiritualmente, permaneceria Israel por quatro séculos.

Se os israelitas habitassem em meio aos egípcios, teriam desaparecido em duas ou três gerações. Primeiro, assimilariam a religião do Nilo. Em seguida, ver-se-iam casando-se com as idólatras e dando-se em idolatrias. Providencialmente, Deus isolou-os naquele recanto, para que não se contaminassem quer pela religião egípcia, quer pela cananeia. Aliás, o panteão cananeu era muito mais perverso, criminoso e deletério que o egípcio.

3. Refúgio histórico. Ali, naquele refúgio, os hebreus tiveram condições de preservar a História Sagrada. Remontando a Noé, num primeiro momento, e, depois, ao próprio Adão, eles sabiam que descendiam do ramo messiânico da progênie humana. E, que, através de uma de suas famílias, viria o Desejado de todas as nações.

Como o Gênesis ainda não havia sido escrito, fazia-se imprescindível que suas tradições orais e registros genealógicos se mantivessem incólumes. Por esse motivo, os israelitas não se misturariam, quer aos egípcios, quer aos cananeus. Doutra forma, a História Primeva transformar-se-ia num corolário de mitos, fantasias e blasfêmias.

A História Sagrada, que tinha agora os israelitas como guardiões, não poderia ter o mesmo destino que tivera entre os camitas e jafetitas. Os filhos de Cam desviaram-se logo, pervertendo a verdade divina. Quanto aos descendentes de Jafé, também não demoraram a transviar--se. O resultado de toda essa apostasia é descrito pelo apóstolo Paulo:
“Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1.22- 25).

Infelizmente, até os próprios filhos de Sem caíram na idolatria. Naquele momento, portanto, havia apenas uma família que ainda resguardava a História Sagrada. Caso viesse a transviar-se, jazeríamos hoje em trevas teológicas e históricas. Não saberíamos como responder a estas perguntas: “Quem fez o Céu e a Terra? E de onde eu vim?”. Felizmente, em Gósen, o Senhor, preservando os hebreus, preservou os primórdios da História Sagrada.

4. Refúgio moral e ético. Resguardando-se da religião egípcia, os israelitas resguardar-se-iam também da moral dos que a seguiam. Os deuses do Nilo não eram melhores do que os da Grécia. Aliás, só mudavam de nome. Amom, por exemplo, era adorado pelos gregos como o adúltero e vingativo Zeus. Já a desavergonhada Hathor era conhecida nas cidades helenas como Afrodite, leviana e alcoviteira. Se os deuses não tinham moral, o que dizer de seus adoradores? Amom jamais poderia exigir dos que o incensavam: “Sede santos, porque eu sou Santo”. Santidade, aliás, era um atributo desconhecido nos panteões egípcio e cananeu. Por essa razão simples e óbvia, era imperioso que os filhos de Israel se isolassem da sociedade egípcia.

Os templos pagãos em nada diferiam de um bordel. Hathor, por exemplo, não se limitava à prostituição; incestuosa, apresentava-se como filha e esposa de Rá. Se os deuses eram tão libertinos e promíscuos, por que censurar o povo? As mulheres egípcias, altivas e vaidosas, não se resguardavam ao marido. Entregavam-se às aventuras extraconjugais como faziam suas deusas. Haja vista a mulher de Potifar que intentou levar José ao pecado.

Não se tem notícia de sacrifícios humanos no antigo Egito. Entretanto, os servos do Faraó sepultavam-se com ele nas mastabas e pirâmides, a fim de o servirem na outra vida. Quanto à escravidão, era não somente praticada, mas institucionalizada em todo o país.

5. Refúgio cultural. Entre os israelitas e os súditos do Faraó, havia um abismo cultural e religioso intransponível. Antes de tudo, porque todo pastor de rebanho era abominação aos egípcios (Gn 46.34). Estes não conseguiam entender como aqueles sacrificavam ao Deus invisível os animais, que, para eles, eram sagrados. Nenhum natural da terra ousaria levar ao holocausto um boi, porque estaria queimando o venerado Ápis, responsável pela fertilidade de suas terras.

Isolados culturalmente, os hebreus tiveram condições de preservar seus costumes, sua língua, sua ética e, principalmente, sua religião. Em tudo isso, é impossível não ver a providência divina. A região de Gósen, pois, teve um papel importantíssimo na história israelita. Foi o útero no qual Deus gestou o seu povo antes de introduzi-lo na Terra da Promissão.

