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quinta-feira, 21 de maio de 2015

Dons de Revelação

1 Coríntios 12.7-11
"Mas a manifestação do Espírito é dada a cada um, para o que for útil.
Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência; e a outro, pelo mesmo Espírito, a fé; e a outro, pelo mesmo Espírito, os dons de curar; e a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer."

“Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” 1Co 14.26

Já abordamos anteriormente sobre dois temas importantes:
Neste estudo falaremos a respeito dos dons de revelação. Estes dons são concedidos à Igreja a fim de que ela seja edificada. Estamos vivendo “tempos trabalhosos", necessitamos da sabedoria que vem do alto, do poder de Deus.

Sigamos o exemplo de Paulo, pois sua oração em favor dos crentes de Éfeso era: “Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação" (Ef 1.17). Deus deseja nos outorgar os dons de revelação, a fim de que sejamos edificados e jamais venhamos a cair nas astutas ciladas do Maligno.

Os dons de revelação divina são indispensáveis à igreja da atualidade, pois vivemos em um tempo marcado pelo engano.

Antes, porem, vamos conhecer a classificação geral dos nove dons descritos no capitulo 12 de 1ª carta aos Coríntios. Lembrando que, os dons, independentemente da sua classificação, são importantes e necessários para a edificação do Corpo de Cristo.

CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS DONS - 1Co 12
DONS DE REVELAÇÃO    DONS DE PODER      DONS DE ELOCUÇÃO
Palavra da sabedoria                       Fé                                 Profecia
Palavra do conhecimento               Curar                      Variedade de línguas
Discernimento de espíritos  Operação de milagres   Interpretação de línguas
Extraído de Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário.- O teólogo pentecostal Stanley Horton afirma que “a maioria dos estudiosos classifica os dons de 1Coríntios 12.8-10 em três categorias: revelação, poder e expressão (ou Elocução), [tendo] três dons em cada categoria".


INTRODUÇÃO
Os dons de revelação constituem parte da revelação de Deus, concedida ao homem salvo, para que, por eles, a “multiforme sabedoria” divina seja manifestada no meio da Igreja, e os crentes em Jesus sejam protegidos das sutilezas do Adversário e das maquinações humanas contra a fé cristã.
Sem a presença física de Cristo, após sua Ascensão aos céus, os salvos, reunidos em igrejas locais, precisam, de maneira indispensável, dos dons espirituais, tanto para cumprirem a Missão confiada por Cristo, quanto para lutar e vencer “as hostes espirituais da maldade nos lugares celestiais” (Ef 6.12). Sem eles, a igreja local não passa de uma comunidade humana, uma associação religiosa, como um “vale de ossos”, transformados em corpos com tecidos humanos, mas sem vida. Tem estruturas humanas, ministeriais, denominacionais, intelectuais, políticas e administrativas, mas não tem o poder de Deus em sua vida institucional. Os dons espirituais propiciam a provisão divina para a igreja cumprir a sua missão, concedida por Cristo, de proclamar o evangelho por todo o mundo e a toda a criatura.
Dentre esses, os chamados “dons de revelação” aparecem como categoria de grande valor e necessidade, no meio das igrejas locais. No tempo de Paulo, havia confusões, mistificações doutrinárias, ensinos heréticos e tantos outros tipos de informações, que chegavam aos ouvidos dos crentes, que muitos se desviaram, iludidos pelos “ventos de doutrina” (Ef 4.14). O gnosticismo ameaçava a integridade da fé cristã. Os judaizantes queriam impor seus ensinos legalistas e ultrapassados. A igreja precisava de recursos espirituais sobrenaturais para não ser esmagada pelas heresias, muitas delas travestidas de verdades absolutas. Só a revelação de Deus, manifestada de forma incisiva, poderia evitar a derrocada do cristianismo.
E, nos dias presentes, será que não há necessidade da revelação especial de Deus, através de sua palavra e de dons ou carismas que façam a diferença, para que os cristãos saibam discernir o “joio do trigo”? Certamente hoje, mais do que nunca, a igreja de Jesus, em toda a parte, necessita desses recursos. Os dons de revelação podem identificar a origem, os meios e os propósitos de muitas falsas doutrinas que surgem a cada dia, no meio evangélico. Pela revelação sobrenatural, pode-se desmascarar os falsos pastores, os “obreiros fraudulentos”, “de torpe ganância”. [1]

I - PALAVRA DA SABEDORIA
1. Conceito.
O termo palavra exprime uma manifestação verbal ou escrita. Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss, sabedoria significa “discernimento inspirado nas coisas sobrenaturais e humanas”. A sabedoria abordada pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12.8a refere-se a uma capacitação divina sobrenatural para tomada de decisões sábias e em circunstâncias extremas e difíceis. De acordo com Estevam Ângelo de Souza, “a palavra da sabedoria é a sabedoria de Deus, ou, mais especificamente, um fragmento da sabedoria divina, que nos é dada por meios sobrenaturais”.

“Esse dom proporciona, pela operação do Espírito Santo, uma compreensão (cf. Ef 3.4) da profundidade da sabedoria de Deus, ensinando a aplicá-la, seja no trabalho seja nas decisões no serviço do Senhor, e a expô-la a outros, de modo a ser bem entendida”. Quando os que dirigem a igreja local contam com esse dom, dispõem de uma diversidade de serviços ou ministérios que dinamizam o trabalho da igreja (1 Co 12.28) e a edificação da igreja é feita com sabedoria (1Co 3.10). Quando surgem problemas, no meio da congregação, as soluções são encontradas com a ajuda do Espírito Santo (At 6.1-7; 15.11-21).

Paulo recebeu essa visão, de que há uma sabedoria sublime, quando escreveu aos coríntios, dizendo: “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus. Porque qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus” (1 Co 2.9-11).

Essa sabedoria é de altíssimo nível, e transcende os limites da sabedoria natural ou humana. Não se adquire nas escolas seculares, nem também nas escolas teológicas ou filosóficas. Ela é concedida por Deus, a quem Ele quer, visando atender à necessidade da igreja, ou individual, de algum servo ou serva sua, principalmente em ocasiões em que o saber natural é insuficiente para a tomada de decisões, ou resoluções difíceis. [1]

2. A Bíblia e a palavra de sabedoria.
No Antigo Testamento, temos alguns exemplos marcantes dessa revelação da sabedoria de Deus. Vemos tal sabedoria na construção do Tabernáculo (Êx 36.1,2).
José, filho de Jacó, teve momentos especiais em sua vida, em que demonstrou ter a sabedoria concedida por Deus, em situações extremamente significativas. Na prisão, interpretou sonhos de servos de Faraó, os quais se cumpriram plenamente. Chamado ao palácio real, diante de todos os sábios, adivinhos e conselheiros do rei, interpretou os sonhos proféticos que Deus concedera ao monarca egípcio, e, ainda por cima, deu instruções e consultoria gratuita sobre planejamento, economia, contabilidade e finanças a Faraó. Se não fosse a sabedoria do Espírito de Deus, jamais o jovem hebreu teria tamanha capacidade para interpretar os misteriosos sonhos das vacas gordas e das vacas magras, e foi elevado à posição de Governador do Egito (cf. Gn 41.14-41).

A proverbial sabedoria de Salomão era, sem dúvida alguma, manifestação da sabedoria de Deus, para a resolução de “causas impossíveis”. O caso das duas mulheres, que disputavam a mesma criança demonstra tal capacidade, proveniente do Espírito de Deus (1 Rs 3.16-28). Antes de desviar-se dos caminhos do Senhor, em sua velhice, Salomão foi um exemplo como beneficiário da sublime sabedoria de Deus. “E deu Deus a Salomão sabedoria, e muitíssimo entendimento, e largueza de coração, como a areia que está na praia do mar. E era a sabedoria de Salomão maior do que a sabedoria de todos os do Oriente e do que toda a sabedoria dos egípcios” (1 Rs 4.29,30). [1]

3. Uma liderança sábia.
Em o Novo Testamento, há diversas referências quanto à aplicabilidade dessa sabedoria divina. Paulo exorta aos colossenses a que saibam transmitir a palavra aos ouvintes, dizendo: “Andai com sabedoria para com os que estão de fora, remindo o tempo. A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para que saibais como vos convém responder a cada um” (Cl 4.5,6). A falta dessa sabedoria de Deus pode causar graves prejuízos à pregação do evangelho. Há pregadores, que usam o púlpito, em eventos evangelísticos, de maneira arrogante e prepotente. Houve um que dizia, para uma grande multidão, que os pastores eram um bando de trambiqueiros; e que a igreja (denominação da qual fazia parte) estava ultrapassada. E dizia, diante de pessoas não crentes; “Não sei por que Deus não tira essa velharia de cena”. A sabedoria desse tipo de pregador não é do Espírito Santo. “Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica” (Tg 3.15).

Na vida de Jesus, como o “Filho do Homem”, por diversas vezes, ele demonstrou essa sabedoria vinda do Alto. Ao chegar à sua pátria, causou profunda admiração em seus conterrâneos, por causa da sabedoria como que ministrava a mensagem. “E, chegando à sua pátria, ensinava-os na sinagoga deles, de sorte que se maravilhavam e diziam: Donde veio a este a sabedoria e estas maravilhas? Não é este o filho do carpinteiro? E não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos, Tiago, e José, e Simão, e Judas? E não estão entre nós todas as suas irmãs? Donde lhe veio, pois, tudo isso!” (Mt 13.54-56 — grifo nosso).

Essa mesma sabedoria tem sido identificada, na vida de irmãos humildes, ao longo da História da Igreja. Há casos em que pessoas de pouca instrução formal, usadas por Deus, transmitem mensagens de profundo significado e conteúdo espiritual, que provocam admiração nos que o ouvem. Em Natal, décadas atrás, o folclorista Luís da Câmara Cascudo, um dos ícones da literatura nacional, estava num culto, na Assembleia de Deus. Foi dada oportunidade a um crente muito humilde, que, cheio do Espírito Santo, entregou a mensagem na unção de Deus. O ilustre visitante não se conteve, e exclamou: “Esse homem prega e mostra o céu por dentro!”.

