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quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

O socorro vem do SENHOR

"Perto está o Senhor de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade." Salmos 145:18

Para Refletir:

Faziam parte da missão evangélica americana em Shenkiu, a irmã Margareth Hillis, o missionário Dick Hillis e dois filhinhos de ano e meio e de dois meses. Transcorria inclemente a guerra contra o Japão. 

Uma tarde, na ausência de Dick, um mensageiro anuncia a aproximação das tropas japonesas. - Todos precisam fugir - anuncia. - A senhora deve também procurar refúgio imediatamente nas aldeias rurais. 

Margareth agradeceu o bondoso aviso, mas decidiu ficar. Em primeiro lugar, porque seu marido estava ausente e haveria um sério desencontro; também porque não quis submeter-se com as crianças às vicissitudes dos fugitivos, mas, principalmente, porque confiava em Deus. 

Na parte da tarde desse dia, a cidade ficou desguarnecida, pois o próprio exército chinês recuara. Os presbíteros da igreja partiram e suplicaram a Margareth que os acompanhasse. - Agradeço, irmãos, o cuidado, mas vou esperar a volta do meu marido. (Estavam a 15 de janeiro e ele prometera voltar no princípio de fevereiro.) 

Margareth olhou a folhinha pendurada na parede. A do dia 15 ainda estava ali. Arrancou-a e no verso tinha uma mensagem: "Em ti, pois, confiam os que conhecem o teu nome, porque tu, Senhor, não desamparas os que te buscam" (SI 9.10). 

Nos dias seguintes, e, sucessivamente, foi destacando a folhinha: "Em me vindo o temor, hei de confiar em ti" (SI 56.3). 

Com o passar do tempo, Margareth começou a pensar se tinha tomado uma decisão errada ficando para trás. Até o empregado que ordenhava as cabras tinha partido sem avisar, mas no dia seguinte, destacando o calendário, encontrou outra mensagem de confiança: "Eu vos sustentarei a vós outros e a vossos filhos" (Gn 50.21). 

Naquela mesma tarde, alguém bateu ao portão. Foi atender preocupada, pensando que eram soldados inimigos. Era um velho conhecido que trazia frangos e ovos. Era o cumprimento da promessa da Palavra de Deus impressa no calendário. 

Ainda uma vez Margareth destacou a folhinha: "No dia em que eu te invocar, baterão em retirada os meus inimigos: bem sei isto, que Deus é por mim" (SI 56.9). 

Desta vez Margareth teve dificuldades em crer na promessa de Deus. Ouvia-se o barulho das armas pesadas que se aproximavam, e foi-se deitar completamente vestida. Ao amanhecer do dia seguinte, aproxima-se do portão um mensageiro dando a boa notícia: 

- Os japoneses tinham retirado suas tropas!... 

- É incrível - dizia Margareth! - como Deus tem cuidados especiais para com os seus servos. Ele mesmo determinou a impressão de tão grandes mensagens naquele calendário que foi feito com um ano de antecedência. 

"Quando eu a ti clamar, então retrocederão os meus inimigos; isto sei eu, porque Deus está comigo. Em Deus louvarei a sua palavra; no Senhor louvarei a sua palavra. Em Deus tenho posto a minha confiança; não temerei o que me possa fazer o homem" (SI 56.9- 11). 
Ilustração extraído Livro Ilustrações Selecionadas - CPAD

"Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia. Portanto não temeremos, ainda que a terra se mude, e ainda que os montes se transportem para o meio dos mares. Ainda que as águas rujam e se perturbem, ainda que os montes se abalem pela sua braveza. (Selá.)
Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; não se abalará. Deus a ajudará, já ao romper da manhã." Salmos 46:1-5

O Senhor tem falado contigo! Então seja firme, ELE está agindo...
Os que confiam em Deus se alegrarão com voz de jubilo...

"Bendito seja o Senhor, porque ouviu a voz das minhas súplicas. 
O Senhor é a minha força e o meu escudo; nele confiou o meu coração, e fui socorrido; assim o meu coração salta de prazer, e com o meu canto o louvarei.
O Senhor é a força do seu povo; também é a força salvadora do seu ungido. Salva o teu povo, e abençoa a tua herança; e apascenta-os e exalta-os para sempre." Salmos 28:6-9

Confia! Deus está agindo!

abraço fraterno
Pastor Ismael 
Aqui eu Aprendi!

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Jesus na terra dos Gadarenos - Arqueologia

Arqueólogos encontram provas de que Jesus lançou demônios na manada de porcos

(Foto: Breitbart)
"Quanto mais coisas a arqueologia descobre, mais a Bíblia é confirmada", disse o apologista cristão Steve Ray.

Em três dos quatro livros que compõem os Evangelhos da Bíblia Sagrada, é relatado um grande sinal do poder transformador de Jesus na terra dos Gadarenos.

Ali, dois homens foram libertos de espíritos malignos que atormentavam a eles e toda a cidade, que foram parar em uma manada de porcos ao comando de Cristo.

Arqueólogos de Israel encontraram evidências desta passagem bíblica em Kursi, um distrito historicamente gentílico da antiga Decápole na margem do Mar da Galiléia, segundo informa o site Breitbart.

Em Kursi, foi encontrado um pedaço de mármore de 1.500 anos de idade, com inscrições hebraicas que começam com as palavras "lembrados para sempre."

Sobre o mármore, os cientistas também identificaram as palavras "amém" e "marmaria", que poderia se referir ao mármore ou à Maria, mãe de Jesus.

Nos séculos V e VI, uma igreja cristã foi construída no local a fim de se tornar uma marca do evento bíblico. No entanto, seu prédio foi destruído pelo exército persa em 614 a.C, relata o site Breitbart.

A igreja foi reconstruída, mas foi novamente destruída — desta vez, por um incêndio. O local permaneceu abandonado por mais de 1.300 anos.

A igreja foi esquecida até ser descoberta por acaso durante a construção de uma nova estrada em 1970.

Próximo às ruínas da igreja, as cavernas são ainda visíveis e há uma montanha que desce para o mar, exatamente como é descrito no relato da Bíblia.

De acordo com o apologista cristão Steve Ray, desde que Kursi teve o maior mosteiro em Israel, o local passou a ser muito estimado pelos primeiros cristãos.

"Os primeiros judaico-cristãos se lembraram dos lugares e acontecimentos em torno da vida de Cristo, e assim que o cristianismo foi legalizado, igrejas foram construídas sobre estes locais diferentes", disse Ray.

"Quanto mais coisas a arqueologia descobre, mais a Bíblia é confirmada", disse o pesquisador.

FONTE: GUIAME, COM INFORMAÇÕES DE CHRISTIAN TODAY
Aqui eu Aprendi!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Ano Novo! Feliz 2016!

FELIZ ANO NOVO!  FELIZ 2016

A Paz do Senhor Jesus a todos os amigos, seguidores e apoiadores deste trabalho "blog".

Este ano de 2015 foi mais um ano de grandes aprendizagens, aliás estamos aprendendo todos os dias e precisamos estar com esta atitude de aprendiz diariamente na ativa.

Obrigado a todos os irmãos que, carinhosamente, nos apoiam nesta missão evangelística. Obrigado pelos comentários que tanto agregam subsídios aos estudos postados. Obrigado pelos "muitos" amigos conquistados. Obrigado Espírito Santo por tão preciosa ajuda e apoio. Aleluia!

Que neste Novo Ano que desponta a porção seja "em dobro" de Fé, Esperança, Confiança, Força, Conquistas, Vitórias e muita Graça da parte do nosso SENHOR,  O Deus Todo-Poderoso.   

Para reflexão: Estamos em um mundo de informações geradas minuto a minuto. A cada instante uma nova mensagem nos é lançada. Aplicativos e programas para celular ou computadores surgem diariamente. Se não forem atualizados às necessidades atuais podem ser (e são) rapidamente substituídos. Outros geram controvérsias sobre liberdade, proteção de dados, pagamento de impostos, etc, etc, etc...

Deus nos apresenta seu programa de salvação: quem crer em Jesus, será salvo.

Sempre atual, na Bíblia nos faz ouvir a voz de Deus. Sem impostos. Sem conexão falha. Nos chamando hoje a não sermos teimosos. E “enquanto esse “hoje” de que falam as Escrituras Sagradas se aplicar a nós, animem uns aos outros, a fim de que nenhum de vocês se deixe enganar pelo pecado, nem endureça o seu coração” (Hb 3.13). Um aplicativo para a vida eterna. De graça. Por graça.

Que este ano novo "2016" seja repleto de Bençãos, pois o SENHOR dos Exércitos está conosco, o Deus de Jacó é o nosso refúgio (Sl 46)

Obrigado a todos os leitores e amigos!
Deus vos abençoe e tenhamos um 2016 auxiliados "completamente" pelo Espírito Santo.

abraço fraterno
Pastor Ismael
Adm. Blog "Aqui eu Aprendi!"

Para meditação: "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação." Hebreus 3:12-15

Aqui eu Aprendi!

sábado, 26 de dezembro de 2015

A transição entre José e Moisés

"E disse José a seus irmãos: Eu morro; mas Deus certamente vos visitará, e vos fará subir desta terra à terra que jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó." Gênesis 50:24

INTRODUÇÃO
O que aconteceu entre a morte de José e o nascimento de Moisés?

