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sábado, 27 de janeiro de 2018

Jesus é superior a Josué - O meio de entrar no repouso de Deus

“Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência” Hb 4.11

Jesus é superior a Josué — O meio de entrar no repouso de Deus

O livro de Josué narra a conquista parcial da terra prometida, a terra de Canaã, sua distribuição e o estabelecimento do povo israelita nela. A narrativa do texto mostra batalhas sangrentas para conquistar a terra. Os cananeus não a entregariam gratuitamente. Entretanto, ao longo do livro é possível perceber que Deus honrou Israel, fazendo-o vencer os inimigos idólatras e obter a dádiva da terra prometida ao seu povo. Ali, começaria a se cumprir a promessa da Aliança de Deus com os patriarcas Abraão, Isaque e Jacó.

Nesse contexto que a promessa de descanso, ou repouso, isto é, a promessa de conquistar e permanecer na terra prometida, que não foi plenamente realizada, foi cumprida por intermédio de Josué ao povo de Israel, mas unicamente numa perspectiva terrena, incompleta e finita. Aqui, o capítulo 4 de Hebreus faz o maior contraste com o “repouso” proposto no livro de Josué.

A Carta aos Hebreus mostra que “o repouso prometido por Deus não é somente o terrestre, mas também o celestial” (vv.7,8; cf.13.14). Para os crentes, resta ainda o repouso eterno no céu (Jo 14.1-3; cf. Hb 11.10,16). Entrar nesse repouso final significa o cessar do labor, dos sofrimentos e da perseguição, tão comuns em nossa vida nesta terra (cf. Ap 14.13); significa participar do repouso do próprio Deus e experimentar a eterna alegria, deleite, amor e comunhão com Deus e com os santos redimidos. Será um descanso sem fim (Ap 21.22)” (Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1905).

O descanso provido por Josué foi terreno, temporário e incompleto; o descanso provido por Cristo é celestial, eterno e completo.

Leitura Bíblica em classe - Hebreus 4. 1-13

O texto de Hebreus 4 mostra o que a história de Josué representa para a Igreja de Cristo. Enquanto o ministério do sucessor de Moisés foi de caráter terreno, temporário e incompleto — primeiro porque Israel não conquistou toda a terra; depois, as guerras continuaram —, Jesus Cristo proveu um descanso celestial, eterno e completo. Na lição desta semana, é preciso fazer o contraste entre os ministérios de Jesus e Josué, conforme abaixo:

JOSUÉ  Terreno → Temporário → Incompleto

JESUS  Celestial → Eterno → Completo

Devido à popularização da teologia da prosperidade, bem como o aumento da “politização ideológica” dos movimentos evangélicos, é comum alguns cristãos virarem as costas para a dimensão celestial e eterna do ministério de Jesus, alegando que se dermos ênfase ao “céu” formaremos cristãos “escapistas”. O problema é que eles se esqueceram de combinar isso com o autor de Hebreus. A natureza celestial, eterna e esperançosa do ministério de Cristo é cristalina nas Escrituras! Por isso, embora a obra de Cristo tenha consequências presentes como uma antecipação das bênçãos futuras, claro que podemos vivê-las hoje, aqui e agora, não tenha receio de enfatizar a natureza do porvir da obra de Cristo, pois Ele nos prometeu a vivência da comunhão no Reino Celestial (Mt 26.28,29).


Comentário Hebreus 4. 1-16

O autor já havia feito uma serie de exortações, tomando a rota do Êxodo sob a liderança de Moisés como ponto de partida. Tendo o grande legislador hebreu morrido, coube a Josué, um dos seus auxiliares mais próximos, a missão de levar o povo a entrar na Terra Prometida (Js 1.1). Para o antigo povo de Deus, a entrada em Canaã significava o descanso da jornada e o cumprimento da promessa de Deus, só que o autor de Hebreus destaca que esse descanso, de fato, nunca ocorreu em sua plenitude. E não ocorreu porque assim teria de ser, mas, sim, porque a incredulidade e a rebeldia não permitiram. Deus não decretara nada daquilo que negativamente marcara seu antigo povo. Da mesma forma, os destinatários da carta aos Hebreus não podiam responsabilizá-lo pelo fracasso daqueles que ficariam para trás. O autor alerta que a coisa parecia repetir-se, não mais rumo à conquista da terra, mas, agora, na trajetória rumo ao Céu.

