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terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Discipulado: mais uma classe ou uma responsabilidade da Igreja?

"E, chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo o poder no céu e na terra. Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." Mateus 28:18-20

INTRODUÇÃO
A fundamentação para o Discipulado perpassa toda Escritura Sagrada, mas encontra-se de forma mais acentuada em Mateus 28.18-20. "Fazei discípulos" é cirúrgico na Grande Comissão, enquanto que ir, batizar e ensinar são os caminhos e métodos para fazer discípulos, denotando que "Discipulado" é um caminho em detrimento a uma realização. E eis aí uma das problemáticas atuais de nosso sistema que reduz a fé cristã a uma decisão somente, ao "apelo", no entanto, somos chamados para sermos e fazermos não apenas convertidos, mas discípulos de Cristo!

Jesus nos deixou o exemplo conjugando as reuniões públicas, com uma classe básica de doze pessoas. Jesus não deixou um plano "b" para a sua igreja. Por conseguinte, quando a igreja organiza uma classe de Discipulado ela reassume seu formato bíblico pelo qual Deus a projetou, dando expansão ao magistério de Cristo na terra. Mas há de se ressaltar que para o seu êxito se faz necessário o comprometimento de toda a igreja.

I. QUE TIPO DE RESPONSABILIDADE CABE À IGREJA EM RELAÇÃO À CLASSE DE DISCIPULADO?

Precisamos conscientizar-nos de que o Discipulado não é um dom, mas sim que todos os dons cabem dentro da proposta do Discipulado! Pois todos os crentes têm recebido um chamado para ministrar (1 Pe 2.9). Hodiernamente o que mais temos visto é uma igreja sem integração dos neófitos, nos caracterizando como uma mãe que dá a luz e abandona seu filho. Uma evidência disso são os 30 a 40 milhões de filhos espirituais abandonados, que tem sido estimado como expelidos pela igreja evangélica brasileira. Nossa atitude precisa ser diferente que a do avestruz - (Jó 39.12-16): v. 12 - Bate alegre a asa: "Botei o ovo" - Faz relatório do evento...; v. 13 - Gera e deixa o ovo na terra: Desampara os que nascem; v. 15 - Esquece que alguém pode pisá-los; v 16 - Endurece com seus filhos: Não toma ciência de suas necessidades; Debalde fica seu trabalho, pois muitos morrem antes de crescer.

Em quê ou onde temos falhado? Conforme Huber (2010), uma pesquisa feita com crentes que estão fora da igreja mostrou que 70% deles desviaram porque sentiam que ninguém se importava com eles. O "amor" é a chave para ganhar, consolidar e edificar! A dura realidade é que a igreja cresce mais por motivo biológico (filhos de crentes) e por transferência de denominação e não através da conversão dos perdidos. Precisamos fechar a porta dos fundos, e deixar de ser "igreja rodoviária" onde sempre existe um fluxo de pessoas, mas elas nunca são as mesmas, elas não se relacionam. Por conta disso é que o relacionamento no mentoriado individual pós-classe se faz indispensável.

O pastor Antonio Gilberto sabiamente disse: "O povo vai onde é convidado; O povo fica onde é bem recebido; O povo volta onde é bem tratado".

Em gestão de liderança, os especialistas costumam dizer que genericamente coexistem três tipos de pessoas no mundo, e na igreja não tem sido diferente:

1) Aquelas que não se mexem: em geral 80%, não ouvem, não pensam e não agem;

2) As que são movíveis: 15% ouvem, pensam mas não agem;

3) As que movem os outros: 5% ouvem, pensam e agem, transformando oportunidades em resultados. Isso fica evidente quando observamos os dois sistemas básicos de igrejas na atualidade: o Convencional onde 20% são líderes que mantêm os eventos, os programas e os cultos para os 80% dos membros.

Já no modelo de Igreja com Discipulado e Grupos de crescimento são 20% dos seus melhores líderes que treinam e equipam os outros 80% da igreja para também se tornarem líderes e atuantes no corpo de Cristo. E esta é uma das razões pelas quais o novo convertido não tem sido mais incorporado nas fileiras da ED.

II. QUAL É O NÍVEL DE RELAÇÃO ENTRE O DISCIPULADO E A ED?

A igreja enquanto agência divina possui cinco funções básicas: adoração, proclamação, comunhão, serviço e ensino. Entre esses papéis não existe aquele que possua maior ou menor grau de relevância; todos são preponderantes. Contudo, é exatamente o ensino, por meio do Discipulado e da ED que são responsáveis por dar qualidade e sustentação aos demais. Como bem disse Alan Redpath "A conversão de uma alma é o milagre de um momento, mas a formação de um santo é a tarefa de uma vida inteira".

A ED é o Departamento mais importante de que dispõe a igreja, sendo a âncora do ensino, do evangelismo, do treino e da doutrina. E, por conseguinte o Discipulado é uma porta de entrada para o neoconverso na igreja e na própria ED.

