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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Não terás outros deuses - Dez mandamentos

NÃO TERÁS OUTROS DEUSES
Quando lemos o primeiro e grande mandamento do Decálogo, qual sentido ele nos traz? O primeiro mandamento está interligado ao segundo, e pode-se dizer que ambos estão divididos em três partes:
(1) "Não terás outros deuses diante de mim." 
(2) "Não farás para ti imagem de escultura, nem alguma semelhança do que há em cima nos céus, nem em baixo na terra, nem nas águas debaixo da terra."
(3) "Não te encurvarás a elas nem as servirás." 

Essa é uma informação importante para nos esclarecer a respeito do porquê desse mandamento ser tão especial ao povo judeu. Não por acaso, Deus constituiu o Shemá Israel, isto é, o "Ouve ó Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR"; a profissão de fé do monoteísmo judeu. O medo de cair na idolatria faz com que as pessoas preocupem-se em jogar fora as esculturas de artes de casa, fotografias de familiares ou simplesmente passar longe de alguém que professa outra tradição religiosa. Mas não é bem isso que o primeiro mandamento nos ensina. Deus abomina que as pessoas atribuam a uma imagem, que tenta ser uma representação dEle, a adoração que é devida só a Ele; e também que usem a sua imagem para fins equivocados, como ganhar dinheiro ou fazer, em nome dEle, o mal, a perversidade. A nação de Israel não poderia também reproduzir outras divindades, como a de Faraó, seus pressupostos religiosos e culturais, pois a nação havia sido libertada para sempre. Por isso Jesus repete o mesmo mandamento: "Nenhum servo pode servir a dois senhores" e "Não podeis servir a Deus e a Mamom (Lc 16.13).
O dinheiro e o poder estão entre os "deuses" deste século. Mamom foi o único "deus" que o nosso Senhor chamou pelo nome. Muitos são os elementos produzidos por Mamom: o "deus" dinheiro, a competição, o "deus" televisão, o "deus" internet, o consumismo etc. O problema hoje quanto à idolatria não se dá no campo do politeísmo, pois a maioria da população, ao menos no Brasil, não acredita nos deuses antigos. Mas se a questão for analisada do ponto de vista dos "deuses" que disputam a atenção da nossa mente e coração, então a coisa muda de figura. Portanto, o convite de Deus para o seu povo é o de amá-IO de todo coração, com toda a força do pensamento e de toda a alma. Ele é o único e eterno Deus das nossas vidas!

Será que se refere à questão meramente racional e religiosa, como a quantidade exata das divindades no céu? Ou apenas se refere a se podemos ou não ter estátuas em casa, fotografias, artes plásticas de alguma pessoa? Ou se trata apenas de um texto apologético contra as imagens de esculturas refletidas hoje nos "santos da igreja romana"?  Revista ensinador. Editora CPAD.

O primeiro mandamento do Decálogo é muito mais que uma apologia ao monoteísmo; trata-se da soberania de um Deus que libertou Israel da escravidão do Egito.

COMENTÁRIO
A aula desta semana traz um assunto da mais suprema importância: Deus é um Ser único, invisível, mas real. Deus é Espírito! Numa cultura marcada pelo imediatismo, superficialismo e o consumismo, a imagem de Deus, revelada na Bíblia Sagrada, expõe o caminho tortuoso que a humanidade continua a trilhar no mundo contemporâneo: a “idolatria do supérfluo”. Jesus Cristo revelou a plenitude da divindade através do evento humilde do seu nascimento. Deus quis ser reconhecido por meio da humildade, da mansidão e do amor manifestado por seu Filho, apesar de Criador dos céus e da terra, o Todo-Poderoso. O primeiro mandamento ensina que o Deus de Israel, o Deus revelado por Jesus Cristo, deve ser o único assentado em nosso coração, isto é, na sede dos nossos pensamentos, desejos e vontades. Os seres humanos precisam ouvir o chamado de Deus quanto à verdadeira adoração: “Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4). [1]

Amar a Deus, temê-lo e adorá-lo de todo o coração e sinceridade.

INTRODUÇÃO
Resumo do capítulo. A lista crítica dos mandamentos básicos morais e espirituais é introduzida: “Falou Deus todas estas palavras”. Esses princípios para viver um Focalizado, harmonioso relacionamento com Deus e com o seu proximo nao sâo meras invenções humanas. Embora eles estabeleçam um padrão moral para todos, são especialmente dirigidos para a comunidade em aliança: para homens e mulheres que partilham um relacionamento com Deus (20.1-17). O impressionante cremor do fumegante monte Sinai sublinha o fato de que é o próprio Deus que fala do céu a Israel (v.18-22) e que a nenhum deus fictício de invenção humana terá lugar ao lado do Senhor (v.23). O Todo-Poderoso também diz a Israel que use somente altares simples para sacrifício, para posteriormente separar a sua adoração da adoração pagã (w. 24-26).  [2]


I. A AUTORIDADE DA LEI

1. A fórmula introdutória do Decálogo.
A fórmula introdutória "Então, falou Deus todas estas palavras, dizendo..." (Êx 20.1) é característica única do Decálogo, como explicou o rabino e erudito bíblico Benno Jacob: "Nós não temos um segundo exemplo de tal sentença introdutória" (JACOB, 1992, p. 543). Nem mesmo na passagem paralela, a fórmula é repetida, mas aparece de maneira reduzida ao "mínimo absoluto" (CHILDS, 1976, p. 593) para se ajustar à estrutura da narrativa (Dt 5.5). No entanto, os outros códigos do sistema mosaico são introduzidos com um discurso de Deus a Moisés como no Código da Aliança: "Então, disse o SENHOR a Moisés"(Êx 20.22; 34.32; Levítico 17.1; Deuteronômio 6.1). Fraseologia similar é usada para designar os Dez Mandamentos: "Estas palavras falou o SENHOR a toda a vossa congregação no monte, do meio do fogo, da nuvem e da escuridade, com grande voz, e nada acrescentou; e as escreveu em duas tábuas de pedra e a mim mas deu"(Dt 5.22), mas ela não introduz o Decálogo. Tudo isso revela a origem e a autoridade divina da lei. [1]

2. As partes do concerto.

Após a fórmula introdutória, vem o que é considerado o prefácio de toda a lei: "Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão" (Êx 20.2). Alguns críticos liberais, com base numa premissa falsa sobre a composição dos diversos códigos do sistema mosaico, querem sustentar a ideia de um Deus tribal ou nacional na presente declaração. São teorias subjetivas que eles procuram submeter a métodos sistemáticos para dar uma forma acadêmica a seus pressupostos. Mas o relato da criação em Gênesis e o relato do dilúvio, por exemplo, falam por si sós sobre a soberania de Javé em todo o universo como Senhor do céu e da terra, reduzindo tais ideias a cinzas.

Desde os tempos antigos, discute-se se esta declaração faz parte do primeiro mandamento. A autorrevelação de Deus aqui é significativa. Javé já se havia revelado a Moisés antes (Êx 3.14,15; 6.2, 3), mas aqui se trata de um relacionamento entre o humano e o divino, Deus e Israel. Na declaração "Eu sou o SENHOR, teu Deus", apesar do uso na segunda pessoa, ele se dirige à nação inteira de Israel. O nome divino está vinculado ao resgate dos israelitas da terra do Egito, a grande libertação das garras de Faraó. Esta redenção é o tema do livro de Êxodo. A "casa da servidão" é o símbolo da opressão social. O Egito era uma terra boa e abençoada, como o jardim do Éden (Gn 13.10; Dt 10.11); no entanto, passou para a história como uma caserna ou quartel de escravos. Por isso, é lembrado nas páginas da Bíblia como a "casa da servidão" (Dt 5.6; 6.12; 7.8; 8.14; 13.5, 10; Js 24.17; Jz 6.8; Mq 6.4). Os judeus consideram Êxodo 20.2 ou Deuteronômio 5.6 como parte do primeiro mandamento. [1]


3. O Senhor do universo.

SOBERANIA DE DEUS
O termo soberania, denota uma situação em que uma pessoa, com base em sua dignidade e autoridade, exerce o poder supremo, sobre qualquer área, em sua província, que esteja sob a sua jurisdição. Um "soberano" pois, exerce plena autonomia e desconhece imunidades rivais.
Quando é aplicado a Deus, o termo indica o total domínio do Senhor sobre toda a sua vasta criação. Como Soberano que é, Deus exerce de modo absoluto a sua vontade, sem ter de prestar contas a qualquer vontade finita. Conforme se dá com outras idéias teológicas, o termo não figura nas páginas da Bíblia, embora o conceito seja reiterado por inúmeras vezes. Para tanto, as Escrituras apelam para a metáfora de "governante e súditos". Embora expresse essa idéia de outras maneiras, é principalmente nas doxologias ou atribuições de louvor que aparece o conceito. Poderíamos citar aqui uma passagem do Antigo e uma do Novo Testamentos, como prova disso. " ... até que conheças que o Altissimo tem domínio sobre o reino dos homens, e o dá a quem quer" (Dan. 4:25). "Assim, ao Rei eterno, imortal, invisível, Deus único, honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém" (I Tim. 1:25).

