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sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Melquisedeque Abençoa Abraão - Livro de Gênesis

E abençoou-o e disse: Bendito seja Abrão do Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra” Gn 14.19

As narrativas sobre como Deus tratou Abraão, Isaque, Jacó e José, os patriarcas ancestrais do povo de Israel estão registras nos capítulos de 12 a 50 de Gênesis. Conhecer as raízes históricas e a formação do povo judeu é simples, a partir da leitura atenta desses capítulos que formam o Gênesis.
A história de Abraão inicia com a narrativa da família do patriarca, a caminho de Canaã (Gn 11.27-32), acrescentada de uma citação especial sobre a esterilidade de Sara, a esposa do pai da fé (Gn 11.30). Mas os momentos principais nas narrativas sobre a vida de Abraão estão em Gênesis 12.1-9, em que Deus chama Abraão para sair da terra de Harã, após a morte do seu pai Terá, e ser enviado a uma terra estranha (v.1), prometendo fazer dele “uma grande nação”, e abençoando, assim, por intermédio dele, “todas as famílias da terra” (vv.2,3).
Após viajar para a terra que o Senhor lhe falou, Abraão percorreu obedientemente a terra inteira. Em seguida, recebeu a promessa de Deus: “E apareceu o SENHOR a Abrão e disse: À tua semente darei esta terra” (Gn 12.7). Qual foi a reação de Abraão? Ora, edificar um altar ao Senhor e invocar o seu nome (vv.8,9). Ao longo da narrativa sobre o patriarca Abraão, expressões como “terra prometida”, “descendência prometida”, “uma grande nação”, “bênçãos para as nações” vão ganhando corpo e materialidade. E verbos como “adorar” e “confiar” em Deus, como único e verdadeiro, vão se constituindo como símbolo para uma adoração e uma fé adequadas ao único Deus do povo de Israel. Abaixo, veja o resumo das grandes promessas de Deus para Abraão:


Revista Ensinador Cristão nº64-pg.41

A bênção de Melquisedeque não se limitou a Abraão, mas alcança todos os que recebem Jesus Cristo como sacerdote eterno.

INTRODUÇÃO
Se a história de Melquisedeque é pequena, sua teologia surpreende-nos pela grandeza e profundidade. O autor sagrado não precisou de muitas palavras, para apresentar-nos a um dos maiores personagens da História Sagrada. Com menos de 60 vocábulos, introduz-nos na antiga Salém, onde o rei de justiça e paz desempenhava um ministério eterno.
De Melquisedeque, não temos muitas informações. Sabemos apenas que era um homem santo que exercia, plenamente, as três funções do ofício divino: rei, sacerdote e profeta. Enfim, um tipo perfeito de Jesus Cristo.

Neste capitulo, veremos como se deu o encontro de Melquisedeque com Abraão. Ali, na futura Jerusalém, o patriarca, que ainda se chamava Abrão, é recepcionado por um monarca, cuja autoridade espiritual era irresistível. Sim, justamente ali, na presença de Bera, rei de Sodoma, o pai da nação hebreia é abençoado. Em sua bênção, todos os que cremos fomos contemplados.

A partir dai, o sacerdócio de Melquisedeque seria invocado, pela Escritura Sagrada, como o ideal de uma intercessão eficaz, plena e eterna. Tão sublime era o sacerdócio de Salém, que o próprio Cristo viria a exercê-lo em sua vida, morte e ressurreição. Acompanhemos, pois, esse maravilhoso capitulo da História Sagrada. Detenhamo-nos na antiga Jerusalém, e desfrutemos das bênçãos que o Pai Celeste, por meio do Filho Amado, reservou-nos.

I. UMA HISTÓRIA SEM BIOGRAFIA
Como biografar Melquisedeque? Apesar de sua grandeza teológica, quase nada temos acerca dele. Na verdade, é uma história sem biografia. No entanto, sem esse misterioso personagem, as crônicas de nossa redenção estariam incompletas.

1. Narrativa pequena, teologia grande. De forma admirável, o autor de Gênesis sumaria a história de Melquisedeque em apenas três versículos: “Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo; abençoou ele a Abrão e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra, e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos. E de tudo lhe deu Abrão o dízimo” (Gn 14.18-20).
Em menos de 60 palavras, Moisés narra um dos capítulos mais gloriosos da Bíblia Sagrada Na verdade, é uma história sem biografia, pois de Melquisedeque não temos a filiação, nem a naturalidade. A Bíblia não lhe declina o nome dos pais, nem lhe revela a cidade de origem. Sabemos apenas que ele era rei, sacerdote e profeta. Num texto jornalístico, não teríamos condições de responder, a contento, a estas perguntas: Quem? Quando? Onde? Como? E por quê? Não obstante, somos incapazes de mensurar-lhe a grandeza teológica.

Excetuando o Senhor Jesus Cristo, nenhum outro personagem da História Sagrada logrou exercer os três ofícios sagrados. Aliás, nem o próprio Moisés que, entre os profetas, foi o maior, galgou semelhante honra. Embora falasse face a face com o Senhor, o sacerdócio não lhe foi atribuído; caberia a seu irmão exercê-lo. Arão, porém, não foi rei, nem profeta Quanto a Davi, foi rei e profeta; sacerdote, não. Melquisedeque, todavia, foi rei, sacerdote e profeta. Mesmo assim, sua biografia, de tão exígua, não pode ao menos ser considerada como tal. Sua teologia, contudo, é tão grande que serviu para tipificar o Messias (SI 110.4).

2. Rei de Salém. Devido à sua importância estratégica, Salém era a cidade mais importante e cobiçável do Oriente Médio. Soldados e comerciantes eram obrigados a transitar por seus termos, quer em suas viagens ao Oriente, quer em suas andanças ao Ocidente. E, dessa forma, refaziam-se na cidade de Melquisedeque.
Ali, detinham-se a ouvir o rei-sacerdote. Ninguém podia igualar-se-lhe à estatura intelectual e teológica. Sem dúvida, o homem mais sábio daquele tempo. Até os reis vinham prestar-lhe vênia. Nesse sentido, era Melquisedeque o rei dos reis daquela região. Conquanto não possuísse exército, sua autoridade moral e espiritual jamais era contestada. Aliás, Salém nem precisava de força armada, porque era a capital da paz; em seus termos imperava a justiça divina.

