Membros / Amigos

Conheça mais de nossas Postagens

Research - Digite uma palavra ou assunto e Pesquise aqui no Blog

segunda-feira, 5 de março de 2018

Os Dez (10) Mandamentos para Pastores

10 MANDAMENTOS PARA PASTORES


1 – Não amarás mais sua igreja do que a família!

Família e igreja são instituições criadas por Deus, é verdade. Infelizmente encontramos pastores que canalizam mais o seu amor e atenção à igreja, esquecendo que a família deve ser, depois de Deus, a instituição que deve ser priorizada na vida, seja de pastor ou não.

2 – Nunca permita que sua esposa faça na igreja algo apenas porque é a esposa do pastor!

Lembro-me que certa vez fui sondado para ser pastor de uma igreja e a comissão de sucessão perguntou a minha esposa se ela tocava piano, porque queriam um pastor que fosse casado com uma pianista. Esposa de pastor deve ser envolver nos trabalhos da igreja, antes de tudo, como crente que recebeu de Deus dons e talentos como todos os crentes.

3 – Nunca deixe de tirar férias com sua família!

Uma vez ouvi um pastor falando a plenos pulmões que se orgulhava em dizer que seu cuidado para com a igreja era tanto que havia anos que não tirava férias com a família. Foi-se o tempo que isso soava bem aos ouvidos do povo de Deus.

4 – Mostre sempre para a igreja que você também é marido e pai!

A igreja precisa entender de que como marido e pai você não vai ter condições de participar de todos os cultos, reuniões da igreja. Você precisa ter coragem para dizer à sua igreja que num determinado sábado você sairá para jantar com sua esposa.

5 – Jamais passe para a igreja que você tem um casamento e uma família perfeita!

Por quê? Porque todos nós somos pecadores.
A igreja não quer um pastor perfeito. Os casais precisam saber que como todos os mortais, você tem conflitos e desafios pessoais para melhorar sua vida conjugal e familiar a cada dia.

6 – Nunca se esqueça: Existem centenas de igrejas, mas família você só tem uma!

O maior legado que você deve deixar é no seio de sua família. O que adianta ser lembrado pela igreja ou denominação, mas não encontrar com seus filhos no céu? Seja um pastor aprovado por Deus na igreja e na família.

7 – Nunca pense que você está imune a um envolvimento sexual ilícito!

Esteja atento. O Diabo vai querer derrubar você na área moral. Muito cuidado com o relacionamento com o sexo oposto. Lembre de tratar as mulheres mais idosas como mães e as mais novas como irmãs.

8 – Quando chegar em casa, seja esposo e pai!

Se usa terno e gravata, tire assim que chegar em casa. Beije sua esposa, abrace seus filhos. Ajude sua esposa no cuidado da casa e com as crianças. Role no chão com seus filhos se ainda são pequenos. Converse com seu filho adolescente.

9 – Mostre para seus filhos que há coerência entre o que você prega e o que vive em casa!

Seus filhos estão percebendo se aquilo que você fala do púlpito é vivido dentro de casa. Sua esposa também. Não seja um fariseu, pregando algo que não vive no casamento e na família.

10 – Nunca se esqueça de que quem sustenta sua família é Deus e não a igreja a que serve!

Trabalhe na igreja como um homem chamado por Deus, não para ganhar dinheiro. Nunca se esqueça de quem o sustenta é Deus. Se um dia a igreja deixar de sustentar sua família, saiba que Deus irá providenciar outras fontes. O seu sustento vem de Deus e não da igreja.


"Ordene estas coisas para que sejam irrepreensíveis. Se alguém não cuida de seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e é pior que um descrente." - 1 Timóteo 5:7,8


Vamos orar um pelo outro e por nossas família.

Autor Desconhecido

via Point Rhema
Aqui eu Aprendi!

sábado, 3 de março de 2018

Contrastes na Adoração da Antiga e Nova Aliança

“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” Hb 9.22


A adoração e o louvor a Deus não é algo visto somente na Nova Aliança, já no Antigo Testamento o desejo de Deus era que os israelitas o adorassem e tivessem um relacionamento mais profundo com Ele. Por isso, o Criador ordenou que Moisés construísse uma tenda móvel de adoração, o Tabernáculo, que acompanharia o povo durante a longa travessia pelo deserto. Este seria o único lugar onde o povo poderia encontrar-se com Ele e adorá-lo. Cada detalhe, cada peça, o desenho, ou seja, tudo no Tabernáculo tinha um significado, simbolizando uma realidade espiritual.

Na carta aos Hebreus o autor detalha alguns principais utensílios do Tabernáculo a fim de mostrar o sentido da adoração e do serviço sagrado na Antiga Aliança, comparando com a obra de Cristo no Tabernáculo eterno da Nova Aliança.

Leitura Bíblica em classe:  Hebreus 9.1-5,14,15,22-28

A eficácia da adoração neste período da Nova Aliança está no fato de ela estar fundamentada no sangue de Cristo.

Contrastes na adoração da Antiga e Nova Aliança

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
Texto Bíblico: Hebreus 9.1-5,14,15,22-28

2. I. O Culto e seus elementos na Antiga Aliança
• 1. O culto e seus utensílios.
• 2. O culto: seus oficiantes e liturgia.

3. II. A eficácia do culto na Nova Aliança
• 1. Uma redenção eterna.
• 2. Uma consciência limpa.
• 3. Uma herança eterna.

4. III. A singularidade do culto da Nova Aliança
• 1. O santuário celeste.
• 2. Um sacrifício superior.
• 3. Uma promessa gloriosa.

5. Conclusão

O tema da presente lição, de fato, é de grande conteúdo. Entretanto, o problema para alguns, talvez para a maioria que se sente desconfortável, não está na quantidade de elementos ou na descrição do culto judaico do Antigo Testamento, mas na aparente dificuldade de compreender o texto de Levítico, o livro que descreve toda função sacerdotal e os elementos do culto levítico.

“O texto do Pentateuco parece ser de difícil compreensão, impenetrável, muito fechado”, reclamam alguns. Diante disso, gostaria de relacionar algumas dicas para facilitar a sua leitura do livro de Levítico.