A Bíblia, com sutileza e arte, cala-se acerca dessa transição. Quanto à história secular, tem pouco a oferecer-nos. Não obstante, dispondo ou não de fontes pertinentes, é preciso reconstituir os quatro séculos entre o Gênesis e o Êxodo, para compreendermos a formação do Israel de Deus. Nesse período, os israelitas passam da fase tribal à nacional, transformando-se num povo tão grande e poderoso, que veio a ameaçar o Império Egípcio.

Neste capítulo, buscaremos recompor os acontecimentos entre os dois primeiros livros da Bíblia. Apesar do incômodo silêncio, é possível chegar a algumas conclusões surpreendentes. Já de início, adiantamos: o mutismo histórico-profético não descontinuou a narrativa sagrada, nem ignorou a força das profecias. O que o Senhor prometera aos patriarcas não caiu por terra; permanece inalterável até hoje.

Por conseguinte, no estudo da História Sagrada, atentaremos não somente ao que foi escrito, mas também ao que, providencialmente, foi omitido. Deus fala até mesmo quando se cala. Ele nunca deixou de revelar-se aos seus filhos, conforme garante o autor da Epístola aos Hebreus: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo” (Hb 1.1,2).

I. QUATRO SÉCULOS DE SILÊNCIO HISTÓRICO
Na História Sagrada, há dois períodos de silêncio histórico. O primeiro, como já vimos, deu-se entre o Gênesis e o Êxodo. Já o segundo ocorreria entre o Antigo e o Novo Testamento. Por que esses hiatos? Tratemos essa questão com discernimento e cuidado, para chegarmos a conclusões plausíveis e reveladoras.

1. A preparação do cenário. Deus bem que poderia ter confiado, de vez, a Terra Prometida a Jacó e aos seus filhos. Afinal, já havia uma promessa, uma teologia bem definida e uma base étnica delineada. O Senhor, contudo, embora intervenha na História, não atropela processos históricos e sociológicos, pois almeja que o reconheçamos como o Soberano dos Céus e da Terra.

Por essa razão, da morte de José ao nascimento de Moisés, Deus põe-se a trabalhar em silêncio. Nesse período, os cronistas sagrados nada escrevem, nem profetizam os servos de Jeová. Entretanto, a História Sagrada não perde a sua continuidade, nem a profecia deixa de ser cumprida. O que Abraão ouvira do Senhor desenrolava-se naqueles séculos de mutismo histórico: “Sabe, com certeza, que a tua posteridade será peregrina em terra alheia, e será reduzida à escravidão, e será afligida por quatrocentos anos. Mas também eu julgarei a gente a que têm de sujeitar-se; e depois sairão com grandes riquezas” (Gn 15.13,14).

Enquanto isso, ia Deus preparando o cenário para o Êxodo. No Egito, multiplicava-se o clã patriarcal; as tribos transformavam-se num grande e temível exército. Já em Canaã, o amoroso Senhor dispensava o tempo necessário para que as nações, ali instaladas, viessem a arrepender-se de seus grosseiros pecados.

A saída dos israelitas do Egito, por conseguinte, só teria êxito se ocorresse no tempo certo. E, para tanto, era indispensável um cenário ideal, a fim de que os personagens separados por Deus pudessem atuar de forma decisiva.

2. A preparação dos protagonistas do Êxodo. Depois da morte dos 12 patriarcas, os israelitas tiveram de esperar 400 anos até que uma nova geração de líderes estivesse pronta. E, conforme sabemos, não é sempre que aparece um libertador com a fidelidade de Moisés, um sacerdote com a postura de Arão, ou um general com o coragem de Josué. É imperioso que a nação seja submetida a alguns processos históricos, sociológicos, políticos e teológicos, visando o seu amadurecimento. Tais processos são bastante morosos; requerem décadas e, às vezes, séculos.

Era imprescindível, pois, que os hebreus deixassem a fase tribal, a fim de se erguerem nacionalmente. Doravante, Deus não trataria mais diretamente com os patriarcas, mas haveria de tratar, através de seus profetas, com a nação. Os pais, contudo, jamais deixariam de ser lembrados como a principal referência teológica, ética e histórica dos hebreus. Nos momentos de crise e dificuldade, o Senhor apresentar-se-ia como o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó. Sua menção serviria, também, para lembrar aos israelitas que as alianças firmadas pelo Senhor com os antigos continuavam tão firmes quanto às leis que regem o Sol, a Lua, a Terra e as estrelas.

Portanto, seriam essenciais 400 anos de trabalho silencioso e metódico, para que o Senhor formasse os protagonistas do Êxodo. Não é da noite para o dia que aparecem homens da estirpe de Moisés. A ascensão de líderes, enfatizamos, demanda tempo, paciência, espera e oportunidade. A História Sagrada não ignora processos, nem despreza a ocasião propícia.

3. A espera do tempo da oportunidade. A História Sagrada não se baseia apenas no tempo cronológico; sua referência máxima é a presença de Deus na vida de Israel, da Igreja e dos gentios. Por esse motivo, o Senhor aguardou quatro séculos para intervir no Egito, objetivando libertar os filhos de Abraão daquele amargo e duro cativeiro.

A histórica secular divide-se em períodos e eras. Vai de uma fantasiosa pré-história a um pós-modernismo blasfemo e anticristão. A História Sagrada, por seu turno, não se prende a épocas ou fases; guiada pelo Espírito Santo, narra as intervenções de Deus no Universo. Não foi por mero acaso, portanto, que o Senhor aguardou quatro séculos para libertar os israelitas. Era sua intenção redimir não somente Israel, mas o mundo todo, pois todos nos achávamos escravizados pelo pecado. O êxodo hebreu prefigurava a redenção cristã.

Se lermos a História Sagrada sem a assistência divina, vê-la-emos como um mero processo político. Aliás, foi o que fizeram os proponentes da Teologia da Libertação na América Latina. A Bíblia, contudo, longe de ser um panfleto de libertação nacional, mostra o Filho de Deus como o redentor e salvador universal.

Sendo o evento pascal tão importante, aprouve a Deus silenciar-se por 400 anos, até que o tempo se fizesse oportuno. Se por um lado, a História Sagrada emudecia-se, por outro, a salvação era preparada no refúgio em Gósen.

II. GOSÉN, O ÚTERO DA NAÇÃO HEBREIA
Ao receber os irmãos no Egito, promete José ao velho pai que ainda se encontrava em Canaã: “Assim manda dizer teu filho José: Deus me pôs por senhor em toda terra do Egito; desce a mim, não te demores. Habitarás na terra de Gósen e estarás perto de mim, tu, teus filhos, os filhos de teus filhos, os teus rebanhos, o teu gado e tudo quanto tens. Aí te sustentarei, porque ainda haverá cinco anos de fome; para que não te empobreças, tu e tua casa e tudo o que tens” (Gn 45.9-11).
Ali, em Gósen, longe dos egípcios, os filhos de Israel haveriam de engrandecer-se como nação. Deixariam de ser dispersas e frágeis tribos, para se apresentarem como um povo forte, valoroso e único.

1. Gósen, uma terra excelente. Localizada no delta oriental do Egito, era Gósen uma terra de excelências. Ampla, fértil e mui receptiva, mostrava-se ideal a quem se entregava às lides do campo e à pecuária. Sendo os israelitas dados à agricultura e afeitos ao gado, receberam a oferenda do Faraó como algo providencial e divino.
A região de Gósen, embora isolada dos grandes centros, não distava muito de Mênfis, sede da corte egípcia, possibilitando a José visitar regularmente a família.

2. Refúgio espiritual. Jacó, acompanhado de seus filhos e netos, chegou a Gósen como peregrino do Senhor. Ele sabia que, apesar da amável acolhida de Faraó, o destino de sua família era a terra que Deus prometera a seu pai, Isaque, e a seu avô, Abraão. Por isso, seus descendentes teriam de preservar a fé no Deus Único e Verdadeiro. Caso contrário, perderiam a sua identidade espiritual e teológica.

Os israelitas eram uma ilha monoteísta cercada por um politeísmo militante, agressivo e sedutor. Os deuses egípcios achavam-se presentes em todas as cerimônias estatais, sociais e domésticas. Ali estava o orgulhoso Amom, chefe dos deuses e senhor de todos os ventos. Logo mais, apresentava-se Anúbis, a divindade que controlava a morte; não faltava aos funerais.
Como os egípcios davam-se às ciências ocultas, incensavam à erudita Ramras, simbolizada por uma coruja. Dokten era a deusa da guerra. Logo mais erguia-se Anukis, guia do Nilo e de todas as águas. Àpis, visto no boi, era o senhor da fertilidade. Não se pode esquecer a libertina Hathor. Simbolizada por uma vaca, era a diva do amor e da prostituição cultual. Isis, a senhora da magia, não faltava às celebrações do Faraó, pois entretinha o soberano com seus truques baratos e tolos.

Pelas ruas de Mênfis, era mais fácil encontrar uma divindade do que uma pessoa. Em Gósen, porém, habitaria um povo, cujo Deus não era representado na criatura, porquanto é o criador dos Céus e da Terra. Não habitava em templo algum, pois nem o céu dos céus seria capaz de contê-lo. Ali, naquele lugar isolado geográfica, social e espiritualmente, permaneceria Israel por quatro séculos.

