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quinta-feira, 31 de março de 2016

O pecado de adultério e o Ministério Pastoral

"Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus? ); não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo." 1 Timóteo 3:1-7


"..., marido de uma mulher,..." 1 Timóteo 3:2b

Em 1ª Timóteo 3.2-7, Paulo enumera as qualificações imprescindíveis para o exercício do ministério pastoral. A lista é estruturada por aquilo que é chamado de “inclusio” (dispositivo literário em forma de parêntesis). O primeiro requisito (verso 2a) é que o ministro seja “irrepreensível”; o último (verso 7) que tenha “bom testemunho dos que estão de fora”. Em consequência os requisitos para o ministério exigem no todo que o candidato esteja acima de qualquer repreensão. A não observância de quaisquer requisitos o desqualifica para a função.

Assim, o ministro deve ser “irrepreensível” também no casamento. Não deve ser alvo de reprovação da sociedade ou da comunidade cristã em seu relacionamento conjugal. Sua conduta matrimonial não pode macular a reputação da igreja.

Muitos debates têm surgido acerca do significado da expressão paulina “marido de uma mulher” (1Tm 3.2b) que também pode ser traduzida como “homem de uma única mulher”. Os questionamentos giram em torno de uma possível alusão apostólica desfavorável a poligamia, ao concubinato, ao divórcio ou infidelidade no casamento. Vamos então aos argumentos prós e contras a estas interpretações:

A poligamia, embora praticada, era contrária a lei romana. E entre os judeus a monogamia era a regra mais aceita. O concubinado, apesar de ser o único meio dos soldados viverem maritalmente, não era prática habitual fora do Exército. O divórcio, ainda que socialmente aceito de modo trivial entre judeus e pagãos, no cristianismo primitivo só era tolerado em casos de adultério (Mt 19.9) ou de abandono do lar (1Co 7.15). A infidelidade matrimonial, por sua vez, era conduta condenada e desprezível, tanto no judaísmo quanto no cristianismo incipiente (Êx 20.14; Mt 5.27,28).

Mercê das evidências do ambiente cultural à época, em que a sociedade cristã e pagã não via com bons olhos a poligamia e nem o concubinato, conclui-se, então, que, embora não excluídos, não são a poligamia e o concubinato o foco principal da instrução de Paulo em análise. Resta então saber se é o novo casamento após o divórcio trivial ou a infidelidade conjugal que desqualifica candidatos para o ministério pastoral. O texto bíblico permite as duas possibilidades. O candidato divorciado por motivo incompatível com as exceções bíblicas (Mt 19.9; 1Co 7.15) e aquele que, enquanto casado, tenha praticado adultério. Os candidatos que tenham incorrido na prática de um destes casos, não preenchem o requisito bíblico de “homem de uma única mulher” e portanto inabilitado para o exercício do ministério pastoral.

Certamente que os envolvidos em quaisquer destas situações, ao confessarem o pecado, receberão o perdão de Deus. Contudo há de se fazer uma diferença entre ser perdoado e ser qualificado para o ministério. Se os fatos tenham ocorrido antes da conversão “Deus não levará em conta o tempo da ignorância” (At 17.30). Porém, se, tais erros forem cometidos após a conversão, como pecador arrependido recebe perdão, mas como candidato ao ministério torna-se incapacitado.

A culpa na dissolução do casamento não se harmoniza com a retórica paulina: “Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?” (1Tm 3.5). De outro lado, a prática “do pecado contra o próprio corpo, que é templo do Espírito Santo” (1Co 6.18,19), imprime no transgressor uma “mancha moral” inconciliável para o exercício pastoral. Salomão asseverou que a vergonha e a infâmia da infidelidade acompanharão o adúltero pela vida inteira: Mas o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma. Achará castigo e vilipêndio, e o seu opróbrio nunca se apagará” (Pv 6.32.33).

Tenho discutido esta exigência paulina no meio acadêmico com teólogos renomados, nos cursos preparatórios de aspirantes ao ministério e no meio eclesiástico com ministros ordenados. Os debates têm sido calorosos. Uns contra e outros favoráveis a posição aqui defendida.

Confesso que como cristão gostaria que fosse possível à restauração ao ministério pastoral do obreiro em falta neste quesito (pecado de adultério). Porém como intérprete comprometido com as Escrituras discordo que homens adúlteros permaneçam no exercício pastoral. Sou convicto que a interpretação bíblica exclui do ministério pastoral aqueles que se envolvem com o divórcio trivial e o adultério. Ainda não fui persuadido do contrário. Os que não concordam com esta posição aqui defendida, apresentam diversas conjecturas, opiniões pessoais e ainda a “práxis” da igreja contemporânea. Porém, tais conjecturas são biblicamente refutadas: “o Ministro deve ser irrepreensível e com bom testemunho dos que estão do lado de fora da Igreja” (1Tm 3.2,7).

Reflita sobre isso!

