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sexta-feira, 6 de novembro de 2015

O impiedoso mundo de Lameque

“E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” Gn 6.5

O relato dos capítulos 5 e 6 se refere à linhagem familiar de Adão, mais particularmente à geração de Sete. Essa genealogia faz um contraste com a linhagem de Caim descrita no capítulo anterior (Gn 4.17-24). Neste contraste, há a presença de dois “Lameques”, um no capítulo 4 (vv.18,23) e outro no capítulo 5 (vv.28-31).

Qual a diferença entre esses dois “Lameques”?

O Lameque do capítulo 4 é o da linhagem de Caim, trata-se, pois, de um homem violento e odioso, conforme o autor sagrado descreveu: “E disse Lameque a suas mulheres: Ada e Zilá ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete” (vv.23,24). O Lameque do capítulo 4 cantava e entoava a impiedade e a violência. A intenção de fazer o mal pulsava em seu coração, pois Lameque matou um jovem só porque este o pisou.

O Lameque do capítulo 5 é o da geração de Sete. A geração que começou a buscar a face do Senhor Deus. Esse Lameque é o pai de Noé. Diferentemente das palavras do Lameque do capítulo 4, o pai de Noé se referiu ao seu amado filho, quando o nomeou, assim: “E chamou o seu nome Noé, dizendo: Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o SENHOR amaldiçoou” (Gn 5.29). Este Lameque conhecia bem ao Senhor e sabia que a terra estava cheia de violência. Entretanto, ele depositou a sua esperança no seu filho, pois sabia que Noé agradaria o Senhor seu Deus.

Enquanto o Lameque do capítulo 4 simboliza a violência, o ódio, a desesperança, o mundo entregue ao mal, o plano de Caim que aprofundou o mal sobre a terra com a devassidão moral, a violência ilimitada e a terrível resistência à graça divina; o Lameque do capítulo 5 representa a esperança, o consolo de Deus a uma geração. Este Lameque é o Lameque que não prosperou em maldade, mas em bondade, misericórdia e consolação.

Por intermédio de Lameque, o pai de Noé, chegou o livramento de Deus para a humanidade. Lembremos de que Jesus de Nazaré é da linhagem de Noé. No Dilúvio, o plano de Deus apontava para o plano maior dEle para o mundo: a Cruz do Calvário.

Revista Ensinador Cristão-nº64-pg.39

"E saiu Caim de diante da face do Senhor, e habitou na terra de Node, do lado oriental do Éden. E conheceu Caim a sua mulher, e ela concebeu, e deu à luz a Enoque; e ele edificou uma cidade, e chamou o nome da cidade conforme o nome de seu filho Enoque; e a Enoque nasceu Irade, e Irade gerou a Meujael, e Meujael gerou a Metusael e Metusael gerou a Lameque."
Gênesis 4:16-18 - Leia o texto: Caim era do maligno

INTRODUÇÃO
Como você classificaria um homem que, após haver matado duas pessoas, compõe um poema? Num verseto atrevido e insolente, ele garganteia a façanha às suas esposas: “Ada e Zilá, ouvi-me; vós, mulheres de Lameque, escutai o que passo a dizer-vos: Matei um homem porque ele me feriu; e um rapaz porque me pisou. Sete vezes se tomará vingança de Caim, de Lameque, porém, setenta vezes sete” (Gn 4.23,24). Sim, como você classificaria tal homem? No mundo que precedeu o Dilúvio, ele foi aclamado como herói. Embora soubesse que o Criador não lhe deixaria impune o duplo homicídio, Lameque continuou a viver como se não houvesse Deus. Sua atitude replicar-se-ia até mesmo entre os filhos de Sete. A partir daquele poema, a humanidade inicia um processo de depravação total e irreversível.
Nosso mundo em nada difere da sociedade lamequiana, exceto num pormenor estatístico. Naquele tempo, o número dos piedosos não chegava à casa da dezena. Hoje, os justos são contados aos milhões.
Entremos, pois, a conhecer o abominável mundo de Lameque.

O mundo de Lameque em nada diferia do nosso; resistindo à graça de Deus, entregaram-se à devassidão, à violência e à resistência ao Espírito Santo.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO 
"LAMEQUE"
1. Filho de Metusael, um descendente de Caim, que foi o primeiro polígamo, tendo se casado com Ada e Zilá (Gn 4.18-24). Seus filhos foram Jabal (pai dos que habitam em tendas e têm gado), e  Jubal (pai de todos que tocam harpa e órgão), e Tubalcaim (mestre de toda a obra de cobre e de ferro). Lameque cantou para suas esposas, vangloriando-se de ter matado os homens que o feriram ou o golpearam. Essa vanglória é geralmente entendida como sendo a confiança nas armas de metal de seu filho, em oposição à confiança em Deus. Estes filhos parecem torná-lo o pai dos nômades, músicos e artífices em metal.

2. Filho de Matusalém que, com a idade de 182 anos, se tornou o pai de Noé, e viveu até a idade de 777 anos (Gn 5.25-31). Por ocasião do nascimento de seu filho, ele expressou o desejo de que em Noé a maldição de Adão chegasse ao fim: 'Este nos consolará acerca de nossas obras e do trabalho de nossas mãos, por causa da terra que o Senhor amaldiçoou' (Gn 5.29). Ele está incluído na genealogia do Senhor Jesus (Lc 3.36)" - Dicionário Bíblico Wycliffe. 1.ed.RJ: CPAD, 2006, p.1130. 