3. Sacerdote do Altíssimo. A autoridade de Melquisedeque não residia propriamente em sua realeza; fundamentava-se no ofício que exercia. Todos sabiam que, ali, na principal cidade da região, achava-se um homem de Deus. Por seu intermédio, os peregrinos consultavam o Eterno. Até Abraão foi à sua procura, pois sabia que, espiritualmente, havia alguém superior a si. Em que consistia o sacerdócio de Melquisedeque? Não resta dúvida de que era diferente do levítico. Este sobressaía-se pelas oferendas cruentas; aquele tinha como essência o sacrifício único e suficiente de Jesus que, na presciência divina, jazia vicariamente morto desde a fundação do mundo (Ap 13.8). Não podemos descartar, porém, a imolação de animais, porque, desde Abel, cordeiros e novilhos eram oferecidos ao Senhor, prefigurando a morte do Unigênito.
Na Epístola aos Hebreus, encontramos uma preciosa descrição do sacerdócio de Melquisedeque:
“Porque este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, que saiu ao encontro de Abraão, quando voltava da matança dos reis, e o abençoou, para o qual também Abraão separou o dízimo de tudo (primeiramente se interpreta rei de justiça, depois também é rei de Salém, ou seja, rei de paz; sem pai, sem mãe, sem genealogia, que não teve princípio de dias, nem fim de existência, entretanto, feito semelhante ao Filho de Deus), permanece sacerdote perpetuamente. Considerai, pois, como era grande esse a quem Abraão, o patriarca, pagou o dízimo tirado dos melhores despojos” (Hb 7.1-4). Tao superior era o sacerdócio de Melquisedeque, que até mesmo a tribo de Levi, que se achava nos lombos de Abraão, pagou-lhe os dízimos através do patriarca; “Ora, os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm mandamento de recolher, de acordo com a lei, os dízimos do povo, ou seja, dos seus irmãos, embora tenham estes descendido de Abraão; entretanto, aquele cuja genealogia não se inclui entre eles recebeu dízimos de Abraão e abençoou o que tinha as promessas” (Hb 7.5-6).

4. Profeta do Senhor. Apregoando o conhecimento divino, Melquisedeque precedeu Abraão no ministério profético que, doravante, seria exercido pela nação hebreia. O rei de Salém preparou o caminho do patriarca, a fim de que este viesse a lançar as bases espirituais, morais e éticas do povo de Israel. A teologia de Abraão era melquisedequiana. Antes e depois de Levi, faz-se presente na História da Salvação.

Sem Melquisedeque, o ministério de Abraão seria impossível.

Foi como profeta que o rei de Salém abençoou o patriarca; “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra, e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos” (Gn 19,20). A primeira vista, a bênção parece um enunciado sacerdotal. No entanto, temos aqui também uma alocução profética, realça a importância messiânica de Abraão. Melquisedeque faz parte da comunidade profética que Deus mantinha antes e fora de Israel.

Entre esses homens ilustres, temos Jó, Eliú, Jetro e os sábios que visitaram o menino Jesus. Embora não fossem israelitas, trabalharam para que a missão de Israel tivesse êxito. Balaão também fazia parte dessa comunidade. Infelizmente, o filho de Beor deixou-se enganar pelas riquezas de Balaque, vindo a perecer ao fio da espada (Nm 31.8).

5. Melquisedeque, agenealogatos. Melquisedeque era um homem de Deus, mas não era divino. Embora seja descrito como não tendo pai, nem mãe, nem genealogia, era tão humano quanto Abraão. O que o autor sagrado quis destacar é que, devido à sua importância, sua filiação e naturalidade fizeram-se prescindíveis. Ele não precisou de uma biografia para fazer história, sua atuação foi suficiente.
Se Abraão precisava de uma genealogia que o remetesse a Noé e a Adão, não carecia Melquisedeque de um registro que o ligasse a um ancestral ilustre. O triplo ministério reportava-o, de imediato, ao Filho de Deus; seu ofício era eterno, como eterno é Jesus Cristo. Melquisedeque era um sacerdócio messiânico. Melquisedeque não era divino, mas como homem de Deus era singular. Não era eterno, mas transcendeu o tempo. Sacerdote, foi honrado como rei pelo amigo de Deus. Enfim, era ele um profeta, rei e sacerdote em sua plenitude.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
"Em hebraico malkisedeq ou 'rei da justiça', é mencionado em Gênesis 14.18; Salmo 110.4; Hebreus 5.6,10; 6.20; 7.1,10,11,15,17. No livro de Gênesis ele é um rei-sacerdote cananeu de Salém (Jerusalém) que abençoou Abraão quando este retornou depois de salvar Ló, e a quem Abraão pagou o dízimo do espólio da batalha. Devido ao mistério que cerca seu repentino aparecimento no cenário da história, e seu igualmente repentino desaparecimento, ele tem sido identificado com um anjo, com o Espírito Santo, com o Senhor Jesus Cristo, com Enoque. Quanto à religião, ele era 'sacerdote do Deus Altíssimo' " (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 1247).

CONHEÇA MAIS
*Melquisedeque
"Melquisedeque (que significa 'rei de justiça') era tanto 'rei de Salém' (possivelmente a Jerusalém primitiva), como 'sacerdote do Deus Altíssimo'. Ele servia o único Deus verdadeiro, assim como Abrão. Melquisedeque é um tipo ou uma figura da realeza e sacerdócio eternos de Jesus Cristo." Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Pentecostal CPAD, p. 54.

"Melquisedeque e seu sacerdócio são exemplo de Cristo e de seu sacerdócio. O sacerdócio de Melquisedeque não estava limitado a raça humana ou a tribo, sendo, portanto, universal. Sua realeza não foi herdada de seus pais. E essa realeza também não foi transmitida a um descendente; e assim ela era eterna. Portanto, Melquisedeque é uma tipologia de Cristo e de seu sacerdócio eterno e universal" (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 1247).

Figura de Jesus.
Filho do homem, Jesus tem uma genealogia que, em Mateus, remonta a Abraão (Mt 1.1,2), e, em Lucas, vai até ao próprio Deus (Lc 3.38). Mas, como Filho de Deus, Ele é eterno: não possui genealogia (Jo 1.1-3). Nesse sentido, Melquisedeque é uma figura perfeita de Cristo (Hb 7.1-6).
Isso não significa que Melquisedeque fosse eterno, ou uma pré-encarnação de Jesus Cristo. O que o autor sagrado diz é que este personagem, apesar de sua importância, não possui uma biografia escrita. Moisés foi inspirado a não registrar-lhe o nome dos pais, a idade, a procedência, nem o dia de sua morte.


II. ABRAÃO, O GENTIO
Quando Deus intimou a Abraão a sair de Ur dos caldeus, era o patriarca tão gentio quanto eu e você. Sem dúvida, foi o primeiro não israelita a converter-se formal e historicamente. A partir dai, Deus o separa a uma tarefa, que haveria de mudar o perfil teológico, moral e ético do mundo. Sem ele, o Cristianismo seria impossível.

1. Abraão, filho de Noé. Em Ur dos caldeus, o gentio Abrão, que mais tarde entrará para a História Sagrada como Abraão, era um ben Noah. Um filho de Noé, como qualquer outro oriental. Oriundo da linhagem de Sem, já era agraciado por duas bem-aventuranças. Através de Noé, desfrutava dos favores da aliança que levou o Senhor a salvar o segundo patriarca universal das águas do Dilúvio (Gn 6.18). E, por meio de Sem, detinha o concerto messiânico (Gn 9.26).

Quando de seu chamamento, Abraão não passava de um arameu atribulado e sem muitas perspectivas. Pelo menos, assim professavam os israelitas, no Sinai, em sua peregrinação à Terra de Promissões: Arameu prestes a perecer foi meu pai, e desceu para o Egito, e ali viveu como estrangeiro com pouca gente; e ali veio a ser nação grande, forte e numerosa” (Dt 26.5).
Mas, ali, em meio à idolatria que já ameaçava a integridade da grande e diversificada família semita, ouve Abraão a chamada do Senhor: “Sai da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai e vai para a terra que te mostrarei; de ti farei uma grande nação, e te abençoarei, e te engrandecerei o nome. Sê tu uma bênção! Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3).