1. Para a lição desta semana, a leitura do livro de Levítico é fundamental. É o livro que trata da institucionalização do sacerdócio no Antigo Testamento. Portanto, se você ainda não leu o livro, não deixe de fazê-lo.

2. Leia Levítico numa Bíblia mais contemporânea, isto é, numa linguagem mais corrente. Refiro-me às seguintes versões: Almeida Século XXI, NVI (Nova Versão Internacional).

3. Por que recomendo o item dois? Porque, na maioria das vezes, a dificuldade que as pessoas reclamam com o livro do Levítico, na verdade, é oriunda da versão que se usa para ler o livro do que com o texto propriamente escrito. Explico-me no item quatro.

4. Por exemplo, sabemos que a ARC (Almeida Revista Corrigida) ou a ARA (Almeida Revista Atualizada), versões belíssimas da Bíblia, são versadas na Língua Portuguesa mais antiga, isto é, muitos termos caíram em desuso.

5. Mas atenção: recomendamos o uso da versão contemporânea apenas para o estudo pessoal. Entretanto, no culto público ou na exposição da aula na Escola Dominical, use a ARC (Almeida Revista Corrigida), a versão oficialmente usada por nossa denominação.

“A adoração na Nova Aliança está fundamentada na obra de Cristo no Calvário.”

Comentário Hebreus 9. 1-28

Neste capítulo, o autor continua sua argumentação acerca da superioridade de Jesus sobre o antigo sistema levítico, pondo aqui em destaque o santuário terrestre em contraste com o celestial. Nesta seção, que tem início aqui e estende-se até Hebreus 10.28, o autor contrastará a adoração levítica com a adoração cristã.

"Ora, também o primeiro tinha ordenanças de culto divino e um santuário terrestre" (v. 1).
Visto o autor já ter discorrido sobre o antigo pacto na seção anterior, o termo “aliança” ou "pacto” está subentendido nesse versículo, embora não conste no texto grego. O seu argumento põe em relevo a superioridade de Cristo, ministro da Nova Aliança, com o antigo sistema levítico, pertencente à Antiga Aliança. Tanto na Antiga como na Nova, o alvo do culto é a adoração. Isso é percebido na expressão dikaiomata latreias (culto divino), onde o termo latreo é frequentemente usado nas Escrituras com referência à adoração.

A intenção do autor é chamar a atenção para a natureza dessas duas alianças — uma com seu sistema de adoração terrena, e a outra com uma adoração espiritual. A palavra grega kosmikon, traduzida como “deste mundo" ou “terrestre”, não tem conotação moral aqui, mantendo o sentido daquilo que pertence a esta esfera física.1  O antigo Tabernáculo, mesmo com toda a sua estrutura, pertencia a essa dimensão.

"Porque um tabernáculo estava preparado, o primeiro, em que havia o candeeiro, e a mesa, e os pães da proposição; ao que se chama o Santuário" (v. 2).
A Antiga Aliança possuía seu santuário terrestre e seu ritual litúrgico com os elementos formadores do culto e da adoração. Aqui, o autor usa o termo grego skené {tenda) para referir-se aos dois compartimentos do Tabernáculo — o santo lugar e o Santo dos Santos. O expositor Neil R. Lightfoot observa que "desde que os dois compartimentos eram separados por uma cortina, o autor fala deles como de duas tendas distintas”.2  Na descrição do autor, no primeiro compartimento, estava o candeeiro, também conhecido como menorah, e a mesa, onde ficavam os pães da proposição (Êx 25-26). O candeeiro era feito de ouro, possuía sete braços e era posto junto à parede do lado sul. O candeeiro era a única fonte de iluminação do santuário e devia permanecer sempre com suas lâmpadas acesas, o que é visto como um símbolo da iluminação do Espírito Santo. Do lado oposto, ficava a mesa com os 12 pães da proposição, que era uma alusão às 12 tribos de Israel e representava a divina provisão de Deus. Esses pães eram trocados aos sábados, sendo os antigos comidos pelos sacerdotes, e, em seu lugar, recebiam a reposição dos novos pães. Esses pães são tidos pelos estudiosos como um tipo de Cristo e a provisão que Ele trouxe para seu povo.

“Mas, depois do segundo véu, estava o tabernáculo que se chama o Santo dos Santos” (v. 3).
O autor prossegue com sua descrição do Tabernáculo. Vimos que ele usa a palavra “tabernáculo" para referir-se tanto ao "santo lugar”, como sendo o primeiro Tabernáculo, e ao "Santo dos Santos", como sendo o segundo Tabernáculo. Na sua descrição, o "Santo dos Santos”, ou o segundo Tabernáculo, estava depois do segundo véu. O Santo dos Santos era o local mais sagrado do Tabernáculo. Aqui, ele fala do "segundo véu” porque havia um "primeiro véu" na entrada do Tabernáculo. É esse segundo véu, um símbolo da separação entre o homem e Deus, que se rasgou quando Jesus morreu na cruz do Calvário.

"Que tinha o incensário de ouro e a arca do concerto, coberta de ouro toda em redor, em que estava um vaso de ouro, que continha o maná, e a vara de Arão, que tinha florescido, e as tábuas do concerto" (v. 4).
Na descrição dos utensílios que faziam parte do segundo Tabernáculo (ou Santo dos Santos), o autor põe o incensário de ouro e a arca do concerto. Uma das coisas de fácil percepção para um leitor atento é que o autor parece não seguir a descrição veterotestamentária quando descreve os utensílios que faziam parte do Santo dos Santos. Por exemplo, ele põe o altar do incenso como sendo um dos utensílios do Santo dos Santos. A meu ver, uma das melhores explicações desse texto foi dada pelo erudito Neil R. Lightfoot.

Primeiramente, a confusão existe por causa de uma má interpretação da palavra grega thymiaterion, que passou a ser traduzida como "incensário”, em vez de “altar do incenso".3  Desde que a vulgata latina e a peshitta, antiga tradução siríaca, traduziram thymiaterion como sendo uma referência ao incensário, muitas outras traduções fizeram o mesmo. Alguns intérpretes tentam justificar essa aparente discrepância argumentando que o autor referia-se ao incensário usado por Arão no dia da Expiação (Lv 16.12-13). Todavia, esse incensário não fazia parte dos utensílios do Santo dos Santos e nem era guardado lá, visto que o sumo sacerdote precisava usá-lo para levar brasas do altar para o Santo dos Santos.

