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sábado, 28 de março de 2015

A Igreja e a Lei de Deus - Os Dez mandamentos

Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei
Romanos 3.31

Quando Jesus de Nazaré veio ao mundo terreno, Ele mostrou que a principal razão da sua vinda era esta: "Eu vim para que tenham vida e a tenham com abundância" (Jo 10.10).

Jesus de Nazaré é a Palavra encarnada. É o cumprimento de toda a lei: "E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas (Mateus 22.34-40)". Não podemos fazer com a Lei de Cristo o que os escribas fizeram com os Dez Mandamentos: Atentar para a dureza da Lei e esquecer-se do olhar amoroso que ela nos demanda.

Mais importante que obedecer a letra é alcançar o espírito da Lei, que é Cristo. Assim o apóstolo Paulo ratifica: "Com efeito: Não adulterarás, não matarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não cobiçarás, e, se há algum outro mandamento, tudo nesta palavra se resume: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. O amor não faz mal ao próximo; de sorte que o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.9,10). Quer cumprir a Lei de Deus de todo coração? Ame! Contra o amor não há lei. Por quê? O amor é o cumprimento da lei. Em vez de decorarmos uma lista de "pode não pode", devemos fazer tudo baseado no amor — naturalmente a Bíblia não se refere ao amor romântico das telas de Hollywood, mas à disposição de se fazer o que tem de ser feito em favor do outro, segundo o Evangelho —, então cumpriremos a lei de Deus na íntegra. O nosso Senhor resumiu toda a lei ao dizer que o seu objetivo é levar os homens à plenitude do amor. Aqui está o seu significado: "E disto demanda a Lei e os Profetas" (Mt 22.40).

Precisamos relembrar que o Decálogo tem uma divisão natural que versa sobre o relacionamento do homem com Deus e do homem com o seu próximo. A nossa relação com a lei de Deus deve se dá nestes termos: vertical, amando a Deus de todo coração e alma; horizontal, amando o próximo como a si mesmo. Mais do que quaisquer perspectivas de interpretação, o mais importante é nos conscientizarmos da importância dos princípios eternos de Deus revelados na sua Palavra e interpretados pela pessoa bendita de Jesus de Nazaré. Por isso, toda leitura do Antigo Testamento precisa e deve ser feita tendo Jesus como a chave hermenêutica da nossa leitura e interpretação.
Revista ensinador Cristão. Ed.CPAD Ano 16 - N° 61.

O Senhor Jesus definiu de maneira clara a relação entre o Antigo e o Novo Testamento, entre a Lei e o Evangelho.

COMENTÁRIO
Caro  leitor amigo, com a graça de Deus, chegamos ao final do trimestre.
Esperamos que cada lição tenha contribuído para o seu crescimento espiritual e de seus alunos. É importante que, você professor(a), nesta última lição enfatize que ninguém pode ser justificado pelas obras da lei (Gl 2.16). O Decálogo nunca teve a função de salvar, mas de conduzir as pessoas a Cristo, o único que cumpriu toda a lei (Gl 3.11, 24). A lei veio para apontar e condenar o pecado do homem (Rm 3.20; 7.7). A única maneira pela qual a humanidade pode ser redimida é pela fé em Jesus Cristo. Contudo, não podemos nos esquecer de que a fé em Jesus é a chave para o cumprimento da lei.

INTRODUÇÃO
A lei de Deus e os Dez Mandamentos não são a mesma coisa. Os Dez Mandamentos encabeçam os demais preceitos entregues por Deus a Moisés no monte Sinai desde Êxodo 19.16-19 até Levítico 26.46; 27.34. Esses preceitos são identificados com frequência como estatutos, juízos, leis e mandamentos. Muitos deles são repetidos nos livros de Números e Deuteronômio. Todo esse sistema legal integra o Pentateuco, que aparece na Bíblia como lei, livro da lei, lei de Moisés, lei de Deus, lei do Senhor.

É oportuno aqui esclarecer o que a Bíblia quer dizer quando usa as palavras "lei de Deus". O termo aparece sete vezes nas Escrituras, quatro no Antigo Testamento e três no Novo, e em nenhum lugar diz respeito ao Decálogo. As quatro primeiras ocorrências se referem a toda a lei de Moisés, ao Pentateuco, como livro: "Josué escreveu estas palavras no livro da Lei de Deus" Os 24.26); "E leram o livro, na Lei de Deus... ele lia o livro da Lei de Deus" (Ne 8.8,18); "e convieram num anátema e num juramento, de que andariam na Lei de Deus, que foi dada pelo ministério de Moisés, servo de Deus; e de que guardariam e cumpririam todos os mandamentos do SENHOR, nosso Senhor, e os seus juízos e os seus estatutos" (Ne 10.29). Assim, as expressões "lei de Deus", "lei do Senhor" e "lei de Moisés" dizem respeito à mesma coisa (Ne 8.1, 8, 18; Lc 2.22, 23). Trata-se do Pentateuco no seu todo, e não apenas do Decálogo, do livro, e não das tábuas de pedra.

