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segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Tudo posso naquele que me fortalece

“...tudo posso naquele que me fortalece” Filipenses 4.13


É muito fácil entender mal um versículo assim. 

O lemos e imediatamente pensamos em centenas de coisas que não conseguimos fazer. No mundo físico, por exemplo, pensamos em alguma acrobacia ridícula que exigiria poderes sobre-humanos. Ou pensamos em alguma grande proeza mental que está muito além de nós. Então estas palavras se tornam uma tortura para nós, ao invés de um conforto.

O que o versículo na verdade quer dizer, claro, é que o Senhor nos dará poder para fazer qualquer coisa que Ele queira que façamos. Dentro do círculo da Sua vontade não há impossibilidades.

Pedro sabia deste segredo. Ele sabia que, por si só, não poderia andar sobre as águas. Porém, também sabia que se o Senhor lhe havia dito para fazê-lo, ele conseguiria. Assim que Jesus disse “Venha”, Pedro saiu do barco e caminhou sobre as águas até Ele.

Normalmente uma montanha não vai se lançar ao mar ao meu comando. No entanto, se esta montanha estiver entre mim e o cumprimento da vontade de Deus, então posso dizer “Saia do caminho” e ela o fará.

O ponto central é que “Sua vontade é Sua capacidade”. Portanto, Ele proverá a força para enfrentarmos qualquer desafio. Ele me capacitará para resistir a cada tentação e vencer cada hábito. Ele me fortalecerá para ter uma vida de pensamentos limpos, motivos puros e para sempre fazer aquilo que agrada ao Seu coração.

Se não tenho forças para fazer algo, se me vejo ameaçado por um colapso físico, mental ou emocional, então eu talvez deva questionar-me se por acaso entendi mal Sua vontade e estou seguindo meus próprios desejos. É possível fazer para Deus o que não é de Deus. Tais obras não carregam a promessa do Seu poder.

Por isso é importante saber que estamos seguindo a corrente do Seu plano. Então podemos ter a alegre certeza de que Sua graça irá nos sustentar e capacitar.


por William MacDonald

William MacDonald (07 Jan 1917 - 25 Dez 2007) escreveu mais de 84 obras. Dedicou-se ao ensino bíblico nos últimos 60 anos de sua vida. Ele é um dos escritores menos conhecido mais vendidos no mundo. O seu "Verdadeiro Discipulado" causou enorme impacto a toda uma geração de crentes. O seu Comentário Bíblico do Crente foi traduzido em muitas línguas (Japonês também); em alguns países este comentário existe num volume único. Ele produziu centenas de folhetos, dos quais destacamos "Tenho que te dizer isto", que tem sido amplamente espalhado. Recentemente ele produziu dois CDs evangelísticos, "Nada Acontece Por Acaso" e "A Maior Mentira do Mundo", que têm sido distribuídos aos milhares. O seu livro de meditações diárias, One Day at a Time (Um Dia de Cada Vez), é muito inspirador, consolador e edificante.

Fonte: Chamada  
Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Uma Salvação Grandiosa

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram” Hb 2.3

Hebreus 2.1-4
“Esta é a primeira de sete passagens em Hebreus onde o autor combina uma urgente exortação com uma solene advertência a fim de mover seus leitores a uma confiança renovada, a uma esperança e fé perseverante em Cristo. Estas sete advertências não são divagações, no entanto se relacionam diretamente com o principal propósito do autor. A íntima conexão entre este parágrafo e a interpretação em 1.5-14 demonstra que a exposição bíblica do autor não era propriamente um fim, mas originou-se de sua preocupação por seus leitores e sua perigosa situação.

O rico vocabulário e os dons do autor como orador são novamente evidentes. A construção grega de 2.1-4 consiste em duas sentenças: uma declaração direta (2.1), seguida por uma longa sentença explicativa (2.2-4), que inclui uma pergunta retórica (‘como escaparemos nós?’) com uma condição (‘se atentarmos para [ou negligenciarmos] uma tão grande salvação’, 2.3a).

A expressão ‘Portanto’ (2.1) liga este parágrafo ao esplendor e à incomparável supremacia do Filho no capítulo 1. Pelo fato de o Filho ser superior aos profetas e aos anjos, se o que Deus ‘nos falou pelo Filho’ (1.2) for negligenciado, seremos muito mais culpáveis: ‘Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas’” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.1549).

A salvação não é algo dado ao crente compulsoriamente. O cristão é exortado a ser vigilante e não negligente em relação a essa dádiva recebida.


Uma Salvação Grandiosa

Comentário de Hebreus 2.1 -18

No capítulo 1, o autor mostrou a superioridade de Jesus ê aos anjos. Neste capítulo, o autor demonstrará as implicações práticas daquilo que ele afirmara. Os intérpretes destacam que a superioridade de Jesus em relação aos anjos acontece em três aspectos:

1. Nenhum dos anjos podia trazer a nova relação entre irmãos (Hb 2.5-13);

2. Nenhum dos anjos podia livrar os homens do temor da morte (Hb 2.14-16);

3. Nenhum dos anjos podia realizar a obra da expiação pelos pecados (Hb 2.17-18).

“Portanto, convém-nos atentar, com mais diligência, para as coisas que já temos ouvido, para que, em tempo algum, nos desviemos delas" (v. 1). Aqui, o “portanto" (gr. dia touto) tem o sentido de "acordo com o que acabei de mostrar”. Nesse contexto, “portanto" é usado em referência à superioridade de Jesus sobre os anjos. Uma verdade de tão grande magnitude deveria ter recebido uma maior atenção por parte dos leitores. Eles deveriam ter atendido as verdades ensinadas com maior diligência. O termo grego prosechein, traduzido aqui como "atentar", tem o sentido de “prestar atenção a, atender, dar ouvidos".1  O termo é usado no sentido de dar uma resposta positiva ou negativa a uma mensagem recebida. É usado em Atos 8.6 para afirmar que as pessoas "atendiam” unânimes as palavras pregadas por Filipe. Por outro lado, em Tito 1.13,14, é usado para exortar os crentes a “não dar ouvidos” às fábulas judaicas. Em ambos os casos, a participação do ouvinte é requerida. Pedro afirma que seus leitores faziam bem em “atenderem” a palavra profética (2 Pe 1.19). Esse mesmo termo é usado por Lucas para narrar a conversão de Lídia (At 16.14). “Certa mulher, chamada Lídia, da cidade de Tiatira, vendedora de púrpura, temente a Deus, nos escutava; o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia” (At 16.14 - ARA). Enquanto Paulo falava acerca do Reino de Deus, Lídia escutava a Palavra de Deus, e o Senhor abriu-lhe o coração para atentar (prosechein) àquilo que o apóstolo dizia.2

As Escrituras exortam o cristão a ser vigilante e batalhar pela fé que uma vez lhe foi dada (Jd 3). O autor não queria que os crentes aos quais ele escrevia ficassem desviados da fé. A palavra "desviar” (gr. pararreô) era usada em referência a um rio que corria fora do seu leito. Podia ser usada também em referência a uma pessoa que perdia a memória ou, então, a um navio que estava à deriva.3  Franz Delitzsch (1813-1890) destaca que está presente o sentido de obter ou encontrar a si mesmo em um estado de fluxo ou de passagem, isto é, em referência a um objeto que requer muita atenção; perder a posse de qualquer coisa por não conseguir segurar.4  Essas observações fazem-nos ver que a apostasia — um ensino que o autor de Hebreus voltará a falar mais adiante — é uma realidade possível e real. Se decair da fé ou se desviar não fosse uma possibilidade, essas exortações perderiam o sentido.

“Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição” (v. 2). Como já havia assinalado no versículo anterior, o autor refere-se, aqui, à Lei mosaica entregue no Sinai. George Wesley Buchanan destaca que havia uma tradição judaica antiga na qual se afirmava que a Lei fora entregue pelos anjos (Ant. XV. 136; Gl 3.19; Atos 7.53; Targ. Dt 33.2).5  Por haver sido mediada por anjos, a Lei era vista e observada meticulosamente pelos judeus. A conclusão a que o autor quer chegar é simples: ora, se a Lei, que fora entregue por anjos, merecia tanta atenção, então não merecia atenção maior ainda a palavra de Deus, que fora entregue por seu próprio Filho, o qual é infinitamente superior aos anjos? Se a palavra entregue por anjos provocou punição para quem a transgrediu, o que poderá acontecer com quem quebra a palavra falada pelo Filho?

“Como escaparemos nós, se não atentarmos para uma tão grande salvação, a qual, começando a ser anunciada pelo Senhor, foi-nos, depois, confirmada pelos que a ouviram” (v. 3). Valendo-se de uma pergunta retórica, o autor indaga a seus leitores se haveria alguma chance de escape para quem fosse negligente e não atentasse para essa tão grande salvação. A resposta, evidentemente, é que não haveria chance nenhuma.

A palavra grega amelêsantes, traduzida como “atentar”, “negligenciar”, é um particípio que ocorre quatro vezes no Novo Testamento grego (Mt 22.5; 1 Tm 4.14; Hb 2.3; 8.9). Em Mateus, é usado no sentido de “não dar atenção”; em 1 Tm 4.14, é usado para exortar Timóteo a não "negligenciar” o dom de Deus; em Hebreus 8.9, é usado para dizer que Deus não “atentou” para os desobedientes.6  A salvação do cristão está condicionada à sua permanência em Cristo. Alguns creem que a salvação é dada por decreto. Nesse sentido, as pessoas eleitas serão salvas sem importar muito o que fazem ou deixam de fazer. No entanto, Richard Taylor destaca:

"A Bíblia mostra que a prática do pecado e o Filho de Deus são totalmente incompatíveis; e que a apostasia é uma possibilidade, ainda que não seja normal nem o que se espera na experiência cristã. O Novo Testamento sublinha que a fé evangélica é como um tempo presente, uma atitude contínua de confiança e obediência, ‘aquele que crê no Filho tem a vida eterna, mas aquele que não crê no Filho não verá a vida’ (Jo 3.36; Tg 2.14-26)".7

"Testificando também Deus com eles, por sinais, e milagres, e várias maravilhas, e dons do Espírito Santo, distribuídos por sua vontade?" (v. 4). O escritor F. Dattier destaca:

“A insistência sobre os prodígios, Hb possui em comum com o 4° Evangelho onde tais fatos formam argumentos essenciais em abono da legitimidade de Jesus de Nazaré: Jo 1.14,51 ; 2.11,23; 3.2; 5.17-20,36; 6.14,26; 7.21,31; 9.3,16; 10.32,37,41; 11.47; 12.18,37; 14.10; 15.24. Com a morte de Jesus, os milagres não desapareceram; os discípulos fariam maiores ainda (Jo 14.12); maiores se não em qualidade, pelo menos em quantidade, como se vê nos Atos dos Apóstolos e na variedade imensa de carismas descritos em Rm 12 e 1 Cor 12." 8

A Igreja Primitiva, formada por crentes tanto da primeira como da segunda geração, estavam familiarizados com os carismas do Espírito. Para o autor, a Salvação não ocorreu apenas no plano subjetivo e teórico, mas também no objetivo e prático. O Espírito Santo, através dos discípulos, deu testemunho dessa salvação. Os termos gregos: semeiois (sinais), terasin (maravilhas) e dynamesin (poder, prodígios, milagres) são frequentemente usados nos Atos dos apóstolos (At 4.30,33; 5.12; 14.3,8-10). No Velho Testamento, o Espírito vinha sobre algumas pessoas especiais: o rei, o legislador, o profeta e o sacerdote. Todavia, na Nova Aliança, Ele foi derramado sobre toda a carne (At 2.17). Os crentes Hebreus possuíam consciência desses fatos, mas, mesmo assim, davam sinais de esquecimento.