Em segundo lugar, o equívoco ocorre por causa da localização imprecisa desse altar dentro do Tabernáculo. Como vimos, na descrição do autor, o altar do incenso parece ser posto como sendo utensílio do Santo dos Santos. Entretanto, segundo o relato de Êxodo 30.6, o altar do incenso estava posto “diante do véu que está diante da arca do Testemunho”. Dessa forma, a descrição do Êxodo põe o altar do incenso no "santo lugar” em vez de no “Santo dos Santos", como faz o autor de Hebreus. É improvável e até mesmo impossível o autor não ter consciência desse fato, pois ele sabia que, se o altar do incenso estivesse dentro do Santo dos Santos, os sacerdotes comuns teriam que entrar repetidamente nesse recinto para oferecer sacrifícios, o que não era permitido (Lv 16.2). De acordo com o livro de Êxodo, o altar do incenso ficava estrategicamente diante do véu para que sua fumaça penetrasse no Santo dos Santos.

A aparente discrepância desaparece quando somos informados pelo relato bíblico de que o sumo sacerdote, no dia da Expiação, fazia uma expiação anual sobre o altar do incenso (Êx 30.10).

Esse fato fazia que o altar do incenso e o Santo dos Santos ficassem ligados por esse importante rito. Isso justifica a explicação do autor, que, ao referir-se ao segundo Tabernáculo (ou Santo dos Santos), disse que ao mesmo "pertencia o altar de ouro para incenso", em vez de ter dito "no qual estava o altar de ouro do incenso e a arca do concerto". Noutras palavras, devido à sua proximidade com o Santo dos Santos, separado deste apenas por uma cortina, o altar do incenso, que não estava no interior do mesmo, passava a pertencer ao santuário mais interior pelo vínculo estabelecido pelo ritual da expiação anual. Os expositores A. B. Bruce, A. B. Davidson, Wescoot, dentre muitos outros, veem apoio léxico para essa explicação. A expressão "tinha", usada no versículo 4, traduz o termo grego echousa e é melhor traduzida como “pertencia”. Por outro lado, no versículo 2, a expressão "em que havia", que traduz os termos gregos em he, é melhor traduzida como "onde estavam". Em palavras mais simples, o autor afirma categoricamente no versículo 2 que determinados utensílios fazem parte do primeiro compartimento do Tabernáculo, isto é, o santo lugar. Por outro lado, quando se refere ao altar do incenso, o autor não afirma isso, mas, sim, que o mesmo passava a pertencer, devido à importância do ritual da expiação ao segundo Tabernáculo, isto é, o Santo dos Santos.4

“E sobre a arca, os querubins da glória, que faziam sombra no propiciatório; das quais coisas não falaremos agora particularmente" (v. 5).
Esse versículo é uma continuação da exposição que o autor fez no versículo 4. Esse termo é frequentemente usado no contexto da Bíblia para fazer referência à expiação em prol do pecado. O propiciatório era a tampa da Arca da Aliança. A palavra "propiciatório” é a tradução da palavra grega hilasterion, que ocorre aqui e em Romanos 3.25. Essa palavra (que também ocorre em Hebreus 2.17) é derivada do verbo grego hilaskomai, que, em Lucas 18.13, é usada pelo publicano para pedir “misericórdia” (hilaskomai) a Deus. Devido a esse fato, as antigas versões em inglês traduziram hilasterion como "assento da misericórdia". Sobre o propiciatório, eram colocados os querubins, seres que, na sua representatividade, apareciam de forma composta, tendo a face humana, corpo e animal e asas de pássaro (Êx 25.18-20). Esses querubins eram uma representação da glória de Deus.

“Ora, estando essas coisas assim preparadas, a todo o tempo entravam os sacerdotes no primeiro tabernáculo, cumprindo os serviços” (v. 6).
Tendo descrito os utensílios do Tabernáculo, o autor volta-se para os oficiantes do culto. Muitas vezes, pensa-se que esses sacerdotes estavam presos apenas a uma infinidade de práticas rituais. Todavia, para o autor, eles estavam prestando adoração a Deus no culto do qual participavam, mesmo que essa adoração fosse imperfeita, limitada e temporal. Isso é mostrado pelo uso do vocábulo grego latreia (adoração), traduzida aqui como "serviços”.

“Mas, no segundo, só o sumo sacerdote, uma vez no ano, não sem sangue, que oferecia por si mesmo e pelas culpas do povo” (v. 7).
Nesse contexto, a palavra “segundo” é uma referência ao segundo compartimento do Tabernáculo, denominado de “Santo dos Santos”. Nessa parte do santuário, os sacerdotes comuns não podiam entrar. Somente o sumo sacerdote, uma vez no ano, no Dia da Expiação, entrava no Santo dos Santos com o sangue de um animal inocente para oferecer sacrifícios por ele mesmo e pelo povo. O autor usa a palavra grega agnoema, que ocorre somente aqui no Novo Testamento para referir-se aos pecados cometidos por ignorância. São faltas cometidas devido à fragilidade humana, e não aos erros que são praticados intencionalmente.

“Dando nisso a entender o Espírito Santo que ainda o caminho do Santuário não estava descoberto, enquanto se conservava em pé o primeiro tabernáculo” (v. 8).
O expositor Donald Hegner entende que o autor referia-se às duas partes principais do Tabernáculo — o santo lugar e o Santo dos Santos, como vinha fazendo até aqui. Dessa forma, a expressão "santuário”, do grego tôn hagion, seria uma referência à parte mais interior, isto é, o Santo dos Santos, enquanto a expressão "primeiro tabernáculo” seria uma referência ao lugar mais externo, isto é, o santo lugar. Esse fato ficaria demonstrado quando o autor, no versículo 12, afirma que Cristo entrou no "santuário”, o que é uma referência clara ao "Santo dos Santos”.5  Hegner não está errado. De fato, esse é o argumento exposto pelo autor até aqui. Todavia, especificamente nesse versículo, o contexto favorece uma referência a todo o santuário da Antiga Aliança, como acertadamente expõe F. F. Bruce. O fato é que, enquanto o sistema sacerdotal levítico fosse mantido de pé, o acesso à presença de Deus, representada aqui pelo “Santo dos Santos”, não estaria ainda disponível.6