As outras três aparecem somente em Romanos, e nenhuma delas diz respeito ao Decálogo: "Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus... Dou graças a Deus por Jesus Cristo, nosso Senhor. Assim que eu mesmo, com o entendimento, sirvo à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado" (Rm 7.22, 25). O termo "lei" aparece cerca de 70 vezes nesta epístola com amplo significado, cuja explanação não cabe aqui. A "lei de Deus" neste contexto contrasta a "lei do pecado", mostrando tratar-se de um princípio. A outra ocorrência é no capítulo seguinte: "Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser" (Rm 8.7). O homem carnal não tem lei nem se submete à vontade de Deus que o apóstolo chama de "lei de Deus". [1]

Os judeus usavam o termo a Lei em quatro acepções diferentes:
  • 1- Usavam-no para designar aos Dez Mandamentos.
  • 2- Usavam-no para designar os cinco primeiros livros da Bíblia, essa porção das Escrituras que também se conhece como o Pentateuco – que significa literalmente Os cinco rolos – e que era para os judeus a Lei por excelência e a parte mais importante das Escrituras.
  • 3- Usavam a expressão A Lei e os Profetas para denotar a totalidade das Escrituras; era uma espécie de descrição ampla que abrangia a totalidade do Antigo Testamento.
  • 4- E também a usavam para descrever a lei oral, ou dos escribas.
Sendo este último(4) significado, nos tempos de Jesus, era o mais freqüente, e é precisamente esta lei dos escribas a que tanto Jesus como Paulo condenavam de maneira radical.


Vejamos as Leituras Bíblicas:
Mateus 5
17 — Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas; não vim ab-rogar, mas cumprir.
18 — Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei sem que tudo seja cumprido.
19 — Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos e assim ensinar aos homens será chamado o menor no Reino dos céus; aquele, porém, que os cumprir e ensinar será chamado grande no Reino dos céus.
20 — Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus.

Romanos 7
7 — Que diremos, pois? É a lei pecado? De modo nenhum! Mas eu não conheci o pecado senão pela lei; porque eu não conheceria a concupiscência, se a lei não dissesse: Não cobiçarás.
8 — Mas o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, despertou em mim toda a concupiscência: porquanto, sem a lei, estava morto o pecado.
9 — E eu, nalgum tempo, vivia sem lei, mas, vindo o mandamento, reviveu o pecado, e eu morri;
10 — e o mandamento que era para vida, achei eu que me era para morte.
11 — Porque o pecado, tomando ocasião pelo mandamento, me enganou e, por ele, me matou.
12 — Assim, a lei é santa; e o mandamento, santo, justo e bom.

I. O QUE SIGNIFICA "CUMPRIR A LEI"?
1. COMPLETAR A REVELAÇÃO.
A que se referia Jesus, então, quando falava de "a Lei"? Disse que não tinha vindo para destruir a lei e sim para cumpri-la. Quer dizer, veio para pôr de manifesto o verdadeiro significado da Lei. Qual era o verdadeiro significado da Lei? Mesmo por trás da lei oral dos escribas e fariseus, havia um grande princípio de crucial importância, que estes não compreendiam a não ser de maneira equivocada e imperfeita. Este grande princípio fundamental é que em todas as coisas o homem deve procurar a vontade de Deus e que uma vez que a conhece deve dedicar toda sua vida a obedecê-la. Os escribas e fariseus tinham razão ao procurar a vontade de Deus, e não se equivocavam ao dedicar a vida a sua obediência; mas se equivocavam ao acreditar que suas centenas e milhares de insignificantes normas legalistas eram a vontade de Deus.

Qual é, pois, o verdadeiro princípio, que respalda a Lei em sua totalidade, esse princípio que Jesus deveu cumprir, esse princípio cujo verdadeiro significado veio a nos mostrar?
Quando examinamos os Dez Mandamentos, que são a essência e o fundamento de toda a Lei, podemos nos dar conta que todo o seu significado pode resumir-se em uma só palavra – respeito, ou até mais adequadamente, reverência. Reverência para com Deus e para o nome de Deus, reverência pelo dia de Deus, respeito aos pais, respeito à vida, respeito à propriedade, respeito à personalidade, respeito à verdade e ao bom nome de outros, a respeito a si mesmo, de tal modo que jamais possam chegar a nos dominar os maus desejos. Estes são os princípios fundamentais que resumem o significado dos Dez Mandamentos. Os princípios fundamentais dos Dez Mandamentos são a reverência para com Deus e o respeito a nossos semelhantes e a nós mesmos. Sem esta reverência e este respeito fundamentais não pode haver Lei. Sobre estas atitudes se apóia toda lei.

E é esta reverência e este respeito o que Jesus deveu cumprir. Veio para demonstrar aos homens, em sua própria vida concreta de cada dia, o que é a reverência para com Deus e o respeito para com o homem. A justiça, diziam os gregos, consiste em dar a Deus e aos homens o que merecem. Jesus veio para mostrar, na vida, o que significa a reverência que Deus merece e o respeito que o homem merece.
Essa reverência e esse respeito não consistiam na obediência de uma multidão de meticulosas regras e estatutos. Não exigia o sacrifício, a e sim a misericórdia; não era um legalismo e sim o amor; não era uma série de proibições que estipulavam detalladamente o que não se devia fazer, e sim uma série breve de mandamentos fundamentais que levavam o crente a modelar sua vida a partir do mandamento positivo: o do amor. A reverência e o respeito que constituem o fundamento dos Dez Mandamentos jamais passarão. São a própria substância da relação de cada indivíduo com Deus e com o seu próximo. [2]

O verbo ab-rogar significa “soltar”, “desatar”, “desprender” como se faz com uma casa ou tenda (2 Co 5.1).
O verbo grego para cumprir é pleroo e significa “encher por completo” ou “completar”. Foi o que Jesus fez com a lei cerimonial, que o apontava.

A manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação. (ver Hebreus 1.1,2)

2. CUMPRIMENTO DAS PROFECIAS.
Jo 19.36 Por meio de um enfático ―pois‖ João nos revela o que de fato lhe era grandioso nesse acontecimento todo. ―Pois isso aconteceu para se cumprir a Escritura.‖ Aqui aconteceu algo surpreendente e de forma alguma previsível. Na realidade deveria ter acontecido com Jesus exatamente a mesma coisa que aconteceu com os outros dois ao lado dele. Mas ele terminou sua vida com uma rapidez surpreendente. Por isso suas coxas não foram quebradas. Em troca, foi perfurado pelo golpe de uma lança. E isso não é uma ―coincidência‖ exótica. Não, aqui se cumpre de forma maravilhosa a Escritura, mais uma vez confirmada perante os olhares de cada pessoa que deseja ouví-la seriamente. A instrução sobre o cordeiro da Páscoa em Êx 12.46; Nm 9.12 determina: ―Nenhum osso lhe deve ser quebrado.‖ Contra todas as expectativas foi isso que sucedeu com Jesus, e assim Ele foi atestado como o verdadeiro Cordeiro da Páscoa. Jesus morre na hora em que os cordeiros para a Páscoa eram abatidos no templo, e é preservado de ter seus ossos quebrados. [3]

Era um costume romano abandonar os cadáveres na cruz, deixando-os aos cães e abutres. Mas havia uma lei judaica que “proibia deixar um corpo no local da execução de um dia para outro”. Por essa razão, e porque era a preparação, i.e., a véspera do sábado, os judeus... rogaram a Pilatos que quebrassem as pernas das vítimas, e fossem tirados. Esta prática brutal, conhecida como crurifragium, era usada como um meio de apressar a morte. Ela envolvia a quebra das pernas das vítimas com uma grande marreta. Os soldados fizeram isto com os dois ladrões que foram crucificados com Jesus. Mas, vindo a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas. João registra aqui o cumprimento das Escrituras: Nenhum dos seus ossos será quebrado ; cf. Êx 12.46; Nm 9.12. Jesus foi o sacrifício perfeito, tanto na morte quanto na vida. [4]

3. O CENTRO DAS ESCRITURAS.
São estas as palavras que vos disse estando ainda convosco (Lucas 24 vs44). Jesus se refere ao seu ministério, até à hora da sua crucificação, como a alguma coisa que já fazia parte do passado. As palavras estando ainda convosco não só predizem a sua ascensão, mas também indicam que mesmo naquele momento em que está falando, Ele não está “com eles”, no mesmo sentido usado anteriormente. Sua morte e ressurreição mudaram o mortal para imortal, e criaram uma diferença entre eles que apenas a morte e a ressurreição deles próprios poderiam lhes permitir transcender. Convinha que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na Lei de Moisés, e nos Profetas, e nos Salmos. A Lei, os Profetas e os Salmos são as três principais divisões das Escrituras Hebraicas. Deste modo, Jesus está se referindo à série completa da profecia messiânica, da primeira promessa em Gênesis 3.15 até o Livro de Malaquias. Ele deixa claro um vínculo inseparável entre Ele mesmo e esta profecia do Antigo Testamento. O Senhor lembra aos seus discípulos que Ele deixou este ponto claro enquanto ainda estava com eles. Antes de sua morte, a ênfase era de que se cumprisse tudo, e se referia ao seu ministério terreno. [5]

Os escritores do Novo Testamento reconhecem a presença de Cristo na história da redenção. O Espírito Santo conduziu a Revelação na vida do povo israelita de tal maneira que os apóstolos puderam observar cada pormenor na vida e no ministério terreno do Senhor Jesus Cristo. A ideia cristológica está completamente embutida na lei e nos profetas. Todo o pensamento bíblico gira em torno de Jesus (Rm 1.2; 10.4). Todo o Antigo Testamento converge para o Senhor Jesus; Ele mesmo reconhecia isso (Lc 24.44).

As profecias se cumpriram em Cristo e, por isso, as Escrituras expõem que toda Lei foi cumprida em Jesus.

II. O SENHOR JESUS VIVEU A LEI
1. PRECEITOS CERIMONIAIS.
É comum ouvir falar de lei moral, lei cerimonial e lei civil. Os preceitos morais estão resumidos nos Dez Mandamentos. São os que tratam dos princípios básicos morais (alguns chegam a considerar erroneamente o sábado como preceito moral). É única porção do Pentateuco escrita pelo dedo de Deus em duas tábuas de pedra. A própria nação de Israel viu e ouviu Deus entregando essa parte da lei a Moisés. Essa é outra característica distintiva do Decálogo. A lei cerimonial é a parte que trata das festividades religiosas, do sistema de sacrifício e da adoração no santuário, dos alimentos limpos e imundos e das instruções sobre a pureza ritual, entre outros. [1]

Poderemos ver a explicação dos preceitos cerimonias, civis e morais na postagem "O padrão da Lei Moral" e seu cumprimento na vida e na obra de Cristo.

O Senhor Jesus cumpriu o sistema cerimonial da lei na sua morte (Mt 27.50,51; Lc 24.46). As instituições de Israel com suas festas, os holocaustos e os diversos tipos de sacrifícios da lei de Moisés eram tipos e figuras que se cumpriram em Cristo (Hb 5.4,5; 1Co 5.7). Assim, as cerimônias cessaram, mas o significado foi confirmado (Cl 2.17) [1]

2. PRECEITOS CIVIS.
A lei civil diz respeito à responsabilidade do israelita como cidadão; são regulamentos jurídicos e instruções que regiam a nação de Israel. Convém salientar o que já foi dito na primeira lição: "Embora essa distinção tripartite seja antiga, seu uso como fundamento para explicar a relação entre os testamentos não é demonstravelmente derivada do Novo Testamento e provavelmente não é anterior a Tomás de Aquino" (CARSON, 2011, p. 179). Os preceitos cerimoniais e civis derivam dos preceitos morais. Esses três tipos de lei estão presentes no Pentateuco, entretanto, tudo é a lei de Moisés. [1]

Lutero dizia que a função civil da lei ainda continua para manter a ordem e o bem-estar da sociedade. Segundo Martyn Lloyd-Jones, Jesus cumpriu também o sistema jurídico da lei. Com sua morte, Ele transferiu os privilégios de Israel para a Igreja (Êx 10.6,7; 1Pe 2.9,10). Jesus disse às autoridades judaicas que “o Reino de Deus vos será tirado e será dado a uma nação que dê os seus frutos” (Mt 21.43). Com isso, Israel deixou de ser um Estado Teocrático. A Igreja é a plataforma de Deus na Terra para anunciar a verdade (1Tm 3.15).