Como de costume, o autor mais uma vez recorre a uma citação de um salmo (8.4-6) de natureza messiânica para validar sua argumentação. No judaísmo, esse salmo era um cântico que celebrava a criação, a tradição cristã; no entanto, devido à sua citação na carta aos Hebreus, associou-o à redenção. "Em vários períodos, o salmo foi usado para expressar o tema da imago dei no sentido de que a dignidade da humanidade é concedida e, em seguida, restaurada pela salvação/redenção”.9

C. S. Keener destaca que era uma crença do judaísmo antigo a de que Deus sujeitaria a seu povo o governo do mundo vindouro.10  O judaísmo dos dias neotestamentários alimentava essa esperança. “Porque não foi aos anjos que sujeitou o mundo futuro, de que falamos” (v. 5). O fato em destaque pelo autor é que o mundo será, com efeito, submetido ao governo não angélico, mas humano. O autor afirma essa crença, porém destacando que essa promessa teve seu fiel cumprimento no Messias, que era divino e humano. O autor passa a citar o Salmo 8.

"Mas, em certo lugar, testificou alguém, dizendo: Que é o homem, para que dele te lembres? Ou o filho do homem, para que o visites?" (v. 6). Valendo-se da expressão “em certo lugar”, o autor não demonstra imprecisão na sua citação, mas, sim, o uso do método hebraico de interpretação conhecido como gezerah shavar, muito usado pelos escribas para unir duas porções das Escrituras.

“Tu o fizeste um pouco menor do que os anjos, de glória e de honra o coroaste e o constituíste sobre as obras de tuas mãos" (v. 7). Essa citação não é feita para depreciar o homem; pelo contrário, é usada para mostrar sua grandeza.11  O autor avança para o desfecho do seu comentário. "Todas as coisas lhe sujeitaste debaixo dos pés" (v. 8). F. F. Bruce observa que “Quando o homem falha no cumprimento de seu propósito divino (como em alguma medida, todos o fizeram na época do Antigo Testamento), Deus levanta outro para que tome o seu lugar. Mas quem poderia tomar o lugar de Adão? Somente um que foi capaz de desfazer os efeitos da queda de Adão e, portanto, iniciar uma nova ordem do mundo”.12

“Vemos, porém, coroado de glória e de honra aquele Jesus que fora feito um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos” (v. 9). A palavra grega brachy, traduzida como “menor”, é usada aqui em relação ao tempo e significa temporariamente. Portanto, o texto afirma que, devido à sua humilhação, Jesus temporariamente foi feito menor do que os anjos, e não que Ele tornou-se menos digno do que os seres angélicos.13  Alguns autores interpretam esse texto no sentido de que a glória precedeu o sofrimento. Nesse aspecto, Jesus teria uma glorificação antecipada. Mas, como observa F. F. Bruce, essa não é a leitura natural do texto. O autor de Hebreus põe a glorificação como um evento que seguiu a humilhação de Cristo. Pela primeira vez, o autor cita aqui o nome "Jesus", o que é uma clara demonstração de sua humanização. "O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). O autor usa o termo grego "graça” (gr. Xaris) pela primeira vez, e o seu sentido é de uma salvação para todos, universal e ilimitada.14  Ele sacrificou-se por todos e, como resultado de sua paixão e exaltação, sua morte é extensiva a todos os homens.15  Adam Clarke (1760-1832), renomado teólogo britânico, vê aqui um paralelo com o cálice da salvação a qual o Senhor Jesus referiu-se em Mateus 26.39:

"Meu Pai, se és possível, passa de mim este cálice. Mas, sem bebê-lo, a salvação haveria sido impossível; portanto, com júbilo o bebeu em lugar de cada alma humana, fazendo desta maneira sacrifício por todo o pecado da totalidade do mundo; e isto Ele fez por graça, misericórdia ou infinita bondade de Deus”.16

"Porque convinha que aquele, para quem são todas as coisas e mediante quem tudo existe, trazendo muitos filhos à glória, consagrasse, pelas aflições, o Príncipe da salvação deles" (v. 10). Esse versículo é uma referência à missão salvífica do Filho e faz um paralelo com 2 Coríntios 5.19. O escritor Neil R. Lightfoot observa que alguns comentaristas dizem que o texto quer dizer simplesmente que, através da sua morte, Jesus completou sua obra na terra e que, por isso, teria Ele superado todas as suas limitações. Todavia, Lightfoot destaca que "a palavra aperfeiçoar (traduzida aqui como consagrar), que, com seus cognatos, é característica da epístola, exige mais do que isso. No geral, ela significa concretização ou inteireza; completar algo, pôr em efeito; acabar, por exemplo, uma torre ou obra de arte. Mas o significado aqui é determinado pela Septuaginta, que usa regularmente o termo no Pentateuco para referir-se à consagração dos sacerdotes (Êx 29.9, 29.33,35, etc.). Da mesma forma que, no Velho Testamento, os sacerdotes eram aperfeiçoados ou consagrados por vários rituais, também Cristo, no Novo, foi aperfeiçoado, consagrado ou qualificado. A ideia é que, em separado do sofrimento, Cristo não poderia ter-se tornado um Líder inteiramente eficaz, perfeito, do seu povo".17

"Porque, assim o que santifica com o os que são santificados, são todos de um; por cuja causa não se envergonha de lhes chamar irmãos” (v. 11). Aqui, o autor mostra a fonte de santificação do crente: Cristo. É o sangue de Cristo que nos purifica de todo pecado. Posteriormente, ele vai afirmar que, sem a santificação, ninguém verá o Senhor.