I. A IMPERFEIÇÃO NUM MUNDO PERFEITO
Lançado em 2014, o filme Noé, roteirizado e dirigido por Darren Aronofsky, levou o leitor da Bíblia à frustração. Pelo menos, esse foi o meu sentimento ao desperdiçar mais de duas horas com aquela caricatura da primeira epopeia da História Sagrada. Para começar, Aronofsky mostra o mundo pré-diluviano como que arrasado por uma guerra nuclear. De acordo com a sua paródia, a Terra já não existia ecologicamente. Do texto sagrado, porém, inferimos outra realidade. Nosso planeta era farto e pródigo; a humanidade, saudável e longeva; e, no ambiente natural, reinava perfeita harmonia.

1. Um planeta farto e pródigo. Apesar do pecado, a Terra pré-diluviana era um habitat perfeito; proporcionava alimentos e regalos a todos. Por isso, os filhos de Adão davam-se ao luxo de viver irresponsável e impiamente. Observemos a descrição que faz o Senhor Jesus deste período: “Porquanto, assim como nos dias anteriores ao dilúvio comiam e bebiam, casavam e davam-se em casamento, até ao dia em que Noé entrou na arca” (Mt 24.38).
Aquela geração não se angustiava com os problemas que, hoje, nos afligem. Ninguém se preocupava com a ecologia. Água? Rios e riachos não lhes faltavam. Como possuíssem tudo em abundância, gastavam as horas em orgias e truculências. Longevos, nem menção à morte faziam. Comiam e bebiam, e contavam a vida em séculos, não em décadas.

2. Vida longa e próspera. O Sr. Spock, personagem interpretado por Leonard Nimoy (1931-2015), sempre despedia-se de seus amigos com uma saudação quase rabínica: “Vida longa e próspera”. Oriundo de Vulcano, Spock, além de longevo, fazia questão de orientar-se por uma ética irretorquível e através de uma lógica superior e pura.
A geração de Lameque também usufruía de uma vida longa e próspera. Entretanto, vivia imoral e irracionalmente. Sua lógica era o pecado. Ora, se a sua iniquidade já tinha uma história de quase dois mil anos, por que mudar? Então, vida longa e próspera a um mundo que se compraz no Maligno.
Não era incomum deparar-se com um adúltero de seiscentos anos, com um assassino de oitocentos ou com um corrupto de quase mil. Imagine a folha corrida dos lamequianos.
Por isso, o Senhor resolve colocar um limite biológico à vida humana. Doravante, os filhos de Adão e Eva não irão além dos 120 anos (Gn 6.3). Se fizermos uma comparação entre as genealogias dos capítulos 5 e 11 de Gênesis, verificaremos que, na primeira, a vida humana era computada em séculos. Na segunda, nossa existência já pode ser contada em décadas. Se Matusalém chegou a 969 anos, Terá, pai de Abraão, morrerá aos 205 (Gn 11.32). Foi este, a propósito, o último dos longevos. Na conclusão do Gênesis, constata-se: a fronteira biológica do ser humano já estava fixada. José, filho de Jacó, falece aos 110 anos (Gn 50.26). Mais tarde, queixar-se-ia Moisés da efemeridade da existência (SI 90.10).

Com uma vida quase milenar, os pré-diluvianos viviam pendularmente entre a eternidade e a impunidade Como um homem de quase mil anos haveria de temer a morte? E se Deus já os entregara aos próprios erros, não lhes castigando de imediato a iniquidade, por que temer o Juízo Final se a História mal havia começado? Por essa razão, os contemporâneos de Noé viviam para pecar e pecavam para viver.

3. Harmonia ecológica. Até o Dilúvio, havia perfeita harmonia entre os reinos animal, vegetal e humano. Os animais selvagens não representavam qualquer ameaça A única ameaça era o próprio homem. Agressivo e irreconciliável, amedrontava até mesmo a mais brutal das feras. Após o Dilúvio, contudo, pavor e medo recairiam sobre o reino animal; sobre a natureza, gemido e angústia (Gn 9.2; Rm 8.22). O mundo ainda era perfeito, belo e sustentável. Mas o povo que o habitava era o antônimo de tudo isso. Ao invés de agradecer ao Criador por todas as benesses, os filhos de Adão aproveitavam tais favores para depravar-se totalmente. Um mundo perfeito para uma geração imperfeita.

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“Nos dias de Noé, o pecado abertamente se manifestava no ser humano, de duas principais maneiras: a concupsciência carnal (v.2) e a violência (vv.11,12). A degeneração humana não mudou; o mal continua irrompendo desenfreado através da depravação e da violência. Hoje em dia, a imoralidade, a incredulidade, a pornografia e a violência dominam a sociedade inteira.
Deus se revela já nestes primeiros capítulos da Bíblia, como um Deus pessoal para com o ser humano, e que é passível de sentir emoção, desagrado e reação contra o pecado deliberado e a rebelião da humanidade.
(1) A expressão ‘arrependeu-se’ (6.6) significa que, por causa do trágico pecado da raça humana, Deus mudou a sua disposição para com as pessoas; sua atitude de misericórdia e de longaminidade passou à atitude de juízo.
(2) A existência de Deus, o seu caráter e seus eternos propósitos traçados, permanecem imutáveis, porém, Ele pode alterar seu tratamento para com o homem, dependendo da conduta deste. Deus altera, sim, seus sentimentos, atitudes, atos e intenções, conforme as pessoas agem diante da sua vontade (Êx 32.14; 2Sm 24.16).
(3) Essa revelação de Deus como um Deus que pode sentir pesar e tristeza, deixa claro que Ele, em relação à sua criação, age pessoalmente, como no recesso de uma família. Ele tem um amor intenso pelos seres humanos e solicitude divina ante a penosa situação da raça humana (Sl 139.7-18)” Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, 1995, p.41.