2. Abraão, cidadão de Ur dos caldeus. Ur era uma das cidades-estado mais avançadas do Oriente Médio. Localizada na antiga Suméria, ficava nas cercanias da atual Tell el-Muqayyar, na província iraquiana de Dhi Qar. E, plantada na foz do rio Eufrates, deveria ser deslumbrante e sedutora. Se levarmos em conta a possível etimologia de seu nome, Ur era a cidade-luz de seu tempo. Uma Paris do Oriente.

Nanna era a padroeira de Ur. Adorada como a deusa lunar, começava a subjugar até mesmo os descendentes de Sem, o filho mais piedoso de Noé. E, sendo ela também a deusa da fertilidade, lançava seus adoradores nos ritos mais devassos e libertinos. Prostituição e adultério eram comuns em seus templos. Mais tarde, ela seria adotada pelos gregos que lhe deram um nome mais afinado aos ouvidos ocidentais: Afrodite.

Os romanos a conheceriam como Vênus. Dessa cidade evoluída economicamente, mas espiritualmente tão involuída, Deus arranca Abraão. Ao ouvir a voz do Senhor, o patriarca deixa o clã paterno e faz-se peregrino: “Partiu, pois, Abrão, como lhe ordenara o SENHOR, e Ló foi com ele. Tinha Abrão setenta e cinco anos quando saiu de Harã. Levou Abrão consigo a Sarai, sua mulher, e a Ló, filho de seu irmão, e todos os bens que haviam adquirido, e as pessoas que lhes acresceram em Harã. Partiram para a terra de Canaã; e lá chegaram” (Gn 12.4,5).

3. Abraão, o peregrino. Ao deixar a sua cidade, Abraão não tinha um mapa detalhado da terra que lhe daria o Senhor. Peregrinando em direção ao Ocidente, deteve-se por algum tempo em Padã-Harã. Dai, andeja até Siquém. E, junto aos carvalhais de Moré, o Senhor torna-lhe a promessa mais clara; “Darei à tua descendência esta terra” (Gn 12.7). Diante da promissão divina, o patriarca detém-se entre o já e o ainda. Sim, a terra já é dele; pertence já aos seus descendentes. Todavia, ainda não é o tempo de a possuir. Seus descendentes terão de esperar mais quatro séculos até se apossarem do país onde mana leite e mel. Agradecendo a Deus, Abraão crê, crendo, é justificado. Somente a fé opera semelhantes milagres no coração humano.



III. O ENCONTRO COM MELQUISEDEQUE
Em Salém, dá-se um culto completo ao Deus Altíssimo. Abraão, recepcionado por Melquisedeque, bendiz ao Senhor por uma grande vitória, participa da primeira Santa Ceia e louva ao Eterno com os seus dízimos. E, diante do rei de Sodoma, realça o testemunho irresistível de sua fé em Deus.

1. A crise anunciada. Ao separar-se de Abraão, seu tio, muda-se Ló para a impenitente Sodoma E, lá, segundo depreendemos do texto sagrado, veio a prosperar. Sua influência sobre a cidade era mui considerável. Ló era uma espécie de juiz universal (Gn 19.9). Todavia, jamais se conformou com a degradação moral da cidade. Diariamente, afligia-se “pelo procedimento libertino daqueles insubordinados” (2 Pe 2.7).

Sodoma, apesar de sua degenerescência moral, desfrutava de um admirável desenvolvimento social e econômico. Por isso, era cobiçada pelos reinos da região. Certa vez, alguns desses régulos organizaram-se contra a cidade, conforme registra o autor sagrado: “Sucedeu naquele tempo que Anrafel, rei de Sinar, Arioque, rei de Elasar, Quedorlaomer, rei de Elão, e Tidal, rei de Goim, fizeram guerra contra Bera, rei de Sodoma, contra Birsa, rei de Gomorra, contra Sinabe, rei de Admá, contra Semeber, rei de Zeboim, e contra o rei de Bela (esta é Zoar)” (Gn 14.1,2).
Nesse investida, Quedorlaomer leva o justo Ló a um cativeiro incerto e cruel (Gn 14.12).

2. A vitória no campo de batalha. Ao saber que o sobrinho fora levado cativo, Abraão não se fez esperar. Arregimenta um exército entre os seus servos, e vai ao encalço de Ló. Sua vitória é espetacular, segundo narra o Gênesis: “E, repartidos contra eles de noite, ele e os seus homens, feriu-os e os perseguiu até Hobá, que fica à esquerda de Damasco” (Gn 14-15). Seus 318 homens derrotaram o exército mais poderoso da região. Um exército, aliás, que vinha de várias campanhas vitoriosas.

Abraão resgata não somente o sobrinho, como também os demais cativos de Quedorlaomer. Sem dúvida, uma façanha bélica. Um bando de pastores havia derrotado uma poderosa coligação. Como celebrar semelhante triunfo? Dirige-se, pois, o patriarca a Salém, onde já o esperava Melquisedeque.

3. O encontro com o rei de Salem. Não sabemos se até aquele momento, houvera algum encontro entre Abraão e Melquisedeque. De qualquer forma, não poderia haver ocasião mais propícia. Se havia um culto público e testemunhal a realizar, que Salém fosse o santuário. O ato de adoração ao Único e Verdadeiro Deus seria presenciado inclusive por Bera, rei de Sodoma.
Infelizmente, o sodomita não se deixaria enternecer pela manifestação divina. Mais interessado em reaver os súditos, partiu de imediato à sua impenitente e já condenada cidade-estado.

4. A santa ceia em Salem. O pão e o vinho faziam parte do cardápio oriental; eram alimentos básicos. Mas, agora, o pão e o vinho de Salém adquirem um caráter sacramental. A vitória do patriarca, portanto, será comemorada com uma ceia que se faz santa. Observemos como a narrativa sagrada descreve a celebração: “Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; era sacerdote do Deus Altíssimo” (Gn 14.18). Observemos a precisão da narrativa bíblica. Melquisedeque traz pão e vinho a Abraão na qualidade de sacerdote, e não como rei de Salém. Era, pois, uma refeição sacramental, não um banquete oficial. Conclui-se que o pão e o vinho ali servidos já prefiguravam o corpo e o sangue de Cristo. Levemos em conta, também, que o sacerdócio de Melquisedeque era superior ao de Levi, porquanto messiânico, eterno e universal. O que isso significa? Acima de tudo, que o pão e o vinho, naquele momento, eram mais adequados do que um cordeiro.

