Membros / Amigos

Conheça mais de nossas Postagens

Research - Digite uma palavra ou assunto e Pesquise aqui no Blog

quinta-feira, 15 de março de 2018

Os Gigantes da Fé e o seu legado para a Igreja

"Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem." Hb 11.1


O autor acabara de fazer sua longa exposição sobre a supremacia de Cristo, seu sacerdócio e a superioridade da Nova Aliança em relação à Antiga. Essa exposição começou no capítulo primeiro e se estendeu por quase todo o capítulo dez. Aqui, ele faz um apanhado histórico sobre a jornada de fé dos homens e das mulheres de Deus no Antigo Pacto e como isso deveria ser tomado como exemplo para os cristãos do Novo Concerto. Essa fé, diferentemente do conceito de justificação dado por Paulo, aparece aqui com o sentido de ousadia, perseverança e confiança nas promessas de Deus. A fé demonstrada por eles em diferentes momentos da história, e em diferentes situações, foi o que garantiu as suas inserções na galeria dos heróis bíblicos. Essa mesma fé, que garantiu que eles sempre avançassem e nunca recuassem, devemos imitar.

Texto Bíblico - Hebreus 11.1-8, 22- 26,30 - 34

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
• Texto Bíblico: Hebreus 11.1-8,22-26,30-34

2. l. A Fé que gera confiança em Deus
• 1. O sacrifício de Abel.
• 2. O testemunho de Enoque.
• 3. A confiança de Noé.

3. II. A Fé que faz ver o invisível
• 1. A obediência de Abraão.
• 2. A fidelidade de José.
• 3. A determinação de Moisés.

4. III. A Fé que dá poder para avançar
• 1. A ousadia de Josué.
• 2. A coragem de Raabe.
• 3. O heroísmo de Gideão.

5. Conclusão

O capítulo 11 de hebreus é um dos mais conhecidos e mais ricos sobre o tema da fé. Segundo a Bíblia de Estudo Pentecostal, editada pela CPAD, "o capítulo 11 demonstra a natureza do único tipo de fé aceita por Deus e que triunfará na pior das situações. É uma fé que crê nas realidades espirituais (v.1), que leva à justiça (v.4), que busca a Deus (v.6), que crê na sua bondade (v.6), que tem confiança na sua palavra (vv.7,11), que obedece aos seus mandamentos (v.8), que vive segundo as promessas de Deus (w. 13,29), que rejeita o espírito deste presente mundo mau (v.13), que busca um lar celestial (vv.14-16; cf.13.13,14), que abençoa a geração seguinte (v.21), que recusa os prazeres do pecado (v.25), que suporta a perseguição (v.27), que pratica poderosos atos de justiça (vv.33-35), que sofre por amor a Deus (vv. 25,35-38) e que não volta àquela pátria donde haviam saído, i.e., o mundo" (p.1916).

Com base nesse comentário, podemos destacar algumas características da fé que o autor aos Hebreus se refere no capítulo 11: a fé nos faz crê nas realidades espirituais (v.1); A fé nos leva à justiça (v.4); a fé nos leva crê na bondade de Deus (v.6); a fé nos leva a ter confiança na Palavra de Deus (vv.7,11); a fé nos leva a obedecer os mandamentos divinos (v.8); a fé nos leva viver segundo as promessas divinas (w.13,29); a fé nos leva a rejeitar o espírito do mundo (v.13); a fé nos levar a buscar um lar celestial (v. vv.14-16; cf.13.13,14); a fé nos leva a abençoar a nossa geração seguinte (v.21); a fé nos leva a recusar os prazeres do pecado (v.25); a fé nos leva a suportar a perseguição (v.27); a fé nos leva a sofrer por amor a Deus (v.25,35-38).  Revista Ensinador Cristão nº72

A fé é a confiança irrestrita nas promessas de Deus.



Comentário de Hebreus 11.1 -40

A leitura do capítulo 11 de Hebreus deve ser feita à luz do que foi dito no capítulo 10. Ali, o autor completou o seu longo argumento sobre o sacerdócio de Cristo (Hb 10.18) e, parenteticamente, como de costume, usou um tom exortativo para alertar seus leitores sobre o perigo de voltar atrás. O capítulo 11 traz a galeria dos heróis da fé, como uma forma de exemplificar como viveram e agiram os grandes homens e mulheres de Deus do passado. O objetivo é que seus exemplos sejam seguidos pelos cristãos hebreus que davam sinais de desesperança e falta de fé.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não veem" (v. 1).
Mais do que um conceito, o autor faz aqui uma afirmação sobre a fé que é oposta àquela que estava sendo demonstrada por seus leitores. Os Hebreus davam sinal de fraqueza espiritual justamente porque estava faltando-lhes a fé. O substantivo grego pistis, traduzido aqui como "fé”, ocorre 243 vezes no Novo Testamento; 30 vezes somente em Hebreus, sendo que, somente no capítulo 11, há o registro dessa palavra 24 vezes.1  A palavra grega hypostasis, traduzida aqui como "fundamento", tem, no texto grego, o sentido de certeza, garantia, segurança2  Nesse sentido, era usada como atestação ou garantia de uma propriedade. Para o autor, a fé era como ter em mãos um documento que atestava a posse de determinado objeto. E mais: a fé é a convicção das coisas que não se viam. O termo grego elenkos, traduzido aqui como "prova”, mantém o sentido de "evidência”.3

“Porque, por ela, os antigos alcançaram testemunho” (v. 2).
Nesse versículo, a construção en tauté gar emartyrethesan presbyteroi ("pois nela, isto é, na fé, os antigos obtiveram testemunho"). Aqui, é o próprio Deus quem dá testemunho dos feitos que a fé realizou na vida dos antigos.

“Pela fé, entendemos que os mundos, pela palavra de Deus, foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (v. 3).
Aqui, a fé é usada no sentido instrumental. É por meio da fé que temos a percepção das coisas espirituais. Mediante a fé, sabemos que o universo foi criado pela palavra de Deus. Os expositores veem aqui um contraste entre a percepção mental e sensitiva, quando o autor usa o termo grego noeo (aquilo que está relacionado ao conhecimento intelectual). A fé vai além do conhecimento sensorial e empírico para acreditar que o mundo visível não tenha existido a partir das coisas que são visíveis.4

“Pela fé, Abel ofereceu a Deus maior sacrifício do que Caim, pelo qual alcançou testemunho de que era justo, dando Deus testemunho dos seus dons, e, por ela, depois de morto, ainda fala" (v. 4).
Abel abre a galeria dos heróis da fé. O texto de Gênesis 4.2-16 silencia sobre o que teria distinguido o sacrifício de Abel daquele oferecido por Caim. Todavia, o autor de Hebreus diz que a oferta (gr. propheró) de Abel foi melhor (gr. pleion). Donald Hegner observa que “a entrega sem reservas à realidade de Deus e ao caráter absoluto das vindicações de Deus sobre nós — fez uma diferença decisiva. De certa forma, Caim retraiu-se em relação a Deus, quer na própria oferta, quer em seu coração”.5

"Peia fé, Enoque foi trasladado para não ver a morte e não foi achado, porque Deus o trasladara, visto como, antes da sua trasladação, alcançou testemunho de que agradara a Deus” (v. 5).
A palavra grega metatithemi, usada três vezes em Hebreus e outras três vezes no Novo Testamento, significa "mudar”, “transpor", "transferir”, "remover” e “trasladar”.6  Na interpretação do autor, Enoque, tendo obtido o testemunho de haver agradado a Deus, foi trasladado ao céu e não passou pela morte.

“Ora, sem fé é impossível agradar-lhe, porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que é galardoador dos que o buscam" (v. 6).
De forma parentética, como costumeiramente vinha fazendo, o autor aproveita o espaço para fazer uma exortação sobre a necessidade de se exercer a fé na caminhada cristã. Aqueles que creem precisam saber que Deus existe e está pronto a premiar aqueles que o buscam, não os que desistem pelo caminho. Quem não tem fé não segue avante.

"Pela fé, Noé, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, temeu, e, para salvação da sua família, preparou a arca, pela qual condenou o mundo, e foi feito herdeiro da justiça que é segundo a fé” (v. 7).
Nessa passagem, o autor tem em mente o relato de Gênesis 6.8,9, 13-22; 7.1. Aqui, o particípio aoristo krematistheis (avisar, advertir, instruir) antecede a ação do verbo principal. Primeiramente, o Senhor avisou a Noé sobre o Dilúvio que viria, e, a partir daí, Noé começou a trabalhar no projeto da Arca. Não havia nada além da palavra de Deus, nenhuma prova material ou física, para Noé saber que aquilo que lhe fora dito iria cumprir-se. Noé, porém, ousou crer naquilo que o Senhor dissera a ele. O texto destaca que a iniciativa para livrar Noé e sua família teve início em Deus.

“Pela fé, Abraão, sendo chamado, obedeceu, indo para um lugar que havia de receber por herança; e saiu, sem saber para onde ia” (v. 8).
Agora, o autor entra no universo dos patriarcas. O particípio presente kaloumenos (gr. kaléô, chamar) tem o sentido temporal aqui. Quando Deus chamou a Abraão, este não vacilou, mas obedeceu sem fazer perguntas. À semelhança de Noé, Abraão não tinha nenhuma prova, além da palavra de Deus, que, de fato, chegaria a essa terra que a ele foi prometida. Ele não sabia onde era essa terra, muito menos seu caminho.
O texto diz que o patriarca saiu “sem saber para onde ia”. Somente a palavra de Deus serviu-lhe de bússola e guia naquela longa jornada.