II. O EFEITO LAMEQUE
Teologicamente, Adão foi o grande responsável pela introdução do pecado no mundo (Rm 5.12). Historicamente, porém, o pecado alastrou-se a partir de Lameque, filho de Metusael (Gn 4.18). Foi ele o primeiro pecador confesso da história da humanidade. De uma única feita, admitiu haver cometido duas transgressões contra Deus. Sua confissão, todavia, não foi acompanhada de arrependimento nem remorso; fez-se acompanhar de um medo que logo seria esquecido. Indiretamente, confessa a bigamia. E, diretamente, o duplo homicídio. Sua confissão jaz num poema que, hoje, é conhecido como o Cântico da Espada (Gn 4 23,24).

1. A bigamia. De conformidade com o projeto original de Deus, o casamento teria como fundamento a heterossexualidade, a monogamia e a indissolubilidade. Lameque, entretanto, corrompeu as bases do matrimônio, tomando para si duas esposas: Ada e Zilá.
Noutra circunstância, os nomes de suas mulheres até rima dariam. Mas, naquele momento, não havia ritmo nem harmonia, havia uma iniquidade que, assustadora e rapidamente, começava a alastrar-se por aquela região. De berço, a região do Éden ia transformando-se no túmulo da primeira civilização humana. Na vida de Lameque, as coisas ruins vinham aos pares: duas mulheres, dois homicídios, etc. Tivesse o seu poema mais versos, outras iniquidades apareceriam em duplas. Sua confissão duplicada basta para mostrar um processo irreversível de apostasia. Da poligamia à promiscuidade sexual foi apenas um passo. Seu exemplo contaminaria inclusive a linhagem de Sete que, apesar de um passado santo e piedoso, também se deixará contaminar pela libertinagem. Eis o testemunho da Bíblia: “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si mulheres, as que, entre todas, mais lhes agradaram” (Gn 6.1,2).

Os descendentes de Sete, aqui alcunhados de filhos de Deus, não somente fazem-se polígamos, como também ultrapassam todos os limites da decência. Tomando para si quantas mulheres lhes permitiam a luxúria e a libertinagem, transformaram o convívio social numa orgia desenfreada.

2. Duplo homicídio. Se Caim teve de ser duramente arguido por Deus para confessar o assassinato de Abel, não precisou Lameque de arguição alguma. Espontânea e livremente, declara haver assassinado banalmente dois homens. Um adulto, ele o matou porque o ferira. E um rapaz por lhe ter pisado. Se recorrermos ao original, constataremos que o segundo crime foi ainda mais grave. Lameque revela ter assassinado um jovem. Em hebraico, yeled pode aludir tanto a um adolescente quanto a uma criança. Logo, o seu crime, além de banal e covarde, foi singularmente brutal.

Nossos dias parecem não diferir em nada do mundo de Lameque. Por um grama de droga há muito jovem, adolescente e criança perdendo a vida. E, por causa de uns míseros centavos, muita gente não retorna ao lar. Banalmente, assassina-se, hoje, como banalmente assassinava-se naqueles começos da História. Tanto no princípio, quanto no fim, a índole criminosa do ser humano em nada melhorou, caminhamos de mal a pior.

Lameque deflagrou a iniquidade por todo o planeta. Hoje, somos angustiados por assassinatos, genocídios e crimes contra a humanidade. Haja vista os extermínios de judeus e armênios, e a matança promovida como política pública por monstros como Stalin, Hitler, Mao Tsé-Tung e Pol Pot.

*Maldade e violência
"Essas palavras são usadas para caracterizar os pecados que causaram o dilúvio de Gênesis.

Maldade é rasah, atos criminosos que violam os direitos dos outros e tiram proveito do sofrimento deles.

Violência é Hamas, atos deliberadamente destrutivos que visam prejudicar outras pessoas.

Quando qualquer pessoa é marcada por situações frequentes de maldade e violência corre o risco de receber o Juízo de Deus". - Guia do Leitor da Bíblia, CPAD,p.29.


III. UM MUNDO PARADOXAL
O mundo de Lameque não era caracterizado apenas pela rebelião contra Deus. No exercício de seu mandato cultural, desenvolveu, desde cedo, a agropecuária, a metalurgia e a música. Foi uma época de grandes conquistas intelectuais e tecnológicas. Do texto bíblico, inferimos que a engenharia já estava bem desenvolvida, pois a geração pós-diluviana não teve dificuldades em construir a Torre de Babel. O curioso é que todo esse progresso proveio da geração de Caim. Os filhos de Sete, antes de se transviarem, haviam se dedicado mais às atividades espirituais e teológicas.

