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sábado, 3 de outubro de 2015

GÊNESIS - O Livro da Criação Divina

No princípio, criou Deus os céus e a terra” Gn 1.1


GÊNESIS, O Livro das Origens

ESBOÇO DO LIVRO DE GÊNESIS
1) A Criação
Gn 1.1 - 2.3

2) A Narrativa pré-patriarcal
a) História dos céus e da terra - 2.4 - 4.26
b) História de Adão - 5.1 - 6.8
c) História de Noé - 6.9 - 9.29
d) História de Sem, Cam e Jafé - 10.1 - 11.9
e) História de Sem - 11.10-26

3) Os Patriarcas na palestina: a formação do povo de Deus
a) História de Terá - 11.27 - 25.11
b) História de Ismael - 25.12-18
c)História de Isaque - 25.19-35.29
d) História de Esaú - 36.1-43

4) Os Patriarcas no Egito: o inicio de fato da história do povo de Deus
a) A História de Jacó - 37.1-50.26

Como apresentado na tabela acima, o livro de Gênesis se divide em quatro partes principais: (1) a Criação; (2) a narrativa pré-patriarcal; (3) os patriarcas na Palestina; e 4) os patriarcas no Egito. Os 50 capítulos de Gênesis darão conta desse esboço, do desenvolvimento da história do povo de Deus.
Tecnicamente, pode-se dizer que o gênero literário predominante no livro de Gênesis é o da narrativa. As narrativas variam entre antes e depois da Era do Patriarcado na Palestina. Esse gênero literário nos permite perceber que as histórias ali narradas foram elaboradas de maneira a prender a atenção do leitor a ponto de levá-lo ao clímax da história: a saga do povo de Deus rumo à Terra Prometida.
A partir dessa percepção, podemos inferir o propósito do livro de Moisés: contar a maneira e motivo de o Deus de Israel escolher a família de Abraão e fazer uma eterna aliança com ela. Para os cristãos, essa aliança tem uma importância preponderante, pois foi a partir da aliança de Deus com Abraão que Jesus de Nazaré foi feito o Messias prometido: o Messias seria judeu, da família de Davi, descendente direto da casa de Abraão. De modo que também a Igreja de Cristo foi pensada sob a aliança estabelecida entre Deus e Abraão. Por isso, o apóstolo Paulo escreve convictamente: “Nisto não há judeu nem grego; não há servo nem livre; não há macho nem fêmea; porque todos vós sois um em Cristo Jesus. E, se sois de Cristo, então, sois descendência de Abraão e herdeiros conforme a promessa” (Gl 3.28,29).
Portanto, há razão suficiente para dedicarmo-nos ao estudo do livro de Gênesis. Ele apresenta o início da história da salvação. Em Gênesis, somos convidados a compreender como começou a história do povo de Deus que culminou na revelação de Jesus Cristo, a fim de que hoje fôssemos alcançados pela graça de Deus em Cristo Jesus, o nosso Senhor. Revista Ensinador Cristão nº64 pg.36.

INTRODUÇÃO
O Gênesis fascina-me o espírito. Tudo nele é relevante, didático, profundo, belo e devocional. Até as suas genealogias trazem-me preciosas lições. Da criação do Universo à morte de José, percorro um caminho que, apesar das agruras e provas, conduz-me logo ao Criador. Em cada página, encontro um Deus que, não se limitando a criar, deleita-se em revelar-se à criatura.

Neste livro, enterneço-me com os patriarcas. No Crescente Fértil, refaço-lhes as peregrinações desde a imponente Ur à rústica Betel. De suas vitórias, compartilho. Aos seus idílios, assisto. Que outro autor poderia descrever com tanta poesia o encontro de Jacó e Raquel? E a história de José? Não há quem não chore ao ler o drama do escravo hebreu que veio a governar o Império Egípcio. Em cada capítulo do Gênesis, tenho uma nova experiência com o Deus de Isaque e de Abraão. Iniciemos, pois, o nosso diálogo com uma literatura alta, rica e artisticamente bem trabalhada. Mas este não é o seu principal mérito. A semelhança dos demais livros da Bíblia Sagrada, o Gênesis é a inspirada, inerrante e infalível Palavra de Deus. Não veio á luz apenas para encantar-nos a estética, mas para encaminhar-nos à ética inigualável e perfeita do Criador.

Sem o livro de Gênesis, as grandes perguntas da vida ainda estariam sem resposta.

I. A AUTORIA MOSAICA
O Gênesis foi escrito por um dos homens mais sábios da história Filho de Anrão e Joquebede, pertencia Moisés à casa de Levi, a mais conservadora das tribos hebreias (Ex 6.20; 32.26-28). Sua biografia é pontilhada por lances dramáticos e inexplicáveis. Ainda recém-nascido, foi preservado do infanticídio desencadeado pelo rei do Egito, visando à eliminação do povo de Israel (Ex 2.1-10).
Providencialmente adotado pela filha do Faraó, é levado ao palácio, onde recebe a educação mais esmerada da época (At 7.22). Homem feito, saiu a ver as agruras de seus irmãos. E, na ânsia por ajudá-los, acaba por matar um egípcio. Vê-se, então, forçado a refugiar-se em Midiã. Nesse diminuto reino localizado ao norte da Arábia, entrega-se ao pastoreio do rebanho de Jetro, seu sogro (Ex 3.1). Ali, solitário e reflexivo, dispõe de espaço e tempo para meditar nos propósitos do Deus de Abraão. Que perguntas avivaram-lhe o espírito? E que indagações fez ao Eterno de Israel?