3. PRECEITOS MORAIS.
Há uma interpretação entre os cristãos de que a lei moral é eterna, portanto, para a atualidade. A lei cerimonial se cumpriu na vida e na obra de Jesus Cristo. A lei civil cumpriu sua função até que Israel deixou de ser um estado teocrático, e a Igreja não é um estado. Tudo isso são interpretações. É verdade que a lei cerimonial se cumpriu em Jesus, pois todo o sistema e ritos do tabernáculo apontavam para o Messias. Israel perdeu a condição de estado teocrático (Mt 21.43), e os privilégios de Israel foram transferidos para a Igreja (Êx 19. 6,7; 1 Pe2. 9,10). O Senhor Jesus cumpriu todos os preceitos morais durante sua vida terrena. Em nenhum lugar o Novo Testamento diz que a lei moral se resume a amar a Deus e ao próximo, mas abrange toda a lei: "Desses dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas" (Mt 22.40). O apóstolo Paulo afirma: "Porque quem ama aos outros cumpriu a lei" (Rm 13.8). Em seguida, ele cita cinco mandamentos do Decálogo, mas não na seqüência canônica, e depois volta a enfatizar que "o cumprimento da lei é o amor" (Rm 13.10). [1]

A Igreja segue a lei de Cristo, a lei do amor, e não o sistema mosaico (Rm 6.14; 13.9,10; Gl 5.18) - Jesus Cristo viveu toda a Lei.

"Não cuideis que vim destruir a lei ou os profetas: não vim abrogar, mas cumprir. Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido." Mateus 5:17-18

"O texto de Mateus 5.17,18 mostra a expressa e total obediência de Jesus à lei do Antigo Testamento, pois a lei não pode ser anulada.
A “lei que o crente é obrigado a cumprir consiste nos princípios éticos e morais do Antigo Testamento (Rm 3.31; Gl 5.14); bem como nos ensinamentos de Cristo e dos apóstolos (1Co 7.19; Gl 6.2). Essas leis revelam a natureza e a vontade de Deus para todos e continuam em vigor. As leis do Antigo Testamento destinadas à nação de Israel, tais como as leis sacrificais, cerimoniais, sociais ou cívicas, já não são obrigatórias (Hb 10.1-4)”
(Bíblia de Estudo Pentecostal. RJ, CPAD, p.1393)


III. A LEI NÃO PODE SER REVOGADA
1. JESUS REVELA SEU PENSAMENTO SOBRE A LEI.
Talvez o discurso de Jesus sobre as Bem-aventuranças tivesse deixado dúvida sobre a posição de Cristo a respeito da lei e dos profetas. Ele não era um reacionário*; nasceu conforme a lei e viveu de acordo com ela (Lc 2.21-24; 4.15,16; Gl 4.4). Jesus falou de maneira direta que não veio revogar a lei e nem os profetas, mas veio para cumprir (Mt 5.17). Havia chegado o momento de esclarecer seu pensamento sobre a lei.

A ideia cristológica não se restringe a esses vaticínios* e ocupa todo o pensamento das Escrituras hebraicas. A provisão do Antigo Testamento sobre a obra redentora de Deus em Cristo é muito rica de detalhes. Os escritores do Novo Testamento reconhecem a presença e a obra de Cristo na história da redenção (Os 11.1; Mt 2.15) e nas suas instituições e festas (Êx25.8; Jo l.l4;Hb5.4,5;Êx 12.3-13; Lc 22.15; 1 Co 5.7). A lei e os profetas convergem para Jesus; ele é o cumprimento das Escrituras do Antigo Testamento (Lc 24.26,27,44).

A expressão "a lei e os profetas" aparece com frequência no Novo Testamento para designar as Escrituras do Antigo Testamento (Mt 7.12; 22.40; At 13.15; Rm 13.21) ou fraseologia similar (Mt 11.13; Jo 1.45; At 28.23). Mas a presença do "ou" disjuntivo aqui mostra duas partes distintivas, em que nem uma e nem outra é para ser abolida (Jo 10.35). Aqui não se trata apenas dos preceitos morais, e o Decálogo nem sequer é mencionado no Novo Testamento como tal. Jesus fala ainda a respeito da existência de mandamentos menores: "Qualquer, pois, que violar um destes menores mandamentos" (Mt 5.19). Isso por si só invalida a interpretação de que a lei é uma referência aos preceitos morais. Existem mandamentos menores entre os preceitos morais? A resposta é não. Jesus, portanto, está se referindo a todo o sistema mosaico e às demais Escrituras do Antigo Testamento. [1]


*vaticínios: ação ou efeito de predizer (prever); profecia. Ação de supor aquilo que poderá acontecer ou se tornar realidade; prognóstico.

*reacionário: Que se refere ou pertence ao que é favorável à reação.
Contra quaisquer mudanças sociais ou politicas: ideologia reacionária; militante reacionário.
Antidemocrático; que se opõe à democracia.