Texto: Pastor Douglas Roberto de Almeida Baptista


Sugestão de leitura: 
Aqui eu Aprendi!

quarta-feira, 30 de março de 2016

A Epístola aos Romanos - Uma Carta cheia de Graça

Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” 
Romanos 1.16

INTRODUÇÃO
Neste trimestre teremos o privilégio de estudar a Epístola de Paulo aos Romanos. Podemos afirmar que jamais seremos os mesmos depois de uma leitura cuidadosa e um estudo sistemático dessa Epístola.

Romanos mostra que o Evangelho é o poder de Deus para a salvação dos judeus e gentios. Revela também que o homem, perdido nas trevas do pecado, é reconciliado com Deus mediante a sua graça. Essa graça é o que nos justifica e nos qualifica a ter comunhão com Ele.
Na Epístola aos Romanos aprendemos que a natureza adâmica, que domina o velho homem, é destronada pela fé em Cristo, e que é possível vivermos em novidade de vida através do poder do Espírito Santo que opera em nós. Veremos que esta Carta é um chamado à liberdade cristã. 

A Epístola aos Romanos
A mais famosa epístola do apóstolo Paulo foi escrita aproximadamente entre 57 e 58 d.C., com uma margem de erro de um ou dois anos, de acordo com o estudioso do Novo Testamento, D. A. Carson. O autor é Paulo, embora tenha sido Tércio quem escreveu a epístola, o amanuense (escrevente) do apóstolo (Rm 16.22). 

A carta foi destinada aos crentes, judeus e gentios, que constituíam a igreja em Roma (Rm 1.7,15). A maioria dos estudiosos concorda que havia pelo menos dois propósitos na epístola paulina: 
(1) missionário — O apóstolo se apresentaria à igreja para remover as suspeitas contra ele levantadas pelo partido judaico de Jerusalém a fim de impedi-lo a chegar à Europa, na Espanha; 
(2) Doutrinário — Expor os direitos e privilégios da salvação tanto dos judeus quanto dos gentios, pois, em Cristo, não haveria mais judeu nem grego, mas uma pessoa somente nascida de novo em Jesus Cristo (Rm 14.1-10). Por isso, o principal texto da Epístola aos Romanos é “Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé” (1.17).

Caro professor, estude bons comentários do Novo Testamento. Associe o conhecimento adquirido a partir do seu estudo introdutório, e sob a perspectiva da visão do todo da carta de Paulo, com o auxílio da tabela abaixo.

Revista Ensinador Cristão nº66-pg.36

A Epístola aos Romanos mostra que sem a graça divina todos os nossos esforços são inúteis para a nossa salvação e comunhão com Deus.

Romanos 1.1-6 - Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus, o qual antes havia prometido pelos seus profetas nas Santas Escrituras, acerca de seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne, declarado Filho de Deus em poder, segundo o Espírito de santificação, pela ressurreição dos mortos, — Jesus Cristo, nosso Senhor, pelo qual recebemos a graça e o apostolado, para a obediência da fé entre todas as gentes pelo seu nome, entre as quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo.

Paulo, o Apóstolo da Graça
“Paulo... ” (1.1). A Carta aos Romanos tem início com a identificação do nome de seu autor, Paulo. Há uma unanimidade entre os intérpretes conservadores da autoria paulina de Romanos. Stanley Clark, autor de um excelente comentário sobre Romanos, observa que “a carta afirma que seu autor é Paulo o apóstolo (1:1). Esta afirmação tem sido questionada seriamente. A evidência interna (estilo, conteúdo, circunstâncias do autor) a confirma e tem sido a convicção entre os crentes desde os primeiros tempos. C. H. Dodd tem declarado que a autenticidade da Epístola aos Romanos é uma questão já resolvida”.1

O nome Paulo é uma forma latina do hebraico Saul. Sabemos através do livro de Atos dos apóstolos que ele era natural de Tarso, cidade da Cilicia, hoje território turco. Paulo nasceu em um lar judeu e herdou por direito de nascimento a cidadania romana. Ele mesmo informa que seus pais eram fariseus (At 23.6) e por influência destes se tornou fariseu, estudando na Escola de Gamaliel (At 5.34; 22.3). Isso fez com que o seu zelo pelo judaísmo aumentasse e que se tornasse um ferrenho defensor de suas tradições. Motivado por esse zelo, passou a fazer uma perseguição sangrenta aos cristãos, levando muitos deles ao cárcere e à morte. E esse homem implacável que se torna posteriormente o maior defensor e propagador do cristianismo. Foi no encontro com Jesus ressuscitado no caminho de Damasco, capital da Síria, que Paulo teve sua vida totalmente mudada (At 9.1- 22). A graça de Deus superabundou em sua vida.

"... servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus” (1.1). Duas coisas Paulo diz acerca desse seu chamamento: ele agora era um “servo” de Jesus Cristo e que foi “separado” para o evangelho. A palavra “servo” traduz o termo grego doulos, cujo sentido é “aquele que pertence a outro”.2 A vida de Paulo não pertencia mais a ele mesmo, mas a Jesus Cristo, o Senhor! Em segundo lugar, Paulo, além de servo de Jesus Cristo, foi também “separado” para ser um apóstolo. O particípio perfeito passivo do verbo grego aphoriso (separado) mostra que ele havia sido separado para Deus e continuava dentro dessa nova fronteira que fora demarcada para seu chamamento. Sua missão agora era ser um enviado de Deus para onde Ele o mandasse. O termo “apóstolo” assume uma conotação teológica no Novo Testamento, cujo sentido é “enviar (para fora) para servir a Deus com a própria autoridade de Deus”.3 Sim, Paulo não era agora um mero zeloso da lei, mas um apóstolo, um enviado pelo Senhor para conquistar o mundo para Deus.4

"... pelo qual recebemos a graça” (1.5). Aqui aparece pela primeira vez na carta aos Romanos a palavra “graça” (gr. charis). Essa palavra, que sem dúvida predomina no pensamento teológico de Paulo, ocorre 164 vezes no texto do Novo Testamento grego, sendo 23 vezes somente em Romanos.5 Sem exagero algum, Romanos é uma carta cheia da graça! 

A graça se torna um tema fundamental na teologia paulina. Na verdade, o principal eixo de sua teologia. Paulo se sentia devedor dessa graça! Qualquer leitor atento observará que a graça está no início e no fim das suas obras literárias. Por exemplo, em 1 Coríntios, Paulo mostra que a graça impede que o passado o machuque. “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus. Mas, pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Co 15.9,10a). Paulo não negou o seu passado e já sabemos que seu passado não foi nada agradável. Todavia, ele, totalmente imerso na graça de Deus, sabia que seu passado tinha ficado para trás. Mas a graça fez mais! A graça não permitiu que ele ficasse choramingando pelos cantos, caindo na inércia por se sentir um “Zé Ninguém”. Não, a graça não permitiu que ele ficasse inoperante. Ela o impulsionou para o trabalho. “E a sua graça para comigo não foi vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus, que está comigo” (1 Co 15.10). Essa mesma graça o ajudou a superar os obstáculos e a conviver com as adversidades. “E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando estou fraco, então, sou forte” (2 Co 12.9,10). Que mais fez a graça por ele? Ela o salvou: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós; é dom de Deus” (Ef 2.8); fez com que fosse um vencedor: “Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1 Co 15.57) e um embaixador do Reino de Deus: “E dou graças ao que me tem confortado, a Cristo Jesus, Senhor nosso, porque me teve por fiel, pondo-me no ministério” (1 Tm 1.12). Tudo feito pela graça!

Saiba mais:  Saulo ou Paulo? Conhecendo este homem

SUBSÍDIO DIDÁTICO
"quando Paulo escreveu a carta à Igreja de Cristo em Roma, ainda não havia estado nesta cidade, mas já havia anunciado o evangelho 'desde Jerusalém e arredores até ao Ilírico' (Rm 15.19). O apóstolo planejou visitar e pregar em Roma; esperava continuar a levar o evangelho ao ocidente, à Espanha" (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, Rio de Janeiro: CPAD, p. 1550). 

Vejamos o mapa

"A igreja primitiva e até mesmo os críticos da atualidade concordam com os  versículos de abertura da carta. Esta é a carta do apóstolo Paulo aos romanos. Muitos comentaristas creem que Paulo a escreveu em 56 e 57 d.C., enquanto estava em Corinto. Febe, das cercanias de Cencreia, levou a carta (Rm 16.1,2); e Gaio (16.23), foi o mais proeminente convertido de Paulo em Corinto (1 Co 1.14). Assim, a carta de Paulo chegou a Roma vários anos antes de sua vinda à cidade, como prisioneiro, para ser julgado pelo tribunal de César (At 28)".  Para conhecer mais leia Guia do Leitor da Bíblia, CPAD, p. 735.

Destinatários. 
Alguns intérpretes ao escreverem a respeito da Epístola aos Romanos a classificam como sendo de natureza atemporal. Eles não estão errados, visto que ela foi inspirada pelo Espírito Santo e como tal transcende as barreiras do tempo.  Romanos 1.7 nos mostra, de modo bem claro, o destinatário da epístola: "A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo". Quem seria, pois, esses "todos que estais em Roma?" Há uma disputa sobre os reais destinatários desta carta. Alguns argumentam que Paulo escreveu para os judeus radicados em Roma, enquanto outros defendem os cristãos gentílicos como sendo esses destinatários. Porém, Paulo escreveu à igreja de Roma. Uma igreja formada tanto por judeus como por gentios. (Revista Bíblia 2º.trim_2016)

Romanos 1.7-15
A todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados santos: Graça e paz de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo. Primeiramente, dou graças ao meu Deus, por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé. Porque Deus, a quem sirvo em meu espírito, no evangelho de seu Filho, me é testemunha de como incessantemente faço menção de vós, pedindo sempre em minhas orações que, nalgum tempo, pela vontade de Deus, se me ofereça boa ocasião de ir ter convosco. Porque desejo ver-vos, para vos comunicar algum dom espiritual, a fim de que sejais confortados, isto é, para que, juntamente convosco eu seja consolado pela fé mútua, tanto vossa como minha. Não quero, porém, irmãos, que ignoreis que muitas vezes propus ir ter convosco (mas até agora tenho sido impedido) para também ter entre vós algum fruto, como também entre os demais gentios. Eu sou devedor tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes. E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.

