“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” 1Tm 4.1
Muitos confundem “apostasia”
com o desvio de uma pessoa em relação a uma “instituição religiosa”. Não
podemos insistir nesse tipo de dúvida, pois a apostasia está descrita na Bíblia
como um acontecimento sério e pouco comum. Sim, não é comum quem teve um
encontro pessoal com Deus, provando da sua boa Palavra, apostatar-se da fé, mas
é biblicamente possível, também não podemos confundir simples frequentadores de
templos com lavados e remidos no sangue de Jesus.
A palavra “apostasia” vem do
vocábulo do grego antigo apóstasis, que significa “estar longe de”, isto
é, no sentido de “revolta”, “rebelião”, “afastamento doutrinário e religioso”,
“apostasia da verdade”. Por isso, apostasia se refere, ao contrário da crença
popular, uma decisão deliberada, consciente, aberta ou oculta, contra fé
genuína do Evangelho.
Na “esteira” da apostasia
precedem os ensinos falsos, malignos e fantasiosos. São as “doutrinas de
demônio” que o apóstolo Paulo menciona na epístola. Uma das maneiras desses
ensinos manifestarem-se na igreja é os seus propagadores elegerem um tema da
Bíblia como ênfase doutrinária, como se o fiel que não conhecesse aquele
assunto não teria acesso aos “mistérios de Deus”. Assim, no interior do homem
que influência outras pessoas com esses falsos ensinos, nasce a egolatria e
cresce a síndrome de autossuficiência.
O apóstata não se vê apóstata.
Não reconhece nem considera a possibilidade de ele ter-se transformado
deliberadamente num apóstata da fé. Por isso, o elemento fundamental para ele
voltar atrás é quase impossível de ocorrer: o arrependimento. Para os ministros
de Cristo defenderem a Igreja da apostasia, antes de tudo, eles precisam honrar
a fé em Jesus Cristo, a simplicidade do Evangelho, servindo a igreja com amor e
fidelidade. Sendo arautos de Deus para toda boa obra. Os ministros de Deus, os
servidores da Igreja de Cristo, devem estar aptos a ensinar e a contradizer os
falsos ensinadores. Rejeitando as “fábulas profanas”, ensinamentos que em nada
edificam a Igreja de Cristo.
Portanto, aos ministros de
Cristo cabe a diligência na fé, ensinando as Sagradas Escrituras e
apresentando-se como modelos ideais que estimulem os fiéis a viver a fé.
Persistirem na pesquisa, no estudo exaustivo e sistemático das Escrituras
Sagradas. Que o Senhor nosso Deus guarde o seu povo da apostasia!
Que o Senhor guarde o seu
povo! (Revista Ensinador Cristão nº63)
A apostasia e a infidelidade a Deus são características marcantes dos tempos do fim.
Quando Nosso Senhor Jesus Cristo estava com seus
discípulos, em seu ministério terreno, falou-lhes acerca dos últimos tempos, ou
do fim dos tempos, em que uma das características marcantes seria a falsidade,
o engano, a mentira e a mistificação. Em um de seus magníficos sermões, Ele
falou acerca dos que entrariam no seu Reino. E demonstrou que não seria fácil.
Quem quer ser salvo tem que entrar por uma “porta estreita” e palmilhar num
“caminho estreito”, que conduz ã salvação, em contraposição à “porta” larga e o
“espaçoso” caminho “que conduz à perdição” (Mt 7.13,14). Duas portas e dois
caminhos. Dois destinos esperam o homem, no final de sua jornada na terra. E
dependem da escolha de cada um. Seja qual for a escolha, as consequências serão
inescapáveis.
No mesmo discurso,
Jesus advertiu aos que haveriam de escolher a “porta estreita”, a seus
seguidores, os salvos, de que eles seriam perturbados por falsos profetas, que
surgiriam em seu próprio meio, no seio da igreja (Mt 7.15). Reforçou suas
metáforas com o ensino sobre a “árvore boa” que “produz bons frutos” e sobre a
“árvore má”, que “produz frutos maus” (Mt 7.17). Como um verdadeiro Mestre,
Jesus soube manejar bem a palavra da verdade, em relação aos acontecimentos
futuros, que haveriam de ocorrer com profundas repercussões sobre a vida dos
seus discípulos.
Jesus sabia que
sua Igreja sofreria os ataques dos falsos mestres, ou falsos profetas, que
apareceriam, vindos de fora, ou mesmo, surgindo no seio da comunidade cristã.
Por isso advertiu que os falsos cristos e os falsos profetas não seriam apenas
ensinadores, teóricos ou filósofos, em suas elucubrações diletantes. Eles
seriam capazes de realizar sinais e prodígios, para convencerem os que lhes
dessem ouvidos (Mt 24.24).
Naturalmente,
Paulo tinha bastante ciência das advertências de Jesus quanto aos últimos
tempos”. Em sua carta a Timóteo, ele expressou sua preocupação com os falsos
ensinadores, heréticos e astutos, na busca pelo domínio da mente dos que
estavam na igreja em Éfeso.
Era uma antevisão
do que a Igreja está vivendo nos dias presentes. Dias que antecedem a volta de
Cristo. Há obreiros que possuem uma capacidade oratória tão eloquente que
conseguem atrair a atenção e a admiração dos que os ouvem. Quando eles se
mantêm no centro da vontade de Deus, com humildade, e na conduta de servos do
Senhor, são verdadeiras bênçãos para o ensino e a pregação. No entanto, com tal
perfil, alguns têm se desviado dos padrões de santidade e devoção, e se tornam
pregoeiros de ensinos heréticos, que causam grande prejuízo à igreja local, por
serem homens que têm grande prestígio ministerial.