5. Abraão dá os dízimos a Melquisedeque. Após a refeição sacramental, Melquisedeque abençoa Abraão. Dessa forma, o sacerdote do Deus Altíssimo agracia o patriarca hebreu: “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, que possui os céus e a terra; e bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus adversários nas tuas mãos” (Gn 14.19,29). Nesse evento, Abraão era ainda Abrão. Mas logo seria ele não apenas um grande pai, mas o pai espiritual de todos os crentes, quer hebreus, quer gentios.
Já no encerramento do culto, Abraão serve a Deus com os seus dízimos. Ao rei de Salém, entrega o melhor de seus haveres (Gn 14.20). Tão liberal mostrou-se o patriarca que, além de não aceitar a oferta de Bera, rei de Sodoma, fez questão de externar materialmente o que, espiritualmente, havia recebido. Até mesmo dos despojos de guerra que estavam em seu poder, deu ele o dízimo (Hb 7.4).
Na verdade, Abraão nenhum despojo quis para si, mas desse mesmo despojo pagou o dízimo ao Senhor pela mão de Melquisedeque.

No pão e vinho que Melquisedeque trouxera a Abraão estava a simbologia da morte de Jesus Cristo, o Cordeiro Imaculado. Mais tarde, o Filho de Deus servirá uma refeição semelhante aos seus discípulos (Mt 26.26-30). Com a morte do Filho de Deus cumpria-se o sacerdócio de Melquisedeque.

CONCLUSÃO
Abraão encontrou-se com Melquisedeque, e foi espiritual e teologicamente edificado. Em Salém, teve uma visão mais clara de seu chamamento. Sabia, agora, que a sua missão ia além do tempo; era eterna. Nele, seriam abençoadas todas as nações da terra por intermédio de Jesus Cristo, seu mais ilustre descendente.

Hoje, através de Cristo, é-nos facultada a entrada ao trono da graça E, agora, podemos adentrar não a Salém terrena, mas a Jerusalém Celeste, cujo arquiteto e construtor é o próprio Deus.




"Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o Justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo" (1Jo 2.1,2).


PARA REFLETIR
A respeito do livro de Gênesis:

Quem foi Melquisedeque?
Melquisedeque era rei de Salém e sacerdote do Senhor. É um tipo de Cristo.

Qual o significado de seu nome?
Melquisedeque traz este glorioso significado: rei de justiça (Hb 7.2).

Descreva o sacerdócio de Melquisedeque.
Melquisedeque foi o primeiro personagem da História Sagrada a receber o título de sacerdote. No texto bíblico, ele é identificado como sacerdote do Deus Altíssimo (Gn 14.18). Ao contrário do ofício de Arão, cuja continuidade era assegurada hereditariamente, o de Melquisedeque é eterno. Com um único sacrifício, o seu ministério plenificou-se.

Faça um breve resumo da biografia de Abraão.
Abraão era gentio, quando Deus o chamou a formar o povo escolhido (Dt 26.5). No entanto, pela fé, tornou-se pai da nação hebreia e de todos os que creem. Abraão era semita. Sua escolha evidenciou-se por uma fé inabalável em Deus (Rm 4.3). Nele, seriam abençoadas todas as nações da terra, com a proclamação do Evangelho de Cristo (Gn 12.3).

Por que Jesus é sacerdote, de acordo com a ordem de Melquisede?
Porque Jesus é anterior a Abraão, a Levi e aos sacerdotes levíticos e maior que todos eles. Melquisedeque serve como tipo de Cristo, cujo sacerdócio e jamais terá fim.

Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4º trim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)
Guia do Leitor da Bíblia - CPAD

Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé

Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Tirando a trave dos nossos olhos, primeiro!

Julgue a si mesmo para não ser julgado

Que tenhamos cuidado com o julgamento hipócrita e aperfeiçoemos nosso senso crítico.

Referência Bíblica: Mateus 7:1-5
"1 Não julgueis, para que não sejais julgados.
2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?
4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão."

O primeiro versículo não é uma proibição irrestrita ao julgamento, pois no versículo cinco vemos que quando a vida de um indivíduo é pura, ele pode "tirar o argueiro do olho do seu irmão", a palavra argueiro significa algo bem pequeno, uma partícula, enquanto que a trave é algo bem grande, isto significa que para você julgar os atos dos outros, deve agir de maneira irrepreensível diante dos homens e de Deus, caso contrario, você estará olhando para os erros dos outros, enquanto você mesmo vive errando, primeiro devemos estar julgando a nós mesmos e depois aos outros, pois desta forma, teremos autoridade para julgar os outros, nesta questão.

Caso o irmão estiver vivendo em pecado, vá primeiramente até ele e tente resolver a situação entre vocês dois, não para acusa-lo ou criar uma contenda, mais com mansidão, calma e longanimidade, para que se estabeleça a paz, caso ele não te ouvir, leve outra testemunha, e caso ele não ouvir vocês dois, coloca o problema diante da igreja, no caso de ele não ouvir a igreja, ele deve ser considerado como incrédulo, e dependendo do caso até excluído da comunidade local:
Mt 18:15-17 "Se teu irmão pecar contra ti, vai argüi-lo entre ti e ele só. Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão. Se, porém, não te ouvir, toma ainda contigo uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda palavra se estabeleça. E, se ele não os atender, dize-o à igreja; e, se recusar ouvir também a igreja, considera-o como gentio e publicano. Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus.";
1 Co 5:11-13 " Mas, agora, vos escrevo que não vos associeis com alguém que, dizendo-se irmão, for impuro, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou beberrão, ou roubador; com esse tal, nem ainda comais. Pois com que direito haveria eu de julgar os de fora? Não julgais vós os de dentro? Os de fora, porém, Deus os julgará. Expulsai, pois, de entre vós o malfeitor."

É importante ressaltar que sempre que você repreende aos irmãos, deve agir com amor, mesmo no caso de que levemos o assunto a uma outra testemunha, sempre antes de falar com o irmão, devemos examinar o nosso coração, e se caso ainda estivermos com ira, devemos orar antes de conversar com ele, pois a intenção de nosso coração deve sempre ser a de restabelecer a paz e instruir o irmão, sobre a sua atitude, utilizando a palavra de Deus, pois o alvo principal de seu coração, deve ser o de ganhar a seu irmão, como podemos ver em Mt 18:15b" Se ele te ouvir, ganhaste a teu irmão", caso você fale com ele sem brandura você ira ofende-lo, e ele provavelmente não ira dar ouvidos a sua repreensão, as vezes ficando até com raiva de você:
Pv 15:28 " O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldades.";
Pv 19:2 "Não é bom proceder sem refletir, e peca quem é precipitado.";
Gl 6:1 "Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.";
1Tm 5:1-2 "Não repreendas ao homem idoso; antes, exorta-o como a pai; aos moços, como a irmãos; às mulheres idosas, como a mães; às moças, como a irmãs, com toda a pureza."

Quando o irmão nos ofender, primeiramente, devemos guardar-nos e não expor a nossa ira, para que não haja contendas, brigas, discussões, depois devemos ouvir a unção do espírito, para saber como agir na situação, buscando sempre a melhor forma de estar agradando a Deus e manter a paz com os homens, pois a palavra de Deus também nos diz que é prudente aquele que oculta a afronta:
Pv 12:16 "A ira do insensato num instante se conhece, mas o prudente oculta a afronta.";
Pv 17:9 " O que encobre a transgressão adquire amor, mas o que traz o assunto à baila separa os maiores amigos.";
Pv 17:14 " Como o abrir-se da represa, assim é o começo da contenda; desiste, pois, antes que haja rixas."

