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quinta-feira, 11 de junho de 2015

A última Ceia - Jesus, o Homem Perfeito

Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” 1Co 5.7

A Última Ceia
O ambiente da última Páscoa de Jesus, e a instituição da Ceia do Senhor, é digno de notas extensas. Quem estava na Ceia do Senhor, assentado à mesa? Judas, o traidor; os discípulos que logo após a Ceia do Senhor disputavam sobre quem seria o maior entre eles; estava presente Pedro, que negou Jesus três vezes; no final, todos os discípulos abandonariam o Senhor, exceto o apóstolo João. Esse contexto é significativo quando refletimos sobre a simbologia da ordenança de nosso Senhor.

O ato da Ceia do Senhor demonstra que Ele se entregou em favor de nós, seres humanos imperfeitos, não regenerados e dependentes exclusivamente da graça de Deus. O nosso Senhor estava diante dos seus discípulos, aqueles que os trairia, os negaria, e encontravam-se preocupados acerca de quem é o maior no Reino de Deus. Ele partiu o pão e deu-o para essas pessoas, Ele serviu o suco da vide para essas pessoas. A Ceia do Senhor foi instituída num ambiente onde estavam pessoas com uma natureza absolutamente contrária ao Evangelho. Jesus sabia que seria traído, negado e que pessoas estavam preocupadas com a posição que assumiriam quando o seu reino fosse instaurado. Para esses discípulos, o reino era de perspectiva humana, palaciana e material. Por isso, quando o nosso Senhor foi crucificado e morto, os discípulos dispersaram, pois “Onde estava o reino?”; “Onde estava o Palácio?”; “onde estava o rei?”. Os discípulos simplesmente desanimaram...

Não somos tão diferentes dos discípulos hoje. Talvez, não traímos o Senhor, entregando-o a morte para livrar a nossa pele, por absoluta falta de oportunidade. Quantas vezes quando estamos sob alguma pressão, o nosso pensamento é desistir? Imagine a pressão que o nosso Senhor sentiu e, igualmente, a pressão que o apóstolo João pressentiu ao decidir ficar só, com Maria, a mãe de Jesus e outras mulheres que sofriam o sofrimento do Messias.

Hoje, pela graça de Deus, temos a possibilidade de sentarmo-nos à mesa do Senhor, “comer do seu corpo” e “beber do seu sangue”. Lembrando de tão grande e suficiente sacrifício que o nosso Senhor fez por nós. Celebrando a sua presença conosco, pois Ele está vivo, ressuscitou e habita em nós. Igualmente, tendo a esperança de um dia Ele voltar para nos buscar, pois chegará o dia em que o nosso Senhor beberá de novo, mas agora juntamente conosco, do fruto da vide. Portanto, a Ceia do Senhor nos faz olhar para o passado, viver o presente e ter esperança no futuro. Deus está conosco!
Revista Ensinador Cristão - CPAD nº 62-pg.41

A Páscoa comemorava a libertação do Egito. A Ceia do Senhor celebra a libertação do pecado.

COMENTÁRIO
Estamos diante de um texto que narra uma das mais importantes celebrações da Igreja Cristã: Lucas 22, a Ceia do Senhor.
Quando o Senhor Jesus Cristo instituiu a Ceia, na ocasião, Ele estava celebrando a páscoa judaica. Como um marco representativo da liberação do povo de Israel do Egito — pois foi assim que a Páscoa ficou conhecida —, a Ceia do Senhor seria um marco representativo do ato de amor que Jesus Cristo fez em nosso favor, entregando-se à morte, e morte de cruz, por amor. Explicar tão significativa celebração é o objetivo da aula desta semana.

INTRODUÇÃO
Sem dúvida, a Páscoa era uma das festas mais importantes do judaísmo, e a sua celebração era carregada de valor simbólico. O seu ritual era metódico e meticuloso pois lembrava um dos momentos mais importantes da história do povo de Deus da Antiga Aliança — a libertação do cativeiro egípcio! A sua celebração anual mobilizava toda a nação judaica.
Quando instituiu a Santa Ceia, por ocasião da celebração da última Páscoa, Jesus tinha em mente esses fatos. Sabedor de que a Páscoa era apenas um tipo do qual Ele era o antítipo (ou uma figura da qual Ele era o cumprimento), Ele demostrou alegria e satisfação por poder celebrá-la na companhia de seus discípulos. Apenas algumas horas depois, o Filho do Homem estaria libertando o seu povo, não mais de um cativeiro humano, mas do cativeiro do pecado![1]

A INSTITUIÇÃO E O RITUAL DA PASCOA
A leitura do Antigo Testamento no livro de Êxodo, capítulo 12, nos mostra a verdadeira origem e significado dessa festa tão importante no calendário judaico e cristão.

