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quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FORÇA CHAPE!

Avião da Chapecoense cai na Colômbia

Esta terça-feira (29/11/2016), amanheceu como uma tragédia noticiada: a queda do avião que levava o time de futebol da Chapecoense. A aeronave boliviana da companhia regional 'LAMIA Airlines', foi alugada pela equipe e acabou caindo em Medellín, Colômbia, por volta de 22h15 (horário da Colômbia) e 1h15 (horário de Brasília).

A aeronave que transportava 72 passageiros tinha perdido o contato com a torre de transmissão do aeroporto e caiu na região do Rio Negro. Conforme o departamento de aviação civil do país, também havia nove tripulantes no avião.

A delegação da Chapecoense havia partido do Aeroporto de Guarulhos na última segunda-feira (28), à tarde. O voo da delegação fez escala em Santa Cruz de la Sierra e depois partiu para a Colômbia.

Um daqueles momentos que nos fazem acreditar na Humanidade

Terça-feira, 29/11/16, o dia amanheceu triste. Exageradamente triste. As notícias estavam todas concentradas na queda do avião que levava o time da Chapecoense. Mais de 70 mortos. Famosos e anônimos. Projetos, sonhos, metas, objetivos, alegrias, sucessos, esperanças. Tudo isso caiu quando caiu o avião. Não demorou muito e o assunto do dia no mundo inteiro era a queda do avião.

Então, independente de qualquer apelo – eventos assim não precisam de apelo, afinal, já são em si o próprio apelo – começamos a ver nas redes sociais, nas pessoas, nas entrevistas, nos gestos, nas lágrimas, na solidariedade, o melhor lado que o ser humano pode manifestar, o lado da empatia, do querer ajudar, do buscar consolar.

O time adversário que disputaria a final, abriu mão do título e o ofereceu a Chapecoense, num gesto singular e nobre. Atletas e autoridades do mundo inteiro se manifestaram. Amigos e clientes meus, dentre os quais alguns que nem gostam de futebol, testemunharam sua dor e impacto com o ocorrido. Mensagens, cartas, de todas as formas, de todos os jeitos e por todo tipo de pessoa com manifestações de pesar e dor foram chegando, tudo simbolizando um grande abraço universal, onde diferenças, cores, credos, línguas, culturas, status, posições, cargos, enfim, onde toda a pluralidade possível desceu para um nível inferior, dando lugar à singularidade da vida que, no final de todas as coisas como as conhecemos, é o que de fato importa.

Twitter oficial do Atlético Nacional confirmando a informação de que pediu
para que o título sul-americano fosse dedicado à Chapecoense. (Imagem: Twitter)
Era para ser só mais uma terça. Mas não foi. A tragédia parou as redações, as reflexões, o corre-corre, alterou prioridades, modificou agendas. Embora o caos social, político e econômico que vive o mundo como um todo, o ser humano percebe quando sua fragilidade é exposta. Percebe claramente quando sua independência e segurança não passam de um vento. O ser humano se encolhe na alma, se recolhe no coração com suas dores, se internaliza frente ao quadro que expõe o fim abrupto, sem aviso, sem preparo, sem apelação. Tudo isso faz pensar, rever, reconsiderar e ressignificar nossa curta e veloz vida.

É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã porque nunca saberemos quando termina nosso voo pessoal. Porém afirmo, é preciso amar as pessoas exatamente porque existirá um amanhã. E a linguagem do amor, a comunhão em amor, o amar a Deus e ao próximo como a nós mesmos, o tolerar e suportar em amor, o perdoar em amor, tudo isso compõe o caminho do amor, que é o único que nos fará chegar num reino de amor.

Tal reino tem um Rei e Ele é identificado e explicado numa frase simples, que todo leigo ou teólogo entende, que todo ateu ou crente entende, que toda criança ou sábio entende, essa frase simplesmente afirma que “Deus é amor”. A expressão verdadeira e encarnada do amor é uma pessoa: Jesus. Ele sabe a dor que sentimos ao perder amados em tragédias, leitos hospitalares, acidentes os simplesmente pela velhice que chegou, Ele sabe. Mas Ele abriu um caminho excelente, pelo qual um dia voaremos para Ele e com Ele.

Conforto e consolo é nossa oração para os sobreviventes e familiares da tragédia que marcou esta terça. Frente a mais absoluta falta de capacidade para saber como será nosso minuto seguinte, se com vida ou não, precisamos reverenciar e respeitar mais o nosso agora, é tudo o que temos, é onde podemos de alguma forma ofertar nosso melhor. Pena que nosso melhor, na maioria das vezes, teime em aparecer somente nos momentos de dor, de perda, de desgraça. Temos enfim um lado bom como seres humanos, nossa alma clama por vida, por afeto, por cuidado, por justiça, por dignidade, por amor. Tudo isso, com a queda do avião, ficou latente, veio à tona através de palavras, gestos e atitudes que emocionam e nos fazem crer na humanidade. Será que não poderia ser sempre assim? Ou será que precisaremos de novas tragédias para novas manifestações de ajuda, de compaixão, de amor?
Paz!

por EDMILSON FERREIRA MENDES

FONTE: GUIAME

Aqui eu Aprendi!

Nossos sinceros sentimentos. Que o Senhor Jesus conforte os corações de todos os amigos e Familiares. Continuemos em oração!


veja também:  O adeus de Chapecó a seus heróis

Aqui eu Aprendi!

domingo, 27 de novembro de 2016

Morre Teólogo Dr. Russell Phillip Shedd

Russell Phillip Shedd 
10 /Novembro/ 1929  -  26 /Novembro/ 2016

Russell Shedd. (Foto: Consciência Cristã)
Uma vida de amor à Palavra de Deus

Neste início da madrugada o Dr. Shedd meu sogro foi calmamente para os braços do Pai. As 00:40 de hoje, sábado dia 26 de novembro de 2016 aos 87 anos, ele deu seu último suspiro no seu vaso de barro desta terra caída para ser abraçado pelo Pai que o queria juntinho ao seu lado! Pr. Edmilson F. Bizerra

"Foi exemplo extraordinário de uma vida de amor à Palavra. A literatura e o ensino teológicos no Brasil devem muito à incansável, inspiradora e comovente dedicação desse grande servo de Deus" trecho da nota oficial da Editora Vida Nova

Na manhã deste sábado (26), o mundo acordou lamentando a morte de um dos maiores missionários e teólogos dos últimos tempos. Russell Shedd faleceu aos 87 anos, na madrugada deste sábado, ao lado de seus familiares, em sua casa, em São Paulo.