“Que é uma alegoria para o tempo presente, em que se oferecem dons e sacrifícios que, quanto à consciência, não podem aperfeiçoar aquele que faz o serviço” (v. 9).
Para o autor, toda a estrutura do Tabernáculo, bem como todo o sistema sacerdotal levítico, funcionavam como uma figura ou parábola de uma realidade muito maior — o sacrifício de Cristo. Ambas eram uma sombra de uma realidade superior que agora havia chegado. O verbo grego prospherontai, que aqui está no presente do indicativo passivo, também ocorre no versículo 7. Esse verbo, que é traduzido como "trazer", “oferecer", "apresentar” e "sacrificar", tem o sentido de "aquele que presta culto", um adorador. Na antiga aliança, a adoração era imperfeita e incompleta, visto que todo o sistema levítico também o era.

“Consistindo somente em manjares, e bebidas, e várias abluções e justificações da carne, impostas até ao tempo da correção” (v. 10).
Esses elementos do antigo culto, juntamente com sua simbologia, eram ineficazes porque não tratavam do interior do homem, mas somente do seu aspecto externo. É nesse aspecto que o autor refere-se aos mesmos como sendo uma "parábola”, isto é, uma figura que tratava com a "carne", mas que nada podiam fazer para resolver o problema espiritual das pessoas. Cleon Rogers observa que os dons e sacrifícios oferecidos no antigo culto só podiam purgar a carne, não a consciência.7

"Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação” (v. 11).
A expressão grega tôn genomenôn agathon foi traduzida como "bens já realizados" na Almeida Revista e Atualizada (ARA); é preferível "bens futuros”, da Almeida Revista e Corrigida (ARC). A intenção do autor é mostrar que Cristo é a realização daquilo que o sistema levítico simbolizava, ou era apenas uma sombra. Longe de ser apenas uma figura, o santuário celeste é mais perfeito (gr. meizon teleioteros) do que o terreno. "No típico pensamento do primeiro século, os céus eram puros, perfeitos e imutáveis; o tabernáculo celestial, então, seria o protótipo perfeito para o terreno e o único que finalmente era necessário.”8

“Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção" (v. 12).
Esse versículo mostra a radical diferença entre o sistema levítico de sacrifício e aquele realizado por Cristo. Os sacerdotes na Antiga Aliança ofereciam sacrifícios com sangue de animais; Cristo, porém, entrou no santuário com seu próprio sangue. Ele foi a oferta. Em vez de entrar repetidas vezes, como fazia os antigos oficiantes, Cristo entrou no Tabernáculo celeste uma vez para sempre.

“Porque, se o sangue dos touros e bodes e a cinza de uma novilha, esparzida sobre os imundos, os santificam, quanto à purificação da carne” (v. 13).
O autor tem em mente os textos de Levítico 16.15-16 e Números 19.9 e 17.9 quando descreve os rituais envolvendo animais na Antiga Aliança. Esses rituais visavam qualificar as pessoas que se tornaram cerimonialmente impuras pelas práticas descritas nesses textos a terem um relacionamento entre elas e Deus. Era, todavia, apenas uma purificação externa. Em vez de "purificação da carne”, a Nova Versão Internacional traduz como “se tornam exteriormente puros”. O altar e o livro aqui mencionados são símbolos do pacto divino que Deus estabeleceu com os homens. O expositor Julio Montalvo faz uma importante distinção entre o sacrifício de Cristo e aqueles realizados na Antiga Aliança.

1. O sangue de Cristo tem muito mais poder para limpar o pecado que o sangue de sacrifícios de animais.

2. O sangue de Cristo restaura a aliança entre Deus e os homens.

3. Porque Ele veio diante de Deus para interceder uma vez por nossos pecados (w. 23-28). Cristo veio à presença de Deus no santuário do céu para representar-nos.

4. O sacrifício de Cristo não é repetido como o levítico; Cristo ofereceu um único sacrifício, perfeito e espiritual, que previa o perdão completo e purificação.

5. A morte de Cristo não se repete, porque Cristo tomou a natureza humana para morrer, e é estabelecido que os homens devem morrer uma só vez.

6. A aparição de Cristo pela segunda vez neste mundo confirmará a salvação que Ele nos comprou com o seu sangue.9

“Quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo Espírito eterno, se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará a vossa consciência das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?" (v. 14).
O ritual levítico tratava com o aspecto externo; o sacrifício de Cristo trata com o interior do homem. A expressão "Espírito eterno” é uma clara alusão ao Espírito Santo e sua relação com o ministério de Cristo (Is 42.1). O ministério de Cristo foi autenticado pelo Espírito Santo (At 10.38). Aqui, ele é associado à redenção (Ef 4.30). O sangue de Cristo purifica o mais interior da alma, limpando a consciência daquilo que é pecaminoso.

“E, por isso, é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna” (v. 15).
O expositor F. F. Bruce observou que Cristo é, ao mesmo tempo, mediador e fiador dessa Nova Aliança.10  A eficácia do sacrifício de Cristo está no fato de que sua morte remiu não somente os crentes da Nova Aliança, mas também todos os que estavam debaixo da Antiga. A. T. Robertson comenta:

“Aqui, há uma declaração definitiva de que o valor real dos sacrifícios típicos, debaixo do sistema do A.T, estava na sua realização na morte de Cristo. É a morte de Cristo que dá valor aos tipos que apontavam para Ele. Assim, o sacrifício expiatório de Cristo é a base da salvação de todos que são salvos antes da cruz e desde então”.11

“Porque, onde há testamento, necessário é que intervenha a morte do testador" (v. 16).
O Testamento era um documento selado, aberto e que entrava em vigor com a morte do testador. C. S. Keener destaca que os antigos pactos eram selados com sangue.12

“Porque um testamento tem força onde houve morte; ou terá ele algum valor enquanto o testador vive?" (v. 17).
A pergunta retórica do autor requer um "não” como resposta. Tanto na lei romana como nos preceitos estabelecidos na Antiga Aliança, estipulava-se que um testamento entrava em vigor somente após a morte do testador. A ideia do autor é reforçar o argumento da necessidade da morte de Cristo para que a Nova Aliança tivesse valor legal.

