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domingo, 31 de julho de 2016

Pastor Cesino Bernardino - 1934 / 2016

Morre Pastor Cesino Bernardino, fundador dos Gideões Missionários da Última Hora

O pastor Cesino Bernardino, 81 anos, conhecido por ter fundado os Gideões Missionários da Última Hora, é chamado por muitos de “Pai de missões”. No final de junho, após ter realizado uma cirurgia, ele entrou em coma profundo.

Foram feitas diversas campanhas de oração lideradas pelo seu filho, pastor Reuel Bernardino, na expectativa de um milagre. Cesino tinha sérios problemas nos rins e nos pulmões.

Na tarde deste sábado (30) ele entrou em óbito, após passar mais de um mês na UTI do hospital Santa Catarina, em Blumenau.

A Convenção de pastores do estado de Santa Catarina emitiu nota oficial, anunciando que o funeral do líder pentecostal será no pavilhão dos Gideões Missionários neste domingo. O sepultamento ocorrerá na segunda-feira, dia primeiro de agosto.

Desde o anúncio do falecimento, as redes sociais foram tomadas de mensagens de condolências de pastores, líderes evangélicos e políticos. O presidente da CGADB, pastor José Wellington Bezerra da Costa, manifestou seu pesar, bem como o pastor Samuel Câmara, presidente da Assembleia de Deus em Belém. O deputado federal pastor Marco Feliciano (PSC/SP) escreveu um texto no Facebook onde chamou Cesino de “herói da fé”.

Pastor  fez  história
Os GMUH surgiram no final da década de 1970, idealizado por Bernardino, recém chegado para assumir a Assembleia de Deus em Camboriú, Santa Catarina. Devido às grandes dificuldades financeiras da congregação, ele iniciou uma campanha de oração para que Deus o orientasse.

Segundo a revelação dada aos membros da igreja, que faziam reuniões de oração em suas casas, anunciou-se que a pequena cidade se tornaria referência para o país. Seguindo a tradição pentecostal, o pastor Cesino pregava constantemente em sua igreja e nas cidades vizinhas sobre o batismo no Espírito Santo.

Logo, ele reuniu uma equipe que, compartilhando de sua visão começou a preparar encontros de avivamento. No início da década de 1980, Bernardino realiza um congresso para os membros da igreja de Camboriú, o 1º Encontro de Missões, na igreja sede.

Na ocasião, foi comissionada a primeira missionária do ministério, enviada para a Argentina. Em pouco tempo surgiram outros. Criou-se uma tradição, que continua até hoje de realizar a cada mês de abril um evento similar em Camboriú.

Em 2016, celebrou-se o 34º Encontro dos Gideões, considerado o maior evento do tipo no mundo. Seguindo um crescimento contínuo com o passar dos anos, o encontro sempre reúne pessoas de todo o Brasil e também exterior.

De acordo com a organização do evento, cerca de 150 mil pessoas participam do encontro.

Abaixo comunicado publicado no site dos GMUH :
"Faleceu hoje, sábado 30, às 13h20min, o pastor Cesino Bernardino, presidente dos Gideões Missionários da Última Hora e da Igreja Evangélica Assembleia de Deus de Camboriú - SC. 
O funeral será no pavilhão dos Gideões Missionários e o sepultamento será na segunda-feira, dia 01/agosto  
Partiu para estar com nosso Senhor Jesus Cristo 
Toda a família, ministério, funcionários e missionários dos GMUH estão de luto. Contamos com vossas orações."

"Preciosa é à vista do Senhor a morte dos seus santos." Salmos 116:15

Que o Espírito Santo console vossos corações!




Fonte: GospelPrime_notícias
Site Oficial Gideões Missionários da Última Hora
Aqui eu Aprendi!

sábado, 30 de julho de 2016

Leitura e Avaliação de Livros da Bíblia

Texto Pedagógico

Leitura e Avaliação de Livros da Bíblia

É muito comum fazer avaliação de leitura de um livro da Bíblia através de testes. Neste texto, sugiro 10 maneiras distintas, fugindo da forma tradicional de avaliar:

1 - Organizar Rodas de Leitura para discutir um livro se for pequeno e partes de um livro de for grande (muitos capítulos).

2 – Realizar dramatização de um trecho de um livro.

3 – Fazer um resumo de um livro; o professor deve apresentar um roteiro com alguns pontos interessantes que não podem faltar no resumo.

4 – Apresentar versículos ou parte da história que mais chamou atenção na leitura e explicar.

5 – Relacionar os nomes dos personagens bíblicos e escrever suas qualidades e defeitos, como também atitudes que mais gostou.

6 – Enviar um e-mail para um colega da classe, falando sobre a leitura do livro e colocando fatos e versículos que mais chamaram a atenção. Fazer a cópia do e-mail e levar no dia da avaliação.

7 – Desenhar um acontecimento do livro e explicar.

8 – Se for leitura de um livro poético, organizar um Sarau para os alunos recitarem os textos poéticos.

9 - Se for leitura do livro dos Salmos, escrever um salmo de agradecimento a Deus e apresentar para a turma.

10 – Fazer paródias sobre o tema do livro. É interessante que esta atividade pudesse ser feita em grupo. As músicas podem ser acompanhadas pelos alunos e seus instrumentos (caso saibam tocar).

Fonte:
Texto de Sulamita Macedo - Pedagoga e Palestrante para professores de EBD
blog Atitude de Aprendiz 
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A Evangelização Urbana e suas estratégias

E aconteceu que, acabando Jesus de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles” Mt 11.1

No século 21, há um desafio imenso para a Igreja de Cristo: evangelizar a sociedade urbana. Por isso, é importante, a partir da lição estudada, nós refletirmos sobre as razões de uma evangelização de grande porte numa sociedade urbana e o meio de evangelização.

A mensagem de Jesus deve ser apresentada a todos
Um dos requisitos necessários à evangelização é a capacidade de quem evangeliza compartilhar, publicar, espalhar e anunciar uma notícia boa e nova para todo o ser humano, declarando que ela é relevante e verdadeira. A boa nova é a mensagem de nosso Senhor. Ela foi anunciada ontem pelos santos apóstolos, é anunciada hoje pela igreja visível do Senhor e, até a vinda de Jesus Cristo, será anunciada sempre.

O conteúdo da mensagem
O que pregar na evangelização? Ora, o conteúdo da mensagem de quem evangeliza passa inevitavelmente pelo tema da salvação, que é o anúncio de que Deus está consertando alguma situação destruída ou completamente equivocada. Imediatamente esse processo pode ser descrito pela Perdição, ou seja, o ser humano não sabia que algo de errado havia acontecido com ele, mas que por intermédio da encarnação de Jesus Cristo, da crucificação de nosso Senhor e a da ressurreição do nosso Rei, o ser humano teve o caminho livre para adentrar, pelo nome de Jesus, ao “Trono da Graça de Deus”.
Portanto, salvação e perdição, vida e morte, resgate e pecado são temas recorrentes da verdadeira mensagem do Evangelho passando inevitavelmente pelo acontecimento temporal e atemporal da encarnação, crucificação e ressurreição de nosso Senhor.

Os meios de Evangelização
Esta é uma questão importantíssima, pois a despeito da urgência e da necessidade de comunicarmos o Evangelho para uma sociedade urbana, os fins não podem justificar os meios da evangelização. Há algumas práticas inaceitáveis: usar assistência social como “isca”; pressões psicológicas numa “evangelização” centrada nos benefícios da fé; promessas falsas e utópicas para o fim do sofrimento. Estes são exemplos do que não se pode ser feito em nome da “urgência evangelística”. Por isso, os meios de evangelização devem ser usados da maneira mais natural possível. Os instrumentos mais atuais e disponíveis são a mídia eletrônica, impressa, artísticas e o mais poderoso de todos: o relacionamento pessoal.
Que Deus use sua Igreja para discernir o melhor meio de comunicar o Evangelho! (Revista Ensinador Cristão Nº67-pg.38)

A evangelização urbana é o primeiro desafio missionário da igreja e o estágio inicial para se alcançar os confins da terra.