Na vida da igreja local, há casos interessantes, do exercício da sabedoria divina, pois Deus é o mesmo. Um novo convertido, homem do campo, recebeu a visita de um neto, que era formado em Medicina, em faculdade famosa. Sabendo que o avô houvera aceitado a Cristo, passou a criticá-lo com arrogância, dizendo que, em seus estudos houvera aprendido muitas coisas, inclusive que Deus não existe, que o homem proveio de um macaco, e, depois de desfilar outras informações do que aprendera, perguntou ao velho crente: “E, nessa crença, o que o senhor aprendeu?”. O novo convertido, que nem sequer tivera tempo de conhecer bem a Bíblia, respondeu ao neto ateu: “Eu aprendi a dizer: para trás de mim, Satanás!”. O materialista despediu-se, dizendo que não adiantava lutar “contra esses crentes...”.

É interessante que anotemos que o dom da palavra da sabedoria não faz do seu portador uma pessoa mais sábia do que as outras. Diz Horton: “O Espírito não torna a pessoa sábia por meio deste dom, nem significa que a pessoa mais tarde não possa cometer erros (cf. o exemplo do rei Salomão que, no fim da vida, não só errou, mas pecou)”. [1]

A sabedoria a que se refere 1 Coríntios 12.8 não é a humana, adquirida mediante os livros ou nas universidades, mas sim uma capacidade sobrenatural, divina, para tomar decisões sábias em circunstâncias extremante difíceis.


II - PALAVRA DA CIÊNCIA
1- O que é?
É manifestação da ciência ou do conhecimento de Deus, concedido ao homem salvo. Pode ser dado por sonho, por visão, por revelação especial, operando na esfera humana, no seio da igreja; sendo um conhecimento sobrenatural propiciado por Deus. Podemos dizer que a palavra da sabedoria é a aplicação da “ciência” de Deus, na vida prática pessoal ou da igreja. Escrevendo aos coríntios, sobre as “armas de nossa milícia”, Paulo diz que essas “armas” destroem “...os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo” (2Co 10.5 — grifo nosso). Paulo fala de “todos os mistérios e toda a ciência” (1Co 13.2), que só têm valor se for sob a graça do amor de Deus. Através desse dom, o crente penetra nas profundezas do conhecimento de Deus (cf. Ef 1.17-19).

Em Cristo — “o mistério de Deus [...] em quem estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2.2,3), é que os dons devem ser exercidos, no meio da igreja cristã. Pois Deus quer que esse conhecimento profundo e sobrenatural esteja à disposição dos seus servos, que o amam. “Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem são as que Deus preparou para os que o amam. Mas Deus no-las revelou pelo seu Espírito; porque o Espírito penetra todas as coisas, ainda as profundezas de Deus” (1 Co 2.9).

A Palavra de Deus mostra exemplos desse dom. Quando Jesus pregava para a mulher samaritana, soube detalhes da vida dela, que o conhecimento humano não teria condições de alcançar naquela circunstância de um encontro inesperado. Ele disse à mulher que chamasse seu marido. A mulher respondeu que não tinha marido e Jesus lhe disse que ela tivera “cinco maridos” e aquele com quem vivia não era seu marido. A mulher ficou admirada, e disse: “Senhor, vejo que és profeta” (Jo 4.16-19). A palavra da ciência não é adivinhação nem expressão de tentativa de erro e acerto. E dada pelo Espírito Santo. [1]

Este dom tem sido definido como sendo a revelação sobrenatural dalgum fato que existe na mente de Deus, mas que o homem, devido às suas naturais limitações, não pode conhecer, a não ser que o Espírito Santo lhe revele. Exemplos da manifestação deste dom são encontrados no ministério de:
- Samuel: 1 Sm 9.15,20; 10.22;
- Eliseu: 2 Rs 5.20,26; 6.8;
- Aias: 1 Rs 14.6;
- Jesus: Jo 1.48; 4.18; Lc 19.5; Mt 16.23;
- Pedro: At 5.3,4, e
- Paulo: At 27.23-25.
Através deste dom, os segredos do mais profundo do coração são revelados, enquanto que obstáculos ao desenvolvimento da Igreja são manifestos, e desmascarada toda e qualquer hipocrisia. Este dom é de grande importância para o ministério, pois pode apontar os maus obreiros, possíveis candidatos ao ministério cristão. [2]

Este dom também se relaciona à capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito Santo ao crente para este conhecer fatos e circunstâncias ocultas.

2. Sua função.
Esse dom revela coisas que não são percebidas pela visão natural (ver 1 Sm 16.7; Jo 2.24,25). Na vida prática da igreja, algumas experiências demonstram que o dom da palavra da ciência pode ser dado nos tempos presentes. Num Círculo de Oração, em Natal-RN, as irmãs estavam tranquilas, orando e louvando a Deus, numa congregação, anos atrás. Apresentou-se um homem, muito bem vestido, de paletó de tecido fino, sapato lustroso, gravata e Bíblia debaixo do braço. Ao ser interpelado, para ser apresentado, disse que era um servo de Deus, que estava de passagem por ali, e que viera visitar o trabalho. Acrescentou que era “filho do Ministro da Educação, Sr. Jarbas Passarinho”. A apresentação do “ilustre” visitante foi feita, e as irmãs de imediato quiseram ouvir uma palavra por ele.
Uma humilde serva de Deus, num lampejo divino, disse à dirigente: “Não dê oportunidade a ele. E um mentiroso, falso e procurado pela polícia...!”. Foi um mal-estar, pois a dirigente já ia anunciar a oportunidade ao visitante. Mas, diante da advertência, não o fez. Foi criticada por um santo irmão, que achou uma falta de respeito a um “servo de Deus”, “filho de uma autoridade pública”. Esse também convidou o visitante para ir à sua casa, num gesto de desagravo e de hospitalidade. No caminho, dizia ao visitante: “Essas irmãs não têm sabedoria”. E pediu desculpas pelo constrangimento. Recebeu-o em casa, apresentou à família, e ofereceu dormida ao desconhecido.
Pela madrugada, alguém bateu à porta. O anfitrião foi abrir, e deparou-se com policiais federais, apontando metralhadoras para sua casa, e dizendo que ele estava preso, pois dera acolhida a um criminoso, estelionatário, que vinha sendo rastreado em sua viagem. Quem revelaria tal coisa a uma simples serva de Deus? Sem dúvida, foi a operação do dom da ciência, num momento crucial. Este exemplo é prova de que Deus não muda. Agiu nos tempos antigos. E age em todos os tempos.

E preciso entender a diferença entre o dom da sabedoria e o dom da palavra da ciência. A ciência é o conhecimento profundo, concedido por Deus, em relação às coisas divinas ou às coisas dos homens, que estão além do conhecimento natural. O dom da sabedoria refere-se à utilização do conhecimento em questões práticas da vida. Conhecimento sem sabedoria é puro exercício intelectual infrutífero e diletante. O cristão deve ter conhecimento de Deus para viver o cristianismo de forma concreta, no seu dia a dia. [1]

O dom da palavra da ciência não visa servir a propósitos triviais, como o de descobrir o significado dos tecidos do Tabernáculo ou a identidade da mulher de Caim, etc. Isto é mera curiosidade humana, e o dom de Deus não foi dado para satisfazê-la. A manifestação sobrenatural deste dom tem a finalidade de preservar a vida da igreja, livrando-a de qualquer engano ou artimanha do maligno.

3. Exemplos bíblicos da palavra da ciência.
O profeta Eliseu sabia os planos de guerra do rei da Síria, mesmo à distância. Quando o rei pensava em atacar o exército de Israel de surpresa, em determinado lugar o profeta de Deus alertava ao rei de Israel dos planos do inimigo, por diversas vezes. O rei sírio ficou intrigado e desconfiou de que haveria um traidor no meio de suas tropas. Mas um dos servos do rei o fez saber o mistério: “E disse um dos seus servos: Não, ó rei, meu senhor; mas o profeta Eliseu, que está em Israel, faz saber ao rei de Israel as palavras que tu falas na tua câmara de dormir” (2 Rs 6.8-12).
Era um conhecimento muito mais aperfeiçoado do que todos os atuais sistemas de informação, com uso de tecnologia de ponta, usados no mundo atual. Eliseu não tinha informantes, nem sonhava com equipamentos de comunicação ou de satélites. Era a mensagem divina, diretamente do Espírito Santo ao seu coração. Quando o profeta Samuel disse a Saul que as jumentas do pai já haviam sido encontradas, foi pela ciência ou conhecimento de Deus (1 Sm 9.15-20).

A revelação dada a Daniel acerca dos impérios mundiais demonstra quão grande é a sabedoria de Deus, como recurso divino para ocasiões especiais, em que de nada adianta a sabedoria humana, ou os conhecimentos adquiridos pela experiência de quem quer que seja. Quis Deus utilizar-se de um rei estrangeiro ao seu povo para revelar segredos sobre acontecimentos que teriam lugar na História, na ocasião, e para o futuro. A visão de Nabucodonosor é uma referência para a Escatologia, com base nas interpretações dadas pelo Altíssimo a Daniel, seu servo, que estava vivendo naquele País, com uma missão do mais alto significado.
Trata-se de um caso bem emblemático do que significa receber o conhecimento, ou a revelação de Deus. O rei tivera um sonho muito estranho, que o perturbara sobremaneira. Pela manhã, reuniu “os magos, e os astrólogos, e os encantadores, e os caldeus, para que declarassem ao rei qual tinha sido o seu sonho; e eles vieram e se apresentaram diante do rei. E o rei lhes disse: Tive um sonho; e, para saber o sonho, está perturbado o meu espírito” (Dn 2.2,3). Tudo em vão. Ninguém soube interpretar o sonho, por uma razão muito óbvia: o rei não se lembrava do sonho! Furibundo, o rei mandou matar todos os sábios da Babilônia, pelo fato de não saberem interpretar um sonho de que não tiveram sequer o relato de sua visão.
Mas Daniel, que estava no reino, em posição de destaque, pediu ao mensageiro do rei que desse um tempo para que buscassem a interpretação. Seu pedido foi atendido, e, contando o grave problema a seus três companheiros, foram orar ao Deus dos céus. Diz a Bíblia: “Então, Daniel foi para a sua casa e fez saber o caso a Hananias, Misael e Azarias, seus companheiros, e pediu que orassem a Deus, “para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus sobre este segredo, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com o resto dos sábios da Babilônia. Então, foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite; e Daniel louvou o Deus do céu” (Dn 2.17-19). De maneira didática, com precisão histórica, Daniel interpretou o sonho, mostrando ao rei o desenrolar dos acontecimentos de sua época e de eventos futuros. Foi o conhecimento de Deus e não humano, lógico ou natural. [1]

Em o Novo Testamento, esse dom foi manifesto quando o apóstolo Pedro desmascarou a mentira de Ananias e Safira (At 5.1-11). O dom da palavra da ciência não é adivinhação, mas conhecimento, concedido sobrenaturalmente, da parte de Deus.