A soberania de Deus consiste em sua onipotência, expressa em relação ao mundo criado, mormente no tocante à responsabilidade moral das criaturas diante dele. Visando a um fim benfazejo, e executando o seu plano eterno para a criação inteira e para os homens Deus exerce autoridade absoluta, amoldando todas as coisas e todos os acontecimentos à semelhança do que o oleiro faz com o mesmo monte de barro amassado. Ver Rom. 9.19 ss. Embora, erroneamente, quanto aos seus motivos, o suposto objetar, postulado por Paulo, expressou uma verdade inconteste: Pois quem jamais resistiu à sua (de Deus) vontade?" (vs.19). Além de mandar na sua criação sem que alguém possa intervir nas decisões divinas, a Bíblia nos ensina que essa soberania é exercida tendo em vista galardoar a piedade e castigar a rebeldia. E o que se vê em trechos como o de Romanos 11.22, que diz: "Considerai, pois, a bondade e a severidade de Deus; para com os que caíram, severidade; mas para contigo, a bondade de Deus, se nela permaneceres; doutra sorte também tu serás cortado". Isso nos permite chegar à conclusão de que Deus não age arbitrariamente, movido pelo capricho, quando determina todas as coisas segundo os ditames de sua soberana vontade. [3]


4. A libertação do Egito.
Êxo 20.2 Yahweh foi o autor do livramento de Israel da servidão ao Egito. O autor sacro alude à informação dada antes, nos capítulos primeiro a décimo sétimo, ou seja, os destrutivos prodígios das dez pragas, além do livramento no mar de Juncos "ou Mar Vermelho" (Êx. 13.22). O Deus libertador também era o legislador. O povo de Israel, agora livre, entrava em um novo pacto, o pacto mosaico. O pacto mosaico foi o quinto dos pactos. Esse pacto deu início à quinta dispensação, a era durante a qual Israel tornou-se uma nação distintiva por causa de seu código legal superior e divinamente inspirado. Quanto à ideia que a lei mosaica exprime o caráter moral de Deus, cf. Lev. 11.44,45; 19.2.

Israel era o filho primogênito de Deus (Êx. 4.22), e um filho precisa ter a mesma natureza moral de seu pai. Cf. a declaração de Jesus em Mateus 5.48: “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste”. A Gratidão Requer Obediência. O povo libertado de Israel deveria reconhecer o ato libertador de Yahweh, correspondendo a isso mediante a obediência à lei mosaica. Vemos o mesmo conceito em Romanos 2.4, onde lemos que a bondade de Deus leva os homens ao arrependimento. Alguns intérpretes judeus faziam deste segundo versículo o primeiro mandamento. [4]


Eu sou o SENHOR, teu Deus,
que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão”.


Escultura de ouro
e prata de Amón-Ra
Museu Britânico
Londres
Cultura Pagã Egípcia - O deus egípcio Amon-Rá é um dos principais símbolos da cultura paganizada egípcia. Um deus adorado e venerado na cidade de Tebas. Talvez, a divindade mais popular do Egito. De uma aparência pouco religiosa como outros deuses do panteão egípcio, foi honrado como uma divindade política.

O nome Amon significa "Oculto" de maneira que Amon era um deus invisível, um deus que podia ser imanente por toda parte. Segundo um antigo sistema teológico, Amon, como invisibilidade, era um dos oito deuses do caos anterior à criação. Assim, podia ser invisível e informe, ou o deus do ar. De qualquer modo, enquanto ser cósmico, podia ser transplantado facilmente de um sistema teológico para outro como deus de ação muito extensa. Chegou a substituir os deuses tebanos anteriores e a atuar como o deus de toda a nação. Com esse poder foi enxertado no deus-Sol, Rá, como "Amon-Rá, Rei dos Deuses". Como deus da nação egípcia, se converteu no grande deus imperial com o Império Novo (c. 1550 a 1070 a.C.) e assim assumiu um caráter universal. (John Albert Wilson - Egiptólogo)


II. O PRIMEIRO MANDAMENTO
1. Um código monoteísta.
O Decálogo é monoteísta e introduz essa doutrina no sistema mosaico que influenciou o pensamento teológico dos antigos hebreus, vindo a se culminar com a manifestação do Filho de Deus. O monoteísmo aqui era uma inovação, visto que as nações da época eram politeístas. A Mesopotâmia é o berço da civilização humana e o centro irradiador da idolatria. A terra do Nilo foi grandemente afetada por essa idolatria. E Israel e seus ancestrais tiveram vínculos com as culturas mesopotâmica e egípcia.

Abraão veio da Mesopotâmia e a nação de Israel se formou no Egito. Como nação, Israel seguia em direção à Terra Prometida, onde estavam os cananeus, idólatras como todos os seus vizinhos. A idolatria era a cultura predominante na época. Esse era o mundo religioso do Oriente Médio de então, com cultos envolvendo sacrifício de crianças e prostituição. [1]

MONOTEÍSMO. O judaísmo, o islamismo e o cristianismo são os três grandes expoentes dessa ideia da divindade. Segundo essa posição, existe apenas um único Deus, em sentido absoluto, não querendo isso dizer que ele é o nosso deus e que existem outros deuses de outros povos. Antes, somente um ser é o possuidor da divindade autêntica. É interessante observarmos que esse ensino foi antecipado ou mesmo parcialmente duplicado dentro da filosofia platônica, em seu conceito de bondade universal, como também no conceito do «intelecto puro», de Aristóteles. Essa doutrina é ensinada francamente na ideia de «Yahweh», segundo o judaísmo posterior, segundo a qual Deus é o Deus de todos, e não meramente da nação israelita. Na realidade, ele é o Deus de todos os universos, de tudo quanto existe, sem importar se pertence à categoria terrena ou celestial, humana ou angelical, material ou espiritual.

Ordinariamente as seguintes idéias são vinculadas ao monoteísmo:
a. Deus é um ser infinito ou absoluto. Daí a origem da introdução do vocábulo «omnis», em «onipotente», «onipresente» e «onisciente». Isso nos leva à suposição de que Deus é, em grau infinito, aquilo que experimentamos apenas em pequena medida.
Naturalmente os conceitos sobre a infinitude na realidade são negativos, porquanto não possuímos qualquer experiência sobre qualquer coisa infinita. Assim que alguém começa a tentar descrever o «infinito», por motivo de suas próprias descrições já começou a reduzir o infinito à mera finitude. Não obstante, temos fé suficiente para crer que apesar de nada realmente sabermos sobre a infinitude, e apesar de não possuirmos linguagem capaz de descrevê-la, podemos atribuir a qualidade da infinitude a Deus, supondo que aquilo que possuímos, de forma finita, ele possui em grau infinito. Discussões semelhantes ao raciocínio que aqui expomos mostram-nos quão pouco realmente conhecemos sobre Deus, visto que nossas descrições e nossa mentalidade não se prestam muito para descrever a natureza infinita de Deus.

