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quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Vivendo sem medo - Fobias

"Na caridade, não há temor; antes, a perfeita caridade lança fora o temor" 1 Jo 4.18ª

"A paz lança fora o medo
Quase todas as pessoas que sentem medo querem identificá-lo, explorá-lo e encontrar meios de livrar-se dele de uma vez por todas. Será realmente possível abolir a ansiedade diária? Sim, é possível [...]

O apóstolo João nos ensina que o amor é a maneira correta de sermos livres do temor que obstrui o caminho da fé. Ouçamos cuidadosamente o que ele fala a este respeito: 'No amor não existe medo; antes, o perfeito amor lança fora o medo ... aquele que teme não é aperfeiçoado no amor" (1 Jo 4.18 - ARA). Portanto, fica evidente que a nossa fé, isto é, nossa confiança em Deus e em suas realizações a nosso respeito, somente serão aperfeiçoadas a partir do momento que aceitamos toda sua vontade. Então, Ele derramará do seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que nos é dado. Assim, o medo, que pode ser comparado a uma pequena sujeira em nossa mente, será impelido ou até mesmo destruído pela ação poderosa do Espírito Santo em nossas vidas. A fé, que é uma reação positiva da alma, agora tem livre curso para operar. Assim, portanto, a melhor terapia para trazer libertação do medo é o amor". (SILVA, S. P. Entrando no campo da fé. RJ: CPAD, 2006, pp. 78,80.)

O amor de Deus derramado no crente é a garantia da vitória sobre o medo.

LEITURA BÍBLICA - Números 13.25-32

Medo: Sentimento de inquietação, pavor ou assombro ante a noção de um perigo real ou imaginário.

O medo é um sentimento frequente, e, algumas vezes, saudável ao homem. Uma boa medida de medo pode proteger a pessoa contra algumas ameaças à vida. Contudo, a fobia ou medo mórbido é uma doença que prejudica severamente a vida social do indivíduo. Esta forma de medo exige tratamento, algumas vezes, clínico.

Introdução

"Medo" é o sentimento que melhor caracteriza o presente século. Os homens vivem inquietos, sem paz e desesperados por causa da insegurança do mundo (Sl 27.1-3;121;124). As fobias cada vez mais se multiplicam em razão do estresse e da angústia provocados pela desorganização da vida moderna (Mt 10.28;30,31; Lc 21.26; Jo 16.33). O que fazer? Como lidar com essa situação? Só Cristo pode livrar-nos do medo e de seus maléficos efeitos.

I. OS TEMORES DESTE SÉCULO

1. O medo no indivíduo.
Há no mundo um medo generalizado que assola as pessoas individualmente, não importando sua posição social, idade ou formação acadêmica. Do cidadão comum ao mais rico, do iletrado ao culto, do homem do campo ao da cidade; todos estão cada vez mais atemorizados ante a avalanche de desmandos de toda natureza que se abate sobre o planeta.

2. O medo nas comunidades (vv.31,32).
Nos tempos bíblicos as cidades eram cercadas de muros altos e largos, pois o risco de invasão era constante (Dt 3.5). Hoje, a situação é bem pior. A crescente violência urbana tem gerado pânico e insegurança por toda parte.

3. O medo no mundo.
Ataques terroristas como os que sofreram os EUA em 11 de setembro de 2001, vêm acontecendo em vários países. Sem dúvida, isso é o cumprimento da palavra profética de Cristo acerca de sua gloriosa volta (Lc 21.25-33). Todavia, os salvos em Cristo poderão contar com o "socorro bem presente na angústia" (Sl 46.1,2). Se tivermos fé e buscarmos ao Senhor de todo o nosso coração, Ele nos livrará de todo mal (Sl 34.4; 91.10; 121.7). Enquanto olharmos para Ele, seremos iluminados (Sl 34.5). Se clamarmos por seu santo nome, seremos livres (Sl 34.6).

Os temores deste século classificam-se em: individuais, comunitários e mundiais.

II. OS MEDOS DO SER HUMANO

1. Medo do insucesso.
A Bíblia afirma que feliz é aquele que confia no Senhor (Sl 84.12; 146.5). A falta de fé em Deus faz com que o crente seja dominado pelo medo de fracassar em diversas áreas da vida (profissional, acadêmica, ministerial etc). É urgente confiarmos a Deus todos os nossos sonhos, projetos e objetivos (Sl 37.5).

Quem teme ao Senhor (Sl 112.1; 128.1) sempre escolhe o melhor caminho diante das crises, pois o próprio Deus encarrega-se de orientá-lo (Sl 25.12; Mt 6.31,32). Uma vez que os propósitos divinos para o crente são de paz e não de mal (Jr 29.11), não há razão para temer.

2. Medo da morte (Sl 23.4).
Enquanto incrédulos e materialistas desmaiam de horror diante da morte (Hb 2.14,15), o verdadeiro crente em Jesus não se assombra (Mt 10.28; Lc 2.29,30; Fp 1.21), visto que para Deus a morte dos santos é preciosa (Sl 116.15; At 3.15).

A razão de não temê-la está no fato de Jesus a ter vencido na cruz do Calvário (Sl 68.20; 2 Tm 1.10; Ap 1.18). Ler também Lc 16.22; Jo 14.3; 2 Co 5.1,2,8. Os que temem a morte são justamente aqueles que não confiam na obra expiatória de Cristo, nem no poder de sua ressurreição (Jo 5.24; 11.23-27; 1 Co 15.55-57).

