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sábado, 31 de outubro de 2015

Caim era do maligno

[...] Que nos amemos uns aos outros. Não como Caim, que era do maligno e matou a seu irmão [...]” 1Jo 3.11,12


O capítulo 4 do livro do Gênesis apresenta a consumação do pecado e sua história de implicações práticas para o gênero humano. O assassinato de Abel por seu irmão, Caim, é o símbolo do alcance do mal quando este domina o coração humano. E o consequente banimento de Caim da presença de Deus mostra o quanto o homem se afasta da presença do Altíssimo quando decide em seu coração fazer o mal.

O caminho de Caim se torna o caminho de todos nós, quando desejamos em nosso coração a vingança, o “dar o troco”, o revide, ou seja, tudo o que passa na contramão do filtro de Jesus Cristo: ame o vosso inimigo.

Tudo começa bem na vida do ser humano. Assim, Caim nasceu e cresceu numa família que devotava a vida a Deus, tanto que a sua mãe, Eva, devotou a Deus ação de graças: “Alcancei do Senhor um varão” (Gn 4.1). A vida de Caim para os seus pais era uma bênção de Deus. Um presente.
Adulto, Caim tornara-se um agricultor, pois trabalhava a terra, administrava-a e assim cumpria o plano de Deus estabelecido para a humanidade (Gn 1.26-28). Fazendo assim, Caim obedecia a Deus. Até que, num belo dia, o ciúme, a inveja e o desejo egoístico tomaram o coração de Caim. Seu sacrifício fora rejeitado por Deus e o de seu irmão, aprovado e aceito por Ele. A razão de o Senhor aceitar o sacrifício de Abel e rejeitar o de Caim, embora não esteja totalmente claro nas Escrituras, pelo menos deixa claro que o Senhor olhava e olha com atenção e justiça para o interior do ser humano, de modo que nada lhe escapa o olhar divino.

Caim não se achou aprovado, muito menos aceito, pelo olhar de Deus. Entretanto, essa reprovação de Deus não significava que Caim seria banido de sua presença, pois bastava outro sacrifício com a motivação correta, espontânea e voluntária que o Senhor não haveria de rejeitá-lo. Mas Caim não escolheu o caminho do bem. Ele matou o seu irmão covardemente. O resultado: Caim foi banido da presença de Deus.

O caminho de Caim é muito fácil de trilhar. Basta dar vazão ao ódio, à inveja, ao rancor, à raiva e a tudo que não esteja de acordo com o nosso interesse. O caminho de Caim está a cada dia próximo de nós, quando rejeitamos considerar o nosso próximo superior a nós mesmos. O caminho de Caim está mais próximo das nossas vidas, quando procuramos fugir da realidade inventando desculpas para não fazermos a nossa parte com retidão.

Qual o caminho que você deseja trilhar: o de Caim ou o de Jesus? - Revista Ensinador Cristão nº64-pg.38

Quem ama de verdade não se deixa dominar nem pela inveja nem pelo ódio.

INTRODUÇÃO
Se o orgulho é o primeiro dos pecados, a inveja talvez seja o segundo. Logo atrás de si, vem o medo que, não controlado, acaba por gerar o ódio e outros pecados ainda mais deletérios. Antes o invejoso. Agora, o assassino dissimulado e frio. Mais além, o réu confesso. Na terra, clama o sangue do irmão.

Eis a biografia de Caim
Apesar das honras que lhe conferiam a primogenitura, deixou-se ele dominar por uma inveja tola e injustificável. Seus privilégios eram nada desprezíveis. Primeiro filho de Adão, cabia-lhe, entre outras coisas, a herança messiânica Se ele tivesse permanecido fiel, estaria hoje entre os ancestrais de Cristo. Mas, agindo como agiu, foi arrolado como o primeiro descendente espiritual de Satanás.

Caim inaugurou a galeria dos grandes criminosos da História, tendo bem ao seu lado Nero, Herodes, Napoleão, Stalin, Hitler, entre outros facínoras. Seus imitadores acham-se também entre os que, em nossas igrejas, matam espiritual e moralmente o seu irmão.


I. MULHER, AUXILIADORA DE DEUS
No processo dialético da tentação, Satanás intentou enredar Eva na luta contra o Reino de Deus. O Senhor, porém, interveio de pronto, colocando inimizade entre a mulher e a serpente (Gn 3.15). Foi nessa inimizade que germinou a amizade entre Deus e a raça humana: Jesus Cristo.

I. Inimiga da serpente. O que teria acontecido se o Diabo tivesse aliançado Eva em sua luta contra Deus? A mulher, usada pelo Maligno, não teria permitido a propagação da espécie humana. E, dessa forma, Satanás e seus anjos não demorariam a apossar-se da Terra que Deus criara para manifestar o seu Reino.

O Senhor, todavia, intervém e desfaz, ali mesmo no Eden, o motim que visava transformar-lhe o Reino no império de Satanás. A partir daquele momento, o inimigo perde uma aliada, ao passo que Deus ganha uma grande auxiliadora.

2. Auxiliadora de Deus. Em conseqüência da Queda, a mulher deprava-se não total, mas essencialmente. Apesar dos efeitos daninhos do pecado, a graça divina estaria sobre ela, fortalecendo-a na execução da vontade divina. Eva ergue-se para glorificar o Criador através da maternidade (1 Tm 2.15).

3. Teóloga da maternidade. Depois da queda, não encontramos nenhuma declaração do homem. Adão simplesmente se cala. Até mesmo quando Caim matou Abel, cala-se e nada diz. Ele certamente muito lamentou a perda de ambos os filhos: o caçula, à sepultura,- o primogênito, ao crime. Mesmo assim, silencia-se dolorosamente. Conquanto excelente teólogo e governador do mundo, nenhum comunicado emite; emudecido, prefere chorar a irreparável perda

De Eva, porém, temos duas declarações teológicas. Ao dar à luz o primogênito, declara ‘Adquiri um varão com o auxílio do Senhor” (Gn 41). Em sua primeira declaração, há pelo menos três proposições:
1) Deus é o autor da vida;
2) o filho, que agora embala, não é seu; pertence ao Senhor; e,
3) ela coloca-se no lugar de serva e auxiliadora do Criador no povoamento da Terra.