Deus utiliza o isolamento de Midiã, para trabalhar-lhe a personalidade. No Egito, entre cativos e exatores, jamais se teria desenvolvido espiritualmente, Foi em seu exílio, que Moisés inteira-se de uma invenção que revolucionaria a transmissão do conhecimento: o alfabeto. Surgido na região do Sinai, seria logo adotado pela maioria dos povos.

Providencialmente, o Senhor impediu que a sua Palavra fosse escrita em caracteres egípcios, pois tanto o demótico, conhecido pelo povo, como o hieróglifo, dominado apenas pelos sacerdotes, não possuíam a plasticidade e a segurança necessárias para registrar os inícios da História Sagrada.
Não sabemos em que período de seu ministério, Moisés escreveu o primeiro livro da Bíblia Sagrada. Mas podemos garantir que o Êxodo é uma sequência natural do Gênesis, pois, no original hebraico, ambos os livros acham-se ligados por uma conjunção aditiva.

O Pentateuco é de autoria de Moisés - Êx 17.14, 24.4; Nm 33.1,2; Dt 31.9; Js 1.8; 2Rs 21.8
Os escritores do Novo Testamento estão em concordância com os do Antigo Testamento pois falam dos cinco livros como "a lei de Moisés" (At 13.39; 15.5; Hb 10.28; ainda 2Co 3.15). O próprio Jesus deu testemunho de que Moisés é o autor (Jo 5.46; Mt 8.4, 19.8; Mc 7.10; Lc 16.31; 24.27,44)  


II. DATA E LOCAL
Não é tarefa nada fácil precisar a data e o local em que Moisés escreveu o Gênesis. Para não nos perdermos em especulações, algumas absurdas e outras impiamente vazias, adotaremos a posição conservadora por ser a mais segura e racional.

      1. Data. É-nos permitido afirmar que o primeiro livro da Bíblia foi redigido entre 1445 e 1405 antes da era cristã, durante a peregrinação de Israel pelo Sinai. Eleger qualquer outra época, como a do pós-exílio babilônico, por exemplo, é atentar contra as evidências da própria Bíblia. Tanto os profetas quanto os apóstolos têm como certa a autoria mosaica de todo o Pentateuco, incluindo o Gênesis.

      2. Local. Já que sabemos ter Moisés escrito o Gênesis no século 15 antes de Cristo, concluímos que ele o redigiu no Sinai. Aliás, encontramo-lo em diversas ocasiões, durante a peregrinação de Israel pelo deserto, a registrar as palavras do Senhor (Ex 24.4; Nm 32.2,- Dt 31.9). Ao seu dispor, excelente material de escrita. Doutra forma, o livro jamais teria chegado às gerações futuras.

O tema central do livro de Gênesis se encontra no primeiro capítulo e versículo: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1)


A História da Criação
"A primeira coisa que chama a atenção do leitor da Bíblia é o laconismo (apenas dois capítulos) com que a história da Criação do mundo e da humanidade é contada. A aritmética de Gênesis é impressionante. Somente dois capítulos são dedicados à história da Criação e um à entrada do pecado na raça humana. Por outro lado, treze capítulos são dedicados a Abraão, dez a Jacó e doze a José (que nem era um patriarca, nem um filho por meio do qual as promessas da aliança seriam perpetuadas). Ora, presenciamos o fenômeno de doze capítulos para José e apenas dois para a Criação. Seria impossível alguém ser, por assim dizer, seis vezes mais importante que o mundo?" Para conhecer mais leia Manual do Pentateuco, CPAD, p.19.


III. REIVINDICAÇÃO E TEMA
Todos os livros da Bíblia possuem, além do tema central, uma reivindicação específica. Por isso, devemos ler a Palavra de Deus com atenção e cuidado, para não lhe ignorarmos as demandas.

       1. Reivindicação. A principal reivindicação do Gênesis é que creiamos ser Deus o Criador dos céus e da terra. Aliás, é a primeira verdade que nos expõe o autor sagrado (Gn 1.1). Que nos curvemos humildemente, pois, à soberania divina. Ao aceitar semelhante demanda, confessa o salmista Etã: ‘Teus são os céus, e tua e a terra; o mundo e a sua plenitude tu os fundaste” (Sl 89.11).
Quem lê o Gênesis com devoção e amor, aceita de imediato a exigência divina. Sim, tudo pertence ao Senhor, inclusive você e eu. Aleluia!

     2. Tema. O tema do Gênesis faz-se acompanhar de sua reivindicação central: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. Nesse livro, portanto, encontramos as origens dos céus, da terra, do ser humano, das nações e do povo de Israel. Acham-se nele, também, os esboços das doutrinas que professamos. O seu título, a propósito, significa exatamente isso: origem.

Um dos objetivos de Moisés ao escrever o livro de Gênesis, era fortalecer a fé da geração do êxodo mostrando que Deus é o grande criador dos céus, da Terra e do homem.


IV. OBJETIVOS DO LIVRO
Além de uma reivindicação específica e de um tema central, o Gênesis foi escrito com, pelo menos, dois objetivos: fundamentar teológica e historicamente o êxodo hebreu e responder-nos às grandes perguntas da vida.

       1. Fundamentar o êxodo hebreu. Os leitores, ou ouvintes, imediatos do Gênesis foi a geração que o Senhor libertara do cativeiro egípcio. No momento mais crítico de sua história, era-lhes urgente saber três coisas essenciais. Antes de tudo, que o Jeová do Êxodo era o mesmo Elohim do Gênesis. Logo, o Criador dos Céus e da Terra não poderia deixar de apresentar-se como o Redentor de seu povo. Finalmente, o Deus que chamara Abraão a uma nova realidade espiritual, convocava-os, agora, a uma vida de liberdade numa terra boa, ampla e singularmente aprazível. Por isso, o Senhor se apresenta aos filhos de Israel como o El-shaday dos patriarcas (Gn 17.1; Ex 6.3).