Introdução
Simônides de Céos (556-468 a.C.) afirmou que a cidade é a grande mestra do ser humano. Não sei em que sentido o poeta grego referia-se ao caráter pedagógico da metrópole. Acredito que tanto no bom quanto no mau sentido. Na cidade, apreendemos a fazer o bem e a solidarizar-nos nas emergências e tragédias. Ela, porém, dá-nos a impressão de que jamais deixa de ser emergente e trágica, pois leva-nos a ver o mal em cada uma de suas praças e logradouros.
Que alternativa nos resta?
A natureza gregária da alma humana prende-nos ao espírito urbano. Logo, não podemos fugir à cidade. Se nos voltarmos, porém, à Bíblia Sagrada, constataremos que ainda é possível ser feliz numa megalópole como São Paulo; a bênção divina não cobre apenas o campônio, mas também o citadino. Confortando os israelitas prestes a deixar o nomadismo para se tornarem gregários, promete-lhes o Senhor: “Bendito serás tu na cidade e bendito serás no campo” (Dt 28.3).

O que nos ensina a promessa divina?
Antes de tudo, que Deus tem um plano específico para a sua cidade, querido leitor, visando à irradiação do evangelho para regiões longínquas e desconhecidas. A evangelização do mundo, a propósito, teve Jerusalém como ponto de partida. E, centrifugando-se da Cidade Santa, veio a alcançar os confins da Terra.

I. A CIDADE E O INSTINTO GREGÁRIO DO SER HUMANO
Se o mundo é criação divina, a cidade é invenção humana. Ela surgiu da necessidade social de Adão que, embora haja vindo à existência no Éden, logo demandou a presença de um ser que lhe fosse semelhante. Sem Eva, o jardim jamais seria um paraíso. Observando o isolamento do homem, declarou o Pai Celeste que a solidão não é nada boa. Lançava-se, ali, entre os rios Tigre e Eufrates, a semente que germina a família, floresce a cidade e frutifica o Estado.

1. Definindo os limites da cidade.
Quando Aristóteles (384-322) afirmou que o homem é um animal político, não se referia apenas à política partidária que, tanto em Atenas quanto em Brasília, divide nossos representantes em agremiações e siglas. A expressão grega zoon politikon (animal político) denota, em primeiro plano, o instinto gregário do ser humano; sem a cidade, a política é impossível.

A palavra “cidade” origina-se do vocábulo grego polis. E, deste, provém o nome que, há quase três milênios, emprestamos ao ofício que deveria promover o bem comum de toda a sociedade. Refiro-me à velha e mal compreendida política. Embora ciência e arte, ela não parece, às vezes, nem humana, nem exata e muito menos bela. Por isso, requerem-se, de quem a exerce, algumas virtudes indispensáveis: amor a Deus e ao próximo, moral irretorquível e comprovada vocação para administrar a coisa pública.

Já em latim, a palavra “cidade” vem do vocábulo civitatem, do qual nasceram dois importantes termos que, ainda, não foram devidamente incorporados ao nosso cotidiano: civismo e civilidade. Logo, a vida numa cidade só é possível quando cumprimos nossos deveres e usufruímos dos direitos fundamentais da cidadania.

Urbs é outra palavra latina para cidade. Temos, aqui, um termo que descreve a metrópole não propriamente como fenômeno político, mas como a comunidade racionalmente organizada e sustentável. É por isso que denominamos a ação evangelizadora, na cidade, de evangelismo urbano. Nossa estratégia contemplará a urbs de forma racional e planejada, visando à proclamação da Palavra de Deus em todas as estratificações da região metropolitana.

2. A primeira cidade.
Arguido por Deus quanto ao assassinato de Abel, seu irmão, supunha Caim restar-lhe apenas uma alternativa: ser um nômade naquela vastidão ainda inexplorada. Por essa razão, queixa-se ao Justo Juiz: “Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua face me esconderei; e serei fugitivo e errante na terra, e será que todo aquele que me achar me matará” (Gn 4.14). Seu impulso gregário, porém, constrange-o a fixar-se em Node, na banda oriental do Éden, onde constrói a primeira cidade humana.

Naquele ermo, não muito longe de Adão, o homicida se casa com uma de suas irmãs, gera filhos e filhas, e dá continuidade à cultura da terra. A expansão de sua família faz surgir uma aldeia, que não demoraria a tornar-se uma cidade dinâmica e produtiva. Em homenagem ao seu filho, chama a iníqua metrópole pelo nome de seu filho, Enoque.

Os enoquianos prosperam, expandem a agropecuária e desenvolvem tecnologias e artes. O autor sagrado, ao denunciar a poligamia de Lameque, sumaria os avanços científicos e artísticos daqueles citadinos:
E tomou Lameque para si duas mulheres; o nome de uma era Ada, e o nome da outra, Zilá. E Ada teve a Jabal; este foi o pai dos que habitam em tendas e têm gado. E o nome do seu irmão era Jubal; este foi o pai de todos os que tocam harpa e órgão. E Zilá também teve a Tubalcaim, mestre de toda obra de cobre e de ferro; e a irmã de Tubalcaim foi Naamá. (Gn 4.1922)

Com o avanço da cidade de Enoque, chegam a intolerância e a violência. Numa confissão que mais parece um poema épico, Lameque gaba-se de suas façanhas homicidas às suas esposas: “Ada e Zilá, ouvi a minha voz; vós, mulheres de Lameque, escutai o meu dito: porque eu matei um varão, por me ferir, e um jovem, por me pisar. Porque sete vezes Caim será vingado; mas Lameque, setenta vezes sete” (Gn 4.23,24).

A partir do marco zero daquela cidade, a impiedade alastra-se por toda a sociedade adâmica e contamina, inclusive, os descendentes de Sete que, ao contrário dos filhos de Caim, ainda porfiavam em buscar o Senhor. Mas, àquela altura, a metrópole caimita já estava condenada a desaparecer nas águas do Dilúvio.

3. A última cidade.
Desde a cidade de Enoque, muitas metrópoles surgiram e desapareceram. Algumas, como Babilônia, fizeram-se orgulhosas e imperiais. Outras, à semelhança de Nínive, tornaram-se sanguinárias e genocidas. Mas, uma a uma, vêm caindo diante do Senhor de toda a Terra. Até a capital do Império Romano, que está para ressurgir, experimentou a derrota, a vergonha e a humilhação.

Na consumação da História e do Tempo, o Senhor revelará a Jerusalém Celeste, na cronologia divina, derradeira. Ela, porém, já existia em seu espírito antes que o universo fosse criado. Na ilha de Patmos, o evangelista João veio a contemplá-la como que descendo de Deus, para inaugurar o Novo Céu e a Nova Terra. Como descrevê-la? Perseveremos até o fim, para que entremos por seus átrios com louvor e ações de graças. Esta é a Cidade de Deus.

II. CIDADE, UM LUGAR ESTRATÉGICO
As cidades sempre foram estratégicas à obra de Deus. Ele usou até mesmo a capital do Império Romano para expandir o seu Reino. Por essa razão, trabalhemos o evangelho de Cristo urbanisticamente, visando alcançar o mundo através de nossas metrópoles.

1. Babel, a cidade do antievangelho.
Após o Dilúvio, repete Deus a Noé a ordem que, no princípio, dera a Adão: “Frutificai, e multiplicai-vos, e enchei a terra” (Gn 9.1). Os filhos do patriarca, todavia, ao deixarem a região do Ararate, concentraram-se na planície de Sinear, e, ali, puseram-se a construir uma cidade à prova d’água, cuja torre haveria de arranhar o céu. Por isso, o Senhor resolve confundir a língua da segunda civilização humana (Gn 9.7).

Daquela cidade, que entraria para a História Sagrada como sinônimo de apostasia e confusão, os descendentes de Noé são espalhados pelos mais distantes e desconhecidos continentes. Agrupando-se de acordo com seus troncos linguísticos, os jafetitas concentram-se na Europa, os camitas, na África e partes de Canaã, e os semitas, desde Aram, espraiam-se pelo Oriente Médio.

Ao dispersar a raça a partir de Sinear, o Senhor preservou-nos a espécie, pois nenhum ajuntamento, quer humano quer animal, sobrevive fechando-se em guetos. Se aqueles antigos pretendiam, com a sua torre, arranhar o céu, vieram a tocar os alicerces do inferno.
A lição de Babel é emblemática e não será ignorada pela Igreja. A ordem de Cristo é que, a partir da cidade, alcancemos as regiões mais remotas da Terra. Se a Igreja é a assembleia de Deus chamada para fora de suas paredes, não haverá de concentrar-se em torres. Concentrando-se, jamais arranhará os céus. Mas, saindo de seu comodismo, andará com o Senhor nas regiões celestiais.