“Pelo que também o primeiro não foi consagrado sem sangue” (v. 18).
Até mesmo a Antiga Aliança necessitou ser selada com sangue para ter valor. Esse versículo mostra que o sangue derramado de animais deu legalidade ao Antigo Testamento. Esse fato é corroborado no versículo 19.

“Porque, havendo Moisés anunciado a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, tomou o sangue dos bezerros e dos bodes, com água, lã purpúrea e hissopo, e aspergiu tanto o mesmo livro como todo o povo” (v. 19).
Esse versículo aponta para Êxodo 24.3-8, mesmo que alguns elementos citados pelo autor não se encontrem na passagem do segundo livro de Moisés. É possível que, além do texto bíblico, o autor seguisse uma antiga tradição judaica a qual não conhecemos. O autor detalha que não somente o livro da aliança, mas também "todo o povo” foram aspergidos também. Donald Guthrie destaca que

“o fato de que não só o próprio livro, como também todo o povo foram aspergidos demonstra que a aliança envolvia a cooperação dos parceiros humanos, que precisavam de uma purificação especial para serem tomados dignos de participar”.13

“Dizendo: Este é o sangue do testamento que Deus vos tem mandado" (v. 20).
É possível que esse versículo faça um paralelo com o ritual da Ceia do Senhor, conforme descrita em 1 Coríntios 11.25 e também com as palavras do apóstolo Pedro (1 Pe 1.2). Tanto o antigo pacto como o novo foram ratificados com sangue.

“E semelhantemente aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os vasos do ministério” (v. 21).
O terceiro livro de Moisés, Levítico, mostra que o Tabernáculo foi ungido com óleo, porém omite qualquer referência ao sangue. Todavia, Flávio Josefo (37 d.C.-100 d.C.), em seu livro Antiguidades Judaicas, diz que o Tabernáculo foi aspergido tanto com sangue como com óleo. Josefo, inclusive, afirma que até mesmo; as vestimentas dos sacerdotes, os utensílios sagrados e as demais coisas eram purificados com sangue. A intenção do autor é mostrar a importância que o sangue possuía dentro do ritual da antiga aliança e como ele apontava para o sangue de Cristo.14

“E quase todas as coisas, segundo a lei, se purificam com sangue; e sem derramamento de sangue não há remissão” (v. 22).
Esse é um versículo chave em Hebreus. Na Antiga Aliança, o sangue era necessário para fazer expiação (Lv 17.11), e o autor extrai dessa verdade a necessidade da expiação dos pecados pelo sangue de Cristo. Na Antiga Aliança, o autor fala de "coisas” que eram purificadas; todavia, na Nova Aliança, essa purificação não acontece com coisas, mas, sim, com pessoas. São as pessoas, que estão debaixo do jugo do pecado e da condenação, que necessitam do perdão de Deus. Cristo veio purificar o pecador por seu próprio sangue. A palavra "purificar”, do grego katharizetai, ocorre 31 vezes no Novo Testamento grego. No Novo Testamento, ela aparece com os sentidos de ritual, cerimonial, ético-moral e espiritual (Mt 8.2; Lc 11.39; At 10.15; 15.9). Nesse texto, o seu sentido é espiritual, mostrando a eficácia do sangue de Cristo na purificação e perdão dos pecados (2 Co 7.1; Tt 2.14; Hb 9.14; 1 Jo 1.7).

"De sorte que era bem necessário que as figuras das coisas que estão no céu assim se purificassem; mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que estes" (v. 23).
Em sua Homilia Sobre el Levítico, Orígenes (185 d.C.-254 d.C.) observa que aquilo que é "descrito na Lei não é mais do que ‘cópia’ e ‘tipo’ de uma realidade viva e verdadeira”.15  É exatamente isso o que o autor está afirmando aqui. Todo o sistema sacrificial do antigo pacto não passava de uma sombra da qual Cristo é a realidade. Os sacrifícios de animais tinham valor cerimonial, transitório e externo; todavia, o sacrifício de Cristo possui valor eterno e espiritual. Ele era em tudo superior ao sistema levítico. O expositor Fritz Laubach entende que, aqui, as "coisas celestes” são usadas no sentido literal:

"A queda pelo pecado humano, a rebelião do ser humano contra Deus, não somente teve efeito sobre a criatura na criação visível (Rm 8.20-22), mas também turbou a ordem do mundo celestial. O santuário celestial carece igualmente da força purificadora do sangue. Para isso, sacrifícios de animais da terra são insuficientes”.16

Todavia, é melhor entendermos esse texto não no mesmo sentido que Laubach, que afirma haver uma suposta imperfeição no céu, mas, sim, como uma metáfora das coisas espirituais. F. F. Bruce expôs desta forma:

“O que necessitava de limpeza era a consciência contaminada de homens e mulheres. Essa é a purificação que corresponde à esfera espiritual. O argumento do v. 23 pode ser parafraseado dizendo que, enquanto o ritual de purificação é adequado para a ordem material, que não é senão uma figura terrena da ordem espiritual, necessita-se de uma classe melhor de sacrifício para realizar uma purificação na ordem espiritual”.17

No contexto da Nova Aliança, são os homens e mulheres, agora templos do Espírito Santo, que necessitam de purificação.

"Porque Cristo não entrou num santuário feito por mãos, figura do verdadeiro, porém no mesmo céu, para agora comparecer, por nós, perante a face de Deus" (v. 24).
O santuário terrestre foi feito conforme o modelo que Moisés recebera no monte; todavia, ele fora confeccionado por mãos humanas. Cristo, ao contrário, entrou no santuário celeste, do qual o terrestre era apenas uma figura. Nesse santuário celeste, Ele oficia como Sumo Sacerdote em favor da Igreja (Rm 8.34).

“Nem também para a si mesmo se oferecer muitas vezes, com o o sumo sacerdote cada ano entra no Santuário com sangue alheio” (v. 25).
O sistema sacerdotal da Antiga Aliança exigia que, ano após ano, o sumo sacerdote entrasse no santuário para apresentar o sacrifício da expiação. O sacerdócio de Cristo, visto ser de natureza eterna e definitiva, não apresenta essa imperfeição.