Se os israelitas habitassem em meio aos egípcios, teriam desaparecido em duas ou três gerações. Primeiro, assimilariam a religião do Nilo. Em seguida, ver-se-iam casando-se com as idólatras e dando-se em idolatrias. Providencialmente, Deus isolou-os naquele recanto, para que não se contaminassem quer pela religião egípcia, quer pela cananeia. Aliás, o panteão cananeu era muito mais perverso, criminoso e deletério que o egípcio.

3. Refúgio histórico. Ali, naquele refúgio, os hebreus tiveram condições de preservar a História Sagrada. Remontando a Noé, num primeiro momento, e, depois, ao próprio Adão, eles sabiam que descendiam do ramo messiânico da progênie humana. E, que, através de uma de suas famílias, viria o Desejado de todas as nações.

Como o Gênesis ainda não havia sido escrito, fazia-se imprescindível que suas tradições orais e registros genealógicos se mantivessem incólumes. Por esse motivo, os israelitas não se misturariam, quer aos egípcios, quer aos cananeus. Doutra forma, a História Primeva transformar-se-ia num corolário de mitos, fantasias e blasfêmias.

A História Sagrada, que tinha agora os israelitas como guardiões, não poderia ter o mesmo destino que tivera entre os camitas e jafetitas. Os filhos de Cam desviaram-se logo, pervertendo a verdade divina. Quanto aos descendentes de Jafé, também não demoraram a transviar--se. O resultado de toda essa apostasia é descrito pelo apóstolo Paulo:
“Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos e mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, bem como de aves, quadrúpedes e répteis. Por isso, Deus entregou tais homens à imundícia, pelas concupiscências de seu próprio coração, para desonrarem o seu corpo entre si; pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a criatura em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém!” (Rm 1.22- 25).

Infelizmente, até os próprios filhos de Sem caíram na idolatria. Naquele momento, portanto, havia apenas uma família que ainda resguardava a História Sagrada. Caso viesse a transviar-se, jazeríamos hoje em trevas teológicas e históricas. Não saberíamos como responder a estas perguntas: “Quem fez o Céu e a Terra? E de onde eu vim?”. Felizmente, em Gósen, o Senhor, preservando os hebreus, preservou os primórdios da História Sagrada.

4. Refúgio moral e ético. Resguardando-se da religião egípcia, os israelitas resguardar-se-iam também da moral dos que a seguiam. Os deuses do Nilo não eram melhores do que os da Grécia. Aliás, só mudavam de nome. Amom, por exemplo, era adorado pelos gregos como o adúltero e vingativo Zeus. Já a desavergonhada Hathor era conhecida nas cidades helenas como Afrodite, leviana e alcoviteira. Se os deuses não tinham moral, o que dizer de seus adoradores? Amom jamais poderia exigir dos que o incensavam: “Sede santos, porque eu sou Santo”. Santidade, aliás, era um atributo desconhecido nos panteões egípcio e cananeu. Por essa razão simples e óbvia, era imperioso que os filhos de Israel se isolassem da sociedade egípcia.

Os templos pagãos em nada diferiam de um bordel. Hathor, por exemplo, não se limitava à prostituição; incestuosa, apresentava-se como filha e esposa de Rá. Se os deuses eram tão libertinos e promíscuos, por que censurar o povo? As mulheres egípcias, altivas e vaidosas, não se resguardavam ao marido. Entregavam-se às aventuras extraconjugais como faziam suas deusas. Haja vista a mulher de Potifar que intentou levar José ao pecado.

Não se tem notícia de sacrifícios humanos no antigo Egito. Entretanto, os servos do Faraó sepultavam-se com ele nas mastabas e pirâmides, a fim de o servirem na outra vida. Quanto à escravidão, era não somente praticada, mas institucionalizada em todo o país.

5. Refúgio cultural. Entre os israelitas e os súditos do Faraó, havia um abismo cultural e religioso intransponível. Antes de tudo, porque todo pastor de rebanho era abominação aos egípcios (Gn 46.34). Estes não conseguiam entender como aqueles sacrificavam ao Deus invisível os animais, que, para eles, eram sagrados. Nenhum natural da terra ousaria levar ao holocausto um boi, porque estaria queimando o venerado Ápis, responsável pela fertilidade de suas terras.

Isolados culturalmente, os hebreus tiveram condições de preservar seus costumes, sua língua, sua ética e, principalmente, sua religião. Em tudo isso, é impossível não ver a providência divina. A região de Gósen, pois, teve um papel importantíssimo na história israelita. Foi o útero no qual Deus gestou o seu povo antes de introduzi-lo na Terra da Promissão.

III. JOSÉ, O FORJADOR DO IMPÉRIO EGÍPCIO
Quando José assumiu a governança do Egito, reinava um Faraó de origem hicsa, cujo nome ignoramos. Mas, sendo ele também semita, tratou com benignidade os filhos de Israel, concedendo-lhes a terra de Gósen por habitação. Era conhecido como rei-pastor. Por isso, confiou aos hebreus todo o seu rebanho.
Sob este monarca, José transformou o Egito no reino mais poderoso da antiguidade. Resguardando-se da religião egípcia, os israelitas resguardar-se-iam também da moral dos que a seguiam.

1. O plano econômico de José. No capítulo anterior, vimos que José, filho de Jacó, apresentou ao rei do Egito um plano econômico simples, mas eficientíssimo. Um plano que, embora fugisse aos cânones da moderna economia política, veio a salvar o Egito e os demais países do Oriente Médio.

O êxito de seu projeto residia não em sua complexidade, mas justamente em sua simpleza, pois José, em algumas palavras, expô-lo a Faraó (Gn 41.32-36).

Em seu livro Quando o Amado Desce ao Jardim, Marta Doreto de Andrade reconstitui com muita propriedade a intervenção divina através do jovem hebreu:

“O sábio conselho de José foi que, durante os anos de abastança, se armazenasse cereal suficiente para suprir a terra nos anos de escassez. Que bom se cada advertência viesse acompanhada de um conselho prático... Reconhecendo haver em José o Espírito de Deus, e que ninguém havia tão ajuizado e sábio como ele, Faraó instituiu-o governador do Egito. Possuindo agora autoridade sobre toda a nação, e devendo prestar contas unicamente ao rei, o jovem José tinha diante de si a grandiosa missão de prover para os dias de privação. Tamanha tarefa exigia planejamento, e foi o que fez ele, sabiamente. Por certo não planejou apenas meios de se recolher o mantimento, mas também de aproveitar os anos de fertilidade, encorajando e orientando o plantio.

“Não havia chuvas no Egito, e a nação dependia totalmente das cheias do Nilo para sua irrigação e fertilização. Este segundo maior rio em extensão do mundo (o primeiro é o Amazonas) é formado por dois ramos chamados Nilo Branco e Nilo Azul. O primeiro começa num lago da África equatorial, e o segundo, nas montanhas da Etiópia. No Sudão, as águas convergem num só rio, e prosseguem na direção norte, atravessando o Egito, onde se dividem em dois braços, desaguando finalmente no seu delta, no Mediterrâneo. Não fosse o Nilo, a aridez tomaria conta de tudo, e o Egito seria parte do extenso deserto que atravessa a África setentrional e a Península arábica. Foi com razão que Heródoto chamou o Egito de o ‘presente do Nilo’, uma vez que o trans-bordamento do rio fornecia a base para a economia e a prosperidade desta nação.

“Ao longo de seu percurso de aproximadamente 6.690 km, o rio penetra alguns lagos, forma seis grandes cataratas e recebe águas de alguns afluentes. Contudo, são as chuvas de verão que caem em sua cabeceira que lhe engrossam o caudal, e causam as cheias responsáveis pela fertilização de suas margens. A cada ano, por volta do mês de junho, o rio começava a transbordar na extremidade do delta, e a inundação ia crescendo até o mês de outubro, quando atingia o auge. Então as águas começavam a retroceder, voltando ao nível ordinário somente no mês de abril. Tão logo começava a vazante, os egípcios iniciavam o cultivo, pois à medida que retrocediam, as águas iam deixando no solo umedecido o seu limo humoso e fértil, preparando-o para a lavoura. Uma enchente fraca representava colheita insuficiente, e até mesmo fome. Era provavelmente desses aluviões que resultariam os sete anos de fartura prometidos por Deus nos sonhos de Faraó. O aviso divino garantia sete anos de excelentes inundações. Cabia aos homens aproveitar a bênção, arando e semeando o solo da melhor maneira possível, e armazenando adequadamente o fruto das colheitas. Que preciosa cooperação haveria entre Deus e o homem! Deus entraria com os recursos naturais; o homem, com o trabalho. Era aqui que se fazia necessário ‘um homem ajuizado e sábio sobre a terra do Egito’ (Gn 41.33).”

Prossegue a autora já citada:
“Em cada um dos sete anos de fertilidade, houve o tempo de plantar e o tempo de colher; o solo egípcio foi arado e plantado, e trigais, cuidados até o momento da sega. Então, um quinto de toda a colheita, do país inteiro, foi guardado em celeiros previamente preparados. Claro está que José não fez isto sozinho; o esforço foi nacional. Nomearam-se administradores em cada região para o ajudar na execução do plano (41.34), e o país inteiro mobilizou-se. Enquanto uns lavravam a terra, outros construíam silos em cada cidade, e até as cavernas naturais foram usadas como depósito.