3. Medo do futuro (Nm 14.1-9).
As pessoas andam alarmadas e temerosas com o futuro econômico-político-social do mundo e quanto às péssimas previsões sobre a qualidade de vida no planeta. Diante disso, qual deve ser a postura do crente quanto às incertezas e medos da sociedade de nosso tempo? Vejamos:
a) Não tema o futuro. Você pode até planejá-lo (Ec 11.1,2), mas evite preocupar-se excessivamente com ele (Sl 37.37; Mt 6.33,34; 2 Ts 1.7; Hb 4.9). A Bíblia afirma que os projetos humanos são falíveis, portanto, confie mais em Deus do que em seus próprios planos (Pv 27.1; Jr 8.20; Tg 4.13-15). A inquietação pelo amanhã impede o cristão, no presente, de usufruir da bondade e misericórdia divinas (Tg 4.13; Pv 19.21; 1 Tm 6.17-19).

b) Confie em Deus (Nm 13.30; 14.11). O medo deve curvar-se ante a fé genuína no Senhor (Sl 55.4,5,16-18). Se confiarmos em Deus à semelhança de Abraão que, "saiu, sem saber para onde ia" (Hb 11.8), com efeito, teremos um "bom futuro e a nossa esperança não será frustrada" (Pv 23.18 [ARA]; 24.14). O homem desconhece seu futuro (Ec 9.1), razão pela qual o crente deve confiá-lo somente a Deus (Sl 37.5-7; Mc 11.22; 1 Pe 1.21).

c) Seja fiel ao Senhor Jesus. O Salmo 37.25 sustenta que o crente fiel jamais será desamparado pelo Senhor e nem a sua descendência mendigará o pão. Ele será próspero em todos os seus caminhos (Sl 92.12-15), e nunca será abalado (Sl 55.22). O futuro daquele que é fiel ao Senhor será próspero e abençoado, conforme vaticina o Salmo 128.

Os medos mais comuns do homem moderno são: medo do insucesso, da morte e do futuro.

III. A RESPOSTA DE JESUS PARA O MEDO: "NÃO TEMAS!"

Exilado na ilha de Patmos, o apóstolo João venceu a solidão e o medo. No "dia do Senhor" ouvira ele uma grande voz (Ap 1.10,11), e ao virar-se para ver quem falava, teve uma gloriosa visão de Jesus (Ap 1.12-16). Naquele momento todo temor foi dissipado. Jesus colocou sua mão direita sobre João e lhe disse: "Não temas" (Ap 1.17). Esta mesma mensagem de ânimo e coragem foi transmitida a vários servos de Deus: Abraão (Gn 15.1); Josué (Js 11.6); Gideão (Jz 6.23); Elias (2 Rs 1.15); Paulo (At 18.9), entre outros.

1. Exemplos de coragem dos servos de Deus.
A despeito de suas extraordinárias obras, os heróis da Bíblia (Hb 11) também tiveram suas limitações (Tg 5.17). Todavia, por confiarem integralmente em Deus, venceram seus medos e realizaram grandes coisas para o Senhor.

a) Josué e Calebe. Foram os únicos que mantiveram firmes sua fé e coragem diante da força e poderio bélico dos cananeus. Eles confiaram na Palavra do Senhor que, através de seu servo Moisés, dissera: "Não temas e não te assustes" (Dt 1.21,29). Os espias incrédulos e medrosos (Dt 1.28-32) não compartilharam da fé e da bravura dos destemidos servos de Deus. Isso nos ensina que pela fé no Senhor podemos vencer o medo coletivo.

b) Gideão. Com a coragem que recebera do Senhor, e, com apenas trezentos homens, Gideão triunfou sobre o exército dos midianitas, composto por cento e trinta e cinco mil soldados armados (Jz 7.20-25).

c) Davi. A despeito de sua pouca idade e inexperiência militar, não se intimidou diante do inimigo, mas com bravura e genuína fé venceu o gigante Golias (1 Sm 17.41-50).

d) Elias. Diante dos quatrocentos e cinqüenta profetas de Baal e dos quatrocentos profetas de Aserá, não se apavorou; derrotou-os em nome do Senhor (1 Rs 18.19-39).

e) Daniel. Pela fé, teve paz-e descanso, enquanto o anjo do Senhor o livrava da boca dos leões (Dn 6.16-23).

f) Pedro. Enfrentou corajosamente os membros do Sinédrio e não se amedrontou diante de suas ameaças (At 4.1-13).

g) Paulo. Ao ser interrogado, açoitado e preso, não temeu diante das autoridades romanas (At 24.22-27; 28.30,31).

Quando fores assolado pelo medo e aflição, não se desespere! Ponha sua fé no meigo Salvador e ouça sua voz suave lhe dizendo: "Não temas"!  Ler Mt 14.27; Mc 5.36; 6.50.

"Não temas" foi e continua sendo a resposta de Jesus para o medo. Esta mensagem de ânimo foi dirigida a Abraão, Josué, Gideão, Elias, João, etc.

IV. COMO VENCER O MEDO

1. Faça a vontade de Deus.
O crente que vive segundo a vontade de Deus, dorme em paz mesmo diante de grande tensão (Sl 3.1-5; Pv 3.24). Sua tranqüilidade se baseia na certeza de que o Senhor agirá em seu favor: "O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra" (Sl 34.7). Ler Sl 3.6; 23.4; Lc 21.18.

2. Busque a presença do Senhor.
Em toda parte há crentes que moram em cidades violentas ou ameaçadas por catástrofes. "As famílias constroem suas casas e as sentinelas guardam as cidades, mas ambas as atividades são inúteis se o Senhor não estiver presente" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal). "Se o SENHOR não edificar a casa, em vão trabalham os que edificam; se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela..." (Sl 127.1; 27.1-3).

3. Busque o refúgio do Senhor.
A humanidade está mergulhada no medo porque o mundo jaz no maligno (1 Jo 5.19). Todavia, não há razão para o crente temer. Deus preserva os que são seus (Gn 7; Sl 3). Os que se refugiam em Deus, descansam em segurança (Sl 91).

O medo é vencido quando o crente faz a vontade de Deus, busca a presença e o refúgio do Senhor.


CONCLUSÃO

A vitória sobre o medo está no amor. Por amar a Deus, grandes cristãos do passado não temeram pela própria vida. A Bíblia diz que no amor não existe medo, ao contrário, o perfeito amor lança fora o medo (1 Jo 4.18). Amemos a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos, e Ele nos guardará de todo mal e temor. Ler Lc 8.50; 12.7,32.


SUBSÍDIO
O SENHOR com seu poder criou todas as coisas visíveis e invisíveis. Ele trouxe à existência o Universo com todos os seus mistérios. O nosso Deus criou os mais altos montes e o mais profundo abismo. Nada escapa à sua soberania. Nada existe por si mesmo ou por acaso. Tudo procede de sua vontade. Da poeira cósmica à pedra incrustada de lodo à beira do riacho, tudo Ele cuida. Se o SENHOR cuida das aves dos céus e dos lírios nos vales, zela com muito mais apreço pelos filhos que lhe são fiéis (Mt 6.26-34). Se o Senhor é diligente para com a ínfima criação, quanto mais com àqueles que são criados à sua imagem e semelhança. Porque temes o amanhã? Por que estás preocupado com o futuro? Se "Deus veste a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, não vos vestirá muito mais a vós, homens de pequena fé?" (Mt 6.30).