Shedd havia se submetido a um tratamento de câncer de próstata em agosto deste ano, conforme ele mesmo disse em depoimento ao site da Igreja Batista Getsêmani.

Após uma recente piora no estado de saúde de Russell Shedd, sua família decidiu manter-se unida para apoiar o pastor, em sua casa e aguardar o momento de sua partida.

Antes do anúncio oficial de seu falecimento, notícias sobre sua morte foram divulgadas nesta sexta-feira (25) em grupos do Whatsapp e até mesmo em alguns sites. No entanto, a Editora Vida Nova (co-fundada por Shedd) havia comunicado à equipe do Portal Guiame que esta informação não procedia naquele momento.

O pastor foi recentemente visitado por amigos, como o pastor Luiz Sayão, que comentou o estado de saúde de Shedd e expressou sua gratidão pela vida de quem ele considera como seu mestre.

"Depois de visitar o irmão Shedd ontem, agradecido pela vida daquele que mais me ensinou em toda a minha vida. Ele está indo para casa. Só posso chorar", disse ele nas redes sociais.

Em nota oficial, a Editora Vida Nova lembrou do pastor Shedd como um homem apaixonado pela pregação do evangelho. [1]

Nota Oficial publicada pela Editora Vida Nova

Com enorme pesar, informamos que nosso fundador e presidente emérito, o dr. Russell Phillip Shedd, faleceu na madrugada de hoje.

O velório será nos dias 27, 28 e 29 na Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão, Rua Tito 240, Vila Romana – São Paulo. O enterro será na próxima quarta-feira (30/11) no Cemitério da Paz, Rua Doutor Luiz Migliano, 644, São Paulo.

Horários:
Domingo dia 27 – velório: 10h00 às 20h00 – cultos: 10h00 e 18h00
Segunda-feira – velório: 9h00 às 19h00 – culto: 12h00
Terça-feira – velório: 9h00 às 19h00 – culto: 12h00
Quarta-feira – enterro: 14h00

Juntamente com a igreja brasileira, lamentamos profundamente a perda deste servo valoroso, que deixará uma lacuna irreparável. Ainda assim, alegramo-nos no Senhor por saber que ele, tal como o Apóstolo Paulo, combateu o bom combate, terminou a carreira, guardou a fé e tem reservada para si a coroa da justiça.

Fiel mensageiro da Palavra, o dr. Shedd foi incansável em seu ministério, tendo percorrido todo o Brasil como conferencista e professor, pregando e palestrando em congressos, igrejas, seminários e faculdades de Teologia. Foi exemplo extraordinário de uma vida de amor à Palavra. A literatura e o ensino teológicos no Brasil devem muito à incansável, inspiradora e comovente dedicação desse grande servo de Deus.

Ele deixa a esposa, dona Patricia Shedd, com quem foi casado por 59 anos, além de 5 filhos (Timothy, Nathanael, Pedro, Helen e Joy), 14 netos (Laura, Kelley, Rebecca, Katherine, Leander, Cayenne, Henry, Jonathan, Michael, Stephanie, Evelyn, Scott, Susan e Katie) e uma bisneta (Izabella).

O velório será a partir de amanhã (27/11) na Igreja Bíblica Evangélica da Comunhão, Rua Tito 240, Vila Romana – São Paulo. O enterro será na próxima quarta-feira (30/11) no Cemitério da Paz, Rua Doutor Luiz Migliano, 644, São Paulo.

Em breve daremos mais detalhes.

Um breve relato da vida e da obra de Russell Shedd

Russell Phillip Shedd nasceu em Aiquile, pequena cidade boliviana, no ano de 1929. Aos dez anos de idade, já falava espanhol, inglês e aprendera também o dialeto local. A semente de seu amor à Palavra germinou já na mais tenra infância, quando o menino acompanhava os pais, Leslie e Della Shedd, ambos missionários, em percursos evangelísticos pelas aldeias da Bolívia.

No início da adolescência, volta com os pais e irmãos para os Estados Unidos e cursa o segundo grau em duas instituições: Westervelt Home e Wheaton College Academy. Depois disso, a profunda sede pelo conhecimento da Palavra leva o jovem Shedd a uma intensa jornada de cursos. Primeiro, estuda Teologia no Wheaton College, onde recebe o grau de bacharel com especialização em Bíblia e Grego. Depois, decide fazer um mestrado em estudos do Novo Testamento na Wheaton College Graduate School. Muda-se então para o estado da Filadélfia e matricula-se no Faith Seminary, onde adquire o título de mestre em Teologia, em 1953. Dois anos depois, aos 25 anos de idade, conquista o grau de doutor em Filosofia (PhD) na renomada Universidade de Edimburgo, na Escócia. Em 1955, volta para os Estados Unidos e aceita o cargo de professor no Southeastern Bible College, em Birmingham, no estado do Alabama, onde conhece uma aluna, Patricia Dunn, com quem viria a se casar em 22 de junho de 1957.

Tendo os olhos e o coração voltados para a obra missionária, em 1959 o jovem casal é enviado pela Conservative Baptist Foreign Mission Society (CBFMS) para Portugal. Ali, Russell Shedd recebe com grata satisfação o encargo de acompanhar um ministério de literatura em formação. Denominado “Edições Vida Nova”, esse ministério fora fundado com o propósito de fornecer textos teológicos básicos e obras de referência bíblica para estudantes, professores e pastores.

Passados três anos, Russell Shedd e os demais missionários notaram que o programa de publicações sofria duas sérias limitações: os altos custos de impressão e a baixa e lenta demanda dos livros na minúscula comunidade evangélica portuguesa. Após muitas orações e deliberações, os olhos dos missionários voltam-se para um país do outro lado do Atlântico, com uma comunidade evangélica maior e em franco crescimento, contando ainda com a possibilidade de baixos custos na produção editorial. O plano inicial era que Russell Shedd ficasse dois anos no Brasil com o objetivo de implantar uma ação editorial em São Paulo e depois voltasse para Portugal.

Em agosto de 1962, o casal Shedd chega ao Brasil, onde permanece, sem retornar a Portugal, e onde Russell Shedd passa a ensinar e a inspirar amor à Palavra de Deus, dando continuidade ao ministério de Edições Vida Nova. Ele sempre se dedicou de corpo e alma ao estudo e ao ensino das Escrituras, seja na área do ensino teológico, seja na área de publicação de livros evangélicos que facilitassem a compreensão e o conhecimento das Escrituras, sendo mais de 25 deles de sua autoria. Por muito tempo esteve à frente do ministério de Edições Vida Nova e, embora há vários anos tivesse passado a presidente emérito, jamais deixou de amar e participar dessa obra. Também atuou como consultor da Shedd Publicações. Sua influência perdura até hoje mesmo depois de aposentado, sendo um ativo influenciador de líderes e membros da igreja brasileira.