“A produção da terra do Egito foi farta, como Deus prometera, e um quinto de tamanha fartura representava um estoque incalculável. Enquanto pôde, José manteve registros detalhados de todo o cereal recolhido, até que os números alcançaram tal monta, que perderam o significado, “porquanto não havia numeração (Gn 41.49).

“Nos sete anos de fartura, José guardou o excedente das colheitas. Vindo a carestia, foi buscar, nos armazéns reais, o suficiente para aplacar a fome do mundo. Nesse período, nem o Nilo, com todas as suas prodigalidades, foi capaz de salvar o país. Anukis, deusa daquele grande rio e de todas as águas, nada pôde fazer por seus filhos. Se não fora a intervenção do Deus de Israel, a mortandade teria campeado do Nilo ao Eufrates.

“A seca assolou não só o Egito, mas também a Arábia, a Palestina e a Etiópia. A diferença é que o Egito estava preparado, e agora podia sobreviver do cereal estocado. Nas demais nações, as gentes definhavam por falta de nutrientes. Essas nações não contavam com um José que as orientasse a aproveitar a estação oportuna. Felizmente, o precavido José armazenara o suficiente para sustentar o Egito e ainda amparar as nações vizinhas.”

Logo espalhou-se a notícia de que no Egito havia mantimento. “Os egípcios têm muito trigo estocado”, era o que se ouvia das bocas famintas. O trigo, cultivado desde os primórdios, é o cereal mais utilizado na panificação, em todo o mundo. Seu grão, rico em amido, e contendo proteína, é o mais importante dentre os mencionados na Bíblia, e fez sempre parte da dieta dos israelitas (Gn 27.28; 30.14), que o têm como símbolo da bondade e da provisão divina (SI 81.16; 147.14). E a provisão divina, agora, estava no Egito.

Para lá dirigiram-se as demais nações em busca de alimento. Todos iam ter com José. Em suas necessidades, de quaisquer espécies, o mundo sempre se lembra de correr para um servo de Deus. E José, em quem habitava não apenas a sabedoria, mas também o amor, “abriu tudo em que havia mantimento” (41.56).

Ninguém que apelou para ele voltou de mãos vazias. Permitam-me, uma vez mais, recorrer ao texto de Marta Doreto:

“Em breve tornou-se comum a chegada de caravanas ao Egito, em busca de pão. Mas certo dia, um grupo de dez homens chamou a atenção de José. Nas faces barbudas e empoeiradas dos viajantes, ele reconheceu os seus irmãos. Estes, ao contrário, sequer imaginaram que aquele homem vestido de linho branco, à moda egípcia, com um colar de ouro no pescoço, fosse aquele adolescente que, vinte e dois anos antes, tinham vendido como escravo. A princípio, José tratou-os rispidamente, não por vingança, mas para descobrir se haviam mudado. Depois de certificar-se de que seu pai Jacó e seu irmão Benjamim estavam vivos, e de testar-lhes de várias maneiras o caráter, ele deu-se a conhecer (Gn 42; 43; 44). José mandou vir de Canaã o restante da família, e supriu-os do que havia de melhor na terra do Egito. Seu coração perdoador e generoso colocou-o na posição de instrumento de Deus para preservação da semente de Israel (45.7)”.

2. O plano de austeridade de José. “Então acabaram-se os sete anos de fartura que havia na terra do Egito, e começaram a vir os sete anos de fome...” (Gn 41.54) A partir do oitavo ano, as águas do Nilo não subiram o suficiente para fertilizar a terra árida. Não sabemos se a produção agrícola foi zerada já no primeiro ano de fome, ou foi-se extinguindo aos poucos. O fato é que se haviam encerrado os dias da prosperidade e da oportunidade.
O momento exigia pulso firme e austeridade.
Se José não mantivesse a ordem no Egito, a desordem acabaria com o equilíbrio entre os reinos do Oriente Médio. Dentro em pouco, os países da região, organizando-se em coligações, deflagrariam uma guerra de consequências imprevisíveis, em busca de insumos básicos como o trigo e a cevada. O hebreu, portanto, não se limitava a governar um país; suas atribuições iam além: conservar a harmonia internacional. Nesse sentido, foi um dos maiores estadistas que o mundo já conheceu.

Internamente, tomou as seguintes iniciativas, a fim de preservar a ordem e, mais tarde, recuperar a economia do Egito: a arrecadação de todo o meio circulante, a compra de todos os rebanhos e, finalmente, o confisco das terras que, doravante, pertenceriam a Faraó.

Aparentemente, tais medidas em nada diferiam dos decretos baixados pelos governos socialistas da ex-União Soviética, China, Camboja, Coreia do Norte e Cuba. Todavia, há muita diferença entre o hebreu e esses monstrengos comunistas que, de quando em quando, assaltam um país em nome de uma pretensa igualdade. Os marxistas que conhecemos, desde Lênin a Fidel Castro, nivelam seus povos, tendo como parâmetro a fome, a miséria e a morte. E, na busca de uma utopia ateia e insana, já mataram milhões de pessoas. No Egito de José, entretanto, a planificação levou em conta a vida e o bem-estar das gentes. Nenhuma revolução fez-se necessária; uma intervenção humanitária foi suficiente. A dialética política fez-se dispensável.

3. O recolhimento do meio circulante. Nos sete anos de seca e carestia, os egípcios gastaram todo o seu dinheiro nos armazéns reais. Em todo o país, já não havia moeda alguma. Enquanto isso, a falta de víveres tornava-se crítica, conforme descreve o autor sagrado: “Não havia pão em toda a terra, porque a fome era mui severa; de maneira que desfalecia o povo do Egito e o povo de Canaã por causa da fome” (Gn 47.13).

Mais adiante, o relato bíblico desenha um quadro mais grave do que o da Grande Depressão de 1929. A situação era de tal forma desesperadora, que nem as classes mais abastadas viram-se a salvo: “Então, José arrecadou todo o dinheiro que se achou na terra do Egito e na terra de Canaã, pelo cereal que compravam, e o recolheu à casa de Faraó. Tendo-se acabado, pois, o dinheiro, na terra do Egito e na terra de Canaã, foram todos os egípcios a José e disseram: Dá-nos pão; por que haveremos de morrer em tua presença? Porquanto o dinheiro nos falta” (Gn 47.15).

José bem que poderia ter cunhado mais moedas, para manter o dinheiro em circulação e o funcionamento mínio da economia. Ele sabia, porém, que tal medida acabaria por levar o país a um doloroso processo inflacionário. Nesse caso, tanto a nação como o Estado em breve estariam falidos, gerando um caos de proporções catastróficas. Por isso, opta por uma prática que não era desconhecida dos egípcios: o escambo.

Se não há dinheiro, que o trigo seja trocado pelos rebanhos que ainda pasciam pelos campos ressecados do alto e do baixo Egito. Ao povo que se achava em gravíssimo aperto, a proposta de José soou mais do que razoável: “Se vos falta o dinheiro, trazei o vosso gado; em troca do vosso gado eu vos suprirei” (Gn 47.16).

Caso não atentemos ao contexto em que José governava, seremos levados a pensar que o hebreu não passava de um governante oportunista e cruel. Todavia, ele prestou um grande serviço aos egípcios: o gado já estava condenado a perecer, pois a seca infelicitava todo o Oriente Médio. Ia do Nilo ao Eufrates. Que rebanho suportaria a estiagem? Mas, recolhendo-os, o governo teria condições de mantê-los, preservando um estoque mínimo para tempos mais favoráveis.

4. Terra por trigo. Já desprovido de dinheiro e de todo o seu gado, o que os egípcios poderiam fazer? Devorando-os a fome, foram procurar novamente José: “Não ocultaremos a meu senhor que se acabou totalmente o dinheiro; e meu senhor já possui os animais; nada mais nos resta diante de meu senhor, senão o nosso corpo e a nossa terra. Por que haveremos de perecer diante dos teus olhos, tanto nós como a nossa terra? Compra-nos a nós e a nossa terra a troco de pão, e nós e a nossa terra seremos escravos de Faraó; dá-nos semente para que vivamos e não morramos, e a terra não fique deserta” (Gn 47.18,19).

Num único dia, os feudos e os latifúndios de todo o Egito são colocados sob o poder do Faraó. Mais uma vez, o governo de José mostra-se cruel e oportunista. Todavia, o que o rei recebeu em troca de pão foram propriedades estéreis, arrasadas e secas. Naquele momento, tinham nenhum valor. Ninguém as queria nem de graça. Aquelas fazendas, outrora tão produtivas e enriquecidas pelo Nilo, jaziam desertas, pois seus donos, em busca de sobrevivência, haviam se concentrado nas grandes cidades, por estarem lá os armazéns reais.

O relato de Gênesis é bastante realista quanto à situação do Egito naquele instantes: “Assim, comprou José toda a terra do Egito para Faraó, porque os egípcios venderam cada um o seu campo, porquanto a fome era extrema sobre eles; e a terra passou a ser de Faraó” (Gn 47.20).

