Membros / Amigos

Conheça mais de nossas Postagens

Research - Digite uma palavra ou assunto e Pesquise aqui no Blog

Carregando...

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Deus é o que opera em nós tanto o querer como o efetuar

"E quero irmãos que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do Evangelho, porque a vós foi concedido, em relação a Cristo, não somente crer nele, mas padecer por Ele. Mas, Deus é o que opera em nós tanto o querer como o efetuar, segundo sua boa vontade".
Carta de Paulo aos Filipenses.

Esta mensagem é para você que está passando um longo período de deserto. Angustiado. Tudo o que você fez até agora deu errado. Embora tenha molhado muitas vezes seu rosto com as lágrimas do abandono, Deus ficou em silêncio. Você já chegou a pensar que Deus não mais responde as suas orações. Eu vim aqui para dizer que o SENHOR não o abandonou. Este vale escuro vai passar e o Sol da alegria vai de novo se levantar sobre sua vida, para brilhar ainda mais que no tempo passado.

Seus pensamentos estão confusos. Seu coração está triste. Você olha ao redor e vê que falta-lhe quase tudo. E quando você olha para as pessoas a sua volta, tanto parentes quanto crentes, repara que elas não passam por nenhuma falta. Então decepcionado e aflito você procura um lugar solitário e ali derrama suas lágrimas e pergunta ao Senhor, será que ainda vale a pena viver?

Se o Senhor está permitindo que você seja provado é porque Ele o ama. Os dias que você está passando no vale não são um tempo perdido: é  investimento. Até Jesus passou por coisas assim. Há algo de precioso que o Senhor vai confiar a você. Não saia de porta em porta procurando por profetas para tentar saber a visão antes do tempo. É o Espírito Santo vai falar ao seu coração no tempo apropriado. 

Na primeira oportunidade que estiver diante de um espelho,  olhe-se. Olhe dentro dos seus  olhos, e diga para Jesus nesta hora algo do fundo de seu coração.

Sabe, às vezes adquirimos uma cultura religiosa errada, monótona, insensível. As quatro paredes de um Templo podem nos impedir de ver o que se passa lá fora. Você sabia que nunca tivemos tantas Igrejas, tantos pastores, tanta facilidade para falar do amor de Deus e paradoxalmente o mundo nunca antes teve tantas pessoas perdidas e tantas almas sedentas sem saber nem do que?

Sabia também que em meio a tantos crentes, há uma carência muito grande de pessoas que tenham um compromisso de amor para servir a Deus com sinceridade?

O Senhor não quer que você seja mais um no banco dos insensíveis, na cadeira dos hipócritas, um cego que pensa olha mas não vê. O Senhor está muito mais perto de você imagina. Ele quer lhe dar olhos que enxerguem as necessidades das pessoas, mãos que não sejam egoístas, coração que se enterneça com as necessidades do próximo. É no vale da aflição que o Senhor se aproxima de nós, para nos moldar. É no vale que choramos mais, oramos mais, questionamos mais, e conseguimos abrir nosso coração até dizer o que Ele quer ouvir de nós: Que sem Ele nada podemos fazer.


Durante os 11 anos no vale, eu fiz um compromisso comigo mesmo de glorificar o nome dele trabalhando com a palavra escrita. Sem nenhum exagero, tenho usado a WEB para evangelizar e fortalecer pessoas tanto no Brasil quanto na Ásia. Algumas das mensagens que Jesus deu-me, eu as traduzi para o inglês e tenho recebido testemunhos de pessoas que foram tocados pelo Espírito do Senhor enquanto as liam tanto do Brasil como de outros países.

Por isso, nesse tempo que você está no vale, ocupe-se. Reavive seu compromisso de servo com o Senhor e não se envergonhe de fazer aquilo que o Espírito Santo fala. Será do meio deste vale que o Senhor vai tomar sua mão para conduzi-lo passo a passo aos lugares mais altos. Não para ser engrandecido, mas para servir. Chegará tempo, que você olhará para trás e vai dizer ao Senhor muito obrigado! por esses dias difíceis que  fizeram de você um cristão compromissado e sincero com Deus.

Anime-se! Continue fiel ao Senhor no vale. Se seus olhos pudessem ver, todas as vezes que você está aflito poderia contemplar O Senhor perto de você dizendo carinhosamente: "Continua! Não desfalece, pois a sua bênção está muito perto".

Jesus é fiel, Ele nunca vai abandonar você.

Texto de João Cruzué.


"Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade." Filipenses 2:13


Leia também: 
Aqui eu Aprendi!

domingo, 28 de agosto de 2016

Reconstrução do Templo em Jerusalém - Apocalipse

Convocação a judeus de todo o mundo para reconstrução do Templo em Jerusalém é vista como sinal do Apocalipse

Uma entidade judaica lançou uma campanha mundial para convocar os judeus para reconstruírem o Templo de Salomão, no monte em Jerusalém onde hoje existe a mesquita Al-Aqsa, uma das mais importantes do islamismo.

O segundo Templo judaico erguido no local foi destruído há quase dois mil anos, durante a ocupação romana. Para os judeus, os dois milênios sem o templo que foi construído de acordo com ordens específicas de Deus são um tempo de lamentação, e até os casamentos judaicos fazem menção a esse fato, quando na cerimônia o noivo quebra com o pé uma taca envolta em um pano, lembrando a destruição da edificação.

A construção do terceiro é associada, no cristianismo, às revelações do Apocalipse e segundo muitos teólogos, representaria a aproximação com o início da Grande Tribulação e o surgimento do anticristo.

O responsável pelos planos de reconstrução é o Instituto do Templo, que vem, ao longo dos anos, arrecadando valores para financiar a obra, além de refazer todos os objetos ritualísticos, como por exemplo, a menorá de ouro, o incensário e o novo véu, feito para ser posto na entrada do santo dos santos. Somente a menorá consumiu 90 quilos de ouro e custou R$ 3,2 milhões.

Na nova campanha de convocação a todos os judeus do mundo, o Instituto do Templo aproveitou a proximidade da celebração do Tisha B’Av, que lembra a destruição do segundo templo pelos romanos, no ano 70 d. C.

“O nosso objetivo é de despertar a consciência do povo judeu e de toda a humanidade para o papel central que o santo Templo representa para a vida da humanidade”, disse Chaim Richman, rabino cofundador do Instituto sediado em Jerusalém.

Contexto
A reconstrução do Templo de Salomão no monte em Jerusalém pode desencadear uma verdadeira guerra, afinal, atualmente o espaço é ocupado pelos muçulmanos e controlado pelo exército da Jordânia.

Alheios a isso, os judeus ortodoxos do Instituto querem reerguer o principal símbolo de sua religião, e acreditam, inclusive, que com a demolição da mesquita Al-Aqsa podem encontrar a Arca da Aliança em túneis que existiam sob o primeiro Templo e que hoje estão soterrados.

O primeiro-ministro de Israel afirmou, em dezembro de 2015, que o país poderia facilmente demolir a mesquita, mas não queria fazer isso com confronto. No entanto, posteriormente o ministro da Habitação, Uri Ariel, voltou ao assunto e disse que um templo judaico seria construído no local.

O Instituto intensificou seus preparativos após o nascimento de uma novilha vermelha, fato que não ocorria em Israel desde o ano em que o segundo templo foi destruído. As cinzas desse animal são necessárias para um ritual de purificação dos sacerdotes.

“Na verdade, o destino de todo o mundo depende da novilha vermelha, pois suas cinzas são o único ingrediente que falta para o restabelecimento da pureza, e portanto a reconstrução do Templo Sagrado”, disse um membro do Instituto do Templo. O animal representa, ainda, no contexto atual, a chegada do Messias para os judeus.

Aparentemente, todo o projeto para a reconstrução do templo está pronto. Uma maquete virtual foi apresentada tempos atrás, com detalhes. Chaim lembrou que “um terço de todos os mandamentos da Torá dizem respeito à construção do serviço no Templo Sagrado”, explicando a importância da edificação para a religião. Ele também lamentou que, por conta da inexistência do templo, os ritos judaicos estão incompletos: “Hoje, não apenas lamentamos a destruição dos dois Templos Sagrados, mas também nossa incapacidade de cumprir um terço da Torá”.

