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sexta-feira, 14 de setembro de 2018

A cura da mulher que tinha um fluxo de sangue

“E disse Jesus: Alguém me tocou, porque bem conheci que de mim saiu virtude” Lc 8.46


Somente quem já experimentou alguma forma de preconceito sabe quão sofrido é viver sob a égide de algo que o marca, aos olhos dos outros, negativamente. Ser olhado não como um ser humano, digno de respeito, mas ser visto sempre a partir de alguma coisa que o rotula. Se você nunca enfrentou tal situação, talvez tenha dificuldade de entender como é terrível viver dessa forma. Talvez você tenha preconceitos e mesmo antes de entender de algo, sinta-se bloqueado e não queira se inteirar do tema. Tal postura não combina com quem ensina. Mesmo porque, há que se distinguir “aceitação” de “aprovação” (vide Orientação Pedagógica a seguir). Portanto, o educador deve entender de todas as coisas para que possa orientar aqueles que o Senhor lhe confiou para ensinar.

Orientação Pedagógica
O preconceito, tema transversal dessa lição, está muito em voga nos dias atuais. Inicie um bate-papo com a classe acerca do tema e verifique o que os alunos entendem por preconceito. Trata-se de um conceito que todos temos formado de algo antes mesmo de saber o que àquilo, de fato, significa. Analisando por esse aspecto, todos somos “preconceituosos”, pois temos uma visão preformada das coisas. Todavia, na acepção usual, preconceito é entendido como uma postura de não aceitação do outro tal como este se apresenta. Assim, muitas vezes, se afirma que o crente é preconceituoso, pois não aceita as pessoas como elas são. Neste caso, é imprescindível fazer uma distinção entre “aceitação” e “aprovação”. Devemos, como o Senhor, aceitar as pessoas como elas são, mas não necessariamente devemos concordar e aprovar as coisas que elas fazem.

Texto Bíblico - Marcos 5.25-34

A atitude ousada da mulher que tocou na orla das vestes de Jesus em circunstâncias extremamente desfavoráveis ensina-nos que devemos crer que Ele conhece nossas intenções.

INTRODUÇÃO

Esta e a próxima lição possuem uma peculiaridade, além do milagre, que as unem — ambas tratam de episódios cujas personagens envolvidas são mulheres. Numa cultura e tempo extremamente distintos de tudo que se conhece atualmente, a forma de o Senhor Jesus Cristo tratar a mulher é inequívoca. Como alguém que desenvolveria um ministério dinâmico e intenso, Jesus teve de abandonar sua atividade na carpintaria de Nazaré (Mc 6.3). Não é de forma alguma um dado sem importância que Lucas registre que o Senhor “andava de cidade em cidade e de aldeia em aldeia, pregando e anunciando o evangelho do Reino de Deus” e que, além de seu colégio apostólico, “iam com ele [...] também algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos malignos e de enfermidades: Maria, chamada Madalena, da qual saíram sete demônios; e Joana, mulher de Cuza, procurador de Herodes, e Suzana, e muitas outras que o serviam com suas fazendas” (Lc 8.1-3).


I. UMA ATITUDE OUSADA DE ALGUÉM QUE PADECIA

1. Um sofrimento que já durava doze anos.
Como o leitor atento sabe, o contexto deste milagre está situado dentro de outro em que o Senhor devolve a vida à filha de um dos chefes da sinagoga, Jairo (Mc 5.21-24,35-43). Foi durante o trajeto para a casa deste homem que aconteceu de estar entre a multidão uma mulher que há doze anos padecia de uma hemorragia inestancável (v.25). Esta havia empregado todas as suas economias com a medicina da época, porém, não obtivera nenhum êxito, antes, seu estado de saúde tornara-se cada vez pior (v.26). Tal informação indica que além de padecer com a doença, esta mulher também havia empobrecido, tornando sua situação ainda mais grave.