“Dizendo: Anunciarei o teu nome a meus irmãos, cantar-te-ei louvores no meio da congregação” (v. 12). O autor novamente recorre a textos messiânicos para corroborar sua argumentação. No primeiro texto, ele usa o Salmo 22.22. Os evangelistas relacionaram esse salmo com os eventos da crucificação (Mc 15.34). A identificação de Cristo com a raça humana está claramente demonstrada aqui na argumentação do autor de Hebreus. Jesus identifica-se com seus irmãos.

“E outra vez: Porei nele a minha confiança. E outra vez: Eis-me aqui a mim e aos filhos que Deus me deu” (v. 13). O versículo 13 é uma citação de Isaías 8.17. No contexto do livro de Isaías, o profeta demonstra confiança em Deus, mesmo o povo tendo perdido as esperanças. É exatamente essa mesma confiança que o Filho de Deus demonstra. Por outro lado, o versículo 14 é usado pelo autor para, de forma contundente, demonstrar a plena natureza humana de Cristo.

“E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que, pela morte, aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo” (v. 14). Fritz Laubach destaca:

"Cristo se tornou realmente humano. O Novo Testamento enfatiza: O Filho de Deus não permaneceu na glória eterna, mas de forma misteriosa unificou-se plenamente com nossa natureza humana. Cristo assumiu a nossa natureza, para que nós pudéssemos participar de sua natureza divina (2 Pe 1.4)”.18

A palavra "aniquilar" não tem o sentido de "destruir” no original grego, mas, sim, o de “tornar inoperante”, “anular”, "fazer como se não mais existisse”.19  Através da morte e ressurreição de Jesus, Satanás foi destronado (cf. Cl 2.15). A consequência imediata da vitória de Jesus está demonstrada no versículo 15.

“E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão" (v. 15). O cristão não deve mais temer a morte, embora seja ainda necessário passar por ela. Não há mais insegurança e incerteza, já que Jesus, através de sua morte e ressurreição, destronou o poder que ela detinha (1 Co 15.55; 2 Tm 1.10). Cirilo de Alexandria (378-444 d.C.), em seu comentário de Hebreus, escreveu: “Existindo essencialmente com vida, o Logos Unigénito de Deus uniu-se Ele mesmo à carne terrena e mortal, para que a morte, que perseguia o homem como um animal feroz, soltasse a sua presa”.20

“Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão" (v. 16). A morte de Jesus foi pelos homens, e não pelos anjos caídos.

“Pelo que convinha que, em tudo, fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo" (v. 17). A identificação de Jesus com a humanidade é feita pelo autor através da expressão “em tudo, fosse semelhante aos irmãos”. Para salvar os homens, era necessário Jesus tornar-se como eles. Evidentemente, essas palavras do autor não devem ser tomadas em seu sentido literal, pois Jesus não cometeu pecados como os demais homens. Aqui, pela primeira vez nessa carta, o autor usa o termo “sumo sacerdote" em referência à pessoa de Jesus. Trata-se de uma preparação para o que ele tenciona dizer daqui para frente. Ao comentar esse texto, João Crisóstomo (347-407 d.C.) escreveu:

“Não há nos honrado somente com a fraternidade, senão também de diversas maneiras; assim quis se fazer sumo sacerdote ante o Pai, pois acrescenta: 'A fim ser misericordioso e sumo sacerdote fiel nas coisas que se referem a Deus’. Por isso, afirma — assumiu nossa carne não somente por benevolência, senão para ter misericórdia de nós. Certamente, não existe outra causa da redenção; essa somente! Com efeito, nos vê abatidos na terra, perdidos, tiranizados pela morte, e tem misericórdia”21.

“Porque, naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados” (v. 18). Aqui, o autor mostra Jesus como Sumo Sacerdote. Muito mais do que os sacerdotes no Antigo Testamento — que representavam os homens diante de Deus, fazendo intercessão e expiação por seus pecados — Jesus pode socorrer os crentes. Ele conhece nossas vidas e natureza e, por isso, está pronto a interceder por nós.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Jesus, superior aos anjos em sua missão redentora (Hb 2.5-18)
Esta seção dá continuidade ao pensamento iniciado em 1.5-14 a respeito da superioridade do Filho em relação aos anjos, porém sob uma perspectiva diferente. No capítulo 1 a ênfase estava na divindade da natureza do Filho; aqui o enfoque está em sua humanidade e no sofrimento como componentes necessários de sua missão redentora. Os anjos, por um lado, são servos; sua missão para o homem como ‘espíritos ministradores’ é ‘servir a favor daqueles que hão de herdar a salvação’ (1.14). O Filho, por outro lado, é o Salvador; sua missão para o homem como ‘o Príncipe da salvação deles’ (2.10) é ‘salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus’ (7.25). Entretanto, como Salvador, a missão redentora do Filho envolvia tanto a humilhação como a glória.
Como o homem perfeito, Jesus se tornou o verdadeiro representante da raça humana e o cumprimento absoluto do Salmos 8. Somente Ele poderia cumprir ‘o propósito declarado do Criador quando trouxe a raça humana à existência’. Mas, assim fazendo, Ele teve de se identificar plenamente com a condição humana, incluindo o sofrimento humano (cf. Hb 4.15,16; 5.6), a fim de ‘abrir o caminho da salvação para a humanidade e agir eficazmente como o Sumo Sacerdote de seu povo na presença de Deus’. Isto significa que Ele não é apenas aquEle em quem se cumpre a soberania destinada à humanidade, mas também aquEle que, por causa do pecado humano, deve concretizar esta soberania por meio do sofrimento e da morte. Portanto, o Filho, que já foi apresentado como superior aos anjos, teve de ser feito ‘um pouco menor do que os anjos’ (2.7a) antes de poder ser ‘coroado de glória e de honra’ (2.7b) como Senhor sobre todas as coisas” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2 Edição. RJ: CPAD, 2004, pp.1551,52).