Depois de o povo de Israel passar mais de quatrocentos anos de escravidão no Egito, Deus decidiu libertá-los. Para isso suscitou um libertador, Moisés, que transmitiu a ordem divina: “Deixa ir o meu povo”. Como Faraó rejeitou a ordem de Deus, este enviou sobre a terra do Egito dez pragas, a fim de quebrantar-lhe o coração. Passando-se as nove pragas, chegou a hora da décima e última praga, aquela que não deixaria aos egípcios nenhuma alternativa senão a de lançar fora os israelitas.

E falou o Senhor a Moises:
“Porque naquela noite passarei pela terra do Egito, e ferirei todos os primogênitos na terra do Egito, tanto dos homens como dos animais; e sobre todos os deuses do Egito executarei juízos; eu sou o Senhor.” Ex 12.12

Visto que os israelitas também habitavam no Egito, como poderiam escapar do que estava para acontecer?

O Senhor emitiu uma ordem específica ao seu povo; a obediência a essa ordem traria proteção divina (garantia de vida e proteção) a cada família dos hebreus, com seus respectivos primogênitos. Cada família deveria tomar um cordeiro (4 dias antes Ex. 12 3;6) macho de um ano de idade, sem defeito e sacrificá-lo; famílias menores poderiam repartir um único cordeiro entre si (4). “e o guardareis até o décimo quarto dia deste mês; e toda a assembleia da congregação de Israel o matará à tardinha:” Ex 12.6

O mais importante viria a seguir: Parte do sangue do cordeiro sacrificado deveria ser aspergido nas duas ombreiras e na verga da porta de cada casa. (7).
Em seguida, recebem a ordem, o cordeiro tinha de ser todo assado e não podia comê-lo cru (8-9), nenhum osso podia ser quebrado (46), quando fosse comer deveria fazê-lo no primeiro dia da festa (6-8)

OS PARTICIPANTES“Assim pois o comereis: Os vossos lombos cingidos, os vossos sapatos nos pés, e o vosso cajado na mão; e o comereis apressadamente; esta é a páscoa do Senhor.” Ex 12.11

Quando o Senhor passasse pela terra, Ele apenas “passaria por cima” das casas marcadas com o sangue, sem tocar mortalmente nos primogênitos.

"E aquele sangue vos será por sinal nas casa em que estiverdes; vendo eu sangue, passarei por cima de vós, e não haverá entre vós praga de mortandade, quando eu ferir a terra do Egito." Êxodo 12.13 (o Sangue do Cordeiro Pascoal) 

“E aconteceu que à meia-noite o Senhor feriu todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se assentava em seu trono, até o primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais.” Ex 12.29

Daí o termo Páscoa, do hebraico “pessach”, que significa “passar ou saltar por cima”, “pular além da marca” ou “poupar”.

E o que dizer para os nossos filhos?
- Este é o sacrifício da páscoa do Senhor, que passou as casas dos filhos de Israel no Egito, quando feriu os egípcios, e livrou as nossas casas. Ex 12.27

Naquela noite específica, além de marcar as casas com o sangue, os israelitas deveriam também comer ervas amargas e pães asmos (sem fermento). As ervas amargas representariam os anos de sofrimento que o povo havia passado no Egito, enquanto que o pão asmo representava o próprio Jesus, o pão vivo que haveria de descer do céu (Jo. 6.48,51,58) sem o fermento do pecado. Além disso, os israelitas deveriam estar vestidos e preparados para partir apressadamente (12.11), pois esta seria a noite de sua libertação da escravidão do Egito. Tudo aconteceu conforme o Senhor dissera (12.29-36) e a partir daí, o povo de Israel passou a celebrar a Páscoa como uma festa perpétua, um memorial, todos os anos na primavera.

ERVAS AMARGAS
No hebraico, merorim amargores e palavra usada apenas por três vezes no A.T (Êx 12:8; Nm. 9:11 e Lm. 3:15). O hebraico diz apenas «amargores». Alguns têm pensado em verduras como a chicória, a alface, a acelga, a azeda, etc. Alguns pensam no agrião. Nos tempos modernos, os judeus empregam a escarola e outras verduras, em um total de cinco espécies, para conseguirem uma salada amargosa. Alguns intérpretes supõem que, nos livros de Êxodo e Números, as ervas amargas eram apenas a hortelã.