O objetivo primacial do Gênesis, portanto, era fundamentar teológica e historicamente os filhos de Israel, a fim de que assumissem a sua identidade como povo de Deus. Eles deveriam saber que a sua liberdade não era fruto de um movimento político, nem de uma convulsão social, mas o cumprimento das alianças que o Senhor estabelecera com Abraão, Isaque e Jacó. Aliás, o próprio José, pouco antes de morrer, profetizara, no Gênesis, o Êxodo: “Eu morro; porém Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó”. Em seguida, José fez jurar os filhos de Israel, dizendo: “Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos daqui” (Gn 50.24,25). Nas Sagradas Escrituras, todos os atos de Deus são bem fundamentados teológica e historicamente. O que aconteceu no Êxodo alicerça-se no Gênesis. As alianças firmadas neste cumprem-se naquele. O mesmo podemos dizer com respeito a nossa salvação. O que teve início no primeiro livro da Bíblia plenifica-se no último.

       2. Responder as grandes perguntas da vida. O Gênesis foi escrito também para responder-nos às grandes perguntas da vida. Em primeiro lugar, todos ansiamos por saber como vieram a existir os Céus e a Terra. A segunda indagação, não menos importante, é acerca da nossa própria origem. Se não obtivermos as respostas certas, deixar-nos-emos aprisionar tanto pelas mitologias antigas como pelas modernas, que nos chegam diariamente travestidas de ciência.

Adão não tinha qualquer dúvida quanto à criação, pois conhecia pessoalmente o Criador. Mas os seus descendentes, por parte de Caim, logo endeusaram a criatura, permitindo-se arrastar pelo sexo e por atos cada vez mais violentos. Sim, violência e sensualidade, os dois primeiros deuses da humanidade; daí, nasceram todos os ídolos.

Não demorou muito para que os filhos do próprio Sete caíssem nos mesmos pecados de Caim (Gn 6.1-3). Senão fosse o piedoso Noé, toda a raça humana teria perecido no Dilúvio.
A era atual em nada difere daquela época, conforme afiança o Senhor Jesus: “Pois assim como foi nos dias de Noé, também será a vinda do Filho do Homem. Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam,  senão quando veio o dilúvio e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do Homem” (Mt  24.37-39). Em consequência do pecado, o deus deste século não demorou a cegar e a perverter a mente da humanidade (2Co 4 4). E, assim, a narrativa que Adão e Noé transmitiram aos seus filhos acabou por degenerar-se em mitologias blasfemas e grosseiras. A família de Sem, através de Abraão, ainda manteria, por alguns séculos, a pureza do criacionismo.

Mas, já no tempo do Êxodo, a tradição oral já não era confiável. Por isso, o Senhor convoca Moisés não apenas para libertar Israel do Egito, como também perenizar, através da palavra escrita, a verdade sobre os inícios de todas as coisas.

Tendo em vista a pureza do Gênesis, rejeitamos a hipótese de que o autor sagrado foi buscar rescaldos nas mitologias babilônicas para redigir o primeiro livro da Bíblia. Supervisionado pelo Espírito Santo, selecionou os registros mantidos pelos hebreus, depurando a tradição oral da criação que o seu povo ainda conservava. E claro que, nessa tarefa, ele contou igualmente com a revelação divina. De modo que, hoje, temos um texto confiável, lógico e coerente. Não temos qualquer dúvida quanto à inspiração divina do Gênesis, que compreendeu tanto a iluminação como a supervisão do Espírito Santo.

Moisés foi chamado por Deus no momento mais crítico da história de Israel, pois Faraó estava prestes a exterminar os hebreus. E, com eles, perder-se-iam a narrativa da criação e os registros genealógicos que nos remetem a Adão e ao próprio Deus (Lc 3,38). Além disso, a linhagem do Messias também seria destruída, tornando inviável o advento de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Não há como mesurar a importância de Moisés na História Sagrada. O seu necrológio, apensado ao Deuteronômio, faz jus à sua biografia; “Nunca mais se levantou em Israel profeta algum como Moisés, com quem o SENHOR houvesse tratado face a face, no tocante a todos os sinais e maravilhas que, por mando do SENHOR, fez na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus oficiais e a toda a sua terra, e no tocante a todas as obras de sua poderosa mão e aos grandes e terríveis feitos que operou Moisés à vista de todo o Israel” (Dt 34.10-12).

Bastava o Gênesis para que Moisés se imortalizasse. Mas a sua obra não parou aí; transcendeu, fazendo-se eterna séculos mais tarde, vamos encontrá-lo no Monte da Transfiguração. Ali, juntamente com Elias, conferenciava com o verbo de Deus acerca do momento mais ingente da História Sagrada: a expiação da humanidade no Calvário. A profecia de Gênesis 3.15 cumpria-se plenamente.

Podemos encontrar no livro de Gênesis temas como a Criação; Queda e a degradação humana; o dilúvio; o recomeço da civilização e a origem da nação de Israel.


V. GÊNERO LITERÁRIO
Ao contrário de Homero, legou-nos Moisés uma cosmogonia altamente confiável. Se o primeiro dispôs apenas do engenho humano, o segundo foi assistido pelo Espírito Santo, que o inspirou, dirigindo-o em toda a redação da obra. Na composição do livro de Gênesis, por conseguinte, Deus providenciou todos os detalhes, para que tivéssemos uma obra inerrante e infalível: alfabeto, língua, gênero literário e estilo.