No meio
pentecostal, infelizmente, prevalece uma visão superficial das verdades
bíblicas. A ortodoxia não é a marca das igrejas pentecostais, em sua grande
maioria. As demonstrações de poder, de unção e de alegria alcançam um patamar
tão elevado, e ao mesmo tempo sem fundamento, que os falsos ensinadores
conseguem amplos espaços para espalharem suas heresias. Já é por demais
conhecida a “tal” da teologia da prosperidade”, segundo a qual os crentes em
Jesus não podem ser pobres, nem serem acometidos de enfermidades graves. Se
passarem por essas agruras é porque “não têm fé”, ou “estão em pecado . Mais
que isso, adotam a famosa “confissão positiva”, e passam a determinar’, “decretar”
bênçãos e a “exigir”, reivindicar “seus direitos ! Ensinos com esse teor ou
caráter são muito bem aceitos por grande parte de crentes, em muitas igrejas.
Mas quando tais ensinos são confrontados com a Palavra de Deus, em sua
essência, conclui-se que são doutrinas de homens, ou até de demônios.
A advertência de
Paulo, no texto ora em estudo, é de uma atualidade impressionante. Como
verdadeiro profeta de Deus, além de exímio ensinador, ele captou muito bem a
revelação do Espírito Santo acerca dos “últimos tempos” ou dos “tempos
trabalhosos” (1 Tm 3.1), a que nos referimos no capítulo anterior. Da leitura
do texto em apreço, pode-se inferir que os ensinadores de “doutrinas de
demônio” (4.1) não seriam pessoas estranhas, mas que surgiriam de dentro do
seio da igreja local. Sua capacidade de convencimento haveria de ser tão
eficiente, que, “se possível fora, enganariam até os escolhidos” (Mt 24.24),
como Jesus previu e alertou.
Na atualidade, muitos estão apostatando da fé genuína em Jesus Cristo por falta de ensino das Sagradas Escrituras.
I - A
APOSTASIA DOS HOMENS (4.1-5)
Paulo advertia a
Timóteo, para que o mesmo doutrinasse a igreja em Éfeso, acerca dos últimos
tempos, em que a apostasia se tornaria uma realidade no seio de igrejas cristãs
(1 Tm 4.1).
1.
Conceituação
Apostasia (gr.
apóstasis) significa “desvio”, “afastamento”, “abandono”.1 Tem o sentido também
de “revolta”, “rebelião”, no sentido religioso. Numa definição clara, apostasia
quer dizer “abandono da fé”. No original do Novo Testamento apostasia, vem
do verbo aphistemi, com o sentido de "rejeitar uma posição anterior, aderindo a
posição diferente e contraditória à primeira fé, repelindo-a em favor de nova
crença."2 Nos últimos anos, esse comportamento tem sido mais observado do que em
tempos passados. É impressionante como líderes, outrora ortodoxos, hoje
apregoam ideias opostas àquele ensinamento que defendiam.
2.
Doutrinas de Demônios (4.1)
Existem apostasias
que são fruto da mente fértil de algum teólogo ou teórico, que deseja aparecer,
ensinando “novidades” com pretenso fundamento bíblico. Ou da meninice de algum
irmão ou irmã, que se julga mais espiritual que as outras pessoas. Paulo
referia-se à apostasia que tinha origem diabólica. Mais perigosa do que se
possa imaginar, pois é fruto da influência do Adversário da igreja, que visa
minar suas bases doutrinárias. Disse Paulo, em sua primeira carta a Timóteo:
“Mas o Espírito expressamente diz que, nos últimos tempos, aposta- tarão alguns
da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores e a doutrinas de demônios” (1 Tm
4.1 - grifo nosso).
3.
Espíritos Enganadores
Certamente, Paulo
se referia à influência espiritual dos espíritos maus, que iriam induzir falsos
mestres a se enganarem e a enganarem aos crentes (2Tm 3.13). Ele anteviu que
parte da igreja haveria de apostatar, quando disse que “alguns” abandonariam a
fé. Ele se referia à “apostasia pessoal”. O escritor aos hebreus também exortou
nesse sentido, contra o afastamento da verdade ou da sã doutrina e de Deus:
“Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para
se apartar do Deus vivo” (Hb 3.12). Essa preocupação foi recorrente, pois,
quando Paulo escreveu a segunda missiva a Timóteo, de forma que o mesmo
orientasse a igreja em Éfeso, voltou a exortar com cuidado acerca dos
apóstatas: “Porque virá tempo em que não sofrerão a sã doutrina; mas, tendo
comichão nos ouvidos, amontoarão para si doutores conforme as suas próprias
concupiscências; e desviarão os ouvidos da verdade, voltando às fábulas” (2Tm
4.3,4).
A ação dos
“espíritos enganadores” haveria de ser tão eficiente para incautos que dessem
lugar à apostasia que esses não sofreriam (não suportariam) a “sã doutrina”, ou
seja, o corpo doutrinário, pregado pelos apóstolos de Cristo, e passado de
geração a geração, com fundamento nos Evangelhos e nos ensinos dos apóstolos de
Jesus. Sua influência maléfica faria com que os apóstatas tivessem “comichão
nos ouvidos” ao escutarem a Palavra de Deus, em sua simplicidade e ortodoxia.