III. JOSÉ, O FORJADOR DO IMPÉRIO EGÍPCIO
Quando José assumiu a governança do Egito, reinava um Faraó de origem hicsa, cujo nome ignoramos. Mas, sendo ele também semita, tratou com benignidade os filhos de Israel, concedendo-lhes a terra de Gósen por habitação. Era conhecido como rei-pastor. Por isso, confiou aos hebreus todo o seu rebanho.
Sob este monarca, José transformou o Egito no reino mais poderoso da antiguidade. Resguardando-se da religião egípcia, os israelitas resguardar-se-iam também da moral dos que a seguiam.

1. O plano econômico de José. No capítulo anterior, vimos que José, filho de Jacó, apresentou ao rei do Egito um plano econômico simples, mas eficientíssimo. Um plano que, embora fugisse aos cânones da moderna economia política, veio a salvar o Egito e os demais países do Oriente Médio.

O êxito de seu projeto residia não em sua complexidade, mas justamente em sua simpleza, pois José, em algumas palavras, expô-lo a Faraó (Gn 41.32-36).

Em seu livro Quando o Amado Desce ao Jardim, Marta Doreto de Andrade reconstitui com muita propriedade a intervenção divina através do jovem hebreu:

“O sábio conselho de José foi que, durante os anos de abastança, se armazenasse cereal suficiente para suprir a terra nos anos de escassez. Que bom se cada advertência viesse acompanhada de um conselho prático... Reconhecendo haver em José o Espírito de Deus, e que ninguém havia tão ajuizado e sábio como ele, Faraó instituiu-o governador do Egito. Possuindo agora autoridade sobre toda a nação, e devendo prestar contas unicamente ao rei, o jovem José tinha diante de si a grandiosa missão de prover para os dias de privação. Tamanha tarefa exigia planejamento, e foi o que fez ele, sabiamente. Por certo não planejou apenas meios de se recolher o mantimento, mas também de aproveitar os anos de fertilidade, encorajando e orientando o plantio.

“Não havia chuvas no Egito, e a nação dependia totalmente das cheias do Nilo para sua irrigação e fertilização. Este segundo maior rio em extensão do mundo (o primeiro é o Amazonas) é formado por dois ramos chamados Nilo Branco e Nilo Azul. O primeiro começa num lago da África equatorial, e o segundo, nas montanhas da Etiópia. No Sudão, as águas convergem num só rio, e prosseguem na direção norte, atravessando o Egito, onde se dividem em dois braços, desaguando finalmente no seu delta, no Mediterrâneo. Não fosse o Nilo, a aridez tomaria conta de tudo, e o Egito seria parte do extenso deserto que atravessa a África setentrional e a Península arábica. Foi com razão que Heródoto chamou o Egito de o ‘presente do Nilo’, uma vez que o trans-bordamento do rio fornecia a base para a economia e a prosperidade desta nação.

“Ao longo de seu percurso de aproximadamente 6.690 km, o rio penetra alguns lagos, forma seis grandes cataratas e recebe águas de alguns afluentes. Contudo, são as chuvas de verão que caem em sua cabeceira que lhe engrossam o caudal, e causam as cheias responsáveis pela fertilização de suas margens. A cada ano, por volta do mês de junho, o rio começava a transbordar na extremidade do delta, e a inundação ia crescendo até o mês de outubro, quando atingia o auge. Então as águas começavam a retroceder, voltando ao nível ordinário somente no mês de abril. Tão logo começava a vazante, os egípcios iniciavam o cultivo, pois à medida que retrocediam, as águas iam deixando no solo umedecido o seu limo humoso e fértil, preparando-o para a lavoura. Uma enchente fraca representava colheita insuficiente, e até mesmo fome. Era provavelmente desses aluviões que resultariam os sete anos de fartura prometidos por Deus nos sonhos de Faraó. O aviso divino garantia sete anos de excelentes inundações. Cabia aos homens aproveitar a bênção, arando e semeando o solo da melhor maneira possível, e armazenando adequadamente o fruto das colheitas. Que preciosa cooperação haveria entre Deus e o homem! Deus entraria com os recursos naturais; o homem, com o trabalho. Era aqui que se fazia necessário ‘um homem ajuizado e sábio sobre a terra do Egito’ (Gn 41.33).”