       1. Alfabeto. Conforme já dissemos, o Senhor impediu que os primeiros cinco livros das Escrituras Sagradas fossem escritos nos caracteres egípcios. Se isso tivesse ocorrido, o Pentateuco teria desaparecido já nas décadas seguintes, pois somente a elite cultural egípcia, da qual Moisés fazia parte, era capaz de dominá-los. Além do mais, a escrita ideográfica do Nilo estava fadada a desaparecer. Haja vista que, no período do Novo Testamento, os hieróglifos já haviam sido substituídos, em todo o Egito, pelos alfabetos grego e latino. Dezoito séculos mais tarde, o francês Jean-François Champollion (1790-1832) enfrentaria dificuldades, a fim de resgatar o sentido daqueles signos linguísticos.
Por esse motivo, Deus isolou Moisés por quarenta anos em Midiã, para que o seu servo aprendesse o alfabeto sinaítico. Através dessa invenção maravilhosa, ele teria condições de transmitir às gerações futuras os inícios da História Sagrada. Embora não se saiba quem de fato criou a linguagem alfabética, o certo é que ela veio a ser assimilada rapidamente pelos hebreus, fenícios, gregos e latinos. Destes, veio a ser adotada pela maioria das línguas modernas.

Durante o cativeiro babilônico, os escribas judeus houveram por bem substituir o alfabeto sinaítico pelo ashurith, conhecido também como quadrático devido á sua forma retangular. E, a partir do século 6º de nossa hera, apareceram os massoretas, cujo principal trabalho foi a vocalização do texto original hebraico, para que este não acabasse por perder a sua pureza fonética.

       2. Língua. Entre os idiomas antigos, tenho para mim que o hebraico era o mais perfeito. Simples e poético, apresenta uma gramática descomplicada e logo assimilável.
É claro que, no decorrer do Antigo Testamento, os livros do Pentateuco foram submetidos a vários processos editoriais. Mas todas essas intervenções foram orientadas e supervisionadas pelo Espírito Santo, visando preservar a integridade do texto sagrado.

        3. Gênero literário. Embora haja poesias e até hinos no Gênesis, o livro não é uma obra poética. Diferentemente de Homero, utiliza Moisés a narrativa histórica para registrar os começos do Céu, da Terra, da humanidade e do povo hebreu.
A História da Criação seria, séculos depois, salmodiada pelos cantores de Israel. Mas, quando da redação do Gênesis, o Senhor levou Moisés a utilizar um gênero literário adequado à historiografia sagrada, realçando a credibilidade do primeiro livro da Bíblia.

       4. Estilo. Se o estilo é de fato o homem, em todo o Gênesis vemos a mão de Deus em tudo o que Moisés escreveu. Historiador sagrado, foi belo e poético em cada frase e oração. Até pequenas sentenças, como esta, adquirem beleza e ternura em sua pena: “Haja luz” (Gn 1.3). A História de José é outro exemplo da excelência literária do autor sagrado. Quem consegue lê-la sem lacrimejar? Enfim, o Gênesis é tão belo e singular que só podia ser divino. Escrito há mais de três mil e quinhentos anos, continua a encantar crianças, adolescentes, adultos e anciãos. O primeiro livro da Bíblia Sagrada, portanto, é uma história real, não uma parábola, nem uma coleção de alegorias, como sugerem os liberais e inimigos da Palavra de Deus. Se o interpretarmos doutra forma, jamais poderemos aceitar, como verdade, a História da Redenção.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"Sete características principais assinalam Gênesis.
(1) Foi o primeiro livro da Bíblia a ser escrito (com possível exceção de Jó) e registra o começo da humanidade, do pecado, do povo hebreu e da redenção.
(2) A história contida em Gênesis abrange um período de tempo, maior que o restante da Bíblia, e começa com o primeiro casal humano; dilata-se, abrangendo o mundo antediluviano, e a seguir limita-se à história do povo hebreu, o qual semelhante a uma torrente, conduz à redenção até o final do A.T.
(3) Gênesis revela que o universo material e a vida na terra são categoricamente obra de Deus, e não um processo independente da natureza. Cinquenta vezes nos capítulos 1-2, Deus é o sujeito de verbos que demonstram o que Ele fez como Criador.
(4) Gênesis é o livro das primeiras coisas -a primeira família, o primeiro nascimento, o primeiro pecado, o primeiro homicídio, o primeiro polígamo, os primeiros instrumentos musicais, a primeira promessa de redenção, e assim por diante.
(5) O concerto de Deus com Abraão, que começou com a chamada deste (12.1-3), foi formalizado no capítulo 15, e ratificado no capítulo 17, e é da máxima importância em toda a Bíblia.
(6) Somente Gênesis explica a origem das doze tribos de Israel.
(7) Revela como os descendentes de Abraão, por fim, se fixam no Egito (durante 430 anos) e assim preparam o caminho para o êxodo, o evento central do Antigo Testamento" (Bíblia de Estudo Pentecostal. Rio de Janeiro:CPAD, 1991, p.29).


VI. CONTEÚDO
O Gênesis pode ser dividido em duas grandes seções: a História Primitiva e a História de Israel.
     1. A História Primitiva. Conhecida também como História Primeva, a História Primitiva ocupa-se dos primeiros dois milênios da estadia do homem na Terra, abrangendo os primeiros onze capítulos do livro: da Criação à Torre de Babel.
De forma sintética, mas profundamente clara, a Palavra de Deus mostra como vieram a existir o Céu, a Terra, os animais e o homem. Narra também a ocorrência do Dilúvio e o evento da Torre de Babel, revelando como originou-se a diversidade cultural da humanidade.