“Pela fé, habitou na terra da promessa, como em terra alheia, morando em cabanas com Isaque e Jacó, herdeiros com ele da mesma promessa" (v. 9).
A fé fez Abraão sair do seu mundo conhecido, e a mesma fé fê-lo chegar ao mundo até então desconhecido para ele. A fé leva-nos a fazer coisas incríveis. Todavia, essa terra ainda não era dele, mas apenas uma promessa. Na verdade, Abraão morava nas promessas de Deus e vivia em Canaã. Ali, ele não passava de um estrangeiro. A fé dizia que essa terra, embora não lhe pertencesse fisicamente, era dele por herança divina. A fé era o único documento que ele tinha de propriedade daquela terra.

“Porque esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus” (v. 10).
Abraão descansava na fé, mesmo habitando em tendas. O autor põe em relevo a fé de Abraão, que, mesmo sabendo que aquela terra era sua pela promessa de Deus, continuou morando em tendas. E assim o fazia porque sabia que era um nômade e que a sua verdadeira morada era a celeste. A fé tirava seus olhos da terra e colocava-os no céu. Quando a fé não está presente, facilmente miramos para baixo ou para os lados, mas nunca para cima.

“Pela fé, também a mesma Sara recebeu a virtude de conceber e deu à luz já fora da idade; porquanto teve por fiel aquele que lho tinha prometido” (v. 11).
O autor sagrado põe Sara na lista da fé, embora o relato de Gênesis 18.12 mostre Sara rindo quando recebeu a promessa de gerar um filho. Ela sabia que já havia passado da idade de tê-lo. Querendo retirar essa aparente dificuldade do texto, alguns comentaristas entendem que o sujeito da frase é Abraão, e não Sara. Dessa forma, o autor estaria se referindo primeiramente ao patriarca, e não a sua esposa, Sara. A Nova Versão Internacional traduziu desta forma: “Pela fé Abraão — e também a própria Sara, apesar de estéril e avançada em idade — recebeu poder para gerar um filho”. Fritz Laubach destaca que o autor, com seus olhos espirituais,

"tem capacidade para constatar fé no lugar em que outras pessoas não notam nada. Além disso, temos de considerar ainda outro aspecto: as dificuldades do texto se dissolvem quando entendemos o matrimônio de Abraão com Sara no sentido original conforme a criação, como a união total de duas pessoas segundo corpo, alma e espírito. O que é afirmado sobre Sara vale de modo idêntico para Abraão. Na fé, Abraão e Sara obtiveram a força para gerar descendência, apesar de que isso era humanamente impossível (cf. Rm 4.18-21). Sua fé se atém exclusivamente à promessa e à fidelidade de Deus, não às possibilidades imanentes”.7

“Pelo que também de um, e esse já amortecido, descenderam tantos, em multidão, como as estrelas do céu, e como a areia inumerável que está na praia do mar" (v. 12).
A palavra "amortecido" traduz o grego “nekrów” e tem o sentido de “considerado como morto”. Paulo usa essa palavra em Colossenses 3.5 no sentido de mortificação da natureza adâmica. Abraão, mesmo amortecido pela idade avançada, foi, pela fé, capaz de gerar descendência. Essa descendência não era apenas física, mas, sobretudo, espiritual (Gl. 3.7-9).

"Todos estes morreram na fé, sem terem recebido as promessas, mas, vendo-as de longe, e crendo nelas, e abraçando-as, confessaram que eram estrangeiros e peregrinos na terra" (v. 13).
Um fato descrito aqui pelo autor e que vai contra a crença popular é que quem tem promessas morre! Abraão, por exemplo, viu o nascimento de Isaque, mas não viu a promessa da posse da terra de Canaã concretizada. As pessoas as quais o autor acabou de referir-se morreram na fé, sem, contudo, obterem a plenitude das promessas. Deve ser sublinhado que o texto está falando de promessas não apenas no sentido físico, mas, sobretudo, espiritual.

"Porque os que isso dizem claramente mostram que buscam uma pátria” (v. 14).
Aqui, o autor demonstra que não estava se referindo apenas às promessas materiais no versículo 13. Ao aceitar serem peregrinos e estrangeiros em terra alheia, os patriarcas comportaram-se como quem de fato acredita em outra pátria, a Canaã celestial.

“E se, na verdade, se lembrassem daquela de onde haviam saído, teriam oportunidade de tornar” (v. 15)
O expositor Richard Taylor traduziu esse versículo assim: “E se eles realmente tivessem lembrado daquela (terra) de onde tinham saído, eles teriam tido continuamente a oportunidade de voltar”.8

“Mas, agora, desejam uma melhor, isto é, a celestial. Pelo que também Deus não se envergonha deles, de se chamar seu Deus, porque já lhes preparou uma cidade” (v. 16).
Abraão teve a oportunidade de voltar atrás, mas não voltou. O contraste com a geração do êxodo a qual se refere o autor fica evidente. Os israelitas que peregrinaram no deserto tentaram voltar para o Egito por inúmeras vezes. O autor mostra que, da mesma forma que os patriarcas agiram, indo sempre para frente em direção às promessas de Deus, os seus leitores deveriam fazer o mesmo. Eles deveriam também ansiar a pátria melhor, a Canaã celeste, e nunca pensar em voltar atrás.

"Pela fé, ofereceu Abraão a Isaque, quando foi provado, sim, aquele que recebera as promessas ofereceu o seu unigênito" (v. 17).
O verbo grego prosphero, “oferecer”, é um dos termos preferidos do autor de hebreus, ocorrendo 20 vezes no texto. O seu sentido é o de "sacrificar”, “oferecer sacrifícios”. A palavra "testou” (ARA) em vez de “tentou (ARC) traduz melhor o termo grego peirasmos. Aqui, o seu sentido é determinado pelo contexto, que é claramente de uma prova. A fé de Abraão é demonstrada no fato de que o cumprimento das promessas de Deus feitas a ele dependia de um Isaque vivo, e não morto. Muitas vezes, é preciso matar, mesmo simbolicamente, o "Isaque” para que as promessas de Deus sejam cumpridas. Isaque não era filho único de Abraão (havia também Ismael). Todavia, a palavra monogenes, traduzida aqui como “unigênito", quer dizer “único do gênero". Isaque era o filho da promessa, Ismael não.

“Sendo-lhe dito: Em Isaque será chamada a tua descendência, considerou que Deus era poderoso para até dos mortos o ressuscitar” (v. 18).
Todas as promessas de Deus a Abraão estavam em Isaque: “Em Isaque será chamada a tua descendência [...]". A fé de Abraão acreditava que Deus era poderoso para ressuscitar uma promessa, mesmo que esta tivesse morrido.

"E daí também, em figura, ele o recobrou” (v. 19).
Abraão não chegou a sacrificar Isaque, mas, figuradamente, isso aconteceu! Na mente de Abraão, quando Deus pediu Isaque, ele considerou a possibilidade de perdê-lo, mesmo que momentaneamente. Abraão acreditava que, de alguma forma, as promessas de Deus relativas a Isaque seriam cumpridas, mesmo que o Senhor tivesse que o ressuscitar dentre os mortos.

“Pela fé, Isaque abençoou Jacó e Esaú, no tocante às coisas futuras" (v. 20),
O autor tem o olhar sempre no horizonte quando descreve a fé. Aqui, Isaque — e não Abraão — é o personagem principal. A fé conduziu-o a abençoar seus filhos, Jacó e Esaú, com relação a coisas que só o tempo poderia comprovar sua veracidade. Como abençoou, assim aconteceu. A fé não é míope; ela enxerga longe.

“Pela fé, Jacó, próximo da morte, abençoou cada um dos filhos de José e adorou encostado à ponta do seu bordão" (v. 21).
O autor sublinha o fato de Jacó estar para morrer quando abençoou os filhos de José. Mesmo acamado, o velho patriarca, em adoração a Deus, proferia uma benção profética. Sem dúvidas, muitas profecias modernas não se cumprem porque são dadas por quem não adora.

“Pela fé, José, próximo da morte, fez menção da saída dos filhos de Israel e deu ordem acerca de seus ossos" (v. 22).
José não é conhecido apenas por sua fidelidade, mas também por sua fé. Pela fé, ele faz menção do êxodo quando deu instruções sobre os seus ossos. O que José viu pela fé foi cumprido à risca (Êx 13.19; Js 24.32). A fé enxerga longe e costuma honrar aquele que a exercita.

“Pela fé, Moisés, já nascido, foi escondido três meses por seus pais, porque viram que era um menino formoso; e não temeram o mandamento do rei" (v. 23).
Uma análise simples do relato de Êxodo não permite enxergar mais do que o cuidado de pais zelosos pelo filho que tinham gerado (Êx 2.2). O autor usa a palavra asteios, traduzido aqui como “formoso”, para justificar esse instinto de proteção materno e paterno. Essa mesma construção grega é usada por Estevão em Atos 7.20, onde significa “agradável a Deus”. F. F. Bruce destaca que “formoso" “significa algo mais que sua condição de beleza. Havia algo na aparência do menino que indicava que não era um menino comum, senão alguém destinado por Deus para fazer grandes coisas".9

"Pela fé, Moisés, sendo já grande, recusou ser chamado filho da filha de Faraó" (v. 24).
A Bíblia não identifica quem era essa princesa que era filha de Faraó. Muitas conjecturas são levantadas, mas não há certeza em nenhuma delas.10  O fato relevante aqui é apontado para a fé de Moisés, que escolheu sofrer como um peregrino do que viver na luxuosa vida dos faraós. A fé tirou-o do palácio para colocá-lo no deserto. Todavia, essa mesma fé não o deixou lá. Ela levou Moisés para o centro da vontade de Deus, que era livrar o seu povo da escravidão do Egito.