Na Faculdade Teológica Batista de São Paulo foi professor de Novo Testamento e diretor do Departamento de Novo Testamento e Exegese. Lecionou também em outras renomadas instituições ao redor do mundo.

Somos profundamente gratos a Deus pela forma maravilhosa em que usou o dr. Shedd para influenciar e impactar a todos a quem ele teve a oportunidade de discipular, usando-o também por meio de aulas e palestras e dos muitos livros escritos ou editados por ele. Com certeza, seu exemplo e ensino serão seguidos por muitos anos. Todos os que o conheceram só podem dizer, juntamente com ele, Soli Deo gloria! - Site Editora Vida Nova

Fonte:
[1] com informações Portal Guiame
Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

A Adoração Integral ensinada por Jesus

[...] amá-lo de todo o coração, e de todo o entendimento, e de toda a alma, e de todas as forças e amar o próximo como a si mesmo é mais do que todos os holocaustos e sacrifícios” Mc 12.33

Texto Bíblico: Lucas 10
25 — E eis que se levantou um certo doutor da lei, tentando-o e dizendo: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
26 — E ele lhe disse: Que está escrito na lei? Como lês?
27 — E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento e ao teu próximo como a ti mesmo.
28 — E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso e viverás.
29 — Ele, porém, querendo justificar-se a si mesmo, disse a Jesus: E quem é o meu próximo?
30 — E, respondendo Jesus, disse: Descia um homem de Jerusalém para Jericó, e caiu nas mãos dos salteadores, os quais o despojaram e, espancando-o, se retiraram, deixando-o meio morto.
31 — E, ocasionalmente, descia pelo mesmo caminho certo sacerdote; e, vendo-o, passou de largo.
32 — E, de igual modo, também um levita, chegando àquele lugar e vendo-o, passou de largo.
33 — Mas um samaritano que ia de viagem chegou ao pé dele e, vendo-o, moveu-se de íntima compaixão.
34 — E, aproximando-se, atou-lhe as feridas, aplicando-lhes azeite e vinho; e, pondo-o sobre a sua cavalgadura, levou-o para uma estalagem e cuidou dele;
35 — E, partindo ao outro dia, tirou dois dinheiros, e deu-os ao hospedeiro, e disse-lhe: Cuida dele, e tudo o que de mais gastares eu to pagarei, quando voltar.

INTRODUÇÃO

Jesus, através de sua vida, demonstra que adorar a Deus é muito mais do que cumprir exigências cerimoniais; louvar ao Criador envolve a totalidade de nosso ser: todo nosso espírito, alma e corpo. Logo, se é tudo o que somos, a adoração está ligada também com nossos relacionamentos. Deste modo, a maneira pela qual nos relacionamos com as pessoas denuncia se somos ou não adoradores. Partindo da célebre parábola de Jesus, em Lucas 10, refletiremos nesta lição a respeito do caráter integral da verdadeira adoração a Deus.

“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Mateus 22:37-39

Que tipo de pessoa nossa jornada de adoração tem nos tornado? Cotidianamente, aproximamo-nos de Deus – através de um relacionamento pessoal, íntimo e real – ou temos nos transformado em peritos da legislação religiosa? A radicalidade com que Jesus encara a espiritualidade é algo impressionante; para o Mestre não há concessões no trato com os meros religiosos, e isso fica muito explícito naquela que é uma das mais célebres parábolas registradas no Evangelho.

A parábola de Lucas 10, sobre o homem assaltado e abandonado, nos leva a reflexão sobre o real valor da humanidade. Ninguém deve perceber-se superior ao outro, isto porque, na perspectiva neotestamentária, não há hierarquia entre os homens. O pecado que maculou a humanidade, tornou-nos a todos indignos, universalmente. As contingencias da existência fazem com que alguns possuam melhores condições econômicas ou culturais para viver, isto, todavia, não segmenta ou elege pessoas melhores que as outras, apesar das pessoas ou dos sistemas religiosos insistirem neste tipo de discriminação.

Essa é a amarga experiência que o personagem da parábola enfrenta e encarna. O roubo de que ele é vítima, tira-lhe não apenas os bens e a saúde, mas também o valor que a sociedade religiosamente mediada lhe dava. Toda a dignidade que ele possuía não era algo intrínseco a sua condição humana, mas antes, era um tipo de doação que a religião coletiva lhe conferia, e por contrapartida, também poderia usurpar-lhe. Inconsciente, no meio da estrada, aquele homem – aos olhos dos religiosos de sua sociedade – era na verdade apenas um corpo, sem qualquer tipo de dignidade ou necessidade de misericórdia. Infelizmente é isto que a religião faz: escolhe um pequeno número de eleitos, rejeita a multidão dos condenados por ela. As pessoas são descartáveis, o cumprimento dos regimentos litúrgicos é mais importante. São leituras fundamentalistas como estas abrem precedentes para segmentos religiosos que propagam muito mais o ódio do que o amor, a morte que a vida, a dor do que a restauração.

O levita e o sacerdote não se sentiram culpados ao furtarem-se da responsabilidade de dar socorro ao homem na estrada – a religião lhes permitia isso. Mas, a despeito da enorme decepção que essas figuras religiosas devem ter promovido no coração e na mente do agredido homem, foi a necessidade de identificar-se com um samaritano que deve ter confundido ainda mais seus sentimentos cerimoniais. Um judeu não falava, muito menos, deixava-se tocar por um samaritano. Um cão tinha a mesma relevância social que um dos filhos de Samaria. A experiência de ser espoliado de todas as superficialidades sociais e permanecer apenas com a humanidade, levou aquele homem a compreender que, para além dos preconceitos e discriminações, somos todos muito próximos, extremamente parecidos. A experiência episódica e momentânea daquele judeu, constituía-se como a condição social permanente de um samaritano. Estes eram evitados, desprezados e, até, considerados como deserdados da filiação com Abraão.

O que o samaritano deveria fazer? Pagar desprezo e ódio, com discriminação e preconceito? Retribuir mal com mal nunca deve a resposta de quem verdadeiramente conhece a Jesus; o acolhimento que o samaritano proporciona ao fragilizado homem é fundamentado numa autopercepção realista, que compreende todos os homens como terrivelmente pecadores, mas também, universalmente como objetos do amor de Deus. Com que tipo de espiritualidade o homem caído devia identificar-se, depois da experiência do quase-morte abrir-lhe o entendimento para compreensão do tipo de zelo cerimonial que o levita e o sacerdote carregavam? Claro, com o modo de viver e adorar do samaritano!