       2. A História de Israel. A partir do capítulo 12, tem início a História de Israel. É uma narrativa soteriológica das biografias dos três grandes patriarcas da nação hebreia: Abraão, Isaque e Jacó. O relato é encerrado com a ascensão providencial de José ao governo egípcio.
Nessa seção, Deus estabelece suas alianças com os pais da família hebraica. De um lado, promete-lhes que os protegerá em suas peregrinações até introduzi-los na terra de Canaã. Do outro, os hebreus se comprometem a guardar-lhe os mandamentos e devotar-lhe uma adoração exclusiva e única. Todos fomos chamados a uma vida perfeita diante de El Shaday (Gn 17.1).


CONCLUSÃO
Como nos sairíamos sem o Gênesis? Ainda estaríamos presos às mitologias babilônicas, indianas e gregas. Sem ele, jamais poderíamos libertar-nos dos mitos pós-modernos, que nos chegam todos os dias como verdade e ciência. Enfim, sem as verdades do Gênesis, jamais teríamos alcançado a liberdade em Cristo, pois a doutrina da salvação tem, no primeiro livro da Bíblia Sagrada, a sua gênese. Por isso, agradeçamos a Deus por nos haver providenciado uma porção tão indispensável e bela de sua inspirada e inerrante Palavra. Quanto mais o tempo passar, mais constataremos a exatidão da obra que nos legou Moisés.

Leia o Gênesis com a sua família. No culto doméstico, abra a Bíblia neste livro e estude-o metódica e sistematicamente. Assim, você impedirá que os seus pequeninos sejam vítimas dos falsos postulados científicos como a Teoria do Big Bang e o Evolucionismo.



Na proclamação do Evangelho, faz-se necessária a evocação de três verdades que se acham em Gênesis: 1) Deus criou os céus, a terra e o homem; 2) Em Adão, todos pecamos, tornando-nos réus da morte eterna; 3) Entretanto, Deus providenciou-nos eficaz salvação através da semente da mulher: Jesus Cristo, nosso Salvador.

A leitura do Gênesis nunca se fez tão necessária como nos dias de hoje. Nossas crianças precisam saber quem fez todas as coisas. O que eles veem não é obra do acaso; é criação divina. Se não formos precavidos, doutrinas fúteis, como o evolucionismo, lhes roubarão a fé salvadora.


Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4ºtrim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (livro de Apoio)
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe CPAD
Manual do Pentateuco-CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé
Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

As Duas Testemunhas citadas em Apocalipse 11 - Quem são?

Estas são as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra” Ap 11.4
“O Ministério [Das Duas Testemunhas]
O ministério destas duas testemunhas incluirá pregação, profecias e realização de milagres. Elas chamarão as pessoas ao arrependimento, predirão eventos futuros e anunciarão que é chegado o reino. Como Zorobabel e Josué, que procuraram restaurar Israel à sua terra, as duas testemunhas encorajarão a fidelidade a Deus, independentemente das circunstâncias individuais.

Apocalipse 11.4 descreve as testemunhas como 'as duas oliveiras e os dois castiçais que estão diante do Deus da terra'. Este versículo é uma alusão a Zacarias 4.3,11,14, em que Zorobabel e Josué, o sumo sacerdote, líderes de Israel na época de Zacarias, são retratados como um castiçal, ou luz para Israel. O seu combustível é o azeite de oliva, que representa o poder do Espírito Santo. Assim também, nos últimos dias, as duas testemunhas se levantarão pelo poder de Deus e trabalharão em seu cargo profético.
Deus protegerá as duas testemunhas daqueles que tentarem causar-lhes mal antes que a sua missão esteja concluída. Apocalipse 11.5-6 registra os poderes milagrosos dados a estas testemunhas e declara que se alguém lhes quiser fazer mal, será destruído pelo fogo. [...] De maneira similar, os idólatras e inimigos de Moisés foram destruídos pelo fogo (Num 16.35)"[1]

Há uma infinidade de suposições em torno deste assunto. Até mesmo as escolas de interpretação desse polêmico problema escatológico (estudos sobre as últimas coisas), têm entrado em várias contradições em suas assertivas.

Os pressupostos nomes apresentados por elas são diversos, como seguem: Moisés e Elias, Elias e Enoque, Jeremias e João Batista, as duas últimas igrejas da Ásia Menor, o Velho e o Novo Testamento, etc. Todas afirmam que têm tido “revelação” divina e que estão certas em seus pontos de vista. Algumas baseiam-se, inclusive, em Malaquias 4.5: “Enviarei o profeta Elias”. Mas, quando lemos em Lucas 1.17, com referência a João Batista, observamos que ele veio no espírito e no poder de Elias, isto é, na virtude ministerial daquele profeta. Temos muitos casos na Bíblia, tanto no Velho como no Novo Testamento, de uma pessoa sendo representada por outra.

No caso das duas testemunhas, elas têm idêntico poder ao de Elias para fazer descer fogo dos céus: 2Rs 1.10. E também se assemelham a Moisés, que fez as águas se transformarem em sangue: Êx 7.20. Porém, temos de admitir que tudo isso foi realizado pelo poder de Deus e não dos homens.

Portanto, quem são as duas testemunhas ninguém sabe porque este assunto não foi revelado. Entretanto, elas representam o governo civil e religioso de Israel, pois são semelhantes às duas oliveiras do tempo da volta do cativeiro babilônico: Zc 4.12-14.

Reiterando-se o que foi dito, afirmamos que o homem pode operar maravilhas pelo poder de Deus. Porém, Ele não necessita necessariamente de homens como Elias ou como Moisés, para operar aqui na terra. Ele pode operar por qualquer um, do contrário seria uma operação humana e não divina. Portanto, ninguém sabe os nomes das duas testemunhas.

