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sábado, 18 de agosto de 2018

A cura do cego de nascença

“Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo” Jo 9.5

“Jesus cura um homem cego de nascença / 9.1-12
9.6,7 Isto não é típico da maneira como Jesus operava milagres, de acordo com João. Mas Marcos registra dois incidentes de cura miraculosa em que Jesus usou a saliva — para curar um homem surdo e mudo e para curar um homem cego (Marcos 7.33; 8.23).
O relato de João, porém, fornece o único registro de Jesus cuspindo na terra e formando lodo. Desde a antiguidade, pensava-se que o cuspe ou saliva possuía algum poder medicinal. Mas os judeus desconfiavam de qualquer pessoa que usasse saliva para curar, porque tal atitude estava associada com artes mágicas. Vale a pena notar, porém, que o papel da saliva de Jesus na cura era principalmente o de fazer lodo. Como já foi salientado anteriormente ([...]), Jesus não usava objetos aleatórios sem um propósito específico. Primeiro, Jesus usou o lodo para ajudar a desenvolver a fé do homem (ele tinha que fazer o que Jesus lhe disse: ir e se lavar em um certo tanque). Segundo, Jesus amassou o lodo com suas mãos a fim de colocá-lo sobre os olhos do homem. Isto constituía ‘trabalho’ em um dia de sábado e iria perturbar os fariseus. Jesus tinha muito que lhes ensinar sobre Deus e o seu sábado” (Comentário do Novo Testamento. Aplicação Pessoal. Volume 1. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.544).

Ao dar vista ao cego, Jesus devolveu-lhe também a dignidade, tirando-o da mendicância, e o libertou da opressão religiosa.

O ritmo frenético imposto pela vida moderna priva-nos de ver outras dimensões da realidade. Somos condicionados a enxergar apenas àquilo que está imediatamente relacionado aos nossos afazeres. Se por um lado este ritmo de vida certamente já é desgastante e prejudicial à saúde, por outro, tal corre-corre torna-nos muitas vezes insensíveis diante das necessidades das pessoas. Automatizados por tantas obrigações, acabamos sobrecarregados e sem tempo para coisas simples. Quando encontramos textos como o da lição de hoje, vemos um nítido contraste entre a postura de Jesus, Filho de Deus, e muitos de nós cujas atribuições humanas servem como abismos que nos separam da dura realidade de milhões de pessoas necessitadas. Que com o estudo da lição de hoje possamos aprender com Jesus e assim passarmos a olhar para além dos nossos interesses pessoais.

Texto Bíblico: João 9.1-9

INTRODUÇÃO

O sexto milagre relatado por João encontra-se em uma narrativa dividida em cinco partes (9.1-41), sempre seguindo a divisão do apóstolo do amor, que intercala sinais e palavra, ou seja, milagres seguidos por discursos de Jesus. O texto bíblico da presente lição traz apenas a primeira dessas cinco divisões e relata o milagre em si. No entanto, a continuidade da narrativa contém profundas lições, não apenas espirituais, mas também teológicas, que servem como formas de identificar as diferenças entre os princípios doutrinários da religiosidade judaica em relação ao Evangelho de Jesus Cristo cujo fim é levar à “cegueira” os que pensam ver e dar vista aos que são conscientes de que não “enxergam” (Jo 9.39).


I. A LUZ DO MUNDO

1. Jesus contempla o cego.
A observação de que “passando Jesus, viu um homem cego de nascença” (v.1), não é fortuita e nem mera praxe para introduzir o assunto. Trata-se de um detalhe importantíssimo, pois revela, como em outras ocasiões (Mt 5.1; Jo 5.5,6; 6.5), a atenção do Mestre para os excluídos, desprezados e esquecidos pela sociedade. Em meio a um cenário tumultuado, de grande concentração de pessoas e onde cada um busca apenas os seus próprios interesses, Jesus vê e contempla aqueles que não têm visibilidade alguma, ou quando são vistos, tal não ocorre de forma correta, como se poderá ver adiante.

2. Jesus desmonta a errônea crença dos discípulos.
Ao perceber que o Mestre fita alguém de forma particular, os discípulos, certamente desconhecendo as reais intenções do Senhor, dirigem-lhe uma pergunta que reflete uma antiga e errônea crença que já existia naquela época: “Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?” (v.2). Em vez de enxergarem um ser humano carente de cuidados e atenção, o colégio apostólico aproveita para tomar o cego como ponto de partida para uma discussão teológica, típica da vaidade religiosa. Na verdade, a associação de sofrimento com pecado é algo bastante recorrente na Bíblia, podendo ser visto ainda no alvorecer de Israel (Êx 20.5). Mesmo tendo o Senhor Deus desconstruído tal pensamento, através de profetas como Ezequiel e Jeremias, por exemplo (Jr 31.29,30; Ez 18.1-32), nos dias do ministério de Jesus alguns setores da sociedade mantinham tal crença, ensejando a bela resposta do Mestre aos discípulos: “Nem ele pecou, nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus” (v.3).

3. Jesus declara-se a luz do mundo.
Em consonância com o prólogo do quarto Evangelho, onde se encontra o texto que diz, do Filho de Deus, que Ele é “a luz verdadeira” (Jo 1.9), o Mestre, em demonstração de profundo compromisso com seu ministério e chamado, afirma então que está incumbido de realizar, enquanto é “dia”, as obras daquEle que o enviara, pois “a noite vem, quando ninguém pode trabalhar” (v.4). O Senhor falava da atenção que Ele deveria dispensar a pessoas como a do cego que, anônimo, encontrava-se na mendicância e sem esperança alguma. E tal trabalho, de iluminar — de todas as formas — deveria ser feito, pois enquanto estava no mundo, disse o Senhor, “sou a luz do mundo” (v.5). E onde é que a luz torna-se mais necessária? Evidentemente que é onde há trevas (Mt 4.16).


II. UMA CURA DIFERENTE

1. A saliva e o milagre.
Após declarar-se como a luz do mundo, num gesto como se estivesse com “pressa” (Ele havia dito que tinha de fazer as obras de Deus enquanto era dia, pois a noite vinha, “quando ninguém pode trabalhar”), Jesus imediatamente cuspiu no chão e, “com a saliva, fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego” (v.6). Esta não foi a única vez que o Mestre agiu dessa maneira. Em outras duas ocasiões, de forma inexplicável, Ele também fez uso da saliva para realizar milagres (Mc 7.33; 8.23).