Amados Romanos
“A todos os que estais em Roma... ” (1.7). Paulo não foi o fundador da igreja que estava em Roma, mas possuía um desejo ardente de visitá-la. Ele sabia que seu apostolado era para os gentios e sabia também que a igreja de Roma era formada predominantemente de gentios (Rm 1.6). Todavia, endereça sua carta a “todos os crentes” de Roma. William McDonald observa que a expressão “todos” deve ser entendida no contexto de que em Roma, capital do império, não havia apenas um local de culto, mas vários, e Paulo queria que todos tomassem conhecimento dessa carta.6 Mas se Paulo, que fundou quase todas as igrejas do Novo Testamento, não foi quem levou o evangelho para Roma, quem foi então? Não há elementos que nos permitem ser dogmáticos nesse assunto, mas os intérpretes acham indícios que permitem fazer deduções. Por ocasião do Dia de Pentecostes, entre os que receberam o batismo no Espírito Santo estavam “romanos que aqui residem” (At 2.10, ARA). Teriam sido esses crentes romanos que se encontravam em Jerusalém, depois de serem cheios do Espírito Santo, que voltaram para Roma com a preciosa semente do evangelho. Roma, portanto, era uma igreja que nasceu do Pentecostes.

“... Chamados santos” (1.7). Como costuma fazer em outras cartas, Paulo se dirige aos crentes usando o adjetivo “santos”. “Santo” (gr. hagios) era aquilo que fora separado para um serviço especial. Aqui significa dedicado a Deus, santo e sagrado7 

Os crentes são santos porque foram separados para pertencerem a Deus. O conceito de santificação posicional já aparece aqui nessa expressão. Em Cristo todos os crentes são santos porque foram comprados com seu sangue e, portanto, pertencem a Ele (1 Co 6.19,20). 

O conceito de santificação progressiva, aquela na qual o crente tem sua participação efetiva, aparecerá na argumentação de Paulo no capítulo 8 dessa carta. Infelizmente, o conceito de santidade se encontra de tal forma relativizado que quase não é mais possível se distinguir o santo do profano. Santidade tem a ver com o estabelecimento de limites e a diferença clara entre o que é certo e o que é errado. O parâmetro é sempre dado pela palavra de Deus. Infelizmente, quem está ditando os padrões para as igrejas não é mais a Bíblia, e sim a cultura secular. É impressionante a facilidade que têm muitos crentes de se moldarem por aquilo que o mundo dita. Se o mundo permite se divorciar por qualquer motivo, então muitos crentes acham que devem fazer o mesmo. Quem se levantar contra é logo taxado de falso moralista! Todavia, a Escritura chama isso de mundanismo! Mundanismo é pecado.

"... em todo o mundo é anunciada a vossa fé” (1.8). Esse versículo mostra a influência que a igreja de Roma exercia. Paulo reconhece que a fé deles já era notícia no mundo todo. Era uma igreja que todo mundo sabia que ela existia. Talvez a tragédia da igreja hoje esteja no fato de ela passar despercebida na sociedade. Poucos sabem da sua existência e os poucos que sabem não se sentem mudados por ela. 

Qual seria, pois, a razão da pouca influência da igreja contemporânea? 
Não podemos ser simplistas, mas evidentemente que existem causas para esse fenômeno de esfriamento das igrejas. Um pneumatismo anárquico, que tem lançado a igreja numa verdadeira corrida sensorial é uma das razões. A busca desenfreada por realização, por prazer, tem transformado a igreja em uma comunidade de consumidores, e não de adoradores. A busca por mais adrenalina não está acontecendo apenas em esportes radicais, mas também em muitos cultos. Infelizmente, as igrejas neopentecostais estão na vanguarda dessa nova espiritualidade. Por outro lado, as ortodoxias engessantes também são nocivas da mesma forma. Cultos frios, em que o ritual não dá a mínima liberdade para o exercício dos dons espirituais, é um veneno para a espiritualidade da igreja. Não devemos ser contra a liturgia, pois todo culto a Deus necessita possuir um ritual litúrgico. Todavia, foi o mesmo Paulo quem esboçou os princípios de uma liturgia de uma igreja onde o Espírito não está engessado. “Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação” (1 Co 14.26).

"...incessantemente faço menção de vós, pedindo sempre em minhas orações" (1.9,10). Uma das marcas da espiritualidade de Paulo é sua profunda piedade cristã. Paulo era um homem devotado à oração. Mesmo não conhecendo ainda a igreja de Roma, ele se lançava em um trabalho de intercessão por ela. Alguns pensam que a oração ficou restrita aos menos letrados, aos místicos. Todavia, aqui encontramos um homem com uma profunda formação teológica, um verdadeiro erudito, que não negligenciava sua vida devocional. O teólogo anglicano Alan Jones observou que quem pensa não ora e quem ora não pensa! Essa parece ser a lógica da espiritualidade dos clérigos do século XXI. Não é de admirar que se encontrem tantos clérigos vazios, mas cheios de si mesmos. A devoção foi substituída pela busca da posição. Como disse o filósofo Antonio Cruz, a carne sufocou o espírito.8