Quando perdoarmos nosso irmão, não devemos depois ficam espalhando o problema com outras pessoas, ou relembrarmos a pessoa sobre aquela questão, ou guardarmos qualquer magoa no nosso coração, pois desta forma, não estaremos sendo sinceros, e o Senhor Jesus só ira perdoar nossos pecados se perdoarmos os pecados de nossos irmãos:
Pv 10:18 "O que retém o ódio é de lábios falsos, e o que difama é insensato.";
Pv 11:9"O ímpio, com a boca, destrói o próximo, mas os justos são libertados pelo conhecimento.";
Mt 6:12 " e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores";
Tg 4:11-12 "Irmãos, não faleis mal uns dos outros. Aquele que fala mal do irmão ou julga a seu irmão fala mal da lei e julga a lei; ora, se julgas a lei, não és observador da lei, mas juiz. Um só é Legislador e Juiz, aquele que pode salvar e fazer perecer; tu, porém, quem és, que julgas o próximo?";
Tg 5:9 "Irmãos, não vos queixeis uns dos outros, para não serdes julgados. Eis que o juiz está às portas."

Quando formos repreendidos, devemos analisar se realmente estamos errados, caso estivermos mesmo errados, nós devemos nos arrepender rapidamente e pedir perdão a pessoa, pois tudo o que fizermos seremos cobrados no juízo e caso não tentemos restabelecer a paz com o irmão, nossa comunhão com Deus ficará prejudicada e podemos ficar até doentes ou morrer, devido ao ressentimento ou ódio que está no nosso coração:
Mt 5:23-26 "Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta. Entra em acordo sem demora com o teu adversário, enquanto estás com ele a caminho, para que o adversário não te entregue ao juiz, o juiz, ao oficial de justiça, e sejas recolhido à prisão. Em verdade te digo que não sairás dali, enquanto não pagares o último centavo.";
1Co 11:28-31 "Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e, assim, coma do pão, e beba do cálice; pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. Eis a razão por que há entre vós muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.";
1Jo 4:20-21 "Se alguém disser: Amo a Deus, e odiar a seu irmão, é mentiroso; pois aquele que não ama a seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê. Ora, temos, da parte dele, este mandamento: que aquele que ama a Deus ame também a seu irmão."

Nós temos que fazer a nossa parte, buscando sempre estabelecer a paz com os irmãos, mas caso isso não for possível, temos que perdoar a pessoa em nosso coração e orar por ela, pois a palavra nós diz que Jesus não veio para trazer paz ao mundo e sim espada, muitos dentre os irmãos e as pessoas do mundo irão te contrariar, se você quiser seguir a vontade de Deus, com fidelidade, e muitos te rejeitarão:
Mt 10:34 "Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada.";
Rm 12:18 "se possível, quanto depender de vós, tende paz com todos os homens;";
2Tm 3:12 "Ora, todos quantos querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos."

Devemos tomar muito cuidado quando julgamos as pessoas e não seus atos, o Senhor conhece até nossos pensamentos, e se acusarmos alguém em nosso pensamento, devemos pedir também perdão a Deus em pensamento, pois Deus julga o homem pelo seu coração:
Pv 27:19 "Como na água o rosto corresponde ao rosto, assim, o coração do homem, ao homem.";
Mt 15:18-19 "Mas o que sai da boca vem do coração, e é isso que contamina o homem. Porque do coração procedem maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfêmias."

Assim como nosso Senhor Jesus, devemos evitar de julgar diretamente a causa dos outros, o nosso papel é o de instruir na palavra de Deus e não o de julgar o fato em si, pois o julgamento vem da própria palavra de Deus que dá luz a outra pessoa, como no exemplo de Jesus em Lc 12:13-31 "Nesse ponto, um homem que estava no meio da multidão lhe falou: Mestre, ordena a meu irmão que reparta comigo a herança. Mas Jesus lhe respondeu: Homem, quem me constituiu juiz ou partidor entre vós? Então, lhes recomendou: Tende cuidado e guardai-vos de toda e qualquer avareza; porque a vida de um homem não consiste na abundância dos bens que ele possui. E lhes proferiu ainda uma parábola, dizendo: O campo de um homem rico produziu com abundância. E arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei, pois não tenho onde recolher os meus frutos? E disse: Farei isto: destruirei os meus celeiros, reconstruí-los-ei maiores e aí recolherei todo o meu produto e todos os meus bens. Então, direi à minha alma: tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e regala-te. Mas Deus lhe disse: Louco, esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? Assim é o que entesoura para si mesmo e não é rico para com Deus. A seguir, dirigiu-se Jesus a seus discípulos, dizendo: Por isso, eu vos advirto: não andeis ansiosos pela vossa vida, quanto ao que haveis de comer, nem pelo vosso corpo, quanto ao que haveis de vestir. Porque a vida é mais do que o alimento, e o corpo, mais do que as vestes. Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que as aves! Qual de vós, por ansioso que esteja, pode acrescentar um côvado ao curso da sua vida? {ao curso da sua vida; ou à sua estatura} Se, portanto, nada podeis fazer quanto às coisas mínimas, por que andais ansiosos pelas outras? Observai os lírios; eles não fiam, nem tecem. Eu, contudo, vos afirmo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles. Ora, se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais tratando-se de vós, homens de pequena fé! Não andeis, pois, a indagar o que haveis de comer ou beber e não vos entregueis a inquietações. Porque os gentios de todo o mundo é que procuram estas coisas; mas vosso Pai sabe que necessitais delas. Buscai, antes de tudo, o seu reino, e estas coisas vos serão acrescentadas.", no trecho acima, podemos ver que o Senhor usou a palavra de Deus e não foi juiz do caso, também não devemos condenar as pessoas, como podemos ver
em Jo 8:3-11 "Os escribas e fariseus trouxeram à sua presença uma mulher surpreendida em adultério e, fazendo-a ficar de pé no meio de todos, disseram a Jesus: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério. E na lei nos mandou Moisés que tais mulheres sejam apedrejadas; tu, pois, que dizes? Isto diziam eles tentando-o, para terem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra. E, tornando a inclinar-se, continuou a escrever no chão. Mas, ouvindo eles esta resposta e acusados pela própria consciência, foram-se retirando um por um, a começar pelos mais velhos até aos últimos, ficando só Jesus e a mulher no meio onde estava. Erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém mais além da mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou? Respondeu ela: Ninguém, Senhor! Então, lhe disse Jesus: Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais."