Esse descanso é entendido pelos intérpretes como a entrada na nova aliança. Nesse aspecto, o autor mostra que alguns se excluíram dele porque não receberam com fé a mensagem do evangelho (4.1,2). Essa falta de compromisso com a mensagem da cruz colocava-os numa posição de perigo. George Howard Guthrie (nascido em 1959) observa que é um descanso no qual todos devem esforçar-se para entrar (4.11) — já que a entrada na nova aliança exige um posicionamento corajoso ao lado de Cristo e de sua Igreja — mas, por outro lado, implica no descanso das próprias obras (4.10). Guthrie ainda destaca que a carta aos hebreus deixa claro que isso exige uma fé obediente que está disposta a afastar-se do erro para abraçar a Palavra de Deus. Esse descanso possui uma dimensão presente, no qual se participa agora pela fé (4.3) e que terá sua consumação no fim dos tempos.1

“Temamos, pois, que, porventura, deixada a promessa de entrar no seu repouso, pareça que algum de vós fique para trás" (v. 1). De uma forma recorrente, como o faz em vários pontos dessa carta, o autor usa outra vez de um contundente tom exortativo. Temamos é a tradução do grego phobethomen, derivado de phobeomai, que ocorre 95 vezes no Novo Testamento. Joseph Henry Thayer (1828-1901) traduz como: temor, medo, ser atingido pelo medo, ficar alarmado.2  Nessa carta, esse termo aparece novamente nos capítulos 11.23,27 e 13.6. O sentido é de alguém que sente receio, temor ou medo diante de alguma situação que inspira cuidados. Dessa forma, é traduzido para descrever o temor que o apóstolo Paulo demonstrou diante de uma real possibilidade de dano que Satanás poderia causar aos crentes de Corinto. "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co 11.3). F. F. Bruce destaca que a intenção do autor é mostrar que os crentes

"farão bem em temer a possibilidade de perder a grande bênção que nos está prometida, da mesma maneira que a geração de israelitas que morreu no deserto perdeu a Canaã terrestre, embora fosse o objetivo que tinham diante de si quando saíram do Egito”.3

Esse sentido é obtido a partir da expressão “pareça que algum de vós fique para trás”. Guthrie destaca que o que suscitava temor no autor é que alguns dos membros da comunidade pareciam não ter alcançado o prometido descanso. Guthrie observa que o autor não está afirmando categoricamente que alguns deles deixaram de alcançar o prometido descanso, mas que é necessário exercer a prudência já que essa possibilidade é real.4

“Porque também a nós foram pregadas as boas-novas, como a eles, mas a palavra da pregação nada lhes aproveitou, porquanto não estava misturada com a fé naqueles que a ouviram" (v. 2). Ao referir-se à "palavra da pregação”, o autor destaca o modo como Deus comunicou-se e revelou-se a seu povo no antigo pacto, e não exatamente ao conteúdo da mensagem pregada, que, evidentemente, era diferente das Boas-Novas anunciadas no Novo Testamento.5  Ali, a revelação era parcial; aqui, total. Deus revelara-se aos antigos hebreus, mas eles não quiseram escutar. Da mesma forma, os novos hebreus, que receberam uma revelação em tudo superior, não estavam também atentando ao que fora dito. A razão foi a incredulidade que não permitiu a palavra produzir efeitos naqueles que a ouviram.