2. O milagre contraria a lógica humana.
Por definição o milagre contraria a lógica humana. Não obstante, neste caso específico, “untar”, isto é, besuntar ou aplicar sobre o olho de alguém cego uma espessa camada de lama, parece não ser algo sensato, segundo o raciocínio lógico humano. Contudo, tal ato indica que os métodos divinos não precisam ser repetitivos ou iguais. O Senhor age da forma que lhe apraz e no momento que lhe convém (2Rs 4.32-37; 5.8-14).

3. A obediência e a cura.
Por mais inconcebível que possa parecer à mentalidade moderna, o cego obedeceu e foi ao tanque de Siloé lavar os seus olhos, voltando então completamente curado (v.7). É no mínimo curioso que o significado do nome Siloé seja justamente “o Enviado”. Contudo, a observação joanina figura no texto para destacar a pessoa de Jesus, que fora enviado pelo Pai para cumprir a missão de dar vista aos cegos (Jo 5.36-38; 8.16; 9.39). O texto não informa a distância que eles se encontravam do tanque e nem se alguém auxiliou o cego para que pudesse chegar até lá, todavia, diz apenas que ele “Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo” (v.7b). Há na Bíblia, outros exemplos de pessoas cuja cura aconteceu após obedecerem (2Rs 5.8-14; Is 38.21), mostrando uma íntima relação entre obediência e cura.


III. A INCREDULIDADE PERANTE A CURA

1. A dúvida.
Ao retornar ao convívio da sociedade e da vizinhança, o agora ex-cego ouviu as pessoas perguntarem: “Não é este aquele que estava assentado e mendigava?” (v.8b). A dúvida surge pelo fato de que a aparência do cego, ao locomover-se e transitar de forma autônoma, leva as pessoas a questionar, pois ele agora estava “diferente”. Não apenas isso, mas também o fato de ele agora não mais ficar na mendicância e ter sua dignidade restituída. Isso fez com que a dúvida se instaurasse. Era a mesma pessoa ou não?

2. A desconfiança.
Como tudo na vida, as opiniões se dividiram e muitas pessoas passaram a achar que se tratava de alguém parecido com o cego, isto é, não era ele (v.9). É incrível a capacidade humana em achar que tudo aquilo que não possui uma explicação lógica deve ser desacreditado. As pessoas achavam mais fácil pensar que estavam diante de um “sósia”, alguém muito parecido, do que do antigo cego que eles costumavam ver mendigando na região. Isso a despeito de o ex-cego dizer com sua própria boca que era ele mesmo.

3. A curiosidade.
Superados os estágios da dúvida e da desconfiança, depois de se certificarem de que se tratava realmente do cego em questão, as pessoas agora queriam saber como ele passara a enxergar (v.10). Tal não deve ter sido a surpresa delas ao ouvi-lo responder: “O homem chamado Jesus fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé e lava-te. Então, fui, e lavei-me, e vi” (v.11). À mentalidade incrédula, tal resposta é um insulto, pois ela nada explica. E como tais pessoas não creem em milagres, o fato inexplicável do agora ex-cego estar ali como um testemunho vivo, faz com que elas sintam-se curiosas não apenas a respeito do milagre, mas também do realizador do feito miraculoso (v.12). No entanto, Jesus que nada exigiu do cego para curá-lo, nem mesmo que este o seguisse, encontra-se em um local ignorado pelo ex-cego que se limita a responder aos inquiridores que não sabe onde o Mestre encontra-se.


CONCLUSÃO

A cura do cego evidencia a mentalidade prevalente de uma sociedade preconceituosa. Era mais fácil acreditar que se tratava de outra pessoa do que dobrar-se à realidade — Deus curara e restituíra uma pessoa de forma sobrenatural! Lamentavelmente, tal postura não ficou no passado, pois ainda hoje, até mesmo nos círculos religiosos, pessoas demonstram incredulidade diante de transformações radicais operadas pelo Senhor em alguém. Que tal atitude desapareça entre nós.


SUBSÍDIO
“Jesus viu um homem cego de nascença. E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego? (9.1,2)
A cura milagrosa é uma evidência vívida das verdades que Jesus afirmou. Ele é a Luz do mundo, capaz de trazer a visão ao cego. Aqueles como o homem cego, cuja visão foi restaurada, reconhecem Jesus e caminham na luz. Mas aqueles que afirmam ver, porém não conseguem reconhecer a confirmação de Deus em relação aos Salvador nos seus milagres, provam que estão espiritualmente cegos, e morrerão nos seus próprios pecados.
Aqui também há algo especial para nós. Os discípulos, depois de verem o homem nascido cego, foram levados a fazer uma interessante pergunta teológica. A crença popular sugeria que a deficiência deste homem era devida ao pecado em sua vida. Mas, como ele nasceu cego, como poderia ter merecido esta punição? Ele foi punido por algum pecado dos seus pais? Ou quem sabe algum pecado que Deus sabia de antemão que o homem iria cometer? O que é importante aqui não é a resposta que Jesus deu — de que a cegueira não era punição por nenhum pecado, mas que servia como oportunidade para glorificar a Deus. O que é importante é o fato de que quando os discípulos viram o sofrimento — sua curiosidade, e não sua compaixão, foi despertada” (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.218,219).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 14 de agosto de 2018

E se fosse o contrário? Eles querem respeito ofendendo 178 milhões de cristãos

"O homem bom tira boas coisas do bom tesouro do seu coração, e o homem mau do mau tesouro tira coisas más. Mas eu vos digo que de toda a palavra ociosa que os homens disserem hão de dar conta no dia do juízo. Porque por tuas palavras serás justificado, e por tuas palavras serás condenado." Mateus 12:35-37

Não sei o que mais é preciso para a sociedade e principalmente as igrejas cristãs entenderem o que realmente estamos enfrentando. Ouvir de pessoas ignorantes e alheias a fé alguns absurdos no meio da rua, dentro de algum estabelecimento ou mesmo dentro de casa, não é o mesmo que assistir famosos, gente com acesso à informação, utilizando o dinheiro público para ofender abertamente a fé de 178 milhões de cristãos no Brasil.

O vídeo que circulou nas redes sociais e causou indignação na população, onde o transformista pernambucano Johnny Hooker chamou Jesus Cristo de “travesti” e de “bicha”, puxando o coro de alguns ousados na platéia, demonstra claramente o quanto nós, cristãos, sofremos perseguição ideológica, sendo ofendidos publicamente por conta da nossa fé, enquanto eles, os que se consideram paladinos da “verdade”, da “tolerância” e da “diversidade”, se sentem livres para nos agredir moralmente, vilipendiar nossos símbolos religiosos e ainda achar que estão no direito de fazer essas coisas.