Fonte: Lições Bíblicas - As doenças do nosso século - As curas que a Bíblia oferece - Vivendo sem medo - 3º tr.2008
Aqui eu Aprendi!

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Hora de mudar

…Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, porque é pecadora. —Lucas 7:39

Uma vez um amigo me disse: “Em minha vida, já vi muitas coisas mudarem e discordei de todas elas!” Talvez ele tenha exagerado nesta afirmação, porém, muitos de nós concordaríamos que também não gostamos de mudanças — especialmente se elas envolvem alterações em nossos hábitos e atitudes.

Essa foi uma das razões por Jesus ter sido tão impopular entre os fariseus. Ele desafiou o sistema de boas obras e autojustificação estabelecido há muito tempo. Pense na ocasião em que a “pecadora” entrou na casa do “santo” da cidade relatado em Lucas 7. Simão, o fariseu, não se impressionou com a profunda demonstração de afeto da mulher por Jesus. Lendo os pensamentos de Simão, Jesus imediatamente desafiou a percepção falha que ele tinha da sua própria bondade, contando a história de dois devedores — um que devia muito ao seu senhor e outro que devia pouco. “Qual deles, portanto, o amará mais?”, perguntou Jesus (Lucas 7:42). Obviamente aquele a quem mais se perdoou. Falando sobre a atitude de Simão, que sentia-se bem consigo mesmo e com sua postura individualista, Jesus declarou: “aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama” (Lucas 7:47).

O desafio é claro. Embalados por nossa própria bondade, nosso amor por Jesus desvanece ao esquecermos que estamos entre os que foram “grandemente perdoados.” Se isso acontecer, prontos ou não, é hora de mudar!

Quando Deus inicia mudanças, Ele geralmente começa conosco.


Texto para leitura: Lucas 7.37-49

Leia a Bíblia


Fonte: Nosso Andar Diário vol.06


"Os meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que se assentem comigo; o que anda num caminho reto, esse me servirá." Salmos 101:6

Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Perseverança e Fé em tempos de apostasia

“Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas” Hb 6.12


O autor já havia dito que os crentes deveriam ser mestres, mas em vez disso necessitavam que alguém lhes ensinasse de novo os primeiros rudimentos da fé (Hb 5.12). A vida cristã é dinâmica e exige que o discípulo vá além dos primeiros passos. Mas isso não estava acontecendo com a comunidade com a qual o autor sacro se correspondia. Em vez disso, dava sinais de cansaço, indolência, negligência e imaturidade espiritual, o que poderia trazer como consequência o esfriamento e o fracasso na fé. A graça não é irresistível e nem tampouco incondicional. A apostasia é retratada pelo escritor como algo real e não apenas como um perigo hipotético, por isso, ele mostra que para se evitar decair é necessário perseverança, fé e confiança nas promessas de Deus.

Leitura Bíblia em classe: Hebreus 6.1-15

Contra o perigo da apostasia, a Palavra de Deus revela a necessidade de ânimo e perseverança de fé.

ESBOÇO DA LIÇÃO

1. Introdução
Texto Bíblico: Hebreus 6.1-15

2. I. A Necessidade do Crescimento Espiritual
• 1. Indo além dos rudimentos doutrinários sobre arrependimento e fé.
• 2. Indo além dos rudimentos doutrinários sobre batismos e imposição de mãos.
• 3. Indo além dos rudimentos doutrinários sobre ressurreição e juízo.

3. II. A Necessidade da Vigilância Espiritual
• 1. Apostasia, uma possibilidade para quem foi iluminado e regenerado.
• 2. Apostasia, uma possibilidade para quem vivenciou a Palavra e o Espírito.
• 3. Apostasia, uma possibilidade para quem viveu as expectativas do Reino.

4. III. A Necessidade de confiar nas Promessas de Deus
• 1. O serviço cristão e a justiça de Deus.
• 2. A perseverança de Abraão e a fidelidade de Deus.
• 3. Cristo, Sacerdote e Precursor do crente.

5. Conclusão

A lição desta semana pode ser introduzida por intermédio das seguintes perguntas:
1. É possível o crente regredir espiritualmente?
2. É possível o crente apostatar-se da fé?
3. É possível o crente perder a salvação?

Segundo o teólogo pentecostal J. Wesley Adans, na obra Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento, na seção de Hebreus 6.9-20, o autor epistolar encoraja e desafia os primeiros leitores da carta a “progredirem, prosseguindo em esperança e fé com perseverança”. Por que o autor sagrado inicia o capítulo seis assim? Por que o texto de Hebreus seis adverte solene e seriamente sobre a possibilidade de o crente abandonar, isto é, apostatar-se da fé uma vez provada. E com um agravante: além da apostasia da fé cristã, a o perigo da impossibilidade desse crente ser restaurado, uma vez imerso na apostasia.

Sobre o termo “impossível”, conforme consta no versículo 4 do capítulo seis de Hebreus, o teólogo J. Wesley Adans destaca: “a palavra ‘impossível’ (adynatos) ocorre quatro vezes em Hebreus. Em 6.18 ‘é impossível’ que Deus minta; em 10.4 ‘é impossível’ que o sangue dos touros e dos bodes tire pecados; em 11.6 ‘sem fé é impossível’ agradar-lhe [a Deus]; e aqui (6.4) é ‘impossível’ que os apóstatas sejam restaurados através do arrependimento. Em cada caso a impossibilidade é absolutamente declarada” (p.1574).

Comentário de Hebreus 6.1 -20

Os versículos 11-14 do capítulo 5 retratam os cristãos hebreus como estando ainda na infância da fé. Aqui, o autor vê a urgência de fazê-los avançar nesse processo, pois ele quer tratar sobre a doutrina do sacerdócio de Cristo no capítulo 7. Ele tem consciência de que não será uma tarefa fácil fazer com que seus leitores assimilem o que ele está prestes a ensinar. O autor tem plena convicção de que a doutrina do sacerdócio de Jesus Cristo é de suma importância para O viver vitorioso. Todavia, para que os seus pressupostos e princípios fossem apreendidos, seria necessário ir além dos rudimentos da fé.