O dom da palavra da ciência não é para servir a propósitos triviais. A manifestação sobrenatural deste dom tem a finalidade de preservar a vida da igreja, livrando-a de qualquer engano ou artimanha do maligno.


III - DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS
1. O dom de discernir os espíritos.
Mais adiante, na epístola em apreço, encontramos o “dom de discernir os espíritos” (1 Co 12.10b). Refere-se à capacidade sobrenatural, concedida por Deus, com a finalidade de identificarem-se as origens e natureza das manifestações espirituais. Tais manifestações podem ter basicamente, três origens: De Deus, do homem (da carne) ou do maligno. Em determinadas ocasiões, uma manifestação espiritual pode apresentar-se, no meio da congregação, ou diante de um servo de Deus, com aparência de genuína, e ser uma mistificação diabólica, ou artimanha de origem humana. Pelo entendimento e pela lógica humana, nem sempre é possível avaliar a origem das manifestações espirituais. Mas, com o dom de discernir os espíritos o servo de Deus ou a igreja não será enganada.

Segundo Boyd, “a palavra ‘discernir’ (grego “diakrisis”) julgado através de, distinguir, e tem o sentido de penetrar por baixo da superfície, desmascarando e descobrindo a verdadeira fonte dos motivos e da animação”. Através desse dom, em suas diversas manifestações, a igreja pode detectar a presença de demônios, no meio da comunidade ou congregação, a fim de expulsá-los, no nome de Jesus. Na ilha de Pafos, Paulo defrontou-se com uma ação diabólica declarada com o objetivo de impedir a pregação do evangelho ali, e a conversão de uma autoridade pública. Mas o apóstolo, cheio do Espírito Santo, percebeu as artimanhas do Adversário, e, na autoridade de Deus, declarou que o opositor do evangelho ficaria cego por algum tempo, o que de pronto aconteceu. Diante de tamanho sinal, “Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor” (At 13.12).

Myer Pearlman diz que se pode saber a diferença entre uma manifestação espiritual legítima e uma falsa manifestação, através desse dom. “Pelo dom de discernimento que dá capacidade ao possuidor para determinar se um profeta está falando, ou não, pelo Espírito de Deus. Esse dom capacita o possuidor para ‘enxergar’ todas as aparências exteriores e conhecer a verdadeira natureza duma inspiração.” A manifestação espiritual precisa passar por duas provas de sua legitimidade: A prova doutrinária e a prova prática.

A prova doutrinária pode basear-se no ensino do apóstolo João, que diz:
“Amados, não creiais em todo espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo. Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo. Filhinhos sois de Deus e já os tendes vencido, porque maior é o que está em vós do que o que está no mundo. Do mundo são; por isso, falam do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus ouve-nos; aquele que não é de Deus não nos ouve. Nisto conhecemos nós o espírito da verdade e o espírito do erro.” (1 Jo 4.1-6)

A prova prática tem base no ensino de Jesus, quando advertiu acerca dos falsos profetas, que podem ser conhecidos pelos “seus frutos”, ou seja, pelo seu caráter, demonstrado em seu testemunho, na vida prática: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas interiormente são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura, colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos, nem a árvore má dar frutos bons. Toda árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.15-20).

Jesus tinha esse dom. Quando seus adversários queriam apanhá-lo em alguma palavra ou alguma falta, Ele já sabia o que se passava no interior das pessoas. “Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.24, 25). O apóstolo Pedro teve a percepção de que Ananias estava mentindo, quando sonegou parte da oferta que prometera a Deus, por esse dom especial de discernir os espíritos (At 5.3).

No ministério de Paulo, temos o exemplo notável do uso desse dom (At 16.12-18). Ao lado de seu companheiro, Silas, chegou à cidade de Filipos, na Macedônia, para onde se dirigiram por orientação do Espírito Santo. Após um período de oração e evangelização pessoal, foi acolhido por Lídia, a vendedora de púrpura, que aceitou a Cristo e foi batizada com toda a sua família. Era patente o sucesso da missão dos apóstolos naquele lugar. O Adversário não ficaria satisfeito de forma alguma e resolveu atacar de uma forma muito sutil, usando uma jovem para tecer um dos mais elevados elogios que um pregador poderia receber publicamente.
Ela era bem conhecida na cidade, pois era usada por comerciantes inescrupulosos que obtinham grande lucro, usando-a em seu proveito, pois possuía “espírito de adivinhação”. Quando os dois apóstolos saíram para a oração, a jovem os seguiu, dizendo em alta voz: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo” (At 16.17). E fez essa declaração elogiosa, durante vários dias. Pregadores são seres humanos, sujeitos às falhas próprias de sua natureza. Elogios em geral sempre fazem bem ao ego, à parte emocional, ainda mais, quando o elogio é verdadeiro, como era o que a moça propagava acerca dos dois servos de Deus.
Jamais alguém poderia imaginar que aquele elogio não seria de origem legítima. Podemos entender até, que, a princípio, os apóstolos devem ter ficado pensativos com aquela declaração. De fato, eles eram servos do Deus Altíssimo! O que haveria de errado ou repreensível ouvir tal elogio? Não teria a jovem percebido que eles eram cristãos autênticos? Acontece que Paulo e Silas eram homens de oração, tinham comunhão com o Espírito Santo. Depois de alguns dias, ouvindo aquela declaração, Paulo discerniu a sua origem.
Não era nada da parte de Deus. A afirmação era verdadeira, mas a origem e a intenção eram malignas. O Diabo queria iludir os apóstolos, com bajulação e lisonja, para que o demônio continuasse livre para agir, após a saída dos servos do Senhor. Assim, “Paulo, perturbado, voltou-se e disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, te mando que saias dela. E, na mesma hora, saiu” (At 16.18). [1]

2. As fontes das manifestações espirituais.
Ao longo das Escrituras podemos destacar três origens das manifestações espirituais no mundo: Deus, o homem e o Diabo. Uma profecia, por exemplo, pode ser fruto da ordem divina ou da mente humana ou ainda de origem maligna. Como saber? Aqui, o dom de discernir os espíritos tem o papel essencial de preservar a saúde espiritual da congregação. Segundo nos ensina o pastor Estevam Ângelo, o “discernimento de espíritos não é habilidade para descobriras faltas alheias”. O dom não é uma permissão para julgar a vida dos outros. [1]

AS OBRAS DE DEUS
Outro aspecto da doutrina de Deus que requer a nossa atenção é o das suas obras. Este aspecto pode ser dividido em:
1) seus decretos
2) sua providência e
3) conservação.
Os decretos divinos são o seu plano eterno que, em virtude de suas características, faz parte de um só plano, que é imutável e eterno (Ef 3.11; Tg 1.17). São independentes e não podem ser condicionados de nenhuma maneira. (SI 135.6). Têm a ver com as ações de Deus, e não com a sua natureza (Rm 3.26). Dentro desses decretos, há as ações praticadas por Deus, pelas quais tem Ele responsabilidade soberana; e também as ações das quais Ele, embora permita que aconteçam, não é responsável. Baseado nessa distinção, torna-se possível concluir que Deus nem é o autor do mal (embora seja o criador de todas criaturas subalternas), nem é a causa derradeira do pecado.
Além disso, Deus está sustentando ativamente o mundo que criou. Na conservação, Ele sustenta a criação através de leis estabelecidas (At 17.25). Na providência, Ele controla todas as coisas existentes no Universo, com o propósito de levar a efeito seu plano sábio e amoroso, de forma que não venha a interferir na liberdades das suas criaturas (Gn 20.6; 50.20; Jó 1.12; Rm 1.24).
Se reconhecermos tudo isso, e se nos deleitarmos no Senhor, meditando na sua Palavra de dia e de noite, receberemos todas as bênçãos divinas, pois entenderemos quem Ele é, como adorá-lo e de que maneira poderemos servi-lo.


Os salmos são de grande ajuda em nossa adoração. Muitos começam com a chamada tradicional hebraica à adoração: Aleluia! que significa: "louvem ao Senhor!" (ver SI 106; 111; 112; 113; 135; 146; 147; 148; 149; 150). Atualmente, esse termo é utilizado como declaração de exaltação. Originalmente, porém, era uma conclamação à adoração divina. Os salmos que começam com essa chamada, usualmente fornecem informações a respeito de Deus, focalizando nEle toda a adoração, e revelam aspectos da sua grandeza que são dignos do louvor.
Servir a Deus começa com o orar em seu nome. Isto implica em reconhecer como é distinta a sua natureza conforme revelada nos seus diversos nomes. Ele se revela a nós a fim de que o glorifiquemos e cumpramos a sua vontade. [3]

HOMEM CARNAL
Paulo divide em três claras distinções os tipos de homens:
1. o homem carnal (I Cor. 3:1);
2. o homem espiritual (I Cor. 3:1); e
3. o homem natural (I Cor. 2:14).
Apresento artigos separados sobre cada um desses tipos, pelo que neste artigo, não entro em detalhes, exceto no caso do homem carnal, que é o assunto que tenho em mãos. O homem natural, por sua vez, é o homem que ainda não foi regenerado. Esse é o homem que pertence à antiga natureza terrena. Ele é natural, e não espiritual. É o que permanece em seu estado natural, antes das operações do Espirito. O homem espiritual é aquele que já foi regenerado e que está vivendo de acordo com os principias ditados pelo Espírito, ou seja, vitorioso sobre os antigos impulsos carnais. Ele obedece à mente do Espirito e anda em novidade de vida.