Tudo isso simplesmente porque não aceitaram o impedimento de uma peça que também tem como propósito ofender a fé cristã, onde Jesus é retratado como um travesti. Qualquer pessoa em sã consciência e com um mínimo de conhecimento da Bíblia sabe quem é Jesus Cristo para os cristãos. A nossa fé em Cristo é fruto do que a Bíblia declara sobre Ele, que é o Filho de Deus, o Messias prometido, o Salvador, o Ungido de Deus que veio entregar sua vida por amor de todos nós, pecadores.

Esse Jesus que a Bíblia fala a respeito possui uma identidade própria, sendo ele mesmo Deus, como crêem os cristãos. E como Deus, Ele rejeita o pecado e abomina o mal. Chamar Cristo de travesti e bicha são ofensas a fé dos cristãos porque a Bíblia não atribui esses comportamentos a pessoa de Jesus. Pelo contrário, ela considera pecado a prática sexual entre duas pessoas do mesmo sexo. Assim, dizer que Jesus Cristo é “bicha” é ir de encontro à santidade do Senhor e cometer a violação do artigo 280 do Código Penal, que tipifica como crime o escárnio de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa.

Mas, e se fosse o contrário? Se algum de nós, líderes e personalidades cristãs, falássemos algum xingamento contra essas pessoas que usam o discurso dos “direitos humanos” para se protegerem atrás de ONGs e movimentos? Eu, Marisa Lobo, já sofri ameaças, perseguição e processos judiciais por muito menos. Por simplesmente dizer uma opinião sobre sexualidade baseada em meu conhecimento científico, algo muito diferente de uma ofensa gratuita com a clara pretensão de provocar.

Quando ativistas da “Marcha das Vadias” quebraram imagens católicas na Jornada Mundial da Juventude, organizada pela Igreja Católica em julho de 2013, profanando os símbolos religiosos com seus órgãos genitais ao ar livre, diante de homens, mulheres e crianças, a maior parte da mídia ficou calada. Silêncio total! O movimento LGBT e partidos de esquerda não se manifestaram. Eles fingiram que nenhum absurdo havia acontecido. Não está sendo diferente agora. Onde está a indignação dos cristãos de esquerda? Ou será que o Cristo deles é outro e não o que a Bíblia descreve? Onde estão às manifestações de repúdio desses que dizem lutar pelo respeito às religiões? Onde estão os protestos nas ruas e manchetes de jornais acusando o tal “cantor” de intolerância religiosa?

São dois pesos e duas medidas, mas para quem já vem há anos na luta contra esse ativismo ideológico nada disso é surpresa. Sabemos como eles são alienados, pobres de espírito e carentes de atenção, como crianças mimadas, necessitando principalmente de salvação espiritual, algo que só Deus pode dar através da sua misericórdia e graça imerecida. O que nós podemos fazer é continuar testemunhando quem somos, trazendo a memória que “em tudo somos atribulados, mas não angustiados; perplexos, mas não desanimados. Perseguidos, mas não desamparados; abatidos, mas não destruídos; Trazendo sempre por toda a parte a mortificação do Senhor Jesus no nosso corpo, para que a vida de Jesus se manifeste também nos nossos corpos". (2 Coríntios 4:8-10).

Por Marisa Lobo - Psicóloga, especialista em Direitos Humanos e autora de livros, como "Por que as pessoas Mentem?", "A Ideologia de Gênero na Educação" e "Famílias em Perigo".

Fonte: GUIAME
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sábado, 11 de agosto de 2018

Fogo estranho diante de Deus

“E disse Moisés a Arão: Isto é o que o SENHOR falou, dizendo: Serei santificado naqueles que se cheguem a mim e serei glorificado diante de todo o povo. Porém Arão calou-se” Lv 10.3

Fogo estranho diante de Deus

O capítulo 10 de Levítico talvez seja o capítulo mais grave do livro. A história de Nadabe e Abiú traz uma séria advertência ao ministério sacerdotal sob referência da natureza justa de Deus. Tendo sempre em mente que, em primeiro lugar, o livro de Levítico é um manual dos sacerdotes, a morte dos dois filhos de Arão é um símbolo poderoso para todos os sacerdotes no exercício da função. O episódio narrado no Levítico tem o mesmo objetivo que no episódio do Novo Testamento com Ananias e Safira (At 5): trazer ao povo temor e reverência a Deus.

O exercício sacerdotal era muito sério

Entrar no Tabernáculo e apresentar sacrifícios no altar significava está diretamente na presença de Deus, pois Ele habitava no Tabernáculo. Este representava a presença divina no meio do povo. Logo, profundo respeito, profunda reverência, conscientização de estar na presença daquele que é todo santo eram elementos que todo sacerdote deveria zelar.

Não se pode misturar o santo com o profano. Ali no Tabernáculo a questão de apresentar algo no altar não era mero ritual religioso. O ritual religioso era um símbolo que representava uma relação muito mais profunda do homem com Deus. Sim, Deus sempre priorizou essa relação íntima com seu povo, sobretudo, e especificamente, com a classe sacerdotal. Quando essa relação entre manifestação pública e vida interior era quebrada, palavras como esta dos profetas eram proferidas: “Seria este o jejum que eu escolheria: que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a cabeça como o junco e estenda debaixo de si pano de saco grosseiro e cinza? Chamarias tu a isso jejum e dia aprazível ao SENHOR?” (Is 58.5). Por acaso estaria o Senhor proibindo o jejum? De jeito nenhum. Pelo contrário, denunciando por meio dos profetas a intenção falsa como mera manifestação ritualística destituída de verdade interior, o Criador só reafirma o verdadeiro jejum acompanhado de verdade espiritual profunda e não dissimulação religiosa. Não por acaso, Jesus, o Filho de Deus, antes de iniciar seu ministério, jejuou (Lc 4.1-13).

Um alerta para hoje

O exercício de todo ministério espiritual é sério e, por princípio, está no mesmo arcabouço de seriedade do ministério sacerdotal levítico. Ora, não se pode apresentar fogo estranho diante de Deus, sob pena de o impenitente ser duramente réu de juízo. Ananias e Safira nos lembram isso no tempo da graça. Revista Ensinador Cristão - nº74

Leitura Bíblica - Levítico 10.1-11

O livro de Levítico enfatiza a santidade de Deus. Ele é santo e exige santidade do seu povo e de todos aqueles que são chamados para o seu serviço. Sem santidade ninguém pode se aproximar dEle, atrair sua presença ou ver a sua face. Contudo, Nadabe e Abiú não atentaram para isso e ofertaram a Deus um incenso não puro. Eles também não observaram a recomendação divina de que o incenso no altar deveria ser oferecido pelo sumo sacerdote. A resposta do Senhor foi imediata. A recompensa pelo pecado foi a morte física. A atitude de Nadabe e Abiú demostrava rebelião contra Deus e tal pecado é comparado ao de feitiçaria. Como sacerdotes, Nadabe e Abiú, tinham a responsabilidade de ensinar o povo, de conduzi-los na verdade, por isso receberam tal condenação. Eles deveriam ser exemplo para os israelitas e a punição que receberam teria de estar à altura.