“Escolhendo, antes, ser maltratado com o povo de Deus do que por, um pouco de tempo, ter o gozo do pecado" (v. 25).
O autor sublinha o fato da escolha feita por Moisés. Nesse texto, o termo helomenos tem o sentido de “tendo escolhido”. Esse mesmo vocábulo é usado por Paulo para retratar seu dilema de escolher entre partir para estar com Cristo na eternidade ou ficar na igreja (Fp 1.22). O autor quer sublinhar o dilema que Moisés tinha diante de si — duas opções, mas ele teria somente uma para escolher. Aparentemente, a mais vantajosa seria aquela que o faria permanecer no palácio em vez da outra, que o expulsava de lá. A fé fez Moisés escolher a que contemplava a eternidade.

"Tendo, por maiores riquezas, o vitupério de Cristo do que os tesouros do Egito; porque tinha em vista a recompensa" (v. 26).
Nessa passagem, o contraste é entre "riquezas" e "vitupério". Moisés fez uma escolha entre viver "honrado” ou "desonrado”. Viver no palácio era viver no luxo, no glamour. Em contrapartida, ficar do lado dos cativos era ser exposto ao desprezo. Mas a fé não vê o que é imediato; ela vê o longe. Aqui, Moisés não viu os luxuosos palácios faraônicos, mas, sim, o rude monte Calvário.

“Pela fé, deixou o Egito, não temendo a ira do rei; porque ficou firme, como vendo o invisível”(v. 27).
Viver pela fé envolve desafios. Muitas vezes, significa remar contra a correnteza. Outras vezes, significa conquistar muitos inimigos. No entanto, nada disso abalou Moisés — ele lançou-se nos braços da fé porque conseguia ver o que ninguém via. Ele via a Cristo.

"Pela fé, celebrou a Páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos lhes não tocasse" (v. 28).
O ritual da Páscoa está registrado em Êxodo 12. A Páscoa apontava para Cristo. O cordeiro deveria ser sem defeito (Êx 12.5); o sangue deveria ser posto do lado de fora, nas umbreiras, para proteger quem estivesse dentro, só há segurança para quem está na Igreja, em Cristo (Êx 12.7). A Páscoa deveria ser realizada com pães ázimos, isto é, sem fermento (Êx 12.8), pois o fermento incha! A vida cristã não pode ter inchaços. Fazia parte do ritual da Páscoa a presença de ervas amargas (Êx 12.8). A vida cristã não é só prosperidade, mas também adversidades. Em muitos momentos da vida, para manter-se o testemunho cristão, é necessário comer ervas amargas. O cordeiro deveria ser comido assado (Êx 12.9-10). A vida do cristão não pode ser “cozinhada”, nem tampouco “crua”, mas queimada com fogo (Mt 3.11; At 2.3). Nada da Páscoa podia ser usado para outros fins (Êx 12.10). A vida do crente é consagrada a Cristo e não deve ser usada para fins profanos.

“Pela fé, passaram o mar Vermelho, como por terra seca; o que intentando os egípcios, se afogaram” (v. 29).
A fé cria desertos dentro d´água. Às vezes, constrói pontes onde não há nenhuma (Mt 14.29).

"Pela fé, caíram os muros de Jericó, sendo rodeados durante sete dias” (v. 30).
Aqui, o autor põe em destaque a fé de Josué. Os capítulos 1 a 7 do livro de Josué revelam essa grande façanha conquistada pela fé. Primeiramente, vemos que os homens passam, mas Deus continua o mesmo (Js 1.1,2); conquistas futuras são determinadas por decisões tomadas no passado (Js 1.2-7); mais importante do que manusear uma espada é o manuseio da Palavra (Js 1.7-9); conflitos e guerras não são para amadores, mas para pessoas treinadas, habilitadas (Js 1.14); nenhuma fortaleza é conquistada sem antes ser conhecida (Js 2.1); se Deus estiver atrás, não importa quem está na frente (Js 3.1-3); antes da bênção, deve vir a consagração (Js 3.5, 15,16); devemos levar sobre os ombros somente "pedras” de gratidão (Js 5.5-7); se não cortarmos a própria carne, não há livramento completo (Js 5.1 -9); devemos manter nossos olhos no céu, mas sem esquecer que temos nossa missão aqui na terra (Js 5.11-12); quando Deus está no comando, ganha-se até no "grito” (Js 6.1-6); devemos aprender que não há explicação para o inexplicável (Js 6.14-16); quem se cobre com o manto do pecado ficará descoberto depois (Js 6.17; 7.21).

“Pela fé, Raabe, a meretriz, não pereceu com os incrédulos, acolhendo em paz os espias” (v. 31).
A fé transformou Raabe, a meretriz, em uma filha de Deus. E mais: de Raabe, vem a linhagem do Messias. Ela casou-se com Salmom e deu à luz Boaz, bisavô de Davi. Dessa forma, Raabe tornou-se da linhagem de Jesus.

“E que mais direi? Faltar-me-ia o tempo contando de Gideão, e de Baraque, e de Sansão, e de Jefté, e de Davi, e de Samuel, e dos profetas" (v. 32).
O autor coloca outros homens do Antigo Testamento na galeria da fé: Gideão, que, com seus 300 homens, derrotou os midianitas; Baraque, que, juntamente com Débora, deu grande livramento a Israel; Sansão, que, com sua força extraordinária, proveu grandes livramentos a seu povo; Jefté, que, mesmo tendo feito um voto precipitado, transformou-se num hábil guerreiro; Davi, o estrategista militar por excelência e o homem segundo o coração de Deus; Samuel, o último dos juízes e um profeta respeitado entre seu povo. Por fim, o autor cita os profetas nessa galeria que fizeram coisas estrondosas por meio da fé.

“Os quais, pela fé, venceram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam as bocas dos leões" (v. 33).
Aqui, o autor não é específico em sua citação. A vitória sobre reinos pode ser a conquista da terra de Canaã sob a liderança de Josué ou as muitas vitórias de Davi. A prática da justiça é muito comum nos profetas que exigiam dos reis uma maior atenção ao desamparado. Alguém observou que 60% das profecias do Antigo Testamento estão relacionadas com a justiça social. Eles também alcançaram as promessas.

“Apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, na batalha se esforçaram, puseram em fugida os exércitos dos estranhos" (v. 34).
A citação sobre o fogo é, provavelmente, extraída de Daniel 3.1-30. A referência à espada não é tão especifica. Pode ser uma referência ao profeta Elias, que escapou da espada de Jezabel (1 Rs 19.2-8), ou ao profeta Jeremias (Jr 36,19,26). As vitórias nas batalhas não são fáceis de precisar. Há muitos eventos no Antigo Testamento que podem ser identificados dentro da descrição do autor.

“As mulheres receberam, pela ressurreição, os seus mortos; uns foram torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma melhor ressurreição" (v. 35).
A referência à ressurreição é perfeitamente identificada com a viúva de Sarepta (1 Rs 17.17-24) e a Sunamita (2 Rs 4.25-37). Outros foram torturados por sua fé.

“E outros experimentaram escárnios e açoites, e até cadeias e prisões" (v. 36).
Bruce vê aqui uma referência ao profeta Jeremias (Jr 20.2; 20.7; 37.15). O homem que viu a promessa da chegada da Nova Aliança (Jr 31) deve servir de exemplo àqueles que agora viviam esse novo pacto.

“Foram apedrejados, serrados, tentados, mortos a fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltratados” (v. 37).
As citações são genéricas, mas é possível identificar aqui o apedrejamento de Zacarias (2 Cr 24.20,22; Mt 23.35). C. S. Keener entende que o autor está aludindo aqui a tradição na qual se afirma que o profeta Isaías fora cerrado ao meio.11  É possível associar os vestidos de pelo de cabra ao profeta Elias. O expositor Richard Taylor observou que

"a fé em tempos prósperos logo desaparece diante do assalto violento das tempestades que abalam a alma. Se a fé é relevante somente para ser feliz e próspera neste mundo, ela não passa de uma muleta débil e inútil de um mundanismo egoísta. A verdadeira fé cristã, por outro lado, encontra seu maior triunfo, não nos feitos visíveis, mas numa confiança e equilíbrio interior quando não existem circunstâncias encorajadoras. A fé mais brilhante é uma fé que é brilhante quando o certo é derrotado e o errado está no trono, quando a vida parece completamente irracional".12

"(homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos, e montes, e pelas covas e cavernas da terra” (v. 38).
Esses heróis, dos quais o mundo não era merecedor, que deveriam ser honrados, reconhecidos, viveram como errantes no mundo. Todavia, aceitaram viver uma vida à margem da sociedade do que perder as promessas de Deus.

“E todos estes, tendo tido testemunho pela fé, não alcançaram a promessa" (v. 39).
A promessa não alcançada aqui é a mesma que os crentes judeus deveriam aguardar. Os crentes da Antiga Aliança morreram por ela, e os da Nova devem fazer o mesmo.