O homem carnal é uma espécie de meio-termo entre os dois primeiros. Realmente, converteu-se, pelo que entrou nos primeiros estágios da regeneração; mas continua sendo derrotado por seus próprios antigos impulsos. Esse é o homem que se encontra em estado de tensão e conflito espirituais, conforme se vê no sétimo capitulo de Romanos. Faz coisas que, realmente, não aprova; mas não possui a energia espiritual necessária para obter a vitória sobre suas debilidades e vícios. Portanto, tal crente mostra ser uma contradição, pois aprova e é afetado pelas realidades espirituais, mas é incapaz de subir acima do nível da carnalidade.
Em I Cor. 3:1, Paulo chamou os crentes de Corinto de carnais, ou seja, homens da carne, crentes controlados pela carne. É possível interpretar que esse adjetivo significa que as pessoas assim qualificadas são inteiramente destituídas do Espirito de Deus (se considerarmos tão-somente o sentido verbal), mas o contexto geral não nos permite tirar essa conclusão. Mui facilmente, entretanto, Paulo poderia estar querendo dar a entender que toda a sua suposta e apregoada espiritualidade, no exercício dos dons espirituais (que os crentes coríntios exibiam), era algo falso, fraudulento; porquanto, não dispor das qualidades morais de Cristo.. e ao mesmo tempo, ser supostamente residência do Espirito de Deus, ao ponto de realizar feitos miraculosos, é uma aberrante contradição, é uma impossibilidade moral.

ELEMENTO, DA CARNALIDADE:
1. Embora certas pessoas se apresentem como espirituais, na verdade andam vendidas ao pecado, sendo escravas do principio do pecado (Rm. 7:14).
2. Tal pessoa é dotada de uma mente carnal, que está em conflito com Deus (Rm. 8:7).
3. O homem carnal vive como se não fosse regenerado (I Cor. 3:3).
4. O homem carnal é faccioso (I Cor. 3:4).
5. O homem carnal tem vicias na sua vida, e ignora o cultivo das virtudes espirituais (Gl. 5:19 ss). [4]

DEMÔNIO, DEMONOLOGIA (Diabo, Satanás)
Duas coisas são indiscutíveis sobre esse assunto: primeira, nem os hebreus e nem os cristãos criaram as elaboradas demonologias e angelologias que, finalmente, vieram a ser aceitas. Segunda, apesar das elaborações, exageros e elementos místicos que entraram no pensamento hebreu e cristão, no tocante aos demônios, essas noções são corretas quanto à temível realidade dos demônios e sua capacidade de influenciar e de apossar-se das pessoas. Que os espíritos malignos existem e exercem poder sobre os homens tem sido uma ideia universalmente aceita. Essa ideia permeia todos os níveis da sociedade, podendo ser encontrada entre as tribos mais primitivas e as civilizações mais avançadas. Essa universalidade fala em favor da veracidade dessas noções, sem importar os exageros e os elementos mitológicos criados em torno do assunto. Os demônios são vistos como seres poderosos, sobre-humanos, pertencentes a vários níveis de seres. Alguns são tidos como espíritos humanos desencarnados, negativos, que ainda não chegaram ao seu destino, e que continuam tentando viver suas vidas nas vidas de outras pessoas, através de influência ou de possessão. Outras classes incluem os elementares, que são menos poderosos do que os espíritos humanos, como se fossem uma espécie de símios do mundo espiritual. Porém, até mesmo esses podem ser um incômodo. Então, se subirmos um pouco mais na escala, encontraremos os anjos caídos, os quais também pertencem a diversas categorias. Após o século V D.C., essa tornou-se a identificação mais comum dos demônios na teologia cristã, embora outras identificações não tenham sido abandonadas. Os demônios mais perigosos são aqueles que pertencem a elevadas ordens de seres espirituais; e a conexão com os anjos caídos sem dúvida está correta, pelo menos em parte.

No pensamento hebreu e cristão, tomou-se usual considerar maus todos os demônios. Esses são OS espíritos que mais chamam a atenção, porquanto são perturbadores. Os cristãos primitivos levavam muito a sério a existência e o poder dos demônios, conforme é demonstrado pela frequente menção a eles, no Novo Testamento. Males mentais e corporais eram atribuídos às atividades de espíritos invisíveis, o que ocorre na história da maioria das culturas. Jesus dava ordens aos maus espíritos, e eles lhe eram obedientes (Mar. 1:27). Eles reconheciam a autoridade espiritual dele, e não ousavam fazer-lhe oposição. Os discípulos de Jesus deram continuação ao seu ministério de curas, no tocante ao corpo e à mente, e se utilizavam da autoridade do nome de Jesus quando tratavam com os espíritos malignos (Atos 16:18; Mar. 9:38; Lc. 10:17). As culturas com as quais o cristianismo foi entrando em contato, à medida que se propagava, já tinham suas respectivas demonologias, havendo muitas interferências demoníacas, pelo que nada de novo foi introduzido nessa área, excetuando o fato de que há aquele Nome que é capaz de libertar, com o qual as pessoas das culturas pagãs não estavam acostumadas.

Entre os judeus era corrente a noção que a idolatria pagã era influenciada pelos demônios, e que, algumas vezes, os demônios são o próprio alvo da adoração idólatra. Paulo compartilhava dessa crença, pois, apesar de chamar um ídolo de coisa vil, em certas ocasiões (ver 1Cor. 8:4), em outras oportunidades ele afirmava que os demônios eram objetos da adoração idólatra do paganismo (ICor. 10:20). Passado alguns seculos (D.C.) já havia surgido uma espécie de classe de exorcistas oficiais no cristianismo, usualmente constituída por ministros, e as pessoas apelavam para eles, a fim de serem ajudadas contra os demônios. [5]

Satanás é o principal poder maligno, e a Bíblia apresenta-o como uma espécie de comandante das forças da malignidade. O poder de Satanás é limitado por Deus (Jô 1:12.; 2:6), apesar do que ele é muito poderoso, encabeçando um vasto exército do mal (ver Ef 2:2; 6:12). Porém, sua queda final é certa (Lc. 10:18).

Anjos caídos, poderes e demônios fazem parte do reino das trevas, reino esse que tem o poder de influenciar os homens e de votá-los à perdição. O trecho de 2Pedro 2:11 refere-se ao poder desses seres malignos. O mundo inteiro está debaixo do poder deles, excetuando-se somente os lavados no sangue de Cristo (ver IJoão 5:19). Esses seres são numerosíssimos (Ef. 6:12). Não obstante, esses poderes não têm forças para separar-nos do amor de Cristo (ver Rm. 8:38). A existência desses seres provoca um conflito de dimensões cósmicas (ver Ef. 6:12). O reino das trevas é contrastado com o reino da luz (Col. 1:13). O dualismo ensina que o reino da luz e o reino das trevas estão em luta um contra o outro, e que há esperança que esses dois reinos, finalmente, separar-se-ão inteiramente. Porém. dentro desse sistema, não há qualquer expectação de que o reino das trevas possa vir a ser derrotado. A Bíblia Sagrada, por outro lado, é dualista somente em parte. Ela projeta a vitória do mundo da luz sobre o mundo das trevas, e não apenas uma separação final entre esses dois reinos. Os últimos capitulas do livro de Apocalipse refletem essa certeza. O trecho de Col. 2:15 refere-se ao triunfo garantido por Cristo sobre as forças do mal; segundo também se aprende em Rm. 8:38 ss. [6]

3. Discernindo as manifestações espirituais.
Mt 7:15-20 Durante alguns séculos, antes da vinda de Cristo, acreditava-se de modo geral que a profecia havia cessado. O período entre os dois testamentos às vezes é chamado de período de silêncio. Vindo João Batista, retornou a voz profética, e no início do cristianismo a profecia floresceu. A multidão reunida no dia de pentecoste, Pedro explicou que o fenômeno das línguas era o cumprimento da promessa feita por Joel segundo a qual nos últimos dias Deus derramaria seu Espírito em todos, de tal modo que os moços teriam visões, os velhos teriam sonhos, e homens e mulheres proclamariam a mensagem (Atos 2:17-18; cp. 1 Coríntios 14:29-31).

A medida que a igreja crescia, o problema dos falsos profetas ia-se tomando agudo. Jesus havia-nos advertido contra o surgimento de falsos profetas que enganariam o povo (Mateus 24:11, 24). João também advertiu os crentes (1João 4:1-3; Apocalipse 2:20). De que maneira os cristãos poderiam reconhecer um falso profeta? Nos tempos antigos o profeta ficava desacreditado se aquilo que ele houvesse proclamado em nome de Deus não se cumprisse (Deuteronômio 18:20-22). O Didache (grego - O Ensino dos Doze Apóstolos) apresenta alguns testes simples para identificar o falso profeta (se ele permanecer mais de dois dias ou se pedir dinheiro, 11:5-6). É “pelo comportamento dele, portanto, [que] o falso profeta é distinguido do verdadeiro” (didache 11:8).

Jesus nos adverte contra os falsos profetas. Eles chegam disfarçados em ovelhas (isto é, parecem pertencer ao rebanho de crentes; cp. Números 27:17 e Salmo 100:3, quanto afigura de linguagem; além disso, os profetas usavam roupas feitas de peles de animais, Zacarias 13:4; Mateus 3:4), mas interiormente são lobos devoradores (todas as atividades deles são motivadas pela ambição pessoal; matarão e destruirão os outros se isso for para seu lucro egoísta). Apresentar-se com vestes de profeta era o mesmo que vindicar essa posição. De início parecia que o ensino deles era verdadeiro, mas, quando se examinou o modo como viviam, descobriu-se que eram lobos (falsos profetas; cp. Ezequiel 22:27; Zacarias 3:3).