O Deus santo requer de seus obreiros uma postura igualmente santa, zelosa e de comprovada excelência; menos que isso é inaceitável.

Seremos advertidos, agora, a ser mais reverentes com as coisas de Deus. Na tragédia de Nadabe e Abiú, talvez estejamos a ver o destino que nos aguarda, caso não nos arrependamos de nossos pecados, insolências e descasos quanto ao ministério que o Senhor Jesus nos confiou.

Embora Nadabe e Abiú fossem candidatos naturais ao sumo sacerdócio de Israel, corrompendo-se em seus privilégios, relaxaram em relação às suas responsabilidades perante Deus e diante do povo de Israel. A pergunta não deve ser evitada: Será que não estamos a agir de igual maneira? Ter privilégios não constitui pecado algum. Mas fazer deles o fim de nosso ministério pode levar-nos à perdição eterna. Zelemos, pois, pelo ofício com que Jesus, por intermédio do Espírito Santo, agraciou-nos.

Não há dúvida de que a desgraça de Nadabe e Abiú poderia ser evitada. A desventura que nos espreita também pode ser evitada; arrependamo-nos. É chegado o momento de os obreiros de Deus julgarmos a nós mesmos para não sermos condenados com o mundo.

Acompanhemos a biografia tristemente interrompida de Nadabe e Abiú

I. NADABE E ABIÚ, OS FILHOS DO SACERDÓCIO

Na sociedade israelita, a nobreza era constituída não apenas pelos descendentes reais, ministros de Estado e chefes militares, mas igualmente pela classe sacerdotal. Aliás, os ministros do altar eram considerados, em virtude de seu ofício, mais nobres do que os próprios nobres. Nesse contexto, Nadabe e Abiú, por serem filhos do sumo sacerdote Arão, encontravam-se na cimeira social de Israel.

1. Um nascimento nobre.

Nadabe e Abiú pertenciam à tribo de Levi, distinguida com o sacerdócio divino (Nm 3.12). Os homens desse clã eram contados entre as primícias do Senhor, conforme o próprio Deus havia declarado: “Os levitas serão meus” (Nm 3.1-12). Pode haver maior nobreza do que essa?

Os levitas eram benquistos em todo Israel. Nem mesmo a tribo de Judá, designada a reinar sobre a herança divina, desfrutava de semelhante deferência. Os seus privilégios não se limitavam à esfera social; economicamente, também, achavam-se bem-apanhados.

2. Ascendência araônica.

Além de pertencerem à tribo de Levi, Nadabe e Abíu provinham da família de Arão, escolhida por Deus para exercer o sumo sacerdócio (Êx 6.23; 28.1). Era o ofício mais honroso de todo o Israel. Nem mesmo os reis podiam exercê-lo (2 Cr 26.18). De acordo com a genealogia de Arão, eram Nadabe e Abíú os seus sucessores naturais e imediatos nesse glorioso ministério.

Naquele período, por não haver ainda rei em Israel, os sacerdotes eram vistos como a única classe nobre dos hebreus. No caso de Nadabe e Abiú tal honra era centuplicada. Afinal, eram filhos de Arão; os próximos sumos sacerdotes. Às vezes, pergunto-me se tantos privilégios não poderão arruinar-nos eventualmente.

Que honrarias e privilégios são uma bênção, ninguém o nega. Mas, como administrar elogios, louvores, comendas, mimos e presentes? Se nos virmos afogados em tais “bênçãos”, fujamos delas enquanto estamos inteiros. Doutra forma, pereceremos. Certa feita, declarou Agostinho: “Prefiro os que me criticam, porque me corrigem, aos que me elogiam, pois sempre acabam por me corromper”.

Não sabemos se Nadabe e Abiú foram instruídos por Arão a resistir às glórias profanas que, sem o percebermos, vão nos cercando o ofício divino. Portanto, se o nosso filho tiver um chamado ministerial, preparemo-lo não apenas acadêmica, mas principalmente quanto à espiritualidade, boa conduta e ética. Caso contrário, ele virá a perecer como desgraçadamente pereceram os filhos de Arão.

Não faz muito tempo, o atual presidente da Convenção Geral das Assembleias de Deus, pastor José Wellington da Costa Júnior, realizou um encontro para filhos de pastores, em São Paulo. As palestras ficaram a cargo de três jovens obreiros: José Wellington Costa Neto, filho de nosso presidente; Ailton José Alves Júnior, filho do pastor da Assembleia de Deus, no Recife; e Gunar Berg Doreto de Andrade, responsável pelo núcleo de educação superior da FAETAD, em campinas. Emocionei-me ao ver o meu filho num grupo tão seleto. Mas, ao mesmo tempo, senti um peso muito grande: “Tenho eu, realmente, preparado meu filho ao santo ministério?”. Sempre que posso, aconselho-o a portar-se como autêntico homem de Deus. Todavia, sei que eu mesmo tenho de comportar-me como seu maior referencial.
Espero que outras reuniões semelhantes a essa sejam realizadas noutras convenções e ministérios. Saibamos como preparar a próxima geração de obreiros da Obra Pentecostal.

3. A subsistência do altar.

Tendo vista sua ascendência levítica e sacerdotal, Nadabe e Abiú não tinham por que se preocupar com a própria subsistência. Por serem filhos de Arão, sua manutenção era tida como sagrada em Israel: “Isto será a obrigação perpétua dos filhos de Israel, devida a Arão e seus filhos, por ser a porção do sacerdote, oferecida, da parte dos filhos de Israel, dos sacrifícios pacíficos; é a sua oferta ao SENHOR” (Êx 29.28, ARA).

Noutras palavras, Nadabe e Abiú já haviam nascido aposentados. Quer viessem a assumir quer não o sumo sacerdócio, não precisariam se preocupar com o pão cotidiano. Nem todos, porém, estão aptos a receber semelhante privilégio. Alguns lançar-se-ão no ócio; logo perecerão. Outros, entretanto, negando o ócio, buscarão aprimorar seus talentos e dons para melhor servir ao Senhor.