A segunda declaração da mulher, também, é carregada de significados teológicos. Após a morte do caçula e a perda do primogênito ao Maligno, assim acolhe o pequenino Sete: “Deus me concedeu outro descendente em lugar de Abel, que Caim matou” (Gn 4.25). Ela demonstra, uma vez mais, sua grande acuidade teológica:
1) a intervenção divina nos negócios humanos;
2) a punição dos culpados; e,
3) a continuidade do Plano de Salvação através de sua semente.

Em suas declarações, não é difícil vislumbrar um pequeno Magnífícat. Não obstante o luto que lhe ia na alma, encontra motivos para glorificar a Deus por sua bondade e amor. Temos, em Eva, uma figura de Maria, mãe de Jesus.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“A história dos primeiros dois rapazes nascidos a Adão e Eva realça as repercussões do pecado dentro da unidade familiar. Caim e Abel, tinham temperamentos notavelmente opostos. Caim gostava de trabalhar com plantas. Abel gostava de estar com animais. Ambos tinham uma disposição de espírito religioso.
Os filhos de Adão levaram sacrifícios ao Senhor, o primeiro incidente sacrificial registrado na Bíblia. Que Abel também trouxe dos primogênitos das suas ovelhas e da sua gordura não quer dizer necessariamente que animais são superiores a plantas para propósitos sacrificiais. Por que atentou o Senhor para Abel e para a sua oferta fica evidente à medida que a história se desenrola. A primeira pista aparece quase imediatamente. Caim não suportava que algum outro ficasse em primeiro lugar. A preferência do Senhor por Abel encheu Caim de raiva. Só Caim podia ser o ‘número um’.
O Senhor não estava ausente na hora da adoração. Ele abordou Caim e lhe deu um aviso. Deus não o condenou diretamente, mas por meio de um jogo de palavras informou Caim que ele estava em real perigo. Em hebraico, a palavra aceitação é, literalmente, levantamento, e está em contraste com descaiu. Um olhar abatido não é companhia adequada de uma consciência pura ou de uma ação correta. O ímpeto das perguntas de Deus era levar Caim à introspecção e ao arrependimento” (Comentário Bíblico Beacon. 1ª Edição. Volume I. RJ: CPAD, 2005, p.43).


II. CAIM É GERADO ESPIRITUALMENTE POR SATANÁS
Não foi apenas Eva que supôs fosse Caim a semente anunciada pelo Senhor. Satanás deve ter chegado à mesma conclusão. Por isso, se não pôde ter a mulher como aliada, por que não lhe cooptar o filho? E, assim, começa o inimigo a frondar sua árvore de famosos descendentes espirituais: Caim, o primeiro. Ao longo dos séculos, brotariam o Faraó do Êxodo, Nero, Adia, Napoleão, Stalin, Hitler e muitos de nossos contemporâneos.

I. A cooptação de Caim. E bem possível que o maligno haja iniciado a cooptação de Caim, quando este ainda era bebê. Bom psicólogo, observou-lhe as reações. Fez-se presente em sua infância, não se ausentou de sua adolescência e, em sua juventude, soube como trabalhar-lhe a inveja, o ódio e o ímpeto homicida. E, dai para o ato criminoso, não precisou de muito esforço. Segundo Tiago, o pecado nasce paulatina e imperceptivelmente (Tg 1.13-15).
O Diabo cristalizou os sentimentos de Caim num ódio mortal contra Abel. Infelizmente, o mesmo vem ocorrendo em alguns lares cristãos. Ainda infantes, irmãos levantam-se uns contra os outros. Quanto aos pais, nada fazem. Alguns até incentivam a rivalidade entre os filhos, para que estes sejam agressivos e predadores. E o resultado não poderia ser mais trágico. Há pais que, ao invés de uma Bíblia, dão ao filho uma arma. Enquanto redijo estas linhas, a sociedade americana chora a morte de oito cristãos negros da Igreja Metodista Episcopal Emanuel, na Carolina do Sul. O jovem Dylann Roof matou-os com a pistola que lhe dera o pai. Em sua alma, o ódio racial e diabólico.

E provável que Satanás haja tentado cooptar também Abel. Este, todavia, observando os conselhos paternos, não lhe dera guarida. O tentador, não se dando por vencido, propõe-se a destruí-lo pelas mãos de Caim. Dessa maneira, imaginava o Maligno, poderia comprometer de vez a germinação da semente da mulher. Abel seria destruído, morrendo; Caim, matando.

2. Um perfeito aliado de Satanás. Se não pode ter Eva como aliada, por que não o seu primogênito? Havendo, pois, o Diabo trabalhado a religiosidade de Caim, já o tinha como aliado. Agora, poderia contrapor-se ao estabelecimento do Reino de Deus, que viria através da semente da mulher.

Caim, portanto, aliou-se a Satanás. Fez-se tão diabo quanto o próprio Diabo. Assim ocorre com os que, desprezando a Deus, pecam e fecham-se ao arrependimento. Aos tais, a perdição eterna. Caim, além da depravação essencial, totalmente depravou-se ao ignorar o apelo divino.


SUBSÍDIO BIBLIOLÓGICO
“‘E irou-se Caim fortemente’ (4.5). A ira de Caim mostra quão decidido ele estava em agir por conta própria, sem se submeter a Deus. A ira é uma emoção destruidora. Nunca poderemos nos desculpar por ter ofendido alguém dizendo:
‘Tenho um temperamento agressivo’.
Precisamos considerar a ira como pecado e conscientemente nos submeter à vontade de Deus” (RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10ª Edição. RJ: CPAD, 2012, p.28).