Os espíritos do desvio doutrinário apoderar-se-iam dos “doutores”, ou falsos
mestres (1Tm 1.7), que usavam sua influência cultural, eclesiástica e
posicionai nas igrejas para desviarem os servos de Deus do foco e do alvo, que
é servir a Deus até chegar à eternidade, como salvos em Cristo Jesus. Na
advertência de Paulo, ele afirma que tal comportamento se manifesta “pela
hipocrisia de homens que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria
consciência” (1 Tm 4.2).
No mesmo trecho de
sua carta, o apóstolo adverte quanto a ensinos místicos que, além de proibirem
o casamento, como instituição de origem divina, oprimem as pessoas, “ordenando
a abstinência dos manjares que Deus criou para os fiéis e para os que conhecem
a verdade, a fim de usarem deles com ações de graças” (1Tm 4.3). Essa é uma
das características dos movimentos heréticos. Apregoam que determinados tipos
de alimentos não devem ser ingeridos, muitas vezes sem qualquer fundamento
científico ou escriturístico. Em relação a alimentos, no Antigo Testamento,
havia uma série de “regras dietéticas” quanto ao que os judeus podiam ou não
podiam comer (cf. Lv 11). Mas o próprio Deus ordenava que comessem carne, para
repor as proteínas desgastadas no processo biológico.
No Novo
Testamento, as restrições quanto a alimentos resumem-se no que os líderes da
igreja decidiram, no Primeiro Concilio, em Jerusalém. Após o parecer de Pedro,
Tiago, o líder da igreja, concluiu, de forma eloquente: “Pelo que julgo que não
se deve perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertem a Deus, mas
escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, da prostituição,
do que é sufocado e do sangue” (At 15.19,20 - grifo nosso). E também exortou a
que os cristãos não ingerissem alimentos que fossem consagrados ou sacrificados
aos ídolos (1 Co 10.27,28). E orientou que, mesmo em se tratando de alimentos
lícitos, os crentes em Jesus deveriam respeitar a fé dos mais fracos espiritualmente,
e absterem-se de comer (na frente deles) coisas que os escandalizassem (cf. Rm
14.1-23). Os hereges, principalmente os gnósticos ascetas, defendiam a
abstinência de alimentos, mas voltavam-se para “entidades”, “emanações e
símbolos da idolatria.
Os gnósticos depravados
procuravam destruir o corpo, por considerá-lo mau, indigno, com a prostituição
e práticas sexuais libertinas. Eram hipócritas e mentirosos. Paulo concluiu que
o cristão pode fazer uso de alimentos, desde que possam ser recebidos “com
ações de graça , visto que, pela palavra”, ou seja, desde que estejam de acordo
com a Palavra de Deus, “pela oração”, “tudo é santificado” (1Tm 4.4,5). Porém,
deve-se ter cuidado e sabedoria na interpretação desse texto. Não quer dizer
que, se alguém faz uso de bebida alcoólica, ou de carne sufocada, ou do sangue,
basta fazer uma oração e tudo é santificado. De forma alguma. Deus não aprova
aquilo que Ele condena. Ele não é “Deus de confusão (1 Co 14.33).
Deus fez o homem,
no princípio, para ser vegetariano (Gn 1.29). Mas, com a Queda, o metabolismo
humano sofreu tremenda mudança, passando a envelhecer, adoecer e morrer. Para
refazer as energias e os tecidos desgastados, tornou-se necessária a ingestão
de alimentos carregados de proteínas, dos quais a carne animal, incluindo os
peixes, são grandes fornecedores. Além disso, o próprio Deus regulamentou, na
Lei, sobre quais tipos de animais se podiam comer (ver Lv 11).
Subsídio Bibliológico
“O Espírito Santo revelou explicitamente que haverá, nos últimos tempos, uma rebeldia organizada contra a fé pessoal em Jesus Cristo.
Muitos crentes se desviarão da fé porque deixarão de amar a verdade (2Ts 2.10) e de resistir às tendências pecaminosas dos últimos dias. Por isso, o evangelho liberal dos ministros e educadores modernistas encontrará pouca resistência em muitas igrejas.
A popularidade dos ensinos antibíblicos vem, sobretudo pela ação de Satanás, conduzindo suas hostes numa posição cerrada à obra de Deus. A segunda vinda de Cristo será precedida de uma maior atividade de satanismo, espiritismos, ocultismos, possessão e engano demoníacos, no mundo e na igreja.
A proteção do crente contra tais enganos e ilusões consiste na lealdade total a Deus e à sua Palavra inspirada, e a conscientização de que os homens de grandes dons e unção espirituais podem enganar-se, e enganar os outros com suas misturas de verdade e falsidade. Essa conscientização deve estar aliada a um desejo sincero do crente praticar a vontade de Deus (Jo 7.17) e de andar na justiça e no temor dEle.
Os crentes fiéis não devem pensar que pelo fato da apostasia predominar dentro do cristianismo nesses últimos dias, não poderá ocorrer reavivamento autêntico, nem que o evangelismo segundo o padrão do NT não será bem-sucedido. Deus prometeu que nos ‘últimos dias’ salvará todos quanto invocarem o seu nome e que se separarem dessa geração perversa, e que Ele derramará sobre eles o seu Espírito Santo” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.1870).