2. “ATÉ QUE O CÉU E A TERRA PASSEM”.
"Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til jamais passará da lei, sem que tudo seja cumprido." Mateus 5:18

O jota se refere ao yõd (’),a menor letra do alfabeto hebraico; ocupa a metade da linha na escrita. O til, keraia, em grego, "tracinho, parte de uma letra, acento" (Lc 16.17), é um sinal diacrítico para distinguir uma letra da outra. A autoridade da lei permanece mantida até no "menor traço." E o termo "lei" no Novo Testamento, às vezes, se estende a todo o Antigo Testamento (Jo 10.34; Rm 3.19; 1Co 14.21). Parece que o Senhor Jesus se refere aqui às Escrituras, de qualquer forma, seja a lei ou todo o Antigo Testamento, o certo é que não se trata apenas da lei moral. Sua validade se estenderá até o fim das eras. Isso significa até "que tudo seja cumprido". O verbo grego usado aqui para "cumprir" não é o mesmo do versículo 17, mas gínomai, "ser, tornar, vir a ser, acontecer", eõs panta genêtai, "até que todas essas coisas aconteçam" (Mt 5.18b). Logo, não se trata aqui de obediência aos mandamentos; essas palavras não significam obedecer à lei. A ideia é até que todas essas coisas aconteçam. A lei aqui, portanto, não se refere à Torá nem aos mandamentos, mas a todo o Antigo Testamento, que é a base do Novo, e seus ensinos perduram enquanto existirem os céus e a terra. [1]

3. O MENOR MANDAMENTO (MT 5.19).
Voltando ao "menor dos mandamentos", ele é muito importante porque é parte da lei de Deus. O discípulo que declarar insignificante ou não observar o menor desses mandamentos será chamado de menor no reino dos céus, mas o que o cumprir e o ensinar aos outros será considerado grande no reino dos céus (Mt 5.19). Aquele que violar ou abolir esses pequenos mandamentos ocupará uma posição inferior (1Co 3.12-15). Não significa ficar excluído da felicidade eterna. Agostinho de Hipona, Lutero e Calvino concordam com essa linha de pensamento. [1]

Há muita discussão sobre esta questão. Uns acham que Jesus se referia ao jota e ao til; outros, aos preceitos cerimoniais. Havia longos debates entre os rabinos da época sobre os mandamentos mais leves e mais pesados. Eles consideravam mandamento leve não tomar a mãe com os filhotes num ninho (Dt 22.6). Parece existir, sim, na lei, mandamento de maior ou de menor significância (Mt 23.23). Porém, não é disso que Jesus está falando aqui, pois o enfoque é sobre o anular a autoridade da lei e ensinar que ela pode ser ignorada. O verbo grego é lyo, cuja ideia básica é “desatar, desamarrar, soltar”, empregado mais adiante para “anular” (Jo 10.35).


IV. A LEI E O EVANGELHO
1. O PAPEL DA LEI.
"De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados." Gálatas 3. 24
A palavra «...aio...», no original grego, é «pedagogos», que significa «guia», «auxiliar». Essa palavra não significa aqui'«mestre-escola», «tutor», aquele que tinha a incumbência de educar uma criança. Pelo contrário, está em foco a idéia de um «auxiliar» ou «guardião»; Usualmente se tratava de um escravo, que cuidava da criança desde os seis aos dezesseis anos de idade. Tinha por tarefa disciplinar a criança, podendo corrigir as suas faltas por meios apropriados para a ocasião. Um dos seus deveres era o de acompanhar a criança para a escola, cuidando para que nenhum perigo a ameaçasse. Mas quando a criança atingia a idade apropriada, cessava a autoridade do «guardião», e a criança não mais era responsável perante ele, e nem mais estava sujeita às suas exigências.

Assim sendo, propositadamente Paulo frisou o ponto que um ser «espiritualmente adulto» já passou do período em que precisa de tal orientação do «aio». Os deveres de tal guia eram limitados e temporários.

Aquele que tem a Cristo como seu mestre dificilmente precisa ainda da ajuda de um tal «auxiliar». Não obstante, a lei tinha uma função importante, a despeito de ser temporária, embora não separadamente de Cristo, mas antes, como caminho que apontava Cristo para o indivíduo. No entanto, os oponentes de Paulo, existentes nas igrejas da Galácia, haviam exagerado de tal modo a importância e as funções da lei que faziam da fé em Cristo algo virtualmente supérfluo. Pelo menos, no conceito deles, a lei não ocupava posição inferior à de Cristo, no tocante à redenção. Mas aqui Paulo contrasta a lei com Cristo, situando cada qual dentro de sua perspectiva apropriada.

A idéia expressa aqui por alguns intérpretes, de que os gentios, que nunca estiveram debaixo da lei, também nunca foram conduzidos pelo «aio», é perfeitamente correta. A metáfora de Paulo se aplica somente à nação de Israel, bem como aos gentios que se tinham tomado judeus por motivo de convicções religiosas. Assim sendo, certamente era um crime sujeitar os gentios sob o auxiliar da lei, o qual não tinha nenhuma capacidade de salvá-los, posto que até mesmo no caso dos judeus, era temporário esse auxílio. Mas agora não existe mais tal ajuda, tanto no caso dos judeus como no caso dos gentios. Um homem não está mais debaixo da lei em qualquer sentido, nem como um meio de salvação e nem como um meio de santificação. Não somos nem justificados e nem santificados pela lei.