III. O PRIMEIRO HOMICÍDIO
Por que Caim matou Abel?
João é direto e desconcertante “Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1Jo 3.12). Sendo Caim do Maligno, como haveria de aturar o irmão, cujas obras evidenciavam uma fé viva e santa? Logo, ele não se fez do Maligno por haver matado Abel. Ele o assassinou porquanto já era do Maligno. Afinal, o Diabo jamais se comprouve na verdade; matar, mentir e roubar faz parte de sua natureza corrompida e totalmente depravada. Mas Caim, advertido por Deus, poderia ter evitado aquele desatino.

1. Advertência divina. Deus amava tanto Caim quanto Abel. Não queria um assassino, nem desejava um assassinado, pois tinha um plano específico para cada um deles. Por isso, adverte Caim: “Por que andas irado, e por que descaiu o teu semblante" Se procederes bem, não é certo que serás aceito? Se, todavia, procederes mal, eis que o pecado jaz à porta; o seu desejo será contra ti, mas a ti cumpre dominá-lo” (Gn 4).

A que assemelharei o pecado? Em nada difere da víbora que, astuta e paciente, espera o incauto abrir a porta, a fim de morder-lhe o calcanhar. Por isso mesmo, fiquemos longe de seu bote quase sempre certeiro. Caim, porém, brincou com o pecado; menosprezou a advertência divina. Em sua alma, já havia matado o irmão. Na intenção, já era um assassino duplamente qualificado. Não obstante, tanto o seu coração, quanto a sua intenção ainda poderiam ser mudados. Ele, porém, recusou-se a ouvir a voz de seu Criador.

2. O crime. Até aquele momento, a morte de um ser humano só era conhecida teoricamente. Adão e Eva sabiam que, por haverem desobedecido ao Senhor, teriam de enfrentá-la eventualmente. Eles achavam que viriam a morrer naturalmente, como naturalmente morriam os animais. Afinal, carcaças sempre eram achadas nos campos e nos arredores de sua habitação.
Como sua dieta era vegetal, os primeiros humanos não tinham necessidade de abater aves e animais. Matar ainda não era técnica nem arte. Aliás, suponho que os próprios animais, dóceis como eram, não se predavam uns aos outros. Entretanto, o homem estava prestes a tornar-se o lobo do homem. Achava na iminência de transformar sua enxada e relha numa espada.

Nessa época, o único que sabia matar era Abel. Sendo ele pastor de ovelhas, das primícias destas apresentava regularmente uma oferenda ao Senhor. Não sei quantos cordeiros santificara em sua adoração. Mas, certamente, aprendera a imolá-los no altar que, rusticamente, construíra. Caim, que o observava atentamente, não demorou a premeditar o assassinato do irmão: Por que não matar Abel como Abel matava suas ovelhas? Por que não sacrificar o sacrificador?

O autor sagrado assim descreve o primeiro homicídio da história: “Disse Caim a Abel, seu irmão: Vamos ao campo. Estando eles no campo, sucedeu que se levantou Caim contra Abel, seu irmão, e o matou” (Gn 4.8). O que Caim queria mostrar a Abel no campo? A lavoura ou a nova lavragem? Mas, ali mesmo, adiantando-se, mata o irmão. Que instrumentos usou? Os instrumentos do pastoreio ou os petrechos da agricultura?

3. A desculpa do assassino. Caim racionaliza o seu pecado. Após ter assassinado Abel, retoma as lides do campo como se nada tivesse acontecido. Não sei que desculpa dera aos pais acerca do sumiço do irmão. Talvez dissesse que este achava-se errante à procura da centésima ovelha. Não age assim o bom pastor? Deus, porém, não se deixa embair por nossos álibis e pretextos. Onisciente e Onipresente, Ele nos conhece as ações; vê-nos os pecados; não nos ignora as intenções homicidas.

Vem o Senhor, então, e pergunta-lhe: “Onde está Abel, teu irmão'”’ (Gn 4.9). E bem provável que Caim, ao ser arguido de forma tão direta pelo Autor e Conservador da vida, haja sido tomado pela surpresa. Afinal, o seu crime fora executado com requinte, astúcia e muita discrição. Ninguém vira nada. Nem o pai, nem a mãe. Talvez ele não soubesse ainda que Deus é tanto onisciente quanto onipresente. Mas, agora, sabe que nada poderá escondê-lo do Juiz de toda a Terra.

Mesmo arguido judicialmente pelo Senhor, desculpa-se Caim: “Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?”’ (Gn 4.9). Em sua resposta, descortinamos uma filosofia violenta e contrária à lei do amor. Em primeiro lugar, Caim encobre o seu pecado com outro pecado. Embora soubesse onde estava seu irmão, mente. O corpo de Abel jazia nalgum lugar, talvez até insepulto. Em seguida, alega não ter qualquer responsabilidade sobre o irmão mais novo. Diz não ser tutor de Abel. Irmão mais velho, tinha ele, sim, responsabilidade quanto ao caçula da família. Caim era tutor de seu irmão. Portanto, deveria ter agido como referência moral e ética de Abel.

O ódio e a inveja levaram Caim a matar o seu irmão.

IV. A PUNIÇÃO DE CAIM
Não sabemos quantas pessoas habitavam a Terra a essas alturas. O relacionamento humano, porém, já exibia certa complexidade. Por isso mesmo, a punição de Caim dar-se-ia em vários níveis: divino, pessoal, doméstico e social. Ele não seria castigado com a morte, mas seria disciplinado por uma vida errante, longe dos pais e distante de Deus.