1. A primeira cidade. Banido da presença do Senhor, Caim habitou na terra de Node, ao oriente do Éden. Ali, teve o seu primogênito, a quem chamou Enoque. Como a sua linhagem se multiplicasse, organiza ele uma cidade, a qual dá o nome de seu filho mais velho. Em torno desse centro urbano, as atividades profissionais diversificam-se. Aparecem os pecuaristas como Jabal. Surgem os metalúrgicos como Tubalcaim. E despontam os artistas como Jubal. Também irrompem os primeiros conflitos, revelando grandes e notórios criminosos e malfeitores.

No campo e na cidade, a rebelião contra Deus alastra-se, contaminando toda a Terra. O fenômeno urbano encarrega-se de espraiar os maus exemplos, levando os filhos de Adão a um rápido processo de depravação essencial e total.

Apesar de a Bíblia nada dizer acerca da civilização setista, esta organizou-se também em cidades. Inexistindo barreiras linguísticas e geográficas, não demoraria para que a civilização caimita englobasse a setista, e lançasse os fundamentos da megalópole da iniquidade. Foi o primeiro ensaio do Anticristo no estabelecimento de seu império. Vejamos as atividades econômicas da civilização caimita.

2. Atividades agropecuárias. Embora os descendentes de Adão e Eva pudessem viver da caça e da coleta de frutas, verduras e legumes, desde cedo empenharam se em trabalhar seletiva e metodicamente a terra. Essa preocupação acentuou-se entre os filhos de Caim, o primeiro agricultor.
Jabal, filho de Lameque, deixando a cidade de Enoque, passou a dedicar-se à criação de gado. E, na busca por boas pastagens, faz-se nômade. Por isso, ele é conhecido como o “pai dos que habitam em tendas e possuem gado” (Gn 4.20). Observemos que, para construir e erguer tendas, necessitava Jabal de instrumentos cortantes e coberturas para suas moradias portáteis. Teriam aqueles antigos habilidades para fiar o algodão e o linho? Deveríamos pensar nesses detalhes, pois são bastante reveladores.

3. Atividades industriais. Não há agricultura nem pecuária sem uma indústria de base. Há de se ter, pelo menos, uma boa metalurgia para se forjar enxadas, pás e relhas aos agricultores, e os instrumentos próprios dos pecuaristas. E justamente aí que surge a indústria de Tubalcaim. Filho de Caim com Zilá, foi ele “artífice de todo instrumento cortante, de bronze e de ferro” (Gn 4.22).

Não foi, portanto, o homo erectus quem descobriu o fogo. Dizem os evolucionistas que este, ao observar os raios faiscando nas árvores, veio a intuir ser possível dominá-lo. Também não foi Prometeu quem no-lo proporcionou, roubando-os aos deuses do Olimpo. Se alguém descobriu o fogo não foi o homo erectus, nem os deuses da mitologia grega, mas o justo Abel que, ao fazer sua oferenda ao Senhor, queimou-a como cheiro suave. A partir dai, os filhos de Adão passaram a utilizá-lo, a fim de preparar alimentos, alumiar suas casas, etc.F

Tubalcaim viria a descobrir ser possível industriar o fogo e, assim, fundir os minérios de bronze e de ferro. Ora, se a região era rica em ouro, por que não explorá-lo? Acredito que, se a humanidade não tivesse pecado contra o Senhor, poderia ter começado a civilização não a partir do ferro, mas do ouro.

Segundo a história secular, a Idade do Ferro teria começado por volta do ano 1200 a C. Todavia, já na aurora da humanidade, havia um metalúrgico e fundidor que, admiravelmente, sabia como trabalhar o bronze e o ferro. Processando-os, forjava instrumentos cortantes. Das forjas de Tubalcaim deve ter saído também muita espada e punhal. Violência era o que não faltava àquela época.

4. Atividades intelectuais e artísticas. A música brotou da alma do homem, pois sempre esteve no Espírito de Deus. Quando o Senhor criava os céus e a terra, os anjos entoavam-lhe louvores altos e eternos (Jó 38.7). Acredito que a feitura de Adão fez-se também acompanhar dos coros angélicos. Por isso, somos naturalmente musicais. Jubal, também filho de Lameque, foi “o pai de todos os que tocam harpa e flauta” (Gn 4.21). Observando a sinfonia da natureza, logo descobriu ser possível arrancar harmonias e ritmos da madeira e do metal. Dessa forma, compôs músicas e madrigais. Terá ele musicado o poema de Lameque? O certo é que, não somente criou instrumentos, como também ensinou música. Ele inventou harpas e flautas. Os músicos subsequentes criariam a trombeta, o pífaro, a citara, o saltério e a gaita de foles (Dn 3.5).

Paradoxalmente, as finuras da mente eram livre e espontaneamente manifestadas, apesar da corrupção que campeava no mundo de Lameque. Longe de serem primitivos e involuídos, os primevos eram evoluídos, inteligentes e muito mais inventivos do que nós. Só lhes faltava uma coisa a verdadeira sabedoria que nos advém com o temor a Deus.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Os descendentes de Caim desenvolveram a primeira civilização:
Jabal adquiriu gado e é chamado o pai da agricultura. Jubal inventou instrumentos de música e é considerado pai das belas artes; Tubalcaim inventou ferramentas e armas, começando assim uma indústria em embrião.” - Paul Hoff, O Pentateuco.