Que a lei não tem a serventia de justificar-nos e de santificar-nos é óbvio pelo fato de que a «santificação» faz parte da transformação do crente segundo a imagem de Cristo (e, portanto, parte da própria salvação), como operação que só pode ser realizada pelo Espírito Santo. (ver Gl.5 22,23), Essa transformação independe de qualquer «princípio legal». Tal transformação requer a «lei do Espírito», isto é, a atuação do princípio espiritual no ser mais íntimo do crente, segundo se aprende em Rm.8 2. Assim, pois, a lei não é a «regra da vida». A regra da vida é aquela orientação íntima do Espírito. Naturalmente, existem valores morais eternos que se refletem na lei; mas tais valores não são aplicados legalmente, e, sim, mediante contactos místicos com o Espírito de Deus. E esse é um princípio normativo que, ao mesmo tempo, é um princípio que transmite força e capacidade.

E deveras lamentável que os reformadores, que perceberam claramente que a justificação não vem através da lei, tenham deixado a igreja «debaixo da lei», como «regra de fé e prática». Assim é que em seus comentários sobre o versículo anterior, Lutero (in loc.) se refira aos «abusos contra a lei», um dos quais seria, ainda segundo ele, que muitos cristãos supõem que a «liberdade» os isenta da «observância da lei». Pergunta ele: «Quem são esses que usam de sua liberdade como capa de malícia, e levam ao opróbrio o nome do evangelho de Cristo?» Ê verdade que existem cristãos com essa atitude; mas a «liberdade» significa «liberdade das peias da lei», em todos os sentidos. A lei do Espírito ultrapassa a todas as funções da lei mosaica, para os crentes, e não apenas no tocante à questão da justificação.

«...justificados por fé...» (Quanto a notas expositivas completas sobre a «justificação», ver o trecho de Rm. 3:24,28. O último versículo citado inclui a mesma expressão aqui utilizada).
Este texto não faz de Cristo o «mestre-escola», e a lei de «auxiliar» do mesmo, que conduziria as «crianças» ao Salvador. Naturalmente, tal interpretação expressa certa verdade, mas não aquela diretamente ensinada aqui. [6]

Ninguém é justificado pelas obras da lei (Gl 2.16). A função dela não é salvar, mas nos conduzir a Cristo (Gl 3.11,24). Ela veio para revelar e condenar o pecado (Rm 3.20; 7.7).
Deve o cristão anular a lei?
A resposta paulina é: “De maneira nenhuma! Antes, estabelecemos a lei” (Rm 3.31).
O que isso significa?
Que a fé cristã não é antinomianista, do grego anti “contra”; nomos, “lei”. Isso diz respeito aos que erroneamente pregavam que a graça dispensa a obediência. O apóstolo refutou tal ideia a vida inteira (Gl 5.13).

2. JESUS E MOISÉS ESTÃO DO MESMO LADO.
I Cor 14.21 As línguas, como os coríntios as usavam, eram mais um sinal do julgamento de Deus do que da misericórdia para quaisquer pessoas (v. 21): “Está escrito na lei (isto é, no Antigo Testamento): Por gente doutras línguas e por outros lábios, falarei a este povo; e ainda assim me não ouvirão, diz o Senhor” (Is 28.11,12; comparar Deuteronômio 28.46,49).

Entende-se que o apóstolo se refira a essas passagens. Ambas são entregues na forma de ameaça, e uma supõe-se que interpreta a outra. O significado neste ponto de vista é de que é uma evidência de que o povo está abandonado por Deus quando Ele lhes dá esse tipo de instrução, para a disciplina através daqueles que falam outra língua. E certamente o discurso do apóstolo sugere: “Vós não deveis estar afeiçoados aos sinais do aborrecimento divino. Deus pode não ter recompensas graciosas para aqueles que são deixados meramente a esse tipo de instrução, e que são ensinados em língua que não compreendem. Eles podem nunca ser beneficiados por ensinamentos como esse; e, quando eles forem deixados a ele, será um triste sinal de que Deus os considera irrecuperáveis”. E os cristãos devem desejar estar em tal estado, ou conduzir as igrejas a ele? Contudo, é o que faziam de fato os pregadores coríntios, que sempre apresentavam suas inspirações em uma língua desconhecida. [7]

3. A JUSTIÇA DOS FARISEUS.
A justiça que Cristo veio estabelecer com esta lei deve exceder a dos escribas e fariseus (Mt.5 20 - considerado o versículo-chave do sermão do monte). Esta era uma estranha doutrina para aqueles que consideravam os escribas e fariseus como tendo chegado a posição mais elevada na religião. Os Escribas eram os professores mais admirados da lei, e os Fariseus os seus mestres mais celebrados, e ambos se assentavam na cadeira de Moisés (cap. 23.2) e tinham tal reputação entre o povo, que eram considerados como completamente adaptáveis à lei e as pessoas não se consideravam obrigadas a ser tão boas quanto eles eram. Portanto, foi uma grande surpresa para eles ouvir que deviam ser melhores do que os fariseus e os escribas, ou não iriam para o céu. Desta maneira, Cristo aqui declara com solenidade: “ Vos digo” , ou seja, é assim. Os escribas e os fariseus eram inimigos de Cristo e da sua doutrina, e eram grandes opressores, e ainda assim deve ser reconhecido que eles consideravam isto um elogio. Eles oravam e jejuavam muito e davam esmolas; eram pontuais na observância dos compromissos cerimoniais e a sua função era ensinar os outros; eles tinham tal interesse pelas pessoas, que achavam necessário que, se somente dois homens fossem ao céu, um deles seria um fariseu. Mas aqui o nosso Senhor Jesus diz aos seus discípulos que a religião que Ele veio estabelecer não somente exclui a maldade, mas supera a bondade dos escribas e dos fariseus.