Prossegue a autora já citada:
“Em cada um dos sete anos de fertilidade, houve o tempo de plantar e o tempo de colher; o solo egípcio foi arado e plantado, e trigais, cuidados até o momento da sega. Então, um quinto de toda a colheita, do país inteiro, foi guardado em celeiros previamente preparados. Claro está que José não fez isto sozinho; o esforço foi nacional. Nomearam-se administradores em cada região para o ajudar na execução do plano (41.34), e o país inteiro mobilizou-se. Enquanto uns lavravam a terra, outros construíam silos em cada cidade, e até as cavernas naturais foram usadas como depósito.

“A produção da terra do Egito foi farta, como Deus prometera, e um quinto de tamanha fartura representava um estoque incalculável. Enquanto pôde, José manteve registros detalhados de todo o cereal recolhido, até que os números alcançaram tal monta, que perderam o significado, “porquanto não havia numeração (Gn 41.49).

“Nos sete anos de fartura, José guardou o excedente das colheitas. Vindo a carestia, foi buscar, nos armazéns reais, o suficiente para aplacar a fome do mundo. Nesse período, nem o Nilo, com todas as suas prodigalidades, foi capaz de salvar o país. Anukis, deusa daquele grande rio e de todas as águas, nada pôde fazer por seus filhos. Se não fora a intervenção do Deus de Israel, a mortandade teria campeado do Nilo ao Eufrates.

“A seca assolou não só o Egito, mas também a Arábia, a Palestina e a Etiópia. A diferença é que o Egito estava preparado, e agora podia sobreviver do cereal estocado. Nas demais nações, as gentes definhavam por falta de nutrientes. Essas nações não contavam com um José que as orientasse a aproveitar a estação oportuna. Felizmente, o precavido José armazenara o suficiente para sustentar o Egito e ainda amparar as nações vizinhas.”

Logo espalhou-se a notícia de que no Egito havia mantimento. “Os egípcios têm muito trigo estocado”, era o que se ouvia das bocas famintas. O trigo, cultivado desde os primórdios, é o cereal mais utilizado na panificação, em todo o mundo. Seu grão, rico em amido, e contendo proteína, é o mais importante dentre os mencionados na Bíblia, e fez sempre parte da dieta dos israelitas (Gn 27.28; 30.14), que o têm como símbolo da bondade e da provisão divina (SI 81.16; 147.14). E a provisão divina, agora, estava no Egito.

Para lá dirigiram-se as demais nações em busca de alimento. Todos iam ter com José. Em suas necessidades, de quaisquer espécies, o mundo sempre se lembra de correr para um servo de Deus. E José, em quem habitava não apenas a sabedoria, mas também o amor, “abriu tudo em que havia mantimento” (41.56).

Ninguém que apelou para ele voltou de mãos vazias. Permitam-me, uma vez mais, recorrer ao texto de Marta Doreto:

“Em breve tornou-se comum a chegada de caravanas ao Egito, em busca de pão. Mas certo dia, um grupo de dez homens chamou a atenção de José. Nas faces barbudas e empoeiradas dos viajantes, ele reconheceu os seus irmãos. Estes, ao contrário, sequer imaginaram que aquele homem vestido de linho branco, à moda egípcia, com um colar de ouro no pescoço, fosse aquele adolescente que, vinte e dois anos antes, tinham vendido como escravo. A princípio, José tratou-os rispidamente, não por vingança, mas para descobrir se haviam mudado. Depois de certificar-se de que seu pai Jacó e seu irmão Benjamim estavam vivos, e de testar-lhes de várias maneiras o caráter, ele deu-se a conhecer (Gn 42; 43; 44). José mandou vir de Canaã o restante da família, e supriu-os do que havia de melhor na terra do Egito. Seu coração perdoador e generoso colocou-o na posição de instrumento de Deus para preservação da semente de Israel (45.7)”.