IV. A RELIGIÃO DE LAMEQUE
No mundo de Lameque, não havia espaço aos ídolos de barro, madeira ou ferro. Ali, a religião era agressivamente antropológica. Seus ídolos eram os varões que se notabilizavam por atos violentos, por façanhas truculentas e por repetidas e agravadas blasfêmias contra o Espírito Santo. A geração de Lameque era uma raça de anticristos: homens, mulheres e crianças depravavam-se até ao inferno. Um mundo irremissível; votado à destruição. Era uma gente pior do que Satanás. Se não fosse destruída, arruinaria para sempre a criação divina.

1. A teologia. A geração de Lameque não desconhecia a presença de Deus. E, posto não haver ainda o governo humano, o próprio Criador era quem os governava. Aqueles ímpios, contudo, confrontavam o Eterno, não lhe aceitando a governança.

Aquela gente tinha a Deus como fraco e leniente; um criador distante da criação. E, como fossem todos longevos, desconheciam as noções de brevidade que, hoje, levam-nos a refletir seriamente sobre a morte. Para eles, a vida era longa e próspera. Havia gente mais velha que Portugal, mais antiga que os Estados Unidos e com mais história que o Brasil. Segundo imaginavam, Deus não fazia bem nem mal.

2. Os ídolos. O autor sagrado fala dos heróis daquela época: “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra,- e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos; estes foram valentes, varões de renome, na antiguidade” (Gn6.4). Os tais não eram semideuses nem super-humanos, mas pecadores notórios. Nem após o arrebatamento da Igreja o mundo chegará a tal degradação, pois, nos últimos dias, ainda haverá arrependimentos e conversões. Portanto, o Dilúvio era inevitável.

3. A relação com o Espírito de Deus. Da geração de Lameque, falou o Senhor: “O meu Espírito não agirá para sempre no homem, pois este é carnal; e os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6.3). Não sabemos por quantos anos, décadas, ou séculos, a geração de Lameque resistiu ao Espírito Santo. Da resistência ao Espírito de Deus, aqueles homens, mulheres e crianças passaram a blasfemar contra a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade, depravando-se totalmente.
Imaginemos toda uma civilização a blasfemar contra o Espírito Santo. Fizeram-se aqueles homens piores do que os demônios. Estes, por não serem dotados de corpo, não podem estragar a criação física. Aqueles, pelo contrário, dotados de corpo e alma, transgrediam tanto no campo espiritual, como âmbito terreno. Os seguidores de Lameque eram duplamente endemoninhados.


CONCLUSÃO
Vivemos dias semelhantes aos de Lameque. Nosso mundo parece depravar-se total e irreversivelmente. Hoje, porém, temos um povo mais forte e numeroso que a família de Noé. Se naquele tempo os justos eram contados em unidades, agora, são computados em milhões. Portanto, como sal da terra e luz do mundo, evangelizemos, protestemos contra o pecado e, através de um testemunho ilibado, apregoemos a volta de Cristo.

Enquanto a Igreja for Igreja, o Anticristo não achará guarida completa neste mundo. Embora avance em todas as áreas, sempre encontrará homens, mulheres, jovens e até crianças dispostos a barrar-lhe a trajetória. Não podemos esquecer nossa vocação de sal e de luz. Se tivermos ambas as propriedades em nosso testemunho pessoal e coletivo, levaremos o Evangelho de Cristo até aos confins da terra sem impedimento algum.


Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4ºtrim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)
Guia do Leitor da Bíblia - CPAD
O Pentateuco - Paul Hoff - ed.Vida
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé
Aqui eu Aprendi

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Descoberto ruínas de Sodoma e Gomorra

"E condenou à destruição as cidades de Sodoma e Gomorra, reduzindo-as a cinza, e pondo-as para exemplo aos que vivessem impiamente;" 2 Pedro 2:6

Wikimedia Commons - A destruição de Sodoma e Gomorra, uma pintura a óleo sobre tela 1852 realizado por John Martin, como exibido na Galeria de Arte Laing, Newcastle upon Tyne, na Inglaterra

"Então o Senhor, o próprio Senhor, fez chover do céu fogo e enxofre sobre Sodoma e Gomorra. Assim ele destruiu aquelas cidades e toda a planície, com todos os habitantes das cidades e a vegetação." Gênesis 19:24,25 -NVI

ARQUEÓLOGOS AFIRMAM TEREM DESCOBERTO RUÍNAS 
DE SODOMA E GOMORRA

Em Outubro de 2015 - Após 10 anos de pesquisa, equipe comemora achado

Uma equipe de arqueólogos liderada pelo professor Steve Collins da Universidade Southwest Trinity, Estados Unidos, passou 10 anos com um projeto de estudos e escavações. Finalmente encontraram o que estavam procurando: as ruínas das antigas cidades de Sodoma e Gomorra. Segundo a Bíblia, elas foram destruídas por uma intervenção direta de Deus.

Collins e sua equipe desenvolve seu projeto de escavação em Tall el-Hammam, ao sul de Israel. Segundo publicaram em artigo na revista Popular Archeology, descobriram a localização de Sodoma, que eles chamam de “mina de ouro”.

O local mencionado em Gênesis era uma cidade-estado que dominava a região do sul do Vale do Jordão. Pouco se conhece dela além do que diz a tradição judaica. “A equipe de arqueólogos desenterrou várias estruturas monumentais antigas e artefatos que estão revelando muito sobre a região durante a Idade do Bronze”, disse Collins.