Nós precisamos fazer mais do que eles, e melhor do que eles, ou não chegaremos ao céu. Nós éramos parciais na lei, e atribuíamos mais importância à sua parte ritual. Mas nós devemos ser universais, e não pensar que é suficiente dar à igreja o nosso dízimo, mas dar a Deus os nossos corações. Eles se preocupavam somente com o exterior, mas nós devemos ter consciência da religiosidade interior. Eles procuravam o elogio e o aplauso dos homens, mas nós devemos procurar a aceitação de Deus; eles se orgulhavam do que faziam na religião, e confiavam que o que faziam era justiça; mas nós, quando tivermos feito tudo, precisamos negar a nós mesmos e dizer: “Somos servos inúteis”, e confiar somente na justiça de Cristo, e desta forma poderemos ir além dos escribas e dos fariseus. [7]

Jesus não está desafiando os seus discípulos a seguirem os escrúpulos legalistas dos escribas e fariseus quando afirma: “se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos céus” (Mt 5.20). Antes, ensina que a vida no Espírito requer comunhão com Deus de maneira abundante e profunda, e assim sendo, nenhum dos rabis a experimentou (Rm 8.8-11).

A função da lei não era salvar. O Novo Testamento mostra que sua função era apontar para aquEle que haveria de vivê-la integralmente.

Os mandamentos revelam Deus como uma Pessoa profundamente moral e amável. Como poderíamos nós, que O assumimos como Pai, não tentarmos ser como Ele?” 

PARA REFLETIR
Sobre a Lei:
O que significa cumprir a Lei?
Significa que a manifestação do Filho de Deus tornou explícito o que antes estava implícito, e assim o Senhor completou a revelação.

Devemos seguir a lei de Cristo, a do amor, ou o sistema mosaico?
A lei mosaica se completa na lei de Cristo e do amor.

Jesus não revogou a lei. Mas o que Ele fez?
Ele viveu no seu dia a dia toda a lei.

O que é vida no Espírito?
A vida no Espírito é ter comunhão com Deus de maneira abundante e profunda.

Fale um pouco sobre a relação da lei com a graça.
A lei serviu para apontar o pecado e mostrar que homem algum poderia se tornar justo diante de Deus. A graça é favor imerecido. Éramos pecadores e não merecíamos o amor de Deus, mas Ele nos amou e nos livrou do pecado e do jugo da condenação que estava sobre nós.


Fontes:
[1]Esequias Soares. Os Dez Mandamentos. Valores Divinos para uma Sociedade em Constante Mudança. CPAD
[2]BARCLAY. William. Comentário Bíblico. Mateus.
[3]Werner de Boor. Comentário Esperança Evangelho de João. Editora Evangélica Esperança.
[4]Joseph H. Mayfield. Comentário Bíblico Beacon. João. Ed.CPAD.Vol. 7.pag.158
[5]Charles L. Childers. Comentário Bíblico Beacon. Lucas. Ed.CPAD.Vol. 6.pag. 497
[6]CHAMPLIN, Russell Norman, O Novo Testamento Interpretado versículo por versículo. Ed.Candeias Vol.4
[7]HENRY. Matthew. Comentário Matthew Henry Novo Testamento MATEUS A JOÃO Edição completa.Editora CPAD.
RICHARDS, Lawrence O. Guia do Leitor da Bíblia: Uma análise de Gênesis a Apocalipse capítulo por capítulo. 1ª Edição.CPAD
PFEIFFER .Charles F. Dicionário Bíblico Wycliffe. Editora CPAD
Bíblia de Estudo Pentecostal. Editora CPAD
Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Editora CPAD
Revista Ensinador Cristão - CPAD / Estudantes da Bíblia / Estuda a Licao ebd / Bíblia Defesa da Fé

quinta-feira, 26 de março de 2015

Vínculos afetivos e Aprendizagem

Texto Pedagógico

Vínculos Afetivos e Aprendizagem
por Sulamita Macedo

Há ligação entre o pensar, o fazer, o sentir e o aprender. O vínculo afetivo interfere no processo de aquisição do conhecimento, pois existe relação entre afetividade e aprendizagem. Neste sentido, é relevante analisar a relação que se estabelecer entre professor e alunos, para que o processo de ensinar e aprender seja prazeroso.


Ser professor vai além do “ensinar conteúdo”. O docente deve entender que ele é um facilitador da aprendizagem e também compreender a importância de um bom relacionamento interpessoal e estabelecimento de vínculos com os alunos. Dessa forma, a relação entre o aluno e o professor e o ato de aprender torna-se favorável, pois esta afinidade atua positivamente no processo de aquisição e construção do conhecimento, independentemente da idade.


Nos relatos bíblicos sobre Jesus, observamos que Ele, o Mestre por excelência, considerava as pessoas como foco principal de sua atuação, com o objetivo de alcançá-las através de Sua mensagem que transformava vidas, através de tipos diferenciados de abordagem de acordo com o ouvinte, procurando primeiramente um contato inicial com ela.


Alguns exemplos da atenção que Jesus dispensava às pessoas e Sua iniciativa para começar a comunicação de aprendizagem e atuação:


Crianças: “Trouxeram-lhe, então, alguns meninos, para que sobre eles pusesse as mãos, e orasse; mas os discípulos os repreendiam. Jesus, porém, disse: Deixai os meninos, e não os estorveis de vir a mim; porque dos tais é o reino dos céus” (Mateus 19:13,14).


A viúva que perdeu o filho: “E, vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: Não chores” (Lc 7.13).


Mulher Samaritana: “Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos)” (João 4:7,9).


Zaqueu: “E quando Jesus chegou àquele lugar, olhando para cima, viu-o e disse-lhe: Zaqueu, desce depressa, porque hoje me convém pousar em tua casa” (Lc 19. 5).