Hoje, no local, resta apenas uma parte do muro que guardava os templos destruídos, e o local é o famoso Muro das Lamentações, onde judeus vão fazer suas orações, e turistas, suas fotos.

Desde 1967 os judeus são proibidos de fazer orações no local. Na época, após a Guerra dos Seis Dias, Israel retomou o controle de Jerusalém, mas teve que concordar com a entrega do controle do Monte à Jordânia, para impedir que a mesquita fosse destruída. Recentemente, em prevenção a conflitos religiosos, Israel proibiu que homens muçulmanos com idades entre 16 e 60 anos acessassem o local.

O Apocalipse
A construção do Terceiro Templo é descrita no Apocalipse como um dos eventos que caracterizarão o reinado do anticristo, já na Grande Tribulação.

Uma linha interpretativa da escatologia cristã vê a reconstrução do templo em Jerusalém como a condição determinante para o surgimento do anticristo, conforme a interpretação da profecia do capítulo 9 de Daniel.

Outra corrente entende que a reconstrução só acontecerá após o arrebatamento da Igreja, durante a Grande Tribulação, enquanto uma terceira acredita que o templo só será reconstruído durante o reino milenar de Cristo na Terra.

Vejamos o vídeo  (para ouvir vá ao topo da pagina e dê pausa na rádio gospel)


Fonte: Gospel+ notícias mundo cristão
por Tiago chagas

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!

sábado, 27 de agosto de 2016

O sinal do Emanuel

"Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel" Isaías 7:14

LEITURA BÍBLICA: LIVRO DE ISAÍAS 7.1-25

“O profeta aconselhou Acaz a buscar um sinal de Yahweh [...], mas o rei já havia determinado no coração buscar socorro com o rei da Assíria. Isaías então profetizou que uma virgem conceberia, e o seu filho seria chamado de Emanuel. Este seria o sinal da misericórdia de Deus, a despeito de toda a incredulidade de Acaz. Na providência de Deus, aquEle Filho, no sentido messiânico, era Jesus de Nazaré. Mas o sinal específico para Acaz e sua corte era uma criança, não identificada, que nasceria de uma jovem mulher conhecida do rei. Antes que a criança alcançasse a idade de discernir entre o bem e o mal, Rezim e Peca perderiam os seus tronos, e Acaz começaria a sofrer a depredação de seu aliado assírio. Damasco caiu em 732 e Rezim, seu rei, foi sumariamente executado. Quase simultaneamente, Peca foi assassinado, e em seu lugar levantou-se o rei Oseias, um aliado dos Assírios. Assim, o cumprimento da palavra profética ocorreu dentro de dois anos. Sete anos mais tarde, Salmaneser V finalmente tomou a cidade de Samaria, causando também espanto e terror ao reino de Acaz. Não foi senão no reinado de Ezequias, cerca de dez anos depois, que a Assíria iniciou suas campanhas sistemáticas contra Judá e quase eliminou o reino do Sul” (MERRILL, H. Eugene. História de Israel no Antigo Testamento: O reino de sacerdotes que Deus colocou entre as nações. 12ª Edição. RJ: CPAD, 2013. p.451).

O Emanuel, Deus conosco, é a maior prova de amor e cuidado de Deus para com seus filhos.

Ao Professor (interação)
Alguns alunos poderão confundir dois países chamados Síria (também chamada de Arã), cuja capital era Damasco, e a Assíria, cuja capital era Nínive. Explique que o primeiro se refere a um país próximo ao norte de Israel que nunca chegou a ser uma grande nação. A Assíria tornou-se um império mundial e conquistou Israel (o Reino do Norte), levando-o para o cativeiro. Outro fato a destacar é que Acaz oferecia sacrifícios aos deuses falsos da Síria porque erroneamente achou que estes supostamente estavam livrando aquele país. Mas nessa profecia de Isaías, o rei é alertado para o fato de que a Síria também cairia por intermédio do Império Assírio, assim como todos os demais países idólatras seriam castigados.

E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; pelo que também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” Lucas 1.35

A importância de Isaías para a compreensão a respeito do Messias e inquestionável. Prova disso são as frequentes citações de seus oráculos no Novo Testamento. Pode-se dizer também que os seus textos messiânicos foram tomados teologicamente pelo cristianismo primitivo como um dos principais fundamentos para a compreensão da natureza e atuação de Jesus de Nazaré na condição de Messias prometido, particularmente em comunidades do primeiro século, formadas, em sua maioria, por judeus cristãos, pois era necessário aprofundar a dimensão cristológica com o objetivo de diminuir a possibilidade de se negar o caráter messiânico de Jesus.

Entre os títulos messiânicos da tradição veterotestamentária, interpretados como sendo de Jesus de Nazaré, um em particular recebeu destaque: “Emanuel”, que, no hebraico, é a junção de dois termos immánu, que significa “conosco” e EI, que significa “Deus” ou “Senhor”, literalmente “conosco [está] Deus”. O título foi uma apropriação teológica do livro atribuído ao profeta Isaías, já que a expressão aparece em dois versículos e, indiretamente, em um versículo. Seguem os versículos:

1) “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Is 7.14).

2) “[...] e passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele, e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel (Is 8.8)”.

3) “Tomai juntamente conselho, e ele será dissipado; dizei a palavra, e ela não subsistirá, porque Deus é conosco” (Is 8.10).

Para saber um pouco mais sobre o título messiânico Emanuel, é necessário apresentar algumas considerações a partir do seguinte questionamento: Em que contexto histórico-teológico, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento, surge o conceito de “Emanuel”?

O questionamento se mostra relevante diante do percurso histórico de, aproximadamente, 800 anos entre o surgimento do termo e sua inserção no Evangelho de Mateus. Além disso, qual a importância do conceito de Emanuel para os cristãos em geral?

Essas são questões que serão trabalhadas ao longo deste capítulo.

"Eis que a virgem conceberá, e dará a luz um filho, e chamá-lo-ão pelo nome de EMANUEL, que traduzido é: Deus conosco." Mateus 1:23

Uma das mais belas profecias de Isaías é a que ele aponta para o maior gesto de amor de Deus para com a humanidade: a vinda de Cristo ao mundo, o Emanuel, o “Deus conosco”.

I - O CONTEXTO IMEDIATO DA PROFECIA MESSIÂNICA
Embora já se tenha discutido alguns aspectos introdutórios do livro de Isaías no primeiro e segundo capítulos, é preciso retomar algumas questões, particularmente em relação ao contexto histórico em que surge o conceito de Emanuel, já que a esperança que dele decorre se dá em meio a diversas crises institucionais. Do ponto de vista histórico, Isaías exerce seu ministério profético em um momento de crise política em Judá e Israel, com desdobramentos na vida religiosa e cultural das tribos envolvidas. Desse modo, a percepção histórica e a reflexão teológica tecem a narrativa a respeito do Emanuel.