Não são poucas as igrejas que, hoje, extinguem-se em confusões e desinteligências, pois já não saem a evangelizar, pois querem evangelizar sem sair. A evangelização, contudo, é dinâmica. Evangelizar e sair são verbos geminados. Quem evangeliza, sai; quem sai, evangeliza. Por isso, a ordem do Senhor é clara: “Ide”. Ela também poderia ser traduzida como “indo”. O evangelista jamais deixa de ir; sai dia e noite, pois a sua sementeira não conhece tempo nem estação.
Faça como o evangelista da parábola. Jesus garante que ele saiu, mas não diz se ele voltou.

2. Jericó, a cidade das grandes conquistas.
Josué foi divinamente inspirado a iniciar a conquista de Canaã a partir de Jericó (Js 2.1). Ele poderia ter escolhido outra cidade, quer aquém, quer além do Jordão, mas nenhuma era tão estratégica a Israel como a metrópole das palmeiras. Subjugando-a, os israelitas teriam condições de neutralizar as demais vilas e aldeias de Canaã.

Josué, como servo do Senhor dos Exércitos, iniciou a sua campanha justamente por Jericó. E, dali, teve condições de manter uma guerra sem quartel nem trégua, até que o povo de Deus estivesse instalado segura e confortavelmente naquela terra boa e ampla.

De igual modo, agirá a Igreja em sua obra evangelizadora. Não podemos simplesmente comissionar evangelistas e missionários, sem dispormos de um plano mestre de evangelismo e missões. É urgente conhecermos o tempo, o terreno a ser conquistado e a estratégia a ser empregada num empreendimento evangelístico.

A obra evangelizadora assemelha-se a uma operação de guerra. Por esse motivo, precisamos da ajuda do Senhor dos Exércitos. Aquele que ajudou Josué a sitiar e a tomar Jericó não nos faltará com o seu auxílio num momento de tanta urgência como este.

3. Jerusalém, a cidade da grande comissão.
Se o Reino de Jesus fosse secular e mundano, teria Ele ordenado a construção de igrejas e catedrais, para eternizarem-lhe a mensagem e a obra. Uma igreja imortalizar-lhe-ia o primeiro milagre; outra, o Sermão do Monte; e, ainda outra, a multiplicação dos pães. Em Jerusalém, mandaria erguer pelo menos quatro catedrais. A primeira lembraria a sua entrada triunfal na cidade, a segunda recordaria o seu julgamento diante de Pilatos, a terceira evocar-lhe-ia a morte vicária e a quarta, mais imponente e grandiosa, haveria de perenizar-lhe a ressurreição dentre os mortos.

O Reino de Deus não necessita de palácios e castelos para firmar-se. A evangelização é suficiente para espalhá-lo de um hemisfério a outro. Por isso mesmo, o Senhor Jesus ordenou aos seus discípulos que iniciassem a conquista do mundo, tendo como marco zero Jerusalém: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria e até aos confins da terra” (At 1.8). A Cidade Santa, por conseguinte, apesar de todo o seu significado para a História Sagrada, não era o objetivo final de Jesus, mas o ponto de partida, por meio do qual seus discípulos, já devidamente instruídos, chegariam aos confins da Terra.

De igual modo, a cidade onde nos congregamos não pode ser considerada a meta derradeira de nossas atividades evangelísticas. Nela, e através dela, estabeleçamos um plano de ação que inclua, desde as áreas mais carentes até os avanços transculturais mais ousados. Que a igreja local seja vista como um quartel-general, de onde são elaboradas estratégias, para se proclamar o evangelho de Cristo até a última fronteira do planeta.

4. Antioquia, a igreja missionária.
Jerusalém é a cidade da Grande Comissão, mas Antioquia, a cidade missionária por excelência. Se nos valermos do registro de Lucas, constataremos que a congregação antioquina estava mais do que aparelhada para avançar evangelisticamente além de suas fronteiras nacionais e culturais. Entre os seus ministros, havia apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (At 13.1,2). Era um rebanho agraciado com todos os dons do Espírito Santo. Além dos espirituais, dispunha dos ministeriais e de serviço.

Lucas, o maior historiador de seu tempo, assim descreve o dinamismo da igreja síria:
Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo. E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado. (At 13.1,2)

Qual o segredo de Antioquia? Na verdade, não havia segredo algum entre os crentes daquela cidade, pois eles, desde o princípio, sempre porfiaram por uma vida espiritual de comprovada excelência. Mas se precisamos de algum mistério que estimule uma igreja local a universalizar-se, apontaremos alguns fatores que levarão também a sua igreja, querido leitor, ao mesmo patamar da congregação antioquina.

Antes de tudo, considere o ensino persistente da Palavra de Deus. Os que evangelizaram os crentes antioquinos cuidaram também de seu discipulado. Firmados na doutrina dos apóstolos, os novos convertidos logo amadureceram na fé, e passaram a andar como Jesus andava. Eles eram tão parecidos com Cristo, que não demoraram a ser conhecidos como cristãos (At 11.26). Aliás, foi a primeira vez que os seguidores de Jesus eram assim chamados; nem mesmo os crentes de Jerusalém obtiveram tal honra. Portanto, o segundo fator de excelência da igreja em Antioquia era o testemunho vivo e contagiante, que insta toda a cidade a ver, em cada cristão, o rosto de Cristo.
O terceiro fator do padrão de excelência de Antioquia era a sua vida de profunda comunhão com Deus: “Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram” (At 13.3). Mesmo ouvindo a voz do Espírito Santo, por meio de uma profecia, a congregação antioquina pôs-se a orar e a jejuar até que o Senhor confirmasse a chamada de Paulo e Barnabé.
As demais igrejas sírias, a exemplo de Antioquia, eram realçadas pela excelência. Por essa razão, o Senhor enviou para lá o iracundo Saulo, que, compungido pela visão celestial, ficou sob os cuidados de Ananias (At 9.10-18). Não temos muitas informações acerca desse obreiro que, na História Sagrada, é chamado simplesmente de discípulo. Todavia, era alguém capacitado, inclusive, para instruir o apóstolo que, em breve, seria conhecido como o doutor dos gentios.

O que mais diremos de Antioquia?
Era uma igreja tão excelente, que não precisou de nenhuma carta de exortação ou de correção doutrinária. À semelhança de Bereia, era fortemente comprometida com a Palavra de Deus.

5. Filipos, a pioneira da Europa.
Deus jamais deixou de ser o Senhor dos Exércitos. Se no Antigo Testamento, instruiu Josué a conquistar as terras de Canaã, em o Novo Testamento, suas estratégias continuam infalíveis. Por isso, impulsionou os apóstolos e evangelistas a irem de cidade em cidade até que fossem alcançados os limites mais extremos daquele mundo. O trabalho evangelístico semeado em Jerusalém e florescido em Antioquia frutificaria, agora, em terrenas europeias. Essa importantíssima fase da obra missionária da Igreja Cristã teve início com uma visão.

Paulo encontrava-se em Trôade, região ocupada hoje pela Turquia, quando teve uma visão. Eis que lhe aparece um varão macedônio, rogando-lhe com insistência: “Passa à Macedônia e ajuda-nos” (At 16.9). O apóstolo entendeu imediatamente a urgência do chamamento divino, pois não se tratava apenas da evangelização de uma cidade, ou de uma região, mas de um novo continente.
À equipe de Paulo, junta-se Lucas. A missão seria árdua, desafiadora e crivada de provações. O Médico Amado fala do espírito voluntário da equipe paulina: “E, logo depois desta visão, procuramos partir para a Macedônia, concluindo que o Senhor nos chamava para lhes anunciarmos o evangelho” (At 16.10).

Deixando Trôade, que alguns imaginam ser a Troia de Eneias, Paulo ruma em direção ao Ocidente. Atravessando a Samotrácia e Neápolis, a equipe apostólica chega a Filipos, a principal cidade da Macedônia. Ao contrário de Eneias que, segundo Virgílio, fundara a cidade que deu origem ao Império Romano, o apóstolo tem uma tarefa mais ousada e duradoura. Agora, fundaria as bases de uma obra evangelística que, tendo como base a Macedônia, chegaria a Roma, atravessaria o canal da Mancha, enfrentaria o Atlântico até alcançar a mim e a você, querido leitor.