II - A
FIDELIDADE DOS MINISTROS (vv. 6-10)
1. “Bom
Ministro de Jesus Cristo”
Era o que Paulo
esperava de Timóteo, seu jovem discípulo, companheiro de tantas lutas, em
defesa do evangelho de Jesus Cristo. “Propondo estas coisas aos irmãos, serás
bom ministro de Jesus Cristo, criado com as palavras da fé e da boa doutrina
que tens seguido” (1Tm 4.6). A carta de Paulo a Timóteo é pastoral e pessoal,
em princípio. Mas sua finalidade não era apenas edificar o jovem obreiro. Ele
acentua: “propondo estas coisas aos irmãos”, o que indica ser sua carta assunto
que deveria ser comunicado à igreja de Éfeso, aos “queridos irmãos” (Fp 4.1) e,
por extensão e aplicação, a todas as igrejas cristãs.
Cumprindo essa
orientação, Timóteo haveria de ser um “bom ministro de Cristo” (diáconos de
Cristo), ou seja, um líder cristão à altura de sua elevada missão. Para galgar
essa posição, Timóteo teria que atender a dois requisitos importantíssimos: ser
“criado com as palavras da fé” e “da boa doutrina” que ele próprio já seguia.
No original, a metáfora que Paulo usa diz respeito a “ser alimentado com”,
nutrido com a sã doutrina, ou, no dizer de Pedro, com o “leite racional, não
falsificado” (1Pe 2.2).
2.
Rejeitando as Fábulas Profanas
“Mas rejeita as
fábulas profanas e de velhas e exercita-te a ti mesmo em piedade” (4.7). Essa
advertência já houvera sido dada no primeiro capítulo da epístola a Timóteo
(1.4). Como visto, as “fábulas profanas” seriam ensinamentos fantasiosos,
místicos, muito utilizados pelos gnósticos e judaizantes, para impressionar os
crentes. Seriam profanas, porque configurariam ensinos humanos, fundados em
valores materiais, que se opunham aos sagrados ensinos, emanados da Palavra de
Deus, sob inspiração do Espírito Santo. A expressão “de velhas” aludiam a
“conversa de velhas, expressão sarcástica muitas vezes empregada em polêmicas
filosóficas, que compara a oposição de um oponente aos fuxicos perpetrados por
mulheres mais idosas daquelas culturas, quando se assentavam em roda tecendo,
ou fazendo outras tarefas”.3 Em nossa cultura, certamente, equivaleria a
conversas tagarelas de pessoas fofoqueiras.
3. O
Exercício Físico e a Piedade
“Porque o
exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa,
tendo a promessa da vida presente e da que há de vir” (1Tm 4.8). Nós somos
formados de três partes, segundo a Palavra de Deus: “espírito, e alma, e corpo”
(1Ts 5.23). Todas elas precisam de exercício, de atividade, sob pena de
sofrermos atrofia em todas ou em uma delas. Há muitos irmãos, inclusive
obreiros, que vivem de modo sedentário, desenvolvendo doenças circulatórias,
cardíacas ou neurológicas. Isso não é desejável. O corpo não pode ser
desprezado em seus cuidados. Ele é templo do Espírito Santo (1Co 6.19,20).
Mas por que esse
incentivo ao exercício físico se Paulo diz que o exercício corporal para pouco
aproveita”? Observemos que Paulo não está dizendo que o “exercício físico”
(gymnasia)4 “não serve para nada’. O que ele quer dizer, para uma comunidade
que valorizava excessivamente os exercícios e os esportes,5 é que tais
práticas, ainda que saudáveis, só serviam para esta vida.
Paulo tinha uma
mensagem para a igreja de Éfeso, para que os crentes não se deixassem dominar
pelo desejo exacerbado de valorizar o corpo, em detrimento do lado espiritual.
O apóstolo mostrou
a Timóteo que havia algo mais importante que o exercício físico. E ressaltou:
“mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da
que há de vir (4.8b). Ele demonstrou que, enquanto o exercício físico só serve
para o corpo e para esta vida, a piedade (gr. eusebeia) é proveitosa, não só
para a vida presente”, mas para a “que há de vir . Se o corpo, como vimos,
precisa de exercícios para não envelhecer precocemente, ou atrofiar-se, em suas
funções vitais, a alma e o espírito também necessitam de
“exercícios” espirituais, ou seja, de piedade.
Entendamos que
piedade, ou “eusebeia”, significa a vida de santidade do cristão; a vida
devocional, que inclui as orações, a leitura da Palavra de Deus, de modo
sistemático, a adoração a Deus, de forma constante; a maneira de viver e
conviver com as pessoas, zelando pelo bom testemunho cristão, tudo isso é
piedade. Podemos concluir que Paulo resumiu a piedade quando escreveu aos
coríntios, dizendo: “Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes,
sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no
Senhor” (1Co 15.58).
Paulo termina essa
parte da epístola, acentuando que “esta palavra é fiel e digna de toda a
aceitação” (1Tm 4.9). Ele se referia a tudo o que já houvera escrito e
repassado para Timóteo, como sendo “palavra fiel e digna de toda aceitação”,
que ninguém pusesse em dúvida a sinceridade de sua admoestação, visto que não
se tratava de afirmações gratuitas ou de opiniões pessoais. Seu ensino era
embasado na unção e direção do Espírito Santo, em contraposição aos ensinos dos
falsos mestres, que buscavam iludir os crentes com suas falácias e vãs
filosofias (Cl 2.8). E encerra dizendo o porquê de tanta luta, tanto esforço,
no combate às heresias e zelo pela vida dos crentes de Éfeso, ou de todos os
cristãos: “Porque para isto trabalhamos e lutamos, pois esperamos no Deus vivo,
que é o Salvador de todos os homens, principalmente dos fiéis” (1Tm 4.10).