Desde 2005 ele mantém os trabalhos, mas somente agora encontraram indícios concretos de que esse pode ter sido o local da cidade, pois estão cruzando referências com ruínas de outras cidades antigas próximas. “O Tall el-Hammam parece satisfazer o critério sobre Sodoma exigido”, disse ele. Ele acredita ser uma questão de tempo até comprovar que na mesma região encontrará Gomorra.

Eles disponibilizaram diversas fotos no site do projeto. Contudo, para essa descoberta ser reconhecida, precisa que passe pelo crivo da Autoridade de Antiguidades de Israel.

No Antigo Testamento, são mencionados os reinos de Sodoma e Gomorra e outras três conhecidas como as “Cidades da Planície”. Elas ficavam na região sul da terra de Canaã. 

Também existe menção a elas no Alcorão e livros apócrifos judaicos.

Com informações de Christian Today

"Mas a mulher de Ló olhou para trás e se transformou numa coluna de sal." Gênesis 19:26

Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Fortaleza de Epifânio é descoberta em Jerusalém

Fortaleza histórica é descoberta em Jerusalém
Há mais de cem anos arqueólogos procuravam a fortaleza do governante grego Antíoco Epifânio. Durante muitos anos os pesquisadores debateram a localização da cidade de Acra, construída a mais de dois mil anos atrás por Epifânio, rei do império selêucida. A maioria afirmava que ficava na atual cidade Velha de Jerusalém, junto à colina onde templos judeus estiveram no passado.

Após uma década de trabalho, nesta terça (03), a Autoridade de Antiguidades de Israel divulgou as provas ‘inequívocas’ encontradas no sítio arqueológico de Givati, que fica dentro da região conhecida como ‘cidade de Davi’. As ruínas estão do lado de fora dos muros da Cidade Velha com vista para um vale ao sul.

Além de partes das muralhas da fortaleza, a escavação revelou pontas de flechas de bronze, bolas de chumbo para estilingue e pedra usadas em catapultas, típicas daquele período histórico. Essa é uma das descobertas arqueológicas mais importantes dos últimos anos em Jerusalém.
Pontas de flechas de bronze e pedras de funda de chumbo encontrados no local (Foto: IAA)
Antíoco travou contra os judeus as batalhas descritas no Livro de Macabeus, que embora não seja considerado inspirado, tem inegável valor histórico. Os confrontos que resultaram na morte de centenas de judeus são lembrados todos os anos durante a celebração do “Chanuká”. As Bíblias católicas possuem os livros de Primeira e Segunda Macabeus.

Esta é a primeira vez que arqueólogos conseguem comprovar a existência da fortaleza, com vestígios arquitetônicos que remetem ao domínio grego de Jerusalém. Nos últimos meses os pesquisadores acharam uma parede maciça, a base de uma torre com 4 metros de largura e 20 de comprimento e uma Halaklaka, espécie de rampa escorregadia que impedia que os invasores subissem pela base dos muros.

Segundo os registros históricos, era dessa fortaleza que Antíoco supervisionava Jerusalém e o Templo. Os acontecimentos em Israel quando ele emitiu decretos de perseguição religiosa contra os judeus estão registrados nos escritos de Flávio Josefo.

Epifânio reinou sobre a Síria entre 175 a.C. e 164 a.C. Em 167 a.C. invadiu Israel e profanou o Templo, proibindo o culto judaico, a guarda do sábado, além de costumes como a circuncisão. Saqueou toda Jerusalém de suas riquezas e mandou construir um altar no Templo onde sacrificava porcos.

De acordo com fontes antigas, os habitantes de Jerusalém sofreram muito sob seu domínio. O sistema de fortificação grego resistiu a diversas tentativas de conquista. Somente no ano 141 a.C., após um longo cerco que quase matou de fome a guarnição grega, Simão, o Hasmoneu, foi capaz de derrotá-los.

Após sua vitória, os judeus conseguiram estabelecer um reino judaico independente na região entre 142 a.C. e 63 a.C., quando foram dominados pelos romanos. Durante este período a família dos Macabeus (também chamados de Asmoneus) iniciou uma nova dinastia real e sacerdotal, tendo ao mesmo tempo o poder político como o religioso.

Os arqueólogos Doron Ben-Ami, Yana Tchekhanovets e Shlomo Cohen, que lideram a escavação emitiram nota à imprensa.

Restos de fortaleza grego descoberto em Jerusalém Cidade de David (Foto: IAA)
“Este reduto militar controlava todos os acessos ao Monte do Templo. As numerosas moedas encontradas, que são desde os dias de Antíoco IV até os dias de Antíoco VII, além do grande número de jarros de vinho importados fornecem evidências do momento em que as pessoas viviam na fortaleza, e comprova que seus habitantes eram estrangeiros”.

Até uma década, o local abrigava um estacionamento. A equipe de Ben-Ami escavou uma colina artificial composta por várias camadas de terra deixadas por diferentes culturas.

Com informações de Ynet News 

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 3 de novembro de 2015

O Mistério do Mar Vermelho

"O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar." Mateus 24:35

A história extraordinária que há séculos fascina gerações.

Que Deus continue utilizando de todos os instrumentos "que ELE" entender necessários e que Sua Palavra seja conhecida em todo o planeta. Aleluia!