I. Castigo divino. Se enfrentar um juiz humano já é constrangedor e vexatório, como nos haveremos diante do Juiz de toda a Terra? A situação de Caim é nada confortável. Diante do Criador, o homicida é desnudado. Arguido pelo Autor e Conservador da Vida, desnuda-se ele sem desculpas e sem álibis.

No início do julgamento, pergunta-lhe o Senhor: “Onde está Abel, teu irmão?” Buscando fugir à inquirição divina, responde o homicida, tentando fugir à responsabilidade doméstica e social: “Não sei; acaso, sou eu tutor de meu irmão?” (Gn 4.9). Em sua resposta, sobressaem a mentira e a ignorância.

Na verdade, ele bem sabia onde estava Abel. Quanto à sua tola indagação, não precisava de resposta alguma. Na qualidade de irmão mais velho, ele era, sim, como já dissemos, tutor do mais novo. Assim como Judá, mais tarde, haveria de responsabilizar-se por Benjamin, deveria o perverso e desalmado primogênito ter-se dado fraternalmente pelo caçula (Gn 44-32-34).

Em seguida, endereça-lhe o Senhor a segunda pergunta:

“Que fizeste?” Caim sabia o que havia feito quando ele e Abel encontravam-se sozinhos no campo. Julgando-se longe dos olhos dos pais, matara-o. Todavia, Deus, que a todos vê e escrutina, presenciara-lhe o homicídio, qualificando-o como gravemente doloso: ‘A voz do sangue de teu irmão clama da terra a mim” (Gn 4.10). O sangue de Abel fizera-se eloquente e irretorquível; clamava a Deus, não por vingança, mas por justiça. Sem outro tribunal a que recorrer, Caim ouve o veredito do Juiz de toda a terra: “Es agora, pois, maldito por sobre a terra, cuja boca se abriu para receber de tuas mãos o sangue de teu irmão. Quando lavrares o solo, não te dará ele a sua força,- serás fugitivo e errante pela terra” (Gn 4-11-12).

Ao invés de arrepender-se e pedir misericórdia, Caim julga o castigo divino desproporcional: “E tamanho o meu castigo, que já não posso suportá-lo. Eis que hoje me lanças da face da terra, e da tua presença hei de esconder-me; serei fugitivo e errante pela terra; quem comigo se encontrar me matará” (Gn 4.13,14).

Caim não pede misericórdia; põe-se, contudo, a reclamar da sentença. Teme mais as conseqüências temporais do que as penalidades eternas. Como a lei da proporcionalidade ainda não estava em vigor, não seria punido com a morte: ‘Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes. E pôs o Senhor um sinal em Caim para que o não ferisse de morte quem quer que o encontrasse” (Gn 4.15).

Ouvida a sentença, o criminoso retira-se da presença do Senhor e detém-se ao oriente do Eden, onde fundará a primeira cidade humana. Tão perto do paraíso e tão arredado da presença do Senhor.

2. Castigo pessoal. Para resguardar Caim de uma vingança futura, dá-lhe o Senhor um salvo conduto: ‘Assim, qualquer que matar a Caim será vingado sete vezes” (Gn 4.15).

A partir daquele instante, o próprio Deus encarregar-se-ia de sua custódia. Se alguém o matar, sete vezes será castigado. E, para que não pairasse qualquer dúvida quanto ao seu salvo-conduto, o Senhor nele apõe um sinal. O que indicava o ideograma divino? Entre outras coisas, que a vida é sagrada da concepção à morte natural.

Caim não seria punido com a morte, mas com a vida. Ninguém o mataria, mas todos haveriam de censurá-lo por haver, covardemente, matado Abel. O seu castigo, além de pessoal, seria também doméstico e social.

3. Castigo doméstico e social. Caim, agora, já não tinha condições de encarar os pais. Por isso, abandona, de vez, a casa paterna e constrói a sua cidade. Doravante, terá de amargar um exílio que o deixaria para sempre longe de Adão e distante de Eva. Caim foge sem que o persigam; esconde-se sem que o procurem; envergonha-se e cobre-se de opróbrios. O sinal que traz no semblante denuncia-o à vista dos filhos, netos e bisnetos. Ele simplesmente não pode esconder o seu crime.

Seu exemplo replicar-se-ia em sua descendência. Apesar do progresso tecnológico alcançado por seus filhos na primeira civilização, fazem-se eles inimigos de Deus. O que dizer de Lameque? Por motivos banais, matou dois homens. Quanto às descendentes de Caim, foram usadas pelo Maligno para desencaminhar os filhos de Deus (Gn 6.1,2).

CONCLUSÃO
Por que Caim matou Abel?
Se procurarmos a resposta na psicologia, ou na sociologia, corremos o risco de inocentar o assassino e condenar o assassinado. Mas, se nos voltarmos à Palavra de Deus, encontraremos uma resposta simples, direta e que não deixará margem alguma à dúvida Responde-nos o discípulo do amor: “Porque a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros; não segundo Caim, que era do Maligno e assassinou a seu irmão; e por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, e as de seu irmão, justas” (1Jo 3.12).

Quem mata é do Maligno.

Não me refiro apenas ao homicídio físico. Refiro-me, também, ao homicídio emocional, moral e espiritual. Quantas pessoas, neste momento, não se acham assediadas emocional e moralmente? Há líderes e chefes que em nada diferem de um verdugo; oprimem e matam seus comandados. Quanto ao homicídio espiritual, o que se há para falar?

Não são poucas as ovelhas que, em nossos redis, são vítimas de mercenários e lobos vorazes. Dos maus obreiros, nem os pastores logram escapar.

Eis, portanto, o momento oportuno demostrarmos ao mundo a qualidade de nossa vida espiritual. Discípulos de Cristo, obrigamo-nos a ir além do mero amor, pois o verdadeiro amor não se limita a gostar: amando como Jesus amou, não teme o Calvário. É uma doação contínua que fazemos a Deus e ao próximo.