“Pelo que, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até a perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus" (v. 1).
A expressão “deixando os rudimentos da doutrina de Cristo’’ não é um convite ao desprezo dos fundamentos da fé. As bases da fé são necessárias; são, porém, os primeiros degraus a serem escalados numa longa escada da vida cristã. Não devem ser o ponto final, mas, sim, o ponto de partida. Esse fato fica demonstrado com o intenso desejo que o autor tem em conduzir seus leitores à perfeição cristã. A palavra grega teleiotês (perfeição) é descrita no léxico de Bauer com o sentido de “maturidade em contraste com o estágio do conhecimento elementar".1  Embora o teólogo Henry Orton Wiley veja, nessa palavra, uma referência à doutrina da perfeição cristã ensinada por John Wesley, o contexto favorece o alcance de uma maturidade espiritual em Cristo nesta vida, e não que possamos chegar à perfeição completa que é reservada para o outro lado da eternidade.2  O sentido de obras mortas (v.l) deve ser o mesmo de Hebreus 9.14, que é o de uma consciência limpa e que é alcançada através do arrependimento, enquanto a fé em Deus é uma referência à fé cristã como o ingresso na comunidade dos salvos.3

“E da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno" (v. 2).
Em vez de terem crescido em conhecimento espiritual, os crentes hebreus estacionaram. Eles não passaram nem mesmo dos primeiros passos da iniciação à vida cristã. O conhecimento deles limitava-se a um entendimento básico de algumas doutrinas elementares da fé. O autor tinha por certo que seus leitores estavam completamente familiarizados com os rituais por ele descritos. A palavra "batismo” está no plural; sendo assim, é possível que o autor tivesse em mente os vários rituais judaicos de lavamento cerimonial, e não apenas a prática do batismo cristão.4  Tratando-se de uma comunidade formada por judeus cristãos, não seria incomum haver entre eles quem estivesse disposto a querer saber mais sobre esses rituais. O teólogo britânico F. F. Bruce, por exemplo, observa que, em vez de usar o termo grego baptisma, comumente usado para referir-se ao batismo cristão, o autor optou por usar o termo grego baptismos.5  O léxico grego de Bullinger traduz o termo baptismos como o ato de lavar, ablução, com. especial referência à purificação.6  Esse mesmo termo aparece em Hebreus 9.10 e é traduzido pela Nova Versão Internacional como “cerimônias de purificação com água" e “lavar as mãos cerimonialmente" em Marcos 7.4. No contexto do Novo Testamento, a referência à imposição das mãos está associada ao recebimento do Espírito Santo (At 19.6) e à ordenação de obreiros (1 Tm 4.14). Por outro lado, a ressurreição de mortos e o juízo vindouro são doutrinas de natureza escatológica e, por certo, cridas e aceitas por seus leitores.

“E isso faremos, se Deus o permitir" (v. 3).
O autor não nega a importância desses ensinos, e sim os vê como os "fundamentos”, e não como todo o edifício doutrinário. Era, portanto, mister avançar no seu doutrinamento.

"Porque é impossível que os que já uma vez foram iluminados, e provaram o dom celestial, e se fizeram participantes do Espírito Santo” (v. 4).
O tom exortativo da carta aos Hebreus chega a seu ápice aqui, no versículo quatro deste capítulo. Com a palavra "impossível” (gr. adynatos), o autor dá início a uma argumentação que culmina no versículo 6. Dentro desse contexto, o termo “impossível” é usado em relação àqueles que caíram e não mais podem ser restaurados ao arrependimento. Mas que tipo de queda o autor está-se referindo? Não há dúvida de que não se trata de um desvio qualquer, mas, sim, daquilo que o próprio autor já se referira em Hebreus 3.12 — o pecado da apostasia. A interpretação que afirma que, aqui, o autor se estaria referindo a uma mera hipótese, sem possibilidade de realização, não consegue ser convincente. Da mesma forma, a interpretação que tenta transformar "os iluminados" que "provaram o dom celestial" e que se "tornaram participantes do Espírito Santo” em descrentes ou crentes salvos, porém não regenerados, não se sustenta por razões contextuais, gramaticais e léxicas!

1.    O termo "iluminado” é usado tanto no contexto do Novo Testamento como aqui em Hebreus como se referindo a pessoas salvas (Hb 10.32; Jo 8.12; 2 Pe 1.19)

2.    A palavra grega dorea, traduzida aqui como "dom”, é usada em outras passagens no Novo Testamento. É usada em referência a Cristo, o Espírito Santo ou alguma coisa dada por Cristo. Esse texto, portanto, fala daqueles que experimentam o dom do Filho (Jo4.10; Rm 5.15,17; 2 Co 9.15; E f 4.7) e do Santo Espírito (At 2.28; 8.20; 10.45; 11.17) e que posteriormente caíram.

3.    A expressão “participantes do Espírito Santo” só tem sentido em relação a crentes (Rm 8.9). Hal Harless destaca que os que caíram foram, de uma vez por todas, feitos participantes (metochous genêthentas) do Espírito Santo (Hb 6.4). Esse particípio passivo mostra que Deus fez que eles participassem do Espírito Santo e que isso não partiu deles mesmos. O termo grego metochos significa:
(1) "compartilhando/participando".
(2) "negócios”, “parceiro”, "companheiro”.
O particípio acompanhante favorece o primeiro. Eles participam do Espírito Santo, então eles são regenerados (Rm 8.9, Tt 3.5-7).7

“E provaram a boa palavra de Deus e as virtudes do século futuro” (v. 5).
Os crentes a quem o autor fez referência no versículo 4 também provaram "a boa palavra de Deus” e os "poderes do século vindouro". Esse versículo também só tem sentido quando visto em referência a crentes. Eles já haviam sido iluminados, provado do dom celestial e participado do Espírito Santo. Agora, é mostrado que eles também provaram da palavra de Deus e conheceram as virtudes do século vindouro. Eram, portanto, crentes de verdade.