"[...]Mas aquele que perseverar até ao fim, esse será salvo. E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim." Mateus 24:13,14





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segunda-feira, 2 de novembro de 2015

A Piscina e a Cruz

"Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem; mas para nós, que somos salvos, é o poder de Deus." 1 Coríntios 1:18

REFLEXÃO
Um de meus amigos ia toda quinta-feira à noite a uma piscina coberta.

Ele sempre via ali um homem que lhe chamava a atenção: ele tinha o costume de correr até a água e molhar só o dedão do pé. Depois subia no trampolim mais alto e com um esplêndido salto mergulhava na água.


Meu amigo ficou intrigado com esse costume de molhar o dedão antes de saltar na água.


Um dia tomou coragem e perguntou-lhe a razão daquele hábito.


O homem sorriu e respondeu: "Sim, eu tenho um motivo para fazer isso. Há alguns anos, eu era professor de natação de um grupo de homens. Meu trabalho era ensiná-los a nadar e a saltar de trampolim. Certa noite não conseguia dormir e fui à piscina para nadar um pouco; sendo o professor de natação, eu tinha uma chave para entrar no clube.


Não acendi a luz porque conhecia bem o lugar.

Quando estava sobre o trampolim, vi minha sombra na parede em frente com os braços abertos, minha silhueta formava uma magnífica cruz.

O professor de natação continuou: Nesse momento, pensei na cruz de Jesus Cristo e em seu significado. Eu não era um cristão, mas quando criança aprendi um cântico cujas palavras me vieram a mente e me fizeram recordar que Jesus tinha morrido para nos salvar por meio de seu precioso sangue.

Não sei quanto tempo fiquei parado sobre o trampolim com os braços estendidos e nem compreendo por que não pulei na água.

Finalmente voltei, desci do trampolim e fui até a escada para mergulhar na água.

Desci a escada e meus pés tocaram o piso duro e liso.

Na noite anterior haviam esvaziado a piscina e eu não tinha percebido!

Tremi todo e senti um calafrio na espinha. Se eu tivesse saltado, seria meu último salto.
Naquela noite, a imagem da cruz na parede salvou a minha vida.
Fiquei tão agradecido a Deus que por me amar permitiu que eu continuasse vivo.
Tomei consciência de que não somente a minha vida física, mas minha alma também precisava ser salva. Para que isso acontecesse, foi necessária outra cruz, aquela na qual Jesus morreu para nos salvar.

Ele me salvou quando confessei os meus pecados e me entreguei a Ele. Naquela noite fui salvo duas vezes, física e espiritualmente.

Agora tenho um corpo sadio, porém o mais importante é que sou salvo. Talvez agora você compreenda porque eu molho o dedão antes de saltar na água".
texto de domínio público

Reflita sobre esta verdade!

Meu querido leitor(a), Deus se manifesta com tantos e maravilhosos Milagres que, por muitas vezes, com nossos olhos carnais não conseguiremos enxergar nada, mas se abrirmos os olhos espirituais veremos a multidão de cavalos e carros de fogo prontos a pelejar por nós (2Reis 6.17). Precisamos ter Fé! Acreditar! Deus usa o que desejar, o que quiser para transmitir Sua mensagem ao nosso coração, basta estarmos sensíveis à Sua voz. Aleluia!

Hoje o Milagre bate em sua porta, está entrando e, com muita alegria, vai "salvar" você.


Que hoje você esteja ouvindo a voz do Senhor dizendo: Estou aqui! ouvi a tua oração!


Aceite a Jesus e permita ELE transformar o teu ser.

"A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo." Romanos 10:9

Deus te abençoe.


abraço fraterno

Pastor Ismael

(forte abraço ao meu amigo em Cristo, Rogério Cavalcanti da Comunidade Ide e Pregai do G+)


Aqui eu Aprendi!

domingo, 1 de novembro de 2015

Reforma Protestante, Halloween ou Dia de Finados?


A Paz do Senhor meus irmãos e queridos leitores, antes de abordar sobre Halloween e Finados, cabe advertir que, o inimigo de nossas almas sempre tenta sombrear algumas datas comemorativas com artimanhas para ludibriar a humanidade.
Não seria diferente quanto ao dia 31 de Outubro.

Nesta data, exatamente a 498 anos atras, nascia a Reforma Protestante com Lutero. No início do século XVI, o monge alemão Martinho Lutero, abraçando as idéias dos pré-reformadores, proferiu três sermões contra as indulgências em 1516 e 1517. Em 31 de outubro de 1517 foram pregadas as 95 Teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, com um convite aberto ao debate sobre elas. Esse fato é considerado como o início da Reforma Protestante.

Mas, e como surgiu essa festa pagã Halloween? é mesmo uma festa americana?

Vejamos: Originalmente, o Halloween era um ritual dos celtas, um povo que habitou a Grã-Bretanha, Irlanda e a França entre o ano 2000 e o ano 100 antes da era cristã. Para eles, a noite de 31 de outubro, data da comemoração até hoje, era a véspera do Samhain, uma importante celebração que acontecia no dia 1 de novembro e que marcava 3 fatos importantes: o fim da colheita, o Ano-Novo celta e também o início do inverno.

A "estação da escuridão e do frio" era um período de introspecção e resguardo. Acreditava-se que o portal entre o mundo real e o mundo espiritual ficava aberto e bruxos, mortos e criaturas místicas saíam do além e vagavam pela comunidade.