Uso de Ervas na Páscoa. Nas Escrituras o amargor» simboliza aflição, miséria e servidão (Ex 1:14; Rute 1:20; Pv 5:4), a iniquidade (Jr 4:18) e também o luto e a tristeza (Amôs 8: 10). Em face desses significados simbólicos, os israelitas receberam ordens para celebrar a páscoa utilizando-se de ervas amargas para relembrarem a amarga escravidão que haviam sofrido no Egito (Êx 12:8; Nm 9:11). Os documentos escritos que chegaram até nós, provenientes  do antigo Egito, mostram que eles usavam várias ervas amargosas em suas saladas, e é bem possível que Israel tivesse empregado algumas delas na celebração da cerimônia da páscoa.[2]

JESUS A NOSSA PASCOA
Assim, pelo sangue do cordeiro morto, os israelitas foram protegidos da condenação da morte. Deus ordenou o sinal do sangue para mostrar profeticamente ao seu povo o que aconteceria centenas de anos mais tarde, quando Jesus derramaria o seu sangue na cruz do calvário para libertar o mundo do poder do pecado.

O sangue do cordeiro era um tipo do sangue de Cristo, o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29; 1Co 5.7)

A refeição da Páscoa era parte importante da festividadeExigia o sacrifício e a assadura de um cordeiro, pão sem fermento, ervas amargas e vinho. A pessoa devia comer a refeição da Páscoa na posição reclinada e depois do pôr-do-sol (no início do décimo quinto dia de nisã). Assim, antes que a refeição da Páscoa fosse celebrada, preparações cuidadosas tinham de ser feitas.
Lucas reconta como Jesus se prepara para comer a última refeição da Páscoa com os discípulos antes de sua morte. A expressão ‘o dia da Festa dos Pães Asmos’ se refere provavelmente ao dia antes da refeição, o décimo quarto dia de nisã, quando os judeus retiravam todo o fermento de suas casas em preparação à festa. Jesus instrui Pedro e João a fazerem os arranjos necessários, mas eles não têm ideia de onde Ele quer fazer a comemoração. Pelo fato de Jesus saber que Judas concordou em entregá-lo aos líderes religiosos (vv.21,22), Ele manteve o lugar da refeição em segredo. Durante a refeição da Páscoa, todos os judeus estariam a portas fechadas, e tal oportunidade ofereceria ocasião conveniente para Judas entregar Jesus às autoridades. Mas Jesus será preso na hora em que Ele escolher, e não quando os inimigos escolherem” (ARRINGTON, French L. Lucas. In ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.460).

Foi numa Páscoa judaica que nosso Senhor instituiu a Ceia, como uma ordenança para toda a Igreja.


A CELEBRAÇÃO DA ÚLTIMA CEIA
A preparação.
Ao responder à pergunta dos discípulos sobre onde se daria os preparativos da Páscoa, Jesus encaminha-os a um homem com um cântaro de água (Lc 22.10). Lucas deixa claro que Cristo, como filho de Deus e capacitado pelo Espírito Santo, possuía conhecimento prévio dos fatos. O expositor bíblico Anthony Lee Ash, observa que o homem com um cântaro de água seria facilmente notado, pois esse era um trabalho de mulher. Os hospedeiros costumavam oferecer suas casas durante a festa, em troca das peles de animais e utensílios usados para a refeição. O preparo da Páscoa incluiria a busca de fermento na casa e o preparo dos vários elementos da refeição.[1]

MATEUS, MARCOS, LUCAS e JOÃO
Cedo naquela quinta-feira os discípulos começaram a fazer os preparativos para a Páscoa. “No primeiro dia dos pães asmos, (aqui Mateus emprega o coloquialismo comum que combinava as duas grandes festas) vieram os discípulos a Jesus e lhe perguntaram: Onde queres que te façamos os preparativos para comeres a Páscoa? (Mt 26.17).