Salvação
“1. Sõteria (σωτηρία) denota ‘libertação, preservação, salvação’. O termo ‘salvação’ é usado no Novo Testamento para se referir a: (a) o livramento material e temporal de perigo e apreensão: (1) nacional (Lc 1.69,71; At 7.25, ‘liberdade’); (2) pessoal, como do mar (At 27.34, ‘saúde’); da prisão (Fp 1.19); do dilúvio (Hb 11.7); (b) o livramento espiritual e eterno concedido imediatamente por Deus aos que aceitam as condições estabelecidas por Ele referentes ao arrependimento e fé no Senhor Jesus, somente em quem será obtido (At 4.12), e sob confissão dEle como Senhor (Rm 10.10); para este propósito o Evangelho é o instrumento de salvação (Rm 1.16; Ef 1.13 [...])”. Para conhecer mais leia Dicionário Vine, CPAD, p.967.

“[...] Pela graça de Deus, Jesus provou a morte por todos os homens (Hb 2.9). Três verdades importantes estão sucintamente incorporadas aqui:

1. A morte de Jesus na cruz, para realizar a salvação, foi um ato da graça de Deus.

2. Sua morte foi em favor de (byper) cada pecador; um claro ensino de Hebreus é que sua morte foi uma expiação substitutiva pelo nosso pecado (cf. 5.1; 7.27).

3. Sua morte não foi uma ‘expiação limitada’ — isto é, para algumas pessoas seletas, como alguns reivindicam — mas Ele provou temporariamente a morte por todos os homens. Sua morte é de proveito para todo aquele que por fé se submete a Ele como Senhor e Cristo.

Para os judeus daqueles dias, a ideia de um Messias em sofrimento era detestável e a reivindicação cristã de que isto convinha, deveria ser vista contra este panorama. Qualquer que seja a razão para a cruz, não há dúvida alguma de que tais fatos revelam a natureza de Deus. É neste sentido que ‘convinha’ que as coisas ocorressem como de fato ocorreram” (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Ed.). Comentário Bíblico Pentecostal Novo Testamento. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2004, p.1553).