b. Além disso declaramos que esse Deus possui tanto a vida necessária como a vida independente. Em outras palavras, Deus possui aquela forma de imortalidade verdadeira, que não pode deixar de existir. Esse é um dos pontos doutrinários mais exaltados do evangelho de João, onde há comentários nos trechos de João 5:26 e 6:57 no NTI. Todos os demais seres possuem uma vida que não é necessária, isto é, aquela variedade de vida que pode deixar de existir. No entanto, o ensino do evangelho de João é que Deus outorgou essa vida necessária a Jesus Cristo, como homem — e através dele, a todos os seres humanos que nele vierem a crer; e assim o homem pode tornar-se possuidor da imortalidade verdadeira, o mesmo tipo de vida que Deus tem e que caracteriza agora a vida do Senhor Jesus. Mas a vida de Deus é igualmente «independente», isto é, uma vida que existe por si mesma, sem depender de outra qualquer, para sua origem e continuação. Ora, os remidos, por intermédio de Cristo, por semelhante modo tornar-se-ão possuidores dessa «vida independente», que também caracteriza a verdadeira imortalidade.

c. Ordinariamente, o conceito do monoteísmo inclui a idéia de que Deus é o criador de todas as coisas, que somente ele existiu desde a eternidade, e que todo o resto da existência, sem importar se pertence à natureza física ou à natureza espiritual, se deriva dele. O conceito da criação, conforme aparece como idéia filosófica, não requer a introdução de um início absoluto; ou, em outras palavras, pode ser encarado no mesmo sentido em que dizemos que um objeto físico «cria» uma sombra quando exposto à luz. Nesse caso, a sombra realmente co-existe com o objeto, mas este último é a «causas» da sombra, ou seja, o «criador» da sombra. Por semelhante modo, no conceito da emanação (conforme ensinado pelo panteísmo estóico), embora a criação seja vista como parte integrante do criador, e, por isso mesmo, co-eterna com ele, contudo, ainda assim poderíamos falar em criação, pois Deus teria criado tudo emanando a si mesmo.
Não obstante, tanto o judaísmo como o cristianismo ensinam que os mundos físicos, juntamente com tudo quanto existe, tiveram início em um ponto do tempo, deixando somente Deus como eterno. Isso tem criado, para alguns, o pseudoproblema que indaga: «E o que Deus estava fazendo quando somente ele existia?» Orígenes, para resolver esse problema, supôs que a criação seria um ato eterno de Deus, de tal forma que nunca teria havido um tempo em que Deus esteve inativo. Mas outros estudiosos da Bíblia ensinam que o tempo pertence somente à criação, e que, por isso mesmo, antes da criação, não havia tempo. Ainda outros intérpretes, em busca da solução para esse problema, têm sugerido que a criação é eterna apenas como um conceito de Deus, isto é, existente na mente de Deus desde a eternidade. Todavia, a ideia ordinária, aceita pela maioria dos teólogos cristãos, é que Deus criou todas as coisas em um ponto inicial do tempo, mediante a sua própria energia, como que «do nada»; embora a criação, através da própria energia divina, com a qual Deus teria formado a matéria, baseado em princípios espirituais, não é realmente uma criação do nada. Quanto a outras notas expositivas sobre a «criação», ver Heb. 11:3 e João 1:1-3 no NTI.

d. Como parte usual da teologia monoteísta avulta o conceito de que Deus é um ser pessoal, e não alguma força cósmica impessoal. Deus é um ser inteligente; e podemos saber algo a seu respeito mediante o exame do ser humano, — que foi criado à sua imagem. Mais perfeitamente ainda, podemos saber sobre Deus através do Senhor Jesus Cristo, que refletiu a sua glória, Deus é Espírito, no que faz contraste com a matéria, ainda que não saibamos no que consiste um «espírito», exceto que não pode ser compreendido em termos das coisas materiais. Além disso, Deus possui natureza emocional. Deus tem vontade e razão, de uma maneira infinita, ainda que, até certo ponto, o homem seja um reflexo dessas verdades, possuindo tais propriedades mais ou menos da mesma maneira que Deus as possui, posto que em grau muito menor. Por conseguinte, somos levados à conclusão de que Deus não é alguma força cósmica, remota, impessoal, sem qualquer consciência da existência do homem. Pelo contrário, é um ser vivo que tem todo o conhecimento dos homens, que os guia, que os castiga ou galardoa, segundo as suas ações, e que determina os eventos e o destino de cada ser humano. Ora, essa é a posição do «teísmo».

e. Ao Deus único, o Deus apresentado pelo monoteísmo, também atribuímos a qualidade da moralidade. Deus é bom, amoroso e santo, sendo o grande despenseiro da justiça. O seu amor, entretanto, não é da qualidade do «eros» ou amor erótico, sensual, e, sim. é «agape». um amor sem causa, sem começo e puro em seu princípio, consistindo em um interesse genuíno e eterno pelo bem-estar de todas as suas criaturas. Esse amor, outrossim, é independente, ou seja, não é cnado ou mantido por qualquer coisa existente no objeto amado; pelo contrário, devido à sua suprema natureza amorosa, Deus é quem dá corpo ao princípio da bondade e da justiça, não precisando indagar, de quem quer que seja, o que seria bom e o que não o seria. Assim, pois, Deus é o padrão final de todos os valores morais. [4]

2. Idolatria do Egito.
A RELIGIÃO EGÍPCIA
A. Os deuses dos egípcios. Fundamentalmente a religião egípcia estava bem situada em suas práticas e horizontes. Os egípcios em cada distrito tendiam a adorar as suas deidades locais, principalmente, ao invés de algumas grandes figuras de importância nacional ou cósmica. Como era comum, no caso do paganismo antigo, os deuses do Egito eram, em grande parte, personificações de poderes da natureza (e.g. fertilidade), de fenômenos naturais (e.g., o Nilo) e seus supostos atributos (e.g., os deuses falcão, boi, etc.). Alguns eram cósmicos (deus sol), e alguns eram personificações de certos conceitos (e.g., Maat, deusa da “verdade” e da ordem).
Enquanto que vários animais, plantas, etc. eram respeitados símbolos de poderes naturais e forças misteriosas, ao mesmo tempo eram manifestações dos deuses, e mesmo como veículos de sua presença — uma característica que veio a ser compartilhada pelas estátuas e outras imagens, e por animais sagrados (como o boi de Apis em Mênfis, por exemplo). Isto afetou as representações dos deuses na arte. Tão cedo quanto o período do Reino Antigo, os deuses vieram a ser compreendidos em forma básica de humons. Alguns, como Ptá  Osíris, eram mostrados em uma forma inteiramente humana. Outros, por um tipo de iconografia abreviada, apareciam em forma humana, exceto por suas cabeças que geralmente eram de animais conectados com as deidades respectivas. Anúbis aparece com a cabeça de chacal, Sobk com a de um crocodilo, Hóms e Rá geralmente com a de um falcão, Tóte com a de aves, etc. As vezes, eles podiam aparecer em mais de uma forma: Ainon de Tebas tinha geralmente aparência puramente humana, mas poderia ter uma cabeça de carneiro.



Entre os deuses locais, Amon de Tebas representava os poderes escondidos da natureza, e seu parente próximo era Min de Coptos que personificava a virilidade e a fertilidade, especialmente humana e animal. Em Mênfis, Ptá, era o artífice o Vulcano egípcio, o patrono dos artesãos, enquanto que Sokar era um deus local da morte e da vida nova (logo identificado com Osíris). No Médio Egito, Tóte era um deus da sabedoria e das letras, e era conectado com a adoração da lua. Mais para o sul, Hathot de Dendera era uma deusa do amor. A deusa Bast de Bubastis e Sekhme em Mênfis, respectivamente, representavam poderes beneficentes e da ameaça de pestilência, entre outras coisas.

Entre os deuses que tinham grande impacto, além de uma influência local, Rá e Osíris foram muito mais importantes. Rá, o deus do Sol tinha o seu culto centrado em Heliópolis (On). Ele logo tomou-se bem associado com o reino, alcançando domínio teológico no estado na 4- e 5- dinastias, superando Ptá de Mênfis, a capital administrativa. O seu culto também afetou as formas do culto no templo egípcio em geral. Seu impacto na monarquia é indicado pelo título “Filho de Rá” adotado por quase todos os Faraós da 5- dinastia até o período romano, totalizando uns 3.000 anos. Na 18ª dinastia, Aquenaton tentou fazer uma forma especial de adoração do Sol como a única religião do Egito. Rá também afetou a vida no mundo vindouro — os mortos poderiam navegar os céus pelo dia com ele em seu barco sagrado, e também de noite pelo mundo dos mortos, se levantando diariamente com ele no horizonte leste. Durante o Reino Antigo, a elevação de Osíris deu uma alternativa depois da morte, e em dias posteriores (no Novo Reino), havia até uma construção teológica de Rá e Osíris como o sol nascente do dia e o sol noturno precedendo o novo nascimento, respectivamente.