As dificuldades, em Filipos, não foram pequenas. O apóstolo foi preso, sua equipe dispersou-se e a nova igreja não pôde ser devidamente doutrinada. Não obstante, aqueles aparentes fracassos redundariam, mais tarde, num avanço extraordinário do Reino de Deus por toda a Europa. Filipos entraria à História Sagrada como a igreja mantenedora, por excelência, do ministério paulino, conforme ressalta o apóstolo: “Porque os irmãos que vieram da Macedônia supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei de vos ser pesado e ainda me guardarei” (2 Co 11.9). Portanto, se Antioquia envia e Filipos sustenta, a cidade de Jerusalém dedica-se, agora, à intercessão. Em Atos, por conseguinte, há um plano divinamente estabelecido para se evangelizar o mundo a partir de cidades-chave.

6. Roma, o escritório missionário de Paulo.
Se o apóstolo Paulo foi chamado à obra missionária por meio de uma profecia, e se necessitou de uma visão para evangelizar a Europa, agora, será levado a Roma às expensas imperiais. Ao apelar para César, o apóstolo garantia uma viagem gratuita e até certo ponto, segura, à capital do Império Romano. Levando-se em conta as dificuldades e provações que lhe marcariam a trajetória de Cesareia, na Judeia, à presença de César, em Roma, o Senhor o assistiu em todas as coisas. Essa foi, sem dúvida, a sua última e mais importante viagem missionária registrada na Bíblia.

Nesse sentido, Cesareia pode ser apontada como uma das cidades mais estratégicas na evangelização do mundo subjugado pelo Império Romano.
Já em Roma, Paulo desenvolve um ministério diferente, mas de igual modo dinâmico e eficaz. Em vez de ir às pessoas, as pessoas iam até ele, para ouvir o evangelho de Cristo. Da casa que alugara, evangelizava, discipulava, escrevia e testemunhava acerca da ressurreição de Cristo. Foi nessa cidade, sob a vigilância romana, que o apóstolo completou a sua obra teológica, solidificando as igrejas, quer ocidentais, quer orientais, na Palavra de Deus.
Sua detenção em Roma foi divina e providencial. Doutra forma, não acharia tempo para escrever as cartas que viriam a ser conhecidas como as epístolas da prisão. Quem trabalha sob a orientação do Espírito Santo, ainda que detido, livremente evangeliza. Na obra de Deus, nem sempre atividade representa produtividade. Às vezes, corremos de um lado para o outro sem qualquer objetivo. Por isso, estejamos atentos à voz do Mestre. Se a coluna de fogo se detiver, não continuemos; humilde e obedientemente, recolhamo-nos. Quando ela se puser em movimento, prossigamos. Até mesmo para uma pausa requer-se uma cidade estratégica.

Antioquia enviou o apóstolo às missões. Filipos manteve-o no campo missionário. Quanto a Roma, deu-lhe a tranquilidade necessária para que doutrinasse as igrejas de Deus e, ali, testemunhasse sem impedimento algum.

7. Belém do Pará, as Boas-Novas vêm do Norte.
Divinamente orientados, Daniel Berg e Gunnar Vingren escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil. Logo em sua chegada, em 19 de novembro de 1910, constataram que a capital paraense era geograficamente estratégica para se alcançar o país em todas as direções.
No livro As Aventuras de Daniel Berg na Selva Amazônica, Marta Doreto destaca como o trabalho foi executado pelos missionários suecos na capital paraense, e como, de lá, saíram a evangelizar outras cidades e regiões:
A dupla de missionários achava-se em Belém havia cerca de dois anos, e cada rua já fora percorrida por Daniel Berg. Cada morador já tivera a oportunidade de comprar uma Bíblia e ouvir as boas novas da salvação. No coração daqueles que aproveitaram a oportunidade, a semente da Palavra estava germinando e crescendo. Eles já haviam batizado nas águas quarenta e um novos convertidos, e quinze deles já tinham recebido o batismo no Espírito Santo.
Percebendo que o seu trabalho de distribuir Bíblias em Belém chegara ao fim, o jovem Daniel sentiu que deveria semear, agora, noutros campos. Enquanto Gunnar Vingren ficaria pastoreando a igreja na cidade, ele seguiria a Estrada de Ferro Belém-Bragança, vendendo Bíblias nas cidadezinhas do interior. [...] Levando nas mãos a mala de Bíblias, e no coração a chama pentecostal, o missionário encaminhou-se ao primeiro povoado à beira da ferrovia.
[...] de longe, Daniel Berg avistou o teto das primeiras casas de Bragança. Seus pés cansados retomaram o ritmo acelerado, e seus lábios rachados pelo sol votaram a murmurar a canção: ‘A semente é boa para semear. A semente boa, não pode falhar. A semente e boa, foi Deus quem mandou. Vamos irmãos, unidos, trabalhar para o Senhor!’.
A cidade de Bragança era a última etapa da longa jornada de semeadura da Palavra de Deus. Em toda cidadezinha ou vila por onde Daniel passara, havia pelo menos um novo convertido lendo a Bíblia e ajudando a espalhar a boa semente.

A partir de Belém do Pará, o evangelho não demorou a chegar a outras regiões e estados da federação brasileira. Por essa razão, escolhamos com muito cuidado a cidade a partir da qual planejamos evangelizar um país, ou mesmo um continente. Daniel Berg e Gunnar Vingren, orientados pelo Espírito Santo, souberam como chegar aos confins de nosso país. Foram do Norte ao Sul, sem impedimento algum, apesar dos desafios que encontravam pelo caminho.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"Jonas tinha sido enviado para pregar em Nínive, cidade assíria no início do século VIII a.C., descreveu-a como 'uma grande cidade, de três dias de caminho' (Jn 3.3). Através desta declaração, é provável que o profeta desejasse dizer que seriam necessários três dias para alcançar todas as partes da cidade, em sua missão e pregação. Podemos julgar o tamanho de sua população através da declaração expressa em Jonas 4.11. Alguns entendem que o Senhor Deus, ao se referir à população inocente de Nínive, estaria mencionando todas as crianças demasiadamente pequenas para saberem a diferença que existe entre a mão direita e a esquerda, e que totalizavam 120.000 crianças; isto sugeriria uma população total de aproximadamente 600.000 pessoas. Talvez Jonas estivesse pensando na 'grande Nínive', uma vez que todas as principais cidades frequentemente consistiam de uma fortaleza murada com muitas outras vilas vizinhas estendendo-se por muitos quilômetros, e que, na linguagem hebraica, era chamada de cidade e suas aldeias (Js 15.45,47).
Outros, entretanto, consideram essa expressão de Jonas 4.11 como metafórica, e designando toda a população a quem Deus entendia como tendo um conhecimento imperfeito do bem e do mal. Uma população total de 120.000 pessoas está bem de acordo com o número registrado de 69.574 pessoas acomodadas em Calá, uma cidade com uma dimensão que correspondia a menos da metade de Nínive em 879 a.C." (Dicionário Bíblico Wycliffe. 1ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2009, pp. 1362,1363).

Conheça mais...
*Pentecostes
"O cristianismo não se restringe a um povo ou grupo de pessoas. Cristo oferece a salvação a todas as pessoas, sem levar em conta a nacionalidade de cada uma delas. Os visitantes de Jerusalém ficaram surpresos ao ouvir os apóstolos e os outros cristãos falarem em idiomas diferentes dos seus, línguas pertinentes a outras nacionalidades. Deus opera todos os tipos de milagres para que as Boas-Novas sejam divulgadas, usa inclusive idiomas para chamar todos os tipos de pessoas para se tornarem seguidores de Cristo". Bíblia de Estudo  Aplicação Pessoal, CPAD, p.1480.


III. ODESAFIOS DA EVANGELIZAÇÃO URBANA
Na evangelização urbana, há desafios e imprevistos que podem ser convertidos em oportunidade.