Fica evidente do relato de Mateus que Jesus já tinha arranjado de antemão muitos dos detalhes para essa noite. Com tantas israelitas visitantes que vinham anualmente a Jerusalém para a festa, era comum que os habitantes da cidade mantivessem aposentos que eles alugavam para que os visitantes pudessem ter um lugar privado para comer a refeição da Páscoa com os amigos e a família. Jesus tinha evidentemente providenciado o uso de um desses locais para ele e os seus discípulos – um cenáculo, que provavelmente foi colocado à sua disposição por alguém que Jesus conhecia e que era por sua vez um crente em Jesus, mas talvez desconhecido dos discípulos. Essa pessoa nunca é identificada por nome em quaisquer dos relatos evangélicos. Em todo caso, Jesus tinha evidentemente feito em segredo esses arranjos, para evitar que ficasse conhecido com antecedência onde ele estaria nessa noite com os discípulos (Se Judas tivesse conhecimento prévio do local da Última Ceia, teria sido uma questão simples para ele revelar ao Sinédrio onde eles poderiam encontrar Jesus. Mas era necessário ao plano de Deus que ele celebrasse a Páscoa com os seus discípulos antes de ser traído).

Muitos preparativos precisavam ser feitos. O cordeiro não apenas necessitaria ser morto no templo e depois ser levado de volta para ser assado, mas outros elementos da refeição também precisavam estar preparados. Os principais entre os elementos de uma Páscoa eram o pão sem fermento, o vinho e um prato feito de ervas amargas. A responsabilidade de preparar esses elementos provavelmente foi dividida entre alguns dos discípulos. E a tarefa de organizar a sala e a mesa estava já sendo cuidada por um criado do proprietário do cenáculo.

"E ele disse: Ide à cidade, a um certo homem, e dizei-lhe: O Mestre diz: O meu tempo está próximo; em tua casa celebrarei a páscoa com os meus discípulos. E os discípulos fizeram como Jesus lhes ordenara, e prepararam a páscoa." Mateus 26:18,19

"E enviou dois dos seus discípulos, e disse-lhes: Ide à cidade, e um homem, que leva um cântaro de água, vos encontrará; segui-o." Marcos 14:13

De Lucas 22.8 ficamos sabendo que Pedro e João foram especificamente designados para encontrar o homem e ajudar a preparar o Cenáculo. Marcos diz que eles deveriam localizar o homem, segui-lo até a sua casa, e então repetir ao dono da casa o que Jesus tinha lhes dito. Lá eles encontrariam “um espaçoso cenáculo mobiliado e pronto” (Mc 14.15). Eles “fizeram como Jesus lhes ordenara e prepararam a Páscoa”(Mt 26.19).[3]

A celebração e substituição.
Jesus possuía consciência de que a sua morte na cruz se aproximava e que Ele era o Cordeiro de Deus do qual o cordeiro da Páscoa era apenas um tipo (Jo 1.29). Com certeza milhares de cordeiros foram sacrificados em Jerusalém nessa data, mas somente Jesus era o “Cordeiro de Deus que tiraria o pecado do mundo” (Jo 1.29). Se a Páscoa judaica marcou a libertação do sofrimento do cativeiro egípcio, agora Jesus, através do seu sofrimento, libertaria a humanidade da escravidão do pecado. Pedro e João fazem os preparativos exigidos sobre a última Páscoa (Lc 22.7-20) e é durante a celebração da última Páscoa que Jesus instituiu a Ceia do Senhor (Lc 22.19,20). No contexto da Nova Aliança a Ceia do Senhor substituiu a Páscoa judaica (1Co 11.20,23).[1]

A última Ceia é exposta nos evangelhos sinópticos como uma refeição pascal. O evangelho de João (18:28; 19:14) apresenta o fato de que a refeição foi tomada antes da celebração, e Jesus foi crucificado ainda naquele mesmo dia (lembrando que, para os judeus, o dia começava às 06:00 horas). Talvez o Senhor Jesus tenha antecipado a refeição por algumas poucas horas. Nesse caso o quarto evangelho expõe a correta cronologia quanto à questão. O ensino paulino sobre a última ceia (1Co 11.23-26) faz com que a mesma seja um memorial tanto da morte libertadora de Cristo quanto da expiação. Ambos os elementos faziam parte da páscoa do Antigo Testamento, segundo já vimos. Paulo não menciona especificamente a páscoa, daquela seção, embora ele o faça em 1Co 5. 7. Eusébio aceitava o conceito da páscoa cristã no sacrifício de Cristo (ver Hit. 5,23,1). E essa também era a ideia tradicional da Igreja antiga. É interessante que a palavra hebraica para páscoa, pascha, é tão parecida com a palavra grega para sofrer, péscbo, que alguns cristãos antigos fizeram a ligação entre elas, embora não haja qualquer conexão histórica entre esses termos. Cristo sofreu e Ele é a nossa páscoa, um jogo de palavras empregado por Eusébio. Para os cristãos, a palavra grega anámne (memorial), é uma palavra-chave. A ceia do Senhor é um memorial que deve ser mantido vivo, até que o Senhor retorne. Essa é a ênfase paulina, que não se vê nos evangelhos sinópticos, embora apareça em Lucas 22.19. Provavelmente, esse elemento foi uma adição cristã às declarações feitas por Jesus, embora sugerida pelo que ele havia dito, se é que ele mesmo não ensinou assim. Por outro lado, é possível que Mateus e Marcos tenham omitido uma afirmação genuína de Jesus, e que Paulo e Lucas preservaram. O que é certo é que Jesus reinterpretou a páscoa em consonância com as suas próprias experiências.