A maioria das pessoas sensatas ficavam em casa, rezando pelos antepassados, mas quem tinha que sair, se vestia de morto ou bruxo para não ser notado pelos bruxos e mortos "de verdade".
Se um bruxo ou morto batesse na sua porta, teria que receber alguma comida para não amaldiçoar a casa no ano que estava começando.

Ano novo também era a época de em que as tribos pagavam tributo se tivessem sido conquistadas por outro povo. Era também o início do armazenamento de alimentos para o inverno, o retorno dos rebanhos dos pastos e o período de renovação das suas leis.

Na Europa durante a Idade Média a festa de Halloween passou a ser chamada de Dia das Bruxas e aqueles que comemoravam esta data eram perseguidos e condenados à fogueira pela Inquisição. (Kilkenny 1324) - Foto: irishhistorypodcas
Com o objetivo de diminuir as influências pagãs na Europa Medieval, a Igreja cristianizou a festa. Samhain, dia 1 de novembro, virou Dia de Todos os Santos e foi criado também o Dia de Finados, celebrado em 2 de novembro no calendário cristão.

Dia de Todos os Santos na língua Inglesa é chamado de All Hallows e a véspera desta festa é chamada de Halloween. Em Irlandês é chamada de Oiche Shamhna - literalmente, véspera de Samhain.

Por volta do século XIX, boa parte da população Irlandesa foi embora a procura de novas oportunidades na América do Norte e a tradição da festa seguiu com eles.

Era uma festa de fantasias, fogos de artifícios e fogueiras altas. Brincadeiras com maçãs, bolos com surpresas dentro, doces e histórias de pavor contadas em voz baixa.


Snap-a Apple Night (1833), pintado por Daniel Maclise, mostra pessoas reunidas se divertindo com jogos de adivinhação em 31 de outubro na Irlanda

Já no século XX a tradição da festa recebe uma repaginada à moda americana e, com um bom marketing, conquista o mundo. Histórias de pavor contadas pelos mais velhos estavam dando lugar aos filmes de terror, as lanternas de nabos se transformaram em lanternas de abóboras (que não são nativas nem da Irlanda nem da Grã-Bretanha) e as fantasias de bruxos deram lugar a super heróis, personagens de desenhos animados e cantores famosos. A festa acabou perdendo completamente seu elo com o significado original.

Crianças vão de casa em casa para receber doces - Foto: George Ruiz CCBY
No Brasil a celebração do Halloween é recente. Foi chegando ao nosso país através da grande influência da cultura americana, principalmente vinda através televisão. Os cursos de língua inglesa também colaboram para a popularização da festa em território nacional, promovendo grandes festas e eventos como uma forma de vivenciar com os estudantes a "cultura norte-americana".

"Esta festa, por estar relacionada em sua origem à morte, resgata elementos e figuras assustadoras."

A Festa atual guarda poucas semelhanças com os rituais celtas que a inspiraram

A LANTERNA DE ABÓBORA
O símbolo mais conhecido da festa, a carranca esculpida em abóboras, representa uma antiga lenda celta: Jack, um homem mesquinho condenado a vagar pela eternidade, pediu uma brasa a um espírito maligno e a colocou dentro de um nabo para iluminar seu caminho. Com a imigração irlandesa para os Estados Unidos no século XIX, a representação da lanterna foi adaptada.

O FOGO DA RENOVAÇÃO
Na Antiguidade, o fogo era o elemento mais importante do Halloween, que coincidia com o Ano-Novo dos celtas. Na noite da celebração, em 31 de outubro, os druidas (sacerdotes desse povo), acendiam fogueiras que simbolizavam a renovação das esperanças para o ano seguinte. No topo das montanhas, o fogo também servia para espantar os espíritos.

A TROCA
Segundo a crença celta, o caos reinava na noite do Halloween. Para acalmar os espíritos despertados, era comum deixar leite e comida na porta de casa. A moda pegou nos Estados Unidos e na Grã-Bretanha, onde até hoje as crianças saem fantasiadas para pedir doces. Quando não são atendidas ameaçam pregar um susto, como fariam os espíritos. A senha é a famosa expressão trick-or-treating (doces ou travessuras).

BRUXAS DO BEM
Outra presença inconfundível no Halloween são as bruxas, mulheres de aparência assustadora que usam a magia para fazer o mal. Essa descrição negativa, entretanto, surge só no século IX, com a influência do cristianismo na comemoração.

Para os celtas, as bruxas eram apenas mulheres que conheciam poderes terapêuticos de plantas e ervas. Elas faziam parte da comunidade e eram sempre bem vindas.

Halloween no Brasil
Críticas
Muitos brasileiros defendem que a data nada tem a ver com nossa cultura e, portanto, deveria ser deixada de lado. Argumentam que o Brasil tem um rico folclore que deveria ser mais valorizado. Para tanto, foi criado pelo governo, em 2005, o Dia do Saci (comemorado também em 31 de outubro).


"E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição." 2 Pedro 2:1

Brincadeira inocente, que nada! Lutemos contra as heresias! Irmãos em Cristo, juntemos nossas forças! Lutemos!
Pastores lutemos, à semelhança de Lutero, contra as heresias que assolam a Igreja, a humanidade. Lembremos dos Reformadores, e tenhamos atitude, tenhamos Fé!

"Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue." Atos 20:28 


Fonte:
Wikipédia
SuaPesquisa.com - Halloween - Dia das bruxas 


Sugestão de leitura: A Fabula do rato
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