A adoração de Osíris talvez chegou o mais perto de uma religião universal no Egito, antes do impacto do Cristianismo. Ele era um deus funerário que tomou-se identificado com Khentamentyu (“Chefe dos Ocidentais”), no Reino Antigo, que era o deus funerário local em Abidos no Alto Egito, um lugar santificado muito tempo antes das tumbas dos primeiros reis. Osíris era o senhor do mundo dos mortos e da vida além, que foi modelada parcialmente pelo Egito terreno — neste lugar os seus seguidores poderiam plantar e colher abundantemente e apreciar os prazeres previamente tidos na terra. Ele prometia uma contínua existência neste mundo além, e também se tomou identificado com o Nilo que com sua cheia anual trazia nova vida à terra. Um aspecto importante deste culto era a sua natureza “familiar”. A sua esposa era a deusa Isis, de um eficaz caráter como esposa e mãe de Fíórus que vingou seu pai e suplantou seu inimigo Sete, na mitologia. Aqui o Egito encontrou uma religião que oferecia algo depois da morte em termos que atraíam tanto aos homens como as mulheres. Aceito nos Textos de Pirâmide no Reino Antigo, o triunfo de Osíris foi completo desde o advento do Reino Médio, c. 2000 a.C. e Abidos tomou-se uma das mais sagradas e famosas cidades do Egito. Centenas de monumentos memoriais de pedras esculpidas nos museus do mundo (especialmente Cairo) exumados das areias nos últimos séculos dão um testemunho mudo ao desejo de inúmeros egípcios de ter seus nomes na presença do “grande deus”. No último período, a influência de Osíris em outros cultos foi muito enfatizada. Mesmo o grande deus imperial, Amon de Tebas na 21 - e 263 dinastias viu seu limite em Kamak pontuado com vinte ou mais santuários de várias formas de Osíris. Ainda mais tarde, o culto de Osíris (especialmente como Serapis) e a religião de Isis penetraram o mundo greco-romano, e a religião de Isis competiu com Mithras e com o cristianismo primitivo, alcançando a Europa e império romano. O deus Nilo, Japi, foi também venerado por todo o Egito, e em todos os períodos (especialmente em relação a agricultura), mas ele nunca recebeu grandes templos. Sua adoração foi mais freqüentemente marcada pelas cerimônias sazonais à margem do rio, as de Mênfis e Heliópolis (mais tarde no Cairo) sobrevivendo mesmo nos tempos modernos (a “Noite da Queda” na tradicional festa do início da cheia anual do Nilo).

No entanto, além dos cultos locais e deuses como Rá e Osíris, com um apelo mais amplo que durou milênios, a história da religião do Egito mostra também o desenvolvimento e o declínio de outros deuses, condicionado pelas mudanças políticas. Sob o domínio das dinastias mais antigas, o Reino Antigo, Ptá de Mênfis teve uma importância central na cidade, mas então foi ofuscado por Rá, deus sol. A teologia menfita desta época provavelmente representa a reivindicação de Ptá (contra Rá) pelo papel de deus supremo e criador de tudo. No final do Reino Antigo, Osíris estava ganhando tanto terreno a ponto de invadir o domínio de Rá, i.e., da teologia real; e como foi notado acima, deu aos egípcios uma poderosa esperança para a vida além, desde o Reino Médio em diante, tanto que no Reino Novo, a acomodação teológica mesmo conformou Rá e Osíris como se fossem formas diferentes do mesmo deus. Amon de Tebas ilustra bem a flutuante fortuna do deus e de sua cidade. Sua importância surgiu primeiramente quando no reino Médio ele tomou-se Amon-Rá (com um escopo mais universal) e foi favorecido pela 12- dinastia. Era originário do sul do Egito. Foi somente com os Faraós todo-poderosos de Tebas na 18- dinastia que Amon, deus das forças ocultas da natureza, tomou-se também rei dos deuses e virtualmente deus do império, com os maiores templos jamais vistos. No entanto, a desproporcional proeminência de Amon e seu sacerdócio foram sentidos no estado como uma ameaça pela monarquia, culminando na deposição de Amon e de outros deuses em favor do deus sol por Aquenaton. No entanto, o monoteísmo solar de Aquenaton foi superficial e (como notado acima) concentrou-se grandemente na beneficência e na força sustentadora do sol na natureza; não teve tom moral ou base filosófica. O título “vivendo na verdade" (Maat) refletiu meramente a reivindicação de Aquenaton de que o seu caminho, e não o de outros deuses antigos, era a verdade da ordem certa do cosmos. Não há aqui uma fonte adequada para o monoteísmo social e a moral enfática de Moisés ou do pacto do Sinai.



Na 19a e 20 dinastias, o lado de Ramsés conteve o poder de Amon favorecendo-o como um da trindade de deuses: Amon de Tebas, Rá de Heliópolis, e Ptá de Mênfis. Um ou dois textos extraordinários mesmo que sincretisticamente procuram identificar os três deuses como aspectos de uma grande deidade (conforme e.g., Gardiner, Hieratic Papyru in the British Museum, 3 séries, 1 [1935], págs. 28-37) um fato que mostra um alto nível de pensamento religioso e especulações já no séc. 13 a.C.

À luz disto, o monoteísmo revelado do AT não precisava esperar até depois do exílio babilônico para ser manifestado ou formulado. No Período Posterior (conforme citado acima), a fama externa de Amon de Tebas cresceu com o eclipse do Império, Ptá similarmente reiniciou o papel principal de artificies locais — deus de Mênfis, e Rá continuou tradicionalmente como parte da teologia real — Osíris e Isis com seu filho Hórus ganharam uma maior popularidade geral, enquanto que os deuses e deusas do Delta receberam mais proeminência com a aquisição das cidades do Delta sob o governo dos reis do Egito Baixo nas dinastias posteriores.

Finalmente, o próprio Faraó deve ser reconhecido entre os deuses. Ele era seu representante na terra, e entre os egípcios era um homem que mexia com o mundo dos deuses. O rei vivo era tido como Hórus, e o morto como Osíris; um novo rei recebia um direito de sucessão que não se podia desafiar, ao menos parcialmente por virtude de dar-se o apropriado enterro ao seu predecessor de modo filial como fez Hórus por Osíris. [5]pag. 332-335

3. Como Israel preservou o monoteísmo de Abraão?
A IDOLATRIA DO MUNDO ANTIGO
Abraão nasceu em Ur dos caldeus, cidade da Mesopotâmia (Gn 11.27-31). Seus ancestrais serviam a outros deuses (Js 24.2,15). A localização geográfica é a Mesopotâmia, entre os rios Tigre e Eufrates, no atual Iraque. Os babilônios adoravam a diversos deuses, que eram personificações da natureza, como Sin, o deus-sol de Ur e Harã; Istar, a deusa do amor e da guerra; e Enlil, deus do vento e da terra. Bel era o nome de outra divindade (do acádico, belo, "senhor"), equivalente a Baal, deus dos cananeus. Com o tempo, Bel veio a ser identificado como Marduque ou Merodaque, o patrono da cidade de Babilônia, que se tornou o principal deus no panteão babilônico (Is 46.1; Jr 51.44). Os assírios adoravam, entre outros deuses, a Adrameleque e a Nisroque (2 Rs 17.31; 19.37; Is 37.38).


deus sol
Os textos hieroglíficos das pirâmides enumeram cerca de duzentos deuses e relatos mitológicos. Os antigos egípcios empregavam o termo Ta Neteru, "terra dos deuses", para o seu país. Havia uma proliferação de deuses e templos no Egito, e cada grande cidade contava com suas tríades de acordo com as dinastias: em Ábidos, Osíris, ísis e Hórus; em Mênfis, Ptah, Sekhmet e Nefertum, e, em Tebas, Amom, Mut e Khonsu. O templo do sol, bêth shemeshp em hebraico, "casa do sol" ür 43.13), é termo traduzido por "Heliópolis" na LXX, vindo do grego, hêliou póleõs,24 "cidade do sol". Não confundir com a cidade de Bete-Semes, em judá (2 Rs 14.11). Aqui se trata da antiga cidade egípcia de Om, seu nome hebraico, ou Heliópolis, em grego (Gn 41.45, 50 LXX). A cidade era dedicada ao deus-sol, conhecido também como Rá; é a atual Tell el Hisn, 16 km ao nordeste do Cairo.