Não devemos ser maldizentes, zombadores dos outros, caso seu irmão pecar contra ti e você acusar seu irmão, para uma outra pessoa, você está sendo utilizado pelo maligno, isto deve ser evitado, a nossa missão não é julgar o mundo e sim salvar as pessoas, quando por exemplo, um irmão novo na fé, mente para você, não quer dizer que ele seja mentiroso, assim se você, em vez de repreende-lo com amor, sair difamando-o de mentiroso para outras pessoas, você estará julgando-o e amaldiçoando-o, e está não é a sua função, você deve julgar o erro dele, como já foi citado acima, mas quando você passa a difama-lo, você estará julgando a pessoa dele, você estará prejudicando o irmão, em vez de ajuda-lo a deixar a mentira:
Ap 12:10 "Então, ouvi grande voz do céu, proclamando: Agora, veio a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo, pois foi expulso o acusador de nossos irmãos, o mesmo que os acusa de dia e de noite, diante do nosso Deus.";
Mt 5:22 "Eu, porém, vos digo que todo aquele que sem motivo se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento; e quem proferir um insulto a seu irmão estará sujeito a julgamento do tribunal; e quem lhe chamar: Tolo, estará sujeito ao inferno de fogo.";
1Tm 6:3-4 "Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas,"

Lembre-se sempre de não maldizer a ninguém, principalmente as autoridades que estão sobre nós, porque caso façamos isso, estaremos trazendo maldição para nossas vidas, pois toda autoridade provém de Deus:
Rm 13:1-2 "Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.";
Gn 9:20-27 "Sendo Noé lavrador, passou a plantar uma vinha. Bebendo do vinho, embriagou-se e se pôs nu dentro de sua tenda. Cam, pai de Canaã, vendo a nudez do pai, fê-lo saber, fora, a seus dois irmãos. Então, Sem e Jafé tomaram uma capa, puseram-na sobre os próprios ombros de ambos e, andando de costas, rostos desviados, cobriram a nudez do pai, sem que a vissem. Despertando Noé do seu vinho, soube o que lhe fizera o filho mais moço e disse: Maldito seja Canaã; seja servo dos servos a seus irmãos. E ajuntou: Bendito seja o SENHOR, Deus de Sem; e Canaã lhe seja servo. Engrandeça Deus a Jafé, e habite ele nas tendas de Sem; e Canaã lhe seja servo."; o trecho acima é um exemplo de maldição à aqueles que difamaram a autoridade instituída por Deus, que no caso era Noé, em vez de "cobrir com o rosto desviado" a nudez de Noé, Cam fez saber aos outros, para envergonhar o pai, o fruto de seu ato foi a maldição;
Jd 8-10 "Ora, estes, da mesma sorte, quais sonhadores alucinados, não só contaminam a carne, como também rejeitam governo e difamam autoridades superiores. Contudo, o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo e disputava a respeito do corpo de Moisés, não se atreveu a proferir juízo infamatório contra ele; pelo contrário, disse: O Senhor te repreenda! Estes, porém, quanto a tudo o que não entendem, difamam; e, quanto a tudo o que compreendem por instinto natural, como brutos sem razão, até nessas coisas se corrompem.";
Jd 16 "Os tais são murmuradores, são descontentes, andando segundo as suas paixões. A sua boca vive propalando grandes arrogâncias; são aduladores dos outros, por motivos interesseiros.", isto não quer dizer que devemos obedecer as autoridades caso elas nós coloquem contra a autoridade superior de Deus, como podemos ver no exemplo de Pedro, logo após o pentecostes em At 4:14-20 " Vendo com eles o homem que fora curado, nada tinham que dizer em contrário. E, mandando-os sair do Sinédrio, consultavam entre si, dizendo: Que faremos com estes homens? Pois, na verdade, é manifesto a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi feito por eles, e não o podemos negar; mas, para que não haja maior divulgação entre o povo, ameacemo-los para não mais falarem neste nome a quem quer que seja. Chamando-os, ordenaram-lhes que absolutamente não falassem, nem ensinassem em o nome de Jesus. Mas Pedro e João lhes responderam: Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.", no trecho acima, se eles obedecessem as autoridades, isso iria contra a ordenação divina, que era a pregação de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Outro aspecto, muito importante  é a citação que já ouvi de autoridades da igreja, para intimidar os que estão abaixo de si, é que nunca se deve se levantar contra os ungidos de Deus, citando o caso de Davi e de Saul, em que Davi se encontra em uma caverna e corta apenas a orla do manto de Saul, estando este à procura de Davi para matá-lo, esta pregação não se aplica a Nova Aliança do Novo Testamento, pois no Velho Testamento, no caso da época de Saul e Davi, Deus tinha uma pessoa que era o ungido de Deus para guiar o povo, mas no Novo Testamento, temos o próprio Cristo como nosso guia, através da unção que todos nós temos, em nosso espírito (1 Jo 2:27 "Quanto a vós outros, a unção que dele recebestes permanece em vós, e não tendes necessidade de que alguém vos ensine; mas, como a sua unção vos ensina a respeito de todas as coisas, e é verdadeira, e não é falsa, permanecei nele, como também ela vos ensinou."), este versículo, não descarta a necessidade de pessoas a nos ensinar, pois muitas vezes, o Espírito Santo utiliza pessoas, como podemos ver em Ef 4:11-12 "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo,", sendo assim, caso um autoridade da igreja, esteja em desacordo com a palavra de Deus, você pode exortá-lo como irmão, assim como Paulo, que era muito mais novo do que Pedro, e não tinha vivido com Jesus, mas mesmo tendo menos tempo de conversão, ele repreendeu a Pedro, quando este se desviou da palavra de Deus (Gl 2:11-14 "Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe face a face, porque se tornara repreensível. Com efeito, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, comia com os gentios; quando, porém, chegaram, afastou-se e, por fim, veio a apartar-se, temendo os da circuncisão. E também os demais judeus dissimularam com ele, a ponto de o próprio Barnabé ter-se deixado levar pela dissimulação deles. Quando, porém, vi que não procediam corretamente segundo a verdade do evangelho, disse a Cefas, na presença de todos: se, sendo tu judeu, vives como gentio e não como judeu, por que obrigas os gentios a viverem como judeus?"), a autoridade máxima sobre sua vida, deve ser a palavra de Deus e não o homem, daí a importância de conhecermos bem esta palavra, para não cairmos no engano daqueles que conduzem ao erro (1 Jo 4:1 "Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora.").

Quando formos afrontados, é importante observarmos, quem está nos afrontando Pv 9:8 "Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará.", no caso deste versículo, nós devemos ouvir a unção para descobrir se a pessoa vai ser receptiva ou não, pois um escarnecedor é aquele que é maldizente, zombador, difamador, essa pessoa geralmente não vai te ouvir, pois a sabedoria está em compreender que a repreensão vinda de você, utilizando a bíblia, na verdade é o próprio Deus que está utilizando a você para repreende-lo, a palavra nos diz que Deus repreende a quem ama (Pv 3:11-12 "Filho meu, não rejeites a disciplina do SENHOR, nem te enfades da sua repreensão. Porque o SENHOR repreende a quem ama, assim como o pai, ao filho a quem quer bem.").