"Porque nós, os que temos crido, entramos no repouso, tal como disse: Assim, jurei na minha ira que não entrarão no meu repouso" (v. 3). A expressão "os que temos crido” é um particípio aoristo e tem o sentido de "nós que nos tomamos crentes”.6  Os cristãos que perseveram e não recuam ganham o direito de entrar no descanso de Deus. A. T. Robertson destaca que o verbo “entramos" está no presente futurista e, nesse texto, tem o sentido de “nós temos a segurança de entrar [no descanso], os que cremos”. O descanso de Deus é uma realidade já presente, mas a sua plenitude só terá efeito no futuro. Deus proveu um descanso para seu povo, mas esse repouso não é para os indolentes, negligentes e descrentes, e sim para os que fazem a jornada até o fim. Richard S. Taylor (1912-2006) destaca acertadamente que esse descanso provido por Deus não deve ser interpretado como garantia de que “não importa o que façamos, Ele vai dar um jeito de levar-nos até lá”. Pelo contrário, essa evidência da grandeza de Deus deixa-nos completamente indesculpáveis em nossa descrença temerosa. Esses parágrafos intensos são uma forte tentativa de chacoalhar os cristãos hebreus em sua falsa segurança, ao mostrar-lhes que não possuem imunidade contra os perigos da cerca espiritual.8

Neste capítulo, observamos que o autor refere-se a três tipos de descansos:

(1) A entrada do povo de Deus na Terra Prometida sob a liderança de Josué;

(2) O descanso sabático — quando Deus acabou a obra da Criação; e

(3) O descanso trazido por Cristo.

A patrística também via a obra de Cristo como o ponto culminante desse descanso. Dessa forma, João Crisóstomo (347-407 d.C) destacava que havia três descansos: um do sábado, em que Deus descansou de suas obras; um segundo, da Palestina, quando entraram os judeus nela e descansaram das muitas triangulações e fadigas; e o terceiro, que é o verdadeiro descanso: o Reino dos céus, onde quem o obtiver descansará realmente das fadigas e dos sofrimentos. Aqui, ele faz menção aos três. E por que ao falar de um rememora os três? Para mostrar que o profeta fala deste último. Ele não se referia ao primeiro, pois diz: não sucedeu isso nos tempos antigos? Nem tampouco ao segundo, o que teve lugar na Palestina; como iria referir-se a este se já houvesse tido lugar também? Só resta o que se refere ao terceiro.9

J. Wesley Adams resume o pensamento do autor sobre a tipificação desse descanso:

1. O descanso em Canaã é um tipo ou símbolo do repouso espiritual que Deus promete a seu povo, em Cristo;

2. Esse repouso espiritual é prefigurado pelo descanso sabático de Deus;

3. Esse descanso espiritual — como outros aspectos do Reino de Deus — envolve tanto a realidade presente quanto a esperança futura do povo de fé.10

“Porque, em certo lugar, disse assim do dia sétimo: E repousou Deus de todas as suas obras no sétimo dia" (v. 4). Recorrendo ao método judaico de fazer hermenêutica, o autor remete a Gênesis 2.2. Já vimos que essa forma de citar as Escrituras não demonstra imprecisão por parte do autor; apenas expõe o seu estilo literário. Os intérpretes destacam que o "repouso” de Deus não significa ociosidade da parte dEle, mas, sim, que não há nada mais a acrescentar àquilo que Ele fez.11  Após concluir sua obra no sétimo dia da criação, Deus descansou de sua obra e continua ainda nesse descanso.

“E outra vez neste lugar: Não entrarão no meu repouso" (v. 5). Mesmo estando esse descanso disponível para todos os homens, o autor mostra que alguns se excluíram dele. A razão foi a dureza de coração, a desobediência e a incredulidade. Todavia, esse descanso continua acessível para aqueles que creem.

"Visto, pois, que resta que alguns entrem nele e que aqueles a quem primeiro foram pregadas as boas-novas não entraram por causa da desobediência” (v. 6). Aqui, o autor explica o versículo anterior. A geração do êxodo não pode entrar no descanso de Deus, mas a promessa do descanso continua de pé. Cabe aos crentes da nova aliança entrar nessa promessa.