Este é o mesmo desafio que o escriba que dialoga com Jesus tem que enfrentar: deve reproduzir a postura cerimonial dos religiosos ou o amor do samaritano? Assumir que a atitude do samaritano é louvável, implica em apontar para um tipo de espiritualidade que é capaz de sacrificar qualquer tipo de tradição em nome da salvação dos mais frágeis. A verdadeira adoração encarnada e ensinada por Jesus, abandona o protagonismo das liturgias e exalta o amor e cuidado às pessoas. A adoração que Jesus veio nos ensinar destrói todo tipo de categorização das pessoas e nos torna universalmente próximos, íntimos, familiares.

Que chave de leitura temos utilizado para ler a Bíblia? Se compreendermos as Escrituras através do amor, misericórdia e graça, estaremos mais próximos do Pai.

O Amor supera o ódio.
Diante da cena que Jesus elabora, o quadro tradicional muda: temos um sacerdote e um levita, não misericordiosos, cerimonialmente puros, mas cheios de preconceitos. Por outro lado temos um samaritano, socialmente rejeitado, mas graciosamente acolhedor; etnicamente odiado, entretanto o único que demonstra amor.

A quem o escriba comparar-se-ia, aos dois primeiros? Se fizesse isso, Jesus demonstraria que não havia amor a Deus naquele homem. O escriba, num exercício de superação de seus preconceitos, teve de comparar-se ao samaritano.

Por esta parábola Jesus demonstra que o próximo, o íntimo, é todo aquele que é carente de amor, assim como é aquele que desinteressadamente ama.


A fé que desenvolvemos a partir de nosso encontro com Jesus tem nos tornado pessoas mais amorosas, misericordiosas, capazes de superar os preconceitos que a sociedade constituiu sobre nós?

O desenvolvimento de uma adoração plena.
O culto não pode ser nosso único momento de adoração. Não é saudável que reduzamos nossa adoração apenas a louvores, pregações, orações e contribuições. Devemos adorar com tudo o que somos, em todo o tempo (Sl 32.6; Ef 6.18), com tudo o que temos (At 20.35; Cl 3.22-25). Sempre conscientes de que é fraudulenta a adoração do coração daquele que afirma amar a Deus, mas tem algo contra seu irmão (Mt 5.23,24).

Igreja, acolhimento e adoração.
Que tipo de pessoas a espiritualidade que praticamos tem desenvolvido? Indivíduos insensíveis à dor do outro, que em nome de rituais e tradições observam de maneira inerte multidões morrendo à míngua sob o domínio do pecado, sem sequer estender a mão. Ou nossa fé, que é simultaneamente resultado e causa de nossa adoração (Hb 11.1), tem cotidianamente transformado nosso ser, quebrando nossa arrogância e exaltação (Pv 8.13), levando-nos a perceber àquele que está a nossa volta não apenas como um outro (Gr. heteros), distante e diferente, mas como o próximo (Gr. plesíon), íntimo, amigo mais chegado que irmão (Pv 18.24).

Nós e os Samaritanos.
Quem são os samaritanos de nossa sociedade? Nossa fé não é excludente, o Reino de Deus é inclusivo (Mt 9.10-13). O evangelho do Senhor Jesus é a boa-nova de Deus para a humanidade. Ele é convidativo, acolhedor. Assim como Jesus, não tenhamos medo de aproximarmo-nos das pessoas que necessitam de Deus (Fp 2.6-9; Hb 2.11).


CONCLUSÃO
O tipo de vida que Deus deseja que desenvolvamos está intimamente ligada à vivência do louvor e da adoração; por isso vai muito além da mera observação de tradições ou ordenamentos humanos. Adorar ao Pai significa amá-lo, e tal experiência somente é possível quando nos permitimos amar e ser amados pelas pessoas que estão à nossa volta. Viva o melhor de Deus para você: adore, ame, perdoe.


Fonte:
Revista Lições Bíblicas Jovens 4º Trim/2016 - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - CPAD - Comentarista Thiago Brazil
Livro de Apoio - Em Espírito e em Verdade - A essência da Adoração Cristã - Thiago Brasil
Bíblia Defesa da Fé
Bíblia de Estudo Pentecostal

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Eliseu: Milagres em tempos de escassez

Pois o SENHOR, vosso Deus, é o Deus dos deuses [...], que não faz acepção de pessoas, nem aceita recompensas; que faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e veste” Dt 10.17,18

O Milagre Está em Sua Casa

O nome Eliseu significa “Deus é salvação”. Auxiliar do profeta Elias, Eliseu era filho de Safate, de Abel-Meolá, no Vale do Jordão. Tinha como trabalho arar a terra com junta de bois. O jovem Eliseu foi convidado pelo profeta Elias a segui-lo. O texto bíblico mostra que ele “se levantou, e seguiu a Elias, e o servia” (1Rs 19.21).

O primeiro ponto digno de nota na vida do profeta Eliseu foi a sua humildade e a disponibilidade em aprender com o profeta Elias. Na caminhada com Deus, saber ouvir e ter o compromisso de aprender com o outro é muito importante. Na época de Eliseu não havia uma espécie de seminário teológico ou faculdade que tinha o objetivo de formar, embora houvesse escola de profetas, mas que nem de longe era parecida com as instituições modernas. Os profetas eram formados aos pés dos outros profetas. No dia a dia da caminhada, os profetas iam sendo formados, trabalhados e forjados diante de Deus e dos homens.

Outro ponto digno de nota é que o ministério do profeta Eliseu é permeado por milagres. Segundo especialistas em Antigo Testamento, excetuando a pessoa de Jesus Cristo, ninguém na história sagrada registrou a quantidade de sinais e maravilhas como consta o registro na vida do profeta mediante o seu ministério. Ele sarou águas infectadas (2Rs 2.19-22), fez brotar água no deserto (2Rs 3.9,16-20), proveu a necessidade da viúva (2Rs 4.1-7) e ressuscitou mortos (2Rs 4.18-37), além de curar leprosos (2Rs 5). Estes três últimos milagres antecipam o que o nosso Senhor faria em abundância em seu ministério terreno.

A vida e a obra de Eliseu nos ensinam que Deus traz provisão no momento oportuno. O ministério do profeta mostra uma profusa quantidade de ações divinas em favor das pessoas que por intermédio dele eram abençoadas.

Não podemos perder a dimensão da verdade bíblica de um Deus que provê. O que não significa abrir barganha com Ele. Nada disso. Resgatar a visão bíblica de que Deus intervém na circunstância de uma pessoa é urgente a fim de não cairmos no erro de uma religiosidade sem paixão, de uma ortodoxia morta e do gélido ceticismo.