"Provendo Deus alguma coisa melhor a nosso respeito, para que eles, sem nós, não fossem aperfeiçoados" (v. 40).
Eles viveram na fé, porém na sombra das promessas. Os crentes da Nova Aliança vivem já a realidade dessa promessa com a morte, ressurreição, glorificação de Cristo e o consequente derramamento do Espírito Santo. O termo grego teleioô, traduzido aqui como aperfeiçoar, tem o sentido de alcançar o alvo ou objetivo. Para o autor, só existe um povo de Deus ou igreja, constituída pelos santos da Antiga e Nova aliança. Quando todo o povo de Deus estiver junto, então o alvo foi alcançado. Adam Clarke comenta: "Posto que o evangelho é a última dispensação, os fiéis das dispensações anteriores não podem ser concluídos (aperfeiçoados), mesmo na glória, senão até que a igreja chegue aos céus dos céus”.13


A confiança em Deus nos dá poder para avançar e vencer os obstáculos.

Notas
1 Na carta aos Hebreus, ao contrário do que afirmam muitos mestres modernos, a fé não aparece como uma lei a ser aprendida ou dominada. Antes, a fé é vista na esfera relacional entre Deus e os homens que ousaram acreditar nEle e em sua Palavra, e, dessa forma, obtiveram a concretização das suas promessas.
2 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento. Editora Vida Nova, São Paulo.
3 Uma tradução livre mostra que a fé é a certeza, a garantia das coisas que estamos esperando e a evidência, a prova concreta que teremos aquilo que não estamos vendo.
4 ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento. Vida Nova.
5 HEGNER, Donald. Hebreus - novo comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
6 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento. Editora Vida Nova, São Paulo.
7 LAUBACH, Fritz. Hebreus - comentário bíblico esperança. Editora Esperança.
8 TAYLOR, Richard. Hebreus - comentário bíblico Beacon. CPAD, Rio de Janeiro.
9 BRUCE. F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio. Grand Rapids, Michigan, EUA.
10 F. F. Bruce destaca que "não temos nenhum meio de identificar esta princesa. Uma tradição encontrada no livro dos Jubileus 47.5 e em Josefo (Antiguidades II. 224ss, a chama de Tharmuth ou Thermuthis (uma filha de Ramsés II, cerca de 1290-1225 a.C. Outra atestada por Arabanus (Eusébio, Preparação IX 27) chama-a Merris (de Meri, uma filha de Ramsés II e sua esposa hitita, que, sem dúvida, com toda probabilidade, era mais jovem que o mesmo Moisés). Alguns escritores de épocas mais recentes têm julgado, com a ideia improvável, de que poderia ser Hatshepsut (Cerca de 1500 a.C), princesa e rainha regente da décima oitava Dinastia, filha de Tutmosis I (assim J. Feather, "A Princesa que resgatou Moisés: quem era ela?" ExT xliii (1931-32), pp. 423ss., C. Marston, A Disse a Verdade, [Londres, 1934], pp. L 79s.). É provável que seu pai foi um rei primitivo da décima nona Dinastia (cerca de 1300 a.C.); mais que isso não podermos dizer” (BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio).
11 KEENER, C. S. Comentário dei Contexto Cultural de la Biblia. Editora Mundo Hispano.
12 TAYLOR, Richard. Comentário Bilbico Beacon. CPAD.
13 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Biblia. Tomo 111. Casa Nazarena de Publicaciones, Lenexa, Kansas, EUA.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 14 de março de 2018

A Ressurreição de Jesus Cristo

“Ele não está aqui, porque já ressuscitou, como tinha dito. Vinde e vede o lugar onde o Senhor jazia.” Mt 28.6


A maior prova da divindade de Jesus é a sua ressurreição. Os adversários do cristianismo se utilizam de vários argumentos para anular a veracidade da ressurreição de Cristo. As evidências diretas somente podem ser comprovadas por quem as presenciou. No entanto, as evidências circunstanciais podem ser constatadas pela própria história. Por isso, nesta lição estudaremos algumas dessas provas que auxiliam na constatação da ressurreição de Jesus.

Texto Bíblico - Mateus 28.1-15

I - A RESSURREIÇÃO DE JESUS É ACOMPANHADA DE SINAIS (Mt 28.1-7)

1. A aparente vitória dos líderes religiosos.
No sábado, o dia seguinte ao da preparação da Páscoa, considerado sagrado pelos judeus, tudo parecia estar perfeito para os principais líderes religiosos judaicos. Aparentemente seus planos contra Jesus tinham dado certo. Eles haviam persuadido Pilatos a enviar um destacamento para guardar o túmulo de Jesus. Os primeiros discípulos, que haviam deixados seus próprios projetos de vida para acompanhar Jesus, agora estavam dispersos, amedrontados e desolados.

As autoridades religiosas e romanas acreditavam que tudo iria voltar a ser como antes, pois o principal “problema” deles, Jesus, havia sido morto. Enquanto as autoridades comemoravam a aparente vitória, os discípulos de Jesus estavam passando o pior momento de suas vidas. Mas a tranquilidade dos oponentes de não iria durar por muito tempo.

2. Maria Madalena e Maria vão até o túmulo (v.1).
As mulheres tiveram um papel importante no ministério de Jesus, na sua paixão e ressurreição. Todos os Evangelhos destacam a atuação delas durante a crucificação, a morte, o sepultamento e ressurreição do Messias. O destaque dado às mulheres era algo incomum na cultura judaica, para quem Mateus escreveu o Evangelho que leva o seu nome.

As mulheres que contemplaram, de longe, a crucificação do Salvador (Mt 27.55-60), agora olham o túmulo de Jesus de perto (Mt 27.61). Elas retornam ao sepulcro no alvorecer do domingo. Pela fé aquelas mulheres se tornaram as primeiras testemunhas da ressurreição. Que privilégio!

3. O túmulo é aberto de forma sobrenatural (v.2).
Quando as mulheres chegaram no domingo pela manhã ao sepulcro ele estava vazio; a pedra havia sido removida da entrada e o selo romano, que havia sido posto sobre o túmulo, fora quebrado. Tanto os judeus como os romanos admitem este fato.

Mateus menciona que enquanto as mulheres caminhavam rumo ao sepulcro, houve um “grande terremoto” que removeu a pedra que lacrava a entrada. Terremoto é um fenômeno natural e que acontece em alguns lugares. Entretanto, para Mateus, o terremoto não foi um fato isolado e casual; ele afirma que o tremor de terra foi consequência da descida de um anjo.

Ponto Importante
Todos os Evangelhos destacam a atuação das mulheres durante a crucificação, a morte, o sepultamento e a ressurreição de Jesus.


II - EVIDÊNCIAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS (Mt 28.9-15)

1. A ressurreição de Jesus ao terceiro dia.
Algumas pessoas questionam a veracidade do relato da ressurreição, afirmando ser contradizente ela ter ocorrido no terceiro dia. Jesus foi crucificado, morto e sepultado rapidamente na sexta-feira, antes do pôr do sol. O pôr do sol é o começo do dia seguinte para os judeus e a ressurreição ocorreu no domingo, antes do nascer do sol. Portanto, Jesus morreu na sexta-feira e passou a noite e o início do segundo dia, o sábado, no túmulo. Então, quando chega o pôr do sol do sábado, que já é o início do terceiro dia, e antes do sol nascer no domingo, Ele ressuscita. Portanto, considerando a forma de contar os dias e noites dos judeus, não há contradição quando afirmamos que Jesus ressuscitou no terceiro dia.

2. A aparição de Jesus para as mulheres.
O anjo do Senhor diz às mulheres que Jesus havia ressuscitado. Ele também pede que elas anunciem este fato aos discípulos, pois o Mestre iria encontrá-los na Galileia (vv. 6,7). Mas Jesus as surpreende enquanto elas caminhavam para cumprir as ordens recebidas. Ele vai ao encontro delas e as saúda. Elas imediatamente caem aos pés dEle e o adoram. Mateus destaca o fato de as mulheres abraçarem os pés de Jesus. O Mestre repete a ordem dada pelo anjo e as encoraja a não temerem. O fato de as mulheres serem as primeiras a testemunhar a ressurreição de Jesus, também é uma evidência favorável à ressurreição.

3. A trama para esconder o fato da ressurreição (vv. 11-15).
Enquanto as mulheres vão até os discípulos para dar as boas-novas, os soldados que guardavam o sepulcro vão até os príncipes dos sacerdotes contar o que havia ocorrido. Então, eles se reuniram com os anciãos para tomar uma decisão a respeito do assunto. A deliberação do conselho foi mentirosa e desonesta: pagar propina aos soldados para que eles mentissem a respeito da ressurreição de Jesus.

O fato de soldados romanos terem sido enviados para guardar o túmulo, deu mais credibilidade à ressurreição de Jesus. Quem poderia retirar o corpo de um túmulo que estava lacrado e guardado por um destacamento de Roma? Os chefes dos sacerdotes e os fariseus que haviam feito o pedido a Pilatos para guardar o túmulo de Jesus, sem querer, acabaram por colaborar com a comprovação da sua ressurreição.

Ponto Importante
O fato das mulheres serem as primeiras testemunhas e a trama dos judeus para esconder a ressurreição são fortes evidências da ressurreição de Jesus.

III - EVIDÊNCIAS HISTÓRICAS DA RESSURREIÇÃO DE JESUS

1. A Igreja de Cristo, um fenômeno histórico.
Como os sacerdotes e demais líderes religiosos judaicos não podiam apresentar o corpo de Jesus, restou-lhes ameaçar os discípulos de morte se anunciassem a ressurreição. Mas, os discípulos não se intimidaram. Eles pregaram, com convicção, o Cristo ressurreto, mesmo correndo o risco de serem mortos. Milhares de pessoas se converteram ao ouvirem as pregações deles (At 2.41).