Quem ama é de Deus, porque Deus é amor.



SUBSÍDIO TEOLÓGICO
“Caim foi amaldiçoado por Deus no sentido de Deus já não abençoar seus esforços para extrair da terra o seu sustento (vv.2,3). Caim não se humilhou com tristeza e arrependimento diante de Deus, pois afastou-se do Senhor e procurou viver sem a sua ajuda (v.16).
O sinal na testa de Caim (4.15) talvez deva ser entendido como posto em Caim para assegurá-lo da promessa de Deus. Caim não sofreu pena de morte nesse tempo. Posteriormente, quando a iniquidade e a violência da raça humana tornou-se extrema na terra, a pena de morte foi instituída (9.5,6).
Caim e seus descendentes foram os cabeças da civilização humana até hoje desviada de Deus. A motivação básica de todas as sociedades humanistas está em superar a maldição, buscar o prazer e reconquistar o ‘paraíso’, sem submissão a Deus. Noutras palavras, o sistema mundial fundamenta-se no princípio da autorredenção da raça humana na sua rebelião contra Deus” (Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ: CPAD, p.39).

Fonte:
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - 4ºtrim.2015
O começo de todas as coisas - Estudos sobre o Livro de Gênesis - Claudionor de Andrade (Livro de Apoio)
Richards, lawrence. Guia do Leitor da Bíblia: Uma Análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 10º ed.
Comentário Bíblico Beacon 1ªed.vol.1
Revista Ensinador Cristão - CPAD - nº64
Dicionário Bíblico Wycliffe CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal
Bíblia Defesa da Fé

Sugestão de leitura: 
Aqui eu Aprendi!

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Será que trabalhei em vão?

"Prezado santo, enquanto o diabo está mentindo, dizendo que tudo que você fez foi em vão, que nunca verá cumpridas as suas expectativas, Deus em Sua glória está preparando uma bênção maior. Ele tem coisas melhores preparadas, acima de qualquer coisa que você possa imaginar ou pedir."
(Pastor David Wilkerson)

"SERÁ QUE EU TRABALHEI EM VÃO?"

Autor: Pastor David Wilkerson 

"Essa é uma mensagem para você que talvez esteja vivendo debaixo de um peso de desencorajamento. Você olha para sua vida e se deprime pelas expectativas que falharam. Você sente que não realizou muito na vida, e à medida que o tempo se esvai, vê que muitas promessas ainda não foram cumpridas. Durante anos você orou e orou, mas as coisas que acredita Deus lhe ter prometido não se realizaram. Outros que o cercam parecem ter conseguido tudo, desfrutando do cumprimento de muitas promessas - mas você está carregando uma sensação de ter fracassado.

Olhando para o passado, você se lembra de todos os momentos difíceis. Você conheceu rejeição, sensação de total incapacidade e de fraqueza. Você amou tanto o Senhor, entregando corpo e alma para agradá-Lo, fazendo tudo que sabia. Mesmo assim, finalmente chegou um momento quando se convenceu: "Trabalhei em vão; me esforcei por nada. Foi tudo futilidade". E agora uma coisa irritante entra na cabeça, e cochicha, "Você errou o alvo; não chegou nem perto. A sua vida é prova de que não fez diferença alguma no mundo".

Se você está passando por essa sensação de fracasso, então está em boa companhia. Em verdade, está entre gigantes espirituais.

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Muitos grandes servos de Deus ao longo da história
acharam ter falhado em seu chamado
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O profeta Elias olhou sua vida e gemeu: "Senhor, leve-me. Não sou melhor do que os meus pais, e todos eles falharam contigo. Por favor, tire a minha vida. Tudo foi em vão" (parafraseado).

E o rei Davi? Ele ficou tão desanimado quanto àquilo que achava ser unção desperdiçada em sua vida, que queria bater asas como um pássaro em direção a um lugar isolado. "Quem me dera asas como de pomba! Eis que fugiria para longe e ficaria no deserto" (Salmo 55:6-7).

Até mesmo o grande apóstolo Paulo tremeu de medo ao pensar ter vivido uma vida como obreiro inútil, "Receio de vós tenha eu trabalhado em vão para convosco" (Gálatas 4:11).

João Calvino, um dos pais da Reforma, teve a mesma terrível experiência. Na hora da morte disse, "Tudo que eu fiz não teve valor algum...os ímpios alegremente atacarão essa palavra. Mas repito tudo de novo: tudo que fiz não teve valor algum".

São Bernardo também suportou esse terrível desânimo. Em seus últimos dias ele escreve, "Falhei em meus propósitos...As minhas palavras e meus escritos foram um fracasso".

David Livingstone foi um dos missionários mais usados no mundo - seus feitos reconhecidos até mesmo pelo mundo secular. Livingstone abriu o continente africano para o evangelho, plantando muitas sementes e sendo usado por Deus para despertar a Inglaterra às missões. Deu corpo e alma, seguindo uma vida sacrificial para Cristo.

No entanto, durante o vigésimo terceiro ano no campo missionário, Livingstone expressou as mesmas dúvidas terríveis destes outros grandes servos. Ele também achou que seu ministério todo teria sido em vão. O seu biógrafo o cita em seu desânimo: "Tudo que eu fiz apenas serviu para que se abrisse o comércio de escravos africanos. As sociedades missionárias não mostram fruto após vinte e três anos de trabalho. Todo o trabalho parece ter sido em vão...eu trabalhei em vão".

Um dos grandes missionários que impactaram a minha vida foi George Bowen. A sua vida foi um exemplo poderoso, e seu livro, "Love Revealed" (amor revelado), é um dos maiores livros que já li sobre Cristo. Solteiro, Bowen se afastou da riqueza e da fama para ser missionário em Bombaim, na Índia, no meio do século 19. Quando viu os missionários lá vivendo bem acima do nível das pessoas às quais ministravam, Bowen deixou o sustento da missão e escolheu viver em meio às mais pobres delas. Se vestia como os indianos, e abraçou a pobreza, vivendo numa habitação humilde, e subsistindo às vezes só com pão e água. Ele pregava nas ruas sob calor sufocante, distribuindo literatura do evangelho e chorando pelos perdidos.