Subsídio Bibliológico
“Líderes eclesiásticos, pastores de igrejas locais e dirigentes administrativos da obra devem lembrar-se de que o Senhor Jesus os têm como responsáveis pelo sangue de todos os que estão sob seus cuidados. Se o dirigente deixar de ensinar e pôr em prática todo o conselho de Deus para a igreja, principalmente quanto à vigilância sobre o rebanho, não estará ‘limpo do sangue de todos’. Deus o terá por culpado do sangue dos que se perderem, por ter deixado de proteger o rebanho contra os falsificadores da Palavra” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.1677).
III - A
DILIGÊNCIA NO MINISTÉRIO (vv. 11-16; cf. 5.4-16)
1. O Ensino
Prescritivo
“Manda estas
coisas e ensina-as” (1Tm 4.11). Era uma determinação de Paulo a Timóteo, para
que ele não fraquejasse na ministração da doutrina à igreja em Éfeso, visto que
as heresias estavam-se espalhando com certa facilidade, por meio dos “homens
que falam mentiras, tendo cauterizada a sua própria consciência” (1Tm 4.2). Os
verbos “mandar” e “ensinar” (gr. didasko) estão no modo imperativo, denotando o
caráter da exortação de Paulo, de modo contínuo e persistente. As “coisas” que
foram ensinadas pelo apóstolo deveriam ser ministradas aos crentes de forma
incisiva, sem condescendência com os falsos mestres e os falsos ensinos, que
tinham origem nos “espíritos enganadores” e nas “doutrinas de demônios”.

Nos tempos
presentes, o ensino tem sido negligenciado por muitos líderes de igrejas. Há
uma supervalorização do louvor, do cântico, dos hinos, dos instrumentos
musicais, em detrimento da pregação e do ensino da Palavra de Deus. Não é por
acaso, que há uma geração fraca, “anêmica” e “raquítica” em relação aos
conhecimentos e à prática da Palavra de Deus. Há muito falatório, muito barulho,
muito grito e dramatização, e pouco ensino fundamentado da doutrina sagrada
(didakê). Já predomina uma cultura, no meio de igrejas evangélicas, de que “um
culto maravilhoso” é aquele em que se apresenta “um cantor de fora”, ou um
“pregador famoso, convidado para os eventos”. Ou um culto, em que haja
manifestações gratuitas de emocionalismo infantil, com o famoso “re-té-té”, ou
exibicionismo carnal, disfarçado de espiritualidade. Por isso, Paulo não
diminuiu a ênfase no ensino. Pelo contrário: disse “manda” e “ensina” as coisas
que foram determinadas em sua carta.
Se Paulo
ressuscitasse hoje, por permissão de Deus, ou se transfigurasse, como Moisés e
Elias, no Monte da Transfiguração, ficaria estupefato, percebendo que o
“evangelho politicamente correto” prevalece em muitas igrejas. Com receio de
ver a evasão de crentes, há obreiros que nem “mandam” nem “ensinam” o que a
Palavra de Deus prescreve de forma clara e imperativa. A doutrina da santidade,
por exemplo, tem sido por demais relegada a segundo plano nas ministrações de
muitos pastores. A Bíblia é incisiva quanto a esse ensino. Não há o que
interpretar o que está claro e evidente, no contexto da doutrina: “mas, como é
santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de
viver” (1Pe 1.15); “segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém
verá o Senhor” (Hb 12.14). Santidade e santificação constituem-se doutrina
prescritiva do evangelho de Cristo. São fundamentais, e baseiam-se em
princípios inegociáveis no âmbito da doutrina cristã. Em muitas igrejas, não se
fala em santidade. Mas fala-se em prosperidade material de modo exaustivo,
manipulativo e insistente, visando extrair do povo o máximo de dinheiro para os
projetos da denominação. Em troca disso, o ensino promete bênçãos sem limites
no campo material. É a tal da Confissão Positiva. E dão inclusive a “fórmula da
fé”, conforme Kenneth Haggin.
Para fazer a
“confissão positiva”, o cristão dever usar as expressões: “exijo”, “decreto”,
“declaro”, “determino”, “reivindico”, em lugar de dizer: peço, rogo, suplico.
Segundo os adeptos dessa teologia modernista, o cristão jamais pode dizer: “se
for da tua vontade”, segundo Benny Hinn, pois isso destrói a fé. Mas Jesus orou
ao Pai, dizendo: “Se é da tua vontade... faça-se a tua vontade...” (Mt
26.39,42).
2. O
Exemplo dos Fiéis
“Ninguém despreze
a tua mocidade; mas sê o exemplo dos fiéis, na palavra, no trato, na caridade,
no espírito, na fé, na pureza” (1Tm 4.12). Timóteo era um jovem obreiro, com
cerca de 30 a 35 anos, e fora enviado para doutrinar uma igreja, onde já havia
anciãos ou presbíteros com mais idade.6 O texto bíblico dá a entender que ele
era um pouco tímido, como se depreende de 1 Coríntios 6.10,11, em que Paulo
pede aos irmãos que recebam Timóteo de forma que o mesmo esteja “sem temor”,
sem nenhum desprezo. A exortação de Paulo deveria chegar aos ouvidos dos
crentes de Éfeso. Por meio da carta a Timóteo, o apóstolo diz que “ninguém”
deveria desprezar (“zombar”, “tratar com desprezo”, “subestimar”) o jovem obreiro.