1. Emanuel: contexto histórico-social
O capítulo que versa sobre o Emanuel está inserido numa intensa relação diplomática envolvendo Acaz (735 - 716 a.C)1, rei de Judá, Resim, rei da Síria, e Peca (739 - 732 a.C)2, rei de Israel. Os dois últimos pressionavam Acaz para participar de uma coligação contra Tiglate-Pileser III (745 - 727 a.C), rei da Assíria. A recusa de Acaz em formar um bloco contrário à política de expansão da Assíria fez com que Damasco e Israel se articulassem para derrubá-lo, pois o objetivo seria criar um cisma em Judá e inserir um governante vassalo fiel à coligação sírio-israelita, conforme informa o texto de Isaías: “Porquanto a Síria teve contra ti maligno conselho, com Efraim e com o filho de Remalias, dizendo: Vamos subir contra Judá, e atormentemo-lo, e repartamo-lo entre nós, e façamos reinar no meio dele o filho de Tabeal” (Is 7.5,6). Houve um ataque sem êxito contra Jerusalém. A Síria, porém, anexou aos seus domínios o território de Elate. O texto de 2 Reis descreve resumidamente esse episódio: “Então, subiu Rezim, rei da Síria, com Peca, filho de Remalias, rei de Israel, a Jerusalém, à peleja; e cercaram Acaz, porém não o puderam vencer. Naquele mesmo tempo, Rezim, rei da Síria, restituiu Elate à Síria e lançou fora de Elate os judeus; e os siros vieram a Elate e habitaram ali até ao dia de hoje (2 Rs 16.5,6).”3

1- A respeito de Acaz, conferir as informações apresentadas em 2 Reis 16. 1-20;
2 - A respeito de Peca, conferir as informações apresentadas em 2 Reis 15. 27-31;
3 - outra perspectiva dos eventos citados encontra-se em 2 Crônicas 28. 1-27

Ainda que a coligação siro-israelita não tenha logrado êxito em relação à tomada de Jerusalém, a anexação de Elate certamente impôs temor entre as autoridades e à população em geral, como fica claro no texto de Isaías: “E deram aviso à casa de Davi, dizendo: A Síria fez aliança com Efraim. Então, se moveu o seu coração, e o coração do seu povo, como se movem as árvores do bosque com o vento” (Is 7.2). Não obstante às claras advertências do profeta Isaías, Acaz se sentia pressionado a buscar uma aliança com a Assíria para defender as fronteiras de seus inimigos. Algo que o fez no momento oportuno, segundo o livro de 2 Reis: “E Acaz enviou mensageiros a Tiglate-Pileser, rei da Assíria, dizendo: Eu sou teu servo e teu filho; sobe e livra-me das mãos do rei da Síria e das mãos do rei de Israel, que se levantam contra mim. E tomou Acaz a prata e o ouro que se achou na Casa do Senhor e nos tesouros da casa do rei e mandou um presente ao rei da Assíria. E o rei da Assíria lhe deu ouvidos; pois o rei da Assíria subiu contra Damasco, e tomou-a, e levou o povo para Quir, e matou a Rezim. Então, o rei Acaz foi a Damasco, a encontrar-se com Tiglate-Pileser, rei da Assíria [...]” (2 Rs 16.7-10a).

A ajuda da Assíria não saiu barato para Acaz, pois certamente se livrou da opressão siro-israelita, porém não conseguiu se livrar dos tentáculos da dominação política de seu aliado, uma vez que Judá passou à condição de vassalo da Assíria. Acrescenta-se ainda aos problemas políticos de Judá a relativização religiosa e cultural, bem como a questão da ética nas relações sociais. Nesse sentido, há informações de que o rei Acaz cometeu muitos atos contrários à Lei de Deus. Por exemplo, 2 Reis narra que Acaz “[...] não fez o que era reto aos olhos do Senhor, seu Deus, como Davi, seu pai. Porque andou no caminho dos reis de Israel e até a seu filho fez passar pelo fogo, segundo as abominações dos gentios, que o Senhor lançara fora de diante dos filhos de Israel. Também sacrificou e queimou incenso nos altos e nos outeiros, como também debaixo de todo arvoredo” (2 Rs 16.2-4).

Não é possível identificar por meio da narrativa acima até que ponto o comportamento do rei Acaz se fazia presente também na população. Entretanto, não é exagero sugerir que suas atitudes morais exerciam influência na vida dos habitantes de Judá. Assim, o contexto histórico-social aponta para o fato de que a confiança na proteção de Deus estava em baixa, para dizer o mínimo, já que se buscava o socorro da potência política da época, a Assíria. Com isso, demonstrava-se a ineficácia ou inexistência da memória libertadora do Êxodo, pois, mesmo diante do poderio do império egípcio, houve uma inequívoca ação libertadora de Deus na história.

2. Emanuel: contexto histórico-teológico
O contexto histórico-social apresentado anteriormente ilumina a ação profética de Isaías, pois sua leitura teológica fundamenta-se no fato de que as ações de Acaz, particularmente a aliança estabelecida com a Assíria, estavam mais alicerçadas em pressupostos da lógica política e diplomática do que numa real e sincera busca pelas orientações de Deus. A intervenção do profeta procura inicialmente tranquilizar o aterrorizado rei Acaz. A orientação de Deus era: “E dize-lhe: Acautela-te e aquieta-te; não temas, nem se desanime o teu coração por causa destes dois pedaços de tições fumegantes, por causa do ardor da ira de Rezim, e da Síria, e do filho de Remalias” (Is 7.4).

O que garante a existência do povo de Deus não são as articulações políticas, já que, embora necessárias, não dão conta da complexidade que envolve a existência de Judá. Desse modo, Deus, por intermédio do profeta, esclarece de modo ininteligível: “Entretanto, a cabeça de Efraim será Samaria, e a cabeça de Samaria, o filho de Remalias; se o não crerdes, certamente, não ficareis firmes” (Is 7.9). Na concepção teológica do profeta Isaías, a falta de confiança em Deus era o principal entrave para a superação daquela situação, pois o mesmo Deus que agiu na travessia do deserto em direção à Canaã traria salvação para a nação de Judá. Diante da situação política que se desenhava, tendo, por um lado, a coligação siro-israelita, e, por outro, os assírios, era necessário entregar a situação ao conselho de Deus, pois Ele é o fiel cuidador do seu povo!

II - O SINAL DO “EMANUEL”
Quanto ao receio de que a coligação siro-israelita obteria êxito no seu intento de desestruturar Judá, inclusive tentando depor o seu rei, a resposta dada por Deus a Acaz, por intermédio do profeta Isaías, foi a seguinte: “Assim diz o Senhor Deus: Isto não subsistirá, nem tampouco acontecerá” (Is 7.7). Em outras palavras, não se justificavam as atitudes de desespero e de alianças que trariam mais prejuízo à nação. Tamanha era a convicção do arauto que procurou novamente Acaz para lhe desafiar: “E continuou o Senhor a falar com Acaz, dizendo: Pede para ti ao Senhor, teu Deus, um sinal; pede-o ou embaixo nas profundezas ou em cima nas alturas” (vv. 10,11). A resposta de Acaz denotava sua incapacidade para assumir desafios diante de Deus: “Acaz, porém, disse: Não o pedirei, nem tentarei ao Senhor” (v.12). Conforme escreveu Raymond C. Ortlund: “Deus entregara um cheque em branco a Acaz, mas ele se recusou a descontá-lo. Por quê? Porque não queria confiar em Deus. E verdade que disse isso com palavras mais piedosas (Dt 6.16). Mas tudo não passou de um rápido pensamento, de uma hipocrisia diplomática”.
Porém, a resposta de Deus, por intermédio do profeta, é direta: “Portanto, o mesmo Senhor vos dará um sinal: eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel. Manteiga e mel comerá, até que ele saiba rejeitar o mal e escolher o bem. Na verdade, antes que este menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, a terra de que te enfadas será desamparada dos seus dois reis” (Is 7.14-16).

A análise mais ampla de Isaías sugere o cumprimento da profecia naquele contexto, podendo ser um filho do rei Acaz ou do próprio profeta Isaías. O que se deduz dos versículos 15 e 16 do capítulo 7, em conexão com os versículos 3 e 4 do capítulo 8, que diz: “E fui ter com a profetisa; e ela concebeu e deu à luz um filho; e o Senhor me disse: Põe-lhe o nome de Maer-Salal-Hás-Baz. Porque, antes que o menino saiba dizer meu pai ou minha mãe, se levarão as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria, diante do rei da Assíria” (Is 8.3,4). Um texto de Isaías pode estar se referindo à profecia sobre o filho de Acaz: “[...] e passará a Judá, inundando-o, e irá passando por ele, e chegará até ao pescoço; e a extensão de suas asas encherá a largura da tua terra, ó Emanuel” (Is 8.8).