Ainda que tenhamos recursos para sustentar nossos filhos, preparemo-los sabiamente para que garantam o próprio sustento. E mesmo que estejamos convictos de que este ou aquele filho suceder-nos-á à frente do rebanho, não deixemos de formá-los profissionalmente. Já imaginou um pastor que não saiba fazer tendas? O que fará num tempo de crise?

Quanto a mim, comecei a trabalhar aos doze anos. Ali, naquele depósito de madeiras recicladas, na cidade paulista de São Bernardo do Campo, empenhava-me a bater a quota diária. Depois, fui trabalhar como gráfico na Imprensa Metodista. Dois anos depois, fui admitido no Banco Sul Brasileiro. Seguindo minha vocação inicial, passei nove anos na Rádio Diário do Grande ABC. E, ao deixá-la, fui chamado a trabalhar, em 1984, na Casa Publicadora das Assembleias de Deus, onde, pela graça divina, encontro-me até hoje.
Minha experiência profissional enriqueceu-me ministerialmente. Hoje, agradeço aos meus pais por me ensinarem a ganhar o pão cotidiano. O mesmo fiz em relação aos meus filhos, e quero que eles ajam de igual maneira em relação aos seus filhos.

II. NADABE E ABIÚ, TEÓLOGOS SOBERBOS

Nadabe e Abiú não eram desinformados nem ignorantes com respeito às coisas de Deus. Àquela altura, já podiam ser considerados teólogos maduros e experimentados. Infelizmente, tamanha instrução não foi suficiente para livrá-los do inferno.

1. Nadabe e Abiú eram letrados.

A alfabetização, naquele tempo, ainda não era universal nem mesmo em Israel, que já era louvado como o povo do Livro. Todavia, a classe sacerdotal, pelo que inferimos do texto sagrado, era letrada, culta e capaz de fazer exegeses de excelência na Lei de Moisés até então lavrada.

Se os sacerdotes tinham a obrigação de saber ler e escrever, o que não esperar do sumo sacerdote e de seus filhos? Levemos em conta a cultura da família de Anrão e Joquebede; dela saíram três grandes sábios: Miriã, Arão e Moisés.

Quando lemos o cântico de Miriã, deparamo-nos com uma estrofe muito bem redigida: “Cantai ao SENHOR, porque gloriosamente triunfou e precipitou no mar o cavalo e o seu cavaleiro” (Êx 15.21, ARA). O que evidenciam tais palavras? A expressão de alguém finamente culto. Hoje, ela é louvada como profetisa e poetisa.

À semelhança da irmã, Moisés e Arão possuíam admirável cultura. O primeiro fora instruído em toda a ciência do Egito (At 7.22). Quanto ao segundo, já era uma lenda como orador; expressava-se fluentemente (Êx 4.14).

Depreende-se, pois, que Nadabe e Abiú eram também letrados e instruídos. Nos dias de hoje, estariam metidos nalguma academia. Todavia, a ilustração meramente terrena é insuficiente para levar-nos ao Deus Único e Verdadeiro: fonte de saber.

Como temos lidado com a nossa erudição? Antes de tudo, compreendamos que erudição não é sinônimo de sabedoria. Há muitos eruditos incapazes de diferençar a destra da sinistra. Já me defrontei com acadêmicos que, conquanto cultíssimos, não possuíam a sabedoria mínima para administrar o seu dia a dia. Por isso, ao orar pelos meus descendentes, rogo ao Senhor que, antes da erudição, lhes dê a verdadeira sabedoria. Se nos for possível reunir tanto esta quanto aquela, muito poderemos fazer pela Obra de Deus. O apóstolo Paulo é um perfeito exemplo de sabedoria e erudição. Ele reunia as condições necessárias para transitar desenvoltamente em três culturas distintas: a hebreia, a helena e a latina.
Que Deus auxilie nossos acadêmicos a não se perderem nos labirintos e escaninhos da cultura pós-moderna.

2. Nadabe e Abiú eram teólogos.

Na religião do Antigo Testamento, os três ministros divinos, encarregados pela condução da comunidade de Israel, eram, via de regra, bons teólogos: o profeta, o sacerdote e o rei. Porque lidavam, diariamente, com as coisas de Deus. Até mesmo reis perversos, como Jeroboão e Manassés, não ignoravam a intervenção de Jeová no cotidiano hebreu. Sendo assim, vejamos Nadabe e Abiú, candidatos ao sumo sacerdócio, como excelentes teólogos. E de fato o eram.

Quando o Senhor outorgou a Lei a Israel, no Sinai, por intermédio de Moisés, ali estavam eles juntamente com os mais destacados anciãos de Israel (Êx 24.1). E, lá, no monte sagrado, presenciaram a manifestação da glória divina (Êx 24.9,10). Ocularmente, testemunharam a aliança que o Senhor firmara com os filhos de Israel (Êx 24.8). Apesar de sua juventude, Nadabe e Abiú tiveram o privilégio de ver o estabelecimento do pacto entre Deus e o seu povo.

Tais experiências são suficientes para fazer do obreiro um teólogo de verdade. Erradamente, consideramos a academia superior ao nosso quarto de oração. Se ali desperdiçamos preciosas semanas, meses e anos em discussões muitas vezes fúteis e tolas, aqui não queremos dedicar uma hora sequer a falar com o Senhor.

A verdadeira teologia só é possível a partir de encontros pessoais e experimentais com Deus. A academia ajuda, sim, mas se estiver submissa à Bíblia Sagrada. Caso contrário, será uma tragédia para o Reino de Deus.

3. Nadabe e Abiú conheciam experimentalmente a Deus.

Em termos experimentais, Nadabe e Abiú encontravam-se num patamar superior ao de Jó, antes de o paciente homem de Uz ter sido esmagado por todas aquelas provações. O patriarca mesmo confessa sua inexperiência: “Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem” (Jó 42.5, ARA). Todavia, o que podemos dizer de Nadabe e Abiú? Estiveram pessoalmente no monte sagrado, viram o resplendor da glória divina e não ignoraram a presença do Senhor. Então, como explicar a sua apostasia? Talvez essa pergunta deva ser endereçada ao querubim ungido que, apesar de toda a sua teologia e experiência junto à presença divina, rebelou-se contra o Todo-Poderoso.