“Determina, outra vez, um certo dia, Hoje, dizendo por Davi, muito tempo depois, como está dito: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o vosso coração” (v. 7). O versículo 7 volta à citação do Salmo 95. Para o autor, a promessa do descanso divino não havia cessado com a entrada do povo na Terra Santa, visto que, aproximadamente 500 anos depois, Davi faz uma atualização dessa promessa no Salmo 95. Se não mais houvesse a promessa de um descanso para o povo de Deus ao longo de sua história, o Espírito Santo não teria inspirado o rei-poeta a fazer a atualização dessa mesma promessa.

Os profetas da Antiga Aliança mantinham a expectativa de dias de paz e descanso para o povo de Deus, que ocorreria com a vinda do Messias. O autor de Hebreus já havia lembrado que, antigamente, Deus falara aos pais pelos profetas e que, naqueles dias, Ele falava pelo Filho. A chegada da nova aliança significava a entrada nesse descanso. Para o autor, a expressão "um certo dia, Hoje...”, dita por Davi de forma profética, não se restringia aos dias daquele monarca, mas, sobretudo, à chegada da Nova Aliança. Nem Josué — nem tampouco nenhum outro líder hebreu — foi capaz de conduzir o povo de Deus a um descanso pleno.

"Porque, se Josué lhes houvesse dado repouso, não falaria, depois disso, de outro dia” (v. 8). O livro de Josué mostra as grandes conquistas efetuadas por ele, mas destaca que “ainda muitíssima terra ficou para possuir” (Js 13.1). Josué, sem dúvida, proveu uma forma de “descanso” físico, político e social, mas o verdadeiro descanso era uma promessa para o povo da nova aliança.

"Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus” (v. 9). Aqui no versículo 9, o autor usa a palavra sabbatismos, derivada de sabbath (Sábado) para referir-se ao descanso ou repouso em vez de katapausis, usada nos demais versículos desse capítulo, que mantém o mesmo significado.12  Fica evidente que o autor não se refere ao repouso sabático semanal, o que contrariaria todo o seu argumento nessa carta, que é um alerta aos seus leitores a não retomarem às práticas judaizantes (Cl 2.16). Por outro lado, se o autor estivesse se referindo ao descanso sabático semanal, não haveria necessidade alguma de dizer que esse descanso era algo ainda a ser alcançado (resta um repouso (sabbatismos) para o povo de Deus), visto que o Sábado era uma prática rigorosamente observada no judaísmo dos dias de Jesus.

“Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas” (v. 10). Esse repouso é uma referência ao dia anelado pelos profetas e que agora se cumpria com a vinda do Filho de Deus. Da mesma forma que Deus descansou de suas obras, não tendo mais necessidade de acrescentar nada às coisas que Ele criara, os crentes que entraram na nova aliança também não precisam mais de mérito pessoal ou humano para entrar no descanso provido por Jesus Cristo, o Filho de Deus. O versículo 11 é encerrado com uma advertência.

“Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência" (v. 11). Adam Clarke comenta in loco: "A palavra indica todo esforço físico e mental com referência ao assunto. Para que não caia da graça de Deus, do evangelho e suas bênçãos e pereça para sempre”.13

“Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais penetrante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até à divisão da alma, e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração" (v. 12). Na sua exposição, o autor faz uma das maiores declarações sobre a palavra de Deus. Alguns comentaristas não conseguiram ver o elo existente entre o versículo 12 e os demais versículos deste capítulo, mas o melhor entendimento desse texto é aquele que encontramos nas notas de John Wesley sobre a carta aos Hebreus. Wesley observa que a palavra de Deus pregada no versículo 2 e reforçada com advertências no versículo 3 é viva e eficaz, é acompanhada pelo poder do Deus vivente e comunica vida ou morte àqueles que a ouvem; é mais cortante do que espada de dois gumes e penetra o coração mais do que a espada pode penetrar o corpo; que penetra totalmente e deixa aberto; a alma e o espírito, as juntas e medulas — os lugares mais escondidos da mente.14  Nada pode ficar fora do alcance da Palavra de Deus.