deus baal
Os cananeus adoravam a Baal (Jz 6.31), Baal-Berite (Jz 8.33). Seu plural é baalim. Baal era também conhecido pelas cidades onde eram cultuados: Baal-Peor, da cidade de Peor (Dt 4.3; Os 9.10), Baal-Meom, da cidade de Meom (Nm 32.38; Ez 25.9) e Baal-Zefom (Nm 33.7). Astarote ou Astarte (Jz 10.6), identificada em nossas versões como "postes sagrados", deusa cananeia da fertilidade" era deusa nacional dos sidônios (1 Rs 11.5, 33). Aparece como "bosque" na Versão Almeida Corrigida, "poste-ídolo" na Atualizada, e "Aserins" na Tradução Brasileira. São os ídolos de madeira e de pedras (Jr 3.9; Dt 4.28). A madeira simbolizava a fertilidade feminina, a deusa Aserá, mãe dos deuses cananeus; e a pedra representava a fertilidade masculina na religião dos cananeus.



Moloque
Quemos ou Camos era o deus nacional dos moabitas (Nm 21.29; Jz 11.24; I Rs 11.7, 33; II Rs 23.13; Jr 48.7, 13, 46). Malcam ou Milcom (I Rs 11.33) era o deus nacional dos amonitas. Milcom, em hebraico milkom, e Moloque, molech, em hebraico, seriam dois deuses ou nomes diferentes do mesmo deus? (I Rs 11.5, 7, 33). Parecem ser nomes alternativos. O termo malkãm significa "seu rei", mas a Septuaginta, a Vulgata Latina e a Peshita traduzem esta palavra como nome próprio. É uma questão de vocalização da palavra. As consoantes hebraicas aqui são exatamente as mesmas - mlkm) e o texto antigo era consonantal. Dagom e Baal-Zebube eram deuses dos filisteus (Jz 16.23-24; II Rs 1.2-3, 6,16).



zeus
Os gregos do período do Novo Testamento tinham vários deuses: Zeus, o pai dos deuses; Hermes, o deus mensageiro; Afrodite, a deusa do amor; Dionísio, o deus do vinho; Atenas, ou Pala Atenas, nascida da cabeça de Zeus, deusa padroeira da cidade de Atenas. Hesíodo, em sua obra Teogonia, a Origem dos Deuses, apresenta uma lista interminável deles. Para os romanos, o pai dos deuses era Júpiter; o deus correspondente a Hermes era Mercúrio (At 14.11-13); Afrodite era similar a Vênus e assim por diante.

Esses deuses da mitologia greco-romana apresentavam os mesmos vícios e as mesmas características dos humanos: ódio, inveja, ciúme, imperfeições... eles comiam, bebiam etc. Era muito comum um homem ter o seu deus devocional, prestando-lhes cultos em particular, além de oferecer libações a outros deuses. Por isso havia nas casas romanas os penates ou nichos, espécies de altar com uma representação do deus adorado naquele lar. Em Éfeso, a deusa Diana, Ártemis para os romanos, era cultuada no templo daquela cidade, que era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Mas os seus adoradores também tinham miniaturas da imagem de Diana em seus penates. Demétrio, de Éfeso, era fabricante de nichos (At 19.24). Os mesmos adoradores desses deuses participavam também do culto do imperador. [1]

“Este primeiro mandamento trata diretamente do cerne da relação pressuposta pelo tratado entre soberano e vassalo. O Senhor, em virtude de eleger e libertar salvadoramente o povo tirando-o de outro senhor (o Egito), ordena aos israelitas a empreender e manter uma atitude de lealdade indivisa a Ele. ‘Não terás outros deuses diante de mim’ (v.3) é uma afirmação categórica das reivindicações exclusivas do Senhor de domínio e adoração. Violar este mandamento é repudiar a totalidade de relação do concerto, pois se trata nada mais nada menos, de alta traição” (ZUCK, Roy (Ed.). Teologia do Antigo Testamento.1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.51).


III. EXEGESE DO PRIMEIRO MANDAMENTO
A Palavra. Esse termo vem do grego, ex, «fora», e agein, «guiar», ou seja, «liderar» ou «explicar". A palavra portuguesa exegese é usada para indicar «narrativa», «tradução» ou «interpretação». Dentro do contexto teológico, a ênfase recai sobre a interpretação de modos formais de explicação que podem ser aplicados a algum texto, a fim de se compreender o seu sentido. Na linguagem técnica, a exegese aponta para a interpretação de alguma passagem literâria especifica, ao mesmo tempo em que os principios gerais aplicados em tais interpretações são chamados hermenêutica (que vede). CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Editora Hagnos. pag. 617.

Exegese: Comentário ou dissertação que tem como objetivo esclarecer ou interpretar um texto ou uma palavra.

1. Outros deuses.
Estudos de críticos conservadores mostram que a ideia de henoteísmo no primeiro mandamento não se sustenta. Esse mandamento é considerado o mais genérico e o menos detalhado do Decálogo. O rabino Benno Jacob se pronunciou sobre o assunto da seguinte forma: "Nós não podemos ajudar, mas responder porque este mandamento não era usado para prover uma lição dogmática final acerca das falsas deidades, mas isto foi precisamente o que o Decálogo procurou evitar" (JACOB, 1992, p. 546). Ele explica. É que no Sinai só existiam Javé e Israel, e nada havia a ser dito sobre as nações e seus deuses, portanto o rabino acrescenta: "Não existia outro deus para o Decálogo". A mais rudimentar regra da hermenêutica diz que nunca se deve interpretar um texto isoladamente, fora do seu contexto. Aqui, esse contexto mostra a proibição de sacrificar e servir a outros deuses é absoluta e sem concessão, o que remete ao monoteísmo (Êx 22.20; 23.13; 34.14; Dt 6.4, 14; 13.2). É assim que essas e outras passagens do Pentateuco explicam o primeiro mandamento. Existe um só Deus e Deus é um só; esse pensamento permeia a Bíblia inteira (2 Rs 19.15; Jo 17.3).

Os ídolos, de fato, não são deuses (Dt 32.21; Gl 4.8). Apenas são chamados assim por existirem na mente dos seus adoradores (1 Co 8.5), mas não reais de fato. O objeto de adoração dos gentios são representações demoníacas; os pagãos adoram os próprios demônios (Lv 17.7; Dt 32.17; 1 Co 10.20). Não existe Deus além de Javé (Is 44.6; 45.5, 6). Os cristãos devem manter distância dos ídolos (1 Co 10.14; 1 Jo 5.21). [1]

Gn 1.26 - “Façamos o homem à nossa imagem." Por que Deus utiliza a forma plural? Um ponto de vista alega que esta é uma referência a Trindade — Deus. Jesus Cristo e o Espirito Santo todos um só Deus. Outra visão explica que a finalidade da palavra no plural é denotar majestade. Os reis tradicionalmente usam a forma plural ao referir-se a si mesmos. Em Jó 33.4 e Salmos 104.30. sabemos que o Espirito de Deus esteve presente na criação. Em Colossenses 1.16, vemos que Cristo. Filho de Deus. estava trabalhando na criação.  BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD. pag. 6.