Os discípulos arriscariam suas vidas por mentiras? Como tantas pessoas, contemporâneas de Jesus e moradoras de Jerusalém, poderiam se converter se não houvesse evidências da ressurreição? Sem mencionar o risco de morte que estas pessoas que se convertiam também estariam correndo. A Igreja também é um fenômeno histórico que evidencia a ressurreição de Jesus. Interessante é o fato de que ela teve o seu início na cidade onde Jesus foi crucificado, morto e sepultado.

2. O domingo, um fenômeno sociológico.
O livro de Atos dos Apóstolos registra que os primeiros cristãos passaram a se reunir para adorar ao Senhor no primeiro dia da semana (dia da ressurreição). Mudar o dia de adoração de sábado para o domingo foi uma decisão radical, considerando que os judeus guardavam o sábado e que a Igreja Primitiva, na sua grande maioria, era formada por eles.

Os judeus, mesmo os convertidos ao cristianismo, tinham receio de quebrar a guarda do sábado, pois temiam desagradar a Deus e serem amaldiçoados. Somente algo divino, como a ressurreição de Jesus, seria capaz de fazer com que eles deixassem uma vida inteira de tradições e treinamento religioso.

3. A transformação de vidas, um fenômeno divino.
Declarar a fé em Cristo como Senhor e na sua ressurreição era o mesmo que assinar uma sentença de morte. Por isso, somente alguém que tivesse experimentado uma conversão genuína e uma transformação interior profunda, teria coragem de se declarar cristão. Os crentes do primeiro século foram muito perseguidos e tiveram que enfrentar toda a sorte de males: a morte por apedrejamento (At 6.8-15) ou crucificação, prisões, ser lançados aos leões para entretenimento dos romanos, etc. Mesmo assim, não negavam a fé e não deixavam de testemunhar o Cristo ressurreto.

4. As duas ordenanças de Cristo para a Igreja.
O batismo e a Santa Ceia são as duas ordenanças do Mestre para a sua Igreja. A imersão nas águas representa a morte do crente para o pecado, enquanto a saída das águas simboliza a ressurreição (o ressurgimento de uma nova vida). O batismo é uma ordenança de Jesus que passou a ser obedecida pela Igreja, com base na ressurreição histórica do próprio Salvador.

Outra ordenança de Cristo para a Igreja é a Santa Ceia. Esta ordenança possui dois elementos que são símbolos da morte e do derramamento de sangue de Cristo pelos pecados da humanidade. Quando participamos da Santa Ceia estamos reconhecendo publicamente que Cristo morreu por nós, mas que ao terceiro dia Ele ressuscitou em um corpo glorificado e que em breve voltará. A Santa Ceia também é uma das evidências circunstanciais da ressurreição de Cristo.

Ponto Importante
No primeiro século, confessar a fé em Jesus era enfrentar perseguição, sofrimento e dor.


CONCLUSÃO
Nesta lição, aprendemos que o testemunho das mulheres e a trama dos líderes judeus ao subornar os soldados para dizerem que os discípulos roubaram o corpo de Jesus durante a noite são evidências do relato da ressurreição de Jesus.


SUBSÍDIO
“Na Bíblia, a palavra cumprir é normalmente usada como referência a profecia. Aqui Jesus usa a palavra cumprir para falar sobre a Lei. Ele esclarece que nenhuma Lei morrerá até que tudo se cumpra, e no caso de algumas das categorias das leis judias, o seu ministério trouxe claramente o cumprimento de leis específicas. Por exemplo, Ele cumpriu as leis sobre o sacrifício pelos pecados. A partir da sua morte na cruz, o Senhor Jesus serviu como o sacrifício definitivo pelos pecados da humanidade. Já não há mais a necessidade de trazer touros, cabritos, ovelhas e pombos à igreja para que sejam sacrificados pelos pecados (GUTHRIE, Geroge H. Lendo a Bíblia para Vida: Seu guia para entender e viver a Palavra de Deus. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2014, p.172).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves


Leia também:
Aqui eu Aprendi!

segunda-feira, 12 de março de 2018

Esdras: A História do Retorno dos Judeus à Terra Prometida

"Quando, pois, os edificadores lançaram os alicerces do templo do Senhor, então apresentaram-se os sacerdotes, já vestidos e com trombetas, e os levitas, filhos de Asafe, com címbalos, para louvarem ao Senhor conforme à instituição de Davi, rei de Israel.
E cantavam juntos por grupo, louvando e rendendo graças ao Senhor, dizendo: porque é bom; porque a sua benignidade dura para sempre sobre Israel. E todo o povo jubilou com altas vozes, quando louvaram ao Senhor, pela fundação da casa do Senhor.

Porém muitos dos sacerdotes, e levitas e chefes dos pais, já idosos, que viram a primeira casa, choraram em altas vozes quando à sua vista foram lançados os fundamentos desta casa; mas muitos levantaram as vozes com júbilo e com alegria.

De maneira que não discernia o povo as vozes do júbilo de alegria das vozes do choro do povo; porque o povo jubilava com tão altas vozes, que o som se ouvia de muito longe." Esdras 3:10-13

Esdras começa onde 2 Crônicas parou, com o decreto de Ciro permitindo que os judeus voltassem a Jerusalém. A história relatada neste livro abrange oito décadas, encerrando um pouco mais de 450 anos antes do nascimento de Jesus.

Para entender o livro de Esdras, é preciso um entendimento do contexto histórico.

Os assírios espalharam os hebreus de Israel (o reino do norte) quando destruíram sua capital, Samaria, em 721 a.C. Pouco mais de 100 anos depois, o império da Assíria caiu à Babilônia, e os territórios dominados pelos assírios passaram ao controle dos babilônios. Logo em seguida, a Babilônia começou a atacar Judá (o reino do sul). Levaram judeus de Judá cativos em três etapas:
(1) 605 a.C. – Daniel foi entre os jovens nobres levados à terra dos babilônios;

(2) 597 a.C. – Ezequiel foi levado com este grupo;

(3) 586 a.C. – Neste ano, a cidade de Jerusalém foi destruída junto com o templo dos judeus, muitos dos judeus foram mortos e outros foram levados ao cativeiro na Babilônia. Alguns dos pobres foram deixados na terra, e ao profeta Jeremias foi dado a escolha de ir para a Babilônia ou ficar em Jerusalém. Ele optou por ficar com os pobres em Jerusalém.

A Babilônia, por sua vez, caiu aos medo-persas, conduzidos por Ciro, em 539 a.C. Eles adotaram uma política diferente dos seus antecessores, permitindo que os povos dominados voltassem às suas terras. Especificamente, os judeus receberam autorização e apoio dos medo-persas para voltar para Jerusalém. O livro de Esdras começa com este fato importante.

Este livro pode ser dividido em duas partes principais:

Capítulos 1 a 6 relatam a história da primeira volta a Jerusalém, quando aproximadamente 50.000 pessoas voltaram sob a liderança de Zorobabel. Este retorno aconteceu logo depois de Ciro autorizar a repatriação dos cativos. Os livros de Ageu, Zacarias e Neemias acrescentam informações úteis no estudo deste período. O propósito principal deste primeiro grupo foi a construção do templo. Os planos foram frustrados, porém, e o trabalho demorou muito mais do que esperavam. Esdras trata destas dificuldades da perspectiva política, falando sobre a interferência dos inimigos dos judeus, enquanto Ageu e Zacarias abordam o mesmo problema do lado espiritual, incentivando os próprios judeus a serem mais fieis ao Senhor para completar esta obra. A construção básica do templo foi terminada por volta de 518, uns 20 anos depois da volta de Zorobabel.

Capítulos 7 a 10 falam do trabalho de Esdras, um sacerdote e escriba altamente capacitado para ensinar a Lei de Deus ao povo. Em 458 a.C., Esdras e um grupo de mais de 1.700 pessoas voltaram a Jerusalém. Seus propósitos foram principalmente dois:
(1) Levar materiais preciosos para uso no acabamento do templo, e
(2) Ensinar o povo para que fosse fiel ao Senhor.

Há muitas lições valiosas deste livro, entre elas:

1) Deus é fiel. Ele prometeu consequências graves como guerra e cativeiro se o povo fosse rebelde (Deuteronômio 28:25,32,36,40,49,64-66). Por outro lado, ele prometeu trazer de volta à sua terra o povo arrependido (Deuteronômio 30:1-5). Esdras mostra a fidelidade de Deus em cumprir sua palavra.

2) A obediência, mesmo quando for difícil, é fundamental à comunhão entre o homem e Deus. O ensinamento e a aplicação da Lei na vida dos israelitas foram de suma importância no trabalho de Esdras. A obediência exigia sacrifícios difíceis, até a separação de casamentos condenados por Deus, pois Esdras viu a palavra de Deus como autoridade absoluta na vida do seu povo.

Esdras traz uma mensagem da misericórdia de Deus para com aqueles que voltam para ele!


por Dennis Allan
Aqui eu Aprendi!

sábado, 10 de março de 2018

Dádiva, Privilégios e Responsabilidades na Nova Aliança

"Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa." Hb 10.22

Prezado (a) professor (a), nesta lição veremos os inúmeros privilégios que a Nova Aliança oferece a todos aqueles que creem no sacrifício de Jesus e buscam se achegar a Deus. Mediante a fé em Jesus fomos justificados e regenerados e hoje temos livre acesso a presença do Pai. Com certeza, este é o maior benefício que nos foi concedido pelo Senhor. Todos os benefícios da Nova Aliança só se tornaram possíveis mediante a obra expiatória de Jesus Cristo, pois na Antiga Aliança somente o sumo sacerdote podia entrar no Santo dos Santos uma vez no ano no Dia da Expiação. Hoje por meio do sacrifício perfeito e eterno de Cristo temos livre acesso à presença de Deus. Este é um grande privilégio que conduz a uma grande responsabilidade. Como crentes jamais devemos negligenciar a Nova Aliança menosprezando a graça de Deus.