“E não há criatura alguma encoberta diante dele; antes, todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (v. 13). O autor usa três termos gregos para mostrar o poder revelador da palavra de Deus: aphanes (oculto, não manifesto, escondido); gymnós (nu, aberto, às claras) e trachelizo (expor, descobrir). Aqui, o sentido é de deixar algo totalmente exposto, sem nada a esconder. Para o expositor bíblico A. T. Robertson, significa que o microscópio de Deus pode pôr em evidência o mais diminuto micróbio de dúvida e pecado.15  Tendo em vista que a palavra trachelos significa "pescoço” e é usada, nesse contexto, como algo que está desnudo, descoberto, a metáfora pode referir-se a um animal que tinha seu pescoço exposto para o sacrifício ou a um lutador que era dominado pelo pescoço.16  Em ambos os casos, a metáfora expõe o domínio e o poder revelador da Palavra de Deus.

“Visto que temos um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou nos céus, retenhamos firmemente a nossa confissão” (v. 14). O versículo 14 introduz o assunto sobre o qual o autor devotará maior atenção: a doutrina do sacerdócio de Cristo. Essa seção inicia-se aqui e estende-se até o capítulo 10 e versículo 18. O descanso do qual o autor acabara de falar e do qual todos os cristãos participam por direito da aliança só se tornou possível porque Jesus, como sumo sacerdote, adentrou os céus. O termo grego dielelythota, derivado de dierxomai, ocorre 42 vezes no Novo Testamento Grego.17  Esse termo verbal é usado para retratar um fato que ocorreu no passado, mas que tem seus efeitos no presente. Aqui, o sentido é que Jesus penetrou os céus, por ocasião de sua morte e ressurreição, e ainda está lá.18  No passado, Jesus levou vicariamente a pena de nossos pecados; no presente, Ele é o nosso grande sumo sacerdote que continua a interceder por nós. Esse sumo sacerdote está nos céus, porém não distante do povo. Os cristãos são exortados a manterem-se firme na sua confissão, que aqui mantém o sentido de profissão de fé.

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (v. 15). O autor reconhece a fragilidade humana e sua vulnerabilidade diante das tentações. Aqui, o verbo grego peirazo, traduzido como "testar”, "tentar”, deve manter esse último sentido por estar associado à hamartia (pecado) no final do versículo. O autor faz referência a Jesus nos dias de sua humilhação e também às tentações as quais esteve sujeito. Tendo Ele sido tentado em tudo, pode socorrer os que também são tentados. A imagem aqui é extraída do sistema sacerdotal no qual o sacerdote intercedia pelas fraquezas do povo. Richard S. Taylor observa oportunamente que Jesus não foi tentado em todas as particularidades ou em cada situação possível. Por exemplo, Ele não foi tentado como marido, ou pai, ou dono de uma propriedade, ou empregador, ou soldado porque não exerceu nenhuma dessas funções. Taylor observa que Jesus foi tentado nas três áreas básicas da suscetibilidade humana: corpo, alma e espírito. Dessa forma, Jesus conhecia a tentação no campo do apetite do corpo, no campo dos relacionamentos humanos e no campo dos relacionamentos espirituais. Eu - os outros - Deus: Ele foi tentado nesses três pontos. O que deveria governá-lo? Seu desejo por pão? Seu desejo por aceitação? Seu desejo por poder? Ou a sua lealdade a Deus?19  É exatamente nessas áreas onde ocorre o campo de batalha de todo cristão. Como nós, Jesus foi tentado, porém não sucumbiu à tentação!

“Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (v. 16). Tendo, pois, Jesus como esse grande Sumo Sacerdote misericordioso, o cristão é convidado para que, com ousadia, chegue-se ao trono da graça. A palavra "cheguemos” traduz o termo grego proserxhometha, derivado de proserchomai, que ocorre 87 vezes no Novo Testamento grego, sendo sete vezes em Hebreus. É usado em Mateus 9.20 para descrever a ação da mulher hemorrágica quando se aproximou de Jesus: “E eis que uma mulher que havia já doze anos padecia de um fluxo de sangue, chegando por detrás dele, tocou a orla da sua veste”. Na Septuaginta, é usado para descrever a aproximação que o sacerdote mantinha com Deus durante o culto.20  Da mesma forma que o sacerdote levita adentrava no santuário para ministrar a Deus e da mesma forma que a mulher hemorrágica demonstrou coragem, ousadia e fé para aproximar-se do trono da graça, o cristão também deve aproximar-se de Deus através da mediação de Jesus Cristo.


A palavra chave desta lição é “descanso”. Todos nós nos fatigamos na caminhada da vida. O problema, portanto, não é se cansar, mas permitir que fatores diversos interrompam a nossa jornada de fé. Com os israelitas o desânimo veio como consequência da infidelidade, incredulidade e desobediência. As mesmas coisas podem acontecer conosco se não atentarmos para a santa, viva e eficaz Palavra de Deus. Nessa jornada temos como guia não um Moisés ou um Josué, mas Jesus, o autor e consumador da nossa fé.


Notas
1 GUTHRIE, George H. Hebreus - Comentário do Uso do Antigo Testamento no Novo Testamento. Editora Vida Nova.
2 THAYER, Joseph. Greek - English Lexicon of the New Testament. Baker Book House, Grand Rapids, Michigan, USA, 1977.
3 BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio. Grand Rapids, Michigan. EE.UU, 2002.
4 GUTHRIE, George H. Hebreos - del texto bíblico a uma aplicación contemporânea. Editorial Vida, Miami, Flórida, EUA, 2014.
5 GUTHRIE, Donald. Hebreus - introdução e comentário. Editora Vida Nova, São Paulo.
6 Veja uma exposição completa na obra: Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego - Mateus a Apocalipse. Editora Targumim/Hagnus, São Paulo, 2009.
7 ROBERTSON, A. T. Comentário al Texto Griego del Nuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona, Espanha.
8 TAYLOR, Richard S. Hebreus - Comentário Bíblico Beacon. Casa Publicadora das Assembleias de Deus, Rio de Janeiro, 2014.
9 CRISÓSTOMO, João. Hebreos - La Biblia Comentada por Los Padres de La Iglesia. Editora Ciudad Nueva.
10 ADAMS, J. Wesley. Comentário Bíblico Pentecostal. CPAD.
11 ADAMS, J. Wesley. Op.cit. pp. 1564.
12 A palavra descanso, repouso, ocorre 9 vezes nesse capítulo, sendo 8 ocorrências como katapausis e uma vez como sabbatismos. Enquanto katapausis mantém sentido de uma paz estabelecida ou um estado de descanso, a palavra sabbatismos significa "repouso sabático” (Comentário Bíblico Beacon, CPAD).
13 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Biblia, tomo III - Nuevo Testamento. Editora Casa Nazarena de Publicaciones. Lenexa, Kansas, EUA.
14WESLEY, John. Hebrews - Explanatory Notes & Commentary. Bristol Hotwells, Reino Unido, 1754.
15 ROBERTSON, A. T. Hebreos - Comentário al Texto Griego del Nuevo Testamento. Editorial CLIE. Barcelona, Espanha.
16 Veja uma exposição detalhada na obra: Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editora Vida Nova.
17 HUGO, M. Petter. Concordancia Greco-Espanola dei Nuevo Testamento. CLIE.
18HAUBECK, Wilfrid & SIEBENTHAL, Heinrich Von. Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editora Targumin.
19TAYLOR, Richard S. Hebreus - Comentário Bíblico Beacon. Casa Publicadora das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro.
20 TAYLOR, Benhard A. The Analytical Lexicon to the Septuagint - a complete parsing guide. Zondervan Publishing House. Grand Rapids, Michigan, EUA, 1994.

Fonte:
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves

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