"... para vos comunicar algum dom espiritual” (1.11-13). A expressão “dom espiritual” traduz o grego charisma pneumatikon. O expositor bíblico Stanley Clark observa três usos dessa palavra no contexto de Romanos. Primeiramente, ela é usada em referência ao dom da graça, Cristo Jesus, que Deus deu a todos os homens (Rm 5.15,16). Em segundo lugar, a referência aos dons que Deus outorgou ao povo de Israel (Rm 11.29). Em terceiro lugar, uma capacidade especial que Deus deu a um membro da igreja para que seja usado no ministério (Rm 12.6). Eu me junto àqueles que veem aqui o terceiro sentido. A expressão charisma peneumatikon é a mesma encontrada nos capítulos 12 a 14 da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, onde a referência é aos dons espirituais. Não há dúvida de que aqui essa expressão tem significação similar ao encontrado ali. Muitos intérpretes, quando leem as cartas de Paulo, as leem com os óculos da cultura onde vivem. Não se dão conta do contexto espiritual da igreja do primeiro século. A igreja de Roma, como foram todas as outras do Novo Testamento, era filha do Pentecostes. Ela entendia a linguagem do apóstolo sobre os carismas do Espírito porque também os vivenciava. Paulo queria naquela visita compartilhar os frutos de sua experiência com Deus e da mesma forma queria se sentir abençoado com aquilo que Deus também havia feito na vida daqueles crentes. Há muita gente criticando experiências espirituais sem nunca as ter vivido.

Romanos 1.16,17
Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego. Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

A Graça que não Decepciona
“Porque não me envergonho do evangelho..." (1.16,17). Em seu célebre comentário de Romanos, o expositor bíblico C. E. B. Cranfield observa que a forma “negativa em que Paulo se exprime deve ser explicada não como exemplo de atenuação (significando que ele, Paulo, está orgulhoso do evangelho), mas como refletindo o seu sóbrio reconhecimento do fato de que o evangelho é algo de que, neste mundo, os cristãos serão constantemente tentados a envergonhar-se. (Podemos cf. Mc 8.38; Lc 9.26; 2 Tm 1.8.) A presença desta tentação como característica constante da vida cristã é inevitável, não só por causa da contínua hostilidade do mundo para com Deus, mas também por causa da natureza do próprio evangelho, o fato de que Deus (porque Ele determinou deixar espaço aos homens para tomarem decisão pessoal livre, em vez de compeli-los) interveio na história para a salvação dos homens, não com poder e majestade manifestos, mas de maneira velada, era destinado a ser visto pelo mundo como fraqueza e insensatez vis”.9

Essa, evidentemente, é a graça que não decepciona. A graça de Deus não é motivo para vergonha nem tampouco envergonha ninguém. Todavia, há algo por aí se passando por “graça” que não tem graça alguma. Essa “graça”, além de envergonhar o evangelho, está produzindo grandes escândalos. Todo tipo de aberração ética, teológica, comportamental e até mesmo espiritual estão sendo justificados por essa suposta graça. É uma graça que não tem graça. Quando a graça perde a graça, ela já não é mais graça, mas uma desgraça. A propósito, a palavra grega traduzida aqui como “envergonhar” é epaischynomai, que é formada pela junção da preposição epi e o verbo aiscbyno.10 A palavra composta tem seu sentido intensificado, significando desonrado, desgraçado. Em outras palavras, refere-se a alguém que caiu em desgraça ou que foi desonrado. Ao colocar a negativa “não” antes desse vocábulo, Paulo diz que se sente honrado pela mensagem que abraçou. Ela não o decepciona.

“... é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê” (1,16). O evangelho é motivo de honra, e é muito mais. O evangelho é o poder de Deus que traz salvação a todo que crer. “Poder” traduz o termo grego dynamis, de onde provém o nosso vocábulo dinamite, Essa palavra é usada 120 vezes no Novo Testamento e significa capacidade para executar. E uma referência à habilidade de Deus no processo da salvação.

O propósito dessa “explosão” do evangelho é salvação dos homens. O significado da preposição grega eis (para) tem o sentido de “tendo em vista a”, mostrando o propósito do evangelho. Ele é de fato o poder de Deus, mas não é um poder que busca o engrandecimento do homem, mas a glória de Deus. Infelizmente muitos parecem não saber disso e não se deixam usar pelo evangelho, mas em vez disso fazem uso do poder do evangelho para se autopromoverem. Buscam as suas próprias glórias e realizações.