2. O ponto de discussão.
Diante de mim. Literalmente “ à minha face” . Esta frase vagamente incomum também parece ser usada em relação ao ato de tomar uma segunda esposa enquanto a primeira ainda estivesse viva. Tal uso, de uma quebra de um relacionamento pessoal exclusivo, ajuda a explicar o seu significado aqui. A frase está relacionada à descrição de YHWH como um “ Deus zeloso” , no versículo 5. Alguns comentaristas modernos sugerem que “ diante de YHWH” ou “a presença de YHWH” no restante da Torah são referências ao; altar de YHWH (23:17). Vêem, portanto, uma referência ao culto israelita: nenhum outro deus pode ser adorado simultaneamente com YHWH num santuário comum, como era de praxe, por exemplo, na religião cananita. Não há dúvida de que isto é verdade, mas parece ser uma explicação inadequada. Seja qual for, porém, a maneira de encararmos os detalhes da passagem, seu sentido principal é claro: por causa da natureza de YHWH e do que YHWH fez por Israel, Ele não dividirá Seu louvor com quem quer que seja: Ele é único. [6]

3. O politeísmo.
São três as principais formas de adoração no paganismo do Antigo Oriente Médio: politeísmo, henoteísmo e monolatria. Foi nesse contexto que viveram os patriarcas do Gênesis e em que a nação de Israel foi formada.

O politeísmo é a crença em muitos deuses. O termo deriva de duas palavras gregas, polys, "muito", e theos, "Deus". Era a religião dos antigos mesopotâmios, egípcios, gregos, romanos e do atual hinduísmo. O henoteísmo é uma forma primitiva de religião que admite a existência de muitos deuses; no entanto, apenas um deles tem a supremacia. O termo, aplicado em 1881 por F. Max Muller, historiador alemão das religiões, significa literalmente "um Deus", do grego heis/hen, o numeral "um", e theos, "Deus". A forma henoteísta deve ser definida como uma crença em um Deus, mas admitindo a existência de outros deuses, como ocorre à doutrina das atuais testemunhas de Jeová.

A palavra monolatria vem de monos, "único", e latreia, "serviço sagrado, culto". O termo surgiu com o orientalista alemão Julius Wellhausen (1844-1918). Define-se como adoração ou culto "de uma deidade única para cada grupo étnico-político (clã, tribo, povo), não para toda a humanidade, de sorte que se admitem tantos deuses legítimos como povos" (GUERRA, 2001, p. 613). Assim, o henoteísmo deve ser entendido como uma forma de crença do qual a monolatria é o tipo correspondente de adoração. A ideia de henoteísmo e monolatria formarem um estágio intermediário entre politeísmo e monoteísmo não tem sustentação bíblica, visto que a religião original da raça humana era monoteísta. Não se conhecia a idolatria antes do dilúvio. A Bíblia afirma que todas essas formas falsas de adoração são uma degeneração do monoteísmo original (Rm 1.21-25). [1]


“A Religião dos Cananeus
Como mostram os mitos da Ugarite, a religião dos povos cananeus adotava uma forma grosseira e aviltante de ritual politeísta. Estava associada a uma sensual adoração da fertilidade, além de uma particular espécie de orgia e lascívia, tendo se mostrado mais influente que qualquer outra religião natural do Oriente Próximo.
A principal divindade reconhecida pelos cananeus tinha o nome de El, a quem creditavam a liderança do panteão. Era uma figura um pouco obscura, adorada como ‘pai do homem’ e ‘pai dos anos’. Uma estela desenterrada em Ras Shamra mostra-o sentado num trono, com uma mão levantada em sinal de bênção, enquanto o governante de Ugarite lhe oferecia um presente. Sua consorte era Aserate, conselheira dos deuses e conhecida pelos israelitas como Aserá” (HARRISON, R. K. Tempos do Antigo Testamento: Um Contexto Social, Político e Cultural. 1ª Edição. RJ: CPAD, p.162).

Estela: Coluna ou placa de pedra em que os antigos faziam inscrições.


IV. O MONOTEÍSMO
1. Os mandamentos, os estatutos e os juízos.
Dt 6.1 Mandamentos... estatutos... juízos. Temos aqui a tríplice designação da legislação mosaica, conforme já tínhamos visto em Dt. 5.31. Estatutos e juizos figuram como que formando um par em Dt. 4.1,5,8,14,45 e 5.1. E Dt. 6.20 reitera essa tripla designação. Ver as notas a respeito em Dt. 5.31. Talvez não devamos estabelecer distinções muito nítidas entre esses três termos, pois parecem ser apenas uma referência múltipla aos muitos preceitos baixados por Moisés. Alguns estudiosos têm sugerido que os “mandamentos'' são os dez mandamentos, e os outros dois vocábulos apontam para desenvolvimentos e ampliações posteriores do núcleo original da lei. O que fica claro, contudo, é que está em pauta a complexa legislação mosaica, referida por meio de vários termos. Toda essa grande complexidade precisava ser ensinada (Dt. 5.31), conhecida e observada (5.31-33), para que então houvesse vida (4.1 e 5.33).

... se te ensinassem. A idéia de instrução é reiterada aqui. Ver Dt. 5.31 quanto a notas expositivas completas e referências a artigos importantes sobre esse assunto.
Para que os cumprisses na terra. Ou seja, na Terra Prometida, dada a Israel por meio do Pacto Abraàmico (ver as notas a respeito em Gên. 15.18). Os três discursos de Moisés (que perfazem 0 volume maior de Deuteronômio) exortavam 0 povo de Israel para que obedecesse à lei, como meio de conquista e de vida boa e longa na Terra Prometida. Os filhos de Israel precisavam instruir à geração mais jovem quanto aos seus deveres na Terra Prometida. Por motivo de desobediência, a geração anterior havia perecido no deserto, com as exceções únicas de Calebe e Josué (ver Dt. 1.34 ss.).

A lei destinava-se a todas as “gerações” dos filhos de Israel (ver Êxo. 29.42; 31.16). Esses estatutos eram “perpétuos” (Êxo. 29.42; 31.16; Lev. 3.17 e 16.29). Os hebreus não antecipavam um fim para 0 seu sistema religioso. Mas ele terminou, e isso serviu de instrumento para 0 começo do cristianismo. Todos os sistemas terminam e assim tornam-se instrumentos de avanço. Essa evolução é que é “perpétua”. A epístola aos Hebreus mostra como e por qual motivo 0 Antigo Pacto terminou, a fim de que 0 Novo Pacto pudesse tomar 0 lugar daquele e percorrer 0 seu próprio curso. [4]

2. O maior de todos os mandamentos.
Dt 6.4 Temos aqui a introdução ao maior de todos os mandamentos, o amor (vs. 5).
Consideremos estes pontos:
1. Dar ouvidos.
2. Israel deveria ouvir e obedecer. O mandamento fora dado ao povo de Deus, àqueles que tinham sido libertados do Egito, aos quais fora entregue a Terra Prometida, que fazia parte do Pacto Abraâmico.

3. Monoteísmo, não somente para ser crido, mas também para ser aplicado. O único Deus verdadeiro requer obediência. A idolatria é terminantemente proibida.

4. Os direitos do Criador, o qual é Yahweh e Elohim (ver, acerca disso, as notas sobre o versículo anterior).
O monoteísmo forma a base do pronunciamento original da lei (ver Êxodo 20.3,4). Mas não devemos entender isso como mera crença na existência de um único Deus, ou que a divindade existe sob a forma de uma única unidade. Pois também envolve a obediência estrita à lei que foi dada pelo Deus único.
O original hebraico, que tem sido sujeitado a várias traduções, é: Yahweh, nosso Deus, Yahweh, um. Eis algumas das traduções:
O Senhor nosso Deus é um Senhor.
O Senhor nosso Deus, o Senhor é um só.
O Senhor é nosso Deus, o Senhor é um.
O Senhor é nosso Deus, somente o Senhor.
O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.
Fica em dúvida qual a melhor maneira de traduzir o original hebraico. Mas o intuito do original hebraico é perfeitamente claro. Só existe um Deus; e Ele é nosso Senhor e dono; Ele nos deu a Sua lei; e ela deve ser obedecida. Isso rejeita peremptoriamente a idolatria. O Deus único requer o cumprimento da lei do amor, que sumaria a lei toda em uma única declaração, precisamente o quinto versículo deste capítulo.
Ό objeto da atenção exclusiva, do afeto e da adoração de Israel não é difuso, mas compacto e único. Está em foco algum panteão de divindades, cada uma das quais possuidora de uma personalidade dotada da desconcertante capacidade de ser dividida por devotos e santuários rivais, impedindo que a atenção do adorador se concentre sobre um único objeto. A atenção de Israel, porém, não podia ser dividida; antes, confinava-se ao Ser único e bem definido, cujo nome é Yahweh" (G. Ernest Wright, in loc.).