Por outro lado, pode-se dizer também que as profecias se projetam para um futuro mais distante. O que pode ser constatado nos versículos de 1 a 7 do capítulo 9 de Isaías:
“Mas a terra que foi angustiada não será entenebrecida. Ele envileceu, nos primeiros tempos, a terra de Zebulom e a terra de Naftali; mas, nos últimos, a enobreceu junto ao caminho do mar, além do Jordão, a Galileia dos gentios. O povo que andava em trevas viu uma grande luz, e sobre os que habitavam na região da sombra de morte resplandeceu a luz. Tu multiplicaste este povo e a alegria lhe aumentaste; todos se alegrarão perante ti, como se alegram na ceifa e como exultam quando se repartem os despojos. Porque tu quebraste o jugo que pesava sobre ele, a vara que lhe feria os ombros e o cetro do seu opressor, como no dia dos midianitas. Porque toda a armadura daqueles que pelejavam com ruído e as vestes que rolavam no sangue serão queimadas, servirão de pasto ao fogo. Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros; e o seu nome será Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz. Do incremento deste principado e da paz, não haverá fim, sobre o trono de Davi e no seu reino, para o firmar e o fortificar em juízo e em justiça, desde agora e para sempre; o zelo do Senhor dos Exércitos fará isto” (Is 9.1-7).

Seria difícil investigar todo o percurso histórico-linguístico do título Emanuel. Porém, certamente o termo passa a fazer parte do vocabulário religioso judaico, sendo acessado principalmente nos momentos de crises sociais e religiosas, como foi, por exemplo, o cativeiro babilônico. A construção histórico-teológica da expectativa messiânica no cativeiro babilônico impôs aos teólogos do período a necessidade de buscar na tradição fundamentos que ancorassem a esperança do povo. Desse modo, o Sinal do Emanuel extrapolaria a dimensão histórico-social dos condicionamentos conceituais, inserindo-se na tradição veterotestamentária como um conceito que se aplicaria a esperança messiânica.

Entretanto, o título Emanuel também seria utilizado pelos cristãos, em particular quando se percebeu a necessidade de se apresentar um fundamento histórico-teológico do caráter messiânico de Jesus de Nazaré. É nesse sentido que se deve entender, por exemplo, o emprego do termo pelo autor do Evangelho de Mateus.

Após a destruição de Jerusalém no ano 70 pelo general romano Tito, muitos judeus migraram para várias regiões da Palestina, sendo provável que judeus convertidos a Cristo passaram a dividir o mesmo espaço geográfico com judeus de estrutura religiosa farisaica, cujo centro religioso, na ausência do templo, era a sinagoga. A expressão religiosa sinagogal sinalizava para a necessidade de se preservar a identidade judaica, pois o momento de crise político-social demandava ações de fortalecimento do vínculo identitário. É nesse contexto em que o Evangelho de Mateus se insere, pois há o perigo de que judeus que se converteram a Cristo sucumbam diante das políticas culturais de fortalecimento da identidade judaica. Desse modo, a produção teológico-pastoral do autor do Evangelho de Mateus se insere em uma comunidade cristã que procura se desprender do vínculo ao judaísmo, particularmente de sua incredulidade messiânica, conservando, porém, a continuidade histórico-teológica do Antigo Testamento, sendo uma das questões-chave o fundamento veterotestamentário que atesta o caráter messiânico de Jesus de Nazaré.

Ao contrário do que a sinagoga ensinava - de que o messias ainda era uma espera - o evangelista insiste que as escrituras se cumpriram em Jesus. Sendo assim, já não é mais espera, e sim realidade presente que anima a comunidade. É nesse sentido que o evangelista cita o sinal do Emanuel: “E ela dará à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados. Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta, que diz: Eis que a virgem conceberá e dará à luz um filho, e ele será chamado pelo nome de Emanuel. (Emanuel traduzido é: Deus conosco)” (Mt 1.21-23).

Ainda que o Evangelho de Mateus seja o único a apresentar uma relação histórica e teológica entre o sinal do Emanuel de Isaías e a presença de Deus por intermédio do nascimento de Jesus de Nazaré, o conceito teológico da presencialidade de Deus em Cristo perpassa os escritos do Novo Testamento. Um dos textos mais antigos sobre a habitação de Deus entre os homens é o hino cristológico que aparece na carta escrita aos Filipenses por Paulo, provavelmente na segunda metade da década de 50 d.C. Segue o texto: “De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou soberanamente e lhe deu um nome que é sobre todo o nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (F1 2.5-11).

Do mesmo modo, o Evangelho atribuído ao apóstolo João descreve o lógos pré-existente (Jo 1.14) que é confirmado em sua epístola, quando procura discernir as compreensões sobre Jesus: “Nisto conhecereis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que está já no mundo” (1 Jo 4.2,3).

III - O DEUS ETERNAMENTE CONOSCO
Embora se esteja trabalhando a ideia de “Deus conosco” (Emanuel) a partir da situação histórica de Judá, é preciso levar em conta que as sagradas escrituras apresentam a presença de Deus em toda a história humana. Por exemplo, a narrativa do Jardim do Éden descreve a presença de Deus entre a criação, particularmente em sua relação harmoniosa com o homem e a mulher. Deus passeava pelo Jardim (Gn 3.8), o que sugere assiduidade na tratativa com o homem e a mulher, indicando, também, uma relação de confiança e amizade. O pecado abalaria o relacionamento com Deus. A proximidade e a confiança cederam lugar ao medo (Gn 3.10), manchando para sempre o relacionamento entre Deus e o ser humano. A graça de Deus, no entanto, foi oferecida ao primeiro casal, pois, se o pecado conduziria à morte (Gn 3.3), a permissão para que vivessem com qualidade de vida seria uma demonstração inequívoca da misericórdia e da generosidade de Deus. Mesmo com a relação abalada por causa do pecado, Deus jamais deixou de desejar ardentemente estar conosco. É o que mostra o relacionamento de Deus com os grandes personagens da Bíblia Sagrada.

1. Ele esteve com Israel
Um dos personagens a quem Deus se revelou na antiguidade foi Abrão. E não somente isso, ele seria o início de um projeto de nação desenvolvida e executada pelo próprio Deus. Conforme a narrativa de Gênesis: “Ora, o Senhor disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei. E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome, e tu serás uma bênção. E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.1-3).

A partir de Abrão e de sua descendência, Isaque e Jacó, surgiria a nação de Israel que desfrutaria da presença de Deus. O Senhor faz uma aliança com o povo de Israel. Porém, a garantia da presença dEle estava condicionada à fé, ou seja, na entrega irrestrita do povo aos seus desígnios. O Novo Testamento reconhece o valor da fé de homens e mulheres que, apesar de suas dificuldades, peregrinaram fundamentados na fé em Deus (Hb 11.1-40). Foram homens e mulheres que experimentaram o “Deus conosco”.

É correto afirmar que, apesar de todos os problemas que o povo de Deus teve para permanecer fiel à aliança, com tantas oportunidades que tiveram de experimentar sempre de novo a misericórdia e a bondade de Deus, e apesar de reiteradamente optarem pela desobediência, o Senhor permaneceu fiel à aliança com Israel, mesmo quando estavam no cativeiro. O povo quase foi dizimado, mas Ele prometeu um resto (Is 10.19), um remanescente (Is 1.9; Sf 3.13) e finalmente, um que “brotará um rebento do tronco de Jessé, e das suas raízes um renovo frutificará” (Is 11.1), simbolizando o Messias, o Emanuel, que sobreviveriam a todas as destruições e catástrofes.

Portanto, apesar de não merecerem, Ele cuidou e esteve com seu povo por amor a toda humanidade (Jo 3.16). Esse Emanuel seria a concentração espiritual e santa de Israel, de tal forma que o próprio Cristo foi a realização do pacto de Deus com Israel. “Porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; e o principado está sobre os seus ombros [...]” (Is 9.6).

2. Ele está conosco
Como já foi dito, em Jesus de Nazaré se cumpriram todas as profecias bíblicas sobre a vinda do Messias. Ele é o Cristo enviado de Deus para salvar a humanidade sofredora. O Emanuel é a garantia de que, assim como foi com o povo de Israel, Ele também está conosco, como Ele mesmo prometeu: “[...] eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Assim se cumpre em nós a promessa messiânica de que Ele, de fato, estaria conosco. O apóstolo João escreveu: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do Unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (Jo 1.14). O verbo “habitar” utilizado por João tem o mesmo sentido que o Emanuel utilizado por Isaías. Ou seja, Deus agora habita definitivamente entre seu povo através de Cristo e de seu sacrifício na cruz. “E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita” (Rm 8.11).