Quando formos julgados e malditos pelas pessoas do mundo ou até mesmo pelos irmãos, por estar dando testemunho da palavra de Deus, devemos ficar felizes, pois assim também o próprio Senhor Jesus foi perseguido e os profetas do antigo testamento e os irmãos da história da igreja, não devemos amaldiçoa-los por isto, e sim suportarmos as afrontas pelo nome de Jesus, e orar pelos que nós perseguem, o tempo que antes você gastava falando mal de tudo e de todos, agora gaste orando por tudo e por todos: Mt 5:11-12 "Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados sois quando, por minha causa, vos injuriarem, e vos perseguirem, e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus; pois assim perseguiram aos profetas que viveram antes de vós.";
Mt 5:38-39 " Ouvistes que foi dito: Olho por olho, dente por dente. Eu, porém, vos digo: não resistais ao perverso; mas, a qualquer que te ferir na face direita, volta-lhe também a outra;
Mt 5:44 "Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem;";
1Pe 4:14 "Se, pelo nome de Cristo, sois injuriados, bem-aventurados sois, porque sobre vós repousa o Espírito da glória e de Deus."

Quando julgamos, lembrar-nos de estamos julgando os erros da pessoa e não a pessoa (1 Co 4:5 "Portanto, nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não somente trará à plena luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e, então, cada um receberá o seu louvor da parte de Deus."), para que ela seja edificada e não humilhada, seguindo sempre a unção do espírito, para isto, devemos sempre andar no espírito, para saber, se devemos ou não agir naquele momento, pois a regra é seguir a unção, sem deixar de obedecer a palavra, quanto mais julgarmos a nós mesmos menos necessidade haverá de sermos julgados pelos outros. A razão principal de enfatizarmos um controle sobre a nossa língua, no julgamento, é porque no muito falar excedem-se as transgressões, e quem controla a sua língua controla o corpo todo, e está é a chave para controlarmos todo nosso corpo, ou seja, andar no espírito e desta forma controlar a nossa língua:
Pv 12:13 "Pela transgressão dos lábios o mau se enlaça, mas o justo sairá da angústia.";
Pv 13:3 "O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.";
Mt 12:36-37 "Digo-vos que de toda palavra frívola que proferirem os homens, dela darão conta no Dia do Juízo; porque, pelas tuas palavras, serás justificado e, pelas tuas palavras, serás condenado.";
Tg 3:2 "Porque todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça no falar, é perfeito varão, capaz de refrear também todo o corpo.".

Jesus é o Senhor. Amém.

Fonte: Estudo Bíblico  
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Balaão e a Teologia sob demanda

"Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e fornicassem." Apocalipse 2:14

Leitura Bíblica: Números 22 

[...]este enviou mensageiros a Balaão;

Balaão era um profeta sagaz e um tanto matreiro. Se fosse apenas profeta, a desgraça não seria tanta. Acontece, porém, que o filho de Beor era ainda um teólogo competente. Torcendo um artigo de fé aqui, minimizando uma proposição doutrinária mais além, ia ele enchendo as algibeiras com o ouro dos incautos. E os seus arremedos, justiça seja feita, eram capazes de convencer até os mais avisados.

Embora domiciliado em Petor, às margens do Eufrates, fazia, vez por outra, uns volteios pelo Oriente Médio, a fim de oferecer serviços e préstimos. Ontem, tanto quanto hoje, havia sempre alguém querendo amaldiçoar alguém. E, para isso, estava disposto a pagar-lhe muito bem.

Enfim, o profeta Balaão teologizava sob demanda. Assemelhava-se ao escritor que, certa vez, recebeu a incumbência de escrever um artigo sobre uma polêmica autoridade. Ao receber o dinheiro, perguntou: “A matéria é a favor ou contra?”

Suas mandingas eram bem articuladas e certeiras. Amaldiçoou Balaão alguém? Amaldiçoado está! Foi por isso que Balaque trouxe-o de tão longe e inflacionou-lhe generosamente o cachê. Afinal, o rei moabita estava caído de angústias com a aproximação dos filhos de Israel que, desde o longínquo Sinai, marchavam resolutamente às suas portas. E, pelo ritmo de seu avanço, nenhum exército seria capaz de frear-lhe a andadura. Segundo imaginava, aquela gente, de tão numerosa, lamberia todos os recursos de sua terra. E isso ele jamais haveria de admitir.

Balaque bem sabia que Balaão era venal e sem caráter. Todavia, era competente no que fazia e tinha um preço até razoável. Além de venal, pagável. Não seria difícil contratá-lo.

Já advertido pelo Senhor, o profeta, de início, mostrou alguma refração às propostas do moabita. Como bom teólogo, sabia que é impossível florescer maldições onde as bênçãos já frutificam. Por isso, todas as vezes que armava o cenário para amaldiçoar Israel, acabava por abençoá-lo. E isso começou a impacientar Balaque. Afinal, contratara-o para destruir os hebreus. Mas o feiticeiro, inexplicavelmente, estava virando-se contra o dono do feitiço.

O interessante é que Balaão possuía também um lado poeta e lírico que, elegantemente, deixa transparecer nas profecias que, por três vezes, profere sobre o futuro messiânico de Jacó. Ele sabia trabalhar tão bem as palavras, que Moisés foi inspirado a registrá-las no quarto livro do Pentateuco. Num dos trechos de seu maravilhoso e subido poema, chega a ser autobiográfico: “Então, proferiu a sua palavra e disse: Palavra de Balaão, filho de Beor, palavra do homem de olhos abertos, palavra daquele que ouve os ditos de Deus e sabe a ciência do Altíssimo; daquele que tem a visão do Todo-Poderoso e prostra-se, porém de olhos abertos: Vê-lo-ei, mas não agora; contemplá-lo-ei, mas não de perto; uma estrela procederá de Jacó, de Israel subirá um cetro que ferirá as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete” (Nm 24.15-17).

A ganância, contudo, veio a ter mais rimas que a poesia. Na verdade, Balaão não estava disposto a perder o ouro de Balaque; oportunidade como aquela não costuma repetir-se. Não é sempre que se tem um Êxodo pela frente, nem um povo grande e abençoado a atravessar-lhe o caminho. Além do mais, ali estava um rei aflito, e prestes a dar-lhe até metade de seus tesouros.

Balaão, segundo suas próprias palavras, era o profeta dos olhos abertos. Mas, para mim, ele era o teólogo do olho grande e gordo: estava sempre disposto a corromper e a ser corrompido. Eis porque resolveu, apesar das relutâncias iniciais, atender à demanda final de Balaque.

Já que não podia levar a maldição a Israel, poderia ao menos trazer até Israel a maldição. A equação era bem simples. Sabendo ele que Deus tem um caráter justo e santo, ensinaria Balaque a tirar proveito dessa proposição. E, para tanto, o rei moabita não precisaria escrever monografia alguma; era só explorar a pornografia que estava ao seu alcance. Mesmo porque, aquele monarca medroso e bufão nenhuma capacidade acadêmica demonstrava ter.
Sim, tudo era muito simples. Mas a receita só Balaão possuía. Para amaldiçoar Israel, Balaque só precisaria espalhar umas prostitutas cultuais pelo arraial hebreu, e o problema estaria resolvido para os moabitas. Mas, para os israelitas, estaria só começando.