Certamente, foi uma dura recomendação ao jovem obreiro. Em lugar de ser
exortado a seguir o exemplo dos anciãos, Paulo diz que Timóteo deveria ser
“exemplo dos fiéis”. O texto discrimina seis aspectos em que Timóteo deveria
ser exemplar:
1) ‘‘Na
palavra"
A princípio, o
texto poderia dar a entender que Paulo desejava que Timóteo fosse um exemplo de
exímio pregador ou ensinador da Palavra. Mas o contexto indica que ele, como
mestre de Timóteo, exortava-o a que fosse um exemplo dos fiéis na “maneira de
falar”, de se expressar, no relacionamento com os demais irmãos. Um obreiro,
líder ou não, deve saber expressar-se, jamais usando linguagem vulgar ou chula.
Esse entendimento tem respaldo no que o apóstolo escreveu aos efésios: “Não
saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, mas só a que for boa para promover a
edificação, para que dê graça aos que a ouvem” (Ef 4.29). No mesmo texto, aos
efésios, ele diz: “Toda amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias, e
toda malícia seja tirada de entre vós” (Ef 4.31). De fato, um ministro do
evangelho não pode ter linguagem inadequada, debochada, “sem classe”, sem pudor
ou demagógica. Devemos lembrar que o adjetivo “torpe” a que Paulo recomenda
evitar significa “podre” (gr. sapros). Assim, piadas e palavras inconvenientes
não devem fazer parte do vocabulário de um obreiro cristão.
2) “No
trato”
A expressão
refere-se ao comportamento cristão. Não só Timóteo, mas todo jovem ou cristão
de qualquer idade deve ser “exemplo dos fiéis” no relacionamento humano e
espiritual. E não vemos outra maior fórmula, ou mesmo fórmula para o bom
relacionamento cristão, do que as virtudes ou aspectos do “fruto do Espírito”,
de que falou Paulo em Gálatas 5.22,23. O relacionamento cristão (o trato) deve
expressar a ética cristã. Jesus disse: “Portanto, tudo o que vós quereis que os
homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas (Mt
7.12). Os carnais andam segundo a natureza carnal, herdada de Adão: “Porquanto
a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de
Deus, nem, em verdade, o pode ser. Portanto, os que estão na carne não podem
agradar a Deus” (Rm 8.7,8). Texto mais que didático e compreensível. O trato do
crente carnal não pode ser referência para quem quer servir a Deus.
Já o crente
espiritual demonstra um “trato” ou comportamento espiritual. Ele é cheio do
Espírito Santo” (At 2.4; 4.31; 13.52). “Portanto, agora, nenhuma condenação há
para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o
espírito” (Rm
8.1). Os
espirituais vivem segundo o Espírito Santo, porque estão em Cristo Jesus” e
“não andam segundo a carne”.
3) “Na
caridade”
Ser exemplo no
amor não é fácil. Mas é a característica mais importante do cristão que quer
ser discípulo de Jesus. No Evangelho segundo João, Jesus disse: “Um novo
mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que
também vós uns aos outros vos ameis. Nisto todos conhecerão que sois meus
discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo 13.34,35 - grifo nosso). Este
versículo demonstra quão grande é o valor da “caridade” ou do “amor” cristão.
Esse amor, no texto original, é ágape. Não é um amor simplesmente humano, como
filantropia, assistência aos necessitados. Essa caridade, que é “o amor em
ação”, é o centro da verdade cristã.
Deus enviou Jesus
para nos salvar; não foi por sua justiça, mas por seu amor indescritível (Jo 3.16). Desse modo, o crente fiel, em Éfeso ou em qualquer lugar onde se
congregar, deve ser exemplo no amor cristão. Respondendo a um doutor da Lei,
Jesus disse que o primeiro e o maior dos mandamentos é amar a Deus de todo o
coração, de todo o entendimento e alma. E o segundo, semelhante a esse, é amar
ao próximo como a si mesmo (Mt 22.34-40). Por essa razão, o cristão deve ser o
exemplo dos fiéis no amor, para que seja conhecido como discípulo de Jesus (Jo
13.35).
4) “No
espírito”
Um ministro do
evangelho deve ser “exemplo dos fiéis”, no lado espiritual. E de fundamental
importância que o obreiro-líder reserve em sua agenda os momentos especiais,
diários, sistemáticos, para o cultivo de sua vida devocional, através da qual
ele estreita sua comunhão com Deus. O obreiro precisa orar todos os dias;
começar o dia de trabalho sem orar é correr o risco de enfrentar situações
difíceis sem encontrar a solução para os problemas que surgem na administração
da igreja; o exercício diário da oração é um reforço maravilhoso para a
dinamização da igreja local.
Sem oração, é
impossível o obreiro ser exemplo “no espírito”. Ela é a chave que abre as
portas do sobrenatural, quando o líder da igreja local se coloca de joelhos,
buscando a unção do Espírito Santo. Sem oração, o obreiro pode sutilmente se
tornar carnal, enveredando por caminhos de iniquidade. Quantos pastores têm
caído por falta de oração e vigilância (Mt 26.41). A Bíblia tem exemplos
diversos de homens de Deus que oravam sistematicamente. Alguns caíram porque
negligenciaram a oração. Davi orava três vezes ao dia (SI 55.17); quando deixou
de orar, de cuidar de sua vida espiritual, fracassou terrivelmente; Daniel
orava três vezes ao dia (Dn 6.10); Jesus orava diariamente (Mt 26.44); o
salmista também tinha o costume de começar o dia, orando e vigiando.
5) “Na fé”
O que Paulo
ensinava a Timóteo deveria ser ministrado para os demais obreiros e para a
igreja local, a comunidade cristã. Um ministro do evangelho, para ser
diligente, precisa exercitar-se na fé. A fé assume vários sentidos na Bíblia.