A páscoa, pois, foi encarada pela Igreja cristã como uma daquelas muitas coisas que receberam cumprimento e adquiriram maior significação na pessoa de Cristo, retendo o tipo de símbolo e de lições acima. A ideia de pacto também se faz presente. YAHWEH firmou um pacto com a emergente nação de Israel. E Jesus estabelece um pacto com sua emergente Igreja. Não nos deveríamos esquecer desse aspecto. A páscoa do Antigo Testamento marcava o começo de urna saída da escravidão; e, de fato, era o poder por detrás dessa libertação. Assim também, em Cristo, encontramos um êxodo que nos liberta da velha vida com sua escravização ao pecado. No sentido teológico, algo foi realizado que não poderia ter sido realizado pela lei. Esse é o tema principal tanto de Paulo (com sua doutrina da justificação pela fé) quanto do tratado aos Hebreus. O êxodo judaico libertou um povo inteiro da servidão física. O êxodo cristão oferece a todos os homens a libertação do pecado, bem como a outorga do Reino da Luz, onde impera perfeita liberdade.[4]

OS ELEMENTOS DA ÚLTIMA CEIA
O vinho.
O terceiro Evangelho faz referência ao uso do cálice por duas vezes, a primeira delas antes de mencionar o pão (Lc 22.17,20). Mas essa reversão da ordem dos elementos não modifica em nada o significado da Ceia. Nesse particular, a liturgia cristã segue o modelo dos outros evangelistas e de Paulo, onde o uso do vinho é precedido pelo pão (Mc 14.22-26; Mt 26.26-30; 1Co 11.23-25).
Tomando o cálice, Jesus falou: “Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22.20). O sentido desse texto é que o vinho é um símbolo da Nova Aliança que foi selada com o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus (Êx 12.6,7,13; 24.8; Zc 9.11; Is 53.12).[1]

Havia uma seqüência bem estabelecida no processo de comer uma Páscoa.
Primeiro, um cálice de vinho era distribuído, o primeiro de quatro cálices compartilhados durante a refeição. Cada pessoa tomaria um gole de um cálice comum. Antes de passar o cálice Jesus deu graças (Lc 22.17). Depois que o cálice inicial era passado, havia uma lavagem cerimonial para simbolizar a necessidade de limpeza moral e espiritual. Parece ter sido durante essa lavagem cerimonial que os discípulos “suscitaram também entre si uma discussão sobre qual deles parecia ser o maior” (Lc 22.24). João relata que Jesus “levantou-se da ceia, tirou a vestimenta de cima e, tomando uma toalha, cingiu-se com ela. Depois, deitou água na bacia e passou a lavar os pés aos discípulos e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido” (Jo 13.4,5). Tomando o papel do mais baixo servo, Cristo assim transformou a cerimônia de limpeza numa lição prática sobre a humildade e a verdadeira santidade. A lavagem externa nada vale se o coração estiver contaminado. E o orgulho é uma prova segura da necessidade de uma limpeza do coração. Cristo tinha feito uma observação semelhante para os fariseus em Mateus 23.25-28. Agora ele lavou os pés dos discípulos, ilustrando que até mesmo crentes com corações regenerados precisam ser lavados periodicamente da corrupção externa do mundo.