Leitura Bíblica - Hebreus 10.1- 7, 22 - 25

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
• Texto Bíblico: Hebreus 10.1-7,22-25

2. l. A Dádiva da Nova Aliança
• 1. Uma única oferta.
• 2. Um único ofertante.
• 3. Uma única vez.

3. II. Os Privilégios da Nova Aliança
• 1. Regeneração.
• 2. Adoração.
• 3. Comunhão.

4. III. As Responsabilidades da Nova Aliança
• 1. Vigilância.
• 2. Confiança.
• 3. Perseverança.

5. Conclusão

Na aula desta semana é importante conhecer o conceito de Expiação, que significa "reparação de culpas". O termo é usado para se referirão cancelamento do pecado humano com base na justiça de Cristo propiciada ao pecador que passou pela experiência de novo nascimento. A bênção da Expiação proporciona o cancelamento de todo pecado.

O conceito de Expiação é importante para compreender o ponto central do capítulo 10. Este capítulo marca o fim de um sólido discurso que teve início em Hebreus 4.17. Por isso, reproduzimos a explicação do teólogo pentecostal J. Wesley Adam acerca da mediação e perfeito sacrifício de Cristo:

• "'A lei' de Moisés (10.1) com seu sistema sacrificai era severamente limitada porque (1) era somente 'a sombra' (skia) e 'não a imagem exata' da realidade (eikon) e (2) não podia 'aperfeiçoar' aqueles que desejavam aproximar-se de Deus como adoradores".

• "A lei serviu, no passado, como 'uma testemunha de uma realidade futura' quando prefigurou 'os bens futuros' (10.1). Estes 'bens' (que sob a perspectiva do Antigo Testamento estavam no futuro) vieram agora (9.11) no ministério do sumo sacerdotal e na morte sacrificai de Cristo".

• "Uma evidência da insuficiência e da imperfeição dos sacrifícios do Antigo Testamento era que aqueles tinham de ser 'continuamente oferecidos a cada ano' [a expiação de Cristo foi única e suficiente]".

A Nova Aliança é uma dádiva divina que traz grandes responsabilidades.


Comentário de Hebreus 10.1-39

Neste capítulo, o autor continua sua exposição para consolidar o  que iniciara nos capítulos anteriores acerca da superioridade do sacerdócio de Cristo em relação ao levítico. Essa argumentação estende-se até 10.18. Neste capítulo, há muitos pontos que atuam como uma espécie de recapitulação do que fora dito anteriormente. Há, todavia, a presença de elementos novos quando o autor introduz no texto o Salmo 40 e faz uma nova aplicação da profecia de Jeremias 31.

"Porque, tendo a lei a sombra dos bens futuros e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam" (v. 1).
O autor começa esse versículo com uma declaração que deve ter provocado espanto em seus leitores — a Lei é uma sombra da realidade, e não a própria realidade. A palavra grega skian mostra que a Lei é uma sombra ou projeção de um objeto que é a realidade. Em contraste com a sombra, o autor coloca a imagem, do grego eikôn, que é o próprio objeto que projeta a sombra que a Lei representa. A referência, aqui, é ao sacerdócio de Cristo como a realidade da qual a Lei era apenas uma sombra.

“Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado" (v. 2).
Se, de fato, o sistema levítico fosse eficaz, não haveria necessidade da repetição contínua de ofertas e sacrifícios. Ele, porém, demonstrava-se ineficaz porque não conseguia penetrar dentro do homem, permanecendo apenas uma limpeza ritual.

“Nesses sacrifícios, porém, cada ano, se faz comemoração dos pecados” (v. 3).
É exatamente isso o que o autor diz que acontecia anualmente no ritual da expiação. Os pecados eram relembrados ou trazidos à mente outra vez em uma espécie de rememoração. Aqui, o termo "comemoração” (ARC) não consegue expressar o sentido do original, anamnesis, que é o de "recordação” e “lembrança”, como traduz a Almeida Revista e Atualizada.

“Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados" (v. 4).
F. F. Bruce, comentando in loco esse versículo, diz:

"A contaminação moral não pode ser removida por meios materiais. O valor espiritual que o ritual sacrificial podia ter tido residida no fato que era uma prefiguração material ou uma lição objetiva de uma realidade moral e espiritual”.1

“Pelo que, entrando no mundo, diz: Sacrifício e oferta não quiseste, mas corpo me preparaste"(v. 5).
Aqui, o autor cita o Salmo 40.68 e segue a Septuaginta para referir-se à pré-existência de Cristo. Deus não estava satisfeito com o culto apenas formalista na Antiga Aliança e, por isso, mostra aqui a necessidade de um sacrifício superior em tudo. Cristo daria seu corpo em sacrifício a Deus. Artur Weiser observa que

"A rejeição radical de todo o culto sacrificial explica-se, como no caso dos profetas, pela supracitada percepção da falsa atitude fundamental em relação a Deus, que encontra sua expressão no culto sacrificial e, pela sua origem e natureza, nasceu de outra área cultual. O homem não pode, por seus sacrifícios, situar-se no mesmo plano de Deus, nem ‘colocar em ordem’, pelos próprios esforços, o seu relacionamento com Deus’’.2

“Holocaustos e oblações pelo pecado não te agradaram" (v. 6).
As palavras olokautôma ("holocausto", "oferta queimada”) e peri hamartias ("oferta pelo pecado”) são uma referência ao cerimonial levítico.

“Então, disse: Eis aqui venho (no princípio do livro está escrito de mim), para fazer, ó Deus, a tua vontade" (v. 7).
No contexto do Salmo 40, o poeta anseia por uma vida piedosa e autêntica. Inspirado pelo Espírito Santo, o autor de Hebreus vê nas palavras do salmista uma referência clara à pessoa de Cristo. É dEle que as Escrituras fazem referência como aquEle que havia de vir.

"Como acima diz: Sacrifício, e oferta, e holocaustos, e oblações pelo pecado não quiseste, nem te agradaram (os quais se oferecem segundo a lei) (v. 8).
Mesmo sabendo que o sistema sacrificial levítico fora instituído por Deus, uma exigência da Lei, o autor mostra que tal sistema não era a instância final. Se o antigo sistema tinha caráter transitório, isso significa que Deus havia providenciado algo muito melhor — o sacrifício de Cristo.

"Então, disse: Eis aqui venho, para fazer, ó Deus, a tua vontade. Tira o primeiro, para estabelecer o segundo" (v. 9).
O expositor Fritz Laubach comenta com maestria esse texto:

"A trajetória do Messias a que se alude profeticamente na palavra do Sl 40.7-9, a saber, que o Cristo haveria de entregar a Deus o seu próprio corpo como oferenda para sacrifício, levou Jesus Cristo, de acordo com a vontade de Deus, à cruz. Dessa maneira, a revelação da vontade de Deus no AT, ‘o obedecer é melhor do que o sacrificar’ (1 Sm 15.22), obteve sua potenciação e último aprofundamento. Cristo foi ‘obediente até à morte’ (Fp 2.8) e entregou-se a si próprio como sacrifício. Nessa obediência extrema de Jesus à vontade de seu Pai, explica-se também o mistério de sua autoridade na oração. Somente porque Jesus cumpriu integralmente a vontade de Deus, ele também possui agora plenos poderes ilimitados, a fim de, como nosso eterno Sumo Sacerdote, intervir perante Deus em nosso favor, pela intercessão, sem cessar”.3

"Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (v. 10).
Um dos aspectos da vida de Cristo que o autor de Hebreus põe em relevo é o da sua obediência, como Filho, à vontade de Deus. Esse texto faz eco com Filipenses, onde Paulo diz que a obediência de Cristo levou-o à morte e morte de cruz (Fp 2.6-8). Essa obediência levou-o a sacrificar-se pelo pecador. A palavra grega prosphora, traduzida aqui como oblação, tem o sentido de oferta. Foi por meio da oferta ou sacrifício de Cristo que nós fomos santificados. A palavra egiasmenoi é um particípio perfeito no texto grego, que mostra essa santificação como sendo posicionai. Esse fato é demonstrado pelo uso da palavra ephapaks, que tem o sentido de de uma vez por todas. Em palavras mais simples, Cristo santificou-nos quando cremos nEle e continua santificando-nos ainda hoje quando permanecemos nEle.

“E assim todo sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar pecados" (v. 11).
Donald Guthrie comenta esse versículo, pondo em destaque que

"A continuidade interminável dos sacrifícios inadequados segundo a velha ordem está em contraste marcante com a nova ordem. Os aspectos principais de interesse no presente versículo são: (i) a posição dos sacerdotes (todo sacerdote se apresenta — lit. "fica de pé”), (ii) a continuidade dos sacrifícios (a oferecer muitas vezes) e (iii) sua ineficácia de realizar o seu propósito (i.e, para remover pecados). O primeiro aspecto tem contraste marcante no versículo seguinte com a posição de Cristo: assentou-se. Estes sacerdotes nunca poderiam sentar-se porque sua obra nunca era completa. Em segundo lugar, muitas vezes (pollakis) está em direto contraste com uma vez por todas (ephapax). E em terceiro lugar, a incapacidade das antigas ofertas removerem os pecados é contrastada no v. 12 com a única oferta de Cristo pelos pecados. Mais uma vez, a fraqueza da velha ordem fica sendo o pano de fundo para a demonstração da maior glória da nova”.4

“Mas este, havendo oferecido um único sacrifício pelos pecados, está assentado para sempre à destra de Deus" (v. 12).
O antigo sistema sacerdotal levítico chegara ao fim quando Cristo, de uma vez por todas e como Sumo Sacerdote da Nova Aliança, fez a purificação dos pecados.