Sejamos cuidadosos. Nossa salvação não se encontra numa teologia bem estruturada, num ministério sólido e elogiável ou em profundas experiências com o Senhor. Se não lhe formos obedientes, corremos o risco de perder a alma. A situação de Nadabe, Abiú e de muitos crentes rebeldes e apóstatas é descrita com fortes e decisivas cores pelo autor da Epístola aos Hebreus:

Porque, se vivermos deliberadamente em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados; pelo contrário, certa expectação horrível de juízo e fogo vingador prestes a consumir os adversários. Sem misericórdia morre pelo depoimento de duas ou três testemunhas quem tiver rejeitado a lei de Moisés. De quanto mais severo castigo julgais vós será considerado digno aquele que calcou aos pés o Filho de Deus, e profanou o sangue da aliança com o qual foi santificado, e ultrajou o Espírito da graça? Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim pertence a vingança; eu retribuirei. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo. Horrível coisa é cair nas mãos do Deus vivo. (Hb 10.26-31, ARA)

Quem assim peca, não peca somente contra o Pai nem apenas contra o Filho, mas contra o Espírito Santo peca. Nessas condições, que esperança haverá para o pecador? Queridos obreiros, teólogo também vai para o inferno. Jesus, tem misericórdia de nossas almas.

III. A INSOLÊNCIA DE NADABE E ABIÚ

Três atitudes marcaram o ato leviano e inconsequente de Nadabe e Abíu: ignoraram a Deus, impacientaram-se e, sem qualquer temor, apresentaram fogo estranho no altar sagrado.

1. Ignoraram a Deus.

Ao adentrarem o lugar santo, Nadabe e Abiú ignoraram a presença de Deus, pois o Senhor encontrava-se não somente no Tabernáculo como em todo o arraial de Israel (Êx 25.8; Nm 14.14). O Deus Onipresente não se limita ao Santo dos santos, mas se deleita na companhia de seus queridos e amados santos.

Na atitude inconsequência de Nadabe e Abiú, vejo a profissionalização do ministério sagrado. No trato com as coisas santas, enfadamo-nos. Consideramo-las profanas e comuns. E, assim, já não vemos a primeira ordenança como o símbolo da morte e da ressurreição do Senhor, mas como um trabalho enfadonho a ser feito. Quanto à segunda ordenança, o que fazer? Se tiver de ser realizada, que o seja. Nesse descaso, já não distinguimos nem o corpo, nem o sangue de Jesus.

Não agiam assim os sacerdotes no tempo de Malaquias? Na liturgia diária, aborreciam-se. Eis como eles tratavam as coisas de Deus: “Que canseira! E me desprezais, diz o SENHOR dos Exércitos; vós ofereceis o dilacerado, e o coxo, e o enfermo; assim fazeis a oferta. Aceitaria eu isso da vossa mão? — diz o SENHOR” (Ml 1.13, ARA).

Aos olhos de Nadabe e Abiú, o Tabernáculo nada era. Então, que seja tido como um afazer qualquer; uma rotina profissional. Já não sentiam comoção alguma entre aquelas colunas, estacas, cortinados e móveis. Lidar com a Casa de Deus ocasionava-lhes enfado, estresse, canseira. Não serviam ao Senhor com alegria.

2. Impaciência profana.

De acordo com as instruções que o Senhor transmitira aos filhos de Israel, somente o sumo sacerdote estava autorizado a oferecer o incenso no altar de ouro (Êx 30.7-9). Todavia, observa-se que ambos, desafiando o Senhor, entraram no lugar sagrado como se este não passasse de um mero feudo doméstico. As coisas de Deus não podem ser tratadas como propriedade particular.

Nadabe e Abiú, além de impacientes, revelaram-se profanos e blasfemos. Precipitaram-se na condenação do Diabo; não souberam esperar a sua hora (1 Tm 3.6).

Que eles se achavam geneticamente predestinados a assumir o sumo sacerdócio, todos o sabiam. Na falta de Arão, ascenderia Nadabe. E se este viesse a falecer precocemente, Abiú seria requisitado. Ambos, porém, devido ao seu descaso com a obra de Deus, não se achavam dispostos a aguardar pela morte do pai? Então, por que não variar as lides sacerdotais?

Eles estavam cientes de que apenas o velho Arão estava autorizado a oferecer o incenso no altar de ouro, mas ignoraram a regra sacerdotal. Julgavam-se acima das ordenanças e estatutos do Senhor.

O pecado de ambos não pode ser visto como algo acidental. Não foi um incidente isolado. Nesse gesto, temos a súmula de pequenas e grandes transgressões. Todas estas, já bem racionalizadas, redundaram em sua punição no limiar do lugar santíssimo. Façamos, pois, uma pausa, e indaguemos de nós mesmos: “Como temos nos portado no ministério sagrado?”. Enquanto respondemos a essa pergunta, lembremo-nos de que o Deus que puniu Nadabe e Abiú não mudou; sua justiça continua inalterável.

3. Apresentaram fogo estranho ao Senhor.

Não bastava ter o incenso prescrito pelo Senhor; era imperioso ter igualmente a brasa certa, para que Deus fosse dignamente honrado (Êx 30.9; Lv 16.12). Se o incenso era exclusivo, a brasa também o era (Êx 30.37). Mas, pelo contexto da narrativa sagrada, Nadabe e Abiú não estavam preocupados nem com o incenso, nem com o fogo. Por isso, o Senhor fulminou-os diante do altar. Sim, eles foram mortos devido à sua insolência, blasfêmia e sacrilégio.

Qualquer sacerdote iniciante sabia que o fogo do altar do incenso só poderia ser atiçado com as brasas do altar de bronze. A simbologia era claríssima: antes da adoração, que a expiação fosse observada. Não temos, aqui, nenhum enigma teológico. Um leitor da Bíblia, razoavelmente atento, há de atinar com esse princípio soteriológico. Então, por que ambos os filhos de Arão vieram a desprezar uma recomendação tão comezinha? Não tinham eles teologia suficientes? Talvez nós também estejamos afrontando algum princípio básico do ministério cristão; examinemos o nosso coração. Senhor, ajuda-nos.

Que o incenso e o fogo de nossa adoração sejam os prescritos pelos santos profetas e apóstolos do Senhor.

O que vemos, hoje, nas redes sociais é um festival pirotécnico; fogo estranho aqui, e, ali, fogo estrangeiro. Não me lembro de a Obra Pentecostal ter enfrentado tantas bizarrices como hoje. O espetáculo é deprimente. Nessa postagem, imita-se o batismo com o Espírito Santo. Naquela, arremedam-se os dons espirituais. Nesse frenesi, não aparece um homem de Deus sequer para colocar ordem no arraial dos santos.
Como sobreviver nesse mundo estranho? É chegada a hora de resgatar a Obra Pentecostal conforme no-la transmitiram os pais-fundadores das Assembleias de Deus. Chega de fogo estranho no altar sagrado. Busquemos o cristianismo bíblico, apostólico e autenticamente avivado pelo Espírito Santo.