À luz da vida de Eliseu, somos convidados a andar com Deus em fidelidade e verdade. Amá-Lo de todo o nosso coração, alma e pensamento. À medida que nos aproximamos mais de Deus por intermédio da oração e da leitura da Palavra, o Senhor se aproxima mais de nossas vidas. Por isso, busquemos ao Senhor, o reverenciemos enquanto há tempo.- Revista Ensinador Cristão nº68-pg.40.

Em tempos de crises Deus realiza o impossível e o extraordinário.

Leitura Bíblica: 2 Reis 4 1-7

A importância do profeta Eliseu começa pelo significado do seu nome na língua hebraica — “elisha”, que significa “Deus é salvação” — e no grego do Novo Testamento é “elissaios” (Lc 4.27). A vida de Eliseu indica que tinha uma família abastada, porque arava uma terra que tinha vários empregados. Era um homem rude, sem formação acadêmica alguma, que tinha calos nas mãos pelo serviço que exigia força e saúde para ser feito. Seu tempo de vida passou por, pelo menos, quatro reis de Israel — Jorão, Jeú, Jeoacaz e Jeoás nos capítulos 5 a 13 de 2 Reis — além de outros reis, inclusive estrangeiros, como o rei da Síria, Ben-Hadade, Hazael e até o rei de Judá, Josafá (2 Rs 3.11-19). Eliseu era um homem sem discrimina­ção, que ia à casa de uma pobre viúva e até aos palácios dos reis. Quando foi desafiado a seguir o profeta Elias, Eliseu não titubeou na decisão de segui-lo. Desvencilhou-se de suas atividades rurais e passou a seguir a Elias, de quem se tornou o auxiliar imediato.

Acompanhando Elias até o seu arrebatamento por cima de sua cabeça, Eliseu não se descuidou e assistiu à maravilha de ver um carro de fogo que, mais rápido que a força do vento, passou entre os dois e os separou um do outro, levando Elias para o alto. Uma intervenção do sobrenatural sobre o natural que só Deus pode fazer. Os racionalistas rejeitam a literalidade da história, mas nós cremos no poder sobrenatural que o Senhor manifesta quando quer.

A partir de então, a história de Eliseu toma um rumo diferente. Ao tocar a capa de Elias nas águas do Jordão e elas se abrirem fazendo um caminho para que ele passasse para o outro lado, Eliseu não teve mais dúvida. Estava investido de autoridade espiritual, e a partir daquele momento iniciava seu ministério, que se tornou ousado e com operação de milagres (2 Rs 2.1,11-14). Ele vira o que Deus havia feito por meio de Elias e, agora, investido do mesmo poder e autoridade, os milagres começaram a acontecer. Eliseu se tornou o canal de milagres operados em várias ocasiões diferentes. A começar pela casa de uma viúva e dois filhos. Era a viúva de um profeta, a qual, sem condições de pagar uma dívida deixada pelo marido, corria o risco de ter que entregar os seus dois filhos para um tempo de serviço escravo poder pagar a dívida.

Essa narrativa bíblica descreve o modo de Deus agir por meio do seu servo Eliseu, multiplicando o azeite de um vasilhame de barro que havia na casa da viúva. A bondade de Deus foi demonstrada na vida daquela família que acreditou na orientação do profeta e foi agraciada com o milagre da multiplicação do azeite.

SUBSÍDIO
“A viuvez no Antigo Testamento
No Antigo Testamento, a questão da viuvez já era tratada com muita atenção. Inclusive, Deus advertira fortemente ao povo de Israel para que tratasse bem aos órfãos e as viúvas, caso contrário, Ele castigaria contundentemente aqueles que os oprimissem (Êx 22.22-24; Sl 68.5; Ml 3.5).
Um detalhe interessante a ser notado é que as passagens tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, que tratam da questão da viuvez, não falam do cuidado com os viúvos, mas, sim, em relação às viúvas, uma vez que, no modelo de organização familiar daqueles tempos, a morte da esposa não mudava a posição social e econômica do marido, mas o contrário, sim. Lembremo-nos que, nos tempos antigos, ou seja, no período bíblico e também durante muitos séculos depois, não havia pensão alimentícia nem seguro social, e as mulheres também não tinham tantas alternativas de emprego em nossos dias. Já para o homem, que normalmente sustentava a família sozinho, havia muitas opções, além de ser privilegiado na questão das heranças. Por esse motivo as viúvas passavam geralmente grandes necessidades.
No período bíblico, perder o marido significava para a mulher perder de forma dramática a sua posição social e econômica, e, conforme lembram-nos os teólogos Merril F. Unger e William White Jr, ‘a gravidade da situação era aumentada se ela não tivesse filhos’ (Dicionário Vine, p.33). No caso de não ter gerado filhos, a viúva voltava para a casa dos pais (Gn 28.1) e ficava sujeita à lei do levirato, que já era praticada antes de Moisés, mas foi estabelecida como lei, de fato, somente com ele (Dt 25.5,6)” (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.43,44

AS PRIMEIRAS PROEZAS DO MINISTÉRIO DE ELISEU

Desde a travessia do rio Jordão mediante a visão gloriosa e literal da elevação de Elias em carro de fogo (2 Rs 2.12-14), Eliseu estava consciente de que o ministério profético estava sobre os seus ombros. Os sinais que caracterizaram a vida do profeta Elias se manifestaram sobre a vida de Eliseu.

Eliseu se Depara com uma Crise de Águas Contaminadas em Jericó
A água é vital para uma cidade, e Jericó estava vivendo o drama da água contaminada em seus mananciais. Não é de estranhar que as águas de Jericó fossem ruins, pois essa cidade era uma cidade amaldiçoada; por isso, o seu solo era improdutivo (Js 6.26). Porém, o servo de Deus estava lá e mais cinquenta moços da escola de profetas que haviam assistido ao arrebatamento de Elias, que não acreditavam que Elias tivesse, de fato, subido ao céu num redemoinho, mas que poderia estar em algum monte. Por três dias o procuraram e não o encontraram. Ao voltar para Eliseu, reconheceram que ele agora era o seu novo líder, e deveriam respeitá-lo e obedecer-lhe. Em Jericó, ao voltar, depararam-se com o problema das águas contaminadas em seus veios. Não só os filhos dos profetas, mas os chefes de famílias da cidade de Jericó também reconheceram que Eliseu tinha algo mais que poderia resolver o problema da água e foram até ele. Eliseu não discutiu com eles, mas exerceu sua fé no sobrenatural usando meios naturais para demonstrar o poder de Deus (2 Rs 2.20). Ao pedir que trouxessem sal num prato, não dá direito a ninguém de querer imitar milagres passados e dogmatizá-los como modo de Deus operar hoje.