“E recaíram sejam outra vez renovados para arrependimento; pois assim, quanto a eles, de novo crucificam o Filho de Deus e o expõem ao vitupério” (v. 6).
O autor alertará que a queda na fé é uma possibilidade real e que, nesse aspecto, a apostasia é um caminho sem volta. Aqui, ele mostra a causa dessa tragédia espiritual. Tanto Bruce como Hughes destacam que o particípio anastaurountas (crucificar de novo) aqui é causal, indicando a impossibilidade de o apóstata arrepender-se e recomeçar de novo.8  Fritz Rienecker (1897-1965) destaca que o particípio paradeigmatizontas (expor à desgraça) soa como um alerta aos leitores para que o mesmo apóstata não volte ao judaísmo, pois, se ele assim o fizesse, não haveria mais condições de refazer sua vida espiritual. Esse fato requereria uma re-crucificação de Cristo e a exposição dEle à vergonha pública.9  William Barclay vê a apostasia aqui como um fato concreto, porém entende que a mesma acontecia no contexto de uma perseguição onde o cristão era desafiado a negar sua fé. Ainda segundo Barclay, o autor queria mostrar que “era a terrível seriedade de escolher a sobrevivência neste mundo à custa da lealdade a cristo. O autor de Hebreus, na continuação, diz uma coisa terrível. Os que cometem apostasia crucificam a Cristo outra vez”.10

“Porque a terra que embebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz erva proveitosa para aqueles por quem é lavrada recebe a bênção de Deus” (v. 7).
O versículo 7 ilustra a vida frutífera do cristão que cresce diariamente na graça e no conhecimento do Senhor.

“Mas a que produz espinhos e abrolhos é reprovada e perto está da maldição; o seu fim é ser queimada” (v. 8).
Entretanto, por outro lado, o versículo 8 representa a vida do apóstata que produz mau fruto.

“Mas de vós, ó amados, esperamos coisas melhores e coisas que acompanham a salvação, ainda que assim falamos” (v. 9).
Alguns comentaristas usam esse versículo para tentar provar que a apostasia não passa de uma mera possibilidade e que nunca ocorrerá, de fato, com um cristão. Isso, no entanto, é ir além do que o texto está afirmando. Para o expositor bíblico Charles A. Trenthan, o autor precisou usar um tom duro, dando uma sacudida nas convicções de seus leitores, pois observou que eles estavam considerando consigo a possibilidade de apostatar. Trenthan observa que o autor  "acrescenta uma palavra de certeza confortante. Ele usa um termo de carinho e encorajamento e chama-os de amados. Essa é a única vez que ele usa esse termo. Não há romantismo sentimental neste escritor. Contudo, as fortes palavras de advertência agora são suavizadas pela certeza de que, embora eles estivessem pensando em afastar-se de Jesus, na verdade não o fizeram. Não caíram, embora tivessem se demorado demais na cartilha cristã."11

“Porque Deus não é injusto para se esquecer da vossa obra e do trabalho de amor que, para com o seu nome, mostrastes, enquanto servistes aos santos e ainda servis" (v. 10).
O autor reconhece que esses crentes tinham serviços prestados na comunidade e envia-lhes uma palavra pastoral ao mostrar o cuidado que Deus tinha por eles. Entretanto, a vida cristã é uma caminhada que requer perseverança; por isso, são encorajados a irem até o fim.

“Mas desejamos que cada um de vós mostre o mesmo cuidado até ao fim, para completa certeza da esperança” (v. 11).
Essa perseverança tem em vista a promessa da vida eterna, que é herdada por aqueles que imitam quem andou na senda da fé.

“Para que vos não façais negligentes, mas sejais imitadores dos que, pela fé e paciência, herdam as promessas” (v. 12).
O autor lembra o testemunho de Abraão, conforme registrado em Gênesis 22.16-17, quando este ofertou seu filho a Deus.

“Porque, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha outro maior por quem jurasse, jurou por si mesmo” (v. 13).
Sabendo que os juramentos são importantes para os homens, Deus, por meio de juramento, garantiu a Abraão que ele herdaria as promessas. Essa promessa envolvia a bênção da multiplicação.

“Dizendo: Certamente, abençoando, te abençoarei e, multiplicando, te multiplicarei" (v. 14).
Nesse contexto, essa promessa transcende o aspecto físico e alcança todos aqueles que são descendentes de Abraão pela fé. Quando as promessas foram feitas a Abraão, ele teve que esperar com paciência. Quando Deus fez a promessa de uma grande posteridade a Abraão, este estava com 75 anos. Vinte e quatro anos depois, veio-lhe a promessa de um filho, que foi cumprida um ano depois.

“E assim, esperando com paciência, alcançou a promessa" (v. 15).
O hebreu Abraão era um exemplo de ânimo, fé e esperança para os crentes hebreus. Pela fé, ele alcançou a promessa e viveu na expectativa daquelas que ficaram para serem realizadas.

“Porque os homens certamente juram por alguém superior a eles, e o juramento para confirmação é, para eles, o fim de toda contenda" (v. 16).
Deus deu a Abraão uma garantia legal de que sua palavra seria cumprida.

“Pelo que, querendo Deus mostrar mais abundantemente a imutabilidade do seu conselho aos herdeiros da promessa, se interpôs com juramento” (v. 17).
Neil R. Lightfoot observa que a intenção do autor é mostrar que a promessa de Deus não vacila. Ela é sólida, irrevogável. Mas, para mostrar a Abraão que, de fato, a sua promessa seria cumprida, deu a sua palavra como garantia.12

“Para que por duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” (v. 18).
Se Deus prometera, Ele cumpriria. Se Ele jurara, seu juramento seria mantido. Esse era o fundamento de quem firma sua esperança em Deus.

“A qual temos como âncora da alma segura e firme e que penetra até ao interior do véu" (v. 19).
A esperança do cristão é como uma âncora que está aportada no interior do santuário celestial, isto é, além do véu onde Jesus encontra-se.

“Onde Jesus, nosso precursor, entrou por nós, feito eternamente sumo sacerdote, segundo a ordem de Melquisedeque” (v. 20).
Cristo adentrou primeiramente nesse santuário celestial porque ele é o Sumo Sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.


Podemos confiar nas promessas do Senhor, pois à luz da perseverança de Abraão e da fidelidade de Deus, nos chegamos a Cristo, o sacerdote e precursor do crente.


O capítulo 6 de Hebreus contém uma das mais fortes exortações encontradas em todo o Novo Testamento — a necessidade de perseverança e vigilância para não se decair da fé. O processo da salvação não se dá de forma mecânica e nem compulsória, mas se firma na entrega e aceitação voluntária a uma dádiva divina. A tudo isso temos que responder com amor, cuidado e zelo (1Co 10.7-13). Essa exortação de forma alguma deve levar-nos ao medo, pavor ou pânico, mas conduzir-nos a confiar inteiramente no Senhor que é poderoso para guardar-nos até o dia final.