Notas
1 BAUER, Walter. A Greek-English Lexicon o f the New Testament and Other Early Christian Literature. The University of Chicago Press. EUA, 1979.
2 BUCHANAN, George Wesley. To The Hebrews - The Anchor Bible. Doubleday & Company, INC. Garden City, Nova York, EUA, 1972.
3 RIENECKER, Fritz. Chave Linguística do Novo Testamento Grego. Vida Nova.
4 DELITZSCH, Franz. Commentary on the Epistle to the Hebrews. Nova York, 1857.
5 BUCHANAN, George Wesley. To The Hebrews - The Anchor Bible. Op.cit. pp.24,25.
6 HUGO, M. Petter. Concordancia Greco-Espanola del Nuevo Testamento. Editorial CLIE, Barcelona, Espafta.
7 TAYLOR, Richards. Diccionario Teológico Beacon. Casa Nazarena de Publicaciones. Lenexa, Kansas, EUA, 1984. Taylor sublinha que a doutrina da segurança eterna, "uma vez salvo, salvo para sempre”, originou-se com João Calvino (Aí Institutas 3.21.5). Se a salvação é por decreto, como dizia Calvino, então os eleitos serão salvos sem importar o que façam ou deixem de fazer. Alguns textos, fora do contexto, são usados como prova: em João 10.27-29, o contexto deixa claro que é aplicado às ovelhas, que, de forma contínua e habitual, seguem o Senhor e são por Ele guardadas. Evidentemente, essa passagem não se aplica aos que, por vontade própria, desviaram-se; Rm 8.35-39 - nesse texto, é dito que nenhuma “criatura” pode nos separar do amor de Deus. Evidentemente que Paulo não estava referindo-se ao pecado, que a Escritura claramente declara que tem o poder de separar o homem de Deus (Is 59.1-2); Filipenses 1.6 - há dezenas de passagens que esclarecem o sentido dessas escrituras: (Ez 18.24; Mt 18.21-35; Lc 8.13; 12.42-47; Jo 15.2, 6; At 1.25; Rm 11.20-22; 1 Co 8.10-11; 9.27; 10.12; G1 5.1, 4; Ef 5.5-7; 1 Tm 4.1; Hb 6.4-6; 10.26-29; Tg 1.14-16; 2 Pe 2.18-22; 1 Jn 2.4; 3.8-9; 2 Jo 8-9; Jd 4-6; Ap 3.11; 218; 22.19).
8 DATTLER, F. A Carta aos Hebreus. Edições Paulinas, São Paulo, 1980.
9 WALTKE, Bruce K. Os Salmos Como Adoração Cristã - um comentário histórico. Shedd Publicações, São Paulo.
10 KEENER, C. S. Hebreos - Comentário dei Contexto Cultural de la Bíblia. Editora Mundo Hispano, Texas, USA.
11 MILLOS, Samuel Perez. Hebreos - Commentario Exegetico ao Texto Griego dei Nuevo Testamento. Editorial CLIE, Madrid, Espana.
12 BRUCE, F.F. La Epistola a los Hebreos. Libros Desafio, Grand Rapids, Michigan. Usa.
13 BOYD, Ricardo Garrett. Hebreos, Santiago, 1 y 2 Pedro, Judas - comentário bíblico mundo hispano. Editorial CLIE. El Paso, Texas, USA.
14 O escritor John MacArthur, em seu comentário de Hebreus, força o texto a dizer o que ele evidentemente não está dizendo. Ao comentar o versículo 9, onde se refere à morte de Cristo, ele diz que esse sacrifício foi somente "por todos os que creem”. Com isso, ele quer dizer “todos os eleitos". Continuando, diz: “A morte de Cristo é aplicada eficazmente àqueles que vêm a Deus, de forma arrependida e com fé, pedindo a graça da salvação e o perdão dos pecados” (MacArthur, John. Hebreus - Cristo: Sacrifício perfeito, perfeito sacerdote. Editora Cultura Cristã).
MacArthur acredita que a salvação é limitada, alcançando somente aqueles que são predestinados a serem salvos. Ninguém mais, mesmo se quisesse, não poderia ser salvo porque já estaria decretado a sua condenação desde a eternidade! Deus não amou a todos, mas somente àqueles a quem Ele escolheu, o que contraria as palavras do Evangelho (Jo 3.16). Ao contrário do que diz MacArthur, o Novo Testamento afirma que é, sim, a vontade de Deus salvar a todos o que vierem a Cristo arrependidos e com fé (Jo 1.12; 1 Tm 2.4). É lógico que o texto de Hebreus 2.9 não está dizendo que Cristo provou a morte somente pelos "que creem", isto é, os eleitos, como afirma MacArthur, mas por "todos” (gr. pantos), ou seja, todos os homens, numa clara referência à humanidade.
A expressão "que creem” é um artifício criado e acrescentado ao texto. Não faz parte da redação original. Ao dizer que a morte de Cristo é aplicada eficazmente aos que vêm a Deus, apenas perpetua um artifício criado na teologia pós-reforma para dizer que a expiação é limitada e a graça é irresistível. Falta, portanto, responder: Se as pessoas não podem resistir à graça de Deus porque elas foram salvas por um decreto de Deus ainda na eternidade, então para que serve a morte de Cristo na cruz? Essas pessoas não estariam salvas da mesma forma desde a eternidade? Essa é uma aporia insuperável quando se tenta forçar a teologia bíblica se ajustar a esse tipo de raciocínio.
15 Em seu comentário de Hebreus, Stuart Olyott, ao comentar Hebreus 2.9, observa que o autor dessa carta, quando diz que Jesus morreu por todo homem, "não é possível que esteja dizendo que Ele [Jesus] tenha morrido por cada indivíduo sobre a face da terra. Isso contraria o ensino claro da Escritura em outros lugares, significando que os pecados de todas as pessoas já foram expiados, resultando na salvação de cada ser humano” (OLYOTT, Stuart. A Carta aos Hebreus Bem Explicadinha. Editora Cultura Cristã, pp. 26,27). Essas palavras de Olyott evidentemente não refletem a mensagem do Evangelho, mas apenas uma tradição teológica pós-reforma. Não há nada no Novo Testamento que diga que a salvação seja apenas para alguns. O testemunho bíblico é que a salvação é para todos. A graça de Deus é para todos, e a expiação é universal (Tt 2.11; Lc 10.19; Jo 5.24; 3.36). Limitar a salvação a uma meia dúzia de eleitos, como quer Elyott, pelo simples fato de que uma expiação ilimitada implicaria necessariamente em um universalismo, é um argumento fraco e sem contexto bíblico. A expiação de Cristo proveu a salvação para todos os homens, mas isso não significa que todos serão salvos, pelo simples fato de que nem todos aceitarão ou crerão na mensagem do evangelho. E não crerão, não pelo fato de já estarem predestinados para isso, mas, sim, pela incredulidade e dureza de seus corações (At 7.51).
16 (1 CLARKE, Adam. Hebreos - Comentário de la Santa Bíblia, tomo III - Nuevo Testamento. Casa Nazarena de Publicaciones, Lenexa, Kansas, USA.
17 LIGHTFOOT, Neil R. Hebreus - Comentário Vida Cristã, Op.cit.
18 LAUBACH, Fritz. Carta aos Hebreus - Comentário Esperança. Editora Esperança.
19 KITTEL, Gherard. Theological Dictionary oj the New Testament. Eerdmans, EUA.
20 ALEXANDRIA, Cirilo. Fragmentos a la Carta a los Hebreosde San Pablo. La Biblia Comentada por Los Padres de La Iglesia.
21 CRISÓSTOMO, Juan. Sobre la Carta a los Hebreos - La Biblia Comentada por Los Padres de La Iglesia. Editora Ciudad Nueva.

Fonte:
Lições Bíblicas 1º Trim.2018 - A supremacia de Cristo - Fé, esperança e ânimo na Carta aos Hebreus - Comentarista: José Gonçalves
Livro de Apoio – A Supremacia de Cristo - Fé, Esperança e Ânimo na Carta aos Hebreus - José Gonçalves
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quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

O nascimento de Jesus segundo o Evangelho de Mateus

“Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de EMANUEL. (EMANUEL traduzido é: Deus conosco)” Mt 1.23


“A genealogia de José é apresentada em Mateus 1”
“Ele era carpinteiro (Mt 13.55) que vivia em Nazaré (Lc 2.4). Mas, como descendente de Davi, sua casa ancestral estava em Belém. Estava noivo de Maria na época em que Jesus foi concebido pelo Espírito Santo. Ao saber que Maria estava grávida, quis evitar que ela fosse exposta à vergonha pública, embora cogitasse divorciar-se e despedi-la secretamente. Mas em um sonho foi informado por Deus que a concepção de Maria era divina e foi encorajado a se casar com ela. Para se registrarem e pagarem o imposto real, ele e Maria foram a Belém, onde Jesus nasceu. José é mencionado juntamente com Maria e Jesus na visita dos pastores (Lc 2.16) e na apresentação de Jesus no Templo (Lc 2.27). Em um sonho, Deus instruiu José a fugir da ira de Herodes, ir para o Egito, e lá permanecer durante algum tempo. A última participação de José é mencionada no evento dos Evangelhos relacionado com a visita feita à festa anual em Jerusalém, quando Jesus tinha 12 anos de idade (Lc 2.41-52). Ele não foi incluído com Maria e seus filhos em Mateus 12.46-50. Embora João 6.42 possa indicar que José ainda tivesse vivo durante parte do ministério de Jesus. José não aparece na crucificação quando Jesus entregou sua mãe aos cuidados do apóstolo João (Jo 19.26,27), portanto podemos concluir que José havia morrido antes desse acontecimento” (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2009, p.1092).