“Daqui em diante esperando até que os seus inimigos sejam postos por escabelo de seus pés” (v. 13).
O autor volta novamente a citar o Salmo 110.1 para pôr em destaque a obra de Jesus Cristo. F. F. Bruce vê aqui uma advertência do autor a seus leitores para não serem contados entre os inimigos de Cristo, mas, sim, entre aqueles que são seus amigos.5  É possível ver aqui também uma citação de cunho escatológico quando Cristo, na consumação final, porá todos os seus inimigos debaixo de seus pés (1 Co 15.24-28).

“Porque, com uma só oblação, aperfeiçoou para sempre os que são santificados" (v. 14).
Mais uma vez, o autor volta a falar do aspecto definitivo da obra de Cristo e, dessa vez, ele usa o tempo perfeito do verbo teleioô para destacar a natureza desse sacrifício. Cristo completou a obra da salvação no passado, mas seus efeitos sobre os crentes continuam no presente. Fomos santificados nEle e continuamos em processo de santificação diária, também nEle.

“E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque, depois de haver dito" (v. 15).
O autor fará uma citação do profeta Jeremias no versículo 16, mas, antes, ele põe em realce que a profecia foi dada por inspiração do Espírito Santo. Com essa observação, o autor consolida sua argumentação de que ele não está falando nada fora da autoridade divina. O que ele argumentou tem o selo do Espírito Santo.

"Este é o concerto que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: Porei as minhas leis em seu coração e as escreverei em seus entendimentos, acrescenta’’ (v. 16).
Como já havia feito anteriormente (Hb 8.8-12), o autor volta a citar a profecia de Jeremias (Jr 31.31-34). É posto em destaque o contraste interno da Nova Aliança com o externo da Antiga.

“E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniquidades” (v. 17).
Na Antiga Aliança, o antigo sistema de sacrifícios jamais podia tratar de forma definitiva com o pecado. Sempre havia lembrança deles, o que era feito anualmente no dia da expiação. Todavia, na Nova Aliança, o sangue de Cristo tratou de forma definitiva com o problema do pecado, de modo que não há mais necessidade da repetição contínua dos sacrifícios.

“Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado’’ (v. 18).
Aqui, o argumento do autor é conclusivo: Cristo tratou do problema do pecado de forma definitiva. Não havia mais necessidade de a sombra representar a realidade porque a realidade havia chegado. O sistema sacerdotal levítico tomara-se obsoleto e chegara a seu fim. A obra de Cristo foi perfeita e conclusiva. Nesse versículo, o autor encerra a longa discussão que havia começado sobre o sacerdócio de Cristo. Agora, ele partirá para as implicações práticas que essa doutrina conduz.

“Tendo, pois, irmãos, ousadia para entrar no Santuário, pelo sangue de Jesus” (v. 19).
Aqui, o autor tem em mente o santuário interior, o Santo dos Santos, que não era permitido entrada ao povo e nem mesmo aos sacerdotes, mas somente ao sumo sacerdote, de ano em ano, para fazer expiação. O autor mostra que, agora, todos os crentes têm acesso ao Santo dos Santos pelo sacrifício de Jesus. Essa entrada deve ser feita com ousadia e confiança nEle.

“Pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou, pelo véu, isto é, pela sua carne” (v. 20).
Jesus Cristo inaugurou um novo caminho para a presença de Deus. Não mais o antigo caminho, já trilhado pelos sumos sacerdotes judeus, mas um novo e vivo caminho. Esse caminho anteriormente desconhecido está agora disponível a todos aqueles que foram chamados. A expressão kata-petasma, traduzida aqui como “véu”, corresponde à segunda cortina, a que separava o santo lugar do Santo dos Santos. É essa cortina que foi rasgada quando Cristo deu o brado na cruz do Calvário (Mt 27.51). Estava aberto, portanto, o acesso à presença de Deus. Os intérpretes entendem que a expressão “pela sua carne” é uma referência à vida humana de Jesus quando Ele apresentou-se a Deus.

“E tendo um grande sacerdote sobre a casa de Deus" (v. 21).
Aqui, a referência ao "grande sacerdote” remete ao texto de Levítico 21.10, onde está em vista o sumo sacerdote. Ele era o grande sacerdote. No entanto, aqui o autor mostra que, no santuário celeste, no qual os crentes agora têm acesso pelo sacrifício de Cristo, Jesus é esse “grande sacerdote” sobre a família de Deus.

“Cheguemo-nos com verdadeiro coração, em inteira certeza de fé; tendo o coração purificado da má consciência e o corpo lavado com água limpa" (v. 22).
O autor tem sempre em mente a purificação interior que o sangue de Jesus proporciona. A referência ao corpo lavado com água limpa pode ser uma alusão a Lv 16.4, onde o texto mostra que, no dia da expiação, o sacerdote “lavava seu corpo com água". Nesse sentido, o autor estaria dizendo que o cristão já está limpo diante de Deus pelo sacrifício de Cristo. Por outro lado, alguns intérpretes acreditam que a referência aqui é ao batismo cristão (1 Pe 3.21).6  De qualquer forma, o que está em destaque aqui é que o crente está interiormente limpo para entrar na presença de Deus.

“Retenhamos firmes a confissão da nossa esperança, porque fiel é o que prometeu" (v. 23).
Aqui, os crentes são exortados a manter firme a confissão ou profissão de fé que haviam feito. A palavra “confissão”, do grego homologia, aparece outras duas vezes nesta carta (Hb 3.1; 4.14). Em 2 Coríntios 9.13, é traduzida como sendo a obediência ao evangelho que os crentes haviam professado. Da mesma forma, em 1 Timóteo 6.12,13, é usada primeiramente em relação a Timóteo, que havia feito a boa confissão diante de várias testemunhas e de Jesus Cristo, que, diante de Pôncio Pilatos, fez a boa confissão.

“E consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras" (v. 24).
Na caminhada da vida cristã, o autor lembra que os cristãos precisam considerar uns aos outros. Esse "considerar” é tido como uma ponderação ou meditação. É algo no qual se deve pensar. O tempo presente significa que essa deve ser uma prática, um hábito, e não algo esporádico. No que, portanto, devemos considerar quando o assunto for as relações interpessoais? Devemos "estimular” uns aos outros na prática do amor e das boas obras. A palavra "estimular” no texto grego tem o sentido de “incitar”, “provocar”. Quantos cristãos desanimam por falta de estímulos!

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns; antes, admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que se vai aproximando aquele Dia” (v. 25).
A palavra grega episynagogé, traduzida como “congregação”, é a junção da preposição grega epi (sobre, em adição) com a palavra synagogé (Sinagoga). No contexto do Novo Testamento, essa palavra ocorre aqui e em 2 Tessalonicenses 2.1 com o sentido de reunião. O abandono da congregação e o consequente afastamento dos demais irmãos de fé é um sinal de enfraquecimento espiritual. O autor exorta seus leitores porque observou que alguns já estavam com esse mau costume, e isso era extremamente nocivo à comunhão cristã. É um alerta que ecoa forte nestes dias onde aumenta assustadoramente o número de desigrejados.

“Porque, se pecarmos voluntariamente, depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta mais sacrifício pelos pecados” (v. 26).
Nesse versículo, o autor novamente volta à sua exortação sobre o perigo da apostasia sobre a qual ele já advertira nos capítulos 2, 3 e 6. Donald Hegner destaca que “as palavras se voluntariamente continuarmos no pecado não se referem a pecados comuns, mas ao pecado mais grave, o pecado final: apostasia (...) Esse é o pecado que, pela sua natureza, coloca o ofensor fora do alcance do perdão de Deus e, portanto, é pecado do qual não se encontra retorno".7  Aqui, como fizera em Hb 6.4-6, o autor mostra tratar-se de cristãos verdadeiros, pois somente cristãos salvos "receberam o conhecimento da verdade”. Se o cristão verdadeiro não pode abandonar a fé, essas palavras não passariam de uma advertência vazia, totalmente destituída de sentido.8  John Wesley acreditava que, nessa passagem, o autor estaria se referindo não a um pecado qualquer, mas à apostasia, e ele aplicou isso a cristãos. Wesley entendia que o texto estava se referindo a “qualquer um de nós cristãos" que pecamos contra Deus por uma apostasia total e voluntaria. Segundo ele, isso acontecia depois de havermos “recebido o conhecimento experimental da verdade do Evangelho", e, nesse caso, “não resta mais sacrifício pelos pecados”.9

"Mas uma certa expectação horrível de juízo e ardor de fogo, que há de devorar os adversários" (v. 27).
Para o apóstata, que voltou atrás, não resta mais nada a fazer, apenas esperar o juízo (Is 26.11).