Leia também:

Notas
1 BAUER, Walter. A Greek-English Lexicon o f the New Testament and other Early Christian Literature. The University of Chicago Press, Chicago, EUA.
2 GUZIK, David. Hebrews - Verse by Verse Commentary. Enduring Word Media, Santa Barbara, CA, EUA. O próprio John Wesley não queria que seu ensino sobre a perfeição cristã fosse mal compreendido: “Não é que hajam alcançado de todo o que alcançariam, nem que neste sentido sejam perfeitos. Senão que diariamente vão de poder em poder; 'mirando’ agora ‘como um espelho a glória do Senhor', são ‘transformados de glória em glória, como pelo Espírito do Senhor” (WESLEY, John. Works, 11:379).
3 BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio, Grand Rapids, Michigan EUA.
4 Hipólito de Roma (170-235 d.C) observou que algumas comunidades primitivas praticavam o batismo no domingo, mas exigiam que os batizandos tomassem um banho na quinta-feira anterior. (ROMA, Hipólito. Tradição Apostólica de Hipólito de Roma. Editora Vozes, Petrópolis, Rio de Janeiro). Essa prática descrita por Hipólito revela que, desde muito cedo, alguns grupos afastaram-se do modelo bíblico ensinado no Novo Testamento sobre a prática do batismo. Esse fato é claramente percebido na Didache ou o Ensino dos Doze Apóstolos, uma obra não canônica e datada do I século. Essa obra revela o afastamento do ensino neotestamentário sobre a forma batismal quando instrui a sua prática por aspersão: "Quanto ao batismo, faça assim: depois de ditas todas essas coisas, batize em água corrente, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo. Se você não tiver água corrente, batize em outra água. Se não puder batizar com água fria, faça com água quente. Na falta de uma ou outra, derrame água três vezes sobre a cabeça, em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo". (DIDACHE- Ensino dos Doze Apóstolos. Editora Vozes, Petrópolis, Rio de Janeiro).
5 BRUCE, F. F. BRUCE, F. F. La Epistola a Los Hebreos. Libros Desafio, Grand Rapids, Michigan, EUA.
6 BULLINGER, Ethelbert W. A Critical Lexicon and Concordance to the English and Greek New Testament. Zondervan Publishing House, Grand Rapids, Michigan, EUA, 1975.
7 HARLESS, Hal. Fallen Away or Fallen Down? - The meaning of Hebrews 6.1-9. Chafer Theological Seminary.
8 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego.
9 Idem. pp. 506.
10 BARCLAY, William. Hebreos - Comentário al Nuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona, Espanha.
11 TRENTHAN, Charles A. Hebreus - Comentário Bíblico Broadman. JUERP, Rio de Janeiro.
12 LIGHTFOOT, Neil R. Hebreus - comentário vida cristã. Editora Vida Cristã.

Fonte:
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Os Discípulos são comissionados por Jesus

“E, chamando os seus doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expulsarem e para curarem toda enfermidade e todo mal” Mt 10.1

“Evangelização e responsabilidade social
O nosso próximo é uma pessoa, um ser humano, criado por Deus. E Deus não o criou como uma alma sem corpo (para que pudéssemos amar somente sua alma), nem como um corpo sem alma (para que pudéssemos preocupar-nos exclusivamente com seu bem-estar físico), nem tampouco com um corpo-alma em isolamento (para que pudéssemos preocupar-nos com ele somente como um indivíduo, sem nos preocupar com a sociedade em que ele vive). Não! Deus fez o homem um ser espiritual, físico e social. Como ser humano, o nosso próximo pode ser definido como ‘um corpo-alma em sociedade’. Portanto, a obrigação de amar o nosso próximo nunca pode ser reduzida para somente uma parte dele. Se amarmos o nosso próximo como Deus o amou (o que é mandamento para nós), então, inevitavelmente, estaremos preocupados com o seu bem-estar total, o bem-estar do seu corpo, da sua alma e da sua sociedade. [...] É verdade que o Senhor Jesus ressurreto deixou a Grande Comissão para a sua Igreja: pregar, evangelizar e fazer discípulo. E esta comissão é ainda a obrigação da Igreja. Mas a comissão não invalida o mandamento, como se ‘amarás o teu próximo’ tivesse sido substituído por ‘pregarás o Evangelho’. Nem tampouco reinterpreta amor ao próximo em termos exclusivamente evangelísticos” (STOTT, John R. W. Cristianismo Equilibrado. 1ª Edição. RJ: CPAD, 1995, p.60,61).

O Evangelho deve ser proclamado, independente da aceitação ou não das pessoas.

Texto Bíblico - Mateus 10.1-15

INTRODUÇÃO

Jesus escolheu e preparou doze homens para serem seus primeiros discípulos. Depois de comissionar e orientar quanto à missão deles, o Mestre os revestiu de poder para realizarem sinais que comprovariam as Boas-Novas do Evangelho e a chegada do Reino dos Céus.

A missão destes primeiros discípulos era levar a paz a todas as pessoas, expulsar os espíritos imundos e curar as enfermidades e todo mal (Mt 10.1). O Mestre orienta os discípulos, mostrando como deveriam proceder ao chegar e ao sair das casas ou cidades. Jesus também ensina a respeito das consequências que sofreriam aqueles que não recebessem os discípulos e nem escutassem as suas palavras (Mt 10.14).

I. OS DOZE DISCÍPULOS E A PROCLAMAÇÃO DO REINO DOS CÉUS

1. A preparação.
Mateus dedica um bom espaço do texto Sagrado para trazer um dos principais discursos de Jesus, conhecido como o Sermão do Monte (Mt 5-7). Nele há auxílios para quem se dispõe a ter uma vida solidificada na rocha e ser uma testemunha do Reino.

Depois do Sermão do Monte, começa então a segunda parte do Evangelho de Mateus e no capítulo dez temos o discurso de Jesus chamado de “Sermão Missionário” (Mt 10).

Antes do comissionamento dos doze discípulos, Mateus narra uma série de sinais miraculosos realizados por Jesus (Mt 8,9). Ele descreve um total de dez curas e atos de poder realizados por Jesus e a constatação de que o campo de trabalho, a seara, é grande, mas que poucos são os ceifeiros.