“Doutra maneira, necessário lhe fora padecer muitas vezes desde a fundação do mundo; mas, agora, na consumação dos séculos, uma vez se manifestou, para aniquilar o pecado pelo sacrifício de si mesmo” (v. 26).
O problema do pecado, que entrou no mundo através de Adão, nunca havia sido tratado de forma definitiva até à vinda de Cristo. Desde a instituição do sistema sacerdotal levítico, os sacerdotes no santo lugar e o sumo sacerdote no Santo dos Santos necessitavam oferecer seus sacrifícios ano após ano. Tudo isso terminou quando Cristo entrou no santuário celeste.

"E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo, depois disso, o juízo" (v. 27).
Há uma analogia entre a morte dos homens e a morte de Cristo; todavia, há uma diferença abissal entre ambas. A morte dos homens foi "ordenada”, ou seja, não tem como escapar e fugir dela! Entretanto, a morte de Cristo foi voluntária, uma entrega a favor dos homens.

"Ninguém está isento desta experiência. A diferença entre a morte de Cristo e todas as demais é que a dEle foi voluntária, ao passo que para todos os demais é ordenada (apokeitai), isto é, armazenada para eles. A expectativa de que alguns escaparão à morte (cf. 1Ts 4.15ss.) é uma exceção à regra geral declarada, ocasionada pelo evento especial da vinda de Cristo. Não está, portanto, em conflito com esta declaração em Hebreus”.18

“Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez, para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para a salvação” (v. 28).
O autor ressalta o caráter voluntário do sacrifício de Cristo, colocando-o, porém, dentro da esfera escatológica. A figura é tirada da redação da Septuaginta, Isaías 53.12. Quando Cristo veio pela primeira vez, veio para fazer expiação pelo pecado. Mas, agora, o autor diz que Ele voltará uma segunda vez, não mais para tratar do problema do pecado, mas, sim, para aqueles que o esperam para a salvação. Donald Guthrie comentou oportunamente que

"as palavras sem pecado (chòris hamartias — "não para tratar dos pecados” — RSV) rapidamente colocam um aspecto diferente na analogia. O pecado não precisa de mais expiação. Tudo quanto é necessário é a apropriação da salvação que a oferta que Cristo fez de si mesmo obteve por nós. O verbo traduzido “aguardam” (apekdechomenois) ocorre em 1 Coríntios 1.7, Filipenses 3.20 e Romanos 8.19,23,25 e em cada caso a respeito da grande expectativa dos crentes que aguardam as glórias do porvir”.

Nova Aliança
“Esta é uma providência de Deus pela qual Ele estabeleceu um novo relacionamento de responsabilidade entre Si mesmo e o seu povo (Jr 31.31-34). A expressão nova aliança também é um sinônimo do NT e, portanto, refere-se aos 27 livros do NT, ou à própria Nova Aliança [...].

A escolha ou a designação da aliança. Quando mencionada pela primeira vez, esta aliança foi chamada de ‘nova’ (Jr 31.31), porque foi estabelecida em oposição à aliança primária ou a mais antiga de Israel, a saber, a aliança da lei Mosaica. Este mesmo contraste também é feito em Hebreus 8.6-13”. Leia mais em Dicionário Wycliffe, CPAD, pp.66,68.


O autor conseguiu seu objetivo ao contrastar a adoração na Antiga e na Nova Aliança. A adoração antiga era terrena, imperfeita, transitória, incompleta. Por outro lado, a adoração no Novo Pacto se firma em princípios celestiais, eternos e perfeitos. Não há, pois, como adorar a Deus de uma forma agradável tomando por base os rudimentos desta dimensão terrena. Nossa adoração é superior porque o nosso Senhor encontra-se entronizado acima dos anjos.


SUBSÍDIO DIDÁTICO
Reproduza o quadro abaixo e utilize-o para mostrar a conexão entre o Antigo Concerto e o Novo Concerto Messiânico e a singularidade do culto da Nova Aliança.



NOTAS:
1 GUTHRIE, Donald. Hebreus - introdução e comentário. Editora Vida Nova.
2 LIGHTFOOT, Neil R. Hebreus - comentário vida cristã. Editora Vida Cristã, São Paulo.
3 Tanto Josefo (História dos Hebreus, CPAD) como Filo de Alexandria (The Works of Philo, traduzido por C. D. Yonge. Hendrickson Publishers, EUA) usam o termo grego thymiaterion com referência ao altar de incenso. Semelhantemente o faz o Talmude Babilónico (NEUSNER, Jacob. The Babylonian Talmud - a translation and commentary, 22 vol. Hendrickson Publisher, 2011. Peabody, Massachsetts, USA).
4 Veja uma exposição completa em Hebreus - comentário vida cristã. Editora Vida Cristã.
5 HEGNER, Donald. Hebreus - comentário bíblico contemporâneo. Editora Vida.
6 BRUCE, F. F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio.
7 ROGERS, Cleon. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Editora Vida Nova.
8 KEENER, C. S. Hebreos - comentário dei contexto cultural dei Nuevo Testamento. Editorial Mundo Hispano.
9 MONTALVO, Julio. Hebreos - Comentário Biblico Mundo Hispano: Santiago, 1 y 2 Piedro, Judas. Editorial Mundo Hispano. Texas, EUA.
10 BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio. Grand Rapids, Michigan, EUA.
11 ROBERTSON, A. T. Comentário Al Texto Griego Del Nuevo Testamento. Editorial CLIE.
12 KEENER, C. S. Hebreos - Comentário del Contexto Cultura del Nuevo Testamento. Mundo Hispano.
13 GUTRHIE, Donald. Hebreus - introdução e comentário. Vida Nova, São Paulo.
14 KEENER, C. S. op.cit. pp. 661.
15 Orígenes. Homilia Sobre El Levtiico. Hebreos - La Biblia Comentada Por Los Padres de La Iglesia. Ciudad Nueva. Op.cit.
16 LAUBACH, Fritz. Hebreus - comentário bíblico esperança. Editora Esperança.
17 BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio. Grand Rapids, Michigan, EUA.
18 GUTHRE, Donald. Hebreus - introdução e comentário. Editora Vida Nova.
19 Idem. pp. 189.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 1 de março de 2018