Assim todas e quaisquer afirmações sobre o assunto esposado não passam de suposições.[2]

Aqui eu Aprendi!  Aprendi que não preciso ter voz quando a Palavra de Deus se cala. Então fiquemos com o que a Bíblia diz.

Ao final da 6ª trombeta e antes do inicio do toque da 7ª (Ap 10.7; Ap 11.15), se cumprirá o segredo de Deus. Deus enviará Suas Duas Testemunhas. Os dois profetas agitarão o reino do Anticristo, desmascarando-o como emissário de Satanás e proclamando sobre toda a terra os juízos divinos. O seu ministério durará 1260 dias - três anos e meio - (Ap 11.1-3). Eles irão pregar o Evangelho do Reino em meio a Grande Tribulação. Vestidos de sacos: "Darei às minhas testemunhas que profetizem por mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco". Eles “têm poder para fechar o céu, para que não chova nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem” (Ap 11.6).
A morte das duas testemunhas. Terminado o seu ministério de quarenta e dois meses, a besta os matará. E expor-lhes-á os corpos na praça da cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito (Ap 11.8). E todos se alegrarão com a sua morte. "E os que habitam na terra se regozijarão sobre eles, e se alegrarão, e mandarão presentes uns aos outros; porquanto estes dois profetas tinham atormentado os que habitam sobre a terra." (Ap 11.10)

A ressurreição das duas testemunhas. Depois de três dias e meio, Deus enviar-lhes-á o espírito de vida, pondo-os de pé à vista de todos. Em seguida, serão levados para o céu em uma nuvem. Logo após o seu arrebatamento, a cidade (Jerusalém) será abalada por um grande terremoto (Ap 11.11-13). E então, "o sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve no céu grandes vozes, que diziam: Os reinos do mundo vieram a ser do nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre. E os vinte e quatro anciãos, que estão assentados em seus tronos diante de Deus, prostraram-se sobre seus rostos e adoraram a Deus, dizendo: Graças te damos, Senhor Deus Todo-Poderoso, que és, e que eras, e que hás de vir, que tomaste o teu grande poder, e reinaste." (Ap 11 15-17).

O Evangelho Eterno.(Ap 14.6) Não obstante a Igreja já ter sido arrebatada, Deus, em seu inexplicável amor, continuará a estender a sua graça a um mundo perverso e impenitente. Através de seu anjo, insta a todos ao arrependimento: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14.7). Mesmo na pior apostasia da humanidade, Deus insistirá com os filhos de Adão, buscando levá-los ao arrependimento.

A igreja de hoje. Porfiemos em tomar parte no arrebatamento da Igreja e a nos encontrarmos com o Senhor nos ares. Se hoje já enfrentamos dificuldades para professar a santíssima fé, quanto mais naqueles dias. Este é o momento da oportunidade. Por que desperdiçar um momento como este?
Maranata! Ora vem, Senhor Jesus.

"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." 1 Tessalonicenses 4.16-17

Fonte:
As Sete Cartas do Apocalipse - A mensagem final de Cristo á Igreja - Claudionor de Andrade-2ºtrim.2012,CPAD
[1]Lahaye, T.; Hindson, E. (Eds.). Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed.,RJ-CPAD,2008,p.157
[2]"A Bíblia Responde" RJ:CPAD,1983,p.37
Bíblia Defesa da Fé

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quinta-feira, 1 de outubro de 2015

A Palavra de Deus após o Arrebatamento

...Temei a Deus e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” Ap 14.7

Uma das características dos habitantes do mundo atual é o estilo de vida baseado na incredulidade do juízo final. Paradoxalmente, na Grande Tribulação essa característica será mais aflorada. Todavia, os moradores da terra, através de um anjo, serão alertados para a realidade da iminência do juízo vindouro de Deus (Ap 14.7). Nações, tribos, línguas e todos os povos do mundo terão de se confessar perante o Rei dos reis e Senhor dos senhores, Cristo Jesus: Ricos e pobres; poderosos e fracos; intelectuais e ignorantes; todos os homens, sem exceção, se prostrarão diante do Eterno e confessarão que só Ele é Deus; seja para a vida ou perdição eterna (Ap 14.6; Mt 25.31-46).

Apesar de sua influência e poder, o Anticristo não poderá calar a verdade do Evangelho — a Palavra de Deus é para sempre.

Atualmente deparamo-nos com alguns personagens que causam algumas controvérsias na interpretação bíblica escatológica. Por isso, apresentamos abaixo a explicação do renomado teólogo pentecostal Stanley M. Horton quanto a relevância desses personagens bíblicos na proclamação da Palavra eterna de Deus durante a Grande Tribulação.

144 mil selados
“Tem havido muita controvérsia acerca desses santos. Dizem alguns serem os mesmos 144.000 saídos das 12 tribos de Israel, conforme nos mostra o capítulo sete. Outros dizem ser [...] crentes fiéis [...] de diferentes lugares e épocas. [...] Veem-no como um número de plenitude de maneira a incluir todos os crentes que tem andado com o Senhor [...]. Seja como for, podemos ter certeza de que Jesus conhece os que lhe pertencem” (Horton, p.198).

As duas Testemunhas
“Tem havido muita especulação a respeito de quem são estas duas testemunhas. Alguns interpretam como duas comunidades, ou dois grupos de pessoas. Contudo, a descrição é específica. Tratam-se realmente de duas pessoas. [...] As duas testemunhas de Apocalipse 11.3 são descritas como castiçais que estão diante do Deus da terra; isto é, diante do Deus verdadeiro. Estão constantemente em sua presença. Quando profetizam espargem a luz que vem de Deus [...]” (Horton, p.154).