A presença de Deus ocorre em dimensões trinitárias, tendo em vista que o Pai, o Filho e o Espírito Santo atuam harmoniosamente entre nós, dando-nos sentido e direção existencial. Imbuídos da presença trinitária de Deus, homens e mulheres ousaram romper barreiras étnico-culturais para levar o evangelho a todas as nações, cumprindo, assim, a expansão do evangelho determinada por Jesus: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). Eles enfrentaram perseguições, resistiram aos falsos mestres, desafiaram os poderosos deste mundo, pois se entendiam como portadores da fé no “Deus Conosco”.

Do mesmo modo na contemporaneidade, embora o mundo se apresente de modo diferente do vivenciado pelos pais fundadores, a presencialidade de Deus ainda é manifesta de forma inequívoca, principalmente no vínculo comunitário da comunhão. O mesmo Senhor que foi “Deus conosco” por ocasião da angústia de Judá, será “Deus conosco” nos momentos de crise da Igreja, já que: “[...] onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles” (Mt 18.20). A presença do Emanuel transcende a existência e a história. Ele não apenas esteve com Israel, mas também com toda a humanidade. Ele sempre esteve, está e estará conosco provendo salvação, cura e cuidado de tudo e de todos. Convém estarmos atentos à presença do Emanuel em nossas vidas, manifestando-a a outros que também precisam dela para sobreviver aos conflitos, injustiças e percalços da vida.

3. Ele estará conosco
O conceito do “Deus conosco” também é revestido de concepções escatológicas, pois o conceito do Emanuel não aponta somente para o passado ou presente, mas também é a garantia de que, também no futuro, o Senhor estará entre seu povo, não apenas espiritualmente e de forma limitada pelas contingências humanas, mas também com toda a sua força e esplendor na plenitude do Reino de Deus. No entanto, o Reino de Deus que se concretizará plenamente no mundo vindouro é também uma dimensão que invade o presente. Jesus disse: “Mas se é pelo dedo de Deus que eu expulso demônios, então chegou a vocês o Reino de Deus” (Lc 11.20 -NVI). O “Deus conosco” nos convida a participarmos em seu Reino de justiça e paz, tendo em vista que a presença do Reino de Deus implica em destronar o império do mal.

O Reino de Deus caminha para o seu desfecho tendo a Igreja como protagonista da presença justa de Deus no mundo. Assim, nós não somos apenas portadores da bênção do “Deus conosco”, somos também sinais da presença de Deus no mundo. Desse modo, a presença do Reino de Deus impõe à Igreja a responsabilidade de vivenciar e testemunhar os seus valores, algo explícito nos capítulos 5 a 7 do Evangelho de Mateus.

O Emanuel faria parte, então, da esperança cristã da presença de Cristo na comunidade, motivo de grande celebração, pois ressoa a promessa: “Eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos” (Mt 28.20). Essa promessa não pode ser motivo para uma fé paralisada. Pelo contrário, o derramamento do Espírito Santo tinha como propósito capacitar homens e mulheres para serem “testemunhas” (At 1.8). Do mesmo modo hoje, celebremos a presença do Senhor em todas as dimensões da vida, testemunhando ao mundo os valores inefáveis do Reino de Deus, aguardando ativamente o desfecho do Senhor. Conforme diz em apocalipse: “E ouvi uma grande voz do céu, que dizia: Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens, pois com eles habitará, e eles serão o seu povo, e o mesmo Deus estará com eles e será o seu Deus” (Ap 21.3).


Conclusão
O nascimento de Jesus traz consigo todo o cumprimento das profecias messiânicas, desde os livros de Gênesis até Zacarias, em número de mais de trezentas delas. Portanto, o Emanuel traz uma carga divina tão grande que alcançou seu cumprimento salvífico em Israel e em toda a humanidade carente de Deus. Mas a maior garantia de sua vinda ao mundo é que Ele continua conosco e estará por toda a eternidade, quando seremos levados para junto dEle.

A teologia do Emanuel pode ser entendida de três formas básicas: Ele esteve com o povo de Israel, Ele está com a Igreja ao longo da história, e por fim Ele estará plenamente com todos os redimidos e salvos no Novo Céu e na Nova Terra.

Fonte:
Lições Bíblicas - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. 3º.trim_2016 CPAD - Clayton Ivan Pommerening
Livro de Apoio - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. - Clayton Ivan Pommerening
Guia do leitor da Bíblia - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Bíblia Nova Versão Internacional
Dicionário Bíblico Wycliffe
Aqui eu Aprendi!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

A Evangelização das Crianças

Assim também não é vontade de vosso Pai, que estás nos céus, que um destes pequeninos se perca” Mt 18.14


Quando devemos falar de Jesus para uma criança?

Naturalmente tal pergunta traz outra inevitável: 
Como evangelizar uma criança?

Quando se tenta praticar o evangelismo infantil é possível perceber a dimensão do desafio proposto. Uma das questões essenciais que devemos levar em conta no evangelismo infantil é a idade da criança. Falar de Jesus no linguajar infantil para muitas pessoas é uma tarefa hercúlea.

Conceito de Evangelismo Infantil
Apresentar um Deus salvador para a criança é uma tarefa que todas as famílias cristãs devem priorizar. As crianças têm de ser evangelizada desde a mais tenra idade. Neste sentido, a criança precisa aprender sobre Deus desde cedo por intermédio dos seus pais. No capítulo seis de Deuteronômio, as Escrituras declaram que é tarefa dos pais conduzirem os filhos no conhecimento de Deus. O método se daria da maneira simples: assentado em casa; andando no caminho; por intermédio do próprio exemplo. A ideia é que os pais contribuam para os seus filhos amarem a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Isso passa inevitavelmente pela família cristã, pelos pais das crianças cristãs.

O que nosso Senhor falou acerca das crianças?
Nosso Senhor disse que das Crianças “é o Reino de Deus” (Mc 10.14). Ainda, o Mestre fala: “Vede, não desprezeis alguns destes pequeninos, porque eu vos digo que os seus anjos nos céus sempre veem a face de meu Pai que está nos céus” (Mt 18.10). Esses textos bíblicos mostram que Jesus de Nazaré não hesitou em falar sobre as crianças, pois priorizou a aparente fragilidade e humildade do pequeno infante como aspectos fundamentais para se alcançar o Reino de Deus: “Em verdade vos digo que qualquer que não receber o Reino de Deus como uma criança não entrará nele” (Lc 18.17).

Deus ama as crianças
Devemos evangelizar as crianças, em primeiro lugar, porque Deus as ama. E o amor do Pai está derramado em nossos corações. A criança é aquele serzinho disponibilizado por Deus para amarmos sem medida, como da mesma forma Ele quer que nos amemos uns aos outros. Priorizar as crianças em nossas igrejas não é capricho, mas tarefa das mais sublimes e urgentes. Por isso a Educação Infantil deve funcionar plenamente. Todo o apoio deve ocorrer com a Escola Bíblica de Férias, a maior estratégia de evangelização infantil. Enquanto a igreja não se convencer em priorizar as crianças, iremos na contramão do Evangelho. (Revista Ensinador Cristão nº67 pg.40)

A evangelização das crianças é urgente, porque delas dependem o presente e o futuro do Reino de Deus.

Introdução
Conta-se que, após um evento evangelístico, alguém indagou a Dwight L. Moody quantas vidas ele ganhara para Cristo naquele dia. “Duas e meia”, respondeu o famoso evangelista. A pessoa sorriu e disse: “Entendo, o senhor quer dizer dois adultos e uma criança”. “Não”, replicou Moody. “Foram duas crianças e um adulto.”
O que o fervoroso evangelista estava dizendo é que, ao trazer duas crianças a Cristo, ganhara duas vidas inteiras para o serviço do Senhor, ao passo que o adulto, talvez na metade de seus anos, podia dedicar-lhe apenas meia vida.