IV. O LUTO PROIBIDO

A morte de Nadabe e Abiú abalou profundamente a casa de Arão. Apesar de haver perdido, num único dia, dois de seus filhos, ele é proibido, pelo Senhor, de observar qualquer luto; nem tristeza podia demonstrar. Se, por um lado, não havia motivo para alegrias e folguedos; por outro, não havia espaço para lágrimas e desesperações.

1. A morte de Nadabe e Abiú.

Ao se apresentarem com fogo estranho diante do Senhor, os filhos de Arão, que também eram ministros do altar, foram imediatamente fulminados no lugar sagrado (Lv 10.2). Pelo que observamos do texto sagrado, Deus os matou, porque eles não consideraram as demandas da santidade divina (Lv 10.3). A obrigação de Nadabe e Abiú era glorificar o nome do Senhor, mas preferiram buscar a própria glória. Diante do fato, o sumo sacerdote de Israel calou-se. Não poderia haver momento mais trágico para a sua família.

No ministério sagrado, trabalhamos entre a glória divina e a glória humana. Se não formos vigilantes, esquecer-nos-emos de nossas obrigações como servo, e arvorar-nos-emos como senhores. A partir daí, ignoraremos os princípios mais elementares do serviço cristão; agiremos como se tudo fosse permitido. Nessa trilha de iniquidade, porfiaremos até que o Senhor nos fulmine no lugar sagrado.

2. A remoção dos cadáveres.

Moisés, então, ordena a dois primos de Arão, Misael e Elzafã, a removerem os cadáveres da casa de Deus (Lv 10.4). Como precisamos de pessoas santas e corajosas que nos removam os cadáveres que jazem entre os santos. No episódio de Ananias e Safira, os corpos de ambos foram levados para fora por alguns jovens da igreja recém-inaugurada pelo Espírito Santo (At 5.1-11).

Em algumas igrejas, temos a impressão de estar em Sardes. A essa congregação, que se batia entre a vida e a morte, o Senhor enviou esta seriíssima advertência: “Estas cousas diz aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as tuas obras, que tens nome de que vives e estás morto” (Ap 3.1, ARA). Por intermédio dessa pequenina epístola, é possível ver, naquele redil, os cadáveres se acumularem; defuntos aqui; ali, moribundos. Alguns poderiam ser salvos; outros já estavam em óbito. Por isso, o Senhor Jesus recomenda àquele pastor, ele mesmo um morto-vivo, a socorrer os que já exalavam o último suspiro:

Sê vigilante e consolida o resto que estava para morrer, porque não tenho achado íntegras as tuas obras na presença do meu Deus. Lembra-te, pois, do que tens recebido e ouvido, guarda-o e arrepende-te. Porquanto, se não vigiares, virei como ladrão, e não conhecerás de modo algum em que hora virei contra ti. (Ap 3.2,3, ARA)

O que fazer, porém, quando os cadáveres acumulam-se no ministério sagrado? Senhor, socorre os teus obreiros. Precisamos de ti. Não nos deixes morrer. Aviva-nos.

3. O luto é proibido.

Apesar da tragédia que se abateu sobre a sua família, Arão deveria suportar com discrição aquela hora tão difícil (Lv 10.6,7). Afinal, era seu dever zelar pela santidade e pela glória do nome do Senhor dos Exércitos. Ele estava ciente de que a alma que pecar essa morrerá (Ez 18.4,20).

Certos tipos de luto servem apenas para enfraquecer o povo de Deus e levá-lo à dispersão (2 Sm 19.1-7). Às vezes, temos de suportar o insuportável, a fim de preservar a Igreja de Cristo. Ela está acima de nossa dor.

Não é fácil deparar-se com uma experiência terminal. Se acompanhar o cortejo de um estranho leva-nos, ocasionalmente, a uma lágrima furtiva, o que não ocorre quando nos deparamos com o desaparecimento, precoce e repentino, de um ente querido? Em ocasiões normais, é-nos permitido chorar e até gritar. Ao sumo sacerdote Arão, todavia, foi vedado tanto o choro quanto o grito. Que o luto havia se instalado em sua casa, ninguém o podia negar; estampava-se em toda a família. Mas, por ser ele o intercessor-mor de Israel, teria de arcar, silentemente, com todo aquele peso.

Às vezes, temos de suportar o insuportável, a fim de preservar a Igreja de Cristo. Ela está acima de nossa dor.

CONCLUSÃO

Até quando apresentaremos fogo estranho ao Senhor? Chega de liturgias bizarras, cultos mundanos, teologias permissivas e costumes que ferem a Palavra de Deus. Se não atentarmos à santidade e à glória divina, não subsistiremos. Deus, embora seja conhecido pelo amor, é também um fogo devorador (Is 30.27). Portanto, sejamos puros e santos em toda a nossa maneira de ser: o Senhor não se deixa escarnecer.

Ao invés de fogo estranho, busquemos o verdadeiro avivamento espiritual. E, dessa forma, ousemos proclamar com toda a ousadia:

“Jesus Cristo salva, batiza com o Espírito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e maravilhas e, em breve, haverá de arrebatar-nos às regiões celestiais”.

Misericórdia, Jesus. Amém.

Fonte:
Livro de Apoio – Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Claudionor de Andrade
Lições Bíblicas 3º Trim.2018 - Adoração, Santidade e Serviço - Os princípios de Deus para a sua Igreja em Levítico - Comentarista: Claudionor de Andrade

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O Milagre de andar por sobre o mar

“Jesus, porém, lhes falou logo, dizendo: Tende bom ânimo, sou eu; não temais” Mt 14.27

"Jesus anda sobre o mar" João 6.16-21
Este é um dos grandes ‘sinais’ narrados por João para que crêssemos que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que crendo, tenhamos vida em Seu nome, cap. 20.31. Os judeus, considerando-O o grande Líder político, designado para salvar a pátria, tinham o intuito de arrebatá-lo e proclamá-lo Rei. Jesus, porém, ao andar sobre o mar, manifestou-se, não como um mero político em uma esfera limitada, mas como o divino Criador com supremo poder sobre o universo. O mar da Galileia, apesar de não ser mais que um lago, sofre grandes temporais. Turistas testificam que se desencadeiam lá tempestades repentinas e tão violentas que a superfície do lago parece como as águas fervendo de um gigantesco caldeirão. Logo o barco chegou à terra para onde iam (v.21). É uma figura expressiva e palpitante do Cristo atual:

1) Já subiu para orar noutro alto, Mt 14.23; Hb 7.26; 9.24.

2) O mar deste mundo é muito tempestuoso, Lc 21.25-28.