A cerca das Últimas coisas

“E, estando assentado no monte das Oliveiras, chegaram-se a ele os seus discípulos, em particular, dizendo: Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” Mt 24.3

O Discurso no Monte das Oliveiras (Mt 24.1-25.46)
Esta seção é uma das mais complexas dos ensinos de Jesus. Sistemas escatológicos completos têm sido inventados para explicar a passagem, com muitos pontos desnorteantes e contrapontos e opiniões entre teorias competidoras. [...] Cada tipo de literatura usado na revelação do Novo Testamento deve ser respeitado por suas características próprias. Aqui os gêneros dominantes são profecia e apocalipse. Caracteristicamente a profecia avisa o relapso do iminente julgamento e promessas que abençoam os crentes. Também prediz eventos futuros. Frequentemente a profecia trata do julgamento ou libertação de Deus, os quais ocorrem por instituições terrenas existentes ou pessoas na história. Embora a profecia possa ter características apocalípticas, nos dias de Jesus o termo apocalipse (apocalypis, ‘revelação’) tinha se tornado um tipo distinto de literatura. Este tipo via o julgamento e as promessas de Deus vindo através da invasão de um cosmo divino ao mundo terreno, engolfando-o e transformando-o. Simbolismo e expressões figurativas são usados para exprimir a nova era divina e espiritual em termos compreensíveis para a era presente. [...] Para tornar o assunto mais complicado, na experiência apocalíptica não se pode estar completamente seguro quando determinado item deve ser entendido literal ou figuradamente, ou de ambas as formas” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.) Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.129-130).

O mais importante não é saber o dia e a hora da segunda vinda de Jesus e do fim dos tempos, mas sim vigiar e estar preparado para esses eventos.

Texto Bíblico: Mateus 24.1-4,37,45,46; 25.1,2,14,15,31-33

INTRODUÇÃO

Jesus advertiu aos seus discípulos a respeito do apego demasiado às estruturas humanas e a necessidade de se estar atento à nossa conduta para com Deus e com o próximo, a fim de que não venhamos perder a visão correta do Reino de Deus, pois o fim de todas as coisas certamente virá.

O Mestre, ao anunciar a destruição de um dos maiores símbolos religioso dos judeus, o Templo de Jerusalém, estava dando a oportunidade para os discípulos fazerem duas indagações importantes: “Quando serão estas coisas?”; “Que sinal haveria de sua vinda e do fim do mundo?”. Estes são os temas que estudaremos nesta lição.

I. O ANÚNCIO DA DESTRUIÇÃO DO TEMPLO E OS SINAIS DO FIM DOS TEMPOS

1. Cristo anuncia a destruição do Templo (Mt 24.1,2).
Os primeiros versículos de Mateus 24 mostram que Jesus estava saindo do Templo quando os seus discípulos se aproximaram e começaram a lhe mostrar a estrutura do Templo que Herodes havia construído. Eles, apesar de já conhecerem bem o edifício, estavam admirados com o esplendor, a beleza e a grandiosidade da construção. Então, Jesus anuncia que tudo o que eles estavam vendo seria totalmente destruído. Não ficaria pedra sobre pedra. Os discípulos provavelmente ficaram espantados com o que ouviram do Mestre e, com certeza, muitas dúvidas e questionamentos devem ter surgido na mente deles, principalmente a respeito de quando se dariam estas coisas.

Jesus estava se referindo à destruição do Templo que ocorreu em 70 d.C. A cidade de Jerusalém foi sitiada pelo exército dos romanos, sob o comando de Tito. Tal cerco e destruição ocorreram devido a uma rebelião dos zelotes (70 d.C.). Nesta época o Templo era controlado pelos principais dos sacerdotes e seus auxiliares e pelo Império Romano. Por isso, a preocupação constante dos principais dos sacerdotes com relação à conduta e ao discurso de Jesus, pois a posição religiosa deles, o “poder” e seus privilégios estavam em jogo. Depois dos anos 70 d.C. a estrutura de poder que confrontou Jesus e provocou sua morte foi destruída.

2. O princípio das dores e os sinais do fim dos tempos.
Depois da conversa que Jesus teve com os seus discípulos na saída do Templo, eles vão para o Monte das Oliveiras. As palavras de Jesus a respeito da destruição do Templo ainda estavam incomodando os discípulos. Então, eles se aproximam de Jesus e perguntam: “[...] Dize-nos quando serão essas coisas e que sinal haverá da tua vinda e do fim do mundo?” (Mt 24.3).

Jesus explica aos discípulos que a destruição do Templo e da cidade de Jerusalém seriam acontecimentos futuros. Não somente os discípulos, mas os crentes até os dias atuais ainda fazem confusão com relação à Segunda Vinda de Cristo e têm dificuldades para compreender o texto bíblico de Mateus 24.

Na sequência, Mateus discorre a respeito dos alertas do discurso de Jesus a respeito dos fatos que aconteceriam nos anos que antecederam a destruição de Jerusalém e do Templo (70 d.C.). Jesus aponta alguns sinais que antecederiam a sua vinda e o fim do mundo. Vejamos: falsos cristos se levantariam (v.5); guerras e rumores de guerras (vv.6,7); fomes, pestes e terremotos em vários lugares (v.7).

3. A necessidade de vigilância (Mt 24.37-51).
Jesus compara a sua vinda com os dias de Noé (vv.37-39). Ele equipara com a surpresa que as pessoas tiveram com o dilúvio, enquanto viviam suas vidas de perversidades e imoralidades.