Ao afirmar que o evangelho é o poder de Deus, o apóstolo tem em mente mostrar a razão do envio de sua carta aos romanos. Já tendo feito as cordialidades costumeiras que eram comuns nesse tipo de correspondência pessoal, ele agora introduz o assunto do qual passará a tratar a seguir. Ele vai explicar como a graça de Deus, objetivando a salvação de todos os pecadores perdidos, se manifestou de forma mais que abundante na pessoa bendita de Jesus Cristo. No dizer do poeta:

A graça de Deus revelada
Em Cristo Jesus, meu Senhor,
Ao mundo perdido é dada
Por Deus d’infinito favor.
Graça, graça,
A mim basta a graça de Deus: Jesus;
Graça, graça,
A graça eu achei em Jesus.
A graça de Deus é mais doce,
Do que bens terrestres daqui;
Em gozo meu choro tornou-se
Correndo Sua graça p’ra mim.
Mais alta que nuvens celestes,
Mais funda que profundo mar,
A fonte da vida fizeste,
Na qual nos podemos fartar.
A graça de Deus hoje prova
Tu que vives na perdição,
Pois Ele te salva, renova,
Também limpa teu coração. 11


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Forma literária. A Epístola de Paulo aos Romanos segue o modelo de outros documentos do primeiro século da era cristã. O esboço obedece à ordem desse tipo de documento, tendo sempre uma saudação e uma oração (Rm 1.1,7,8,16).

Uma forma literária bastante comum nos dias de Paulo era a escrita em forma de diálogo. Platão, filósofo grego, por exemplo, escreveu dezenas deles. Todavia, como bem observou o especialista em Novo Testamento, Brodus D. Hale, essa forma literária dificilmente se ajusta ao modelo paulino. O que podemos observar na leitura de Romanos é o uso de diatribes por parte do apóstolo. Nesse modelo literário, que era um recurso muito usado pelos filósofos estoicos e cínicos, o autor valia-se de uma exposição crítica a respeito de alguma obra.

Seu conteúdo. O conteúdo de Romanos trata de alguns temas bem específicos, como por exemplo, a pecaminosidade do homem, a salvação de Deus, a justificação pela fé e a graça divina. Logo depois das palavras de saudação observamos a seção que trata sobre a manifestação da justiça de Deus mediante a fé (Rm 1.18-4.25). Paulo mostra a necessidade espiritual que os gentios, judeus e toda a humanidade têm da salvação de Deus. Paulo também mostra nos capítulos 5 a 8 (5.1- 8.39), a ação santificadora do Espirito Santo no processo da salvação. É destacado aqui o resultado prático do Evangelho na salvação do crente. Através do Espírito Santo o crente experimenta a paz com Deus. 

Nos capítulos 9 a 11 encontramos a teologia paulina a respeito do tratamento de Deus para com Israel, o seu povo. São revelados três aspectos do tratamento de Deus para com Israel - passado, presente e futuro. 

Na última seção Paulo mostra o lado prático do Evangelho na transformação de vidas (12 a 15.13). A conclusão da carta, tratando do empreendimento missionário do apóstolo e algumas recomendações finais, estende-se do capítulo 15.14 ao 16.27. 

VALOR ESPIRITUAL
Fundamentação doutrinária. A Epístola aos Romanos é considerada a mais teológica dentre todas as outras escritas por Paulo. O forte conteúdo doutrinário desta carta é sem dúvida o mais completo do Novo Testamento.

Romanos trata de alguns dos temas mais profundos do Cristianismo - as doutrinas da chamada eleição, da predestinação, da justificação, da glorificação e da herança eterna.

Paulo mostra à igreja que o pecador pode encontrar a redenção na poderosa mensagem do Evangelho que é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê. A Carta aos Romanos revela que é por intermédio da graça de Deus, manifestada na pessoa bendita de Jesus Cristo, que o homem pode ver corrigido o seu relacionamento com o Criador. A velha natureza é subjugada na cruz e o Espírito Santo faz com que o poder da cruz agora emane na vida do crente.

Renovação espiritual. Não há dúvida de que a igreja de Roma, a quem a Epístola aos Romanos foi endereçada, experimentou uma tremenda renovação espiritual mediante a sua leitura. Todavia, o renovo espiritual advindo da leitura desta carta pode ser visto na vida de muitos crentes ao longo da história da Igreja. Tomemos como exemplo Agostinho, bispo de Hipona, que teve sua vida mudada quando leu Romanos 13.13. Por outro lado, Matinho Lutero, o grande reformador alemão, foi desafiado a romper com a tradição católica quando também leu a Carta aos Romanos. John Wesley também testemunhou forte renovação em sua vida através da leitura do comentário dessa Carta, escrita pelo Reformador. (Revista  do professor Lições Bíblicas 2º.trim_2016)

SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"Paulo destaca alguns aspectos principais na carta aos Romanos. A doutrina da salvação é apresentada dentro de alguns itens especiais: o teológico (1.18-5.11); o antropológico (5.12-8.39); o histórico (9.1-11.36) e o ético (12.1-15.33). Esse plano alcança toda a obra e contém verdades incontestáveis e irremovíveis.

Na esfera teológica. Paulo apresenta a condição perdida dos homens, sem a mínima possibilidade de salvação por méritos próprios. Logo depois, Cristo é a solução, visto que, por meio de sua morte, todos podem ser justificados da condenação. O pecador é justificado mediante a obra expiatória de Jesus Cristo.

Na esfera antropológica. A ilustração do primeiro e segundo Adão, coloca o crente de frente a uma nova realidade espiritual. O primeiro Adão foi vencido pelo pecado, mas o segundo o venceu por todos os homens. Em Cristo, o homem assume um novo regime de vida sob a orientação do Espírito Santo" (CABRAL, Elienai. Romanos: O Evangelho da Justiça de Deus. 8.ed. Rio de Janeiro: CPAD,2005, p.17).