III. O DISCIPULADO DESPERTA INTERESSE PELA CONTINUIDADE DO ESTUDO DA PALAVRA NA ED?

O ensino bíblico produz estrutura espiritual à pessoa. Desenvolvendo progressivamente um profundo amor pela Palavra. Porquanto os "discípulos" não são criados de uma hora para outra, em isolamento e num vácuo doutrinário. A inexistência de classes de Discipulado e de uma espiritualidade relacional tem sido a maior causa de nossas evasões, pois segundo Moore (1983), pesquisas realizadas nos EUA revelaram que menos de 1% dos membros das igrejas dedicam-se ao Discipulado. E o que dizer da estatística de Mello (2003), onde ele apresenta uma pesquisa no universo da Igreja Assembleia de Deus na qual diz que em média só batizamos 10% dos que ganhamos para Cristo, e que assustadoramente somente 5% irão efetivamente permanecer na fé no decorrer no tempo.

Alguns Benefícios de formar uma classe de Discipulado na ED são:

1) Aproveitar melhor o tempo, reunindo mais pessoas por vez;

2) Oferecer sistema rotativo, sendo que pode-se ingressar em qualquer momento do ciclo de lições;

3) Não se interrompe as atividades normais e rotineiras de cada membro e da agenda da igreja;

4) Promover e estreitar a unidade e a comunhão;

5) Evitar os rodeios temáticos que desorientam os participantes: isto é, a falta de objetividade, além da exposição a assuntos polêmicos e controversos que comumente confundem os novatos;

6) Produzir uniformidade na interpretação bíblica;

7) Conhecer mais a Deus para poder servi-lo melhor, desenvolvendo uma fé mais profunda e robusta;

8) Expressar com segurança a fé, sabendo defender-se das heresias e modismos;

9) Promover instrução bíblica, produzindo e incentivando um testemunho de uma vida piedosa;

10) Levar o novo crente a compreender todo o plano de Deus, e a um compromisso sério com Cristo;

11) Produz qualidade e quantidade para o reino de Deus;

12) Formar potenciais obreiros e líderes vocacionais, etc.

IV. O DISCIPULADO É DETERMINANTE PARA OBTERMOS ALUNOS ASSÍDUOS NA ED?

O Discipulado é uma excelente ferramenta a disposição da igreja, ele é muito mais do que um estudo bíblico, pois por meio dele teremos pessoas apaixonadas pela Bíblia e alunos vitalícios na ED que configura o alimento sólido subsequente ao leite espiritual disponibilizado no Discipulado. Quando ele acontece na classe da igreja ele já se encontra dentro de um formato de ED, e a experiência tem nos mostrado que após a conclusão do Discipulado a ligação e migração do novo convertido para a ED em sua respectiva faixa etária tem sido umbilical.

CONCLUSÃO

O Discipulado não deve ser minimizado a uma palestra para os candidatos ao batismo em águas, porque instruir o novo convertido na Palavra é tão importante quanto ganhá-lo para Cristo, pois a unção levanta uma pessoa e até um ministério, mas só o caráter e a santidade irão mantê-los em pé. Se acreditarmos no Discipulado, ele não será apenas mais uma classe, mas uma responsabilidade da igreja e só assim cumpriremos cabalmente a Grande Comissão não como mais um programa, mas como um estilo de vida.

Bibliografia
BAUMANN, Pohl Igor. Formação do Discípulo.
Essencial para grupos de Estudos, Escolas Bíblicas e Edificação Pessoal. 1ª Edição. Curitiba-PR. Ad Santos, 2009.
HUBER , Abe, O coração do bom pastor. 1ª Edição. Fortaleza - CE. Premius, 2012
HUBER, Abe. Gomes, Ivanildo. Treinamento de lideres de célula. 1ª Edição. Fortaleza-CE. Premius, 2010
MELLO, Cyro, Manual do Discipulador Cristão. 1ª Edição. Rio de Janeiro-RJ. CPAD,2013

Fonte: Revista Ensinador Cristão nº68 pag.48,49,50
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2 comentários:

  1. Paz Pastor Ismael Brito como está?
    Ótimo estudo me orientou bastante.
    Hoje em dia é assim mesmo, geramos "filhos na fé" o os deixamos sozinhos.
    O mais difícil é que dependendo da liderança não tem essa consciência de que realmente devemos investir no discipulado.

    Quando puder visite meu Blog Palavra Diária: http://palavradiariadevida.blogspot.com.br

    Deus abençoe!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A Paz do Senhor meu nobre amigo em Cristo Pastor Paulo Alves. Sempre uma honra poder contar com sua participação.

      Glória Deus! Estamos sempre aprendendo e que o Espírito Santo continue "sempre" a nos instruir e nos capacitar nesta maravilhosa Obra.

      Estarei sim, passando lá no Blog Palavra Diária.

      abraço fraterno

      Excluir

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