Grupos neopentecostais, que gostam de explorar essas coisas, procuram ensinar a prática de colocar sal em casas, terrenos e outras coisas, como se Deus se limitasse a operar sempre do mesmo modo. Refutamos essas práticas utilizadas por líderes cristãos que dependem de manipulações para fazer acontecer alguma coisa. O Deus de milagres sempre operará como quiser porque Ele não fica circunscrito a experiências passadas.

O saneamento das águas más aconteceu com o sal colocado nas águas, mas a cura daquelas águas não era por causa do sal, mas sim pelo poder de Deus. Em outra ocasião, quando Israel peregrinava no deserto sob a liderança de Moisés, o povo encontrou água, mas aquela água era amarga, e o povo começou a murmurar contra Moisés, dizendo que ele havia trazido o povo para morrer de sede e de fome no deserto (Êx 15.22-26). Moisés chamou aquela lagoa de “Mara”, que significa “amarga”. Deus orientou Moisés a tomar um pedaço de uma árvore do deserto e lançá-lo naquelas águas; assim elas seriam saradas e transformadas em água potável (Êx 15.23-27). Naquele lugar, o Senhor se manifestou a Israel como Yahweh Ropheka, ou de forma aportuguesada como Jeová-Raphah, que significa “O Senhor que cura”.

Uma Intervenção Divina numa Circunstância Difícil
Três reis que não serviam ao Senhor Deus de Israel — Jorão, rei de Israel (2 Rs 3.1), Josafá, rei de Judá (2 Rs 3.7) e o rei de Edom (2 Rs 3.9) — se uniram para enfrentar os exércitos de Moabe, que eram muito fortes. Na realidade, os três reis, mesmo não sendo tementes a Deus, reconheciam que em Israel havia um homem de Deus que tinha a resposta que eles precisavam ouvir. Jorão era o filho mais novo de Acabe, um rei que fora inimigo do profeta Elias e não merecia qualquer cooperação da parte do homem de Deus, Eliseu. Josafá foi um rei profano, e o rei de Edom era pagão. Porém, Josafá sabia que Deus agia de modo especial por meio de um homem especial, o profeta Eliseu (2 Rs 3.11). Aqueles três reis haviam marchado para ir ao encontro dos exércitos de Moabe, sabendo que aqueles exércitos eram muito mais poderosos que eles.

Pergunta-se então: Por que Deus resolveu intervir naquela guerra?
Em primeiro lugar, para preservar o seu nome perante as nações e para demonstrar àqueles reis que a causa maior e mais importante daquela intervenção era Eliseu. Eliseu era o homem que representava os interesses divinos naquelas terras. Por isso, Eliseu tinha a palavra que eles precisavam ouvir. Esses exércitos se encontraram no deserto de Edom depois de sete dias de calor, sequidão e falta de água. Eliseu, confiante na providência divina, deu ordem para que eles cavassem muitas covas, porque viria uma grande chuva e encheria aquelas covas e supriria a necessidade dos soldados (2 Rs 3.16,17). Aqueles reis não duvidaram da palavra de Eliseu, e puseram seus homens para cavar covas nas terras desérticas e vermelhas de Edom. Vieram as chuvas e encheram aquelas covas. A cor da água ficou avermelhada e, quando os moabitas se preparavam para marchar com aqueles reis, foram confundidos porque a chuva caiu apenas nas terras onde estavam os três e a força do sol com seu brilho virou um espelho avermelhado que fez com que os moabitas, vendo a cor de sangue naquele deserto, entendessem que podia ser o sangue dos exércitos mortos. Os moabitas levantaram-se para invadir as cidades de Israel, mas foram surpreendidos com a reação dos exércitos dos três reis e foram destruídos, porque Deus assim o permitiu. Não importa como acontece nas intervenções divinas. O que vale é saber que Deus é poderoso para mudar situações.

Na caminhada ministerial de Eliseu, muitas proezas e milagres aconteceram porque o Senhor era com Ele.

UMA FAMÍLIA PIEDOSA EM DIFICULDADES

A Crise Econômica de uma Família
Esta história vem logo após um incidente internacional que provocou uma guerra de três reis contra o rei de Moabe. Nesse incidente, Deus usou Eliseu para demonstrar a intervenção divina numa circunstância que nenhum homem comum poderia resolver. Entende-se que por amor à casa de Davi, Deus deu vitória aos três reis.

No capítulo 4, Eliseu se volta às famílias dos profetas quando se depara com a situação alarmante de uma viúva e seus dois filhos que estavam vivendo um estado caótico de gêneros de primeira necessidade e uma dívida impagável. A narrativa não identifica o nome dessa mulher, que era esposa de um profeta que havia falecido e deixado uma dívida. A situação daquela família era de completa penúria, pois além da perda do marido, estavam vivendo uma crise económica, em que faltavam alimentos básicos e não tinham nenhum recurso financeiro. A viúva corria o risco de perder seus dois filhos para os credores. Seus filhos poderiam ser vendidos como escravos para saldar a dívida. O texto indica que o marido dessa mulher poderia ter sido um servidor do profeta Eliseu. A situação era gravíssima, pois não havia nem dinheiro nem qualquer tipo de alimentos dentro de casa. Era pobreza total, e isso significava privação das necessidades básicas da vida. A Bíblia nos dá a garantia de que “Deus faz justiça ao órfão e à viúva” (Dt 10.18; SI 68.5; 146.9).

Vivemos em tempos de grandes dificuldades econômicas, quando muitas famílias estão em total pobreza material. Famílias inteiras que vivem nas favelas das grandes cidades comem restos de comida encontrados nos lixões das cidades. Sem alimentação, nem educação, nem segurança, a pobreza gera desespero e violência, e os governos tentam fazer alguma coisa, mas muito pouco é feito para mudar esse estado caótico de pobreza. Nesse meio se encontram muitos cristãos fiéis a Deus que vivem de migalhas e muito pouco que as igrejas fazem por eles. Muitas igrejas ficaram ricas e usam os seus recursos para quaisquer projetos de construções e outras coisas mais, porém muito pouco é investido na obra social para amenizar a pobreza dos nossos próprios irmãos na fé.