Tendemos a acreditar que os sinais feitos por Jesus ninguém mais poderia fazê-los, mas na verdade Ele estava capacitando e treinando seus discípulos para milagres ainda maiores. Jesus chamou os doze, os treinou para depois comissioná-los.

2. O comissionamento dos doze.
Diferente do judaísmo institucionalizado, Jesus escolhe dentre o povo doze homens comuns, simples e das mais diversas origens. Entre eles estavam pescadores, como também membros de grupos opostos (grupo dos zelotes - coletor de impostos). Manter um grupo de pessoas com conhecimentos e perspectivas tão diferentes em um grupo coeso e eficiente exige esforço, paciência e muito treinamento.

Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas registram a eleição dos doze, mas cada um dá uma ênfase diferente (Mt 10.1-4; Mc 3.13-19; Lc 6.12-16). O que coincide na lista sinótica e que todas começam com Pedro, o líder, e termina com Judas, o traidor. Diferente dos demais evangelistas, Mateus coloca a relação dos doze discípulos no início de uma seção a respeito de missão.

Depois de um bom tempo juntos e auxiliando Jesus a ensinar, curar e expulsar demônios, agora os discípulos recebem a incumbência de cumprir a missão que lhes foi confiada sem a supervisão direta do Mestre.

3. Compaixão para proclamar o Reino dos Céus às ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.5-7,9,10).
Um dos principais exemplos que Jesus deixou para seus discípulos é a compaixão pelo povo sofrido da Galileia e sul da Síria (Mt 9.35-38). O termo bíblico judaico para compaixão era rahamin que tem o significado de amor materno. Jesus demonstra que é com esse amor que os discípulos deveriam amar aqueles a quem iriam anunciar o Evangelho.

Neste momento específico, a prioridade na evangelização eram as ovelhas perdidas da casa de Israel (Mt 10.6). Esta era uma estratégia específica e temporária. Outra recomendação importante é que os discípulos não deveriam se preocupar em levar bens materiais ou riquezas (Mt 10.9,10). Quem está trabalhando na Seara do Mestre deve agir como um soldado (2Tm 2.3,4), pois quando o combatente é convocado e vai para uma guerra ele só pode carregar suas armas e o essencial para sua sobrevivência.

Ponto Importante
Antes de comissionar os discípulos, Jesus os capacitou. Ele investiu seu tempo e paciência para ensiná-los como deveriam cumprir a missão que lhes foi confiada.

II. SINAIS E MILAGRES ACOMPANHAM OS COMISSIONADOS (Mt 10.1,8)

1. Os discípulos recebem poder.
Jesus não tinha ciúmes ou medo de que seus discípulos se sobressaíssem, pois sua visão era de crescimento do Reino dos Céus. Seu objetivo era a libertação dos oprimidos e enfermos. Aprendemos com o Mestre que quando o líder investe em seus subordinados e estes cumprem sua missão com êxito, o líder que os instruiu também é honrado. Este é o segredo da boa liderança, investir e treinar bem os liderados. Mateus afirma que Jesus deu poder aos discípulos para expulsar os espíritos imundos e curar toda espécie de enfermidades. A autoridade para realizar os sinais foi transferida de Jesus para os discípulos. Eles receberam o poder diretamente do Filho de Deus, como parte integrante do plano divino de anunciar a salvação. Os doze receberam uma grande responsabilidade acompanhada de uma grande honra.

2. A mensagem dos discípulos deveria ser a mesma de Jesus.
A pregação dos discípulos deveria ser a mesma de Jesus (Mt 4.17), mas além da mensagem do Reino, eles necessitariam atender quatros imperativos: “curai os enfermos, limpai os leprosos, ressuscitai os mortos e expulsai os demônios” (Mt 10.7,8). Como representantes de Cristo, os discípulos estariam desafiando o poder imperial romano e religioso, por isso, estariam também correndo perigo, como o Mestre deles.

Acompanhar Jesus de perto e ser um discípulo era um privilégio e uma honra, mas também exigia disciplina e responsabilidade. Por isso, o Mestre relaciona uma série de recomendações a seus discípulos, dispostos a proclamar o Evangelho (Mt 10.7-17).

3. Os discípulos não poderiam utilizar o poder recebido em benefício próprio.
Os discípulos haviam recebido poder para realizar sinais em nome de Jesus, mas também receberam uma advertência séria, pois não poderiam usar o poder recebido em benefício próprio, ou ter pagamento algum em troca. Eles receberam o poder de graça e de graça deveriam anunciar o Reino dos Céus.

Ponto Importante
Os discípulos foram honrados ao serem comissionados, a exemplo de grandes figuras do povo de Israel do passado, como Moisés, Davi, Isaías e Jeremias.

III. NEM TODOS ACEITAM A MENSAGEM DO REINO (Mt 10.11-15)

1. A paz de Deus.
Os discípulos são recomendados a oferecer a paz de Cristo a “todas as ovelhas perdidas da casa de Israel” (v.6). No contexto, a casa considerada digna é aquela em que o proprietário recebe voluntariamente a oferta da paz por meio do Evangelho. Nesse caso, se convidado, o discípulo deveria entrar e se hospedar o tempo necessário para anunciar as Boas-Novas. Na cultura atual é difícil entender essa prática de se hospedar pessoas desconhecidas, mas na época de Jesus era algo bem comum. O fato de depender da boa vontade das pessoas para se hospedar de forma gratuita na casa de um desconhecido também exigia humildade dos discípulos, pois nem todas as pessoas têm essa propensão e se propõe a fazer isso. Por isso, a necessidade da ação do Espírito Santo na vida daqueles que realmente estão comprometidos com o Reino dos Céus.

2. Lidando com a rejeição.
Jesus orientou os discípulos mostrando que algumas pessoas iriam rejeitar o Evangelho e ignorá-los. O próprio Jesus era um exemplo de rejeição e submissão a situações de humilhação. Todavia, também era um exemplo a ser seguido, pois não desanimava diante dessas dificuldades e mantinha seu propósito de fazer a vontade de Deus. No versículo (v.14) aparece uma expressão que não é costumeira para a cultura contemporânea: “sacudi o pó dos vossos pés”. Tal declaração é uma forma de demonstrar que o proprietário da casa visitada, que rejeitou o Evangelho, é responsável pela sua atitude. Jesus estava preparando os discípulos para que eles aprendessem a lidar com as rejeições sem se magoarem e perderem o propósito, pois cada um é responsável pelas suas escolhas.