2. Uma ousada atitude.
Se é fato de que havia entre a multidão muitos curiosos e até mesmo adversários do Senhor, o texto de Marcos informa que a mulher que muito sofrera nas mãos dos médicos, tendo ouvido falar de Jesus, e de como as pessoas enfermas e oprimidas obtinham libertação através dEle, veio com um propósito muito definido para vê-lo. Ela, diferentemente dos que esbarravam em Jesus de maneira desavisada, procurou de forma intencional, em meio à multidão e com todas as dificuldades, tocar ao menos no manto do Mestre (v.27). Devido à sua condição, de mulher e ainda hemorrágica, esta foi uma atitude ousada (Lv 15.19-33).

3. O porquê de a mulher ter tomado aquela atitude.
Ciente de que seria muito difícil aproximar-se do Mestre, a mulher já viera com o firme desejo de, ao menos tocar nas vestes do Senhor, pois diante de seu desespero pela enfermidade que a assolava há doze anos, ela então, depois de ouvir falar de Jesus, pensou: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei” (v.28). Dois sentimentos a fez tomar aquela atitude — a necessidade de cura e a certeza de que seria curada. Mais à frente o evangelista relata, se em decorrência deste ato de fé da mulher não sabemos, que “onde quer que [Jesus] entrava, ou em cidade, ou em aldeias, ou no campo, apresentavam os enfermos nas praças e rogavam-lhe que os deixasse tocar ao menos na orla da sua veste, e todos os que lhe tocavam saravam” (Mc 6.56).


II. A VIRTUDE QUE “SAIU” DO SENHOR

1. A cura milagrosa.
Talvez mesmo sem conhecer a Palavra esta mulher tenha vivido a realidade esposada por Jesus quando este instruiu seus discípulos dizendo que se eles tivessem fé “como um grão de mostarda” poderiam dizer “a este monte: Passa daqui para acolá — e há de passar; e nada vos será impossível” (Mt 17.20). A fé que a movera a buscar o Senhor e tocar em suas vestes fez com que ela sentisse que instantaneamente havia estancado “a fonte do seu sangue”, isto é, ela “sentiu no seu corpo estar já curada daquele mal” (v.29). Tal como ela pensara lhe sucedeu!

2. Jesus percebe que dEle “saíra” virtude.
Por sua vez, Jesus percebe claramente que dEle “saíra” virtude (v.30a), isto é, “força” ou “poder”. Tal virtude não lhe é apenas latente, mas evidente e conhecida dos escritores neotestamentários, pois ela não era um acessório, mas um instrumento a serviço do Pai no cumprimento do ministério terreno do Senhor (Lc 6.19). Ao discursar na casa de Cornélio, o apóstolo Pedro disse que Deus “ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude” e que por isso o Mestre “andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo” (At 10.38). O mesmo Lucas, referindo-se a Jesus, registra na narrativa paralela que trata da cura do paralítico de Cafarnaum, que “a virtude do Senhor estava com ele para curar” (Lc 5.17b). Portanto, a virtude que a mulher “extraíra” de Jesus, não se caracteriza como um ato reprovável, antes deve ser vista como a apropriação legítima de um poder que se encontrava à disposição dos que dele tinham uma clara e real necessidade.

3. Uma pergunta que “ninguém” entendeu.
À pergunta do Mestre “Quem tocou nas minhas vestes?” (v.30b), faltou sensibilidade e tato dos seus discípulos para entendê-la, pois eles observam que a multidão apertava o Senhor (como se Jesus fosse incapaz de perceber o quanto era comprimido) e admirados questionam como pode o Senhor querer saber quem o tocou (v.31). Evidentemente que a mulher, que ainda não havia se afastado suficientemente dali, ouvira o Senhor indagando e sabia que era a responsável por aquele toque. Ela transgredira a Lei e, desconhecendo a reação do Mestre, sabia o que isso poderia lhe causar (Lv 15.19-33).

III. A FÉ QUE SALVOU UMA MULHER MARGINALIZADA

1. Jesus “procura” a pessoa que o tocou com propósito.
Jesus procura fazer contato visual com a pessoa responsável por tocá-lo com fé e propósito (v.32). Em muitas outras ocasiões é perceptível que Ele conhecia os pensamentos e intenções das pessoas (Mc 2.6-8; Jo 6.64). Assim, a pergunta do Mestre “Quem tocou nas minhas vestes?”, não sinaliza um desconhecimento, antes figura como uma oportunidade de a mulher revelar-se publicamente, alcançando visibilidade e espaço. Dessa forma, Jesus a restituía socialmente. Na realidade, como se pode perceber, a “procura” de Jesus é parte do processo da cura completa que Ele queria dar-lhe.