O único Senhor. Não muitos deuses; mas essa expressão também enfatiza as idéias de exclusividade e de soberania. Esse único Deus precisa ser obedecido; Ele é o doador e senhor de toda vida.
O Shema. Este versículo, que na íntegra lê: "Ouve, Israel, 0 Senhor nosso Deus é o único Senhor”, tem sido assim chamado. Esse vocábulo hebraico é o verbo no imperativo: "Ouve”. O versículo contém a confissão fundamental e simplificada do judaísmo, da qual tudo mais depende. Os deuses do Oriente Próximo e Médio eram muitos, imorais, brutais, imprevisíveis, jamais agindo em harmonia com outras divindades, Todas essas noções eram repelidas por Israel. No judaísmo bíblico, pois, a fé religiosa avançara, devido ao seu monoteísmo aplicado, não sendo apenas um monoteísmo teórico. [4]

Note que a frase “o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR” (Dt 6.4) é citada por Jesus Cristo como parte do primeiro e grande mandamento da lei (Mc 12.29,30). Essa é a confissão de fé do judaísmo e, ainda hoje, os judeus religiosos recitam-na três vezes ao dia.


3. A Trindade na unidade.
O monoteísmo é instituído como confissão de fé na lei de Moisés, e o Decálogo introduz esta doutrina. O monoteísmo é a crença em um só Deus, como sugere a própria palavra: monos, "único", e theos, "Deus". O termo é usado para designar a crença em um e somente um Deus. A ênfase nesta unidade contrasta de maneira visível com o henoteísmo e a monolatria, além do politeísmo. Os patriarcas do Gênesis, Abraão, Isaque e Jacó, eram monoteístas e instruíram seus descendentes nessa crença (Dt 13.6; 28.64; Jr 19.4).

O Deus de Israel revelado no Antigo Testamento é o mesmo Deus do cristianismo (Mc 12.29-32). O Senhor Jesus não somente ratificou o monoteísmo judaico do Antigo Testamento, como também afirmou que o Deus Javé de Israel, mencionado em Deuteronômio 6.4-6, é o mesmo Deus que ele veio revelar à humanidade (Jo 1.18). O monoteísmo cristão é trinitário porque a sua base é de um só Deus que subsiste em três pessoas distintas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo (Mt 28.19). O monoteísmo judaico é chamado de monoteísmo ético, pois Javé é um Deus com propósito ético e a afirmação de um só Deus é feita com base ética. Os Dez Mandamentos são chamados de "Decálogo Ético". A doutrina de Deus é uma "questão de vida ou morte", pois, Jesus disse: "E a vida eterna é esta: que conheçam a ti só por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo, a quem enviaste" (Jo 17.3).

O apóstolo Paulo anunciava aos gentios o mesmo Deus de seus antepassados: "O Deus de nossos pais de antemão te designou para que conheças a sua vontade, e vejas aquele Justo, e ouças a voz da sua boca" (At 22.14). Veja o que ele ensina nas epístolas: "Todavia para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo e para quem nós vivemos; e um só Senhor, Jesus Cristo, pelo qual são todas as coisas, e nós por ele" (1 Co 8.6); "Ora, o medianeiro não o é de um só, mas Deus é um" (Gl 3.20); "Um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos vós" (Ef 4.6). A fé cristã não admite a existência de outro Deus além do Deus de Israel (Mc 12.32). É o monoteísmo judaico-cristão. [1]

TRINDADE A igreja primitiva, oposta ao politeísmo, com o AT ensinando que há um só Deus, foi logo forçada a questionar: Quem é Jesus Cristo? Era Ele apenas um homem? É Ele um anjo? Ou é Ele um Deus? E se Ele é um Deus, existem dois Deuses? Próximo ao início do século IV, um forte grupo na Igreja, sob a liderança de Ario, afirmava que Cristo era um anjo criado. Atanásio comandava a ortodoxia e garantiu a condenação do Arianismo no Concílio de Nicéia em 325 d.C. A decisão foi repetida e o Credo de Nicéia recebeu sua forma final no Concílio de Constantinopla em 381 d.C. O debate no concílio centrou-se no significado do título Filho de Deus. Os arianos sustentaram que o Filho nem sempre tinha existido; o Filho ou Palavra é uma criatura, uma obra, não o mesmo, em essência, com o Pai e, portanto, não era o verdadeiro Deus.
Atanásio, ao contrário, criou uma distinção entre a filiação moral, no sentido de que todo crente é um filho de Deus, e uma filiação natural, como Isaque era filho de Abraão. Então, se Cristo fosse Filho apenas no sentido moral, Ele não seria diferente de nós e não seria o único Filho de Deus. A isso, os arianos respondiam que Cristo é o único Filho de Deus porque Ele veio a ser unicamente através do Pai, enquanto todos os outros são gerados pelo Pai através do Filho. Mas essa construção, alegava Atanásio, nos tornaria filhos de Cristo ao invés de filhos de Deus. Cristo, então, nos separaria de Deus ao invés de nos unir a Ele. O debate se aprofundou em detalhes. Ario usou Provérbios 8.22, "O Senhor Deus me criou antes de tudo, antes das suas obras mais antigas" (RSV), para provar que Cristo era uma criatura. Atanásio referenciou o verso à natureza humana de Cristo. O concílio, por fim, rejeitou a afirmativa de Ario de que o Filho é como o Pai, assim como o estanho se assemelha à prata, e adotou o Credo de Nicéia para o qual o Filho é dito ser um em essência com o Pai. Alguns críticos ridicularizam a teologia e o concílio por ter discutido tão violentamente a respeito da importância da letra "i". O ponto em debate era se Jesus Cristo era da "mesma essência" (homoousios) do Pai (e, portanto, Deus por inteiro) ou de "essência similar" (homoiousios) ao Pai (e, portanto, alguém menor do que Deus). A diferença que a letra "i" faz é bem maior do que a existente entre prata e estanho; é a diferença entre Deus e uma criatura.

A doutrina da Trindade também é acusada de ter introduzido na cristandade temas pagãos da filosofia grega. Nada poderia estar mais longe da verdade. Em primeiro lugar, os argumentos de Atanásio não utilizam nem a linguagem, tampouco os conceitos da filosofia grega; eles são completamente bíblicos. Segundo, foi Ário e não Atanásio quem utilizou argumentos pagãos ao permitir que honras fossem prestadas a um ser que ele considerava inferior a Deus. E terceiro, o Credo de Nicéia removeu elementos pagãos que haviam aparecido em Orígenes e outros teólogos anteriores.
A doutrina da eterna geração do Filho, por exemplo, indicada nas palavras do Credo de Nicéia, "Unigénito de Seu Pai antes de todos os mundos", evita o erro de que o Logos, ao invés de ser um Filho eterno seja uma criação voluntária pela qual Deus se isola da contaminação da criação do mundo. Como a ênfase na eterna geração evita esse erro, a ênfase na geração eterna mostra que o Filho não é um passo em uma série descendente de emanações, e que embora a filiação por geração seja uma relação necessária, a criação é um ato voluntário. Para os cristãos ativos hoje, a questão da Trindade muitas vezes toma a forma da defesa da divindade de Cristo e a da personalidade do Espírito Santo. Esta defesa é requerida em dois casos. A teologia liberal tende a um Cristo puramente humano e as Testemunhas de Jeová ressuscitam o arianismo ao fazer de Cristo um anjo criado. O material escritural é o mesmo, independente de qual grupo seja considerado, embora as Testemunhas de Jeová sejam mais propensas a dar atenção às Escrituras do que os liberais.
O primeiro versículo do Evangelho de João é frequentemente citado pelas Testemunhas de Jeová. Elas inevitavelmente sustentam que a tradução correta é: "No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era um deus". A resposta do cristão começa com o próprio versículo. Aqui encontramos uma expressão idiomática grega particular, o uso anarthous do nome, isto é, o uso do nome sem o artigo definido. Em grego, quando o narrador queria indicar ou designar uma pessoa ou objeto, ele usava o artigo; mas quando queria reforçar uma qualidade ou natureza dos mesmos, ele excluía o artigo. Portanto, a tradução literal de João 1.1 seria: "E o Verbo era da mesma natureza ou qualidade de Deus" (cf. a mesma expressão idiomática em Hebreus 1.2, onde algumas versões trazem corretamente a expressão "seu Filho", embora o texto grego traga simplesmente o termo "filho"). A evidência adicional para provar que João não poderia ter ensinado que Cristo era uma criatura a quem foi concedido o título honorífico de "Deus" é claramente encontrada nos versos imediatamente seguintes a João 1.1. Outras passagens declaram diretamente a divindade de Cristo, como Hebreus 1.5-8, "A qual dos anjos disse jamais: Tu és meu Filho?... Mas, do Filho, diz: Ó Deus, o teu trono subsiste pelos séculos dos séculos" (cf. Tt 2.13). Outro verso nesse sentido, cujas duas partes os liberais tentaram separar, inserindo um ponto final entre eles é: "Cristo... o qual é sobre todos, Deus bendito eternamente" (Rm 9.5). Outras bem conhecidas afirmações da divindade de Cristo estão contidas na bênção apostólica (2 Co 13.13 e 13.14 em algumas versões) e na fórmula batismal (Mt 28.19). Referências adicionais selecionadas entre um grande número de referências disponíveis são: Mateus 11.27; João 5.23; Atos 10.36; 20.28; Romanos 10.9; Colossenses 2.9; 1 Tessalonicenses 3.11; 1 Pedro 1.2.