Só não foram adquiridas as terras dos sacerdotes, pois estes eram mantidos pelas expensas reais. A fome vinha demonstrar, sutilmente, a inutilidade dos deuses pagãos. Bastou aquela carestia para que todo o sistema religioso egípcio viesse ao chão. Não fora o Deus de Israel, o Egito e as demais nações do Oriente Médio não teriam sobrevivido, porquanto a seca era grave e cruel, e já não conhecia fronteiras.

5. Um plano para reconstruir o Egito. Na voragem da crise, os egípcios já não tinham dinheiro, Se José não mantivesse a ordem no Egito, a desordem acabaria com o equilíbrio entre os reinos do Oriente Médio. nem gado ou terra. Tudo o que possuíam fora despendido na aquisição do pão cotidiano. Enquanto isso, os celeiros reais continuavam a abastecer o Egito, as nações vizinhas e os povos mais distantes. Não havia o que se negar: o país do Nilo era o celeiro do mundo. Todos dependiam das terras do Faraó para sobreviver. Aliás, durante o Império Romano, o país ainda forneceria trigo aos rincões mais distanciados do mundo.

Voltemos, porém, ao mundo de José. O que os egípcios dariam, agora, em troca de pão? Num momento de urgência e calamidade, a nação, como um todo, dá-se em serviços por sua subsistência. É o que relata o autor sagrado: “Quanto ao povo, ele o escravizou de uma a outra extremidade da terra do Egito” (Gn 47.21).

Neste instante, a pergunta faz-se pertinente: “Como um homem, que vivera as agruras da escravidão, poderia agora impô-la aos outros?” Antes de tudo, é necessário entendermos a situação do Egito naquele instante tão particular de sua história. Referimo-nos a um país arrasado e desprovido de terras produtivas. Um país, enfim, que enfrentava uma crise severíssima que se arrastaria por sete longos anos. Poucas nações chegaram a experimentar semelhante calamidade.

De 1914 a 1918, o Líbano enfrentou uma fome tão severa, que lhe devorou, em apenas dois anos, um quarto da população. Nos anos de 1941 e 1942, a Grécia, durante a ocupação nazista, veio a perder 300 mil pessoas em decorrência da falta de víveres. Na China, bastou um ano de penúria, em 1943, para que viesse a falecer mais de um milhão de seus filhos. O que dizer da Coreia do Norte? Alguns especialistas dizem que, só em 1996, mais de três milhões de homens, mulheres e crianças, pereceram por falta se insumos básicos como trigo, arroz e cevada.

José necessitava, pois, de toda a mão de obra disponível para reconstruir o Egito. Por esse motivo, conclama o povo a unir-se em prol do soerguimento nacional: “Eis que hoje vos comprei a vós outros e a vossa terra para Faraó; aí tendes sementes, semeai a terra. Das colheitas dareis o quinto a Faraó, e as quatro partes serão vossas, para semente do campo, e para o vosso mantimento e dos que estão em vossas casas, e para que comam as vossas crianças” (Gn 47.23,24).

José não queria fazer do Egito um leviatã que, às margens do Nilo, devoravam os incautos. Ele tinha em mente tornar o país viável e humanamente sustentável. A servidão, por hora, era inevitável à promoção do bem comum. Passada a contingência, os egípcios voltariam aos seus campos, semeá-los-iam e, alegremente, viveriam novamente da terra. Fazendas e sítios tornar-se-iam produtivos. Na colheita, porém, continuariam a dar 20% dos grãos ao governo. O quinto seria armazenado para que, aparecendo outra crise, o Estado tivesse condições de intervir, prevenindo especulações, carestias e inflação.

Diante do plano exposto por José, o povo responde cooperativamente: “A vida nos tens dado! Achemos mercê perante meu senhor e seremos escravos de Faraó” (Gn 47.25). O interessante é que, durante os anos de estiagem, não se registrou mortandade alguma no Egito.

José mostrou-se um governante tão sábio e precavido que, com dois planos simples e práticos, A fome vinha demonstrar, sutilmente, a inutilidade dos deuses pagãos. transformou um país subdividido e politicamente frágil no maior império do mundo antigo. O primeiro plano foi exposto ao Faraó que, comprovando-lhe a viabilidade, aceitou-o de imediato. Quanto ao segundo, foi imposto ao povo que, de igual modo, acatou-o, porque sabia que, vencida a urgência, reaveria suas terras, tornando-as ainda mais produtivas. Somente um homem iluminado pelo Espírito Santo poderia agir de semelhante forma diante de uma calamidade mundial.

A lei do quinto foi tão bem-sucedida, que o governo achou por bem perenizá-la, segundo registra o autor sagrado: “E José estabeleceu por lei até ao dia de hoje que, na terra do Egito, tirasse Faraó o quinto; só a terra dos sacerdotes não ficou sendo de Faraó” (Gn 47.26).

IV. TERMINA A ERA DE JOSÉ
Ao contrário de seus antepassados, José não teve uma vida tão longeva. Se o pai morreu aos 147 anos, e o avô, aos 180, ele falecerá aos 110 anos de idade. Apesar de uma vida não muito longeva para os padrões biológicos da época, deixou ele um legado que se faria não somente imortal, mas eterno; insere-se na História Sagrada como um de seus maiores personagens.



1. Um testemunho de fé e perseverança. Em seu discurso no Sinédrio, o diácono Estêvão referiu-se a ele de maneira particularmente gloriosa:
“Os patriarcas, invejosos de José, venderam-no para o Egito; mas Deus estava com ele e livrou-o de todas as suas aflições, concedendo-lhe também graça e sabedoria perante Faraó, rei do Egito, que o constituiu governador daquela nação e de toda a casa real. Sobreveio, porém, fome em todo o Egito; e, em Canaã, houve grande tribulação, e nossos pais não achavam mantimentos. Mas, tendo ouvido Jacó que no Egito havia trigo, enviou, pela primeira vez, os nossos pais. Na segunda vez, José se fez reconhecer por seus irmãos, e se tornou conhecida de Faraó a família de José. Então, José mandou chamar a Jacó, seu pai, e toda a sua parentela, isto é, setenta e cinco pessoas. Jacó desceu ao Egito, e ali morreu ele e também nossos pais; e foram transportados para Siquém e postos no sepulcro que Abraão ali comprara a dinheiro aos filhos de Hamor” (At 7.9-16).

José foi citado por Estêvão, porque o seu exemplo vem inspirando seguidas gerações. Ele jamais deixará de ser contemporâneo. Não há quem não chore ao ouvir-lhe a história. Como um homem, vendido como escravo, veio a salvar o mundo? Num momento de emergência e tribulação, ordenou o rei aos súditos: “Ide a José”. Ele, porém, não era um simples governador. Profeta de Deus, sabia que o Senhor achava-se no comando de todas as coisas.

2. A profecia de José. Pressentindo a própria morte, José conclama seus irmãos e, no último ato do Gênesis, profetiza o Êxodo: “Eu morro; porém Deus certamente vos visitará e vos fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, a Isaque e a Jacó” (Gn 50.24).

Quem haveria de se lembrar de uma promessa que já se fazia história? José, porém, tinha certeza de uma coisa: Israel não permaneceria no Egito. Apesar de Gósen exibir tantas excelências e faturas, era-lhes uma terra tão estranha quanto Ur. Portanto, apesar dos 400 anos que ainda tinham pela frente, o dia da redenção não estava tão longe. Os israelitas haveriam de deixar o país do Faraó, para se apossarem da mais formosa das heranças.

José estava prestes a reunir-se aos seus antepassados. Na congregação dos justos, estaria junto a Jacó, Isaque, Abraão, Sem, Noé, Enoque e Abel. A História Sagrada, porém, não seria descontinuada. Passados mais quatro séculos, os israelitas tomariam parte do maior evento soteriológico do Antigo Testamento: o Êxodo.

3. O último desejo de José. Voltemo-nos aos instantes finais de José. Após mencionar o Êxodo, faz um derradeiro pedido aos seus irmãos: “Certamente Deus vos visitará, e fareis transportar os meus ossos” (Gn 50.25). Ele tinha certeza, naquele instante final do Gênesis, de que o Êxodo dar-se-ia na estação apropriada. Foi um ato de fé, conforme realça o autor da Epístola aos Hebreus: “Pela fé, José, próximo do seu fim, fez menção do êxodo dos filhos de Israel, bem como deu ordens quanto aos seus próprios ossos” (Hb 11.22).

Ao pedir aos irmãos que os seus ossos subissem do Egito a Canaã, almejava José participar da grande procissão à terra de seus ancestrais. Além da fé tão comum aos santos, o governador do Egito era movido por uma imperturbável convicção profética.

4. A morte de um benfeitor da humanidade. Segundo algumas cronologias, José falece por volta de 1800 a.C. Embora a data seja imprecisa, ajuda-nos a situar a narrativa sagrada no cenário secular. Vivesse ele em nossos dias, seria laureado com, pelo menos, com dois prêmios nobéis: o de economia e o da paz. Além de administrar um país em gravíssima crise, soube como manter a paz no mundo. Em momento algum, fez uso do poderoso exército que se achava ao seu dispor. Não empreendeu guerras de conquistas, nem tiranizou as nações mais fracas.