I. POR QUE EVANGELIZAR CRIANÇAS
Se há um departamento na igreja que demanda gastos e esforços é o Departamento Infantil. Será que vale a pena?

Por que investir tanto na evangelização de crianças?

Existem bases bíblicas para o evangelismo infantil?
Sim, todo esforço e investimento são válidos para trazer a Cristo os pequeninos por quem Ele deu a própria vida.

1. É ordem divina.
Desde os tempos do Antigo Testamento, o doutrinamento infantil mereceu especial atenção de Deus e de seus sacerdotes e profetas. A ordem era que se incutisse na criança o conhecimento de Deus. Em o Novo Testamento, não são poucas as passagens que ordenam a evangelização dos pequeninos, e a maioria dessas ordens partiu do próprio Senhor.

a) As crianças foram incluídas na Grande Comissão. Todo crente está pronto a recitar o “Ide” de Jesus: “Ide... pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Poucos, porém, já pensaram no significado de “toda criatura”. A maioria se esquece de que a criança é também criatura de Deus e está incluída nessa ordem, juntamente com os adolescentes, jovens, adultos e idosos.

b) As crianças foram chamadas por Cristo. “Deixai vir a mim os pequeninos” (Mc 10.14, ARA). Juntamente com o convite aos pequenos, estava a ordem do Mestre para que não fossem impedidos de se aproximar. Quase posso ver os discípulos, que antes proibiam a abordagem das crianças, agora lhes abrindo passagem na multidão. Imagino Pedro tomando, em suas mãos rústicas de pescador, a mãozinha gorducha de um menininho e trazendo-o ao Salvador.
Estamos fazendo assim em nossas igrejas? Estamos abrindo caminho para os pequeninos, oferecendo-lhes as melhores salas da Escola Dominical, bons professores e material didático? Não fazer isso seria embaraçá-los em seu caminho para Cristo.

Pastores e líderes, tomemos os pequeninos pelas mãos e levemo-los ao Salvador. Como? Projetando os templos de modo a oferecer espaço ao aprendizado infantil, investindo na especialização de obreiros interessados na salvação de crianças, adquirindo material apropriado ao evangelismo infantil, e realizando programações especiais voltadas a essa faixa etária.

Sigamos o modelo de Jesus. Nas sinagogas, no Templo, nas aldeias e nas residências, as multidões o cercavam. Pobres e enfermos o buscavam, famintos de suas palavras. Sábios e incultos ouviam com avidez a sua doutrina. Doutores da Lei o questionavam. Publicanos, escribas, sacerdotes e governantes queriam ouvir-lhe a opinião. Contudo, o Mestre dos Mestres não se esquecia dos pequeninos. Deixai-os vir a mim, ordenava ele, pegando-os no colo, abençoando-os, e garantindo que o Reino do céu lhes pertencia (Mc 10.13-16). Penso que eram as crianças quem mais vibravam com as parábolas do Mestre. Quanto não se emocionaram com a história da ovelhinha perdida! Parece que as vejo olhando o céu, acompanhando o voo das andorinhas, ou admirando o colorido dos lírios, enquanto o Senhor as ensinava a descansar no cuidado do Papai do Céu. Retornando às suas brincadeiras, levavam no coraçãozinho a certeza de que, para Deus, valiam mais que as flores e os pássaros. E que surpresa deliciosa terem sido tomadas como exemplo para os adultos, que deveriam tornar-se humildes como elas para herdarem o Reino dos céus! (Mt 18.1-6).

c) Deus é o maior interessado na salvação das crianças. “Assim também não é vontade de vosso Pai, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca” (Mt 18.14). Sim, a vontade de Deus é que todas se salvem e venham ao conhecimento da verdade (1 Tm 2.4). Para isso, Ele enviou o próprio Filho Jesus.

2. Prevenção da rebeldia nas gerações vindouras.
Não os encobriremos aos seus filhos, mostrando à geração futura os louvores do Senhor [...] Porque ele [...] ordenou aos nossos pais que a fizessem conhecer a seus filhos, para que a geração vindoura a soubesse, e os filhos que nascessem se levantassem e a contassem a seus filhos; para que pusessem em Deus a sua esperança [...] e não fossem como seus pais, geração contumaz e rebelde... (Sl 78.4-8)
A ordem de Deus era que o seu conhecimento fosse transmitido às crianças, e estas, quando crescessem, o fizessem a outras. Esse era, e ainda é, o modo de se prevenir o declínio espiritual das gerações vindouras. Atente para a possibilidade que havia de o povo de Deus seguir nas pisadas infiéis de seus antepassados. Se o conhecimento de Deus não for bem cimentado na presente geração, para que esta o comunique à próxima, as gerações futuras serão contumazes e rebeldes (v. 8).


II. CRIANCINHAS PODEM CRER EM JESUS E RECEBÊ-LO COMO SALVADOR
Uma dúvida de muita gente, inclusive de pessoas que trabalham com crianças é:
Uma criança pode crer em Cristo e ser salva? Sim.

A Bíblia nos mostra, e a experiência o comprova, que os pequeninos podem e devem crer em Cristo, e recebê-lo como Salvador. Sobejam os testemunhos de valorosos servos de Deus, que tiveram um encontro real com Cristo em sua infância e permaneceram fiéis ao longo de suas vidas, fazendo grandes coisas para o Reino de Deus.

Quem não se emociona, por exemplo, com a história de Amy Carmichael, a missionária irlandesa que serviu ao Senhor na Índia, e que livrou do paganismo hindu centenas de pequeninos? Com apenas cinco anos, Amy compreendera sua necessidade de um Salvador que a livrasse do pecado, e reconhecera em Cristo esse Salvador, recebendo-o em seu coração. Sua experiência fez com que jamais desprezasse uma conversão infantil. Ao contrário, empenhou-se na salvação de crianças e, após testemunhar tantas almas infantis rendendo-se a Cristo, escreveu: “Até os pequeninos podem crer no Filho de Deus e recebê-lo como Salvador”.
É a Bíblia, porém, que garante a salvação de crianças.

1. Os pequeninos creem em Cristo.
“E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: [...] Mas qualquer que escandalizar um destes pequeninos que creem em mim...” (Mt 18.2,6). O Senhor, que sonda mentes e corações, e conhece a fé e a confiança das crianças, estava testemunhando a capacidade dos pequeninos de crerem nEle. E pelo que observamos no relato de Marcos, a criança que Jesus tomou para exemplo era pouco mais que um bebê, porque foi pega no colo. “E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes...” (Mc 9.36, grifo nosso). Era um menino, ou quem sabe uma menina, ainda na primeira infância, mas a sua tenra idade não foi obstáculo para que cresse em Cristo.

2. As crianças das cartas bíblicas.
O apóstolo Paulo inicia a epístola aos Efésios saudando os “santos que estão em Éfeso e fiéis em Cristo Jesus” (Ef 1.1, grifo nosso). E ao final, após haver admoestado os cônjuges, recomenda às crianças: “Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais” (Ef 6.1). A carta destinava-se também às crianças, e estas foram chamadas, na introdução, de santas e fiéis.
João, em sua primeira missiva, não apenas se lembra dos pequeninos como ainda dá testemunho de seu relacionamento com Deus: “Filhinhos, eu vos escrevi, porque conheceis o Pai” (1 Jo 2. 14, ARA). “Filhinhos”, do grego paidion, significa criança muito nova, infante, nenê. Quem ainda duvida de que uma criança possa experimentar a regeneração?