1. Incredulidade e perseguição.
Num tempo em que o evangelho é desgastado por falsos pregoeiros, anunciemos a Cristo com sabedoria, poder e eficácia (2 Tm 4.17). Nossa mensagem não pode ser confundida com a dos mercenários e falsos profetas (Rm 6.17). Preguemos a mensagem da cruz na virtude do Espírito Santo (1 Co 1.18).
Se formos perseguidos, não desistamos. Jesus também o foi em sua própria cidade, mas levou a sua missão até o fim (Lc 4.28-30).

2. Enfermos.
As áreas urbanas acham-se tomadas de enfermos e doentes terminais. No tempo de Jesus, não era diferente. Ao entrar em Jericó, Ele deparou-se com um cego que lhe rogava por misericórdia (Lc 18.35). E, às portas de Naim, encontrou o féretro do filho único de uma viúva (Lc 7.11-17). Ungido pelo Espírito Santo, curou o primeiro e ressuscitou o segundo.
Só o evangelho genuinamente pentecostal para impactar as cidades (Mc 16.15-18). Desenvolva a capelania hospitalar; não deixe de visitar os enfermos e moribundos.

3. Endemoninhados.
Quem se dedica à evangelização urbana deve estar preparado, também, para casos difíceis de possessão demoníaca. Muitos são os gadarenos espalhados pela cidade (Mt 8.28-34). Então, ore, jejue e santifique-se (Mc 9.29).
Não faça da libertação dos oprimidos um espetáculo. Mas, no poder do Espírito Santo, cure, ressuscite os mortos e liberte os cativos de Satanás (Mt 10.8).

IV. COMO FAZER EVANGELISMO URBANO
A evangelização urbana só será bem-sucedida se tomarmos as seguintes providências:
treinamento da equipe, estabelecimento de postos-chave, acompanhamento do trabalho, e estabelecimento de círculos e núcleos evangelizadores.


1. Treinamento da equipe.
Antes de chegar à Macedônia, o apóstolo Paulo já podia contar com uma equipe altamente qualificada para implantar o evangelho na Europa. Primeiro, tomou consigo a Silas e, depois, o jovem Timóteo (At 15.40; 16.1,2). Acompanhava-os, também, Lucas, o médico amado (At 16.11). Com esse pequeno, mas operoso grupo, o apóstolo levou o evangelho a Filipos, a Tessalônica e a Bereia, até que a Palavra de Deus, por intermédio de outros obreiros, chegasse à capital do Império Romano (At 16.12; 17.1, 10).

Portanto, forme a sua equipe com oração e jejum (Lc 6.12,13). Se souber como treiná-la, o êxito da evangelização urbana não será impossível.

2. Estabelecimento de postos-chave.
Sempre que chegava a uma cidade gentia, Paulo buscava uma sinagoga, de onde iniciava a proclamação do evangelho (At 17.1-3). Embora o apóstolo, na maioria das vezes, fosse rejeitado pela comunidade judaica, a partir daí expandia sua ação evangelística urbana até alcançar os gentios.

Encontre os postos-chave para a evangelização urbana. Pode ser a casa de um crente, ou a de alguém que está se abrindo à Palavra de Deus (At 16.15; Fm 1.2). Na evangelização, as bases são muito importantes.

3. Acompanhamento do trabalho.
Finalmente, acompanhe o progresso da nova frente evangelística. Ao partir para uma nova área urbana, deixe alguém responsável pelas igrejas recém-implantadas, como fazia o apóstolo Paulo (At 17.14). E, periodicamente, visite-as até que amadureçam o suficiente para caminhar por si próprias (At 18.23).

Não descuide dos novos convertidos. Fortaleça-os na fé, na graça e no conhecimento da Palavra de Deus. Quem se põe a evangelizar as áreas urbanas deve estar sempre atento. Por isso mesmo, tenha uma equipe amorosa, competente e disponível.

4. Estabelecimento de círculos e núcleos evangelizadores.
A verticalização das metrópoles impede-nos que evangelizemos de porta em porta, como acontecia há 50 ou 60 anos. Por isso, crie um círculo de relacionamentos. Não podemos entrar em um condomínio, mas um novo convertido que ali reside há de estabelecer um núcleo de evangelização, por meio do qual alcançaremos outras famílias.

O evangelho de Cristo não muda. Todavia, os métodos de evangelização devem ser periodicamente avaliados, para que o nosso trabalho não se torne improdutivo. Use as redes sociais. Seja criativo. Não desperdice oportunidade alguma.

Conclusão
A Igreja de Cristo nasceu na Cidade Santa. De lá, espalhou-se por todas as regiões do globo. Por esse motivo, sejamos prudentes e sábios na escolha das áreas metropolitanas que pretendemos evangelizar, pois, se estratégicas e bem localizadas, teremos condições de atingir não só um distrito, mas todo um país.
Nenhuma cidade será esquecida de nossa ação evangelística, pois o Senhor Jesus nos ordena que alcancemos a todos, em todo o tempo e lugar, por todos os meios. Todavia, consideremos a estratégia em cada plano evangelístico e missionário que estabelecermos.
Que Deus nos ajude. Ele quer abençoar-nos tanto na cidade como no campo em nossos empreendimentos evangelísticos.

SUBSÍDIO DIDÁTICO
Professor, utilize as informações abaixo para mostrar alguns passos que precisamos dar para evangelizar as cidades. Peça que os alunos também sugiram ações, completando assim o quadro. Enfatize também os vários tipos de evangelismo que podem ser realizados:

1. Oração e jejum em favor da cidade que se quer alcançar.

2. Estabelecer metas em relação à cidade que se quer alcançar.

3. Curso básico de evangelismo pessoal, preparando as pessoas para apresentar o plano da salvação.

4. Mapear as áreas da cidade, ruas, becos, vielas que se quer alcançar.

5. Providenciar material evangelístico (folhetos, Bíblias, revistas, etc).

6. Distribuir as equipes por faixa etária que se pretende alcançar (crianças, jovens, adultos, idosos).

7. Atrações especiais (louvor, encenação, etc.).

ESTUDANDO
A respeito da evangelização urbana, responda:
1. Qual a estratégia de Jonas?
O profeta não dispunha de tempo para percorrer toda Nínive, por isso, traçou uma estratégia simples, porém eficaz: "E começou Jonas a entrar pela cidade caminho de um dia, e pregava, e dizia: Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida" (Jn 3.4).
2. Fale sobre a estratégia do Pentecostes.
E, quando da descida do Espírito Santo, eles ouviram a mensagem da cruz em sua própria língua. Ao retornarem aos seus lugares de origem, levaram a semente do Evangelho que, mais tarde, germinaria congregações e igrejas.
3. Qual a estratégia adotada por Daniel Berg e Gunnar Vingren?
Orientados pelo Espírito Santo, Daniel Berg e Gunnar Vingren escolheram a cidade de Belém, no Pará, como ponto de partida para a sua missão no Brasil.
4. Quais os desafios da evangelização urbana?
Incredulidade, perseguição, enfermos, endemoninhados.
5. Que providências podem tornar bem-sucedida a evangelização urbana?
Treinamento da equipe, estabelecimento de postos-chave e acompanhamento do trabalho.

Fonte:
Lições Bíblicas - O Desafio da Evangelização - 3º.trim_2016 CPAD - Comentarista Claudionor de Andrade
Livro de Apoio - O Desafio da Evangelização - Obedecendo ao Ide do Senhor Jesus de levar as Boas-Novas a toda a criatura - Comentarista Claudionor de Andrade
Revista Ensinador Cristão-nº67
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Bíblico Wycliffe
Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Predições de Juízo e Glória

E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva” Is 4.6

Nesta lição você verá que o profeta mostra que, apesar de Deus ter de executar juízo contra seu povo, como consequência das escolhas erradas feitas por eles, o que prevalece é seu imenso amor, misericórdia e cuidado para com eles, demonstrado no envio do Messias (Is 4.5). Isaías deixa claro que o Deus executor de juízo age com justiça e equidade, mas que jamais deixará seu povo entregue ao sofrimento, demonstrando assim a grandeza dEle purificando, salvando e curando seu povo e ainda lhes prometendo que seriam muito abençoados.

Após o juízo divino avassalador, se estabelecerá um período de muita justiça, glória e beleza, em que o “renovo do Senhor”, Cristo, promoverá um período de bênçãos, proteção e prosperidade

Um grande desafio do ponto de vista humano é compreender como Deus pode, ao mesmo tempo, executar um juízo que traga choro, dor e lamento, e também um amor imensurável e, em grande misericórdia, providenciar renovo e abrir o caminho para a redenção, a proteção e a glória.