A Situação daquela Viúva e seus Dois Filhos
Naquele tempo, o povo rural enfrentava muitas dificuldades para fazer as culturas locais produzirem; por isso, a pobreza era grande e a maioria dos colonos estava endividada. Uma vez que as colheitas não eram boas, os colonos rurais se viam obrigados a vender suas terras e outros bens materiais, e até a própria família, para saldar suas dívidas. Uma vez vendidos os filhos dessa viúva, as leis que regiam esses negócios exigiam seis anos de serviços para saírem da escravatura. A situação daquela viúva era triste, porque ela não tinha outra saída para a solução do problema senão pagar a dívida com o trabalho servil de escravo dos seus filhos. Naquela época, as mulheres eram privadas de direitos e, principalmente, as viúvas. A viúva poderia encontrar algum parente que se tornasse o seu remidor e se casasse com ela. No caso daquela viúva com dois filhos, não houve ninguém que a remisse. Pelo contrário, a dívida contraída por seu marido deveria ser paga com a entrega de seus dois filhos ao credor (Êx 21.1-11; Lv 25.29-31; Dt 15.1-11). Nesse contexto inevitável, essa pobre viúva precisaria de uma intervenção de Deus para mudar aquele estado de desespero. Ela lembrou-se do homem de Deus que a conhecia e sabia da situação que estava vivendo. O texto diz que ela clamou ao profeta e mostrou a sua situação. Ela sabia que Jeová é aquele que “faz justiça ao órfão e à viúva” (Dt 10.18).

O ATO BENIGNO DE ELISEU QUE OPEROU UM MILAGRE

Eliseu Cria em El-Shaddai, o Todo-Poderoso
Eliseu ouviu os reclamos daquela viúva e, naturalmente, como homem comum, ele se sente incapaz de resolver o problema. Porém, ele sabia muito mais que o seu Deus, o El-Shaddai, era aquEle que podia operar o milagre na casa daquela mulher. Ele sabia que o El-Shaddai havia se manifestado muitas vezes em variadas situações na história de homens e mulheres da Bíblia, e que só Ele poderia operar o milagre na vida daquela família.

O Deus de Milagres Operou de Modo Especial na Casa daquela Viúva
Quando Eliseu pergunta àquela viúva “Que te hei de fazer?”, estava confrontando os limites de sua pessoa como homem, que estava pronto para ajudar, dentro dos limites desse seu espírito humanitário. Eliseu não agia com atitude presunçosa só por causa dos milagres que já haviam sido operados por seu intermédio. Ele tinha consciência de suas limitações, e não ostentava atitude de senhorio sobre as operações de Deus. Mas, confiante no poder de Deus e certo de que é Deus que “faz justiça ao órfão e à viúva”, lhe daria uma solução que resultasse na glória de Deus. Na segunda pergunta do profeta à viúva, “Que é que tens em casa?”, ele vislumbrou em sua mente a operação de Deus.

“Que é que tens em casa”? (2 Rs 4.2) é uma pergunta que, colocada no contexto das famílias na sociedade atual, se choca com a realidade da pobreza, da mendicância nas cidades, da busca de alimentos nos lixões das grandes metrópoles, dos maus serviços de saúde. A igreja de Cristo na terra não pode fugir ao seu papel social, e sim seguir o exemplo da igreja que saiu do Pentecostes (At 4.32-35). Em vez de querermos espiritualizar todas as suas ações, a igreja deveria investir em exercer justiça social. Não adotamos a teologia da libertação dos teólogos modernos, nem devemos cruzar os braços sem alguma ação em favor dos necessitados. Essa pergunta deveria ser feita pelos adeptos da teologia da prosperidade, que confundem o “ser com o ter” e ensinam que os pobres são pobres porque não conseguem a bênção da prosperidade. Existe uma teologia chamada “teologia da pobreza” que ensina e declara que pobreza material é garantia de espiritualidade, usando como texto para essa ideia equivocada uma interpretação da expressão “pobres de espírito” como pobreza material. Na história deste capítulo, Eliseu era o homem de Deus, que confiava em Jeová-Jireh e sabia que Deus podia mudar aquele estado de penúria daquela viúva e seus filhos. Por isso, perguntou-lhe: “Que é que tens em casa”? (2 Rs 4.2). A resposta da viúva foi clara e precisa: “Tua serva não tem nada em casa, senão uma botija de azeite”.

Deus Começa o Milagre a partir do que Temos

“Tua serva não tem nada, senão uma botija de azeite.”
A lição maior que aprendemos com essa declaração da viúva é que, a partir do nada, ou do pouco que temos, Deus age e opera milagres. Na Bíblia temos histórias lindas dos milagres de Deus em prover a necessidades de seus servos. O que é que temos em mãos para começar a ver a operação de Deus? Moisés tinha em mãos “uma vara”, e com essa vara Deus operou grandes maravilhas; Davi tinha uma funda, e com uma pedrinha matou o gigante Golias (1 Sm 17.23-25,40,49); Pedro e seus companheiros de pesca tinham uma rede e viram o milagre da pesca abundante depois de uma noite sem pegar nada (Lc 5.1-7); Dorcas tinha uma agulha de costura (At 9.36-40).

O que temos em mãos, ou em casa, para crer no Deus de milagres?
Em 1954, na cidade de Chapecó, SC, meu pai, pastor Osmar Cabral, atendia a nova igreja na cidade e as dificuldades financeiras eram enormes. Certo dia, faltou de tudo em nossa casa. O comércio não vendia nada fiado para qualquer crente e meu pai saiu à procura de alguma coisa para trazer para casa numa outra cidade próxima. Minha mãe reuniu-se comigo e minha irmã, que tínhamos apenas 9 e 7 anos de idade, para orar a Deus que enviasse comida para a nossa casa. A noite, já muito tarde, alguém bateu à porta de nossa casa de madeira e perguntou pelo meu pai, que ainda não havia retornado. Essa pessoa se identificou e disse que Deus o enviara para trazer comida. Minha mãe o recebeu, e o homem trouxe para dentro de casa muito feijão, arroz, carne seca e outros alimentos. O Deus de milagres tocou no coração desse irmão que não nos conhecia, vindo de outra cidade, para encher a nossa casa de alimentos. É a partir de “uma botija de azeite” que Deus torna tudo abundante, porque Ele é o “Deus de toda provisão”.

A PROVISÃO NA MEDIDA CERTA

Eliseu trouxe tranquilidade e fé para aquela pobre viúva, tornando-a capaz de suprir as necessidades básicas de sua casa e com condição de pagar sua dívida com os credores. Ele a orientou como deveria fazer, porque o abastecimento da sua casa não seria momentâneo, mas serviria para ter em estoque muito azeite, que poderia ser vendido, e com o dinheiro ela sustentaria a sua casa e seus dois filhos continuariam com ela.