2. O plano de austeridade de José. “Então acabaram-se os sete anos de fartura que havia na terra do Egito, e começaram a vir os sete anos de fome...” (Gn 41.54) A partir do oitavo ano, as águas do Nilo não subiram o suficiente para fertilizar a terra árida. Não sabemos se a produção agrícola foi zerada já no primeiro ano de fome, ou foi-se extinguindo aos poucos. O fato é que se haviam encerrado os dias da prosperidade e da oportunidade.
O momento exigia pulso firme e austeridade.
Se José não mantivesse a ordem no Egito, a desordem acabaria com o equilíbrio entre os reinos do Oriente Médio. Dentro em pouco, os países da região, organizando-se em coligações, deflagrariam uma guerra de consequências imprevisíveis, em busca de insumos básicos como o trigo e a cevada. O hebreu, portanto, não se limitava a governar um país; suas atribuições iam além: conservar a harmonia internacional. Nesse sentido, foi um dos maiores estadistas que o mundo já conheceu.

Internamente, tomou as seguintes iniciativas, a fim de preservar a ordem e, mais tarde, recuperar a economia do Egito: a arrecadação de todo o meio circulante, a compra de todos os rebanhos e, finalmente, o confisco das terras que, doravante, pertenceriam a Faraó.

Aparentemente, tais medidas em nada diferiam dos decretos baixados pelos governos socialistas da ex-União Soviética, China, Camboja, Coreia do Norte e Cuba. Todavia, há muita diferença entre o hebreu e esses monstrengos comunistas que, de quando em quando, assaltam um país em nome de uma pretensa igualdade. Os marxistas que conhecemos, desde Lênin a Fidel Castro, nivelam seus povos, tendo como parâmetro a fome, a miséria e a morte. E, na busca de uma utopia ateia e insana, já mataram milhões de pessoas. No Egito de José, entretanto, a planificação levou em conta a vida e o bem-estar das gentes. Nenhuma revolução fez-se necessária; uma intervenção humanitária foi suficiente. A dialética política fez-se dispensável.

3. O recolhimento do meio circulante. Nos sete anos de seca e carestia, os egípcios gastaram todo o seu dinheiro nos armazéns reais. Em todo o país, já não havia moeda alguma. Enquanto isso, a falta de víveres tornava-se crítica, conforme descreve o autor sagrado: “Não havia pão em toda a terra, porque a fome era mui severa; de maneira que desfalecia o povo do Egito e o povo de Canaã por causa da fome” (Gn 47.13).

Mais adiante, o relato bíblico desenha um quadro mais grave do que o da Grande Depressão de 1929. A situação era de tal forma desesperadora, que nem as classes mais abastadas viram-se a salvo: “Então, José arrecadou todo o dinheiro que se achou na terra do Egito e na terra de Canaã, pelo cereal que compravam, e o recolheu à casa de Faraó. Tendo-se acabado, pois, o dinheiro, na terra do Egito e na terra de Canaã, foram todos os egípcios a José e disseram: Dá-nos pão; por que haveremos de morrer em tua presença? Porquanto o dinheiro nos falta” (Gn 47.15).

José bem que poderia ter cunhado mais moedas, para manter o dinheiro em circulação e o funcionamento mínio da economia. Ele sabia, porém, que tal medida acabaria por levar o país a um doloroso processo inflacionário. Nesse caso, tanto a nação como o Estado em breve estariam falidos, gerando um caos de proporções catastróficas. Por isso, opta por uma prática que não era desconhecida dos egípcios: o escambo.

Se não há dinheiro, que o trigo seja trocado pelos rebanhos que ainda pasciam pelos campos ressecados do alto e do baixo Egito. Ao povo que se achava em gravíssimo aperto, a proposta de José soou mais do que razoável: “Se vos falta o dinheiro, trazei o vosso gado; em troca do vosso gado eu vos suprirei” (Gn 47.16).

Caso não atentemos ao contexto em que José governava, seremos levados a pensar que o hebreu não passava de um governante oportunista e cruel. Todavia, ele prestou um grande serviço aos egípcios: o gado já estava condenado a perecer, pois a seca infelicitava todo o Oriente Médio. Ia do Nilo ao Eufrates. Que rebanho suportaria a estiagem? Mas, recolhendo-os, o governo teria condições de mantê-los, preservando um estoque mínimo para tempos mais favoráveis.