2. A revelação e o temor.
O medo da mulher em revelar-se não era sem razão, pois ciente de sua condição, ela sabia que tudo em que tocasse, mesmo involuntariamente, ficaria impuro (Lv 15.19-33). Seu receio poderia advir não apenas de ter tocado em Jesus, mas de ter esbarrado nas pessoas e estas se revoltarem por terem ficado cerimonialmente impuras, já que certamente para se aproximar do Senhor que estava comprimido pela multidão, ela deve ter “tocado” em muita gente que, ao saber de sua condição, poderia voltar-se contra ela (v.27). Ainda assim, observa Marcos, ela “aproximou-se, e prostrou-se diante dele, e disse-lhe toda a verdade” (v.33). Tal “confissão” fez toda a diferença, pois oportunizou a Jesus, como já foi dito, restituí-la radical e completamente.

3. A fé e a confirmação da cura.
A mulher que buscara a cura às escondidas, pelas razões já expostas e analisadas, agora tem a sua fé revelada publicamente e de forma explícita. Tal atitude do Senhor devolveu-lhe a dignidade perdida pelo estado de permanente impureza cerimonial e, não apenas isso, mas a fé que a moveu para ser curada transformou-se em “fé salvífica”, pois Jesus disse-lhe: “Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e sê curada deste teu mal” (v.34). Além de ter sua cura confirmada pelo Mestre, a mulher ainda obteve o maior bem que um ser humano pode alcançar de Deus: a salvação. Ainda que seu nome próprio não seja conhecido, o Senhor dirige-se a ela chamando-a de “filha”. A despedida desejando-lhe “paz” também não é algo meramente formal e protocolar, mas designa um estado de espírito bem como descreve sua situação espiritual diante de Deus (Rm 5.1,2). A mulher que antes se aproximara, “temendo e tremendo”, e que caíra aos pés do Senhor, levanta-se como uma nova mulher.


CONCLUSÃO

Entre outras coisas, a narrativa ensina-nos que é preciso ter um propósito. A mulher hemorrágica partiu em direção ao Mestre com um plano definido — “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei” (v.28) — ou seja, ela não saiu em dúvida ou com “curiosidade”, mas decidida.


SUBSÍDIO
“Uma Interrupção Patética (5.25-34). Entre os que apertavam Jesus (24), quando Ele caminhou para a casa de Jairo, havia uma certa mulher (25) que havia doze anos tinha um fluxo de sangue. A sua enfermidade tinha a mesma idade da criança que naquele momento estava ‘moribunda’ (23). Esta mulher, cujo nome não é mencionado, tinha procurado alívio com muitos médicos (26), mas isto de nada lhe serviu. O texto de Marcos é direto e não fornece muitos detalhes quanto aos médicos da época. A mulher havia padecido muito nas mãos deles, tinha despendido tudo quanto tinha, e estava cada vez pior. Lucas, o médico amado, de forma mais amigável com seus colegas de profissão, observa que a enfermidade não pudera ser curada (Lc 8.43).

A condição da mulher era patética — ‘supostamente uma hemorragia crônica, debilitante, embaraçosa... empobrecedora... desencorajadora’. Não é de surpreender que ouvindo falar de Jesus (27), cuja fama agora se espalhava enormemente, ela tivesse procurado a libertação através dele. Esperando ‘roubar um milagre’, ela veio por detrás de Jesus, em meio à multidão, e tocou na sua vestimenta.

A prática da cura normalmente tem sido associada com um toque. Nós já observamos como Jesus, ‘movido de grande compaixão, estendeu a mão, e tocou’ um leproso para curá-lo (1.41)” (Comentário Bíblico Beacon. Mateus a Lucas. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2014, p.255).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
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