Os falsos profetas são conhecidos pelos seus frutos. Numa época em que Deus ainda estava revelando sua vontade mediante o ofício profético, era mais difícil dar validade a uma mensagem com base em seu conteúdo teológico, que deveria ser aceitável. Os falsos profetas podiam ser identificados de modo mais simples mediante o modo de vida deles. Colhem-se uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? Se não houver uvas é que não há videira. Se os frutos são maus, é que você não tem uma árvore boa. De modo semelhante, se a vida do profeta não se nivela à sua pregação, você estará diante de um falso profeta. “Tal pai, tal filho; o fruto se parece com a árvore” eram os ditados dos antigos. A boa teologia deve produzir retidão ética. A conduta revela o caráter. [7]

A Palavra de Deus nos ensina que os espíritos devem ser provados (1Jo 4,1). Toda palavra que ouvimos em nome de Deus deve passar peio crivo das Sagradas Escrituras, pois o Senhor Jesus nos advertiu sobre os falsos profetas. Ele ensinou-nos que os falsos profetas são conhecidos pelos “frutos que produzem”, isto é, pelo caráter (Mt 7.15-20). Jesus conhece o segredo do coração humano, mas nós não, e por isso precisamos do Espírito Santo para revelar-nos a verdadeira motivação daqueles que falam em nome do Senhor. O apóstolo João nos advertiu acerca do “espírito do anticristo” que já opera neste mundo (1Jo 4.3). [1]



O dom de discernimento dos espíritos é uma capacidade sobrenatural dada por Deus ao crente para discernir a origem e a natureza das manifestações espirituais.

A Igreja de Jesus necessita dos dons de revelação para discernir entre o certo e o errado, entre o legítimo e o falso. Os falaciosos ensinos e as manifestações malignas podem ser desmascarados pelo dom do discernimento dos espíritos. Que Deus conceda à sua igreja dons de revelação para não cairmos nas astutas ciladas do Maligno.

Subsídio Teológico
Dons de Revelação

Os dons são capacidades inatas, adquiridas, ou é algo que vem direto de Deus? Segundo Stanley Horton, "os dons são encarnacionais. Isto é, Deus opera através dos seres humanos". Logo, são capacidades sobrenaturais vinda d'Ele por intermédio do Espírito Santo. Deus colocou à disposição da igreja muitos dons e todos são extremamente úteis para a edificação e exortação dos crentes.

Para melhor estudar o assunto, os dons foram divididos em três categorias:
dons de revelação, de poder e de elocução.


Palavra de Sabedoria
O que seria este dom? "Sabedoria" no grego é shophia e segundo o Dicionário Bíblico Beacon quer dizer "julgamento de Deus diante das demandas feitas pelo homem, especificamente pela vida cristã". Esta sabedoria não é o resultado da capacidade cognitiva humana.
A sabedoria aqui é uma capacidade divina de julgar as questões práticas do nosso dia a dia de maneira que o nome do Senhor seja exaltado. Todo crente é exortado a buscar em Deus a sabedoria (Tg 1.5). Neste texto, segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Tiago está falando a respeito da "habilidade de tomar decisões em circunstâncias difíceis". Logo, também não diz respeito ao conhecimento adquirido pelo homem. Muitos homens são dotados de grande capacidade intelectual, mas infelizmente desconhecem a Deus.

Sabedoria divina x sabedoria humana
Em 1 Coríntios 2.6, Paulo faz uma comparação, mostrando à igreja em Corinto a diferença entre a sabedoria humana e a espiritual. Paulo mostra que a razão humana não pode levar o homem à redenção dos seus pecados. Somos redimidos pela fé em Cristo. A fé salvífica é um dom divino. O homem que não aceita Cristo como Salvador não pode compreender a sabedoria de Deus revelada em Jesus.

Dom da Palavra de Sabedoria
De acordo com Estevam Ângelo de Souza, "a palavra de sabedoria é a sabedoria de Deus ou, mais especificamente, um fragmento da sabedoria divina, que é dada por meios sobrenaturais". É uma capacidade vinda diretamente de Deus, mediante a ação direta do Espírito Santo em nossas vidas. A liderança, bem como todos aqueles que querem servir à Igreja de Cristo, deve buscar este dom a fim de administrar e servir com excelência. A Bíblia nos mostra que os diáconos eram homens cheios do Espírito Santo e que Estêvão, dispunha de tanta sabedoria, que ninguém conseguia se sobrepor a ele durante a sua pregação (At 6.10).
(Revista Ensinador Cristão - nº58 - pg37)

Discernimento de espíritos
A expressão inteira, no grego, apresenta-se no plural. Este fato indica uma variedade de maneiras na manifestação desse dom. Por ser mencionado imediatamente após a profecia, muitos estudiosos o entendem como um dom paralelo responsável por ‘julgar’ as profecias (1Co 14.29). Envolve uma percepção capaz de distinguir espíritos, cuja preocupação é proteger-nos dos ataques de Satanás e dos espíritos malignos (cf. 1Jo 4.1). O discernimento nos permite pregar a Palavra de Deus e todos os demais dons para liberar o campo à proclamação plena do Evangelho"
(HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. l. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.475)

Uma Palavra de Sabedoria
Trata-se de uma palavra (uma proclamação, uma declaração) de sabedoria dada para satisfazer a necessidade de alguma ocasião [...]. Não depende da capacidade humana nem da sabedoria natural, pois é uma revelação do conselho divino. Mediante esse dom, a percepção sobrenatural, tanto da necessidade como da Palavra de Deus, traz a aplicação prática daquela Palavra [...] ao problema do momento.
Porque é uma palavra de sabedoria, fica claro que é concedida apenas o suficiente para aquela necessidade. Este dom não nos enaltece para um novo nível de sabedoria, nem nos torna impossibilitados de cometer enganos. [...]. Às vezes, este dom transmite uma palavra de sabedoria para orientar a Igreja, assim como em Atos 6*2- 4; 15.13-21. É possível, também, que cumpra a promessa dada por Jesus, que daria ‘boca de sabedoria a quem não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem’ (Lc 21.15). A prova de que Jesus falava em um dom sobrenatural (a palavra de sabedoria) é comprovada, quando proibiu a premeditação do que diriam nas sinagogas ou diante dos tribunais (Lc 21.13,14). Isso certamente foi cumprido pelos apóstolos e por Estêvão (At 8.4-14,19-21, 6,9,10)”
(HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.294)


Fonte:
[1]Elinaldo Renovato. Dons espirituais & Ministeriais Servindo a Deus e aos homens com poder extraordinário. Editora CPAD. pg. 31-32.
[2]Raimundo F. de Oliveira. A Doutrina Pentecostal Hoje. Editora CPAD
[3]HORTON. Staleym. Teologia Sistemática: Uma Perspectiva Pentecostal. Editora CPAD
[4]CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 3. Ed.Hagnos pg.150-151
[5]CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 2. Ed.Hagnos. pg. 48.
[6]CHAMPLIN, Russell Norman, Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia. Vol. 5. Ed.Hagnos. pg. 311.
[7]ROBERT H. MOUNCE. Novo Comentário Bíblico Contemporâneo. Baseado na Edição Contemporânea de Almeida. Editora Vida Nova. pg. 76-77
Guia Cristão de Leitura da Bíblia. 1ª Edição.RJ-CPAD
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD
Bíblia Defesa da Fé
Estudando a lição da EBD-Estuda a Licao ebd
Revista Ensinador Cristão - CPAD
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA
SOUZA, Estevam Ângelo de. Nos Domínios do Espírito. 2. ed. RJ.CPAD, 1987.
HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12.ed. RJ.CPAD, 2012 
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quarta-feira, 20 de maio de 2015

John Huss - Biografia

Jan Huss 
- 1369 Hussinec, Tchecoslováquia  - 06 julho 1415 Constança, Alemanha.

O nome HUSS é a abreviação do lugar do seu nascimento, feita por ele próprio, em cerca de 1399; anteriormente era conhecido como Jan Husinecký, ou, em latim, Johannes de hussinetz.

João Huss nasceu por volta de 1370 de uma família camponesa que vivia na pequena aldeia de Hussinek, e ingressou na universidade de Praga (capital atual da republica Tcheca) quando tinha uns dezessete anos. A partir de então toda sua vida transcorreu na capital de seu país, excetuados seus dois anos de exílio e encarceramento em Constança. Em 1402 ele foi nomeado reitor e pregador da capela de Belém. Ali ele pregou com dedicação a reforma que tantos outros checos propugnavam desde tempos de Carlos IV. Sua eloquência e fervor eram tamanhos que aquela capela em pouco tempo se transformou no centro do movimento reformador. Venceslau e sua esposa Sofia o escolheram por seu confessor, e lhe deram apoio. Alguns dos membros mais destacados da hierarquia começaram a encará-lo com receio, mas boa parte do povo e da nobreza parecia segui-lo, e o apoio dos reis ainda era suficientemente importante para que os prelados não se atrevessem a tomar medidas contra o pregador entusiasmado.

No mesmo ano que passou a ocupar o púlpito de Belém, Huss foi feito reitor da universidade, de modo que se encontrava em ótima posição para impulsionar a reforma.
Ao mesmo tempo que pregava contra os abusos que havia na igreja Huss continuava sustentando as doutrinas geralmente aceitas, e nem mesmo seus piores inimigos se atreviam a censurar sua vida ou sua ortodoxia. Diferente de Wycliff, João Huss era um homem extremamente gentil, e contava com grande apoio popular.

O conflito surgiu nos círculos universitários. Pouco antes tinham começado a chegar a Praga as obras de Wycliff. Um discípulo de João Huss, Jerônimo de Praga, passou algum tempo na Inglaterra, e trouxe consigo algumas das obras mais radicais do reformador inglês. Huss parece ter lido estas obras com interesse e entusiasmo, pois se tratava de alguém cujas preocupações eram muito semelhantes às dele. Mas Huss nunca se tornou um adepto de Wycliff. Os interesses do inglês não eram os mesmos do boêmio, que não se preocupava tanto com as questões doutrinárias como com uma reforma prática da igreja. Ele particularmente nunca esteve de acordo com o que Wycliff tinha dito sobre a presença de Cristo na ceia, e até o fim continuou defendendo uma posição muito semelhante à que era comum em seu tempo – a transubstanciação.