CONCLUSÃO
Uma visão panorâmica da carta de Paulo aos Romanos permite-nos vislumbrar a terrível situação espiritual na qual se encontra a humanidade depois da Queda. É algo desesperador. Todavia, a Carta mostra, de forma clara, que Deus por intermédio do seu amor gracioso, que ultrapassa todo o entendimento, veio ao encontro dos pecadores para oferecer-lhes perdão e restauração através de Jesus Cristo, seu bendito Filho. É Ele que, através de seu sacrifício vicário, tirou a raça humana das trevas do pecado e deu a oportunidade ao pecador de viver uma nova vida no poder do Espírito Santo.


Bibliografia:
1 CLARK, Stanley. Romanos — Comentário Bíblico Mundo Hispano. El Paso, Texas: Editorial Mundo Hispano.
2 THAYER, Joseph H. Thayer’s Greek Lexicon of the New Testament. Grand Rapids, Michigan: Baker Book House, 1984.
3 KITELL, Gerhard. Theological Dictionary of the New Testament. 10 volumes. Grand Rapids, Michigan: Eerdmans Publishing Company, 2006.
4 A palavra apóstolo tinha o sentido no grego clássico de um navio que saía numa missão comercial. Posteriormente, ganhou o sentido de “alguém que é enviado numa missão” (CHAMBERLAIN, William. Gramática Exegética do Novo Testamento Grego. São Paulo: Editora Cultura Cristã).
5 PETTER, Hugo M. Concordância Greco-Espanola del Nuevo Testamento., Barcelona, Espanha: Editorial CLIE.
6 MACDONALD, William. Comentário Bíblico Romanos. Barcelona, Espanha: Editorial CLIE.
7 BAUER, Walter. A Greek English Lexicon of the New Testament and Other Early Christian Literature. Chicago: The University of Chicago Press.
8 CRUZ, Antonio. La Postmodernidad. Barcelona, Espanha: Editorial CLIE.
9 CRANFIELD, C. E. B. Romanos — Comentário Versículo por Versículo. São Paulo: Editora Vida Nova.
10 STRONG, James. Exhaustive Concordance of the Bible. Nashville, TN: Thomas Nelson, 1990.
11 HARPA CRISTÃ. Rio de Janeiro: CPAD.

Fonte:
Lições Bíblicas - Maravilhosa Graça - O Evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos - 2º.trim_2016 CPAD - Comentarista Jose Gonçalves
Livro de Apoio - Maravilhosa Graça - O Evangelho de Jesus Cristo revelado na Carta aos Romanos - José Gonçalves
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia de Estudo Defesa da Fé
Dicionário Bíblico Wycliffe 
Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 29 de março de 2016

Saulo ou Paulo? Conhecendo este homem.

Talvez você já tenha ouvido falar que Saulo teve seu nome mudado quando teve seu encontro com Jesus. Outros afirmam que antes de sua conversão, era perseguidor, mas passando a seguir a Cristo, se convertendo, teve seu nome mudado passando a se chamar Paulo. Mas será que foi isso mesmo?

Vamos conhecer um pouco mais sobre este homem.

Primeiro tenhamos o conhecimento que, não podemos, não devemos, ir além do que as Escrituras nos ensinam, além do que está escrito (1 Co 4.6), o próprio Paulo nos adverte isso.


No texto Bíblico de Atos dos Apóstolos 9. 1-9As autoridades religiosas de Jerusalém outorgaram a Saulo cartas que lhe garantiam o direito de prender os cristãos. Todavia, no caminho de Damasco, Saulo teve um encontro memorável com Jesus. Este encontro mudou radicalmente sua vida. Diante do Rei dos reis, Saulo, o perseguidor de cristão, se prostra. Um dia, todos terão que se curvar diante de Jesus. As convicções religiosas de Saulo também são lançadas ao chão naquele momento. Embora cego, Saulo sai daquele encontro transformado e “enxergando” a realidade! Esse novo homem ficou três dias sem comer ou beber nada, certamente pensando em tudo que lhe aconteceu.

"Damasco [era] uma cidade comercial importante, estava situada cerca de 280 quilômetros a nordeste de Jerusalém, na província romana da Síria"1 

Saulo era um homem extremamente religioso, conhecedor da Lei, porém, sedento espiritualmente. A religiosidade não implica em relacionamento com Deus. Todavia, Saulo teve um encontro com Cristo, confessou seus pecados, entregou-se inteiramente a Jesus e passou a ter uma nova vida, que implica em um relacionamento íntimo e pessoal com Jesus, o Filho de Deus.

Mas o que a Bíblia nos diz quanto a mudança do nome: Saulo ou Paulo?

'A verdade é que em nenhum lugar das Escrituras encontramos menção de Paulo ter mudado de nome. O que a Bíblia diz é o seguinte: “Todavia, Saulo, também chamado Paulo…” (At 13.9).