Esse homem tremendamente consagrado havia ido à Índia com altas esperanças pelo ministério do evangelho. E havia dado tudo que tinha com essa finalidade, o seu coração, a mente, corpo e espírito. Mesmo assim, em seus mais de quarenta anos de ministério na Índia, Bowen não teve nenhum convertido. Foi só após a sua morte que as missões descobriram que ele era um dos mais amados missionários do país. Até mesmo os adoradores de ídolos viam Bowen como exemplo do que é um cristão.

Hoje, a vida humilde de Bowen e suas palavras de poder ainda incendeiam a minha alma, e a alma de outros pelo mundo. Contudo tal como muitos antes dele, Bowen suportou uma terrível sensação de fracasso. Ele escreve: "Sou o ser mais inútil da igreja. Deus me fere e esmaga com desapontamentos. Ele me edifica, e então permite que eu caia de novo ao nada. Eu gostaria da companhia de Jó, e simpatizo com Elias. Todo o meu trabalho é em vão".

Alguns leitores podem dizer, "Os grandes homens de Deus não deveriam usar uma linguagem dessas. Eles não deveriam nem ter esse tipo de sentimentos. Isso soa como medo e incredulidade". No entanto essa é a linguagem de muitos gigantes da fé, grandes homens e mulheres que consideramos exemplos fiéis. Todos eles tiveram o mesmo horrível sentimento de que "Não consegui chegar àquilo que Deus me chamou. Eu fracassei". Conheço o terrível som dessa linguagem em meu próprio coração".


Você ficaria chocado se soubesse

que Jesus experimentou essa mesma sensação

de ter realizado pouco?


Em Isaías 49:4 lemos essas palavras: "Eu mesmo disse: debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças...". Note que essas não são palavras de Isaías, que foi chamado por Deus em idade matura. Não, elas são palavras do próprio Cristo, proferidas por Alguém que diz "O Senhor me chamou desde o meu nascimento, desde o ventre de minha mãe...o Senhor, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para que torne a trazer Jacó e para reunir Israel a ele" (49:1,5).

Quando cheguei à essa passagem, a qual eu já havia lido muitas vezes antes, o meu coração se maravilhou. Eu mal podia acreditar no que estava lendo. As palavras de Jesus aqui quanto a "trabalho inútil" foi uma resposta ao Pai, que havia acabado de declarar "Tu és o meu servo... por quem hei de ser glorificado" (49:3). Lemos as surpreendentes palavras de Jesus respondendo no verso seguinte: "Debalde tenho trabalhado, inútil e vãmente gastei as minhas forças" (49:4).

Após ler isso, me levantei em meu escritório e disse, "Que maravilha! Mal posso acreditar que Jesus fosse tão vulnerável, confessando ao Pai que estava experimentando aquilo que nós humanos enfrentamos. Em Sua humanidade, experimentou o mesmo desencorajamento, o mesmo desânimo, as mesmas feridas. Ele estava tendo os mesmos pensamentos que já tive em relação à minha própria vida: 'Não é isso que eu entendi estava me sendo prometido. Desperdicei o meu esforço. Foi tudo em vão"'.

Ler aquelas palavras fizeram com que eu amasse Jesus ainda mais. Me conscientizei de que Hebreus 4:15 não é só um cliché: o nosso Salvador verdadeiramente é tocado pelo que sentimos em nossas enfermidades, e foi tentado em todas as maneiras como nós somos - contudo sem pecar. Ele conheceu essa mesma tentação de Satanás, e ouviu a mesma voz acusadora: "Você não cumpriu a missão. A tua vida é um fracasso. Você não tem o quê apresentar como resultado do trabalho".

Qual foi exatamente a missão de Cristo? Segundo Isaías, foi trazer Israel de volta para Deus, tirar as tribos de Jacó da corrupção e da idolatria: tornar "a trazer os remanescentes ("os guardados") de Israel" (49:6). O historiador Josephus fala sobre a situação de Israel nos dias de Jesus: "A nação judaica havia se tornado tão má e corrupta no tempo de Cristo, que se os romanos não a houvesse destruído, Deus teria feito cair fogo dos céus, como no passado, para os consumir". Em resumo, Cristo foi enviado como judeu entre os judeus, para livrar o povo de Deus do poder do pecado, e libertar todos os cativos.

Jesus testifica, "(O Senhor) fez-me como uma flecha polida, e me guardou na sua aljava" (49:2). O Pai O havia preparado desde a fundação do mundo. E o mandado dado a Cristo foi claro: "Fez a minha boca como uma espada aguda" (49:2). Jesus deveria pregar uma palavra como espada de dois gumes para penetrar no mais duro dos corações.

Então Cristo veio ao mundo para cumprir a vontade de Deus e promover reavivamento em Israel. E fez exatamente como lhe foi ordenado, sem proferir sequer uma palavra e sem realizar um único ato senão o que Lhe foi orientado pelo Pai. Jesus ficou exatamente no centro da vontade de Deus, recebendo autoridade total e a mais poderosa das mensagens. Mas Israel O rejeitou: "Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11).

Pense nisso: Jesus pregou à uma geração que viu milagres incríveis - olhos cegos se abrindo, surdos ouvindo, os aleijados podendo andar. Contudo os milagres de Cristo foram repudiados ou minimizados, e Suas palavras ignoradas, incapazes de penetrar o coração endurecido das pessoas. Em verdade, a pregação dele só enfureceu as seitas religiosas. Os próprios seguidores decidiram que a Sua palavra era dura demais e se afastaram dele (v. João 6:66). No fim, até os discípulos mais chegados, os doze escolhidos, O abandonaram. E a nação que Jesus veio para levar de volta ao Pai gritava: "Crucifica-O".