4. Terra por trigo. Já desprovido de dinheiro e de todo o seu gado, o que os egípcios poderiam fazer? Devorando-os a fome, foram procurar novamente José: “Não ocultaremos a meu senhor que se acabou totalmente o dinheiro; e meu senhor já possui os animais; nada mais nos resta diante de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra. Por que haveremos de perecer diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e a nossa terra a troco de pão, e nós e a nossa terra seremos escravos de Faraó; dá-nos semente para que vivamos e não morramos, e a terra não fique deserta” (Gn 47.18,19).

Num único dia, os feudos e os latifúndios de todo o Egito são colocados sob o poder do Faraó. Mais uma vez, o governo de José mostra-se cruel e oportunista. Todavia, o que o rei recebeu em troca de pão foram propriedades estéreis, arrasadas e secas. Naquele momento, tinham nenhum valor. Ninguém as queria nem de graça. Aquelas fazendas, outrora tão produtivas e enriquecidas pelo Nilo, jaziam desertas, pois seus donos, em busca de sobrevivência, haviam se concentrado nas grandes cidades, por estarem lá os armazéns reais.

O relato de Gênesis é bastante realista quanto à situação do Egito naquele instantes: “Assim, comprou José toda a terra do Egito para Faraó, porque os egípcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome era extrema sobre eles; e a terra passou a ser de Faraó” (Gn 47.20).

Só não foram adquiridas as terras dos sacerdotes, pois estes eram mantidos pelas expensas reais. A fome vinha demonstrar, sutilmente, a inutilidade dos deuses pagãos. Bastou aquela carestia para que todo o sistema religioso egípcio viesse ao chão. Não fora o Deus de Israel, o Egito e as demais nações do Oriente Médio não teriam sobrevivido, porquanto a seca era grave e cruel, e já não conhecia fronteiras.

5. Um plano para reconstruir o Egito. Na voragem da crise, os egípcios já não tinham dinheiro, Se José não mantivesse a ordem no Egito, a desordem acabaria com o equilíbrio entre os reinos do Oriente Médio. nem gado ou terra. Tudo o que possuíam fora despendido na aquisição do pão cotidiano. Enquanto isso, os celeiros reais continuavam a abastecer o Egito, as nações vizinhas e os povos mais distantes. Não havia o que se negar: o país do Nilo era o celeiro do mundo. Todos dependiam das terras do Faraó para sobreviver. Aliás, durante o Império Romano, o país ainda forneceria trigo aos rincões mais distanciados do mundo.

Voltemos, porém, ao mundo de José. O que os egípcios dariam, agora, em troca de pão? Num momento de urgência e calamidade, a nação, como um todo, dá-se em serviços por sua subsistência. É o que relata o autor sagrado: “Quanto ao povo, ele o escravizou de uma a outra extremidade da terra do Egito” (Gn 47.21).

Neste instante, a pergunta faz-se pertinente: “Como um homem, que vivera as agruras da escravidão, poderia agora impô-la aos outros?” Antes de tudo, é necessário entendermos a situação do Egito naquele instante tão particular de sua história. Referimo-nos a um país arrasado e desprovido de terras produtivas. Um país, enfim, que enfrentava uma crise severíssima que se arrastaria por sete longos anos. Poucas nações chegaram a experimentar semelhante calamidade.

De 1914 a 1918, o Líbano enfrentou uma fome tão severa, que lhe devorou, em apenas dois anos, um quarto da população. Nos anos de 1941 e 1942, a Grécia, durante a ocupação nazista, veio a perder 300 mil pessoas em decorrência da falta de víveres. Na China, bastou um ano de penúria, em 1943, para que viesse a falecer mais de um milhão de seus filhos. O que dizer da Coreia do Norte? Alguns especialistas dizem que, só em 1996, mais de três milhões de homens, mulheres e crianças, pereceram por falta se insumos básicos como trigo, arroz e cevada.

José necessitava, pois, de toda a mão de obra disponível para reconstruir o Egito. Por esse motivo, conclama o povo a unir-se em prol do soerguimento nacional: “Eis que hoje vos comprei a vós outros e a vossa terra para Faraó; aí tendes sementes, semeai a terra. Das colheitas dareis o quinto a Faraó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento e dos que estão em vossas casas, e para que comam as vossas crianças” (Gn 47.23,24).