O cálice de vinho distribuído por Jesus não representava o seu sangue que lhe corria nas veias enquanto lhes falava, mas seu sangue que em breve seria derramado por eles na morte. Após a lavagem cerimonial e comerem as ervas amargas, o segundo cálice era passado. Era nesse momento que o cabeça da casa (nesse caso, sem dúvida Jesus) explicava o significado da Páscoa (cf.Êx12,26,27). Em uma Páscoa judaica tradicional, a criança mais jovem faz quatro perguntas pré-determinadas, e as respostas são recitadas de uma narrativa poética do Êxodo. A circulação do segundo cálice seria acompanhada pelo cântico de salmos. Tradicionalmente, os salmos cantados na Páscoa eram do Hallel (hebraico para “louvor”; essa é a mesma palavra da qual Aleluia é derivada), O Hallel consistia de seis salmos que começava com o Salmo 113. Os salmos de Hallel eram provavelmente cantados em ordem, os primeiros dois sendo cantados nesse momento na cerimônia. O cordeiro assado seria servido na seqüência. O chefe da casa cerimonialmente lavaria as suas mãos novamente, e partiria e distribuiria pedaços do pão sem fermento às pessoas ao redor da mesa, para ser comido com o cordeiro.[3]

O pão.
Após tomar o pão, dar graças e partir, Jesus disse: “Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isso em memória de mim” (Lc 22.19). Jesus usa a expressão: “isto é o meu corpo” com sentido metafórico, da mesma forma que Ele disse: “Eu sou a porta” (Jo 10.9). O pão era um símbolo do corpo de Jesus da mesma forma que o vinho era do seu sangue. A palavra “oferecido” traduz o verbo grego didomi, que também possui o sentido de entregar. Esse mesmo verbo é usado nos textos de Isaías 53.6,10,12, onde há uma clara referência a um sacrifício (cf. Êx 30.14; Lv 22.14). O corpo de Jesus seria oferecido vicariamente em favor dos pecadores.[1]

Na noite em que seria a última dos hebreus no Egito, Deus os preparou para uma saída repentina, mas não sem se alimentarem. A ordem divina aos hebreus não foi apenas para que sacrificassem um cordeiro e colocassem o sangue dele na entrada da casa, mas também para que se alimentassem de pão sem fermento, ervas amargas e do próprio cordeiro.
Cada um deles tinha uma representação para os hebreus, que deveria ser passada de geração a geração, para que se lembrassem do quanto Deus operou grandemente em prol dos filhos de Israel.
De acordo com a descrição bíblica, o pão deveria ser sem fermento. A massa não deveria passar pelo processo de fermentação, ou seja, seria levada ao fogo tão logo estivesse pronta, sem ter de esperar para crescer. A ideia era mostrar que os israelitas teriam pouco tempo para preparar sua última refeição como escravos, pois logo sairiam para uma grande jornada. E evidente que o uso do fermento poderia fazer com que a massa dobrasse seu tamanho e alimentasse mais pessoas, mas a orientação divina indicava a pressa com que os judeus iriam comer para saírem logo do Egito.[5]

O Pão e o Vinho na Comunidade Judaica
Nas terras do antigo Oriente o pão e o vinho, assim como determinados produtos, eram as formas mais comuns de alimentação. O pão, iehem, que aparece cerca de duzentas e oitenta vezes no Antigo Testamento, em termos gerais significa “alimento”, “sustento”, indicando sua presença indispensável para o sustento do povo hebreu.

O pão era o principal alimento. A expressão “comer pão”, em hebraico, significava “fazer uma refeição”.1 Noventa e cinco por cento dos habitantes do mundo antigo tiveram como base alimentar os derivados do trigo, além de água e vegetais. Escreve I. D. Lucírio: “natural da região do mediterrâneo e oriental médio, o trigo começou a ser cultivado em 8500 a.C. e se tornou uma das principais fontes de alimento do mundo antigo, que não vivia sem pão”.2 Sara apressou-se em preparar pão para os viajantes (Gn 18.1-6); os que trabalharam no campo se alimentaram de pão (Rt 2.14); durante as guerras o pão era usado como alimento básico para os soldados (1 Sm 16.20); no episódio da multiplicação, pães e peixes foram usados por Jesus (Mt 14.13-21; Mc 6.30-44).
O pão devia ser tratado com respeito, sendo proibido jogar fora até as migalhas. Talvez os judeus utilizassem cães domésticos para esta função — comer “... das migalhas que caem da mesa dos seus donos” (Mt 15.27).