Mateus apresenta neste capítulo dois grupos de pessoas: os que aguardavam o fim imediato dos tempos e o estabelecimento do Reino Messiânico, e o grupo dos distraídos, que não estavam preocupados com a vinda de Jesus e o fim dos tempos. O primeiro grupo, nos versículos anteriores, já havia recebido as orientações. Então, o segundo grupo, agora recebe a advertência de Jesus, pois estavam despercebidos e se continuassem assim seriam pegos de surpresa na segunda vinda. Em seguida, Jesus continua a exortação utilizando a Parábola dos Dois Servos (vv.45-51). O Mestre fala a respeito de um senhor e de dois servos. Um dos servos é fiel e sensato, pois obedeceu e fez tudo o que seu senhor havia ordenado. Tal servo é recompensado e posto como encarregado dos bens de seu senhor. O outro servo é mau, pois se aproveitou da ausência e aparente demora de seu senhor para se divertir e explorar os demais servos. Mas o senhor retornou em um dia em que o servo mau não estava esperando. Como recompensa, o mau servo foi destinado a um lugar onde haveria “pranto e ranger de dentes” (v.51). Jesus estava mostrando que os seus servos deveriam estar sempre preparados para a sua vinda e agir como o servo fiel e prudente.

Ponto Importante
Os discípulos deveriam estar sempre preparados, pois o Senhor poderia retornar a qualquer hora.

II. A RESPONSABILIDADE DO HOMEM E O JULGAMENTO DIVINO

1. A parábola das Dez Virgens (Mt 25.1-13).
Jesus dá continuidade ao seu sermão profético, utilizando a Parábola das Dez Virgens. O ambiente da parábola é uma festa de casamento, que acontece dentro dos costumes judeus do primeiro século. O ponto alto das bodas era o momento em que o noivo e sua comitiva seguiam até a casa da noiva, que também tinha o seu cortejo. Após a chegada do noivo, que era costume se atrasar devido o recolhimento dos presentes, todos se dirigiam para a casa da noiva para a festa que durava dias. O evento geralmente acontecia à noite, por isso a necessidade de se manter as lamparinas acesas.

Na parábola, a noiva estava na sua casa aguardando a chegada do noivo, acompanhada de dez virgens, damas de honra. Cinco virgens eram prudentes, pois levaram uma reserva de óleo para suas lâmpadas caso o noivo demorasse a chegar. Mas cinco virgens foram chamadas de insensatas, loucas, pois não providenciaram a reserva de azeite para suas lamparinas. Com a demora do noivo, como de costume, as dez virgens adormeceram. Então, quando é anunciada a chegada do noivo, as cinco insensatas percebem a falta de óleo e pedem azeite emprestado às outras cinco prudentes. Mas elas sabiamente negam, pois corriam o risco de todas ficarem sem e perderem o ponto mais importante da festa. As cinco insensatas saem para comprar o azeite, mas enquanto isso o noivo e a sua comitiva chegam. Quando as insensatas retornam a porta já havia sido fechada. Jesus estava mostrando que a preparação (prática da justiça) para a “vinda do noivo” é individual.

2. A parábola dos talentos (Mt 25.14-30).
O sermão profético continua e Jesus conta mais uma parábola. O Mestre fala de um senhor que sai em uma jornada, mas antes distribui talentos a três de seus servos. Os talentos foram doados de acordo com a capacidade individual de cada um (v.15). Um talento era um valor bem significativo. Os servos que ganharam cinco e dois talentos trabalham e conseguiram dobrar o valor do que haviam recebido. Mas já o que havia recebido um talento não fez nada para aumentar o seu valor, simplesmente foi e o enterrou por segurança. Quando o senhor retornou e pediu conta aos servos dos talentos, os dois primeiros apresentam os valores duplicados e com isso são elogiados e recebem a promessa de receber ainda maiores responsabilidades. Enquanto que o que havia recebido um talento, o devolve da mesma maneira que recebeu. Este é repreendido pelo seu senhor e chamado de “mau e negligente servo” (v.26). Além disso, o talento que lhe havia sido dado é retirado e entregue ao que estava com dez talentos. O ponto central dessa parábola é o uso dos talentos e capacidades recebidas por Deus em favor do seu Reino. Não importa quantos talentos são dados, mas Jesus ressalta que todos devem ser utilizados em favor do Reino dos Céus.

3. A vinda do Filho do Homem em glória.
Mateus anuncia a chegada do Filho do Homem em glória, uma figura apocalíptica que vem para julgar todas as nações (Mt 25.31,32). Quando Mateus fala a respeito de julgamento, ele está se referindo ao momento em que as obras, atitudes de todos, são expostas. Segundo Mateus, o Senhor Jesus irá separar as pessoas em dois grupos: as ovelhas (os que foram justificados mediante a fé em Cristo) e os bodes (os que não se arrependeram dos seus pecados e não creram em Cristo). O Senhor Jesus mostra que aqueles que são verdadeiramente suas ovelhas entrarão no Reino de Deus. Somente as ovelhas usaram de misericórdia para com essas pessoas. Os bodes simplesmente ignoraram as necessidades dos desvalidos.

Ponto Importante
Muitos estão tão preocupados em adquirir bens materiais, que se esquecem que um dia Jesus voltará e teremos que prestar contas a Ele das nossas ações e bens.


CONCLUSÃO

Nesta lição, aprendemos que os eventos da destruição do Templo tipificam os sinais da Segunda Vinda de Jesus e do julgamento final. Aprendemos também, que precisamos estar atentos para que não sejamos surpreendidos pelo Dia do Senhor.


SUBSÍDIO
“Filho do Homem
De todos os seus títulos, ‘Filho do Homem’ é o que Jesus preferia usar a respeito de si mesmo. E os escritores dos Evangelhos sinóticos usam a expressão 69 vezes. O termo ‘filho do homem’ tem dois possíveis significados principais. O primeiro indica simplesmente um membro da humanidade. E, neste sentido, cada um é um filho do homem. Tal significado era conhecido nos dias de Jesus e remonta (pelo menos) aos tempos do livro de Ezequiel, onde é empregada a fraseologia hebraica bem'adam, com significado quase idêntico. Essa expressão, na realidade, pode até mesmo funcionar como o pronome da primeira pessoa do singular, ‘eu’ (cf. Mt 16.13).

Por outro lado, a expressão é usada também a respeito da personagem profetizada em Daniel e na literatura apocalíptica judaica posterior. Essa personagem surge no fim dos tempos com uma intervenção dramática, a fim de trazer a este mundo a justiça de Deus, o seu Reino e o seu julgamento. Daniel 7.13,14 é o texto fundamental para esse conceito apocalíptico (HORTON, Stanley. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1996, p.310).


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves


Você vai gostar de ler: 
Aqui eu Aprendi!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...