O fato de o termo Senhor ser a tradução, em grego, do termo Jeová utilizado no AT é, em si mesmo, uma evidência da divindade de Cristo e também nos convida a comparar passagens do AT e do NT; por exemplo, Isaías 40.3 com Mateus 3.3; Salmo 24.7,10 com 1 Coríntios 2.8; Jeremias 23.5,6 com 1 Coríntios 1.30; e Provérbios 16.4 com Colossenses 1.16.
Pode-se também supor que o AT antecipa a doutrina da Trindade ao utilizar um termo no plural, Elohim, em Génesis 1.26, e mais claramente quando se trata do Anjo do Senhor em Génesis 16; 18; 19. No caso do Espírito Santo, não é tanto sua divindade que é questionada, mas sua personalidade distinta. O Espírito Santo é uma pessoa; este é um fato que pode ser plenamente entendido. Embora o nome Espírito seja do género neutro em grego, os pronomes relativos ao Espírito são masculinos (ao contrário da tradução de Romanos 8.16 na versão KJV em inglês). Vários textos deixam bastante claro que Ele é uma pessoa distinta tanto do Pai como do Filho: Mateus 3.16; Lucas 4.18; João 15.26; 16.7; Atos 5.32; Hebreus 9.14 etc.

Alguns, às vezes, rejeitam a doutrina da Trindade por pensar que ela não está explicitamente declarada nas Escrituras (1 Jo 5.7 não consta em alguns textos gregos). Mas esta doutrina está claramente implícita no testemunho dado pelas Escrituras quanto à verdadeira e completa divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, mantendo uma distinção de pessoas; em outras palavras, há três pessoas em um único Deus. [7]

O monoteísmo é explicitado na frase “o Senhor nosso Deus, é o único Senhor”. Mais tarde foi citada por Jesus como parte do primeiro grande mandamento (Mc 12.30,31).

"E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes."  Marcos 12:29-31

“Nossa maneira de compreender a Deus não deve basear-se em pressuposições a respeito dEle, ou em como gostaríamos que Ele fosse. Pelo contrário: devemos crer no Deus que existe, e que optou por se revelar a nós através das Escrituras. O ser humano tende a criar falsos deuses, nos quais é fácil crer; deuses que se conformam com o modo de viver e com a natureza pecaminosa do homem (Rm 1.21-25). Essa é uma das características das falsas religiões. Alguns cristãos até mesmo caem na armadilha de desconsiderar a autorrevelação divina para desenvolver um conceito de Deus que está mais de acordo com as suas fantasias pessoais do que com a Bíblia, que é a nossa fonte única de pesquisa, que nos permite saber que Deus existe e como Ele é” (HORTON, Stanley (Ed.). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, p.125).




PARA REFLETIR
Sobre o primeiro mandamento:
O que implica para a vida o mandamento “Não terás outros deuses”?
Exclusividade e entrega inteira para Deus. Não permitir que nenhuma outra coisa tome o lugar de Deus no coração.
Que mal a idolatria pode trazer para a vida de uma pessoa?
Um comprometimento com princípios pagãos de vida, que nada têm a ver com a vontade de Deus.
Qual é a importância do maior de todos os mandamentos?
Este mandamento era o fundamento da vida em Israel. Os israelitas deviam anunciar Jeová como o único e verdadeiro Deus em meio a uma cultura politeísta.
Por que a nossa adoração deve ser exclusiva a Deus?
Porque Deus é o fundamento da nossa vida.
“O Senhor nosso Deus é o único Senhor.” Que significado este mandamento tem para você?
Procure fazer com que o aluno expresse da maneira mais natural possível o que ele sente ao ouvir essa expressão.

Fontes:
[1]Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD
[2]RICHARDS. Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia. Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo pg.63
[3]CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 1. Editora Hagnos
[4]CHAMPLIN, Russell Norman, Antigo Testamento Interpretado versículo por versículo. Editora Hagnos pg.388 / 4122-4123 / 781, 784.
[5]MERRILL C. TENNEY. Enciclopédia da Bíblia. Editora Cultura Cristã. Vol. 2.
[6]R. Alan Cole, Ph. D. ÊXODO Introdução e Comentário. Editora Vida Nova. pag.148
[7]PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD. pag. 1966-1968.
BÍBLIA APLICAÇÃO PESSOAL. Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD.
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Editora CPAD.
Revista Ensinador Cristão - editora CPAD / Estudantes da Bíblia / estudaalicaoebd / Eu vou para a Escola Dominical / Bíblia de Aplicação Pessoal / Bíblia Defesa da Fé / Bíblia de Estudo Pentecostal / Dicionário Ilustrado da Bíblia

2 comentários:

  1. Olá! Bom dia, meu ilustre amigo e irmão Ismael brito.
    Graça e paz!
    É uma pena que quase a totalidade quando leem as Escrituras Sagradas destorcem-na ou apenas entendem-na a bel prazer fazendo de forma particular e não de modo literal ou antropofagicamente. E isso tem levado milhares e milhares de pessoas ao precipício das adorações. Sei que todo texto ou áudio visual podem ser passivos a falhas tais como: Falhas oculares. Deturpações. Falhas de cultura textuais. Falhas nas interpretações. Aversão a leituras; Corrupções no texto. Orgulhos. Arrogâncias. Religiosidades. Tradicionalismo. E tais falhas podem ser e ter conotações ou como de fato, sendo em ordem culposo ou doloso. Todavia, o autor ou autores são e estão isentos de tais falhas! pois, (volto a repetir esse chavão) O original não se desoriginaliza porque, quando se desoriginaliza o original perde a originalidade. Ou seja, não adianta tentar mudar o que esta escrito na bíblia ainda que seja uma instituição milenar como vem acontecendo. Porque, esta escrito tudo passará menos o cumprimento da palavra de Deus. Assim eu gostaria de saber porque esse "povo" adoram: joão; pedro; maria, paulo, lucas e etc, se isto e, antibíblico!!! Ou onde eles conseguiram embasamento bíblico p/tais princípios?!
    Deixo aqui este desafio p/ qualquer pessoa que possa me persuadir a crer em tais coisas!? Com único instrumento de base sendo as Escrituras Sagrada!
    Bom Domingo
    Abraços.
    Fica na paz!

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    Respostas
    1. Grande amigo Tony, excelente comentário e estamos juntos nessa!
      Só Jesus! A Ele toda adoração!

      Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade.
      Porque dirão os gentios: Onde está o seu Deus?
      Mas o nosso Deus está nos céus; fez tudo o que lhe agradou.
      Os ídolos deles são prata e ouro, obra das mãos dos homens.
      Têm boca, mas não falam; olhos têm, mas não vêem.
      Têm ouvidos, mas não ouvem; narizes têm, mas não cheiram.
      Têm mãos, mas não apalpam; pés têm, mas não andam; nem som algum sai da sua garganta.
      A eles se tornem semelhantes os que os fazem, assim como todos os que neles confiam. - Salmos 115:1-8

      Abraço fraterno
      Pastor Ismael

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