Agindo dessa forma, manteve a ordem e a concórdia em todo o Oriente Médio. Nenhum país teve de ameaçar o Egito para obter o trigo que excedia nos armazéns e silos do Faraó. José abriu-lhes liberalmente os celeiros, de maneira que todos tiveram acesso a uma subsistência digna naqueles tempos de carestia.

CONCLUSÃO
O livro de Gênesis é encerrado, aparentemente, com uma nota de condolência: “Morreu José da idade de cento e dez anos; embalsamaram-no e o puseram num caixão no Egito” (Gn 50.26).

Nessas palavras, todavia, não temos nenhum informe fúnebre. Temos, sim, o epílogo triunfal de um homem que, dando-se ao seu povo, entregou-se para livrar o mundo de uma fome severa e sem precedentes. Embora levado ao Egito como escravo, de lá saiu triunfalmente nos ombros daqueles que ajudou a salvar. Sem ele, não haveria as condições necessárias para a atuação de Moisés, Arão e Josué.

Enfim, ele preparou o terreno para o êxodo hebreu. Após a sua morte, teve o corpo embalsamado, mas não foi transformado numa múmia como aquele Faraó que, nos dias de Moisés, perseguiu e escravizou os filhos de Israel.

José foi um herói da fé. Quer escravo, quer senhor, o seu exemplo continua a inspirar gerações. Ele jamais deixou de ser contemporâneo de nossos meninos, adolescentes e jovens. Íntegro e fiel, ergue-se, nestes dias de escândalos e corrupções, como paradigma de um administrador que, de fato, se preocupou com o bem comum.
Que a sua história leve-nos a um compromisso mais sério com o Deus de Israel.
Amém!

"Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." Mateus 11:28-30


Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4º trim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)

Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

José, a realidade de um sonho - Livro de Gênesis

E disse Faraó a seus servos: Acharíamos um varão como este, em quem haja o Espírito de Deus?” Gn 41.38


A história de José é uma das histórias mais belas e famosas de toda a Bíblia. É a última história de família da narrativa dos patriarcas de Israel (Gn 37.2-50.26). José é a pessoa que Deus usou para resgatar a nação de Israel da fome intensa daquela época e, assim, preservar a descendência prometida para herdar a terra de Canaã. Se você lê os capítulos 37.2 a 50.26, perceberá que se trata da narrativa mais longa de todo o livro e, principalmente, do gênero literário narrativo de toda a Bíblia.

Nesta grande seção narrativa, é possível verificar três interrupções na história: a história de Judá (Gn 38); a genealogia dos filhos de Israel que foram ao Egito com Jacó (Gn 46.8-27); e a bênção de Jacó (Gn 49). São três interrupções que suspenderam momentaneamente a sequência da narrativa, o que é um recurso comum no gênero literário narrativo.

Nesta narrativa da vida de José, visando a preservar o povo judeu, chama atenção a ação interventora de Deus: Ele desfaz o mal maquinado pelos irmãos contra José, permitindo que o filho de Jacó ficasse preso por não pecar deliberadamente, mas, logo depois, o salva e o coloca entre os administradores do Egito por intermédio da habilidade de desvendar sonhos.

O capítulo 39, versículos 2, 3, 21 e 23, chama a nossa atenção para a repetição dessa expressão: “O Senhor estava com José”.

A história de José tem uma importância enorme quando levamos em conta a história da salvação presente na Bíblia, por intermédio do advento do Senhor Jesus Cristo. Em José, a nação de Israel foi preservada da fome e sobreviveu, garantindo a existência do povo de Deus. O único Deus, o Deus de Israel, guiou a história do Seu povo para preservá-lo de todo o mal, a fim de deixar o caminho livre para o advento do Cristo.

Sobre a conclusão da história de José, podemos constatar que o livro do Gênesis inicia a história bíblica com Deus como o Criador de todas as coisas; os seres humanos como a glória da criação divina, mas caídos por causa do pecado que demonstrou o quanto o mal se internalizou no homem; mas, por meio da eleição de um povo, o Senhor iniciou o Seu projeto de criação redentora que, apesar das falhas do povo, foi adiante e culminou na pessoa bendita de Jesus Cristo (Gl 4.4).

O livro de Gênesis é o início de uma história de todos aqueles que creem no Senhor como o Salvador sonham e anelam em ver a consumação de todas as coisas. Que o Senhor nos permita viver nesta esperança até a Sua gloriosa vinda. Amém! Revista Ensinador Cristão-nº 64-pg.42

Com José aprendemos que os sonhos que Deus estabelece em nossos corações, não podem ser frustrados, embora, isso não nos impeça de passarmos por várias situações difíceis.

INTRODUÇÃO
Vim a concluir, ainda adolescente, que romance algum é comparável à história de José. O autor sagrado não precisou sequer de 13 capítulos para compendiar a epopeia do jovem hebreu que, vendido como escravo pelos irmãos, veio a ocupar a governança do Egito. Todas as vezes que me deparo com essa narrativa, louvo a Deus, pois Ele continua a intervir na biografia de cada um de seus filhos.

Acompanhemos a trajetória de José. Em sua carreira, não vemos apenas o sucesso tão comum aos grandes homens. Testemunhamos, acima de tudo, a excelência que leva os heróis da fé a fazerem diferença na crônica de seus povos e do próprio mundo.

José se destacou, na casa dos seus pais, na casa de Potifar e no palácio de Faraó, por sua vida de excelência e fidelidade a Deus.


I. A HISTÓRIA DE JOSÉ
José era bisneto de Abraão, amigo de Deus. À semelhança de seu pai, Jacó, e do avô, Isaque, era um homem de profundas experiências com o Senhor. A seu modo, era um profeta e um especialista em sonhos.
José era filho de Raquel, a esposa amada de Jacó (Gn 29.18-20,30). Seu nascimento foi celebrado por sua mãe (Gn 30.22-24). Em hebraico, José significa Jeová acrescenta. Talvez o seu nascimento tenha levado Jacó a munir-se de uma firme atitude diante de Labão, seu sogro: "Deixa-me ir; que me vá ao meu lugar e à minha terra" (Gn 30.25). O filho do coração mexeu com a alma do patriarca que, por longos anos, achava-se exilado em Padã-Arã. Enfim, chegara a hora de retornar à casa de Isaque, seu pai.  

A história de José mescla-se à de Jacó. Numa transição bela e sutil, Moisés introduz o jovenzinho hebreu no cenário sagrado: “Estas são as gerações de Jacó. Tendo José dezessete anos, apascentava os rebanhos com seus irmãos; sendo ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai; e trazia más notícias deles a seu pai” (Gn 37.2).
Logo de início, o autor de Gênesis faz questão de ressaltar a espiritualidade e a ética do futuro governador do Egito. Qualidades estas, aliás, que lhe seriam imprescindíveis no futuro.

1. Um patriarca sacerdotal e profético. Dos patriarcas que deram origem às doze tribos, José foi o único a ser agraciado com o dom profético que tão bem distinguira Abraão, Isaque e Jacó, seu pai. José, porém, estava para receber, do Senhor, uma revelação ainda mais refinada e teológica. Ele não apenas sonharia profeticamente, como profeticamente interpretaria os sonhos que em breve ouviria.

No epílogo de sua vida, revelaria aos irmãos que os hebreus não haveriam de permanecer em solo egípcio. Mas que, visitados pelo Senhor, subiriam à Terra Prometida. José exerceu um ofício similar ao de Daniel. Sábios e entendidos em sonhos, foram ambos santificados a estar junto aos poderosos, a fim de testemunhar do Todo-Poderoso.

2. Um adolescente de elevada ética. José nunca comungou com os desvios morais dos irmãos. Mesmo arriscando-se às mais duras e inesperadas represálias, delatava-os ao seu velho pai. Em sua delação, não havia prêmio algum; apenas dissabores havia. Entretanto, agindo de forma tão íntegra, adestrava-se a viver no palácio do Faraó, onde a corrupção fazia parte dos protocolos, ritos e liturgias oficiais.

A Bíblia não detalha os malfeitos dos irmãos de José. Mas dá a entender que eram atos condenáveis e repugnantes aos olhos de Jacó. Se o justo Deus os separara para ser a comunidade ética por excelência, por que não andavam eles de acordo com a justiça divina?
A integridade deve ser cultivada na infância, para que floresça na adolescência e frutifique na velhice. Que os nossos políticos aprendam essa lição com o jovem hebreu.


II. A FORMAÇÃO DE JOSÉ NA CASA PATERNA
Dos 17 aos 30 anos, José teria um longo aprendizado. Sua formação dá-se de forma gradual, lenta e, muitas vezes, dolorosa. Na casa paterna, aprenderá, além da teologia de Abraão, valiosos princípios de administração e economia com o velho pai, Jacó. Em todas as matérias, mostra-se excelente aprendiz.

1. Formação teológica. A formação teológica de José dá-se no cotidiano da casa paterna, no pastoreio do gado e no amanho do solo. Afeito às narrativas e proposições de Jacó, sabia muito bem por que Deus chamara Abraão àquelas terras. Portanto, havia um propósito supremo à sua família: a constituição de um povo profético, sacerdotal e real. Um povo, aliás, que mudaria a História Universal através do Messias.