Nos dias atuais, tomado por tanto caos e injustiças, essa é uma questão cada vez mais latente. As pessoas se perguntam: onde está Deus? Por que Deus permite isso ou aquilo? Enfim, não só o juízo de Deus faz parte desse enredo, mas também uma sucessão de consequências de escolhas erradas feitas ao longo dos tempos. O homem, ao rejeitar o amor de Deus, abre os braços a escolhas que tem consequências nos tempos presente e futuro.

A cada dia, as escolhas humanas são reflexos de suas concepções de mundo. Fazem o mal, porque o mal está dentro dos seus corações. Fazem o bem, porque o bem, de igual forma, está dentro do coração. Parece uma questão simples, mas não é tão simples assim. As pessoas teimam em não querer aceitar as consequências das suas escolhas: fazem escolhas más, frutos de pensamentos maus, que se originaram em homens que já esqueceram o que é o amor de Deus e estão completamente absorvidos pelo sistema do mundo.
É nesse contexto que o juízo de Deus se faz necessário, mas há, no tempo atual, assim como nos dias de Isaías, uma importante missão a ser cumprida. Naqueles dias, o profeta foi a voz que clamava. Nos dias atuais, cabe à Igreja ser a voz profética que anuncia que é preciso arrependimento e restauração.

Em seu livro, o profeta Isaías quer mostrar que, apesar de Deus ter de executar juízo contra seu povo, como consequência das escolhas erradas feitas por eles, depois de claras e severas advertências, o que prevalece é seu imenso amor, misericórdia e cuidado para com eles, demonstrado em dois momentos: Primeiramente, na proteção, conforto e consolo disponibilizados por Deus e simbolizados na nuvem protetora de dia e no resplendor de fogo chamejante durante a noite (Is 4.5). E, por fim, no envio do Messias que, a princípio, fora rejeitado, mas finalmente aceito, e que também foi chamado de Renovo do Senhor, cheio de beleza e de glória.

O profeta busca deixar claro que o Deus executor de juízo age com justiça e equidade, porém jamais deixará seu povo entregue ao sofrimento, demonstrando, assim, a grandeza dEle purificando, salvando e curando seu povo e ainda lhes prometendo que seriam muito abençoados.

Qual deve ser nossa posição frente ao que nos revela o profeta? A mensagem das Boas-Novas é clara, e o chamado é para todos. O amor e a misericórdia de Deus nos alcançam de forma plena ao contemplar o juízo, promovendo a restauração e a redenção em Cristo, chamando-nos para a comunhão e gozo eterno. Enfim, destacamos a concordância do autor de Hebreus com Isaías quando escreve: “Como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação?” (Hb 2.3 - ARA).

I - O JUÍZO DE DEUS
O juízo de Deus é um ato de amor que tem por objetivo: separar o bem do mal e o verdadeiro do que é falso. Talvez pareça um pouco antagônico: Como afirmar que o juízo de Deus, com todo o seu enredo já conhecido, é um ato de amor? Para entendermos essa questão, é necessário nos remetermos até os primeiros dias onde o homem foi criado por Elohim. Havia um propósito para o homem que envolvia um relacionamento muito especial e íntimo com Deus, mas o homem escolheu pecar, interrompendo toda essa bela história. A continuidade dessa trama já é bastante conhecida, assim como suas consequências. Logo, haveria um juízo; porém, mais do que um juízo, havia um Deus amoroso e misericordioso. Aos olhos humanos, era chegada a hora da sentença e da morte. Aos olhos de Deus, era a hora do juízo, da restauração e da glorificação.

1. As causas do juízo de Deus
Antes de enviar seu juízo, o Senhor havia mostrado claramente ao povo que Ele não deveria agir de forma contrária ao seu amor. E assim tem sido desde o início. Antes mesmo da queda de Adão e Eva, Deus já os havia instruído acerca do que deveriam evitar, a fim de manterem a comunhão com Ele. E assim foi durante toda a história da humanidade até os tempos do profeta Isaías. Deus, sempre movido por amor e misericórdia, buscou estabelecer alianças com o seu povo, levantou vozes para que trouxessem palavras de retidão, realizou maravilhas e supriu as necessidades. A lista de intervenções é imensa, desde pão vindo do céu, o mar se abrindo, as muralhas indo ao chão, até palavras proféticas de homens ungidos. Porém, nada disso conseguiu manter o povo de Israel longe do pecado. Bastou o tempo passar e os milagres “esfriarem” para que o povo começasse a abandonar seus princípios e imergisse numa série de abominações.

Por causa disso, Deus alertou, por intermédio do profeta, contra a corrupção dos governantes e a violência. Alertou também sobre questões econômicas e sociais que promoviam a injustiça. Foram denunciadas e advertidas as seguintes práticas: a substituição do Senhor pelas riquezas; a ganância; o suborno recebido pelo juiz; a exploração dos trabalhadores para a manutenção do luxo no palácio, do rei, da corte e do templo; a concentração de riquezas nas mãos de poucos; o empobrecimento da população; a administração fraudulenta; a impunidade e a opressão. Tudo isso é característica do afastamento sistemático do amor e do cuidado de Deus, dando as costas a Ele, e, na prática, querendo afirmar que não precisariam dEle nem de suas ordenanças para organizarem suas vidas.

2. Como um Deus bom pode agir com juízo
Está aí, possivelmente, um dos maiores antagonismos levantados por muitos que, em um primeiro momento, não conseguem compreender as dimensões da justiça e do amor de Deus. Nos tempos antigos, e também nos dias atuais, ao olhar para tantas consequências de ações humanas, não conseguem perceber que elas são simplesmente decorrências das próprias escolhas. Essas pessoas não compreendem como um Deus de amor pode agir em juízo e alegam que as duas coisas são antagônicas e preferem achar que Ele é complacente com situações que ferem sua santidade, como no caso do povo de Judá e Jerusalém.
Mas é preciso afirmar a verdade de que o juízo de Deus se manifesta sempre que se viola o princípio de justiça estabelecido por Ele, e assim se viola seu próprio amor, ou seja, a própria criatura humana se expõe ao juízo de Deus ao rejeitar o seu amor que é oferecido gratuitamente. Desta forma, o juízo é um ato de amor que abandona o ser que resiste ao amor de Deus à autodestruição.

No caso de Israel, esse amor foi rejeitado ao agirem com arrogância e autossuficiência, desprezando a provisão de Deus e ao praticarem a injustiça de uns para com os outros, oprimindo e explorando os pobres, os órfãos e as viúvas. Enfim, o povo que reivindicava para si uma atribuição de religiosidade havia esquecido o real sentido do amor que deveria ser para eles uma inspiração, servindo de padrão em todos os momentos. O amor e a misericórdia de Deus, que, em outros momentos, já os havia alcançado e salvado das mãos de tantos inimigos, deveria motivá-los a praticar a justiça, fazer o bem e amparar os que precisam. Mas a realidade que se apresentava era completamente diferente. Não importava quantas vezes o povo foi alvo da misericórdia de Deus. Em todas elas, o que se seguiu foi o desvio moral, espiritual, político e social do povo. Já havia uma distância incalculável entre o lugar que o povo de Israel deveria ocupar e onde eles realmente estavam por causa do pecado.

O Criador, em seu infinito amor, deseja que todos sejam alcançados pela graça e salvação. Porém, também é verdade que Deus é santo e, em sua santidade, há a necessidade de uma restauração. E esse processo é o que viria a acontecer através da promessa do “Renovo”.

3. A justiça estabelecida com juízo
As palavras do profeta eram prenúncios de tempos de justiça e purificação não só para aqueles dias, mas também para momentos muito posteriores, como os nossos dias e, ainda, os dias que virão. Não há como desfrutar da presença de Deus sem justiça e santidade, e é nesse contexto que o juízo começa a ser aplicado.