A concepção de Jesus se deu por uma ação divina. Foi o resultado da ação direta do Espírito Santo sobre Maria, a serva do Senhor.

Texto Bíblico: Mateus 1.18-25

INTRODUÇÃO

Os judeus convertidos ao cristianismo tinham dificuldades para se comunicar e relacionar com seus patrícios, praticantes do judaísmo, pois estes não aceitavam Jesus como o Messias prometido. Mateus busca o diálogo com os judeus a fim de demonstrar a relação entre Jesus e o Messias prometido nas Escrituras. Ele dá ênfase à figura do Salvador da humanidade, aquEle que implantaria o Reino dos Céus, mostrando que este Reino seria eterno e universal.

Nesta lição, estudaremos a respeito do casal que foi escolhido para serem os pais terrenos de Jesus. Também veremos como se deu a concepção sobrenatural do Messias.

I. MARIA, A ESCOLHIDA PARA SER A MÃE DE JESUS

1. Uma mulher daria à luz o Messias prometido.
Na época do nascimento de Jesus, entre os judeus, existia uma grande expectativa messiânica, pois acreditavam que o Messias os libertaria da opressão romana. As mulheres judias tinham a esperança de serem escolhidas para tamanha honra, de ser mãe da figura mais esperada de seu povo. Esta expectativa surgiu, principalmente, pela influência da literatura apocalíptica, que surgiu cerca de dois séculos antes de Jesus.

O texto messiânico mais expressivo para demonstrar essa realidade é Isaías 7.14-16, complementado por Isaías 9.1-6. Maria teve o privilégio de dar à luz o menino Jesus, o verdadeiro Messias, que Israel esperava. Assim, Maria foi a protagonista de uma das mais especiais promessas de Deus. Ela foi o instrumento pelo qual Deus se fez presente, morando junto com o seu povo (Emanuel).

2. Uma mulher escolhida para ser agraciada.
A igreja católica usa o termo “imaculada conceição” em referência a Maria. Esse termo é utilizado erroneamente por eles em uma referência à concepção da própria Maria. Segundo a crença católica, ela foi preservada da mancha do pecado original desde a sua concepção.

3. Uma mulher que diz sim para o plano divino.
Maria realmente foi agraciada em ser escolhida para ser a mãe de Jesus Cristo. Todavia ela estava na mesma condição de qualquer outro ser humano: separada de Deus. Portanto, totalmente dependente do ato salvífico de Cristo na cruz como qualquer um de nós. Paulo afirma em Romanos 3.10 que: “[...] Não há um justo, nem um sequer”. Este texto ratifica a dependência humana da salvação por meio de Cristo, incluindo Maria.

No plano de Deus, a virgem Maria estava destinada a ser a mãe do Cristo, o Messias e Salvador. Maria aceitou sem nenhuma restrição o convite de Deus feito por intermédio do anjo. Ela responde com firmeza, se colocando na posição de serva e se submetendo a tudo.

Maria foi agraciada e escolhida para ser a mãe de Jesus Cristo. No entanto, não recebeu nenhuma autoridade para ser mediadora entre o ser humano e Deus.

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II. JOSÉ, ESPOSO DA MULHER QUE CARREGOU JESUS EM SEU VENTRE

1. José um homem honrado e de bom caráter.
O casamento de José e Maria seguiu a tradição cultural judaica. O marido tinha o direito de anular o casamento caso fosse comprovado que a jovem não era mais pura (virgem). Assim, José era obrigado a tornar público o fato de Maria ter engravidado antes do casamento ter sido consumado. Maria seria envergonhada, punida e o compromisso firmado entre eles seria desfeito. No entanto, orientado divinamente, José toma Maria como sua esposa. Mas ele somente conheceu Maria como esposa após o nascimento de Jesus. Isso mostra que José era um homem honrado, bondoso e obediente a Deus.

2. José une Jesus à tradição messiânica davídica.
No relato de Mateus, um anjo aparece a José em sonho. Essa forma de revelação faz referência à tradição dos patriarcas em relação à comunicação com Deus.

José também recebeu um papel próprio e importante no plano divino de salvação. Ele teve o privilégio de cuidar e educar o Filho de Deus. José educou Jesus segundo a tradição judaica. No entanto, isso não o torna “canônico” e com autoridade de intermediar, diante de Deus, benefícios para os seres humanos, como alguns creem.

A filiação de Jesus por intermédio de José lhe garante o título de “Filho de Davi”, ligando-o à tradição messiânica davídica. Jesus, como descendente de Davi é rei (Mt 1.1; 2.2). No entanto, o que confundiu os judeus, a ponto de cegá-los para que não aceitassem a Jesus como o verdadeiro Messias é que o seu Reino não era deste mundo, por isso, não visava a glória humana, mas sim a justiça e a bondade divina.

3. O filho de José é Rei de justiça e bondade.
O modelo imperial existente na época do nascimento de Jesus era exercido com o poder patriarcal irrestrito, tanto em Israel como nas demais nações. Mas Jesus propõe um governo com estruturas mais justas (Mt 11.25-27; 12.46-50).

Jesus, como Rei, fez uma releitura de alguns ícones do judaísmo, como por exemplo: das tradições já existentes (Mt 5.21-48), da vontade de Deus que era desde o começo (Mt 19.3-6), dos ensinamentos de Moisés (Mt 8.1-4), de Davi (Mt 12.3; 22.42-45) e dos profetas (Mt 9.10-13). Os líderes religiosos judeus, contemporâneos de Jesus, acreditavam que a justiça era baseada somente no cumprimento da Lei segundo suas interpretações e tradições. Então, Jesus questiona a falsa religiosidade e as práticas religiosas opressoras e enganosas desses líderes. Ele faz advertências rígidas contra o abuso de poder, a luxúria, o adultério, o divórcio, a avareza e a exploração dos pobres (Mt 5.27-32; 6.19-34; 19.3-12, 6-30). Assim, os valores e princípios do seu reino eram diferentes dos reinos terrenos.