Ele conhecia as peregrinações do avô. E, dos lábios do pai, ouvira como Deus comunga com os seus servos. Logo, ele não teria de subir ao Céu para conhecer o Eterno, pois o Eterno já havia descido à Terra, para fazer-se conhecido pelos que o amam. Experimentalmente, pois, vai o Senhor inserindo o jovenzinho na comunidade profética do primitivo Israel. José é paciente e reflexivo. Não leva em conta as maldades dos irmãos. Ele sabe que, num futuro não muito distante, darão eles origem a um poderoso reino de profetas, sacerdotes e reis. Além do mais, Deus está no controle de suas agruras, tribulações e provas. Por esse motivo, tudo crê e tudo suporta; em seu coração, o amor é perfeito.

2. Formação administrativa. Jacó não ignorava a complexa economia de Canaã e do Egito. Havendo-se com eficácia na administração do patrimônio familiar, multiplicara-o sobremaneira, escapando diversas vezes às garras de Labão. Tais lições, fez questão de repassar a José. E, pelo contexto da História Sagrada, o filho fez-se tão excelente quanto o pai. Deus o preparava, assim, a administrar a casa de Potifar, o presídio de Faraó e, finalmente, o império todo do Egito.

Conhecendo o Deus dos antigos e já dominando os fundamentos da economia e da administração, o que mais falta a José? Agora, ele já pode sonhar. Sim, ele já está preparado a receber os sonhos que, em breve, lhe dará o Senhor.


3. O primeiro sonho. Certa vez, José teve um sonho. E, logo ao amanhecer, relatou-o aos irmãos: “Atávamos feixes no campo, e eis que o meu feixe se levantou e ficou em pé; e os vossos feixes o rodeavam e se inclinavam perante o meu” (Gn 37.7). Tratava-se de um sonho campesino e rural. Refletindo o dia a dia do sonhador e dos sonhados, aparentemente nada tinha de especial. De certa forma, até refletia a faina daquela gente obreira e madrugadora. Todos foram cientificados, porém, que se tratava de um aviso divino.

Por ocasião da ceifa, tanto José quanto seus irmãos colhiam o trigo, amarrando-o em feixes. Então, por que só o molho de José pôs em pé? A resposta só pode ser uma: o de José era recolhido com excelência e com excelência, amarrado. Quanto aos outros, eram colhidos por obrigação e por mera obrigação, enfeixados. Portanto, o que busca a excelência em seu trabalho, jamais ficará prostrado. Ante o sonho de José, a hermenêutica de seus irmãos logo se aguçou. Já tomados de inveja, perguntaram-lhe: “Reinarás, com efeito, sobre nós? E sobre nós dominarás realmente?” (Gn 37.8). E, com isso, o ódio pelo caçula fazia-se incontrolável.


4. O segundo sonho. Quem amarra bem os seus feixes, sempre acaba por sonhar com algo mais elevado. Foi o que aconteceu a José. Ouçamos-lhe o relato do segundo sonho: “Sonhei também que o sol, a lua e onze estrelas se inclinavam perante mim” (Gn 37.9). Interessante, o primeiro sonho era rural; o segundo, astronômico. De qualquer forma, como mais adiante veremos, havia copiosas bênçãos tanto a José quanto à sua família. Mas, naquele momento, todos se perturbam.

O velho Jacó, colocando-se como o sol da família, intervém de pronto: “Que sonho é esse que tiveste? Acaso, viremos, eu e tua mãe e teus irmãos, a inclinar-nos perante ti em terra?” (Gn 37.10).

Não obstante, o pai guarda o relato no coração. O que Deus reservava a José, em particular, e à família, como um todo? Quanto aos irmãos, passaram a devotar-lhe um ódio ainda mais nocivo e mortal. Por que o caçula e não o primogênito? Deixemos isso por conta da soberania divina.

Se a inveja não os tivesse cegado, haveriam de concluir que Deus não favorecia apenas José. No primeiro sonho, ninguém ficava sem o seu feixe; todos eram abençoados igualmente com o seu molho. Quanto ao segundo sonho, a bênção coletiva era ainda maior. Ninguém perdia o seu brilho. O sol resplandecia com a força de um rei. A lua com a grinalda duma rainha. As doze estrelas? Cada uma delas distinguia-se com uma glória particular. Judá resplendia com o Cristo. Rubem, com a primogenitura. Levi, com o sacerdócio. Enfim, ninguém deixava de brilhar. Então, por que tanto ódio contra José?
Eles não souberam como avaliar o adolescente que Deus santificara para governar o mais poderoso império daquele tempo. Através de José, todo o Israel seria salvo.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"A história de José nos revela como os descendentes de Jacó vieram a ser uma nação dentro do Egito. Esta seção de Gênesis não somente nos prepara para a narrativa do êxodo do Egito, como também revela a fidelidade que José sempre teve para com Deus, e as muitas maneiras como Deus protegeu e dirigiu a sua vida para o bem doutras pessoas. Ressalta a verdade de que nos justos podem sofrer num mundo mau e iníquo, mas que, por fim, triunfará o propósito de Deus reservado para eles" (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 90). 


III. O PREÇO DE UM JOVEM
Como destruir um sonho?
Para os irmãos de José, só havia uma resposta plausível: destruindo o sonhador. Foi o que intentaram ao jogá-lo num poço na erma e abandonada Dotã.

1. A conspiração contra José. A conspiração para matar José foi muito bem amarrada. Eles só não levaram o intento adiante, porque Judá, o mais ajuizado deles, propôs-lhes: “De que nos aproveita matar o nosso irmão e esconder-lhe o sangue? Vinde, vendamo-lo aos ismaelitas; não ponhamos sobre ele a mão, pois é nosso irmão e nossa carne” (Gn 37.26,27). Então, que o tal sonhoso seja vendido.

Todavia, quanto vale José? Aos olhos de seus irmãos, meros 20 siclos de prata; menos de um mês de trabalho. Foi o valor que receberam daqueles mercadores que, de quando em quando, atravessavam a região. O negócio pareceu-lhes ótimo. Além de se livrarem dos sonhamentos e sonhanças do irmão, obteriam um lucro amaciado e fácil. A fim de explicar o desaparecimento do irmão ao pai, mostraram-lhe a túnica de José manchada com o sangue de um bode. Hipócritas e corruptos. Além de mentir, desfalcaram o rebanho de Jacó. Bem diria o Salmista que um abismo sempre acaba por chamar outro abismo. Não bastasse tamanha presepada, enlutam-se e põem-se a consolar o inconsolável patriarca.

2. Potifar compra José. Já cativo dos ismaelitas, José é levado ao Egito. Jornada longa e árdua. O Sinai não tem fim. São quase 300 quilômetros de andanças, canseiras, incertezas e receios. O que o espera na terra do Faraó? Os mercadores tratam-no com rispidez e truculência. Para eles, o hebreu não passa de mero artigo. Desalmados caixeiros-viajantes.

No Egito, os ismaelitas expõem o caçula de Jacó num amplo e concorrido mercado. Ei-lo ali em meio a outros cativos, animais e mercadorias. Os interessados passam, examinam-nos e veem-lhe os dentes. Sim, na compra de um escravo, a arcada dentária é reveladora. Se por um lado, denota saúde, por outro, conota enfermidade. Por isso, cada escravo tem de ser examinado com rigoroso cuidado.

Ao ver o hebreu, Potifar agrada-se dele. Ali estava um jovem forte, saudável e que soubera como resistir ao Sinai. Enfim, um servo perfeito às tarefas de casa e às lides do campo. Não bastasse, era bonito e de bela aparência. Acertado o valor, o oficial do Faraó conclui logo o negócio. O preço de José foi nada módico. Levemos em conta, ainda, as despesas que os mercadores tiveram com o escravo na viagem entre Canaã e o Egito. Sabemos por quanto ele fora vendido, mas ignoramos por quanto foi comprado. Nem sempre o preço de um homem é revelado.


*José
"A história de José nos revela como os descendentes de Jacó vieram a ser uma nação dentro do Egito. A túnica ricamente ornamentada que José recebera de seu pai, contrasta fortemente com as túnicas comuns usadas por seus irmãos. Ela revela uma posição especial de favoritismo e honra diante de seu pai." Para conhecer mais leia, Bíblia de Estudo Pentecostal, CPAD, p. 90.


IV. A FORMAÇÃO DE JOSÉ NA CASA DE POTIFAR
Na casa paterna, José aprendera teologia, administração e economia. Agora, na casa de Potifar, dará continuidade à sua formação espiritual, moral e cultural. Informalmente, estudará a língua demótica, finanças egípcia e ética. O curso não é à distância, mas doloroso, estressante e presencial.

1. A língua demótica. Para um falante do hebraico, era nada fácil compreender a estrutura gramatical, morfológica e fonética da antiga língua egípcia. Oriunda do ramo afro-asiático possuía idiotismos e locuções que nenhum sentido faziam aos semitas e indo-europeus. Era como aprender o basco ou o chinês.

O egípcio falado na casa de Potifar era o demótico: a língua do povo. Sua escrita, contudo, estava longe de ser popular. Formada por ideogramas complexamente arranjados, era difícil até aos falantes naturais. José, porém, não se agasta com o novo idioma. Em pouco tempo, estava ele comunicando-se perfeitamente com seus amos e conservos. Sua disciplina era louvável.