Para que houvesse o retomo da justiça no meio do povo de Deus, era preciso que o juízo fosse feito com rigor pelo justo juiz. O Senhor lavaria e purificaria toda a sujeira e limparia Jerusalém da culpa de sangue inocente derramado e das injustiças praticadas até mesmo em nome dEle. Para isso, Ele enviaria seu Espírito de justiça e seu Espírito purificador (Is 4.4 - ARA). Assim como em qualquer processo de justificação, muitos não estavam dispostos a pagar o preço necessário, pois o arrependimento e a restauração são etapas árduas, caras e trabalhosas, porém necessárias. Quando o juízo fosse completado, a glória e a proteção do Senhor seriam estendidas sobre seu povo.

Nos dias atuais, a injustiça, a falta de amor, o individualismo, a corrupção, a violência e toda uma série de iniquidades se multiplicam. Multidões estão cada vez mais se afastando de Deus e, iludidos por teorias e tendências que surgiram com a modernidade, vão se distanciando da fé e cada vez mais buscando a satisfação apenas de si próprios. Multidões são vítimas dessas condições em que o coletivo cada vez tem menos importância e o individualismo é a palavra de ordem que lança um contra os outros sem piedade em uma realidade de dor e solidão. Essa é a plataforma ideal para que se estabeleçam injustiças e se viole o direito e a dignidade do próximo, ou seja, são as condições para a prática de todo pecado, que está latente no coração humano esperando apenas a oportunidade de se mostrar.

Nesse cenário, a Igreja tem um importante papel e não pode se esquivar dessa grande responsabilidade. A Igreja é o povo do Senhor na terra e atua como um arauto de justiça e um inibidor do juízo contra o pecado e todas as formas de injustiça. Dessa forma, em todas estas frentes, deve haver um posicionamento para que a justiça deva ser proclamada. Ao anunciar as Boas-Novas, proclama-se uma mensagem de amor, acolhimento, justiça, amparo e ética, enfim, uma coerência com os ensinamentos do Mestre Amado. Essa proclamação precisa encontrar amparo nas atitudes da Igreja frente à realidade onde estamos inseridos.
Essas atitudes vão além de uma série de ações dentro de nossas igrejas, pois elas transcendem esse espaço, levando essa voz a todos os espaços e exercendo uma abrangência integral, cuidando do ser humano em todas as suas esferas. Ao ouvir falar de amor, se sentirá amado; ao ouvir falar de justiça, se sentirá justificado; ao ouvir falar de acolhimento e cuidado, se sentirá abraçado em sua totalidade. Vamos exemplificar essa questão, no caso de a proclamação do evangelho não vir acompanhado dela: seria complicado falar do “pão da vida” a alguém que está com o estômago vazio e sente dor de fome, assim como seria difícil explicar o amor de Deus a alguém que é rejeitado por todos e não tem nem um teto para dormir à noite.

A Igreja é um arauto de justiça e, como tal, precisa também ser presente no espaço da “polis”. Por isso, ela não deve se omitir dos meios públicos, políticos e da justiça social, mas também não pode compactuar com políticas injustas e corruptas. Deve, sim, ocupar o espaço na sociedade que lhe compete. Nessa posição, não há como aceitar troca de favores com os poderes constituídos, pois compromete a autoridade profética da Igreja. A Igreja, quando se fizer presente no meio público, precisa ser referência de ética, compromisso com a justiça e a verdade, além de sempre posicionar-se de forma profética e justa, mostrando ao mundo que há um Deus que é justo, santo e amoroso!

II - A GLÓRIA DO RENOVO DO SENHOR
Um período de grande glória e beleza será estabelecido após o juízo divino sobre o povo, segundo a profecia de Isaías. Porém, essa bênção seria apenas para aqueles que forem salvos da destruição causada pela invasão dos inimigos de Israel, que seria a executora do juízo de Deus. Esse juízo seria tão avassalador que os salvos seriam chamados de santos diante da purificação que se estabelecerá.

1. O renovo do Senhor para Israel
Nesse ponto da profecia, há uma referência tanto à época em que ela fora proferida quanto a um tempo muito posterior, em um tempo já escatológico. Para os estudiosos do texto bíblico, ao falar do Renovo do Senhor, Isaías está se referindo ao Messias que seria rejeitado pelo povo de Israel, porém aceito ao final de muito aperto.

Ao apontar para o contexto imediato, faz-se referência à invasão babilônica que, durante muitas décadas, assolou todo o mundo conhecido de então, promovendo a destruição de reinos e cidades e ampliando o seu poder. Talvez, nesse momento, quando eram levados cativos, muitos dos que choravam começaram a repensar seus atos e como estavam fora dos propósitos estabelecidos por Deus, mas já era tarde demais.

Em um contexto remoto, faz referência ao fim dos tempos, quando Israel estará novamente sitiada e será liberta milagrosamente quando reconhecer e aceitar a Cristo como o enviado de Deus. Esse tempo será após o período da Grande Tribulação, que durará sete anos, e o anticristo quebrará o pacto feito com Israel, e muitas nações da terra se voltarão contra o povo de Deus. Nesse momento, o socorro do Senhor virá através da intervenção divina encabeçada por Cristo em favor de seu povo.

2. O renovo do Senhor para a igreja
A promessa de renovo é para toda a Igreja, e não mais apenas para Israel. Com a rejeição de Cristo por Israel, seu povo, abriu-se a grande porta da graça de Deus para todos os povos da terra. A promessa agora estaria acessível a todo aquele que aceitar viver esse processo de restauração, independentemente de etnia, classe social ou qualquer outra classificação. Bastaria dizer sim para viver essa restauração. Enfim, todos os que aceitam a Cristo como salvador nesse tempo da graça serão espiritualmente revestidos de beleza e glória através de Cristo nas suas vidas. Com isso, todos os que estão em Cristo são chamados de santos (Is 4.3; 1 Co 1.2). Esse processo de santificação se dá não por iniciativa do cristão, mas a partir do fato de ele estar em Cristo, que é santo.

É em Jesus Cristo que o renovo se concretiza ao nos dar vida plena. Ao morrer na cruz, Ele levou sobre si nossa culpa e cumpriu o juízo nos dando acesso à vida eterna. É o Renovo do Senhor produzindo vida! Jesus se referiu a si mesmo como o doador da vida (Mt 20.28; Jo 3.15-16; 5.24), dizendo que “quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. Ao contrário, a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” (Jo 4.14 - NVI).

3. Cristo, o provedor de bênçãos para os salvos
Em Cristo, os salvos são alvos de muitas bênçãos. Essas bênçãos são especiais; porém, aos olhos daqueles que ainda não conhecem a mensagem da cruz, elas podem parecer irreais. Quem ainda não conhece a Cristo está tão preso ao pecado e oprimido pelas injustiças e corrupção do mundo que não consegue mensurar o quão precioso é a verdadeira vida que é ofertada por Jesus.

Através de Cristo, há abundante provisão para todos nós, os salvos. E através de sua Palavra que Ele promete cura para o corpo físico (Mt 4.23), libertação do pecado e de situações de aflição e angústia (Rm 8.21), salvação do estado de morte e afastamento de Deus (Lc 3.6), renovação para a mente e no modo de pensar (Rm 12.2; 4.23), perdão completo para a culpa (Mt 26.28; Lc 24.47), e sobre nós repousa sua glória transformadora. Como disse Paulo: “E todos nós, que com a face descoberta contemplamos a glória do Senhor, segundo a sua imagem estamos sendo transformados com glória cada vez maior, a qual vem do Senhor, que é o Espírito.” (2 Co 3.18-NVI).

Em Cristo, somos novas criaturas e podemos desfrutar de uma intimidade ímpar com o Senhor, o que nos permite a cada dia vivermos um processo de santificação até que venha a ser dia perfeito. E cabe a nós, Igreja, anunciarmos ao mundo que em Cristo há um caminho para a salvação e para a vida abundante. Essa compreensão impele a Igreja a um despertamento da necessidade de “sair para fora” e anunciar que há um juízo, mas que também há uma salvação em Cristo.

III - A PROTEÇÃO DO SENHOR
Como é precioso o sentimento de proteção. Já no Jardim do Éden, encontramos Deus cuidando de Adão e Eva, demonstrando o quanto essa ação é significativa e importante. Até em uma célula familiar, o bebê, quando está inquieto, se conforta ao receber o afetuoso abraço da mãe. Um dos pilares que une as pessoas é a necessidade de proteção, como pôde ser observado no surgimento das primeiras civilizações: buscava-se água, comida e proteção. Enfim, a proteção é uma necessidade natural do ser humano. No entanto, a proteção que necessitamos da parte de Deus é muito diferente, pois envolve o nosso ser como um todo.