Até este versículo, o apóstolo é chamado (no registro da Palavra de Deus) de Saulo; a partir de então passa a ser chamado de Paulo. E, na hora da mudança, Lucas, o autor da narrativa diz que Saulo TAMBÉM era chamado Paulo. Ou seja, não houve uma troca de nomes, o que de fato a Bíblia diz era que ele tinha DOIS NOMES DIFERENTES, fato comum para um judeu que também tinha cidadania romana, como era o caso de Paulo (At 16.37,38 e 22.25,26).

Saulo era o nome hebraico; enquanto a Bíblia retrata a relação do apóstolo com os judeus, este nome aparece – mesmo depois da conversão (o que indica que o nome não mudou por causa da conversão). Entretanto, quando enviado juntamente com Barnabé em sua viagem missionária aos gentios, o escritor de Atos menciona que Saulo TAMBÉM era chamado Paulo, seu nome romano e de relacionamento com os gentios.

Este é o mesmo caso de Silas, companheiro de viagens de Paulo, que também era chamado de Silvano (ver 2Co 1.19; 1Ts 1.1 e At 15.22-40; 16.19; 17.15; 18.5). E, alguns acreditam que a variação do nome João e Marcos (companheiro de viagem de Paulo e Barnabé) tenha o mesmo motivo (At 12.12,25).'2

CONHECENDO ESTE HOMEM 

SAULO DE TARSO
Na Comunidade Judaica, Paulo era conhecido por um nome bem hebreu: Saulo (At 9.1,4,11). Ele provinha de uma família benjamita que, apesar de viver na Diáspora, era mui fiel à tradição (Fp3.5)

Instruído aos pés de Gamaliel (At 22.3), Saulo pertencia ao partido religioso mais conceituado do Judaísmo — os fariseus (At 26.5; Fp 3.5). Ele conhecia profunda e intimamente o Antigo Testamento (Rm 1.17; 3.4,5,10-18; 9.6-33), as tradições de seu povo (At 26.24: 28.17,18; Gl 1.13-14) e a língua hebraica (At 22.1,2). Era tão bem versado no meio religioso de Israel que, dos principais sacerdotes, recebera autorização para perseguir os discípulos de Cristo (At 26.10).

As evidências indicam que Paulo cursou a universidade de Tarso. Haja vista o seu domínio do idioma grego e dos autores clássicos, dos quais cita pelo menos dois: Aratos e Epimênides (At 17.28; Tt 1.12). Cidadão romano, falava também mui provavelmente o latim.

PAULO - Cidadão Romano
Natural de Tarso, na Cilícia (At 9.11; 21.39; Gl 1.21), Paulo tornara-se, por nascimento, cidadão de Roma, pois a cidade era província romana (At 22.25-29).

Observação: Naquele tempo, a nacionalidade romana era adquirida de três maneiras:
1- por direito de nascença,
2- por concessão imperial e 
3 - por aquisição pecuniária (At 22.28; 23.27; 24.7,22).

Conhecia muito bem os seus direitos como romano (At 22.25-29; 25.10-12,21,27).


RESUMO DA VIDA DE SAULO

•  Nascido em Tarso (bairro judeu), Capital da Cilícia (22.3);

•  Família da Tribo de Benjamim (Fp 3.5);
•  Intensamente religioso (Gl 1.14);
•  Fariseu (23.6);
•  Cidadão romano (22.25-28);
•  Fazedor de tendas (18.3);
•  Aluno de Gamaliel (22.3);
•  Guardava a Lei (26.5);
•  Um encontro com Jesus mudou sua vida (9);
•  Foi batizado (9.18);
•  Suas últimas palavras (2Tm 4.6-8).

Paulo possuía dupla cidadania, era ao mesmo tempo judeu (Fp 3.5) e romano (At 22 25-28). Portanto, possuindo também dois nomes (Saulo, também chamado Paulo, conforme nos relata o Dr.Lucas 'At 13.9').


SAULO - nome hebraico para os Judeus

PAULO - nome romano para os gentios

Paulo é considerado, depois de Jesus, o personagem mais importante da historia da Igreja Cristã (At 24.5). Ele escreveu quase a metade dos livros do Novo Testamento e foi responsável direto pela evangelização dos gentios. Dezessete dos vinte e oito capítulos de Atos dos Apóstolos são dedicados à conversão e ao ministério do apóstolo dos gentios (At 9; 13-28). Sabemos mais a respeito de Pauto do que dos demais apóstolos.

A formação cultural e religiosa de Paulo foi importante para a realização da obra de evangelização dos gentios e judeus.



Bibliografia sugerida:
Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. 3.ed. vol.1. RJ: CPAD, 2009.
RICHARDS, L. O. Comentário Histórico Cultural do Novo Testamento. 1.ed. RJ: CPAD, 2007.

Fonte:
Atos dos Apóstolos — Até aos confins da Terra - 1º trim-2011 - Claudionor Corrêa de Andrade
A Vida e os Tempos do Apóstolo Paulo - Charles Ferguson Ball - CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal

1 - (Comentário do Novo Testamento Aplicação Pessoal. Vol.1. 1.ed. RJ: CPAD, 2009, pp.662-63).
2 - texto de Luciano Subirá  

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