2. Finanças. José, agora, terá de por em prática os princípios de economia que lhe ensinara o pai tanto na administração da casa quanto na da fazenda de Potifar. O desafio é grande; espera-o uma nova realidade financeira e fiscal.

Seu aprendizado surpreende de tal forma o seu senhor, que o coloca à testa de todos os seus negócios. Eis o testemunho que lhe dá o autor sagrado: “Potifar tudo o que tinha confiou às mãos de José, de maneira que, tendo-o por mordomo, de nada sabia, além do pão com que se alimentava. José era formoso de porte e de aparência” (Gn 39.6)

3. Ética, a dolorosa lição. José era um homem bonito; seu porte, belo e imperial. Em Canaã, perseguia-o a inveja. No Egito, assedia-o a cobiça. Desta vez, terá de enfrentar as investidas da mulher de Potifar. Mas, provado moralmente, eticamente censura o comportamento da patroa: “Como, pois, cometeria eu tamanha maldade e pecaria contra Deus?” (Gn 39.9).

José era orientado por uma ética superior. Conquanto não houvesse mandamento algum escrito, o piedoso hebreu já se resguardava ao Senhor. Ele sabia que, sem integridade, jamais poderia cumprir a missão que lhe confiara o Deus de Jacó e o Temor de Isaque.

O final dessa história não poderia ser diferente. Caluniado por sua ama, é lançado numa prisão, onde novos aprendizados o aguardam. Ele só não foi condenado à morte, porque Potifar conhecia muito bem a índole e os caprichos da esposa.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
1.José tipo de Cristo - Muitos tomam José como um tipo de Cristo; uma pessoa inocente que sofreu por causa da maldade dos outros e, através do qual, o povo escolhido foi liberto da morte certa. O silêncio de José enquanto seus irmãos deliberam seu destino (Gn 37.12-35) prefigura o silêncio de Cristo perante seus juízes (1 Pe 2.23).

2.A mulher de Potifar - O contraste entre Judá e José é forte. Ambos foram tentados sexualmente. Judá procurou o sexo ilícito, enquanto José recusou repetidos apelos da mulher de seu senhor. José lembra-nos que nunca podemos dizer que o sexo nos leva a pecar. A escolha é nossa, agir como Judá ou como José" (RICAHRDS, Lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p. 45).


V. A FORMAÇÃO DE JOSÉ NA PRISÃO
É na prisão que José cursará a universidade, que o capacitará à governança do Egito. Ali, aprenderá a língua hierática, as liturgias e maneiras da corte. Conviverá com prisioneiros cultos e letrados, que sabiam como estar na presença do rei. Na prática, inteirar-se-á do funcionamento do Estado egípcio.

1. A língua da corte. Na casa de Potifar, aprendera o demótico: a língua popular do Egito. Já na prisão, um novo desafio linguístico o aguarda: o hierático. Agora, terá de adaptar-se ao idioma dos sacerdotes e nobres; restrito e sagrado. Pelo contexto da história, concluímos que o seu aprendizado foi novamente coroado de êxitos. A formação de José lembra a de Daniel e seus companheiros (Dn 1.4,21).

2. O funcionamento da corte. Na prisão, conhece os presos políticos de Faraó, entre os quais o copeiro e o padeiro-mores. Eles lhe ensinarão como funciona a corte faraônica. Ali, informalmente, recebe preciosas aulas sobre a teoria geral do Estado.
Na prisão, José é igualmente bem-sucedido. Levado como prisioneiro, faz-se carcereiro, mestre e psicólogo.

3. O sonhador interpreta sonhos. Certa manhã, José encontrou o copeiro e o padeiro-mores turbados e confusos. Sempre gentil e solícito, buscou saber-lhes o motivo de tamanha prostração de espírito. Eles relataram-lhe, prontamente, que assim estavam por causa dos sonhos que haviam tido na noite anterior. O hebreu, então, iluminado pelo Senhor, ouviu-os com paciência, dando, a cada um, a interpretação de seu sonho.

No terceiro dia, em pleno aniversário do Faraó, cumprem-se as palavras de José. Eis o que o rei “ao copeiro-chefe reintegrou no seu cargo, no qual dava o copo na mão de Faraó; mas ao padeiro-chefe enforcou, como José havia interpretado” (Gn 40,21,22).

Mesmo antes de o sonho cumprir-se, rogara José ao copeiro-mor: “Porém lembra-te de mim, quando tudo te correr bem; e rogo-te que sejas bondoso para comigo, e faças menção de mim a Faraó, e me faças sair desta casa; porque, de fato, fui roubado da terra dos hebreus; e, aqui, nada fiz, para que me pusessem nesta masmorra” (Gn 40.14,15). O oficial de Faraó, porém, não se lembrou de José; deste esqueceu-se, não porque o quisesse, mas porque o tempo do hebreu ainda não havia chegado.


VI. JOSÉ, PRIMEIRO-MINISTRO DO EGITO
Desde os sonhos dos oficiais mores de Faraó, dois anos completos se haviam passado. José parecia esquecido até mesmo por Deus. Entretanto, ele sabia que, para cada coisa, há um tempo determinado. Enquanto ele cumpria suas tarefas na prisão, o rei do Egito é turbado por dois sonhos que, em essência, constituíam um aviso único e urgente do Senhor (Gn 41.1-7).

1. O sonho de Faraó. No primeiro sonho, vira o rei sete vacas gordas e nédias que, emergindo do Nilo, pasciam às suas margens. Mas eis que outras sete, magérrimas e feias, começaram a devorar as primeiras. E, mesmo assim, continuavam esqueléticas.
Tornando a dormir, viu o soberano que, de uma única haste, brotavam sete espigas bem granuladas e cheias. Em seguida, apareciam outras sete: amiudadas e crestadas pelo vento oriental. Insurgindo-se estas, devoraram aquelas. E, nem por isso, fizeram-se melhores.

2. José é lembrado. Na manhã seguinte, Faraó convoca seus magos e sábios, mas nenhum deles soube como interpretar-lhe os sonhos. Foi justamente aí que o copeiro-mor lembrou-se de José. E, falando do hebreu ao rei, este o mandou chamar de imediato.
Sendo convocado pelo monarca, José barbeou-se e mudou de roupas. Afinal, estaria ele diante do rei.

3. A hermenêutica dos sonhos. Ao ouvir os sonhos do Faraó, logo entendeu que uma grande fome estava por vitimar o Egito e o mundo. Nem o Nilo com todas as suas benesses e mitologias poderia salvar o país. Então o que haver? Como as sete vacas e espigas, tanto as boas quanto as ruins, representavam sete anos bons e sete anos ruins, respectivamente, que o rei armazenasse a fartura dos primeiros para minorar a penúria dos segundos. E, para tanto, deveria o rei prover-se um homem ajuizado e sábio para administrar a crise por vir.

4. Um hebreu como governador do Egito. O parecer de José agradou a Faraó e aos seus ministros. Diante da emergência anunciada, o rei dirige-se à corte: “Acharíamos, porventura, homem como este, em quem há o Espírito de Deus?” (Gn 41.8). Volvendo-se ao hebreu, ordena: “Visto que Deus te fez saber tudo isto, ninguém há tão ajuizado e sábio como tu; administrarás a minha casa, e à tua palavra obedecerá todo o meu povo; somente no trono eu serei maior do que tu” (Gn41.39,40). Em seguida, decreta: “Vês que te faço autoridade sobre toda a terra do Egito” (Gn41.41).


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
"As Escrituras deixam claro que a separação entre José e o seu povo estava sob o controle de Deus. O Senhor estava operando através de José e das circunstâncias deste, a fim de preservar a família de Israel e reuni-la segundo as suas promessas.
Quatro vezes no capítulo 39 está escrito que 'o Senhor estava com José' (vv. 2,3,21,23). Porque José honrava a Deus, Deus honrava a ele. Aqueles que temem a Deus e o reconhecem em todos os seus caminhos têm a promessa de que Deus dirigirá todos os seus passos (Pv 3.5,6)" (Bíblia de Estudo Pentecostal. 1.ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2006, p. 39).

José acolheu a família. Não somente perdoou as ofensas aos seus irmãos, como proveu-lhes toda a subsistência.


CONCLUSÃO
Já investido de singular autoridade, José aplacou não somente a fome dos súditos de Faraó, mas também a de seu velho pai e a dos irmãos que o haviam vendido como escravo. Recebe-os com amor. E, amorosamente, dá-lhes o sustento necessário.

Em seu coração, nenhuma vingança. Como bom teólogo, compreende a razão de suas agruras e provações. Aos irmãos amedrontados, dá-lhes uma palavra de doce consolo: “Deus me enviou adiante de vós, para conservar vossa sucessão na terra e para vos preservar a vida por um grande livramento. Assim, não fostes vós que me enviastes para cá, e sim Deus, que me pôs por pai de Faraó, e senhor de toda a sua casa, e como governador em toda a terra do Egito” (Gn 45.7,8).

Os sonhos que nos dá o Senhor cumprem-se no tempo oportuno, para que todas as coisas contribuam para o bem dos que, sinceramente, o amam.

José foi usado pelo Senhor para providenciar livramento para sua família e para o povo de Deus.

Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4º trim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)
Guia do Leitor da Bíblia - CPAD
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé

Leia também: 

Subsídio para este estudo - A transição entre José e Moisés

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