3) A quarta vigília (Mt 14.25), Jesus está para voltar, Rm 13.11-14.

4) Com a vinda de Jesus cessa o vento. Ele não deixa a tempestade aumentar demasiado; antes de chegar ao extremo, Ele aparecerá sobre as ondas mais elevadas, Lc 21.28.

5) Com a chegada de Jesus, o barco já estava no porto, não se tinha desviado um metro da rota, durante o temporal. Com a Sua chegada findarão todos os problemas e logo entraremos no porto onde jamais baterão ventos nem tormenta” (BOYER, Orlando. Espada Cortante. Lucas, João e Atos. Volume 2. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2007, pp.267,268).

O fato de Jesus andar sobre o mar consolidou seu senhorio sobre a natureza, evidenciando sua divindade.

Grande parte do ministério do Senhor Jesus fora desenvolvida às margens do mar da Galileia. Uma vez que na verdade se trata de um grande lago de água doce, muitas pequenas cidades se formavam em seu entorno por causa de suas águas.

Leia mais sobre:  O Mar da Galileia


Leitura Bíblica - João 6.16-21


INTRODUÇÃO

Seguindo seu propósito de demonstrar que Jesus é o Cristo, o Ungido (Jo 20.30,31), João relata o “quinto sinal”. Cotejado com as narrativas de dois dos Sinóticos — Mateus (14.23-36) e Marcos (6.45-56) — o material joanino parece estar incompleto. Todavia, como já foi dito, cada Evangelho possui suas peculiaridades e o de João não é diferente. Como poderá ser visto, para os propósitos do quarto Evangelho, as informações constantes nesta pequena porção bíblica são suficientes.

I. OS DISCÍPULOS E A PERSPECTIVA DO REINO

1. Jesus retira-se sozinho para o monte.

O texto estudado anteriormente termina com duas informações, sendo que a ênfase da lição passada recaiu apenas sobre a primeira delas. Neste tópico, a segunda será mais bem explorada para se entender o contexto do quinto sinal. João diz que Jesus “tornou a retirar-se, ele só, para o monte” (Jo 6.15). Não poucas vezes o Mestre retirou-se para períodos a sós com o Pai (Mc 1.35; Lc 5.16; 6.12).

2. Os discípulos com o coração endurecido.

No texto paralelo de Marcos para essa narrativa, o evangelista observa que os discípulos “não tinham compreendido o milagre dos pães; antes, o seu coração estava endurecido” (Mc 6.52). Acostumados à ideia de que um grande feito como aquele deveria culminar com nada menos que o coroamento e a ascensão definitiva do seu Mestre, os discípulos certamente ficaram decepcionados e, por isso mesmo, com o coração “endurecido” pela atitude de Jesus.

3. “Jesus não tinha chegado perto deles”.

O texto joanino diz que no período da tarde os discípulos desceram para o mar (v.16). Eles então embarcaram “em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado perto deles” (v.17). Esse tempo que Jesus se deteve em oração talvez tenha sido oportuno para que os discípulos refletissem melhor e, quem sabe, entendessem a diferença entre a perspectiva humana e a do Reino.

Ponto Importante
Ao permitir que, em alguns momentos, fiquemos sozinhos, Deus certamente dá-nos grandes lições espirituais.

II. O MAR E O MILAGRE

1. A situação do mar.

Os discípulos haviam descido para o mar e já era noite quando zarparam rumo a Cafarnaum. Devido à topografia da região, cercada por montes, onde está situado o “mar” da Galileia, trata-se na verdade de um imenso lago de água doce cuja superfície encontra-se 210 metros abaixo do nível do mar. Ventos originados no mar Mediterrâneo sopram pelo vale do grande lago, fazendo com que as águas deste se agitem tornando-se perigosas (Mc 4.35-41). É exatamente isso que o texto informa ao dizer que “o mar se levantou, porque um grande vento assoprava” (v.18).

2. O progresso da viagem.

Os discípulos haviam remado por muitas horas, praticamente a noite inteira, e não conseguiram navegar mais que cinco ou seis quilômetros, pois o grande vento que assoprava não permitira o progresso da viagem (vv.18,19). Isso aconteceu a despeito de alguns deles serem pescadores e, consequentemente, experientes na arte da navegação.

3. Jesus anda sobre o mar.

Foi em meio a este momento difícil que os discípulos avistaram algo inusitado, que os fez temer mais ainda: uma pessoa andando sobre o mar (v.19). Se dentro de um barco a situação era desesperadora, o que dizer daquela experiência? Felizmente, não se tratava de nada do imaginário que povoava o folclore judaico (Mt 14.25,26; Mc 6.48,49), mas era o Mestre que, de forma sobrenatural e milagrosa, andava sobre as águas tempestuosas e revoltas do mar da Galileia.

Ponto Importante
O inusitado pode não ser necessariamente o que imaginamos, por isso, é importante estar atento para novas experiências.

III. “O EU SOU”

1. Na resposta, a afirmação do nome de Deus.

Reconhecendo o pavor que tomara conta dos discípulos, o Mestre identifica-se desde onde está, dizendo a eles que não temessem. Contudo, os melhores comentaristas são unânimes em dizer que o texto vai muito além de uma resposta que visava apenas um reconhecimento superficial; antes, ao afirmar “Sou eu” (v.20), Jesus alude a um dos mais conhecidos nomes divinos do Antigo Testamento (Êx 3.14; Is 43.10,11,25).

2. A divindade do Senhor.

Com a resposta do Senhor aos discípulos, identificando-se com Deus, somado ao fato de Ele estar andando sobre as águas, ao colégio apostólico, bem como aos leitores de João, não resta nenhuma dúvida: Jesus é Deus, pois somente o Criador, desde o Antigo Testamento, tem tal poder (Jó 9.8; Sl 77.19).

3. Do assombro à esperança.

Do primeiro momento em que estavam endurecidos, e posteriormente espantados, os discípulos passaram então à esperança, pois receberam o Mestre, diz João, “de boa mente”, conseguindo chegar, em segurança, à outra margem, para o local onde tinham por destino (v.21).

Ponto Importante
Em meio às dificuldades Deus pode revelar grandes coisas, basta apenas prestar a atenção.

CONCLUSÃO

O grande ensinamento desta lição é justamente o fato de Jesus ter “deixado” seus discípulos por um período de tempo, permitindo que estes refletissem e enfrentassem as dificuldades de uma viagem corriqueira. Isso fez com que eles experimentassem a verdade de que se o Senhor estiver no barco tudo vai bem.

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 3º Trimestre de 2018 - Título: Milagres de Jesus — A fé realizando o impossível - César Moisés Carvalho
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