Na universidade, entretanto, as obras de Wycliff eram discutidas. Os alemães se opunham a elas por uma longa série de razões, mas principalmente no que referiam à questão das idéias universais, que já discutimos anteriormente; Wycliff era "realista", e os alemães seguiam as correntes "nominalistas" do momento. Os alemães tratavam os checos como um punhado de bárbaros antiquados, que não estavam em dia em questões filosóficas e teológicas, e por isto não adotavam o nominalismo que estava na moda. Agora as obras de Wycliff vinham em socorro dos boêmios, mostrando que na muito prestigiosa universidade de Oxford um famoso mestre tinha defendido o realismo, e isto em data relativamente recente.
Por isto, em sua origem, a disputa teve um caráter altamente técnico e filosófico. Mas os alemães, em seu intento de ganhar a batalha, tentaram dirigir o debate para as doutrinas mais controvertidas de Wycliff, no propósito de provar que ele era herege, e que por isto suas obras deveriam ser proibidas. João Huss e seus companheiros boêmios se deixaram levar por esta política, e logo se viram na difícil situação de ter de defender as obras de um autor com cujas idéias eles não estavam completamente de acordo. Repetidamente os checos declararam que não estavam defendendo as doutrinas de Wycliff, mas seu direito de ler as obras do mestre inglês. Mas apesar disto os alemães começaram a chamar seus adversários de "wyclifitas".

Sem demora, diversos integrantes da hierarquia que eram alvos dos ataques de Huss e de seus seguidores, e que viam nos ensinos de Wycliff uma ameaça séria à sua posição, se reuniram ao grupo dos alemães.
Era a época em que, em resultado do concílio de Pisa, havia três papas. Venceslau apoiava o papa pisano, enquanto o arcebispo de Praga e os alemães da universidade apoiavam Gregório XII. Venceslau necessitava do apoio da universidade para sua política, e já que os checos estavam em maioria nela, o rei simplesmente mudou o sistema de votação, dando três votos aos checos e um aos alemães. Estes, então, abandonaram a cidade e foram para Leipzig, onde fundaram uma universidade rival, declarando que a de Praga se entregara à heresia. Se bem que isto constituiu um grande trunfo para o movimento hussita, também contribuiu para propagar a ideia de que este movimento não passava de outra versão do wyclifismo, sendo, portanto, herege.

Mais tarde o arcebispo se submeteu à vontade do rei, e reconheceu o papa pisano. Mas se vingou de Huss e dos seus solicitando deste papa, Alexandre V, que proibisse a posse das obras de Wycliff. O papa concordou, e proibiu também as pregações fora das catedrais, dos mosteiros ou das igrejas paroquiais. Como o púlpito de Huss, na capela de Belém, não se enquadrava nestas determinações, o golpe estava claramente dirigido contra ele. A universidade de Praga protestou. Mas João Huss tinha agora de fazer a difícil escolha entre desobedecer o papa e deixar de pregar. Com o passar do tempo sua consciência se impôs. Ele subiu ao púlpito e continuou pregando a tão ansiada reforma. Este foi seu primeiro ato de desobediência, e a ele seguiram muitos outros, pois quando em 1410 foi convocado para Roma, para dar conta das suas ações, ele se negou a ir, e em consequência o cardeal Colonna o excomungou em 1411, em nome do papa, por não ter acedido à convocação papal. Mas apesar disto Huss continuou pregando em Belém e participando da vida eclesiástica, pois contava com o apoio dos reis e de boa parte do país.


Assim Huss chegou a um dos pontos mais revolucionários da sua doutrina. Um papa indigno, que se opunha ao bem-estar da igreja, não deve ser obedecido. Huss não estava dizendo que o papa não era legítimo, pois continuava favorável ao papa pisano. Mas mesmo assim o papa não merecia ser obedecido. Até aqui Huss não estava dizendo mais que os líderes do movimento conciliar, na mesma época. A diferença estava em que estes se ocupavam principalmente da questão jurídica de como decidir entre vários papas rivais, e buscavam a solução deste problema nas leis e nas tradições da igreja, enquanto Huss acabara por seguir Wycliff até este ponto, declarando que a autoridade final é a Bíblia, e que um papa que não se conforme a ela não deve ser obedecido. Mas mesmo assim isto era, com poucas diferenças, o que Guilherme de Occam tinha dito, ao declarar que nem o papa nem o concílio, mas somente as Escrituras eram infalíveis.


Outro incidente turbou a questão ainda mais. João XXIII, o papa pisano, estava em guerra com Ladislau de Nápoles. Nesta contenda sua única esperança de vitória estava em obter o apoio, tanto militar como econômico, do restante da cristandade latina. Para tanto ele declarou que a guerra com Ladislau era uma cruzada, e promulgou a venda de indulgências para custeá-la. Os vendedores chegaram à Boêmia, usando de todo tipo de métodos para vender sua mercadoria. Huss, que vinte anos antes tinha comprado uma indulgência, mas que agora mudara de opinião, protestou contra este novo abuso. Em primeiro lugar uma guerra entre cristãos dificilmente poderia receber o título de cruzada. E em segundo, somente Deus pode conceder indulgência, e ninguém pode querer vender o que vem unicamente de Deus.
O rei, entretanto, tinha interesse em manter boas relações com João XXIII. Entre outras razões para isto, a questão de se ele ou seu irmão Sigismundo era o imperador legítimo ainda não fora decidida, e era possível que, se a autoridade de João XXIII viesse a se impor, seria ele quem teria de decidir a questão. Por isto o rei proibiu que a venda de indulgências continuasse sendo criticada. Sua proibição, todavia, veio tarde demais. A opinião de João Huss e de seus companheiros já era conhecida de todos, a ponto de terem surgido passeatas do povo, em protesto contra esta nova maneira de explorar o povo checo.

Enquanto isto João XXIII e Ladislau fizeram as pazes, e a pretensa cruzada foi revogada. Huss, no entanto, para Roma ficou sendo o líder de uma grande heresia, e até chegou-se a dizer que todos os boêmios eram hereges. Em 1412 Huss foi excomungado de novo, por não ter comparecido diante da corte papal, e foi fixado um prazo curto para ele se apresentar. Se não o fizesse, Praga ou qualquer outro lugar que lhe desse acolhida estaria sob interdito. Desta forma a suposta heresia de Huss resultaria em prejuízo da cidade.
Por esta razão o reformador checo decidiu abandonar a cidade onde tinha passado a maior parte da sua vida, e se refugiar no sul da Boêmia, onde continuou sua atividade reformadora dedicando-se à literatura. Ali ele recebeu a notícia de que finalmente se reuniria um grande concílio em Constança, e que ele estava convidado para lá comparecer e se defender pessoalmente. Para isto o imperador Sigismundo lhe ofereceria um salvo-conduto, que lhe garantiria sua segurança pessoal.

Huss diante do Concílio.

O concílio de Constança prometia ser a aurora de um novo dia na igreja. Tinham comparecido a ele os mais distintos defensores da reforma através de um concílio, João Gerson e Pedro de Ailly. Nele seria decidido de uma vez por todas quem era o papa legítimo, e seriam tomadas medidas contra a simonia, o pluralismo e tantos outros males. E João Huss estava convidado, para apresentar se caso. Aquela assembléia poderia ser o grande púlpito que ele usaria para pregar a reforma. Por isso Huss não poderia deixar de ir.
Mas por outro lado já o fato de ter sido necessário um salvo-conduto era um indício dos perigos que poderiam estar esperando por ele. Huss sabia que os alemães que tinham se transferido para Leipzig tinham continuado espalhando o rumor de que ele era herege. E sabia também que não podia contar com nenhuma simpatia da parte de João XXIII e da sua cúria. Por isto antes de partir ele deixou um documento que deveria ser lido no caso de sua morte. Para medirmos o caráter deste homem, observemos de passagem que este documento era uma confissão em que declarava que um dos seus grandes pecados era – que gostava demais de jogar xadrez! Os perigos que o esperavam em Constança eram grandes. Mas sua consciência o obrigava a ir. E assim partiu o reformador checo, confiando no salvo-conduto imperial e na justiça da sua causa.
João XXIII o recebeu com cortesia, mas poucos dias depois o chamou para o consistório papal. Huss foi, mesmo insistindo em que tinha vindo para expor sua fé diante do concílio, e não do consistório. Ali ele foi formalmente acusado de herege, e ele respondeu que preferia morrer que ser herege, e que o convencessem de que o era, ele se retrataria. A questão ficou suspensa, mas a partir de então Huss foi tratado como um prisioneiro, primeiro em sua casa, depois no palácio do bispo, e por último em uma série de conventos que lhe serviam de prisão.
Quando o imperador, que ainda não tinha chegado em Constança, soube o que tinha acontecido, ficou extremamente irado, e prometeu fazer respeitar seu salvo-conduto. Mas depois começou a dar menos ênfase nisto, pois não lhe convinha aparecer como protetor de hereges. Em vão foram os protestos do próprio Huss, como o foram os que chegaram de muitos nobres boêmios. Huss possuía inclusive um certificado do Grande Inquisidor da Boêmia, declarando que ele era inocente de qualquer heresia. Só que para os italianos, alemães e franceses, que eram a imensa maioria no concílio, os boêmios não passavam de bárbaros que sabiam pouco de teologia, e cujos pronunciamentos não deveriam ser levados a sério.
No dia 5 de junho de 1415, Huss compareceu diante do concílio. Poucos dias antes João XXIII tinha sido aprisionado e trazido de volta para Constança. Já que isto significava que o papa pisano tinha perdido todo o poder, e já que Huss tivera seus piores conflitos com ele, era de se supor que a situação do reformador melhoraria. Mas sucedeu o contrário. Quando Huss foi levado para a assembléia ele estava acorrentado, como se tivesse tentado fugir ou se já tivesse sido julgado. Foi acusado formalmente de ser herege, e de seguir as doutrinas de Wycliff. Huss tentou expor suas opiniões, mas a algazarra foi tamanha que ele não se podia fazer ouvir. Por fim foi decidido adiar a questão para o dia 7 do mesmo mês.
O processo de Huss durou mais três dias. Repetidamente ele foi acusado de herege. Mas quando foram relacionadas as doutrinas concretas de que supostamente consistia sua heresia, Huss demonstrou que era perfeitamente ortodoxo. Pedro de Ailly assumiu a liderança do julgamento, exigindo que Huss se retratasse de suas heresias. Huss insistia em que nunca tinha crido nas doutrinas de que exigiam que ele se retratasse, e que por isto não podia fazer o que de Ailly requeria dele.