Foi o que aconteceu. As desavergonhadas, introduzidas sorrateiramente no acampamento do Senhor, puseram-se a induzir os varões hebreus a se prostituírem e a comerem alimentos sacrificados aos ídolos. De repente, aquele povo separado e santo em nada diferia das nações de Canaã. O episódio, que passaria à história como o Caso de Baal-Peor, custaria muito caro aos filhos de Israel. Num só dia, o Senhor matou vinte e quatro mil homens. O fato jamais seria esquecido. Séculos depois, ainda era mencionado pelos santos profetas como advertência à comunidade hebreia.

Balaão não foi o único a fazer teologia, nem a profetizar sob demanda. Seus discípulos e seguidores, igualmente irracionais em seu amor pelo ouro de Balaque, fazem-se moucos até mesmo à voz da jumenta. Não obstante, sempre acabam por encontrar generosos púlpitos e cátedras.

Nos domínios de Acabe, eram liberalmente pagos, a fim de profetizar o que o monarca queria ouvir. Nenhum deles tinha coragem, ou disposição, de dizer que o rei estava nu. Já em Judá, no tempo de Jeremias, achavam-se arrolados na folha de pagamento do funcionalismo público. E, na Igreja Primitiva, além dos imitadores de Balaão, havia também os nicolaitas, que, de paróquia em paróquia, iam teologizando por encomenda. Com mão certeira, semeavam o pecado, a rebeldia e a dissolução entre os santos.

Jesus odiava as obras dessa gente.

Hoje, esses tais obreiros podem ser contados aos milhares. Tanto aqui, como lá fora, comportam-se como os sofistas que, na Grécia antiga, eram tidos como inteligentes e sábios. Eles andejavam por toda a parte, discorrendo sobre os mais variados e ignorados assuntos. Um deles, que não entendia nada de guerra, propôs-se certa vez a ensinar estratégia a um experimentado general. Não é o que ocorre em nossos arraiais? Às vezes, surge, não se sabe de onde, um neófito com ares doutorais e que nunca pastoreou um rebanho, dizendo como se deve tanger o redil e tocar o aprisco. Mas, na verdade, o que mais querem é a lã das pobres e desamparadas ovelhas.

Eles não são nada baratos. Exorbitam nos cachês e carregam nas exigências. Por isso, sempre pregam o que os seus contratantes querem ouvir. Sabem que, se forem verdadeiros no púlpito, poderão sair de muitos templos como mentirosos. E esse risco não querem correr. Assim, deixam de ser homens de Deus para se fazerem homens do povo. Como abismo atrai abismo, também não vêem dificuldade em sustentar a iniquidade, desde que esta encha-lhes os bolsos.

E, assim, passam a vida a produzir uma teologia ímpia, mentirosa e sofismática. Aqui, esvaziam a divindade de Cristo. Ali, tiram a autoridade da Bíblia. Mais além, negam o arrebatamento da Igreja. Ainda, não satisfeitos, espalham entre os santos costumes exóticos e detestáveis. Terminado o culto, vão embora cheios, deixando atrás de si um rebanho vazio.

Não fomos chamados a fazer teologia sob demanda. Convocou-nos o Senhor a proclamar a sua Palavra. E, para isso, temos de ser íntegros, corajosos e jamais perder o dom do amor. Quem ama, fala a verdade, pois uma mentira, bem trabalhada teologicamente, é bastante para levar todo um rebanho ao inferno.

Graças a Deus, porque temos ainda pregadores que, embora convidados a pregar por todo o Brasil, jamais negociam com a sã doutrina. Eles não temem a Balaque, nem se curvam ao peso de seu ouro. A estes, o meu reconhecimento. São autênticos pregoeiros que, fugindo ao politicamente correto, expõem a Palavra de Deus a tempo e fora de tempo. Sua teologia não é produzida sob demanda, mas nasce de um amor sincero e sacrifical pelo Senhor Jesus e sua Igreja. Antes de oradores, orantes.

Quanto aos que imitam Balaão, demonstram possuir menos inteligência que a jumenta do profeta. Embora não tivesse qualquer formação acadêmica, o animal teve olhos para ver o anjo do Senhor e a espada pronta a desferir o golpe fatal no profeta louco e ganancioso.

Autor: Pr.Claudionor de Andrade 
Fonte: Portal CPAD-News

"Então o anjo do Senhor lhe disse: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu saí para ser teu adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim; porém a jumenta me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se desviasse de diante de mim, na verdade que eu agora te haveria matado, e a ela deixaria com vida.
Então Balaão disse ao anjo do Senhor: Pequei, porque não sabia que estavas neste caminho para te opores a mim; e agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei. E disse o anjo do Senhor a Balaão: Vai-te com estes homens; mas somente a palavra que eu falar a ti, esta falarás. Assim Balaão se foi com os príncipes de Balaque."  Números 22:32-35


"Não defraudando, antes mostrando toda a boa lealdade, para que em tudo sejam ornamento da doutrina de Deus, nosso Salvador." Tito 2:10

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domingo, 6 de dezembro de 2015

Descoberto Selo do rei Ezequias - Arqueologia

Arqueólogos israelenses descobriram peça perto do Monte do Templo

Selo do rei Ezequias é encontrado em Jerusalém

"No Senhor Deus de Israel confiou, de maneira que depois dele não houve quem lhe fosse semelhante entre todos os reis de Judá, nem entre os que foram antes dele."


Descobertas arqueológicas em Jerusalém não são novidades, afinal de contas a cidade tem mais de 3 mil anos e foi palco de muitos conflitos e conquistas. Contudo, arqueólogos israelenses divulgaram hoje (02/12/2015) um selo do rei bíblico Ezequias.
Ele governou o reino do Sul (Judá) por volta do ano 700 a.C. As Escrituras o descrevem como um monarca diferenciado, que se dedicou a eliminar a idolatria em seu reino (2 Reis, 18:5).
Chamada de ‘bula’ esse tipo de impressão numa peça de argila mede cerca de um centímetro de diâmetro. As inscrições podem ter sido feitas pelo próprio rei, afirma Eilat Mazar, da Universidade Hebraica de Jerusalém.
“Essa é a primeira vez que a impressão de um selo de um rei israelita ou da Judéia é revelada em uma escavação arqueológica científica”, comemora Mazar, que dirigiu a escavação onde a peça foi encontrada.
Outro aspecto que chama atenção é que ela foi achada na parte sul de um muro que cerca a Cidade Velha de Jerusalém. O local era uma área de descarte de dejetos nos tempos de Ezequias. Os especialistas acreditam que pode ter sido atirada de um edifício real adjacente.
Além de escritos em hebraico antigo, possui o desenho de um sol com duas asas. Esse símbolo representava antigamente a proteção divina sobre seu povo, já que era proibido para os judeus fazerem imagens de Deus, a simbologia da época era bem diversa.
Quando foi escavada, juntamente com 33 outras, não foi possível detectar-se do que realmente se tratava. Demorou cerca de cinco anos para que um membro da equipe a examinasse com mais cuidado. Utilizando uma lupa, discerniu pontos entre algumas letras, então seu significado ficou bastante claro. Esses pontos servem para a separar as palavras na escrita antiga. O texto diz: “Pertencente a Ezequias (filho de) Acaz, rei de Judá”. 
Arqueólogos israelenses descobriram peça perto do Monte do Templo




Com informações Jerusalém Post 
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