"Quebrantando alguém a lei de Moisés, morre sem misericórdia, só pela palavra de duas ou três testemunhas” (v. 28).
O autor tem em mente as testemunhas descritas em Deuteronômio 17.6,7 e 19.15. Em Deuteronômio 13.6-11 e 17.2-7, estão as referências àqueles que se afastavam de Deus por quebrarem a sua Palavra. O expositor C. S. Keener observa que

“os mestres judeus reconheciam que todo mundo pecava de uma forma ou de outra; mas um pecado com o qual uma pessoa declarava: 'eu rejeito parte da palavra de Deus’, se considerava como equivalente rechaçar toda a Lei e se reconhecia como apostasia’’.10

"De quanto maior castigo cuidais vós será julgado merecedor aquele que pisar o Filho de Deus, e tiver por profano o sangue do testamento, com que foi santificado, e fizer agravo ao Espírito da graça?” (v. 29).
Esse versículo detalha de forma específica o que é o pecado de apostasia. Em primeiro lugar, é um “pisar” no Filho de Deus. O vocábulo katapateô tem o sentido de "pisar”, "pisotear”. É o mesmo termo usado em Mt 5.13 para descrever o sal que foi pisado pelos homens por haver perdido o sabor. Lucas, no terceiro evangelho, usa esse vocábulo para descrever a semente que caiu à beira do caminho e foi pisada (Lc 8.5). Hughes diz que essa palavra indica tratar algo com o maior desprezo. Haubeck traduz como “fazer pouco caso”.11  Semelhantemente, Robertson destaca que se trata de uma “negligência cheia de escárnio, como em Zacarias 12.3. Veja a mesma ideia em Hb 6.6”.12  Em segundo lugar, o apóstata é alguém que "profanou” o sangue da aliança.13  O termo grego usado aqui é koinos, que tem o sentido de “tomar comum” ou "imundo". É a mesma palavra usada por Pedro quando teve a visão dos animais limpos e imundos (koinos) em Atos 10.14. Essa palavra também é usada em Apocalipse 21.27 para afirmar que nada "imundo’ entrará na Nova Jerusalém. O sentido, portanto, é o de alguém que desprezou o sangue de Cristo, não vendo na expiação, como diz Robertson, nada mais do que “uma religião de carnificina’’.14  O comentarista carismático C. S. Keener destaca que o autor tem em mente aqui o sangue de Cristo que santifica os cristãos (Hb 9.19-22) e, por outro lado, a concepção judaica que considerava o corpo de Cristo morto como um cadáver imundo (Dt 21.23).15  Em terceiro lugar, o apóstata é alguém que "ultrajou o Espí­rito da graça”. O verbo grego enybrizo (ultrajou) só ocorre aqui e tem o sentido de “tratar com muito desprezo, insultar arrogantemente".16  Robertson comenta dizendo que “é uma palavra forte para expressar o insulto ao Espírito Santo depois de ter recebido suas bênçãos (Hb 6.4)”.17  De forma semelhante, Adam Clarke comenta:

"O assunto refere-se a um apóstata deliberado — alguém que rejeita completamente a Jesus e seu sacrifício e renuncia a todo o sistema evangélico. Isso nada tem a ver com os desviados no uso comum do nosso termo. Um homem pode cair repentinamente em uma falta ou ainda deliberadamente andar em pecado e, porém, não rejeitar o evangelho nem negar ao Senhor que lhe comprou. Sua situação é temerária e perigosa, mas não sem esperança. O único caso sem esperança é do apóstata deliberado, que rejeita o evangelho, depois de haver sido salvo pela graça ou convencido da verdade do evangelho. Para o tal, já não resta mais sacrifício pelo pecado, porque já houve um, o de Jesus, e ele rejeitou-o por completo’’.18

"Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo’’ (v. 30).
Esse versículo mostra a severidade do juízo divino para as pessoas descritas no versículo 29.

"Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (v. 31).
Aqui, o autor cita Deuteronômio 32.35,36, onde Deus fala de vingar-se contra seu próprio povo.

"Lembrai-vos, porém, dos dias passados, em que, depois de serdes iluminados, suportastes grande combate de aflições” (v. 32).
Esses crentes, que haviam sido iluminados (Hb 6.4-6), são novamente advertidos a fazer um retrospecto das suas vidas na fé. No início de suas caminhadas, eles suportaram lutas e tribulações por amor a Cristo, e esse fato deveria motivá-los a prosseguir.

"Em parte, fostes feitos espetáculo com vitupérios e tribulações e, em parte, fostes participantes com os que assim foram tratados” (v. 33).
Não era possível esquecer a abnegação que demonstraram quando foram submetidos à prova. Eles foram expostos como espetáculo, vituperados e atribulados, mas, mesmo assim, permaneceram fieis. Por que retroceder agora?

“Porque também vos compadecestes dos que estavam nas prisões e com gozo permitistes a espoliação dos vossos bens, sabendo que, em vós mesmos, tendes nos céus uma possessão melhor e permanente” (v. 34).
O autor faz um elogio ao lembrá-los de que, enquanto ele estivera preso, os hebreus demonstraram cuidado com ele. E mais: eles haviam suportado com alegria o espólio de seus bens por acreditarem que possuíam um melhor tesouro no céu. O que estava acontecendo com essa fé que fora ousada?

“Não rejeiteis, pois, a vossa confiança, que tem grande e avultado galardão” (v. 35).
Toda aquela ousadia, fé e confiança demonstradas no início da carreira cristã não deveriam, de forma alguma, ser abandonadas. Elas seriam recompensadas pelo Senhor.

“Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa" (v. 36).
A promessa da Terra Prometida, a Canaã celeste, existe. Ela, porém, só é alcançada por aqueles que estão dispostos a fazer a vontade de Deus, demonstrando ser pacientes. A jornada é longa, e o cansaço e a fadiga podem deixar muitos pelo caminho.

“Porque ainda um poucochinho de tempo, e o que há de vir virá e não tardará” (v. 37).
A expectativa do autor — e também de todo cristão — é que o Senhor retorne logo. O tempo não existe para Deus, pois Ele é o Pai da eternidade; todavia, existe para os homens e, às vezes, devido às circunstâncias desfavoráveis, ele parece demasiadamente longo. Urge aguardar nas promessas de Deus.

“Mas o justo viverá da fé; e, se ele recuar, a minha alma não tem prazer nele” (v. 38).
Nessa passagem, o autor já sinaliza do que irá tratar daqui para frente — a fé. Ele sabe que a fé é o elemento necessário para permanecermos caminhando na estrada da vida. Deus não demonstra prazer nos que recuam.

“Nós, porém, não somos daqueles que se retiram para a perdição, mas daqueles que creem para a conservação da alma" (v. 39).
Como havia feito em Hebreus 6.9, o autor traz uma palavra de ânimo e consolação a seus leitores. O perigo de recuar, de cair da fé, é real, e não uma hipótese; ele, todavia, demonstrou como evitar isso. Os que continuam perseverando com ânimo e fé conservarão as suas almas.


Muitos são os privilégios da Nova Aliança, mas o acesso direto à presença de Deus, graças à mediação de Cristo, constitui o maior deles.


Notas
1 BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio, Grand Rapids, Michigan, EUA.
2 WEISER, Artur. Os Salmos - Grande Comentário Bíblico. Editora Paulus, São Paulo, 1994.
3 LAUBACH, Fritz. Hebreus - comentário bíblico Esperança. Editora Esperança.
4 GUTHRIE, Donald. Hebreus - introdução e comentário. Editora Vida Nova, São Paulo.
5 BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio, Grand Rapids, Michigan, EUA.
6 BRUCE, F. F. op.cit.
7 HEGNER, Donald. Hebreus - Comentário Bíblico Contemporâneo. Editora Vida, São Paulo.
8 O expositor Donald Hegner tem muita dificuldade em conciliar Hebreus 6.4-6 com Hebreus 10.26-29. Respondendo à pergunta se um cristão verdadeiro pode voltar atrás e perder a salvação, ele responde: "sim” e “não”. Ele admite que o texto de Hebreus 6.4-6 trata de cristãos autênticos ("é certo que as pessoas descritas nos versículos 4-5 são cristãs”, pp 109), mas, mesmo assim, transforma esse assunto num “paradoxo". Comentando Hebreus 6.4-6, ele admite que "os cristãos podem apostatar (cf. 2 Pe 2.20-22)”, mas diz que essas pessoas, as quais ele acabou de admitir serem cristãs, se caírem da fé é porque "nunca foram cristãos autênticos". Mas, novamente, ao comentar Hebreus 10.26, ele sugere que o texto refere-se a cristãos autênticos: "que esse pecado envolve o abandono total da fé, sabemo-lo pelas palavras depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade”. Em outras palavras, os cristãos autênticos, isto é, os que receberam o pleno conhecimento da verdade, podem cair da fé, mas, se caírem da fé, nunca foram cristãos autênticos! Não vejo argumento desse tipo como um paradoxo, mas, antes, como uma aporia. Uma contradição. Uma coisa ou "é” ou "não é", não pode ser as duas coisas ao mesmo tempo.
9 WESLEY, Jonh. Hebrews - Explanatory Notes & Commentary. Bristol Hot-Wells, January, 1754.
10 KEENER, C. S. Comentário dei Contexto Cultural de la Biblia. Editora Mundo Hispano.
11 Veja Chave Linguística do Novo Testamento (Vida Nova) e a Nova Chave Linguística do Novo Testamento Grego (Hagnos)
12 ROBERTSON, A. T. Comentário al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
13 A referência, aqui, é claramente aplicada a pessoas crentes, regeneradas e salvas, pois essas pessoas foram santificadas pelo sangue da aliança. Nenhum pecador é santificado pelo sangue de Jesus.
14 Idem.
15 KEENER, C. S. Comentário dei Contexto Cultural de la Biblia. Editora Mundo Hispano.
16ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento. Vida Nova.
17 ROBERTSON, A. T. Comentário Al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
18 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Biblia - Nuevo Testamento, tomo III. Casa Nazarena, Lenexa, EUA.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves

Aqui eu Aprendi!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...