José não queria fazer do Egito um leviatã que, às margens do Nilo, devoravam os incautos. Ele tinha em mente tornar o país viável e humanamente sustentável. A servidão, por hora, era inevitável à promoção do bem comum. Passada a contingência, os egípcios voltariam aos seus campos, semeá-los-iam e, alegremente, viveriam novamente da terra. Fazendas e sítios tornar-se-iam produtivos. Na colheita, porém, continuariam a dar 20% dos grãos ao governo. O quinto seria armazenado para que, aparecendo outra crise, o Estado tivesse condições de intervir, prevenindo especulações, carestias e inflação.

Diante do plano exposto por José, o povo responde cooperativamente: “A vida nos tens dado! Achemos mercê perante meu senhor e seremos escravos de Faraó” (Gn 47.25). O interessante é que, durante os anos de estiagem, não se registrou mortandade alguma no Egito.

José mostrou-se um governante tão sábio e precavido que, com dois planos simples e práticos, A fome vinha demonstrar, sutilmente, a inutilidade dos deuses pagãos. transformou um país subdividido e politicamente frágil no maior império do mundo antigo. O primeiro plano foi exposto ao Faraó que, comprovando-lhe a viabilidade, aceitou-o de imediato. Quanto ao segundo, foi imposto ao povo que, de igual modo, acatou-o, porque sabia que, vencida a urgência, reaveria suas terras, tornando-as ainda mais produtivas. Somente um homem iluminado pelo Espírito Santo poderia agir de semelhante forma diante de uma calamidade mundial.

A lei do quinto foi tão bem-sucedida, que o governo achou por bem perenizá-la, segundo registra o autor sagrado: “E José estabeleceu por lei até ao dia de hoje que, na terra do Egito, tirasse Faraó o quinto; só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó” (Gn 47.26).

IV. TERMINA A ERA DE JOSÉ
Ao contrário de seus antepassados, José não teve uma vida tão longeva. Se o pai morreu aos 147 anos, e o avô, aos 180, ele falecerá aos 110 anos de idade. Apesar de uma vida não muito longeva para os padrões biológicos da época, deixou ele um legado que se faria não somente imortal, mas eterno; insere-se na História Sagrada como um de seus maiores personagens.



1. Um testemunho de fé e perseverança. Em seu discurso no Sinédrio, o diácono Estêvão referiu-se a ele de maneira particularmente gloriosa:
“Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito; mas Deus estava com ele e livrou-o de todas as suas aflições, concedendo-lhe também graça e sabedoria perante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador daquela nação e de toda a casa real. Sobreveio, porém, fome em todo o Egito; e, em Canaã, houve grande tribulação, e nossos pais não achavam mantimentos. Mas, tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou, pela primeira vez, os nossos pais. Na segunda vez, José se fez reconhecer por seus irmãos, e se tornou conhecida de Faraó a família de José. Então, José mandou chamar a Jacó, seu pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pessoas. Jacó desceu ao Egito, e ali morreu ele e também nossos pais; e foram transportados para Siquém e postos no sepulcro que Abraão ali comprara a dinheiro aos filhos de Hamor” (At 7.9-16).

José foi citado por Estêvão, porque o seu exemplo vem inspirando seguidas gerações. Ele jamais deixará de ser contemporâneo. Não há quem não chore ao ouvir-lhe a história. Como um homem, vendido como escravo, veio a salvar o mundo? Num momento de emergência e tribulação, ordenou o rei aos súditos: “Ide a José”. Ele, porém, não era um simples governador. Profeta de Deus, sabia que o Senhor achava-se no comando de todas as coisas.

2. A profecia de José. Pressentindo a própria morte, José conclama seus irmãos e, no último ato do Gênesis, profetiza o Êxodo: “Eu morro; porém Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó” (Gn 50.24).

Quem haveria de se lembrar de uma promessa que já se fazia história? José, porém, tinha certeza de uma coisa: Israel não permaneceria no Egito. Apesar de Gósen exibir tantas excelências e faturas, era-lhes uma terra tão estranha quanto Ur. Portanto, apesar dos 400 anos que ainda tinham pela frente, o dia da redenção não estava tão longe. Os israelitas haveriam de deixar o país do Faraó, para se apossarem da mais formosa das heranças.