Não havia maneira de resolver o conflito. De Ailly queria que Huss se submetesse ao concílio, cuja autoridade não podia ficar em dúvida. Huss lhe mostrava que o papa que o tinha acusado de desobediência era o mesmo que o concílio acabara de depor. Mostrar suas contradições a um homem supostamente sábio, tido como homem mais ilustre da época, e isto diante de uma grande assembléia, nem sempre é uma atitude sábia. O rancor do seu juiz aumentava cada vez mais. Outros líderes do concílio, entre eles João Gerson, diziam que estava desperdiçando o tempo que deveriam dedicar a questões mais importantes, e que de qualquer forma os hereges não merecem tanta atenção. O imperador se deixou convencer de que ele não precisa guardar sua palavra para com os que não têm fé, e retirou seu salvo-conduto. Quando Huss acabou dizendo que era verdade que ele tinha dito que se não quisesse ter vindo para Constança, nem o imperador nem o rei teriam podido obrigá-lo, seus acusadores viram nisto a prova de que ele era um herege obstinado e orgulhoso – apesar de o nobre boêmio João de Clum, que o defendeu valentemente até o final, ter declarado que o que Huss dissera era verdadeiro, e que tanto ele como muitos outros mais poderosos do que ele teriam protegido Huss se este tivesse decidido não ir ao concílio.


O concílio pedia unicamente que o Huss se submetesse a ele, retratando-se das suas doutrinas. Mas não estava disposto a escutar nem crer no acusado, quanto a quais eram as doutrinas que tinham crido e ensinado na verdade. Uma simples retratação teria bastado. O cardeal Zabarella preparou um documento em que exigia de Huss que se retratasse de seus erros, e aceitasse a autoridade do concílio. O documento estava cuidadosamente redigido, porque seus juízes queriam lhe dar todas as oportunidades para que se retratasse, e assim ganhar a disputa, mas o reformador checo sabia que se se retratasse, com isto estaria condenado todos os seus seguidores, pois se declarasse que suas doutrinas eram aquelas que seus inimigos tinham apresentado, estaria nisto implícito que seus companheiros criam nas mesmas coisas, e que portanto eram hereges.
A resposta de Huss foi firme:  Apelo a Jesus Cristo, o único juiz todo-poderoso e totalmente justo. Em suas mãos eu deponho a minha causa, pois Ele há de julgar cada um não com base em testemunhos falsos e concílios errados, mas na verdade e na justiça.
Por vários dias o deixaram encarcerado, na esperança de que fraquejasse e se retratasse. Muitos foram lhe pedir que o fizesse, talvez sabendo que sua condenação seria uma mancha indelével para o concílio de Constança. Mas João Huss continuou firme.

Por fim, no dia 6 de julho, ele foi levado para a catedral de Constança. Ali, depois de um sermão sobre a teimosia dos hereges, ele foi vestido de sacerdote e recebeu o cálice, somente para logo em seguida lhe arrebatarem ambos, em sinal de que estava perdendo suas ordens sacerdotais. Depois lhe cortaram o cabelo para estragar a tonsura, fazendo-lhe uma cruz na cabeça. Por último lhe colocaram na cabeça uma coroa de papel decorada com diabinhos, e o enviaram para a fogueira. A caminho do suplício, ele teve de passar por uma pira onde ardiam seus livros.
Mais uma vez lhe pediram que se retratasse, e mais uma vez ele negou com firmeza. Por fim orou, dizendo: "Senhor Jesus, por Ti sofro com paciência esta morte cruel. Rogo-Te que tenhas misericórdia dos meus inimigos". Morreu cantando os salmos.

João Huss foi muito importante porque ele contestou a autoridade papal, a venda de indulgências e pregava a reforma da igreja.

Fonte:
O Livro dos Mártires - John Foxe
e-cristianismo.com.br 

Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 19 de maio de 2015

Os dias da Criação foram dias de 24horas?

OS DIAS DA CRIAÇÃO 

"Os dias da criação do mundo foram literalmente dias de vinte e quatro horas?"



Realmente, muito se tem discutido sobre o significado da palavra dia nos primeiros versículos do livro de Gênesis. Para muitos, os dias da criação (Gn 1.1,13) são longos períodos, que. inclusive, devem coincidir com as eras geológicas. Outros, no entanto, interpretam esses dias como períodos de vinte e quatro horas. Os que advogam a palavra dia como significando um longo período, afirmam que até o 3º dia (Gn 1.1.13) não existiam o Sol e a Lua para regerem o tempo, definindo o dia e a noite, à semelhança de hoje. Os que declaram que os dias da criação compreendem um período de vinte e quatro horas apegam-se a Êxodo 20.11. Moisés se teria referido a dias de vinte e quatro horas aplicando-os à criação. Em muitas referências bíblicas, a palavra dia ou "Yom" (hebraico) tem vários significados. Por exemplo, "dia" 1.181 vezes; "hoje" 87 vezes; "eternamente" 18 vezes; "continuamente" 10 vezes; "idade" 6 vezes; "vida" 4 vezes; "perpetuamente" 2 vezes. Além disso, às vezes parecem compreender o período da criação, isto é, os seis dias (Gn 2.4), o que dificulta, de fato, a compreensão exata do assunto. O que é mais aceito pelos estudiosos desse assunto é que aí se refere a dia solar. As seguintes referências sustentam o princípio de que os dias da criação, mencionados em Gênesis capítulo 1 e 2, são dias solares:
a) cento e cinqüenta dias do Dilúvio: Gn 8.3;
b) quarenta dias (espias): Nm 13.25;
c) três dias (Jonas): Jn 1.17;
d) quarenta dias depois da ressurreição de Jesus: At 1.3;
e) seis dias (criação): Êx 20.9-11.

Em todas as referências do Velho Testamento aqui mencionadas, a palavra "dia", no original está "yom" (hb), que significa, neste caso, dia solar. Em Atos aparece a palavra "hemera" (grego), que tem o mesmo significado. Todavia, existem outros importantes sentidos, como seja, um período de tempo que pode ser de curta ou de longa duração (Is 2 e 4), ou um tempo mesmo (Gn 4.3; 26.8; Nm 20,15) ou um período inclusivo e compreensivo: Gênesis capitulo 2; Deuteronômio capitulo 10. Destarte, a fim de esclarecer esta questão, apresentamos, ao caríssimo leitor, nove  razões que levam alguns estudiosos da Bíblia a pensar que estes "yons", ou seja, dias, foram de 24 horas:

1. Cada um destes dias de Gênesis está dividido em períodos de luz e escuridão, exatamente como um dia solar. Alguns, entretanto, discutem baseados na convicção de que nos três primeiros dias da criação não havia sol, e que, por isso, não poderiam ser dias solares. Porém, existem dias no inverno em que não aparece a luz solar, e, além disso, há países onde a luz do Sol não aparece por longos períodos, mas ainda assim dividem-se os dias em 24 horas.

2. Notamos que no 3º dia o grande mundo botânico nasceu, sendo este também dividido como os outros; mas, se acreditarmos que este foi um período geológico, como alguns admitem, de 500.000 anos de luz e seguido por 250.000 anos de trevas; perguntamos: Seria possível o mundo botânico sobreviver metade duma era geológica sem os raios do Sol?

3. O texto hebraico implica numa espontaneidade de acontecimentos, que rejeitam, de fato. a necessidade duma era para representar a palavra dia. Disse Deus: "Haja luz", e a luz existiu. Será que o Deus onipotente e plenipotenciário iria precisar de tantos séculos para realizar essa obra? Pedro esclarece-nos isso quando diz que um dia. para o Senhor, é como mil anos e mil anos como um dia: 2 Pe 3.8. Deus. pela sua Palavra, poderia ter feito todas as coisas num só dia, pois, para Ele, tempo não é impedimento.

4. Temos de convir em que Moisés, quase com certeza, se está referindo a dias solares de 24 horas, e não a dias geológicos, que os cientistas com seus determinados cálculos pretendem provar. Moisés certamente não estava procurando expressar-se em termos científicos, mas usou uma linguagem acessível à época.

5. Nos manuscritos hebraicos, quando um número definido precede ou acompanha a palavra "yom". sempre indica um dia solar. Por que não aqui?

6. Está em evidência o relato da própria Bíblia, especialmente tratando do estabelecimento do sábado, 7  dia: Êx 20. Portanto, se fôssemos dar crédito no que dizem alguns cientistas modernos, teríamos, também, de crer no mesmo período geológico para a criação de Adão e ainda em que Deus continua descansando até hoje. Impossível!

7. Se aceitarmos a teoria de que cada um destes "dias" representa uma era geológica de 500.000 anos. como explicar, por exemplo, que Adão foi criado no sexto período e que Deus descansou no sétimo dia ou "era"? Adão estaria vivo depois ou foi expulso do jardim do Éden no oitavo dia? Que idade teria ele, então? a Bíblia declara-nos que Adão morreu com 930 anos. Porém, se seguirmos o raciocínio da geologia moderna ele teria 750.000 anos, quando foi expulso do jardim do Éden. Isto constitui um verdadeiro absurdo!

8. Não há razão de se exigir um período tão extenso para cada dia. A menos que acreditemos na teoria dos evolucionistas, porque somente deste modo precisaríamos crer nesses dias longos.