O Evangelho eterno
“O evangelho eterno é o mesmo proclamado pelos apóstolos e registrado no Novo Testamento. Não há outro evangelho, como bem acentuou Paulo: ‘Mas, ainda que nós, ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que temos pregado, seja anátema’ (Gl 1.18). Mesmo em meio a Grande Tribulação, Deus tudo faz para trazer os pecadores ao arrependimento. A mensagem do evangelho é sempre redentora; convida o povo a reconhecer o amor, a soberania e a santidade de Deus” (Horton, p.202).

Apesar de sua truculência e soberba, o Anticristo não conseguirá emudecer a voz do Evangelho nem calar a voz dos mártires. Durante a Grande Tribulação, Deus levantará muitas vozes eloquentes e poderosas que não temerão proclamar-lhe a Palavra. É o que nos mostra claramente o Apocalipse. O que disso concluímos? A Bíblia Sagrada continuará a ser a inspirada, inerrante e soberana Palavra de Deus. E a sua pregação e ensino não serão interrompidos. Logo, haverá também salvação de almas após o arrebatamento.
Nesse tempo, a Igreja de Cristo já não estará na terra. Todavia, Deus continuará no controle de tudo. Até o próprio Diabo, que dará a impressão de reinar absoluto, estará sob o seu comando. A voz divina não pode ser calada.

Muita gente ainda supõe que, após o rapto da Igreja, a Bíblia Sagrada perderá a sua inspiração. Tal crença origina-se de teologias e narrativas extravagantes e anti-bíblicas. A Palavra de Deus, porém, subsiste eternamente (Is 40.8). "Seca-se a erva, e cai a flor, porém a palavra de nosso Deus subsiste eternamente."


1. A Palavra de Deus é eterna.
A própria Escritura testifica de sua perenidade: “A palavra do Senhor permanece para sempre” (1Pe 1.25). Ora, se a Bíblia viesse a perder a sua inspiração após o arrebatamento, como ficariam os últimos atos do plano divino? A propósito, será com base nas Escrituras, que o Israel do Milênio será reorganizado. Leia com atenção os últimos oito capítulos de Ezequiel.

2. A Palavra de Deus é o fundamento do Juízo Final.
Além do livro da vida, outros livros serão abertos no dia do Juízo Final. Conclui-se, pois, que as Escrituras Sagradas lá estarão; nelas se encontram tanto as promessas quanto os juízos divinos (Ap 20.12). E cada um dos juízos de Deus é para sempre (Sl 119.160).
Posto que a Bíblia Sagrada não perderá a sua divina inspiração, quem a proclamará após o arrebatamento da Igreja? O Apocalipse mostra que esse trabalho ficará a cargo dos mártires, dos cento e quarenta e quatro mil, das duas testemunhas e do anjo que percorrerá os céus com o evangelho eterno.

OS LIVROS
Os Livros que serão abertos no dia do juízo final:

O livro da consciência - Rm 2.15; Rm 9.1
O livro da natureza - Sl 19.1-14;
O livro da lei - Rm 2.12;
O livro do Evangelho - Rm 2.16; Jo 12.48
O livro das memórias - Lc 16.25;
O livro das obras - Ap 20.12; (ou Livro dos atos dos homens)
O livro da vida - Ap 20.15.

Todas as pessoas serão julgadas, e todas receberão de Deus o que merecem, ninguém se dará por inocente diante de Deus, porque cada um será julgado de acordo com os livros citados acima.(Pr.Gesiel Gomes)

3. O Espírito Santo após o arrebatamento da Igreja.
Se o Apocalipse mostra que haverá salvação nesse período e que nesse período a Palavra de Deus continuará a ser proclamada, perguntamos: Estará o Espírito Santo na terra durante a Grande Tribulação? Sim! Ele aqui estará. Mas, como conciliar essa assertiva com 2 Tessalonicenses 2.7?
Deixo a resposta com o pastor Donald Stamps, comentarista da Bíblia de Estudo Pentecostal: “No começo dos sete anos de tribulação, o Espírito Santo será ‘afastado’. Isso não significa ser Ele tirado do mundo, mas que cessará sua influência restritiva à iniquidade e ao surgimento do Anticristo. Todas as restrições contra o pecado serão removidas, e começará a rebelião inspirada por Satanás. O Espírito Santo, todavia, agirá na terra durante a tribulação, convencendo pessoas dos seus pecados, convertendo-as a Cristo e dando-lhes poder (Ap 7.9,14; 11.1-11; 14.6,7)”.

2 Tessalonicenses 2.7 “Com efeito o mistério da iniquidade já opera e aguarda somente que seja afastado aquele que agora o detém (o Espírito Santo)”. Por ocasião do arrebatamento, o Espírito Santo subirá ao céu com a Igreja, ao encontro de Jesus, como o servo Eliezer conduziu antigamente a noiva Rebeca a Isaque. Mas esse mesmo Espírito Santo não permanecerá inativo, pois agirá na terra nos e com os 144.000 selados sobre “todas as nações, tribos, povos e línguas” – e será salva uma “grande multidão que ninguém podia enumerar”. (Winn Malgo 1922-1992)

A Palavra de Deus subsiste eternamente, mesmo após o arrebatamento da Igreja.


A PROCLAMAÇÃO DOS MÁRTIRES
Tanto no Império Romano como em nossos dias, muitos são os torturados e mortos por amor a Cristo. Todavia, os martírios durante o governo do Anticristo superarão a todas as cifras já registradas. Será o Holocausto dos holocaustos.
1. A identidade dos mártires.
Chamaremos de mártires aqueles que, na Grande Tribulação, arrepender-se-ão de seus pecados e se recusarão a adorar a imagem da besta e a receber o seu código. Eles são mostrados no Apocalipse como “uma multidão, a qual ninguém podia contar, de todas as nações, e tribos, e povos, e línguas” (Ap 7.9).