José estava prestes a reunir-se aos seus antepassados. Na congregação dos justos, estaria junto a Jacó, Isaque, Abraão, Sem, Noé, Enoque e Abel. A História Sagrada, porém, não seria descontinuada. Passados mais quatro séculos, os israelitas tomariam parte do maior evento soteriológico do Antigo Testamento: o Êxodo.

3. O último desejo de José. Voltemo-nos aos instantes finais de José. Após mencionar o Êxodo, faz um derradeiro pedido aos seus irmãos: “Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos” (Gn 50.25). Ele tinha certeza, naquele instante final do Gênesis, de que o Êxodo dar-se-ia na estação apropriada. Foi um ato de fé, conforme realça o autor da Epístola aos Hebreus: “Pela fé, José, próximo do seu fim, fez menção do êxodo dos filhos de Israel, bem como deu ordens quanto aos seus próprios ossos” (Hb 11.22).

Ao pedir aos irmãos que os seus ossos subissem do Egito a Canaã, almejava José participar da grande procissão à terra de seus ancestrais. Além da fé tão comum aos santos, o governador do Egito era movido por uma imperturbável convicção profética.

4. A morte de um benfeitor da humanidade. Segundo algumas cronologias, José falece por volta de 1800 a.C. Embora a data seja imprecisa, ajuda-nos a situar a narrativa sagrada no cenário secular. Vivesse ele em nossos dias, seria laureado com, pelo menos, com dois prêmios nobéis: o de economia e o da paz. Além de administrar um país em gravíssima crise, soube como manter a paz no mundo. Em momento algum, fez uso do poderoso exército que se achava ao seu dispor. Não empreendeu guerras de conquistas, nem tiranizou as nações mais fracas.

Agindo dessa forma, manteve a ordem e a concórdia em todo o Oriente Médio. Nenhum país teve de ameaçar o Egito para obter o trigo que excedia nos armazéns e silos do Faraó. José abriu-lhes liberalmente os celeiros, de maneira que todos tiveram acesso a uma subsistência digna naqueles tempos de carestia.

CONCLUSÃO
O livro de Gênesis é encerrado, aparentemente, com uma nota de condolência: “Morreu José da idade de cento e dez anos; embalsamaram-no e o puseram num caixão no Egito” (Gn 50.26).

Nessas palavras, todavia, não temos nenhum informe fúnebre. Temos, sim, o epílogo triunfal de um homem que, dando-se ao seu povo, entregou-se para livrar o mundo de uma fome severa e sem precedentes. Embora levado ao Egito como escravo, de lá saiu triunfalmente nos ombros daqueles que ajudou a salvar. Sem ele, não haveria as condições necessárias para a atuação de Moisés, Arão e Josué.

Enfim, ele preparou o terreno para o êxodo hebreu. Após a sua morte, teve o corpo embalsamado, mas não foi transformado numa múmia como aquele Faraó que, nos dias de Moisés, perseguiu e escravizou os filhos de Israel.

José foi um herói da fé. Quer escravo, quer senhor, o seu exemplo continua a inspirar gerações. Ele jamais deixou de ser contemporâneo de nossos meninos, adolescentes e jovens. Íntegro e fiel, ergue-se, nestes dias de escândalos e corrupções, como paradigma de um administrador que, de fato, se preocupou com o bem comum.
Que a sua história leve-nos a um compromisso mais sério com o Deus de Israel.
Amém!

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." Mateus 11:28-30


Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4º trim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)

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5 comentários:

  1. O melhor texto q com certeza já li sobre Jose... Quem nos dera os políticos do nosso país agissem como José.. não estaríamos hoje num mundo tão corrupto....mas enfim tudo é o cumprimento da palavra de Deus é tão viva e eficaz !! Graça e Paz

    Amei este blog, meu sinceros parabéns!

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    Respostas
    1. A Paz do Senhor Rosy Sacardo. Obrigado pela rica participação.
      Continue em oração por este trabalho.

      abraço fraterno
      Pastor Ismael

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  2. O melhor texto que já li sobre Jose, totalmente inspirado por Deus, que ele continue a abençoar sua vida.

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  3. Parabéns pelo texto , nunca tinha lido um texto sobre a Bíblia tão claro e maravilhoso.. Obrigada 👏💞👏

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    Respostas
    1. Eu que agradeço sua participação, pediria que em uma próxima participação pudesse se identificar.

      Deus abençoe!

      abraço fraterno

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