9. No versículo 3 de Gênesis não existe discrepância. Deus disse: "Haja luz" e a luz existiu. Ademais, o hebraico ajuda-nos a entender qual o significado dessa expressão. O termo vem de uma tradução do hebraico: "Wa ye hi or". que dá a entender que foi um ato instantâneo. A palavra luz, no versículo 3 é "or" (heb). e seu correspondente é "phos" (gr). Já no versículo 14, temos a expressão "luminares", "maior" (heb). que significa literalmente um candeeiro, castiçal ou candelabro, ou seja, aquele que segura a luz ou depósito de luz.

Ademais, para provar a origem da luz no primeiro dia da criação (pois o Sol somente foi criado no quarto dia), temos, por exemplo, a "Aurora Boreal", do Pólo Norte; os "mares" que possuem elementos e minerais que dão brilho fosforescente, onde existem plantas, peixes, fungos marinhos, que têm este brilho. Um outro exemplo não menos importante é o "vagalume" que. sem dúvida, quebra todos os argumentos da ciência moderna, quando diz não existir luz sem calor; porém, confessam os próprios cientistas, o inseto luminoso, joga por terra a exigência da ciência, pois há luz sem calor. E finalmente, a "luz cósmica", que era desconhecida e desacreditada até os homens explorarem o espaço. O nosso Planeta e Vênus, quando contemplados de longe, no espaço, parecem bolas de luz. Do exposto, podemos dizer que essa incerteza por parte da ciência, em relação à criação do universo em nada afeta a veracidade da Palavra de Deus. Ele é o Criador de todas as coisas.

Fontes:
Livro, A Bíblia Responde. Rio de Janeiro: CPAD, 1983
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segunda-feira, 18 de maio de 2015

Não desista de ser quem você é... Você tem valor!

Não desista de ser quem você é, diante das ofensas de quem não consegue ver seu valor. 
por Deyse L.S. Patoleia

Você consegue se recordar se já passou pela triste experiência de ser desqualificado, ser ofendido em sua dignidade, ser julgado de forma injusta? Dói, né!? Não é fácil escutar alguém nos definir de uma forma que nada tem haver com o que somos, correto? Não há prazer algum em ouvir alguém desmerecer todo nosso sacrifício, nosso esforço em sermos a cada dia melhores, não é verdade? Quanto mais próximo é o vinculo emocional das pessoas que nos desqualificam, maior é o impacto das palavras em nossa mente e coração.

Algumas pessoas não tem noção do quanto podem ferir as outras com suas palavras, outras não só sabem disso como, na verdade, sentem um certo "prazer maligno" em usar esta habilidade negativa para desestabilizar o emocional de outras.
Há duas verdades sobre isso, que para mim, são inegáveis: Primeiramente - Normalmente as que mais ferem com palavras, são as que menos toleram ouvir o que não as satisfaz. Em segundo lugar - Comumente, alguém que fere é alguém que está ferido. Em alguns casos, o ferido assume a identidade do algoz e destila do mesmo veneno que um dia o contaminou.
Um equivoco comum que cometemos é querer provar que o outro está errado a qualquer custo... Fazemos de tudo para "enfiar a verdade goela abaixo" de nossos ofensores...Quando temos a oportunidade, muitas das vezes, entramos no jogo do ofensor e nos igualamos a ele, quando tentamos por meio de debates provar que ele está errado... O outro se arma mais contra nós, e nós também nos "armamos até os dentes." Só que a briga de egos só gera confusão, distanciamento, discórdia, murmuração, tristeza, dificuldade de liberar perdão, não é atoa que a bíblia nos alerta que: "A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura suscita a ira.( Provérbios 15:1). Shakespeare nos leva a reflexão, nesta mesma linha de pensamento, ao dizer:"É mais fácil obter o que se deseja com um sorriso do que à ponta da espada."

Mas, como conseguir dizer uma resposta branda no meio de uma discussão calorosa?
Isso só é possível quando conseguimos vencer a nossa pressa em responder. Quando encontramos forças para dar alguns minutos para organizar os pensamentos...Quando esperamos alguns minutos para que o outro se acalme para escutar...Nos desarmamos, para que desistamos de nosso ardente desejo de provar o tempo todo que estamos certos. Muitas das vezes, a melhor resposta que encontraremos, após acalmarmos nosso ânimo, será o silencio. Dr. Augusto Cury chama o silencio de "a oração dos sábios." Realmente, somente os sábios conseguem se calar, mesmo quando tem inúmeros argumentos, mesmo quando tem inúmeras razões para falar, mas não o fazem para evitar um mal maior ou porque discernem que este não é o momento ou a forma de mostrarem que estão certos. "O sábio nunca diz tudo o que pensa, mas pensa sempre tudo o que diz." Aristóteles

Bem, acredito que Jesus tenha muito a nos ensinar sobre esse assunto, porque o Mestre do amor sabe muito bem o que é ser julgado de maneira errada, injustiçado, chamado de algo que não era.... Vamos abrir a bíblia um pouquinho? Então, vamos lá! "Mas os fariseus, ouvindo isto, diziam: Este não expulsa os demônios senão por Belzebu, príncipe dos demônios." (Mateus 12:24).
Os fariseus estavam diante do próprio Cristo e não conseguiam vê-lo desta forma, eles o acusaram de expulsar os demônios por Belzebu! Então, queridos, da mesma maneira, se nosso Cristo ouviu tamanha manifestação de ignorância, e desrespeito, então não estamos livres de enfrrentar esta situação desagradável em nosso trabalho, em nossa casa, em nossa igreja, não é verdade? Não somos mais legítimos do que o nosso Senhor, concorda? Pois é, a história não acaba por aí! Por não enxergarem a identidade de Jesus, na sua própria Cidade, Ele não pode operar milagres, e afirmou:"Só em sua própria terra, entre seus parentes e em sua própria casa, é que um profeta não tem honra". E não pôde fazer ali nenhum milagre, exceto impor as mãos sobre alguns doentes e curá-los.(Marcos 6:4,5). Forte este versículo, né!?

Os fariseus armaram ciladas para Jesus, como no caso da Mulher adúltera. Quando Ele disse que era o filho de Deus, eles o acusaram de blasfêmia. Por fim, o prenderam, o crucificaram, e depois tentaram desmentir sua ressurreição. Tudo isso está na Bíblia. Mas o mais interessante não é o que falaram de Jesus, o que fizeram contra Ele e, sim, o que Jesus fez diante disso tudo. Jesus, apesar de o acusarem de expulsar demônios por Belzebu, ele não parou de expulsar demônios (quantos de nós  paramos de fazer a obra de Deus, porque não somos reconhecidos?). Apesar de dizerem que Ele blasfemava quando dizia ser o Cristo, Ele continuou dizendo a verdade sobre quem Ele era, não se intimidou diante da incredulidade. Ele continuou curando, continuou restaurando vidas, amando os que menos mereciam, acolhendo os excluídos, dando uma palavra amiga aos desesperançados, servindo aos necessitados, fazendo a vontade do Pai. Jesus continuou fazendo o que fazia, porque nunca se esqueceu de quem Ele era. Ele não se perdeu dentro de si, conhecia sua essência e a preservou até o fim, por isso conseguia ouvir as palavras cruéis e não deixava que isso chegasse a sua alma...Não permitia que as palavras e atitudes dos ofensores tivessem poder de gerar raízes de amarguras, de atrapalhar seu Ministério aqui na Terra.

Assim como Cristo, nós encontraremos pessoas que não merecerão o nosso amor, mas Deus pode nos capacitar para ama-las, pois elas são as que mais precisam. Jesus disse na Cruz: "Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem." (Lucas 23:34) Jesus conseguiu perdoar a todos, porque compreendia que eles eram cegos no entendimento. Um cego é incapaz de apreciar uma obra de Picasso, por mais valioso que seja o quadro, ele não consegue ver a sua beleza...Seguindo o exemplo de Jesus, não podemos esperar mais das pessoas do que elas podem nos oferecer, o que podemos e devemos fazer é orar ao Pai, para que em nome de Jesus, os perdoe e que lhes abra os olhos do entendimento, para que vejam e tenham a capacidade para discernir o que é verdadeiro, honesto e, diante deste descobrimento, aprendam a valorizar o que tem valor. Se não perdoamos, ficamos presos a uma dor que nunca cessa, uma ferida que se abre a cada recordação e que gera outras em nossa alma, nossa oração fica impedida diante de Deus e contaminamos os que estão a nossa volta. E, quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial perdoe os seus pecados. Mas, se vocês não perdoarem, também o seu Pai que está nos céus não perdoará os seus pecados".(Marcos 11:25-26).
Por mais que hajam inúmeras forças tentando nos desequilibrar, nos abater, nos destruir de dentro para fora...Se soubermos quem somos, se conseguirmos nos ver com os olhos de Deus, então não daremos o poder para alguém nos fazer desistir de ser quem somos e de lutar pelos nossos sonhos.
Não desista, insista mais um pouco, continue amando, continue servindo, continue profetizando o bem sobre a vida de quem lhe julga mal, a seu tempo Deus lhe dará uma bela colheita! Assim como  na vida de Jesus, onde a cruz antecedeu a ressurreição, todo o seu sofrimento será apenas uma fase que antecederá a Glória que Deus tem preparado para sua vida...Muitos não creram Nele, mas o sacrifício DELE não foi em vão, a prova disso é nós estarmos aqui tendo esperança no amanhã, porque sabemos que Ele vive, apesar de nunca termos o visto fisicamente, cremos que Ele nasceu, morreu e ressuscitou...."Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome; (João 1:11,12). Creia que dias melhores virão, e depois de uma horrenda tempestade em que vemos tudo quase desabar, podemos olhar para os céus, ver as nuvens se dissipando e um lindo arco-íris confirmando a aliança de Deus conosco...Nunca se esqueça disso: só podemos contemplar a beleza do arco-íris depois de uma tempestade!

Que Deus nos ajude a suportar as provações, sempre sabendo que somos mais do que vencedores em Cristo Jesus!
"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos." (Colossenses 3:12-15).

Autora: DEYSE L.S. PATOLEIA.

...e assim; sempre aprendendo com Jesus!

Minha grande amiga em Cristo Deyse, obrigado pela licença de publicação deste texto, e que o Espírito Santo continue a te inspirar e usar...
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