Diante de qualquer olhar humano, Cristo falhou totalmente em Sua missão. O encontramos perto do fim do Seu ministério, junto a Jerusalém, lamentando a rejeição de Israel, chorando pelo Seu aparente fracasso em reuni-los, e com esperanças aparentemente frustradas. "Jerusalém, Jerusalém...Quantas vezes quis eu reunir os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das asas, e vós não o quisestes! Eis que a vossa casa vos ficará deserta" (Mateus 23:37-38).

Imagine a dor que Cristo deve ter sentido ao proferir tais palavras. Posso apenas especular, mas creio que esse foi o momento quando Jesus se lamentou, "Trabalhei em vão". Imagino Satanás cochichando a Ele nesse momento, "Essa é a casa que fostes chamado a salvar, e a deixastes desolada e deserta".

Por um curto período, o Pai permitiu que Cristo experimentasse esse desespero humano da sensação de fracasso na vida: "Me entreguei inteiro, dei a minha força, o meu trabalho, a minha obediência. O quê mais eu poderia fazer para salvar esse povo? Todo o meu trabalho foi em vão". Ele sentiu o quê todo grande guerreiro de Deus ao longo das eras já experimentou: a tentação de se acusar de fracasso, quando um mandado claro de Deus parece não ter sido cumprido.


Por que Jesus, ou qualquer homem ou mulher de Deus

haveria de dizer essas palavras em desespero:

"Eu trabalhei em vão" ?


Como poderia o próprio Filho de Deus fazer uma declaração destas? E por que gerações de crentes fiéis têm sido reduzidas à palavras tão enganosas? É tudo resultado de se comparar resultados pequenos com altas expectativas.

Pode-se pensar: "Esta mensagem parece que se aplica só a ministros, ou àqueles chamados para realizar uma grande obra para Deus. Percebo que ela é dirigida a missionários ou a profetas da Bíblia. Mas o que ela tem a ver comigo?".

A verdade é que todos nós somos chamados a um grande propósito em comum, e a um ministério: ou seja, sermos como Jesus. Somos chamados a crescer em Sua semelhança, a sermos transformados em Sua imagem. Você simplesmente não pode ser um cristão a menos que esse seja o seu chamado, esse seja o seu único alvo na vida: "Quero me tornar mais e mais como Cristo. Quero ser liberto de todo egoísmo, de toda ambição humana, de toda inveja, impaciência, ira, e da atitude de pensar mal dos outros. Quero ser tudo aquilo que Paulo diz que eu devo ser - para andar em fé e em amor. Senhor, o meu coração anseia ser como Tu".

Que expectativas elevadas! E você tem todas as promessas de Deus para lhe sustentar. Você segura nas mãos a espada de dois gumes, e seu coração se propõe a ser como Jesus. Então você começa a agir para se tornar como Ele.

Em pouco tempo, algumas mudanças maravilhosas começam a acontecer. Você fica mais paciente. Cada reação carnal que surge dentro de si, você rejeita, dizendo: "Isso não é ser igual a Jesus". A sua família, amigos, vizinhos e companheiros de trabalho percebem que você se torna melhor. Toda noite, você pode curtir a vitória daquele dia, e se parabeniza dizendo: "Consegui! Fui mais bondoso hoje. Hoje foi um dia bom, semelhante a Jesus".

Há alguns meses atrás, escrevi uma mensagem intitulada "Chamados para a semelhança de Cristo". Nela digo que a semelhança com Cristo começa em sermos como Jesus junto àqueles que estão perto de nós. Verdadeiramente creio nisso. Logo, se você é casado, essa pessoa mais perto é o seu cônjuge. Então me dispus a me tornar o esposo mais semelhante a Cristo que um homem pode ser. E trabalhei nisso, me esforçando para ser mais paciente, compreensivo e atencioso.


Na primeira semana, batalhei para rejeitar toda e qualquer irritação. Fiquei o tempo todo recordando: "Jesus não iria fazer isso. Ele não iria dizer o quê quero dizer. Então não vou dizer. Vou ser como Ele".

No fim da semana, perguntei à minha esposa Gwen, "Você tem visto mais de Jesus em mim?". Ela respondeu, "Sim, eu vejo". Fiquei encorajado. Eu pensei, "É isso aí. Finalmente, após todos estes anos, descobri o quê é preciso fazer para ficar mais como Jesus".

Então a semana ruim chegou. Perdi a minha semelhança com Cristo - pelo jeito a cada movimento. No fim da semana, perguntei a Gwen, "O quê você acha de mim agora?". Ela disse, "Mais parecido com Paulo".

Eu gostaria de dizer que a cada dia, sob todos os aspectos, estou me tornando mais como Jesus. Mas a minha luta humana na carne para ser tal como Cristo simplesmente não funcionou. E o fato é que nunca funcionará. Eu continuo lutando com pensamentos, palavras e sentimentos diferentes dos de Cristo. A minha carne não possui a habilidade de lançar fora a carne. Tal trabalho é feito unicamente pelo Espírito Santo: "Se, pelo Espírito, mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis" (Romanos 8:13). Em resumo, render-se à obra do Espírito Santo é a única maneira de se tornar verdadeiramente como Cristo.

É em meio à essa guerra contra a carne que muitas vezes caímos no engano. Somos tentados a pensar que fomos chamados, ungidos, e que aprendemos de mestres piedosos - e assim sendo, por que então continuamos a pensar em coisas da carne. Às vezes sucumbimos diante dos mesmos pensamentos que ressoaram ao longo das eras entre o povo de Deus: "Trabalhei em vão. Desperdicei o meu tempo e a minha força. Jamais vi acontecendo aquilo que Deus me prometeu. Não consegui realizar os planos e atos".