O profeta Isaías evoca a proteção do Senhor sobre seu povo lembrando-os da nuvem de dia e da coluna de fogo durante a noite que os acompanhou durante os 40 anos no deserto. Tendo isso em mente, o profeta afirma: “Criará o Senhor sobre toda a habitação do monte de Sião e sobre as suas congregações uma nuvem de dia, e uma fumaça, e um resplendor de fogo chamejante de noite; porque sobre toda a glória haverá proteção. E haverá um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva” (Is 4.5). Trata-se de uma recordação agradável para o povo de Deus, pois evoca o cuidado dEle durante o calor do sol diário para não queimar o povo e da escuridão e do frio da noite trazendo proteção e calor respectivamente.

1. A proteção do Senhor para Israel
O profeta Isaías trouxe ao povo a lembrança do cuidado de Deus quando, na travessia do deserto, com a finalidade de afirmar que, de forma mais gloriosa ainda, a mesma proteção será presente para o povo de Deus.

As histórias dos tempos antigos ainda mexiam com o coração do povo. A forma como Deus libertou o povo do Egito, a travessia do Mar Vermelho, a condução pelo deserto, todos os eventos aos pés do Monte Sinai, bem como a história da conquista da Terra Prometida, além da forma como foi provido alimento e água, a nuvem e a coluna de fogo; enfim, elementos que revelam o quanto Deus pelejou e cuidou do seu povo, demonstrando uma relação verdadeiramente impressionante.
Essas expressões trazidas pelo profeta estão, obviamente, em sentido figurado e remetem para um tempo futuro, no reinado messiânico, em que Deus protegerá seu povo de forma miraculosa contra todos os inconvenientes, tanto da natureza quanto de seus inimigos. Todavia, além dessa proteção, fornecerá “um tabernáculo para sombra contra o calor do dia, e para refúgio e esconderijo contra a tempestade e contra a chuva (Is 4.6). Ou seja, o povo se sentirá confortável como nunca em outro tempo esteve, pois a plenitude do reino Messiânico será de uma glória indescritível (Is 4.5).

2. A proteção do Senhor para os salvos
As promessas de Deus para Israel quanto ao reino Messiânico também se aplicam aos salvos. A partir do momento em que Cristo veio ao mundo e foi rejeitado pelos seus, uma porta foi aberta estendendo a possibilidade de salvação a todo aquele que passa a crer em Jesus. O “Ide” da Grande Comissão (Mt 28) tem um imperativo que revela a vontade de Deus em salvar toda a humanidade e, assim, permitir que todo o que crê na mensagem da cruz seja salvo.

Aos que aceitam essa mensagem, Jesus faz uma promessa: Ele afirmou que aqueles que vivessem em seu Reino (Lc 8.1; 16.16; 17.20-21), que se estabelece nos corações, experimentariam antecipadamente as realidades deste Reino: “Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo” (Rm 14.17 - NVI). Essa já é a dimensão presente do Reino de Deus que se apresenta a todo aquele que segue a Cristo.

Mas será que essa verdade significa que não mais teremos lutas e aflições? Não, não, muito pelo contrário. Estamos em uma verdadeira batalha em que somos arautos do Rei e precisamos promover o seu Reino. Para cumprir essa missão, há um preço a ser pago, pois a mensagem que levamos aos que tem sede é muito preciosa, e é natural que tenhamos resistências do sistema do mundo atual; mesmo assim, devemos ter bom ânimo porque não estamos sozinhos nessa caminhada!

O próprio Jesus não prometeu uma vida fácil e livre de tribulações. Ele mesmo disse: “neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo” (Jo 16.33 - NVI). Temos, na fala de Jesus, a certeza de que a caminhada de fé do cristão é repleta de desafios, ainda mais porque vivemos num momento de grandes injustiças, corrupções, violência e esfriamento do amor. O individualismo e a falta de amor alcançaram níveis alarmantes, levando multidões ao desespero. Mas é nesse contexto que a Igreja precisa cumprir o seu papel profético e anunciar que há um caminho.

Em meio a tantas dificuldades, Cristo nos mostra que a provisão para o seu povo é a companhia, o consolo e o conforto do seu Espírito Santo, que atua como uma nuvem sobre seu povo, guardando cada um do calor escaldante das aflições da vida, e o fogo do Espírito, que protege contra a frieza deste mundo e lhes provê sustento espiritual.

O resplendor de fogo sobre o povo e o seu Espírito purificador (Is 4.4-5) são alusões ao batismo com o Espírito Santo e com fogo (Mt 3.11), que se cumpriu no Dia de Pentecostes e que ainda se cumpre na vida de cada crente ao ser batizado no Espírito Santo, promovendo purificação e queimando interiormente aquilo que fere a santidade de Deus, permitindo vivermos em seu Reino de justiça, paz e amor. E é mediante o batismo no Espírito Santo que o cristão recebe as condições para exercer o seu chamado de forma plena conforme a vocação de Deus para a sua vida de forma destemida e triunfante.

Concluindo, podemos afirmar que Deus deseja para nós, o seu povo escolhido, os salvos em Cristo, que vivamos uma vida de plenitude desfrutando das muitas coisas boas disponíveis em seu Reino, estabelecido em nossos corações. Ele tem o melhor para nós e, ao usufruirmos desse melhor, estamos também glorificando a Deus, pois foi com essa intenção que Ele nos criou: para, em intimidade com o Pai no cotidiano, vivamos intensamente essa relação cumprindo o propósito dEle em nossas vidas.

Mas, infelizmente, muitos ainda não desfrutam dessa intimidade. A rejeição dessa oferta gratuita é uma afronta ao seu amor e misericórdia e entristece muito ao Pai. Como pode o homem dizer não a tão grande amor? E há tantos que renunciam esse presente. Talvez a resposta a essa questão seja encontrada no fato de que ainda não tenha sido revelado de forma clara o quanto Deus pode trazer vida a essa pessoa que agora diz não. Quem poderá revelar a essa pessoa tão grande verdade? Talvez essa seja uma tarefa para você, leitor. Pense nisso. Doe-se nessa linda missão.

Vamos, então, nos esforçar para permitir que o Espírito Santo implante em nossos corações o Reino de Deus, a fim de trazer a libertação das forças opressoras do mal e da miséria humana. E tocados por essa causa, vamos conscientes da visão profética da Igreja, avançar na missão de anunciar ao mundo que há um Deus que é justiça, mas que também é amor, misericórdia e que tem para os seus um renovo em glória.

SUBSÍDIO
“Cristo é chamado Renovo de Jeová, plantado pelo seu poder e florescido para seu louvor. O Evangelho é fruto do renovo de Jeová. Todas as graças e consolações do Evangelho brotam de Cristo. É chamado fruto da terra porque surge neste mundo e é adequado para o estado presente. Será uma boa prova de que somos diferentes daqueles simplesmente chamados Israel, se formos levados a ver toda a beleza em Cristo, e na santidade. [...].

Através do juízo da providência de Deus, os pecadores são destruídos e consumidos; porém, pelo Espírito da graça são transformados e convertidos. O Espírito atua aqui como Espírito de juízo, ilumina a mente e convence a consciência; também como Espírito que queima, vivifica e fortalece os afetos, e faz com que os homens sejam afetados zelosamente em uma boa obra. Um amor ardente por Cristo e por vidas humanas, e o zelo contra o pecado, levarão os homens de modo resoluto a obras que tirem a incredulidade de Jacó. Toda a aflição serve para os crentes como forno para purificá-los da escória; a influência convincente, poderosa e iluminadora do Espírito Santo desarraiga paulatinamente as suas luxurias e os torna santos como Ele é Santo” (HENRY, Matthew. Comentário Bíblico. 1ª Edição. RJ: CPAD, 2002. p.563).

Fonte:

Lições Bíblicas - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. 3º.trim_2016 CPAD - Clayton Ivan Pommerening
Livro de Apoio - Isaías - Eis-me aqui, envia-me a mim. - Clayton Ivan Pommerening
Comentário Bíblico Mattew Henry - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Bíblico Wycliffe


Sugestão de Leitura:
Aqui eu Aprendi!
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