Pode ser a fé para receber milagres (Mc 9.23); a fé para a salvação pessoal (Mt
9.22; Mc 10.52; Lc 7.50); e em outros aspectos. Mas, no texto em apreço, Paulo
exortava a Timóteo e por extensão aos ministros do evangelho, que todos
precisam ser exemplo na fé, no sentido da confiança firme em Deus, ou seja, no
cultivo da virtude da fé (1Co 13.13), e de uma vida por fé, sem a qual “é
impossível” agradar a Deus (Hb 11.6).
6) “Na
pureza’’
Ser exemplo na
pureza (gr. agneia) é ser puro, “casto”, tanto em termos de ações, atitudes e
práticas no seu viver contínuo. Essa pureza deve ser nos pensamentos e nas
obras; nos sentimentos e nas práticas cotidianas. Timóteo era ainda um jovem
ministro, segundo estudiosos, com cerca de 30 anos; hoje, seria um “solteirão”,
esperando pacientemente “no Senhor” (SI 40) pela bênção de ter uma esposa para
ser sua companheira no ministério. Mas até que essa bênção se concretizasse,
ele haveria de passar por muitas tentações, especialmente na área sexual.
Sem qualquer
dúvida, se, no tempo de Timóteo, a exortação de Paulo era oportuna e
necessária, que dizer de tal cuidado por parte dos obreiros, jovens ou de mais
idade, nos dias presentes? Nunca houve tanta facilidade para o pecado, para a
lascívia, para a concupiscência carnal como nos dias em que vivemos. Seja qual
for o ministro, se não vigiar nessa parte, precavendo-se das tentações da
carne, seja solteiro, seja casado, a probabilidade de queda é muito grande. Com
os meios tecnológicos à disposição das pessoas, via internet, telefones, “tablets”,
o acesso a relacionamentos ilícitos é muito fácil. A vigilância e a oração têm
que ser redobradas. Para ser exemplo na “pureza”, o ministro precisa cultivar a
vida de santidade. Sem esta, ninguém chegará ao céu (cf. Hb 12.14).
Se entendemos que
santidade quer dizer separação do que é sagrado daquilo que é profano,
precisamos, como obreiros do Senhor, zelar por tudo que ocorre no âmbito da
igreja local, seja na pregação, no púlpito; seja na adoração, na liturgia, no
louvor, nos usos e costumes, na vida moral e social da parcela do rebanho de
Deus que nos foi confiada. Os obreiros devem ser exemplo dos fiéis. A
disciplina pessoal se faz necessária para que evidenciemos pureza em todas as
áreas da vida, mediante a necessária santificação (1Pe 1.15; Hb 12.14).
3. O
Ministro e o Cuidado com o Ministério e consigo Mesmo
1) O
cultivo da leitura
“Persiste em ler,
exortar e ensinar, até que eu vá” (1Tm 4.13). Um ministro do evangelho não
pode ser um despreparado para o ministério. E seu preparo tem que passar pelo
costume diuturno de ler, em primeiro lugar, a Palavra de Deus. Estudo recente,
por entidade de pesquisa ministerial, dá conta de que 57% dos pastores nunca
leram a Bíblia toda. E algo preocupante. Se não ler, como pode estimular os
crentes a lerem a Palavra de Deus? E por causa dessa negligência na leitura
bíblica que o ensino que parte de muitos púlpitos é fraco, superficial e
inconsequente.
Para compensar,
muitos pastores recorrem ao “espetáculo” de emocionalismos, gritos e até de
“palhaços”, ou recorrem-se às danças, ao balé, em que o púlpito se torna um
picadeiro, e a igreja um “circo” de profanação do bom nome da igreja de Cristo.
Por isso, é tão importante a exortação a Timóteo para que se aplicasse à
leitura, que pode ser tanto da Bíblia como de boas fontes de estudo bíblico,
para que pudesse exortar e ensinar à igreja.
2) A
valorização do dom do ministério
“Não desprezes o
dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do
presbitério. Medita estas coisas, ocupa-te nelas, para que o teu aproveitamento
seja manifesto a todos” (1Tm 4.14,15).
Paulo queria que
seu discípulo não negligenciasse seu ministério, que lhe foi confiado por Deus,
por meio do ministério, com o ato de caráter espiritual de imposição de mãos.
Deus valoriza os
gestos e os atos, quando feitos por fé e não por mera formalidade ritualística.
O “dom” concedido a Timóteo teve o respaldo da “profecia”, ou de revelação
espiritual da parte de Deus. Esse “dom” certamente eram as habilidades que
Timóteo recebera para exercer seu ministério. E deveria valorizar, ocupando-se
na obra do Senhor com diligência e zelo. Deus não se agrada de quem faz “a obra
do Senhor fraudulentamente” ou “relaxadamente” (Jr 48.10).
3) O
cuidado de si mesmo e dos outros
“Tem cuidado de ti
mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te
salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem” (1Tm 4.16). A preocupação
com a vida pessoal envolve aspectos relevantes. O obreiro precisa ter cuidado
com a sua integridade moral e espiritual: deve ser íntegro. Essa palavra quer
dizer: inteiro, completo; perfeito, exato; reto, imparcial, inatacável (Dicionário
Aurélio). Integro é o líder que faz o que diz e diz o que faz; é o que dá
testemunho dentro e fora de casa; dentro e fora da igreja; na presença ou na
ausência dos liderados (cf. Mt 5.37; Tg 2.12).