Estas situações citadas confirmam que Jesus procurava interagir com o interlocutor e também demonstram que a atenção dispensada às pessoas era relevante para Sua atuação de mestre. Lois Lebar, no livro “Educação que é Cristã”, afirma que “Se Cristo pensasse apenas no conteúdo, todo o seu ensino estaria compreendido em suas palavras. No entanto, a interação com o aluno é a regra e não a exceção” (Lebar, 2009, pag. 83).


Há professores que iniciam a aula falando imediatamente sobre o tema, não procuram inicialmente manter um contato informal ou uma conversa com os alunos, não interagem com eles durante a aula, não sabem os nomes deles, dão pouca ou nenhuma importância ao que o aluno fala ou pergunta. E após a aula, também continua com esta mesma postura, isto é, distante deles.

Sendo assim, o professor está distante do aluno e o aluno do professor, pois não existe elo afetivo, de amizade, de entrosamento e de comunhão. Ele entende apenas que sua função é ensinar sobre a lição. Creio que procede assim, porque ainda não tem conhecimento de que a atitude do professor interfere de forma positiva ou negativa no aprendiz e que aprender depende dos vínculos estabelecidos nas relações afetivas.

A demonstração de afetividade do professor com os alunos reflete sua preocupação e cuidado com eles, com possibilidade de construção da autoestima do aprendente, que se sentirá motivado para participar, perguntar, aprender etc. Atenção, desatenção, respeito, desrespeito, cuidado, rejeição, mau trato, diálogo, conversa, amizade influenciam no desenvolvimento social e cognitivo do aluno.

O aluno é a razão de ser de uma escola, isto é, só existe escola porque há alunos e também professor. Os alunos são o que há de mais importante na aula, mais que os conteúdos e os métodos e os recursos pedagógicos. O corpo discente (alunos) da EBD deve ter atenção especial do professor, para que o ensinamento das verdades bíblicas sejam significativas e prazerosas.

O professor da EBD deve ser aquela pessoa que gosta dos alunos, que vê o aluno não como mero figurante ou mais um para somar nos dados estatísticos da classe. É aquele que se importa com o aluno como gente – ser integral, para isto precisa ter boas relações com ele e criar vínculos de amizade. Sendo assim, eles se sentirão amados, aceitos, acolhidos, seguros e respeitados. Quando há vínculos há uma facilitação para ensinar e aprender.

Nesta perspectiva, Alicia Fernández, psicopedagoga argentina, afirma que “Para aprender, necessitam-se de dois personagens (ensinante e aprendente) e um vínculo que se estabelece entre ambos [...]. Não aprendemos de qualquer um, aprendemos daquele a quem outorgamos confiança e direito de ensinar.” (Fernández, 1991, pag. 47 e 52).

Partindo deste princípio, ao iniciar uma aula o professor da EBD deve falar primeiro com os alunos para depois introduzir o tema da aula.

Vejam estas recomendações da pedagoga e palestrante para professores da EBD Sunamita Macedo (blog Atitude de Aprendiz)
“Professoras e professores, observem estas orientações:

1 – Antes de abordar o tema da aula, é interessante que vocês mantenham uma conversa informal e rápida com os alunos:
- Cumprimentem os alunos.
- Dirijam-se aos alunos, chamando-os pelo nome, para tanto é importante uma lista nominal para que vocês possam memorizar.
- Perguntem como passaram a semana.
- Escutem atentamente o que eles falam.
- Observem se há alguém necessitando de uma conversa e/ou oração.
- Verifiquem se há alunos novatos e/ou visitantes e apresentem cada um.

2 - Este momento não é uma mera formalidade, mas uma necessidade. Ao escutá-los, vocês estão criando vínculo com os alunos, eles entendem que vocês também se importam com eles.
Outro fator importante para estabelecer vínculos com os alunos é através das redes sociais, adicionem os alunos e mantenham comunicação com eles.

3 - Após a chamada, solicitem ao secretário da classe a relação dos alunos ausentes e procurem manter contato com eles durante a semana, através de telefone ou email ou pelas redes sociais, deixando uma mensagem “in box” dizendo que sentiu falta dele(a) na EBD).
Os alunos se sentirão queridos, cuidados, perceberão que vocês sentem falta deles. Dessa forma, vocês estarão estabelecendo vínculos afetivos com seus alunos.

4 – Escolham um momento da aula, para mencionar os nomes dos alunos aniversariantes, parabenizando-os, dando-lhes um abraço, oferecendo um versículo.

5 – Fazendo o que foi exposto acima, somando-se a um professor motivado, associando a uma boa preparação de aula, com participação dos alunos, vocês terão bons resultados! Experimentem!

6 – Agora, vocês iniciam o estudo da lição”.

...O apóstolo Paulo afirma: “...Não me aborreço de escrever-vos as mesmas coisas, e é segurança para vós”(Fp 3.1). E eu também não me canso e nem me aborreço!

Portanto, após a leitura deste texto, espero que tenha sido compreendida a relevância da afetividade para a aprendizagem, elevando a qualidade do ensino e do aprender. Também que haja mudanças positivas nas atitudes do professor e sua relação com os alunos seja estabelecida com vínculos afetivos no ambiente de aprendizagem.

Referências:

BÍBLIA DE ESTUDO PENTECOSTAL. Língua Portuguesa. Revista e corrigida. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.
LEBAR, E. Lois. Educação que é Cristã. Rio de Janeiro: CPAD, 2009
FERNANDÉZ, Alicia. A inteligência Aprisionada. Porto Alegre: Artes Médicas

Fonte:

Texto de Sulamita Macedo - Pedagoga e Palestrante para professores de EBD
blog Atitude de Aprendiz
Aqui eu Aprendi!
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