3. Não desanime diante da recusa das pessoas.
O crente não deve desanimar quando as pessoas rejeitarem a pregação do Evangelho. Quem rejeita hoje poderá aceitar amanhã, pois as pessoas mudam, as condições e as experiências também. Quem convence o homem do pecado, da justiça divina e do juízo é o Espírito Santo, a nós cabe somente anunciar o plano da salvação, orar pelos enfermos e os oprimidos do Diabo. Infelizmente, haverá pessoas que nunca aceitarão a mensagem da salvação. O discípulo que passa por uma experiência dessas, não deve achar que ele é o responsável pela recusa da pessoa. Não devemos nos preocupar, de forma demasiada, pelas decisões erradas das pessoas, pois o crente não pode mudar ninguém e nem impor às pessoas a salvação, mas oferecê-la gratuitamente e com amor.

Ponto Importante
A salvação é oferecida gratuitamente a todas as pessoas e não deve ser imposta. Cada pessoa é responsável pelas suas escolhas.


CONCLUSÃO

Nesta lição aprendemos que Jesus antes de comissionar seus discípulos para a missão evangelizadora, os capacitou. O Mestre outorgou poder aos discípulos para que estes fizessem os mesmos sinais que Ele fazia. No entanto, Jesus recomendou aos discípulos que não usassem esse poder em benefício próprio, mas sempre em favor do Reino. Aprendemos também que Jesus orientou os discípulos a alcançarem primeiramente as ovelhas perdidas da casa de Israel, mas Ele os advertiu de que nem todos aceitariam a mensagem do Reino, pois a responsabilidade da escolha é pessoal.



SUBSÍDIO
“Mateus 10.6”
‘As ovelhas perdidas da casa de Israel’, as ovelhas, as que estão perdidas, são mencionadas aqui pela primeira vez em Mateus. Jesus está expressando compaixão e não censura. John Bebgel comenta que Jesus diz ‘perdido’ e assemelhados mais frequentemente do que ‘desviado’ e assemelhados. ‘Se a nação judaica pudesse ser levada ao arrependimento o novo tempo despontaria’.

“Mateus 10.14”
‘Sacudi o pó dos vossos pés’. ‘Sacudir’, um gesto vigoroso de desfavor. Os judeus tinham preconceitos ardentes contra as menores partículas do pó pagão. A questão não era a existência de germes no pó. Tal fato não se conhecia na época. Os judeus consideravam que qualquer coisa relacionada aos gentios estava contaminada com a putrescência da morte. Se os apóstolos fossem maltratados, eles tinham de tratar os impiedosos donos da casa como se eles fossem gentios (cf. Mt 18.17; At 18.6) Essa instrução também era restrita a esta excursão, com seus perigos peculiares.
(ROBERTSON, A. T. Comentário Mateus & Marcos: À luz do Novo Testamento Grego. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2016, p.118).


Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Arqueologia - Encontrado piscina onde eunuco etíope foi batizado

Arqueólogos encontram piscina onde eunuco etíope foi batizado por Filipe

Ein Hanya foi considerado o local onde o eunuco etíope foi batizado pelo evangelista Filipe, conforme é descrito em Atos 8:26-40.

A piscina da Era Bizantina foi descoberta em Ein Hanya, perto de Jerusalém.
(Foto: Assaf Peretz/Autoridade de Antiguidades de Israel)

Arqueólogos desenterraram uma piscina antiga perto de Jerusalém, onde o evangelista Filipe teria batizado o eunuco etíope. A descoberta faz parte de um parque natural que foi inaugurado na última quarta-feira (31/01) após cinco anos de escavações em Ein Hanya, nas montanhas da Judeia.

Além da piscina antiga, a Autoridade de Antiguidades de Israel revelou outras importantes descobertas bíblicas, como o capitel (extremidade superior de uma coluna) típico das estruturas reais da era do Primeiro Templo e uma das moedas mais antigas já descoberta em Jerusalém.

O achado mais significativo foi o grande sistema de piscinas da Era Bizantina encontrado no local. “Esta piscina foi construída no centro de um complexo espaçoso aos pés de uma igreja que ficava aqui. Colunatas cobertas foram construídas ao redor da piscina para dar acesso às asas residenciais”, disse a diretora da escavação, Irina Zilberbod.

Zilberbod acrescentou que a piscina pode ter sido usada para vários fins como irrigação, banhos, paisagismo e cerimônias batismais.

“Alguns comentaristas cristãos identificaram Ein Hanya como o local onde o eunuco etíope foi batizado, conforme é descrito em Atos 8:26-40”, disse o arqueólogo israelense Yuval Baruch.

“O batismo do eunuco por Filipe foi um dos eventos-chave na propagação do cristianismo. Portanto, identificar o lugar onde isso aconteceu manteve os estudiosos ocupados por muitas gerações e se tornou um ponto comum na arte cristã”, completou Baruch.

A piscina foi descoberta em Ein Hanya, perto de Jerusalém.
(Foto: Assaf Peretz/Autoridade de Antiguidades de Israel)

Muitos dos achados pelos arqueólogos foram datados na época do Primeiro Templo, cerca de 2.400 a 2.800 anos atrás. O principal achado desse período é o fragmento de um capitel — um elemento artístico típico das estruturas e propriedades dos reis daquele período.

Os arqueólogos estimam que Ein Hanya pode ter sido uma propriedade real durante o período do Primeiro Templo. “Depois da destruição do Primeiro Templo, o assentamento foi transformado em uma propriedade que era habitada por judeus”, disse a Autoridade de Antiguidades de Israel.

Outra descoberta significativa desse período é uma rara dracma grega, descrita como uma das moedas mais antigas descobertas em Jerusalém, datada entre 420 e 390 a.C.

Mais moedas, cerâmicas, vidros, telhas e peças de mosaico do período bizantino foram descobertos na escavação, levando os arqueólogos a dizer que foi durante esse período (séculos 4 a 6 d.C) que o local atingiu seu apogeu.

As escavações e trabalhos de conservação foram realizadas entre 2012 e 2016. O local faz parte do Parque Nacional do Vale de Refaim, a sudoeste de Jerusalém, e será aberto ao público gratuitamente dentro de alguns meses.

Fonte: GUIAME,
com informações Times of Israel
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