3. Outros exemplos bíblicos.
Encontramos na Bíblia crianças que aceitaram a salvação e permaneceram firmes na fé. Um grande exemplo é o menino Timóteo, que, pequenino ainda, aprendeu, com a mãe e a avó, as sagradas letras que o tornaram sábio para a salvação. Ao ouvir o evangelho por intermédio de Paulo, aceitou prontamente Cristo, tornando-se útil ao Reino de Deus (2 Tm 1.5; 3.14,15). No Antigo Testamento, encontramos crianças como Samuel, que serviu ao Senhor desde que fora desmamado (1 Sm 2.11,18,26), além de Miriã, irmã de Moisés, e a escrava de Naamã.

a) A perfeição do louvor infantil. Ao entrar triunfalmente em Jerusalém, o Mestre foi aclamado pelas crianças que gritavam “Hosana ao Filho de Davi!” (Mt 21.9,15). Questionado pelos indignados sacerdotes e escribas, o Senhor Jesus contestou: “[...] nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?” (Mt 21.16).

b) A revelação das verdades eternas aos pequeninos. “Naquele tempo, respondendo Jesus, disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, que ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos” (Mt 11.25). Ao longo desses anos de evangelismo infantil, vimos muitas crianças a quem as verdades eternas foram reveladas antes de o serem aos seus pais. São muitos os lares onde as crianças são as primeiras a compreender e a receber o mistério oculto de Deus — Cristo, que agora foi manifesto aos santos (Cl 1.26; 2.2). Depois, com oração e testemunho pessoal, elas trazem a Jesus os pais e os irmãos mais velhos.


III. SEM JESUS, A CRIANÇA PERDER-SE-Á
Cremos na salvação de crianças, e cremos igualmente em sua perdição. Sabemos que uma criança pode reconhecer-se pecadora, crer em Jesus como salvador, recebê-lo pela fé e ser salva, porque o próprio Jesus fala dos pequeninos que creem nEle. Mas sabemos também que uma criança pode perder-se, porque:

1. A criança nasce em pecado e herda uma natureza pecaminosa.
“[...] todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23). Todos, sem distinção de sexo, raça ou idade, estão igualmente separados de Deus, aquém da perfeição divina. Pelo pecado de Adão no Éden, todos já nascemos propensos ao mal; herdamos uma natureza moral corrupta, com propensão a seguir o próprio caminho egoísta, indiferentes a Deus e ao próximo (Rm 3.10-12).

2. O coração do homem é mau desde a infância.
Davi reconhece isso em Salmos 51.5, quando declara “Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe”. E em Salmos 58.3, ele corrobora a ideia de que o coração do homem é desviado desde o ventre: “Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras”.

3. A alma da criança está em perigo.
“[...] não é da vontade de vosso Pai celeste que pereça um só destes pequeninos” (Mt 18.14, ARA). Por que Jesus diria isso se não houvesse a possibilidade de os pequeninos se perderem? Sua declaração leva-nos a crer que a alma infantil está em perigo.

Alguém, pensando naquele bebê lindo e angelical, dirá: Mas ele é inocente, nem ao menos sabe o que é pecado! Sim, ele é inocente. Mas apenas no sentido de que ainda não tem consciência do pecado, por ser mental e moralmente incapaz de reconhecê-lo. Embora portador do pecado original, ainda não tem o pecado experimental. Dizemos, por isso, que a criança está na “idade da inocência”, fase em que se acha amparada pela graça de Deus, pois conforme Atos 17.30, “não levou Deus em conta os tempos da ignorância” (ARA). Se ela vier a morrer ainda nesse estado, irá para o céu — não porque não peca, mas porque a graça divina lhe dá cobertura. Todavia, a partir do momento em que passa a distinguir entre o bem e o mal, torna-se culpada de seus erros e enquadra-se no restante do versículo: “[...] agora, porém, notifica aos homens que todos, em toda parte, se arrependam” (At 17.30, ARA). A pergunta mais frequente ao tratarmos deste assunto é: Quando a criança está apta a fazer tal distinção? Existe uma idade determinada?
A resposta é não. Algumas crianças evoluem mentalmente mais cedo; outras demoram mais. Não se pode prever quando uma criança terá consciência do certo e do errado.

Entretanto, temos observado sinais de rebeldia e agressividade em crianças bem pequenas ainda. Quem já não viu um pequerrucho enfrentar a mãe com a mãozinha levantada? Ou atacar o amiguinho com chutes e mordidas? Ainda rimos de nosso neto Filipe, que, com um ano e meio, ao ser contrariado pela mãe, atirou longe um carrinho de minha coleção e ficou esbravejando: “Vovozinho tisti! Vovozinho tisti!” A sua intenção era clara: se a mãe não lhe permitisse fazer o que queria, ele faria algo para deixar triste o avô. Noutra ocasião, ele foi mais longe: rasgou e jogou ao chão o desenho que pintara na Escola Dominical, gritando: “Papai do Céu tisti!” Ah, pecadorzinho de nascença!

Mas como saber se o pequenino que assim procede está apenas expressando seus sentimentos, sem intenção maléfica, ou se tem consciência de que está sendo mau? Uma das evidências mais claras de que a criança já faz distinção entre o certo e o errado é quando ela começa a ocultar dos pais os seus atos. Com apenas três anos, a nossa pequena Karen levava beliscões do irmão, fazendo carinha de anjo — quando estávamos por perto. Mal virávamos as costas, porém, ela revidava com tapas e puxões de cabelo.
Nosso dever, portanto, é encaminhar nossos filhinhos a Jesus o mais cedo possível, pois se um deles, conhecedor do bem e do mal, morrer sem que haja recebido Cristo como Salvador, estará partindo sem salvação.


IV. A INFÂNCIA É SOLO PROPÍCIO
“E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus” (Mt 18.2,3). Por que o adulto deveria tornar-se como criança para ser salvo? Não seria por que o coração infantil é terra virgem e fértil, livre de pedregulhos e ervas daninhas? É solo propício ao plantio.

1. A sensibilidade e a humildade infantis.
Ao contrário do adulto, que tem o coração calejado, endurecido pelo engano do pecado (Hb 3.13), a criança é sensível. Seus olhos e ouvidos estão mais atentos às coisas espirituais que os de um adulto envolvido com as lides deste mundo. Minha esposa já viu crianças derramando lágrimas enquanto lhes expunha o plano da salvação. Elas sentem mais facilmente a sua condição de pecadora e comovem-se com o gesto redentor de Cristo. E em sua humildade, não se envergonham de reconhecer os próprios pecados, confessar-se pecadoras e abraçar a salvação oferecida pelo Papai do Céu em Cristo Jesus.

2. A confiança infantil.
Naturalmente crédula, a criança acredita com facilidade naquilo que lhe ensinamos. (Portanto, cuidado: não ensinemos nada que precise ser desacreditado mais tarde, ou ela perderá a confiança em nós.) Em Romanos 10.10, lemos: “[...] com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação”. É assim que a criança crê — com o coração, não apenas com o intelecto.

Lembro-me de quando fomos visitar um vizinho enfermo. Levamos-lhe uma Bíblia e falamos-lhe de Jesus, o único caminho para o céu. Oh, quantos argumentos filosóficos e mediúnicos tivemos de ouvir! Doeu-nos o coração ver aquele pobre homem, temeroso de enfrentar a morte, preocupado em reunir méritos para apresentar-se perante Deus, quando seria tão fácil e simples crer em Jesus Cristo e aceitar a salvação pelos méritos dEle! Uma criança não teria essa dificuldade, porque o seu coração ainda é livre das doutrinas falsas, sedimentadas ao longo de uma existência. Por isso ela crê facilmente no Filho de Deus, e o recebe sem questionamentos.

3. A liberdade infantil.
Quem já não ouviu um adulto queixar-se: “Gostaria de ser crente, mas não consigo deixar o vício”? Quem já não viu adultos comoverem-se com a mensagem da cruz, reconhecerem sua necessidade de salvação, mas não terem coragem de dar um passo para Cristo, por causa de sua situação matrimonial ilegal? Não que Deus não os recebesse; ao contrário, Deus está pronto a salvar aqueles que se lhe achegam (At 2.21). Todavia, a própria pessoa está tão enleada em caminhos tortuosos que não se decide a sair deles. Outros não vêm a Cristo porque temem ser rejeitados em seu círculo social. A criança está livre desses embaraços que estorvam a conversão do adulto.