2. A fé sob o martírio. Por causa de sua postura confessante e testemunhal, serão degolados pelo governo do Anticristo (Ap 20.4). Eles, porém, não temerão perturbar o império do mal com o Evangelho do Reino.


A PROCLAMAÇÃO DOS 144 MIL
Além dos mártires oriundos de todos os povos e nações, haverá um grupo de 144 mil judeus, que também estará confessando a Cristo durante o governo do Anticristo.
1. A identidade dos 144 mil.
São israelitas que se converterão a Cristo logo após o arrebatamento da igreja (Ap 7.1-8). E precederão a conversão nacional de Israel, que se dará no final da Grande Tribulação (Zc 12.10). Por isso são tratados por Deus como as suas primícias (Ap 14.3).

2. A elevada posição dos 144 mil.
Inferimos do texto sagrado, que Deus os tomará para si após os terem assinalado. Isto porque, mais adiante, João os vê no monte Sião acompanhando o Cordeiro (Jo 14.1). Em sua testa, o nome do Pai e do Filho.


A PROCLAMAÇÃO DAS DUAS TESTEMUNHAS
Se bastou Moisés para perturbar o Egito e Elias para conturbar o reino apóstata de Israel, o que não farão dois profetas semelhantes a eles atuando conjuntamente? É o que se dará durante o governo do Anticristo.
1. A identidade das duas testemunhas.
Quem serão as duas testemunhas do Apocalipse?
Moisés e Elias?
A Bíblia não o diz. Por isso, não quero especular sobre as suas identidades. Aprendi que não preciso ter voz quando a Palavra de Deus se cala.
São eles as duas oliveiras e os dois castiçais, que se encontram diante de Deus (Ap 11.4). Os dois profetas agitarão o reino do Anticristo, desmascarando-o como emissário de Satanás e proclamando sobre toda a terra os juízos divinos. O seu ministério durará 1260 dias (Ap 11.1-3). Eles “têm poder para fechar o céu, para que não chova nos dias da sua profecia; e têm poder sobre as águas para convertê-las em sangue e para ferir a terra com toda sorte de pragas, quantas vezes quiserem” (Ap 11.6).

2. A morte das duas testemunhas.
Terminado o seu ministério de quarenta e dois meses, a besta os matará. E expor-lhes-á os corpos na praça da cidade que, espiritualmente, se chama Sodoma e Egito (Ap 11.8). E todos se alegrão com a sua morte.

3. A ressurreição das duas testemunhas.
Depois de três dias e meio, Deus enviar-lhes-á o espírito de vida, pondo-os de pé à vista de todos. Em seguida, serão levados para o céu. Logo após o seu arrebatamento, a cidade será abalada por um grande terremoto (Ap 11.11-13).


A PROCLAMAÇÃO DO ANJO
Agora, entra em cena um anjo solitário, que proclama o Evangelho Eterno (Ap 14.6). Toda a terra o ouve. Sua mensagem é de arrependimento.
1. O anjo evangelista.
Os anjos são criaturas divinas, cuja função é adorar a Deus e zelar pelos que hão de herdar a vida eterna (Is 6.1-3; Hb 1.14). No Apocalipse, são encarregados de ministrar os juízos divinos.

2. O Evangelho Eterno.
O que é o Evangelho Eterno?
É o evangelho que pregamos e, que às vezes, é chamado de Evangelho do Reino (Mt 24.14). É o evangelho que vem sendo proclamado desde o Gênesis. Sim, é o evangelho que, um dia, Abraão ouviu do próprio Deus (Gl 3.8). Será este também o evangelho a ser anunciado por ocasião do governo do Anticristo.

3. A mensagem de arrependimento.
Não obstante a Igreja já ter sido arrebatada, Deus, em seu inexplicável amor, continuará a estender a sua graça a um mundo perverso e impenitente. Através de seu anjo, insta a todos ao arrependimento: “Temei a Deus e dai-lhe glória, porque vinda é a hora do seu juízo. E adorai aquele que fez o céu, e a terra, e o mar, e as fontes das águas” (Ap 14.7). Mesmo na pior apostasia da humanidade, Deus insistirá com os filhos de Adão, buscando levá-los ao arrependimento.

O Evangelho Eterno é aquele que vem sendo proclamado desde o Gênesis, por Jesus Cristo e, em o Novo Testamento, através dos apóstolos e por toda Igreja.

CONCLUSÃO
Conforme vimos, a Palavra de Deus será amplamente proclamada durante a Grande Tribulação. E muitas serão as conversões nesse período. Deus não ficará sem testemunho.
Os crentes desta geração, porém, porfiaremos por tomar parte no arrebatamento da Igreja. Se hoje já enfrentamos dificuldades para professar a santíssima fé, quanto mais naqueles dias. Este é o momento da oportunidade.
Por que desperdiçar um momento como este? Maranata! Ora vem, Senhor Jesus.


Bibliografia
Horton. S.M. Apocalipse: As coisas que brevemente devem acontecer. 2.ed.RJ:CPAD,2001
Horton. S.M. (Ed). Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. 10.ed.,RJ:CPAD,2007
Fonte:Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé
Dicionário Bíblico Wycliffe-CPAD
As Sete Cartas do Apocalipse - A mensagem final de Cristo á Igreja - Claudionor de Andrade-2ºtrim.2012,CPADLahaye, T.; Hindson, E. (Eds.). Enciclopédia Popular de Profecia Bíblica. 1.ed.,RJ-CPAD,2008


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