O pão mais comum no mundo antigo era feito de cevada, alimento dos pobres, por ser mais barato. O pão de trigo era um luxo. O grão era moído por mulheres ou escravos entre duas mós, cuja farinha fina era usada para cozer bolos e também para fins litúrgicos. Três eram os métodos de cozimento: 1.0 tannur (forno), tubo cônico onde a massa era cozida sobre pedras quentes; 2. Bandejas redondas de metal colocadas sobre três pedras, onde era aceso o fogo; 3. A massa, colocada sobre cinzas quentes. Os judeus empregavam o pão para fins religiosos, sendo o ato uma espécie de gratidão pelos cuidados providenciais de Deus quando simbolicamente entregavam, nos atos litúrgicos, parte do que foi provido por Ele.
Além dos animais usados nos sacrifícios veterotestamentários, os elementos do pão apareciam em quase todos os atos sacrificiais, na classe de “ofertas de cheiro suave”, que não tratavam do pecado, mas falavam de gratidão, comunhão e consagração. O pão era usado em ofertas pacíficas (Lv 7.12) e ofertas das primícias (Nm 15.17-20). Naturalmente, fazia parte das cerimônias da Páscoa, e, posteriormente, na celebração da Santa Ceia cristã, “E, tomando um pão, tendo dado graças, o partiu...” (Lc 22.19) O pão não podia ser cortado, mas partido. Esse gesto era comum entre as famílias judaicas, onde o pai, ao iniciar uma refeição, tomava um pão e, após dar graças ao Senhor, partia-o em pedaços e distribuía-os entre os membros de sua família.

A origem do vinho é antiga. Sua produção no Oriente Médio data da pré-história. O texto sagrado indica que Noé o utilizou (Gn 9-20ss). Havia no mundo antigo diversos tipos de bebidas, entre elas o suco de romã, de tâmaras, leite e shechar — uma espécie de cerveja feita de cevada e painço. Entretanto, não se comparavam ao vinho.

O vinho fabricado na Palestina era geralmente tinto, conforme indica a expressão “sangue da uva” (Gn 49.11; Dt 32.14).
O lagar, local onde se fazia o vinho, em geral ficava na própria vinha. As escavações arqueológicas realizadas na antiga cidade de Gabaon revelam que o lagar, segundo John McKenzie, era composto de dois tanques, talhados na pedra a diversos níveis, com um pequeno canal que levava do nível superior ao inferior.
A primeira compressão se fazia espremendo a uva com os pés (Ne 13.15); era um trabalho festivo, acompanhado de gritos (Jr 25.30; 48.33) e de instrumentos musicais. Em seguida, os cachos eram espremidos por meio de uma haste com uma pedra pesada, ou por meio de paus que serviam de alavanca para os pesos. O suco da uva depois era colocado em tinas ou recipientes de couro para a fermentação.
O vinho é um dom e uma bênção do próprio Deus (Dt 7.13; Pv 3.10; Os 2.10), e evidentemente, à semelhança do pão, fazia parte nas ações litúrgicas do povo judeu. Em sentido geral, todas as refeições têm para o judeu sentido sagrado. O alimento e a bebida são dons de Deus, dádivas que os judeus não esquecem em sua orações:
Sobre o pão:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso Deus, Rei do universo, que da terra tirais o pão.”
Sobre o vinho:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso Deus, Rei do universo, que criastes o fruto da vinha.”
Sobre o alimento:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso Deus, Rei do universo, que criastes tantas formas de iguarias.”
Sobre as frutas das árvores:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso Deus, Rei do universo, que criastes os frutos da terra.”
Sobre os produtos do solo:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso Deus, Rei do universo, que criastes os frutos do solo.”
Depois das refeições:
“Bendito sejas, ó eterno, nosso Deus, Rei do universo, que alimentais todas as criaturas.”[6]

Os elementos da Ceia são o vinho, que simboliza o sangue de Jesus; o pão, que simboliza o corpo partido do Senhor.

SUBSIDIO TEOLÓGICO
“Devido, em grande parte, à conotação um tanto mística que acompanha a palavra ‘sacramento’, a maioria dos pentecostais e evangélicos prefere o termo ‘ordenança’ para expressar o seu modo de entender o batismo e a Ceia do Senhor. Já na era da Reforma, alguns levantavam objeções à palavra ‘sacramentos’. Preferiam falar em ‘sinais’ ou ‘selos’ da graça. Tanto Lutero quanto Calvino empregavam o termo ‘sacramento’, mas chamavam atenção para o fato de que o usavam num sentido teológico diferente da implicação original da palavra em latim. O colega de Lutero, Philipp Melanchthon, preferia empregar o termo signis (‘sinal’). Hoje, alguns que não se consideram ‘sacramentalistas’, ou seja, que não acham que a graça salvífica seja transmitida através dos sacramentos, continuam usando os termos ‘sacramento’ e ‘ordenança’ de modo sinônimo. Devemos interpretar cuidadosamente o sentido do termo de acordo com a relevância e implicações atribuídas à cerimônia pelos participantes. As ordenanças, determinadas por Cristo e celebradas por causa do seu mandamento e exemplo, não são vistas pela maioria dos pentecostais e evangélicos como capazes de produzir por si mesmas uma mudança espiritual, mas como símbolos ou formas de proclamação daquilo que Cristo já levou a efeito espiritualmente nas suas vidas” (HORTON, Stanley (Ed). Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, p.560).