Provisão Abundante sem Desperdício
O que a viúva tinha em casa senão uma “botija de azeite”? Foi um bom começo o “ter uma botija de azeite”, mas se ela não tivesse nada, o Senhor operaria do mesmo modo.

O profeta orientou a viúva e seus filhos que pedissem emprestados muitos vasilhames próprios (vasos de barro), tanto quanto pudessem tomar emprestados. Sem que os vizinhos e amigos soubessem, seus filhos trouxeram muitos vasilhames para dentro de casa. Tudo quanto aquela viúva tinha em casa era “uma pequena botija de azeite”. Fecharam a porta da casa e obedeceram à orientação do profeta de “tomar a botija de azeite” e começar a derramar em cada vasilhame o restinho do azeite que havia na botija. Então o milagre começou a acontecer, porque o azeite não terminava e quanto mais eles enchiam os vasos, mas o azeite se multiplicava até o último vaso, quando o azeite parou de derramar. O azeite continuou a fluir enquanto havia vasos para recebê-los. Não houve desperdício. Tanto quanto havia em capacidade de receber azeite foi o que Deus fez fluir para resolver o problema da viúva e seus filhos.

A lição que aprendermos é que, do pouco que temos, podemos exercer nossa fé para obtermos a bênção de Deus em todos os aspectos de nossa vida material, emocional e espiritual. O apóstolo Paulo disse aos romanos que Deus dá da sua graça na medida da nossa fé, ou “conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um” (Rm 12.3). Deus nos dá tanto quanto precisamos e dá abundantemente. Nunca Ele dá demais ou de menos, mas sempre na medida da nossa capacidade de gerirmos aquilo que Ele nos dá.

A Obediência à Orientação do Profeta Foi Fundamental para Perceber a Bênção
Aquela mulher podia discutir com o profeta o seu modo de resolver o problema, mas ela sabia que o homem de Deus tinha a resposta divina para a sua vida. Tudo o que ela precisava fazer era aceitar a orientação do profeta e colocar sua fé em ação. Para não haver interferência no milagre, a viúva e seus filhos deveriam “tomar vasos emprestados”, ou seja, vasilhames de cerâmica, tantos quantos pudessem conseguir, e trazê-los para dentro de casa. A viúva só tinha uma botija, um pequeno vasilhame; por isso, precisaria de muitos vasilhames. Ela sabia que deveria obedecer à orientação do seu líder espiritual como aquele que cumpre o papel de representar os interesses de Deus na terra. Para não haver a interrupção dos credores à sua porta, nem o de sentir-se orgulhosa pelo suprimento miraculoso, ela deveria fechar a porta atrás de si na sua casa. Ela fez tudo conforme a orientação do servo de Deus para que o milagre acontecesse. O princípio da autoridade espiritual é o mesmo para os nossos dias. Um pastor deve ser respeitado como homem de Deus, e esse respeito se conquista com o exemplo de vida piedosa.

O Azeite Flui enquanto Houver Vasos Disponíveis
Houve um outro tempo na vida de Israel em que havia uma crise de fé e de espiritualidade nos dias do profeta Zacarias (519-520 a.C.). Esse profeta tem uma visão maravilhosa do modo como Deus supriria o seu povo nas suas necessidades. Entre outras coisas da visão, Zacarias viu um candelabro todo de ouro com as suas sete lâmpadas e um vaso por cima das lâmpadas que supria com azeite. Esse grande castiçal de ouro que representava o povo de Deus (Zc 4.2). Para um castiçal que estava sem azeite, não havia nenhum recurso humano que pudesse suprir esse castiçal, mas aquele vaso estava cheio de azeite para as lâmpadas.

Fazendo uma comparação com a história vivida pela viúva e seus dois filhos, o azeite que se multiplicava era a provisão de Deus para suprir as necessidades daquela família. Na Igreja, é preciso um novo azeite que traga avivamento e renovação espiritual.

O azeite torna-se uma tipologia da provisão de Deus na vida dos que dependem dEle para as suas necessidades. Os filhos da viúva conseguiram muitos vasos e os trouxeram para dentro de casa, mesmo sem saberem o que ia acontecer. Eles creram na operação divina para realizar o milagre. Matthew Henry comentou que “nós nunca estamos em dificuldades em Deus, em seu poder e generosidade, e nas riquezas da sua graça. Toda a nossa dificuldade está em nós mesmos. É a nossa fé que falha, não a Sua promessa. Ele dá mais do que pedimos: houvesse mais vasos, haveria mais em Deus para enchê-los, o suficiente para todos, o suficiente para cada um”.

Muitas igrejas cristãs estão vivendo o drama da viúva com a despensa vazia. Vivem das experiências passadas porque não há mais vasos disponíveis para que o Senhor faça fluir o azeite. Os vasos podem representar aquelas pessoas que trazemos para “dentro da casa”, ou seja, que se convertem e as trazemos para o convívio da igreja.

A medida da fé é a medida das bênçãos.

SUBSÍDIO
“Deus espera que ajamos com sabedoria em todos os momentos de nossa existência, sobretudo nas adversidades. O pouco que aquela mulher tinha em casa foi feito em muito, mas ela precisava ser sábia no tocante ao que fazer com aquele muito que o Senhor lhe dera. Ter recursos em abundância não é suficiente para que solucionemos problemas de escassez. É preciso que saibamos utilizar o que Deus nos deu.
A orientação de Eliseu foi que a mulher vendesse o azeite e pagasse a dívida que destruiria sua família que já estava desfalcada. A mulher já tinha visto o milagre sendo operado. Agora, deveria angariar os fundos necessários com a utilização correta do milagre de Deus. Lembre-se disso: Na hora em que a despensa está vazia, não adianta ter muitos recursos se você não sabe como aproveitá-los em prol de sua subsistência e de sua família” (COELHO, Alexandre; DANIEL, Silas. Vencendo as Aflições da Vida. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.54).

CONCLUSÃO
Muitos crentes estão vivendo o drama da despensa vazia, da falta de recurso e das muitas dívidas. Com certeza são momentos difíceis, mas não desanime. Ore ao Senhor, creia e o seu milagre chegará à sua casa. A viúva seguiu as orientações do profeta de Deus. Leia a Bíblia e ouça as orientações do Senhor para a sua vida. Deus vai instruí-lo a vencer a crise da escassez e do endividamento.

Fonte:
Lições Bíblicas - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Livro de Apoio - O Deus de toda provisão - Esperança e Sabedoria Divina para a Igreja em meio às crises - 4º.trim_2016 CPAD - Comentarista Elienai Cabral
Revista Ensinador Cristão-nº68
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Wycliffe

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