Leia também:

Pense!
José, ao receber Maria grávida, a honrou e a conheceu somente após o nascimento de Jesus. Jovem, você teria essa disciplina?

Ponto Importante!
As atitudes de José demonstravam que ele era um homem honrado e, junto com a jovem Maria, recebeu a glória e a responsabilidade de criar o Filho de Deus.


III. A CONCEPÇÃO VIRGINAL DE JESUS CRISTO

1. Um nascimento diferente dos relatos míticos.
Existem algumas alegações errôneas e não bíblicas de que a concepção virginal de Cristo foi baseado no relato de mitos pagãos, todavia Mateus afirma que Maria simplesmente “achou-se ter concebido do Espírito Santo” (Mt 1.18).

2. A concepção virginal de Jesus.
Para comprovar o plano divino do nascimento virginal, Mateus não recorre à mitologia e sim ao profeta Isaías: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14).

3. A origem divina de Jesus.
Quando se fala de concepção virginal, o que está em questão é a preservação da virgindade de Maria no processo da concepção. Mateus evidencia a origem divina de Jesus por meio da narrativa da concepção sem ação humana e unicamente pela ação divina, independente do casal escolhido para a missão de criar e educar o Messias prometido. Assim, Jesus é apresentado como o Messias divino no qual se cumpriram as profecias do Antigo Testamento.

Após o nascimento de Jesus, Maria e José tiveram vários filhos (Mt 13.55).

Leia também: 

Ponto Importante
As redes socais têm sido um meio eficaz utilizado por pessoas incrédulas, para contestar as doutrinas cristãs a respeito da concepção divina de Jesus. Todavia, também podem ser usadas para evangelizar, anunciando que Jesus Cristo é o Salvador e o único caminho que nos conduz até Deus.


CONCLUSÃO

Aprendemos que Maria e José eram tementes a Deus e foram agraciados por Ele para serem os pais terrenos de Jesus. No entanto, eram pessoas comuns, pecadoras e desprovidas de poder para intermediação diante de Deus. Vimos também que a concepção de Jesus não está baseada em mitos, mas foi uma ação divina.


SUBSÍDIO
“Não há nenhum justo sequer (Rm 3.10-12).
A partir deste verso o autor faz vários recortes do Antigo Testamento, chamando assim, a escritura judaica para testemunhar a culpa universal, tanto de judeu como dos gentios. Inicia citando Salmos 14.1-3 para demonstrar que toda humanidade estava corrompida pelo pecado. Paulo não traz algo novo, mas busca do próprio texto sagrado para os judeus, em que se diziam mestres e conhecedores. Todavia, faltava a eles uma correta interpretação das escrituras. [...] O apóstolo indiretamente já havia afirmado a culpabilidade universal, mas aqui, embasado pelo Antigo Testamento, enfatiza que ninguém consegue ser justo por si mesmo, pois a natureza humana é má. Por isso, é preciso entender que ninguém é melhor do que o outro e que a alternativa para o bem-estar da humanidade é adotar uma posição de humildade e misericórdia. O único que foi justo por mérito próprio foi Jesus, e Ele não se considerou superior, nem desprezou as pessoas por isso. Pelo contrário, Cristo tratou as pessoas como iguais, incluindo os que eram considerados excluídos no seu convívio” (NEVES, Natalino das. Justiça e Graça: Um Estudo da Doutrina da Salvação na Carta aos Romanos. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2015, p.42).

Fonte: Lições Bíblicas Jovens - 1º Trimestre de 2018 - Título: Seu Reino não terá fim — Vida e obra de Jesus segundo o Evangelho de Mateus - Comentarista: Natalino das Neves

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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O Paciente e o Psiquiatra

"Jesus, porém, olhando para eles, disse: Para os homens é impossível, mas não para Deus, porque para Deus todas as coisas são possíveis." Marcos 10:27

Momento de Reflexão:

Um paciente diz ao psiquiatra:

– Toda vez que estou na cama, acho que tem alguém embaixo. Aí eu vou embaixo da cama e acho que tem alguém em cima... para baixo, para cima, para baixo, para cima.

...Estou ficando maluco!

– Deixe-me tratar de você durante dois anos. Venha três vezes por semana e eu curo este problema, diz o psiquiatra.

– E quanto o senhor cobra? – pergunta o paciente.

– R$ 120 por sessão – responde o psiquiatra.

– Bem, eu vou pensar – conclui o sujeito.

Passados seis meses eles se encontram na rua:

– Por que você não me procurou mais? – pergunta o psiquiatra.

– A R$ 120,00 a consulta, três vezes por semana, durante dois anos, daria R$ 37.440,00. Ia ficar caro demais. Aí um sujeito me curou por 10 reais.

– Ah é? Como? – pergunta o psiquiatra.

– Por 10 reais ele cortou os pés da cama!!!

Muitas vezes o problema é sério, mas a solução pode ser muito simples. Há uma grande diferença entre foco no problema e foco na solução. Concentre-se na solução ao invés de ficar pensando no problema.
texto de domínio publico

Confie no SENHOR!

"Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o Seu entendimento é infinito." Salmos 147:5

Não estamos aqui censurando qualquer atitude dos profissionais aplicados para ajudar ao próximo, alias temos profissionais exemplares. Estamos somente refletindo um pouco e querendo mostrar que, com JESUS, toda e qualquer situação muda, pois Sua Palavra é Poderosa. Ore! Ore! e Ore! ELE ouve vossa oração.

"E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível." Mateus 19:26


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