CONCLUSÃO
Participar da Ceia do Senhor é um privilégio do qual todo cristão deve se alegrar. Não se trata de um ritual vazio, mas de uma celebração carregada de significado, porque aponta para o sacrifício do calvário. A Ceia celebra a vitória de Cristo, o Cordeiro de Deus, sobre o pecado e suas consequências.

Ao participarmos da Ceia, devemos manter uma atitude de eterna gratidão ao Senhor por nos haver dado vida quando nos encontrávamos mortos em nossos delitos. Assim como os antigos judeus não deveriam celebrá-la com fermento em seus lares, da mesma forma não devemos comemorar a Ceia com o velho fermento do pecado. Celebremos a Ceia com os asmos da sinceridade.

Não podemos, portanto, denegrir a importância de tão grande sacrifício, cujo sangue precioso foi aspergido, não nas portas de algumas casas, mas nos nossos corações, possibilitando-nos desfrutar de uma vida abundante, longe da escravidão do Egito (mundo) e da tirania de faraó (Satanás).

Jesus Cristo deu a aquela comemoração um profundo significado para nos hoje.
Jesus, através de Seu sangue, nos libertou da escravidão do pecado.

O sacrifício vicário de Jesus nos deu acesso ao Pai.

Jesus ofereceu seu sangue para que possamos ser livres do pecado e das cruéis armadilhas de faraó (satanás). Seu sangue nos dá Vida. Ele nos liberta da condenação!

A Páscoa Cristã comemora o sacrifico e a Ressurreição de Jesus Cristo. Jesus é o nosso Cordeiro pascal (1 Co 5.7)


PARA REFLETIR
Sobre os ensinos do Evangelho de Lucas, responda:

Quando ocorria a festa da Páscoa?
A festa da Páscoa era uma das celebrações que ocorria na primavera.

A palavra Páscoa é derivada de qual verbo hebraico e qual é o seu significado?
A palavra é derivada do verbo hebraico pasah (pessach), com o sentido de "passar por cima".

O que o vinho na Santa Ceia simboliza?
O vinho é um símbolo da Nova Aliança, que foi selada com o sangue de Jesus, o Cordeiro de Deus.

O que simboliza o pão?
O pão simboliza o corpo de Jesus.

O significa, para você, participar da Santa Ceia?
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Fontes:
[1]José Gonçalves. Lucas, O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito. Ed.CPAD 
Lucas, O Evangelho de Jesus, o Homem Perfeito. José Gonçalves - Livro de Apoio Ed.CPAD
[2]CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Ed.Hagnos. pg.431-432.
[3]A morte de Jesus - John MacArthur - Última Páscoa – John MacArthur Jr. http://docslide.com.br/documents/a-pascoa-de-jesus.html 
[4]]CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Ed.Hagnos. pg.101-102
[5]COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Uma Jornada de FéMoisés, o Êxodo e o Caminho a Terra Prometida.Ed.CPAD. pg.40
[6]Roberto dos Reis Santos. A Santa Ceia. Ed.CPAD. pg.9-11
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Ed.CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Revista Ensinador Cristão - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé

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3 comentários:

  1. Olá amados, graça e Paz,
    confesso que esse é um dos blogs que gosto de sempre dar uma passada para ler as mensagens,pois o conteudo de cada mensagem tem sido essencial para mostrar a verdadeira vontade de Jesus para nossas vidas.
    parabens e qeu Deus abençoe.

    Abração

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Paz do Senhor, meu amigo e irmão em Cristo, Divino.
      Obrigado pela participação. Seu retorno sobre nosso trabalho nos alegra e nos estimula a continuar as publicações. Esteja em oração por nós.
      Fique a vontade para comentar.

      abraço fraterno
      pastor Ismael

      Excluir
  2. só ficou no segundo cálice e os outros dois quando que é usado?

    ResponderExcluir

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