V. ONDE EVANGELIZAR CRIANÇAS
A evangelização infantil pode ser feita em qualquer lugar onde haja crianças. Podemos alcançá-las promovendo eventos que reúnam milhares delas, ou pessoalmente, onde quer que se encontrem. Na rua, no ônibus, em ambientes fechados ou ao ar livre, a criança está sempre pronta a ouvir a maravilhosa história do amor de Deus.

1. No lar.
Conforme enfatizado no capítulo 10, o lar é o primeiro e mais importante campo evangelístico, onde os pais devem, o quanto antes, levar ao Salvador cada um de seus filhos. Esta é uma grande responsabilidade e um glorioso privilégio.

2. Na igreja.
Os pequeninos podem ser evangelizados em trabalhos específicos, como as Escolas Bíblicas de Férias, os cultos infantis e as classes da Escola Dominical apropriadas à sua faixa etária. Todos esses trabalhos reúnem crianças com o objetivo de evangelizá-las e admoestá-las na Palavra. Entretanto, o mais eficaz desses trabalhos é a Escola Dominical. Ela acontece todas as semanas, evitando que o professor perca de vista as suas crianças. Como bem definiu o Pr. Antônio Gilberto, a Escola Dominical é a maior agência ganhadora de almas do Reino de Deus. E é no Departamento Infantil que vemos mais acentuada essa característica. O bom professor não descuida do fato de que, em sua classe, há dois tipos de aluno: o salvo e o não salvo — o que já se decidiu por Cristo e o que é apenas filho de crente. Ele sabe que o ensino bíblico ministrado às crianças tem como finalidade primordial salvar-lhes a alma e, então, fazê-las crescer na graça e no conhecimento de Deus. Por isso, o professor fiel sempre incluirá em suas lições o plano da salvação e o convite para receber Cristo.
Contudo, além das atividades específicas às crianças, os pastores não devem esquecer-se delas nas outras reuniões da igreja. Por mais que pareçam buliçosas no banco ou desatentas no colo da mãe, elas estão ouvindo e aprendendo, seja pela pregação da Palavra, seja através dos cânticos. O pastor que ama Jesus sempre se dirigirá ao coração dos cordeirinhos, a quem Ele mandou apascentar (Jo 21.15)

3. Nas escolas e creches.
Há poucos anos, tínhamos, em nosso país, a liberdade de anunciar o evangelho em escolas e creches, por meio das “aulas de religião”. Era possível, tratando-se previamente com a direção escolar, fixar um dia na semana para uma aula bíblica. Ouso dizer que milhares de crianças foram livradas do inferno por cristãos amorosos que se dispuseram a dedicar parte de seu tempo e de seus talentos, trazendo-as a Jesus. Esses piedosos irmãos souberam aproveitar a janela da oportunidade.

Hoje, infelizmente, em nome da “liberdade religiosa”, esse campo evangelístico praticamente deixou de existir. Mas ainda há diretores que resistem às imposições da chamada “pátria educadora” e, se não promovem abertamente o ensino bíblico em suas escolas, ao menos fazem vista grossa aos professores que se dispõem a semear a boa semente. Conhecemos professoras valentes que, com sabedoria e respeito, ministram, junto com o ensino secular, preciosas doses da verdade divina. Uma delas, por exemplo, apresentou à sua classe de Jardim de Infância o plano da salvação através das cores do Livro sem Palavras. Questionada pela diretora, não titubeou: “Estamos trabalhando as cores, senhora”. A diretora limitou-se a sorrir e menear a cabeça.
Que Deus abençoe essas corajosas evangelistas e lhes faça bem, como o fez às parteiras hebreias, que livraram da morte os bebês israelitas.
E que Deus nos acorde e nos desembarace para que tenhamos nossas próprias escolas, onde não apenas as nossas crianças estariam abrigadas da doutrinação do mal, como outros pequeninos poderiam ser alcançados para Jesus.

4. Orfanatos e hospitais.
Visitas a orfanatos, acompanhadas de doações materiais, ou programações recreativas, são outra forma de alcançar crianças que, talvez, jamais venham a frequentar uma igreja ou ouvir falar do Salvador. Nos hospitais, em uma visita rápida e bem planejada, é possível apresentar Jesus a crianças que estão sofrendo e, assim, impedir que partam deste mundo sem salvação. Além do mais, poderemos orar, rogando ao Pai que, se for da sua vontade, cure-as de suas enfermidades.
Lembramos que essas visitas só podem ser feitas com permissão dos responsáveis.

Conclusão
O problema da alma infantil é o mesmo da alma adulta: o pecado que a separa de Deus. O caminho da salvação para ela é o mesmo apontado a todo pecador: Jesus Cristo, o Filho de Deus, morto em nosso lugar e ressurreto dos mortos (1 Co 15.3,4). E quem a convencerá de seu pecado e operará nela o novo nascimento é o mesmo Espírito Santo que age nos corações adultos.
No entanto, a exemplo de Jesus, que tinha uma fala especial a cada grupo de ouvintes, poderemos chegar mais facilmente ao coração infantil se empregarmos uma linguagem simples e clara, à altura de sua compreensão. Além disso, contamos com recursos didáticos criativos e eficazes na comunicação do evangelho aos pequeninos. A CPAD dispõe de amplo material evangelístico infantil, desde histórias ilustradas a folhetos, que podem ser usados no evangelismo pessoal quanto no coletivo.

Semeemos a boa semente nos corações infantis, antes que o mal seja neles disseminado, e ela terá maior probabilidade de germinar e frutificar para Deus.

SUBSÍDIO DE EDUCAÇÃO CRISTÃ
“A base bíblica para a evangelização de crianças não se resume no fato de que eles estão prontos para a salvação, nem somente no fato de carecerem da mensagem do evangelho tanto quanto os adultos. A própria Palavra de Deus nos manda fazer esse trabalho, e há mandamentos específicos sobre as crianças.

A Bíblia apresenta algumas razões pelas quais devemos evangelizar as crianças:
1. É mandamento bíblico (Dt 4.9,10; 6.6,7; Pv 22.6);
2. Jesus deu o exemplo, por isso devemos imitá-lo (Mt 18.2; Mc 9.36,37).
3. Todos pecaram, inclusive a criança (Sl 58.3; Rm 3.23). Atos como ira, obstinação, inveja, desobediência e mentira fazem parte da natureza humana.
4. Os infanto-juvenis possuem alma imortal (Ez 18.4).
5. A Bíblia esclarece que uma criança pode ser salva (Mt 18.6).
6. Jesus recebeu ‘perfeito louvor’ da boca dos pequeninos (Mt 21.16).

É bom saber que a salvação é para todos, sem excluir ninguém. Sem nenhuma restrição quanto a cor, raça, língua, religião e idade. A forma de receber a salvação também é única — a fé em Cristo (Jo 1.12). A verdadeira evangelização é global e, por fim, a evangelização das crianças é o cumprimento da vontade de Deus.

A infância é o período em que o coração e a mente estão mais predispostos à influência do evangelho. Uma criança ganha para Cristo representa uma alma salva e uma vida que poderá ser empregada no serviço do Mestre” (FIGUEIREDO, Helena. A Importância do Evangelismo Infanto-Juvenil. 2ª Edição. RJ: CPAD, 2012, pp.22,23).


CONHEÇA MAIS...
Ai daquele homem
Jesus adverte que aqueles que servem de instrumento para pôr coisas pecaminosas diante dos outros e, especialmente, diante de crianças, receberão a extrema condenação (Mt 18.5-7). Pôr ‘escândalos’ — tais como diversões mundanas, ensinamentos humanistas, filmes imorais, literatura pornográfica, drogas, bebidas alcoólicas, maus exemplos, falsas doutrinas e companheiros iníquos — no caminho dos outros, é ajuntar-se a Satanás, o grande tentador”. Para conhecer mais, leia Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p.1425.


Fonte:
Lições Bíblicas - O Desafio da Evangelização - 3º.trim_2016 CPAD - Comentarista Claudionor de Andrade
Livro de Apoio - O Desafio da Evangelização - Obedecendo ao Ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda a criatura - Comentarista Claudionor de Andrade
Revista Ensinador Cristão-nº67
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Bíblico Wycliffe

Sugestão de leitura:
Aqui eu Aprendi!
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...