Nesse cuidado
consigo mesmo, o obreiro precisa ter cuidado com sua saúde. O apóstolo João,
escrevendo a seu amigo Gaio, desejou-lhe saúde (3 Jo 2). No que cabe a si, o
líder deve obedecer aos princípios bíblicos e científicos no cuidado com a
saúde: oração, boa alimentação, repouso, exercício, atitude mental correta,
evitar o estresse, a tensão emocional. Pesquisas mostram que os pastores são
submetidos a tensões fora do comum, e são acometidos de doenças
cardiovasculares, nervosas ou psicossomáticas. O zelo por si mesmo, pela sua
mente e pelo seu corpo contribui para que o obreiro tenha melhores condições
emocionais e físicas no desenvolvimento de sua missão.
Além do cuidado
consigo mesmo, Paulo exorta Timóteo a que tenha cuidado no trato com algumas
pessoas que merecem atenção especial no seio da congregação. Com relação aos
anciãos, ou idosos, da “terceira idade”, Paulo diz que não devem ser
repreendidos asperamente quando falharem, mas admoestados “como a pais” (1Tm 5.1); quanto aos
jovens, é interessante sua recomendação: “aos jovens, como a irmãos” (1Tm
5.1).
Paulo tinha grande
sensibilidade para com as mulheres. Ele não desprezava sua cooperação à obra do
Senhor no ministério eclesiástico. Aos Romanos, ele indicou o nome de várias
mulheres que foram valiosas cooperadoras ao seu lado (Rm 16.1-15). Na carta a
Timóteo, ele ensinou como tratar as mulheres na igreja: “Às mulheres idosas,
como a mães, às moças, como a irmãs, em toda a pureza. Honra as viúvas que
verdadeiramente são viúvas” (5.2,3). Note-se a preocupação em enfatizar o
cuidado com as viúvas, mas ressaltando “as que verdadeiramente são viúvas”. Ao
que parece, essa preocupação devia-se ao fato de haver algumas mulheres
oportunistas, que queriam viver de modo leviano, às custas da igreja (Ler 1Tm
5.3-13).
Subsídio Bibliológico
“‘Ninguém despreze a sua mocidade [...]’ (1Tm 4.12). A palavra grega é neotes, que indica uma pessoa que é adulta, mas abaixo dos 40 anos. No mundo antigo, não era esperado que uma pessoa com a idade de Timóteo, provavelmente nos seus 30 anos de idade, tivesse obtido o discernimento e a sabedoria requerida para os líderes.
Podemos entender, em virtude do ambiente social, no qual os pagãos e judeus igualmente esperavam que uma pessoa tivesse entre 40 e 60 anos para ser qualificado a compreender e aconselhar, por que Timóteo, com 30 anos de idade, pode ter estado hesitante em afirmar sua autoridade.
É significativa a apresentação de novos critérios pelos quais a igreja deve avaliar os seus líderes. O que qualifica uma pessoa para a responsabilidade de liderança na igreja de Deus não é a idade, mas sim o caráter. Timóteo e os líderes devem dar exemplo para os crentes no modo de falar, na vida, no amor, na fé e na pureza” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 7ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.471).
Observação nossa:
Quando se fala em "líderes" não foque somente no Pastor mas também nos lideres de departamentos de louvor, lideres de departamentos de dança, teatro, musica; nos lideres de Ensinamentos (EBD Infantil, EBD Juniores, EBD Adultos); todas as lideranças tem que ser EXEMPLO. "Se alguém falar, fale segundo as palavras de Deus; se alguém administrar, administre segundo o poder que Deus dá; para que em tudo Deus seja glorificado por Jesus Cristo, a quem pertence a glória e poder para todo o sempre. Amém." 1 Pedro 4:11
CONCLUSÃO
A apostasia dos
últimos tempos revela-se de modo acentuado no meio evangélico. Pregadores e
ensinadores de doutrinas esdrúxulas têm bastante espaço no ambiente de muitas
igrejas. O remédio para evitar esse tipo de problema é o ensino sistemático e
na unção de Deus para todos os obreiros e igreja em geral. Nosso referencial
teológico e de fé é a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. O ministério pode ser
bem-sucedido ou um fracasso. Será uma bênção se o seu líder, ao lado de
auxiliares fiéis, e respaldo da igreja local, procurarem viver de acordo com a
sã doutrina, que é o ensino fundamentado e consolidado, com base na Palavra de
Deus. Que o Senhor guarde os ministros, os ministérios e as igrejas dos ataques
do Maligno nesses últimos tempos, que antecedem a vinda de Jesus.
Aqui temos uma pergunta que merece toda nossa atenção, especialmente quanto à resposta. Pense nisso!
Pergunta: Como Deus vê a Apostasia?
Resposta: Como um adultério espiritual.
Notas:
1 CPAD Bíblia de Estudo Pentecostal, p.1856
2 Russel Normam CHAMPLIM. O Novo Testamento interpretado - versículo por versículo. Vol.5 p.318.
3 Gordon D.FEE. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo 1 e 2 Timóteo e Tito, p.115.
4 Daí vem a Palavra "ginásio" (lugar de prática de exercício ou de esportes).
5 Éfeso: Cidade grego-romana, a segunda maior do Império, depois de Roma. Tinha larga tradição no mundo esportivo.
6 Gordon D.FEE. 1 e 2 Timóteo e Tito, p.119.
Fonte:
A Igreja e o seu Testemunho - As ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais
As Ordenanças de Cristo nas Cartas Pastorais - Elinaldo Renovato de Lima (livro de apoio)
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº63
Bíblia de Estudo Pentecostal
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