Pergunte a qualquer jovem que esteja se afastando de Cristo

por que se esfriou com Ele


Se você perguntasse a um jovem ou à uma jovem, "Por que você voltou ao que era antes?", encontrará a mesma mentira demoníaca plantada no coração deles: "Eu fiz o possível. Orei, li a Bíblia. Fui à igreja, e testemunhei para os meus amigos na escola. Me esforcei ao máximo para viver de modo reto. Mas nunca recebi o milagre que eu precisava. As minhas orações não eram respondidas, e não era liberto. Depois de tudo isso, acabei derrotado. Eu não conseguia tirar da minha cabeça a coisa de que não adiantava, que a minha carne não iria mudar nunca. E que era perda de tempo. Eu sentia que tudo que fizera fora em vão".

E os pais e as mães retos, que tão diligentemente oraram pelos filhos que estavam esfriando? Deus lhes deu promessas e eles se agarraram à elas, clamando a Ele em fé. Mas o tempo passou e o filho nunca reagiu. E agora estes consagrados santos suportam a mesma terrível mentira: "Você falhou, trabalhou em vão. Perdeu tempo estes anos todos. Essa luta só serviu para te esgotar. Não adiantou nada".

Muitos que leem esta mensagem estão desanimados porquê não experimentaram a promessa que Deus lhes fez. Eles não invejam as bênçãos que o Senhor dá aos outros. Eles não se comparam com alguém que pareça estar desfrutando de um milagre. Não, no momento estão olhando para as suas próprias vidas. E estão comparando o que creem Deus lhes prometeu com o quê parece estar acontecendo nesse momento. Para eles, suas vidas parecem um fracasso absoluto.

Examinando o seu caminhar com toda a honestidade e sinceridade, eles parecem ver pouco progresso. Fizeram tudo que Deus lhes disse para fazer, sem jamais hesitar diante de Sua palavra e mandamentos. Mas o tempo passa, e eles vêem apenas o fracasso. E agora estão aniquilados, com o espírito ferido. Eles pensam, "Senhor, será que tudo foi em vão? Será que ouvi a voz errada? Será que fui enganado? Será que a minha missão terminou em ruínas?".


Há duas coisas que eu quero colocar em sua mente

com essa mensagem


Primeiro de tudo, você agora sabe a partir de Isaías 49 que o Senhor conhece a sua batalha. Ele a lutou antes de você. E não é pecado ter pensamentos assim, ou ver-se deslocado com um sentimento de fracasso diante de experiências que lhe despedaçam. Jesus mesmo experimentou isso e era sem pecado.

Segundo, é muito perigoso permitir que essas mentiras do inferno infectem e incendeiem a sua alma. Jesus nos mostrou como sair desse desânimo com a seguinte declaração: "Debalde tenho trabalhado...todavia o meu direito está perante o Senhor, a minha recompensa, perante o meu Deus" (Isaías 49:4). Em hebraico a palavra direito aqui é "veredicto". Cristo está dizendo em verdade, "O veredicto final está com o meu Pai. Somente Ele julga tudo que fiz, e se fui eficiente ou não".

Através dessa passagem Deus está reforçando o seguinte para nós: "Pare de emitir veredictos em relação ao teu trabalho para Mim. Não é da sua conta julgar se foi eficiente ou não. Você ainda não sabe o tipo de influência que teve. Você simplesmente não tem a visão para conhecer as bênçãos que lhe estão chegando". Na verdade, não conheceremos muitas destas coisas enquanto não estivermos diante dele na eternidade. Em Isaías 49, Jesus ouve o Pai dizendo com todas as letras:

"Sim, Israel ainda não foi reunido. Sim, eu lhe chamei para reunir as tribos, e isso não aconteceu do jeito que o imaginavas. Mas esse chamado é uma coisa pequena comparado com o quê lhe deverá vir. Não se compara com o que tenho preparado. Eu agora vou lhe tornar em luz para o mundo todo. Israel será finalmente reunido; essa promessa será cumprida. Mas tu te tornarás uma luz não apenas para os judeus, mas para os gentios. Tu trarás salvação para o mundo inteiro".

"Israel não se deixou ajuntar; contudo aos olhos do Senhor serei glorificado, e o meu Deus será a minha força. Disse mais: Pouco é que sejas o meu servo, para restaurares as tribos de Jacó, e tornares a trazer os guardados de Israel; também te dei para luz dos gentios, para seres a minha salvação até à extremidade da terra" (Isaías 49:5-6).

Prezado santo, enquanto o diabo está mentindo, dizendo que tudo que você fez foi em vão, que nunca verá cumpridas as suas expectativas, Deus em Sua glória está preparando uma bênção maior. Ele tem coisas melhores preparadas, acima de qualquer coisa que você possa imaginar ou pedir.

Não devemos mais ouvir as mentiras do inimigo. Pelo contrário, devemos descansar no Espírito Santo, crendo que Ele cumprirá a obra de tornar-nos mais como Cristo. E devemos nos erguer da desesperação e nos sustentar sobre essa palavra: "Sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor" (I Coríntios 15:58).

Chegou a hora da abundância em seus trabalhos. O Senhor está lhe dizendo basicamente: "Esqueça e abandone essa 'ideia de fracasso'. Está na hora de voltar para a obra. Nada foi em vão! Há muita coisa chegando para ti - então pare com esse abatimento e alegre-se. EU não deixei você pra trás. Proverei abundâncias maiores do que você possa imaginar ou pedir!".


World Challenge, P. O. Box 260, Lindale, TX 75771, USA.http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts051219.html
Sermão do Pastor David Wilkerson em 19/09/2005
Autor: Pastor David Wilkerson
Tradução João Cruzué - via Olhar Cristão 
Aqui eu Aprendi!
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